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Força da Tática: O Inovador Sheffield United FC de Chris Wilder

O Sheffield United FC de Chris Wilder tem sido a grande surpresa desta edição da Premier League. Com um registo verdadeiramente impressionante de duas subidas em quatro anos, Wilder tem criado uma equipa forte em todos os momentos do jogo e com ideias inovadoras e completamente diferentes daquilo que é visto atualmente. Neste momento, ocupam o sétimo lugar e lutam por uma vaga de acesso à Liga dos Campeões. Um trabalho fantástico do seu treinador, que com as suas ideias tem criado uma equipa com princípios incomuns no futebol atual e com um enorme sucesso.

A equipa inglesa apresenta traços fortes do Futebol Total pela rotatividade, trocas posicionais constantes entre determinados jogadores e dinâmicas de terceiro homem. Com uma identidade muito vincada, o Sheffield transformou-se numa máquina muito bem oleada e que promete ficar na memória dos adeptos ingleses. Talvez num próximo artigo, analise a equipa inglesa de forma global, mas hoje trago-vos um dos princípios mais utilizados no seu jogo: o avanço dos centrais em momento ofensivo.

Irão ser destacados os centrais, O’Connell e Basham, por serem os maiores protagonistas destas ações ao longo do jogo. Este fenómeno dos centrais progredirem no terreno não é novo, por exemplo, Van Gaal utilizava esta estratégia nos anos 90 ou, até mesmo, a Alemanha do fantástico central Franz Beckenbauer também já o fez. Apesar disso, é um princípio que se foi perdendo com o tempo e que Wilder e, principalmente o seu adjunto, Alan Knill (aquele que propôs a ideia ao treinador principal), trouxeram de novo à tona do futebol.

Onze base do Sheffield United FC e a estrutura tática

A equipa utiliza o sistema tático de 1-3-5-2, que vai sendo alterado ao longo de cada fase do jogo. O central do meio, John Egan, é um central mais posicional, forte na marcação e agressivo; Basham e O’Connell são dois centrais flanqueadores que têm liberdade para desenvolver diagonais ao longo dos corredores laterais. O’Connell é tecnicamente mais evoluído, fruto do seu bom pé esquerdo, e tem elevada capacidade de passe a longas distâncias; já Basham é mais rápido, inteligente nas suas desmarcações e forte no futebol associativo.

No meio-campo existe um triângulo invertido com Norwood a ser o jogador mais posicional e com Fleck e Berge/Lundstram como médios interiores com funções importantes em momentos de criação ofensiva. Os avançados McBurnie e Sharp/Mounié/McGoldrick têm características todos eles diferentes, mas conseguem ser muito agressivos no ataque ao espaço entre os elementos da linha defensiva e alguns deles fortes no jogo associativo. Têm funções tanto na busca da profundidade como no serviço em apoio. Não são goleadores, mas trabalham muito para a equipa. Resiliência é a palavra que melhor os define.

Normalmente, o Sheffield constrói com os três defesas centrais, no entanto depende muito da forma como o adversário pressiona na primeira fase defensiva. Por exemplo, quando o adversário pressiona com dois avançados, O’Connell e Basham abrem e um dos médios pode até baixar (normalmente Norwood) juntando-se a Egan no espaço central. Já quando o adversário pressiona com um avançado, O’Connell e Basham abrem, Egan posiciona-se entre eles e Norwood à frente da linha de três centrais, formando um losango que possibilita uma troca de bola segura.

O Sheffield tende a explorar o ataque vertical em bola longa para os dois avançados ou com combinações nos corredores laterais. A equipa inglesa acaba por, teoricamente, dividir o campo em dois de forma vertical e criar o seu jogo ofensivo pelo lado direito ou lado esquerdo. Apostam sobretudo no jogo pelos corredores laterais, deixando de parte o ataque pelo corredor central, pelo risco associado ao mesmo em momento de perda de bola. A compactação ofensiva junto aos corredores acaba por ser a sua imagem de marca e a forma com que criam maior desequilíbrio aos adversários.

Quando tem oportunidade, a equipa aposta na procura da profundidade. Os centrais têm uma elevada capacidade de passe a longas distâncias, dessa maneira aproveitam os movimentos de rutura dos avançados na busca da profundidade (por vezes, também dos médios interiores). Quando não o conseguem fazer, normalmente procuram uma construção de jogo mais elaborada.

Acaba por ser interessante a forma como são criadas condições para que os centrais consigam avançar. Normalmente, a equipa inglesa inicia a primeira fase de construção com os três centrais, dois deles abertos (O’Connell e Basham) e um no meio (Egan). Nesta fase, a linha dos três centrais ainda não tem uma distância tão relevante como irá ter numa segunda fase de construção. Ou seja, inicialmente os centrais estão mais próximos e vão alargando a distância entre eles à medida que a equipa avança no terreno.

Na segunda fase de construção, dois dos centrais estão abertos e Egan sempre no centro. Para que um dos centrais consiga subir no terreno, é essencial a estrutura montada junto ao corredor lateral. O Sheffield coloca sempre vários jogadores nos corredores laterais com o intuito de desenvolver combinações e atacar a partir daí. Por exemplo, num ataque pelo lado esquerdo: O’Connell fica completamente aberto no corredor esquerdo, lateral sobe e arrasta marcação, um dos médios interiores em espaço entre-linhas, Norwood ou Egan ao lado de O’Connell, arrastando marcação e permitindo a sua subida.

Basicamente, a preocupação é gerar uma superioridade numérica que possibilite uma troca de bola em progressão. Podem ver este desenho tático na imagem seguinte:

Fonte: BeIn Sports

Quando a bola chega a um dos laterais (Baldock ou Stevens), um dos centrais tem liberdade para subir e movimentar-se para ser linha de passe. As estruturas montadas nos corredores, possibilitam múltiplas soluções para combinação. Um dos médios interiores, o central, o lateral e, por vezes, um dos avançados criam microestruturas difíceis de desmontar por parte do adversário. As dinâmicas destas microestruturas são interessantes pela eficácia que têm e pelos problemas que criam ao adversário. A procura do espaço, a rotatividade posicional e a inteligência ao nível das movimentações e desmarcações permitem à equipa trocar a bola em espaços curtos e ter sempre soluções de passe, mesmo quando o adversário coloca vários jogadores a defender no corredor.

As relações simples criadas entre os jogadores são a chave para uma troca de bola eficaz. Ações como o posicionamento em apoio, a passagem nas costas ou a movimentação por dentro em busca do espaço nas costas da defensiva adversária são utilizadas pelos jogadores. Além disso, e derivado a esta rotatividade, os jogadores mudam constantemente as suas posições. É frequente ver, por exemplo, o lateral em espaço interior e o central encostado à linha, ou o médio encostado à linha, o lateral em apoio e o central a desmarcar-se por dentro e a surgir nas costas de uma estrutura defensiva adversária. Após ganhar espaço, apostam quase sempre no cruzamento, principalmente pela presença na área de vários jogadores.

O Sheffield United FC é uma das boas surpresas desta época. O treinaodr Chris WIlder tem sido o grande obreiro deste sucesso.
Fonte: Total Football Analysis

O Sheffield é uma equipa que gosta de criar desequilíbrios nas defesas adversárias através da mudança de flancos. Para isso acontecer, existe uma preparação no flanco onde se desenrola a jogada e no flanco contrário. Imaginemos que a bola está no flanco direito e existem condições para desequilibrar no corredor esquerdo. Assim, uma das hipóteses seria o passe longo, outra seria o passe curto para o médio mais posicional (Norwood) ou para o central Egan, que oferecem sempre linha de passe atrasada, possibilitando uma mudança de flanco num curto espaço de tempo. Quando a bola chega ao lado contrário, o lateral está quase sempre subido e o médio interior rapidamente se junta ao mesmo.

Imaginando que o lateral recebia a bola a partir de passe vindo do flanco contrário, de imediato o central se envolvia no ataque, o médio interior juntava-se para combinar e era criada uma situação de superioridade numérica difícil de controlar por parte do adversário. Este facto é um dos motivos para que as equipas adversárias utilizem linhas de cinco ou até de seis jogadores em momento defensivo. Só assim, conseguem controlar com eficácia a amplitude do conjunto do Sheffield.

 

Em determinados momentos, os centrais podem até aparecer em zonas de finalização em jogadas de ataque continuado. Aliás, esta é uma estratégia algumas vezes utilizada pela equipa inglesa, em momentos que precisa de ter mais jogadores na área para finalizar.

Defensivamente e apesar das investidas dos centrais, a equipa do Sheffield consegue ser segura e coesa, muito pela preparação do momento após perda de bola que realiza. O facto de ter uma compactação ofensiva tão grande nos corredores não só oferece múltiplas soluções ao nível ofensivo, como ajuda em momento defensivo a equipa a pressionar de forma coesa e conjunta. Normalmente, quando um dos centrais avança, os outros dois ficam mais resguardados (muito embora o central do lado contrário esteja sempre preparado para subir em caso de mudança de flanco).

A partir do momento em que a equipa consegue criar vantagem num dos corredores, os dois centrais mantêm-se posicionados atrás, um dos médios (normalmente, Norwood) também fica mais posicional e os restantes jogadores têm a capacidade de, após a perda, reagirem rápido e com um determinado padrão.

Pelo facto de o Sheffield colocar vários jogadores em momento ofensivo, o adversário também é obrigado a colocar vários jogadores a defender. Assim, a transição defensiva fica mais facilitada, visto que muitas vezes o adversário não consegue ter jogadores suficientes para transitar e vê-se obrigado a passar longo, na maioria das vezes, ineficazmente, fruto do jogo aéreo fortíssimo dos defesas do Sheffield. Mas quando isso não acontece e o adversário tem homens suficientes para transitar, o Sheffield consegue organizar-se de forma rápida. Normalmente, os jogadores mais perto da bola pressionam de forma intensa, enquanto os restantes recuam de imediato, ocupando os seus posicionamentos habituais. Acabam por conseguir recuperar a bola rapidamente e partir logo para ataque.

Além disso, a equipa tem um controlo da profundidade muito forte. Prova desta eficácia defensiva é o facto de o Sheffield United ser a segunda melhor defesa do campeonato inglês, apenas atrás do Liverpool FC. Outro facto interessante é a equipa inglesa ser a terceira com maior percentagem de ações no terço defensivo adversário e a terceira com menor percentagem de ações no seu terço defensivo. Estes últimos dados estão relacionados com o envolvimento ofensivo brilhante e com a forte transição e organização defensiva do Sheffield.

Equipa organizada e preparada para possível perda de bola
Fonte: Total Football Analysis

O’Connell e Basham não são dois centrais tecnicamente muito evoluídos, no entanto, são rápidos, têm uma boa capacidade de drible e são extremamente inteligentes. Percebem os timings em que devem subir e descer no terreno, de maneira a manter a equipa equilibrada nuns momentos e investir na subida para criar perigo ao adversário noutros. Identificam o espaço e rapidamente oferecem solução para desequilibrar as defesas adversárias. Esta inteligência tática que revelam tem sido extremamente importante para a equipa do Sheffield estar a lutar pela Europa. É absolutamente incrível como uma equipa sem jogadores “sobredotados” tecnicamente falando, consegue desenvolver uma identidade tão própria e tão eficiente. Este estilo de centrais a subir no terreno e a criar superioridade numérica em zonas avançadas poderá ser um ponto de partida para um “novo” princípio de jogo no Futebol Moderno.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

5 nomes que merecem integrar o mural da Rotunda Cosme Damião

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Tudo o que se segue serve para, em primeiro lugar, agradecer o enorme trabalho de toda a malta que se ocupou da Rotunda Cosme Damião e a transformou num monumento intemporal e sempre necessário à revitalização da História benfiquista.

Segundo, servirá como catarse para as minhas saudades do Benfica, porque as minhas saudades serão sempre mais dolorosas que a dos outros, já que as deles não poderei eu sentir.

Por último, as sugestões que aqui ficam expostas nunca deverão ser interpretadas como críticas ou achegas ao orgásmico trabalho da malta do Mural da Glória, para os quais se mandam fortes e aconchegados cumprimentos, daqueles com tanto carinho que se mete em causa tanto amor extrovertido.

Na Rotunda Cosme Damião constam já os nomes de 39 intérpretes do legado encarnado, pessoas de carácter ímpar que à custa de todo o suor derramado pela águia ancestral, assente na faixa vermelha e verde, se fundiram com o próprio clube. Nomes que se associam imediatamente a tardes e noites de alegrias marcadas a ferro e fogo no imaginário benfiquista.

Aos pusilânimes que por lá passaram há duas semanas, rabiscando de verde os retratos de quem só sentia vermelho: a resposta veio com mais uma catrefada de representações das figuras do Olimpo, porque é assim que respondeu sempre o Benfica – com a genialidade que não deixa ninguém indiferente, sobrepondo-se às invejas com ainda mais virtudes e utilizando o amor incondicional como repelente para o ódio irracional.

Eusébio, Mário Coluna, Rogério Pipi, José Augusto, Chalana, Bento, José Águas, Toni, Shéu Han, Humberto Coelho, Ângelo, Carlos Lisboa, Jonas, Jaime Graça, Nené, Pietra, Diamantino, Guilherme Espírito Santo, Simões, Zé Gato, Francisco Ferreira, Carlos Manuel, Costa Pereira, Cruz, Ricardo Gomes, Vítor Paneira, Valdo, Veloso, Óscar Cardozo, Cavém, Michel Preud’homme, André Lima, António Bastos Lopes, José Torres, José Jardim, Valadas, José Maria Nicolau, Isaías, Mozer.

São estes os ilustres representados até ao momento. Em exercício de reflexão, identificarei cinco notáveis que merecem a homenagem e convido-vos a fazer o mesmo.

Os 5 talentos do Campeonato de Portugal que deram nas vistas

O Campeonato de Portugal está recheado de jovens talentos, que não têm o mediatismo da Primeira Liga mas que têm todas as condições para um dia chegarem lá. Com a formação local a ser uma aposta cada vez mais firme, vejamos alguns dos talentos que mais saltaram à vista na edição desta temporada.

Sejam bem-vindos os novos inquilinos

A ‘casa emprestada’ de inquilinos é um fenómeno relativamente comum no mundo do futebol e acontece, na maioria das vezes, quando determinado clube não tem as devidas condições para jogar no seu recinto, entre outras razões. Se existe quem esteja habituado a esta realidade de jogar em terreno alheio, esta vai agora fazer parte do quotidiano do futebol português numa escala, ela sim, incomum.

Devido às imposições da Direção-Geral da Saúde nestes tempos excecionais, vamos passar a ver menos estádios do que o normal, num período em que a partilha não coincide com as recomendações gerais de distanciamento que nos são incutidas. E partilhar vai ser a palavra de ordem, uma vez que há clubes que vão repartir o mesmo recinto com outros nesta parte final da época. Assemelha-se até a um pequeno torneio, com algumas equipas a utilizar estádios alheios para terminar uma época que terá a sua integridade ferida, não representando os moldes normais de um campeonato de futebol, levando diversos clubes a fazer um último esforço, de modo a reformular as condições dos seus próprios recintos para que estes sejam aprovados na inspeção.

Os novos inquilinos preparam as bagagens para usufruírem de um local que lhes foi admitido pelos responsáveis e construírem ali a sua nova casa durante mais de um mês. Qual estágio de pré-época. Ao que parece, vamos ter futebol quase todos os dias, numa equação de 90 jogos em oito semanas. Por isso, recomenda-se uma estadia saudável entre todos, uma vez que há estádios que devem ser utilizados mais do que uma vez por semana, onde os recém-chegados devem deixar tudo em ordem no final de cada partida, assim como os anfitriões, neste novo mundo em que os cuidados sanitários passaram a estar ainda mais no topo das prioridades.

Nem Coates nem nenhum outro jogador voltará a ver este cenário nas bancadas até ao término do campeonato
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Encontram-se oficialmente nesta situação Belenenses SAD, CD Santa Clara, FC Famalicão e Moreirense FC, formando o lote de hóspedes que seguirão rumo a novas paragens para concluir uma prova até agora tranquila para os quatro. Os do Jamor não notarão grandes diferenças, pois terão uma deslocação curtíssima até à Cidade do Futebol. Estes vão ter a companhia dos açorianos, que são aqueles que vão estar verdadeiramente longe do seu habitat e que certamente irão sentir falta dos ares da sua ilha, que tanto os ajudou a colocarem-se na posição estável em que se encontram.

Do lado dos nortenhos as deslocações serão relativamente curtas. Prevêem-se estadias calmas e em conformidade com as regras básicas de vizinhança, de uma forma geral, pois se há algo que não vai existir são momentos barulhentos e de confusão, uma vez que as portas fechadas ao público assim o impedem. Este é, de facto, um ponto chave do código de vizinhança global, aquilo que muitos anseiam quando veem caras novas a chegar. Pelo menos é aquilo que se espera do ambiente ao redor de todos eles, anfitriões incluídos.

Numa fase marcada por avanços e recuos no anúncio dos estádios com condições para receber a parte final da prova, soube-se, entretanto, que a maioria deles foram aprovados pela DGS, enquanto outros têm ainda de realizar um conjunto de correções para que possam ser novamente vistoriados. Estes esperam passar no próximo exame, como se se tratasse de uma melhoria à nota, tentando ultrapassar a reprovação de que foram alvo. Tudo isto já devia estar mais adiantado e contribui naturalmente para o crescendo de especulações quando faltam alegadamente duas semanas para o regresso. Pelo meio, existiram ameaças de impugnação ao campeonato, numa novela à portuguesa que serviu para apimentar as últimas semanas que mais se pareceram com o período de defeso.

Falou-se da possibilidade de o Vitória FC se juntar a Belenenses SAD e CD Santa Clara na Cidade do Futebol, num verdadeiro três em um. A mim parece-me que o metro quadrado em Oeiras se encontra demasiado preenchido para albergar azuis, vermelhos e verde e brancos ao mesmo tempo. Mas só me parece. Imagine-se agora que esta partilha de estádios envolvia os três grandes ou até os rivais minhotos SC Braga e Vitória SC. Havia de ser bonito. Bem, matéria noticiosa não iria faltar de certeza.

Agora que muitos clubes têm a sua situação resolvida e outros ainda têm de deitar mãos à obra para não terem de ir bater a outras portas, não faltará muito para vermos o cenário definitivo para o recomeço dos jogos. Num processo com mais dúvidas do que certezas, arrisco dizer que não vão ser acrescentados novos inquilinos ao lote atual e novos temas controversos surgirão até a bola começar a rolar, numa realidade atípica e para a qual é essencial uma grande capacidade de adaptação.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Mais “areia” para os olhos dos Sportinguistas

A actual Direcção do Sporting CP apresentou aos sportinguistas um documento através do Jornal Sporting no qual expõe uma “Visão Estratégia para o Futuro”. Um título que sugere tratar-se de um reset da Administração Varandas, uma varredela para debaixo do tapete dos últimos dois anos de mandato e de promessas eleitorais que ficaram na gaveta.

Em suma e em síntese, a Direcção do Sporting CP apresenta uma “Visão” assente em três pilares “invisíveis” que sustentam um quarto que é a “Interacção com o Sócio”. Será isto uma ironia? De facto, num Clube em que apenas os Sócios com mais de “x” votos têm “visibilidade” e que suplica por transparência na forma como a sua gestão é conduzida, não deixa de ser irónico este apologismo à invisibilidade. Talvez seja uma alusão ao manto da invisibilidade, não o do Harry Potter, mas o de Frederico Varandas que tem o condão de tornar invisível, por exemplo, a célebre auditoria, os conhecimentos sobre a época 2015/2016 que dizia ter e que nunca revelou, etc.

Mas eu gostaria de começar, não pela mensagem do documento em si, mas antes pelo mensageiro. E com uma nota de pesar pelo Jornal Sporting: pela degradação e até achincalhamento a que tem sido sujeito. Recordo-me quando o meu Avô comprava às terças-feiras o jornal clubístico mais antigo do mundo. Um jornal quase centenário que informava os Sportinguistas sobre a vida do clube e realizava um importante trabalho de cobertura alargada das mais diversas modalidades desportivas nos seus vários escalões competitivos. O Jornal Sporting foi de facto um pioneiro na imprensa clubística.

Os Sportinguistas mais atentos e, em especial aqueles que, como eu, são subscritores ou leitores assíduos do Jornal Sporting devem ter dado conta que a sua última edição fez desaparecer a palavra “JORNAL”. E não deve ter sido obra do acaso, pois o “conteúdo” da edição n.º 3776 assemelha-se mais a um panfleto de propaganda do que propriamente a um jornal, começando logo pela capa monopolizada por uma única machete “Visão Estratégica Para o Futuro”, que ofusca toda e qualquer notícia que realmente mereça ser destacada para os sportinguistas.

A “Razão de Ser” do Jornal Sporting, tal como definida no primeiro artigo da sua primeira edição saída a 31 de Março de 1922 com o preço facultativo de dois escudos, morreu em definitivo na semana passada para dar lugar à propaganda descarada e barata. E eu que acreditava que quem recorria à propaganda era o rival do outro lado da segunda circular.

Julgo que até um “caloiro” do curso de Marketing faria um trabalho de PowerPoint melhor.

Não vou tecer grandes considerações sobre o conteúdo dessa “Visão”. Quem não apresenta obra feita, tem de apresentar documentos “faz-de-conta”, visões, estratégias, o que quiserem chamar… O documento em si é uma inanidade.

Um conjunto de ideias soltas, estrangeirismos e de chavões supérfluos, alguns que até remontam ao programa eleitoral, acrescido de um arrazoado de contas muito poetizadas que bem escrutinadas mais parecem contas de mercearia. Por exemplo, o documento enuncia uma avaliação sobre a receita líquida da venda de jogadores sem sequer considerar as comissões, as despesas de intermediação ou os custos fiscais associados. E estamos a falar de jogadores como Bas Dost, Raphinha e Bruno Fernandes, que foram vendidos por verbas muito abaixo dos valores das respectivas cláusulas de rescisão.

Todavia, para além das referências bem manifestas ao caso de Alcochete e à própria COVID-19, qual “herança pesada”, retive algumas paragonas do texto do documento como “Caso a actual pandemia tivesse ocorrido em 2018, o Clube teria colapsado financeiramente”. Felizmente, segundo o documento, foi esta Direcção que conseguiu reverter todo o mal… Recordemos que se trata da apresentação de uma visão estratégica para o futuro.

Depois reparo que toda esta moção de estratégia passa por investimentos como a substituição de cadeiras e do material informático, para não falar dos habituais clichés sobre a aposta na Academia e que eram promessas eleitorais.

E quanto às cadeiras… Gostaria de uma vez por todas que a Direcção do Sporting CP percebesse ou quisesse perceber o seguinte: se o estádio estivesse sempre cheio durante os jogos, como acontecia noutros tempos, a cor das cadeiras deixava de ser o problema central desta Direcção para passar a ser um não-problema.

O problema não é a cor das cadeiras, mas sim o facto de cada vez menos adeptos se sentarem nelas
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

O mais engraçado é que dois dias depois da divulgação desta moção de estratégia, o novo membro da Administração verde e branca, André Bernardo, dá a entender que, devido à COVID-19, o mais certo é que alguns dos projectos definidos ficarão na gaveta.

Tudo isto é inenarrável e constitui uma falta de respeito pelos adeptos e sócios sportinguistas. E se estes tivessem, na generalidade, um sentido de exigência rigorosa perante a governação do Clube deveriam questionar os órgãos sociais eleitos, em especial, a Direcção sobre o exacto cumprimento do programa com que se apresentaram nas últimas eleições. É que o mandato desta Direcção começou há dois e não com o surgimento da pandemia.

Por fim, dizer que o documento não só é gongórico, como também encerra em si algo profético. Na verdade, pode ler-se no fim do editorial da última edição do Jornal Sporting o seguinte: “O Sporting CP de amanhã será a consequência das decisões de hoje”.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Mário Jardel: «Estive perto do Benfica, mas Deus colocou-me no clube certo»

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Sim, é verdade! Nesta terça feira, dia 19, tivemos connosco no BnR TV uma dupla que ficou para a história no futebol português: Mário Jardel e Drulovic.

Os elogios entre esta dupla foram mais que visíveis ao longo da emissão, que deu um grande destaque às carreiras de Jardegol (FC Porto e Sporting CP) e Drulovic (FC Porto e SL Benfica), sem esquecer a colaboração de todos os espectadores e as revelações feitas por estas “lendas” do futebol nacional.

Drulovic demonstrou uma grande admiração e agradecimento ao treinador Vítor Oliveira que o “colocou” no futebol português, mas, tal como Mário Jardel, sente uma mágoa por não ter vestido a camisola de um gigante europeu da altura. O ex-atleta jugoslavo elogiou Ricardo Quaresma como, possivelmente, o jogador mais parecido com as suas características.

Já Mário Jardel, que nos confessou ter bastantes semelhanças com Tiquinho Soares, também nos falou de alguns jogos míticos, de toda a polémica na falha da sua contratação pelo SL Benfica, do que ainda pode vir a dar ao futebol e até do que falta para o Sporting CP voltar a ser campeão nacional.

“O jogador que se assemelha mais com as minhas características? Eu voto Tiquinho Soares, matador, um jogador mais móvel que finaliza melhor, finaliza bem baixo”, disse o antigo avançado de FC Porto e Sporting CP.

O possível futuro desta dupla, a visão das contas do campeonato e outras curiosidades também foram abordados nesta conversa, que podes ver aqui:

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

As 4 edições do Rali Safari Quénia a rever

Infelizmente, não é em 2020 que vamos ver o regresso da Rali Safari às contas do Campeonato Mundial de Ralis. Após um intervalo de 18 anos, este ano seria o regresso da prova africana, mas a pandemia coronavírus retirou-nos esse prazer. Mas, para 2021, já está garantido o regresso.

Com a sua primeira edição em 1953 foi dominado pelos locais, sendo que a primeira vitória de um piloto de fora do continente africano deu-se em 1973. Hannu Mikkola venceu com o Ford Escort RS1600.

Este rali tinha várias particularidades. As regras do Safari eram únicas. Os organizadores faziam as suas próprias regras para se saber que carros podiam ser modificados. Mas o desporto começou a ser cada vez mais profissional e as tensões começaram a aumentar. Em 1988, o Delegado Técnico da FIA encontrou irregularidades nos carros inscritos por seis equipas de fábrica, com os carros inscritos pela Daihatsu a serem os únicos considerados pela FIA totalmente legais.

A manutenção era incrível, com helicópteros a serem usados para levarem os mecânicos e peças suplentes para a cena da prova, em espaços remotos, muitas vezes a milhares de quilómetros da civilização, enquanto havia luz do dia. E, ao longo da noite, equipas de mecânicos podiam seguir atrás do rali, pelas mesmas estradas, para o caso de ser preciso ajuda. O evento era tradicionalmente realizado em estrada aberta, com os tempos contados ao minuto e com os troços a serem decididos (como sucedeu em 1973) pelo princípio de quem o fez da forma mais limpa.

Quando a FIA insistiu para que as secções competitivas fossem medidas ao segundo, isso criou uma infindável confusão quando essas secções foram integradas no resto do evento. A singularidade do rali, juntamente com a liderança inevitavelmente robusta dos organizadores, gradualmente começou a chocar com a FIA e isso levou a várias mudanças de chefia na prova ao longo dos anos. As mudanças na política [desportiva] no início dos anos 90 significaram que o rali teve de passar por algumas mudanças, embora por vezes continuasse a usar secções competitivas mais duras do que o ideal.

Assim, fomos ao baú para recordar alguns momentos desta icónica maratona.

Foto De Capa: Safari Rally Kenya

Artigo de Helena Escaleira e David Pacheco

Os 5 treinadores mais jovens de sempre da Liga Alemã

A genética germânica já há muito nos habituou a certas características, como o facto de os homens parecerem mais velhos do que realmente são. Os treinadores não são exceção, e podemos cair no erro de considerar que o Campeonato Alemão tem técnicos já muito vividos. Em alguns casos isso é mesmo verdade, mas noutros é mera ilusão.

No entanto há quem fuja à regra, e de vez em quando aparece alguém que vem marcar a diferença pela pouca experiência que tem. Sabemos que a irreverência é característica da juventude, e por isso esta inexperiência nem sempre é sinónimo de insucesso. Mas nem sempre corre bem, e o que vem a seguir é prova disso.

Aqui está a lista dos cinco treinadores mais jovens de sempre a passarem pelo Campeonato Alemão (não contando com treinadores interinos).

Os 5 melhores guarda-redes do SL Benfica no século XXI

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No século em que vivemos o SL Benfica pode gabar-se de ter tido dos melhores guarda-redes da sua história, figurando inclusive grandes nomes do Futebol Internacional atual ou do passado recente. Por muitos treinadores considerada como a posição fulcral de qualquer equipa, pela estabilidade, confiança e segurança que transmitem, apresentamos o top 5 da baliza encarnada.

Os 3 mágicos do Ténis atual

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Reconhecidos pela criatividade, audácia e essencialmente imprevisibilidade das suas ações num court de Ténis, este top 3 está designado para relembrar os jogadores com maior capacidade de improvisar, criar e executar jogadas que não só deixaram todos nós entretidos como de «queixo no chão».