O futebol português é propício a descobrir talento jovem, sendo a nossa Primeira Liga mundialmente conhecida como um “viveiro” de qualidade e com jogadores a saírem para os maiores palcos internacionais.
A verdade é que nem sempre estes jogadores se encontram nos ditos “grandes”, sendo que, por vezes, nunca por lá chegam a passar.
Os clubes com menor dimensão também têm a capacidade de encontrar e potenciar talento jovem (o CD Santa Clara que o diga) e isso muitas vezes é esquecido.
Seguem assim os cinco jogadores sub-23 em destaque neste início de campeonato.
HORA DA ESTREIA DO PODCAST “FORA DO RINGUE” SOBRE
A ATUALIDADE DA WWE E DO MUNDO DO WRESTLING!
É dia de estreia de mais um programa com a marca “Bola na Rede”, desta vez, o Fora do Ringue. Na estreia, fazemos o rescaldo do WWE Survivor Series e analisamos as implicações futuras do evento nos próximos tempos da WWE.
Com os comentários do Afonso Viana Santos e do André Conde. Podes também ler o rescaldo do evento, escrito aqui no site, neste LINK.
Fica com a estreia deste podcast, que está disponível no Spotify, bem como em todas as plataformas habituais.
Em Szczecin, na Polónia, fala-se com sotaque do Porto. Luís Mata foi o responsável por levar para o balneário do MKS Pogon Szczecin a pronúncia do norte. Mesmo tendo estado no banco num jogo da Liga dos Campeões frente ao Liverpool, nunca foi lançado por Sérgio Conceição. Terminou a ligação de 14 anos com o Porto quando a equipa B, da qual era capitão, começou a ser curta para as suas ambições.Aos 24 anos, está confortável na Liga Polaca, mas espera experimentar as temperaturas mais amenas de outros campeonatos. Admite desejar que o FC Porto seja campeão com dragões da sua ninhada como Diogo Costa, Fábio Vieira, Vitinha ou João Mário.
– Cresce o jogador, cresce o clube –
«Em termos de condições, o Pogon vai ficar ao nível do Porto» Luís Mata
Bola na Rede: É o teu segundo ano na Polónia. Já te sentes em casa?
Luís Mata: Sinto-me bastante bem e completamente adaptado. A equipa técnica recebeu-me muito bem. Os primeiros seis meses foram de adaptação a uma língua, cultura e clima diferentes. Não sinto que esteja distante de Portugal, porque tenho um colega que fala português, o Luka Zahovic e, no ano passado, tive também o Tomás Podstawski. Ajuda teres pessoas que falam a tua língua. No clube, toda a gente fala inglês, o que facilita a integração. O polaco é mesmo uma língua muito complexa. Posso-te dar um exemplo, a primeira vez que saí na capa de um jornal o meu nome aparecia “Luisa Maty”, porque eles têm oito tempos verbais que mudam o nome das pessoas. Perguntei aos meus colegas e eles disseram-me que era mesmo assim. Em relação ao clima, cheguei a jogar com neve. Sentem-se temperaturas negativas que, em Portugal, são raras.
Bola na Rede: Foi devido a essas dificuldades iniciais que chegaste a rodar na equipa B do Pogon?
Luís Mata: Exatamente. De março a dezembro, praticamente não tive jogos, porque o campeonato da Segunda Liga, onde jogava pelo Porto B, parou. Até dezembro, tinha três jogos e só num é que joguei de início. Cheguei à Polónia no dia 1 de agosto e começo a fazer a pré-época. Passado alguns treinos, tive uma lesão e só recupero em setembro. Quando estou a voltar, a equipa teve que ficar 15 dias em casa por causa da pandemia. Saímos desse isolamento quase em outubro, ou seja, já tinha passado quase dois meses na Polónia e nem um jogo amigável tinha feito. Quando começo a treinar, a equipa já estava com mais ritmo do que eu e acabo por fazer dois jogos pela equipa B. No início de novembro, já vou começando a ter minutos. A minha primeira oportunidade a titular é no primeiro jogo de dezembro, em que acabo por me lesionar. A partir de janeiro, comecei a jogar, fui sempre titular e fiz os jogos quase todos. Desde aí, até ao início desta época, tenho jogado sempre. Foi um período muito complicado. Sentia que tinha qualidade para jogar, mas há coisas que acontecem no futebol que não podem ser controladas. Foi um período difícil, mas que me fez crescer. A tua parte mental aí também é muito importante. Se me tenho deixado ir abaixo, podia não estar com a quantidade e qualidade de jogos que tenho agora. A parte mental é uma das coisas mais importantes num jogador de futebol. Aqui jogamos sempre com estádios cheios, com adeptos com muita exigência, que na equipa B do Porto não tinha, e que me fez evoluir muito.
Bola na Rede: Fizeste trabalho com psicólogo?
Luís Mata: Concordo que é muito importante para o jogador de futebol trabalhar com psicólogos, mas, por acaso, não. Falei mais com amigos e família.
🥳 24. urodziny świętuje dziś lewy obrońca Pogoni Szczecin – Luis Mata!
Sto lat, Luis! Życzymy zdrowia, spełnienia marzeń i sukcesów w granatowo-bordowych barwach! 🎂 pic.twitter.com/Jr2PG0AEOZ
Luís Mata: Antes de vires, tens sempre dúvidas. Foi algo muito bem pensado. O Pogon superou as minhas expectativas, pois sinto que estou num clube muito estável. É um clube muito tranquilo em termos de resultados e em termos financeiros. Não me preocupo com assuntos externos ao futebol. É um projeto que está a crescer muito bem na Polónia. Em termos de infraestruturas, o estádio está a acabar de ser construído e vai ficar lindíssimo. Temos um centro de treinos novo com quatro ou cinco campos. Temos bons ginásios. Em termos de condições, o Pogon vai ficar ao nível do Porto quando as obras acabarem. Já conhecia a qualidade dos jogadores e dos treinadores, porque falei com o Tomás Podstawski antes de vir. O objetivo do clube é ser um dos melhores da Polónia e apurar-se para as competições europeias. Temos uma excelente equipa. No ano passado, ficámos em terceiro lugar e podíamos ter ficado melhor não fosse nos últimos jogos termos feito poucos pontos. Por que não tentarmos o segundo ou mesmo o primeiro lugar este ano? Podemos perfeitamente jogar competições europeias para o ano, embora esta época não nos tenhamos conseguido qualificar para a Conference League. Faz parte do processo de um clube em crescimento. O campeonato polaco é muito competitivo e tem muitos portugueses.
Bola na Rede: É especial defrontar portugueses?
Luís Mata: É sempre especial, porque estás na Polónia, a muitos quilómetros de casa, e é bom competires contra eles. Cada vez há mais jogadores portugueses a virem para aqui e a acrescentarem muita qualidade ao campeonato, pois Portugal é uma das potências mundiais do futebol. Alguns desses jogadores chegaram a jogar comigo nas seleções nacionais jovens e mesmo no Porto.
Bola na Rede: A evolução do clube é suficientemente cativante para prolongares a tua ligação?
Luís Mata: Penso muito no presente. Apesar de ter ofertas de clubes da Primeira Liga, optei por não ficar em Portugal devido às condições que temos aqui. Joguei no Porto e também sei quais são as condições do Sporting, do Benfica, do Braga, mas as equipas mais do fundo da tabela não têm condições nem parecidas com as do Pogon. Algo que o campeonato polaco tem de muito superior ao futebol português é que jogamos sempre com os estádios cheios, o que te faz gostar mais do futebol, porque jogas para as pessoas. Estou muito feliz aqui, mas, com o campeonato que estou a fazer, por que não ir para uma liga ainda melhor? Confio muito nas minhas capacidades.
Bola na Rede: O contrato de três anos demonstra também uma aposta tua no clube?
Luís Mata: Foi o período certo. O primeiro ano é sempre uma incógnita para ver como te vais adaptar. No segundo ano, já te sentes confortável para te afirmares. O último ano de contrato é sempre estranho para todos, porque o jogador pode assinar por outra equipa e o clube pode não te pôr a jogar tanto tempo por querer apostar noutros. O contrato é de três anos, mas pode ser de dois ou pode ser de mais. Se eu e o Pogon estivermos de acordo que o melhor para o clube e para mim é eu sair e ajudar o clube na parte financeira, por que não sair? Também estou muito feliz aqui caso a opção seja ficar. É continuar o trabalho aqui e, no final do ano, vejo se continuo ou vou para um campeonato melhor.
Não há outra maneira de explicar, nos últimos anos tenho estado viciado no jogo FIFA, apesar de o jogar há décadas, nos últimos anos fazia parte do meu quotidiano, era raro passar um dia sem jogar um jogo.
Organizava os meus fins de semana de forma a competir na FUT Champions a horas onde o servidor estivesse o mais livre possível de forma a não ser prejudicado. Inclusive, chegava ao ponto de, caso soubesse que iria passar um fim de semana longe da minha consola, fazia os trinta jogos na sexta-feira.
Era um vício, mas apelava à minha competitividade e gosto por gaming. Este ano, tudo mudou…
Ao contrário dos outros anos, a jogabilidade do jogo estava melhor, o fator sorte, embora existente, como sempre, parecia reduzido.
O jogo, muito à minha medida, estava mais perto de um simulador de futebol do que de um jogo de arcada, com o mínimo de real. Sim, como sempre havia situações e bugs absurdos, como qualquer jogo.
Por exemplo, o Elder Scrolls V, que foi recebido de forma carinhosa por fãs e críticos, era notório por todos os seus bugs, nomeadamente a física quando em cima do cavalo, onde se subia a montanha mais íngreme sem grande problema.
Este FIFA 22 parecia ter resolvido alguns problemas de anos anteriores, tanto na jogabilidade como nas recompensas, com a FUT Champions este ano a ter muito melhores recompensas, para não falar de um playoff de qualificação que tornava a competição mais intensa.
Contudo, este ano, o jogo “morreu” com dois meses de vida, isto se considerarmos o pré acesso, caso contrário nem dois meses tem.
Porque que digo tal coisa? Muito simples, basta olhar para o mercado, vamos pegar no exemplo da carta de Neymar.
Um jogador meta com boas ligações de química, e cujos atributos se mantiveram muito semelhantes a edição anterior do jogo, e a par de Cristiano Ronaldo e Mbappe, a melhor carta de ouro do jogo (o facto de Messi não estar incluído nas melhores cartas do jogo é outra atrocidade).
Vamos ver qual era o preço da carta de Neymar no mercado do FIFA 21 nesta mesma altura do ano. Continua connosco na próxima página.
A CRÓNICA: “MORTE NA PRAIA” ADIA DECISÃO PARA ÚLTIMA JORNADA
Quintas-feiras são sinónimo de Liga Europa e o MCH Arena foi o palco de batalha entre o FC Midtjylland e o SC Braga: lobos contra guerreiros. Será o rugido dinamarquês mais forte do que a espada lusitana?
Para falar a verdade, o seu rugido ouviu-se alto e bom som. Muito agressivo, o lobo entrou com fome e acabou por morder a presa no primeiro minuto da partida, depois de uma “salganhada” na área bracarense. O FC Midtjylland tinha assumido a liderança no marcador e os minhotos não estavam a ter uma vida fácil.
Constatava-se um jogo físico com muitos duelos e pouco movimento nas zonas de finalização. Quarenta minutos passados e o SC Braga ainda não tinha conseguido encontrar a baliza, ou pelo menos, proporcionar um momento de perigo. A estratégia dinamarquesa estava a superar e anular toda a estratégia de Carlos Carvalhal. Porém, à porta do intervalo, quando a fé não era muita, o capitão Ricardo Horta empata a partida e abre uma janela: a da esperança. Hora do descanso e quinze minutos fundamentais para efetuar alterações táticas – algo urgente, tendo em conta o que se observava.
Retoma a partida e retoma o sucesso tático dinamarquês com um golo prematuro de Gustav Isaken que aproveitou a desconcentração e a apatia defensiva minhota. Wenderson Galeno ainda responde com um belíssimo remate, mas a bola vai direta ao ferro e mantém-se o mesmo resultado (2-1).
Inacreditável o que se passou aos 66 minutos. Que perdida de Gustav Isaksen! Arriscou no difícil com classe e subtileza, mas na hora de atirar, rematou forte à trave de baliza aberta, dando uma vida extra ao SC Braga. Uma segunda (ou terceira) oportunidade que a equipa parecia recusar, mas, aos 84´, Galeno aceitou de mãos abertas e faz o 2-2 com toda a elegância do mundo. Fora de área, bola na trave e (desta vez) entra.
Contudo, depois de tanta luta, o SC Braga “morre na praia”. Depois de uma entrada desnecessária e pouquíssimo profissional, Diogo Leite deita tudo a perder e concede grande penalidade à equipa dinamarquesa. Adianta-se Evander para a cobrança e, com Tiago Sá nos olhos, marca e é o herói da partida nos últimos minutos de jogo. Nesta sequência, o SC Braga sai de Dinamarca derrotado e deixa a derradeira decisão para a última jornada da Liga Europa, diante do FK Estrela Vermelha.
Evander (FC Midtylland) – O resultado esteve literalmente nos seus pés. Com um penálti bem concretizado, determinou o desfecho final da partida e deu a vitória à equipa dinamarquesa. Além disso, durante os 90 minutos, foi preponderante no esquema ofensivo do FC Midtylland ao criar boas oportunidades. Um jogo muito positivo do número 10 do clube, o herói.
O FORA DE JOGO
O jovem central nunca foi aposta a longo-prazo para Sérgio Conceição e segue agora para os Guerreiros do Minho por empréstimo com opção de compra. Fonte: Isabel Silva / Bola na Rede
Diogo Leite (SC Braga) – Individualmente, Diogo Leite é, para mim, o “fora de jogo” pela entrada imprudente na reta final, mas a pura verdade é que toda a defesa minhota podia estar, de igual forma, nesta categoria pela sua apatia e desconcentração em inúmeros momentos de jogo. Aliás, todos os três golos foram resultado do fracasso defensivo. Um jogo para esquecer da defensiva minhota, no qual Diogo Leite brinda o FC Midjylland com um penálti (que deu golo), já para lá dos 90 minutos.
ANÁLISE TÁTICA – FC MIDTJYLLAND
Na penúltima jornada do grupo F da Liga Europa, o FC Midtylland de Bo Henriksen lança a equipa num 3-4-3para o confronto caseiro com o SC Braga.
Entraram com uma ideia e executaram-na perfeição: impor o seu jogo físico, ganhar duelos e segundas bolas; pressionar bem, forte e agressivo e dificultar a saída e construção do adversário, impedindo a chegada bracarense a zonas de perigo. Ou seja, deixar o Braga completamente perdido sem soluções, sem saber o que fazer. E a verdade é que se não fosse pelo golo de Ricardo Horta, tinham concluído uma primeira parte perfeita.
Repetiu-se o mesmo cenário da primeira parte com uma entrada muito bem conseguida, dilatando a vantagem. No momento ofensivo, ainda se verificou uma descida dos laterais (em certo momento) para se juntarem à linha de três e garantirem mais segurança à equipa, que, sem bola, jogava em 5-4-1.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Jonas Lossl (6)
Juninho (6)
Erik Sviatchenko (7)
Henrik Dalsgaard (7)
Paulinho (6)
Evander (8)
Raphael Onyedika (6)
Joel Andersson (7)
Pione Sisto (6)
Júnior Brumado (7)
Gustav Isaksen (7)
SUBS UTILIZADOS
Jens Cajuste (-)
Charles (6)
Nicolas Dyhr (6)
Victor Lind (-)
ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA
Num sistema tático clássico de 4-3-3, o SC Braga de Carlos Carvalhal enfrentou o FC Midtylland com algumas baixas: Al-Musrati, Matheus, Sequeira, Buta, Tormena e David Carmo. Foi surpreendido pela entrada fortíssima do adversário, tanto na primeira parte como na segunda. Durante a maior parte da partida, sofreu grandes dificuldades em manter a posse de bola, ligar o jogo entre os vários setores e chegar às zonas de finalização – algo muito pouco frequente. A sua estratégia foi totalmente anulada e o SC Braga sai derrotado deste jogo.
A AEW apresentou no passado dia 13 de novembro o seu quarto e último pay-per-view de 2021, o Full Gear, ao vivo do Target Center em Minneapolis, Minnesota.
O evento teve como principais destaques a tão esperada coroação de “Hangman” Adam Page como novo Campeão da AEW ao derrotar Kenny Omega pela primeira vez na sua carreira; a vitória de Bryan Danielson contra Miro, tornando-se assim no candidato principal ao Título da AEW; a guerra entre CM Punk e Eddie Kingston e a noite feliz de MJF frente a Darby Allin.
Agora, está na altura de analisar quatro possíveis rivalidades nas quais a All Elite Wrestling irá focar-se até ao final do ano. O que não faltará é ação e histórias entusiasmantes, para deleito dos fãs.
A grave lesão de Lucas Veríssimo foi um rude golpe na equipa encarnada. O defesa-central internacional pela canarinha estava a ser um dos melhores jogadores encarnados nesta temporada, mas a lesão que sofreu no último jogo do campeonato frente ao SC Braga irá impedi-lo de dar mais o seu contributo nesta época.
No entanto, já depois de terem surgido naturalmente vários rumores de defesas-centrais apontados ao SL Benfica, muita gente questiona se esse é o caminho que vale a pena seguir.
Numa época em que Morato já tem sido aposta regular na equipa principal, dando sempre uma boa resposta sempre que é opção, a verdade é que há mais centrais dentro do plantel que mostram potencial para se afirmar nas opções de Jorge Jesus.
Chegou a hora do Tomás Araújo
Um desses casos é o de Tomás Araújo, que no seu primeiro ano de sénior, tem sido um dos jogadores em maior destaque na equipa B do SL Benfica. O defesa de 19 anos é uma das maiores pérolas formadas no Seixal dos últimos anos, demonstrando potencial para seguir um percurso semelhante ao de Rúben Dias, defesa-central também formado no SL Benfica e que foi o melhor jogador da Premier League na última temporada.
Assumiu a titularidade na equipa B na época passada, e Tomás Araújo mostrou rapidamente que tem uma maturidade táctica e competitiva acima da média para a idade que tem.
A equipa B é, geralmente, o escalão de formação onde os jovens jogadores têm o estímulo competitivo necessário para crescer a aprender noções de jogo a nível defensivo, tais como o controlo de profundidade e o posicionamento em organização defensiva.
No entanto, apesar de ainda ter pouco experiência num contexto sénior, o jovem mostra-se já bastante evoluído nesses aspetos do jogo, para além de mostrar uma visão de jogo e qualidade de passe acima da média.
Tem qualidade tanto no passe curto como longo, como ainda apresenta uma capacidade ímpar para lançar colegas de equipa em profundidade e rasgar as linhas adversárias. Para além disso, tem também demonstrado ser uma arma importante nos lances de bola parada.
Tomás Araújo (19) will be promoted to the first team and replace Lucas Veríssimo.
Depois de já ter feito a pré-época com a equipa principal, trata-se de alguém que Jorge Jesus está a conhecer e que tem qualidades para acrescentar mais-valias à equipa. Para além disso, ainda existe Ferro e tudo indica que André Almeida também venha a ser aposta a central no sistema de cinco defesas.
Dadas as circunstâncias, eu não encontro grande necessidade de ir ao mercado contratar mais um defesa-central. Mas com as alternativas que existem atualmente, eu não hesito em dizer com toda a certeza que de entre as três alternativas que existem no plantel, Tomás Araújo é aquele que dá mais garantias, tanto a curto como a longo prazo.
Alvalade virou a residência oficial da esperança. As baixas no BVB Dortmund tornavam menos opaca a parede amarela que separava o Sporting CP dos oitavos de final da Liga dos Campeões. Para garantirem desde já a passagem à fase seguinte, os leões precisavam de vencer por uma margem de dois golos. Fizeram-no e asseguraram o segundo lugar do grupo C da Liga dos Campeões.
O Dortmund mexeu com as angústias, mágoas e anseios do Sporting, numa fase inicial do jogo. Os leões sofreram a bom sofrer junto à sua baliza como quem sabe que uma porta à entrada de casa não é nada perante um ladrão engenhoso. No entanto, o ladrão foi condescendente, rondou, viu o que tinha a ver e não levou nada.
O cenário mudou à meia hora de jogo. Sem cortesia, o Sporting não tomou uma atitude diferente. Coates enviou um portentoso bacalhau, a defesa do Dortmund, muito permeável, tratou da caldeirada e Pedro Gonçalves, que estava a passar para jantar, viu-se servido com um belo manjar.
Os alemães responderam ao ataque de oportunismo verde e branco. Desta vez, os comandados de Marco Rose estiveram mais perto de fazer estragos, mas Malen rematou ao poste.
Pedro Gonçalves ainda não estava de pote cheio e voltou a servir-se. O convicto remate de fora de área terminou no fundo das redes que, firmes, conseguiram conter melhor a bola do que Kobel. Com a vantagem de dois golos, o Sporting estava virtualmente nos oitavos de final.
Descontente com o desenrolar da narrativa, o Dortmund procurou mudar de ação à procura de um desfecho diferente. Subiu mais no terreno, mas ficou à mercê do contra-ataque. O Sporting ia conseguindo sair com critério por intermédio de Sarabia, Pedro Gonçalves e Paulinho e teve oportunidade de aumentar os seus níveis de contentamento não fosse a bela intervenção de Kobel.
Já com Emre Can, entrado na segunda parte e expulso na sequência de quezílias que obrigaram à entrada de elementos do banco das duas equipas em campo, o mesmo VAR que tinha anulado um golo ao Dortmund assinalou penálti a favor do Sporting.
O hat-trick já pairava na cabeça de Pedro Gonçalves, mas Kobel impediu-o de levar a bola para casa. Porro aproveitou o ressalto da defesa do guarda-redes suíço e ampliou ainda mais a vantagem.
Já para lá dos 90 minutos, Malen fez com o 3-1 pairar no ar a dúvida de se as contas ficavam resolvidas neste jogo. O Sporting geriu os ânimos e não deitou por terra a vantagem que tinha construído.
O Sporting esteve pela última vez nos oitavos de final da Liga dos Campeões em 2008/09, tendo sido eliminado pelo FC Bayern Munique num agregado de 12-1. O trauma foi tanto que a equipa de Alvalade nunca mais lá tinha voltado. Até hoje. Agora é rezar.
A FIGURA
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Pedro Gonçalves – continua a ser letal a ocupar o espaço gerado pela muita movimentação de Paulinho. O primeiro golo que marcou nasce dessa situação. O segundo preenche os critérios para entrar no Louvre. O terceiro esteve tão perto.
O FORA DE JOGO
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Marin Pongracic – a cara mais visível da periclitância defensiva do Dortmund. A má abordagem que teve no lance deu o primeiro golo ao Sporting que serviu de base para aumentar os níveis de confiança verdes e brancos.
ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP
Rúben Amorim voltou a apostar na versão europeia do Sporting, ou seja, com Matheus Reis na lateral-esquerda e Feddal como central do lado canhoto. O conservadorismo dos nomes lançados no onze já fazia prever qual a estratégia adotada.
Mesmo com necessidade de fazer pela vida, o Sporting passou largos períodos de tempo em organização defensiva. Aí, o 3-4-3 do Sporting foi mais vezes um 5-4-1 fruto do recuo dos laterais e dos extremos. Palhinha foi exposto a variados desafios com o turbilhão de adversários que lhe apareciam pela frente.
Para se libertar das amarras que criou em si própria, a equipa leonina teve problemas, uma vez que lhe foi difícil encontrar referências para sair com critério para o ataque numa fase inicial da partida. Só Matheus Nunes ia acrescentando algum critério com bola. A equipa foi mais eficiente nesse aspeto na segunda parte.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Antonio Adán (5)
Pedro Porro (5)
Gonçalo Inácio (5)
Sebastián Coates (5)
Zouhair Feddal (5)
Matheus Reis (5)
João Palhinha (5)
Matheus Nunes (6)
Pedro Gonçalves (7)
Pablo Sarabia (6)
Paulinho (6)
SUBS UTILIZADOS
Ricardo Esgaio (5)
Nuno Santos (5)
Tiago Tomás (-)
Flávio Nazinho (-)
Manuel Ugarte (-)
ANÁLISE TÁTICA – BVB DORTMUND
O Borussia Dortmund aplicou o princípio da mobilidade total nos homens da frente. Desde que não existissem posições do 4-2-3-1 por ocupar, dos médios aos extremos, todos puderam permutar livremente. O Borussia efetuou bastantes movimentos de ataque à profundidade que, embora nem sempre tenham resultado, permitiram que a equipa ligasse o jogo por dentro, através de um dos médios a pedir em apoio. O jogo exterior foi inexistente.
A pressão alta que os alemães executaram empurrou o Sporting para trás. Apesar disso, foi a capacidade de reter a bola em ataque continuado que deu ao Dortmund o domínio do jogo. Os próprios centrais se instalaram no meio-campo ofensivo.
Para defender, a equipa de Marco Rose, preferia condicionar o lado esquerdo do ataque do Sporting, talvez pela menor capacidade técnica de Matheus Reis. Ativada a referência de pressão, a equipa libertava o corredor contrário ao do lado da bola e concentrava muitos jogadores junto ao portador do esférico.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Gregor Kobel (6)
Thomas Meunier (6)
Manuel Akanji (6)
Marin Pongracic (4)
Nico Schulz (4)
Axel Witsel (6)
Jude Bellingham (5)
Julian Brandt (7)
Reinier (4)
Marco Reus (5)
Donyell Malen (6)
SUBS UTILIZADOS
Emre Can (3)
Steffen Tigges (5)
Mahmoud Dahoud (5)
Dan-Axel Zagadou (3)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Sporting CP
BnR: A partir do primeiro golo, o Sporting começou a acertar mais vezes a saída em transição ofensiva. O que é que mudou na equipa?
Rúben Amorim: As transições não estavam a sair. O Matheus Nunes estava algo ansioso. Vemos jogos da Liga Alemã e percebemos que a velocidade é muito maior. O Matheus Nunes achava que tinha mais tempo para ter a bola e não tinha, faz parte da intensidade. Lembro-me até de eles andarem a mandar bolas uns contra os outros.
BnR: Matheus Reis marca a versão europeia do Sporting?
Rúben Amorim: Tem sido, mas pode não ser. O Vinagre pode ser opção. O Nazinho está a crescer a olhos vistos. Temos que ver jogo a jogo.
Não foi possível colocar questões a Pedro Gonçalves.
BVB Dortmund
BnR: Apostou em jogadores com muita mobilidade. O que pretendeu com essa estratégia?
Marco Rose: Procurávamos essa mobilidade. Apostámos no Reinier na linha da frente que nos dá essa mobilidade. No final de contas, são os golos que contam e nós sofremos muitos. Na primeira parte, não fomos eficientes o suficiente.
A CRÓNICA: EM CONFRONTO DE PLANTÉIS MILIONÁRIOS, CITY SOUBE MANTER A PRESSÃO, SOFRE REVÉS, MAS REAGE E VIRA O JOGO
O confronto das equipas mais ricas do mundo iniciou-se logo com grande pressão do Manchester City FC.
Nos exatos cinco minutos, após lance livre direto, Rodri completou o cruzamento de cabeça, e jogou a bola em direção ao fundo das redes. Para salvar o Paris Saint-Germain FC, Kimpembe conseguiu tirar a bola para cima, naquilo que seria o primeiro golo do jogo. Como resto, Navas ainda conseguiu afastar o perigo para fora de jogo.
Em menos de vinte minutos de jogo, o City teve duas oportunidades reais de golo. Desta vez, Rodri, na área central do relvado, achou Mahrez, livre, que jogou mais ao fundo para Bernardo, onde magicamente passou a bola de calcanhar novamente para o seu companheiro argelino. O ponteiro dos blues preparou o seu remate característico de perna esquerda, mas Hakimi bem-posicionado, afastou de cabeça para cima da baliza.
Em seguida, aos 32 minutos, pelo lado esquerdo João Cancelo cruzou até que a bola acertou, sem querer, o joelho de Nuno Mendes. A bola saiu em direção a entrada da área e sobrou para Ilkay Gundogan que rematou com potência, fazendo com que o balão furiosamente acertasse o poste direito.
Após esta última oportunidade, ficou evidente o domínio dos blues sobre os seus adversários franceses.
Por mais alguns minutos de jogo da primeira parte, apenas um lado do relvado foi ocupado. O Paris Saint-Germain ficou enjaulado com o grande posicionamento tático de Guardiola que tirou os espaços na saída de jogo parisiense.
Por outro lado, a única oportunidade do PSG veio na desatenção de John Stones, que perdeu a bola para Neymar na área perigosa do campo defensivo. O avançado brasileiro progrediu em velocidade e viu Mbappe livre pela esquerda que recebe e remata, mas sua inclinação fez com que a precisão do remate fosse ineficaz, ao jogar a bola por cima da baliza.
No entanto, aquilo que torna o futebol tão contagiante é sua imprevisibilidade e por vezes, falta de lógica. Na primeira ação de ataque do PSG, a qualidade novamente se faz presente entre a triangulação do ataque mais falado do mundo.
Uma grande triangulação entre Neymar, Messi, fez com que a nova contratação para o ataque. O argentino cruza para Neymar, mas a bola acerta as costas de Kyle Walker e sobra livre no lado esquerdo para Mbappe que joga por baixo das pernas de Ederson. É o famoso, quem não faz, sofre.
Com o gol marcado, a partida ganhou em emoção com maior pressão e nervosismo por parte do City, enquanto o Paris mais do que nunca se projetou para utilizar os contragolpes em velocidade.
Aos 62 a pressão surtiu efeito, Rodri novamente num passe longo, viu a infiltração de Kyle Walker, que joga em direção a área, Gabriel Jesus ainda tenta dominar a bola, mas a bola fugiu e achou Sterling que se jogou para completar no fundo da rede.
As únicas oportunidades do Paris Saint-Germain surgem na criação de Neymar, que triangula com Di maria e Mbappe, mas ao driblar o seu marcador, o brasileiro perdeu o melhor ângulo para o remate e joga a bola com perigo na esquerda da baliza de Ederson.
Novamente pelas laterais, Mahrez inverte o jogo para Bernardo Silva, e a camisa vinte joga com precisão e técnica deu um passe com açúcar para Jesus apenas jogou a bola no golo, onde estava o brasileiro que rematou como um belo ponta de lança.
Apenas aos 76 minutos de jogo a pressão finalmente deixou os mandantes em vantagem.
Sem mais emoções, o árbitro indicou o final da partida. Num confronto em que os resultados classificaram ambas as equipas. O que foi retirado, favoreceu os ânimos dos blues, que demonstra novamente um desempenho soberano contra o seu rival bilionário.
Por outro lado, Pochettino ainda não confirmou o potencial que a sua equipa apresenta nesta época.
A FIGURA
RODRI 💬 They are a great team and they can beat you, because they are Real Madrid, but we have to show them we are a better team.
Rodri – O médio central do espanhol, jogou com o mesmo posicionamento em que está habituado a jogar pelo City.
No entanto, a marcação adversária foi extremamente leve, deixando o médio com muito espaço para pensar e criar jogadas de ligação direta com o ataque. Rodri soube operar os caminhos e recorreu a seus passes longos, ao encontro da movimentação ofensiva.
Na parte defensiva, sempre foi aguerrido e destemido ao fechar as tentativas de Messi e companhia no ataque.
Pochettino– O novo comandante do galáctico plantel parisiense, Mauricio Pochettino veio ao jogo com o mesmo prognóstico, esperando repetir o resultado em Paris.
Demonstrando uma certa desorientação tática além das equivocadas mudanças. A equipa de Paris sofreu com a marcação/pressão do City que engoliu as tentativas táticas do PSG que apenas ficou dependente das criações individuais dos seus craques.
E, mesmo em vantagem, não conseguiu suportar as imposições ofensivas por parte do Manchester City.
ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER CITY FC
Ao entrar no jogo, Guardiola preparou algumas novidades em relação ao modelo tático que encanta a todos na Premier League. Para a partida, a execução foi o 433, com grande movimentação de Bernardo Silva, Sterling e Zinchenko no setor ofensivo, por muitas vezes trocando de posições.
O que continua é a mesma movimentação na saída de jogo de João Cancelo, ao apoiar as movimentações de ataque. Com o golo, surgiu a necessidade de criar novas oportunidades de golo. Para isso, a entrada de Gabriel Jesus como ponta de lança, modificou as posições de Sterling e Bernardo Silva.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Ederson (6)
Kyler Walker (7)
Rúben Dias (5)
Stones (4)
João Cancelo (6)
Rodri (8)
Zinchenko (5)
Gundogan (6)
Marhrez (6)
Sterling (6)
Bernardo Silva (7)
SUBS UTILIZADOS
Gabriel Jesus (7)
ANÁLISE TÁTICA – PARIS SAINT-GERMAIN FC
O Paris Saint-Germain continuou com a mesma formação tática que providenciou a vitória no confronto das mesmas duas equipas. O usual 433, com preparo focado para contra-atacar o seu adversário.
Durante o jogo, foi possível notar o deslocamento de Mbappe como ponteiro no lado esquerdo, enquanto Messi e Neymar corriam logo atrás para dar suporte criativo. Após o golo do City, Pochettino mudou a sua estrutura tática. A entrada de Kehrer transformou o PSG em um 343. Onde, Paredes foi deslocado como defesa no meio, ditando a saída de jogo.
Por outro lado, Di Maria entrou para dar apoio ofensivo à lateral direita com Hakimi. Enquanto Messi flutuava pelo meio de campo com Neymar, tendo apenas Mbappe como ponta de lança mais à frente.
Anfield Road, uma vez mais com uma moldura humana imponente e entusiasmada, recebia o FC Porto na 5.ª e penúltima jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões.
O Liverpool, já apurado e com o primeiro lugar no bolso, jogava sem pressão e fazia descansar alguns dos habituais titulares. Van Dijk, Robertson, Alexander Arnold, Jota ou Firmino foram alguns dos jogadores a ficar de fora do onze inicial.
Já os azuis e brancos, com o destino por decidir, apresentavam-se na máxima força e na esperança de conseguirem fazer o que nunca fora feito: ganhar em Inglaterra.
O FC Porto fez uma primeira parte francamente positiva, no entanto, como invariavelmente acontece nas provas UEFA, mostrou-se perdulário.
Os primeiros 25 minutos foram de domínio territorial evidente (a espaços, sufocante), sendo que foi ao minuto 12 que Otávio falhou a mais clamorosa oportunidade do jogo. Depois de uma recuperação a meio campo, Taremi isolou Luís Díaz, que à saída de Alisson tocou para o luso-brasileiro que, importunado por Konaté não conseguiu acertar na baliza deserta. Aos 25 minutos, o jogo muda ligeiramente de figura.
Pepe, que estava em dúvida para o jogo, teve que ser substituído por lesão (volta a ficar mal na fotografia a equipa técnica e o departamento médico) e deu lugar a Fábio Cardoso. Dá-se aí, uma fase de maior desconcentração da equipa portista e o Liverpool aproveitou para criar um par de jogadas perigosas junto à baliza defendida por Diogo Costa.
Uma dessas jogadas, à passagem do minuto 38, e depois de Otávio voltar a perder uma boa oportunidade (rematou por cima, na ressaca de um cruzamento vindo da esquerda), terminou mesmo num golo anulado por fora-de-jogo milimétrico de Sadio Mané.
Nos últimos minutos da primeira parte, o FC Porto voltou a assumir as rédeas do encontro e, mesmo em cima do intervalo, ainda conseguiu desperdiçar mais uma ocasião flagrante de golo. A passe de Otávio, Taremi, isolado, apenas com Alisson pela frente, e sem levantar a cabeça, opta por passar ao lado e a defensiva dos ingleses, mais sagaz, corta para canto.
Nas imagens, o iraniano parece dizer a Sérgio Conceição (visivelmente agastado) que ouviu o chamamento de um colega que pensou que estaria em melhores condições para visar a baliza. E assim sendo, as equipas seguiram para a cabine com o jogo empatado.
A segunda parte arranca como acabara a primeira. O FC Porto voltou a aparecer personalizado, mas continuava a pecar na finalização. Taremi, aos 47 minutos, e Uribe, dois minutos depois, perderam duas ocasiões soberanas.
E como quem não marca sofre (lá diz o “ditado”), o Liverpool adiantou-se no marcador sem que muito tenha feito para o atingir. Canto à direita do ataque inglês batido para a área, a defensiva portista alivia e na ressaca, bem fora da grande área, Thiago Alcântara assina um golo de grande brilhantismo. Estávamos com 52 minutos no cronómetro.
Não se pode dizer que os dragões tenham reagido mal ao golo dos reds. Nos minutos seguintes procuraram carregar sobre o adversário e voltaram a estar perto do golo.
À passagem do minuto 60, depois de um roubo de bola em zona subida, Otávio, com Evanilson ao seu lado para empurrar para o golo, voltou a pecar na decisão, desta vez no passe, e a oportunidade perdeu-se. E foi o canto do cisne. A partir daí a equipa perdeu-se e não mais se encontrou.
O Liverpool tomou conta da bola e foi empurrando tranquilamente os portistas para o seu reduto. Défice físico e quebra anímica poderão ajudar a explicar o sucedido. A última meia hora de jogo jogou-se, então, segundo as leis inglesas que foram acumulando alguns lances de perigo.
Num deles, aos 70 minutos Salah, numa brilhante jogada individual, fechou o resultado. Diogo Costa era batido pela segunda vez e o FC Porto ia, definitivamente, ao tapete.
Pelas incidências do jogo, fica um sabor amargo. Ainda que tenha ficado a ideia clara de que o domínio que o FC Porto foi tendo durante grande parte do jogo era consentido pelos comandados de Klopp, a equipa voltou a ser muito pouco eficaz e ficou a dever a si própria um melhor resultado.
Esta derrota, aliada à vitória do AC Milan em Madrid, adia tudo para a última jornada. O FC Porto mantém o segundo lugar do grupo, mas o empate na última jornada pode, até nem servir. Com a reentrada dos italianos na luta pelos oitavos-de-final, o FC Porto vê-se forçado vencer a última partida do grupo.
Uma última nota negativa sobre o jogo (talvez a mais negativa), Uribe viu amarelo e falhará o jogo das decisões no próximo dia sete, no Estádio do Dragão.
A FIGURA
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Luis Díaz e Uribe – A escolha da(s) figura(s) do jogo não foi, de todo, fácil.
Não estou certo de que os dois colombianos tenham sido os melhores jogadores em campo, ainda assim, cabe-me destaca-los porque voltaram a mostrar que são, quiçá, os dois jogadores mais importantes da equipa.
Luis Díaz continua a ser o único jogador verdadeiramente desequilibrador do ataque portista e é, por esta altura, um dos jogadores mais entusiasmantes da Europa. No jogo de Anfield voltou a demonstrá-lo.
Foram várias as arrancadas estonteantes que deixaram a defesa do Liverpool em água, faltando-lhe, apenas, alguma frescura física que ajudasse a uma melhor tomada de decisão.
Já Uribe, dificilmente aparecerá nos resumos que as televisões vão passar do jogo. No entanto, os mais atentos reconhecerão que o médio colombiano é o jogador que mantém o equilíbrio da equipa nos diferentes momentos de jogo.
É impressionante a capacidade que tem nos duelos e a quase perfeita leitura que faz dos lances. Tanto no timing de desarme e antecipação, como na ocupação dos espaços, raramente comete erros.
O FORA DE JOGO
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Eficácia (ou falta dela) portista – Começa a ser preocupante a incapacidade dos jogadores do FC Porto na tomada de decisão no último terço do campo quando o palco é de Liga dos Campeões.
Se recuarmos à jornada inaugural, em Madrid, ou aos dois jogos com o AC Milan, percebemos que a equipa tem sido demasiado perdulária. O jogo em Liverpool não foi exceção. E em competições desta dimensão, paga-se caro.
Julgo que o trabalho a fazer será, essencialmente, psicológico e é urgente que seja feito. O bicho papão da Liga dos Campeões tem penalizado os jogadores na hora de rematar à baliza e estão a retirar a chave de ouro a uma meritória campanha na mais importante competição de clubes do mundo.
ANÁLISE TÁTICA – LIVERPOOL FC
O Liverpool FC, apesar de ser ter apresentado no seu habitual 1x4x3x3, apresentou algumas dinâmicas diferentes do habitual.
Com alguns dos seus principais jogadores de fora, nomeadamente na defesa e meio-campo, Klopp optou por alargar os extremos Mané e Salah e os médios, que não raras vezes aparecem sobre a linha para forçar os movimentos interiores dos avançados, desta vez, foram “apenas” isso, médios.
No ataque, Minamino alinhou no lugar de Firmino (ou Jota) e procurou replicar os movimentos destes. Sem bola surgiu em cunha na frente do ataque, com ela, baixava para tentar potenciar as diagonais interiores dos extremos africanos. Não foi tão efetivo como o são habitualmente os titulares, também porque, como já referido, Salah e Mane, salvo algumas exceções, jogaram mais em largura.
Foi um Liverpool que levou do jogo o que queria. Fez descansar algumas das suas estrelas, nunca deixou que o ritmo de jogo subisse e manteve o registo 100% vitorioso na edição 2021/2022 da Liga dos Campeões.
Na perspetiva portista, seria bom que assim se mantivesse.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Alisson (6)
Neco Williams (5)
Ibrahima Konaté (5)
Joel Matip (6)
Kostas Tsimikas (6)
Thiago (7)
Tyler Morton (6)
Oxlade-Chamberlain (6)
Mohamed Salah (7)
Sadio Mané (6)
Takumi Minamino (6)
SUBS UTILIZADOS
Jordan Henderson (6)
Andy Robertson (6)
Fabinho (5)
Divock Origi (5)
James Milner (5)
ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO
Sérgio Conceição voltou a utilizar a fórmula europeia que tão bom resultado deu nos dois jogos com o AC Milan. Entrou no habitual 1x4x4x2, com os jogadores em quem mais confia nestas andanças.
Otávio voltou a funcionar como elemento híbrido na meia direita, combinando a faixa com o meio e Luis Díaz abriu o campo à esquerda. Uribe foi a âncora e Sérgio Oliveira foi tentando, ao seu lado, sair mais para o jogo.
Taremi e Evanilson mantêm-se como a aposta de eleição na frente de ataque, com o iraniano a baixar para procurar o jogo mais associativo e o brasileiro a buscar, incessantemente, movimento de ataque à profundidade.
Na defesa, a velocidade de Zaidu foi outra vez aposta (tal como com João Mário na direita). Apesar de ter voltado a demonstrar dificuldades tremendas a nível técnico, a verdade é que o nigeriano rivalizou com Salah no sprint.
Nos primeiros 60 minutos, o FC Porto foi sendo, quase sempre, capaz de pressionar eficazmente os defesas e médios do Liverpool e, não fosse a já a já abordada incapacidade na finalização, poderia ter retirado dividendos dessa pressão.
Sem grande capacidade para deslumbrar em ataque continuado, a equipa vai dependendo dessa capacidade de pressão e dos movimentos verticais dos avançados para ferir os adversários.
Quando começam a faltar pernas, a equipa ressente-se e voltou a passar-se isso mesmo nesta partida. Sérgio Conceição foi tentando introduzir frescura e nuances (tentou, a certa altura, um 1x4x2x3x1), mas sem efeitos práticos.
Vitinha, Francisco Conceição, Grujic e Toni Martínez foram chamados a jogo num período de declíneo da equipa, mas não foram capazes de reverter o marasmo que foram os últimos 30 minutos.