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Académica OAF 2-2 CD Nacional: Ninguém saiu a sorrir

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futebol nacional cabeçalho

Académica e Nacional empataram a duas bolas, num encontro repleto de emoção e que manteve a equipa de Manuel Machado perigosamente perto dos lugares de descida, onde habita, agora sem a companhia do Boavista, o conjunto orientado por Filipe Gouveia.

A Académica entrou por cima no jogo. Beneficiou do desentendimento do trio do meio-campo do Nacional (Aly Ghazal, Washington e Bonilha), sabendo explorá-lo com mestria, através de Leandro ou Pedro Nuno. O primeiro, através dos buracos que encontrava, aproveitava para lançar o jogo nos flancos, onde Ivanildo e Nii Plange conseguiram desequilibrar com a conivência da defesa nacionalista (Sequeira e João Aurélio estiveram particularmente permissivos); o segundo associava-se à construção ofensiva da equipa, recuando no terreno para aproveitar da melhor maneira o desentendimento entre Aly Ghazal e Washington (chegaram mesmo a discutir), do qual tirou o proveito de criar perigo e/ou lançar Gonçalo Paciência ou os parceiros das alas. Desta conjuntura saíram vários lances de perigo. O primeiro aviso surgiu de Leandro, que do meio da rua atirou para defesa apertada de Gottardi; a seguir foi Pedro Nuno, a fletir da esquerda para o meio para rematar às malhas laterais da baliza guardada pelo brasileiro; e ainda houve tempo, antes do quarto de hora inicial, para João Real corresponder a uma iniciativa de Rafa Soares com um cabeceamento que passou perto da trave da baliza contrária. Um sufoco para o Nacional, que, aos poucos, foi conseguindo travar este caudal ofensivo, acertando posicionamentos, chegando mesmo a criar perigo, ainda que apenas o conseguisse de bola parada – Salvador Agra cobrou uma falta por si conseguida ao segundo poste, onde apareceu Rui Correia a cabecear, em zona privilegiada, perto do poste da baliza dos estudantes. O jogo ganhou equilíbrio, perdeu alguma cor com a diluição de oportunidades de perigo e toda a gente esperava que a primeira parte terminasse encerrada, mas Pedro Nuno tirou da cartola um passe fantástico, directamente do lado esquerdo do meio-campo nacionalista para o flanco contrário, onde apareceu Nii Plange, em velocidade, recebendo a bola com qualidade, disparando, fortemente e sem piedade, para o fundo das redes de Gottardi. Estava inaugurado o marcador a favor dos estudantes. A bola ainda foi ao centro, mas pouco depois Luís Ferreira mandou toda a gente para o descanso. A Académica marcava, segundo dizem, na melhor altura possível…

… o pior é que não sabia que, ao fazê-lo, acordaria o Nacional. Manuel Machado lançou Román em campo, e a equipa partiu para cima da Académica com vontade e querer. Salvador Agra lançou o mote, arrancou pelo flanco direito, ultrapassou Rafa Soares e cruzou tenso para o desvio involuntário de Oualembo, que só terminou nas redes da baliza da Briosa. Estavam decorridos 30 segundos da segunda parte. A Briosa acusou o golpe e revelou-se bastante permissiva, conforme ilustrado no lance em que viria a sofrer o segundo golo, da autoria de Román, que fez o que quis entre a defesa academista (tirou meia dúzia de adversários do caminho), antes de se isolar e atirar, com a colaboração de Ricardo Nascimento, para a consumação da reviravolta. Em apenas cinco minutos, mudava tudo. O Nacional podia ter ampliado, por intermédio de Ricardo Gomes, que rematou perto da barra da baliza de Trigueira, solto de marcação, ilustrando o desnorte dos estudantes. Gouveia teve de mexer na equipa e tirou Oualembo para fazer estrear Gui, fazendo recuar Nii Plange para a lateral direita defensiva, algo que trouxe dividendos, com o entendimento desta dupla a revelar-se frutífero, proporcionando uma situação de perigo a Gonçalo Paciência, que rematou perto da barra da baliza do Nacional. Porém, isso seria só fogo de vista, pois seria o Nacional a voltar a criar perigo, primeiro através de Willyan, que furou por entre a defesa da Briosa antes de falhar um chapéu a Trigueira, e depois por intermédio de Rodrigo Pinho, que se isolou, após boa combinação ofensiva do ataque madeirense, obrigando Trigueira a esticar-se para evitar males maiores. Gouveia arriscou tudo e tirou Pedro Nuno e Ivanildo para colocar Rafa Lopes e Marinho. Uma opção que também trouxe benefícios à Briosa, pois constitui uma injecção de crença quando a equipa mais precisava. Susteve-se o perigo madeirense, porém, isso não foi suficiente para criar situações de perigo, com a equipa a apresentar um futebol algo desprovido de lógica. Foi, assim, quase caído do céu que surgiu o golo do empate, apontado por João Real, que rematou para o fundo das redes após confusão na área nacionalista, beneficiando da maior presença na área, garantida com a entrada de Rafa Lopes. A Académica galvanizou-se, mas o facto de atacar mais com o coração do que com a cabeça quase trouxe dissabores aos estudantes, que viram uma bola rematada por Bonilha, após contra-ataque perigoso, passar miraculosamente ao lado da sua baliza.

"Entramos demasiado relaxados no 2º tempo para a posição que ocupamos, uma das principais razões para 2 pontos perdidos
Dois pontos perdidos “devido à maneira relaxada como a Académica entrou na segunda parte”

Não houve tempo para mais. Ambas as equipas queriam sair do Cidade de Coimbra com os três pontos e a verdade é que fizeram por isso, proporcionando um bom espectáculo aos quase três mil espectadores, que não ficaram desiludidos com o dinheiro empregue no seu ingresso.

A Figura:

Nii Plange – O burquinês foi extremamente voluntarioso ao longo de todo o encontro, um autêntico “pau para toda a obra”, responsável pelos principais desequilíbrios da Académica quando a equipa estava na mó de cima, envolvendo-se na perfeição com Pedro Nuno e Rafa Soares, sendo um elemento igualmente importante na altura de defender, tanto na primeira parte, quando ainda actuara a extremo, como na segunda, terminada a lateral direito. Aos 90 minutos, ainda conseguia correr como se estivesse no primeiro, e foi pelo seu lado que surgiu o cruzamento para o golo que estabeleceu o resultado final.

O Fora-de-jogo:

Washington – Foi o responsável pela permissividade madeirense na primeira metade do encontro e que poderia ter tido piores contornos caso a Académica tivesse aproveitado todas as oportunidades de que dispôs na primeira parte.

Sala de Imprensa

Manuel Machado:

“Um golo aos 45, outro aos 90, numa bola de “pingue-pongue” que denuncia a quem sorriu a sorte neste jogo”

“No primeiro tempo demos iniciativa à Académica, o que fazia parte da nossa estratégia (…) depois entrámos bem no segundo, aproveitámos o desnorte da Académica para nos colocarmos em vantagem, e podíamos ter ampliado mas faltou sangue frio”

“Román empurrou a equipa para um desempenho diferente, e teve a capacidade para fazer o segundo golo”

“Não conseguimos conter as bolas longas, nomeadamente as bolas paradas que a Académica nos enviou”

Filipe Gouveia:

“Foi um jogo ingrato. Uma primeira parte muito boa da Académica, na qual o Nacional quase nem sequer passou do meio-campo. Na segunda parte pedi uma entrada forte, mas infelizmente os meus jogadores entraram algo relaxados, sem qualquer explicação, algo que não pode acontecer numa equipa na posição em que está a Académica.”

“Acabámos por ter uma pontinha de sorte no final. Acho que o empate se aceita”

“O Boavista, em quatro jogos, fez nove pontos. Não é normal. Ainda falta muito jogo, o próximo é com o Boavista e é para encarar olhos nos olhos”

“É nestas alturas que se vêem os homens, o grupo de trabalho tem dado boas respostas, e é mais um teste para eles. ”

Chelsea FC 1-1 Manchester United FC: Podia ter sido um grande jogo, mas não foi

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cab premier league liga inglesa

O Chelsea e o Manchester United encontraram-se hoje em Londres para o que podia muito bem ser um jogo para a Liga dos Desiludidos. As duas equipas deixaram os lugares de topo e as conquistas para se acostumarem a ter empates e derrotas como resultados; muito mais vezes do que é normal. As previsões para o jogo de hoje dividiam-se: uns achavam que duas equipas que tanto têm desiludido nunca poderiam apresentar um bom espectáculo; outros falavam na emoção de um jogo grande, na vontade de dar a volta, no orgulho.

O jogo de hoje podia ter sido muito bom, mas não foi. O Manchester United entrou com tudo, a procurar explorar os flancos em velocidade e a dar especial destaque a Martial, que hoje jogava deslocado e junto à linha. O Chelsea parecia que não tinha frente de ataque. Willian foi o único que procurou romper com a defesa dos blues, Oscar passou ao lado do jogo e Diego Costa bem que tentou, mas perdeu por completo o duelo com Smalling, que foi implacável nas acções defensivas. Por outro lado, apresentou uma defesa muito coesa e que, até à saída de Zouma, por lesão, conseguiu sempre travar os avanços do United.

As duas partes acabaram por ser bastante idênticas. Os primeiros 30/35 minutos foram completamente dominados pelos pupilos de Van Gaal e os últimos minutos de cada parte foram dominados por uma cavalgada do Chelsea a tentar contrariar o sentido do jogo, algo que só acontecia quando Matic conseguia meter-se ao lado de Fabregas e subir no terreno para apoiar Diego Costa.

A figura do United acabou por ser Lingaard, que aos 61 minutos inaugurou o marcador com um remate acrobático. O golo resultou de uma falha de marcação de Cahill, recém-entrado, que parecia ainda adormecido no jogo. O jovem extremo não perdoou e fez as vezes de Rooney, que esteve desaparecido durante todo o jogo – só acordou já em tempo de compensação para tentar marcar um golo enorme.

Diego Costa tanto insistiu que conseguiu o empate para os blues Fonte: Chelsea FC
Diego Costa tanto insistiu que conseguiu o empate para os blues
Fonte: Chelsea FC

O problema foi o golo. Até ao golo o United dominava e fazia por merecer estar na frente do marcador. Assim que conseguiu colocar a bola no fundo das redes os red devils estacionaram no meio-campo do Chelsea e deixaram-se ficar, muito parados, muito apáticos, com a certeza de que o resultado estava feito. Ora, como eu já havia dito, o final da segunda parte haveria de ser muito idêntico ao da primeira: com o Chelsea a ir atrás do prejuízo exibicional na primeira meia hora desse período de jogo. Só que desta vez o Chelsea foi com tudo. Pedro entrou para dar garra e velocidade e mesmo tendo entrado Hazard para atrapalhar a lateral – até o jogador a correr transparece tristeza- impediu Diego Costa, na primeira vez que se viu livre de Smalling, de rematar para o fundo das redes e igualar a partida, vencendo também o duelo com David de Gea.

O jogo foi assim: morninho. Esperava-se mais golos e mais acção, se bem que Courtois e De Gea tenham feito muito boas exibições com várias defesas importantes. Ainda assim pedia-se mais ao actual campeão inglês e a um clube que tenta fazer tudo para regressar à glória de um período cronológico denominado “Ferguson”, que parece já ter sido há muito tempo, mas que foi apenas há dois anos atrás. Estes clubes não podem ser grandes quando não dignificam o seu estatuto, a sua história, mas, pior que tudo, não dignificam os seus adeptos. Parece que chove todos os dias em Stamford Bridge, e não é do céu.

A Figura:

Smalling – conseguiu travar Diego Costa em quase todas as suas investidas.

O Fora-de-Jogo:

Hazard – entrou mais para atrapalhar do que para ajudar.

Foto de Capa: Chelsea FC

Desculpa, SL Benfica

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sl benfica cabeçalho 1

Ora aqui estou eu de regresso à secção do maior clube português, depois do festival ofensivo com que o Benfica banqueteou os seus adeptos na noite de ontem, no Restelo. Foi mais uma excelente demonstração de força em vésperas de se iniciar um ciclo terrível, mas a jogar assim… Só podemos estar confiantes.

E como o momento vivido por um dos amores da minha vida é bom, e como há muito que não escrevia sobre esta entidade inigualável, sinto-me quase na obrigação de pedir desculpas publicamente, sob a forma deste texto, ao Sport Lisboa e Benfica. Não porque tenha deixado de sofrer ou de vibrar com o clube (isso nunca acontecerá; tão certo como as greves dos transportes públicos), mas porque me senti totalmente descrente em variados momentos, porque achincalhei a equipa em frente à TV, porque ofendi mentalmente Rui Vitória até não poder mais.

Futebol é o momento (soa a cliché, mas é a mais pura das verdades), e por isso mesmo, daqui a algum tempo, as coisas podem piorar (peço por tudo que isso não aconteça). Porém, é da mais elementar justiça retratar-me face ao pessimismo revelado ainda no pouco distante mês de Dezembro. A massa adepta de qualquer clube grande, particularmente a do Benfica, consegue ser cruel. A exigência é imensa, não há o mínimo tempo para condescendência, esperam-se resultados imediatos. Como tal, houve reduzida paciência para absorver uma teoria que é real: Rui Vitória viu-se a braços com uma tarefa complicadíssima – substituir Jorge Jesus, homem que “só” tinha recolocado o Benfica no patamar de mais bem-sucedido clube português. Aliado a esse árduo desafio somou-se um discurso confuso e sem aparente ambição por parte do nosso técnico, durante os primeiros meses da temporada, o que despoletou em mim e em grande parte dos adeptos uma efervescência difícil de conter.

As derrotas frente ao Sporting, o futebol pobre e as lesões em catadupa fizeram com que quase receasse cada jogo do Benfica, colocando-me a ver e rever vídeos sem fim do meu glorioso clube, relativos a épocas bem recentes. Vociferava, protestava, desabafa com o meu círculo próximo de amigos benfiquistas sobre o cataclismo que havia caído sobre o maior de Portugal. Parecia já estar resignado com o sentimento “para o ano há mais”.

Podia ser na Nova Zelândia… que lá haveria enchente benfiquista Fonte: SL Benfica
Podia ser na Nova Zelândia… Que lá haveria enchente benfiquista
Fonte: SL Benfica

Mas eu sou benfiquista, sou precipitado, sou um adepto com o coração na boca, faltam-me doses de racionalidade. A qualidade sempre esteve presente no plantel, Rui Vitória pode não ser um Guardiola mas tem provado que percebe da coisa, a estrutura continua a ser muito forte, a obsessão pelo golo continua a ser, e ainda bem, uma realidade.

Peço desculpa por ter duvidado de ti, Sport Lisboa e Benfica. Pelo terceiro ano consecutivo passei o Outono a carpir mágoas sem necessidade, fosse pelos resultados ou pelas exibições. Este é um pedido de clemência que não requer promessa de mudança, visto que serei sempre assim, mas só te posso agradecer por ter recuperado todos os índices motivacionais. Até porque se a tal história que se repete há três anos voltar a ter um final comum… Isso será muito bom sinal, pois todos sabemos como o Benfica chega a Maio desde 2014.

Vem aí um período louco de jogos, impróprio para cardíacos. A conquista do 35 só depende de nós, nada há a temer. E, como se viu, pela 458.ª vez, estando o Benfica bem… Não há bancadas deste Planeta Terra que não encham com a presença dos representantes do manto sagrado.

Está tudo nas tuas mãos, Benfica! Está tudo nas nossas mãos!

 Foto de Capa: SL Benfica

Antevisão Super Bowl 50: Glória para os Panthers?

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cab NFL

A equipa com o melhor recorde da National Football Conference (NFC), os Carolina Panthers (15-1 na fase regular e 17-1 após os playoffs), vai defrontar a equipa com o melhor recorde da American Football Conference (AFC), os Denver Broncos (12-4 na fase regular e 14-4 após os playoffs), no Super Bowl 50. Apesar dos recordes, serão estas as duas melhores equipas da NFL?

Os Panthers foram sem sombra de dúvidas a melhor equipa não só da NFC mas de toda a NFL durante esta época, dominaram a concorrência e só não chegam ao Super Bowl invictos por causa de um pequeno percalço na semana 16 contra os Atlanta Falcons (13-20). Os Broncos podem não ter sido a melhor equipa da AFC, mas foram a mais constante, tendo beneficiado de algumas lesões em jogadores cruciais nos dois maiores rivais directos na conferência, Le’Veon Bell e Antonio Brown nos Pittsburgh Steelers e Dion Waiters, Julian Edelman e Dominique Easley nos New England Patriots. De qualquer forma, chegam ao jogo final por mérito próprio, às costas da melhor defesa da liga, que carregou a equipa o ano inteiro até à “terra prometida”.

Estatisticamente, vamos ter o melhor ataque (Panthers), contra a melhor defesa (Broncos), o que por si só já é um espectáculo digno de ser visto. O problema está no outro lado do campo, enquanto a defesa de Carolina é elite e uma das melhores da liga, o ataque de Denver deixa muito a desejar e desapontou durante a maior parte do ano. A forma como Peyton Manning vai reagir à pressão imposta pela defesa de Carolina pode ser o factor chave na resolução deste jogo.

Depois de o “xerife” ter sido relegado para o banco na semana 10, o quarterback suplente Brock Osweiler fez o suficiente até ao final da época regular para não atrapalhar a defesa de Denver e garantir o melhor recorde na AFC. Peyton retomou o seu posto na frente do ataque dos Broncos nos dois jogos nos playoffs e viu a defesa carregar a equipa para mais duas vitórias, sobre os Steelers (23-16) e os Patriots (20-18). Depois da “coça” que Manning e esta equipa dos Broncos sofreu no Super Bowl 48 às mãos dos Seattle Seahawks (43-8), os adeptos da equipa precisam de ser realistas e aceitar que essa situação se pode vir a repetir, desta vez às mãos de Cam Newton e dos Panthers.

Cam Newton e Peyton Manning serão duas das figuras deste Super Bowl 50 Fonte: NFL
Cam Newton e Peyton Manning serão duas das figuras deste Super Bowl 50
Fonte: NFL

O ataque de Denver apesar de ter sido bastante medíocre o ano inteiro conta com algumas das melhores armas da liga, os wide receivers Demaryius Thomas e Emmanuel Sanders continuam a ter a habilidade de decidir jogos, dava era jeito terem alguém confiável a passar-lhes as bolas. Defensivamente a equipa dos Broncos é impressionante, começa à frente com a pressão de Von Miller e DeMarcus Ware e acaba atrás com a marcação cerrada de Aqib Talib e Chris Harris Jr.

Carolina ofensivamente é liderada pelo provável e merecido MVP desta temporada, o QB Cam Newton, que registou o impressionante registo de 45 touchdowns (35 a lançar e 10 a correr) para apenas 10 interceptions. Newton foi absolutamente imparável, lançando para o sempre fidedigno tight end Greg Olsen e para um conjunto de WR’s de quem não se esperava muito ou mesmo nada. Este feito foi ainda mais impressionante, depois de Newton ter perdido o seu melhor WR, Kelvin Benjamin, por lesão antes da época começar. No lado defensivo da bola, Luke Kuechly, Thomas Davis, Josh Norman e Kawann Short aterrorizaram os ataques adversários.

Para os Broncos ganharem, é necessário que a defesa mantenha o nível elevadíssimo a que nos habituou durante o ano inteiro e que a offensive line consiga proteger Peyton Manning o tempo suficiente para ele se redimir das prestações a que nos habituou este ano. Para os Panthers ganharem, é fulcral colocarem pressão em Manning e que Cam e o ataque dos Panthers não se deixem impressionar pela grandeza do momento e mantenham a mesma qualidade exibicional.

Previsão:

Os Carolina Panthers são uma equipa muito mais equilibrada e com maior ou menor facilidade devem acabar por ganhar este jogo. Por muito impressionante que seja a defesa de Denver, não consigo confiar em Manning para acertar os passes certos nos momentos cruciais e o jogo vai acabar por desequilibrar a certa altura.

Carolina Panthers 27-19 Denver Broncos

MVP: Luke Kuechly, Linebacker (Panthers)

Foto de Capa: NFL

O fracasso do mercado

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fc porto cabeçalho 2

Depois de um mês de janeiro terrível e com muitas mudanças o FC Porto definiu o plantel que vai usar para atacar as frentes que ainda estão em jogo: o Campeonato, a Taça de Portugal e a Liga Europa.

Todos os grandes mexeram nos seus planteis para corrigir algumas carências que foram sentidas dentro das quatro linhas e também para preparar a próxima época. Do lado azul e branco entraram Marega, Suk e José Sá. A pergunta que me passou pela cabeça quando o Porto oficializou estas contratações foi: “Mas o que é isto?”. Não quero desvalorizar a grande primeira volta que Suk fez no Vitória de Setúbal ou a qualidade de Marega, mas estas entradas são repetições de algumas contratações pouco bem-sucedidas que a SAD do clube nortenho fez nos últimos anos e que acabaram em empréstimos ou em fracassos, tais como os casos de Kléber, Guilas ou Licá.

Já deu para perceber que Aboubakar não é tão afinado como Jackson (maldito Guangzhou) e nem o adepto mais otimista consegue dizer que Suk ou Marega sejam apostas seguras para fazer abanar as redes adversárias. Já sobre a aposta em André Silva já deu para perceber que o jovem internacional português não vai ser alternativa no Dragão e vai continuar a desempenhar (e bem) o seu papel na grande época que o Porto B de Luís Castro está a fazer. Então com que alternativas é que José Peseiro conta contra adversários de grande nível como o Dortmund, o Benfica ou o Sporting?

O FC Porto esteve em bom plano em Barcelos Fonte: FC Porto
O FC Porto esteve em bom plano em Barcelos
Fonte: FC Porto

Mas o que mais me incomoda é a área mais recuada do terreno. Na passada quarta-feira o Gil Vicente chegou com perigo à baliza do Porto em duas ou três ocasiões. Foram ocasiões flagrantes que surgiram com descuidos defensivos e que a juntar a uma maior qualidade técnica dariam golo. Jogaram Maicon e Marcano, habituais presenças no onze titular do Dragão. Esperava-se que, com os erros sucessivos a que o exigente público do Porto tem assistido durante esta época, a SAD apostasse num nome seguro para a defesa. Falou-se de Bruno Alves e…. Pouco mais. O Porto não reforçou a zona onde tem mais problemas e decidiu contratar um guarda-redes que apesar de ter muita qualidade não vai cheirar a relva nos próximos tempos. E a pergunta que fica é: o que é isto? Não sou um hater moderno mas há já algum tempo que esta política de contratações deve ser questionada. O fracasso de Imbula foi salvo por 4 milhões e 15% de uma transferência futura, mas a falta de qualidade ainda é um problema em algumas zonas do plantel. Resta esperar que Suk e Marega se revelem grandes avançados para fazer com que Aboubakar consiga perdoar menos e que os centrais do Porto não ofereçam mais golos para além dos que já ofereceram.

Mas esta equipa de José Peseiro também tem zonas do terreno com muito talento. O meio campo do Porto conta com Danilo Pereira, Herrera, Ruben Neves, Sérgio Oliveira, Evandro e André André. Todos estes nomes têm qualidade para jogar em qualquer equipa em Portugal. E os extremos? Corona e Brahimi são mágicos e dispensam apresentações. Para além disso contam com o apoio em ambos os lados de Layun e Maxi, outros dois jogadores com enorme qualidade. Esperemos que Corona continue a marcar quando Aboubakar perdoar demasiado e que o importante trabalho defensivo de Danilo Pereira compense a falta de qualidade na zona central da defesa do Porto.

Fevereiro é um mês essencial para o clube da cidade Invicta. Será que este plantel tem o que é preciso para ganhar a um Benfica demolidor em pleno Estádio da Luz e manter acesa a luta pelo título? Será que este plantel tem qualidade contra um Dortmund rejuvenescido e que joga muito bom futebol? Para já digo que não.

Foto de Capa: FC Porto

Portugal perdulário averba derrota em Belgrado

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cab futsal

Nos primeiros 20 minutos de encontro, assistimos a uma equipa portuguesa a tentar assumir as despesas do encontro, perante uma Sérvia matreira, que se remetia ao seu espaço defensivo e que só saía para criar boas situações de contra-ataque através do seu principal desequilibrador, o número 10 Kocic, que marcou o único golo da primeira metade para a sua equipa num bom remate de meia distância, a bater um desamparado Vítor Hugo com o seu pé esquerdo.

A vantagem dos homens da casa durou desde o minuto 8 até ao minuto 15, altura em que o melhor jogador de futsal do mundo assinou uma autêntica obra de arte, um golo que não se explica por palavras. Só mesmo vendo. Este último golo colocou um pouco mais de justiça no marcador, embora ainda fosse um resultado lisonjeiro para a Sérvia, em função das situações de golo iminente criadas por ambas as formações.

Sérvia futsal
A festa dos jogadores sérvios no fim foi rija
Fonte: UEFA

Na derradeira parte do encontro, a formação dos balcãs apresentou-se um pouco mais descomplexada, à procura de selar o triunfo para garantir a liderança no grupo A e assim evitar a poderosa equipa da Espanha, que poucos instantes antes havia garantido o 1.º lugar do seu agrupamento, e acabou por colher os frutos com dois golos nos minutos finais para levar de vencida o encontro por 3-1, num encontro ingrato para os comandados de Jorge Braz, que sobretudo na primeira metade podiam ter concretizado as variadíssimas oportunidades de que dispuseram.

Com estes resultados a nossa seleção irá defrontar a congénere Espanhola, numa espécie de cimeira ibérica que irá decerto proporcionar um ótimo espetáculo, uma final antecipada entre duas das melhores equipas do Velho Continente. Portugal vai poder contar com um regressado Fernando Cardinal, suspenso nos dois encontros alusivos à fase de grupos, o que pode ser mais um tónico para motivar os jogadores lusitanos na busca de um apuramento para as meias-finais, pois se queremos ser candidatos a ganhar o Euro’2016 temos de vencer qualquer adversário que nos calhe em sorte.

Foto de Capa: UEFA

Jackson Martínez: Salário milionário na China faz esquecer fiasco no Atlético Madrid

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internacional cabeçalho

A carreira futebolística de Jackson Martínez teve uma reviravolta total em menos de um ano. O avançado colombiano, de 29 anos, assinou, no verão de 2015, pelo Atlético Madrid, numa transferência que rendeu 35 milhões de euros aos cofres do FC Porto. Chegando a Madrid com tarimba de goleador nato, fruto das épocas de alto nível e do registo de finalização que demonstrou por terras lusas, não se conseguiu adaptar à nova realidade e prova disso mesmo são os números que apresentou na primeira metade desta época.

Em 22 partidas oficiais (13 como titular) com a camisola colchonera, Jackson apenas marcou três golos e não demonstrou, assim, veia goleadora, a sua maior qualidade e mais letal arma enquanto avançado de classe mundial. Não só faltavam os golos, como também a produtividade noutros fatores fundamentais dos processos, tanto ofensivos, como defensivos da equipa. O Atlético Madrid tem um estilo de jogo muito peculiar, fundamentado primordialmente na combatividade dos seus jogadores e no foco no processo defensivo e é factual que nem todos os atletas têm capacidade para uma total adaptação ao futebol implementado por Diego Simeone no Vicente Calderón.

Num primeiro momento era percetível que o avançado colombiano não tinha as características ideais para encaixar neste sistema tático do conjunto madrileno e tal situação acabou mesmo por se verificar. Apenas seis meses após ter rumado ao Atleti, Jackson Martínez foi transferido para o Guangzhou Evergrande, penta-campeão chinês treinado por Luis Filipe Scolari, técnico brasileiro que já orientou a seleção portuguesa. Esta transferência, que foi, sem dúvida, uma das maiores surpresas do mercado, rendeu 42 milhões de euros ao clube presidido por Enrique Cerezo. A ida de Jackson para a China faz parte de um fenómeno que irá decorrer cada vez com maior frequência.

Após metade de época para esquecer, Jackson muda o rumo da sua carreira  Fonte: Guangzhou Evergrande F.C
Após metade de época para esquecer, Jackson muda o rumo da sua carreira
Fonte: Guangzhou Evergrande F.C

O futebol chinês está em plena expansão e prova disso foi o investimento monetário concretizado por várias equipas nesta janela de transferências, que levou jogadores como Guarín (para o Shanghai Shenhua por 12 milhões), Ramires (para o Jiangsu Suning por 30 milhões) ou Alex Teixeira (para o Jiangsu Suning por 50 milhões) para o futebol asiático. São vários os futebolistas de qualidade que têm chegado ao país asiático, não só oriundos do futebol americano, mas também do europeu. Visto como um país ideal para passar os últimos anos da carreira futebolística, principalmente pelas regalias financeiras, a China torna-se agora destino de jogadores ainda no auge do seu potencial e talento. Tendo em conta que o mercado neste país apenas encerra dia 26, existe alta probabilidade de jogadores de topo serem atraídos pelos elevados salários que estes emblemas estão dispostos a pagar.

Neste caso específico, é certo que Jackson estava a viver a pior fase da carreira, mas, no entanto, tinha ainda muito para dar ao futebol de topo europeu. A saída para o futebol chinês, aos 29 anos, é um passo atrás no que concerne à carreira do internacional colombiano no desporto-rei, embora seja certamente o contrário no que diz respeito à sua conta bancária, pois vai auferir um salário de 12,5 milhões de euros anuais e passa a ser um dos jogadores mais bem pagos a nível mundial.

Foto de Capa: Guangzhou Evergrande F.C

Sonho Cada Vez Mais Real

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cab premier league liga inglesa

Da luta pela manutenção a principais candidatos ao título da Barclays Premier League. Esta é a realidade do “pequeno” clube do centro de Inglaterra. Se gostam de contos de fadas este é dos meus favoritos. Claudio Ranieri vai comandando o sonho do Leicester City FC, que partirá para a 26.ª com cinco pontos de avanço sobre o segundo classificado Tottenham.

De facto, o que o treinador italiano tem feito ao serviço dos Foxes é absolutamente fantástico. Mas a verdade é que de italiana esta equipa não tem nada. Ao invés da segurança defensiva, Ranieri preferiu construir um ataque avassalador que já conta com 47 golos esta temporada – o melhor registo do campeonato, a par do Manchester City.

Comecemos pelo princípio. Termina a época 2014-2015, o Leicester de Nigel Pearson garante a manutenção depois de um final de campanha espetacular em que a equipa das “raposas” consegue sete vitórias nos últimos nove jogos. No entanto, um escândalo que envolveu o filho do treinador leva a direção do clube a terminar a ligação com o inglês.

A 13 de Julho de 2015, a direção do Leicester contrata Claudio Ranieri para a nova época. O antigo treinador do Chelsea chega a um Leicester cujos objetivos são modestos, aspirando a uma época tranquila, sem grandes sustos.

A verdade é que, a 6 de Fevereiro de 2016, a 13 jornadas do final do campeonato, a realidade é bastante diferente. Ora bem, o pequeno clube que aspirava à tranquilidade da segunda metade da tabela está a protagonizar a surpresa do século ao liderar o principal escalão do futebol inglês, com cinco pontos de vantagem.

A liderança do Leicester foi sendo menosprezada ao longo do passar das jornadas. Toda a gente acreditava que, eventualmente, a equipa sensação cairia. No entanto, as jornadas foram passando e o Leicester não vacilava, e neste momento continua com apenas duas derrotas no campeonato, frente ao Arsenal e ao Liverpool.

Hoje, finalmente, as raposas deram o seu grito de afirmação, ao derrotar, categoricamente, o Manchester City, no Etihad, por três bolas a uma.

Jamie Vardy assumiu-se como o porta-estandarte desta equipa, liderando a lista de melhores marcadores com 18 golos marcados. E quem melhor para simbolizar este clube do que o jogador que há cinco anos era um operário fabril e neste momento detém o recorde de mais jogos consecutivos a marcar?

A dupla Vardy-Mahrez tem sido a mais prolífica do campeonato e já levam 32 golos no campeonato Fonte: Leicester City FC
A dupla Vardy-Mahrez tem sido a mais prolífica do campeonato e já leva 32 golos no campeonato
Fonte: Leicester City FC

Mas Vardy não é o único que merece destaque; aliás, todos os elementos desta equipa são merecedores de todos os elogios possíveis. A força, a união, a ambição e o caráter desta equipa são tudo aquilo que pretendemos ver no futebol, tudo aquilo que dá magia ao desporto rei. Mas, como estava a dizer, existem outros dois jogadores que gostaria de destacar, Riyad Mahrez e N’Golo Kanté. O extremo argelino é incrível, dotado de uma técnica apuradíssima. É um jogador capaz de criar desequilíbrios a qualquer momento, é fortíssimo no um para um e ainda possui uma qualidade de passe e visão de jogo muito acima da média. Por seu lado, o médio francês é um poço sem fundo de energia, trabalho e dedicação. Trata-se de um box-to-box autêntico, com todas as virtudes necessárias para desempenhar a função. É rápido, tem técnica e drible, tem qualidade de passe e excelentes atributos defensivos.

A dupla Vardy-Mahrez tem sido a mais prolífica do campeonato e já leva 32 golos no campeonato. Jogam em perfeita sintonia, como se se conhecessem desde pequenos. Trata-se de uma dupla fabulosa e o maior trunfo de Ranieri neste ataque ao título da Premier League.

Claudio Ranieri decidiu implantar um 4-4-2 clássico, privilegiar o futebol ofensivo, os golos e o espetáculo, descurando um pouco o trabalho defensivo. Mas, como uma vez disse um grande imperador Romano, “a melhor defesa é o ataque”, e a verdade é que, além do melhor ataque, o Leicester detém o sexto melhor registo defensivo do campeonato, com 27 golos sofridos. Este sistema de Ranieri depende muito da capacidade dos seus jogadores de jogarem a um ritmo absolutamente fascinante e o facto de terem conseguido manter esse ritmo até ao último terço do campeonato é uma façanha deveras formidável. Afinal, estamos a falar do campeonato mais difícil do mundo e onde se exige mais, tanto a nível físico como mental, dos atletas.

Sem dúvida que futebol espetáculo e os jogos do Leicester têm sido sinónimos esta época. Esta equipa é das que mais prazer dá ver jogar. Transborda alegria, vontade e magia, coloca tudo em campo, joga sempre olhos nos olhos seja com quem for. À partida para esta jornada disse aos meus amigos que estas duas próximas jornadas eram decisivas para o desfecho da época dos Foxes. Deslocações ao Etihad e ao Emirates para defrontar City e Arsenal, respetivamente. O primeiro teste foi passado com classe e de forma assertiva, como já foi referido. Falta agora a partida em Londres. Na primeira volta, o Arsenal bateu o Leicester por 5-2, mas tratava-se de um momento bastante diferente para a turma de Wenger. Os Gunners já não vencem há quatro jogos e deram de barato a liderança atingida há seis jornadas. A pressão estará portanto toda do lado dos londrinos e sentirão certamente enormes dificuldades em bater o Leicester. Se o Leicester vencer em Londres dará um passo enorme em direção à concretização do sonho de conquistar o seu maior título da história.

Foto de capa: Leicester City

Froome na pole position para o Tour e será este o ano de Rui Costa?

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Em termos internacionais, como em todos os anos, o momento mais esperado estará em quem irá triunfar no Tour. Este ano não é exceção e realmente é esperada muita competitividade entre os melhores ciclistas e as melhores equipas (este ano temos a adição dos Jogos Olímpicos, algo que poderá servir de mudança para a preparação de certos ciclistas e provocar algumas mudanças de objetivos). Neste caso, Froome e a “sua” Sky irão enfrentar, novamente, um desafio difícil para manterem a camisola amarela que conquistaram justamente em 2015. Com a aquisição de alguns elementos, como o caso de Kwiatkowski e de Landa, esta equipa está ainda mais forte do que no ano passado, apesar de ter perdido um ciclista sempre importante como Richie Porte (que entrou da melhor forma na BMC, conseguindo um segundo lugar no Tour Down Under, tal como já foi destacado no último artigo).

O domínio das provas de uma semana e o facto de vencer pelo menos um dos Grand Tours serão os maiores objetivos da equipa britânica. A aquisição do polaco Kwiat será importante para as tais provas de uma semana e a vinda de Landa poderá ajudar Froome a voltar a vencer o Tour (sendo que o recém contratado espanhol também poderá ter a sua oportunidade de brilhar em certas provas e, provavelmente, na Vuelta – o Giro irá estar designado para ciclistas como o Henao e, talvez, o Geraint Thomas).

Equipas como a Astana, a Movistar e a Tinkoff “prometem” não facilitar a vida à Sky, principalmente nas grandes voltas. A equipa cazaque, apesar da saída de Landa, continua forte e demonstrou ser a equipa com melhores recursos, no ano passado, para os três GTs. Iremos ter um Nibali e um Aru a tentarem voltar a ganhar uma dessas provas. Veremos é se este é o ano em que Aru terá um papel essencial no Tour ou se ainda será uma prova para Nibali voltar a ser o chefe de fila (o facto de o ano passado não lhe ter corrido de feição e, também, a forma em que Aru se encontra poderão ser muito importantes para as decisões finais da equipa). Em princípio, até será o próprio Aru a tomar finalmente conta das rédeas da equipa, mas nada é completamente certo. Se realmente Aru for como líder ao Tour, poderemos ter Nibali como um dos favoritos, senão o principal favorito, a vencer o Giro deste ano.

El Pistolero, um dos melhores ciclistas deste século, irá terminar a sua carreira nesta época Fonte: Alberto Contador
El Pistolero, um dos melhores ciclistas deste século, irá terminar a sua carreira nesta época
Fonte: Alberto Contador

A Tinkoff, tendo em conta que será o último ano de Alberto Contador no ciclismo profissional, quererá tudo fazer para dar um grande último ano ao “Pistolero”. A Movistar, com a mudança de Daniel Moreno da Katusha para a equipa espanhola, terá ainda mais razões para acreditar em bons resultados ao longo de todo o ano. Com Quintana a voltar a tentar vencer o Tour e com Valverde num dos últimos anos da sua carreira, é de esperar que a equipa espanhola esteja bastante forte este ano (a adição do talentoso português Nélson Oliveira também foi importante). Ainda em relação a alguns dos espanhóis aqui mencionados, será interessante perceber se o trio Alberto Contador, Alejandro Valverde e Joaquín “Purito” Rodriguez ainda terá um 2016 em grande (como têm sido os últimos largos anos) ou se será o “fim”…

Em termos de clássicas, era esperado um grande embate entre Kristoff e Degenkolb, mas o tal acidente que a equipa da Giant sofreu irá mudar a situação e o alemão irá ficar afastado da competição durante alguns meses, para infortúnio de todos os amantes da modalidade. Será igualmente curioso verificar que Cancellara iremos ter. Todos esperam que seja o “Spartacus” do costume para o espetáculo ser ainda melhor. Na semana das Ardenas, Alejandro Valverde é considerado um dos favoritos (o espanhol que também tem um grande objetivo centrado nos Jogos Olímpicos), mas ciclistas como o já referido Kwiatkowski e uma das jovens sensações do ano passado Julian Alaphilippe poderão intrometer-se numa luta que se prevê renhida e com emoção.

Rui Costa e Nélson Oliveira mostram-se prontos para triunfar nas melhores provas internacionais Fonte: Rui Costa
Rui Costa e Nélson Oliveira mostram-se prontos para triunfar nas melhores provas internacionais
Fonte: Rui Costa

O próprio Rui Costa tem evoluído bastante bem de ano para ano nesta vertente e também poderá ser um dos nomes a considerar para os pódios destas provas (e, quem sabe, até poderá vencer uma delas; capacidade e qualidade para isso tem ele). Esteban Chaves e Tom Dumoulin também poderão ser bons nomes para esta semana, sendo que, para ambos, também reside a incerteza em relação às grandes provas e sobre se realmente manterão ou aumentarão o nível referente ao ano passado. Poderemos ter mais dois grandes nomes a lutar pelas grandes voltas, apesar de o colombiano ter certas dificuldades no contrarrelógio e o holandês ter dificuldades parecidas em montanha.

Para os sprints, nas mais variadas provas, voltaremos a ter elencos “de luxo” – é de destacar a mudança de Marcel Kittel para a Etixx, sendo que de saída dessa mesma equipa esteve Cavendish, que foi para a Dimenson Data, ex-MTN Qhubeka – e a adição de algumas jovens promessas (promessas ou mesmo já certezas…), como Caleb Ewan (não me canso de elogiar este jovem; tem sido espetacular acompanhar a sua evolução e a forma como já derrota ciclistas “consagrados”) ou Fernando Gaviria, entre outros. Não nos esqueçamos, igualmente, do que poderá fazer Peter Sagan com a camisola de campeão do mundo.

Em termos nacionais, já foi salientado o importante papel que Rui Costa poderá ter nas clássicas, mais propriamente na semana das Ardenas, sendo que também é de se prever que mantenha a grande qualidade nas provas de uma semana e que possa finalmente fazer um bom/grande resultado num Giro, Tour ou Vuelta. Provavelmente, voltará a apostar no Tour – continuo a achar que poderia tentar apostar ainda mais nas clássicas e provas de uma semana e tentar um Giro ou uma Vuelta, mas, enquanto não conseguir um bom/grande resultado no Tour, será difícil isto acontecer, em princípio.

O regresso do Sporting e Porto ao ciclismo, como Sporting CP/Tavira e W52-FC Porto-Porto Canal, são as grandes novidades nacionais Fonte: Sporting CP
O regresso do Sporting e do Porto ao ciclismo, como Sporting CP/Tavira e W52-FC Porto-Porto Canal, é a grande novidade nacional 
Fonte: Sporting CP

É expetável que ciclistas como Nélson Oliveira, Tiago Machado (que, na entrevista que fizemos ao Presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, tem a mente bem focada nos Jogos Olímpicos), André Cardoso e José Gonçalves possam aumentar o nível e continuar a “dar boas cartas” na alta-roda do ciclismo mundial. É muito importante para Portugal, principalmente em ano de Jogos Olímpicos, que todos estes ciclistas estejam em boa forma ao longo das mais variadas provas e que continuem a conseguir bons resultados para as suas equipas.

“Cá dentro”, tendo em conta os regressos de Sporting e Porto, é possível que possamos assistir a um ano em grande, com a rivalidade normal entre os dois clubes a ser o mote para as mais variadas provas onde estejam. A Volta ao Algarve, já neste mês de Fevereiro e com grandes nomes do ciclismo internacional confirmados, e a Volta a Portugal voltarão a ser os “cabeças de cartaz” do calendário nacional. Estamos na expetativa até se saber como será este primeiro ano com o regresso dos clubes ao ciclismo e se Gustavo Veloso mantém o domínio “interno”, especialmente na Volta a Portugal (perdeu o seu “gregário de luxo”, Délio Fernandez). Terá forte concorrência de outros ciclistas (veremos se Rinaldo Nocentini conseguirá ainda demonstrar as qualidades que o fizeram ter uma boa carreira internacional – na Volta a Portugal, tendo em conta a importância do contrarrelógio, será difícil para o ciclista italiano conseguir vencer a prova, mas, ainda assim, com ciclistas destes nunca se poderá descartar algo) e outras equipas que costumam preparar-se realmente bem para a “Grandíssima”. Ainda assim, o ciclista espanhol parte na “pole position” para vencer a Volta a Portugal deste ano.

Que seja um ano com imenso espetáculo, boas surpresas, grande competitividade, menos casos de doping e muitas vitórias portuguesas!

Foto de Capa: telegraph.co.uk 

Carta Aberta a: Fredy Montero

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Caro Fredy,

Estiveste dois anos e meio em Alvalade. Significa isto que foste uma das caras principais do projeto delineado por Bruno de Carvalho, desde que este foi finalmente eleito para a presidência do grande Sporting Clube de Portugal. A tua chegada foi digna do lema “Chegar, ver e vencer”. Ainda me lembro de estar a conduzir e ouvir que Montero tinha marcado o único golo de uma vitória do Sporting sobre o Nacional da Madeira num amigável. Lembro-me de sorrir e pensar que era um bom prenúncio, que se veio a confirmar mais tarde, na primeira jornada do campeonato: o Sporting recebia o Arouca, na tarde quente do dia 18 de agosto, lembro-me como se fosse hoje. Saí da água fria da praia de Peniche e fui com um grande amigo benfiquista ver o jogo num café lá da praia. Se esse fim de semana do verão já estava a ser dos mais épicos de sempre, tu ainda o tornaste mais com o “hat-trick” que apontaste frente à equipa que se estreava na Primeira Liga. O último golo, então, foi delicioso. Até o benfiquista te elogiou…

Marcaste vários golos na primeira metade desse campeonato, mas já tinhas uma sombra feroz no banco, pronta a tomar o teu lugar: Islam Slimani. Bastou estares alguns jogos sem marcar e ficares um jogo ausente, para o terrorista argelino te saquear a titularidade. Apesar de tudo, duvido seriamente que o lugar de suplente de Slimani venha a conhecer um intérprete de tanta qualidade. Apesar de alguma falta de “ganas” que denotavas em alguns jogos, especialmente quando entravas como titular, era sempre uma enorme onda de esperança que me invadia quando via que ias entrar. Onda de esperança que já foi confirmada algumas vezes esta época, como são exemplos as receções ao Nacional e à Académica. Tenho de admitir, que o teu nome é dos que dá mais gozo completar após os incentivos do João Botas nas bancadas de Alvalade.

Se Bryan Ruiz e João Mário são os nossos grandes maestros, irradiando qualidade técnica por cada metro quadrado de Alvalade, tu não ficas muito atrás. És dono de um toque de bola pouco visto em Portugal, aliado a uma leitura de jogo, facilidade e qualidade de remate que dão garantias aos teus adeptos. Seja com remates fulminantes, como fizeste frente à Fiorentina ou ao Lokomotiv de Moscovo, seja de cabeça como já conseguiste contra o Benfica ou na Pedreira de Braga, seja após receções de mestre como no jogo frente à Académica ou no já falado terceiro golo frente ao Arouca, tu és capaz de um manancial de soluções como poucos.

Contudo, falta mencionar o golo mais épico que tu marcaste. Admito, eu já tinha deixado a televisão de lado e estava a tentar, infrutiferamente, controlar as lágrimas e a raiva naquela final da Taça de Portugal a 31 de maio. Estava tão desiludido e triste que já não conseguia olhar para o antijogo do Braga e para as perdas de bola dos “leões” que estavam em campo. Ainda por cima, a pessoa que estava comigo nesse dia é alguém a quem eu não consigo esconder nada.

Por isso, ela já estava a vislumbrar as minhas lágrimas, até um pouco chocada por eu estar a chorar devido a um jogo de futebol, quando ouço gritos vindos de Alvalade (sim, eu estava a ver o jogo perto do estádio). Voltei para a televisão e era verdade, o Slimani tinha mesmo reduzido a desvantagem. Bom, assim fiquei preso à televisão para aqueles derradeiros minutos e tu lograste o impossível nos descontos. O Paulo Oliveira fez, talvez, o melhor passe longo da vida dele, o Aderlan falhou e tu marcaste um dos golos mais festejados da história do clube. Só por esse golo, já terias um lugar histórico na memória “verde e branca”, assim como tem também, imagina tu, o Rodrigo Tiuí.

Um jogador especial, com uma camisola mágica, a marcar um golo para a história. Fonte: Sporting CP
Um jogador especial, com uma camisola mágica, a marcar um golo para a história.
Fonte: Sporting CP

Tem calma! Não, nem sequer és comparável com este avançado que eu acabei de mencionar. Tens muito mais qualidade e mesmo classe, um perfume futebolístico novo e refrescante em Portugal. Além disso, aparentas ter qualidades humanas incomuns entre futebolistas. Sabes agradecer aos adeptos, sempre foste um jogador que não criou problemas internos ou de comportamento enquando estiveste em Portugal. Também por isso, tenho pena que saias tu e fique, por exemplo, o Teo Gutiérrez connosco. Além de gostar muito mais (com milhas de distância) da tua forma de jogar, não gosto de ver sair jogadores comprometidos com o clube, como tu, ou mesmo o Tanaka e o Boeck, e ver ficar jogadores que deixam muito a desejar em termos desse espírito de equipa e união.

Para um jogador especial, fica uma despedida especial. Boa sorte no Tianjin Teda e que voltes rápido para Alvalade. Tens, com certeza, as portas abertas para o já aguardado regresso. Espero que em maio venhas buscar a faixa de campeão e festejar como mais um adepto do Sporting, porque tenho a certeza que o és. Aliás, na foto do topo, só falta o cartaz “Fredy Montero quer o Sporting campeão!” Obrigado Fredy , até à próxima!

 

Da Equipa BnR – Sporting CP:

El avioncito partiu antes da hora” – José Duarte, redator do Sporting CP.

“Fredy, desculpa tratar-te pelo teu nome, mas fazemos parte da mesma família, acho que é legítimo tratar assim um ente querido. Obrigada pela dedicação e amor à camisola; obrigada por nunca desistires ou desmotivares por não jogares tanto. Obrigada por me deixares ver exibições fantásticas; obrigada por aquele golo contra o Vitória de Setúbal. Acho que não fui a única a ficar arrepiada com a magia que fizeste. Obrigada por poder assistir, ao vivo, o teu último golo, contra a Académica, que me tranquilizou.
Tal como desejaria a um amigo, quero que tenhas todo o sucesso possível. Te voy echar de menos en Sporting, Fredy Montero.” – Marta Reis, redatora do Sporting CP.

“Ao Montero só quero agradecer os golos que marcou. Os que contaram e os que foram anulados segundo critérios para desmotivar e descredibilizar um excelente avançado. Obrigado pelos golos e dedicação.” – Nuno Almeida, redator do Sporting CP.

” É só um até já, Fredy! No final da época espero que regresses para festejar um título que também será teu! Fizeste muitas vezes magia e deste-nos muitas alegrias, e por isso, Alvalade te está grato! Serás sempre bem-vindo!” – Pedro Miguel Silva, redator do Sporting CP.

“Foram dois anos e meio em que fizeste do Sporting o teu amor; foram dois anos e meio de golos e falhanços, de exibições de encher o olho e de substituições precoces… Mas sempre que vestiste o leão rampante, deste o teu melhor e quiseste sempre o melhor para o NOSSO Sporting. Obrigado pelos golos inesquecíveis, obrigado pelos golaços ao Arouca e ao Marítimo, pelo golo à Académica e, acima de todos, obrigado pelo golo aos 92′ no Jamor. Serás sempre um dos nossos, “avioncito“! – Vítor Miguel Gonçalves, editor do Sporting CP.

Foto de Capa: Sporting CP