Início Site Página 10603

Rio Ave FC-FC Porto: Sem margem para erros

0

A quatro jornadas do final do campeonato, o FC Porto mede forças com o Rio Ave FC, atual oitavo classificado. É mais uma deslocação, a penúltima esta temporada, mas a exigência é a mesma: a máxima. De um lado estará a equipa de Daniel Ramos que, depois de uma época controversa, atravessa uma das fases mais tranquilas.

Sérgio Conceição mantém o discurso de que a equipa tem apenas de estar focada e concentrada nos próprios jogos, mas em boa verdade as coisas não são assim tão lineares. É certo que o FC Porto precisa de vencer todos os jogos, mas também é certo que isso pode não ser suficiente, caso o SL Benfica não perca pontos.

Esta sexta-feira diante do Rio Ave FC, o treinador portista antevê dificuldades, consciente que a equipa de Vila do Conde está mais forte desde a chegada do treinador Daniel Ramos. Do outro lado, o técnico dos vilacondenses admitiu que a “luta pelo título” lhe passa ao lado, atirando a pressão para o lado dos dragões.

O apoio dos adeptos será fundamental nesta reta final
Fonte: FC Porto

O FC Porto chega a esta fase com seis vitórias consecutivas, já o Rio Ave FC soma três vitórias nos últimos seis jogos.

O favoritismo está do lado dos dragões, mas o fator casa pode ser preponderante. Em 49 jogos na I Liga, o Rio Ave apenas venceu dois jogos, com o último a ter acontecido em 2004… Já o FC Porto diante do Rio Ave FC já somou 35 vitórias.

Esta temporada, as duas equipas já mediram forças, na primeira volta, com o FC Porto a levar a melhor e a vencer por 2-1, com Brahimi, Marega e Vinícius a serem os autores dos golos.

Foto de Capa: Diogo Cardoso / Bola na Rede

artigo revisto por: Ana Ferreira

A pequena relevância dos estaduais

Os maiores estaduais do país se encerraram essa semana e não tivemos grandes surpresas entre os campeões. Talvez a única “zebra” tenha ficado com a conquista inédita do Campeonato Sergipano pelo Frei Paulistano. Abaixo segue a lista dos campeões estaduais de 2019:

Campeonato Gaúcho: Grêmio

Campeonato Mineiro: Cruzeiro

Campeonato Brasiliense: Gama

Campeonato Carioca: Flamengo

Campeonato Paulista: Corinthians

Campeonato Baiano: Bahia

Campeonato Cearense: Fortaleza

Campeonato Catarinense: Avaí

Campeonato Paranaense: Atlhetico

Campeonato Goiano: Atlético-GO

Campeonato Pernambucano: Sport

Campeonato Alagoano: CSA

Campeonato Mato-grossense: Cuiabá

Campeonato Paraense: Remo

Campeonato Sergipano: Frei Paulistano

Campeonato Paraibano: Botafogo-PB

O estadual sempre foi motivo de discussão no Brasil. Alguns o consideram importante, outros que não valem nada. Ao meu ver nem um lado e nem o outro estão totalmente errados como não estão totalmente certos. Se fosse para definir em uma palavra a conquista do estadual eu definiria como “legal”. Legal conquistá-lo, os jogadores, diretoria e torcedores devem comemorar mas sem grandes alardes. Pois de importância aquela conquista não tem nenhuma. Deve-se comemorar mais pela vitória em cima do seu maior rival do que por outro motivo. Talvez o maior benefício que o estadual possa trazer para um clube é mostra-lo as mazelas do elenco para o restante da temporada.

Contudo, se analisarmos de maneira geral os contras são maiores que os prós. Prova disso foi o que fez o Athlético Paranaense na temporada passada. A equipe jogou com os reservas o estadual e chegou na final da Sul-Americana, em dezembro, voando em campo. O time era o que mais rendia fisicamente no país e os titulares terem atuado menos vezes ao longo do ano propiciou esse bom rendimento, físico e técnico.

Fonte: Cruzeiro EC

O nível de relevância dos estaduais também não é muito alto. Afinal, qual importância na história de um clube como o Corinthians ou o Cruzeiro vencer um estadual?! O que muda um clube de patamar são as grandes conquistas nacionais e, principalmente, as internacionais. Isso serve para todos os grandes. Agora se um clube do interior ou de menor expressão vence o estadual aí é claro que é importante. Pois aquela conquista muda o clube de patamar e dá mais visibilidade. Não sou a favor do fim dos campeonatos estaduais. Mas creio que a sua formula de disputa precisa ser adequada e que a CBF estude alguma maneira de fazer isso. Talvez colocando os times que disputem as Séries A e B apenas na fase final. Enfim, algo precisa ser modificado para o bem do nível do nosso futebol. Atualmente, temos campeonatos longos, com muitos jogos com baixa presença de público e por muitas vezes deficitário.

Foto de capa: CBF

Os 5 melhores jogos do Sporting na UEFA Futsal Champions League

0

O Sporting Clube de Portugal disputa esta semana, pela terceira vez consecutiva, a “final-Four” da UEFA Futsal Champions League. Os tricampeões nacionais já se sagraram vice-campeões europeus por três vezes, sendo que é o título que vai faltando ao palmarés leonino. Na meia-final, os campeões nacionais irão defrontar os espanhóis do Inter Movistar, campeões em título. Na outra meia-final vão estar frente-a-frente o Barcelona e os cazaques do Kairat Almaty, os anfitriões desta “final-four”.

O Sporting já venceu dois troféus esta época, a Supertaça e a Taça de Portugal. Pela frente, os leões de Nuno Dias têm dois objetivos: vencer o inédito tetracampeonato e a UEFA Futsal Champions League. Para conquistar o sonho europeu, a equipa verde e branca terá de se apresentar ao seu melhor nível.

Com Esforço, Dedicação e Devoção, vai ser possível conquistar a Glória, sendo campeões europeus de futsal. “Queremos fazer do Sporting um clube tão grande como os maiores da Europa.” (José de Alvalade)

O novo fenómeno no ciclismo: Mathieu Van der Poel

Mathieu Van der Poel é o homem do momento no mundo do ciclismo, depois da extraordinária vitória na Amstel Gold Race no passado domingo. O jovem de 24 anos, da Corendon-Circus, equipa Pro Continental belga, tem ganho destaque com os seus recentes sucessos.

Por ser o seu primeiro ano a correr em provas WorldTour acaba por ser mais notória a sua presença no pelotão para os amantes da modalidade. No entanto, quando falamos de Mathieu Van der Poel, não falamos de um nome qualquer!

Ele é “só” o campeão mundial de ciclocrosse, o campeão holandês de ciclismo de estrada e o vice campeão europeu de ciclismo de estrada!

Este ano, entrou logo a vencer no Tour of Antalya, na Turquia, no seu primeiro dia de corrida em 2019. Mais tarde, em Março, ganhou o Grand Prix de Denain, uma clássica francesa. Já dentro das clássicas do Norte, na Bélgica, alcançou um quarto lugar na Gent-Wevelgem na sua primeira prova WorldTour e passados três dias ganhou a Dwars door Vlaanderen. Após quatro dias, correu o Tour de Flandres, que é uma das clássicas mais importantes do ano, terminando na quarta posição. Já pela França, no Circuit Cycliste Sarthe, ganhou a primeira etapa ao sprint, terminando no top dez da competição.

Nas últimas duas provas que disputou, acabou por alcançar a vitória. Na Flèche Brabançonne conseguiu bater Julian Alaphilippe ao sprint e assim conquistar mais uma clássica belga. Na Amstel Gold Race, já em casa, no seu país, conquistou o seu principal objetivo do ano, em ciclismo de estrada.

A vitória na Amstel vai ficar nos melhores momentos do ano com toda a certeza. Depois de ter estado com mais de cinquenta segundos de atraso em relação ao grupo da frente quando já faltavam relativamente poucos quilómetros, o holandês nunca desistiu, foi quem liderou a perseguição, o seu grupo apareceu do nada e colou nos 400 metros finais, onde finalmente alcançou o duo da frente ( Alaphilippe e Fuglsang), depois ainda teve pernas para responder e ultrapassar os homens da frente com um sprint explosivo. Foi uma vitória para recordar, um verdadeiro hino ao ciclismo. Provavelmente esta terá sido a maior vitória da sua carreira até ao momento.

Van der Poel no final referiu que tentou sprintar de longe com o intuito de conseguir um lugar honroso ou até mesmo fazer um pódio, visto que se sentia ainda em boas condições. Com os líderes ainda uns bons metros à frente procurou surpreendê-los de longe. O vento pelas costas, na opinião do holandês foi um fator crucial na sua vitória, visto que ajudou na velocidade do seu sprint até à meta.

“Winning the Amstel Gold Race as a debutant? I have no words for it.” Disse Van der Poel no final, ele que ganhou a prova na sua estreia.

Van der Poel, vencedor da Amstel 2019, no pódio com Simon Clarke e Fuglsang
Fonte: Amstel Gold Race

O nome Van der Poel já tem muita história no mundo do ciclismo. O seu pai Adrie Van der Poel já tinha ganho a Amstel há 29 anos atrás. A chegada foi idêntica à do filho, com um grupo de dez homens na frente, a grande diferença foi que o pai apenas teve que anular uma desvantagem de oito segundos para os ciclistas da frente, enquanto que o filho teve 40-50 segundos atrás dos dois da frente. Caso para dizer tal pai, tal filho!

Um dado curioso encontra-se relacionado com os calções de Van der Poel. Ele que usava calções pretos, tem optado por usar calções brancos para haver uma melhor distinção entre ele e Bob Jungels (campeão luxemburguês), visto que ambos são campeões do seu país e as cores do equipamento acabam por ser semelhantes. Os calções têm dado sorte…

Com a época das clássicas a acabar e visto que a Corendon não recebeu mais nenhum convite de participação, Van der Poel deverá estar ausente nos próximos tempos no ciclismo de estrada. Nunca descorando a sua participação nos campeonatos do Mundo e da Europa.

Com estas prestações, as equipas mais importantes do pelotão começam a abordar o campeão holandês, mas, no entanto, Van der Poel ainda tem contrato até 2023 com a Corendon-Circus. Sendo uma equipa Pro Continental, já tem portas abertas a muitas provas importantes, para além disso, talvez o fator mais importante, tem a oportunidade de correr no ciclocrosse também. Numa equipa do principal escalão seria complicado, os calendários são mais preenchidos, os dias de corrida são superiores e a exigência é outra.

Assim, a equipa da Corendon-Circus apresenta-se como uma boa oportunidade de se manter tanto no ciclocrosse (modalidade onde começou) como no ciclismo de estrada.

No entanto, Patrick Lefevere, general manager da Deceuninck-Quick-Step, acredita que no futuro, Van der Poel irá precisar de uma equipa para o defender nas partes finais da corrida, visto que agora o corredor holandês corre sem pressão e como um outsider mas caso seja olhado como um favorito à vitória, em cada corrida, a história passará a ser outra.

Com seis vitórias já alcançadas, Van der Poel é o terceiro ciclista a aparecer no ranking individual anual! Apenas atrás de Julian Alaphilippe (1.º) e de Fuglsang (2.º). Esta classificação é atribuída através da soma dos pontos individuais de cada ciclista, nas provas que realiza. Para termos  a noção, o outro ciclista que aparece na classificação, sem ser de equipas WorldTour, aparece na 39.ª posição, Guillaume Martin (Wanty-Groupe-Gobert).

Van der Poel já estabeleceu o objetivo de correr os Jogos Olímpicos de 2020 no Japão, com a intenção de ganhar uma medalha para a Holanda. Estamos na presença de um nome forte do ciclismo atual e muito provavelmente este é apenas o início das muitas conquistas que aí vêm!

 

 

Foto de Capa: Dwars Door Vlaanderen 

Amstel Gold Race: A festa do Ciclismo

0

Nos dias que antecederam a Amstel Gold Race já era possível perceber que algo iria acontecer no sul da Holanda. Nos pequenos hotéis espalhados pelas pequenas vilas em redor de Maastricht viam-se os carros e as caravanas das equipas.

Pelas subidas mais famosas, como o Cauberg, os nomes dos ciclistas já estavam inscritos na estrada. Perto de Valkenburg, a escassos quilómetros do local da chegada, em Vilt, cartazes gigantes com a figura de Mathieu Van der Poel tapavam as casas. O jovem ciclista holandês estava debaixo dos olhos de todos e era em quem todos os habitantes locais depositavam as suas esperanças.

Chegado o dia da corrida, Maastricht (local da partida simbólica), mais de duas horas antes da partida, a cidade estava quase deserta. Mas, à medida que nos íamos aproximando da praça central a música começava a fazer-se ouvir.

Palavras de apoio aos ciclistas cobriam a subida do Cauberg
Fonte: Ana Rita Nunes

A zona da partida, as grades, o palco, as tendas do merchandising, tudo estava pronto para receber os ciclistas. A hora da apresentação das equipas aproximava-se e as pessoas começavam a chegar-se ao palco e a rodear todas as barreiras junto ao local onde passariam os seus atletas favoritos. Eis que as equipas começaram a chegar para assinar o livro de ponto. Por entre as equipas mais desconhecidas iam surgindo os atletas de topo. A primeira equipa do World Tour a chegar foi a UAE que trouxe à Amstel ciclistas como Sergio Henao, o português, Rui Costa e Tadej Pogacar, vencedor da Volta ao Algarve.

A hora da partida aproximava-se e os grandes nomes do ciclismo mundial começaram a aparecer: Michael Valgren (vencedor da edição anterior), Matteo Trentin (campeão europeu), Jakob Fuglsang, Peter Sagan, Greg Van Avarmaet, Julien Alaphillippe, Philippe Gilbert (vencedor de várias edições da corrida), Alejandro Valverde (campeão mundial), Michal Kwiatkowski (ex-campeão mundial). Estes são apenas alguns daqueles que estiveram presentes, tendo em conta que o público teve o privilégio de ter contacto com um pelotão de luxo.

Julien Alaphillippe a dirigir-se ao palco sob o olhar atento do público
Fonte: Ana Rita Nunes

Pouco depois, os ciclistas alinharam para a partida e houve quem chegasse em cima da hora e não tivesse tempo para ir para o “fim da fila”. Uma situação caricata protagonizada por Peter Sagan e mais um par de ciclistas. A chegada tardia do ciclista da Bora parecia fazer prever a desastrosa prestação na corrida que se avizinhava. A estrela eslovaca viria a abandonar a corrida.

Dada a partida era hora de seguir para outra paragem. Sair pelo meio da multidão em direção á estação dos comboios não foi fácil. No comboio não cabia nem mais uma pessoa. Milhares de pessoas pela rua juntavam-se à festa do ciclismo que seguiu de Maastricht para Valkenburg.

Chegando à pequena cidade holandesa foi fácil perceber onde iriam passar os ciclistas. Centenas de pessoas concentravam-se pela cidade ao longo das ruas com bandeiras à espera de ver o pelotão passar. A seguir à curva, iniciava-se uma das mais famosas subidas: Cauberg. Para a primeira passagem do pelotão ficámos na base da subida. Olhando para cima, um mar de gente cobria a berma da estrada até perder de vista.

Local onde, antes do início da subida, as pessoas se posicionaram para ver os ciclistas
Fonte: Ana Rita Nunes

Depois de os ciclistas passarem, grande parte das pessoas iniciou a subida, na esperança de encontrar um lugar para assistir à segunda passagem no Cauberg. À passagem dos atletas, o entusiasmo do público fazia-se sentir de forma inacreditável. Era gente de todos os cantos do mundo a gritar pelos seus favoritos. T-shirts das equipas, chapéus tradicionais, bandeiras, cânticos, buzinas… Cada um apoiava à sua maneira.

No entanto, esta festa não acontecia apenas quando o pelotão masculino passava. A corrida feminina decorria em simultâneo e, quem esteve presente na zona da subida, teve a possibilidade de ver as três passagens do pelotão feminino pelo local. Para quem está habituado a outras andanças, assistir a tamanho entusiasmo pela corrida feminina foi deveras surpreendente.

Subir o Cauberg em direção à meta não foi tarefa fácil, principalmente com o calor que se fazia sentir. No entanto, a atmosfera festiva e de celebração ao longo do caminho atenuou o cansaço.

À medida em que surgia a placa do quilómetro final para a meta é que percebi a dimensão da reta. Dirigi-me para a marca dos 150 metros e, olhando para trás, a distância é realmente incrível.

No momento em que os ciclistas se aproximavam dos quilómetros finais, todo o público ouvia atentamente as voz do speaker que anunciava Julien Alaphillippe e Jakob Fuglsang como os fugitivos e, quando os dois surgiram no início da reta a emoção do público aumentou e, à medida que se aproximavam do local onde nos encontrávamos, o som das palmas das mãos a bater nos placards das grades era ensurdecedor.

Na altura em que os ciclistas passaram pelo local onde nos encontrávamos todos ficaram um pouco confusos pois os dois ciclistas não vinham sozinhos. Um grupo maior tinha-se juntado e, como estávamos a alguns metros da meta foi quase impossível decifrar quem teria sido o vencedor.

Quando toda a gente começou a festejar efusivamente, a abraçarem-se uns aos outros numa loucura total percebi que o vencedor teria certamente sido Mathieu Van der Poel. Um vencedor inesperado, e um momento desportivo para mais tarde recordar. Posso dizer que nunca tinha assistido a uma festa desportiva tão grande, no que diz respeito ao ciclismo. Sem dúvida que na Holanda, o ciclismo é vivido de forma diferente.

Local onde se viria a realizar a festa em honra do vencedor, que surge num cartaz gigante ao fundo
Fonte: Ana Rita Nunes

No caminho de volta a casa, a festa era em todo o lado. Por todo o lado viam-se bares e cafés com dezenas de pessoas na rua a festejar, a dançar, a cantar a vitória do ciclista holandês. Uma sensação incrível que todos os amantes de ciclismo deveriam ter a oportunidade de viver.

 

 

Foto de Capa: Ana Rita Nunes

 

 

Mais do mesmo

Na semana passada, Portugal encerrou a sua presença europeia com as eliminações de FC Porto da Liga dos Campeões e do SL Benfica da Liga Europa, ambos a sucumbirem nos quartos de final das suas respetivas provas. Se uns quartos de final são honrosos e adequados para as principais equipas portuguesas, tendo em conta o atual panorama desportivo europeu, a presença global não deixa de ter sido dececionante.

A participação portuguesa começou logo bastante mal com a eliminação de dois dos cinco representantes portugueses na Europa: o Rio Ave FC foi afastado pelo Jagiellonia Bialystok SSA e o SC Braga caiu por terra pelas mãos do FC Zorya. Os vilacondenses, que nem iam à Europa se o CD Aves, vencedor da Taça de Portugal, não tivesse tido problemas com a inscrição europeia, tiveram uma eliminatória muito equilibrada com o conjunto polaco, acabando por ver a sorte sorrir ao adversário.

Depois de uma derrota forasteira por 1-0, o Rio Ave FC, na altura de José Gomes, deu “show” nos Arcos, na segunda mão, mas acabou traído pelos constantes erros defensivos, que deitaram por terra as aspirações de passagem. A segunda mão terminou com um 4-4, o que fez com que o Rio Ave FC fosse eliminado por um adversário que acabou por ser inferior no cômputo geral da eliminatória.

Já o caso do SC Braga ainda foi mais gritante. Com um estatuto europeu consolidado nas últimas décadas, os minhotos empataram os dois jogos, acabando traídos pelo número de golos fora (1-1 na Ucrânia, 2-2 em Portugal). Nas duas mãos, ficaram provadas as limitações do conjunto do Leste Europeu, mas a equipa Portuguesa “facilitou” e acabou eliminada. Dois “KO`s” ainda antes da fase de grupos, o que também é habitual, porque raramente Portugal consegue ter todos os seus representantes na fase de grupos. Assim, Portugal ficou entregue aos três grandes.

A precoce eliminação bracarense foi um dos choques da temporada europeia portuguesa
Fonte: SC Braga

O Sporting CP entrou direto na fase de grupos da Liga Europa e não deixou o Futebol português mal visto. Grande favorito a passar, juntamente com o Arsenal FC, os leões fizeram jus ao seu estofo e não deram hipótese ao Qarabağ FK, do Azerbaijão, nem ao FC Vorskla, da Ucrânia.

No entanto, fica a sensação que poderiam ter feito mais, já que acabaram eliminados nos 16 avos de final, pelo “aflito” Villarreal CF. Na altura dos confrontos, os espanhóis estavam mergulhados na zona de despromoção da Liga Espanhola com uma série tremenda sem vitórias. No entanto, ganharam vida após eliminarem o Sporting CP (vitória por 1-0 em Alvalade e empate a 1 em Espanha).

Manchester United FC 0-2 Manchester City FC: Tudo fácil para Bernardo e companhia

A jornada de hoje era um verdadeiro pesadelo para os adeptos do Manchester United FC. Em plena reta final da Premier League, o Manchester City FC visitava Old Trafford para tentar ultrapassar o Liverpool FC, que está em primeiro lugar, com mais dois pontos mas um partida a mais que a equipa de Pep Guardiola. Os red devils estavam entre a espada e a parede: vencer o derby e ajudar o histórico rival a conquistar um título inédito no século XXI ou perder para o rival citadino?

Com o jogo da Liga dos Campeões ainda em vista, os homens de Ole Gunnar Solskjaer ignoraram o contexto exterior. Mas esta partida foi curiosa. Há onze anos, o Manchester United de Alex Ferguson e Cristiano Ronaldo caminhava para a época em que ganharia a Liga dos Campeões e a Premier League. Hoje, no relvado do Teatro dos Sonhos, víamos os jogadores de vermelho amedrontados pelo adversário. A verdade é que os homens de azul-bebé eram, pura e simplesmente, a melhor equipa. Não houve goleada, não houve domínio absoluto, mas toda a mística que envolveu este jogo sugeriu a clara superioridade do Manchester City.

Sané atira para o segundo golo
Fonte: Premier League

Isto viu-se desde a batalha do meio campo, em que Paul Pogba foi constantemente engolido, à ação defensiva do United, onde até Jesse Lingard teve de ajudar. Os homens de Solskjaer ainda se mantiveram firmes até ao fim da primeira parte, que acabou 0-0. Mas após a saída dos balneários os homens do City abriram o livro. Bernardo Silva, um jogador com uma magia que não se vê no United, pegou na bola à entrada da grande área, manteve-a junto ao pé esquerdo e, enganando Phil Jones, desferiu um remate para o poste interior de David de Gea, que não teve mãos para lá chegar.  Aguero, um minuto depois, quase fazia o 2-0, que surgiu com naturalidade ao minuto 66. Sterling pegou na bola, correu 30 metros sem oposição deu para Leroy Sané, que rematou a partir da esquerda e ampliou a vitória do City.

Foi, para estranheza (mas não surpresa) de muitos, um jogo sem história. Ganhou a melhor equipa. Sterling, Bernardo Silva, Sané e Aguero fizeram o que quiseram na frente de ataque, e lançaram a sua equipa na frente do campeonato, que, a quatro jornadas do fim, parece mais favorável que nunca aos homens do Etihad Stadium. Já o Manchester United somou a sua sétima derrota nos últimos nove jogos, e aquele início fantástico de Solskjaer é agora uma memória longínqua.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Manchester United FC: D. De Gea; A. Young; M. Darmian (A. Sanchéz 83’); V. Lindelof; C. Smalling; L. Shaw; Fred; P. Pogba; A. Pereira (R. Lukaku 72’); J. Lingard (A. Martial 83’); M. Rashford.

Manchester City FC: Ederson; K. Walker; V. Kompany; A. Laporte; O. Zinchenko; Fernandinho (L. Sané 51’); I. Gundogan; D. Silva; B. Silva; R. Sterling; K. Aguero.

Jovens portistas querem conquistar a Europa!

0

No próximo dia 26 de Abril os sub-19 do FC Porto vão defrontar o TSG Hoffenheim nas meias-finais da UEFA Youth League. Depois de um percurso excecional ao longo de toda a prova, com apenas uma derrota nos oito jogos disputados, os jovens talentos portistas irão tentar fazer historia e conquistar um título que o clube tem perseguido nas últimas épocas.

Com os reforços Diogo Costa, Diego Leite, Diogo Queirós, Romário Baró e João Mário a equipa do FC Porto é fortíssima e acredito que pode conquistar o título. A rotina destes jogadores na equipa B portista, onde a intensidade é mais elevada, é uma tremenda mais-valia. Estes jogadores juntamente, com outros bons talentos, como Tomas Esteves, Fábio Vieira ou Angel Torres, formam um onze que pode tornar o FC Porto campeão europeu no escalão de sub-19.

Se o FC Porto eliminar os alemães do TSG Hoffenheim nas meias-finais vai encontrar na final, de dia 29 de abril, o vencedor do encontro entre o FC Barcelona e o Chelsea FC. Se tivesse que apostar diria que a final entre FC Porto e FC Barcelona (atual detentor do titulo), é a mais provável. Seria uma final fantástica mas duríssima para os azuis e brancos, visto que os catalães são muito talentosos e possuem, talvez, a melhor equipa da europa neste escalão.

Romário Baró é uma das estrelas dos dragões
Fonte: FC Porto

Relembrando o percurso do FC Porto, na fase de grupos alcançou o primeiro lugar com quatro vitórias, um empate e uma derrota. A derrota aconteceu na Rússia, frente ao Lokomotiv Moscovo. Nos oitavos-de-final, uma vitória por 2-0 frente aos ingleses do Tottenham Hotspur. Nos quartos-de-final mais uma vitória categórica por 3-0 diante dos dinamarqueses do FC Midtjylland.

Na época passada o FC Porto também atingiu as meias-finais, onde foi eliminado na marcação de grandes penalidades pelo Chelsea FC. Duas épocas consecutivas de grande sucesso na Europa dos jovens portistas. Pena é que não sejam mais aproveitados na equipa principal do FC Porto porque talento é coisa que não falta no Olival.

Espero que estas prestações possam servir para que a estrutura do FC Porto acredite mais no potencial destes jovens e as apostas sejam em maior número e de forma mais consistente. Além do lado desportivo, o retorno financeiro é uma vertente que nunca pode ser descorada. Basta ver os exemplos de André Silva, Rúben Neves e Dalot, que ajudaram o clube a melhorar de forma significativa as suas contas.

Foto de capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

O que falta do campeonato: jogo em Braga e a luta com o Porto

0

Depois da goleada por 6-0 ao CS Marítimo, restam quatro jogos – “finais” – para terminar mais uma edição do Campeonato. A saber:

  • Jornada 31: SC Braga (4º Lugar) | 28 de abril (Fora)
  • Jornada 32: Portimonense SC (12º Lugar) | 4 de maio (Casa)
  • Jornada 33: Rio Ave FC (8º Lugar) | 12 de maio (Fora)
  • Jornada 34: CD Santa Clara (9º Lugar) | 19 de maio (Casa)

Em resumo, são dois jogos em casa e outros tantos fora. Adversários complicados, com maior destaque para o Braga. E já neste fim de semana! Há quem diga que é uma partida decisiva para a possível conquista do campeonato. Sem dúvida que é!

Antes de abordar esse jogo em concreto, é importante realçar que, na luta pelo título, tudo conta! O mais pequeno deslize pode simbolizar o adeus definitivo. Tanto para SL Benfica como para FC Porto. Uma coisa é certa: uma destas equipas vai se sagrar campeã. Quem será? Essa é a principal dúvida e um motivo de ansiedade tremendo para os dois lados.

O jogo em Braga é o mais importante de todos. Não só por ser o adversário que está melhor classificado, mas por ser um ambiente tradicionalmente difícil de se jogar. Os restantes, em termos de tabela, têm a permanência praticamente assegurada, apesar da descida do Portimonense ao 12º posto. Isto não quer dizer que se espera facilidades. Muito pelo contrário! Com a vontade em garantir a permanência, estas equipas farão de tudo para alcançar o maior número de pontos e os jogos com os ditos grandes não são exceções.

Cervi, Rúben Dias e João Félix são três das muitas armas de arremesso que o Benfica tem para lutar pelo 37º campeonato
Fonte: SL Benfica

Além do jogo com o Braga, outro grande momento crucial do resto da temporada passa por manter a fasquia intacta perante o adversário mais direto, o Porto. A luta pelo desejado troféu é feita a dois, pelo que é de evitar grandes escorregadelas de parte a parte.

Esta é a altura certa para concentrar todas as forças e apresentar um plantel ao mais alto nível. Todos são importantes e contam para a reta final de mais uma emocionante edição do campeonato.

Restam, por isso, quatro jogos e a contenda não poderia estar mais equilibrada. As duas equipas têm conseguido vencer as batalhas das últimas jornadas. No entanto, só uma pode vencer a guerra: Benfica ou FC Porto. Dentro de um mês, todas as dúvidas serão esclarecidas e um novo campeão será coroado.

Foto de Capa: SL Benfica

«O Clube lá da Terra»: GD Alcochetense

0

cab reportagem bola na rede

Já com 82 anos de vida, o Grupo Desportivo Alcochetense é um dos clubes mais emblemáticos da AF Setúbal, mas passou por grandes dificuldades financeiras e organizativas durante metade desta década. Acompanhados pelo presidente Nuno Reis, fomos descobrir como é que os verde-e-brancos recuperam de uma crise que afastou a vila do clube, a formação como tábua de salvação em tempos difíceis e a aposta nas modalidades como forma de aproximar as pessoas do clube. Eis a quarta edição de “O Clube lá da Terra”.

O Estádio António Almeida Correia – com a fachada renovada esta época – é a casa do GD Alcochetense desde 1993
Fonte: Fábio Boavida / Bola na Rede

“O clube tinha um passivo muito acima daquilo que um clube como o Alcochetense pode suportar, ou seja, na maior parte das situações, seria suficiente para fazer o clube fechar portas.”

Bola na Rede (BnR): Há quantos anos acompanha o GDA?

Nuno Reis (NR): Desde os meus seis, sete anos. Sou de Alcochete e vinha ao campo antigo (atual campo de treinos). O meu irmão mais velho jogou aqui, eu também passei pela escola de formação do Alcochetense e o meu irmão mais novo também jogou cá. O meu avô e o meu tio também eram do Alcochetense, por isso, faz parte da minha vida desde criança.

BnR: Como estava o clube quando entrou em 2016?

NR: O clube passou por grandes dificuldades nos últimos anos, quer a nível financeiro, quer a outro nível: Os sócios e simpatizantes estiveram de costas voltadas para o clube . Nós entrámos e encontrámos uma situação complexa de gerir.

À frente do GDA desde 2016, a direção liderada por Nuno Reis teve de resolver complicados problemas financeiros para manter o clube em atividade
Fonte: Fábio Boavida / Bola na Rede

BnR: Como surgiu a oportunidade de chegar à direção do clube?

NR: Tinha um colega na anterior direção – o atual vice-presidente – que saiu por discordar das atitudes da antiga direção. Na altura pus aqui na formação o meu filho mais novo e voltei a estar envolvido na vida do clube e percebi que o clube não estava numa situação favorável e que havia aqui alguns riscos. O clube tinha um passivo muito acima daquilo que um clube como o Alcochetense pode suportar, ou seja, na maior parte das situações, seria suficiente para fazer o clube fechar portas. Mas havia uma nuance: a dívida estava centrada em dois ex-presidentes (Carlos Cortes e Orlando Carvalho) e isso permitiu-nos avançar mesmo com as condições adversas.

BnR: Qual foi o principal objetivo quando agarraram no Alcochetense?

NR: Tínhamos dois objetivos principais, a parte financeira: tornar o clube sustentável e ir no sentido de resolver alguns problemas financeiros do passado. Neste momento não estão todos resolvidos, mas já se conseguiram grandes avanços nesse sentido. Outro dos grandes objetivos era a recuperação do património do clube, porque estava muito degradado – e ainda não está nas condições que pretendíamos.

Estamos a falar do estádio, da sede, que continua fechada apesar de ser um dos nossos objetivos a sua reabertura, mas infelizmente o clube continua a viver com limitações financeiras e até solicitámos à autarquia que nos facultasse um espaço nesse sentido, com o objetivo de reaproximar os sócios do clube. Outro objetivo era a aposta no futebol de formação, porque um clube da dimensão do Alcochetense depende muito daquilo que vai ser gerado na formação, porque é um clube com pouca capacidade de criar receita, há pouco apoio das empresas do concelho e o Alcochetense está sempre dependente da ajuda da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia.

Infelizmente, o futebol de formação encontrava-se numa situação provavelmente mais grave que a situação financeira, porque não havia uma política coerente e andava-se muito aos zigue-zagues, as pessoas viviam em função das pressões dos pais e havia situações em que pais mandavam em escalões. Estamos a viver com as dificuldades que vinham de trás, mas estamos num bom caminho e este ano apresentámos uma candidatura para a escola de formação da Federação Portuguesa de Futebol e o Alcochetense virá a ser uma escola de formação de quatro estrelas, o que nos deixa extremamente orgulhosos.

Em atividade de 1937, o Alcochetense esteve perto de ser mais um histórico da Margem Sul a desaparecer, como aconteceu com o CD Montijo em 2006
Fonte: Fábio Boavida / Bola na Rede