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Luisão: já começou a luta pela sucessão

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O clássico de sexta-feira está aí à porta, e o coração dos adeptos já começa a palpitar. Já se combina o encontro na tasca do costume para se ver o jogo com os amigos. O SL Benfica joga em casa e vai no seu melhor momento da época. O FC Porto, por outro lado, vai na sua pior altura. Para a equipa da Luz a única dúvida que se levanta é a dupla de centrais. Qual será? Teremos Lisandro recuperado a tempo? Lindelof manterá a titularidade, ou Rui Vitória irá adaptar Samaris? Estas questões remetem-nos para uma discussão importante, talvez a mais importante desde a crise no lado esquerdo da defesa encarnada: quem irá suceder a Luisão?

O Luisão é mais do que um jogador. Já nos tempos de Jesus era uma peça vital. Sabe comandar a equipa, transmite garra e não dá um lance por perdido. Sente a camisola como poucos e incute isso aos recém-chegados – viu-se no jogo de estreia de Renato Sanches, em que este saltou do banco, já em período de descontos, e fez uma troca de bola simbólica com o capitão. Para mim é o jogador mais icónico do Benfica desde que sou vivo, mas não posso ser cego. O capitão da Luz, o homem que sempre ficou e viu os seus parceiros partirem, já não vai para novo; as lesões já demoram mais a cicatrizar, o ritmo competitivo demora mais a ser alcançado, e, depois de duas épocas incríveis, o rendimento já não é o mesmo.

Para mim, há quatro centrais de grande nível no Benfica: Jardel, Lisandro Lopez, Lindelof e Fábio Cardoso (este último emprestado ao Paços de Ferreira). Para mim, quem cumprirá o papel de Luisão, ou seja, quem vai ser o patrão da defesa, o comandante atrás da linha do meio-campo, será Jardel. O brasileiro soube esperar tranquilamente pela sua oportunidade e ao mesmo tempo ir aprendendo. Cresceu imenso e tornou-se um central de grande craveira. A questão acaba por me fugir e muda: quem será o novo companheiro de Jardel?

A minha resposta vai ser suspeita. Lisandro Lopez. Eu nutro uma grande admiração por este jogador, sobretudo pela forma como ele vibra pelo Benfica. Sente-se que tem amor à camisola; os gritos pela equipa, a raça, o jogo de cabeça e a sua idade fazem antever um futuro patrão da defesa encarnada. É um jogador à Benfica.

Jardel, Lisandro Lopez, Lindelof e Fábio Cardoso podem render Luisão Imagens: SL Benfica
Fábio Cardoso, Jardel e Lindelof são opções para render Luisão
Imagens: SL Benfica

Apesar disso não devemos desconsiderar as outras duas opções, especialmente porque Jardel não é muito mais novo do que Luisão, e outra vaga não se tardará a abrir pelo ciclo do tempo. Lindelof é um jogador que pode fazer três posições: defesa-central, defesa-direito e médio-defensivo. Não faz lembrar ninguém? Vejo-o mais como André Almeida, um jogador da casa que conhece muito bem o clube e que irá crescer dentro dele. A maior vantagem do sueco é a sua margem de progressão, que é imensa. Não nos esqueçamos de que no Europeu de sub-21 fez grandes prestações a defesa-direito. Por isso deixa-me mais reticente na escolha. Falta ainda Fábio Cardoso, um jogador do qual eu sou um grande fã. Fábio tem tudo para regressar do Paços de Ferreira e vingar no Benfica. Obviamente terá de ser paciente, mas já mostrou ser um jogador muito trabalhador e muito dedicado, que aproveitou muito bem estes dois empréstimos consecutivos. É um jogador da formação, que dará mais força à marca ‘made in Seixal’ . Nos jogos que vejo da equipa do Paços e dos jogos que vi dele no Benfica B, fiquei com muito boa impressão. É um jogador raçudo.

Tudo isto são suposições, claro. Até se reformar, Luisão ainda dará muitas alegrias ao Benfica. Muitos jogadores entrarão e sairão porque hoje em dia é raro encontrar lealdade como esta, compromisso como este e dedicação como esta. Serve este texto para relembrar o que Rui Vitória tem mostrado desde que começou 2016: que dentro do Benfica há muitas opções viáveis e de qualidade. Construímos um grande plantel, que tem crescido muito, e cada vez mais temos jogadores que vêm e que ficam apaixonados pelo clube que os abraça. É normal, quem não ficaria depois de usar sobre as costas o manto encarnado?

Foto de Capa: SL Benfica

A ambição que move Andriy Yarmolenko

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Claro que poderia ir para o Barcelona, tirar uma selfie porreira com o Lionel Messi, colocar as imagens no Instagram e conseguir milhões de likes ficando satisfeito comigo próprio… Mas eu não sou assim. Seria melhor jogar pelo Everton. –  Andriy Yarmolenko

Foi desta forma que, sem papas na língua e com uma grande dose de honestidade, Andriy Yarmolenko, a estrela mais cintilante do futebol ucraniano na actualidade, abordou um possível ingresso no clube catalão no próximo Verão. Numa entrevista recente a um órgão de comunicação social do seu país, Yarmolenko abordou não só a possibilidade de deixar o FC Dynamo Kyiv no final da temporada, assim como uma eventual mudança para o FC Barcelona ou para um emblema da Premier League, neste caso concreto, o Everton FC. Os Toffees são, de acordo com os media, uma das equipas mais bem colocadas para assegurar a contratação do versátil extremo ucraniano no próximo Verão e, a julgar pela afirmação de Yarmolenko, tudo poderá estar bem encaminhado para que isso aconteça.

Na passada edição da UEFA Europa League, o número 10 do Dynamo Kyiv foi um dos responsáveis pela eliminação do emblema da cidade de Liverpool nos 16 avos-de-final da competição, apontando um golo e contribuindo com duas exibições de elevado nível em ambas as eliminatórias. Desde esses jogos, o treinador do emblema inglês, Roberto Martínez, ficou com excelentes referências relativamente a Yarmolenko e, na conferência de imprensa da passada semana de antevisão do encontro com o Stoke City FC para a Premier League, quando o questionaram sobre as afirmações de avançado ucraniano, Martínez respondeu assim: “Todos sabemos que o Yarmolenko é um dos melhores futebolistas da sua geração no seu país. Ele é um capitão e um líder e tem as suas próprias ambições. (…) Esse tipo de afirmações agrada a todos aqueles que fazem parte do Everton, mas não podemos falar de um jogador que não faz parte da nossa equipa.”

Yarmolenko, a estrela do futebol ucraniano, que preferiria jogar com regularidade no Everton FC do que ser suplente de luxo no FC Barcelona~ Fonte: static.independent.co.uk
Yarmolenko, a estrela do futebol ucraniano, que preferiria jogar com regularidade no Everton FC do que ser suplente de luxo no FC Barcelona
Fonte: static.independent.co.uk

Yarmolenko nasceu em Leninegrado (actual São Petersburgo), filho de pais ucranianos naturais do Oblast de Chernigov, no norte da Ucrânia. A sua permanência na cidade fundada por Pedro “O Grande” foi relativamente curta, uma vez que, pouco depois do seu nascimento, a sua mãe abandonou o emprego que lhe tinha sido oferecido em São Petersburgo para regressar à sua cidade natal. Yarmolenko, que nasceu ainda durante a era soviética, representou sempre a Ucrânia ao mais alto nível, quer nos escalões mais jovens, Sub-19 e Sub-21, quer na selecção principal, mas nem tudo foi fácil para o versátil extremo do FC Dynamo Kyiv.

Yarmolenko teve a sua primeira passagem pelas academias do Dynamo após ter completado 13 anos de idade, mas o sonho de representar o outrora gigante europeu cedo se desvaneceu, uma vez que o jovem Andriy não se mostrava à altura dos índices físicos exigidos pelo clube. Foi com uma elevada dose de descrença e desânimo que Yarmolenko regressou aos clubes da região onde vivia, e foi ao serviço do FC Desna Chernigov que teve a sua estreia a nível profissional. Em 2006, no entanto, Yarmolenko, que continuou a ser seguido de perto pelos olheiros do Dynamo, regressou ao emblema de Kiev, primeiro para representar a equipa de reservas e para, passado apenas um ano, se estabelecer na primeira equipa, onde chegou a ser apelidado de o “novo Sheva”, alcunha dada ao antigo Bola de Ouro ucraniano Andriy Shevchenko.

Yarmolenko é actualmente um dos melhores futebolistas do leste da Europa. O internacional ucraniano é extremamente versátil e pode assumir várias posições no sector atacante, podendo actuar como extremo, do lado direito ou do lado esquerdo, ou assumindo porventura posições mais interiores, actuando como segundo avançado no apoio ao ponta de lança. Andriy já realizou quase 300 jogos pelo Dynamo Kyiv, onde apontou mais de uma centena de golos, 32 dos quais na última temporada e meia.

O que reserva o futuro a Yarmolenko? Será ele o grande reforço do Everton FC na próxima temporada? Fonte: liverpoolecho.co.uk
O que reserva o futuro a Yarmolenko? Será ele o grande reforço do Everton FC na próxima temporada?
Fonte: liverpoolecho.co.uk

Yarmolenko prometeu aos responsáveis do clube manter-se ao serviço do Dynamo Kyiv até que o clube voltasse a adquirir o estatuto que teve no passado e conseguisse voltar a ser campeão da Ucrânia, feito que foi alcançado na temporada passada pela mão de Serhiy Rebrov. Andriy é um atleta leal ao clube que o fez crescer enquanto futebolista e já garantiu que não irá forçar a sua saída, procurando, em vez disso, uma oferta que seja não só atractiva para ele, mas também para o emblema de Kiev.

As possibilidades de mercado para um atleta com a qualidade de Yarmolenko parecem ser infindáveis, mas é quase certo que Andriy não estará disponível para fazer parte de uma equipa onde não jogue com regularidade ou para se contentar em ser suplente de luxo de um qualquer gigante do velho continente. O actual camisola 10 do Dynamo é, acima de tudo, um jogador ambicioso que, segundo as suas próprias palavras, quando não joga duas vezes por semana, não consegue libertar as suas emoções e a sua energia, e por isso deixa a sua família à beira de um ataque de nervos.

Foto de Capa: 90min.com

“A Caminhada: Passo 1” A Capitã

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cab Volei

Sara Correia, 23 anos, é a capitã da equipa sénior feminina de Voleibol do Carnide Clube, recentemente campeão regional. Estivemos à conversa com Sara Correia a propósito dessa conquista e dos objetivos desta época. 

Bola na Rede: Há quanto tempo estás no CC?

Sara Correia: Olá. Bem, quanto ao Carnide, estou envolvida no projeto desde que este ainda era apenas um “sonho”, há cerca de dois anos, 2014. Fomos bastante ambiciosos e acho que até posso mesmo dizer teimosos. Não é fácil, no momento em que nos encontramos, conseguir criar algo, sem grandes estruturas e apoios, mas encontramos o Carnide Clube, um clube já com bastante história, disposto a ter uma nova modalidade, um novo desafio. O primeiro passo estava dado, já tínhamos uma “casa”, uma identidade. “Mobilar a casa”, isso sim, já foi mais trabalhoso e exigiu um esforço de todos nós, treinadores, secção, colaboradores, para que tudo estivesse pronto para o início de uma nova época, em setembro. Encontrar um pavilhão, elaborar protocolos, recrutar atletas, comprar material, escolher equipamentos, escolher equipas técnicas, horários de treino, documentação… Todo um trabalho que exige bastante de cada um dos envolvidos.

BnR: Como foi o início deste ano com a chegada de um novo treinador, novas jogadoras e uma nova realidade?

SC: Foi um início diferente, bastante empolgante, pois a chegada de novas jogadoras com grande valor, a juntar às atletas que já tínhamos, foi bastante positivo para o grupo. Sabíamos, todas, que o trabalho poderia vir a ser bem mais aliciante a níveis competitivos. Na época anterior acabámos um grupo relativamente curto, com apenas nove atletas, e tínhamos consciência de que era preciso mais jogadoras. Quanto ao novo treinador, o Luís, é alguém que tenho o prazer de conhecer desde a minha infância, alguém de quem me recordo de ver já como treinador quando comecei a dar os meus primeiros toques na bola, isto há 11 anos. Com estes dois fatores, jogadoras novas e treinador novo, tudo se começava a compor para subirmos como equipa, mais um degrau nesta nossa aventura.

BnR: Como foi passar de treinadora/atleta a só atleta?

SC: Acho que esta é a pergunta fundamental. Não foi difícil essa passagem, mas ao mesmo tempo foi essencial. Na época anterior, eu tinha, inicialmente, apenas o papel de treinadora da equipa sénior feminina mas, por questões administrativas, faltava-me uma atleta para o primeiro jogo da época, precisamente a única jogadora que tinha para essa posição, que por acaso era a posição em que eu jogava. Acho que fiz apenas um treino com a equipa antes do primeiro jogo, pois achei sempre até à última que conseguiria inscrever a jogadora em questão, mas tal não aconteceu… Fui jogar. Já não treinava há mais de quatro anos, quanto mais estar preparada para jogar. Foi duro, bastante duro. Mas, depois, aquele “bichinho” parece que estava a começar a despertar passados tantos anos, e foi impossível parar. Então acumulei a função treinadora/atleta, por vezes, não escondo, bastante complicado de gerir. O gosto por ter voltado a jogar e partilhar o campo com aquelas jogadoras, como minhas colegas, falava bem mais alto. Por isso, poder agora ser uma delas a 100% é o melhor.

BnR: Quais as maiores dificuldades nesse novo processo?

SC: A maior dificuldade mesmo neste novo processo fui eu própria. Fisicamente não estava em condições, pelo tempo todo em que estive parada, e a época anterior tinha sido um acumular de lesões atrás de lesões pela minha falta de condição física, mas não dava para parar. Tinha de acelerar todo o processo para poder acompanhar a equipa e estar preparada. Tínhamos objetivos bastante concretos.

BnR: Já em competição, qual o momento mais difícil e o melhor momento no campeonato regional?

SC: Qualquer equipa passa sempre por bons e maus momentos, nós não somos excepção, mas são desses momentos que tiramos o que é um “bom” ou “mau” grupo. Mas, falando mais em concreto, o momento mais difícil por que passámos foi mesmo quando, na segunda jornada, sofremos a nossa primeira, e única, derrota. Tínhamos os olhos todos sobre nós, a pressão do início ao fim, e quando saímos desse jogo, meu Deus, parecia que estava tudo errado. Teríamos nós criado expectativas demasiado altas para nós mesmas? A semana que se seguiu, de treinos, continuava a refletir esse sentimento, ansiedade, irritação, desconforto. O que iria acontecer a seguir? Quanto ao melhor momento, foi sem dúvida alguma a vitória depois da derrota. Foi um jogo difícil, um jogo ganho pela margem mínima, 3-2, e o último set por 17-15. Aqui foi sem dúvida o ponto de viragem, foi aqui que escolhemos o nosso caminho: sermos um grupo.

BnR: Quais eram as expectativas no início do Campeonato Regional?

SC: As expectativas eram mais que muitas. Trabalhámos bastante, temos uns treinadores que nos orientam e preparam os jogos minuciosamente, e o objetivo era claramente apurarmo-nos para a segunda fase do campeonato em primeiro lugar e sermos campeãs regionais. Isso seria fruto do que iríamos dar de nós e ser enquanto equipa.

BnR: Quais os objectivos para esta segunda fase e o que esperas das restantes equipas do grupo?

SC: Não espero facilidades, nem podemos sequer pensar nisso. Temos presente que esta segunda fase irá ser bastante dura e terá de haver um esforço acrescido de cada uma de nós. É um tudo ou nada; em seis equipas, passa apenas uma para a Final do Campeonato Nacional. O objetivo é novamente apurar; começamos esta fase com todas as equipas de igual para igual e nós só dependemos de nós próprias para continuarmos a sonhar.

BnR: Como é ser capitã das Seniores Femininas do CC?

SC: É a melhor coisa do mundo. Há coisas difíceis de explicar e esta é uma delas. Não trocava a minha família por nada deste mundo, mas ser capitã desta equipa é ter uma nova família, uma família que podemos escolher. Tão diferentes, tão iguais.

BnR: Um desejo?

SC: Ser campeã nacional!

Felicidades e obrigado, Sara

Só a magia de Ricardinho não chega

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cab futsal

Agora é oficial: Portugal está fora do Euro’2016, com uma derrota por 6-2 frente à hexacampeã europeia e bicampeã mundial Espanha. Apesar de o parcial indiciar que foi um jogo de sentido único, este, face ao jogo a que tive a oportunidade de assistir, é claramente enganoso e não espelha, de todo, as enormes dificuldades sentidas pela turma espanhola, que a obrigaram a trocar a bola na sua defesa, sobretudo na segunda metade, com o intuito único de queimar tempo, algo que levou os adeptos sérvios a cantar bem alto o nome de Portugal e a assobiar este estilo de jogo que Nuestros Hermanos adotaram. A história do jogo divide-se claramente em duas, referentes a cada uma das partes de 20 minutos.

Na primeira parte, o jogo começou com um ascendente claro da Espanha, perante um Portugal algo adormecido, onde não se notou a presença decisiva de Fernando Cardinal, regressado após estar suspenso nos jogos referentes à fase de grupos. Ao intervalo, o resultado de 3-0 encaixava que nem uma luva face à enorme supremacia espanhola e à incapacidade portuguesa de reagir ao sucedido.

Paco Sedano, junto dos seus colegas, a celebrar a vitória Fonte: UEFA Futsal
Paco Sedano, junto dos seus colegas, a celebrar a vitória
Fonte: UEFA Futsal

Na necessidade urgente de inverter o rumo dos acontecimentos, para tentar ainda discutir o jogo, o parcial final iniciou-se da melhor maneira, com um golo de Ricardinho aos dois minutos, anulado quase de imediato numa jogada em que a cobertura do poste por parte do guarda-redes Bebé não foi a melhor, vendo o jogador espanhol marcar de ângulo quase impossível. Pouco depois, eis que surge o momento alto do jogo: o comandante Ricardinho marca um golo de outro mundo, um remate indefensável após uma maldade ao defesa contrário, um “cabrito” que deixou o adversário completamente destroçado. Posto este lance, e galvanizados pela maravilha que acabavam de presenciar, os portugueses ainda apostaram no 5×4 e criaram assim variadíssimas situações de golo iminente, mas sempre travadas pelo guarda-redes Paco Sedano, a grande figura do encontro na minha perspetiva. Como jogar com o guarda-redes avançado envolve sempre o risco total, desguarnecendo por completo a baliza, a vantagem da Espanha avolumou-se naturalmente até aos 6-2 finais.

Em suma, Portugal mostrou a espaços ter equipa para ombrear com a congénere espanhola, mas cometeu erros graves que neste nível se pagam bastante caro. Uma equipa deste nível não deve estar refém da magia de Ricardinho, pois é demasiado evidente quando ele não está em campo, não querendo com isto deitar abaixo qualquer outro elemento da equipa das quinas; e, apesar de o mágico livrar a seleção de apuros em muitas ocasiões, contra equipas desta craveira é manifestamente insuficiente.

Foto de Capa: UEFA

Sporting CP 0-0 Rio Ave FC: Segunda parte merecia vitória

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Sporting e Rio Ave proporcionaram uma grande primeira parte hoje, do melhor futebol que já passou por Alvalade nesta temporada. O 0-0 ao intervalo não representava o que aconteceu no relvado. O empate aceitava-se, mas os golos deveriam estar no marcador; 1-1 seria um resultado mais justo. Bryan Ruiz foi o primeiro a ter oportunidade de marcar, logo aos 11 minutos, após um mau alívio de um defesa do Rio Ave, mas Cássio respondeu da melhor maneira. Pouco depois, Slimani, em esforço, remata para defesa fácil.

De seguida foi o Rio Ave a ameaçar por duas vezes, primeiro por Wakaso, depois por Tarantini, e o caso mais perigoso foi o de Kayembe, com o extremo a não conseguir marcar isolado após erro de Adrien. Adrien, aos 26′, remata para defesa de Cássio e, no canto, este afastou o perigo novamente. Aos 31′, Adrien volta a rematar e, aos 37′, João Mário tem o lance mais bonito da primeira parte, fazendo lembrar o lance do golo de Adrien no jogo com a Académica. No entanto, desta vez, Cássio estava na baliza para uma excelente defesa. Na compensação foi a vez de Tarantini não conseguir abrir o marcador após boa defesa de Rui Patrício. A segunda parte começou com Kayembe a cabecear com muito perigo mas por cima da baliza de Rui Patrício. Depois deste lance, só deu Sporting até ao final do jogo.

A disposição tática de ambas as equipas
A disposição tática de ambas as equipas

O lance desta segunda parte vai para o golo anulado ao Sporting aos 60 minutos, por falta de Coates. Via TV, e aproveitando o facto de estar ao lado do observador de jogo do Rio Ave, aceita-se que o lance tenha sido anulado. Até ao final do jogo o Sporting criou muitos lances ofensivos, apesar de nenhum de perigo eminente. Cássio conseguiu sempre afastar os momentos mais perigosos da sua baliza, com mais uma exibição muito boa do brasileiro.

Não se pode dizer que o resultado seja totalmente injusto, pelo que se viu em campo, mas devia ter pendido para o Sporting por aquilo que esta equipa fez na segunda parte. No entanto, destaco que a equipa de Vila do Conde veio disputar o jogo a Alvalade e não meteu nenhum autocarro; fossem todos assim quando jogam contra os chamados “grandes” e muitas mais pessoas estariam nos estádios semana após semana. Numa altura em que tanto se fala de arbitragens Carlos Xistra esteve muito bem em Alvalade, não tendo tido qualquer influência no resultado.

A Figura:

Cássio – O guarda-redes do Rio Ave foi decisivo no empate da sua equipa com várias defesas de bom nível.

O Fora-de-Jogo:

Ataque do Sporting – Tiveram a bola e foram dominantes na segunda parte mas nunca tiveram a clareza de pensamento necessária para poder marcar.

Como as coisas mudam!

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O Futebol é um desporto espetacular. No início desta época lembro-me de olhar para o SL Benfica com pouca confiança. Lembro-me inclusive de ter dito e escrito que esta seria uma época de transição, que teríamos de utilizar para crescermos como coletivo. Também me lembro de ver a minha equipa constantemente desvalorizada por tudo e todos. Recordo-me de ver o meu treinador ridicularizado constantemente. Mas, como disse anteriormente, o Futebol é um desporto espetacular porque é imprevisível.

Hoje, o Benfica que ganhava jogos “à rasca” passa os testes a que é sujeito de forma categórica, como diz Rui Vitória. Podemos ver um Benfica a “passear” pelos estádios nacionais a golear e a praticar bom futebol. Hoje em dia, as mesmas pessoas que descredibilizavam o Benfica já elogiam Rui Vitória e a estrutura encarnada. Como as coisas mudaram.

Os “adivinhos” que tentaram lançar as suas sentenças sobre a turma encarnada falharam redondamente. Agora podemos ver um Benfica forte, um Benfica goleador e com uma fome de golos e de vitórias incessante. Neste momento consigo olhar para o Benfica e ver uma equipa unida, uma equipa com uma entrega enorme e um respeito tremendo pelo escudo que carrega ao peito.

Muitos fatores contribuíram para esta mudança de paradigma, mas os mais importantes foram a atitude e o compromisso que os jogadores mostraram. Agora vejo uma equipa que confia no seu treinador, vejo uma equipa que acredita no trabalho que Rui Vitória está a desenvolver e, acima de tudo, acredita que pode ser campeã.

Rui Vitória conseguiu reerguer o SL Benfica Fonte: SL Benfica
Rui Vitória conseguiu reerguer o SL Benfica
Fonte: SL Benfica

Sempre defendi o treinador encarnado, e admirei a forma como suportou todas as investidas de que foi alvo. Mostrou um grande carácter enquanto pessoa e também como profissional. Mesmo com todas as adversidades a que foi sujeito, nunca baixou a cabeça e conseguiu mostrar que está no Benfica porque merece. Mesmo com um plantel com algumas lacunas, montou uma equipa com uma grande identidade, conseguiu fazer “das tripas coração” e pôs os jogadores a renderem mais do que rendiam. Um desses exemplos é Pizzi, que está a fazer uma época tremenda.

Com a escorregadela do FC Porto frente ao FC Arouca, a turma orientada por Rui Vitória conseguiu assim aumentar a sua vantagem pontual em relação à turma azul e branca. Com isto, o Porto joga na Luz uma cartada decisiva no Campeonato. A vitória do Benfica, na minha opinião, dita o final da esperança dos azuis e brancos.

Por tudo o que este jogo significa e pelo momento que passamos, espero um Benfica a entrar sem medo, um Benfica com fome de golo e com vontade de matar o jogo o mais rapidamente possível. Num ambiente infernal e com uma pressão imensa, o Porto será uma equipa insegura e pouco confiante, o que poderá ser um fator muito importante para o resultado final. É imperioso que o apoio dos nossos adeptos seja incessante. O estádio tem de se transformar num inferno, num sítio onde o Porto vai sofrer cada segundo de jogo. Que a vitória nos sorria, e que joguem à Benfica!

Super Bowl 50: Carolina Panthers 10-24 Denver Broncos. Só deu defesa

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cab NFL

Os Denver Broncos começaram melhor o jogo e sem arriscar muito lá chegaram ao meio campo defensivo dos Panthers, conseguindo logo três pontos na primeira “drive”, através de um field goal do kicker Brandon McManus. O ataque dos Panthers demorou a aquecer. Depois de não terem conseguido converter na primeira posse, a offensive line deixou que Cam Newton fosse derrubado por Von Miller, o que acabou por resultar num fumble do quarterback de Carolina, com a bola a ser recuperada pela defesa de Denver dentro da endzone de Carolina. Touchdown e dez a zero para os Broncos, com a melhor defesa da liga a superiorizar-se largamente ao melhor ataque no início da partida. Como curiosidade, sempre que a defesa de Denver marcou um touchdown nesta época, a equipa ganhou.

A defesa de Carolina manteve a equipa no jogo e evitou que o resultado se avolumasse, com Luke Kuechly a conseguir derrubar Peyton Manning no final do primeiro quarto. O ataque dos Panthers, apoiado nas corridas do QB Cam Newton, foi desequilibrando a defesa dos Broncos e avançando no terreno, acabando por beneficiar de uma falta do cornerback Aqib Talib para marcar da linha de uma jarda, através de uma corrida/um salto do running back Jonathan Stewart. Carolina entrou finalmente no jogo e registou os seus primeiros pontos no início do segundo quarto: dez a sete para Denver.

Peyton Manning (e o ataque de Denver) continuou a jogar pelo seguro, procurando evitar os “turnovers” e optando por passes curtos e corridas em situações de “3rd down”, acabando por chutar a bola para o adversário, que continuava sem aproveitar as oportunidades que lhe foram concedidas. Jordan Norwood aproveitou um “punt” de Carolina para fazer um “return” de 61 jardas (recorde do Super Bowl), que deixou a equipa de Denver às portas da endzone de Carolina, mas, mais uma vez, Manning e o ataque não conseguiram os sete pontos, esbarrando na defesa de Carolina, contentando-se a equipa com mais um field goal de McManus. 13 a sete para os Broncos.

Depois do fumble de Cam Newton que resultou no primeiro touchdown de Denver, desta vez foi o fullback Mike Tolbert que perdeu a bola depois de uma corrida em que tentou ganhar jardas extra depois de já ter conquistado o “1st down”. Mais uma vez a melhor defesa da liga a superiorizar-se ao melhor ataque. Na jogada a seguir ao fumble de Tolbert surge o primeiro “turnover” de Manning, um passe que acabou por ser interceptado pelo defesa Kony Ealy. DeMarcus Ware acabou por derrubar Newton quando os Panthers tentavam reduzir a desvantagem, terminando a primeira parte 13-7 para os Broncos. Só deu defesa.

O início do segundo tempo prometeu, com Cam Newton e Peyton Manning a conseguirem converter uma série de passes para Ted Ginn, Jr. e Emmanuel Sanders, respectivamente, mas, enquanto os Broncos conseguiram retirar mais três pontos dessa jogada com mais um field goal de McManus, o kicker dos Panthers, Graham Gano, acertou em cheio no poste. 16 a sete para os Broncos. Aos poucos, a vantagem continuava a aumentar.

Peyton Manning e Cam Newton protagonizaram um dos momentos mais marcantes do SB50 Fonte: NFL
Peyton Manning e Cam Newton protagonizaram um dos momentos mais marcantes do SB50
Fonte: NFL

Carolina continuava sem encontrar solução para lidar com o front seven da defesa dos Broncos, o que levou a mais um turnover de Cam Newton, desta vez uma interception de T. J. Ward, depois de Ted Ginn, Jr. não ter conseguido controlar um passe. A defesa dos Panthers fez os possíveis (e os impossíveis) para manter a equipa no jogo; Kony Ealy derrubou Manning, forçando a que o QB dos Broncos largasse a bola, que veio a ser recuperada pela defesa. Com mais uma oportunidade de reduzir a desvantagem, os Panthers conseguiram três pontos, com Gano a converter o field goal desta vez. 16 a dez para os Broncos.

Os Broncos a jogar com a vantagem continuavam sem arriscar no ataque, apostando em corridas e passes curtos, evitando desta forma turnovers e gastando tempo de jogo. Os Panthers, por sua vez, a correr atrás do resultado precisavam de arriscar, mas continuavam a barrar na defesa de Denver, que mais uma vez viu Von Miller a derrubar e “roubar” a bola a Newton, que acabou por ser recuperada pela defesa e levou ao touchdown que acabou com o jogo. C. J. Anderson marcou da linha de uma jarda depois de uma falta de Josh Norman e Peyton Manning converteu um passe para Fowler na jogada de conversão de dois pontos, fixando o resultado final de 24-10.

No confronto entre a melhor defesa e o melhor ataque, a defesa ganhou, e não foi minimamente renhido. Cam Newton e os seus Carolina Panthers não conseguiram encontrar soluções para ultrapassar a muralha erguida pela defesa dos Broncos, e os três turnovers de Newton, dois fumbles e uma interception acabaram por resolver o jogo, numa partida em que o ataque de Denver só lançou pólvora seca. Von Miller foi o MVP, tendo forçado os dois fumbles que deram origem aos dois touchdowns dos Broncos. Peyton Manning geriu o jogo, tentou evitar turnovers ao máximo, jogando de uma forma bastante conservadora, e pode agora retirar-se, aos 39 anos, como campeão do Super Bowl (pela segunda vez).

A desilusão de Cam Newton no final do jogo

 

Foto de Capa: NFL

CorfLiga ao rubro!

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cab corfebol

Apesar de o Corfebol Português ter vivido na sua história recente alguns dos melhores anos da sua história a nível internacional, muitos se têm queixado da falta de competitividade do principal campeonato português, o que acaba por o tornar desinteressante.

Analisando os resultados dos últimos anos, é impossível não deixar de concordar:

Campeoes corfebol

À constante das 5 vitórias do Núcleo Corfebol Benfica ( NCB ) nos últimos 5 campeonatos, junta-se a constante de em 4 desses campeonatos o Clube Carnaxide Cultura e Desporto ( CCCD ) ter sido o 2º classificado, existindo apenas alguma variância no ocupante do 3º lugar ( em 2010/2011 não houve disputa de 3º Lugar ).

Para além deste facto, nos últimos 3 campeonatos o NCB não registou uma única derrota em qualquer jogo a contar para o Campeonato, o que ainda diminui mais a imprevisibilidade do resultado, fator decisivo para a competitividade do mesmo.

Este ano porém, a história tem sido completamente diferente. Os penta-campeões NCB averbaram a primeira derrota dos últimos 3 anos frentes aos arqui-rivais de Carnaxide logo a abrir o Campeonato. Duas jornadas depois o CCCD, líder invicto à altura, defrontou a Quinta dos Lombos tendo perdido num jogo apertadíssimo por apenas um ponto. A mesma Quinta dos Lombos que, mais uma vez num jogo muito equilibrado, perdeu contra o Grupo Desportivo os Bons Dias ( GDBD ) também por apenas um ponto.

Entretanto o NCB recuperou do desaire sofrido e venceu todos os restantes jogos, incluindo contra a equipa de Carcavelos, encontrando-se a mais de meio da fase regular empatado no primeiro lugar do campeonato com o CCCD (com desvantagem no confronto direto).

Benfica e Carnaxide estão este ano mais próximos
Benfica e Carnaxide estão este ano mais próximos

Ao mesmo tempo na metade de baixo da classificação, o KorfLxProject (regresso à CorfLiga 2 anos depois), o Agrupamento de Escolas Pedro Alexandrino (estreia na competição) e o Clube Internacional de Futebol já disputaram 3 jogos entre si, tendo 2 deles acabado com uma diferença de apenas 1 ponto.

A verdade é que este ano não há como negar: a CorfLiga este ano está interessante, competitiva e imprevisível. Que assim continue!

Nota: Por estar diretamente ligado a esta competição, e correr o risco de não ser totalmente rigoroso, apenas voltarei a escrever sobre ela na aproximação da sua fase final.

Imagens: Corfebol Carnaxide

FC Porto 1-2 FC Arouca: Nem cabeça, nem coração

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Quem esperava um jogo fácil no Dragão enganou-se. Redondamente. O FC Porto era, à partida, o grande favorito à conquista dos três pontos na receção ao Arouca, ora por jogar em casa, ora por ser teoricamente superior ao adversário. Mas o futebol, como é sabido, não é uma ciência exata e a teoria nem sempre anda de mãos dadas com a prática. Nesse campo, o da prática, o Arouca foi melhor e com muito mérito do seu treinador, Lito Vidigal.

A estratégia montada pelo técnico, que passava pela constante exploração do lado esquerdo da defesa do FC Porto e por saídas rápidas de contra-ataque, deu frutos. A falta de apoio frequente de Brahimi a Angel, a transição defensiva lenta dos dragões e os erros infantis dos centrais portistas foram falhas aproveitadas pelos comandados de Lito. No fundo, o Arouca dotou o seu futebol de muito pragmatismo, algo que falhou do lado do FC Porto.

Ainda que alguns processos de José Peseiro pareçam já assimilados pelos jogadores azuis e brancos, nomeadamente a colocação de mais homens na zona de finalização e uma posse de bola mais acutilante, é inegável que existem ainda muitos aspetos a trabalhar e a corrigir. E com a máxima urgência, se a prioridade for manter o sonho do título vivo.

Isto porque esta derrota complica as contas do FC Porto e acontece no momento menos oportuno da temporada – se é que existe um. Não só porque a equipa azul e branca dava mostras de melhoria de rendimento, mas também porque é nas vésperas da visita à Luz. Os Dragões irão defrontar o rival Benfica com seis pontos de atraso e, em caso de derrota, podem mesmo dizer adeus ao título. Não matematicamente, como é óbvio, mas realisticamente.

Walter foi o héroi da noite Fonte: FC Arouca
Walter foi o herói da noite
Fonte: FC Arouca

E a partida de hoje não augura nada de bom para o embate da Luz, não só pelo resultado. Acima de tudo, pela postura dos jogadores do FC Porto, que parecem estar a jogar sobre brasas. É certo que o golo sofrido aos nove segundos, da autoria de Walter González, não estava nos planos dos Dragões, mas a ansiedade demonstrada mesmo depois do empate – Aboubakar, aos 14 minutos – traz à memória a era Lopetegui, em que as reviravoltas eram um mito e a ansiedade palavra de ordem.

Depois do golo de Aboubakar, o Porto criou algumas oportunidades e acabou por ir para o intervalo por cima da partida. Posto isto, era expectável que regressasse do balneário a todo o gás, de maneira a consumar a reviravolta, mas isso não se verificou. Alguma atrapalhação, fruto da pressa e da ânsia de chegar ao segundo golo, foi tornando o jogo fácil para o Arouca, que apenas teve de se fechar na retaguarda, na expectativa e à procura do erro, que acabou por aparecer.

Maicon, numa noite para esquecer, perdeu a bola à entrada da área portista, e Walter González aproveitou para bisar e fechar as contas aos 67 minutos. Os dragões ainda tentaram o empate, mas sem sucesso. Quando faltou a cabeça para fazer melhor, também não se viu coração. Viu-se, sim, alguma apatia. E, numa fase tão preponderante da temporada, é preciso mudar ou o sonho do título vai por água abaixo já para a semana.

A Figura:

Layun – Não teve culpa em nenhum dos lances de golo adversários e fez a assistência – mais uma – para o golo de Aboubakar. Voltou a demonstrar uma grande disponibilidade física e foi um dos motores ofensivos do FC Porto.

O Fora-de-Jogo:

Maicon – É o fora de jogo e foi, ao mesmo tempo, figura do jogo por estar ligado aos dois golos do Arouca, principalmente o segundo. A sua exibição deixou patente que não merece ser titular e muito menos ser capitão. Aliás, foi protagonista de um dos momentos mais caricatos enquanto portador da braçadeira. Depois de errar no segundo golo, lesionou-se e virou as costas ao jogo, deixando a equipa com menos um.

CF União 0-1 Moreirense FC: Uma malassada com mel de cana para adoçar a boca

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União da Madeira, 12.º classificado, a receber o Moreirense, que se encontrava três lugares abaixo. Novidades do lado do União da Madeira: Rafael Alves substituiu forçosamente André Moreira, que se lesionou e só volta a estar disponível na próxima temporada. Ênfase no regresso de Soares, depois de ter cumprido um jogo de castigo na cidade berço, e para a ausência de Joãozinho, a cumprir um jogo de castigo.

Do lado da equipa que viajou de Moreira de Cónegos, e que nos últimos jogos tem sofrido muitos golos – recordem-se os cinco, por exemplo, no Estádio do Marítimo –, destaque para o regresso de Rafael Martins e Filipe Gonçalves.

Foi um início de jogo confuso, com as equipas do União e do Moreirense a tentarem tomar as rédeas da partida. Aos três minutos, depois de muita confusão do lado direito do ataque do União, Toni Silva ganhou a bola, tentou colocar em Danilo Dias, com a bola a ressaltar na defesa do Moreirense; na sobra, com toda a equipa visitante à espera do fora-de-jogo, Toni Silva cruza para Danilo Dias, que insere a bola na baliza de Stefanovic, com Manuel Mota a invalidar o golo. Na resposta, o Moreirense, pelo regressado Rafael Martins, na pequena área, carrega Paulinho pelas costas. Sem perigo.

Continuava a resposta de um lado e de outro, e Danilo Dias, uma vez mais, criava perigo para a baliza da equipa adversária, com um excelente trabalho de Toni Silva pela direita, a entregar para o camisola 20, que com a baliza escancarada atirava por cima. Na resposta, e jogava-se o minuto 11, rasgo pela direita de Vitor Gomes, que, depois de chamar a si dois defesas do União, entrega em Rafael Martins, que vê o posicionamento de Rafael Alves e envia a bola para o fundo da baliza do União da Madeira. Adiantava-se o Moreirense, com Norton de Matos, treinador do União da Madeira, a pedir para que a sua equipa tomasse as rédeas do jogo.

Com o onze visitante na frente da partida, as peças de ambos os lados ficaram baralhadas e voltou a confusão à partida. Jogo muito confuso, com lances sem nexo, excetuando o minuto 19, quando os de Moreira de Cónegos podiam ter ampliado a vantagem, depois de um canto na direita de Iuri Medeiros que quase enganava o guardião do União.

Continuava a enorme posse de bola do União, que controlava o jogo, mas que quase não criava lances de perigo, e, numa contraofensiva por parte da equipa visitante, novamente os suspeitos do costume: Iuri Medeiros servia Rafael Martins, que, cara-a-cara com Rafael Alves, rematava, e o guardião do União, com a ponta dos dedos, defendia e fazia a bola ainda esbarrar no poste. Estava carimbada a primeira meia hora. Continuavam a controlar os azuis e amarelos, e aos 34 minutos Amilton cruza para a área adversária com Cádiz a cabecear sem perigo para a baliza de Stefanovic. Por esta altura, estava mais interessante olhar para a queda de água de cerca de 70 metros do que para o que se jogava no interior das quatro linhas. Consultavam-se os resultados de Inglaterra, Itália e Espanha, ligava-se o streaming da rádio pública, fazia-se um refresh no Facebook, faziam-se previsões e antevisões para o Super Bowl. Bocejava-se. Estava frio, o chá das quatro da tarde. Nem mesmo as mesquinhices dentro de campo, sempre resolvidas por Manuel Mota, animavam os que estavam nas bancadas. Mesquinhices que resultaram num cartão amarelo – “alaranjado”, diga-se – para Toni Silva, que, num anto de impaciência, leva os pitões direitos à perna de Palhinha. Para pôr cobro a esta situação, Manuel Mota mandava toda a gente para os balneários, e os adeptos do União pediam explicações a Toni Silva. No mesmo instante em que aplaudiam Rafael Alves, apupavam o quarteto de arbitragem.

Na segunda metade, o União entrava decidido a resolver a partida. Dois lances finalizados por Danilo Dias, primeiro sem grande perigo para a baliza adversária, e depois, aos 11 minutos, num belo rasgo da direita para o centro do terreno, Amilton tirava quatro adversários do caminho e servia o brasileiro, que rematava para excelente defesa de Stefanovic.

A carimbar a meia hora, Boateng, que vinha a ameaçar a defesa insular, cruza e Nildo remata com perigo para a baliza de Rafael Alves. Um minuto depois, Norton de Matos percebia que tinha de “colocar a carne toda no assador”, e substituía o capitão Soares para a entrada do extremo Breitner. Pelo início da segunda parte, a partida parecia prometer um jogo mais emotivo para quem está a ver de fora. Mas como diz o ditado: “de promessas está o inferno cheio”. Confirmo! Prometia. Mas conseguiu ser pior do que a primeira parte, com um Moreirense tranquilo com a vantagem que queria levar na bagagem e com um União a procurar, no mínimo, o golo da igualdade. Poucos foram os lances de perigo, apesar de uns quinze minutos iniciais com toada ofensiva; a verdade é que depois o Moreirense voltou a tomar as rédeas da partida e, tal como um cozinheiro que controla a temperatura do forno, os onze de Miguel Leal controlavam a partida. Por mais que o União tentasse, por mais que Norton de Matos trocasse defesas por avançados, por mais remates que se fizessem à baliza de Stefanovic, a verdade é que os três pontos estavam já bem confortáveis no autocarro do Moreirense, à espera do resto da equipa rumo a Moreira de Cónegos.

Miguel Leal era um treinador feliz
Miguel Leal era um treinador feliz

No final, resta reconfortar o estômago e a alma com uma típica malassada com mel de cana. Afinal é Carnaval, mas vir ao Futebol para jogos deste calibre é de levar a mal.

A Figura:

Rafael Martins – Fez falta ao Moreirense nos dois últimos jogos com o Benfica e foi a figura em destaque na tarde de hoje. Foram dele os maiores lances de perigo. Foi dele o golo que faz os três pontos viajarem para Moreira de Cónegos. É de referir também o bom trabalho efetuado pela equipa comandada por Manuel Mota. Com pequenos erros, não teve qualquer influência no resultado final. Por muito que tenha havido assobios, já se sabe que ninguém gosta de perder.

O Fora-de-Jogo

Num jogo frio e com poucos lances de perigo, como o que esta tarde se jogou no Vale da Serra D’Água, não há um fora de jogo. Foi um jogo em que ambas as equipas procuraram levar o adversário de vencido, mas foi mais inteligente e organizado o Moreirense.

Sala de Imprensa:

Miguel Leal

Miguel Leal estava ciente de que a equipa do Moreirense havia sido superior na partida desta tarde. O treinador dos verde e brancos de Moreira de Cónegos referiu que “esta segunda volta tem sido muito melhor” para a equipa do Moreirense, fazendo um paralelismo com a primeira volta, quando por esta altura o Moreirense só tinha um ponto, curiosamente ganho com o adversário desta tarde.

“Fomos sabendo sofrer, mas acima de tudo era importante não perder este jogo”, disse ainda o treinador do Moreirense. Quanto ao facto de o Moreirense não ter sofrido, desde há algum tempo, tantos golos como os que sofreu diante do Marítimo ou do Benfica, e questionado pelo BnR, Miguel Leal referiu que “o Moreirense soube ser uma equipa superior e corrigir os erros do passado”. Por esse facto, Miguel Leal destaca esta vitória também pela motivação que passa para a equipa do Moreirense.

Norton de Matos

“É futebol”. Foi desta forma que Norton de Matos respondeu à nossa pergunta com a derrota no jogo diante do Moreirense. O treinador do União aproveitou ainda para lançar uma farpa à equipa de arbitragem, que logo aos três minutos de jogo anulou um golo ao União da Madeira, dizendo que “se não foi bem anulado penaliza-nos, e muito, nas aspirações que tínhamos para o jogo de hoje”.

Norton de Matos não culpa a equipa do União pela derrota de hoje, realçando que com o golo do Moreirense, e com um segundo lance de perigo por parte dos visitantes, a equipa sentiu a pressão e não teve inteligência para dar a volta ao resultado.