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Sporting 1-0 Vitória de Guimarães: Mais perto dos milhões

Ze Pedro Mozos - Sob o Signo do Leao

Os cerca de 35 mil adeptos presentes no estádio protagonizavam um momento de excelente ambiente em Alvalade (mais uma vez) para receber um dos grandes jogos da Liga Portuguesa. Sporting e Vitória de Guimarães partiam para esta partida em posições opostas: o clube leonino vinha com uma série de seis jogos sem perder; os vimaranenses contavam com um registo de cinco jogos consecutivos sem ganhar.

As equipas entraram em campo algo tímidas, embora o panorama pudesse ter sido bem diferente caso Slimani, logo nos minutos iniciais (6’), tivesse optado por rematar em vez de simular uma grande penalidade – o que lhe valeu, e bem, a amostragem de um cartão amarelo. O Sporting cedo assumiu o controlo da partida, impondo o ritmo de jogo. Ainda que de forma paulatina, o clube de Alvalade foi-se instalando no meio campo adversário, criando boas jogadas, sobretudo pelos corredores, mas que raramente acabavam em bom porto. O futebol praticado pelos leões era atraente e seguro. De destacar as excelentes iniciativas do jovem Carlos Mané e os remates perigosos de Jefferson (8’) e de Slimani (41’), tendo este último sido desviado para canto. Do outro lado, a única oportunidade que a equipa minhota conseguiu criar durante toda a primeira parte foi um remate a meia distância de Crivellaro (14’) que passou perto da baliza defendida por Rui Patrício depois de ter embatido em Maurício.

O intervalo chegou, e apesar de o controlo do jogo ter pertencido ao Sporting, principalmente numa fase mais inicial, nenhuma das equipas se tinha superiorizado em relação à outra. Talvez apercebendo-se de que, apesar de ter controlado e dominado a primeira parte, o Sporting teria de ser mais agressivo, Leonardo Jardim aproveitou a pausa regulamentar para mexer na equipa: fez entrar Montero para o lugar de Heldon.

Com o recomeço do jogo apareceu o primeiro e único golo da noite. Na sequência de um canto a bola sobra para o lateral esquerdo dos leões, Jefferson, que centra para o coração da área do Vitória de Guimarães, onde Marcos Rojo, após dominar, remata à meia volta e a bola acaba por entrar na baliza adversária, depois de desviar em Moreno. Com alguma sorte à mistura, o Sporting entrou na segunda parte a ganhar. A reacção do Vitória de Guimarães não foi imediata, e até aos 60 minutos de jogo o Sporting podia ter aumentado a vantagem no marcador: primeiro num bom lance de ataque do Sporting que acabou num remate de Diego Capel, após passe de cabeça de Slimani, que o guarda-redes vimaranense defendeu com eficácia (56’); e depois num contra-ataque do Sporting que Montero finalizou. A bola acabou mesmo no fundo das redes, mas o juiz da partida anulou (mal) o golo ao colombiano por alegado fora-de-jogo (59’). Montero podia ter acabado com o jejum de golos, que já dura há mais de três meses, mas o árbitro assim não entendeu.

Marcos Rojo tem vindo a afirmar-se no Sporting e hoje foi o homem do encontro, marcando o único golo da partida Fonte: Zerozero.pt
Marcos Rojo tem vindo a afirmar-se no Sporting e hoje foi o homem do encontro, marcando o único golo da partida
Fonte: ZeroZero

Rui Vitória acusou o toque e decidiu mexer na equipa, pois a estratégia delineada no intervalo não estava a resultar. Fez entrar em campo Tiago Rodrigues e Malonga, por troca com Barrientos e Crivellaro, respectivamente (61’). O jogo entrou numa fase em que ambas as equipas procuravam o golo, mas as mexidas na equipa do Vitória de Guimarães tiveram mais sucesso e as oportunidades iam começando a surgir, embora nenhuma chegasse a representar uma oportunidade real de golo para nenhum dos lados. A equipa minhota chegou mesmo a estar por cima nalgumas fases da segunda parte, mas a coesão do Sporting e a concentração ajudaram a que as oportunidades criadas não acabassem no fundo da baliza de Rui Patrício. Até ao fim da partida o Sporting segurou o resultado – Leonardo Jardim substituiu Carrillo por Slimani (74’) e André Martins por Carlos Mané (81’) – e o Vitória de Guimarães fez tudo o que pôde para igualar o resultado, mas as tentativas de Tiago Rodrigues (71’) e de Malonga (76’ e 90+2) não foram suficientes para alcançar esse objectivo. O Sporting solidifica, assim, a segunda posição quando já só restam cinco jornadas para o fim do campeonato.

O clube verde-e-branco conquista três pontos preciosos contra uma equipa que deu luta até ao fim. Isto numa jornada em que os seus principais rivais, Benfica e Porto, têm deslocações perigosas (a Braga e à Choupana). O Sporting cumpriu mais uma vez e passou a pressão para os adversários. O clube leonino já começa a vislumbrar os milhões da Champions de perto.

A Figura: Marcos Rojo

O defesa central do Sporting tem vindo a crescer muito ao longo desta época. Está a jogar a um nível altíssimo e faz com Maurício a segunda melhor dupla de centrais em Portugal. Hoje esteve em principal destaque por ter marcado o único golo do encontro, mas é na defesa que se tem revelado um grande jogador.

O Fora-de-jogo: Islam Slimani

O avançado do Sporting não conseguiu justificar a titularidade. Duas simulações escusadas, alguns passes errados, outros tantos maus domínios e remates falhados fizeram com que a titularidade do argelino seja posta em causa mais uma vez. Pelo que vi hoje, eu, na próxima jornada, optaria por Montero.

O Passado Também Chuta: Rabah Madjer

o passado tambem chuta

Portugal tem dado jogadores ao Mundo que espantam. Não é um Pais, neste aspeto, carente. Nas últimas décadas, para ultrapassarmos um bocado as décadas de 1950-1960, podemos mencionar de centrais a avançados. Podemos viajar desde Fernando Chalana até Cristiano Ronaldo, passando pelo Figo, Paulo Sousa ou Rui Costa. No entanto, ainda que não seja uma liga rica, também foi visitada por treinadores universais, como o genial Helénio Herrera, ou jogadores como o Yazalde, Mozer, Cubillas ou o recente Falcão. No entanto, quando o FC Porto começou a subir na escala de valores competitivos, apareceu um avançado argelino que, quando se lembrava, fazia dançar a relva e a bola. Chamava-se Rabah Madjer. Ousou meter um golo de calcanhar numa final da Taça da Europa.

Se repararmos, observamos o crescimento do FC Porto; o salto que dá desde a posição do terceiro clube português para a posição de clube hegemónico, superando nitidamente o Benfica e o Sporting, apoia-se, entre outras coisas e muitas polémicas relacionadas com o Pinto da Costa, na capacidade de saber escolher tanto treinadores como jogadores. Uma dessas maravilhosas escolhas foi, sem dúvida, Madjer. A bitola de melhor jogador argelino de sempre, na Europa, diz pouco, mas neste caso diz muito. Diz tudo. Era acusado de permanecer apático, mas a sua apatia nada tinha a ver com a indolência. Estava relacionada com a inspiração, com o sino da aldeia que avisa que é dia de romaria. Anuncia tanto o invulgar atrevimento de um calcanhar, como a penetração por uma ala por onde avança, depena e coloca a bola franca para um colega (Juary) rematar e vencer o poder e símbolo do futebol alemão.

O golo de calcanhar Fonte: Porta19.com
O golo de calcanhar
Fonte: Porta19.com

Madjer tem uma lacuna, mas outros jogadores geniais, como o mágico Gonzalez ou o próprio Alves, ainda que triunfassem na Liga Espanhola, também não passaram de equipas pequenas. No caso que me ocupa, Madjer chegou a um segunda fila espanhol bastante conceituado, que tem disputado títulos na Europa e em Espanha, mas passou absolutamente desapercebido. O Valência não viu o melhor Madjer. Não foi o jogador genial que maravilhou Portugal e a Europa, defendendo a camisola do FC Porto.

Teve a virtude de classificar a seleção da Argélia para o Mundial de Espanha e não passou desapercebido. Notabilizou-se. Portanto, consagrou-se também nesta importante competição. Não sei se é o melhor estrangeiro que passou por Portugal, mas, sem dúvida, foi o estrangeiro mais notável que passou pelo FC Porto e por Portugal. Os mitos do clube das Antas, como o Pinga, Barrigana ou Hernâni, ficaram bastante aquém deste argelino que marcou um dos golos mais maravilhosos numa final da Taça da Europa e foi absolutamente determinante.

Chegou ao FC Porto procedente do Tours, depois de passar pelo Racing de Paris. Vestiu a camisola azul e branca em duas épocas diferentes, antes e depois da sua estada no Valência; depois, arrumou as botas a jogar no Qatar SC. Jogou na Europa entre a época de 1983-1984 até a época de 1990-1991. Tem, sem dúvida, direito a reinar no Olimpo tanto do FC Porto como no Olimpo dos grandes.

Querem ver? Querem ver que vamos ter um top 30?

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cab ténis

Há semanas, escrevi aqui que poderíamos pensar em ter João Sousa no top 30 do ranking mundial ATP a relativamente curto prazo. Confesso agora que, quando o escrevi, não estava totalmente confiante do que estava a dizer. Não por ele, mas por mim.
Não tinha realizado grandes cálculos – tinha visto a “coisa” por alto -, mas sabia que era possível. Acima de tudo, sabia porque conheço a capacidade de trabalho do João Sousa e do seu técnico, e da forma ponderada e profissional como estão a enfrentar este decisivo ano da carreira do jovem vimaranense.
Na próxima Segunda-Feira, João Sousa vai ser nº 38 do ranking ATP, ao que tudo indica. Será o primeiro tenista português dentro do top 40, e fica a “apenas” oito lugares do mítico e psicológico top 30. Não me “armando aos cucos”, eu sou do tempo em que Portugal lutava para ter um tenista no top 100, em que um 80º lugar era uma verdadeira maravilha, e eis senão quando aparece, no Estoril Open 2008, um “miúdo giro”, com um jogo interessante, escolha espanhola, e começa a ganhar encontros, só parando em frente a Frederico Gil.
A história acaba por nos dar estas prendas. Em 2008, Gil derrotou João Sousa, mas, a partir daí, e obviamente com altos e baixos, João Sousa passou a ser o futuro. E está a sê-lo, com um presente excelente, mas um futuro que pode ser brilhante.
Para quem não acompanha diariamente a modalidade, o que significa um top 30 de João Sousa é basicamente ter um tenista português 50 lugares acima do melhor tenista brasileiro, quando o Brasil tem cerca de 80 jogadores com ranking mundial e Portugal tem pouco mais de 20.

João Sousa Fonte: Mais Futebol
João Sousa
Fonte: MaisFutebol

É ter um português a dar cartas, quando o Brasil tem uns Jogos Olimpicos 2016, e o seu ténis não dá sinais de “andar para a frente”. Não é uma comparação maldosa, é uma comparação necessária para entendermos as barreiras que João Sousa está a quebrar e a imagem que está a passar do ténis português em todo o circuito mundial.
Neste momento, digo-o com mais confiança. Sim, podemos ter um tenista português no top 30. Sim, não julguei isto ser possível em tão pouco tempo. Sim, temos jovens recheados de potencial e que estão a trabalhar de forma profissional. Sim, o João Sousa e o Frederico Marques, seu técnico, pelo seu método de trabalho, humildade, esforço e sacrifício que colocam em campo, merecem tudo o que de bom lhes podemos desejar.
O ténis português talvez ainda não saiba, mas está a criar-se uma dívida de gratidão eterna para com estes dois mosqueteiros do ténis, principalmente para com o João, claro.
Lembro-me de um jogador de fim-de-semana ter dito uma vez: “eu comecei a jogar ténis porque via o Nuno Marques na televisão”. O Nuno Marques foi nº 86, portanto imaginem o impacto de João Sousa nos mais novos, naqueles que nunca pensaram pegar numa raquete.

Obrigado!

P.S. – É impossível não falar de João Sousa. Equiparem isto à fase do Benfica, em que estamos a antever o campeonato; aqui, é estar a antever o sucesso.

A final de Braga

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nascidonafarmaciafranco

Quase como se de uma sina se tratasse, depois da derrota no Dragão e com a recta final do campeonato à vista, o Benfica tem necessariamente que estar a “dar as últimas” e a pôr termo a uma campanha louvável que vai ter que terminar, também de forma inevitável e necessária, com um descalabro no final da época. Não, ninguém encomendou esta novela ao Tozé Martinho.

Não é, de facto, remoto pensar que, à excepção da deslocação ao Dragão na última jornada, este jogo diante do Braga se assemelha o mais difícil para a equipa encarnada até ao fim do campeonato. Ainda assim, esta é uma leitura que não gosto nunca de fazer: quem diria que o Benfica iria ceder pontos ao Arouca em casa?; e as sofridas vitórias frente ao Olhanense e frente ao V. Setúbal (neste último que foi, possivelmente, o pior jogo do Benfica esta época)? Não vai o Benfica ainda a Arouca? Não vai o Benfica receber o V. Setúbal e o Olhanense naqueles em que alguns já dizem ser os jogos do título? Se há coisa que não há no futebol é linearidade e é sempre mais cauteloso e consciente aquele que pensar assim. No entanto, para além daquilo que é a “matemática da bola” ou as novelas que se possam escrever em relação ao futuro do Benfica, o jogo de Braga tem, de facto, a sua importância.

Na primeira volta as águias ganharam por 1-0 em casa Fonte: O Jogo
Na primeira volta as águias ganharam por 1-0 em casa
Fonte: O Jogo

Por um lado, é importante garantir que depois das casas que houve frente ao Estoril e à Académica, a Luz não mais se volte a despir até ao fim da temporada. Por outro, é inegável considerar que o conforto pontual do campeonato permite pensar as restantes competições com outra margem e com outra ponderação. Assim, o jogo frente a um Sporting de Braga que não é dos melhores das últimas temporadas – e que se vai apresentar desfalcado (nota para as ausências de Alan, Custódio e Nuno André Coelho) – é uma importante barreira a ultrapassar, assim como é a de ultrapassar todos os demais jogos. A filosofia de que o próximo jogo é sempre o mais importante deve imperar para que as aspirações benfiquistas não se esgotem antes de serem efectivamente alcançadas. O Benfica tem equipa, sistemas e soluções para vencer o jogo em Braga e geri-lo com qualidade e não acredito que a derrota no Dragão ou esta pressão para o jogo de domingo entre no balneário. Numa equipa como o Benfica, não pode sequer entrar.

Como diz um benfiquista e meu companheiro: “Uma época com o campeonato ganho nunca é uma má época”. Fora de “abracinhos” no Dragão e de polémicas baratas – também podia aproveitar este artigo para falar sobre a nomeação do árbitro –, quero acreditar, como já aqui referi, que Jesus sabe quais são as suas prioridades e que por isso mesmo prepara a sua equipa nesse sentido. Se assim será ou não, cá estaremos para ver.

Da Camacha, com competência e qualidade

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milnovezeroseis

Caro leitor,

Cumpriu-se, na passada quinta-feira, o primeiro ano de mandato de Bruno de Carvalho à frente do Sporting Clube de Portugal. É inegável reconhecer que, até ver, os méritos daquele que (re)colocou o clube de Alvalade na senda do sucesso são notórios. Os leões são, hoje, um clube que impõe respeito aos adversários, sendo, também, eximiamente, conduzido precisamente por Bruno de Carvalho. Todavia, a meu ver, a maior vitória do Presidente leonino, até ao presente momento, vem da Madeira: Leonardo Jardim, de seu nome.

Após ter cumprido o que restava da época, aquando da sua eleição, com Jesualdo Ferreira ao leme da equipa, Bruno de Carvalho decidiu eleger, para a presente temporada, Leonardo Jardim como timoneiro dos verde-e-brancos. Confesso que a não-renovação com o Professor Jesualdo me deixou, na altura, de pé atrás. Penso que foi, até, um sentimento transversal a todos os adeptos leoninos. Porque não renovar contrato com um treinador que, numa época de total desastre, conseguiu colocar a equipa a jogar um futebol relativamente atractivo? Porque não renovar contrato com um treinador com cartas dadas no futebol português? Foram questões que, na altura, se revestiam de uma total pertinência, mas que obtiveram uma resposta perfeita por parte de Bruno de Carvalho. Leonardo Jardim é, pois, essa resposta.

Leonardo Jardim é uma aposta ganha por parte de Bruno de Carvalho  Fonte: O Jogo
Leonardo Jardim é uma aposta ganha por parte de Bruno de Carvalho
Fonte: O Jogo

 Com uma passagem fugaz, mas imaculada, pela Grécia, Leonardo Jardim aterrou em Alvalade sob a égide da incerteza. É certo que o madeirense tinha mostrado serviço quer em Braga, quer na Grécia, onde comandou o Olympiakos, mas teria o treinador a qualidade necessária para comandar um grande como o Sporting? A verdade é que Leonardo Jardim tem desfeito todas as dúvidas que existiram face à sua capacidade de conduzir o clube de Alvalade.

Dono de uma competência e liderança notáveis, o natural da Camacha tem obtido variadas vitórias ao leme do Sporting. Em primeiro, surge o facto de a equipa leonina ter voltado a praticar um futebol de alto quilate, o que se repercute nos resultados devera positivos. Pessoalmente, creio que os triunfos de uma equipa devem-se, em grande parte, à agilidade e competência do treinador que a comanda. Paralelamente, Leonardo Jardim tem, em jogadores como Carlos Mané, ou até Slimani, duas apostas claramente ganhas. Hoje, estes são jogadores fulcrais para o Sporting. Por último, mas não menos importante, o sistema de 4x3x3 implementado é encarnado de forma excelente pelos jogadores leoninos, fazendo parte da lei de sobrevivência de uma equipa jovem mas, à semelhança do treinador, competente, e que é, sem dúvidas, das melhores do últimos anos do Sporting. E isso deve-se a Leonardo Jardim.

Ayoze Pérez: uma estrela em ascensão?

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O Club Deportivo Tenerife, um clube modesto com um histórico de apenas 13 presenças na principal Liga Espanhola, tem uma nova estrela nas suas fileiras: Ayoze Pérez.
Se actualmente o Tenerife milita na 2ª Divisão espanhola, recentemente promovido da 2ª Divisão B, foi entre 1990 e 1999 que viveu a sua «época dourada»: durante esse período chegou a disputar uma meia-final da Taça UEFA sob o comando técnico de Jupp Heynckes e conseguiu terminar a Liga Espanhola por duas vezes na quinta posição. Foi nesta «época dourada» que apareceram alguns dos talentos que posteriormente brilharam nos mais diversos clubes e que, pese embora não fossem da cantera do clube, fizeram do Tenerife o ponto de partida para as suas carreiras – Fernando Redondo, que chegou ao clube com 20 anos e que durante 4 temporadas espalhou magia pelos relvados do Heliondo Rodriguez Lopez (estádio do Tenerife); o controverso Sergio Ballesteros; Juan Antonio Pizzi, que chegou a ser Pichichi no ano de 1996 pelo clube antes de se transferir para o Barcelona; ou ainda Mista, que cresceu no clube para depois ir brilhar no Valência e que foi a duas finais da Champions League.

Hoje em dia, o clube, que financeiramente não vive os melhores dias, tem tido dificuldades em conseguir resultados condizentes com a sua história. Depois de dois anos na 2ª Divisão B, este ano conseguiu subir a muito custo e está a disputar a 2ª Liga Espanhola, também conhecida como Liga Adelante. Viviam-se dias de preocupação e bastante apreensão porque o clube não parecia ser capaz de lutar por nada mais que não fosse a manutenção nessa mesma divisão. Mas eis que chegou Ayoze Pérez.

Com apenas 20 anos, Ayoze Pérez é a estrela do conjunto insular  Fonte: El Día
Com apenas 20 anos, Ayoze Pérez é a estrela do conjunto insular
Fonte: El Día

Nascido em Santa Cruz de Tenerife em 27 de julho de 1993, proveniente da equipa B do Tenerife, chegou à equipa principal com apenas 19 anos. No ano transacto fez 8 jogos como titular, marcou 1 golo e fez um final de temporada assombroso, ajudando o clube na subida. Esta época, confirmou-se como um titular indiscutível, levando já 16 golos e 5 assistências e tendo transformado uma equipa que parecia não ter capacidade para mais do que para lutar pela manutenção numa equipa que está actualmente nos postos de play-off para disputar a subida de divisão.

Ayoze Pérez, agora com 20 anos, tem carregado autenticamente a equipa às costas: marca e dá a marcar, tem uma mobilidade impressionante, faz da velocidade e do recorte técnico as suas maiores armas. Com um excelente pé direito, é um avançado com um faro de golo muito apurado que joga muito bem nas costas do ponta-de-lança, descaindo para qualquer uma das alas, adaptando-se perfeitamente a estes terrenos.

Embora seja polivalente na frente de ataque, parece ser como segundo avançado, onde tem liberdade para aparecer um pouco por toda a frente de ataque, que melhor se sente. É umas das várias estrelas da Segunda Divisão espanhola e o seu treinador não tem qualquer dúvida em afirmar: “É o melhor jogador que treinei até hoje”.

Ayoze Pérez tem sido seguido por vários clubes importantes – Real Madrid, FC Porto ou Manchester City já perguntaram por ele. É certo e sabido que este será o seu último ano como jogador do Tenerife, uma vez que este é o seu último ano de contrato. Sendo um jogador desta qualidade e auferindo um salário que não chega sequer aos mil euros, fica fácil para qualquer clube com outro nível e outra disponibilidade financeira aliciá-lo com um contrato interessante. É jovem, é talentoso e é humilde. Precisa de trabalhar muito, e de crescer ainda mais, mas com a qualidade que demonstra não lhe será dificil impor a sua qualidade.

Quando o Rali de Portugal era a maior festa nacional

cab desportos motorizados

Durante anos, o Rali de Portugal e a Volta a Portugal em bicicleta competiam para ser o maior marco desportivo anual português. Eram dias de festa – o povo saía à rua para ver passar os carros e os ciclistas à porta de suas casas.

Hoje, o rali está concentrado no Algarve, região com menos tradição nestas andanças, mas considerada ideal para a sua realização, por haver menos público nas estradas do que no Centro e no Norte do país. De facto, esta opção pelo Algarve pode considerar-se positiva; voltámos a ter o WRC cá graças a isso.

Mas vamos voltar às origens. As tardes e noites de Sintra e Fafe ainda hoje deixam saudades, e, ao mesmo tempo, fazem desejar o seu regresso; a prova é o Fafe Rally Sprint, que se vai disputar pelo terceiro ano seguido. Esta é uma prova que reúne os principais pilotos e equipas que participam no Rali de Portugal, e também alguns pilotos que tenham interesse em tal. São milhares de pessoas, que não vêm só de Portugal para ver esta prova. Uma verdadeira multidão que não deixa ninguém indiferente e que cria um ambiente melhor do que na grande maioria dos estádios de futebol. Uma prova de fidelidade e amor à modalidade por parte dos nortenhos. Adruzilo Lopes disse, em entrevista ao Autosport, que “no Confurco, ver aquelas bancadas naturais a ganhar vida… é impossível descrever o que isto faz a um piloto”. Esta é apenas uma de muitas centenas de declarações do género, que os vários pilotos deixam depois de fazer esta especial.

Mas não existiam só coisas boas, nesta que foi por várias vezes considerada a melhor prova do mundial. Os pilotos queixavam-se, frequentemente, da irresponsibilidade dos espetadores portugueses. O público, de facto, era irresponsável. Era frequente ver pessoas no meio dos troços; mais frequente ainda era só saírem da estrada mesmo no último segundo. O ano de 1986 mostra o episódio mais triste desta irresponsabilidade. Joaquim Santos, no seu Ford RS 200, ao fugir de uns espetadores mal posicionados, despistou-se e colheu várias pessoas, matando duas logo nesse momento e ferindo dezenas. Foi mais um passo para o fim do grupo B, os melhores carros de sempre no mundo dos ralis. Mas vejamos o lado positivo deste acidente: deu-nos a única vitória portuguesa no WRC. Joaquim Moutinho e o seu Renault 5 Turbo foram os protagonistas.

Agradável surpresa!

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cab futsal

Hoje, para fugir à rotina habitual da minha escrita e diversificá-la, vou falar sobre uma equipa que admiro muito e que me surpreendeu de forma muito positiva este ano: os Leões de Porto Salvo.

Os Leões de Porto Salvo apresentam-se como uma equipa amadora, obviamente, mas com uma entrega e atitude de profissionais. Se olharmos para os recentes resultados e os compararmos com o passado desta equipa, apercebemo-nos de que há uma tremenda evolução.

Nos últimos anos, o clube tem efetuado boas temporadas, estando regularmente entre os oito melhores clubes de Portugal. Na época de 2011/2012, os Leões de Porto Salvo ficaram em quinto lugar, tendo atingido as meias-finais do play-off de campeão. Em 2012/2013, alcançaram a sexta posição na competição e os quartos-de-final no play-off de campeão.

Este ano, a equipa está a realizar uma excelente temporada, estando isolada no quarto lugar e ainda a lutar pelo terceiro. Está a quatro pontos do Braga e, faltando apenas três jornadas para o final da Fase Regular, necessita de não perder pontos e de esperar que a equipa bracarense perca pontos, o que, na minha opinião, não será nada fácil.

Para a equipa de Oeiras, faltam três jogos para terminar a fase regular. Para a finalizar, terá ainda de defrontar o Rio Ave em casa, o Póvoa Futsal fora e o Dramático de Cascais, em Cascais.

 

Classificação da fase regular do Campeonato Nacional de Futsal Fonte: Zerozero.pt
Classificação da fase regular do Campeonato Nacional de Futsal
Fonte: Zerozero.pt

 

O jogo frente ao Rio Ave será certamente muito complicado, devido ao facto de os vila-condenses estarem a apenas um ponto do Fundão e de esta equipa receber o Braga, ou seja, uma perda de pontos do Fundão e uma vitória do Rio Ave leva-os ao quinto lugar da classificação. Relativamente ao jogo contra o 12º classificado, Póvoa Futsal, prevejo uma partida intensa e complicada, onde o adversário tudo fará para conquistar os respetivos três pontos.

Quanto ao jogo com o Cascais, este será igualmente difícil, porque a equipa tem a manutenção quase assegurada e ainda luta pelo último lugar que dá acesso ao play-off, dependendo de outros resultados, obviamente.

Para mim, esta equipa é uma enorme revelação, e o seu treinador, Ricardo Lobão, de 44 anos, está a fazer um belíssimo trabalho e merece todo o crédito pelas exibições da sua formação.

É treinador desta equipa desde 2010, sendo esta uma aposta de continuidade que está a dar frutos bem visíveis, contribuindo em grande medida para a melhoria do futsal português.

Este ano, ao longo de todas as jornadas já disputadas, esta equipa alcançou resultados excecionais.Em seguida, enumero alguns resultados que, na minha ótica, são muito positivos e espantosos.

Jornada 2: Leões de Porto Salvo 7-5 Braga

Jornada 3: Belenenses 4-9 Leões de Porto Salvo

Jornada 5: Benfica 2-2 Leões de Porto Salvo

Jornada 7: Académica 5-10 Leões de Porto Salvo

Jornada 8: Leões de Porto Salvo 12-5 Modicus

Jornada 9: Fundão 3-9 Leões de Porto Salvo

Jornada 10: Leões de Porto Salvo 8-3 Boavista

Jornada 11: Rio Ave 1-4 Leões de Porto Salvo

Jornada 16: Leões de Porto Salvo 8-3 Belenenses

Jornada 17: Sporting 6-5 Leões de Porto Salvo

Jornada 18: Leões de Porto Salvo 3-2 Benfica

Jornada 21: Modicus 1-5 Leões de Porto Salvo

Jornada 23: Boavista 2-3 Leões de Porto Salvo

 

O resultado obtido logo na segunda jornada, diante do Braga, mostrou que esta equipa iria fazer uma temporada destemida – grande vitória! O empate no Pavilhão da Luz, na quinta jornada, deixou muitos adeptos chocados, mas o resultado foi claramente justo, mostrando mais uma vez que esta equipa jogava de igual para igual em qualquer campo. A derrota na jornada 17, diante do Sporting, por 6-5, foi claramente injusta. A equipa visitante foi superior ao campeão nacional e não merecia ter perdido daquela forma. Recordo que o Sporting esteve a perder até ao final da partida, mas num minuto acabou vencedor, com um golo em cima do toque da buzina de jogo. Uma partida controversa e um resultado claramente injusto para a equipa visitante!

Coincidência ou não, depois desta derrota, a equipa dos Leões de Porto Salvo venceu o Benfica, por 3-2, voltando a realizar uma excelente exibição.

Faltam quatro jogos para esta equipa terminar a época (em seguida, seguem-se os play-offs) e antevêem-se quatro partidas difíceis, em que o espírito lutador e o espírito de grupo estarão mais uma vez à prova. A equipa viajará até Maia, para defrontar o Arsenal Parada, equipa de escalões inferiores, num jogo que será certamente complicado. Contudo, antecipo uma passagem às meias-finais da competição por parte dos Leões de Porto Salvo.

Caso a passagem se suceda, será mais um grande feito para esta equipa e respetiva equipa técnica.

FC Porto, o bicho papão

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Terceiro Anel

Era uma vez um menino chamado Jorge Jesus, bastante mexido, que para adormecer tinha sempre de ouvir uma história. E, normalmente, essa história girava sempre em volta de um bicho papão, chamado Futebol Clube do Porto, que fazia muito mal a um clube chamado… Sport Lisboa e Benfica.

Em quase todas as versões da história, contada ao menino que já naquela tenra idade mascava pastilha elástica, o local do enredo era o Estádio do Dragão, no Porto. E a primeira versão desta apaixonante trama passou-se em Maio de 2010, quando o Benfica tinha tudo para ser campeão. Se a equipa de Lisboa vencesse, sagrar-se-ia logo na altura campeã nacional. Contudo, o bicho papão não deixou que isso acontecesse! Criando um ambiente de terror, com grande animosidade nas bancadas, e dando tudo em campo, o bicho papão deu cabo do Benfica, marcando três golos sem dó nem piedade, numa partida em que a equipa da casa jogou com uma raiva tremenda, bloqueando por completo o adversário, que assim não pôde festejar logo naquela altura o título nacional. Esta história tocou bem lá no fundo do petiz Jorge Jesus, que não se aguentou… e chorou.

Alguns dias depois, e lá estava Jorge Jesus irrequieto, sem sono, vociferando em alta voz. Para ele acalmar, lá lhe foi contada mais uma história. E que história! No princípio de Novembro de 2010, no Estádio do Dragão, o bicho papão voltou a dar cabo do Benfica, mas desta feita com muitos mais requintes de malvadez! Com um futebol arrasador e a encher todo o campo, o bicho papão goleou o Benfica por 5-0, aproveitando, e de que maneira, uma noite em que o treinador da formação lisboeta parecia estar sob o efeito de substâncias duvidosas, tais foram os disparates tácticos que cometeu ao longo do desafio.

Mais dias volvidos, e o menino Jorge Jesus voltava a fazer das suas. E, para ele sossegar na sua caminha, mais uma historinha. Esta menos intensa, não tão dramática, mas em que ficou vincada a influência do bicho papão. Em Setembro de 2011, mesmo com um bicho papão mais calmo e com pouca chama, o treinador do Benfica decidiu, em especial na primeira parte, jogar com as linhas recuadas e não sair do meio-campo. Resultado final: empate a dois golos, num jogo em que o Benfica deveria ter arriscado mais.

FC Porto, o eterno monstro para o Benfica Fonte: Zerozero.pt
FC Porto, o eterno monstro para o Benfica
Fonte: ZeroZero

Depois… uma história de autêntico terror. Uma história de choque, mesmo para perturbar o pequeno Jorge Jesus, que se havia comportado de uma forma terrível ao longo do dia. Em Maio de 2013, o Benfica tinha o título nacional na mão, mas, no Estádio do Dragão, voltou a ser derrubado pelo bicho papão do FC Porto, sem dó nem piedade. No último suspirar do jogo, do nada, um tal de Kelvin, com um remate de fora da área, acabou por colocar em depressão seis milhões de pessoas em Portugal. Que drama, que enredo, que coisa feia! O imparável Jorge Jesus, criança complicada, ajoelhou-se, ficando perplexo com aquilo que acabara de ver.

Nesta terça-feira à noite, novamente uma história impactante, para fazer o jovem Jorge Jesus fechar os olhos. Estádio do Dragão, primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, Bicho Papão vs Benfica. O desfecho, mais uma vez, não foi o melhor para o Benfica, e, para não variar, o treinador dos encarnados voltou a mexer, e de que maneira, na equipa, descaracterizando-a bastante. E isso deu em quê? Pois bem, num grande banho de bola do bicho papão, que trucidou as águias. Mas pronto, com mais este enredo, lá o menino Jorge entrou em descanso.

E agora, voltando um pouco à realidade, eu peço-te, crescido e graúdo Jorge Jesus: pára de bloquear mentalmente em jogos no Dragão e mete-me a equipa a jogar com toda a desenvoltura no terreno do FC Porto. Estás a treinar o clube da minha vida desde 2009, sendo que a única vitória que obtiveste no Dragão não nos valeu de nada, porque na segunda mão da Taça de Portugal 2010/2011 fomos humilhados na Luz.

Eu continuo com total confiança na nossa equipa, temos grandes jogadores, temos tudo para ganhar o campeonato. Mas olha, caro treinador do maior clube português, tens de perceber, de uma vez por todas, que nos dá gozo, a nós benfiquistas, jogar bem e se possível ganhar no Porto. Chega de jogos em que chego aos 20 minutos com espasmos, chega de jogos em que nos arriscamos a levar cinco como em 2010, chega de jogos em que somos engolidos naquele vulcão azul-e-branco. Nós somos o Sport Lisboa e Benfica, um clube que não pode temer ninguém em Portugal! De resto, só peço os três pontos na partida do próximo domingo, em Braga.

Ah, e por último: pais de todo este lindo Portugal, não contem aos vossos filhos este tipo de histórias, porque até eu fiquei a chorar depois de ter escrito este artigo…

A apoiar, como sempre

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Ze Pedro Mozos - Sob o Signo do Leao

Sendo este o meu primeiro texto para o Bola na Rede, decidi explicar como é que a minha paixão pelo Sporting Clube de Portugal começou e, consequentemente, como é que foi crescendo. Sei que por muita coisa que escrevesse aqui nunca faria jus àquilo que realmente sinto, pois há muita coisa que não se explica, por isso decidi escrever a minha história, já que a do clube já é conhecida. Tudo começou da mesma forma que começam muitos dos clubismos, se não mesmo a maioria: a minha família é sportinguista. Não tem grandes segredos. Mas há algo – uma figura – que unirá para sempre a minha família à grande instituição que é o Sporting Clube de Portugal: Anselmo Fernández (mas esta história merece mais do que uma pequena menção, daí que reserve este tema para uma futura crónica).

Com apenas cinco anos vi o Sporting ser campeão (1999/2000). A euforia sportinguista que a conquista desse título criou era mais do que justificada, dado que significava o fim de um jejum de dezoito anos sem pôr as mãos no título de campeão nacional. Foi essa mesma euforia, sentida de mais perto em minha casa, que me chamou a atenção para o fenómeno do futebol. Nessa época cheguei a ir ao Estádio de Alvalade meia dúzia de vezes assistir a grandes exibições do Sporting. Pensarão que um miúdo de cinco anos pode não perceber muito bem aquilo que significa “ser campeão nacional de futebol”, mas com certeza que percebe que é algo que dá muitas alegrias a muita gente. Provavelmente, terei pensado que “era giro” poder fazer parte da festa; ou então terei pensado que gritar e bater palmas por o Sporting ter ganhado era algo que parecia simples de mais para trazer tanta alegria. Aquilo em que terei pensado não será relevante, o importante é que foi graças a esse título que percebi a magia que é ser campeão – ainda hoje guardo com carinho a camisola de Peter Schmeichel, que vestia orgulhosamente sempre que ia ao estádio. No ano seguinte assisti ao vivo à maioria dos jogos em casa – coisa que agradeço muito ao meu pai -, mas infelizmente a época não correu tão bem como a anterior.

"Primeira camisola que vesti. Desde então levei sempre o Sporting comigo, para onde quer que fosse"
“Primeira camisola que vesti. Desde então levei sempre o Sporting comigo, para onde quer que fosse”

Dois anos depois – desta vez tinha eu sete anos e compreendia muito melhor aquilo que era o futebol -, voltámos a conquistar o título de Campeão Nacional de Futebol (2001/2002). Lembro-me muito bem dessa época e, em concreto, do dia em que saí de casa para ir festejar na rua um título do Sporting, rodeado de buzinadelas provenientes de carros repletos de sportinguistas eufóricos que festejavam a conquista de mais um troféu. Foi até hoje o único título de campeão nacional que festejei dessa forma, é verdade, mas não tenho vergonha de que assim seja. Já lá vão doze anos, mas o Sporting contou sempre com o meu apoio, mesmo que não concordasse com a maneira como as coisas estavam a ser feitas no clube do meu coração. E é nestas alturas que se vê não só a grandeza dum clube mas também a dos seus adeptos e da sua massa associativa. Apoiar quando as coisas correm bem é fácil, mas fazê-lo quando correm mal é algo muito mais difícil. Ao longo destes doze anos, perdemos uma final europeia a jogar em casa; chegámos às meias-finais da Liga Europa, merecendo chegar à final; lutámos pelo título até ao final por quatro vezes, merecendo ganhá-lo por duas delas; conquistámos duas Taças de Portugal e duas Supertaças Cândido de Oliveira; e fizemos a pior época da nossa História. É certo que não é suficiente para o Sporting, mas a verdade é que durante estes doze anos nunca chegámos a ser verdadeiramente o Sporting que eu conheci e pelo qual me apaixonei. Mas esse há-de voltar, não tenho dúvidas.

Sempre acreditei no Sporting, ainda hoje acredito e com mais convicção. Os sportinguistas passaram por momentos difíceis mas isso serviu para unir mais os adeptos, que nunca retiraram o apoio ao seu clube. E assim aconteceu comigo; não fugi à regra e, depois destes doze anos, solidifiquei a paixão que nutro por este meu clube. O apoio da minha parte foi incondicional, assim como o de grande parte dos sportinguistas. E é por isso que merecemos ser recompensados – e sê-lo-emos em breve. Foi juntos que passámos por esta má fase, será também juntos que a iremos superar. Estamos a crescer e em breve chegaremos ao topo. A diferença é que desta vez será muito difícil tirar-nos de lá. Tenho muita esperança neste novo Sporting, que se assemelha muito mais àquele que conheci e pelo qual me apaixonei. E acredito que será este novo Sporting quem justificará todas as dificuldades pelas que passámos (os sportinguistas) durante estes doze anos. E quando assim for lá estarei eu, como sempre, a apoiar.