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Uma semana para acertar agulhas

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Aproxima-se uma semana de vital importância para a época do Sporting. Vamos ter clássico em Alvalade frente ao Futebol Clube do Porto, atual líder da tabela classificativa, com um ponto de avanço.

Depois do enorme revés que foi a eliminação da Taça de Portugal, às mãos do Sporting de Braga, os “leões” foram derrotados na Madeira pelo União, perdendo assim também a liderança do campeonato para os “dragões”. Era muito importante para a equipa orientada por Jorge Jesus chegar a este clássico de dia 2 de janeiro como líder da tabela. Seria muito importante em termos de confiança e na forma como a equipa podia abordar o encontro. Contudo, não é assim que estão as coisas e o Sporting vai ter de entrar em campo com o objetivo de roubar o primeiro lugar à equipa de Lopetegui.

Como já vimos este ano, os “azuis e brancos” são capazes do melhor e do pior; na minha opinião têm o melhor plantel de entre os três grandes mas têm também o pior treinador. Nós temos o melhor treinador e temos um plantel que tem correspondido às expetativas, ainda que não possamos utilizar os mais recentes reforços já neste encontro. A Liga Portuguesa “respeita” muito o descanso e por isso só reabrirá as inscrições no dia 4 de janeiro, sendo assim impossível a utilização de Bruno César e Marvin Zeegelaar já neste encontro.

Depois dos dois últimos resultados negativos, o Sporting terá de voltar ao trilho das vitórias. De entre os habituais titulares, apenas Teo Gutiérrez está em dúvida devido a uma pubalgia. Todos os outros estarão aptos, a menos que se lesionem num treino ou no jogo de terça-feira, frente ao Paços de Ferreira, a contar para a Taça CTT. Nesta partida, penso que JJ deveria recorrer à equipa B e a jogadores como Marcelo Boeck,  Tobias Figueiredo, André Martins ou Tanaka, atletas que têm tido uma utilização muito reduzida. Não podemos correr riscos antes de um encontro tão importante, ainda para mais porque é a Taça da Liga, competição que o Sporting menospreza assumidamente.

Para o jogo do campeonato, penso que existem dois modelos possíveis, dependendo da evolução física de Teo Gutiérrez. Caso o “cafetero” esteja em condições de alinhar, será titular ao lado de Slimani, jogando o Sporting no seu esquema habitual. Caso Teo não esteja apto, penso que Jesus não devia lançar Montero logo de início no encontro. Nesse caso, acho que o treinador leonino podia lançar em campo o onze que começou o jogo em Braga, com um meio campo reforçado com três elementos (William, Adrien e Aquilani). Na frente, jogaria um trio composto por João Mário, Slimani e Bryan Ruiz.

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Seria ótimo ver um novo “graffiti”de Teo no relvado, já no próximo sábado
Fonte: Sporting CP

Já no que toca ao setor defensivo, a questão é mais difícil. Se os lugares de Rui Patrício, Paulo Oliveira e Jefferson são cativos, o mesmo não podemos dizer dos postos de Ewerton e João Pereira, por motivos diferentes. No caso do central brasileiro, a instabilidade deve-se aos problemas físicos. Caso esteja a 100%, Ewerton é sempre opção titular. Caso contrário, avançará Naldo. No lado direito da defesa, mora o calcanhar de Aquiles da equipa. João Pereira tem comprometido amiúde, e Esgaio deixou Danilo Dias sozinho no golo solitário que nos derrotou na Madeira. Schelotto deverá estrear-se frente ao Paços e, por isso, o jogo frente ao FC Porto ficará a cargo de Esgaio ou J.Pereira. A situação torna-se ainda mais preocupante se notarmos que é Brahimi o adversário direto que um destes dois elementos terá pela frente. O argelino tem estado em grande e é claramente a maior ameaça de um Porto que tem valido sobretudo pela capacidade individual dos seus jogadores, principalmente Brahimi e Corona.

É imperioso vencer o clássico do próximo sábado para voltar à liderança do campeonato e calar aqueles que acordaram no domingo passado, eufóricos pela derrota dos “verde e brancos” na Madeira.

Foto de Capa: Sporting CP

A sondagem do Real Madrid CF

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cab la liga espanha

Esta semana, os sócios do Real Madrid CF foram contactados telefonicamente para dar a sua opinião relativamente a alguns aspetos da atual época desportiva, e, segundo a imprensa espanhola, esta sondagem foi encomendada pelo próprio clube.

Foram sete as questões dirigidas aos sócios. A primeira pedia que se avaliasse o trabalho dos jogadores até ao momento, a segunda pedia a avaliação do treinador e, de seguida, perguntava-se se Rafa Benítez deveria ser demitido. Esta pergunta parece-me desnecessária. É que o treinador espanhol não se deverá sentir muito cómodo sabendo de tal sondagem feita pelo seu próprio clube, e havia formas bastante mais simples de obter tal informação. Basta olhar com um pouco de atenção para as bancadas do Santiago Bernabéu e reparar em que, apesar de haver cada vez mais cadeiras vazias, aumenta o número de lenços brancos e o volume dos assobios.

A quarta questão era a mais interessante: caso Rafa Benítez seja demitido, qual seria o treinador preferido para o substituir? E aqui era disponibilizada uma lista de treinadores: Mourinho, Guardiola, Zidane, Wenger, Ancelotti ou Pellegrini. A lista em si é curiosa por incluir treinadores com estilos de jogo completamente distintos (como Mourinho e Guardiola) e em fases completamente diferentes da carreira (como Zidane e Wenger), o que demonstra que o Real Madrid não tem sequer identificado o perfil do treinador que pretende. Mas o mais curioso é o simples facto de o clube fazer esta pergunta aos sócios (e o mesmo poder-se-ia dizer da última pergunta, sobre que jogadores devem ser contratados para o ataque e restantes posições).

Sergio Ramos, Florentino, Benítez e Marcelo desejam um Feliz Natal Fonte: Real Madrid CF
Sergio Ramos, Florentino Pérez, Rafa Benítez e Marcelo desejam um Feliz Natal
Fonte: Real Madrid CF

É que deveria haver no clube alguém que soubesse mais de futebol do que os adeptos. Já todos sabíamos que as decisões no Real Madrid são tomadas não tanto a pensar no que é melhor em termos desportivos mas sim no que é melhor para a imagem do clube e para a venda de camisolas. Mas, assim, já nem se disfarça! Só falta que os sócios possam votar no onze inicial pela internet e que, ao intervalo, façam chamadas de valor acrescentado para escolher a primeira substituição. Para o lugar de Benítez, Florentino deveria contratar um relações públicas ou gestor de comunidades online.

As outras duas questões inquiriam que jornais e programas desportivos é que os sócios costumam ver, algo que é fundamental saber para um clube que se preocupa mais em melhorar a sua imagem do que o seu futebol. Só ficaram a faltar duas perguntas: Como avalia o trabalho da direção do Real Madrid? Acha que o Presidente se deve demitir?

Foto de Capa: Real Madrid CF

Janeiro, sê amigo!

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Depois da derrota do nosso arquirrival, a tarefa do Sport Lisboa e Benfica tornou-se mais fácil. Com a derrota do Sporting na Madeira e com a vitória do Benfica perante o Rio Ave, a turma de Rui Vitória conseguiu assim diminuir a desvantagem pontual de sete para quatro pontos. Para além dessa derrota, o Sporting irá defrontar o Porto, outro dos candidatos ao título, no dia 2 de Janeiro, o que fará com que o Benfica reduza a desvantagem pontual para pelo menos uma das duas formações, caso vençamos em Guimarães.

Para além de defrontar o Porto, na jornada seguinte o Sporting desloca-se até ao estádio do Bonfim para defrontar a equipa sensação desta temporada, e na semana depois a equipa verde e branca recebe o Braga, tendo assim um calendário que poderá fazer com que o Benfica reduza a sua diferença pontual para com a equipa de Jorge Jesus. Com a entrada do ano de 2016, o Benfica vê assim a sua esperança renovada. Com o regresso de alguns atletas que se encontravam lesionados, como por exemplo Sálvio e Nelson Semedo, Rui Vitória fica com um maior leque de opções para disputar todas as partidas que o Benfica tem em calendário até ao final da temporada.

Outro factor muito importante neste “renascimento” de esperança é a chegada de alguns reforços. Até ao momento não se sabe se Cervi chegará já em Janeiro ou se no final do ano, mas ao que tudo indica estará certa a chegada de um lateral esquerdo ao Benfica já em Janeiro. Grimaldo será assim um reforço de peso para a defesa benfiquista. O canterano do Barcelona irá ocupar uma posição deficitária do Benfica desde a saída de Siqueira.

Jonas tem sido peça-chave na equipa de Rui Vitória; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Jonas tem sido peça-chave na equipa de Rui Vitória
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Para além destes dois nomes também se fala em Luis Ibañez, lateral-esquerdo que actua no Estrela Vermelha, tendo em vista o fim do vínculo de Eliseu no final desta temporada. Penso que, mesmo com estas contratações, é imperioso contratar mais um lateral direito e um médio de transição. Se Renato Sanches se lesionar onde está a segunda opção? Precisamos de mais “matéria prima” para atacar o tri.

Apesar de se notarem melhorias no estilo de jogo encarnado, o Benfica continua a não ter alternativas de qualidade, e isso fica bem visível quando Gaitán não joga. Precisamos de mais opções. Sou um dos defensores na aposta na formação, mas isso só por si não é suficiente. Se queremos manter a hegemonia no futebol nacional temos de contratar. Não precisamos de contratar jogadores às “carradas” como fazíamos nas últimas épocas; precisamos, sim, de contratar jogadores para tapar os “buracos” que temos no nosso plantel.

Todos os benfiquistas sabem que o Presidente está apostado em realizar uma reestruturação financeira no nosso clube, mas, como ele próprio já o disse, o Benfica vai continuar competitivo e com sede de títulos. Para que isso aconteça é bom que os olheiros da Luz façam um bom trabalho e que referenciem jogadores de qualidade e não Brunos Cortês ou Emerson’s, como aconteceu nas épocas passadas.

Como já referi em textos anteriores, onde fui bastante criticado, penso que este seja o caminho certo, uma vez que o Sport Lisboa e Benfica possui o maior passivo dos “três grandes”, mas é imperioso que continuemos a lutar pelos nossos objectivos todos os anos, que são ganhar todas as competições a nível interno, coisa que não vai acontecer se não nos reforçarmos bem. Quando digo reforçar bem é como já referi anteriormente, contratar com qualidade e não em quantidade, factor que também levou o Benfica a estar a realizar esta reestruturação financeira.

Temos bastantes opções de qualidade nas equipas do nosso campeonato, jogadores que conhecem a realidade do futebol nacional e seriam uma mais valida para o nosso plantel, por isso esperemos que deixem de uma vez de olhar só para os campeonatos estrangeiros e comecem a olhar de forma mais atenciosa para o que temos de bom no nosso país.

O ‘Doente’ pela Bola – Entrevista a José Viterbo (Parte II)

entrevistas bola na rede

(1.ª Parte da Entrevista disponível AQUI)

Na segunda parte desta entrevista, falamos sobre o panorama futebolístico atual, espreitamos algumas preferências do mister, perguntamos-lhe pelo futuro (soubemos que a Noruega poderia ter sido uma possibilidade … e que vê neste campeonato muito potencial) e ainda descobrimos um lado mais emocional, denunciado pela face carregada quando nos revelou que, ultimamente, ao contrário dos últimos 25 anos, tem tido mais tempo para a família.

A arbitragem no panorama nacional

“Em relação às arbitragens, acho que é uma mentalidade muito pobrezinha, de terceiro mundo”

BnR: As críticas à arbitragem no futebol, especialmente o nacional, são algo que se tem convencionado como natural. A introdução de tecnologias de assistência de arbitragem no futebol poderia atenuar essas críticas?

JV: Em relação às arbitragens, acho que é uma mentalidade muito pobrezinha, de terceiro mundo, quando se desculpam as derrotas com os árbitros. O futebol tem tanta coisa boa que pode ser exponenciada … acho que a tecnologia na linha de baliza é muito importante, mas custa-me a perceber outras introduções – imagina que há um suposto penálti e a bola segue rapidamente para ataque rápido e a equipa adversária faz golo, por exemplo. Há lances em que nem em câmera lenta conseguimos ter uma opinião segura, quanto mais no movimento instantâneo.

BnR: Acha que os empresários e agentes de jogadores de futebol são algo que veio melhorar ou piorar o Futebol Nacional?

JV: Se houver um bom empresário, que não veja só os cifrões, o atleta tem tudo a ganhar porque a perspetiva de carreira, é importante. Isto é a mesma coisa que ficares doente, ires ao hospital – se apanhares um bom médico tens mais hipóteses de te curar, se for mau, podes ter mais dificuldades. A competência deve estar presente em tudo.

A prestação das equipas portuguesas na Europa

“A questão orçamental é determinante, quem tem dinheiro compra os melhores. Mesmo Benfica, Porto e Sporting têm dificuldades em contratar jogadores de topo”

BnR: A Rússia e a França estão-se a aproximar de Portugal no ranking da UEFA. Considera que Portugal tem clubes preparados (além dos três grandes e do Braga) para lidar com as competições europeias?

JV: Para além dos três grandes e do Braga, acho difícil. Se olharmos bem, 90% dos clubes que estão na Liga Europa, têm orçamentos maiores que o Braga. O Belenenses também fez uma campanha europeia engraçada, não envergonhou o país. Mas a questão orçamental é determinante. Quem tem mais dinheiro compra os melhor, com mais qualidade. Mesmo Benfica, Porto e Sporting têm dificuldades em contratar jogadores de topo.

O Euro 2016

“ (…) acho que não devemos ser tão perentórios ao ponto de dizer que somos candidatos a vencer o Europeu, mas somos candidatos a estar nos quatro primeiros.”

BnR: Até onde pode chegar Portugal no Euro’2016?

JV: Eu sou daqueles que pensa este grupo não é assim tão fácil como as pessoas imaginam. Estamos a criar uma ilusão e esperemos bem não ter uma deceção. A Áustria é fortíssima, praticamente todos os jogadores jogam na Bundesliga; a Islândia tem muitos jogadores a jogar pela Europa fora, alguns deles em Inglaterra, já para não falar do que fez na fase de qualificação e a Hungria não pode ser vista como o parente pobre do grupo. Vai ser um grupo muito disputado, mas temos todas as condições de passar a primeira fase, a partir daí, acaba por ser um bocadinho a sorte do acasalamento das equipas, mas acho que não devemos ser tão perentórios ao ponto de dizer que somos candidatos a vencer o Europeu, mas somos candidatos a estar nos quatro primeiros.

BnR: Falando em Europeus,  como viu a prestação dos Sub-21 no verão passado?

JV: É diferente. São gerações competitivas completamente diferentes. Temos miúdos com muito talento nos Sub20 e Sub21 mas a qualidade e a competitividade esbatem-se quando se chega à verdadeira elite, mas beneficiamos do facto de termos miúdos a jogar já em campeonatos muito competitivos tirando daí a vantagem sobre outras seleções.

José Viterbo brindou o Bola na Rede com uma entrevista muito descontraída Fonte: Tomás Resendes
José Viterbo brindou o Bola na Rede com uma entrevista muito descontraída
Fonte: Tomás Resendes

A luta pela campeonato nacional

“O Sporting tem demonstrado muita qualidade, o Porto a espaços, o Benfica também tem feito bons jogos. Mas a equipa com maior regularidade do ponto de vista exibicional é o Braga.”

BnR: Quem considera estar a praticar o melhor futebol em Portugal?

JV: O Braga. O Sporting tem demonstrado muita qualidade, o Porto a espaços, o Benfica também tem feito bons jogos. Mas a equipa com maior regularidade do ponto de vista exibicional é o Braga.

BnR: Como vê a luta pelo título? Quem vai erguer o troféu no final da época?

JV: É difícil. Já davam o Benfica como morto, mas isto é uma maratona. O Benfica com o Salvio bem pode ter uma palavra a dizer. Na minha opinião o melhor jogador do Benfica (Salvio), que tem um capacidade de rasgo fantástica e transmite à equipa grande agressividade no ultimo terço.

BnR: Para si, qual é o melhor jogador a atuar em Portugal?

JV: Não estando o Salvio, talvez o Gaitán. O miúdo Gelson também tem muito talento. Eu quis trazê-lo para a Académica este ano; ainda falei com o Jorge Jesus sobre ele e sobre o Matheus Pereira  mas ele disse-me logo que não (risos)!

Os treinadores nacionais

“O treinador português é um treinador muito astuto, que monta bem as suas equipas, é algo que faz parte da cultura portuguesa.”

BnR: Qual a sua referência, como treinador?

JV: Homens como Vítor Manuel, João Alves, Henrique Calisto, Vítor Oliveira, Gregório Freixo, José Rachão, José Costa são treinadores que passaram pela Briosa e que muito me habituei a respeitar. Senhores e verdadeiros decanos do futebol Português. Claro sem esquecer aqueles que  também na formação me ajudaram a ser o que sou hoje; Pinho, Bentes, Crispim, Francisco Andrade e Curado. No entanto Vítor Manuel é aquele com quem mais me identifico. José Mourinho e Jorge Jesus são de facto atualmente os nossos grandes embaixadores!

BnR: Como vê o despedimento dele?

JV: É futebol. Mas não põe em causa o trajecto dele, um trajecto de campeão ao longo destes quinze anos.

BnR: Que valores emergentes encontra nos bancos nacionais?

JV: O treinador português é um treinador muito astuto, que monta bem as suas equipas, é algo que faz parte da cultura portuguesa, que já vem quase do tempo da guerra, sempre fomos um povo, que do ponto de vista estratégico, muito capaz.

BnR: Afirmou, no momento da saída, que se sentia mais treinador do que na altura em que chegou ao comando técnico da Briosa. Como tal, o que se segue para José Viterbo?

JV: Tenho duas ou três situações em estudo, brevemente tomarei uma decisão.

BnR: O que é que anda o autodiagnosticado “doente por futebol”, José Viterbo, a fazer?

JV: A ver futebol, a ver jogadores e a estar mais tempo com a família que foi uma coisa que durante 25 anos não fiz.

BnR: O que tem Coimbra de tão especial?

JV: Eu não sou de Coimbra, mas vim para cá com 4 anos de idade. Coimbra tem a mística. Vive-se, cheira-se, sente-se.

A Esperança e o Natal são verdes

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E, de repente, chegou Dezembro. Hoje é dia de Natal, dia de família, de prendas e de Esperança. E tal como a Esperança, o verdadeiro Natal é verde, algo que nem a mais famosa marca de refrigerantes pode mudar.

2015 foi um ano cheio de misturas sentimentais; foi um ano de vitórias, conquistas, desilusões e poucas – mas marcantes – derrotas. Os meses de Janeiro e Fevereiro ditaram o afastamento de duas competições: Taça da Liga e Liga Europa, respectivamente. Algo encarado como normal, uma vez que uma delas é uma taça que só interessa ao “Menino Jesus” e a outra não era uma das prioridades da época. Ainda assim, ficou a sensação que o jogo de Alvalade frente ao Wolfsburgo poderia ter tido outro resultado e dado outro destino à eliminatória.

Já o mês de Março, trouxe um dos grandes dissabores da época. A derrota – vergonhosa – no Dragão, por esclarecedores 3-0, afastou definitivamente os leões do título e mostrou, acima de tudo, que os leões de Marco Silva não tinham a estaleca necessária para enfrentar os portistas e, sobretudo, o rival da Luz.

O último dia de Maio trouxe o maior e mais saboroso momento do ano de 2015. A vitória com contornos épicos no Jamor, conquistada nas grandes penalidades e depois de um empate alcançado já para lá dos noventa minutos, deu uma despedida condigna a Marco Silva e trouxe para Alvalade uma Taça que nos escapava há demasiado tempo.

A chegada do Verão a Alvalade pode ser descrita como “quente” ou até “a ferver”. De escorraçado da Luz à recepção apoteótica de Alvalade passaram pouco mais de um par de dias na vida de Jorge Jesus. O desejo de Virgolino Jesus cumpriu-se  – finalmente – e o treinador bicampeão chegava à sua “cadeira de sonho”. Com esta entrada, as posições entre os lados da segunda circular extremaram-se e o clima de guerra chegou para ficar. Situações vergonhosas de parte a parte, discursos encomendados e personalidades bacocas apareceram em cena e ridicularizaram duas das maiores instituições desportivas portuguesas.

O dia de aniversário do clube trouxe consigo uma das melhores prendas possíveis: O regresso de Jesus a casa Fonte: Sporting CP.
O dia de aniversário do clube trouxe consigo uma das melhores prendas possíveis: O regresso de Jesus a casa
Fonte: Sporting CP.

A época desportiva 2015/2016 não podia ter começado de forma melhor para o Sporting Clube de Portugal. A vitória na Supertaça de Portugal,  em terras algarvias, veio trazer justiça a Jorge Jesus e veio dar início à mudança de paradigma no universo leonino. Deixamos de procurar desculpas para as – demasiadas – derrotas frente aos encarnados e começamos uma sequência que vai, até ao momento, em três vitorias consecutivas.

Ainda assim, o mês de Agosto ditou também o afastamento da milionária Liga do Campeões. Uma eliminatória disputada até ao último segundo e em que o Sporting merecia seguir em frente.
O último trimestre trouxe o Sporting até à liderança do campeonato; com vitórias categóricas na Luz, três pontos conquistados a ferros nos últimos segundos e uma nova mentalidade em todo o grupo de trabalho. Mérito total para Jorge Jesus e para a cultura vencedora que conseguiu trazer a uma equipa jovem mas que por vezes falhava nos momentos capitais. Como momentos menos bons, a exibição horrível e o resultado trazidos da Albânia. Algo que nenhum Sportinguista pode – ou deve – esquecer, até porque tem que ser uma lição a ser aprendida: Não interessa o adversário ou o seu nome, quando se veste a camisola verde e branca, todos os jogos são para vencer.

Dezembro chegou, e com ele o afastamento da Taça de Portugal e uma derrota inesperada na Madeira. Confesso que tinha grandes esperanças em relação à prova rainha, queria voltar ao Jamor e a todo aquele ambiente que não existe em mais nenhum lado em Portugal. Os três pontos perdidos na Madeira foram apenas algo que faz parte do futebol, num jogo que parecia saído do “Football Manager”, inúmeros remates e posse de bola, guarda redes adversário como melhor em campo e um golo sofrido no único remate à baliza do União da Madeira.

Falta um jogo ainda até ao término do ano, mas o resultado é o menos importante no jogo frente ao Paços de Ferreira. A Taça da Liga deve ser utilizada como prova para apostar nos jovens leões e nos jogadores menos utilizados por Jorge Jesus. Digo isto porque o verdadeiro foco dos leões terá que estar no jogo que se vai disputar no dia 2 de Janeiro, e em recuperar a liderança perdida para o FC Porto. Voltar ao lugar que merecemos e, espero eu, com uma exibição convincente como a conseguida na Luz, terá que ser a prioridade. Quero um leão autoritário, mandão e cheio de vontade de ser campeão.

2015 foi o regresso dos leões aos títulos e ao topo do panorama futebolístico nacional, algo que terá que ter continuação no próximo ano. Confesso que tenho as Esperanças altas, que tenho grandes expectativas para o trabalho de Jesus e que quero festejar em Maio o título nacional que nos faltou este ano. Já é altura disso, temos equipa para tal, e temos os melhores adeptos do Mundo nas nossas bancadas.

Em nome da Bola na Rede, e como editor da Secção Sporting Clube de Natal, os meus sinceros votos de Feliz Natal para todos os nossos leitores. Para os Sportinguistas, que todos os vossos desejos se cumpram e que passem esta época junto das vossas famílias, com o máximo de felicidade possível.

O meu desejo para 2016 é simples: espero vos ver, Sportinguistas, a festejar comigo em Alvalade, no próximo mês de Maio.

Boas Festas a todos!

Foto de Capa: Sporting CP

Se fosse fácil, não era para vocês!

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cabeçalho fc porto

Dezembro traz a melhor época do ano. A altura é de reunir a família e celebrar. Por entre os doces e os presentes, a alegria com que se vive estes dias é indescritível. Por isso, antes de tudo o resto, a secção do FC Porto no Bola na Rede deseja a todos os seus leitores um Feliz Natal.

Nesta semana festiva, o futebol não entra. Pelo menos, aquele que se joga dentro das quatro linhas. Mas, mesmo sem jogos para comentar ou analisar, é impossível passar ao lado da atualidade desportiva. No início de janeiro, um clássico que pode ser muito importante nas contas do campeonato. O FC Porto chega a Lisboa com uma surpreendente liderança perante um Sporting que vem de uma derrota inesperada na Madeira perante o União. A benesse leonina veio diminuir a pressão portista e as consequências de uma possível derrota na capital. Mesmo perdendo em Alvalade, os dragões nunca sairão de Lisboa derrotados no campeonato. É, por isso, impossível não utilizar esse clássico como ponto de partida para o desejo de natal para o FC Porto.

2015 foi um ano difícil para a nação azul e branca. A última temporada trouxe um dos melhores planteis que me lembro. Danilo, Alex Sandro, Casemiro, Oliver, Brahimi, Quaresma e Jackson Martinez foram os protagonistas maiores de um plantel com quantidade e qualidade para vencer. A verdade é que, pouco a pouco, as cartas do baralho de Lopetegui foram caindo. Primeiro a Taça de Portugal, depois a Taça da Liga, seguido do desastre de Munique e do confrangedor empate na Luz que deitou o campeonato a perder. Com um plantel tão caro e de tanta qualidade, chegamos a Maio com a sensação de que tínhamos perdido uma oportunidade de ter uma época dourada. As razões para o insucesso já foram mais do que debatidas e discutidas. A verdade é que, mesmo sem títulos, a sina do mercado voltou a ecoar no Dragão. De uma época para outra, metade dos titulares abandonaram a equipa: Casemiro e Danilo saíram para o Real Madrid, Oliver e Jackson foram parar ao Atlético de Madrid e até Ricardo Quaresma decidiu voltar à Turquia para jogar no Besiktas.

A surpresa aconteceu com a manutenção de Julen Lopetegui no comando técnico. O treinador espanhol cometeu vários erros, mas Pinto da Costa não o deixou cair. Com a nova época, o que se desejava é que a estrutura portista tivesse aprendido alguma coisa. Em termos de plantel, a diferença entre um e outro ano é evidente. Por muito que continue a propaganda de que o FC Porto tem um plantel muito superior em qualidade aos rivais, a verdade é que continuo a achar essa teoria uma falácia. Quem olhava para Danilo e vê agora Maxi; para Alex Sandro e agora Layún, para Casemiro e agora Danilo, para Oliver e agora André André e para Jackson e agora Aboubakar não pode, a meu ver, continuar a defender algo que não corresponde à realidade. Mesmo assim, o plantel que Lopetegui tem ao seu dispor é mais do que suficiente para ser campeão em Portugal e fazer uma figura condizente com os pergaminhos do clube a nível europeu.

Quatro meses volvidos de temporada, o sabor é agridoce. Em termos pontuais, o FC Porto tem, no campeonato, uma pontuação bastante aceitável. Os três empates, frente a Marítimo, Moreirense e Braga podiam perfeitamente ter sido evitados, mas numa prova tão longa e exigente, é quase impossível que os grandes não cometam este tipo de deslizes. A vantagem para os rivais é curta e por isso prevê-se uma luta a três pelo título. O Sporting, apesar do empolamento que treinador e equipa têm sofrido semanalmente, continua forte; e o Benfica, tantas vezes já enterrado esta época, mostra que, com a recuperação de alguns jogadores e a compra cirúrgica de elementos em janeiro, pode, na segunda volta, entrar a todo o gás com o título em mira. As dificuldades estão aí à porta e, no que diz respeito ao FC Porto, o mês de janeiro é determinante para as contas da liderança.

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O duelo em Alvalade pode ser determinante para o resto da época
Fonte: sol.pt

Os portistas têm seis jornadas para disputar no primeiro mês de 2016, com 4 jogos fora e apenas dois no Estádio do Dragão. Fora de portas, os azuis e brancos visitaram quatro estádios, sendo que, na época passada, apenas venceram num deles: o Bessa. Alvalade, Guimarães e Estoril representaram perdas de pontos na última época e a qualidade das respetivas equipas antevê um ciclo competitivo muito exigente para o FC Porto. Com Taça da Liga e Taça de Portugal à mistura, todos os cuidados serão poucos e só uma gestão muito eficiente do plantel poderá permitir sair deste ciclo de 10 jogos em 33 dias com os objetivos ainda completamente intactos.

Nesta época natalícia, a tradição leva-nos a pedir desejos para o ano que se avizinha. Em termos futebolísticos, é evidente que o desejo maior é que o campeonato português se volte a pintar de azul e branco em maio. As dificuldades vão aparecer e só uma equipa muito capaz é que poderá festejar no final da competição. O problema maior para a nação azul e branca é que a incerteza continua a pairar em quase todos os adeptos. Apesar da liderança no campeonato e de 2016 ainda trazer quatro competições para disputar, a verdade é que continuam a ser maiores as dúvidas que as certezas acerca daquilo que este plantel e sobretudo este treinador podem fazer.

Depois da invenção de Lopetegui em Londres, os sinos da incerteza voltaram a ecoar no Dragão. A cada mau passe, a cada receção errada, a cada oportunidade de golo desperdiçada, o filme de terror volta e o perigo de voltar a ter um ano a zero continua à espreita. Ainda assim, todas estas dúvidas apenas surgem porque, no fundo, a nação azul e branca tem a perfeita noção de que os títulos estão perfeitamente ao nosso alcance. A qualidade do plantel é suficiente para vencer e por isso a exigência é constante. Por isso é que, neste natal, o único desejo da secção FC Porto do Bola na Rede é a de que os jogadores e o treinador honrem o símbolo que representam.

É certo que a exigência neste clube é maior porque o vício de ganhar está em todos nós. Mas para vencer, é preciso ter garra, determinação, atitude e vontade de ser cada vez melhor. Por isso é que, entre as alegrias e as tristezas que sempre surgem, o espírito de dragão tem de estar sempre presente. Mesmo não podendo ganhar sempre, aquilo que os adeptos querem é que a vontade seja sempre do tamanho do sonho e da ambição. Se assim acontecer, as vitórias e os títulos estarão mais perto e em maio, estaremos todos a festejar. O caminho está cheio de obstáculos, a começar pelo de Alvalade, já a de 2 janeiro. Mas se fosse fácil, não era para nós, certo?

Foto de Capa: Facebook Oficial do FC Porto

O Académico – Entrevista a José Viterbo (Parte I)

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“Estou mesmo a chegar, a 20 metros”, diz José Viterbo, pelo telefone. Vou buscá-lo, conforme combinado, à porta do café Galeria. Chega sem tiques de vedetismo ou superioridade, e, depois de todo o cordialismo que este homem do futebol merece, começamos logo a falar de “bola”.

A presença de José Viterbo é notada pelas pessoas que connosco partilham a esplanada, como seria normal para com um treinador a quem Coimbra ainda agradece a manutenção na Primeira Liga, na época passada, mas quase que passava despercebida, tal a humildade que a figura do ex-treinador da Briosa emana.

Viterbo senta-se, pede um descafeinado e depois de uma ou duas impressões sobre futebol e o Bola na Rede, sente-se preparado: “Então, vamos a isto?”. “Claro que sim, Mister!

“Em Coimbra, quase ninguém acreditava”

Bola na Rede (BnR): Comecemos pelo momento em que soube que viria a integrar o panorama de futebol português. O momento em que concretiza o sonho de orientar a equipa principal da Académica. Como é atingir algo dessa magnitude aos 52 de idade?

José Viterbo (JV): Foi o culminar de muitos anos de trabalho na Académica. Foram 15 anos de trabalho ao serviço da AAC, muitos deles ligados à formação e ao projeto da equipa B. A 18 ou 19 de Fevereiro de 2015 surge a oportunidade, com a saída do Paulo Sérgio. A partir daí penso que desenvolvemos um trabalho interessante, principalmente nas primeiras quatro jornadas, em que somámos dez pontos bem assim com o empenho de todos os jogadores, equipa técnica, dirigentes conseguimos reverter uma situação que muita gente considerava quase impossível – em Coimbra, quase ninguém acreditava.

BnR: Não chegou a rapar o bigode, como tanto se falou…

JV: (risos) Foi uma brincadeira de alguns jogadores e também dos adeptos, mas nunca o prometi! Ninguém ouviu da minha parte essa promessa.

BnR: Como conseguiu gerar a grande empatia que ainda hoje tem com o universo da Briosa?

JV: Sabendo que eu era um homem da casa, que tinha um trajecto como atleta e treinador, de muitos anos, as pessoas envolveram-se com a equipa e com o treinador. Na altura em que eu chego, também terminam aquelas crispações entre dirigentes e adeptos e passa a haver maior união em redor do clube.

BnR: Em alguma circunstância julgou que o objetivo da manutenção foi colocado em causa, nomeadamente no jogo com o Gil Vicente, em que a equipa perde em casa e fica a quatro pontos de distância?

JV: Não senti isso, porque apesar de não termos feito um bom jogo frente ao Gil Vicente e de termos perdido com dois lances de grande penalidade perfeitamente evitáveis, sabíamos que o calendário do Gil seria difícil, pois ainda teria de jogar com o FC Porto e Benfica. Apesar de eles terem ficado com vantagem no confronto direto, estavam a quatro pontos de distância, o que nos dava margem de manobra para assegurar a continuidade na primeira Liga.

BnR: A goleada por 5-1, na Luz, foi a derrota mais pesada que sofreu no comando da Académica. O que se passou?

JV:  Sofremos três golos em 20 minutos e logo aí, deita por terra tudo o que tínhamos pensado e planeado para esse jogo. A estratégia era condicionar um pouco o jogo interior, as combinações diretas e indiretas que o Benfica fazia e o Sporting deste ano faz – imagem de marca claramente de Jorge Jesus. Sofremos um golo através de um canto, outro de penalty, a partir daí tudo se tornou quase impossível … mas o Benfica era melhor.

BnR: Nos jogos com o Benfica (na época passada) e com o Sporting (esta época) optou por reforçar o corredor central, alterando um pouco aquilo que era a estrutura normal da equipa. Considera ser essa a melhor maneira de travar equipas grandes ou, neste caso (por ter enfrentado e tirado proveito disso), o Sporting desta época?

JV: Para travar os grandes, acho que há três aspetos fundamentais: o mental, o tático de forma a que a equipa se mantenha coesa e organizada e chegar ao intervalo sem estar a perder. Uma equipa que volte do balneário sem estar em desvantagem, regressa com o ânimo renovado. Outro aspeto importante tem haver com o nível de eficácia ofensiva da equipa. Veja-se o recente caso do União da Madeira com o Sporting.

Do sonho ao pesadelo:

“O que ditou a minha saída foram os resultados, embora eu achasse que ainda era possível inverter a situação porque estávamos a três pontos da linha de água.”

BnR: Na antevisão à 1.ª jornada da Liga, disse que tinha todos os jogadores que queria. Houve algum jogador que não tivesse rendido tanto quanto esperava?

JV: Há um fator que deve ser bem esclarecido. Disse que tinha todos os jogadores que queria… dentro das limitações orçamentais da Académica. A Académica tinha 17 jogadores com contrato e como é natural havia outros nas nossas coagitações. Aliás, trabalhei muito com o Luís Agostinho nesse sentido. Contratámos os que podíamos, dentro dessas tais limitações e fiquei satisfeito com a contratação desses jogadores, apesar de só o tempo e futuro confirmarem ou não esse contentamento.

José Viterbo foi treinador da Académica OAF entre 2014 e 2015 Fonte: Tomás Resendes
José Viterbo foi treinador da Académica OAF entre 2014 e 2015
Fonte: Tomás Resendes

BnR: Sente saudades de Esgaio?

JV: Sim. Do carácter, da qualidade e de uma coisa fantástica nele: a humildade. Chegou a Coimbra em Janeiro, vindo de um clube grande, ambientou-se bem, com uma paixão pelo treino e uma paixão pelo jogo incrível. Nunca falhou um treino. Podia sair limitado de um jogo, mas estava sempre lá no treino seguinte. Aliás como a esmagadora maioria dos outros jogadores! Todos foram importantes!

BnR: Sente que já passou tempo suficiente para fazer um balanço do que correu mal, esta temporada, depois de deixar a equipa com 5 derrotas noutros tantos jogos?

JV: Já o disse publicamente. Houve um jogo determinante para a minha não continuidade no comando da Académica, que é contra o Vitória de Setúbal (o jogo mais difícil de digerir ao serviço da Académica). Entrámos muito bem no jogo, mas no contra-ataque e na sequencia de uma bola parada a nosso favor, o Suk faz aquele golo monumental. Esse foi o jogo que determinou a minha saída. Com o Sporting, um supercandidato ao título, demos uma boa resposta. Depois, a Académica faz o melhor jogo sob o meu comando do ponto de vista exibicional frente ao Nacional, em que tivemos algumas dificuldades nos primeiros vinte minutos, mas a partir daí libertámo-nos e foi o melhor jogo que vi a equipa fazer nos 18 ou 19 que orientei. Foi um jogo que não deu não televisão, mas foi muito mal perdido e os 2-0 não traduziram em nada o que se passou dentro de campo. Acontecesse o que acontecesse, mesmo antes do jogo com o Boavista, já tinha tomado a decisão de deixar a Académica e não havia ninguém que me pudesse demover dessa decisão.

BnR: O lado emocional, de adepto, não o cegou e olhou, de forma lógica, para as circunstâncias. A pergunta é… quais eram? A equipa não estava consigo, por exemplo?

JV: Se os jogadores, na época passada tinham estado comigo, não havia motivos para não estarem nesta e os elementos que chegaram não tinham qualquer tipo de ascendente negativo sobre o plantel e isso pode ser comprovado. Fiquei com todos eles, com uma relação excelente. O que ditou a minha saída foram os resultados, embora eu achasse que ainda era possível inverter a situação porque estávamos a três pontos da linha de água. Era início de época, mas achei que sair era a melhor decisão a tomar. Não para mim, porque me custou muito e os dias seguintes foram difíceis, mas para a Académica.

BnR: Não continuou em funções na Académica. Foi opção sua ou não o convidaram para continuar na estrutura?

JV: O presidente, no final da época passada, perguntou-me o que eu queria fazer e eu disse “já que acabei a época desta forma, gostaria de dar continuidade a este trabalho”. Era uma ambição legítima da minha parte! O presidente tem falado comigo e recentemente estivemos em Cabo Verde. Estou a equacionar a possibilidade de poder regressar noutras funções, mas é um assunto que deve ficar resolvido em Janeiro.

(2.ª Parte da Entrevista disponível AQUI)

Sportinguistas, agora, sim, Habemus Ciclismo!

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Cabec¦ºalho ciclismo

Após quase três décadas de ausência (sim, quase três e não duas, como tenho visto por muitos lados, visto que a equipa se extinguiu no ano de 1987), o Sporting Clube de Portugal vai regressar à estrada! Em parceria com o Clube de Ciclismo de Tavira, a equipa mais antiga do pelotão internacional, a formação leonina irá entrar em cena já nesta época vindoura.

Um regresso que corresponde à ânsia de vários sportinguistas em ter certas modalidades de volta ao clube, um desses casos era o próprio ciclismo, modalidade com uma grande tradição e história no clube, remontando para o princípio do século passado. Em 1911, António Soares Júnior (por três vezes, foi presidente do clube), ciclista campeão naquela altura, foi um dos primeiros a filiar-se na então União Velocipédica Portuguesa, instituição que, mais tarde, deu lugar à Federação Portuguesa de Ciclismo.

A primeira vitória apresenta mais de 100 anos, quando Laranjeira Guerra ganhou o II Porto-Lisboa, em 1912. Nos anos 40, o ciclismo chegou mesmo a ser a segunda modalidade mais relevante para o clube, que ia somando importantes vitórias, não só na Volta a Portugal, onde José Albuquerque e Francisco Inácio triunfaram, mas também nas inúmeras competições que disputavam ao longo de Portugal, onde se destacaram ciclistas como Ildefonso Rodrigues, João Lourenço ou João Rebelo.

A partir dos anos 70, o clube viveu os seus maiores êxitos, situação coincidente com a chegada ao ciclismo de um dos nomes mais incontornáveis da história do desporto português: Joaquim Agostinho! Nomes como Alfredo Trindade, Firmino Bernardino, Leonel Miranda ou João Roque também foram ciclistas que, de alguma forma, se destacaram.

Joaquim Agostinho, um nome grande do ciclismo português Fonte: Supersporting.net
Joaquim Agostinho, um nome grande do ciclismo português
Fonte: Super Sporting

Em 1984, a equipa teve um dos seus pontos altos, com a vitória de Paulo Ferreira numa das etapas da Volta à França. Infelizmente, esse ano não foi apenas para recordar pelas razões positivas. A 30 de Abril, numa etapa da Volta ao Algarve, como líder da classificação geral, o ciclista português e do Sporting teve uma grave queda, que, mais tarde, provocou, tragicamente, a sua morte.

Marco Chagas, um dos ciclistas portugueses mais conhecidos, também fez história pela equipa do Sporting. Na 48.ª edição da Volta a Portugal, disputada em 1986, Chagas venceu a competição pela quarta vez e a segunda de leão ao peito (a última vez que algum ciclista do Sporting venceu a competição), vitórias essas que determinaram, na altura, um recorde em termos de vitórias individuais. No ano a seguir, a modalidade extinguiu-se. No total, são mais de 150 títulos, quer na estrada, quer na pista, destacando-se, claramente, as 13 vitórias na Volta a Portugal.

Em 2009, existiu uma tentativa de regresso, mas acabou por não resultar. Os leões regressaram como uma equipa de sub-23, sendo que as circunstâncias naquela altura fizeram com que a experiência terminasse em 2011. Neste ano, o Sporting tinha encetado conversações com a W52 para criar uma equipa de ciclismo, chegando mesmo a ter um pré-acordo, mas a instituição acabou por se juntar ao FC Porto. O negócio esteve bastante perto de ser fechado, até porque, na altura, o Bola na Rede, no artigo que ia sair sobre o regresso do Sporting ao ciclismo, ia adiantar uma informação que tinha (apenas um pormenor) acerca das bicicletas, que iriam ter como marca e modelo a KTM (faltavam fechar as negociações). Na altura, o Sporting justificou a decisão de suspender o acordo com a W52 devido ao facto de eles, na altura, não terem esclarecido as dúvidas acerca dos procedimentos relacionados com análise e controlo antidoping, entre outros aspetos.

No comunicado de imprensa lançado nesta altura, é sublinhada “a importância dada pelo Sporting Clube de Portugal à sua inquestionável referência como maior potência desportiva nacional, através da descentralização e ligação a uma região como o Algarve que merece há muito uma atenção que as instituições ligadas ao fenómeno desportivo tantas vezes negligenciam por se focarem apenas em cidades ou regiões”. O clube de Alvalade explica ainda que a constituição desta equipa “é a resultante do esforço, do empenho e do sonho do vice-presidente, Comandante Vicente de Moura”, que atravessa um momento sensível devido a um problema de saúde.

A equipa algarvia dominou durante quatro épocas a Volta a Portugal, vencendo com David Blanco entre 2008 e 2010 e com Ricardo Mestre, que, provavelmente, estará de saída para a W52, em 2011. No entanto, nas últimas épocas, o Tavira enfrentou algumas dificuldades financeiras, que afastaram a equipa da discussão dos primeiros lugares da prova rainha do calendário português.

Com a chegada do Sporting ao ciclismo (juntando à entrada do FC Porto), sem dúvida que haverá ainda mais interesse na modalidade e acredito que, também, mais patrocinadores terão interesse em entrar em ação. Neste próximo ano, é difícil delinear os objetivos. Acredito que todos os sportinguistas querem logo a vitória na Volta a Portugal, mas tendo em conta certas circunstâncias, parece-me algo difícil, pelo menos para o ano de 2016, tudo depende também dos reforços que poderemos vir a ter. Nos anos seguintes, dependendo de como tudo correr, existirá a possibilidade de termos a equipa a um nível ProContinental, o que permitia a entrada nalgumas das principais provas do panorama internacional – mas este é um objetivo mais ambicioso e mais complicado de ser concretizado.

Hugo Sabido fará parte da equipa Fonte: cyclingfans.net
Hugo Sabido fará parte da equipa
Fonte: Cycling Fans

É verdade que, tendo em conta que estamos a falar de uma das equipas que teve mais dificuldades nestes últimos tempos em conseguir resultados de renome, o caminho a percorrer será mais complicado e terá mais obstáculos, mas tenho a plena confiança de que o Sporting chegará a um bom porto num futuro próximo. A primeira tentativa com a W52 não resultou, as negociações com a Efapel não chegaram a um bom rumo e o Tavira demonstrou, finalmente, o interesse e a forma necessária para chegar a acordo com o Sporting. A constituição da equipa ainda é uma incógnita, veremos quais os reforços que irão chegar e quem irá renovar. Manuel Cardoso, um dos melhores sprinters portugueses, irá, como tudo indica, fazer parte da equipa, tal como Hugo Sabido, ciclista recém-contratado, que “regressa a casa” e que foi o vice-campeão da Volta a Portugal em 2012.

Não tenho a menor dúvida de que esta é uma excelente notícia e de que a equipa tem capacidade para cumprir ao máximo com o lema do Sporting. Com esforço, dedicação e devoção, caraterísticas sempre presentes nos ciclistas, a equipa poderá chegar a uma imensa glória!

Meio da época e mercado de Inverno

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cabeçalho fc porto

Chegámos quase a meio da época e prepara-se para abrir o mercado de inverno pelo que podemos tirar já algumas ilações e fazer outras tantas considerações.

Pela primeira vez na era Lopetegui os Dragões estão em primeiro lugar isolado na liga. É uma surpresa, portanto, ver como a equipa e treinador irão reagir a esta nova posição de comando, sendo que o primeiro grande teste é frente ao Sporting. Em caso de vitória podemos ficar com quatro pontos de avanço e lançar uma segunda volta dominante à boa velha maneira portista. Em jeito de balanço, não se pode falar de uma época muito boa até agora já que a eliminação precoce dos portistas da Liga dos Campeões é um rombo desportivo e financeiro a quem aspirava voos um pouco mais altos. embora definitivamente não a considere negativa devido à nossa classificação nas competições internas. A verdade é que estamos em primeiro e continuamos na Taça de Portugal e na famigerada Taça da Liga. Longe de reunir consensos, o treinador basco vai cumprindo um pouco aos empurrões o que lhe é pedido. Mas não foi assim com Vítor Pereira?

Do jogo portista, em relação ao ano passado, destaco a evolução na primeira fase de construção e nas bolas paradas. Mas ainda há muito a fazer em relação ao último terço e à distância da baliza a que a equipa circula a bola e portanto a dificuldade em criar perigo. Pontos a melhorar ainda esta época.

André Silva pode ser opção Fonte: FC Porto
André Silva pode ser opção
Fonte: FC Porto

A nível de jogadores a grande desilusão é Imbula, que continua perdido em campo, e o destaque positivo é Layun, que é um autêntico atleta no relvado. Se nas laterais estamos bem servidos o meio campo continua a ser insosso – cumpre mas não deslumbra. Há jogadores que se apresentaram a bom nível, como Rúben Neves, André e um pouco mais discretamente Danilo. O Porto esteve (e está, parece-me) um pouco refém da constante movimentação de André, o que não é bom devido à dependência de um jogador e também porque pode ser sintoma de um problema de posicionamento ou estratégia. No entanto devido à abundância de médios (Herrera, Evandro, Imbula, Bueno, Sérgio Oliveira) e à eliminação precoce da Champions a ida ao mercado não é realista. No ataque contámos com um Brahimi um pouco irregular (tal como no ano passado) mas mais cumpridor, com Corona, que se tem revelado uma boa aquisição, e Aboubakar, que se eclipsou depois de um forte início de época. Dani Osvaldo tem tido poucas oportunidades de modo que é difícil fazer uma avaliação séria do seu rendimento, mas não tem a total confiança de Lopetegui.

O jogador que tem agradado cada vez que entra é Bueno, o médio ofensivo (que ficou numa situação injusta no último jogo pela discordância dos adeptos em relação à sua escolha para entrar) tem toque de bola e boas decisões, mas só peca pelo fraco poder de choque que apresenta. Sinceramente o Porto não precisa de grandes reforços de inverno ficando talvez lugares vagos para a saída de Osvaldo (que em principio será ocupado por André Silva) e Varela; quem sabe se não serão ocupados por jogadores da equipa B, que tem feito uma caminhada notável.

O ambiente está melhor no reino do Dragão e o primeiro lugar é a prenda no sapatinho que os portistas queriam. De resto o Porto tem-se mantido à margem de grandes polémicas no futebol e tem evitado declarações inflamadas que soam a surrealismo. Só mesmo a pouca paciência dos adeptos e a paixão inflamada têm abanado o reino do Dragão. E, fazendo as contas, segundo alguns surrealistas nós só somos entre 500 mil a 1 milhão de adeptos… O que seria se tivéssemos 6 milhões e 3,5 milhões de adeptos?!

A todos os portistas desejo um feliz Natal azul e branco e que os Dragõezinhos (quem precisa de renas quando se tem dragões?) tragam o título de campeão nacional embrulhado que nós não nos importamos de abrir o presente só em Maio.

Foto de Capa: FC Porto

Bem-vindo, Grimaldo!

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Depois da confirmação de Franco Cervi há já algum tempo – parece que Rui Vitória o quer em Lisboa já em janeiro – eis que muitos benfiquistas veem satisfeito um dos seus desejos de Natal: Alejandro Grimaldo vai mesmo jogar no Benfica. O contrato é de quatro épocas e meia, e os valores do negócio devem rondar um milhão de euros. Apesar de ainda faltar o comunicado oficial, a imprensa espanhola garantia ontem que as negociações já tinham chegado ao fim com sucesso, e os jornais desportivos portugueses de hoje dão grande destaque a esta contratação.

Grimaldo é um promissor defesa lateral esquerdo espanhol, que fez toda a sua curta carreira – tem apenas 20 anos – no Barcelona B, na segunda divisão espanhola. O seu percurso é singular: vindo do Valência, onde fez grande parte da sua formação, foi o mais jovem jogador a estrear-se pela equipa secundária do Barcelona, ainda não tinha completado 16 anos. A mudança de clube trouxe também uma drástica alteração de posicionamento em campo, passando de um “número 10” para um lateral-esquerdo. Aos 17 anos já era escolha do atual treinador do FC Porto, Julen Lopetegui, para a seleção sub-21 espanhola. Mas, apesar das boas exibições e dos elogios que foi colecionando, nunca teve uma verdadeira oportunidade na equipa principal catalã.

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Não estou ainda em condições de fazer uma completa avaliação do jogador, mas sabe-se que é rápido, bom tecnicamente, competente a defender e que se envolve muito no processo ofensivo, dando bastante profundidade e criatividade ao jogo pela lateral – algo que pode ser muito útil ao atual Benfica, que ora aglomera todo o seu caudal ofensivo pelo meio (sem grandes resultados práticos) ora tenta atacar pelas alas, onde sobram cruzamentos estéreis de André Almeida e Eliseu e falta a tal criatividade dos laterais para jogadas individuais, triangulações ou tabelas com os extremos e os avançados. Outras características particulares de Grimaldo são a forma exímia como bate livres à entrada da área – já marcou alguns golos assim – , a capacidade de aparecer muitas vezes em zonas de finalização, o seu forte remate e a precisão nos cruzamentos. Para além de tudo isto, tem uma enorme margem de progressão. O antigo lateral esquerdo espanhol Capdevilla prognosticava hoje ao O Jogo um futuro promissor do seu compatriota no bicampeão português: “A transferência para o Benfica é uma boa aposta para ele e para o clube. É um grande talento, um jogador de grande qualidade”.

Sabendo que a ligação do jogador ao Barcelona acaba já no final da época, Vieira antecipou-se e muito bem. Acaba por só desembolsar um milhão de euros (um terço do que custou Taarabt, por exemplo) por Little, como é conhecido em Espanha devido ao seu metro e setenta de altura, que chegou a ser apontado como um dos futuros melhores laterais esquerdos do mundo antes de se ter lesionado em 2013 com gravidade – rotura de ligamentos no joelho direito, que o obrigou a uma paragem de um ano. A chegada de Grimaldo vem compensar aquela que eu penso ser a posição mais frágil no onze encarnado atualmente. Eliseu vem mostrando há muito tempo dificuldades de posicionamento defensivo, que já custaram à equipa alguns golos sofridos – lembro-me daquela sua exibição desastrosa na Turquia na fase de grupos da Champions – e cada vez menos fulgor a atacar. Na aparente impossibilidade de fazer regressar Siqueira, a escolha óbvia era mesmo Grimaldo. Acredito que, se o espanhol se adaptar rapidamente, a partir de fevereiro tem o lugar conquistado e já podemos encarar a fase decisiva do campeonato e os oitavos-de-final da Liga dos Campeões com um defesa-esquerdo que dê segurança à equipa.