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Belenenses 1-1 Marítimo: Sem provar o sabor dos 3 pontos

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Ainda não foi desta que Belenenses e Marítimo conseguiram somar três pontos no campeonato. A equipa de Ricardo Sá Pinto acusou alguma falta de frescura (como o técnico reconheceu na análise à partida) após o brilhante apuramento europeu, demonstrando previsibilidade e dificuldades na criação ofensiva. Os azuis ainda têm de se habituar a fazer dois jogos por semana. Já os insulares, que estiveram melhor na primeira parte, limitaram-se a segurar a magra vantagem (Ivo Vieira tirou um extremo e colocou mais um médio ao intervalo) na etapa complementar e permitiram que o adversário fizesse a igualdade. No final, o empate acaba por ser o resultado mais justo.

Não foi pela ausência de Carlos Martins, nos azuis, e de Marega, nos madeirenses, que o jogo não teve animação na primeira parte. O Restelo assistiu a um jogo aberto, com duas equipas à procura da vitória. A estratégia do Belém passou pela exploração das costas da defesa insular, mas o conjunto da casa, à excepção de uma jogada em que Miguel Rosa apareceu na cara de Salin, raramente conseguiu incomodar o adversário, ora por ser assinalado fora-de-jogo (Tiago Caeiro foi apanhado várias vezes), ora por o guardião francês antecipar os lances. A equipa de Sá Pinto demonstrou fraca ligação entre sectores, com a bola a passar pouco pelos médios Rúben Pinto e André Sousa, e praticamente não teve oportunidades para marcar. O Marítimo foi mais esclarecido ofensivamente, explorando bem a velocidade dos seus homens mais adiantados. Édgar Costa, após deixar Filipe Ferreira para trás, viu Ventura negar-lhe o golo, que chegaria na sequência de um canto. Fransérgio subiu mais alto e aproveitou uma saída algo tardia do guarda-redes português para adiantar a turma de Ivo Vieira, que, mesmo sem atacar mais, atacou melhor do que o adversário.

O início de segunda parte trouxe um Marítimo cauteloso e com um meio campo reforçado. Ivo Vieira fez entrar Éber Bessa, que se colocou ao lado de Fransérgio, e abdicou do extremo André Xavier, que passou ao lado do jogo. O Belenenses teve dificuldades para ultrapassar o bloco madeirense (Sturgeon ia sendo o único a sobressair) e obrigou Sá Pinto a mexer no ataque. Tiago Caeiro não esteve no seu melhor, e a sua saída, juntamente com as entradas de Camará e Betinho, serviu para empurrar os homens do Restelo para a frente. As bolas foram sendo bombeadas para a área e, num desses lances, Camará cruzou largo para o segundo poste, onde surgiu Rúben Pinto a colocar a bola para o “Nolito português”, Miguel Rosa, encostar para dentro das redes. Estava feito o empate, uma recompensa merecida para os guerreiros de Sá Pinto. O jogo continuou embrulhado, com as duas equipas a revelarem incapacidade para irem à procura da vitória. Ainda assim, houve uma oportunidade para cada lado e uma boa resposta dos guarda-redes. Salin travou um cabeceamento de Sturgeon, e Ventura fez a defesa da tarde a um livre de Tiago Rodrigues, que ainda foi a tempo de ser expulso por acumulação de amarelos.

Foi de Miguel Rosa que nasceu a oportunidade mais perigosa da primeira parte Fonte: Facebook do Belenenses
Foi de Miguel Rosa que nasceu a oportunidade mais perigosa da primeira parte
Fonte: Facebook do Belenenses

A equipa da casa foi vítima de uma problemática consistente: a falta de continuidade nas competições europeias. Os jogos a meio da semana são fatais para as formações portuguesas e estas acabam sempre por sucumbir ao cansaço. No meio da falta de ideias tivemos um Miguel Rosa a tentar levar a equipa para a frente, embora nem sempre da melhor forma, e Sturgeon a assumir-se como o principal quebra-cabeças para a defensiva do Marítimo. O Belenenses tem um plantel capaz de repetir o sucesso da época transacta, resta saber qual será o peso que os jogos europeus terão no conjunto de Sá Pinto.

O Marítimo também se prepara para repetir o que fez na temporada anterior. Não há equipa para almejar voos muito altos, mas há qualidade suficiente para realizar uma época tranquila. No jogo de hoje em específico, a dupla de centrais composta por Deyvison e Raúl secou Tiago Caeiro com a ajuda de Fransérgio, imponente no meio campo. Dyego Souza fez com que não se sentisse a ausência de Marega no ataque, onde Édgar Costa, com a sua velocidade, criou problemas aos laterais adversários. Pela negativa destacou-se Rúben Ferreira, bastante conflituoso e com dificuldades perante Sturgeon, e o médio Tiago Rodrigues, sobretudo pela expulsão.

A Figura:

Fransérgio – A clarividência que faltou às duas equipas foi sempre contrastante com a serenidade que o médio do Marítimo empregou no jogo. Seguro a sair a jogar e imponente a recuperar bolas, Fransérgio carimbou a boa exibição com o golo que deu vantagem momentânea aos insulares.

O Fora-de-jogo:

Tiago Rodrigues – Não vinha fazendo uma exibição particularmente positiva, tendo pouco peso na criação ofensiva da equipa de Ivo Vieira, mas é pelo disparate desnecessário já na parte final do encontro que merece esta nota negativa. Simulou uma falta, agarrou-se à bola e recebeu o segundo amarelo.

Artigo de Alexandre Ribeiro e Tomás da Cunha

Basquetebol: O futuro é risonho

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A 17 de julho do ano passado escrevi aqui para o Bola na Rede que Portugal estava a viver uma das suas melhores gerações de sempre no basquetebol feminino. Em 2015 além da prestação brilhante das sub16, as “nossas” meninas conseguiram mais um resultado histórico em sub20. O ponto baixo foram as sub18, mas mesmo assim tiveram uma prestação muito positiva para o desenvolvimento das jogadoras.

O verão começou com as sub20 que foram até a Lanzarote (Espanha) conquistar o sexto lugar, um resultado histórico, nem que seja por em 2014 esta seleção estar na Divisão B. Esta que foi a segunda participação da história da seleção na divisão principal do escalão.

Indo à prova, Portugal conseguiu quatro vitórias contra cinco derrotas, tendo ganho à Bélgica, Ucrânia, Itália e Polónia. Tendo perdido com a Holanda, Hungria, Espanha, Rússia e Itália. O segundo jogo contra a Itália que contava para a atribuição do quinto e sexto lugar tem uma mistura de sabores. Uma vez que já tínhamos ganho um jogo contra o adversário fica um amargo de boca pela derrota neste jogo; mas por outro lado o feito histórico de um sexto lugar na última categoria de formação não tira o sabor a vitória. Como última nota dizer que a Espanha ganhou a competição e que assistiram a este jogo 1000 pessoas; marquem este número para mais tarde no artigo.

A comitiva que ficou em sexto lugar no Europeu sub20
A comitiva que ficou em sexto lugar no Europeu sub20

As sub18 participaram pela terceira vez (e consecutiva) na Divisão A. A prova que o ano passado foi em Matosinhos este ano realizou-se em Celje na Eslovénia.

E aqui foi a prestação mais fraca das basquetebolistas portuguesas deste verão ao descerem de para a Divisão B ao apenas conseguirem ganhar três jogos em nove. As vitórias foram contra a Polónia, Israel e Estónia, esta num último jogo que já para nada contava na luta pela manutenção.
Quanto aos jogos, a derrota por maior diferença foi ainda na primeira fase de grupos, altura em que Portugal perdeu por 12 com a Rússia. De destacar a derrota com a Espanha (ganhou a prova) por 6 pontos, mas que apenas aconteceu no prolongamento. A fase que ia definir que ficava entre nono e 16º foi a mais dura de ser vista. Uma derrota contra a Sérvia por sete pontos obrigava à vitória contra a Hungria. Contra as magiares Portugal esteve quase sempre na frente do marcador, mas os últimos 5 minutos foram desastrosos e as nossas atletas perderam uma vantagem de oito pontos. Esta derrota fechou as aspirações à manutenção e a tal vitória contra a Estónia foi apenas para garantir que não ficávamos em último.

Depois de dois nonos lugares nas edições anteriores o 15º lugar sabe a pouco e para o ano a missão tem de passar por voltar a subir ao topo europeu do escalão.

A equipa portuguesa que se deslocou à Eslovénia
A equipa portuguesa que se deslocou à Eslovénia

As sub 16 ficaram então em segundo como puderam ler aqui . No melhor resultado alcançado por Portugal em qualquer competição oficial. Para o ano a estreia num Mundial em terras espanholas será mais um grande passo para o seu desenvolvimento. Duas jogadoras desta seleção entraram no 5 ideal, Ana Ramos, que foi ainda eleita MVP do torneio, e Beatriz Jordão. Agora é a altura de recordar os tais 1000 espectadores que falei anteriormente, na final estavam 5000 pessoas no pavilhão e nos jogos de Portugal o mínimo foram 2000.

O facto de haver duas jogadoras da seleção sub16 (precisamente as duas do 5 ideal) que foram ao europeu de sub18 e uma atleta dos sub18 que subiu aos sub20. Para estas atletas mais novas subir de escalão é muito positivo para a aprendizagem. Muito positivo para as atletas é também a a mudança de várias para os Estados Unidos onde irão estudar e jogar ao mesmo tempo. Mas se isto é positivo para as atletas para o basquetebol português é um pau de dois bicos, é bom porque as atletas se desenvolvem, mas as equipas portuguesas ficam mais fracas.

Depois de estes bons resultados na formação, manchados apenas pelas sub18 mas que mesmo assim lutaram bem, falta passar também aos bons resultados na seleção sénior. Portugal nunca participou na principal competição europeia de basquetebol feminino, mas por estes resultados isto não deve demorar muito a acontecer.

Imagens tiradas do site da FIBA Europe

Académica 1-3 Sporting: Leão volta a dominar

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O leão entrou fortíssimo no campo de batalha, procurando resolver cedo um problema que não agravasse o prejuízo de um “roubo de 17 milhões de euros” (segundo o seu presidente, Bruno de Carvalho). Um assalto que provocou não só danos materiais mas também emocionais e físicos pela longa viagem feita à Rússia, a meio da semana.

Por isso, esfomeado de vitórias, o leão, mal apanhou a jeito a sua presa (aos 6 minutos), agarrou-a com as garras e dentes que tinha à sua mercê e inaugurou o marcador, sem piedade, por Carlos Mané, que se revelou uma aposta ganha de Jorge Jesus no onze inicial.

A presa estava fragilizada e emocionalmente desgastada com a primeira dentada do leão deixou-se submeter ao domínio do predador, que, contando com a submissão do seu adversário (o meio-campo da Académica parecia manteiga quente, tal a facilidade com que os processos rápidos do ataque sportinguista a invadiam), dilatou a vantagem.

Pareciam estar dispostos os requisitos para um massacre à antiga, mas, num assomo de orgulho, a presa levantou-se e conseguiu disferir um golpe que atordoou o leão (Leandro Silva encontrou, na esquerda, Ivanildo, que irrompeu e ganhou penalti, que Rabiola converteu).

O momento do golo da Académica Fonte: Facebook da Académica
O momento do golo da Académica
Fonte: Facebook da Académica

O leão acusou o golpe e foi perdendo fé nas suas capacidades de espécie dominante (favorito). De tal modo que o seu “cérebro” ficou afectado (Jorge Jesus foi expulso e, depois de ter estado junto ao túnel, juntou-se à equipa de observação leonina, na tribuna de imprensa, a poucos metros da zona onde estava instalado o Bola na Rede).

A segunda parte foi, por isso, mais sôfrega para um predador que chegou a temer virar presa (abriu muitos espaços no meio-campo, e os processos rápidos da primeira parte iam perdendo velocidade e ganhando previsibilidade perante uma Académica cada vez mais crente no empate). Primeiro com a agressividade da presa que lhe ia fugindo às garras (o segundo tempo conheceu uma “briosa” mais afoita), depois com a descrença nas suas próprias capacidades predatórias (Adrien falhou um penalti aos 69 minutos).

A presa ia ganhando confiança e já conseguia vislumbrar maneira de sair viva deste confronto, mas, de repente, tudo mudou outra vez. O leão voltou a dispôr de uma oportunidade flagrante para pôr fim à batalha e desta vez não desperdiçou (nova grande penalidade, desta vez convertida, por Aquilani).

A presa não desistiu e lutou até ao apito final. Mas não sobreviveu. O leão volta a alimentar-se da maneira que mais precisa (com vitórias), depois de um jejum de dois confrontos sem o lograr e está de volta ao lugar que lhe pertence – no topo da cadeia alimentar.

A Figura

João Mário – Presença importantíssima no meio-campo do leão. A defender é fulcral na fase de segunda pressão na primeira zona de construção do adversário, a atacar penetra com imensa facilidade por entre o meio-campo contrário. Tudo isto esteve em evidência esta noite, primeiro a facilitar a tarefa de permeabilização do meio-campo contrário, depois a puxar a equipa consigo para esboçar a reacção do leão.

O Fora-de-jogo:  

Ricardo Nascimento – Teve responsabilidade nos dois primeiros golos do Sporting, embora as divida com os colegas em ambas as situações – na primeira, ele e Emídio Rafael estavam bastante afastados, e permitiram a Mané invadir esse espaço; na segunda, ele e João Real abriram uma autêntica cratera que Slimani aproveitou para aumentar a vantagem. Dois erros fatais e decisivos.

Foto de capa: Facebook da Académica

Quem manda no futebol?

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A pergunta que intitula este texto é porventura uma das mais difíceis de serem respondidas no espectro futebolístico. A resposta é dúbia, tendo em conta as várias hipóteses que se levantam consoante a opinião de cada adepto. Ao ver uma equipa em campo, quando a exibição não está a ser positiva, não raras vezes vemos os adeptos a apontarem o dedo ao treinador. Coincidência ou não, talvez seja por isso que, na maioria dos casos, o primeiro a abandonar o barco em caso de emergência seja mesmo o treinador. Os lenços brancos na bancada, os maus resultados e as confrangedoras exibições parecem quase sempre só ter um culpado sem que este, na maioria das vezes, tenha sequer hipótese de poder contrapor esta tese.

Quando as coisas viram-se para o outro lado da trama – ou como quem diz, a equipa tem um bom rendimento – raras são as vezes em que o treinador ocupa o lugar a solo nas palavras de agradecimento da bancada. A não ser que o treinador tenha um ego do tamanho do clube que representa – e em Portugal até temos alguns casos desses – a verdade é que são os jogadores que acabam por levar com os luzes da ribalta quando as vitórias e as conquistas se sucedem. No caso do FC Porto, esta é uma premissa que tem sido repetida quase consecutivamente desde que me lembro. Com exceção de José Mourinho e André Villas Boas, que conquistaram títulos dentro e fora de portas ao serviço dos portistas, raros foram os técnicos que tiveram o aval das exigentes bancadas do Dragão. As razões foram várias ao longo dos anos: fosse por opções técnicas e táticas duvidosas ou por exibições sofríveis, a verdade é que homens como Jesualdo Ferreira, Co Adriaanse e Vítor Pereira passaram por momentos difíceis no Dragão.

É, por isso, a este ponto que chega Julen Lopetegui. Desconhecido para a esmagadora maioria dos adeptos portistas antes de chegar ao Porto, o treinador espanhol nunca foi verdadeiramente um bem amado. Não estou aqui a criticar a atitude contestatária dos adeptos em alguns casos, até porque também critiquei várias vezes o treinador na época passada. Mesmo que nunca tenha visto qualquer lenço branco na temporada passada, é certo e sabido que Lopetegui está longe de ser um treinador consensual no Dragão. Para adensar as incertezas relativamente à sua competência para gerir um plantel destes, a época em falso que proporcionou, sem títulos ou grandes vitórias para festejar, foi a cereja em cima do bolo para que a época que agora começa seja o verdadeiro “tudo ou nada” para Lopetegui.

Também por isso é que, quem viu como eu ao vivo o jogo frente ao Estoril, não se surpreende que ao mínimo erro individual, os adeptos portistas caiam em cima dos jogadores e do treinador. Os assobios que se ouviram em várias ocasiões durante a partida foram suficientes para se perceber o grau de exigência que esta época portista encerra. Ainda assim, e apesar de perceber as linhas com que se vai coser a nova época, não posso deixar de salientar esta “banalização do assobio” como um dos principais desafios de Lopetegui a médio prazo. É certo e sabido, e eu próprio salientei esse facto, que esta é tudo menos uma época fácil para o treinador portista. Apesar de ter um ano de campeonato português em cima – com as consequências que isso terá que ter na perceção dos adversários – a verdade é que Lopetegui não tem, nem por sombras, as armas que tinha na época passada. Tal como já destaquei, a perda de mais de metade dos titulares faz com que a visão sobre a equipa portista numa fase prematura da época tenha de ter sempre alguma precaução. Bem sei que duas épocas sem ser campeão faz com que os nervos cheguem ao limite e que a paciência do adepto seja pouca, mas creio que a “banalização do assobio” não pode nem deve ser o caminho a seguir no Estádio do Dragão.

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Lopetegui entra na segunda época como treinador do FCP
Fonte: dabancada.com

Por essa razão é que, ao ver um jogo no Dragão, sinto alguma frustração ao ver o comportamento dos adeptos em vários momentos do encontro. É certo que a exigência tem feito parte da história do FC Porto e talvez por isso se foi ganhando tantas vezes, tanta era a vontade de vencer que preenchia os adeptos e que fazia com que a motivação da equipa fosse sempre crescente. Mas isso não pode ser justificação para que, tal como vi ontem, se assobie a equipa aos 15 minutos quando já se está a ganhar por 1-0, ou que se assobie a equipa nos últimos minutos de jogo só porque os adeptos querem que a equipa marque mais um golo. A impressão que fica é que mesmo que por vezes esses assobios sejam justos – houve momentos frente ao Estoril em se cometeram erros primários -, a verdade é que se torna mais difícil jogar em casa do que fora.

Creio que é aqui que também se verá a estaleca de Lopetegui para o cargo. Mais do que os assobios por vezes injustos no jogo frente ao Estoril, aquilo que mais me perturbou foi a forma como Lopetegui voltou a “queimar” um jogador. Depois de Cissokho ter sido preterido da convocatória – a exibição frente ao Marítimo foi justificação suficiente para tal – frente ao Estoril foi a vez de Varela ter sido o primeiro a comprar bilhete de saída da equipa. Depois de uma primeira parte onde o extremo português acumulou erros, o treinador espanhol nem sequer esperou pelo intervalo para proceder à primeira substituição. No final do jogo, Lopetegui encarou a decisão como natural, justificando-se com as três substituições que tem ao seu dispor e que pode fazer no momento em que achar correto. Justificação que aceito mas que, a meu ver, pouco tem a ver com a realidade. Ao estar no Dragão, aquilo que me pareceu é que Julen Lopetegui foi atrás da opinião dos adeptos.

É verdade que Varela não estava, nem de perto nem de longe, a fazer uma exibição de qualidade, mas deve ser esta a gestão de um plantel? Não seria melhor esperar pelo intervalo para proceder à substituição ou até dar a Varela um início de segunda parte para tentar que o seu rendimento fosse melhor? Não quero, caro leitor, que me veja como um defensor acérrimo de Varela ou um crítico de todas as decisões de Lopetegui. Apesar de não concordar com este tipo de gestão, a verdade é que o treinador portista está no pleno direito de fazer alterações que quiser no momento que quiser. Aquilo que me preocupa é a perceção de achar que, não raras vezes, Lopetegui o faz porque ouve demasiado aquilo que vem da bancada. E é aqui que a “banalização do assobio” terá de ser encarada pelo treinador espanhol como um desafio que terá de superar até para o seu próprio crescimento enquanto técnico. Numa época em que o FC Porto tem o desafio de recuperar o título nacional, e com tantas alterações no plantel, mais do que nunca as ideias de um treinador tem de estar presentes na equipa.

É certo, e o jogo contra o Estoril demonstrou-o, que a equipa ainda tem um longo percurso para percorrer, tantas são as lacunas que ainda evidencia. E é por isso que, no meio de tantos obstáculos que a equipa ainda coloca a si própria, que o caminho tenha de ser firme. Mesmo que, no meio das suas decisões, ouça alguns assobios da bancada. Mesmo que, no meio das suas opções, tenha de colocar no onze um jogador vindo do V. Guimarães em vez de um jogador que custou 20 milhões de euros. Mesmo que, por entre as suas ideias, já não sobre nada da equipa da época passada. O importante, a meu ver, é não ir atrás do que se escreve e do que se ouve. É o problema das banalizações. Só espero é que Lopetegui perceba isso.

Benfica 3-2 Moreirense: Seja bem-vindo, Jonas Pistolas

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Parece que é sina; o benfiquista nasceu para sofrer. Na Luz, mais uma vitória sofrida, mais um suspiro de alívio por parte de Rui Vitória. Mas ainda há tanto para fazer. A primeira parte trouxe ao de cima aquilo que tem sido o Benfica nestes primeiros jogos. Ideia de jogo, zero; os jogadores parecem perdidos dentro de campo, sem saber o que fazer. Os primeiros 45 minutos resumem-se a cruzamentos e mais cruzamentos  para a área do Moreirense, sem efeitos práticos. Do outro lado, os homens de Moreira de Cónegos foram mais eficazes. Rafael Martins gelou a Luz e o Benfica foi a perder para o intervalo, com a Luz a assobiar. A exibição do Benfica fazia desesperar o mais calmo dos adeptos benfiquistas. Mitroglou ainda não está entrosado e parece um corpo estranho ao lado de Jonas e Pizzi está irreconhecível. O português estar em campo ou não estar é a mesma coisa e Rui Vitória percebeu isso ao intervalo.

Boa entrada de Jiminez em campo
Boa entrada de Jimenez em campo
Fonte: Facebook do Benfica

Entrou Talisca para o lugar do Pizzi e Gonçalo Guedes para o lugar de Victor Andrade (hoje não esteve tão bem como contra o Estoril) e o Benfica deixou-se de cruzamentos. Soube circular a bola, soube criar mais jogadas de perigo, mas a bola insistia em não entrar. Até que Rui Vitória decidiu fazer a substituição que pode ser considerada o momento do jogo. Tirou Eliseu para meter Jimenez e Gaitan passou a fazer o corredor esquerdo todo, e o Benfica jogando com 3 avançados. Este “all-in” de Rui Vitória tem sido alvo de muitas críticas por muitas vezes só acrescentar algo em número e não em qualidade ao jogo do Benfica. Mas desta vez voltou a dar certo. Ainda Jimenez estava a sentir o relvado da Luz e já via a bola a vir para a sua cabeça, pronto para dar o empate. O mexicano não podia pedir melhor entrada no jogo. A Luz rejubilava e carregava no apoio à reviravolta. Ainda as gargantas recuperavam a voz, ainda os adeptos se sentavam depois do festejo, já Samaris rematava para o fundo das redes e voltava a fazer explodir a Luz. Uma reviravolta feita pela crença e paixão dos jogadores. Por vezes, se não vai com a cabeça, tem de ir com o coração. Parecia que o pior já tinha passado; o Benfica já vencia e parecia que o jogo estava controlado. Mas um erro de arbitragem serviu de balde de água fria no estádio da Luz. Ramon Cardozo, aos 84 minutos, empatou a partida num lance onde o jogador está claramente em fora-de-jogo, sem deixar dúvidas. Apesar de não ter realizado a melhor exibição, o Benfica não merecia um fim assim. Com as coisas complicadas, era preciso um golpe de génio para dar os 3 pontos, aquele jogador com faro de golo que tira da cartola aquele remate que só acaba lá dentro. Vocês já sabem de quem é que eu estou a falar. Esse mesmo, o mago Jonas apareceu na altura certa e no local certo para dar o 3-2 ao Benfica. O rei Jonas voltava a ser decisivo, tal e qual como na época passada.

No final fica uma vitória da raça mas muito parecida com a do Estoril. Uma primeira parte nula, sem ideia de jogo e com os jogadores sem saberem atacar, uma segunda parte onde as mexidas foram decisivas e no final uma certeza: uma vitória que não pode iludir os adeptos e treinador; este Benfica ainda tem muito trabalho para fazer. Uma sugestão: Jimenez não deveria jogar ao lado de Jonas em vez de Mitroglou? Parece-me que o mexicano tem características que se adequam melhor a Jonas.

A figura:

Jonas – No ano passado, em cinco rescaldos que devo ter feito do Benfica, em quatro devo ter metido Jonas como figura. Hoje não volta a ser diferente. O avançado voltou a ser decisivo e voltou a encantar as bancadas da Luz. Que génio é Jonas!

O fora-de-jogo:

Pizzi – O médio português parece outro jogador. Depois de uma época positiva, Pizzi atravessa o pior momento de forma. Não acrescenta nada ao jogo, parece que o Benfica joga com menos um. Que se passará com Pizzi?

Foto de capa: Facebook do Benfica

FC Porto 2-0 Estoril: Eficácia de um FC Porto irreconhecível

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E à terceira jornada… Herrera no banco e Indi a lateral esquerdo. Enquanto o primeiro parece ser fruto natural da exigência por uma maior criatividade no meio-campo portista, a adaptação do central Indi a lateral esquerdo (papel que, apesar de tudo, não é novidade para o holandês) e a não convocação de Cissokho podem ser assumidas por muitos como um recado para a SAD azul e branca de que é necessária mais uma solução para o lado esquerdo da defesa. A grande surpresa, porém, acabou mesmo por ser a inclusão de Brahimi no centro do terreno, à frente de Imbula e Danilo.

À entrada para este encontro, o Estoril possuía cinco baixas: Bruno Miguel, Alex Kakuba, Diogo Amado, Mattheus Oliveira e Frédéric Mendy. A equipa anfitriã, pelo contrário, apresentou-se em campo na máxima força. Depois de no ano transato a equipa de Lopetegui ter vencido por 5-0, tudo parecia correr bem ao FC Porto para que um resultado semelhante voltasse a aparecer.

E cedo se começou a desenhar mais uma vitória. Decorria o sétimo minuto da partida quando Maxi aproveitou o distanciamento entre as linhas do Estoril e colocou em Brahimi, que apareceu solto frente à linha defensiva estorilista. O mago do Maghreb, a calcorrear terrenos mais centrais, passou facilmente pelo opositor direto, ganhou a linha de fundo e cruzou atrasado para Aboubakar inaugurar o marcador. Estava feito o primeiro golo da partida.

O Estoril não acusou o golo sofrido e começou a ameaçar, timidamente, a baliza de Iker Casillas. Uma, duas, três oportunidades, e, finalmente, aos 23 minutos de jogo, após a marcação de um pontapé de canto, Diego Carlos surge no coração da grande área e atira ao lado da baliza. A equipa estorilista continuou a carregar sobre a baliza anfitriã e, aos 32 minutos, Bonatini voltou a ameaçar o golo do empate, obrigando o guardião espanhol a aplicar-se.

Apesar do golo conseguido por zonas mais interiores do terreno, aos 39 minutos Lopetegui desfez-se da surpresa, fazendo entrar André André para o lugar de Varela e voltando a reposicionar Brahimi em terrenos mais exteriores. O jogo, contudo, acabou por ir para intervalo sem que se visse algo mais das duas equipas e com o FC Porto a vencer por 1-0 no único remate que fez à baliza, na primeira parte.

Na segunda parte, continuou a ser o Estoril a criar as melhores oportunidades de golo. Aos 52 minutos da partida, mais uma oportunidade para a equipa orientada por Fabiano Soares. Bonatini, já dentro de área, obriga a defensiva portista a criar um muro de jogadores para parar o remate e, na recarga, Bruno César obriga Casillas a boa defesa. O FC Porto não se conseguia impor na partida e a equipa estorilista dominava os acontecimentos.

Maicon voltou a fazer o gosto ao pé… de livre Fonte: Facebook do FC Porto
Maicon voltou a fazer o gosto ao pé… de livre
Fonte: Facebook do FC Porto

Ninguém parecia satisfeito no Estádio do Dragão, nem mesmo o treinador espanhol Julen Lopetegui. Mas o FC Porto foi conseguindo finalmente soltar-se da pressão e subir no terreno com alguma qualidade. E aos 62 minutos da partida, num livre quase frontal à baliza de Kieszek, Maicon fez o segundo golo da partida contra a corrente do jogo e… no segundo remate do FC Porto à baliza da armada estorilista.

O ritmo de jogo acalmou bastante e ambas as equipas começaram a jogar mais no centro do terreno sem grande capacidade de fazer a bola chegar às duas balizas. Já perto do final da partida, uma lesão de Anderson Luís obrigou a uma paragem no jogo, que arrefeceu, e de que maneira, as hostes estorilistas. O FC Porto aproveitou, tal como Osvaldo, que já tinha entrado para o lugar de Aboubakar e foi carregando a área adversária sem grande sucesso. Com um golo de Aboubakar e Maicon, o FC Porto selou a 12ª vitória seguida em casa e atingiu os 1115 minutos sem sofrer golos no Estádio do Dragão, para a liga, fixando um novo recorde.

 

A Figura:

Estoril – A equipa orientada por Fabiano Soares demonstra-se atrevida e bastante arrojada. Neste jogo, a armada estorilista não teve medo de encarar o FC Porto olhos nos olhos e criou diversas oportunidades de empatar a partida. Não o conseguiu por alguma falta de clarividência e eficácia defensiva do adversário mas deixou uma boa réplica no relvado do Estádio do Dragão.

 

O Fora-de-jogo:

FC Porto – O desnorte da equipa portista em vários momentos do jogo foi bastante notório. Apesar de bem condicionada pela equipa estorilista, a formação portista nunca demonstrou aquela “arrogância” perentória que deve sempre acompanhar uma equipa “grande”. Pouca clarividência no ataque e imensos passes falhados.

Foto de capa: Facebook do FC Porto

Quando a força se sobrepõe à imaginação

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E, quase sem se dar por isso, já estamos à porta da terceira jornada do campeonato. O sorteio da Liga dos Campeões já lá vai (resultou na construção de um panorama minimamente favorável para o FC Porto) e o plantel às ordens de Julen Lopetegui está concentrado a cem por cento no jogo com o Estoril. Este avançar repentino do tempo significa também que o fecho do mercado está a aproximar-se e, no reino do Dragão, há situações urgentes a rever neste aspeto em particular.

Já falei, na semana passada, da questão do lateral-esquerdo. Aquela que, para mim, surge agora como aquela que deveria ser a situação mais premente para a estrutura portista é a do reforço do meio-campo. Não me entendam mal: há muitas e boas soluções para o miolo azul e branco, mas falta uma peça-chave. Falta um elemento “de último passe”, que assuma a batuta do jogo portista e que seja capaz de desequilibrar e dar um toque de magia ao futebol azul e branco quando determinados jogos se revelarem fora do alcance do conhecimento tático e da prática do modelo de jogo idealizado pelo treinador.

Analisando o meio campo titular do FC Porto atual, destacamos Danilo Pereira como o elemento mais recuado, com Imbula e Herrera mais adiantados no terreno. Este é um tipo de meio campo cada vez mais raro no futebol atual. Um médio mais posicional, apoiado (na transição defensiva) por dois box-to-box que não se inibem de pisar áreas mais adiantadas do terreno e até surgir em zona de finalização; aliás, esta tem sido a ideia de Lopetegui: contra o Vitória de Guimarães não foram raras as vezes em que Imbula se aproximou de Aboubakar e tentou o remate, sendo que, contra o Marítimo, foi Herrera a assumir mais frequentemente este papel.

No entanto, a eficácia desta ideia não tem atingido o nível desejado pelos portistas. Numa primeira instância, porque Herrera e Imbula não estão na sua melhor forma e, em segundo lugar, mas não menos relevante, porque nenhum dos jogadores tem o perfil ideal para este papel e para o modelo de jogo do Porto. A equipa acaba por se desequilibrar defensivamente e é Danilo que fica obrigado a estender o seu raio de ação para recuperar a bola antes de esta entrar na “zona crítica”. É um miolo construído à base da força e que, em condições normais, funciona em alta rotação, sendo difícil para qualquer adversário ganhar, física e taticamente, o centro do campo ao FC Porto.

Olhando para aquilo que era o meio campo dos dragões na época passada, é fácil identificar as diferenças. No lugar de Danilo, surgia Casemiro. Ainda que com estilos diferentes, ambos desempenham bem o papel de médio mais posicional, na primeira linha à frente do quarteto defensivo. Herrera continua a ser o “número 8” mas agora alterna as suas funções com Imbua, como foi descrito acima. Em vez do francês, estava Óliver, um criativo de gema mas que não descurava a pressão sobre o adversário, aquando da perda de bola. E neste último ponto reside a diferença, que mexe com todo o futebol da turma de Lopetegui.

Óliver encaixa como uma luva na ideia de jogo de Simeone e o regresso ao Porto será impossível Fonte: Página do Facebook de Óliver Torres
Óliver encaixa como uma luva na ideia de jogo de Simeone e o regresso ao Porto será impossível
Fonte: Página do Facebook de Óliver Torres

É também por pensar nas caraterísticas de Óliver (que encaixam na perfeição no sistema de Diego Simeone, no Atlético) que olho com algum ceticismo para a opinião daqueles que defendem a contratação de Corona e consequente desvio de Brahimi para o centro do terreno. Acolheria com todo o grado o extremo mexicano no plantel do FC Porto, mas sem que isso implicasse a transição do fantasista argelino para o meio. Se Danilo e Imbula seriam “escudeiros” altamente fiáveis, acabar-se-ia por perder a capacidade de pressão alta na primeira zona de construção adversária. Brahimi não deixa de ser um jogador permissivo a nível defensivo.

O regresso de Óliver seria ouro sobre azul, mas, tendo em conta que foi titular na primeira jornada da Liga espanhola e tem deixado o seu atual treinador encantado, essa é uma hipótese gorada. O modelo de jogador que o Porto deve procurar é alguém que tenha lucidez, visão de jogo e aquela centelha de criatividade capaz de resolver jogos; e que ao mesmo tempo seja capaz de temporizar ao segundo a “mudança de chip”, de maneira a tornar eficiente a pressão em zona alta e a recuperação rápida. Aceitam-se sugestões.

Foto de capa: Facebook do FC Porto

E depois do adeus?

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Não há como escamotear: foi traumática a forma como acabámos apeados da Champions League mas, mais do que olhar para esse passado recente que já não podemos mudar, vale a pena depositar os olhos no muito que há ainda para fazer.

Sem dúvida que as perdas foram enormes, mas parece-me demasiado cedo para se carpir o falhanço de uma época que ainda está a começar e que tem ainda muito para poder ser conquistado. Sem minimizar as perdas, há que convir que “apenas” o dinheiro é irrecuperável. Isto porque até o prestígio a alcançar numa prova como a Champions é muito contingente, não faltando exemplos, próprios e alheios, de grandes tosquiadelas quando se ia em busca de lã.

Sem que isto deva ser entendido como falta de ambição, parece-me claro que, no actual momento da vida do Sporting e na actual conjuntura das competições europeias, a Liga Europa é a competição onde melhor poderemos sobressair. Como apontamento final sobre o passado fica o registo de que, com arbitragens como as deste play-off, estamos condenados a não poder ambicionar muito mais do que a Liga Europa.

É muito comum entre os adeptos, e especialmente em momentos de profunda desilusão como o actual, procurar encontrar culpados para o sucedido. Ou foi a direcção que não fez o que devia para reforçar convenientemente o plantel, o treinador que adormeceu, os jogadores que não se empenharam o suficiente. Convenhamos que, a nível interno, tem sido esse objectivo primordial dos erros de arbitragem há muitos anos, sempre que o clube parece querer deitar a cabeça de fora do género simpático: a ignição de uma combustão interna que tudo queima em redor e que nos entretém enquanto os outros fazem o seu caminho.

O Sporting não foi capaz de segurar a vantagem em Moscovo Fonte: Facebook do Sporting
O Sporting não foi capaz de segurar a vantagem em Moscovo
Fonte: Facebook do Sporting

Independentemente dos juízos que se possam fazer, parece-me claro que, apesar das várias falhas, o Sporting fez mais do que o suficiente para passar, acabando duramente penalizado por praticamente todos os erros cometidos. Às vezes é assim, connosco tem sido muitas vezes, infelizmente. Isto não invalida considerar que, apesar de o potencial parecer existir, são muitas também as dúvidas que a equipa deixa, em particular quando, de repente, se desconjunta e fica abúlica, entregando-se à sorte.

É esta a parte que me interessa neste momento: apesar do insucesso na Champions, os sinais passados são positivos, pelo menos um bom ponto de partida para os compromissos imediatos. Nem todas as equipas se podem gabar disso neste momento da época.

É a seguir a momentos como este que as equipas revelam a matéria de que são feitas e muitas vezes se definem os resultados de toda uma época. Mais do que uma má abordagem ao jogo por parte do treinador no plano de jogo ou quebra física (que foi notória em Teo, Ruiz e Aquilani) pareceu-me ter havido uma hecatombe anímica instigada por uma série de acontecimentos adversos.

Para que essa queda não se perpetue, é urgente conseguir inverter esta série de resultados negativos (empate, derrota) no imediato, já em Coimbra, com uma vitória. Menos do que isso é uma confissão de incapacidade e significaria o regresso extemporâneo a um lugar que conhecemos bem mas do qual não temos saudades.

Como nota adicional fica um quadro com os compromissos a levar a cabo na Liga Europa, em função do resultado do sorteio hoje efectuado e a sua relação, sempre importante, com as jornadas da Liga NOS.

SPORTING-Lokomotiv  (17/09) =>        SPORTING-Nacional     Jornada5
Besiktas-SPORTING      (01/10) =>        SPORTING-Vitória SC   Jornada7
SPORTING-Skenderbeu (22/10) =>        Benfica-SPORTING      Jornada8
Skenderbeu-SPORTING (05/11) ->         Arouca-SPORTING       (Jornada10
Lokomotiv-SPORTING  (26/11) ->         SPORTING-Belenenses  Jornada11
SPORTING-Besiktas      (10/12) ->         SPORTING- Moreirense Jornada13

Ténis: US Open – Djokovic em busca do 10º título do Grand Slam

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cab ténis

Começa esta segunda-feira em Nova Iorque o último Grand Slam da temporada, com o croata Marin Cilic a defender o título sensacionalmente conquistado em 2014.

O quadro é encabeçado pelo #1 mundial Novak Djokovic, que está em busca do seu 10º título do Grand Slam, terceiro da temporada e segundo em Nova Iorque. O sorteio foi bastante favorável ao sérvio, pelo menos nas quatro primeiras rondas, em que não parece haver ninguém que o possa seriamente desafiar. Goffin causou dificuldades em Cincinnati, mas fazê-lo num Grand Slam é outra história, além de que o Belga demonstrou nesse encontro que tende a vacilar mentalmente quando tem uma oportunidade de vencer um jogador de topo.

Nos quartos-de-final, Djokovic poderá defrontar Nadal numa reedição das finais de 2010, 2011 e 2013 deste torneio. Tendo em conta a forma demonstrado este ano, esperar-se-ia uma vitória fácil de Djokovic; aliás, nem sequer há garantias de que Nadal chegue aos quartos-de-final, com jogadores que o bateram recentemente como Lopez, Raonic e Coric na sua secção do quadro. Mas independentemente do momento de forma, Nadal é sempre um nome que mete medo, havendo sempre a possibilidade do espanhol elevar o seu nível a qualquer momento. Djokovic não estará decerto satisfeito com este sorteio.

Será Nadal capaz de dar luta a Djokovic? Fonte: Facebook de Rafael Nadal
Será Nadal capaz de dar luta a Djokovic?
Fonte: Facebook de Rafael Nadal

Nas meias-finais, o adversário projectado para Djokovic é Kei Nishikori, no que seria uma reedição da meia-final do ano passado ganha pelo Japonês. O #4 mundial tem no entanto tarefa bem difícil no caminho para as meias-finais, com Paire na primeira ronda, Dolgopolov na terceira ronda, Monfils ou Tsonga nos oitavos e por fim uma possível repetição da final de 2014 contra Cilic nos quartos-de-final. Não chocaria ninguém se um destes jogadores surpreendesse Nishikori e atingisse as meias-finais, se bem que o Japonês comece como favorito.

Na metade inferior do quadro, o sorteio ditou Murray vs Wawrinka e Federer vs Berdych como possíveis quartos-de-final. Murray tem uma primeira ronda bem difícil contra o explosivo Australiano Nick Kyrgios, mas caso consiga ultrapassar esse obstáculo parece ter caminho livre para os quartos; para Wawrinka as principais ameaças, além da sua própria inconsistência, serão Sock, Simon e quiçá Gulbis. Murray e Wawrinka defrontaram-se por três vezes neste torneio, com Wawrinka a vencer em duas dessas ocasiões.

Para Berdych, o principal obstáculo no caminho para os quartos será Gasquet na quarta ronda, ao passo que Federer terá provavelmente de lidar com os serviços monstruosos de Isner ou Karlovic na mesma quarta ronda. Caso Federer e Berdych se defrontem, porém, espera-se um grande duelo; é verdade que o checo tem desapontado contra os jogadores de topo no último ano, mas não há que esquecer que venceu os últimos dois encontros contra Federer em Grand Slams, um deles neste mesmo torneio em 2012 nos quartos-de-final. Berdych é sempre uma ameaça para Federer quando joga perto do seu melhor.

Previsões a partir dos quartos-de-final:

Djokovic 3-1 Nadal

Nishikori 3-2 Cilic

Wawrinka 3-1 Murray

Federer 3-2 Berdych

Meias-finais:

Djokovic 3-2 Nishikori

Federer 3-1 Wawrinka

Final:

Djokovic 3-2 Federer

 

É um torneio relativamente aberto, mas a aposta segura é sempre Djokovic, que tem demonstrado ser de longe o jogador mais consistente e fiável. Não sendo imbatível, será necessária uma exibição fantástica para o eliminar num encontro à melhor de 5 sets em hardcourt.

Outros destaques:

-Djokovic perdeu 4 das 5 finais que atingiu em Nova Iorque;

-Este será o último torneio da carreira de Mardy Fish, que tem uma excelente oportunidade de vencer pelo menos um encontro;

-O sorteio foi bastante cruel para a nova vaga do circuito: Kyrgios defronta Murray na primeira ronda, Coric defronta Nadal, Kokkinakis defronta Gasquet. Chung tem tarefa mais acessível com Duckworth na primeira, mas espera-o Wawrinka na segunda ronda.

-O US Open teve seis campeões diferentes nas últimas sete edições, apenas Nadal conseguiu vencer por duas vezes neste período.

Foto de capa: Facebook de Djokovic

Atletismo: Nelson Évora voou no “seu” ninho

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“O homem não se mede pelas vezes que cai, mas sim pela elegância com que se levanta” – a universal frase de Charlie Chaplin assenta, desta vez, no percurso trilhado por Nelson Évora ao longo do último ano e que culminou com a surpreendente conquista da medalha de bronze na prova do triplo salto nos Mundiais de Atletismo, a decorrer em Pequim.

Após uma nova grave lesão (fractura na tíbia da perna direita), em 2010 – acentuando ainda mais um já complexo histórico de problemas físicos –, eram poucos os que acreditavam num regresso de Nelson Évora ao mais alto nível: as previsões mais realistas apontavam para a sua ausência nas próximas grandes competições, o que se veio a confirmar nos Jogos Olímpicos de 2012; com 31 anos, ganhava forma o cenário de um final de carreira precoce para o antigo campeão olímpico do triplo salto (“ouro” conquistado em Pequim, em 2008). Todavia, o atleta português rejeitou a reforma antecipada, ou a alternativa de permanecer na sombra: enfrentando problemas reais e imaginários, encontrando forças naqueles que lhe são mais próximos, iniciou uma caminhada dura e silenciosa rumo à recuperação total. O regresso ao topo deu-se, por uma feliz coincidência do destino, no “ninho” onde havia sido mais feliz.

O atleta do Benfica regressou ao topo e já só pensa nas olimpíadas do próximo ano Fonte: Facebook de Nelson Évora
O atleta do Benfica regressou ao topo e já só pensa nas olimpíadas do próximo ano
Fonte: Facebook de Nelson Évora

No início da competição, o nome de Nelson Évora suscitava – a adversários e observadores – a simpatia de um reconhecimento remoto. Os seus números deixavam-no distante do lote de favoritos à vitória – apenas o 6.º melhor registo mundial do ano (17,24 metros) –, e nem sequer o recente título no Europeu de “indoor” impressionava em demasia. Com o decorrer da prova, porém, foram surgindo sinais positivos. À entrada para a final, Nelson Évora (recuperado física e animicamente) já vislumbrava o patamar de excelência, a que sempre pertenceu. O norte-americano Christian Taylor (com uns impressionantes 18,21 metros, a segunda melhor marca de sempre) e o cubano Pedro Pichardo (17,73) confirmaram, sem surpresas, o favoritismo teórico, conquistando ouro e prata, respectivamente. Entretanto, a luta pelo lugar mais baixo do pódio continuava ao rubro, com Évora e Omar Craddock (EUA) a suarem cada centímetro na areia. Apenas na sua sexta e derradeira tentativa, com uma marca de 17,52 metros (o seu melhor registo dos últimos três anos), Nélson Évora confirmou a medalha – os efusivos festejos após o concurso evidenciaram, para o país e para o mundo, a importância de um resultado de bronze com sabor… a ouro.

No balanço destes Mundiais, Nelson Évora admitiu que ainda “voa” baixinho. Este resultado serve, essencialmente, para uma afirmação individual fundamental: a reforma ainda vem longe. As atenções estão já centradas nos Jogos Olímpicos de 2016, onde o atleta português tem a ambição de chegar à marca dos 18 metros e, assim, intrometer-se na luta pelo ouro. Os resultados alcançados nestes campeonatos recolocam o atleta do Benfica como a principal figura da representação portuguesa presente no Rio de Janeiro.

Foto de capa: Facebook do Benfica-Modalidades