O central Jérémy Mathieu chegou a Alvalade, no verão de 2017, proveniente do colosso espanhol FC Barcelona e rapidamente se tornou indispensável na defesa leonina, como era de esperar para um jogador com o currículo do francês. Apesar de ter chegado ao clube como jogador livre, depois de ter rescindido com os espanhóis, a classe do francês é cara, e o Sporting CP desembolsou, até ao momento, três milhões de euros para o jogador e dois milhões de euros para a empresa que o representa.
Em duas temporadas de leão ao peito, Monsieur Mathieu realizou mais de oitenta jogos e marcou seis golos. Apesar dos trinta e cinco anos e das lesões que o obrigaram a ficar de fora dos relvados, o ex-internacional francês é dos jogadores mais preponderantes na equipa leonina.
Quando se aproximava o fim do contrato que o ligava ao Sporting CP, muito se especulou sobre a continuidade ou não do francês em Alvalade devido ao elevado salário, à idade e às lesões. Com muitos clubes interessados no central, a Direção do Sporting decidiu, e bem a meu ver, prolongar o vínculo com o jogador antes mesmo da temporada terminar. Segundo consta, o jogador aceitou reduzir o seu vencimento para continuar a espalhar classe em Portugal.
Na próxima temporada, classe não vai faltar Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
Arriscaria mesmo dizer que foi o melhor central que vi de leão ao peito, e aqui não estou só a avaliar a qualidade a defender, nem a qualidade a iniciar a transição para o ataque, nem a qualidade na execução de bolas paradas, onde já vimos que é exímio. Avalio sobretudo a sua entrega em cada momento do jogo.
No último jogo da temporada, na final da Taça de Portugal, foi unânime que o melhor jogador em campo foi Mathieu. Com trinta e cinco anos anulou Marega, um dos avançados mais possantes do campeonato. Esteve seguro e concentrado em todos os momentos do jogo que atribuiu a décima sétima Taça de Portugal aos leões. No final do jogo, e tendo em conta os acontecimentos no final da temporada anterior que culminou com a derrota na final da Taça de Portugal, o homem que renovou recentemente não conseguiu conter a emoção. A notícia da renovação deste enorme jogador foi para mim um alívio e uma alegria imensa.
Terminada a época desportiva 2018/2019, é altura de debruçar o olhar sobre o futuro, mais concretamente sobre a época 2019/2020, que começará cedo para o FC Porto.
A segunda posição assegurada no campeonato garante ao FC Porto um lugar na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Devido ao coeficiente da UEFA, os azuis e brancos figuram-se como um dos cabeças de série nesta fase da competição, que se jogará entre 6/7 de agosto (mediante o sorteio) e o dia 13 do mesmo mês.
Nesta fase da competição, o FC Porto terá como possíveis adversários o Olympiakos, da Grécia, no caso de esta passar a segunda pré-eliminatória, onde é uma das equipas favoritas, treinada por Pedro Martins e que conta com José Sá na baliza, recentemente contratado ao FC Porto; o Club Brugge, da Bélgica, que os dragões defrontaram na fase de grupos da “Champions” em 2016/2017 e a que os homens da Invicta venceram nas duas partidas disputadas; o PSV Eindhoven, da Holanda, que se encontra na mesma posição que o Olympiakos para este efeito, e que deixou o campeonato fugir para o sensacional Ajax, tendo estado na “pole position” para vencer a “Eredivisie” até à penúltima jornada, onde perdeu no terreno do AZ Alkmaar; e o Krasnodar, terceiro classificado da liga russa, atrás de Zenit e Lokomotiv de Moscovo, equipa que o FC Porto defrontou e venceu este ano por duas vezes na Liga dos Campeões.
O FC Porto foi eliminado pelo Liverpool FC, que vai disputar a final da competição Fonte: FC Porto
No caso de o FC Porto seguir em frente, vai para o play-off de acesso à fase de grupos da competição, onde é, novamente, cabeça de série, e onde defrontará um dos vencedores da terceira pré-eliminatória. Esta derradeira fase antes da tão desejada entrada na fase de grupos disputar-se-á entre 20/21 de agosto e 27/28 desse mesmo mês, mediante o sorteio.
Toda esta configuração obrigará o FC Porto a estar com níveis de entrosamento e performance altos logo em agosto, sob pena de ficar de fora da competição que serve de principal abono financeiro para os clubes europeus.
De relembrar que a equipa liderada por Sérgio Conceição, nesta temporada, chegou aos quartos-de-final da competição, tendo arrecadado por volta de 80 milhões de euros.
Romário, Ronaldo, Denilson, Rivaldo, Ronaldinho, Kaká, Robinho, Marcelo, Neymar e tantos, tantos outros. São incontáveis os talentos oriundos do Brasil, talentos puros, predestinados para o jogo da bola no pé. Craques que pouco ou nada necessitavam de treinar. A bola era sempre redonda e os relvados eram sempre o seu parque de diversões. Mal a bola colava já eles sabiam como, e onde, a iam colocar.
No Sport Lisboa e Benfica, pelo menos nas últimas duas décadas, não fomos brindados pelo deleite do predestinado brasileiro. Geovanni, Roger, David Luiz e Léo foram os grandes talentos brasileiros de vermelho e branco nos relvados da Luz no corrente século. Nenhum deles um verdadeiro predestinado.
Isto, claro, até Setembro de 2014. Ou melhor, até dia 05 de Outubro de 2014, dia em que Jonas se estreou de águia ao peito, pisou os relvados da Luz, matou a bola no peito, controlou o esférico com os pés, analisou os detalhes do terreno e ainda balanceou as redes adversárias.
Tem o talento, a visão, o conhecimento e tem a classe. Um avançado goleador que passa boa parte do jogo a construir e a ensinar. E como se não lhe bastasse o talento ainda tem a alma. Jogador de equipa, jogador que sente o clube, jogador que tudo faz para garantir o sucesso do Sport Lisboa e Benfica, seja em esforço a colmatar buracos defensivos ou seja no banco a puxar pelos companheiros e treinador. Numa época em que se viu limitado fisicamente, não podendo dar maior contributo dentro das quatro linhas, Jonas consegue, ainda assim, ser a grande figura deste Sport Lisboa e Benfica. Fez a diferença quando jogou e fez a diferença quando apoiou.
Jonas é o predestinado que todos temos o prazer de ver brilhar com as nossas cores. Fonte: Vsports
Jonas é pura inteligência e criatividade. Coloca a bola onde quer e quando quer. Temporiza o jogo como nenhum outro, percebe os movimentos como nenhum outro, finaliza como nenhum outro e antecipa como nenhum outro. Sozinho consegue resolver um jogo, sozinho consegue abrir espaços que mais ninguém vê. Sozinho consegue partir uma defesa cerrada num só passo ou com um só passe.
Jonas é o predestinado que todos temos o prazer de ver brilhar com as nossas cores. É o melhor jogador do século no Sport Lisboa e Benfica e, ainda hoje, é o melhor jogador do plantel.
Pelo seu talento, pelo seu empenho e pelo seu sentimento, não há dores que o devam tirar do plantel encarnado para época 2019-20. Quando puder jogar será o melhor. Quando puder entrar irá fazer a diferença onde nenhum outro viu uma oportunidade. Quando não puder entrar irá ensinar, orientar e inspirar.
São 137 golos. E são, principalmente, milhares de deliciosos momentos de classe no voo da águia.
Juntamente com Samaris, Jonas deverá juntar-se a Jardel e Almeida na honra de envergar a braçadeira.
Lewis Hamilton é o vencedor do Grande Prémio do Mónaco, muito graças aos 2 metros de largura dos carros de Formula 1 de hoje em dia. Max Verstappen passou cerca de 60 voltas a colocar pressão no britânico, tentando espremer o carro pelo buraco de uma agulha sempre que podia, mas no final, terminou em 2º, caindo para 4º após uma penalização de 5 segundos por ser libertado de forma insegura quando foi às boxes.
Vettel procurou redimir o fim de semana horrível da Ferrari, e com uma corrida muito segura e muito calma , conseguiu a 2ª posição, parando assim a sequência de dobradinhas da parte da Mercedes. A fechar o pódio ficou Bottas, que perdeu a 2ª posição para Verstappen e Vettel quando este foi libertado de forma insegura e acabou por ter contacto com o finlandês, que teve de voltar às boxes de novo, para verificar se estava tudo bem com o carro.
A corrida começou com o ritmo normal de uma corrida no Mónaco e sem grandes dramas, com a maioria da ação da corrida a ser oferecida por Charles Leclerc, que após a estratégia ridícula da Ferrari na qualificação, começava em 15º. Contudo, ele já tinha avisado que ia ser arriscado, é muito difícil ultrapassar no Mónaco, e apesar de algumas ultrapassagens muito boas, abusou numa delas, e chocou contra a barreira, o que resultou num furo, que desintegrou o pneu de tal forma, que acabou por destruir o chão do lado direito do Ferrari.
Isto fez com que caísse para o último lugar, e com metade do chão do carro destruído, tendo em conta que é um elemento importantíssimo na aerodinâmica, desistiu da corrida e retirou-se. Os pedaços de fibra de carbono largados pelo Ferrari ficaram espalhados pelas ruas do Mónaco, o que obrigou à saída do Safety Car.
Foi aqui o momento que definiu a corrida, os 4 pilotos da frente vão às Boxes, Hamilton sai com os pneus médios, enquanto os outros 3 os duros, Max Verstappen é libertado e ao sair tropeça no Mercedes de Bottas, conseguindo colocar-se à frente do finlandês, mas com uma penalização de 5 segundos por ser libertado de forma insegura.
Tudo parecia tranquilo para Hamilton, até que ele começou a notar que provavelmente os pneus médios não eram capazes de durar até ao fim, caso os carros atrás colocassem mais pressão, o que aconteceu. Max Verstappen passou voltas atrás de voltas, a cerca de meio segundo atrás de Hamilton, estando sempre no quase, mas nunca conseguindo ultrapassar.
Max Verstappen sempre a uma unha negra de Lewis Hamilton Fonte: Formula 1
Nas últimas voltas, Verstappen tentou lançar-se ao interior da chicane após o túnel, mas acabou por apenas fazer contacto com Lewis, e continuar atrás do britânico, para terminar na 2ª posição, que com os 5 segundos de penalização, caiu para 4ª.
Assim, Vettel e Bottas fecharam o pódio, com Pierre Gasly em 5º, com a volta mais rápida, Carlos Sainz decidiu não parar no Safety Car, e isso permitiu que saltasse para a 6ª posição que não largou mais, seguido de Kvyat e Albon em 7º e 8º, que mais uma vez provaram ser uma excelente dupla num carro muito bom da Toro Rosso. Ricciardo decidiu parar no Safety Car, infelizmente, isso fez com que perdesse posições, e acabasse a corrida em 9º, e a fechar as posições dos pontos, Romain Grosjean termina em 10º, após aguentar com os pneus iniciais durante a grande maioria da corrida.
No fundo, o Grande Prémio do Mónaco não foi uma má corrida, houve muita tensão e estratégias diferentes para deixar as pessoas no mínimo curiosas, mas de que vale um piloto ser mais rápido, se é impossível ultrapassar? Mesmo se fosse um Williams na posição de Hamilton, não havia problema, colocava o carro no meio da pista e ninguém passava.
Os erros dos pilotos ou dos estrategistas, neste caso em colocar Hamilton nos pneus menos indicados, acabam por não dar em nada, erram, mas como tem posição de pista, são compensados, não é bom para este desporto. O grande destaque desta corrida vai então para os carros, que com os seus absurdos 2 metros de largura, não permitem uma corrida, mas um desfile bastante rápido.
O PILOTO DO DIA
Exibição soberba de Carlos Sainz Jr Fonte: Formula 1
Pensei em Hamilton para aqui, também pensei em Verstappen, foi uma boa batalha da parte deles, mas fico-me por Carlos Sainz. O espanhol teve um início muito atribulado na Mclaren, contudo, agora tem estado em grande, e coloca-se como “best of the rest” na tabela classificativa. Conseguiu saltar posições no Mónaco através de uma estratégia muito inteligente, ele que se safa sempre muito bem nas ruas do principado. Não cometeu erros, e provou a qualidade que tem como piloto, que muitas vezes é desvalorizada, é preciso lembrar que quando ele e Verstappen estavam juntos na Toro Rosso, eram muito competitivos e equiparáveis em qualidade. A Mclaren está a subir, e penso que estão em boas mãos com Carlos Sainz.
Mais uma época de Premier League. Entre uma histórica luta pelo título, uma atabalhoada disputa pelos lugares de acesso à Liga dos Campeões e algumas desilusões no fundo da tabela, foi uma campanha que vai deixar saudades. Pela qualidade do futebol, pelas histórias paralelas e pelas voltas e reviravoltas que assistimos ao longo dos últimos nove meses.
Não podemos estar a fazer uma recapitulação de todos os grandes episódios desta época da Premier League, até porque cada história pode ser contada de diferentes maneiras. Sempre se disse que quem conta um conto acrescenta sempre um ponto. Mas também se diz que os números não mentem.
Assim, deixamos os nossos leitores com cinco estatísticas impressionantes da época 2018/2019 do principal escalão do futebol inglês, a Premier League – ou, como muitos preferem, a melhor liga do mundo.
Desde sempre que a imprensa e o desporto andaram interligados. Os adeptos mais antigos ainda devem ter na mente a forma saudável como todos os jogadores e a imprensa se relacionavam. Entrevistas abertas onde a comunhão entre dois jogadores adversários era a normalidade e não a exceção.
Infelizmente as coisas mudam e ao longos dos últimos anos, os jogadores, juntamente com os seus clubes, começaram a fechar-se numa “bolha”, onde raramente se tinha acesso. O mundo das redes sociais ajudou a promover uma maior proximidade entre adeptos e jogadores, contudo ainda era muito pouco para os amantes de futebol.
Por isso é de louvar o facto desta temporada termos dado muitas vezes vozes aos protagonistas, voz a quem mais gosta e sabe de futebol, os jogadores. A entrevista aberta de Bruno Fernandes a um canal televisivo, a conversa de Renan Ribeiro e Licá, e também a ida de André Almeida a um outro programa desportivo, são exemplos que devem ser a norma, e não a exceção.
É de salutar ouvir, como ouvimos na primeira pessoa, a visão de um dos melhores jogadores da nossa Liga Fonte: UEFA
Exemplos que espero que sejam cada vez mais recorrentes, e que demonstrem que a rivalidade é apenas dentro de campo, e que o desporto deve ser vivido dentro e fora das quatro linhas de forma saudável e respeitosa. É também com muito agrado que observo estas pequenas mudanças num país onde nos programas de debate televisivo passam mais tempo a discutir arbitragens, do que lances do jogo.
É uma mentalidade que se abre aos poucos, e onde os clubes também têm um papel muito importante já que são eles que podem “educar” os seus adeptos de forma diferente. Porém também se deve salutar os clubes que ao longo do campeonato deixaram os seus jogadores falar abertamente com a imprensa sem restrições, clubes que não tiveram medo de deixar falar quem de direito. Já que é mais fácil perceber um lance ou um comportamento, se esse nos for explicado pelo protagonista.
Recordo ainda que este tipo de acontecimentos é algo recorrente em vários países europeus como a Inglaterra, a Espanha ou a Alemanha. Países onde apesar da rivalidade há um mutuo respeito entre os diversos clubes.
Lucas Di Grassi venceu o E-Prix de Berlim para se colocar na segunda posição do campeonato, a apenas 6 pontos de Jean Eric Vergne. Foi a segunda vitória do brasileiro, que a par de JEV é o único a conseguir mais do que uma vitória. Para a Audi foi um momento ainda mais doce, por conseguirem vencer em casa, na Alemanha.
Na segunda posição, o homem que começou a corrida na pole position, Sebastien Buemi, sendo o primeiro pódio do suíço nesta temporada, seguido por Jean Eric Vergne, que consegui uma recuperação fantástica da oitava posição para fechar o pódio.
Buemi liderou as primeiras voltas, mas Di Grassi estava numa missão, e após despachar Stoffel Vandoorne, colocou pressão sobre o piloto da Nissan E-Dams e subiu ao topo da classificação, nunca mais saindo de lá.
Alex Lynn teve problemas no carro da Jaguar, parando no meio da pista e causando um Full Course Yellow, o que faz os carros andarem a uma velocidade máxima de 50 km/h sem poderem ultrapassar. Antes dos problemas de Lynn, Di Grassi tinha conseguindo cerca de cinco segundos de vantagem, ao aproveitar a luta pela segunda posição entre ele, Vandoorne, Vergne e Félix da Costa, o que rapidamente diminuiu no recomeço, passando a sofrer uma certa pressão de Buemi até ao fim da corrida.
António Félix da Costa estava a executar uma corrida fantástica, até nos lugares do pódio, mas Jean Eric Vergne levou a melhor sobre o português, ficando este em 4º lugar, à frente de Vandoorne, que após o segundo lugar no grid, apenas perdeu posições.
O colega de equipa de Vergne e antigo segundo classificado do campeonato, Lotterer, estava numa fantástica recuperação, após começar em penúltimo, mas viu-se obrigado a desistir da corrida.
A corrida teve um início muito calmo, mas graças às características mais largas da pista de Berlim, que se situa num antigo aeroporto em vez de em ruas de uma cidade, houve belas batalhas entre os pilotos, com especial destaque à batalha entre Vergne e Félix Da Costa, onde o francês acabou por cima.
A 3 corridas do final do campeonato, a tabela classificativa já começa a ganhar uma forma mais conclusiva, com Robin Frinjs em 5º com 81 pontos, Félix da Costa em quarto com 82 pontos, André Lotterer em terceiro com 86 pontos, o vencedor de hoje Di Grassi com 96 pontos, e o líder, e atual campeão, Jean-Éric Vergne com 102 pontos.
A loucura do princípio da época foi substituída por batalhas muito calculadas, tendo em conta, que principalmente agora, no final da época, cada ponto pode fazer a diferença entre ser campeão ou não.
Piloto do Dia: Jean-Éric Vergne
O campeão não repetiu a faceta do Mónaco em vencer, mas fez uma extraordinária corrida. Começou em oitavo, e durante toda a corrida tratou de se livrar dos adversários que apareciam no caminho, lavrando pela tabela classificativa até ao terceiro lugar do pódio. Conseguiu ter várias ultrapassagens de grande nível, como a Daniel Abt e a António Félix da Costa, e se houvesse mais uma volta, era bem provável que conseguisse a segunda posição de Buemi. Após um início de época muito tremido, JEV atinou, e nas últimas corridas, tem vindo a comprovar o porquê de ser campeão.
Naquele que foi o jogo de encerramento de um campeonato nacional completamente falhado, o Benfica apagou a má imagem da partida da passada quarta-feira, tendo recebido e goleado o Paço de Arcos por 7-1. Vitória justa das águias, mas que não aquecem nem arrefecem as expetativas para a Final-Four da Taça de Portugal dos próximos dias 1 e 2 de junho.
O encontro arrancou de forma animada, com algumas stickadas de parte a parte, mas sem qualquer lance de real perigo. Valter Neves, que já renovou contrato para a próxima época, foi quem mais procurou visar a baliza de Diogo Fernandes que respondeu sempre bem.
Disputados quatro minutos, na sequência de uma jogada onde Tomás Moreira ficou a queixar-se, Valter Neves serviu Vierinha que, solto ao primeiro poste, fez o 1-0 sem qualquer dificuldade.
O Paço de Arcos não sentiu o golo e após alguns avisos,Tomás Moreira lançou o esférico da zona da linha do meio campo e Rafael Lourenço, perto da baliza da Pedro Henriques, aplicou um ligeiro desvio na bola e restabeleceu a igualdade.
Sem nada a perder, ambos os conjuntos jogavam de forma aberta, rápida e dinâmica, o que fazia com que a redondilha estivesse sempre perto de qualquer uma das balizas. Porém, o Benfica, equipa que passava mais tempo no ataque, começava a demonstrar as já habituais dificuldades em penetrar na defensiva contrária. Isto, a não ser através de stickadas de meia distância que, muitas das vezes, eram bloqueadas pelas caneleiras dos jogadores do Paço de Arcos.
Após uns minutos iniciais equilibrados, a equipa da linha passou a ter que defender cada vez mais, montando uma teia defensiva forte e que os encarnados estavam a ter dificuldades em superar. No entanto, perto da marca dos quinze minutos, a formação visitante quase chegou ao golo por intermédio de Tomás Moreira, mas Pedro Henriques travou as intenções do número sete do conjunto azul e branco. No desenrolar do jogo e na sequência de uma stickada de Casanovas, Lucas Ordoñez apontou o 2-1. Pouco depois, o Benfica podia ter feito o terceiro, mas Diogo Rodrigues negou o golo a Valter Neves. Volvidos alguns instantes e com uma enorme oportunidade para o Paço de Arcos pelo meio, Vieirinha serviu Valter Neves e o capitão das águias fez o 3-1.
A cerca de sete minutos da pausa, Paulo Jesus viu um cartão azul devido a um enganchamento sobre Lucas Ordoñez. O próprio foi o escolhido para a conversão do livre-direto e com uma excelente picadinha não deu qualquer hipótese de defesa a Diogo Rodrigues e assinou o 4-1.
Com pouco mais de cinco minutos para se jogar até ao intervalo, Casanovas cometeu a 10ª falta do Benfica. Tomás Moreira foi o selecionado para a marcação do lance de bola parada, mas acabou por stickar diretamente por cima da baliza de Pedro Henriques.
O marcador das imagens televisivas adiantou uma dica sobre o futuro do encontro e a faltarem quatro minutos para o regresso às cabines, Jordi Adroher aproveitou um lançamento de Casanovas para, com um ligeiro desvio, fazer o 5-1.
Terminada a primeira parte, o Benfica goleava o Paço de Arcos por 5-1. Resultado justo, apesar do equilíbrio nos minutos iniciais, que demonstrava e consolidava a superioridade, sobretudo do ponto de vista técnico, do conjunto benfiquista perante uma equipa da linha que procurava criar perigo sempre podia. Destaque ainda para a estreia do jovem Miguel Feio pela equipa principal dos encarnados.
Lucas Ordoñez foi o melhor marcador do campeonato com 37 golos apontados, tendo sido apenas superado pelos 40 de Gonçalo Alves Fonte: Carlos Silva Photography / Bola na Rede
O Paço de Arcos quase que começou o segundo tempo a marcar, mas Pedro Henriques conseguiu evitar um belo golo de Tomás Moreira que, devido a um erro de Casanovas, seguiu isolado em direção à sua baliza. Porém, pouco depois, Tomás Moreira viu um cartão azul em virtude de um enganchamento sobre Vieirinha. Ordoñez, de regresso à marca de livre-direto, não conseguiu bater Diogo Rodrigues.
Em situação de superioridade numérica, o Benfica apenas stickou de longe, não tendo conseguido dispor de qualquer real oportunidade para avolumar o score. Retomado o cinco para cinco, o Paço de Arcos quase reduziu o marcador, mas o guardião das águias, com duas enormes intervenções, manteve a vantagem dos encarnados.
Sempre a um ritmo bastante elevado, ainda para mais quando o conjunto visitante tinha a sua rotação reduzida somente a dois jogadores, Benfica e Paço de Arcos trocavam ataques, sendo que era a formação benfiquista, devido a ter os melhores artistas, quem mais perto estava de concretizar.
O primeiro golo da segunda metade apenas surgiu a cerca de seis minutos do fim, com Jordi Adroher a servir Miguel Rocha, que regressou às pistas após longa ausência por opção, que aproveitou o passe do seu colega para fazer o 6-1.
A cerca de quatro minutos do fim Vieirinha, o único jogador que Alejandro Domínguez conseguiu potenciar desde que chegou à luz, voltou a fazer uso da sua técnica e apontou o 7-1 com um excelente pormenor individual.
Com apenas um minuto para se jogar, Miguel Rocha viu um cartão azul na sequência de uma falta sobre Rodrigo Afonso. Tomás Moreira voltou a ser o escolhido para a conversão do livre-direto, mas por mais uma vez stickou direto e ao lado da baliza benfiquista. Pouco depois, o próprio cometeu a 10ª falta do Paço de Arcos. Adroher, no frente a frente com o jovem Daniel Machial, que fez parte da sua formação nas águias, não conseguiu aumentar a diferença no marcador.
Concluída a partida, o Benfica goleou o Paço de Arcos por claros 7-1. Deixando uma imagem bem diferente daquela deixada a meio da última semana quando, depois de ter estado em vantagem, acabou por perder diante do Oeiras por 8-5. Triunfo vincado do conjunto benfiquista, mas que nem perto ficou de ser um ensaio geral para a Final-Four da Taça de Portugal do próximo fim de semana, onde nas meias-finais o Benfica volta a defrontar o Sporting.
Encerrada mais uma edição do Campeonato Nacional de Hóquei em Patins, o Porto conquistou o seu 23º título, igualando a marca do Benfica. Para a Liga Europeia estão apurados o FC Porto, a UD Oliveirense, o Sporting CP e o SL Benfica. Para a WS Europe Cup, provisoriamente (carecendo de confirmação dos próprios clubes), estão qualificados o OC Barcelos, o HC Braga, o CD Paço de Arcos, a Juventude de Viana e o Riba d’Ave HC. De regresso à segunda divisão estão o SC Tomar, a AD Oeiras e o Marinhense SC. Para já, com presença confirmada no campeonato da próxima temporada, estão a AD Sanjoanense e o HC “Os Tigres”. A terceira vaga vai ser decida entre a AE Física D e o HC “Os Carvalhos” neste e no próximo fim-de-semana.
SL Benfica: 1-Pedro Henriques (GR), 2-Valter Neves (CAP.), 5-Carlos Nicolia, 7-Jordi Adroher e 74-Vieirinha; Jogaram ainda: 3-Albert Casanovas, 6-João Maló, 9-Lucas Ordoñez e 44-Miguel Rocha; Banco: 10-Marco Barros (GR)
CD Paço de Arcos: 1-Diogo Rodrigues (GR), 2-Tiago Gouveia (CAP.), 7-Tomás Moreira, 44-Rafael Lourenço e 53-Pedro Vaz; Jogaram ainda: 10-Daniel Machial (GR), 3-Paulo Jesus, 4-João Mendes, 5-Rodrigo Afonso e 6-Bruno Frade
Há umas semanas escrevia sobre Ayrton Senna, agora escrevo sobre Niki Lauda. Que isto não se torne um hábito…
Andreas Nikolaus Lauda nasceu a 22 de fevereiro de 1949 em Viena, na Áustria. Mais conhecido por Niki Lauda, fiquem primeiro com o seu palmarés:
Estreou-se em rampas, com um Mini Cooper, aos 19 anos em 1968. O primeiro Grande Prémio na Fórmula 1 veio em 1971, no GP Áustria. O último foi em 1985, na Austrália. Disputou 177, venceu 3 títulos mundiais (1975, 1977 e 1984). Venceu 25 vezes e correu para marcas como a Ferrari, a McLaren ou a BRM.
Mas de números não só viveu o campeão. Em 1976, Niki Lauda pilotava pela Ferrari. Nos anos 70, a segurança na Fórmula 1 não era muito grande. No lendário circuito de Nürburgring Nordschleife, Lauda tinha o acidente que marcava a sua carreira, a sua vida e o seu corpo.
Apesar desse acidente, o austríaco ainda iria pilotar na pista se Suzuka, no Japão, no mesmo ano, numa tentativa de manter o título. Mas, tal não aconteceu, porque as condições de enorme chuva assustaram o recém-chegado Lauda. James Hunt foi campeão em 1976.
Mas, como nenhum outro piloto, depois de um acidente tão grave, Lauda continuou na Fórmula 1 e em 1977 foi novamente campeão. Com um olho para o negócio, Niki Lauda mudou também o paradigma desse campo na Fórmula 1.
Homenagem a Niki Lauda por parte da equipa da Mercedes na Fórmula 1 Fonte: Mercedes AMG Petronas MOTORSPORT
Por ser do fim dos anos 90, as primeiras vezes que ouvi falar de Niki Lauda foi quando este estava em papéis de administração e gestão. Passou pela equipa da Jaguar e passou também pela Ferrari, sendo que estava agora ligado à Mercedes, isto sempre na Fórmula 1.
Mas nunca liguei nenhuma, até 2013. Nesse ano saiu Rush, um filme biográfico inspirado na rivalidade de 1976 entre Hunt e Lauda, e o acidente de Lauda no ‘Inferno Verde’. A partir daqui tudo mudou para mim. Fui sempre pesquisando mais, reparei que na Mercedes havia um senhor que andava sempre de boné, muitas vezes um boné vermelho. Acabei por descobrir que era a lenda, Niki Lauda.
Restam-me poucas memórias do austríaco, mas as que tenho são extremamente boas. Uma parte de mim gostava de ter vivido no século XX. Outra parte diz-me que aqui estou bem. Partilho com Lauda o gosto por aviões, o que acho muito interessante.
Hoje, despedimo-nos de Niki Lauda com um boné vermelho, no Grande Prémio do Mónaco.
No Benito Villamarín disputou-se hoje um duelo entre o primeiro e quarto classificado espanhol. O FC Barcelona entrou a procurar a dobradinha, enquanto o Valência CF procurava a glória onze anos depois dos últimos festejos.
Ernesto Valverde lançou uma equipa sem um avançado de raiz, deixando as maiores responsabilidades ofensivas nos pés de Messi e Coutinho. Também Nélson Semedo foi titular na lateral-direita. Marcelino lançou no onze titular três jogadores bem familiares dos portugueses e dos benfiquistas: Garay, Guedes e Rodrigo. Também Daniel Wass (ex-SL Benfica) foi titular e Piccini (ex-Sporting CP) foi lançado no decorrer da segunda parte.
Os primeiros minutos de jogo foram o espelho do que seria todo primeiro tempo: o FC Barcelona com bola e o Valência CF a criar jogadas de perigo. Logo a arrancar, Rodrigo viu-se isolado frente ao Cillessen, fintou o guarda-redes e viu o Piqué negar-lhe o golo mesmo em cima da linha.
Aos 21 minutos, o Valência CF conseguiu pela primeira vez ter posse de bola e viu Gabriel Paulista abrir a defesa catalã com um passe longo para Gayà, na esquerda, que serviu Gameiro à entrada na área. O francês dominou a bola, deitou Alba e fuzilou a baliza catalã para o primeiro golo do jogo.
Treze minutos depois, e mantendo-se a posse de bola apática do FC Barcelona, a equipa “Ché” lançou-se em mais um ataque rápido e Soler serviu Rodrigo para este finalizar de cabeça. 2-0 para o Valência.
O FC Barcelona só conseguiu criar perigo nos últimos cinco minutos da primeira parte, e sempre dependente das iniciativas de Lionel Messi.
A equipa de Marcelino foi para os balneários com o sentimento de dever cumprido. Defenderam bem e lançaram golpes certeiros e fatais na defesa catalã. Soler e Parejo a destacarem-se pela qualidade que iam colocando no rolar da bola. Já a equipa de Valverde recolheu aos balneários desesperada por um abanão. Uma equipa sem criatividade e sem profundidade ofensiva. Fraquíssima primeira parte onde só Piqué e Messi se afastaram da mediocridade.
O FC Barcelona só conseguiu criar perigo nos últimos cinco minutos, sempre dependente das iniciativas de Lionel Messi Fonte: FC Barcelona
Neste contexto, a partida recomeçou só com mexidas no lado do FC Barcelona. Entrou Malcom para trazer mais profundidade e criatividade, e entrou Vidal para explorar a sua capacidade de aparecer em zonas de finalização.
O jogo recomeçou mais aberto e a maior capacidade do FC Barcelona em criar perigo foi obrigando Marcelino a mandar recuar os seus jogadores. Com Malcom a abrir mais à direita, sobrou espaço para Messi construir. Além disso, também Busquets subiu tremendamente o seu rendimento, tanto com, como sem bola.
Ao minuto 56 nasce o lance mais genial do jogo. Messi colocou todo o seu talento em campo e viu o poste negar-lhe um golo divinal.
O jogo mudou totalmente de cara a partir do minuto 65, com a saída, por lesão, do capitão do Valência CF. Dani Parejo foi substituído, o FC Barcelona cresceu no jogo e os “Ché” começaram cada vez mais a reduzir as suas ações ao seu próprio meio-campo.
Ao minuto 71, Marcelino optou por fechar ainda mais a sua equipa. Retirou Gameiro, lançou Piccini e viu a sua equipa ser castigada com um golo. Na sequência de um canto, o central Lenglet cabeceou para uma grande defesa de Domènech e a bola sobrou para Messi finalizar. Vinte minutos para jogar e o FC Barcelona a reduzir para 2-1.
Até ao minuto 90 só deu Barcelona. Já com três defesas e Piqué como ponta de lança, a equipa catalã foi tentando chegar ao golo, mas sem sucesso. O Valência limitou-se a lutar e a defender o resultado, mas ainda viu o Gonçalo Guedes, já ao encerrar do jogo, desperdiçar duas oportunidades claras para sentenciar o resultado.
Meias-finais da Liga Europa, 4º lugar, acesso à Champions e a conquista da Taça do Rei. Uma excelente época para um novo Valência Fonte: Valência CF
Esta Final marcou o término da temporada 2018-19. Uma época onde, apesar de campeão, o FC Barcelona acaba em depressão e onde, apesar do mau arranque, o Valência CF termina em grande, renascido das cinzas.
Meias-finais da Liga Europa, 4º lugar, acesso à Champions e a conquista da Taça do Rei. Uma excelente época para um novo Valência.
Onzes Iniciais e Substituições:
FC Barcelona: Cillessen, N. Semedo (Malcom 45′), Piqué, Lenglet, J. Alba, Busquets, Arthur (A. Vidal 45′), Rakitic (C. Alena 77′), S. Roberto, Coutinho e Messi
Valência CF: Domènech, D. Wass, Garay, G. Paulista, Gayà, Coquelin, Parejo (Kondogbia 65′), Soler, G. Guedes, Rodrigo (Diakhaby 88′) e K. Gameiro (Piccini 71′)