Julian Weigl protagonizou uma das transferências mais inesperadas da presente temporada, ao abandonar os alemães do BVB Dortmund pelo SL Benfica, a troco de 20 milhões de euros. O médio defensivo de 24 anos não era uma aposta regular na equipa alemã, pelo que decidiu que o melhor rumo para a sua carreira seria vir para Lisboa.
Julian chegou, viu e tem jogado, quase sem parar. Desde a sua chegada, em janeiro, que o alemão é um titular indiscutível no onze encarnado, tendo já igualado ao serviço das “águias” o mesmo número de jogos para a liga (13) que tinha ao serviço do Dortmund.
No entanto, o alemão chegou numa altura em que os encarnados já se encontravam numa fase descendente no que à qualidade exibicional diz respeito, pelo que Weigl, quer pelo valor da transferência, quer por todo o peso que o seu nome tem, tornou-se num bode expiatório para alguns analistas/ fãs, que tentam justificar a queda exibicional dos encarnados com a entrada do alemão no onze. A causa da queda exibicional começou no banco e nos camarote presidencial da Luz, mas isso é um tema que merece ser abordado com mais calma.
Continuando com o tema em análise, penso que é visível para todos que há dois “Julians” completamente distintos ao serviço dos encarnados: um Julian pré-paragem do campeonato e um Julian pós-paragem do campeonato.
O Julian pré-paragem do campeonato era um jogador que, apesar de ter uma boa capacidade de construção e de passe, mostrava pouca agressividade na disputa de bola, sendo quase sempre superado pelos adversários no “1vs1”, algo que não é aceitável para um “trinco” que joga num clube da dimensão do Benfica.
O Julian que temos visto nos últimos quatro jogos tem mostrado mais à vontade a construir jogo, baixando no terreno e metendo-se entre os centrais, promovendo uma melhor circulação de bola. No entanto, o que é mais notório no alemão é a mudança na intensidade do seu jogo. Weigl tem mostrado muito mais agressividade na disputa pela bola, somando inúmeros desarmes e interceções no miolo do meio campo das “águias”, o que me leva a crer que, num futuro próximo, poderá juntar-se a nomes como Matic, Javi Garcia ou Witsel, assumindo-se como mais um grande médio defensivo na história recente das “águias”.
Apesar de os encarnados estarem numa situação extremamente delicada – com inúmeras escorregadelas e instabilidade interna, mais propriamente ao nível do treinador -, Weigl tem mostrado de que fibra é feito, pelo que podemos assegurar que o Benfica tem no alemão um médio defensivo de enorme qualidade que, com as condições certas, pode ajudar o Benfica a chegar a patamares mais elevados.
A cidade de Valência acolhe este novo formato da Liga de Basquetebol, que contou, ao longo da semana, com jogos das doze equipas melhor classificadas até à data da suspensão da competição.
Do grupo A, da qual faziam parte Unicaja, Joventut, Bilbao e Tenerife, são o Barcelona e o Baskonia que seguem para as meias-finais. A equipa catalã, que alcançou o primeiro lugar com oito pontos, teve uma fase de grupos tranquila, na qual foi apenas derrotada no último encontro, frente ao Tenerife. O jogo terminou com um 86-87 no marcador.
Já a passagem do Baskonia às meias-finais não se pode considerar assim tão tranquila. A equipa só conseguiu alcançar a próxima fase devido ao confronto direto com o Unicaja, pois até a diferença entre pontos marcados e pontos concedidos das formações era a mesma. Ambas as equipas conseguiram três vitórias e duas derrotas, mas o jogo que definiu a passagem do Baskonia foi o encontro entre as duas, onde a equipa basca venceu no tempo extra por 87-86.
O grupo B foi o grupo das surpresas. O Real Madrid, que era segundo classificado da Liga, apenas com dois pontos de desvantagem em relação ao Barcelona, não se conseguiu apurar para a fase seguinte. A vitória do San Pablo Burgos no jogo contra a equipa da capital espanhola prevaleceu na decisão. Já o primeiro classificado do grupo, o Valencia, teve uma campanha tranquila, na qual venceu quatro dos cinco jogos disputados e só perdeu contra o… Real Madrid.
Uma das equipas que melhor campanha fez no campeonato até à suspensão do mesmo foi a surpresa negativa no retorno da competição. O Zaragoza só venceu um encontro, arrecadando apenas dois pontos e o último lugar da classificação do grupo.
Os jogos das meias-finais e da final serão disputados num só encontro, não existindo lugar para uma segunda mão. Nas meias-finais, o Barcelona defronta o San Pablo Burgos e o Valencia defronta o Baskonia. Os vencedores dos encontros vão disputar a final a 30 de junho, onde o vencedor será consagrado campeão da Liga.
Durante semanas, o Presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo repetiu publicamente uma e outra vez que era imperativo que os órgãos decisores autorizassem que a Volta a Portugal se realizasse, e nas datas previstas no calendário UCI. O Governo e a DGS fizeram-lhe a vontade, mas foi a Podium, empresa organizadora, a decidir adiar ou cancelar – ainda não se sabe qual das duas – a prova, colocando a nu as fragilidades do modelo económico da competição.
Não seria necessário muito conhecimento do funcionamento autárquico para perceber que as Câmaras Municipais só estão disponíveis para pagar pela Volta se houver festa popular, mas para provas sem público não há vontade de gastar. Ora, quem assistisse às intervenções da Federação ficaria a pensar que isso não seria problema, e que a Volta estaria preparada para avançar, mesmo com essas externalidades causadas pela pandemia.
Bem que fomos todos enganados. Fica por saber o que faltou da parte da Federeção: se noção, se informação realista do organizador. Os últimos dias tornaram ocas as palavras tantas vezes repetidas por Delmino Pereira sobre a necessidade de realização da Volta. Não é a primeira vez que a Podium deixa a Federação mal na fotografia, mas era bom que fosse a última.
A incapacidade de garantir, desde já, se estamos perante um adiamento ou um cancelamento da prova rainha do Ciclismo português é o comprovativo final do total desnorte da organização da corrida, e coloca todos cujo trabalho está ligado ao Ciclismo profissional à mercê de quem repetidamente demonstra não estar à altura de tamanha responsabilidade.
Vencedor da Juventude em 2019, Emanuel Duarte seria um ciclista a observar na edição deste ano Fonte: José Baptista/Bola na Rede
Não é novidade que o modelo de financiamento da Volta a Portugal está obsoleto e demasiado dependente de atores não económicos, os autarcas, para sobreviver. Um evento que depende do populismo fica sujeito ao mesmo. E do populismo festeiro ao higiénico o passo não é tão grande como parece. Especialmente num país em que o poder local se baseia num mero contar de votos e nunca na contribuição para as reformas da sociedade.
É certo que o cobrar dinheiro pela passagem de provas é prática comum na modalidade. O que já não seria de esperar é que a Volta a Portugal exija valores semelhantes aos da La Vuelta a España, uma prova infinitamente mais importante e com muita maior projeção, ou que quase 40% do orçamento da Volta provenha de pagamentos das Câmaras Municipais.
O porquê de assim ser resulta não só de um problema de gestão, mas também do modelo de sociedade que construímos. Isso mereceria outro artigo – que, seguramente, escreverei em devido tempo -, mas, por agora, o que retém a nossa atenção é o estrago que causou.
Os desesperados pedidos públicos para fazer a Volta a Portugal serem sucedidos por um completo desmoronar dos planos para a sua realização tornaram o Ciclismo um alvo de chacota nacional. E, com este nível organizativo, bem que a Volta poderia mudar a sua alcunha para A Pequeníssima.
A CRÓNICA: UM JOGO DIVIDIDO QUE SORRIU PARA OS LEÕES
Último jogo da 28º jornada, o Sporting CP deslocou-se à Cidade do Futebol para defrontar o Belenenses SAD. Separadas por 19 pontos, ambas as equipas precisavam de pontuar: os Leões para recuperarem o 3º lugar e manterem a distância de dois pontos para o SC Braga, e o Belenenses SAD que procurava pontuar e afastar-se dos lugares mais baixos da tabela, onde todas as equipas procuram fugir ao Portimonense SC.
Sem Jérémy Mathieu, que se lesionou gravemente e deu por terminada a sua carreira, Rúben Amorim foi obrigado a mexer. Entrou Cristián Borja para o lugar do francês. Nuno Mendes foi novamente titular, ocupando o lugar do lesionado Marcos Acunã. Rafael Camanho ficou no banco e deu lugar a Stefan Ristovski.
Do lado da equipa da Linha, Petit não contou com os lesionados Silvestre Varela e Gonçalo Silva. Para o lugar do central capitão entrou Rúben Lima. Destaque para a homenagem a Jérémy Mathieu, com todos os jogadores do Sporting CP a terem todos o nome do retirado central francês na camisola.
Uma primeira parte repartida e fraca, que pouco justificou o resultado, onde o Belenenses SAD criou muitas dificuldades aos Leões, beneficiando de erros defensivos. Apesar disso, a equipa de Rúben Amorim foi eficaz e, mesmo numa primeira parte aquém, foi capaz de fazer três golos.
O Sporting CP começou com uma grande oportunidade, aos 3 minutos, após um canto a favor do Belenenses SAD, Andraz Sporar apareceu isolado, não conseguiu rematar e atrasou para Jovane Cabral, que atirou por cima.
O Belenenses SAD criou perigo aos nove minutos, com um tiro de Show a passar perto da baliza. No lance a seguir, a equipa da linha pressionou alto, Nilton Varela recuperou a bola após um mau passe de Eduardo Quaresma, cruzou para Licá que marcou o primeiro da partida. Após algumas tentativas de criar ocasiões de ambas as partes, com pouca qualidade, num canto aos 22 minutos, Sebastián Coates cabeceou para o fundo da baliza. Fica muito mal na fotografia o guarda-redes Hervé Koffi.
O Sporting CP a mostrar dificuldades na construção e na posse de bola, com Wendel muito marcado. Do lado do Belenenses SAD, Marco Matias muito desequilibrador, Show e André Santos muito ativos na construção de jogo.
Aos 35 minutos, um mau passe de Matheus Nunes, Mateo Cassierra atirou em zona frontal, à meia distância, para uma boa defesa de Max. Os leões saíram a jogar, Gonzalo Plata perto da área atrasou para Stefan Ristovski, que cruzou para um remate acrobático no centro da área por parte de Jovane Cabral, que fez o segundo dos leões.
Aos 42 minutos, Licá atirou para o fundo da baliza, mas foi assinalado fora de jogo. Os Leões muito passivos na pressão ao homem com bola. Perto do intervalo, grande penalidade para os leões. Rúben Lima faz falta sobre Andraž Šporar. Jovane Cabral foi chamado a bater e falhou. O árbitro mandou repetir por Hervé Koffi se ter adiantado. Na segunda tentativa, o extremo não perdoou e fez o terceiro golo dos Leões. O Sporting saiu para o intervalo a ganhar por 3-1.
Uma segunda parte também equilibrada, mas menos intensa. O Sporting CP foi capaz de manter mais a posse de bola, a contar com menos pressão da equipa da linha. A alteração ao intervalo, saída de Jovane Cabral, com dificuldades físicas, para a entrada de Francisco Geraldes, ajudou o Sporting CP a ter mais segurança no meio campo. No entanto, muitos erros individuais a dificultarem o jogo dos Leões. O Belenenses SAD quebrou o ritmo de jogo, mas procurou sempre reduzir o resultado, criando aproximações, mas escassas foram as oportunidades.
Aos 45 minutos, os Leões, numa recuperação de bola, criaram uma boa oportunidade de golo. Francisco Geraldes não conseguiu rematar, tentou Andraz Sporar, sobrou para Stefan Ristovski que atirou por cima. Aos 58 minutos, lance de perigo para o Belenenses SAD. Num canto, Mateo Cassierra cabeceou, mas ao lado. Canto aos 63 minutos, cabeceamento de Sebastián Coates e defesa de Hervé Koffi. Aos 70 minutos, iniciativa individual de Dieguinho, a meia distância, para defesa segura de Max. O relógio marcava os 75 minutos de jogo quando Francisco Geraldes remata à meia distância, de pé esquerdo, para uma defesa segura de Koffi.
Nos últimos dez minutos houve uma quebra, apesar das substituições. A equipa de Rúben Amorim geriu o resultado, enquanto a equipa de Petit, já sem forças, tentava reduzir o resultado.O Sporting CP soma a terceira vitória consecutiva. Já o Belenenses SAD contabiliza a segunda derrota consecutiva, após ter perdido na jornada passada diante do FC Paços de Ferreira.
A FIGURA
Fonte: Liga Portugal
Primeira parte do Belenenses SAD – A entrar sem medo, a equipa de Petit entrou pressionante, sem medo e à procura de olhar olhos nos olhos a equipa verde e branca. Foi capaz disso, mas nem sempre a exibição se reflete no resultado. Criou oportunidades e demonstrou qualidade, mas saiu para o intervalo a perder por 1-3.
— Sporting Clube de Portugal (@Sporting_CP) June 26, 2020
Defesa dos leões – Sem Jérémy Mathieu, a linha defensiva do Sporting CP sentiu muitas dificuldades. Eduardo Quaresma cometeu muitos erros e Cristian Borja a mostrar pouco. Sebastián Coates ainda equilibrou e deu alguma estabilidade. A entrada de Francisco Geraldes foi crucial para fechar caminhos no meio campo e ajudar a defesa dos leões que, apesar do resultado, esteve num dia não.
ANÁLISE TÁTICA – BELENENSES SAD
A equipa de Petit apresentou-se no habitual 3-4-3, a jogar pressionante, a criar muitas dificuldades ao Sporting CP. A equipa “da casa” fez uma boa primeira parte, com destaque para Show e Marco Matias. Na segunda parte, a equipa perdeu intensidade, o cansaço começou a pesar. Foram algumas as tentativas de criar perigo, mas sem sucesso.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Hervé Koffi (6)
Rúben Lima (5)
Nuno Coelho (6)
Cafu Phete (6)
Nilton Varela (5)
Show (7)
André Santos (6)
Tiago Esgaio (5)
Marco Matias (7)
Mateo Cassierra (6)
Licá (6)
SUBS UTILIZADOS
Nuno Pina (5)
Dieguinho (6)
Alhassane Keita (5)
Robinho (5)
Diogo Calila (5)
ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP
Obrigado a mexer devido à situação de Jérémy Mathieu, Rúben Amorim deixou também no banco Rafael Camacho. Entraram Cristian Borja e Ristovski. O Sporting CP procurou manter a identidade, mas com muitas dificuldades na construção e posse de bola. Mérito do Belenenses SAD, mas os Leões a serem muito passivos e pouco consistentes na primeira parte. Na segunda, a entrada de Francisco Geraldes ajudou a criar estabilidade no meio campo, a permitir fechar algumas zonas e a dar também espaço a Wendel.
Não foi uma exibição brilhante, aquém daquilo que foi frente ao CD Tondela, mas suficiente para somar mais três pontos.
A proximidade entre Portugal e Espanha não é só a nível de fronteiras. O futebol tem estreitado laços com um constante vaivém de jogadores. A Liga Espanhola é um campeonato bastante atraente, recheada de craques e com destaque nas competições europeias, o que torna sedutor o salto do território luso para a terra dos nuestros hermanos, tanto para jogadores portugueses, como para atletas estrangeiros que vêem a Península Ibérica como uma rota para as montras do futebol mundial.
Neste artigo procurei construir um 11 de jogadores portugueses que de alguma forma marcaram a sua passagem no escalão máximo do futebol espanhol neste século. Vou usar um sistema de três centrais, privilegiar a qualidade, e também, em alguns casos, o legado que deixaram nas formações por onde passaram.
Ricardo Chéu, antigo treinador do FC Spartak Trnava, foi o convidado do Mourinhos vs. Guardiolas. A experiência por Portugal e no estrangeiro foram os temas mais abordados ao longo do programa, porém, ainda houve tempo para perceber o futuro do treinador, que ainda não está definido.
Com uma carreira “jovem”, Ricardo Chéu tem a convicção de que a ida para Itália foi «o melhor passo da carreira». O treinador português procurava um novo desafio, pois andava sempre em vários clubes da Segunda Liga Portuguesa. Por terras italianas, relembrou as longas viagens pelo país e também o jogo extremamente tático, onde as formações rapidamente trocavam as suas táticas em pleno jogo.
Na Europa de Leste, o treinador comandou o FK Senica e o FC Spartak Trnava, que acabou por abandonar devido às consequências da pandemia de COVID-19 na equipa. Ricardo Chéu facilmente apontou parecenças entre o Futebol da Eslováquia para Portugal, todavia, as diferenças são ainda muito notórias. O treinador português destacou o facto de os jogadores eslovenos terem uma mentalidade de querer evoluir, mas tecnicamente não é muito evoluído. Com um estilo de jogo considerado «agressivo», relembrou que com a entrada de treinadores estrangeiros houve uma mudança, especialmente a nível tático e emocional.
A experiência na Eslováquia, permitiu o treinador falar sobre a «vertente goleadora» de Andraz Sporar, avançado do Sporting CP. Ricardo Chéu tem a certeza que é um jogador que pode numa equipa grande em Portugal, como já está a fazê-lo, porém, não se pode comparar o esloveno com Bas Dost. Quanto ao mercado esloveno, que é ainda desconhecido em Portugal, o treinador vê muito potencial em jogadores da liga e com qualidade suficiente para jogarem no nosso país.
No programa, Ricardo Chéu recordou que teve duas abordagens de formações da Primeira Liga Portuguesa e não aceita por achar que naquela altura «não era o timing certo». Para além disso, o treinador sente que o melhor para si é começar um «projeto do zero». Quanto ao futuro, Ricardo Chéu acredita que por todo o seu trabalho que já fez no estrangeiro tem potencial para voltar a Portugal e à Primeira Liga. É o seu objetivo principal, porém, o estrangeiro ainda é opção e com a Eslováquia “à espreita”.
Cândido Fernandes Plácido de Oliveira é provavelmente a figura mais importante do século XX, no que ao futebol se refere. Nasceu em Fronteira, Portalegre, a 24 de setembro de 1896, e, após ficar órfão, entrou para a Casa Pia de Lisboa em 1905. Desde cedo que demonstrou capacidade para a prática desportiva e em 1914/15 começou a representar o SL Benfica até 1920, o ano em que fundou, juntamente com mais alguns colegas da instituição, o Casa Pia Atlético Clube.
De exemplo na seleção a agente PAX, contra a ditadura
Foi o capitão no primeiro jogo de sempre da seleção nacional a 18 de janeiro de 1921, em Madrid, numa derrota por 3×1 com a Espanha, arrumou cedo as chuteiras e abraçou a carreira de treinador em 1926, como selecionador nacional.
Também enveredando pelo jornalismo, inicialmente na “Stadium”, e passando por muitos outros jornais, Cândido de Oliveira trabalhou como inspetor geral nos CTT e tinha acesso privilegiado a informações ligadas à espionagem, em que Portugal era o centro, e, durante a II Guerra Mundial, tornou-se agente de uma rede clandestina inglesa com o intuito de informar os aliados sobre os movimentos alemães em Portugal, e organizar grupos de resistência ativa e passiva em caso de invasão de Portugal pela Alemanha nazi.
O horror Tarrafal e o jornal “A Bola”
Detido em 1942 pela PVDE, foi deportado para o Tarrafal e viveu os horrores já muitas vezes conhecidos pela história, no entanto, e tendo em conta a sua dimensão sobre o público, viveu o Campo do lado de fora, não sendo obrigado a trabalhos forçados, o que lhe permitiu continuar com a rede por si montada.
Em janeiro de 1945 funda, com Ribeiro dos Reis e Vicente de Melo, o jornal “A Bola” após regressar do “campo de concentração” de Cabo Verde. Volta como treinador da seleção nacional e logo depois orienta o Sporting CP durante 3 épocas, nas quais consegue dois títulos nacionais ao serviço dos leões e orientou os célebres “Cinco Violinos”. Sai do clube de alvalade, porque não concorda com a não renovação do conhecido e goleador Fernando Peyroteo.
Torna-se o primeiro treinador português a treinar no estrangeiro pelo CR Flamengo em 1950, no entanto, apenas fica no Brasil 6 meses e volta para Portugal para treinar a seleção, o FC Porto e a Académica OAF que fica conhecida a dada altura por praticar um futebol de alto nível, onde quem corria era a bola e não os jogadores, algo que se pode equiparar hoje ao tiki-taka de Guardiola no FC Barcelona.
Seguiu para a Suécia em 1958 para acompanhar, como jornalista do jornal “A Bola”, o campeonato do mundo de futebol, onde Pelé começou a brilhar aos olhos do mundo. A paixão ao futebol e ao jornalismo levam-no a ignorar as indicações de um médico, que o limitavam a ficar em casa durante uma semana, em pleno mundial, após queixas de uma gripe que contraiu por não poder levar toda a sua bagagem e, consequentemente, toda a sua roupa, na viagem de avião que apanhou após ir de carro de Portugal até França. A gripe evoluiu para uma pneumonia e a 23 de junho de 1958 morreu no hospital, em Estocolmo, com 61 anos.
A homenagem possível
O país inteiro comoveu-se, a Académica OAF em particular, o funeral passa pela sede do CA Casa Pia e termina no cemitério do Alto de São João, sempre acompanhado por uma multidão que lamentava a perda do verdadeiro mestre do desporto e do jornalismo.
A partir de 1981, a Federação Portuguesa de Futebol passa a atribuir à supertaça de futebol, prova que junta o vencedor do Campeonato Nacional com o vencedor da Taça de Portugal da época anterior, o seu nome – Supertaça Cândido de Oliveira.
Treinado por Cosme Damião, fundador do SL Benfica, primeiro capitão de sempre da Seleção Nacional, selecionador nacional e pioneiro em Portugal no desenvolvimento teórico sobre metodologias de treino e táticas na modalidade, jornalista e fundador do Clube Atlético Casa Pia e do jornal “A Bola”, lutador “silencioso” antifascista que esteve como preso político no horror do Tarrafal, Cândido de Oliveira foi, sem dúvida alguma, o autêntico homem do renascimento e desenvolvimento do futebol em Portugal, foi e é o Mestre do Futebol.
Ao fim de quatro jogos após o regresso do campeonato, o FC Porto tem oscilado entre momentos bons e maus. Uma fase que, apesar de atípica, tem salientado as fragilidades da equipa, que tem poucas soluções, e à custa disso tem muitos jogadores em quebra de rendimento, como tem sido o caso de Luís Diaz.
O colombiano de 23 anos que chegou este ano ao FC Porto, é um dos jogadores mais irreverentes e com qualidade do plantel, mas tem estado muito abaixo das expectativas e daquilo que realmente pode dar ao jogo e à equipa.
O treinador Sérgio Conceição tem apostado constantemente no extremo, no entanto, poucos são os jogos completos que o jogador faz, mesmo que comece a titular, acaba muitas vezes por ser substituído, tal como aconteceu no último jogo, onde teve uma das prestações menos conseguidas da temporada.
Luís Diaz foi aposta de Sérgio Conceição em 43 jogos esta época, ainda assim só em 11 jogos é que fez os 90 minutos, o que não invalida a influência direta que o jogador tem nos resultados, mas comprova a queda de rendimento ao longo das partidas.
Nestes 43 jogos, o colombiano marcou 12 golos, o que o leva para o top dos melhores marcadores. Um registo positivo, uma vez que marcou para todas as competições, desde o campeonato, à Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga Europa.
Luís Diaz está em baixo de forma no pós-quarentena Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede
Ainda assim, está há seis jogos sem marcar e esse período também coincidiu com uma das fases mais negativas da equipa na temporada, com duas derrotas e um empate. Isto prova, mais uma vez, a quebra que os jogadores têm e, neste caso especifico, Luís Diaz é dos poucos jogadores capazes de virar o jogo com um momento de inspiração. E, se estiver em baixo de forma, a história é outra.
A rapidez que lhe é característica, aliada à facilidade de driblar os adversários faz do colombiano um dos jogadores mais perigosos da equipa, mas ultimamente tem mostrado estar muito precipitado nos lances e com falta de visão de jogo. Em muitas situações podia ter servido um colega e preferiu arriscar e perder o lance por egoísmo. A falta de inspiração do colombiano, aliada à ausência de Nakajima tem deixado o ataque portista sem soluções.
Este último jogo acabou por trazer um FC Porto diferente, mas que apenas melhorou de rendimento com as mexidas ao intervalo e com a saída de Luís Diaz que não estava a acrescentar nada à equipa. Nesta fase do campeonato, a entrada de Luís Diaz no decorrer do jogo podia ser uma opção mais válida, mas para isso era preciso ter alguém para o lugar dele para jogar inicialmente.
As soluções são poucas, a esperança é que o resultado positivo do último jogo tenha peso na moral dos jogadores e traga ao de cima o melhor de cada um para fazer dos portistas campeões.
A derrota caseira por 4-3 frente ao CD Santa Clara veio aumentar, ainda mais, a crise que o SL Benfica vive por estes dias. Se o campeonato já estava comprometido, as exibições recentes da equipa não auguram o melhor desfecho desta época desportiva.
Num momento em que o Benfica se encontra a disputar dois troféus (campeonato e Taça de Portugal), o plantel está muito aquém do esperado, não conseguindo obter os resultados que podia e devia.
Há, no plantel, vários jogadores que não têm sido aposta de Bruno Lage, tal como Andrija Zivkovic. O sérvio é um jogador bastante interessante e pode ser um bom reforço interno para atacar aquilo que falta da temporada. O jovem sérvio não tem sido aposta de Bruno Lage por opção do técnico setubalense.
No SL Benfica desde 2016, Zivkovic tem sido um jogador que tem passado por alguns contratempos com o clube da Luz. Mais recentemente, o Benfica tentou vender o atleta, mas o ex-Partizan recusou-se a sair do clube a qualquer custo. A verdade é que Zivkovic aufere um dos salários mais altos do plantel do Benfica, sendo dos que menos dá à equipa no que toca a resultados desportivos, mas, ainda assim, é tempo de tentar reabilitar este jogador.
Dotado de uma técnica anormal, “Zivko” poderia ser muito mais do que aquilo que é. O extremo é um jogador tecnicamente evoluído, tem um pé esquerdo bem acima da média e seria, sem qualquer dúvida, uma boa adição para o Benfica.
No decorrer do jogo frente ao Santa Clara, Lage fez entrar Zivkovic para o lugar de Gabriel e pode-se considerar que Zivkovic correspondeu àquilo que lhe foi pedido, embora o desfecho não tenha sido aquele que era pretendido. Entrou, desequilibrou, jogou e fez jogar.
Zivkovic já não jogava desde o encontro frente ao SC Covilhã, a contar para a Taça de Portugal, há pouco mais de seis meses e não era aposta de Bruno Lage. O treinador do Benfica não contava com o jogador e voltou, assim, a integrar o mesmo nos seus planos para o que resta da temporada.
Usualmente, é colocado a jogar numa extremidade do campo, embora possa pisar terrenos mais interiores. Zivkovic seria uma boa opção para render Pizzi e Rafa, sobretudo o primeiro, que está claramente em quebra de rendimento. No plantel são vários os jogadores que podem jogar a extremo, mas penso que nenhum tem as qualidades de Zivkovic, ou melhor, aquilo que Zivkovic pode dar à equipa a nível técnico.
Andrija Zivkovic é um talento raro e a sua carreira profissional tem sido um autêntico desastre. O facto de ter feito o contrato da sua vida muito jovem (todos os anos o seu salário aumenta até que chegará a cerca de cinco milhões de euros) poderá ser uma das razões para o insucesso do jogador. Ainda assim, a qualidade está lá, faltando apenas a força de vontade de lutar por um lugar no XI.
Com mais saídas do que propriamente entradas de jogadores, neste artigo analisamos a mais recente aquisição do SL Benfica: Ivan Chishkala. Ainda que sem qualquer confirmação e, consequente, apresentação por parte dos encarnados, foi o Gazprom-Ugra quem deu a notícia de que o pivô russo estaria de malas feitas para a ponta oposta do continente europeu.
É a mais de seis mil quilómetros, na cidade de Yugorsk, que vive o próximo pivô das águias e, para muitos, o “prodígio russo”. A notícia da vinda de Chishkala é muito importante para Joel Rocha, não só pela sua tremenda qualidade, mas também porque o SL Benfica precisava urgentemente de um pivô com as caraterísticas do russo. Sejamos sinceros… Fernandinho é um jogador de classe mundial, mas por muito que se queira não é um pivô habituado a ser “fixo”, acabando por ser demasiado móvel. E Fits? Bem… Muito respeito, porém, não anda nem perto dos melhores pivôs que já passaram pelos encarnados.
Deixando aquilo que são as lacunas atuais do plantel das águias, observámos à lupa as qualidades e as dificuldades que Ivan Chishkala demonstra dentro de quadra. O russo de 24 anos é considerado por muitos o grande prodígio do Futsal russo e tem sido um goleador nato no Gazprom-Ugra.
Desde 2014/15, o pivô tem mantido a marca de mais de 20 golos por época e esta temporada, que acabou por ser interrompida pela pandemia de COVID-19, ia já com 18 golos em 27 partidas. Contudo, Chishkala ainda terá oportunidade para balançar as redes das balizas adversárias, pois a 2 de agosto retomará a Liga Russa. Certamente, os adeptos encarnados estarão de olhos postos no pivô, numa espécie de tentativa – tal como estamos aqui a fazer – de observar a qualidade existente em Chishkala.
O pivô russo tem um bom físico para a posição que ocupa, um excelente remate – principalmente o remate longo –, e é um bom batedor de livres. Nas jogadas ensaiadas, Chishkala pode ser fundamental, visto que no Gazprom-Ugra o pivô é muitas vezes solicitado para rematar de primeira após um passe longo, o que acontece por diversos momentos no jogo dos encarnados. Ou seja, as águias adquiriam um jogador para preencher as lacunas deixadas por algumas saídas. O russo demonstra muito pragmatismo e não denota grande interesse pelas habilidades exuberantes no momento de ultrapassar o adversário.