Stanislas Wawrinka disse “presente” no encontro dos quartos-de-final frente a um sempre periogoso Kei Nishikori. O actual detentor do título mostrou que está em Melbourne para provar que a vitória do ano passado não foi uma obra do acaso.
O tenista suíço derrotou o talentoso japonês em apenas três set’s por 6/3, 6/4 e 7/6 (6), mostrando que tem mais ténis do que aquele que tem mostrado e que, se for preciso carregar no acelarador, o motor corresponde. Wawrinka sabe que este é um Open da Austrália diferente do ano passado, mas lá no fundo não esconde o sonho de poder repetir o triunfo do ano passado.
“Stan the Man”, como é conhecido no circuito, apostou na direita de Kei Nishikori, que em modo defensivo fica “apetecível” para atacar, e foi mesmo por aí que o número 4 fez estragos, vencendo sem dificuldades um adversário que o ano passado no Open dos Estados Unidos lhe provocou enormes dificuldades.
No outro encontro dos quartos-de-final masculinos, Novak Djokovic teve tarefa ainda mais fácil do que Stanislas Wawrinka, vencendo Milos Raonic por 7/6, 6/4 e 6/2, num jogo disputado em velocidade de cruzeiro e levando assim a que o sérvio chegue às meias-finais sem ter perdido ainda um único set neste grand slam.
O primeiro cabeça-de-série do torneio fez o que quis de Raonic, que no final da partida disse não ter conseguido sequer organizar o seu jogo. A verdade é que Novak Djokovic criou inúmeras oportunidades para quebrar o serviço do tenista do Canadá e com isso não permitiu a Milos Raonic conseguir sequer pensar em igualar a partida.
Madison Keys foi a grande surpresa do dia Foto: Facebook Australian Open
As surpresas estiveram reservadas para a vertente feminina, com a jovem Madison Keys a derrotar Venus Williams. A jovem norte-americana, de apenas 19 anos, derrotou a 18ª tenista do ranking WTA, que já era tenista profissional um ano antes de Keys nascer.
No outro encontro de uma irmã Williams, neste caso Serena, vitória sem contestação para a super-favorita à conquista do torneio, por 6/2 e 6/2. Serena Williams defronta agora Madison Keys, pela primeira vez numa meia-final de um grand slam, enquanto Ekaterina Makarova defronta a russa Maria Sharapova.
Na vertente masculina, a metade teoricamente mais complicada do quadro, perdeu Federer e Nadal, e Murray joga agora frente a Tomas Berdych, que mostrou ter as “garras afiadas” no ataque à final.
Do outro lado, final antecipada, com Novak Djokovic a defrontar Stanislas Wawrinka. Temos torneio!
Não deixa de ser curioso que, exatamente um dia depois de Jorge Jesus ter dito que o Benfica tinha capacidade para fazer uma segunda volta melhor do que a primeira – recordo que os encarnados perderam apenas quatro pontos em 51 possíveis -, as águias deram o primeiro sinal de que tal objetivo será, evidentemente, uma árdua tarefa (se não mesmo impossível).
No passado domingo, o Benfica deixou em Paços de Ferreira três dos quatro pontos de manobra que permitiam efetuar uma segunda volta melhor do que a primeira. Das duas derrotas registadas até agora, Jorge Jesus tem culpas diretas na perda dos três pontos. Há um padrão que se vem revelando ao longo da era de Jorge Jesus: o treinador encarnado muito raramente toma as melhores opções durante o decorrer dos jogos (principalmente dos jogos de dificuldade média/elevada). Perante as adversidades e resultados menos positivos no decorrer da partida, como foi o caso dos jogos frente ao SC Braga e frente ao Paços de Ferreira, Jorge Jesus opta sempre por retirar um homem do meio-campo e colocar (mais) um avançado.
Em Braga, com o marcador empatado (1-1) , o treinador português, ao minuto 62, decidiu tirar Samaris e colocar Jonas, obrigando Enzo Pérez jogar como trinco e Talisca no apoio aos avançados. A aposta revelou-se catastrófica: o Benfica perdeu o controlo do meio-campo, ofereceu espaço a Tiba e a Rúben Micael para colocarem a bola nos rapidíssimos alas bracarenses, perdeu toda a ligação ente setores e sofreu justamente o segundo golo da partida, alcançado por Salvador Agra, que ditou a vitória do SC Braga. Na retina ficou que, mesmo com dois avançados em campo e Talisca no apoio, a bola nunca chegou junto dos homens da frente, e o Benfica não teve habilidade para construir jogadas de perigo (exceção para o último lance da partida, onde Matheus foi protagonista).
Jorge Jesus continua a cometer o mesmo erro Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Em Paços, tal como em Braga, com a partida empatada a zeros, Jorge Jesus decidiu arriscar tudo retirando novamente Samaris de campo e colocando Derley (82’). O Benfica passou a jogar com três avançados (Jonas, Lima e Derley) e sem nenhum homem no meio-campo de cariz defensiva. À imagem do jogo da “pedreira”, os encarnados deixaram de ter equilíbrio e nunca mais foram uma equipa com personalidade. Pelo contrário, sem ninguém com capacidade para construir de forma criativa os lances de ataque, o Benfica foi uma presa fácil para a organizada equipa pacense. O golo da vitória, alcançado por Sérgio Oliveira na marcação de uma grande penalidade, premiou a paciência e o espírito coletivo da equipa comandada por Paulo Fonseca.
Perante isto, é legítimo questionar o porquê de Jorge Jesus insistir em oferecer, literalmente, o meio-campo ao adversário em situações como as de Braga e de Paços de Ferreira. Ter dois ou três avançados na área nunca significou uma grande eficácia ou percentagem de golos. Sempre que o treinador benfiquista recorre a este tipo de solução, os encarnados mudam a sua identidade, a sua forma de jogar, tornam-se previsíveis e, logicamente, a dificuldade para fazer um golo aumenta exponencialmente. Pior: nas duas situações demonstradas, o Benfica não só não conquistou os três pontos como ainda deixou fugir um, relativo ao empate. Ainda diz o ditado que “quem não arrisca não petisca”…
Neste momento, as águias podiam ter mais sete, nove, dez ou treze pontos do que o FC Porto. Mas é importante não esquecer que se o Benfica tem mais seis pontos do que o segundo classificado, em tudo o deve ao seu treinador. Jorge Jesus é um dos melhores treinadores do mundo… só não o é em tudo.
Nada mais, nada menos do que 15,75 milhões de euros. Foi esse o encaixe financeiro que o Benfica fez recentemente com Bernardo Silva e que, à primeira vista, se assume como uma fantástico valor proveniente da transferência de um jogador que apenas fez três jogos oficiais pela equipa principal do Benfica.
Ainda assim, e ao contrário do que se diz em tanta coisa no desporto-rei, o futebol não é apenas o momento, e a verdade é que o Mónaco não terá investido apenas naquilo que Bernardo Silva pode oferecer neste momento, mas, acima de tudo, naquilo que o internacional sub-21 português poderá oferecer futuramente em termos de retorno desportivo e financeiro. E isso, em condições normais, pagará largamente estes 15,75 milhões de euros.
Explosão tardia
Bernardo Mota Veiga de Carvalho e Silva nasceu a 10 de Agosto de 1994, em Lisboa, e é um produto das escolas do Benfica, clube que representou ininterruptamente entre 2002/03 e 2013/14, que é como quem diz desde os escolinhas até ao futebol sénior.
No espectro encarnado, o médio-ofensivo foi sempre visto como um enorme talento, mas a sua estrutura franzina acabou por travar um impacto mais imediato, sendo que a verdadeira explosão do internacional sub-21 português deu-se precisamente em 2012/13, no seu último ano de juniores, quando fez 19 golos em 36 jogos e assumiu-se como o principal criativo e motor de uma equipa que foi campeã nacional sob o comando de João Tralhão.
Adaptou-se muito bem à Ligue 1
No rescaldo dessa excelente temporada nos juniores encarnados, foi com naturalidade que Bernardo Silva deu o salto para o Benfica B, onde, em 2013/14, confirmou todo o seu talento, somando 38 jogos e 7 golos na Segunda Liga e garantindo inclusivamente a chamada à selecção nacional de sub-21, onde rapidamente se tornou uma das figuras.
Ao mesmo tempo, foi merecendo algumas (poucas) oportunidades de Jorge Jesus na equipa principal do Benfica, onde fez apenas três partidas oficiais, e sempre como suplente utilizado, também naturalmente prejudicado pelo facto de o habitual esquema do técnico de 60 anos não contemplar a presença de um “dez” puro como é Bernardo Silva.
Nesse seguimento, foi sem grande surpresa que o jovem de 20 anos foi este Verão emprestado ao Mónaco, sendo que o internacional luso nem começou a actual temporada como titular, mas calmamente foi ganhando o seu espaço nas contas de Leonardo Jardim, isto ao ponto de já somar 21 jogos (14 como titular) e 3 golos no emblema do Principado, merecendo ainda o tal avultado investimento na sua contratação.
Um predestinado que pode almejar a ser dos melhores do Mundo
O futebol de Bernardo Silva transporta-nos para paragens temporais longínquas, uma vez que o internacional sub-21 português apresenta um estilo de jogo de um “dez” mágico – e focado, acima de tudo, na criação –, que muitos defendem que está extinto no futebol moderno, mas que poucos, como o jogador do Mónaco, teimam em provar o contrário.
Afinal, o jovem luso tem tudo aquilo que se exige ao tal “dez” clássico, apresentando uma assombrosa técnica individual, uma aceleração e condução com bola que, por vezes, faz lembrar Lionel Messi, excelente qualidade de passe, superior visão de jogo e uma finalização bastante competente.
Ainda assim, perante as exigências do futebol moderno, é necessário que Bernardo Silva evolua em alguns aspectos do jogo para atingir um patamar de excelência que o aproxime do leque onde se encontram os melhores do Mundo, nomeadamente no capítulo da recuperação defensiva e da gestão dos momentos de jogo, isto sem esquecer que o jovem deveria ganhar um pouco mais de físico.
De sublinhar, por fim, que tal como Leonardo Jardim chegou a colocá-lo ao longo desta temporada, Bernardo Silva também se adapta a jogar encostado à direita, ainda que, actuando nessa posição específica, rapidamente se perceba que o internacional sub-21 português procura imediatamente as zonas centrais do terreno, acabando por assumir-se como um falso extremo, sempre a procurar as zonas de criação que, afinal, é o seu habitat natural.
Realizaram-se, na passada madrugada de 27 de Janeiro, dois dos quatro encontros respetivos dos quartos-de-final masculinos. No primeiro encontro, talvez o mais esperado pela comunidade tenística, tínhamos Rafael Nadal perante Tomas Berdych e na outra partida estavam frente a frente Nick Kyrgios, jogador-sensação do torneio, e Andy Murray.
Comecemos pelo encontro entre Nadal e Berdych. O espanhol vinha de uma série de 17 vitórias consecutivas frente ao checo, contudo este encontro antevia-se bastante mais difícil do que os anteriores. O checo não havia cedido qualquer set durante todo o torneio e preparava-se para enfrentar um Rafael Nadal que, apesar da subida de forma, como alias o referi no artigo anterior, está muito longe do seu melhor. A juntar a tudo isto, as condições meteorológicas húmidas e secas que se fizeram sentir no dia de ontem, tornando desta forma os courts “mais lentos”, foram as mais favoráveis para Tomas Berdych.
Os dois primeiros sets foram completamente dominados por Berdych. O espanhol, no conjunto dos 2 primeiros sets, fez apenas 10 winners contra 20 do checo. Servindo constantemente para a esquerda de Nadal e apresentando um jogo bastante agressivo, Berdych encontrava-se assim a vencer por 2 sets a 0. No terceiro set, Nadal ainda deu um ar da sua graça e obrigou Berdych a elevar, também ele, o seu nível de jogo. Contudo, o checo respondeu bastante bem, sobretudo nos momentos de maior pressão, e levou a decisão da terceira partida e, consequentemente, do encontro para um tie-break. Encontrando-se a vencer por 5-1, ainda permitiu que Nadal recuperasse para os 5-4, mas, finalmente, conseguiu fechar a partida e quebrar a serie vitoriosa do espanhol.
Será esta a semana de Tomas Berdych? Fonte: Facebook do Open da Austrália
Na outra partida dos quartos-de-final, que opunha o australiano Nick Kyrgios frente a Andy Murray não houve grandes emoções. O escocês, que se encontra num excelente momento de forma, soube gerir bastante bem todos os momentos do encontro e de forma quase natural levou de vencida Kyrgios que, apesar de a espaços ter conseguido causar algumas dificuldades a Andy Murray, provou que ainda lhe falta alguma consistência. Contudo, ainda é um jovem e tem uma enorme margem de progressão.
Concluindo, a boa forma de Berdych contrastou com a falta de ritmo de Rafael Nadal e a experiencia de Andy Murray venceu a espontaneidade e irreverência de Nick Kyrgios. Espera-se um grande encontro nas meias-finais. Murray e Berdych são dois dos jogadores que se encontram em melhor forma actualmente. Será esta a semana do checo? Ou por sua vez Murray vai voltar às finais de grand slam?
Era só jajão quando nos diziam que Bernardo Silva regressava no final da época. Lembram-se de chegar a casa esganados por terem passado a tarde toda a jogar futebol e sentirem o cheiro daquela comida que só a nossa mãe é que sabe fazer? Lembram-se daquele momento em que nos apercebíamos de que ainda faltava uma hora para o jantar, mas de que, por causa do cheiro magnífico pela casa, já não nos conseguiríamos concentrar? Provavelmente, de que durante essa hora fantasiávamos e babávamos litros e litros, só de imaginar o prazer que cada garfada iria trazer? Pois bem, esses momentos de expectativa foram constantes na minha vida a partir do momento em que descobri um jogador – na altura jogava nos juniores do Benfica, um número 10, baixinho, que tinha cola nos pés e uma classe tremendamente incomum, tendo em conta a sua tenra idade. Há anos que me sinto enganado, ingénuo até, ao ouvir Luís Filipe Vieira, no início de todas as épocas, falar de que o onze inicial do clube e até da seleção irá ser made in Benfica. Todos os anos ouço isto, e todos os anos acredito que até seja capaz de ser verdade.
Quando comecei a prestar mais atenção aos juniores do Benfica, fiquei absolutamente louco com Bernardo Silva. Notava-se que jogava bastante bem; ouvia-se, nas suas palavras, o benfiquismo que só algumas pessoas sentem; e via-se nele uma alegria e um orgulho em vestir a camisola do Benfica e, ainda mais, envergar a braçadeira de capitão do clube do seu coração. Não me consigo esquecer das vezes em que não ia sair à tarde para ver jogos dos juniores. Um grupo na altura com João Cancelo, Bernardo Silva, André Gomes… Um grupo que jogava tão, mas tão bem. Aquele plantel fez-me acreditar que, bem trabalhado, poderia vir a representar o Benfica durante anos. Não podia estar mais enganado. Vi André Gomes a ser titular em Camp Nou e em Alvalade e depois a deixar de ser aposta durante meses, meses em que só jogava os últimos trinta segundos dos jogos. Vi-o começar a afirmar-se e ser despachado para o Valência. Certamente não foi isto que aconteceu, mas emocionalmente foi o que senti.
Nesta altura, imaginar o Bernardo a jogar na equipa A já parecia tão certo… Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Mas a notícia do início desta semana deixa-me um vazio. “Bernardo Silva é comprado pelo Mónaco”. Que dor – não por o conhecer pessoalmente, mas pela desilusão e pelas expectativas que fui criando. Um número 10 que iria ser capitão, e um símbolo do clube como tantos outros já foram.Custa-me acreditar em que o jogador que mais potencial tinha – pelo menos para mim -, que mais gozo e gosto dava ver jogar e tocar na bola, foi vendido sem nunca jogar um jogo inteiro no clube do seu coração. É preferível apostar em Patric e Luis Felipe do que pôr Bernardo Silva a jogar?
Bernardo, sei que, provavelmente, nunca vais ler este texto, mas espero que saibas que todo o mundo benfiquista só quer o teu melhor, que te tornes um jogador (ainda mais) fenomenal e que comproves que a formação do Benfica tem tudo para dar frutos. Se conseguisses, daqui a um par de anos, fazer com que o Presidente do Sport Lisboa e Benfica se arrependesse bastante de te ter vendido (algo de que não duvido), também seria algo que mereceria uma ovação. Com isto, despeço-me, triste, com mágoa e a querer acreditar que o comunicado feito tenha sido um erro e que se estivesse a vender o José Luiz Fernandez em vez de ti. Muito obrigado pelos anos de casa, pelo suor que deitaste por todos nós, pela vontade e garra que trouxeste a cada desafio, e por teres representado, sem nunca jogar no plantel principal, aquela que é uma mística que transcende tudo e todos. Aparentemente, o jantar, que cheirava tão bem, não era para nós…
Dizem os hodiernos ditames da bola que o futebol é onze contra onze e que no fim ganha a Alemanha.
E eu, que na vida nunca gostei particularmente do transversalmente gélido e insuportável calculismo germânico, dou por mim a achar que ele pode ser, no fundo, solução para grande parte dos males do nosso Sporting (e não só).
Ora vejamos.
Nos dias que correm, sabemos ter bola do meio campo para a frente. Sabemos variar o flanco do jogo em profundidade sem dar tempo às equipas adversárias para se reposicionarem. Sabemos, quando necessário, ‘cair em cima’ e recuperar a bola ainda na primeira fase da transição dos nossos oponentes, não permitindo que os seus médios liguem o jogo e apanhando as suas defesas em contramão, completamente descompensadas, aproveitando a má ocupação dos espaços para criar situações de perigo e, pontualmente, facturar. Adrien ganhou uma consistência na profundidade que dá ao jogo e na capacidade para aparecer com regularidade nos últimos trinta metros que não tinha com Leonardo Jardim; finalmente, André Martins está num lugar onde não estorva ninguém (e, mesmo assim, talvez estorve ainda a visão periférica de Marcelo – até quando está sentado na bancada); William sofre fisicamente para fazer a vontade a Marco – e como eu insistia nisto o ano passado! -, tentando transformar-se num tout-court, deixando de jogar em permanência num rectângulo de 10×20; e, finalmente (!), a falta de um 10 titular absoluto e indiscutível vai sendo colmatada com a experiência e excelência de Nani e com o virtuosismo finalmente estabilizado de Carrillo (bem espero que estas palavras não me saiam caras daqui a uns meses), ambos tão capazes de procurar espaços interiores, trazendo consigo os laterais adversários e abrindo os corredores para a entrada de Cédric, Jefferson e até, a espaços, João Mário ou Adrien.
Na frente, acredito que estamos bem servidos. Aqui me confesso fã incondicional de Montero: não quero, sequer, imaginar o que seria a jogar num 4x1x3x2 em que os dois homens dos flancos fossem Carrilo e Nani, e em que lhe fosse dada total liberdade para jogar na zona periférica de Slimani. Não quero, como disse, porque, se o imaginar, amanhã começo a endereçar cartas registadas ao Mister todos os dias, cartas em que o primeiro peticionado seria que proibisse as noitadas do William e que maltratasse o miúdo com duas horas de trabalho extra de ginásio diário. Isto porque, na minha mui modesta e singela opinião, um 4x1x3x2 como deve de ser só funciona com um seis que tenha um pulmão e, quiçá, um coração do tamanho do mundo. Escudado por uma defesa imperialmente posicionada, capaz de estar, aquando do início da transição ofensiva dos opositores, em cima da linha do meio terreno. Mas isso são outros quinhentos…
Quinhentos esses que são o que mais me preocupa. Sentimento que creio comum a todo e qualquer sportinguista.
Preocupa-me, desde logo, que tenhamos um guarda-redes que, sendo fora de série, ostentando a braçadeira de capitão no braço, passa os jogos praticamente calado! Acredito que alguns dos muitos problemas defensivos do Sporting se resolveriam se Patrício falasse mais. Não sei quantos de vós jogam ou jogaram futebol, mas todos os que o tenham feito sabem que não há quem tenha melhor noção dos espaços por ocupar do que aquele que vê de trás; tendencialmente o guarda-redes, mas pode também aplicar-se a um central que tenha inteligência posicional e voz de comando – no que respeita não só ao posicionamento do sector recuado como aos buracos no meio campo ou entre linhas, claro está. Oliver Khan fazia-o como ninguém, Neuer reprodu-lo hoje em dia no Bayern, e, entre nós, foi o que Ricardo Carvalho, por exemplo, sempre fez nas equipas por onde passou.
A nossa defesa precisa de uma voz de comando: se não temos, por agora, um central que a saiba assumir, que seja o nosso Capitão a puxar dos galões e a fazê-lo. Porque bem precisamos de quem relembre várias coisas àqueles meninos, nomeadamente a “teoria da corda”, regra básica e abnegável de qualquer sector defensivo que seja digno desse nome.
No fundo, porque bem precisamos de consolidar o processo de crescimento, estabilizando processos, sabendo quando parar o jogo, como abordar os espaços e, sobretudo, ganhando a maturidade para saber dar ao jogo, em cada momento, aquilo que ele nos pede.
Isto, no meu mundo, chama-se ter a frieza e o calculismo necessários para impedir que os nossos adversários nos vençam. Consegue-se – leve o tempo que levar – com umas coisitas simples: abnegação, dedicação, trabalho, mais dedicação e mais trabalho.
Tudo lições nas quais os alemães são Catedráticos.
SL,
p.s.1 – Foi no sábado a enterrar um enorme Jurista, Publicista e Advogado, um dos poucos que integrava, até então, o elenco das Sumidades da Advocacia. É nos poucos Advogados como Galvão Teles que os novatos, como eu, se inspiram quando trabalham todos os dias com o objectivo de vir a ser, um dia, referências na nossa Profissão. Mais do que um enorme Advogado, relembro a figura do GIGANTE Sportinguista de bigode. Também aí nos deve servir de exemplo. A todos. Que descanse em Paz.
p.s.2- Este texto já se encontrava escrito à hora do jogo com a Académica. Os últimos minutos foram o completo reflexo de tudo o que eu vos queria aqui transmitir.
“When we tried to keep up with Bayern over 10 years ago, we reached our natural limits and needed to scale down”. Foi desta maneira que Rudi Völler, director desportivo do Bayer Leverkusen, falou sobre a diferença abismal entre o campeão e as restantes equipas do campeonato alemão, que vai regressar nesta semana depois da habitual paragem invernal.
Em Munique respira-se tranquilidade. A equipa vai melhorando o seu futebol – bate recordes atrás de recordes – e vai enfraquecendo os seus adversários, contratando as suas principais estrelas. Onze pontos de diferença. É essa a ponte que é praticamente impossível de ultrapassar. Melhor defesa, melhor ataque e única equipa dos campeonatos de topo a não ter qualquer derrota.
Os restantes clubes têm sido meros observadores do poder do gigante. O Dortmund tem-se comportado de maneira medíocre – ter Reus, Hummels, Kagawa e Mkitharyan deveria chegar para, pelo menos, não estar a lutar pela manutenção – e espera-se uma segunda volta com outra atitude. Klopp quis dar maior criatividade à equipa – as principais estrelas têm estado muito aquém – e foi buscar ao campeonato austríaco uma das maiores figuras, Kevin Kampl.
Kevin Kampl pode ajudar o Dortmund a fugir aos últimos lugares Fonte: Facebook do BVB
Houve outras mudanças bem interessantes nesta paragem. O Schalke reforçou-se com um dos centrais mais promissores da actualidade, Matija Nastasic, defesa que saiu do Manchester City à procura de minutos e que se junta a Höwedes, Ayhan, Kirchhoff e Felipe Santana; o Mainz, tentando precaver a eventual saída do nipónico Okazaki, contratou por empréstimo com opção de compra o “Zlatan” chileno, Nicólas Castillo, que vinha brilhando no Brugge; e o Augsburgo, que está a fazer mais uma excelente campanha, recebeu emprestado o jovem Pierre-Emile Højbjerg, do Bayern Munique.
Como parar os pupilos de Pep Guardiola? A pergunta, neste momento, ainda não tem resposta certa, mas tem um clube que ainda sonha. O Wolfsburgo é o segundo classificado, o primeiro a defrontar o campeão alemão e o único com uma ténue hipótese de se aproximar. Será este ano que o rei é deposto? Parece impossível.
Terminei o meu último artigo, precisamente sobre o Australian Open, dizendo que poderíamos esperar “duas semanas carregadas de emoção e espetáculo”. Pois bem, foi precisamente isso que se passou. Confesso que tenho alguma dificuldade para escolher os melhores momentos desta 1º semana, contudo talvez a quase eliminação de Rafael Nadal, a derrota de Roger Federer perante Andreas Seppi e a presença de Nick Kyrgios nos quartos-de-final sejam merecedores de tal distinção.
Tentando seguir uma ordem cronológica, o primeiro dia ficou marcado, sem margem para duvida, pela eliminação de Ernest Gulbis frente a Thanasi Kokkinakis. O prodígio australiano, nascido apenas a 10 de Abril de 1996, derrotou o letão numa longa batalha que terminou com 10-8 no quinto e decisivo set. Outra das grandes surpresas da ronda inaugural foi a eliminação de Fabio Fognini. O italiano é sempre imprevisível, mas perder em apenas 4 partidas para Alejandro Gonzalez é um resultado bastante negativo. Relativamente aos restantes encontros da primeira ronda, é de destacar a partida 100% francesa que opôs Gael Monfils a Lucas Pouille. Na minha opinião, o melhor encontro desta fase do torneio. Os principais candidatos aos títulos não tiveram qualquer problema de maior e avançaram naturalmente para a segunda ronda.
Nick Kyrgios, uma das figuras em maior destaque neste Australian Open Fonte: Facebook oficial de Nick Kyrgios
O encontro de maior destaque da segunda eliminatória foi, surpreendentemente, o de Rafael Nadal frente a Tim Smyczek. O norte-americano, praticamente desconhecido da maioria do público, obrigou o espanhol a jogar um quinto set e não esteve muito longe de o eliminar do grand slam australiano. Durante todo o encontro foi notório que Rafael Nadal se encontrava diminuído fisicamente, talvez afetado por um vírus estomacal de que os jogadores se têm queixado. Contudo, e apesar das dificuldades sentidas, o numero 3 mundial conseguiu seguir em frente na competição. As eliminações de Gael Monfils, provavelmente desgastado dos 5 sets que teve de jogar frente a Pouille, frente a Janowicz e de Leyton Hewit, após ter desperdiçado uma vantagem de dois sets a zero, perante Benjamin Becker foram algumas das surpresas desta eliminatória. Caminho contrário ao de Monfils e Hewit seguiram os australianos Bernard Tomic, Nick Kyrgios e Sam Groth. Uma nota bastante positiva para o desempenho dos jogadores australianos no “seu” torneio.
Se na segunda ronda Rafael Nadal esteve prestes a ir para casa mais cedo, na eliminatória seguinte o seu rival histórico, Roger Federer, foi mesmo eliminado pelo italiano Andreas Seppi. Poucos preveriam tal surpresa, mas a verdade é que Seppi apresentou-se bastante consistente e precisou apenas de 4º sets para resolver a questão. Grigor Dimitrov e Marcos Baghdatis proporcionaram aquele que, na minha opinião, foi o melhor encontro até agora. O búlgaro precisou de quase quatro horas e cinco partidas para se desembaraçar do cipriota que deu muito boa conta de si.
Andreas Seppi, o responsavel pela eliminação, na 3º ronda, de Roger Federer Fonte: Facebook oficial do Australia Open
Estavam desta forma encontrados os 16 melhores jogadores do AustralianOpen 2015. Nos oitavos de final o encontro que mais despertou a atenção do público, e também a minha, foi o de Andy Murray frente a Grigor Dimitrov. Num dos melhores encontros de todo o torneio, o escocês derrotou o namorado de Maria Sharapova em quatro partidas, contudo Dimitrov esteve muito perto de levar a contenda a uma quinta partida, sendo líder por 5-2 no quarto set. Nas restantes partidas as hierarquias pré estabelecidas mantiveram-se e não houve lugar a qualquer surpresa.
Para terminar gostaria de destacar alguns dos jogadores que mais me tem impressionado:
Kei Nishikori – o japonês está a apresentar um ténis bastante consistente e apresenta-se como uma seria ameaça a Stan Wawrinka;
Tomas Berdych – o vice-campeão do Portugal Open está a jogar melhor do que nunca, mas será capaz de quebrar a enguiço de 9 anos e derrotar Rafael Nadal? ;
Novak Djokovic – é certo que os adversários não são os mais exigentes, mas o sérvio parece estar em ritmo cruzeiro. Resta saber como vai lidar com adversidades que, certamente, o esperam;
Nick Kyrgios – está nos quartos de final e é o único australiano em prova, por conseguinte, só pode ser considerado como uma das figuras desta edição do torneio australiano.
Pela negativa, o meu destaque vai inteiramente para Roger Federer e Stan Wawrinka. Federer, obviamente, ficou muito aquém das expectativas ao ser eliminado na 3º ronda e Wawrinka, apesar de estar nos quartos-de-final, não tem apresentado um ténis digno de um campeão de torneios de grand slam.
As fases das grandes decisões aproximam-se e, neste momento, mantenho exatamente aquilo que disse no início da semana; Penso que Rafael Nadal vai subir o nível, de resto como já está a acontecer, e que Novak Djokovic terá de estar ao seu melhor nível para vencer o torneio.
Nascido no Porto a 22 de Novembro de 1956, Fernando Mendes Soares Gomes foi recrutado pelos olheiros portistas numa prova de futebol de salão, quando tinha 14 anos. A sua frieza finalizadora saltou imediatamente aos olhos dos observadores; como tal, foi convidado a prestar provas nas camadas jovens do Futebol Clube do Porto, no campo da Constituição, onde foi treinado por António Feliciano, estrela do Belenenses na década de 40.
Fez a sua primeira partida na 1ª Divisão com 17 anos, com a bênção do técnico Aimoré Moreira, numa partida frente à CUF do Barreiro, onde deixou, desde logo, a sua marca com um bis. Também neste patamar competitivo mais elevado começou a furar as redes adversárias, deixando logo a sua marca nos primeiros jogos. Veloz e inteligente na desmarcação, perfeccionista na ocupação de espaços e no jogo sem bola (arrastando marcações, abrindo espaço de penetração para os companheiros), possuidor de “fácil”, forte, colocado e oportuno pontapé, bem como de um jogo de cabeça voraz, Fernando Gomes foi o “homem-golo”, o “carrasco sem clemência” dos guardiões que se lhe opunham.
A instabilidade no seio do clube azul e branco, em 1980, originou a sua transferência para o clube espanhol Sporting de Gijón. Apesar da sua estreia auspiciosa – contra o Oviedo, num torneio de Verão, onde festejou cinco golos de sua autoria -, a época ficou marcada por uma lesão contraída aquando do festejo do seu golo, diante do Atlético de Bilbau, ainda no arranque dessa época. A segunda temporada foi bem mais positiva: assinou 12 golos no Campeonato (melhor marcador da equipa) a que acrescentou mais 8 na Taça do Rei, competição onde brilhou, ajudando a sua equipa a chegar a uma histórica final (derrota por 2-1 frente ao todo-poderoso Real Madrid).
De qualquer forma, o apelo da “casa-mãe” impeliu-o a regressar – aí apresentou, de novo, um rendimento altíssimo. Conquistou a sua primeira “Bota de Ouro” (melhor marcador europeu) em 1983, marcando por 36 vezes. Repetiu o feito dois anos mais tarde “acariciando” a baliza por 39 vezes. Sendo um dos elementos mais carismáticos e respeitados do plantel portuense, foi também figura notável na selecção portuguesa (48 jogos e 13 golos apontados). Tem um extraordinário currículo em provas internacionais: actuou na final da Taça das Taças em 1984 (derrota com a Juventus por 2-1) mas uma lesão impediu-o de participar na final de Viena em 1987 (onde o Porto venceu a sua primeira Taça dos Clubes Campeões Europeus) e teve um papel muito relevante nas vitórias da Supertaça Europeia e Taça Intercontinental (onde fez golos e excelentes exibições). Em Agosto de 1989 transferiu-se para o Sporting, mantendo a sua veia goleadora intacta. Como epílogo importa relevar os 800 golos que marcou em competições oficiais, as duas “Botas de Ouro” e as seis “Bolas de Prata (1977, 1978, 1979, 1983, 1984 e 1985). O seu registo colectivo contempla cinco campeonatos (1978, 1979, 1985, 1986, 1988), três Taças de Portugal (1977, 1984, 1988), quatro Supertaças Cândido de Oliveira (1981, 1983, 1984 e 1986), uma Taça dos Campeões, uma Taça Intercontinental e uma Supertaça Europeia (todas em 1987).
Considero, sem dúvida, Fernando Gomes como o melhor ponta-de-lança do futebol português. É, no entanto, relevante explicar que julgo Eusébio como o melhor avançado centro de sempre, embora não o inclua na categoria de ponta-de-lanca. O moçambicano era mais móvel, ao passo que Fernando Gomes habitava mais fixo na área. É interessante verificar que estes dois craques apenas estão separados por dois golos no histórico dos diversos campeonatos nacionais – Eusébio com 320, Gomes com 318.
Nas últimas semanas, o universo portista condenou a Federação Portuguesa de Futebol pelo tratamento subalterno dado a “altas patentes” da sua história na gala do centenário do futebol em Portugal. Foi alvo de escárnio pelo clube portuense o esquecimento de Pinto da Costa e a pouca relevância dada a José Maria Pedroto. Incluo o “Bi Bota” neste rol de ostracizados (não premiados ou agraciados): uma trindade ilustríssima, mas, infelizmente, bacocamente desprezada. Fernando Gomes dizia que “marcar um golo é como ter um orgasmo”. Estará a FPF com alguma disfunção… “eréctil”? Perdoem-me a indagação fálica (devia tê-la esquecido também).
Na antevisão deste jogo, dizia Jorge Jesus, em relação ao arranque da segunda volta, que o Benfica fazia sempre uma melhor segunda metade de campeonato do que a primeira. Para além de o histórico das suas 5 épocas como treinador desmentir essa ideia, o resultado de hoje é um mau prenúncio para o que resta (e ainda é muito) jogar.
Se ainda havia dúvidas de que os encarnados não sabem lidar com a pressão, este jogo dissipou-as por completo. O que estava em causa era aumentar uma vantagem sobre o FC Porto de 6 para 9 pontos, o que não sendo decisivo, seria um avanço importante. Os jogadores carregaram durante um jogo o peso dessa mesma pressão, que ia pesando cada vez mais à medida que o jogo caminhava para o fim.
O Benfica entrou bem no jogo, a fazer circular a bola pelos flancos, a querer chegar ao golo. Os desequilíbrios na defesa pacense surgiam sobretudo do lado direito do ataque encarnado, quando Maxi combinava com Salvio. Aos sete minutos, Jonas tem uma flagrante oportunidade para marcar mas atira ao lado. O Paços de Ferreira baixava as linhas e o Benfica ia intensificando o domínio do jogo, circulando a bola cada vez mais perto da grande área adversária. Aos 17 minutos, Bruno Paixão viu e castigou um corte com o braço dentro da área de Ricardo, que parou o cruzamento de Salvio. No frente a frente com Defendi, Lima atirou à trave, desperdiçando assim a grande penalidade. Logo a seguir, nova bola no ferro da baliza do Paços, desta vez após um cruzamento de Salvio (muito ativo na primeira parte), que ainda sofreu um desvio na defesa.
O Benfica criava oportunidades, mas não marcava. A partir de metade da primeira parte, os encarnados baixaram o ritmo e o Paços equilibrou o jogo. À passagem da meia hora, foi Júlio César a impedir o golo de Cícero. Daí para a frente, não mais se viu a dinâmica dos primeiros 20 minutos e o intervalo acabou por chegar sem que nenhum outro lance mereça destaque. Faltava rapidez no passe e a equipa tornou-se demasiado estática (viram-se pouco as habituais desmarcações), o que facilitou a tarefa defensiva dos pacenses, que, com as linhas juntas, formaram um bloco compacto que impediu incursões na sua área.
Derley entrou na reta final do jogo, reforçando o ataque encarnado Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Nada melhorou depois do intervalo. Pelo contrário. Os laterais do Paços fechavam bem as alas, mesmo quando Maxi e Eliseu subiam ao ataque, pelo que os cruzamentos escassearam. Atacar pelo corredor central também se revelou tarefa complicada. Talisca não é Enzo, nem nunca será, por mais que Jesus queira. E o problema é que nem sequer “desenrasca”. Hoje passou completamente ao lado do jogo, à semelhança de quase toda a equipa. Por isso, Jesus, pondo o problema de forma simples, fica com três opções: ou assume que nem Talisca nem Pizzi têm capacidade (não quer dizer que não virão a ter) para colmatar a saída de Enzo e pede ao presidente a contratação de um box-to-box até ao final deste mês (opção lógica); ou muda o sistema tático, de modo a não colocar as responsabilidades do transporte do jogo ofensivo nesse jogador; ou ignora o problema, mantém a aposta e poderá arriscar mais dissabores.
Mas voltando ao jogo, o Benfica apenas voltou a rematar aos 60 minutos, através de Jonas. Depois de Lima ter voltado a acertar na barra da baliza do Paços, Jorge Jesus resolveu inovar. Retirou de campo Ola John, que até estava a fazer uma partida razoável, para colocar Pizzi no meio e passar Talisca para a esquerda, posição à qual o brasileiro não está habituado. Jesus sacrificou a capacidade de desequilíbrio no um para um do holandês, que poderia ser importante na fase final do jogo, por uma troca que nada trouxe de positivo. O futebol do Benfica tornou-se tão lento e previsível, que os jogadores da casa não só tinham facilidade em neutralizar as jogadas de ataque encarnado, como começaram a explorar o contra ataque. Já sem Samaris em campo, que tinha saído para entrar Derley, Eliseu rasteirou Hurtado e o árbitro apontou para a marca do penálti, que em cima dos 90 minutos, Sérgio Oliveira não desperdiçou. Estava confirmada a primeira derrota do Benfica frente aos pacenses na era Jesus, num jogo onde o Benfica se mostrou muito abaixo do nível exibido nos últimos jogos.
A Figura: Júlio César – Torna-se difícil destacar um jogador que tenha feito uma boa exibição, num jogo de tão fraca qualidade, principalmente na segunda parte. Assim, assinala-se a segurança do guardião brasileiro que se encontrava há mais de 700 minutos sem sofrer golos e só viu esse registo interrompido devido a uma grande penalidade.
O Fora-de-jogo: Benfica – Depois de uma série de vitórias convincentes e da subida da “nota artística” da equipa, pouca gente imaginaria uma derrota em Paços de Ferreira, sobretudo quando havia a expetativa de um alargamento da vantagem na liderança.