Anteriormente ao abandono da “medianiazinha” que cercava o futebol português, eu já sentia saudades. A pandemia limitou-se – apenas – a despejar um litro de mercúrio em cima de uma ferida, sem aviso prévio. No fundo, em Portugal, a modalidade apresenta síndromes do sketch dos Gato Fedorento que se digna a descrever o quotidiano de um calceteiro: o Sporting Clube de Portugal, por mais que calcete – é assim que se escreve, não é? – nunca ganha.
– “E um dia, prestes a chegar o Natal, o que acontece? Nada de especial, o Sporting CP está fora da luta pelo título. Uma medianiazinha, uma medianiazinha…”
– “E um dia, prestes a chegar ao Natal, o que acontece? Nada de especial, o Sporting CP está fora da luta pelo título. Uma medianiazinha, uma medianiazinha…”
– “E um dia, prestes a chegar a Páscoa, o que acontece? Nada de especial, o Sporting CP está fora da luta pelo título. Uma medianiazinha, uma medianiazinha…”
A conclusão está na cabeça do leitor, não vou bater mais no ceguinho.
Com o mister Jorge Jesus – masque corretamente a pastilha elástica – nada se alterou no que à dilaceração vencedora disse respeito. Contudo, e principalmente no reduto do adepto jovem, cresceu uma modorra de ilusão, uma sensação que possivelmente só aos revolucionários da estirpe de Soares ou Cunhal (entre tantos outros) pertenceu e um cheirinho a arrufo no esquema social e nos códigos que o regem à semelhança do legado deixado, por exemplo, pela Beat Generation.
De forma a combater ou ludibriar as saudades que sente desses tempos que pareciam sentenciar-se com felicidade, são descritos cinco jogos característicos da Era de JJ:
A rubrica Regresso a Casa estreia nesta quarta-feira e traz ao Bola na Rede o contributo de antigos colaboradores do site, que agora divergem o seu êxito pelos mais variados órgãos de comunicação social
Costuma dizer-se que “filho de peixe sabe nadar” e a família Conceição parece ser o exemplo perfeito da aplicação desse provérbio à prática. No comando técnico da equipa do FC Porto, Sérgio Conceição vê quatro dos seus cinco filhos jogar e, como não podia deixar de ser, o mais novo parece estar a seguir o exemplo e tem dado mostras, nas redes sociais, de também ter gosto por bola.
Estamos agora habituados a vê-lo no banco azul e branco, ou a fazer da geleira o banco em boa parte das ocasiões, mas não nos esquecemos de que Sérgio Conceição já deu cartas do lado de dentro das quatro linhas. Fez grande parte da formação em Coimbra, ao serviço da Académica, mas cedo chegou ao Porto, para começar a sua história de Dragão ao peito. E conseguiu mesmo inscrever o seu nome em alguns dos momentos mais marcantes do clube: esteve em duas das épocas que terminaram com a conquista do pentacampeonato, marca atingida em 1999 e exclusiva no campeonato português e fez parte da equipa vencedora da Liga dos Campeões, em 2003/2004.
O Sérgio é Dragão. Ponto. O Sérgio personifica o azul, o branco, o indomável e o imortal. O Sérgio personifica o “Ser Porto”, expressão tão frequentemente utilizada. Por isso mesmo, foi recebido de braços abertos no regresso a casa, ainda que para um lugar diferente daquele a que habituou os adeptos. Mas para além treinador, o Sérgio é pai e o gene da bola passou para os filhos.
O sangue azul e branco corre nas veias da família Conceição Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede
Dos quatro que já jogam, apenas dois estão diretamente ligados ao FC Porto: o Moisés e o Francisco. E a massa adepta parece ter transportado para eles o carinho que tem pelo pai. Moisés Conceição é um avançado que esta época esteve ao serviço do Leixões S.C., entre a equipa de juniores e os sub-23, e nos jogos que disputou assinou três golos. Mas no seu percurso, mais concretamente em 2017/2018, vestiu de dragão ao peito, tendo marcado quatro golos em 17 partidas. E a ligação aos azuis e brancos permaneceu, permaneceu ao ponto de até os adeptos continuarem atentos ao seu percurso.
Já Francisco é, atualmente, jogador da formação do FC Porto. Depois de ter começado no Sporting CP, está na segunda temporada no Dragão e é um dos nomes mais sonantes de entre as jovens promessas do clube. É também avançado, com cinco golos marcados nos 22 jogos desta época e já tem sido chamado aos trabalhos da equipa principal.
Quanto a Sérgio e Rodrigo, apesar da ligação familiar, nunca jogaram de azul e branco. Mas ainda assim, estão a construir as suas carreiras no mundo do futebol e aparecem frequentemente ao lado do pai, com demonstrações de apoio ao trabalho que está a desenvolver. Como disse atrás, Sérgio é Porto e os adeptos não esquecem isso.Mesmo quando os resultados não são os esperados e a contestação aparece, é inquestionável a ligação que tem com o emblema que representa. “Filho de peixe sabe nadar” e, no comando técnico da equipa do FC Porto, Sérgio Conceição vê quatro dos seus cinco filhos jogar. E de geração em geração, não seria de estranhar que, num futuro próximo, o talento de um novo Conceição emergisse no relvado do Dragão.
Diamantino, bem ao seu jeito, faz-me duas ou três reviengas antes de conseguirmos marcar a entrevista. Ao fim de alguns whatsapps, lá fechamos a hora e Diamantino atende pontualmente, pronto para desbobinar a cassete das memórias dos tempos de jogador. Sem rodeios ou frases feitas, e com muitas gargalhadas à mistura, Diamantino vai por ali fora sem medo e conta-me os pontos altos da passagem pelo Benfica, a desilusão com a Seleção, a juventude de um miúdo educado mas reguila, cuja referência era Cruyff, terminando com um olhar assertivo e pragmático sobre o que esperar para o futebol português nos próximos tempos.
– Onze épocas à Benfica –
Bola na Rede [BnR]: Tenho que começar por aqui. O meu pai diz que se não te tens lesionado contra o Guimarães antes da final da Taça dos Campeões Europeus [1988], o Benfica tinha ido lá…
Diamantino Miranda [DM]: (risos) É o que toda a gente diz. De tanta coisa boa que fiz, e isso é um elogio claro, uma das coisas que as pessoas mais me dizem quando me veem é “Por causa de si, não ganhámos a Taça dos Campeões Europeus”. Ehehehe.
BnR: Tu nem jogaste a final e as pessoas dizem-te que a culpa de o Benfica não ter ganho é tua?
DM: Ehehe, é mesmo!
BnR: Foste ver a final a Estugarda?
DM: Sim. Eu lesionei-me no sábado e o jogo foi na quarta-feira. Eles decidiram não me operar logo naquele dia e fui ver a final com a perna engessada. Quando vim de Estugarda fui direto ao hospital para ser operado.
BnR: Como é que se vive uma final daquelas a partir da bancada?
DM: As coisas no futebol, para mim, sempre foram algo efémeras, tanto que em casa não tenho assim nada à mostra, nem camisolas nas paredes. Está tudo no sótão em caixotes. Eu como jogador vivia da mesma maneira: aconteceu, paciência. Se calhar era a época mais consistente que eu estava a ter, ainda por cima naquela idade estava no auge, com 26 ou 27 anos. Até já estava a jogar como médio ofensivo, já tinha deixado os extremos. Estava a ser uma grande época, por isso é que as pessoas diziam que aquilo circulava tudo à minha volta e que se eu tenho jogado tínhamos ganho aquela final.
BnR: Foi o momento mais difícil da tua carreira?
DM: Sim, é possível que sim. Mas não olhei para isso como uma catástrofe enorme que se abateu sobre mim. Aconteceu, foi assim, e realmente teve alguma influência na minha carreira porque naquela altura estive muito tempo parado. Muito tempo não, eu fiz três meses e pouco numa lesão que costuma ser seis ou sete meses. Eu ao fim de três meses e 12 dias estava a jogar, mas foi sobretudo porque eles queriam. Eu só ao fim de um ano, mais ou menos, é que me senti em condições.
BnR: Quem eram os líderes da brincadeira no balneário?
DM: Eu era um brincalhão, o Carlos Manuel também, o Bento. Eu entrei no Benfica em 1977, entrei como júnior mas para os seniores e ainda podia fazer mais dois anos de júnior. Naquela altura era muito difícil entrar numa cabine do Benfica, havia nomes enormíssimos como Toni, Humberto Coelho, Vítor Baptista, Vitor Martins, Zé Henrique. Eu quando fui para lá era um miúdo, não tinha grande moral naqueles primeiros anos (risos). Naquela altura havia hierarquias e mais respeito pelos jogadores mais antigos, hoje já não.
BnR: Em que sentido?
DM: Um exemplo. Quando cheguei ao Benfica, o treino começava com uma corrida de 10/15 minutos à volta do campo. Este aquecimento era feito em grupos de três ou quatro e esse respeito e essa hierarquia viam-se logo aí, porque chegavas nesse ano e ias para último da fila. Ou seja, só ias subindo na fila consoante os anos que fosses ficando. Eu acabei por chegar à primeira fila, foram muitos anos. Quando eu cheguei, os primeiros eram o Humberto, o Toni, os mais antigos no clube.
BnR: Havia quase uma reverência dos recém-chegados relativamente aos mais experientes?
DM: Sim, nessa altura por muito “palhaços” que fossemos não tínhamos a confiança para chegar lá e falar com o Humberto e com o Toni, começar ali a brincar, como eu já apanhei no meu tempo aqueles que vinham dos juniores. Não é que não respeitassem mas não olhavam muito ao estatuto, já vinham dos juniores como craques. Nós não, podíamos ser craques mas mantínhamos ali… eles obrigavam-nos a manter porque não davam muita confiança. Tenho orgulho em dizer que aprendi muito, muito, muito no Benfica, não só como jogador mas também como pessoa, foi uma escola para a vida.
BnR: Final da Taça de Portugal 86/87, fui ver o resultado: Diamantino Miranda 2-1 Sporting. Os teus dois golos são fabulosos. Na tua opinião, qual deles é o melhor?
DM: Eu nesse ano acho que marquei oito ou nove livres diretos. Talvez a jogada do segundo golo, como é uma jogada quase individual, é um passe do Nunes ainda no nosso meio-campo e depois a partir daí é uma jogada completamente individual até ao golo. O primeiro é mais um golo de técnica. Quer dizer, o segundo também (risos). O segundo tem tudo, técnica, velocidade, potência, drible, tem tudo.
BnR: O primeiro drible é qualquer coisa. Tu sentes que o defesa vem nas tuas costas?
DM: Sim, eu costumava fazer muito aquilo. Normalmente eu era marcado muito em cima e por isso costumava olhar antes de receber a bola. Se via que o jogador estava à distância, percebia que, quando o passe fosse feito, ele ia arrancar. Porque naquela altura, se passasse a bola não passávamos nós e eu já sabia que tinha um adversário, caricaturando, tipo touro a ir contra a capa. Fiz muitas vezes aquele tipo de drible mas havia vezes que os defesas chegavam a tempo de me dar uma porrada (risos). Mas aquela saiu bem e ainda bem.
BnR: O livre também é qualquer coisa…
DM: O golo de livre também é um excelente golo porque eu tinha a perceção que os guarda-redes mais experientes, que era o caso do Damas, grande, grande guarda-redes, normalmente tentavam adivinhar os lances. Naquela zona o mais comum era colocar a bola no canto mais próximo por cima da barreira e eu entendi que era isso que o Damas estava a pensar. Quando parto para a bola, vejo o Damas dar um passo para o lado do poste mais perto e acabei por decidir meter a bola no lado dele. Ele quando deu o passo quis recuperar mas já não deu tempo.
BnR: Tu até o cameraman enganas porque ele ainda está a focar-te quando te estás a preparar para bater e de repente já a bola está a entrar.
DM: É, porque nós tínhamos aquele livre estudado. Quando era mais longe da baliza era o Carlos Manuel que marcava e, como aquele era mais perto, fui eu a marcar. O Carlos Manuel preparava a bola e assim que ele tirava as mãos eu rematava. Ele nem sequer recuava, ao tirar as mãos eu marcava logo. Eles eram apanhados desprevenidos porque julgavam que era o Carlos Manuel a marcar e, como ele estava com as mãos em cima da bola, descontraíam um pouco. Fizemos vários golos assim.
BnR: Entrevistei há uns tempos o Álvaro Magalhães, que me disse que se há equipa que sabe jogar no Jamor é o Benfica. Concordas?
DM: É assim, o Benfica sabe jogar no Jamor, pelo menos estou a referir-me mais ao meu tempo e àquelas alturas em que fomos ao Estádio Nacional muitas vezes, eu ganhei cinco Taças de Portugal. Naquela altura o Benfica em cinco finais da Taça ganhava quatro, às vezes mesmo as cinco. Essa coisa do sentir-se bem aqui ou acolá, normalmente associo isso ao valor da equipa. A equipa era melhor, jogava melhor que os outros, normalmente ganhava mais vezes. Associo a isso não só o saber jogar no Estádio Nacional. Por exemplo, estou a recordar-me de 82/83, em que a Federação Portuguesa de Futebol resolveu fazer a final da Taça de Portugal no Estádio das Antas, contra o Porto.
BnR: Que acabou por ser em Agosto não foi? O Eriksson mandou-vos de férias e depois só se jogou em Agosto?
DM: Sim e nós fomos lá ganhar 1-0. Por isso, tem que ver com a qualidade da equipa e não com o campo onde se joga. Agora, se perguntarem a todos os jogadores desse tempo, nós associávamos ao ambiente, à festa. O jogar lá, para mim, continua a ser o jogo mais bonito da época. Aquele Estádio Nacional como está, tenha condições ou não. Nós jogadores gostávamos muito, os do Sporting também e os do Porto só depois é que começaram a criar uma certa aversão ao Estádio Nacional, mas mais por estratégia do que por outra coisa, eu compreendo.
BnR: Como jogador, como é que viveste a chegada de Sven-Goran Eriksson e o que ele trouxe ao clube?
DM: Tenho um sabor agridoce em relação ao Eriksson. A vinda dele para o Benfica revolucionou todo o futebol português. Não foi só o Benfica, foi todo o futebol português e isso percebeu-se na evolução que o nosso futebol teve em termos táticos e de mentalidade. Nós vamos à final com o Anderlecht, depois o Porto vai à Taça das Taças e é campeão europeu…
BnR: Revolução a que nível?
DM: Foi uma revolução em termos de treino. O Eriksson trouxe uma nova metodologia e passamos de um treino convencional para um treino mais específico. Deixámos de correr nas matas, de fazer treinos de conjunto durante duas horas, de andar a correr à volta do campo, subir bancadas. Começámos a fazer um treino que era específico para o futebol e deixámos de fazer o trabalho de força do atletismo. Depois revolucionou em termos mentais. Por exemplo, nós jogávamos em Roma, como jogámos e ganhámos, como se jogássemos em casa contra uma equipa mais acessível do nosso campeonato. Em termos técnicos nós éramos muito bons, só faltava encarar todos os adversários da mesma maneira, sabendo que ganharíamos a maioria dos jogos. E foi o que aconteceu, tanto em Portugal como na Europa.
BnR: Esse trabalho de mentalidade era antes do jogo ou ao longo da semana?
DM: Durante a semana. Nós percebíamos logo à 3ª-feira quem jogava ao domingo. Antes de ele chegar, nós sabíamos os 11 que iam jogar dentro da cabine, uma hora e meia antes do jogo. Com aquele tipo de treino, durante a semana nós percebíamos quem ia jogar porque havia o treino por setores e ele preparava os quatro defesas que iam jogar, os médios e os avançados. Aquilo que ele realmente mudou, e que hoje em dia se chama com aqueles “palavrões” das pressões altas, diagonais interiores e exteriores, nós treinávamos isso já naquela altura. Depois muitos aproveitaram essa metodologia de treino que o Eriksson implementou, até hoje. Em termos de Benfica, outra revolução do Eriksson foi passarmos a ter um jogo muito mais vertical.
BnR: E isso trouxe mudanças nas funções dos jogadores em campo?
DM: Deixámos de ter aqueles médios, e o Alves foi um dos sacrificados nessa altura, ele tinha uma técnica de passe excecional, metia a bola a 40 metros mas o que o Eriksson queria era médios que fizessem o passe e, no tempo em que a bola demorasse a fazer o percurso até ao avançado rececionar a bola, chegassem lá para dar o apoio frontal ao avançado. O Alves era fabuloso nas bolas longas, metia a bola onde queria, tinha uma visão de jogo espetacular mas depois faltava-lhe isso.
BnR: É nessa ótica que começam a chegar os jogadores nórdicos ao Benfica?
DM: É, o Eriksson optou por um sueco chamado Stromberg, que não tinha nada a ver em termos técnicos com o Alves. Mas para aquilo que o Eriksson queria, era um jogador muito mais útil que o Alves. E era este tipo de futebol que ele queria, a pressão alta, o criar zonas de pressão.
BnR: Com resultados satisfatórios?
DM: Foi por isso que o Benfica, além de ter uma grande equipa, os resultados quando o Eriksson chegou eram oito ao Guimarães, sete ao Braga, oito ao Penafiel, nove ao Marítimo e por aí fora. O Eriksson deve ter sido o primeiro treinador em Portugal a usar vídeos. Havia cassetes de VHS e acho que era o Prof. Jorge Castelo que filmava os jogos e depois tirava 10 minutos do jogo do adversário, das jogadas padrão, das movimentações, das características individuais de cada jogador. Nós já víamos isso em ’82 e depois era o Toni que normalmente falava 2/3 minutos sobre a equipa adversária, porque era ele que tinha o conhecimento, o Eriksson não sabia nada de Portugal.
BnR: Como eram as palestras dele antes dos jogos?
DM: Era só “Joguem aquilo que treinámos, divirtam-se”. E pronto. Mas nós treinávamos era muito especificamente, coisa que os outros ainda não faziam, bolas paradas, aqueles movimentos sem bola que hoje em dia se treina, desde a bola a sair do guarda-redes. Aquilo que se chama hoje o jogo de posição, nós já fazíamos isso, não tinha era esses nomes. Nós sabíamos quando a bola estava no Pietra, qual era a movimentação que o médio direito tinha que fazer para o médio centro entrar nas costas do extremo que baixava. Eram dois pontas-de-lança, um deles deslocava-se para o corredor da bola e o outro ia para receber na frente, porque se a bola fosse mais alta ele estava lá para receber e o outro rodava para fazer o apoio frontal. Tudo isso já nós fazíamos nessa altura e o Eriksson foi o grande implementador dessa filosofia e dessa metodologia de treino.
BnR: Porque falavas então em agridoce?
DM: Porque depois ele volta em 1990, a seguir à minha lesão, eu faço um ano e saio no ano a seguir, já não fiz o segundo ano com ele. Ele marcou muito a minha geração e teve muito a ver com a evolução que o futebol português teve nessa altura em termos europeus. Basta dizer que depois Portugal vai ao seu primeiro Europeu em ’84 e vai ao Mundial em ’86.
Fonte: Museu Benfica – Cosme Damião
BnR: Qual foi o jogo com o melhor ambiente no Estádio da Luz?
DM: Aquele jogo que marca mais é a meia-final com o Steaua de Bucareste [1988], onde se fala entre 120 a 140.000 pessoas, na altura ainda não havia cadeiras. Esse foi o jogo que me marcou mais em termos emocionais porque dava acesso a uma final, final que afinal eu acabei por não jogar (risos). Mas correu-nos muito bem, foi um grande jogo.
BnR: Que memórias tens desse jogo?
DM: Havia sempre o ritual do capitão vir primeiro, espreitar no cimo do túnel o ambiente do estádio e gritar lá para baixo para o pessoal. E eu lembro-me de vir cá acima, meter assim a cabeça para espreitar e comecei a chorar. Gritei para a malta subir, nós fazíamos o percurso do estádio ao lado do terceiro anel para cumprimentar o Presidente. Atravessávamos o campo até à linha lateral do lado contrário, que era onde ficava o camarote presidencial, e íamos aí fazer a vénia. Eu lembro-me de percorrer esses 65 metros, nós sprintávamos e lembro-me de começar a chorar desde o túnel até ao lado de lá, fazer a vénia a chorar e só parei de chorar quando foi aquele ritual da moeda ao ar.
BnR: Emocionaste-te com o ambiente que estava no estádio?
DM: Só quem vive aquele jogo, e lá em baixo no campo, é que percebe o que aquilo é. Não tem nada a ver com o estar na bancada, aquilo era um barulho, uma festa e eu não me aguentei.
BnR: O Nuno Gomes há pouco tempo disse que havia muitos jogos que o Benfica começava a ganhar no túnel.
DM: Era tudo. Por exemplo, um jogo normal naquela altura, com o Salgueiros ou com o Rio Ave, que hoje até tem mais expressão do que naquela altura, tinha 40 ou 50.000 pessoas. Hoje há esses números porque têm os lugares cativos, levam os carros para dentro do estádio e tal, naquela altura não. Naquela altura iam a pé desde o Jardim Zoológico até ao estádio, era muito mais difícil. E as pessoas iam, fosse contra quem fosse, porque já sabiam que normalmente o Benfica ia ganhar, só não sabiam era por quantos. Então, era mais difícil cativar as pessoas para irem ao estádio. Sobre o ganhar antes, era um bocado verdade nessa altura, porque eu lembro-me muitas vezes de as equipas estarem perfiladas e os adversários começavam a olhar para as nossas pernas, para as botas, as caneleiras (risos). E logo aí percebíamos o terror que era para eles jogarem no Estádio da Luz. Havia jogadores que quebravam quando lá entravam, jogadores com valor. Ainda hoje falamos disso e eles recordam esses tempos “Epá, aquilo era uma coisa… Nós queríamos mas as pernas não davam, ficavam presas ao chão”. E era verdade.
BnR: Em 2007 treinavas o Varzim na 2ª Liga e eliminaste o Benfica da Taça de Portugal, na Póvoa. Como motivaste os jogadores para este jogo?
DM: Eu cheguei ao Varzim nessa semana na 3ª-feira e o jogo era no sábado. O Varzim tinha 14 ou 15 jogadores só, porque tinham jogado em Guimarães e tinham sido dois expulsos, para além de ter três ou quatro lesionados. E tinha dois dos jogadores mais conhecidos, o Alexandre, que era aquele capitão de cabelo comprido, e um angolano que esteve no Belenenses e no E. Amadora, o Mendonça…
BnR: Lembro-me bem, o Mendonça marcou o golo da vitória.
DM: Exatamente. Eles não jogavam há muitos meses e eu apostei neles. Vou buscar também um rapaz que era contabilista, pertencia ao plantel mais porque ajudava o clube na contabilidade, o Yazalde, que depois jogou no Rio Ave e o Neto, que agora está no Sporting, também foi para o banco nesse dia.
BnR: Como é que preparaste a equipa?
DM: Fizemos apenas 5/6 treinos de adaptação às posições. A única coisa que eu disse foi a um jogador que era o Tito, fortíssimo e razoável tecnicamente, era aquele típico jogador daquela zona de pescadores, rude e forte. Eu disse-lhe “O Rui Costa não pode tocar na bola”. Lembro-me que o Benfica não perdia há 13 jogos e nós fizemos uma exibição muito boa, mesmo com o Benfica a jogar com a equipa completa, foi uma vitória merecida. Claro que se o Benfica tivesse no seu melhor ganharia com certeza. Eu joguei um pouco com isso, com a experiência que tinha destes jogos. Muitas vezes pode-se ser bom treinador mas, não tendo estas experiências, não consegues transmiti-las aos jogadores.
BnR: Por exemplo?
DM: Olha, dei-lhes um exemplo de um jogo meu enquanto jogador. Tínhamos ido jogar ao Cartaxo para a Taça de Portugal, era um campo pelado, pequeno, difícil. Mas o Cartaxo era da 3ª Divisão e nós éramos o Benfica que tinha vindo de finais europeias. Mas para eliminar o Cartaxo tivemos que jogar um segundo jogo em casa porque empatámos 0-0 lá. E a mensagem que eu quis passar foi que o 0-0 no Cartaxo aconteceu porque fomos lá jogar demasiado descontraídos, a dar como garantida a vitória. Quando demos por nós, íamos sendo eliminados pelo Cartaxo. Por isso eu disse-lhes que de certeza que o Benfica está a vir aqui cheio de moral porque não perde há 13 jogos e nós vamos aproveitar isso.
BnR: Qual foi o sentimento de eliminares o Benfica?
DM: Igual àquele que tive quando não joguei aquela final (risos). São jogos, podia ser o Sporting, o Porto, o Tondela, indiferente. Agora, para qualquer treinador profissional, aquilo que mais satisfaz é, sem as armas dos outros, conseguires ganhar. Era um jogo de futebol, sou profissional e queria ganhar o jogo. Não foi um sentimento especial. Aliás, no Vitória de Setúbal ganhei ao Benfica duas vezes, uma como jogador e outra como treinador-adjunto.
No BnR TV tivemos a presença de uma dupla mítica no Futebol português, Mário Jardel e Ljubinko Drulovic. Um programa onde o jogador sérvio acabou por confidenciar que o astro brasileiro não acabou por vir para o SL Benfica em 2001 por causa de Pedro Mantorras: «O Mário [Jardel] acaba no Sporting CPtambém muito por causa de Pedro Mantorras, que foi uma grande aposta naquela altura do SL Benfica como ponta de lança».
Uma parceria que já fez muitos estragos em Portugal, principalmente no FC Porto, e as histórias dos dois jogadores assumiram quase que o tema principal. Os números comprovam aquilo que foi uma das parcerias mais letais para as defesas dos clubes portugueses e isso não foi esquecido.
Contudo, ambos os atletas brilharam em formações no estrangeiro e as vindas para Portugal foram recordadas novamente. Mário Jardel contou a sua vinda para o FC Porto em 1996/97 e não escondeu as possíveis idas o rival SL Benfica, que acabaram por ser falhadas – especialmente com Manuel Vilarinho em 2000. Ljubinko Drulovic recordou os momentos da sua chegada à cidade de Barcelos e ao Gil Vicente FC. O sérvio, que agora é treinador das camadas jovens da seleção do Uzbequistão, demonstrou a vontade um dia puder vir treinar os gilistas, depois de Vítor Oliveira.
Quanto a um futuro próximo, Mário Jardel acredita que podia ajudar tanto o Sporting CP como o FC Porto ao enviar jovens talentos brasileiros para ambas as formações, tal como já o faz no Grémio FBPA. O ponta de lança canarinho não esqueceu de alertar que dois jogadores que marcaram o Futebol português (o próprio e também Drulovic) deviam ter uma oportunidade em Portugal com cargos em clubes.
Mesmo com a incerteza que esta época ainda provoca, o mercado de transferências (se nada se alterar) está aí à porta. O SL Benfica tem várias posições carenciadas no plantel, como tal decidi elaborar esta lista de reforços.
Nem todos os jogadores apresentados são “oficiosamente” pretendidos pelos encarnados. São apenas jogadores que poderiam ser reforços, preencher estas lacunas e que estão ao alcance financeiro do SL Benfica (não temos ainda noção como será a situação financeira pós covid-19).
Procurei que todos os jogadores apresentados tivessem qualidade para ser titulares e que preenchessem lacunas no 11 encarnado, portanto não há nenhum guarda-redes nesta lista.
Numa altura em que é possível verificar, um pouco por toda a comunicação social, que em Alvalade a aposta na formação será o modelo a seguir na próxima temporada – e ainda no que falta decorrer da presente – cresce também a curiosidade dos adeptos leoninos, ansiosos por ver as novas estrelas leoninas.
Como tem sido habitual aqui no Bola Na Rede, temos abordado várias perspetivas e várias vertentes também no que diz respeito à aposta na formação, que deve ser feita de forma estruturada e pensada.
Neste top, irei apresentar alguns nomes da equipa sub-23, dos quais considero estarem prontos para um contexto competitivo diferente e poderem figurar no plantel principal, proporcionando-lhes todas as condições para continuar a crescer e a confirmarem todo o seu potencial.
A Liga Alemãmuito tem trabalhado para atingir o topo das Ligas de Futebol Internacionais. Cada ano que passa, a Liga Alemã conta com cada vez mais adeptos presentes nos Estádios, semana após semana.
Podemos apontar várias razões por esse sucesso, o preço dos bilhetes, qualidade dos jogadores, competitividade.
Uma das razões que eu acredito que leva a acreditar no sucesso da Liga Alemã, parece-me ser a aposta na qualidade dos atletas internos, só existindo espaço para os melhores jogadores de outras nacionalidades.
Hoje aponto aqui, o top 5 jogadores Africanos a jogar na Liga Alemã.
Hoje, na rubrica de Jogo Interior, falo-vos de um futebol de elites dentro da classe de treinadores. Todos conhecemos a realidade atual do futebol e das quantias exorbitantes que movem esta modalidade seguida por tantos, daí talvez os valores que cada vez mais pautam o dia-a-dia de quem está inserido no topo deste meio. Os interesses económicos vindos dos poderosos homens do médio oriente, maioritariamente, trazem todas as épocas uma maior capacidade financeira aos “sortudos” clubes que calham neste caminho, criando um impacto avassalador no valor das transferências mediadas e contratos que têm vindo a ser assinados.
Tudo isto influencia a tendência do mercado futebolístico e a ainda maior sobrevalorização de tudo o que acontece nesta modalidade face à realidade do que se passa na vida de qualquer indivíduo dito “normal” na nossa sociedade. E é aqui que entra a pergunta enunciada no título deste artigo: quanto aufere um treinador de futebol? Será que é conhecida, verdadeiramente, a realidade do treinador de futebol em Portugal? É o que vamos descobrir no Jogo Interior de hoje.
Estará a sociedade apenas a olhar para o que acontece apenas ao mais alto nível desta realidade, uma pequena gota num enorme oceano? Acredito e receio bem que sim. O documento “Contrato Coletivo de Trabalho celebrado entre a Liga Portuguesa de Futebol Profissional e a Associação Nacional de Treinadores de Futebol” da época 2014/15, disponível no site da Liga da entidade que tutela o futebol profissional de Portugal refere as condições relativas aos contratos dos treinadores de futebol.
Passo a citar a 31.ª cláusula que delineia a remuneração mínima destes profissionais tendo em conta as divisões em que estão inseridos. “Cláusula 31.ª Remuneração mínima 1. Aos treinadores principais são assegurados as seguintes remunerações base mínimas, quando exerçam as suas funções em clube da: 1.ª Liga Profissional — oito vezes o salário mínimo nacional; 2.ª Liga Profissional — quatro vezes o salário mínimo nacional; II Divisão Nacional B — três vezes o salário mínimo nacional; III Divisão Nacional — duas vezes o salário mínimo nacional; Outras divisões e escalões juvenis — uma vez o salário mínimo nacional. 2.
Aos treinadores-adjuntos é assegurado, como remuneração base mínima, metade dos montantes estabelecidos no número anterior para os treinadores principais de cada divisão.” Tendo em conta o que aqui está delineado para o futebol profissional em Portugal, é fácil perceber que, idealmente, o treinador principal de futebol receberia o idêntico ao salário mínimo nacional. Porém sabe-se perfeitamente que não é assim que se passa e se gere esta situação no nosso país.
Um recém licenciado em Educação Física e Desporto ou em Treino Desportivo sai habilitado com o equivalente ao nível I (UEFA C). O que seria de esperar? Que a partir do momento em que se licencia possa exercer única e exclusivamente aquilo para o qual estudou durante, na melhor das hipóteses, três anos, tal como um médico, um engenheiro, um psicólogo, ou um outro qualquer profissional licenciado “perde” tantos ou mais anos da sua vida para que esteja o mais bem preparado possível a todos os níveis para o exercício da sua função.
No entanto, quando este a pretende iniciar, depara-se com vários problemas que condicionam e limitam a sua entrega total à sua profissão. Compensações financeiras de 50€/100€/200€/250€ para exercer a função de treinador principal de futebol não permitem que qualquer indivíduo que seja consiga ter as condições básicas para ter uma vida normal e saudável. No futebol de formação, no futebol sénior distrital e até mesmo em alguns clubes que militam no Campeonato de Portugal o treinador de futebol não consegue ser profissional a tempo inteiro, tem de ter um emprego para além daquilo para o qual estudou.
Considera-se isto um problema? Na minha opinião, sim. Se não nem sequer falaria disto na rubrica de Jogo Interior. Mas não existe tratamento nem preocupação das entidades responsáveis em tentar perceber quais as causas para que se encontre uma espécie de solução, pelo contrário, são estas instituições que as criam. A desigualdade na formação do treinador. Uma das principais causas prende-se com as diferenças existentes no tempo e na forma como os treinadores de futebol se formam enquanto profissionais do desporto.
Enquanto, alguns necessitam de três anos de investimento temporal e financeiro para concluírem um curso que lhes permita obter o nível I de grau de treinador de futebol, outros, através dos cursos das várias associações e da federação, necessitam de apenas dois anos ou até alguns cursos de algumas empresas exigem apenas seis meses de teoria com um ano de estágio. Para além disto, ainda existe o problema do exercício da função de treinador sem qualquer formação para tal.
A ausência de uma “ordem dos treinadores” aproximando à medicina, a ordem dos médicos tutela e tem um poder de jurisdição que define e regula o acesso e o exercício da profissão, representa e defende os interesses médicos, concede o título profissional, exerce o poder disciplinar sobre os médicos, participa na elaboração de legislação que diga respeito ao acesso e exercício da profissão médica, participa nos processos oficiais de acreditação e na avaliação dos cursos que dão acesso à profissão médica, entre outras atribuições possíveis.
Não será necessário enunciar a ligação ao treinador de futebol. A ausência do espírito de “grupo profissional” nos treinadores Uma vez que impera o espírito de cada um por si e salve-se quem puder entre a maioria dos treinadores, esperando que alguns fracassem para outros aproveitarem, ou alguns exijam para outros abrirem mão e assim tomarem o lugar do primeiro, existe uma enorme falta de espírito de grupo que fortaleceria a profissão concedendo-lhe o tal poder de jurisdição já referido no ponto acima. Todos têm de “falar a mesma língua” e remar no mesmo sentido para desenvolvimento da profissão e não o contrário como é feito.
A generalização leva à desvalorização? O futebol é, sem dúvida alguma, a modalidade mais praticada mundialmente e Portugal não é exceção. Poderá a enorme quantidade de participantes e de entidades desportivas levar a que o poder económico em grande parte destas seja escasso e reduzido para o que seria adequado, para que os treinadores recebessem aquilo que merecem como profissionais a tempo inteiro que deveriam ser? Infelizmente, creio que sim.
A popularização do futebol leva, como quase tudo o que é realizado em massa, à diferenciação entre os intervenientes, a criação de pólos distintos em relação a poder económico, ideias e valores é inevitável e isso não é favorável ao assunto em questão. Uma realidade difícil e dura de alterar. Ainda assim, é importante “tocar na ferida” e este tema no Jogo Interior desta semana é importante por isso mesmo.
Em suma, a realidade em que os treinadores se encontram é cruel e resistente a alterações a curto e médio prazo. Ao mais alto nível, o treinador de futebol aufere quantias exorbitantes, ao nível dos jogadores de futebol, no entanto, no pólo oposto, há quem tenha diariamente um trabalho durante oito horas e à noite, por amor, ambição e força de vontade, vá exercer a função com a qual se identifica e para a qual se preparou a troco de quase nada, mais de aprendizagem e desenvolvimento que de outra coisa.
Existem problemas e causas enunciadas em cima que desvalorizam a profissão, que a tornam menos bem vista aos olhos da sociedade e isso coloca em causa as possibilidades de desenvolvimento e crescimento, de tornar esta uma profissão de excelência para todos e não só para alguns. Há possibilidade de alterar este panorama, no entanto, creio que a muito longo prazo e até lá, obrigatoriamente, o amor e o encanto pela modalidade servirão de alimento que dará a muitos a força para continuar desta forma. E por isso mesmo falo-vos sobre este problema na rubrica de Jogo Interior desta semana.
O campeonato está a poucas semanas da retoma e as saudades da bola a rolar são muitas. Por enquanto, resta-nos ver como o regresso está a correr fora de portas. Sendo feito de pessoas e para pessoas, o futebol permite que se criem ídolos com a mesma facilidade que cria vilões. Neste artigo, reuni um conjunto de jogadores, no ativo ou retiradas, que deixam saudades ao futebol português por tudo o que fazem dentro de campo e o que significam fora dele.
Com o reinício da Primeira Liga Portuguesa com data marcada – 4 de junho – podemos começar a antever aquilo que nos espera nas dez jornadas que restam até ao final da época. Neste caso, iremos falar sobre o último lugar de acesso à Liga Europa.
Assumindo que os quatro primeiros serão os que já lá estão (independentemente das mexidas que possam acontecer), para além da acérrima luta pelo título – entre SL Benfica e FC Porto – ou até da disputa pelo terceiro lugar do pódio – entre Sporting CP e SC Braga –, vamos poder assistir a uma “batalha” pelo quinto lugar, que dá acesso às pré-eliminatórias da Liga Europa. Esta interessante luta, ao que tudo indica, será levada a cabo por três intérpretes: Rio Ave FC, Vitória SC e FC Famalicão.
Vou definir uma espécie de “Manual de Sobrevivência” de acesso à Europa para as três equipas em questão, justificando aquilo a minha linha de pensamento.