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Antes do início da estrada da 83ª Volta a Portugal, a competição ficou marcada à partida pela exclusão da equipa W52 FC Porto. A ausência do último vencedor da Volta, Amaro Antunes, e de ciclistas como João Rodrigues, Joni Brandão, todos da mesma equipa e as saídas de última hora do pelotão da prova rainha do ciclismo nacional de João Benta e Daniel Freitas que chegou a ser camisola amarela durante a prova em 2021, diminuíram a qualidade do pelotão nacional.
À partida, o uruguaio Maurício Moreira da Glassdrive-QB-Anicolor, segundo classificado na anterior edição, partia como o principal candidato à partida, apesar de em 2022 ter tido resultados mais modestos do que em 2021. O primeiro dia decisivo da Volta a Portugal, a chegada à Torre, veio reforçar as expetativas iniciais no ciclista da equipa de Ruben Pereira.
Foto de Capa: Volta a Portugal
PRÓLOGO CONFIRMOU EXPETATIVAS
O momento da Grande Partida, dado às 15h21. Barry Miller (BAI – Sicasal-Petro de Luanda) inaugurou a 83ª Volta a Portugal Continente, em Lisboa. pic.twitter.com/IkRzdWiSpg
— Volta a Portugal (@VoltaPortugal) August 4, 2022
O pequeno contrarrelógio de 5,4 km idêntico ao do ano passado teve o vencedor esperado, Rafael Reis da equipa Glassdrive QB Anicolor, o contrarrelogista de excelência do pelotão nacional. Tal como em 2021, o ciclista português tornou-se o primeiro camisola amarela da prova rainha do ciclismo nacional. Já o seu colega de equipa, Maurício Moreira, ficou em segundo lugar a nove segundos, confirmando as boas perspetivas.
O top 10 do prologo contou apenas com três ciclistas portugueses e somente quatro atletas de formações nacionais. Destaque para Tiago Antunes e Henrique Casimiro, dois dos candidatos para a geral da Efapel Cycling, que ficaram em quinto a 12 segundos e em sexto a 13 segundos do primeiro camisola amarela da prova, respetivamente. Nota também para Juan José Lobato, um dos ciclistas mais experientes com participações nas três grandes Voltas [Tour, Vuelta e Giro] da Euskadi que conseguiu o oitavo melhor tempo no contrarrelógio.
Outro dos ciclistas mais experientes da Volta e que também correu nas três grandes Voltas, Tiago Machado, conseguiu ficar em 11º., figurando ainda algum tempo com o tempo mais rápido. O atleta da Radio Popular – Paredes – Boavista vai terminar a carreira esta época para abraçar uma carreira como diretor desportivo de uma equipa feminina de ciclismo.
Ó ELVAS, BADAJOZ À VISTA
Logo ao segundo dia os ciclistas tiveram de superar a etapa mais longa com 193,5 km. No percurso que ligou Vila Franca de Xira a Elvas, a fuga do dia iniciou-se muito cedo em busca da camisola da montanha e da vitória na etapa. Praticamente desde o quilómetro zero, João Macedo da LA Aluminios – Credibom – Marcos Car esteve em fuga e foi o último a ser apanhado pelo pelotão. Contudo, foi Hugo Neves da Radio Popular – Paredes – Boavista a conseguir ser o primeiro na última meta volante disputada já em pelotão compacto.
A vitória na etapa foi disputada ao sprint pelo pelotão com o norte americano Scott McGill da Wildlife Generation Pro Cycling a superar o britânico Oliver Rees, líder da classificação da juventude, da Trinity Racing e Maurício Moreira.
Nos dez primeiros da geral, não houve alterações com Rafael Reis a manter a camisola amarela.
ESTREIA NACIONAL A VENCER NA VOLTA
O dia mais internacional da Volta com o início em Badajoz trouxe mais uma vitória ao sprint.
Depois de mais uma fuga que se estendeu durante boa parte do percurso, o último resistente dos fugitivos, Asier Exteberria da Euskatel Euskadi, foi absorvido pelo grande grupo a cerca de 10 km do fim ainda conseguindo chegar em primeiro lugar no último premio de montanha do dia. No entanto, foi um seu companheiro de fuga, Edwin Torres da Java Kiwi Atlântico, a ser o novo líder da classificação da montanha.
Já a vitória na segunda etapa também se disputou ao sprint com João Matias da Tavfer-Mortágua-Ovos Matinados a conquistar a sua primeira volta numa etapa da Volta a Portugal. Scott McGrill foi segundo e manteve a camisola dos pontos, enquanto Maurício Moreira voltou a ser o terceiro da frente. Tanto Rafael Reis e Oliver Rees mantiveram a camisola amarela e da juventude, respetivamente, que transportavam desde o início da competição velocipédica.
CONTAS FINAIS COMEÇARAM NA TORRE
Na classificação geral, o primeiro dia decisivo foi esclarecedor em especial na diminuição extensa de candidatos a ganhar a Volta. Maurício Moreira e Frederico Figueiredo da Glassdrive – QB – Anicolor e Luís Fernandes da Radio Popular Paredes Boavista chegaram juntos na frente depois de apenas o ciclista da equipa de José Santos ter respondido ao esticão de Figueiredo.
Mauricio Moreira (Glassdrive-Q8-Anicolor) vence etapa no alto da Torre e é o novo camisola amarela pic.twitter.com/ln5BbU7Gu5
— Volta a Portugal (@VoltaPortugal) August 7, 2022
O uruguaio foi mais forte no forcing final frente a Luís Fernandes e, para além da camisola amarela, ganhou a etapa da Torre e passou a ser líder também da montanha. Frederico Figueiredo ficou a quatro segundos do duo e saltou para a segundo lugar da geral com mais 30 segundos do colega de equipa. Já Fernandes subiu para o terceiro lugar a 31 segundos do segundo classificado da edição do ano passado.
As diferenças ficaram muito vincadas com Alejandro Marque da Atum general – Tavira – Maria Nova Hotel a ficar em quatro na geral já a dois minutos e dez segundos. O décimo Jesus Del Pino da Aviludo – Louletano – Concelho de Loulé ficou a mais de cinco minutos do novo camisola amarela.
A Glassdrive – QB – Anicolor conseguiu ainda uma distância interessante na liderança da geral por equipas ao ser a primeira a fechar a classificação na etapa com o terceiro ciclista, António Carvalho. Só a camisola por pontos não mudou de dono com McGril a manter a liderança. Já na juventude, o espanhol Jokin Murguialday da Caja Rural – Seguros RGA saltava para o primeiro lugar.
MATIAS A DOBRAR COM CAMISOLA
Na véspera do descanso, a etapa ligava Guarda a Viseu. Houve um grupo de dez fugitivos que se destacou, onde estava o anterior camisola amarela, Rafael Reis. Ao contrário dos outros dias em que a Glassdrive – QB – Anicolor controlou a velocidade do pelotão com Afonso Eulálio e Fábio Costa, foi a formação norte americana Wildlife Generation Pro Cycling a conduzir a perseguição ao grupo da frente.
A fuga que chegou a ter mais de dez minutos de vantagem foi apanhada e a discussão na meta foi novamente ao sprint pelo pelotão. João Matias conseguiu a sua segunda vitória, chegou à liderança da classificação por pontos e é até ao dia de pausa o único ciclista a repetir a vitória na etapa. Scott McGrill repetiu o segundo lugar da segunda etapa e Andoni López de Abetxuko da Caja Rural – Seguros RGA ficou em terceiro. Nas restantes classificações, não houve alterações nos líderes.
No dia antes do descanso, foi anunciado ainda que a 84ª. edição da Volta a Portugal começará em Viseu, terminando a edição posterior na cidade de Viriato.
Quanto à atual edição, há três etapas que se vão ajudar a definir a Volta: a 5ª. etapa com o final em subida em Miranda do Corvo e as últimas duas, a chegada ao Monte Farinha em Mondim de Basto e o contrarrelógio final entre Porto e Vila Nova de Gaia.
Maurício Moreira parece só ter a concorrência do colega de equipa, Frederico Figueiredo, caso chegue a menos de um minuto do uruguaio ao contrarrelógio e de Luís Fernandes da Rádio Popular – Paredes – Boavista. Contudo, o segundo classificado em 2021 parece ter vantagem no contrarrelógio sobre o adversário que terá de tentar ganhar tempo sobretudo nas etapas de montanha.









