Últimos metros da última etapa do Paris-Nice e Rui Costa tenta a todo o custo chegar à liderança da prova. No entanto, uma queda não o permite lutar por este objetivo, ficando “apenas” no segundo posto.
Para quem não está muito por dentro do ciclismo, o Paris-Nice é uma das mais importantes provas da modalidade. Este ano, o vencedor foi Carlos Betancur, ciclista colombiano da AG2R- La Mondiale, que percorreu a prova em menos 14 segundos do que o campeão do mundo.
Rui Costa acabou em segundo Fonte: letour.fr
Vou-me focar, agora, no nosso campeão do mundo, que teve uma grande exibição e que já se mostra a grande nível nesta altura da temporada, fazendo acreditar que um bom resultado no Tour não é de todo impensável. Rui Costa esteve fortíssimo na etapas finais, com dois segundos lugares que lhe valeram a melhor classificação de um português nesta prova, melhorando o quinto posto alcançado por José Azevedo em 2001. Consegue ver-se que a forma física do poveiro está a melhorar, não só pelas provas, mas também pela forma confiante em que se apresenta em cima da bicicleta.
Em França estiveram mais dois ciclistas portugueses. Nelson Oliveira, colega de Rui Costa na Lampre-Merida, terminou na 72ª posição, enquanto André Cardoso, da Garmin-Sharp, ficou em 30º. Bons resultados para os portugueses, visto que o seu objetivo para esta prova era trabalhar para outros ciclistas.
Agora falando do vencedor da prova, o ciclista colombiano é cada vez mais uma certeza do ciclismo mundial, mesmo aos seus 27 anos. Tal como quase todos os ciclistas deste país, Betancur é muito forte na montanha, a sua grande mais-valia, como mostra o quinto posto no Giro do ano passado, prova em que foi o melhor jovem (até 25 anos). No Paris-Nice, venceu duas etapas, sendo por isso um justo vencedor, por muito que nos custe devido ao Rui Costa.
Quanto à prova em si, deu-nos tudo o que se podia esperar: luta pela vitória, emoção, bonitas paisagens… Sim: está provado que a maioria das pessoas vê ciclismo não pela prova em si, mas pelas paisagens.
Resta-me destacar a TVI24 por estar a apostar nesta modalidade. Ter um campeão mundial deve ajudar.
Shaun Murphy dominou o Haikou World Open, batendo Mark Selby por 10-6. É o quinto major da carreira do jogador, de 31 anos. Está assim de regresso aos bons velhos tempos. Murphy não ganhava um torneio desde o Players Tour Championship Grand Finals em 2011. Shaun perdeu muitas meias-finais e muitas finais, mas conseguiu romper com a sina. E de que maneira!
O “Jester from Leicester” começou com um jogo forte. Fez um break de 78 pontos e depois conseguiu diminuir a diferença para 7-5, após tomar vantagem dos erros de Shaun. Conseguiu reduzir a distância da vitória para 8-6, mas Murphy não deixou a sua desvantagem alongar-se muito e limitou as dúvidas para 9-6.
“O Mark não estava sob pressão quando o resultado era de 7-2. Eu sabia que ele iria voltar à mesa e que eu teria de esperar pela minha chance. Somos muito bons amigos e temos jogado muitas vezes um contra o outro”, disse Murphy.
“Hoje foi um bom jogo. Estou muito feliz por ter vencido um evento para o ranking de novo. Agora, o snooker é um jogo muito difícil, por isso estas competições têm-se tornado cada vez mais difíceis de ganhar. Há mais três torneios nesta temporada e talvez algum deles vá para o tanque.”
Em relação à sua vitória, Shaun disse: “Não há nenhum segredo. Apenas tenho trabalhado muito no duro e praticado todos os dias durante muito tempo. Na terça-feira estarei de volta aos treinos na mesa.”
Shaun Murphy 10 (19) 6 Mark Selby Fonte: worldsnooker.com
Murphy parecia estar à beira de um colapso no 12º frame. Selby, que também foi vice-campeão no Campeonato do Reino Unido e nos masters, declarou: “Comecei mal na primeira sessão. Dar a alguém uma vantagem de 7-2, sendo esse alguém o Shaun, é muito difícil depois conseguir recuperar. Murphy jogou muito bem durante toda partida.”
O próximo torneio é o Players Championship e começa terça-feira, dia 25, no Preston Guild Hall, em Lancashire, Reino Unido. O primeiro adversário de Judd Trump vai ser Ju Reti. Estes jogadores nunca se defrontaram antes.
Ju tornou-se no primeiro jogador amador a vencer um evento europeu, batendo Michael Holt na final do Zhangjiagang Open.
O Benfica venceu com justiça o Nacional da Madeira num jogo onde até o vento foi protagonista. Pressionado sobre a vitória do Sporting frente ao FC Porto, os encarnados entraram na Choupana com apenas quatro pontos de avanço sobre o 2º classificado e pretendiam, naturalmente, aumentar a vantagem para sete pontos.
Quanto ao encontro em si, a primeira parte ficou marcada pela intensidade de jogo de ambas as equipas, ainda que cada uma delas tivesse atuado com maior veemência em períodos diferentes.
Na verdade, o primeiro grande impato na partida veio do Nacional. Com as linhas muito subidas e exercendo uma pressão alta, os homens de Manuel Machado surpreenderam toda a gente – que o digam os jogadores do Benfica. Os 15 minutos iniciais foram, de fato, totalmente dominados pela equipa madeirense. Domínio esse que se traduziu no primeiro golo do encontro: através de um cruzamento em trivela de Candeias, a bola, depois de bater no joelho de Luisão, ressaltou no braço direito do capitão benfiquista e Manuel Mota não teve qualquer dúvida em assinalar grande penalidade. Na cobrança do penálti, Candeias rematou em força para o canto direito da baliza de Oblak e abriu assim o marcador no Estádio da Madeira.
Curiosamente, o golo do Nacional serviu de tónico para a equipa benfiquista. A partir do minuto 15 o Benfica mudou a sua forma de estar no jogo. Enzo – quem mais podia ser? – assumiu o controlo da partida e os homens da frente do Benfica tinham agora um volume ofensivo digno das suas qualidades.
Ao minuto 21, devido a um remate perigoso de Rodrigo, os adeptos do Benfica gritaram golo, mas a bola saiu ligeiramente ao lado. Foi um aviso que os homens do Nacional não levaram a sério: volvidos somente dois minutos, Lima, através de uma excelente combinação com Rodrigo, dentro da grande área do Nacional rematou para o fundo das redes.
A festa dos avançados de encarnado Fonte: AFP (Gregório Cunha)
O Benfica repunha, desta forma, a igualdade no marcador. Como é óbvio, o empate não servia e o Benfica continuou com o pé no acelerador: a dinâmica e fluidez de jogo encarnada não baixou e durante largos minutos o Nacional da Madeira não teve jogo com bola.
Face a tamanha avalanche ofensiva, o segundo golo encarnado chegou com alguma naturalidade: Rodrigo recebe a bola na direita do ataque benfiquista e, já sobre a linha da grande área do Nacional, puxa a bola para o meio, rematando em força para o canto superior esquerdo da baliza de Gottardi – que grande golo do espanhol!
Mesmo com a vantagem no marcador, o Benfica manteve as suas linhas subidas, obrigando o Nacional a repensar a estratégia de jogo. Manuel Machado deu ordens para os blocos subirem no terreno e, por alguns minutos, a formação alvi-negra voltou a discutir a partida. Porém, aos 42 minutos, Garay, através da marcação de um pontapé de canto, cabeceou, já junto à linha de fundo, para o 1-3 (o forte vento que se fazia sentir na Choupana teve alguma influência no arco que a bola descreveu). O Benfica levava uma vantagem confortável para o intervalo – quem diria!
Se na primeira parte tivemos 45 minutos de alta intensidade e grande disputa entre ambas as equipas, a segunda parte foi precisamente o contrário. O Nacional regressou para o terreno com a ideia de imitar os primeiros 15 minutos do jogo mas o Benfica tinha outras ideias. Jorge Jesus pediu aos jogadores que tentassem controlar a partida e a vantagem de dois golos.
O Nacional não desistiu nunca de dar luta Fonte: AFP (Gregório Cunha)
Perante uma segunda parte apática e triste, nada fazia prever que o Benfica fosse sofrer tanto nos 10 minutos finais. A verdade é que a estratégia benfiquista revelou-se acertada…até aos 79 minutos: Candeias, um velocista nato, ganhou espaço no lado direito do ataque nacionalista e cruzou para Djaniny, que, com grande à vontade, reduziu o marcador para 2-3.
Depois do golo do Nacional, foram 10 minutos de coração nas mãos para os adeptos benfiquistas. Coração esse que quase parou aos 86 minutos, quando Goma, através de um livre marcado por Candeias, falhou por milímetros o cabeceamento que ditaria um novo empate na partida. O susto passou mas os adeptos do Benfica só descansaram verdadeiramente ao minuto 88: cruzamento de Sílvio, da esquerda, e Garay, dentro da grande área, cabeceou para o fundo da baliza. 2-4 e o Benfica finalmente metia um ponto final na partida.
Em suma, tivemos esta noite na Choupana uma primeira parte de grande registo, com grande intensidade e personalidade de ambas as equipas. A segunda parte foi totalmente o oposto, exceção feita aos 10 minutos finais que devolveram alguma emoção ao jogo. O Benfica é, sem dúvida alguma, o justo vencedor e dá um passo significativo para a conquista do 33º Campeonato Nacional.
A Figura Garay – Para além da boa exibição, os dois golos do defesa argentino foram importantíssimos para a conquista dos três pontos.
O Fora-de-Jogo
Jorge Jesus – O treinador do Benfica, se queria mesmo defender o resultado de 1-3, tinha obrigação de tirar um avançado e meter um médio para reforçar o meio-campo. É completamente desnecessário os jogadores do Benfica correrem quilómetros atrás da bola quando podem (e devem) controlar o jogo com ela nos pés.
Pois é. Depois de ver o Estádio de Alvalade encher-se com imensas pessoas que participaram no movimento BASTA, eis que a noite os presenteia com o mesmo mote que o criou: um erro de arbitragem.
Com o golo de Slimani precedido de fora-de-jogo, e com todos os sportinguistas contentes e dotados de um espírito de gozo incomum (desde quando é que o Sporting consegue sustentar uma piada sem ser o primeiro a cair nela?), os leões mantêm-se assim na luta pelo segundo lugar da tabela. Um lugar arrancado a ferros, dirão, talvez, os adeptos sportinguistas. Outros, talvez a maioria dos que vêm futebol neste país, dirão que foi a fazer beicinho à porta da igreja, onde fazem um sorrisinho e votos de saúde a quem dá uma esmolinha, mas amaldiçoam e odeiam aqueles que não participam com uma moedinha. Se procurarmos no dicionário, isto tem um nome. Se procurarmos no Google, tem outro. E se procurarmos na razão de cada um, terá outro ainda. Mas só porque a mesma atitude pode ser definida com várias palavras não significa que em alguma se encontra algo de bom. Facto: o Sporting, ao longo da temporada, foi prejudicado pelas arbitragens, assim como beneficiado. Facto: o Sporting anda há meses a queixar-se das arbitragens e, desde a estrutura até aos adeptos, o que não faltam são declarações de injustiça, movimentos anti-corrupção, e até processos jurídicos tão imbecis que nem um completo idiota teria coragem de mover. Esta última risco dos factos; há mesmo idiotas capazes de o fazer. E, por último, facto: umas horas depois do folclore do movimento BASTA o Sporting ganha o jogo com um golo precedido de uma jogada irregular.
Tarja do Movimento BASTA Fonte: A Bola
Com estes factos todos só posso concluir que os adeptos leoninos passaram a tarde de domingo a assar febras! Divulgaram o churrasco, prepararam a carne, convidaram todos os amigos e familiares através das redes sociais, e passaram a tarde toda a assar febras e a mandar bocas sobre futebol. Só isso. Porque se de facto tivesse sido um movimento com o carácter e a personalidade que tanto gostaram de anunciar, as atitudes dos seus pensadores e participantes teriam sido outras no final do jogo. Atitudes? Pelo menos palavras! O que se vê é um contentamento geral por parte da massa “inconformada” e “revoltada”, e ainda mais exacerbado por ter sido contra o Futebol Clube do Porto, um dos tais clubes que “só” ganha assim, com irregularidades. Um homem vai à caixa multibanco, repara que o banco lhe ficou com um certo montante em dinheiro, revolta-se, mas percebe que não pode fazer nada. No dia seguinte a mesma caixa dá-lhe mais 20 euros por engano e a sua revolta passa a um momento de grande júbilo! Um homem assim não vale mais do que a maior poia de cão que alguma vez pisou. Poias à parte, até tem uma certa graça…
Mas eu percebo a confusão. Criar uma faixa onde o árbitro veste a camisola do Benfica e gastar dinheiro para imprimir outro dinheiro com a cara de Pinto da Costa é, no mínimo, passível de desculpa. Queriam enviar uma mensagem para o país num momento difícil, de crise, e acho que tiveram muito sucesso. O problema foi aquilo que todos lemos… A mensagem é bem clara: “Empresários de Portugal, invistam em reprografias com máquinas industriais – o Sporting não hesitará em dar-vos trabalho!”. Por outro lado, as churrasqueiras vão encerrar ao Domingo.
A derrota do Porto em Alvalade deve-se apenas e somente a uma segunda parte inexistente. O início da primeira parte prometeu um jogo intenso e emocionante que a segunda parte destruiu por completo. O Porto até começou bem. Embora o Sporting tenha feito o pressing inicial, visto que jogava em casa e contava com o apoio dos adeptos leoninos, o Porto não se conformou a jogar atrás. Mesmo assim, cada vez que Mangala e Abdoulaye recebiam a bola nos pés os adeptos portistas sustiam a respiração. Leonardo Jardim fez muito bem em pressionar os centrais do Porto.
Num jogo emocionante como o de Alvalade, são momentos que definem o jogo. Se Quaresma marcasse aquele que seria um golo de antologia após ter passado por Cédric, o jogo teria sido outro. Se William não tivesse feito um dos melhores jogos que já o vi fazer, a história seria outra. Se, ao intervalo, o Porto tivesse regressado mais forte, a história seria outra. Se o golo do Sporting tivesse sido (bem) anulado, o jogo teria sido outro. Porém, não existem “ses” no futebol.
Para a história fica a vitória do Sporting perante um Porto de 45 minutos; um golo fora-de-jogo de Slimani, após declarações, no mínimo, infelizes de Bruno de Carvalho; a lesão penosa de ver do capitão do Porto; e, claro, a primeira derrota de Luís Castro no primeiro clássico da sua curta carreira enquanto treinador principal.
O jogo de ontem marcou a primeira derrota de Luís Castro no comando do Porto Fonte: www.jornalacores9.net
A derrota de ontem coloca o Porto em terceiro lugar a cinco pontos do Sporting e do apuramento directo para a Liga dos Campeões. Na verdade, está mais perto o Estoril do terceiro lugar do que o Porto do segundo. Não podemos, porém, classificar esta época como um falhanço absoluto. No campeonato, sim, o terceiro lugar está muito abaixo das expectativas de uma equipa campeã em título. Na Champions League também – embora ninguém tivesse a crença de um Porto campeão europeu, havia a ideia de que iria, pelo menos, passar a fase de grupos. Tal não aconteceu.
Na Liga Europa, após três jogos sofridos (dois com os alemães do Eintracht Frankfurt e um com Nápoles) a janela para a próxima fase está entreaberta. Falta o embate no San Paolo, que é o recinto blindado do Nápoles. Com um golo de vantagem ganho no Dragão, o Porto vai ter de sofrer e realizar um jogo de sacrifício para passar.
Nas Taças, Benfica e mais Benfica. Tanto na Taça de Portugal, como na Taça da Liga o Benfica é o adversário que está no caminho do Porto. Como já disse no passado, actualmente o Benfica pratica o melhor futebol em Portugal. No entanto, com o novo desenho táctico que muito bem funcionou no passado, o Porto tem os jogadores e a equipa para ultrapassar o Benfica. Não pode é, como em Alvalade, desaparecer após 45 minutos…
Como tal, a derrota de ontem contribuiu para o afastamento do segundo lugar. Não compromete uma época mas custa milhões. O apuramento directo garante um encaixe financeiro enorme que, para qualquer clube, é uma mais-valia. O Porto não deve, mesmo assim, deitar a toalha ao chão. Ainda faltam sete jogos até ao final do campeonato e o Sporting, ainda que em ascendente de forma, precisa de mais maturidade. A época não está comprometida, mas as prioridades são, agora, diferentes. Sendo o campeonato uma miragem, está na hora de voltar as atenções para as Taças e para a Liga Europa. Até porque mudam as competições, mas mantém-se a vontade de vencer. E ainda há muito que o Porto pode vencer.
Na tarde de sábado, os eternos rivais Sporting e Benfica encontraram-se para mais um derby empolgante. Por um lado, o líder Benfica entrava no jogo com a intenção de manter esta condição privilegiando o jogo interior, de posse de bola, com superioridade no meio campo, apesar da substituição forçada por lesão de Filipe Nascimento por Diogo Rocha, aos 16 minutos. Por outro, o Sporting, a querer recuperar alguns pontos perdidos e aproximar-se da liderança, entrou no jogo a pressionar muito alto, a reduzir espaços, procurando recuperar a bola cedo, apostando numa defesa sólida e em transições rápidas com desenvolvimento de jogo exterior, catalisado pelos seus laterais e pelos seus extremos.
Estas duas abordagens resultaram num jogo equilibrado, com clara supremacia das defesas em relação aos avançados, até que, ao minuto 43 da primeira parte, Gelson, sobre a direita, fintou Rebocho e finalizou com êxito num remate rasteiro e cruzado, junto ao poste mais distante da baliza defendida por Theirry.
Este tónico deu à equipa do Sporting o reforço de que precisava para iniciar a segunda parte na mesma toada, aproveitando sempre muito bem as transições e as faixas laterais do campo. Aos 65 minutos, depois de uma jogada perigosa do Sporting, um contra-ataque do Benfica termina com uma bola colocada em Romário Baldé nas costas do central Liu, do Sporting. O outro central (Domingos) na cobertura trava em falta o avançado encarnado à entrada da área, valendo-lhe o segundo cartão amarelo e a consequente expulsão. Do livre, marcado por Rebocho, resultou o golo da equipa visitante.
Estavam lançadas novas bases para o jogo: o Benfica tinha mais um jogador em campo e a vantagem moral de ter chegado ao empate, com o seu treinador a refrescar o ataque com a entrada de Hildeberto; o Sporting, em inferioridade numérica, parecia em risco de colapso, vendo-se na necessidade de adaptar João Palhinha na posição de defesa central, fazendo descer Gelson para o meio campo. Durante alguns minutos o Sporting passou por sobressaltos, valendo-lhe a grande atitude dos seus jogadores, a fechar todos os caminhos para a sua baliza. O Sporting valorizava, agora, mais por necessidade do que por estratégia, a aposta nas transições rápidas e estava perto do segundo golo aos 70 minutos, colocando uma bola no poste da baliza do Benfica e obrigando o guarda-redes encarnado a outra defesa difícil. Aos 74 minutos surge um belo lance de entendimento entre Francisco Geraldes, Gelson e Matheus, aparecendo este último isolado na área do Benfica, e desferindo um remate forte e colocado que voltaria a dar vantagem à equipa da casa; estava feito o 2-1. O treinador do Sporting apostou na entrada de Bruno Wilson para o centro da defesa, voltando João Palhinha ao meio campo, e, logo de seguida, substituiu o avançado centro Samba Baldé pelo médio Marcos Barbeiro, organizando a equipa em “4*3*2”, com os dois avançados a jogarem sobre as alas para impedirem a progressão dos laterais contrários. Os últimos 10 minutos foram de domínio do Benfica mas sem criar ocasiões de perigo, perante uma equipa solidária do Sporting, com grande coesão defensiva.
O resultado final aproxima as duas equipas, mantendo-se o Benfica na liderança, com 13 pontos, agora na companhia do Sporting de Braga, que surpreendeu o F. C. Porto no seu próprio reduto (2-3), e com o Sporting a apenas 2 pontos dos comandantes. A luta pela liderança vai estar bastante acesa já na próxima jornada; o quarto classificado (F. C. Porto, com 9 pontos) visita o Seixal, encontrando um Benfica que antes luta frente ao Manchester City para garantir um lugar na próxima fase da competição da UEFA Youth League. O Sporting CP desloca-se ao terreno do Leixões e o Braga recebe a U. Leiria.
Tenho este texto para escrever, basicamente, desde o início da época; no entanto, a cada semana que passa o conteúdo é alterado.
Os Indiana Pacers começaram o ano muito fortes, com um ataque impressionante e uma defesa sufocante. Das duas características, a segunda tem sido a imagem de marca da equipa.
Depois dos playoffs do ano passado, o grupo, dirigido pela lenda Larry Bird, viu Paul George tornar-se numa estrela. Com um cinco inicial já muito bem cimentado, o plantel afigura-se também como um dos mais perigosos da liga, apesar da fraca conferência em que se encontra. De seguida, concentraram-se em tornar o banco de suplentes mais potente, sempre sem sair da “linha de montagem” da equipa: garantir ressaltos e impedir pontos adversários. Desde o início do ano 2013, os Pacers garantiram os direitos desportivos de Chris Copeland, Luis Scola, C.J. Watson, e os mais sonantes, Evan Turner, ex-jogador dos 76ers, e Andrew Bynum, ex-campeão da NBA ao lado de Kobe Bryant.
Andrew Bynum vai ser uma arma perigosíssima nos playoffs, principalmente se enfrentarem a equipa de Miami Fonte: NBA.com
Sinto que este plantel, dentro de um ano, pode muito bem vir a ser campeão; contudo, defendo que dificilmente o conseguirá fazer este ano. Não me levem a mal, mas, se por acaso ultrapassarem os Miami Heat – a outra equipa a ir às finais –, têm pela frente equipas com um maior poder ofensivo nos San Antonio Spurs, nos Thunder, nos Rockets. Estas equipas são também muito boas defensivamente, no entanto, nos playoffs tudo é possível, e estamos, sem dúvida alguma, perante uma equipa candidata a ganhar.
Apesar do que disse anteriormente, sinto que, com o plantel que têm à sua disposição, os Pacers são uma equipa que no espaço de um ano, dois no máximo, se torna favorita, se não houver nenhuma lesão muito preocupante.
Por falar em lesões, os Pacers fizeram duas movimentações a nível de mercado: uma muito arriscada e outra muito interessante. A saída de Danny Granger para os Clippers e a chegada de Andrew Bynum são jogadas, em situações inversas, que podem ter análises díspares. Danny Granger, um atleta que já foi All-Star e a maior estrela da equipa de Indiana. Um marcador muito bom, no entanto, com o crescimento de Lance Stephenson e de Paul George ficou sem minutos, e visto que tinha um salário chorudo para pouco tempo de utilização, fizeram bem em livrar-se dele. Por sua vez, Andrew Bynum é dotado de um fantástico jogo de pés, para um poste. Um grande marcador e com grande capacidade de arranjar ressaltos, Bynum vem de dois anos, quase completos, lesionado.
Para além de um plantel forte, estamos perante uma equipa bastante coesa e de um grupo que se defende perante tudo e todos. Os Pacers têm um dos melhores balneários da liga. Fonte: Bleacherreport.com
Agora, em relação à época até agora conseguida: os Pacers já garantiram um lugar nos playoffs e estão em primeiro na conferência. No entanto, têm vindo a descer muito em termos de qualidade apresentada. Estaremos perante um simples apagamento, ou uma previsão do que pode acontecer quando a pressão começar a apertar?
Uma coisa é certa: se o grupo não se alterar, se Paul George continuar a evoluir e se Roy Hibbert e Andrew Bynum se fixarem como as figuras defensivas mais preponderantes neste grupo, se David West continuar a garantir uma coesão entre o basquetebol defensivo e o pendor ofensivo da equipa, os Pacers assumir-se-ão como verdadeiros candidatos ao título.
Todas estas peças são essenciais, e, claramente, estão numa posição vantajosa para irem bastante longe nos anos que se avizinham.
Não se registou qualquer mudança classificativa na frente do campeonato nesta 22ª jornada, devido às vitórias do Braga e do Sporting.
O Sporting recebeu e venceu o Póvoa Futsal por 7-4 num jogo muito intenso e de altíssimo nível. A equipa visitante entrou muito pressionante na partida e inaugurou o marcador por intermédio de Jefferson, aos três minutos. O Sporting corria atrás do resultado, tendo tido inúmeras oportunidades desperdiçadas; contudo, Marcelinho estabeleceu a igualdade passados três minutos.
Surpreendentemente, Jefferson bisou e o Póvoa Futsal passou novamente para o comando do jogo. Depois deste golo sofrido, o Sporting ligou o acelerador e foi para intervalo a vencer por 4-2, reviravolta sofrida devido às dificuldades impostas pelo adversário, mas justa face às oportunidades flagrantes da equipa da casa.
Festejo leonino após marcar mais 1 golo. Fonte: Sporting.pt
Na segunda metade, a equipa visitante causou novamente sensação ao marcar, estabelecendo o resultado em 4-3. Grande atitude e garra demonstrada por esta boa equipa.
O Sporting reagiu, marcando mais dois golos que deram tranquilidade e motivação para o resto da partida. O Póvoa Futsal demonstrou que não veio a Loures apenas cumprir calendário e ainda marcou o 6-4; todavia, Caio Japa, na última jogada do encontro, fechou o resultado em 7-4.
Vitória muito sofrida do Sporting. De realçar a boa exibição do adversário e a boa resposta do Sporting nos momentos de maior adversidade. O Sporting está com seis pontos de avanço e aguarda agora pelo resultado do Belenenses-Benfica antes de defrontar os encarnados no Pavilhão da Luz para um tão apetecível derby!
O Braga venceu o Olivais por 3-0 num jogo bem conseguido por parte da equipa bracarense e importante para “apagar” as goleadas sofridas com o 1º e 2º classificado. Esta vitória foi também considerável, porque o Braga segurou o 3º lugar devido à derrota dos Leões de Porto Salvo em casa, diante do Fundão, por 3-6.
A equipa de Vila do Conde voltou a vencer, desta feita o Boavista, por 4-2, num jogo bem disputado por ambas as equipas. Com este resultado, o Rio Ave encontra-se em 6º lugar, a apenas um ponto do 5º, Fundão, e com apenas um ponto de vantagem sobre o 7º, Boavista.
A equipa do Benfica carimbou ontem uma importantíssima vitória diante do Belenenses por 2-5. Era de prever um jogo complicado para ambas as equipas com clara superioridade para os encarnados face aos resultados na jornada anterior (Benfica goleou o Braga por 6-1 e o Belenenses perdeu por 10-0 em casa do campeão Sporting). O Benfica tem vindo a melhorar a níveis exibicionais e ontem não foi exceção, jogo organizado e bem gerido por parte dos pupilos de João Freitas Pinto que foram para o intervalo a vencer por 3-1.
Na segunda metade manteve-se a superioridade do visitante, tendo o jogo terminado 2-5 com um golo no último minuto por parte dos azuis.
Equipa encarnada festeja mais um golo apontado, desta feita, ao Belém. Fonte:Slbenfica.pt
Ricardo Fernandes ao apontar 3 golos e Joel Queiroz ao bisar cilindraram de forma avassaladora a equipa de Belém que não teve argumentos para contrariar a avalanche ofensiva por parte dos encarnados.
Na próxima jornada há um tão aguardado derby que poderá decidir o vencedor da Fase Regular. Caso o Sporting vença fica com 6 pontos de avanço e caso o Benfica vença fica com os mesmos pontos, mas com a vantagem de ter ganho na 1ª volta por 7-8 em Loures. Tenho a certeza que será um grande jogo!
O Estádio José Alvalade XXI foi o palco do jogo grande da 23ª jornada: Sporting e FC Porto mediram forças e acabaram por ser os da casa, com um tento solitário de Slimani, a alcançar a vitória. Com este resultado, os leões cimentaram a sua posição na tabela classificativa e aumentaram a vantagem para o seu rival do Norte: são já 5 pontos que separam leões (2º) e dragões (3º). João V. Sousa (Sporting) e Francisco Manuel Reis (FC Porto) analisam a partida.
Sporting Clube de Portugal
O Sporting entrou melhor, chegando a instalar-se por completo no meio-campo do Porto. No entanto, o domínio não se traduzia em ocasiões de golo (tem sido uma constante nestes últimos jogos) e os dragões rapidamente equilibraram. Foi este o melhor período da equipa visitante no jogo, em que a magia de Quaresma (centro de trivela parta Varela e remate à barra) podia ter escrito uma história diferente. No entanto, o Sporting nunca perdeu o norte e, mesmo com um falhanço incrível de Jackson, conseguiu ir para o intervalo sem golos sofridos.
Na segunda parte os leões voltaram a entrar mais fortes e pressionantes (os centrais do Porto não se entendiam) e o adversário nunca mais se encontrou. Slimani marcou aos 52’, num golo precedido de fora-de-jogo. A desvantagem de se apoiar um clube que está na vanguarda da luta pelas mudanças no futebol português tem destas coisas: quando aqueles que estão contentes com o futebol da mentira que por cá existe sentem a sua supremacia ameaçada, caem em cima dos Sportinguistas à primeira hipótese. Tem graça que o golo de hoje aconteça quando já estamos afastados da luta pelo título. Dispenso estes rebuçados, e trocava-os de boa vontade pelos foras-de-jogo mal marcados e pelos penáltis por assinalar que este ano já nos prejudicaram. Não sou um especial apreciador do adágio “escrever direito por linhas tortas” mas, pela parte que me toca, apenas digo que ainda faltam “devolver-nos” vários pontos está época – e muitos mais ainda se pensarmos nos últimos 30 anos.
Quanto ao jogo em si, é um orgulho ver uma equipa com seis jogadores da Academia no onze inicial vencer um clássico contra um conjunto com individualidades e um orçamento superiores. O Sporting não fez uma grande exibição, mas ainda assim foi a melhor em várias semanas. Agora é preciso continuar a crescer, com a mesma humildade e o mesmo realismo, e não deixar fugir o 2º lugar.
William Carvalho e Slimani foram fundamentais na vitória do Sporting Fonte: Zero Zero
Rui Patrício (5) – grande defesa a remate de Varela na primeira parte, mas curiosamente mostrou-se intranquilo na segunda parte e foi mesmo o pior elemento da defesa. E sem razão aparente, dado que o Porto raramente incomodou. O lance que Dier salvou não é admissível, e logo de seguida tem mais uma falha após uma bola parada, que Montero corrigiu
Cédric (6) – o primeiro frente-a-frente com Quaresma prometia uma noite tenebrosa para o lateral-direito do Sporting. Felizmente, o 7 do Porto foi desaparecendo, sobretudo após o intervalo, e Cédric ganhou confiança. Ainda que não tenha subido muito, conseguiu o mais importante, que foi fechar a ala direita do Sporting
Dier (7) – quem não souber a idade deste jogador dificilmente adivinha que tem apenas 20 anos. Sempre bem colocado e mais sereno do que o colega de sector, só não passou despercebido porque quando era chamado a intervir impunha-se com categoria. Mais cedo ou mais tarde será titular do Sporting. Ainda assim, a sua única falha podia ter dado golo, ainda que a responsabilidade maior fosse de Patrício: não conseguiu interceptar o passe de ruptura para Jackson, mas recuperou muito bem e fez um corte milagroso, quando todos já contavam com o golo do empate. Fez esquecer Maurício, e isso não é para qualquer um
Rojo (7) – mesmo quando joga bem, nunca se sabe o que vai sair dos pés do argentino. Hoje foi um desses dias: nada a dizer quanto ao seu posicionamento e à sua eficácia nos cortes, mas por vezes ainda se nota uma ansiedade excessiva. Nem sempre joga da forma mais simples possível, e tem de se deixar daqueles passes longos “à Polga”
Jefferson (6) – na primeira parte, o cabeceamento de Jackson que não entra por milagre acontece devido a um desposicionamento seu, mas depois do intervalo acompanhou a melhoria da equipa. Acertou a defender e mostrou-se, como é seu hábito, muito atrevido no ataque, embora os cruzamentos não lhe tenham saído bem
Adrien (7) – boa exibição, e muito importante sobretudo na primeira parte, quando o jogo podia cair para qualquer dos lados. Está um jogador adulto e ponderado, e desenvolve um trabalho defensivo que nem sempre é visível mas que em muito contribui para equilibrar o meio-campo. Hoje defendeu muitas vezes ao lado de William, deixando André Martins um pouco mais à frente.
André Martins (5) – aos 3 minutos seguia para a área sem oposição, mas o árbitro inventou uma falta. De resto, sem querer parecer demasiado duro para um jogador que até acabou por ser decisivo, apenas se voltou a fazer notar quando fez a assistência para Slimani. Depois disso pareceu ganhar algum ânimo e foi importante na pressão aos atarantados centrais do Porto, saindo tocado aos 68 minutos. Mas terá de fazer mais.
Carlos Mané (5) – percebo a aposta de Jardim num elemento que tinha vindo de bons jogos, mas ficou claro que o jovem extremo ainda está muito “verde”. Teve um cabeceamento perigosíssimo aos 50’ e uma grande jogada após o golo, em que só foi parado em falta (Abdoulaye podia ter sido expulso). De resto, não desequilibrou e definiu mal da única vez que tentou servir Slimani, ainda na primeira parte.
Diego Capel (6) – a raça e a vontade de sempre, embora não tenha estado inspirado e os cruzamentos para Slimani também não tenham aparecido. É normalmente criticado por se agarrar muito à bola, mas hoje teve bastante critério e soltou-a sempre que se justificou.
Slimani (7) – jogar com Slimani implica cruzamentos para a área, o que quase nunca aconteceu. Na única oportunidade que teve, o argelino marcou. O que é que se lhe pode pedir mais? Não tem os pés de Montero mas está numa forma fantástica, e o Sporting bem pode agradecer-lhe.
Carrillo (-) – demorou a aparecer mas, quando o fez, desempenhou o papel que lhe era pedido: com o jogo partido e o Porto a tentar atacar, levou a bola controlada para bem longe. Também ajudou na defesa.
Montero (-) – podia ter voltado aos golos, mas o remate saiu à figura. De resto, é visível que não está particularmente confiante, ainda que seja um elemento imprevisível sempre que a bola lhe chega aos pés.
Wilson Eduardo (-) – pouco mais de 5 minutos para ajudar a fechar e para poder saborear enquanto interveniente directo esta vitória sobre o seu antigo clube.
FIGURA: William Carvalho (7) – mais um jogo em que mostrou que é claramente um jogador que tem qualidade para muito mais do que o campeonato português, mas sinceramente irritou-me em um ou noutro lance em que podia ter jogado mais simples. Parecia estar a querer mostrar-se, o que é compreensível, mas em certos momentos pedia-se mais nervo e objectividade. Ainda assim, e apesar da pressão do meio-campo do Porto, conseguiu soltar-se e lançar o ataque. Quando a bola chega aos seus pés, parece que ninguém neste mundo vai conseguir tirá-la. Teve pormenores deliciosos. Não fez um jogo perfeito, mas não consigo imaginar o que seria o Sporting sem ele. Destaque também para o trabalho fantástico de Leonardo Jardim na organização da equipa. O treinador não deixa nada ao acaso, e o bom trabalho desenvolvido reflecte-se em campo.
FORA-DE-JOGO: Volume ofensivo do Sporting
Hoje as coisas correram bem, mas longe vão os tempos em que a equipa goleava. Actualmente os adversários já vão conhecendo melhor os processos do Sporting, e a generalidade dos jogadores também atravessa uma fase menos exuberante. A equipa está curta e não tem soluções no último terço. Os extremos não aparecem, e A. Martins não se afirma como criativo
João V. Sousa
Futebol Clube do Porto
Numa partida bastante intensa e disputada, jogada maioritariamente no meio-campo, o FC Porto acabou por nunca conseguir impor o seu futebol, ao contrário do que havia conseguido fazer no último jogo, contra o Nápoles. A intranquilidade defensiva, a incapacidade para sair a jogar, a dificuldade em assumir o meio-campo, a ausência de uma pressão alta, forte e coordenada, a distância entre os sectores, a falta de apoio ao ponta-de-lança e a desinsipiração das unidades mais desequilibradoras (à excepção de Quaresma) foram os principais defeitos do FC Porto ao longo dos noventa minutos.
Na primeira parte, o Sporting entrou muito pressionante, impedindo do FC Porto de sair para o jogo com facilidade e obrigando os dragões a cometer demasiados erros imperdoáveis na primeira fase de construção de jogo. De resto, essa sucessão de erros infantis – perdas de bola absurdas, passes errados e hesitações fatais – não foi mal exclusivo da primeira parte. Apesar de tudo, mesmo tendo o Sporting rondado a área por diversas vezes, não foi capaz de criar uma ocasião de golo efectivamente perigosa durante a primeira parte. Ao invés, o FC Porto teve três: o remate de Varela depois do brilhante cruzamento de letra de Quaresma (que show!), o tiro do Harry Potter à trave e o cabeceamento na pequena área de Jackson Martínez. Mesmo sem um fio de jogo muito claro, mesmo perdendo claramente a luta do meio-campo para o Sporting, mesmo tendo a desconcentração reinado em alguns períodos, o FC Porto chegou ao intervalo com mais motivos para reclamar uma vantagem.
No segundo tempo, a história mudou. O Sporting entrou ainda mais pressionante e o FC Porto foi ainda menos capaz de assumir o jogo. Cinco minutos após o reatar do desafio, Carlos Mané deixou o primeiro aviso a Helton, num cabeceamento à queima-roupa que o capitão azul e branco defendeu com mestria. Instantes depois, o golo surgiu mesmo: William Carvalho lançou André Martins (em posição irregular) sobre a direita e o jovem médio português descobriu Slimani – absolutamente sozinho – na área, que não perdoou. A partir daí, o Sporting começou a recuar ligeiramente as linhas, optando por não pressionar tão em cima, mas o FC Porto jamais demonstrou ter capacidade para crescer para cima dos leões. Entretanto, o FC Porto teve um forte revés: a perda do capitão Hélton, que se lesionou sozinho uns minutos depois do golo, saindo sob uma bonita ovação. A última meia hora foi uma batalha de meio-campo, sem grandes oportunidades de parte a parte (o corte de Dier in extremis depois de Jackson passar por Patrício evitou o golo na melhor ocasião para o Porto e a defesa de Fabiano a remate de Montero evitou o golo na melhor ocasião para o Sporting). No final, Fernando ainda havia de ser expulso.
Apesar do golo irregular – curioso e irónico, dada a atitude do presidente do Sporting e dos seus adeptos nos últimos tempos -, e embora não tenha sido muito mais perigoso do que o FC Porto, creio que o Sporting chegou justamente à vitória. O FC Porto esteve sempre muito dependente da genialidade de Quaresma e revelou-se menos equipa do que o Sporting. Com 5 pontos de desvantagem, o acesso directo para a Liga dos Campeões parece cada vez mais complicado. Entretanto, no próximo jogo do campeonato não há Danilo, Quaresma, Fernando (suspensos) e Helton (lesionado).
Durante a primeira parte, Quaresma fez o que quis de Cédric Fonte: Zero Zero
Helton (8) – fez um excelente jogo até ao momento em que se lesionou (aparentemente) com bastante gravidade. Além da excelente resposta ao cabeceamento de Slimani, poucos minutos antes do golo do Sporting, mostrou a serenidade habitual nas saídas da baliza e a perfeição do seu jogo de pés.
Alex Sandro (6) – não tendo defendido mal, deixou algumas vezes o seu lado desprotegido; a atacar esteve longe de ser tão perigoso como é habitual – muito raramente chegou ao último terço do campo e prestou pouco auxílio a Quaresma no momento ofensivo.
Mangala (6) – como tem sido habitual esta época, consegue, no mesmo jogo, juntar lances em que faz sobressair o seu impressionante poder físico e a sua incomum capacidade de antecipação a lances em que revela uma imaturidade e uma insensatez impróprias de um central de topo. Uma coisa é certa: tem raça e carácter e deixou isso bem evidente uma vez mais.
Abdoulaye (6) – o lance do golo, em que se esquece de Slimani, acaba por manchar uma exibição relativamente conseguida do defesa senegalês. Tal como o seu parceiro no eixo defensivo, teve algumas “paragens cerebrais” – designadamente na altura de sair a jogar -, mas voltou a demonstrar todo o potencial que lhe é reconhecido: força física, jogo aéreo imperial, velocidade e poder de antecipação.
Fernando (5) – o “Polvo” não consegue jogar mal, mas hoje esteve longe de se destacar. O momento em que sobressaiu foi mesmo o lance – se é que lhe podemos chamar assim – em que se atira para cima de Montero para ver o cartão vermelho. Faltaram aqueles cortes exuberantes que costuma fazer, faltaram aqueles passes bem medidos com que começou a brindar-nos recentemente, faltou a presença de espírito no tal momento da expulsão.
Defour (6) – fez claramente o seu pior jogo desde o seu “regresso” à equipa. Mesmo imprimindo muita intensidade em todos os momentos defensivos, não foi capaz de se soltar para aparecer com perigo no ataque. Jogando tão preso atrás, esteve longe de brilhar.
Carlos Eduardo (5) – confirmou a tendência para “desaparecer” nos “jogos grandes”. Tal como Defour, entregou-se ao jogo e não virou a cara à luta, mas esteve sempre alheado do jogo, incapaz de encontrar o espaço que gosta de ter para lançar a equipa com os seus passes precisos ou para progredir com a bola controlada. Viu-se pouco e a equipa, órfã do seu maior conector entre o meio-campo e o ataque, ressentiu-se disso.
Varela (6) – batalhando muito, como sempre, nunca foi capaz de desequilibrar e era isso que se lhe pedia. Ajudou a compensar as subidas desenfreadas de Danilo, vigiou bem Jefferson, discutiu todas as bolas com o empenho de sempre, mas só fez um remate perigoso (numa bola que lhe chegou numa bandeja) e nunca encontrou inspiração para furar a defesa leonina.
Jackson Martínez (6) – depois de dois jogos em que parecia determinado a voltar ao seu melhor nível, Jackson voltou a desiludir. Não pela ausência de golos – isso é perdoável -, mas pela displicência em algumas intervenções: perdeu quase todas as bolas nos duelos com os centrais (Rojo esteve imperial!) e falhou vários domínios relativamente simples. Ainda assim, é importante reconhecer que esteve muito sozinho na frente: sem o devido apoio, era difícil fazer mais.
Quintero (6) – entrou na partida para a agitar, fazendo uso da sua capacidade para descobrir espaço onde ele não existe e dinamizar um meio-campo demasiado frouxo. Infelizmente, um ou dois pormenores revelaram-se insuficientes para cumprir essa missão. O facto de ter andado em zonas muito recuadas do terreno – reflexo da dificuldade gritante do FC Porto em sair a jogar – não beneficiou o seu jogo nem a equipa.
Fabiano (6) – não foi protagonista, como na última deslocação do FC Porto a Alvalade (no jogo da Taça da Liga), mas cumpriu o seu papel e fez uma boa defesa a remate de Montero.
Ghilas (-) – entrou muito tarde e, num mísero quarto de hora, não teve oportunidade de revelar a sua utilidade. Combativo como sempre – este argelino é um tanque! -, teve apenas um lance de realce: o pontapé de bicicleta nos minutos finais, que teria dado um golo de antologia se tivesse acabado no fundo das redes.
FIGURA: Quaresma (8)
Claramente o melhor jogador do FC Porto esta noite. Fez o que quis de Cedric durante a primeira parte e foi o único a desequilibrar na frente de ataque portista. No segundo tempo, a equipa chegou menos à frente e Quaresma foi mais vigiado. De resto, desde aquele primeiro bailado que culminou num cruzamento de letra para Varela (por que não marcaste, Silvestre?!) ao remate em arco que só parou com um estrondo na barra da baliza de Rui Patrício, mostrou uma série de pormenores de grande categoria. Está finalmente nas suas melhores condições físicas e mentais e isso repercute-se dentro de campo. Paulo Bento não pode ignorar o momento de forma deste Mustang endiabrado.
FORA-DE-JOGO: Danilo (4)
Um péssimo jogo de Danilo. Esta temporada tem sido bem mais consistente do que o seu compatriota da banda oposta – Alex Sandro –, mas hoje fez uma das piores exibições da época. Perdeu vários duelos com Capel, foi sempre muitíssimo lento a recuperar a posição depois das suas investidas ao ataque (quantas vezes não ficou uma clareira do lado direito da defesa portista?) e também esteve muito aquém do que pode e sabe fazer no ataque. O cruzamento para a cabeça de Jackson na primeira parte foi o único lance em que se destacou pela positiva.
Pior do que errar, é não reconhecer essa inevitabilidade humana. Pior ainda do que não a reconhecer, é insistir nela e continuar a ver luz ao fundo desse túnel. Túnel que encontrou a mais dura das escuridões há quase um ano. Desde que chegou, Jorge Jesus habituou-nos a futebol vertiginoso, apaixonante, “carrega para cima deles”, “porquê dar 2 se podemos dar 5?”, desmesuradamente ofensivo. O outro lado da moeda na outra metade do campo. Coração nas mãos, tal a enxurrada de oportunidades de golo que os adversários tinham. E ao verem Artur na baliza, motivação ainda maior. Se este futebol atacante deleitava os nossos olhos e os da Europa, mentir seria dizer que isso se traduziu em títulos.
2013/14 e mea culpa de Jesus. Que meteu um travão em si mesmo e na sua veia ofensiva, porque a veia de títulos dos benfiquistas é a que precisa de ser alimentada novamente. 1-0 chega-nos, 2-0 é óptimo. Vamos a factos: desde 15 de Dezembro do passado 2013 que o Benfica não sofre um golo de bola corrida. Desde então, 2 golos sofridos: em Barcelos, de canto (e logo haveria de ser esse a tirar-nos pontos…) e em Londres de livre directo. 17 jogos, dois golos encaixados. Quem pudesse sequer pensar em números destes com Jorge Jesus, seria logo acusado de uma certa falta de inteligência e discernimento. E o que mudou desde 15 de Dezembro? Desde logo, Oblak. E com ele a calma, a confiança e a segurança de que a equipa necessitava e não encontrava em Artur. Com a saída de Matic, o aparecimento de Fejsa. E com ele, o gosto por defender, apenas e só defender. Algo que não acontecia com Matic, que marca a diferença por ser um jogador que enche todo um meio-campo e gosta de avançar no terreno. Fejsa não. Fixa-se, compreende as suas limitações e equilibra a equipa. Luisão, numa forma soberba, agradece. Garay diz o mesmo, Siqueira e Maxi acenam lá de trás. Para Enzo, um descanso.
Luisão e Rodrigo, expoentes máximos da nova face do Benfica Fonte: ofuraredes.blogspot.com
Também Rodrigo, Lima, Markovic e Gaitán merecem elogios nesta coesão defensiva. Os dois primeiros formam uma primeira linha de pressão agressiva a partir da saída de bola do adversário. Com Cardozo, isso seria impensável. E mérito de Jesus para a transformação de Markovic: do estado selvagem que nos encantava com a bola no pé e nos desesperava sem ela, para um jogador solidário e que disputa bolas no meio-campo defensivo. O mesmo serve para Gaitán, que está a realizar a melhor temporada desde que chegou.
Não deixa de ser irónico estar(mos) a elogiar Jorge Jesus e os jogadores pela qualidade defensiva que tem sido por demais evidente em 2014. Do vendaval ofensivo, passámos a ser um exemplo do bem defender. Espero não me enganar ao dizer que está, finalmente, encontrada a fórmula certa para o Luisão acariciar troféus. Tantas goleadas e jogos de encher o olho no passado, quando no presente nos deixamos encantar por este Benfica cínico, que se sente confortável a defender. Lá à frente, a qualidade individual continua a fazer tremer qualquer adversário. 3-1 em White Hart Lane sem Salvio e com Enzo e Gaitán apenas a meio da segunda parte. A perfeição no futebol é algo muito difícil de ser alcançado. Mas se este Benfica não está perfeito, pouco faltará. Esse pouco são os títulos.