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Jovane Cabral: a surpresa de Amorim

Tiago Silva · 2 min

Jovane Cabral: a surpresa de Amorim
Foto: Carlos Silva / Bola na Rede

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A epopeia de Amorim à frente do Sporting CP poderia ter começado ontem, após cerca de três meses de paragem devido à COVID-19, mas falta ainda ser incutida na mentalidade do clube a coragem e confiança que o treinador tem. O clube de Alvalade viajou até à cidade berço para defrontar o Vitória Sport Club, onde marcou quatro golos, executou muitos remates e teve várias oportunidades de parte a parte. De facto, as duas equipas arriscaram e jogaram a um ritmo bastante interessante, se tivermos em conta aquilo que se passou durante esta longa e obrigatória paragem. Enquanto o público tinha o seu foco centrado, sobretudo, nas estreias de Matheus Nunes e de Eduardo Quaresma – boas estreias, por sinal – a estrela e maior surpresa do relvado de Guimarães foi mesmo Jovane Cabral.

É certo e reconhecido que Jovane Cabral possui índices físicos acima da média, sendo um extremo que se prima precisamente por essa capacidade, sobretudo na resistência e na força. Acaba por ser um jogador útil, maioritariamente em jogos mais focados na transição, e ontem foi peça chave por isso mesmo. O Sporting CP procurou, desde cedo, sair de forma apoiada. Mas o Vitória SC encaixou homem a homem em Battaglia e Matheus Nunes e baixou Pêpê para meio dos centrais – a defender -, deixando poucas soluções para a equipa de Rúben Amorim ligar os setores. O único recurso foi mesmo o jogo mais direto. Foi através dessas tentativas que o Sporting CP ia criando perigo, sobretudo na segunda parte, com os dois médios leoninos a atrair os médios centros vimaranenses e a abrir esse maior raio de ação para o extremo cabo-verdiano.

Numa noite mais apagada e desinspirada de Vietto, que falhou várias oportunidades de golo, foi Jovane Cabral que apareceu para brilhar, em conjunto com Sporar. Aproveitando a tempos, especialmente na segunda parte, o espaço que ia surgindo nas costas do meio-campo defensivo vimaranense e até nas costas da defesa, Jovane deu muito trabalho com as constantes movimentações. O atleta demonstrou facilidade em acelerar e mudar de velocidade, procurando depois entregar bolas em profundidade, à semelhança daquilo que aconteceu no segundo golo leonino.

Jovane, como referi anteriormente, não é dotado tecnicamente, o que faz com que o jogador, sobretudo no capítulo da decisão, não seja tão consistente nem consiga jogar tantos minutos. Ontem fez uma excelente exibição, apesar de, a espaços, ter feito algumas decisões menos acertadas. Ora, deixo aqui uma pergunta em género de reflexão: será que o jogador se salientou mais em campo devido à sua grande capacidade física, numa altura em que os jogadores ainda não se encontram no seu melhor? Resta esperar para ver. No entanto, se conseguir melhorar os seus pontos fracos e continuar a demonstrar as boas indicações que vimos ontem, poderá ser uma peça importante no que resta jogar na presente época.

Artigo revisto por Mariana Plácido

Tiago Silva

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