Se alguém dissesse, antes do início da época, que os Utah Jazz iam ocupar o primeiro lugar da Conferência Oeste no decorrer da atual temporada, ninguém ia levar a sério. Mas teria razão. A equipa de Utah está a surpreender tudo e todos. Atualmente, ocupa o primeiro lugar na Conferência Este e detém o melhor recorde da liga. Uma agradável surpresa!
Os Jazz terminaram a última época em 6.º lugar e chegaram a ter uma vantagem de três vitórias contra a uma vitória dos Denver Nuggets na primeira ronda dos playoffs, porém a equipa de Utah foi eliminada. Naquela que foi a primeira época atípica para todos os desportos, foi em especial para a equipa de Utah – os primeiros dois casos confirmados de Covid-19 na NBA eram dos Jazz.
Donovan Mitchell e Rudy Gobert, as duas maiores estrelas dos Jazz, foram os primeiros jogadores que testaram positivo ao novo coronavírus – e isso complicou o ambiente dos Jazz. Depois da confirmação dos casos, havia rumores de que Mitchell – também conhecido como “Spida” ou “Spider” – não queria voltar a jogar com Gobert, mas isso acabou por ser desmentido. Tanto Michell como Gobert assinaram extensões com os Jazz em novembro e dezembro de 2020, respetivamente. Além disso, a atual classificação também demonstra que essa situação está no passado.
🕷️ Donovan Mitchell with the ankle-breaking dagger!
36 PTS, 9 AST, 6 3PT
Utah has won 5 straight, 16 of their last 17 & has the best record (20-5) in the NBA. #TakeNotepic.twitter.com/qpqOU4Ic5e
A última vez que falharam os playoffs foi em 2016. Ora, nessa altura, ainda não tinham Donovan Mitchell. Desde da entrada de Spida, os Jazz ainda não falharam uma ida aos playoffs – e parece-me que não vão falhar este ano. Foi All-Star na época passada e é um forte candidato a ser, novamente, em 2021. Mitchell é uma figura crucial nos Jazz. Em média, Spida está com 24.2 pontos por jogo, 5.1 assistências por jogo, e 4.3 ressaltos por jogo. A continuar com estes números, será a melhor época do extremo-base dos Jazz.
A outra estrela é Rudy Gobert. O poste francês já foi uma vez All-Star (2020) e conquistou o prémio de melhor defensor da liga por duas ocasiões. Apesar da importância de Gobert para a equipa de Utah, o seu contrato tem sido bastante questionável. Um poste que tem, em média, 14 pontos por jogo, 13.4 ressaltos por jogo e 2.8 bloqueios por jogo e com o contrato que vai receber – 205 milhões de dólares nas próximas cinco temporadas -, tem de ter uma maior importância na equipa e na liga. Porém, até ao momento, Gobert não está aquém das altas expectativas: está no top 10 de candidatos para melhor jogador da liga, para a Basketball Reference.
Updated NBA MVP Tracker:
1.) Nikola Jokic
2.) Joel Embiid
3.) LeBron James
4.) Giannis Antetokounmpo
5.) Kawhi Leonard
6.) Anthony Davis
7.) Damian Lillard
8.) Rudy Gobert
9.) Paul George
10.) Steph Curry
Antes da sua ida para Utah, Mike Conley era bastante apreciado pelos Memphis Griezzlies. Agora, o base tem exercido um papel secundário nos Jazz. Na última época pelos Griezzlies, Conley fez, em média, 21.1 pontos por jogo e 6.4 assistências por jogo. Atualmente, o antigo jogador dos Memphis faz, em média, 16.5 pontos por jogo e 5.8 assistências por jogo. Apesar do atual papel, Conley continua a demonstrar a sua qualidade.
Foi em Zakopane que teve lugar mais um fim de semana da Taça do Mundo de Saltos de Esqui, a derradeira ronda antes dos mundiais de esqui nórdico. Como tal, nem estonianos, nem finlandeses, marcaram presença na competição polaca. O palco onde a prova teve lugar foi o Wielka Krokiewa. Este trampolim com um tamanho de 140m, tem o seu K-Point localizado nos 125m e o record está fixado pelo nipónico Yukiya Sato, nos 147m, a vigorar desde janeiro de 2020.
Zakopane recebia novamente a “Champions dos Saltos de Esqui” após ter servido de palco às etapas 15 e 16. Tal deveu-se ao facto de não ser possível realizar a prova, inicialmente agendada para o trampolim de Pequim, que albergará os Jogos Olímpicos de Inverno, marcados para o próximo ano, devido à situação pandémica.
De referir que, pela primeira vez nesta temporada, marcaram presença entre a elite do desporto os saltadores da nação Ucraniana, que normalmente atuam na Taça Continental, segunda divisão da competição a nível mundial.
Portanto, já com a qualificação cumprida, eram os noruegueses quem pareciam ter “atinado” com a estrutura Polaca. Robert Johansson vencera a qualificação com um registo de 137m, já o líder do certame, Halvor Egner Granerud, com 135m ficara em segundo lugar. Kraft, embora assinando um registo superior em meio metro ao de Granerud, contentava-se com o terceiro lugar desta prova qualificativa. Marcus Eisenbichler, que rubricou o 39º posto, deixava indicações de debilidade. Ainda digno de realce, o facto dos dois ucranianos terem conseguido carimbar lugar entre os 50 que no dia seguinte competiriam.
No sábado, as condições não eram as ideais. Nevava com bastante intensidade, sendo que ao longo da pista de aterragem, estavam colocados sopradores com a finalidade de irem retirando a neve que se ia acumulando nas calhas do trampolim. Em termos de vento, o mesmo não se ia apresentando como um fator capaz de perturbar o normal desenrolar da disputa.
Finalizada a primeira ronda, era o líder do campeonato quem ia saindo por cima, rubricando 139m. O jovem esloveno Bor Pavlovcic era quem conseguia estar mais perto do atleta de Oslo que, depois de assinar 137m, registava uma diferença de somente uma décima de ponto, face ao nórdico.
Em terceiro, mas com a mesma distância de Bor, encontrava-se outro jovem que tentava obter o primeiro pódio da carreira, refiro-me ao atleta da casa Andrzej Stekala. A fechar o top cinco, as presenças na quarta posição do japonês Ryoyu Kubayashi e de Daniel André-Tand em quinto. O vice-líder da Taça do Mundo, Marcus Eisenbichler, da Mannschaft, ia quedando-se apenas pela 13º marca.
Outro país que ia deixando e muito a desejar, era a nação anfitriã: David Kubacki, 14º, Piotr Zyla em 15º e Kamil Stoch relegado para o 26º posto, eram por esta altura o espelho desta má prestação. O norueguês Johann André Forfang ou o germânico Karl Geiger, embora qualificados para a ronda final, eram nomes que já estavam demasiado distantes para ambicionarem algo mais do que subirem poucas posições. O austríaco Daniel Uber devido a irregularidades com o fato, tendo consequentemente sido desqualificado falhou os derradeiros trinta voos. Tudo parecia ir ser discutido pelos três melhores da primeira metade da competição, mas só parecia!
Numa ronda final, na qual e que, de forma inexplicável, foi decidido pela organização baixar o portão, do 16 para o 13, quando nada o indicava, originou marcas muito menores e retirou espetáculo ao grupo final, os dez melhores da ronda inaugural. Foi então que, vindo de quarto, Ryoyu Kubayashi, acabou por vencer, somando o ouro.
Isto era algo que já não se verificava desde a época 18/19, temporada em que não só venceu o campeonato como foi capaz de subir por 16 ocasiões ao degrau mais alto do pódio. Assim o saltador de 25 anos de Sapporo Hokkaido, igualou o compatriota Noriaki Kasai com 17 triunfos, como o máximo vencedor do país do império do sol nascente, a deter maior número de êxitos no escalão máximo da modalidade.
Granerud, acabou por ser prejudicado pelas condições que teve ao dispor e com uma marca na casa dos 129m, conseguiu apenas a sétima posição. No pódio tivemos ainda o local Andrzej Stekala, que ficando na prata, rubricou o primeiro pódio na Taça do Mundo, após desempenhos mais discretos nas pretéritas etapas.
Já no bronze e com uns impressionantes 141.5m, ficou o norueguês Marius Lindvik que ascendeu desde o décimo lugar, ainda a tempo de chegar às medalhas. Em quarto e quinto respetivamente ficaram Anze Lanisek e Bor Pavlovcic, ambos em representação da Eslovénia, com o segundo a perder gás e a não conseguir garantir aquele que a acontecer seria o seu terceiro pódio de forma consecutiva.
Apesar do relativo fracasso, Granerud acabou por ver a sua vantagem no topo do campeonato ser dilatada, uma vez que Marcus Eisenbichler se ficou apenas pela 14ª marca final, enquanto Stoch se quedou somente pelo 20º lugar. O facto dos russos pontuarem e logo através de dois atletas, Mikhail Nazarov 22º e Evgeni Klimov, que voltou a competir, após mais de um mês de pausa em 25º conjuntamente com a primeira pontuação na Taça do Mundo do jovem austríaco, Ulrich Wohlgenannt, que mostrou que as quatro vitórias obtidas no fim de semana anterior em Willingen, a contar para a Taça Continental, lhe haviam dado a moral que necessitava, de modo a conseguir a afirmação no escalão maior.
Como é que eu reagiria se, no início da época, alguém me dissesse que o SL Benfica estaria em quarto lugar, colado ao FC Paços de Ferreira, a mais de dez pontos da liderança, com uma percentagem de vitórias abaixo dos 50%, fora da Liga dos Campeões e derrotado na meia final da Taça da Liga? Provavelmente atacaria a inteligência e conhecimento futebolístico desta pessoa. Com um investimento de mais de 100 milhões em jogadores e com a chegada de Jorge Jesus seria impossível isto acontecer com a equipa encarnada. A época tinha tudo para correr bem – mas será que tinha mesmo?
O namoro com a hipótese de regresso de Jorge Jesus era já bastante longo, mas acabou mesmo por se concretizar no início desta temporada. Com ele vieram grandes jogadores, uns já com provas dadas como Everton, Waldschmidt ou Vertonghen. Outros, grandes promessas como Pedrinho ou Darwin.
Apesar de um bom início de forma, a primeira hecatombe surgiu logo na eliminação com o PAOK FC. Numa eliminatória a uma mão, não tendo Jesus tido tempo para implementar o seu futebol, foi dada uma certa margem ao treinador encarnado. O que é certo é que era um presságio do que estaria para vir e tem, teve e terá um grande impacto naquilo que são as finanças do clube encarnado.
Perante o falhanço no acesso à Champions, o SL Benfica viu-se “obrigado” a vender o verdadeiro líder da equipa, Rúben Dias – que hoje vai brilhando na Premier League. Foi um bom negócio? A nível financeiro, claro que sim. A nível desportivo foi absolutamente decisivo para o total falhanço que tem sido esta época.
A temática da venda de Rúben Dias transporta-nos para a forma como é gerido o SL Benfica. O clube encarnado tem sido gerido como uma autêntica empresa, focando-se apenas nos lucros, desprezando resultados desportivos e ignorando aquilo que são as opiniões dos adeptos.
A grande culpa disto é obviamente de uma pessoa: Luís Filipe Vieira (LFV). O presidente que há menos de dois anos disse que Jorge Jesus nunca mais treinaria o SL Benfica, que Taarabt não mais envergaria o manto sagrado e que afirmou que nunca seria sensato apostar tudo numa superequipa, pois isso poderia desequilibrar muito o saldo financeiro do clube. Olhemos para onde estamos agora.
Mesmo com todo o investimento que foi feito, o plantel continua desequilibradíssimo e com lacunas graves. LFV passou o controlo total do futebol para Jorge Jesus e isso tem se mostrado um erro gravíssimo. Não há na estrutura do SL Benfica uma única pessoa que se mova bem dentro do mundo do futebol. O departamento de scouting é absolutamente ignorado.
100 milhões de euros depois e a equipa não tem, no plantel, um defesa direito de qualidade. São gastos 38 milhões em dois extremos. Onde é que estava este elevado investimento no ano do possível penta? E na segunda época de Bruno Lage?
É perfeitamente normal, e até louvável, que se mude de opinião. Contudo, LFV não mudou de opinião. As apostas fortes no mercado de transferências e a contratação e Jorge Jesus tinham em vista apenas uma coisa: conseguir mais votos naquelas que seriam as eleições mais disputadas na história do SL Benfica.
A formação tem sido uma das áreas mais afetadas este ano. Aquela que foi, durante anos, a bandeira de LFV e do SL Benfica aparenta estar completamente esquecida. A saída de Rúben Dias marcou praticamente o fim dos atletas da formação na equipa principal. Os jogadores da formação são apenas uma miragem. Gonçalo Ramos vai jogando cinco minutos de quando em vez, muitas vezes sendo impedindo de jogar na equipa B. Esta tem sido uma das gestões de carreira mais desastrosas que alguma vez vi.
Jovens como Ferro, Jota ou Tomás Tavares são emprestados a clubes completamente aleatórios, sem sequer ter em consideração a forma como o seu jogo encaixa no estilo de futebol da equipa ou do campeonato. O empréstimo de Tiago Dantas, com uma cláusula de compra baixíssima, é o perfeito indicador da forma como o SL Benfica vê os empréstimos: oportunidade de valorizar os jogadores, sem nunca ter em conta o seu desenvolvimento.
Olhando para isto de forma externa podemos culpar, por exemplo, Ronaldo Camará de não querer renovar? Os jovens da formação olham para aquilo que é a “estrutura” encarnada e não veem qualquer futuro. Ronaldo Camará escolheu, para já, não renovar o seu contrato e foi, subsequentemente, afastado de todas as equipas de formação. Isto é forma de lidar com a situação?
O SL Benfica vai sendo gerido de forma amadora e sem qualquer projeto para aquilo que é o futuro do clube. Jorge Jesus abandonou o clube das “águias” por não encaixar no “projeto de aposta na formação”. Menos de cinco anos depois, está de regresso. O que aconteceu a este projeto desportivo? Simples, nunca existiu.
O SL Benfica é gerido ao sabor o vento, pensando apenas em vencer o campeonato da época que decorre. Com o passar do tempo vamos ficando cada vez mais para trás relativamente ao resto da Europa. Internamente, o domínio esbateu-se completamente. Vão sendo distribuídos cargos no clube não por mérito ou conhecimento, mas sim por ligações de amizade. Financeiramente, o clube fez um investimento arriscadíssimo e não vai ter retorno, ainda mais se falhar (novamente) o acesso à prova milionária. A política da transferências e os mercados explorados pelo SL Benfica vão contra aquilo que é a tendência dos grandes clubes europeus. O clube atravessa uma crise de identidade.
Ainda assim, 62% dos benfiquistas escolheu, de forma democrática, continuar com tudo isto… Dá que pensar…
TRIBUNA VIP é um espaço do BnR dedicado à opinião de cronistas de referência para escreverem sobre os diversos temas da atualidade desportiva.
Está de regresso a competição com que todos sonham. As noites que nos deixam com um arrepio na espinha. As noites que enchem o coração aos adeptos de futebol. Dois meses depois, está de regresso a Liga dos Campeões.
O tempo ganhou uma importância inesperada. A pandemia fez aumentar os dias. 24 horas parecem intermináveis e estes dois meses foram um exercício de paciência. Algo que se adensa quando nos confrontamos com a triste sina do futebol português, que tende a perder horas de discussão em torno de questões de arbitragem, que em nada prestigiam o desporto que tantos adeptos tem. Abra-se um parêntesis às «discussões aqui da paróquia» para se falar do «futebol a sério», com as melhores equipas, os melhores jogadores e treinadores.
Esta é talvez uma das Ligas dos Campeões mais imprevisíveis dos últimos tempos. E por dois aspetos em particular: a densidade dos calendários e a ausência de público. Relativamente ao primeiro tempo, esta tem sido debatida um pouco por toda a Europa. Basta fazer uma simples pesquisa e perceber-se que estamos perante 16 equipas sobrecarregadas de jogos. Não que isso seja uma novidade para a maioria, mas a grande novidade deste ano prende-se com a dificuldade de gerir tantos jogos em tão pouco tempo. Para os mais esquecidos, é importante lembrar que esta época começou mais tarde e vai acabar na mesma altura das épocas «normais». O exercício matemático é simples e leva-nos à conclusão que é preciso jogar com menos tempo de descanso.
Posto isto, o calendário desta época deveria ou não ter sido repensado? Penso que sim. Bem sei que existem compromissos (sobretudo publicitários) que inviabilizam talvez a não existência de algumas provas (por exemplo, as Taças da Liga), mas também me parece claro que ter equipas mais cansadas é ter jogadores com menos discernimento. Por consequência, piores espetáculos.
Podem dizer-me que “na Liga dos Campeões ninguém está cansado” e que o cansaço físico é apenas um eufemismo. Podem dizer-me que o que importante é a saúde que se tem na cabeça. Talvez, mas imaginem chegar a jogos como estes e ter atletas com quase 50 jogos nas pernas. Por muita capacidade anímica, é quase impossível que isso não se reflita na qualidade do jogo.
Quanto ao segundo ponto, a situação é ainda mais interessante de ser analisada. Esta Liga dos Campeões já está completamente descaracterizada. A pandemia e as limitações impostas por alguns países levam à mudança do palco de alguns jogos. Sabe-se hoje que as eliminatórias entre RB Leipzig e Liverpool; entre Atlético de Madrid e Chelsea e entre B. Monchengladbach e Manchester City serão realizadas em campos neutros. Sem adeptos e pior, sem alma. E sim, porque as bancadas, mesmo vazias, podem transmitir sentimento. Ou alguém acha que os jogadores do Liverpool não preferem olhar para um «The Kop» vazio em detrimento de receber alguém em casa alheia?
Quando olhamos para tudo isto, percebe-se que não é fácil prever o que vem aí. Mais ainda quando toda a gente parece dependente da zaragatoa: pois, aqueles testes horas antes de um jogo são o maior filme de suspense do futebol moderno. Ter ou não ter o jogador, eis a questão. Mas calma, nem tudo é mau, gente. A Liga dos Campeões está de regresso. Que eu saiba, a música continua a ser a mesma. Os jogadores, na grande maioria, vão estar lá todos. E se nos focarmos apenas no relvado, bom, aí podemos ter um verdadeiro banquete de bom futebol.
A começar pela eliminatória que coloca frente a frente FC Porto e Juventus. A uma e outra, esta época o fato europeu parece assentar melhor do que o fato interno. O dragão chega à prova milionária atrasado no campeonato nacional e depois de jogos em que os resultados ficaram aquém, as exibições desiludiram e a carga emocional foi excessiva. Defronta uma equipa italiana comandada por um Cristiano Ronaldo insaciável e que olha para esta Liga dos Campeões como o espaço ideal para a redenção dos pecados que tem cometido. No campeonato, a hegemonia parece estar a caminho do fim. A irregularidade exibicional tem sido uma constante, mas a desilusão na Serie A pode colocar o foco da ‘Velha Senhora» numa prova que já lhe foge há mais de duas décadas. E ninguém se esqueça: foi por ela que Ronaldo foi contratado.
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede
Nos restantes jogos, não faltam motivos de interesse. A eliminatória de maior cartaz é que vai opor Barcelona e PSG. Todos se lembram da última vez que se encontraram, com um 6-1 em Camp Nou que teve tanto de emocionante como de polémico. Neymar brilhou nessa noite e agora está na constelação adversária. Bom, seria suposto que estivesse, mas sabe-se que a mais recente lesão deve tirá-lo do duplo reencontro com a antiga equipa. Di Maria também não deve jogar na primeira mão e portanto…. «sobra» Mbappé. Sinceramente, não sei se chega ao vice-campeão europeu. Mais ainda porque vai defrontar um Barcelona no seu melhor momento da temporada. Messi está a crescer, a equipa parece mais unida e até Trincão já começa a dar cartas.
Num segundo plano, permitam-me destacar mais duas eliminatórias: o RB Leipzig vs. Liverpool e o Atalanta vs. Real Madrid. No primeiro caso, arrisco dizer que vamos ter dois dos melhores jogos da temporada. É certo que este Liverpool parece um «fantasma» face ao das últimas épocas, mas quem tem aquele tridente de luxo na frente, pode tudo. O problema para Klopp é que vai defrontar aquele que, para muitos, pode muito bem ser o seu sucessor. Falo de Nagelsmann, um «senhor treinador» que tem em mãos uma das equipas mais entusiasmantes da Europa.
Depois, o duelo italo-espanhol que também promete. Digo isto porque o Real Madrid é o clube dono da Liga dos Campeões e a Atalanta – que já tive oportunidade de narrar – é uma das equipas mais ofensivas do futebol europeu. Podem contar com golos, isso é certo. E sem Sérgio Ramos nos merengues, é caso para dizer que não me surpreenderia se o Real de Zidane tivesse um dissabor.
Nos demais confrontos, acredito que o Bayern e City não terão grande dificuldade para ultrapassar Lazio e B. Monchengladbach, respetivamente. Entre Atlético de Madrid e Chelsea, sou capaz de apostar no cinismo espanhol, apesar de Tuchel querer revitalizar esta equipa londrina. Por último, o duelo entre um Sevilha que é, salvo melhor opinião, a melhor equipa a jogar futebol em Espanha e o B. Dortmund, que tem em Erling Haaland a solução para grande parte dos problemas.
Não faltam motivos para acompanhar a fase a eliminar da Liga dos Campeões. À entrada para os oitavos de final, é difícil adiantar com grandes favoritos. Basta olhar para os principais campeonatos europeus para se perceber que os dominadores de outrora estão a sentir dificuldades. Num ano em que as liberdades têm sido tão restringidas, diria que esta edição da prova milionária tem tudo para ser uma das mais livres de sempre. Que toque a música!
Artigo de opinião de Pedro Marques Maia, jornalista A BOLA TV e narrador ELEVEN
Pela terceira semana consecutiva, o universo sportinguista foi novamente brindado com machetes sobre o “Caso Palhinha”, um tema que a FPF, os rivais e a própria comunicação social afecta ao polvo rubro-azul teimam em não largar.
O último desenvolvimento deste “não-caso” dá conta que o SL Benfica apresentou uma queixa na FPF, contra o Sporting CP, alegando a utilização irregular de João Palhinha no dérbi. A tentativa de ganhar o duelo frente aos leões na secretaria é bem revelador da cobardia e da mesquinhez do rival do outro lado da 2.ª Circular.
Com efeito, o avolumar de lérias e disparates que têm sido veiculados sobre este tema começa a roçar o ridículo e só demonstra o desespero dos rivais em face da distância pontual do Sporting CP.
Mas vamos a factos concretos e objectivos, que é para não sermos acusados de facciosismos e de uma vez por todas esclarecer este tema.
No jogo frente ao Boavista FC, em véspera de dérbi, João Palhinha viu um cartão amarelo desprovido de qualquer sentido, tendo o árbitro assumido logo no fim do jogo dentro do Bessa que errou na exibição desse cartão; posição sempre manteve. O Sporting CP interpôs recurso dessa sanção para o Conselho de Disciplina (CD) da FPF.
De realçar que no passado, o CD decidiu sempre pela despenalização dos jogadores neste tipo de situações. Recorde-se o caso de Rúben Dias, então jogador do SL Benfica, em 2018.
Todavia, em relação a João Palhinha, o CD indeferiu o pedido de despenalização do Sporting CP com fundamento num entendimento que este órgão adoptou desde a tomada de posse dos seus membros no ano passado e que muito pomposamente designam por “field of play doctrine”.
Acontece que, já em 2020, o mesmo CD, em perfeita contradição, com este seu “entendimento” despenalizou Carol Costa, jogadora do SL Benfica. Cabe aqui assinalar que não existem regras de futebol diferentes consoante o Futebol, seja feminino ou masculino.
Por fim, perante a recusa em retirar a sanção, o jogador João Palhinha – e não o Sporting CP, sublinhe-se – requereu uma providência cautelar ao Tribunal Administrativo, alegando a violação das garantias de defesa no processo disciplinar sumário.
Neste lance, disputado com Nuno Santos, João Palhinha viu a cartolina amarela que o excluía do embate frente ao SL Benfica e que posteriormente lhe foi retirada Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede
Ou seja, o jogador que evidentemente terá sido assessorado juridicamente pelo Sporting CP (como acontece em qualquer clube de futebol), invocou que terá sido lesado pelo regulamento disciplinar da FPF e lançou mão de um mecanismo processual que está à disposição de todos nós, enquanto cidadãos. A providência cautelar é apenas uma medida judicial que visa salvaguardar, em tempo útil, um direito que se encontra ameaçado, enquanto se discute se esse direito foi ou não violado.
Ora, se o Tribunal Administrativo entendeu que havia, de facto, uma forte probabilidade de violação da garantia de defesa de João Palhinha no processo sumário junto do CD, por essa mesma razão decretou a providência.
Não está pois, em causa, nenhuma questão de futebol, pois isso é da competência do Tribunal Arbitral do Desporto que certamente se debruçará sobre esse tema.
E agora podem perguntar se isto foi matreirice dos advogados do Sporting CP? Qualquer advogado procura, dentro dos limites da lei, alcançar as melhores soluções para os seus clientes. Isto é assim em qualquer momento da prática judiciária, não se resume aos clubes de futebol. Nem é assim tão chocante se alguns dos críticos meterem a mão na consciência e se lembrarem do que foram as estratégias processuais gizadas nos processos “Apito Dourado”, “E-Toupeira”, entre outros, nos quais meras falhas ou vícios formais do processo conseguiram absolver arguidos desses processos quando a “substância” estava bem à vista de todos.
O que aqui choca de modo particular é que, pela primeira vez na história negra do Futebol Português, vem uma FPF a declarar guerra aberta contra um clube de futebol que, por acaso, é o primeiro classificado do campeonato.
Perante o decretamento da providência cautelar, o CD da FPF enviou uma exposição ao Conselho Superior dos Tribunais Administrativos uma exposição em forma de queixinha invocando que os fundamentos do Sporting CP se baseavam numa “alegação genérica” sobre a ilegalidade/inconstitucionalidade das regras que disciplinam o processo sumário junto do CD.
Sejamos muito sérios: o CD da FPF é composto por juristas que conhecem – e bem – a lei e, como tal, esses juristas não se podem fazer passar por parvos e muito menos passar atestados de burrice ao público geral que não conhece nem tem obrigação de conhecer as leis e as regras dos vários processos que correm nos tribunais; além disso, esse órgão sabe muito bem que quem peticionou a providência cautelar foi o jogador e não o clube; e que uma “exposição” (como designaram a queixinha que fizeram) não consiste num acto processual no âmbito do processo administrativo e por isso vale “zero”. E – por fim – tem a plena noção de que o decretamento de uma providência cautelar depende apenas da alegação genérica e da prova sumária do direito ou da violação do mesmo.
O problema do CD de uma FPF muito influenciada pelo polvo rubro-azul que domina o Futebol Português é que sente o seu ego ferido pelo Sporting CP e em concreto pelo jogador João Palhinha. Mas aqui fica uma novidade para o CD da FPF caso ainda não tenha percebido: por cima da sua autoridade e dos seus pseudo-entendimentos, está o sistema judiciário português incorporado pelos Tribunais, Órgãos de Soberania Nacional e garantes dos Direitos de todos.
Em vez de vir para a praça fazer ameaças e demonstrações de força perante um Clube que nada tem a temer, este órgão devia concentrar-se em reforçar as suas decisões em sede própria, o que desde já se prevê como uma tarefa muito difícil. A justiça desportiva habituou-se a decidir como quer e lhe apetece e fica frustrada quando os seus actos são submetidos à fiscalização dos Tribunais.
Neste artigo, vou abordar um tema que ainda não foi muito discutido e que tem marcado claramente os últimos jogos do FC Porto.
Se eu falo que as escolhas também valem pontos é sinal de que as exibições e os resultados da equipa portista não têm sido os melhores. São quatro empates seguidos, repito, quatro empates seguidos. Não me recordo de uma sequência tão negra com Sérgio Conceição no FC Porto. Claro que um desses empates é na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, mas os outros três significaram perdas de pontos no campeonato e podem ter ajudado a hipotecar a conquista do título deste ano.
São sem dúvida resultados um pouco assustadores para uma equipa que pretende conquistar a maioria das competições em que está inserida. Mas afinal, porque é que os resultados não têm sido bons?
Existem muitos fatores que têm contribuído para o insucesso desportivo do FC Porto nos últimos jogos, mas, neste artigo, vou destacar algumas escolhas de Sérgio Conceição para o onze inicial e para as substituições no decorrer dos encontros.
Comecemos pelo empate frente ao Belenenses SAD no Estádio do Jamor. O dado negativo vai para Felipe Anderson. Um jogador que está a milhas de distância do modelo de jogo portista. Parecia estar a renascer, mas, pelos vistos, foi sol de pouca dura. As substituições nesse encontro poderiam ter sido feitas mais cedo, mas a verdade é que nem os pesos pesados mudaram o rumo do encontro. (Atenção que não culpo Sérgio Conceição por não ter lançado Corona, Marega e Luis Díaz no onze inicial pela sequência de jogos que o FC Porto tinha. Ainda para mais os suplentes também não acrescentaram o que se pretendia).
Felipe Anderson tem-se revelado um tiro no escuro Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Daqui passamos para a análise do jogo frente ao SC Braga. Creio que o maior erro foi a aposta em Malang Sarr para lateral esquerdo. É verdade que Zaidu não estava nas melhores condições (e viu-se quando o lateral nigeriano entrou em campo), mas colocar Manafá e Carraça nas laterais não seria, na minha opinião, uma pior opção. Está à vista de todos que Malang Sarr não pode ser um lateral esquerdo numa equipa como o FC Porto. Não se sente perfeitamente à vontade na posição quando tem de defender e não dá a profundidade ofensiva de um lateral de equipa grande. Na minha opinião, é um caso com muitas semelhanças ao de Éder Militão. Num sistema de três centrais é que Sarr se sente como peixe na água.
No que toca às substituições, acho que as escolhas também não foram acertadas. Jogadores como Grujic e Toni Martínez deveriam ter entrado. O primeiro para recompor um meio-campo muito gasto que acabou por ser dominado pelo SC Braga e o segundo para fazer aquilo que o FC Porto precisava: segurar a bola. Marega não é esse jogador e a equipa minhota ficou com a iniciativa de jogo na totalidade.
Grujic é, atualmente, o jogador com mais semelhanças a Danilo Pereira no FC Porto Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
O jogo seguinte frente ao SC Braga para a Taça de Portugal acaba por ser um pouco inglório para analisar as escolhas de Sérgio Conceição no que às substituições diz respeito. Estas foram, sem dúvida, muito influenciadas pelas expulsões de Luis Díaz e Matheus Uribe. Contudo, creio que a utilização de Sarr na lateral esquerda foi de novo infeliz.
O último elemento de análise é claramente o empate diante do Boavista FC. Sérgio Conceição afirmou mesmo que foi a pior primeira parte de um jogo que teve enquanto treinador. O FC Porto foi para o intervalo a perder por 2-0 e percebeu-se que as escolhas do técnico portista para o onze inicial saíram completamente ao lado. Fábio Vieira e João Mário tiveram num dia claramente não e saíram ao intervalo. Neste caso, destacaria particularmente Fábio Vieira pela posição que ocupou no terreno. Não é um jogador com as características formar um duplo pivot, ainda para mais com um jogador como Sérgio Oliveira. O jovem médio portista ainda não tem a capacidade de recuperação de bola e agressividade que um jogador naquela posição tem de ter.
Sérgio Oliveira acabou por sofrer muito com a ausência de Uribe e, principalmente na primeira parte, recuou demasiado no terreno, perdendo assim a essência do seu futebol. Deixou de se ver a sua capacidade na construção ofensiva e o apoio claro que costuma dar à linha avançada do FC Porto. Uribe é claramente o apoio da linha defensiva do FC Porto e Sérgio Oliveira o apoio ofensivo. É um duplo pivot que se complementa, mas com a ausência do colombiano e a presença de Fábio Vieira, percebeu-se qual era a posição que o número 27 iria ocupar. Grujic acabou por entrar ao intervalo e o sentido do jogo mudou por completo. Malang Sarr voltou a ser mais uma aposta, na minha opinião, errada para aquilo que são as características do francês.
Por último, daria uma palavra de apreço pela entrada de Francisco Conceição. Não foi de certeza pelo jovem portista que o FC Porto empatou frente ao eterno rival da Invicta. Uma estreia quase de sonho e que deve levar Sérgio Conceição a olhar para o jogador como uma opção francamente válida. Em suma, este foi provavelmente o pior jogo no que respeita às opções táticas iniciais de Sérgio Conceição. As melhorias verificadas na segunda parte não foram suficientes para evitar a perda de pontos no Dragão.
Sérgio Oliveira é determinante na construção ofensiva do FC Porto Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
De um modo mais geral, e em jeito de conclusão, também posso apontar dois fatores que me saltam à vista no FC Porto atualmente. Começo por abordar o facto de em alguns jogos, Sérgio Conceição não ter esgotado as substituições. Claro que o número não é sinónimo de qualidade, mas no jogo frente ao SC Braga para o campeonato, Grujic era uma opção essencial para entrar no jogo, e não entrou. Nota-se muitas vezes uma aparente falta de confiança na capacidade do banco portista.
Outra nota é a permanência de Marega no onze inicial. Sim, é uma peça chave no futebol de Sérgio Conceição, mas aquilo que Marega oferecia ao jogo (profundidade) é hoje claramente anulada por qualquer defesa. O avançado maliano joga muito melhor com defesas subidas e por mais que os jogadores portistas o tentem servir (quando até têm opções melhores), qualquer elemento da defesa contrária consegue antecipar-se com facilidade. Talvez pudesse ser bom dar uma verdadeira oportunidade a Evanilson ou então colocar um falso avançado junto a Taremi. Claramente aí a forma de atacar teria de sofrer algumas alterações.
A CRÓNICA: UM SPORTING CP COMPETENTE DILATA VANTAGEM NA CLASSIFICAÇÃO
Hoje o Sporting CP podia dar mais três “Paços” em busca do reforço da liderança do campeonato. Depois dos deslizes de FC Porto e SL Benfica (que não foram além do empate esta jornada), o conjunto ia tentar impor a sua força esta noite em Alvalade de forma a conquistar os três pontos e ficar assim a 13 e 10 de águias e dragões, respetivamente.
O jogo começa bonito, com os dois conjuntos a confirmaram desde cedo o porquê de serem considerados por muitos as duas equipas “sensação” deste campeonato. De qualquer das formas, o Sporting ia ameaçando mais nos primeiros minutos da partida, procurando sempre privilegiar a profundidade sempre com o passe muito bem controlado. Por sua vez, o conjunto de Pepa de certa forma também concedeu esse domínio leonino. Tentando, por vezes, responder em contra-ataque, mas sem grande êxito. Em terrenos mais recuados, o Paços estava irrepreensível defensivamente. Uma muralha que acabou por desmoronar depois de uma má abordagem individual. Aos 19 minutos, Rebocho faz falta sobre Pedro Gonçalves dentro da área e é assinalada grande penalidade. Para a cobrança, João Mário converteu a penalidade em golo, o primeiro esta noite em Alvalade.
Nos minutos finais da primeira parte, o Paços começou a despertar e causar mais perigo na área adversária. Tanque começou a fazer jus ao apelido e começou finalmente a causa estragos na frente do terreno. Em termos coletivos, a equipa de Pepa tentou apostar mais naquilo que o Sporting fez até ao golo. Na reta final do primeiro tempo, o Paços teve mais qualidade na posse e isso permitiu-lhe mais investidas no último terço. Uma delas aos 42 minutos, onde Adán teve de mostrar serviço face a uma grande jogada do Paços pela esquerda que resultou num remate potente de Luther Singh. À Semelhança daquilo que os leões estavam a fazer até ao golo, o Paços começou a apostar numa construção mais pensada, nas triangulações rápidas, com um bloco mais junto dentro do terreno.
A segunda parte não podia ter começado de melhor maneira para os comandados de Rúben Amorim. Muito se tem falado de Palhinha fora de campo, mas o que é certo é que foi o médio que deu que falar dentro das quatro linhas aos 48 minutos. Foi um grande golo, seguido de canto batido na direita por Pedro Porro. Palhinha, de pé direito, encheu o pé e rematou sem hipótese para Jordi. A equipa da capital do móvel voltou a reagir bem ao golo sofrido. O Paços até conseguiu criar novamente perigo no reduto do espanhol Adán.
Os restantes minutos permaneceram com a mesma qualidade como aquela que houve até aqui. As duas equipas conseguiram voltar a “recarregar baterias” depois das substituições feitas no final dos sessenta minutos de jogo. E, com isto, o duelo conseguiu manter a mesma intensidade até aos minutos finais. Duas equipas a praticar um “futebol espetáculo”, onde de um lado houve um Sporting bem resolvido e consistente. E do outro, um Paços que não teve medo, que não abdicou das suas ideias e que veio a Alvalade justificar o lugar na tabela classificativa. Feitas as contas, são mais três pontos para o Sporting e um aumento da vantagem perante os eternos rivais. Eu cá não sou de intrigas, mas começa a ser difícil não vermos este Sporting como um sério candidato ao título. Mas, ainda assim, percebo a estratégia de Rúben Amorim sobre o discurso do “jogo a jogo”.
Consistência leonina – Vamos por partes: se há coisa que não tem faltado ao Sporting é consistência. Quer ao longo do campeonato, quer mesmo durante os jogos. É verdade que o último duelo em Barcelos pode acabar por “ferir” esta ideia, mas o percurso da equipa de Rúben Amorim não mente e mostra bem aquilo que tem sido feito até aqui. Quanto ao jogo de hoje, a palavra que encontro para a prestação destes leões é também consistência. Apesar de não ter dominado ao longo dos noventa minutos, o Sporting conseguiu sempre controlar o rumo do jogo e, deste modo, também o resultado.
O FORA DE JOGO
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Paulinho – Foi um jogo ingrato para Paulinho. Esteve algo apagado, muito por causa da aposta do Sporting na profundidade. Bem sabemos que este jogador é bem mais forte noutras andanças e isso sentiu-se hoje dentro de campo. Qualidade todos a reconhecem, mas a vinda de Paulinho está a exigir o “típico tempo de adaptação”.
ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP
Depois do susto em Barcelos que acabou por ter um final feliz, Rúben Amorim decidiu trocar algumas peças no onze inicial dos leões. Neto, Antunes, Matheus Nunes e Nuno Santos saltaram fora para dar a entrada a Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, João Mário e Tiago Tomás.
Alinhado no 3-4-3, o Sporting apostou muito na profundidade. Uma forma de jogar que apagou um pouco Paulinho no jogo. Sendo este um avançado que procura mais as triangulações, que precisa de apoio na frente de ataque, acabou por aparecer sobretudo nas vezes em que os leões atacavam mais em bloco e perto da área. Por sua vez, Tiago Tomás estava a ser a principal figura nas bolas longas.
O Sporting apresentou um bloco muito coeso, com as linhas muito juntas, com João Mário a conseguir segurar a bola depois da primeira fase de construção impulsionada pelos centrais do clube de Alvalade.
11 INICIAIS E PONTUAÇÕES
Adán (6)
Feddal (6)
Coates (7)
Gonçalo Inácio (6)
Nuno Mendes (5)
Pedro Porro (6)
Palhinha (7)
João Mário (7)
Tiago Tomás (6)
Pedro Gonçalves (6)
Paulinho (4)
SUBS UTILIZADOS
Nuno Santos (6)
Tabata (5)
Matheus Nunes (5)
Jovane Cabral (5)
Matheus Reis (-)
ANÁLISE TÁTICA – FC PAÇOS DE FERREIRA
Pepa decidiu também fazer duas alterações em relação ao duelo frente ao Portimonense SC. Entraram de inicio desta vez Maracás (um jogador que controla melhor a profundidade e também o central mais rápido do Paços) e Bruno Costa (que muitas vezes desempenha o papel de organizador de jogo dos castores) ao invés de Marcelo e Diaby, que começaram a ver este jogo do lado de fora.
Pepa apostou no seu habitual 4-3-3, inicialmente muito na expectativa e na aposta do contra-ataque. Estava a tentar aproveitar o adiantamento das linhas do Sporting e tentando colocar as bolas nas costas da defesa verde e branca. Apesar de terem sido poucas as investidas no início do primeiro tempo, nas poucas que existiram, Adán e os centrais estavam a conseguir controlar os lances. Ao nível defensivo, a equipa de Paços de Ferreira também esteve muito bem. Pagou foi caro por um erro individual aos 19 minutos.
Depois do primeiro golo, Pepa decidiu alterar o paradigma (na minha opinião, de forma inteligente). Tentou ter mais posse, juntar mais as suas linhas e longe das extremidades do campo (aliás, todo este jogo foi sobretudo na zona central). Apostou ainda nas triangulações rápidas para a construção. Com isto, o Paços de Ferreira conseguiu chegar mais vezes ao último terço do terreno e com mais perigo. Mas do outro lado esteve um Sporting competente que conseguiu estancar as investidas dos castores.
11 INICIAIS E PONTUAÇÕES
Jordi (5)
Fernando (5)
Marco Baixinho (6)
Maracás (6)
Rebocho (4)
Bruno Costa (5)
Eustáquio (6)
Luiz Carlos (5)
Luther (5)
Helder (5)
Douglas Tanque (5)
SUBS UTILIZADOS
Uilton Silva (4)
João Amaral (5)
Marcelo (5)
João Pedro (5)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Sporting CP
BnR: Já tocou neste ponto, mas pergunto-lhe se voltava a apostar em Paulinho tendo em conta as caraterísticas do jogo, pergunto-lhe se voltava a apostar no avançado de início, uma vez que o Sporting apostou essencialmente na profundidade. Visto que Paulinho é um avançado que procura buscar mais a triangulação e pede mais apoio. Por outro lado, Tiago Tomás foi a referência quando o Sporting atacou em bloco e perto da área adversária.
Rúben Amorim: Como disse, o Paulinho gosta de jogar mais em triangulações, mais em apoio, em diagonais curtas. Tendo o TT, o Paulinho e Pote neste jogo. O TT dava-nos a profundidade, o Paulinho outro jogo. E é mesmo isso. Em vez de termos apenas um jogador, o TT ou o Sporar para nos dar profundidade. Também Nuno Santos, por exemplo, Jovane e Tabata. Sabendo que o Paulinho é muito forte na sua forma de jogar. É um jogador também mais forte dentro da área, dá-nos outra possibilidade. Se nos fecharem o meio, a forma como Paulinho trabalha ajuda-nos nisso. Ele vai ter tempo para se adaptar, para nos dar coisas boas. Relembrar que ainda falta muito campeonato, onde vão haver jogos onde vamos jogar contra blocos muitos baixos, onde não vamos poder ter tanta profundidade. E o Paulinho vai ajudar-nos nisso.
FC Paços de Ferreira
BnR: O Paços de Ferreira é conhecido por ser uma equipa competente no contra-ataque, que liberta muito bem os alas. É verdade que hoje conseguiu chegar ao último terço algumas vezes, mas não conseguiu definir bem. Pergunto-lhe o que acha que faltou e se a entrada de João Pedro teve que ver com esta lacuna.
Pepa: Às vezes quando uma equipa que tenha eficácia e é incisiva no contra-ataque, temos a tendência de achar que somos só isso. Concordo. Somos uma equipa que sai muito bem de pressão, que reage bem à perda da bola e que procura logo a baliza adversária. Mas mais uma vez ficou aqui demonstrado que o Paços sabe o que fazer, construir desde trás, procurar jogar no corredor e procurar jogar no jogo interior
Esbateu nisso que disse na pergunta. Faltou um bocadinho mais felicidade e ela procura-se. Mas não fomos felizes hoje. Já fomos felizes lá atrás e seremos para a frente.
Todos os anos, o futebol mundial assiste à emergência de inúmeros jovens de extrema qualidade que brilham nos relvados europeus como se fosse fácil. Assegurando a continuidade e beleza do desporto-rei, a Liga Inglesa abre portas a uma série de promessas que despertam o interesse de todos os amantes de futebol. Passo assim à lista que integra, na minha opinião, os cinco melhores jovens da Liga Inglesa. E que jogadores…
Aconteça o que acontecer, o NXT TakeOver será sempre um grande evento.
É a principal conclusão a retirar do NXT TakeOver: Vengeance Day. Os fãs que o assistiram foram presenteados com cinco combates acima da média. Com isto, esperam-se novos desenvolvimentos que farão correr muita tinta nos próximos tempos.
Esta semana o nosso projeto viveu altos e baixos; tivemos elogios e críticas mas, em algum momento, mudámos o rumo da nossa ambição e dos valores que nos guiam.
Sabemos que esta escolha na juventude traz riscos, mas não a trocaríamos por nada. O que seria de um Patrício, João Félix ou Fábio Silva sem apostas? Se os nossos redatores erram? Claro que erram, mas com a falha irão tornar-se cada vez melhores profissionais, porque o erro faz parte da vida e ajuda a crescer. Por cada calinada que possam escrever, por cada omissão que possam ter, por cada vez que a voz possa tremer numa conferência de imprensa, melhor irá correr na vez seguinte. São essas as dores de crescimento que nos tornam mais fortes.
Contudo, o nosso melhor orgulho é ver que dia após dia esta nossa missão é partilhada por mais e mais leitores e que os nossos “petizes” são cada vez mais apontados como exemplos de boas práticas jornalísticas. É o êxito deles que nos faz ser reconhecidos, e nunca o contrário, porque sem boa gente nada se faz.
Sabemos que o caminho até atingir o objectivo de ser um dos big players vai ser longo, mas nunca iremos deixar este ideal por concretizar: É possível falar apenas de desporto em Portugal, é possível apenas analisar jogos pela parte boa do jogo. Não digo que não iremos abordar arbitragens, más decisões presidenciais ou outro tipo de questões, mas o foco irá sempre ser no que interessa.
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