Foi preciso suar muito… mas o objectivo foi cumprido. Ao derrotar a Oliveirense, a Académica conseguiu completar o ciclo de quatro jogos em casa com um pleno de vitórias, acrescentando, a este sequência, uma série de 5 triunfos consecutivos que dão uma nova vida à Briosa na luta pela subida.
A Oliveirense, moralizada após dois jogos sem perder, entrou destemida no Estádio Cidade de Coimbra e, beneficiando de alguma passividade do meio-campo dos estudantes, foi conseguindo gerar volume de jogo junto da baliza de Peçanha. Porém, as transições ofensivas dos visitados terminavam sempre num ou noutro erro de definição da jogada.
A Académica tentava responder, mas obtinha o mesmo resultado que o seu adversário em ermos de oportunidades criadas – zero – embora, neste particular, haja a revelar a boa organização ofensiva da equipa orientada por Pedro Miguel.
Perante este contexto, João Alves decidiu mexer na primeira parte, fazendo entrar Djoussé para o lugar de Guima, colocando a Académica num 4x4x2 mais declarado, com o camaronês a juntar-se a Hugo Almeida na frente de ataque. Os resultados práticos, porém, foram os mesmos, e o nulo (em golos e oportunidades) arrastou-se até ao intervalo.
Apoio do público conimbricense foi uma constante Fonte: Bola na Rede
O segundo tempo manteve-se imaculado no que a lances perigosos diz respeito, mas houve uma tendência crescente de pressão academista (Djoussé foi encostado à esquerda, Júnior Sena atuou como apoio a Hugo Almeida e a equipa passou a construir de forma mais consistente) sobre o reduto da Oliveirense e foi durante o pico deste período que os estudantes chegaram ao golo, à passagem da hora de jogo – após canto batido por Júnior Sena, Djoussé saltou mais alto que toda a gente e cabeceou de forma letal para o 1-0.
O golo mudou o jogo para melhor. Pedro Miguel ordenou que a sua Oliveirense alargasse a frente de ataque com a integração dos laterais e soltou o meio-campo. Expôs-se ao risco, é verdade, mas teve de o fazer em busca dos pontos. As oportunidades de maior perigo, contudo, pertenceram à Académica, com Hugo Almeida (de cabeça ao lado) e Júnior Sena (remate a rasar a barra) a cheirar o golo na conclusão de transições ofensivas bem gizadas pelos estudantes.
A Oliveirense estava mais permeável e não era capaz de definir tão bem no último terço. Mas isso mudou com as entradas de Bouldini e Diogo Valente, que assumiram um papel relevante na construção ofensiva. O segundo, por exemplo, esteve pertíssimo de colocar um amargo de boca a um público ao qual já deu muitas alegrias, num ataque trabalhado por Fati e Agdon. A bola saiu a rasar o poste direito da baliza de Peçanha, num lance que foi uma espécie de canto do cisne da Oliveirense.
Depois de ter travado Arouca e Penafiel nas jornadas anteriores, a Oliveirense vendeu cara a derrota frente a Académica e pode-se dizer que a turma de Oliveira de Azeméis sai de Coimbra com a consolação (se é que existe) de uma vitória moral.
Pedro Machado
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
ACADÉMICA OAF: Peçanha, Traquina, Yuri, Zé Castro, Mike; Ricardo Dias, Guima (Djoussé 32’), Reko, Júnior Sena; Romário Baldé (Jean Filipe 77’) e Hugo Almeida (Saldanha 83’);
Em Agosto de 2018, pouco tempo depois de se iniciar a actual temporada, fazia referência aquiao trabalho que Bruno Lage vinha conseguindo ao serviço da equipa B do Sport Lisboa e Benfica. Um arranque de enorme qualidade na II Liga com vitórias, lances de belíssimo futebol e evolução de jogadores assentes num modelo de jogo pensado, estruturado e operacionalizado. Na altura, dizia que “vemos alguns aspectos em determinados momentos do jogo em que se percebe nitidamente que existe ali trabalho e conhecimento”.
Meses depois e de forma algo surpreendente, Luís Filipe Vieira elegeu Bruno Lage como sucessor de Rui Vitória no comando técnico do SL Benfica. Para mim, o surpreendente aqui só está na decisão – excelente, diga-se! – tomada pelo presidente do nosso Clube. Quando tudo indicava noutra direcção, Vieira acabou por optar por uma das alternativas que anteriormente já tinha também indicado num outro artigo (ver aqui).
Diga-se que o timing para a troca não foi o mais favorável, uma vez que o SL Benfica entrou numa espiral de jogos em que muito se poderia decidir e, com os jogadores a terem de assimilar novas ideias e mecânicas, poderia levar algum tempo até que a equipa se recompusesse do trauma que foi esta última temporada e meia. Apesar disso, Bruno Lage não virou a cara à luta e agarrou o desafio com unhas e dentes, arrancando com quatro vitórias em outros tantos jogos (incluindo uma dupla deslocação a Guimarães, primeiro para a Taça de Portugal e depois na abertura da segunda volta do campeonato). Um arranque a todo o gás do treinador setubalense, que começa já a deixar assente certas mudanças que estabilizaram os “encarnados”.
Bruno Lage tem referido desde início que a principal prioridade é a reconquista dos adeptos Fonte: SL Benfica
Bruno Lage tem vindo a salientar a exigência que tem sido trabalhar com um espaço temporal bastante reduzido entre os jogos. Recentemente referiu que “…estamos num caminho de criar a nossa identidade ao mesmo tempo que temos de preparar os jogos.
Queremos ser mais pressionantes, ter mais bola, mas ao mesmo tempo, temos de nos adaptar às dificuldades que os adversários nos colocam”. Para já, o foco tem sido jogo a jogo e é de extrema importância que os jogadores assimilem algumas ideias-base. O que é facto é que desde que Bruno Lage assumiu tem-se notado uma equipa do SL Benfica bastante mais sólida e com melhor conhecimento do que tem de fazer em campo. É notório o dedo do treinador em alguns aspectos, nomeadamente ao nível do momento defensivo.
Não só nos jogos de Guimarães (mas principalmente nesses, devido à exigência do adversário), temos visto uma equipa muito mais compacta, com linhas mais juntas e com uma melhor protecção do espaço central quando em Organização Defensiva. Mas se houve aspecto que vimos desde logo melhorado a partir do primeiro jogo do novo treinador foi a reacção à perda da bola.
A equipa pressiona mais e melhor, o que lhe permite recuperar a posse mais rapidamente após a perda e em zonas mais adiantadas do terreno. Em termos ofensivos é onde existe ainda muita margem para crescer. Não temos sido deslumbrantes nesse momento e, apesar de por vezes até vermos uma ou outra mecânica diferente, a equipa parece estar muito agarrada a “vícios” antigos. Ainda assim, é de salientar a intenção de procurar construir desde trás e sem tanto recurso ao “chutão” na frente. Os defesas-centrais têm mais bola e existe uma maior intenção de aproveitar o corredor central para criar desequilíbrios, apesar de não sair ainda com tanta fluidez.
Neste momento, a ideia que dá é que Lage quer primeiro recuperar a equipa tanto animicamente como a nível de resultados e isso está explicado pela citação que deixei acima. Criar uma base sólida e estruturada para depois começar a aprofundar os aspectos que têm ainda muitas falhas. Esta sucessão de jogos de elevada dificuldade irão ser óptimos testes à continuidade da solidez da equipa. Se forem ultrapassados com sucesso, o indicador deixado é que o SL Benfica irá ainda muito a tempo de ser feliz no final da temporada.
O CD Aves venceu o Vitória FC por 2-1 esta tarde, no primeiro jogo da segunda volta. Com a estreia de Inácio no comando técnico avense, foram Derley e Baldé a assinar os golos da vitória.
Num encontro entre duas formações à procura do caminho de regresso às vitórias, a entrada em campo dos jogadores foi marcada por uma homenagem a Nuno Pinto. Todas as crianças a acompanhar os atletas vestiam uma camisola branca com uma letra, que no conjunto formava a frase “Muita força, Nuno Pinto”. Num gesto de fair-play antes da “luta” dentro das quatro linhas, o Desportivo das Aves entregou também à formação adversária uma camisola da sua equipa com o nome do atleta sadino que se encontra afastado dos relvados por doença.
Na estreia de Inácio no comando técnico do CD Aves o principal destaque foi a ausência de Jorge Felipe, que não fez parte das contas para esta partida. Já do lado do Vitória FC, Lito Vidigal regressou a Vila das Aves, onde iniciou a época passada, com uma alteração no onze inicial face ao último encontro, fazendo alinhar Rúben Micael no lugar de Zequinha.
Nos lugares de despromoção e a precisar de pontos para subir na tabela, o Desportivo das Aves entrou melhor no jogo, com Falcão a ameaçar o golo logo aos dois minutos. Após passe de Amilton, o médio, em zona frontal à baliza de Cristiano e à entrada da pequena área, atirou por cima. Com os avenses a dominar, o Vitória FC incomodou Beunardeau ao minuto 12, por Eber Bessa, mas o lance foi interrompido por fora de jogo.
A resposta do CD Aves surgiu três minutos depois, com Fariña a atirar ao poste depois de uma sobra de Baldé e, ao minuto 16, com Derley a abrir o marcador. Após canto marcado na direita do ataque a defesa sadina cortou um primeiro cabeceamento e, na recarga, o ponta de lança brasileiro fez o 1-0.
Apesar de crescer no encontro depois de ficar em desvantagem, o Vitória FC não foi capaz de chegar com perigo à baliza adversária. Com mais volume ofensivo e presença no meio-campo avense, a formação às ordens de Lito Vidigal não colocou Beunardeau à prova e não ameaçou a vantagem conquistada por Derley, levando para o intervalo o 1-0 no resultado.
Desportivo das Aves foi para o intervalo em vantagem no marcador Fonte: Bola na Rede
A segunda parte começou de forma semelhante ao final da primeira, com o Vitória FC a jogar mais no meio campo adversário, mas, até ao minuto 56, sem qualquer lance de perigo. À passagem dos 56 minutos o placard voltou a mexer, com os sadinos a chegarem ao empate por Cádiz. O avançado ganhou o duelo com Diego Galo e não desperdiçou a possibilidade de repor a igualdade.
Em superioridade no jogo desde o minuto 64, depois de Cascardo ser expulso por acumulação de amarelos, por falta sobre Luqinhas, o CD Aves voltou a colocar-se em vantagem no marcador, por intermédio de Baldé. Aos 72 minutos, e novamente na sequência de um pontapé de canto, Baldé ganhou de cabeça na área e fez o segundo dos comandados de Inácio. Na resposta o Vitória FC apareceu com perigo no ataque, valendo Diego Galo aos avenses para evitar o golo de Hildeberto.
O Vitória FC ainda tentou reestabelecer a igualdade nos minutos finais, mas acabou por continuar a não ser capaz de criar oportunidades claras de golo. A estreia de Inácio no banco do CD Aves ficou marcada pelo regresso da equipa às vitórias, com os três pontos a não serem, ainda assim, suficientes para os avenses deixarem os lugares de despromoção.
Este foi um encontro em que os sadinos “perderam” três jogadores para o encontro da próxima jornada, frente ao Sporting. Eber Bessa e Semedo viram o amarelo ainda na primeira parte, confirmando essa ausência para a receção aos leões. Já no segundo tempo, ao minuto 64, Cascardo viu o segundo amarelo, deixou o Vitória FC reduzido a dez e passou a ser a terceira baixa para Lito Vidigal gerir no próximo jogo.
ONZES E SUSBTITUIÇÕES
CD Aves: Beunardeau, Rodrigo, Ponck, Diego Galo, Vítor Costa, Amilton, Vítor Gomes (Braga, 79’), Falcão, Baldé, Derley (Bruno, 87’) e Fariña (Luqinhas, 60’)
Vitória FC: Cristiano, Cascardo, Artur Jorge (Hildeberto, 25), Dankler, V. Fernandes, Eber Bessa, Semedo, Mikel (Valdo, 79’), Rúben Micael (Mano, 66’), Alex e Cádiz
Longe de ser motivo habitual de grande destaque, a liga turca ganhou nos últimos tempos especial relevância pela negativa. O panorama desportivo da Turquia não passou indiferente à frágil situação económica do país, que viu a sua moeda desvalorizar significativamente no mercado internacional.
Os gastos exorbitantes com jogadores e a falta de organismos que regulem e controlem o capítulo financeiro do desporto nos últimos anos levaram alguns clubes turcos a endividarem-se de forma alarmante, com o Fenerbahçe SK a reportar, em agosto, uma dívida de 2,1 mil milhões. Já o Besiktas JK possui uma dúvida de mil milhões e o Galatasaray SK 750,8 milhões de liras turcas. De seguida, segue-se o Trabzonspor, que apresentou uma dívida de 741 milhões.
Ora, estes ditos clubes grandes têm sofrido esta temporada com esta nova realidade e isso está bem patente na tabela classificativa, que ilustra um “campeonato estranho”: o Fenerbahçe, que é um eterno candidato ao título e que está qualificado para os 16 avos-de-final da Liga Europa, ocupa o penúltimo lugar do campeonato e já foi inclusivamente eliminado da Taça da Turquia por uma equipa da segunda divisão.
O Besiktas e o Trabzonspor, à data deste artigo, estão fora do pódio e é notória a quebra no rendimento desportivo. O Galatasaray, ainda assim, mantém-se nos lugares cimeiros.
Os principais clubes turcos perderam força por consequência da reestruturação financeira que tiveram de efetuar e teve especial impacto na política de contratações. Há três anos atrás, por exemplo, atuavam na Liga Turca jogadores como Sneijder, Podolski, Nani e Markovic.
Com o rótulo de jogador experiente ou de promessa, qualquer jogador que chegasse aos principais clubes turcos levava muita qualidade, mas era sinónimo também de grandes salários. Em larga escala, esta política fez com que os clubes atingissem o limite das suas capacidades financeiras e, além destes jogadores já terem abandonado o país, a atual situação é completamente diferente.
O perfil de jogador que agora é contratado por um clube turco mudou radicalmente. Hoje, os clubes turcos viram-se para um tipo de futebolista mediano proveniente de clubes bastante inferiores.
O Galatasaray contratou Marcão ao Grupo Desportivo de Chaves, clube que é o último classificado da Primeira Liga. Por outro lado, o Besiktas viu Pepe sair do clube para regressar ao FC Porto, onde passará a auferir um melhor salário. Fruto desta crise é também o caso de Ozan Kabak. O central turco, de apenas 18 anos, partiu nesta janela de mercado para o VfB Estugarda, por 11 milhões de euros. O clube simplesmente não teve capacidade de reter este jovem talento.
O jovem Ozan deixou um grande clube turco para assinar por um clube em risco de descer na Alemanha Fonte: VfB Stuttgart
Estes acontecimentos não foram uma exceção à regra e isto aconteceu um pouco por todos os clubes da SuperLiga, resultando na desvalorização dos plantéis das equipas, o que tem um impacto negativo no futebol do país.
Tendo em conta o panorama económico negativo, segundo os órgãos de comunicação social turcos, os bancos vão elaborar medidas e analisar a situação de cada clube, enquanto a Federação irá assumir a função de supervisionar as contas dos mesmos. Tratando-se somente de mais uma tentativa de aliviar a conjetura económica adversa, logicamente, nenhuma dívida será perdoada.
Cada vez mais, as condições económicas relacionam-se com a produtividade futebolística e, se é consensual que as principais equipas turcas perderam alguma qualidade esta época, será também interessante perceber se tal terá impacto nas competições europeias, com especial destaque para o Galatasaray que será adversário do SL Benfica na próxima ronda da Liga Europa.
Com a primeira jornada da segunda volta em andamento, é altura de fazer uma retrospetiva e perceber como o FC Porto, atual líder da Primeira Liga, se cimentou nesse posto com as primeiras 17 jornadas decorridas.
Depois de uma pré-época aquém do esperado por parte dos portistas, a estreia no campeonato foi um grande impulso na confiança dos adeptos para a longa caminhada que se segue até ao título. O FC Porto entrou a todo o gás no Estádio do Dragão, goleando o GD Chaves por cinco bolas a zero. Mesmo não tendo sido o jogo mais espetacular dos dragões, foi certamente o mais eficaz.
Apesar dos golos marcados, Sérgio Conceição ainda não via a equipa a ter a performance desejada, e os portistas sofreram nas primeiras jornadas do campeonato. Uma vitória em Belém aos 95 minutos, através de uma grande penalidade convertida por Alex Telles, seguida de uma derrota no Dragão com o Vitória SC, e os adeptos começavam a mostrar o seu crescente descontentamento pelas exibições menos conseguidas da equipa que, geralmente, marcava primeiro do que o adversário, mas facilitava depois de marcar e acabava por se submeter a cenários pouco desejados.
A derrota com os vitorianos em plena Invicta abalou os campeões nacionais, e estes quiseram responder: primeiro com uma vitória contra o Moreirense por três golos sem resposta e, na jornada a seguir, com outra vitória, desta vez frente ao Vitória FC. Mais um triunfo, por margem mínima, frente ao Tondela e seguiu-se o jogo no Estádio da Luz que, na minha opinião, mudou o rumo do campeonato português.
O FC Porto chegava à Luz a jogar um futebol pouco objetivo e com a vontade de alcançar o, na altura, líder SC Braga, que havia perdido pontos no dia anterior. Um jogo sem grande história, sem grande espetáculo, e que caiu para o lado encarnado. Mas o momento que, a meu ver, transforma a narrativa da Primeira Liga, é quando Sérgio Conceição, em declarações aos jornalistas, afirma perentoriamente que aquela seria a última derrota dos portistas no campeonato. E assim o foi, até ao momento.
O “Mar Azul” foi uma parte crucial do sucesso do FC Porto na primeira volta Fonte: FC Porto
Seguiram-se nove vitórias seguidas no campeonato, inclusive contra o SC Braga, o Boavista FC no Estádio do Bessa, nos Açores e na Madeira, jogos já com a fama de exigirem muita batalha e esforço para garantir a vitória. Com exibições mais bem conseguidas em alguns jogos do que noutros, mas sempre com um resultado favorável aos comandados de Sérgio Conceição, para grande regozijo dos adeptos azuis e brancos, que levaram o “Mar Azul” além fronteiras e tiveram uma participação crucial na maré alta do FC Porto. Por entre estas vitórias no campeonato, foram alcançados uns históricos 16 pontos na fase de grupos da Liga dos Campeões, igualando a marca unicamente atingida em 1996/97, a “Final Four” da Taça da Liga e as meias finais da Taça de Portugal. Foram, ao todo, 18 vitórias consecutivas, o novo recorde do clube azul e branco.
Só em Alvalade o FC Porto foi travado, tendo sido registado um empate a zeros no marcador. Fechou-se o ciclo de vitórias consecutivas, fechou-se a primeira volta do campeonato, e o FC Porto, que partira para o jogo contra o SL Benfica atrás do SC Braga na tabela classificativa, abriu um novo cenário, contrário ao anterior, instalando-se confortavelmente na liderança da competição com cinco pontos de vantagem sobre o segundo classificado.
Seguem-se agora mais 16 jornadas para o final do campeonato, porque o FC Porto, já nesta jornada, primeira da segunda volta, voltou a bater o GD Chaves por números expressivos, registando-se 1-4 no marcador a favor dos portistas. A turma portista quererá, com certeza, entrar novamente na onda das vitórias e, com o Mar Azul como suporte, conquistar o bicampeonato nacional.
O Vasco da Gama entra em mais uma temporada com a desconfiança toda voltada para São Januário. Apesar do plantel ter sofrido duas baixas consideráveis no final da época passada- o guarda-redes Martín Silva transferiu-se para o Libertad-PAR e o médio defensivo Desábato foi para o Cerezo Osaka, do Japão-, a base foi mantida. A comissão técnica comandada pelo treinador Alberto Valentim também permanece para a temporada de 2019.
Porém, contar com a base da temporada passada nem sempre é algo positivo. O Vasco lutou até ao último minuto da última jornada do Brasileirão para se livrar da despromoção à segunda divisão nacional. Apenas um ponto separou o clube carioca da descida. O clube sofreu demasiado na competição, e eram percetíveis várias fragilidades no elenco Cruzmaltino.
É óbvio que não podemos ignorar a situação financeira do clube, que não permite grandes investimentos. Nesse caso, a base ter sido mantida segue uma lógica, já que não se pode gastar em contratações, mas também confirma que o ano será difícil. Um dos maiores ídolos da história vascaína, o atacante Edmundo, comentou a temporada que se aproxima para o Vasco da Gama.
“- Não há um otimismo. O time é o mesmo e a grande contratação, nos últimos 30 jogos jogou 45 minutos, que é o Bruno César. Não tenho nada contra ele, mas não pegou bem ele tirar a camisa e botar a camisa (do Vasco), na apresentação, mostrando que está fora de forma. Acho que o futebol de hoje não é só nome. Se você olhar o Vasco, uma espinha dorsal, tem Castan, Maxi López, Bruno César, hoje. Eles brilharam década passada” – lamentou o ex-atacante, em entrevista ao canal Esporte Interativo.
O lateral/médio Yago Pikachu é um dos grandes nomes do elenco vascaíno em 2019 Fonte: Vasco da Gama
A declaração do ex-atacante demonstra um certo ar de preocupação, e, pelos motivos já citados, não é para menos. A situação agrava-se ainda mais se considerarmos todo o cenário político que atrapalha a evolução do clube. Para se ter uma ideia, o atual presidente foi nomeado após uma conturbada eleição, em que até uma urna foi anulada pela justiça, a famosa “urna sete”. O atual presidente, Alexandre Campello, nem sequer era candidato, no princípio. No início da campanha presidencial, Campello apoiava o candidato Júlio Brant, mas depois saiu da chapa “Sempre Vasco Livre” e recebeu o apoio de Eurico Miranda, que era rival de Brant nas urnas. Creio que nem os maiores guionistas de cinema conseguiriam ter tanta criatividade.
Apesar do cenário negativo, o Vasco é um dos gigantes do futebol nacional e possui uma das maiores massas adeptas do país. Adeptos que sofrem com a situação do clube que amam e que tentam agarrar-se à esperança de ter, pelo menos, uma temporada tranquila, sem sustos. Pouco para um clube com a história do Vasco da Gama, mas talvez seja o possível, no momento.
Equipa base do Vasco para 2019:
Fernando Miguel; Cáceres, Werley, Castán, Danilo Barcelos; Andrey, Maranhão, Pikachu, Galhardo, Bruno César; Máxi Lopez.
No primeiro dia de competições europeias de 2019, o Benfica realizou uma boa exibição contra o Noia, mas acabou por ceder um empate a 4-4 perante um conjunto espanhol que nunca se deu por derrotado. Ainda assim, disputadas quatro jornadas da Liga Europeia, os encarnados continuam na liderança do grupo D com dez pontos somados, mais um do que os italianos do Roller Monza, tendo já carimbado a presença nos quartos-de-final da competição.
Numa partida que arrancou a um ritmo estonteante, o Benfica apenas necessitou de um minuto e meio para abrir o ativo. Num erro na saída para o ataque, Nicolia serviu Adroher, que, isolado perante Marti Zapater, fez o 1-0. Momentos depois, Nicolia esteve perto de aumentar a vantagem encarnada, mas não conseguiu bater o guardião espanhol.
Com a alta pressão do Benfica, por vezes existiam espaços nas suas costas e foi exatamente dessa maneira que o Noia quase restabeleceu o empate. No entanto, Pedro Henriques, com as caneleiras, negou o golo a Sergi Llorca.
Sem muito tempo para respirar, o Benfica não estava a conseguir criar os desequilíbrios pretendidos. A única exceção foi um lance em que Adroher, novamente isolado, não conseguiu avolumar a vantagem vermelha e branca. Em contra-ataque, o Noia tentava surpreender as águias, a quem ia valendo Pedro Henriques para manter a vantagem no marcador.
Apesar das várias mexidas dos dois técnicos nos cincos iniciais, o ritmo de jogo continuou bastante alto. Mesmo estando bem a nível defensivo, sobretudo no que diz respeito ao roubo de bola e à reação à perda, os comandados de Alejandro Domínguez, que fez a sua estreia pelo Benfica nas competições europeias, não conseguiam superar a muralha de Noia, que fechava todos os caminhos para a baliza de Marti Zapater.
A cerca de sete minutos e meio do intervalo, o Benfica beneficiou de uma grande penalidade em virtude de uma falta cometida sobre Valter Neves. Albert Casanovas, chamado à marcação do penálti, não desperdiçou a oportunidade e fez o 2-0. Noventa segundos depois, em virtude de uma recuperação de Nicolia em terrenos bastante avançados, Lucas Ordoñez dispôs de uma excelente oportunidade para fazer o terceiro, mas acabou por picar o esférico por cima da “porteria” espanhola.
A menos de cinco minutos da pausa, no seguimento de um lance em que o Noia reclamou penálti, Humberto Mendes, conhecido por “Big” no mundo do hóquei em patins, acabou por ver um cartão vermelho por protestos. Devido a esta incidência, o Benfica ficou em situação de powerplay durante dois minutos. Os encarnados, apesar de um susto sofrido nos instantes iniciais da superioridade numérica, não necessitaram de muito tempo para aproveitar o jogador extra em pista e, servido por Nicolia, Diogo Rafael apontou o 3-0. Momentos depois, o Noia usufruiu da 10ª falta benfiquista, que ocorreu devido a uma infração de Ordoñez sobre Xavi Costa. Sergi Llorca foi o escolhido para a conversão do livre-direto e, com uma stickada direta, reduziu a desvantagem espanhola para 3-1.
O Benfica não se intimidou com o golo do conjunto catalão e foi à procura do quarto. Tento que ficou muito perto de ocorrer a menos de cento e vinte segundos do intervalo. Contudo, a barra não foi “amiga” de Nicolia.
Concluída a primeira parte, o Benfica vencia por 3-1. A equipa portuguesa não foi muito superior no que diz respeito ao capítulo das oportunidades de golo, mas a maior qualidade técnica dos seus intervenientes e a capacidade de recuperação de bolas foi decisiva para o resultado. O Noia, por seu lado, não esteve mal, mas não conseguiu aproveitar o espaço nas costas da defensiva das águias.
Sergi Llorca foi um dos jogadores em maior destaque na equipa de Noia Fonte: Carlos Silva Photography / Bola na Rede
O Benfica entrou muito forte no segundo tempo, que manteve a toada do primeiro, e por pouco não chegou ao quarto. No entanto, Marti Zapater conseguiu travar uma bola enrolada por Casanovas, no seguimento de uma situação de passe e corte com Diogo Rafael. Minutos depois, foi a vez do número quatro das águias procurar servir Adroher, mas o experiente jogador espanhol viu “o pão ser-lhe tirado da boca” mesmo em cima da linha de golo. Tal como havia feito nos 25 minutos iniciais, o Noia procurava surpreender em contra-ataque, mas Pedro Henriques continuava bem.
Mais forte a nível físico, o Benfica forçava o quarto golo da tarde, tendo acabado por conseguir alcançar a 10ª falta do Noia. Lucas Ordoñez foi o selecionado para a marcação do livre-direto, mas não conseguiu aumentar a vantagem portuguesa. No seguimento do lance, Nicolia viu um cartão azul devido a uma falta sobre Aleix Esteller. Marc Grau assumiu a conversão do livre-direto, mas acabou por enrolar o esférico ao poste direito da baliza da equipa da casa.
Em situação de superioridade numérica, o Noia carregou à procura do golo, mas Pedro Henriques, com maior ou menor dificuldade, conseguiu travar todas as iniciativas dos espanhóis.
Reposto o cinco para cinco, o Benfica continuava a impôr uma enorme intensidade no encontro enquanto procurava desmontar a teia defensiva do Noia, o que não era nada fácil. Por outro lado, o Noia, já sem a frescura física da primeira metade, explorava as transições rápidas para criar perigo.
A boa capacidade de reação à perda e ao roubo de bola continuava a fazer-se notar no estilo de jogo das águias e, com cerca de 12 minutos para o final, Diogo Rafael, ao ter recuperado o esférico a meio campo, ficou perto do quarto. Passados dois minutos, roubo de bola de Vieirinha e situação de dois para um a favor do Benfica. O jovem encarnado serviu Nicolia em bandeja de ouro, mas o astro argentino acertou muito mal na bola e facilitou a intervenção de Marti Zapater. Contudo, segundos depois, Nicolia ligou o turbo e assistiu Valter Neves, que, solto ao segundo poste, só teve de encostar para fazer o 4-1.
Sem nunca baixar os braços, o Noia tentou responder ao quarto tento encarnado e, a cerca de cinco minutos e meio do fim, Sergi Aragonés, com uma bola enrolada que Pedro Henriques não deve ter visto partir, reduziu a desvantagem dos espanhóis para 4-2.
Na frente e com dois golos de vantagem, os encarnados começaram a gerir o jogo, fazendo uso dos quarenta e cinco segundos de ataque na sua totalidade, atacando a baliza apenas em situações bastante favoráveis.
Já com menos de um minuto para se jogar, o Noia reabriu a discussão da partida em virtude de Xavi Costa ter aproveitado uma bola perdida à entrada da área para reduzir o marcador para 4-3. Sem nada a perder, o treinador do Noia arriscou tudo e tirou o guarda-redes, opção que se veio a revelar acertada visto que, a cinco segundos do final, Sergi Llorca apontou o 4-4 e restabeleceu empate no marcador, que não se alterou mais.
Terminado o encontro, Benfica e Noia empataram a 4-4. Resultado que poucos (ou ninguém) conseguiriam antever antes do começo do jogo e que, mesmo assim, garante qualificação das águias para os quartos-de-final da Liga Europeia de hóquei em patins. Todavia, a igualdade é um prémio para o conjunto espanhol, que, apesar de ter estado a perder por três golos de diferença, nunca atirou a toalha ao chão e nos derradeiros segundos do encontro arriscou e foi feliz.
As outras equipas portuguesas presentes na Liga Europeia também não tiveram um dia nada fácil. Em casa, o Sporting venceu o Liceo por 6-4 num encontro bastante equilibrado e garantiu a qualificação para os quartos-de-final. No Palau Blaugrana, Barcelona e Oliveirense deram espetáculo, com a vitória a sorrir aos catalães por 7-6. Resultado que obriga o conjunto de Oliveira de Azeméis a ter de vencer os dois últimos jogos da fase de grupos para seguir em frente na prova. Em Itália, o Porto empatou com o Amatori Lodi a 1-1 e também adiou a qualificação para a próxima fase da competição.
Na WS Europe Cup, o Tomar recebeu e venceu os italianos do Sarzana por 5-3, mas acabou por ser eliminado. O Juventude de Viana foi até Espanha perder contra o Voltregà por 4-2, resultado que elimina o conjunto português da competição. Em terras trasalpinas, o Turquel conseguiu empatar a 4-4 contra o Viareggio, mas também foi eliminado da prova. Assim, pela primeira vez desde 2012/2013, Portugal não vai ter nenhuma equipa presente nos quartos-de-final da WS Europe Cup.
SL Benfica: 1-Pedro Henriques (GR), 3-Albert Casanovas, 4-Diogo Rafael, 5-Carlos Nicolia e 7-Jordi Adroher; Jogaram ainda: 2-Valter Neves (CAP.), 9-Lucas Ordoñez e 74-Vieirinha.
CE Noia: 10-Marti Zapater (GR), 4-Aleix Esteller (CAP.), 6-Xavi Costa, 8-Humberto Mendes e 44-Sergi Llorca; Jogaram ainda: 9-Marc Grau, 55-Sergi Aragonés e 66-Edu Fernández.
Mais um sábado na companhia do espetáculo do futebol juntou famílias no estádio de S. Miguel, para um dérbi entre arquipélagos. O CD Santa Clara contou com algumas baixas no seu onze como Patrick e Fábio Cardoso, ambos a cumprir castigo. Já o CS Marítimo, a única baixa por castigo foi a do lateral direito Bebeto.
Nesta primeira parte viu-se um jogo muito disputado a meio campo e dividido. Fica ainda marcada por uma falta sob César que levou o técnico, João Henriques, a ter de alterar a sua estratégia muito cedo na partida e a condicionar as suas escolhas aquando a que jogadores usar para alterar o desempenho da sua equipa.
Grande parte das situações de perigo existentes nesta primeira parte veio de lances de bola parada, dos quais o CS Marítimo mostrou-se pouco preparado para estas.
Aos 32 minutos, o Marítimo inaugurou o marcador, através de uma assistência de Edgar Costa, Joel apontou para a baliza de Serginho e deixou a bancada visitante em êxtase. O jogo até ao intervalo manteve-se equilibrado, não havendo muita oportunidade para alterar o resultado.
O Marítimo viu-se forçado a diminuir a agressividade devido aos cartões amarelos acumulados pelos seus jogadores Fonte: Bola na Rede
Na segunda parte, viu-se um Santa Clara mais agressivo e à procura do golo. No entanto, o Marítimo não facilitou a vida à equipa da casa, apresentando-se num bloco abaixo o que acabava por fazer os vermelhos e brancos encurtarem o espaço entre os passes, tornando mais difícil a circulação da bola pela equipa.
Para além disso, viu-se uma equipa do Marítimo algo faltosa que fez com que os seus jogadores vissem a cartolina amarela, condicionando, assim, a agressividade da equipa.
Apesar disso, o CS Marítimo manteve a sua postura defensiva e, ainda, tentou criar situações de perigo na baliza adversária através de contra-ataques.
As duas equipas mostraram que tinham vontade de vencer este dérbi de arquipélagos, no entanto, a história repetiu-se, e a Madeira levou os três pontos para casa.
ONZES E SUBSTITUIÇÕES
CD Santa Clara: Serginho; Accioly, Denis Pineda, César Martins, Lucas (Ukra, 68’); A. Stephens, Bruno Lamas (G. Schettine, 45’), Chrien, Mamadú, Anderson Carvalho (Lucas Marques, 15’) e Zé Manuel.
CS Marítimo: Charles, Zainadine, Lucas Áfrico, Correa (Barrera, 75’), Rodrigo Pinho (Jean Kleber, 69’), Edgar Costa, Gamboa (Pelágio, 45+2’), Nanu, Vukovic, China e Joel Tagueu.
Depois do desaire com o CD Tondela e o empate no clássico frente ao FC Porto, o Sporting CP regressou às vitórias na I Liga. A conjunto verde e branco, orientado por Marcel Keizer, venceu o Moreirense FC por 2-1. A equipa de Moreira de Cónegos saiu derrotada em Alvalade, mas deixou bons indicadores no bom campeonato que está a realizar. Por outro lado, o Sporting CP marcou dois golos num curto de espaço de tempo na primeira parte e não se viu muito mais.
A partida começou a todo o vapor para os “leões”. A ideia inicial dos comandados de Marcel Keizer foi atacar pela esquerda e assim o foi. Mal quando Acuña teve um cruzamento cortado pela defensiva do Moreirense, o argentino bateu um canto que deu em golo para Nani. A bola chegou à cabeça do capitão do Sporting CP no primeiro poste da baliza do Moreirense e foi parar ao colo de Jhonathan Siqueira já dentro da linha de fundo (1-0). Estavam apenas decorridos três minutos em Alvalade.
Acuña é novamente protagonista neste primeiro jogo da segunda volta para ambas as equipas. A jogar a lateral esquerdo, o argentino rouba a bola a Arsénio Nunes na primeira iniciativa de ataque do Moreirense. O lance gera dúvidas, mas o árbitro Rui Costa mandou jogar.
Aos 20 minutos do primeiro tempo, o Sporting ia trocando a bola muito devagar e alguns adeptos no estádio não estavam a apreciar a visível lentidão de processos. O espaço era curto, como Keizer avisou na conferência de imprensa de antevisão a esta partida, e o Moreirense pressionou um pouco mais para participar mais no jogo.
Os leões entraram a todo o gás na partida Fonte: Sporting CP
No entanto e sem grande brilho, o Sporting chega mesmo ao 2-0, aos 26’ com Bruno Fernandes a tiro de primeira dentro de área, numa recarga de um remate de Ristovski à média distância, defendido para o lado pelo guardião do Moreirense.
Feito o segundo golo dos “leões”, o Moreirense era quem entrava mais em cena na partida, mas sem grande perigo para a baliza de Renan Ribeiro, excepto aos 34’. Altura em que o Moreirense faz o 2-1 que bastou a Heriberto Tavares, ao segundo poste na esquerda, encostar depois de uma combinação perfeita entre Chiquinho e Arsénio Nunes a partir do lado direito.
A partir daqui, e até ao final da partida, viu-se que cada equipa ia tendo os seus momentos. Alguns períodos de domínio da posse da bola iam tombando a favor de uma e outra equipa, não havendo lances de grande perigo.
O Moreirense era a equipa visivelmente mais confiante e expressou isso quando refrescou o ataque com Nenê e Bilal Aouacheria. Já o Sporting tentava tirar partido de atributos de jogadores como Bruno Fernandes ou de Bas Dost, mas não chegou. Valeu Coates, Mathieu e principalmente Acuña para travar o algo mais que o Moreirense merecia neste jogo, mas os “cónegos” pecaram muito por sofrer dois golos numa fase madrugadora.
ONZES E SUBSTITUIÇÕES
Sporting CP: Renan Ribeiro, Ristovski, Coates, Mathieu e Acuña; Gudelj, Bruno Fernandes e Wendel (Petrovic 85’); Nani (Raphinha 68’), Diaby e Bas Dost
Moreirense: Jhonathan, D’Alberto, Iago dos Santos, Rafike Halliche e Rúben Lima; Mamadou Loum, Fábio Pacheco (Teixeira 83’) e Chiquinho; Arsénio Nunes (Bilal Aouacheria 68’), Pedro Nuno (Nenê 68’) e Heriberto Tavares
A Liga Alemã regressou este fim de semana após a tradicional paragem de inverno por terras germânicas. Como cabeça de cartaz deste regresso havia um excelente jogo em perspectiva. O RasenBallsport Leipzig, quarto classificado, recebia em sua casa o atual primeiro classificado, Borussia Dortmund.
O Dortmund enfrentava este jogo sob a perigosa aproximação do FC Bayern Munique, após vencer o seu jogo fora em Hoffenheim. O Leipzig via também o seu quarto lugar, posto de acesso à Liga dos Campeões, em perigo, após a vitória do Eintracht Frankfurt frente ao SC Freiburg. Estavam por isso reunidos os condimentos para um excelente jogo de futebol, com ambas as equipas a precisar de pontos.
Foi com Raphaël Guerreiro no onze inicial (Bruma falhou o jogo por lesão) que o Borussia Dortmund cedo começou a demonstrar o que queria do jogo. A equipa que viajou desde Dortmund para Leipzig tratou de ocupar o meio-campo ofensivo e daí não quis sair mais. Axel Witsel foi o primeiro a avisar as hostes dos comandados de Ralf Rangnick com um remate muito forte, mas à figura do guarda-redes Péter Gulácsi.
O médio belga estava só a aquecer o pé, pois à passagem do minuto 19, e fruto da marcação de um canto, Witsel colocaria o Borussia Dortmund na frente do encontro. Uma bola que veio literalmente cair-lhe aos pés e, após uma receção fantástica, Witsel chutou sem hipóteses para o guardião do Leipzig.
O Leipzig tentou de imediato responder pelos pés do suspeito do costume, Timo Werner, mas o avançado alemão não teve uma primeira parte inspirada, ao falhar alguns últimos passes que podiam originar o golo do empate.
Até ao final da primeira parte, a equipa mais perto do golo foi mesmo o Dortmund. Na marcação de um livre, Raphaël Guerreiro cruzou para a grande área, onde estava Abdou Diallo, que cabeceou ao lado. A bola não entrou por muito pouco.
Quem também não estava a ter um jogo fácil era o árbitro da partida, com muitas quezílias entre os jogadores e ambiente inflamado, provavelmente, pelo tweet do Borussia Dortmund uns dias antes do jogo.
Com a segunda parte veio uma nova intensidade imprimida, sobretudo, pelo Leipzig. O jogo tornou-se (ainda) mais físico e cada bola estava a ser disputada até ao último suspiro. O Leipzig ia aproveitando a velocidade e o talento dos seus jogadores para chegar com perigo à baliza de Bürki.
Raphael Guerreiro fez um jogo seguro até ser substituído Fonte: RB Leipzig
Konaté, apesar de ser central, demonstrou toda a sua técnica ao fazer uma grande jogada pelo corredor direito, fintando dois jogadores do Dortmund e entregando de bandeja o golo a Sabitzer. O problema é que o jogador austríaco não dominou a bola nas melhores condições e fez um remate frouxo para defesa de Bürki.
As oportunidades para o Leipzig iam-se acentuando e acentuando, com Werner e Sabitzer a serem os principais responsáveis pelo jogo ainda estar “apenas” 0-1. Muito desperdício na frente de ataque.
O Dortmund passou a apostar apenas no contra-ataque, aproveitando a velocidade de Jadon Sancho. Favre, descontente com a ineficácia da sua equipa em sair a jogar, naturalmente apostou em Alcácer para entrar.
O festival de falhanços por parte do Leipzig continuava, apesar dos dois centrais, Konaté e Upamecano, estarem a fazer um excelente jogo de pressão alta e a construírem jogo a partir de trás. No entanto, o Dortmund fechava-se muito bem e as ocasiões concretas de golo não eram aproveitadas pelos avançados.
Os três minutos finais foram impróprios para cardíacos. Paco Alcácer esteve muito perto de sentenciar o jogo com um excelente remate, mas a bola bateu direitinha na trave da baliza do Leipzig.
Na resposta, Poulsen quase levava os adeptos do Leipzig ao céu com um cabeceamento que levou a bola a um palmo ou menos da baliza. Seria o delírio na Red Bull Arena.
Excelente jogo de futebol, um dos melhores da Bundesliga esta época, em que o resultado não reflete o jogo ofensivo existente. O Dortmund sobrevive a esta batalha importante.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES
RB Leipzig: Péter Gulácsi, Dayot Upamecano, Ibrahima Konaté, Lukas Klostermann, Marcel Halstenberg, Marcel Sabitzer , Konrad Laimer (Augustin ’88), Diego Demme (Cunha ’81), Kevin Kampl, Yussuf Poulsen, Timo Werner.
BV Dortmund:Roman Burki, Abdou Diallo, Achraf Hakimi, Lukasz Piszczek (M.Wolf ’89), Julian Weigl, Thomas Delaney, Jadon Sancho, Raphaël Guerreiro (Pullisic ’76), Maximilian Philipp (Alcácer ’79), Axel Witsel, Mario Gotze.