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Liga Inglesa: As apostas desta época

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cab premier league liga inglesa

Feita a antevisão da Premier League, onde se escreveu, entre outras coisas, acerca das diversas lutas dentro do campeonato e das influências das contratações, é altura de arriscar um pouco mais e fazer algumas apostas sobre a temporada 2015/16:

Campeão: Manchester City

É sempre complicado prever o vencedor da Premier League no início de cada edição, mas nesta há dúvidas maiores relativamente aos outros anos. O Arsenal manteve a sua “espinha dorsal” e o comando técnico, tal como o campeão Chelsea, que, pelo estatuto, será sempre encarado como favorito… Já os rivais de Manchester, pelo reforço do seu plantel, também fazem crescer água na boca dos seus adeptos e deitam achas para a fogueira da corrida pela ceptro da Premier League, da qual não deve ser retirado, à partida, também, o Liverpool.

Porém, entre os cinco, acredito que o Chelsea não terá tantas facilidades quanto as que teve o ano passado e que poderá sucumbir na luta pelo título perante um rival bem apetrechado financeiramente e que se reforçou bem no defeso, sobretudo no que toca à reabilitação do seu principal jogador, um esteio da equipa que esteve na base de sucessos anteriores. Falo do Manchester City e de Yaya Touré. O costa-marfinense, aparentemente, está de volta à boa forma de sempre e acredito que pode ser a pedra basilar do regresso dos citizens aos títulos, quer libertando uma frente de ataque de luxo (Aguero, Sterling, Silva), quer integrando-se na mesma para fazer jus ao título de médio-goleador.

A renovação do contrato com Pellegrini ilustra a confiança dos responsáveis no trabalho do chileno e este tem noção de que terá de ser campeão para “não ser despedido” (palavras do próprio) – Guardiola estará à espreita.

Equipa sensação: Stoke City

O reforço do plantel veio trazer qualidade a este conjunto, nomeadamente com a chegada de Van Ginkel para o meio-acampo e Affelay e Shaqiri para as alas, que, juntamente com Krkic e/ou Arnautovic, constituirão uma base de apoio de luxo à referência ofensiva, Diouf.

Desde o ano passado, os “Potters” apenas perderam Begovic entre as peças nucleares da equipa, mas a estrutura manteve-se.

A continuidade de Mark Hughes é positiva para a estabilidade no clube, e será expectável, entre os seus jogadores, a assimilação total das ideias do galês e, por isso, a possibilidade de estas evoluírem.

Os adeptos do Stoke City poderão ter razões para festejar no final desta temporada Fonte Facebook do Stoke City
Os adeptos do Stoke City poderão ter razões para festejar no final desta temporada
Fonte Facebook do Stoke City

Aflitos: Bournemouth, Norwich, Sunderland e Leicester

Esta é uma categoria onde poderiam entrar muitas equipas. Apesar de haver um fosso claro para os lugares cimeiros, a competitividade da Premier League é altíssima e 13/14 das 20 equipas lutarão por uma época tranquila. Mas há umas que se encontram melhor apetrechadas do que outras para o fazer.

Bournemouth e Norwich, como equipas que acabam de subir, podem acusar a diferença de competitividade. Ambas também têm uma desvantagem competitiva relativamente grande face às outras equipas da Premier League – o reforço do plantel não foi feito com a quantidade e/ou qualidade dos adversários. Para além disto, o Bournemouth tem um conjunto de jogadores com pouca experiência no principal escalão inglês, e o Norwich uma defesa bastante permeável.

A juntar-se a esta dupla, dada a intensidade do futebol praticado na Premier League, há um lote imenso de equipas. A liderá-lo estarão Leicester e Sunderland. Os “foxes” por terem sido prejudicados pelo defeso – perderam Esteban Cambiasso, que não renovou -, e os “black cats” pela instabilidade que vem sendo marca desde há alguns anos a esta parte, apesar da boa gestão praticada pelo seu CEO.

Jogador do Ano: Eden Hazard

A nata do futebol mundial está na Premier League. Muitos arriscam um lugar de destaque, e todos eles são candidatos sérios a este título, mas o belga destaca-se dos restantes pela fantasia que dá a um futebol normalmente musculado e pelas estonteantes arrancadas que proporcionam vertigens aos adeptos (os do seu e de outros clubes). Para além disso, a capacidade de finalização do belga também deverá ter um papel crucial no seu Chelsea.

Eden Hazard poderá renovar o título de melhor jogador do ano, na Premier League Fonte Faceboook do Chelsea
Eden Hazard poderá renovar o título de melhor jogador do ano, na Premier League
Fonte Faceboook do Chelsea

Jovem do ano: Memphis Depay

Sterling poderá brilhar no City, chegando ao nível que muitos esperam que atinja, mas Depay tem-se revelado um jogador muito acima da média e bastante refrescante para a realidade da Premier League. O holandês tem demonstrado um entendimento notável com Wayne Rooney que poderá valer muitos pontos ao United e a si, na luta por um lugar no panorama do futebol mundial.

Para além disso, parece ser uma espécie de “protegido” de Van Gaal, que tem o dom de fazer brilhar os seus “meninos” (recorde-se o então jovem Muller no Bayern), pelo que acredito que isso possa ter influência no desempenho de Depay e, por isso, na atribuição deste prémio.

Melhor marcador: Chris Benteke

Há muitos jogadores que se perfilam como sérios candidatos à “bota de ouro” da Premier League, começando pelo anterior vencedor – Sergio Aguero. O argentino tem à sua volta uma equipa bastante ofensiva e oportunidades para visar as redes contrárias não faltarão. Terá a concorrência de jogadores como Diego Costa ou Falcao, do Chelsea, mas os blues não praticam um futebol propriamente ofensivo e contam muito com os rasgos e o poder de finalização dos extremos para resolver os encontros (Hazard será, também por isso, sério candidato ao título). No Arsenal, pratica-se um futebol com muita vertigem mas, apesar de acreditar na eficácia do poderio ofensivo dos gunners durante a época, também creio que o número de golos será distribuído pela frente de ataque (Alexis, Walcott e/ou Giroud somarão mais de uma dezena de golos, mas não creio que cheguem a um número maior que Aguero).

Sobram jogadores de qualidade, como Harry Kane ou Chis Benteke. Sobre o primeiro, há dúvidas em relação ao andamento que a equipa poderá ter de forma a ajudá-lo a consagrar-se rei dos artilheiros; já relativamente ao segundo, apesar de haver algumas dúvidas quanto à forma como se integrará no seu conjunto, acredito que o futebol dos orientados por Brendan Rodgers tenha no belga a principal referência ofensiva e que jogadores como Coutinho ou Firmino o possam ajudar a tornar-se o bota de ouro 2015/2016. Um jogador com a disponibilidade física e a espontaneidade de Benteke é uma peça que encaixa perfeitamente no puzzle deste Liverpool.

Foto de Capa: Facebook Oficial da Premier League

Tondela 1-2 Sporting: Ai Jesus, que se perdem anos de vida…

Escolhi díficil. O fácil é de todos

Sexta-feira de 14 Agosto, 20h30; o fim do dia de praia para muitos, o início do campeonato para aqueles que só têm dois períodos durante o ano: período de campeonato e período de espera pelo campeonato. Sporting-Tondela de entusiasmo para os verdes-e-brancos mas de igual clima de alegria para os recém-promovidos, ou não se tratasse do primeiro jogo na Primeira Liga do conjunto de Tondela.

Jorge Jesus optou por repetir o onze que venceu a Supertaça diante do Benfica mas o adversário não se amedrontou: pressão em todo o campo e tentativa de dividir o jogo que oxalá se mantenha ao longo da época, para bem do futebol português. Os primeiros 7/8′ foram muito complicados para ambas as equipas, que procuraram ganhar terreno ao adversário, mas a partir daí o Sporting tornou-se dono e senhor do jogo. Primeiro, Slimani com um remate perto da pequena área que obrigou Matt Jones a defesa apertada, depois Carrillo a chegar atrasado a um cruzamento de Jefferson. Cheirava a golo, tal era o perigo criado pela equipa leonina. A busca pela profundidade, a aproveitar a defesa alta do Tondela e a contrastar com momentos de toque mais curto, acabou por dar resultado. Bola de Carrillo em Bryan Ruiz, cruzamento já dentro da área, com João Mário a ganhar a segunda bola e a fazer o golo por volta dos 15′.

Os minutos seguintes não iriam apresentar novidade nenhuma para quem ia observando o rumo do encontro. O Sporting não abrandou até perto dos 30′, e até lá poderia ter aumentado a vantagem, ou não fosse Carrillo rematar ao lado por muito, muito pouco. O ritmo acabou por diminuir, ou não estivéssemos ainda na primeira jornada e, ao fim ao cabo, ainda no fim do nosso… ”período de espera pelo campeonato”.

João Mário assinou o primeiro golo da Liga Portugesa 2015/16  Fonte:  Ivan Del Val/Global Imagens
João Mário assinou o primeiro golo da Liga Portugesa 2015/16
Fonte: Ivan Del Val/Global Imagens

A segunda parte recomeçou como havia terminado a primeira; controlo do Sporting, ainda que sem domínio absoluto. Slimani desperdiçou uma excelente jogada pelo flanco esquerdo e, como se diz na gíria, quem não marca sofre. Naldo acaba por ver marcada a si uma falta que até parece ser ele a sofrer (embora o central tenha sido muito lento na resolução do lance), Tinoco bate muito bem um livre lateral e, perante a hesitação de Patrício, o Tondela acaba por fazer o empate… com recurso à mão de Luís Alberto e à sua posição irregular. Ainda assim, mérito para a equipa estreante na Primeira Liga, que juntou à ineficácia leonina uma dose de astúcia e de oportunismo ao aproveitar as bolas paradas em seu favor.

A meia-hora do fim e com o marcador a indicar a igualdade, Jesus optou por colocar poucos minutos depois Mané e Montero por Ruiz e Téo mas mexeu pouco no jogo. Jefferson ia desperdiçando lance atrás de lance com cruzamentos inofensivos, Slimani dava pouco ao encontro pelas dificuldades técnicas que se agravavam pelo menor espaço de execução e Carrillo ia perdendo fulgor. Colectivamente, a equipa deixou a ansiedade tomar conta de si e o modelo ofensivo ia desaparecendo a pouco e pouco, e com isso também a clarividência na hora de definir os lances. Ainda assim, e já com Gelson Martins, que entrou muito bem, a equipa leonina prosseguiu na busca pelo golo e acabou por ver a vontade reconhecida. Lançamento longo de João Pereira, segunda bola para o jovem extremo lançado por Jesus que sofre penalty claro mesmo em cima do último minuto do desconto. Na cobrança, Adrien a salvar uma exibição individual pouco conseguida e colectiva que, sem deslumbrar, fez por merecer os três pontos.

Segue-se o CSKA, que hoje bateu o Spartak… fora de casa. Um teste sério ao leão!

A Figura 

João Mário – Faz o primeiro golo e faz com que praticamente todo o jogo ofensivo da equipa passe pelos seus pés. De cabeça em cima, clarividente a decidir e até na progressão com bola – aí, já se vê o dedo de Jesus. Aquilani vai ter vida difícil para entrar na equipa.

O Fora-de-Jogo

Jefferson – Inúmeros lances perdidos na busca pelo cruzamento que lhe costuma sair bem mas hoje raramente passou o primeiro homem da área do Tondela. Nas bolas paradas também esteve muito mal, sobretudo nos cantos batidos no lado esquerdo.

 

Foto de Capa: Fábio Poço/Global Imagens

Vem aí o campeonato: Parte II

futebol nacional cabeçalho

Além dos três grandes e dos clubes que tradicionalmente lutam pela Europa, existem obviamente aqueles que batalham ano após ano pela manutenção de forma aguerrida e até aos últimos segundos da competição. É deles que vou falar neste texto.

Começo no Minho, com o Moreirense. Miguel Leal perdeu grande parte do “11 tipo” da época passada. Marafona, Paulinho, Filipe Melo, André Simões, Arsénio e João Pedro rumaram a outras paragens, ficando os centrais Marcelo Oliveira e Danielson como figuras de ligação entre as duas épocas. Como reforços, existem algumas caras bem conhecidas da nossa Liga. O guarda redes Nilson, uma das grandes figuras do Vitória de Guimarães na última década, André Micael, Filipe Gonçalves (ex-Estoril), André Fontes e Rafa Sousa (ambos ex-Penafiel) ou Vítor Gomes, que regressa ao clube depois de seis meses na Turquia. Penso que merecem ainda destaque Sagna e João Vieira, dois elementos que fizeram uma boa época em Chaves e viram essas boas prestações reconhecidas por Miguel Leal.

O Estoril, uma das grandes deceções da temporada passada, está em contrarrelógio para apetrechar o plantel às ordens de Fabiano Soares. O impasse na venda da SAD retirou muito tempo na construção do plantel, desfalcado pelas saídas de referências como Vagner, Ruben Fernandes, Tozé, Kuca, Filipe Gonçalves, Kléber ou Balboa. Para fazer face a este amontoado de saídas, ainda não são conhecidos grandes reforços. A exceção será mesmo Bruno César, que passou pelo Benfica. O brasileiro poderá ser mesmo um dos pilares da equipa, caso esteja na melhor condição física, o que não parece ser o caso, pelo menos neste momento.

No Bessa, apesar da troca de relvado, penso que vai morar uma equipa tranquila e que poderá bater o pé a clubes mais cotados. O Boavista foi uma das equipas que mais me agradou ver na época passada e, felizmente, manteve essa base. Atletas como Mika, Beckeles, Afonso Figueiredo, Idris, Gabriel, Zé Manuel e Uchebo poderão manter a preponderância na manobra da equipa, reforçada com alguns nomes interessantes, dos quais relevo três: Paulo Vinícius, que deverá ser o patrão da defesa depois de já o ter sido em Braga há uns anos atrás, Samuel Inkoom, jogador ganês de grande intensidade que se deu a conhecer ao mundo no Mundial 2010 e Luisinho, extremo que alinhou em quase todos os jogos na época passada pelo Académico de Viseu, marcando uma dezena de golos. Três jogadores mesmo à imagem do treinador Petit, que foi outra das boas notícias da Liga 2014/15.

Em Setúbal, o plantel sofreu uma grande razia com a chegada do novo treinador Quim Machado, mantendo apenas alguns jogadores interessantes como Lukas Raeder, Venâncio, Zequinha ou Suk, além do capitão Paulo Tavares. De entre as caras novas, olho com agrado para o regressado guarda-redes Diego ou para André Claro, avançado de qualidade que veio do Arouca. Uli Dávila, médio ofensivo emprestado pelo Chelsea, pode ser uma das principais figuras da equipa, caso esteja em boas condições físicas e se empenhe a sério nesta decisiva etapa da sua carreira.

Em Coimbra, mora uma equipa histórica e um dos treinadores mais acarinhados na época passada, José Viterbo. O “homem da terra” salvou a equipa do naufrágio causado por Paulo Sérgio e teve este ano a oportunidade de fazer um plantel à sua medida. Emídio Rafael, Rabiola e o guarda-redes Pedro Trigueira são alguns reforços que encaixam na imagem de jogo do clube. Contudo, o cabeça de cartaz entre os novos jogadores é, sem dúvida, Gonçalo Paciência. O jovem ponta de lança emprestado pelo FC Porto vai tentar afirmar-se em Coimbra e não será de espantar que no final da época vá ao Euro 2016 pela Seleção Nacional.

O Arouca foi outra equipa protagonista de uma grande transformação. Trocou de treinador (saiu Pedro Emanuel para entrar Lito Vidigal), mas a construção do plantel, até ao momento, não augura um futuro muito risonho. A chegada de Bracali, que vem substituir Goicoechea, um dos melhores guardiões da última Liga, é a grande notícia até agora. O problema está nas saídas. Iuri Medeiros, Diego Galo, Ivan Balliu, Kayembe ou André Claro eram elementos importantes e as suas ausências não parecem ter sido totalmente colmatadas. Não é de estranhar que venham mais reforços até ao final de agosto.

Gonçalo Paciência jogará em Coimbra para tentar terminar a época em França Fonte: Facebook oficial da Associação Académica de Coimbra/OAF
Gonçalo Paciência jogará em Coimbra para tentar terminar a época em França
Fonte: Associação Académica de Coimbra

Entre os dois primodivisionários, destaque inicial para o Tondela. A equipa de Vítor Paneira, que vai receber o Sporting na primeira jornada, contratou alguns elementos com bastante experiência no nosso campeonato como Matt Jones, os centrais Markus Berger e Kaká, Luís Alberto, médio que se notabilizou no Nacional e em Braga, ou Lucas Souza, que deixou boas indicações nas passagens por Olhão e Moreira de Cónegos. Realce ainda para a armada emprestada pelo Benfica: Romário Baldé, Raphael Guzzo e Jhon Murillo, extremo venezuelano que teve grande destaque quando foi contratado pelas “águias”, mas que nem chegou a vestir a camisola encarnada nos jogos amigáveis. Entre as saídas, é de lamentar a de Tozé Marreco, segundo melhor marcador da Segunda Liga no ano passado.

Por fim, o União da Madeira. Luís Norton de Matos foi chamado para o lugar de Vítor Oliveira e já tem alguns nomes interessantes para fazer frente à nova época. O jovem guardião André Moreira, que se mostrou no Mundial sub 20, Diego Galo (ex-Arouca), Paulinho (ex-Moreirense) e o jovem Tiago Ferreira, formado no FC Porto, são bons valores para ajudar os madeirenses na luta pelos seus objetivos. O sportinguista Filipe Chaby ainda é muito falado para um regresso aos ilhéus e seria, quanto a mim, um ótimo valor acrescentado para a turma de Norton de Matos.

Foto de Capa: Estoril Praia SAD

Aquilani para a pré-reforma ou reencontro com o destino?

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a norte de alvalade

Por força da Supertaça e dos acontecimentos que a precederam e sucederam não tinha tido oportunidade de me pronunciar sobre a aquisição de Alberto Aquilani. Trata-se de um jogador que, desde que surgiu, me despertou a atenção e a quem reconheço enormes qualidades. Contudo, estas apenas foram notórias quando surgiu no seu clube de coração, a Roma, perdendo-se em pequenos fogachos desde que começou o seu périplo fora da Cidade Eterna.

Eleito para substituir Xabi Alonso no Liverpool, então de Benitez, a sua estada ficou-se por um pálido saldo de dezoito jogos, uns mais cinzentos que outros, e um golo, na Premier League. Não terá ajudado muito o facto de ter chegado lesionado e ter apanhado os vermelhos já sem o fôlego que lhes permitiu arrecadar uma Champions e quase um título no ano que antecedeu a chegada do playmaker italiano.

De empréstimo em empréstimo, entre Juventus e Milão, onde teve duas épocas regulares, voltou a Liverpool para descobrir que já não era aí desejado. Acabou por sair para Florença, por uma pechincha de cinco milhões de euros, muito longe dos dezassete milhões de libras que os ingleses desembolsaram antes.

Esteve em Florença os últimos três anos, sendo a sua passagem uma boa representação da sua carreira: promessa à chegada, estagnação e desilusão. Convenhamos que não era fácil a um príncipe romano ser rei onde governaram os Medici e onde a rivalidade entre romanos e viola é profunda e ancestral. Teria de ter feito muito mais para as suas origens serem esquecidas, porém a imagem que deixou entre os adeptos foi a de um jogador talentoso mas acomodado e pouco comprometido com o clube. Em tudo semelhante à impressão deixada em Liverpool.

O italiano é o novo camisola 6
O italiano é o novo camisola 6

São estes insucessos consecutivos que o fazem chegar agora a custo zero ao Sporting. Aquilani foi sempre considerado um jogador de enorme talento mas que, com tempo, criou a imagem de um jogador frágil fisicamente, muito atreito a lesões – o que em algumas épocas foi um facto -, das pequenas lesões, recidivas, até algumas de grande tempo de paragem.

Quando Aquilani rejeita a proposta de renovação da Fiorentina, com corte significativo no vencimento, e escolhe um novo agente para lhe gerir a carreira, imaginava-se como próximo destino a Major Soccer League. Foi para aí que o seu amigo e novo empresário, Andrea d’Amico, já havia levado Giovinco, estimamdo-se que fosse também o Toronto o destino. Esse é o primeiro bom sinal: se fosse pelo dinheiro ou por uma pré-reforma em tons de dourado, certamente que teria já atravessado o Atlântico.

Mas (pode até ser uma coincidência, a noticia saiu quando este artigo estava já escrito), os mesmos sinais de fragilidade estão novamente à vista quando diz que ontem não treinou por lesão. Têm sido esses contratempos que têm aprisionado o génio do italiano numa garrafa, de onde só sai para revelar pormenores como algumas das ilustrações deste post documentam.

É isso que tem faltado a Aquilani: consistência e constância. É esta dúvida que torna estranha a sua escolha, quando sabemos hoje as razões que levaram a descartar Kevin Prince Boateng. Ao contrário do que foi dito do ganês, Aquilani não padece de um problema num ponto específico. As suas lesões consecutivas têm-se manifestado nos tornozelos, joelhos, anca, ligamentos, etc.

Faltará apenas saber o que JJ lhe vai pedir. Pode ser um “8”, pode ser um “10”, onde mostrará a sua qualidade técnica, imprevisibilidade na colocação da bola, que lhe advém de uma qualidade de passe e visão extraordinárias. João Mário e Adrien têm aqui não apenas concorrência mas também um mestre. Dificilmente poderá ser um “6” porque, apesar do seu 1,87m, falta-lhe intensidade e capacidade para sofrer na busca permanente da bola. Esperemos que seja, pois, em Lisboa que Aquilani se reencontre com o destino que há muito lhe é augurado: o de um grande jogador.

Imagens retiradas do facebook do atleta

Liga Inglesa: Uma Primeira Jornada Refrescante!

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Nova época, novos protagonistas. O começo da temporada 2015/16 da Premier League fugiu à previsibilidade, contrariou o favoritismo, nomeadamente entre as equipas que lutam pelo título.

O Chelsea cedeu um empate a dois frente a um Swansea que não desperdiçou as facilidades que lhe foram concedidas (para este nível, claro) pelo campeão e que até podia sair de Stamford Bridge com os três pontos em virtude da pressão exercida no final, ainda que “patrocinada” pela superioridade numérica conseguida graças à expulsão de Courtois. Um dia mau para os blues, mas que seria atenuado com a derrota do Arsenal, em casa, diante do West Ham, por 2-0 (ver “treinador da semana). Porém, na luta (defesa) pelo trono não se pode facilitar, e os rivais de Manchester ganharam terreno. O United com menos brilho (venceu por 1-0, o Tottenham, sem brilho, e graças a um auto-golo de Kyle Walker numa altura em que os Spurs dominavam) que o City, que se impôs em casa do West Bromiwch Albion por uns claros 3-0 que lhe valem, no final da primeira ronda, o primeiro lugar…

… ainda que este seja partilhado com mais seis equipas. Entre elas, os surpreendentes Leicester e Crystal Palace, que deram muito bem conta de si ao vencerem por dois golos de diferença os seus adversários. Os “foxes” golearam o Sunderland por 4-2, num jogo em que demonstraram um futebol atraente (com destaque para Mahrez – ver “figura de jornada”), bem longe daquilo que seria de esperar de um conjunto que é quase unânimemente apontado, pela crítica, como candidato à descida; os “Glaziers”, num encontro onde o reforço Cabaye foi figura de destaque, foram ao terreno do Norwich vencer por 3-1, impondo aos canários, no seu regresso à Premier League, um baptismo algo desagradável…

Legenda: “Mahrez foi a figura da 1ª jornada da Premier League” Fonte: Facebook do Leicester
Mahrez foi a figura da 1ª jornada da Premier League
Fonte: Facebook do Leicester

… situação que se repetiu em Bournemouth, onde a equipa local foi batida pelo Aston Villa, embora por números menos esclarecedores e que refletem as dificuldades dos villains no jogo de estreia do seu adversário – 1-0, o mesmo resultado conseguido pelo Liverpool para bater o Stoke City e que também demonstra o quão complicado foi para os reds bater o seu adversário (aliás, o golo inaugural só surgiu ao minuto 86, através de um remate de longe de Phillipe Coutinho).

A competitividade do campeonato inglês esteve presente em mais dois campos, com o resultado a ilustrar, também, o quão espectacular é este campeonato: 2-2. O Watford impôs essa igualdade no jogo com o Everton, em Goodison Park, estreando-se em grande estilo no regresso à Premier League e o Newcastle deixou fugir a reviravolta lograda no jogo com o Southampton – começou a perder, deu a volta, mas aos 80 minutos repôs a igualdade num jogo em que Cédric Soares esteve em bom plano, assistindo para o primeiro golo dos Saints.

Uma jornada cheia de golos, de resultados que não eram esperados e de novos protagonistas que fazem salivar os adeptos de futebol pelo próximo fim-de-semana de Premier League.

Figura da jornada: Riyad Mahrez (Leicester City)

O extremo argelino começou 2015/2016 da melhor forma ao contribuir com dois golos para vitória do Leicester sobre o Sunderland (4-2), estando, provisoriamente, no topo dos artilheiros da liga divindo a honra do trono com Yaya Touré.

O trabalho de Mahrez não sobressai apenas pelos golos que marcou. A procura pelo desequilíbrio (3 dribles, 6 remates, números máximos na partida), quase sempre bem sucedida (100% de eficácia no drible, 33% no rácio remate/golo, com um dos remates falhados a bater nos ferros da baliza do Sunderland), e a precisão no passe (80%, números invulgares para um extremo) fazem de Mahrez o jogador da semana e a figura da jornada na Premier League

Treinador da semana: Slaven Bilic (West Ham United)

O croata estreou-se da melhor maneira na Premier League e já fez esquecer, por enquanto, o trabalho de Sam Allardyce – foi ao Emirates vencer o Arsenal por 2-0, apresentando uma equipa coesa e bastante competitiva para fazer frente a uns gunners que, de facto, atacaram muito, mas não conseguiram marcar devido ao excelente trabalho posicional, mas também devido à exibição do guardião Adrián – 6 defesas, três delas de bom nível.

Destaca-se, também, a aposta, arriscadíssima, mas claramente ganha, de Bilic na titularidade de Oxford, um míudo de 16 anos que, com Noble e Kouyaté conseguiu, muitas vezes, secar o meio-campo do Arsenal.

Foto de capa: Facebook do West Ham

Liga Brasileira: Queda Livre

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brasileirao

Nunca fiz. Deve ser divertido, mas não tive, até hoje, oportunidade de experimentar a atividade que dá o nome ao nosso artigo. Mas se (literalmente) deve ser uma coisa engraçada para se praticar, já em sentido figurado não tem tanta graça. Analisemos, então, aquelas que são as equipas que à entrada para o segundo terço do Campeonato Brasileiro podem ser consideradas as desilusões.

Primeiro, claro, o Palmeiras. O Verdão, que há umas jornadas até estava a jogar decentemente, aparece com duas derrotas seguidas e caiu da zona de acesso à Libertadores para um pálido sétimo lugar. O Campeonato foge aos paulistas desde 1994. O Cruzeiro, campeão em título, não poderia fazer muito mais e parece começar agora a recuperação com Vanderlei Luxemburgo. O Santos vai vencendo jogos; todavia, não é suficiente para sair do meio da tabela. São Paulo idem.

Já os cariocas do Flamengo, depois de um início de Brasileirão vergonhoso para os pergaminhos do clube, parece ter encetado agora uma tímida subida na tabela. Os congéneres do Vasco da Gama continuam a travessia no deserto e nem com o título estadual no bolso estão a ser capazes de se motivar para garantirem a permanência no principal escalão do futebol brasileiro.

Na frente, só Atlético Mineiro e Corinthians parecem não dar tréguas: até se imitam nos resultados. Os mineiros lideram com dois pontos de vantagem sobre os paulistas.

O desalento de uns contrasta com a alegria de outros Fonte: odia.ig.com.br
O desalento de uns contrasta com a alegria de outros
Fonte: odia.ig.com.br

Mas a maior queda é, de facto, a do Internacional de Porto Alegre. No grande dérbi daquela cidade – o famoso Gre-Nal – o Colorado foi massacrado e o Grémio brindou o eterno rival com um simples (mas malvado) 5-0. Depois da eliminação na Libertadores, competição para que parecia talhada esta equipa do Inter, os pupilos vermelhos já estão longe de um título que lhes escapa desde a década de 70. E, por falar em história, esta foi a pior derrota no confronto número 407 entre os dois emblemas. Quer dizer, a segunda pior. A vitória mais elástica para o lado gremista aconteceu ainda antes de 1910. E o mais triste para os adeptos do Internacional: perderam o comboio do título (estão a 15 pontos do primeiro lugar) e ainda viram o eterno rival subir para a terceira posição. É curioso verificar, mas o Inter de Porto Alegre tem feito boas campanhas internacionais (duas Libertadores neste século, por exemplo), mas eclipsa-se por completo nas provas nacionais.

Curioso também é o facto de o Atlético Paranaense não perder desde a entrada do nosso Bruno Pereirinha no plantel. É verdade que o português só jogou no primeiro jogo (dos três que já poderia efetuar), mas talvez Pereirinha funcione como uma espécie de amuleto lusitano. E que amuleto! Sexto lugar para o Furacão e a Libertadores está à vista!

Liga Alemã: Nova época, a mesma história

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Um verão bastante seco por terras germânicas. A Bundesliga acabou com o Bayern a mostrar-se avassalador e a nova época inicia-se com o mesmo tipo de pensamento. As equipas que tentaram assaltar o trono dos protegidos de Guardiola não se reforçaram devidamente e o defeso de verão acabou por ser fraco quando comparado com a Premier League, único adversário em termos de poderio financeiro e espetáculo.

Passeio do campeão

Continuar a cumprir internamente e vencer a Liga dos Campeões. O primeiro objectivo é um dado (quase) adquirido. A perda de Schweinsteiger é uma baixa importante na equipa mas não é impossível de contornar. Arturo Vidal e Douglas Costa são os reforços sonantes para 2015/2016. O chileno foi um dos destaques da Copa América e demonstrou o porquê de se auto-intitular o melhor médio da europa. Forte a transportar a bola da defesa para o ataque e com faro para golo, o ex-jogador da Juventus não tem o perfil de jogador que encaixe no que Pep Guardiola costuma exigir, sendo mais físico do que cerebral. Porém, é um craque da cabeça aos pés e certamente conquistará o seu espaço no onze bávaro.

O treinador catalão terá, novamente, a tarefa facilitada e, com rumores de que existe uma proposta interessante vinda do Reino Unido, a meta só poderá ser igual à época fantástica de Jupp Heynckes, para uma despedida em glória de um clube onde nem sempre foi tratado da melhor forma.

As ameaças possíveis

O Wolfsburgo foi rival sem força para conseguir manter-se na corrida até ao fim. O primeiro passo decisivo para tentar manter a vitalidade na luta pelo título foi a manutenção do melhor jogador do campeonato transacto, Kevin De Bruyne. O belga esteve numa forma fantástica e juntou todas as qualidades que se podem desejar num médio-ofensivo: visão de jogo, técnica acima da média, capacidade de trabalho e golos. Sem perder nenhum jogador basilar, os comandados de Dieter Hecking conseguiram reforçar-se de forma astuta (embora não tenha chegado nenhum craque) e ainda enfraqueceram adversários directos como o Gladbach – Max Kruse foi uma das figuras do terceiro classificado da época 2014/2015 e é mais uma opção bastante válida para a frente de ataque.

De Bruyne foi o melhor jogador do último campeonato Fonte: Facebook do Wolfsburgo
De Bruyne foi o melhor jogador do último campeonato
Fonte: Facebook do Wolfsburgo

Um pouco mais abaixo no mapa, temos o Bayer Leverkusen. A equipa de Roger Schmidt, treinador alemão que vai aperfeiçoando o seu estilo de jogo vertiginoso, recebeu um talento incrível nos seu plantel. Christoph Kramer, internacional alemão que esteve emprestado ao Borussia Mönchengladbach, é uma peça que encaixa na perfeição e a dupla com Bender promete. A juntar ao médio, temos Mehmedi, avançado que se destacou no Friburgo, Ramalho (treinado por Schmidt em Salzburgo) e Papadopoulos (em definitivo). Uma equipa que tem o prazer de contar com um dos trios mais entusiasmantes do futebol europeu, composto por Bellarabi, Çalhanoglu e Son, e um treinador com ideias interessantes, ganha o direito a sonhar…

O Borussia Dortmund e o FC Schalke 04 são os outros dois possíveis candidatos. Os amarelos e pretos ficaram sem o carismático Jurgen Klopp, mas tiveram a inteligência de substitui-lo com Thomas Tuchel, treinador jovem e que se rege por valores semelhantes ao do antigo técnico. Marco Reus, Mats Hummels e Ilkay Gündoğan para já ficam e, com a contratação de Gonzalo Castro, conseguem manter uma estrutura capaz de fazer uma época bem superior à anterior; o Schalke teve o dom de se reforçar com cabeça, tronco e membros. Na defesa, Matija Nastastic é investimento seguro, sendo um defesa que tem todas as valências para ser uma referência mundial nessa posição. No meio-campo, Johannes Geis, um dos médios mais talentosos da nova geração alemã, foi resgatado ao Mainz e é um upgrade no meio-campo. Junta-se a promessas como Max Meyer, Goretzka ou Sané, que, sem o ultra-conservador Di Matteo, terão mais espaço para brilhar. Na frente, Franco Di Santo é mais uma opção para fazer frente ao matador Huntelaar.

O Gladbach não parece ter capacidade para lutar pelo título, apesar de ser garantido que vai andar pelos lugares cimeiros. As saídas de Kruse e Kramer são difíceis de colmatar e, mesmo com a presença na Liga dos Campeões, o clube ainda não teve grandes reforços. Drmic entrou para a frente de ataque e Christensen, promissor central do Chelsea, são boas adições a um plantel bastante homogéneo, mas parecem faltar individualidades de maior nível para se juntarem a nomes como Sommer, um dos melhores guarda-redes da Europa, Xhaka, que se tornou num médio de topo, ou Herrmann. Face à falta de investimento, sobretudo se tivermos em conta que esta temporada marca o regresso do clube à liga milionária, Lucien Favre terá novamente de provar por que é um treinador de enorme qualidade. A receita será a mesma de sempre: linhas muito próximas a defender e um futebol de transições do melhor que há.

Os restantes

A competitividade da liga alemã leva a que existam surpresas todos os anos. Alguns históricos vão ficando para trás, estreantes surpreendem e equipas sem história vão apresentando estabilidade e ideias para se desenvolver.

O Augsburgo é um dos casos mais notáveis dos últimos anos. A chegada de Markus Weinzierl marcou uma mudança de objectivos. As duas primeiras épocas na Bundesliga foram passadas no fundo da tabela, mas a Europa é agora um sonho bem real. Depois do 8º lugar na época de 2013/2014, a época passada foi fantástica e o clube alcançou a sua melhor classificação de sempre, um enormíssimo 5º lugar para uma equipa que, com um orçamento limitado e sem jogadores com nome, não pediria muito mais do que o meio da tabela. A próxima época adivinha-se com outras responsabilidades e o primeiro passo para o sucesso já foi dado: não perder o treinador, um dos mais interessantes da liga, e jogadores fundamentais no ano anterior. Baba, lateral-esquerdo em ascensão, deve ser a única saída relevante, estando a caminho do Chelsea por 25 milhões de euros.

O Augsburgo quer continuar a cimentar a sua posição no campeonato alemão Fonte: Facebook do Augsburgo
O Augsburgo quer continuar a cimentar a sua posição no campeonato alemão
Fonte: Facebook do Augsburgo

Ir ao fundo e voltar ao topo. Os históricos Estugarda e Hamburgo tiveram um ano para esquecer e agora é altura de dar a volta por cima. O defeso, porém, não mostrou grande vontade de renovar e alterar este ciclo negativo. O velho conhecido Emiliano Insúa foi um dos dois reforços do Estugarda (o outro foi Jan Kliment, avançado checo que brilhou no Euro Sub-21) e o Hamburgo comprou o experiente Emir Spahic, dispensado do Leverkusen, e a antiga promessa sueca Albin Ekdal. Pouca movimentação para dois clubes que necessitam de um urgente plano de reestruturação.

Esta época terá um cenário bastante improvável numa das ligas mais competitivas do mundo, com duas equipas em estreia absoluta mais alta divisão alemã. O FC Ingolstadt 04, clube impulsionado pela Audi e com nomes interessantes como Robert Bauer ou Mathew Leckie, e o SV Darmstadt 98, que acaba por ser o maior candidato à descida, foram os heróis inesperados da última época e é com curiosidade que vemos a sua presença junto de equipas com outra tarimba.

Emoção, estádios cheios e talento de sobra. Os ingredientes estão lançados e a primeira liga alemã promete muita imprevisibilidade, exceptuando no que ao título diz respeito. O Bayern parte na pole position e dificilmente cairá do trono. Será o vencedor natural ou haverá surpresa na classificação final?

Previsões

Campeão: Bayern

Melhor jogador: Arjen Robben (Bayern)

Melhor marcador: Aubameyang (Dortmund)

Melhor assistente: Kevin de Bruyne (Wolfsburgo)

Revelação: Andreas Christensen (Gladbach)

Foto de Capa: Facebook da Bundesliga

Futsal: Os (candidatos) do costume ao trono

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Devo realçar que, após um hiato superior a um ano, é com enorme satisfação que volto a escrever para o “Bola na Rede”. Quero aproveitar para agradecer a toda a equipa a compreensão para com as minhas dificuldades atuais e a oportunidade que me voltaram a dar de escrever o meu artigo semanal.

Mas, pronto, voltando ao que realmente me traz aqui, a análise da época que se avizinha, é de salientar que, comparando com o que sucedeu no futebol, a pré-época no futsal está a ser, até ao momento, substancialmente mais calma. Mas, até à supertaça, que marca a abertura oficial da nova época, ainda podem ocorrer surpresas de última hora.

O campeão nacional, Benfica, mantém a sua estrutura-base (saíram Mancuso, Pablo del Moral, Xande e Victor Hugo e entraram Fábio Cecílio, Fernando Wilhelm e Mário Freitas, além da promoção de Tiago Fernandes) e é de prever que volte a lutar taco a taco com o outro grande candidato, Sporting, que registou a grande contratação do defeso, o guarda-redes brasileiro Marcão, contratado ao Kairat Almaty do Cazaquistão. É um reforço importante para o Sporting, pois apresenta-se como um jogador que acrescenta experiência ao plantel leonino (já foi campeão europeu pelo seu anterior clube) e também pelo seu passado de águia ao peito. Para além do jogador brasileiro, é de fazer o destaque para a contratação dos italo-brasileiros Alex Merlim, Fortino e Cavinato, assim como para o regresso de Gonçalo Portugal após empréstimo ao Fundão, que colmataram as saídas de Alex, Cristiano, Marcelinho, Fábio Aguiar e Cássio.

Para além dos 2 grandes do nosso futsal, há uma série de outras equipas que muito provavelmente estarão a disputar as fases mais adiantadas do campeonato, de onde se destacam o Sp. Braga, a AD Fundão, o SL Olivais, o Belenenses, os Leões de Porto Salvo ou mesmo o Modicus Sandim, equipas que, a par do Sporting e do Benfica, são as mais fortes candidatas a disputar o play-off, que reúne o top 8 no fim das 26 primeiras jornadas.

O Benfica vai ter a difícil missão de tentar manter o título na Luz Fonte: Blogue 'Benfica 365'
O Benfica vai ter a difícil missão de tentar manter o título na Luz
Fonte: Blogue ‘Benfica 365’

Em termos de estrutura técnica, todos os principais clubes a mantêm. Seja Joel Rocha, campeão e vencedor da taça de Portugal na última época ao serviço do Benfica; Nuno Dias, vice-campeão pelo Sporting e campeão em 2013/2014, que dá sinais de ser um treinador muito astuto e competente ao serviço dos leões e que deseja recuperar esta época o título de campeão nacional; ou mesmo Paulo Tavares, que irá tentar este ano vencer um troféu com o seu SC Braga/AAUM, seja o campeonato ou até a taça de Portugal. Veremos se os Guerreiros do Minho se conseguirão transcender esta época e conquistar um título que seria histórico para o clube minhoto.

A antevisão está feita e resta-nos esperar pelo dia 30 de Agosto para a bola começar a rolar. Será 2016 um ano memorável para Benfica, Sporting ou outro clube qualquer? Quem irá acabar o ano a festejar? Resta-nos acompanhar a ação esta temporada, aproveitando para desejar um ótimo ano a todos os clubes e que no fim possamos todos dizer que ganhou a melhor equipa em campo, seja ela qual for.

Supertaça Europeia’2015: Barcelona 5-4 Sevilha: Catalães vencem a batalha de Tbilisi

O futebol é o melhor desporto do mundo. Ou é, pelo menos, o mais inesperado, imprevisível e inesquecível. A Supertaça Europeia raramente é uma competição com um alto nível exibicional – a pré-época, o desgaste físico das recorrentes competições de Verão e a ainda embrionária organização das equipas não permitem grandes jogos. Mas a edição de 2015 foi a excepção à regra.

Tanto o Barcelona como o Sevilha chegaram a esta final desprovidos de importantes peças dos seus onzes iniciais. Neymar e Jordi Alba estão lesionados e não figuraram na ficha de jogo; N’zonzi, Kolodziejczak e Daniel Carriço estão também ausentes do lado sevilhano. Com a baixa de ambos os centrais, o técnico do Sevilha, Unai Emery, viu-se obrigado a adaptar o médio Krychowiak à posição defensiva. Esta alteração enfraqueceu, e em muito, o meio-campo dos vencedores da Liga Europa. Apesar de ter entrado a ganhar, com um golo logo aos três minutos, a equipa sevilhana rapidamente perdeu a liderança da partida e o controlo do jogo.

E foi exactamente esse sector que ditou a primeira parte do jogo. Um meio-campo fraco, sem agilidade, com imensa dificuldade em transportar a bola da defesa para os homens mais adiantados. Faltavam Krychowiak, Mbia (que saiu para o Trabzonspor) e o reforço N’Zonzi. Lionel Messi mostra que está numa forma impressionante para esta altura da temporada e fez o que quis das linhas mais defensivas do Sevilha. Com um bis em apenas oito minutos, assumiu-se, como é costume, o timoneiro da equipa blaugrana.

A primeira parte desta final foi, aliás, toda ela de Messi. O prodígio argentino encantou com os seus habituais dribles, arrancadas, fintas e investidas ousadas. A equipa de Luis Enrique continua a jogar baseada no rotineiro tiki taka, ligeiramente mais enérgico do que aquele que víamos no tempo de Guardiola. Com um jogo assente na posse de bola, troca-a durante vários minutos, até Messi ou Suárez descobrirem uma linha de desmarcação rumo à baliza. Dani Alves revelou-se rapidíssimo nas transições defesa-ataque e colocou todo o seu talento nas subidas pelas laterais. Foi, também ele, um dos melhores jogadores do Barcelona nos primeiros 45 minutos.

Ainda antes do final da primeira parte, Rafinha consegue ampliar a vantagem. Depois de uma grande defesa de Beto, após remate de Suárez, a defesa do Sevilha congela e deixa os dois avançados completamente soltos. Algo tinha de mudar na equipa de Unai Emery.

E mudou.

O Sevilha entrou na segunda parte com uma atitude diferente, mais rápido, com vontade de dar a volta ao jogo. Mesmo sofrendo um revés – o 4-1 de Suárez, depois de erro de Trémoulinas – os rojiblancos não desistiam e tentavam levantar o espírito, curar a dignidade, trazer de volta o orgulho ferido. A perder por uma diferença de três golos, o Sevilha foi à procura da recuperação e começou a provocar erros no Barcelona. Depois da saída de Iniesta, Vitolo e Reyes arriscam as transições que haviam faltado na primeira metade, e é de um desses contra-ataques que surge o 4-2.

Messi e Suárez eclipsam na segunda parte e o Barcelona tem dificuldade em organizar o jogo, edificar a táctica, criar resultados. O lateral-esquerdo Mathieu passa por inúmeras dificuldades e acaba por cometer grande penalidade, de onde surge o golo de Kévin Gameiro. Nesta altura, o Sevilha é a única equipa que luta dentro de campo, muito graças à entrada do ucraniano Konoplyanka. E é ele mesmo que vai empatar a partida. Jogada formada pelos três homens do banco: Mariano faz o lançamento, Immobile consegue passar por Bartra e Konoplyanka encosta. Aos 52 minutos, o Barcelona estava a vencer por 4-1. Aos 81, o jogo estava empatado a 4.

Pedro foi o herói da partida Fonte: Facebook da UEFA Champions League
Pedro foi o herói da partida
Fonte: Facebook da UEFA Champions League

Sobre o prolongamento, pouco a dizer. A partida desce de nível e o desgaste físico dos jogadores começa a evidenciar-se. Com Coke a central e Mariano a lateral, Krychowiak pode actuar na sua posição de raiz e o meio-campo sevilhano é, pela primeira vez no jogo, estável. Immobile carrega a equipa às costas: o avançado italiano entrou forte, com grande atitude física e de combate.

Mas, mais uma vez, o futebol é imprevisível. O jogador talismã de Pep Guardiola entrou e resolveu a Supertaça. Pedro Rodríguez, que pode muito bem ter feito o seu último jogo pela equipa culé, aproveitou uma defesa incompleta de Beto e fez o 5-4. Se sair, sai pela porta grande.

A final da Supertaça Europeia de 2015 fica na história: tanto pelo número de golos, como pelo nível exibicional. Mariano é jogador a seguir, Immobile vai dar-se bem no Sevilha. A equipa tem bons indícios de completar mais uma frutífera época. Quanto ao Barcelona, Messi corre para a quinta Bola de Ouro, Dani Alves está numa forma impressionante e Iniesta continua a ser o maestro blaugrana. Luis Enrique levanta o troféu, mas Unai Emery merecia mais do que a medalha.

A Figura

Lionel Messi – Apesar de uma segunda parte apagada, o argentino demonstra mais uma vez que a equipa de Barcelona depende das suas investidas rápidas e desmarcações imprevisíveis. Os seus primeiros 45 minutos foram magistrais, com dois golos de livres precisos, marcados com regra e esquadro. Messi caminha a passos largos para a sua quinta Bola de Ouro.

O Fora-de-jogo

Mathieu – Experiente, mas inseguro. Foi assim que se apresentou Mathieu nesta Supertaça, onde, apesar de ter jogado numa posição que não é a sua de raiz, cometeu erros quase inadmissíveis. Provocou o penálti que originou o 4-3, e foi na sua ala que surgiu Immobile, quase sem oposição, quando cruzou para o empate de Konoplyanka. É fraca substituição não só para Jordi Alba, como para qualquer defesa do Barcelona.

Foto de capa: Facebook da UEFA Champions League

Jogadores que Admiro #40 – Henrik Larsson

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Muitos jogadores poderiam merecer atenção neste espaço, tanto pela performance exibida dentro de campo como pelo exemplo transmitido fora dele. Para justificar a minha escolha, remonto aos meus primórdios no que respeita à análise futebolística.

Retrocedo até 16 de Julho de 1994, a uma das minhas primeiras memórias nítidas daquilo que era um jogo de futebol, data em que a Suécia esmagou com contundentes 4-0 a Bulgária de Stoichkov, Lechkov, Balakov, Kostadinov e companhia no jogo de atribuição do terceiro lugar do Campeonato do Mundo dos EUA. Ao lado daquela que, porventura, terá sido a geração sueca mais entusiasmante de sempre, em que pontificavam nomes como Thomas Brolin, Kennet Andersson, Thomas Ravelli ou Klas Ingesson, dava-se a conhecer um jovem avançado de ar excêntrico que não tardaria a substituir as vistosas rastas por uma coroa: explodia para o mundo do futebol o “King of Kings”, Henrik Larsson.

Após um par de épocas a destroçar defesas ao serviço do Helsingborgs, deu o salto para Roterdão em 1993. Com as cores do Feyenoord manter-se-ia até 1997, decidindo então trocar os ares do de Kuip pelo fervilhante ambiente de Parkhead. Aos 25 anos, o promissor jogador começaria a cunhar o estatuto de lenda entre os Católicos de Glasgow.

A história tem destas curiosidades, que só o tempo permite avaliar sem que deixemos de esboçar um ténue sorriso; Larsson iniciou o seu trajecto ao serviço do Celtic com a difícil missão de fazer esquecer um ponta-de-lança de fartos caracóis, um autêntico manancial de golos que dava pelo nome de… Jorge Cadete. O internacional português – que após a sua passagem pela Escócia jamais exibiria os pergaminhos que fizeram dele um dianteiro reputado – deixara uma herança de 38 tentos em 47 jogos. Uma herança pesada, de facto, mas o sueco encarregar-se-ia de demonstrar que estava à altura do desafio. Durante as sete épocas ao serviço do clube, alcançou a proeza de assumir por quatro ocasiões consecutivas (num total de cinco) o lugar mais alto do pódio dos melhores marcadores da liga. Na temporada de 2000-01, os seus 35 golos valeram-lhe a conquista da Bota de Ouro, prémio atribuído ao melhor marcador entre os vários campeonatos europeus.

O seu apurado killer instinct quase custou a primeira Taça UEFA ao FC Porto de Mourinho na época de 2002-03. Na final de Sevilha, Larsson tratou de refrear os ânimos portistas por duas vezes, repondo a igualdade após os golos de Derlei e de Alenitchev. A sua glória nas competições da UEFA chegaria mais tarde.

Henrik Larsson é uma verdadeira lenda do futebol sueco Fonte: givemesport.com
Henrik Larsson é uma verdadeira lenda do futebol sueco
Fonte: givemesport.com

Após uma emotiva despedida, assinaria pelo todo-poderoso Barcelona. Quis o destino que o seu primeiro jogo europeu com a camisola blaugrana fosse precisamente contra o seu Celtic, marcando um golo à sua antiga equipa em pleno Celtic Park. Pelos catalães, pese embora o facto de ter alcançado um menor número de golos nas duas épocas em que representou o clube, foi decisivo na conquista da Liga dos Campeões de 2005-06, ao assistir Eto’o e Belletti para os dois golos decisivos frente ao Arsenal.

Após uma passagem de menor fulgor de um ano em Old Trafford, regressou ao seu país natal, onde viria a representar ainda o Helsingborgs, o Råå e o Hogasborg, clube no qual iniciou a sua carreira. Actualmente, aos 43 anos, treina o Helsingborgs.

Henrik Larsson construiu a sua carreira sobre golos, muitos golos, mas também sobre um fino recorte técnico, predicados que lhe valeram o reconhecimento de companheiros de equipa, de adversários e dos amantes do futebol em geral.

Um dos mais cotados avançados das últimas duas décadas, uma das mais ilustres figuras do Celtic. Em suma, uma lenda.

You’re my Larsson
My Henrik Larsson
You make me happy when skies are grey
We went for Shearer but he’s a winker
So please don’t take out my Larsson away

Foto de Capa: PicPicx.com