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Há um mês ninguém sonhava com uma meia hora assim

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cab premier league liga inglesa

21 de Novembro de 2015, 18h05 GMT, Manchester. Há um mês, era impossível sonhar-se com isto. A grandeza do clube estava recheada de feitos incríveis, com vitórias inolvidáveis que deixaram a marca em adeptos espalhados pelo globo. A década de 70, sobretudo. A Champions de 2005, depois. A mística, sempre. Mas chegar ao Etihad, ao terreno de um dos grandes favoritos ao título e que em casa costuma destroçar os seus adversários, e estar a ganhar 3-0 volvidos 30 minutos de jogo é algo que não cabia nas (sempre grandes) ambições do comum adepto do Liverpool em meados de Outubro do ano passado.

Mas aconteceu.  Os reds entraram com tudo, com toda a crença que adquiriram sob o comando de Jürgen Klopp, de quem desconfiaram primeiro (dois empates consecutivos do alemão nos primeiros jogos em Anfield Road), mas a quem concederam, depois, autorização para acreditar nas próprias capacidades. E isso ficou bem reflectido na forma como a equipa entrou no jogo, pressionando, a toda a largura do terreno, a saída de bola dos citizens… aliás, foi assim que chegaram ao primeiro golo, intimidando o adversário com a crença de que este iria falhar, Coutinho pressionou Sagna, ganhou espaço e assistiu Firmino, que cruzou para o auto-golo de Mangala.

A dupla brasileira não ficaria por aqui e, outra vez alimentados pela crença, foram em busca de bolas que pareciam perdidas. Firmino acreditou até ao fim e assistiu, de uma forma brilhante, Coutinho para o 2-0, que retribuiria o favor no 3-0. Nos festejos, ninguem deixou de reparar na união do grupo a emergência de um líder em Martin Skrtel, que pareceu pedir concentração face aos perigos que a descontracção pudesse trazer.

A dupla brasileira destruiu a defesa do City Fonte: Facebook do Liverpool
A dupla brasileira destruiu a defesa do City
Fonte: Facebook do Liverpool

A equipa viria a sofrer um golo, por Aguero, e a marcar outro, perto do final, pelo capitão, mas a história estava feita e o efeito Klopp perfeitamente explicado em apenas meia hora: um feito incrível, conseguido em tão pouco tempo, sustentado pela capacidade de Klopp de fazer os jogadores acreditarem neles mesmos. O exemplo maior é o de Firmino, que foi forçado pelo alemão a acreditar nele mesmo e a confiar mais no seu técnico, que, apesar da tinta escorrida pela imprensa inglesa, sentou Benteke no banco. O brasileiro respondeu, justificando, em cada golo da primeira parte do encontro com o City, o investimento por ele feito, contando com a colaboração de Coutinho, que já acreditava nele mesmo, mas andava farto de ser o único.

Skrtel e Sakho emergiram como autenticos líderes do balneário, algo que a equipa parecia acusar desde a saída de Steven Gerrard. Aí, Klopp também tem dedo, porque não potencia só qualidades técnicas, mas também pessoais, e as de liderança, tão precisas num clube com o peso histórico do Liverpool, foram tomadas por quem merece esse estatuto.

Nem tudo são rosas, ainda. O Liverpool continua a sofrer muitos golos para uma equipa de top 6 da Liga inglesa, e falta-lhe saber mandar no jogo quando se encontra em desvantagem ou tem a absoluta necessidade de abrir as hostilidades (lacunas mais evidentes na zona de construção do meio-campo, mesmo contando com as descidas de Coutinho). Falta, aos reds, a arrogância de quem se acha grande. Porém, Klopp já pode mostrar dois exemplos (3-1 em Stamford Bridge e 4-1 no Ethiad) do quão grandes os seus jogadores podem ser. Eles não duvidarão. Porque, agora, acreditam no seu líder, e porque, há um mês, era impossível sonhar-se com isto.

Foto de Capa: Facebook do Liverpool

Top 10: Os melhores tenistas portugueses da história

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Top 10 melhores tenistas Portugueses

[tps_title]10.º Pedro Sousa[/tps_title]

Tenistas portugueses

top 10 Tenistas Portugueses - Pedro Sousa
Fonte: Facebook Oficial de Pedro Sousa

Pedro Sousa é um jogador dotado de um talento nato raro, um jogador que poderia estar facilmente no pódio deste top 10 tenistas portugueses, se conseguisse pôr em prática todo o seu talento. Mas a questão é que apenas a espaços conseguiu impor o seu potencial e demonstrar aquilo que eu estou a afirmar. Essa grande irregularidade valeu-lhe, até ver, “apenas” o 199.º lugar do ranking ATP como melhor classificação. Não que seja mau, mas para a qualidade que Sousa apresenta em certos momentos (estou a lembrar-me de um jogo no antigo Estoril Open – atual Portugal Open -, em 2011, em que o desconhecido e franzino português forçou o gigante Juan Martin del Potro a um terceiro e decisivo set; ficou 2-6 6-3 3-6 para o argentino) é manifestamente pouco. Agora, aos 27 anos de idade, o jogador natural de Lisboa tenta aos poucos recuperar a sua posição no ranking mundial, após uma lesão no pulso. Tenistas portugueses

“Cuidado, Casemiro”

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cab la liga espanha

O Casemiro talvez você não conheça, a aldeia donde ele vinha nem vem no mapa.

Assim começa a música de Sérgio Godinho, que não é sobre o jogador do Real Madrid, mas quase podia ser. O Casemiro também é quase um desconhecido ao pé de estrelas como Ronaldo, Bale ou Benzema, mas a verdade é que jogou a titular nos últimos sete jogos, dando a ideia de ser uma peça fundamental para Benítez. Por isso, quando, antes do clássico de sábado, o treinador lhe disse que ia para o banco, Casemiro estranhou a decisão, mas esperou para ouvir as razões.

Punha o ouvido atento, via as coisas por dentro, que é uma maneira de melhor pensar, via o que estava mal e como é natural, tentava sempre não se deixar enganar.

Benítez, tal como explicou aos jornalistas no final do jogo, disse aos seus jogadores que a sua intenção ao colocar um meio campo apenas com Kroos e Modric era apertar o Barcelona, recuperar a bola em zonas mais adiantadas e conseguir manter a sua posse.

Mas o Casemiro, que era fino de ouvido, tinha as orelhas equipadas com radar, ouvia o tipo muito sério e comedido, mas lá por dentro com o rabinho a dar a dar.

A explicação parecia estranha porque, sentado no banco, Casemiro não via o Real apertar, bem pelo contrário. E tudo ficou ainda mais estranho quando viu, por volta dos dez minutos de jogo, o Barça trocar 36 passes à vontade, com a bola a passar pelos 10 jogadores de campo, num lance em que os catalães tiveram a posse de bola ininterruptamente durante mais de um minuto e meio e que acabou no golo de Suárez.

O Casemiro, que era tudo menos burro, tinha um nariz que parecia um elefante. Sentiu logo que aquilo cheirava a esturro, ser honesto não é só ser bem-falante.

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Casemiro em ação frente ao Bétis
Fonte: Facebook Oficial de Casemiro

As explicações de Benítez não convenceram Casemiro. Muitas equipas decidem reforçar o meio campo quando defrontam o Barcelona, mas o Real Madrid fez o contrário. Benítez, a jogar em casa contra o Las Palmas e o Levante, por exemplo, achou que era necessário um meio campo a três, com Casemiro como médio mais defensivo, mas contra o Barcelona achou que bastavam Kroos e Modric.

Não sei se o Real é mais forte com Casemiro ou não (Ancelotti, no ano passado, venceu o clássico de Madrid apenas com Modric e Kroos no meio), o que digo é que Benítez não foi coerente com as suas próprias escolhas e deixou a sensação de que escolheu a equipa que o público queria e não aquela que acha ser a mais forte. Assim, não admira que, sentado no banco, Casemiro fosse cantarolando o refrão da música de Sérgio Godinho:

E dizia ele com os seus botões: Cuidado Casemiro, cuidado Casemiro, cuidado com as imitações. Cuidado minha gente, cuidado minha gente, cuidado justamente com as imitações.

Concluindo, Benítez não escolheu o onze em que mais acreditava e só há uma coisa pior do que ter Benítez como treinador: é ter Benítez como treinador a fazer algo em que nem ele próprio acredita.

A moral deste conto, vou resumi-la e pronto, cada um faz o que melhor pensar, não é preciso ser Casemiro para ter sempre cuidado para não se deixar levar.

Foto de Capa: Facebook de Casemiro

O adeus de um gigante

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cab Rugby

Após disputar 148 jogos pela selecção da Nova Zelândia – 110 deles como capitão de equipa -, na qual venceu por 131 vezes, o bicampeão mundial e três vezes considerado Melhor Jogador do Mundo, Richie McCaw anunciou a retirada da modalidade: ”Este anúncio serve apenas para dizer que vou pendurar as botas, é o fim dos meus dias como jogador de rugby. Queria que as pessoas soubessem que o meu último jogo como profissional foi a final do Campeonato do Mundo pelos All Blacks há algumas semanas. Chegou ao fim uma parte importante da minha vida ”

O nova-zelandês, de 34 anos, competiu durante 15 anos, tendo acumulado vários troféus e distinções colectivas e individuais. Entre os principais troféus colectivos conquistados, conta com dois Campeonatos do Mundo com a camisola da selecção All Black, dez títulos do Tri Nations/The Rugby Championship e quatro títulos de campeão do Super Rugby pelos Crusaders. A nível individual destaca-se a eleição de Melhor Jogador do Mundo em 2006, 2009 e, finalmente, 2010.

McCaw despede-se dos relvados com o título de campeão
McCaw despede-se dos relvados com o título de campeão

Com um estilo de jogo aguerrido, o antigo número 7 da selecção da Nova Zelândia nunca foi um atleta consensual, havendo várias acusações de jogar à margem da lei, não existindo, no entanto, dúvidas do seu perfil de líder de equipa, sendo mesmo considerado um dos melhores capitães de sempre do mundo do desporto.

Fotos retiradas do Facebook de Richie McCaw

SC Farense 0-1 SC Braga: Estás perdoado, podes voltar!

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futebol nacional cabeçalho

Este domingo, o estádio de São Luís recebeu um jogo grande, um jogo que deu para relembrar os velhos tempos de glória do Farense.

Apesar do resultado ter sido negativo para os leões de Faro, a equipa, orientada por Jorge Paixão, mostrou uma grande atitude dentro de campo, obrigando mesmo o Braga a jogar o prolongamento, onde acabaria por marcar o único golo da partida, através de uma grande penalidade.

O jogo foi muito disputado a meio campo, tornando-se muito físico com o desenrolar da partida. O Farense mostrou que tem um bom coletivo e um grande avançado, que trabalhou durante os 120 minutos. Rambé foi incansável na maneira como disputava cada bola, na esperança de conseguir que a sua equipa desequilibrasse.

Como já disse anteriormente, apesar do resultado não ter sido aquele que os adeptos do Farense desejavam, a exibição que os leões do Algarve realizaram perante uma das melhores equipas da primeira liga portuguesa mostrou que esta equipa está viva e com vontade de voltar novamente ao patamar mais alto do futebol nacional.

Sentiu-se de novo o calor do futebol na cidade de Faro, sentiu-se o cheiro a primeira liga. Espero que este jogo e que o ambiente que se viveu dentro do São Luís seja o tónico que esta equipa necessitava. Uma equipa que, apesar de apresentar qualidade, falha por vezes em coisas que lhe são fatais.

Foi um dia de festa para os adeptos do SC Farense
Foi um dia de festa para os adeptos do SC Farense

É com esta mentalidade que se tem de continuar o trabalho que se está a realizar, e é também com esta mentalidade que o povo de Faro tem de continuar. São Luís tem de voltar a ser o Inferno que era antigamente, aquele lugar onde até José Mourinho já disse que temeu jogar, aquele lugar onde as equipas visitantes tinham de comer relva para conseguir ganhar ao Farense, acima de tudo, tem de ser uma fortaleza.

E não foi só dentro de campo que hoje se viu um bom espetáculo. Os South Side boys, que mais uma vez mostraram que são uma das melhores claques a nível nacional, proporcionaram uma noite cheia de apoio aos jogadores que envergavam o símbolo do Farense ao peito. A forma como cantam desde o início até ao fim do jogo, a forma como empurram a equipa nos bons e nos maus momentos, tudo isso faz a diferença

Por tudo o que o Farense foi no passado, por tudo aquilo que já passou num passado não muito distante, pelo amor que o povo de Faro sente por este clube e pela vontade que tem de o voltar a ver na primeira divisão, esperemos que este jogo volte a acontecer brevemente, mas que desta vez não seja para a taça, mas sim para a primeira Liga Portuguesa.

Caldas SC 0-1 GD Estoril-Praia: Pragmatismo canarinho bateu caldenses lutadores

futebol nacional cabeçalho

O Campo da Mata, nas Caldas da Rainha, engalanou-se para a recepção do clube local, segundo classificado do Grupo F do Campeonato Nacional de Seniores, ao primodivisionário Estoril, em jogo da 4.ª eliminatória da Taça de Portugal. Foi muito o público que assistiu, numa tarde chuvosa, a um jogo não muito bem jogado, também fruto do estado do relvado, em que a luta se sobrepôs à técnica.

O treinador da equipa estorilista, Fabiano Soares, não brincou em serviço e fez alinhar grande parte dos habituais titulares, perante um Caldas muito aguerrido e que nunca deu uma bola que fosse por perdida. Os canarinhos revelaram ter a lição bem estudada, já que os centrais Yohan Tavares e Mano controlaram quase sempre o matador do conjunto oestino, o brasileiro Diego Zaporo, que já leva seis golos na conta pessoal na actual temporada. A fase inicial do desafio foi marcada pelo equilíbrio, até que aos 22’, no primeiro lance de real perigo para uma das balizas, o Estoril apontou o golo decisivo através de um cabeceamento de Dieguinho. Galvanizado por jogar em casa, o Caldas SC tentou chegar-se perto das redes estorilistas, mas normalmente mais com o coração do que com a cabeça, pese embora fosse notória a excelente organização táctica dos comandados de Ricardo Moura. Nalguns lances de bola parada os alvinegros ainda causaram frisson, mas ficou sempre a sensação de que o Estoril tinha a situação bem controlada.

Luta no relvado e muito público na bancada, eis o espelho da partida Fonte: Joel Ribeiro
Luta no relvado e muito público na bancada, eis o espelho da partida
Fonte: Joel Ribeiro

No segundo tempo a toada de jogo manteve-se. Imensos duelos a meio-campo, um Estoril mais experimentado não entrando em grandes correrias, a juventude e bravura dos caldenses a não deixar morrer a partida. E para a indefinição do resultado final muito contribuiu o penálti falhado pelo médio estorilista Mattheus, filho de Bebeto, que permitiu a defesa de João Guerra aos 66’. O Caldas entusiasmou-se a partir desse momento e tentou um assalto final à baliza de Georgemy – substituiu o habitual titular Kieszek – mas faltou sempre alguma clarividência no último terço do terreno, situação que foi piorando com o desgaste físico dos jogadores.

Em suma, vitória do Estoril que acabou por se revelar natural, apesar da equipa do Oeste ter lutado muito para chegar ao prolongamento. Numa ronda da Taça de Portugal em que algumas das principais equipas do futebol nacional ficaram pelo caminho, o Estoril conseguiu o seu objectivo perante um Caldas que justificou a posição que ocupa no seu campeonato, tendo todas as condições para realizar uma excelente época, sendo de destacar os muitos jovens do seu plantel, alguns deles formados no clube.

No final da partida, o técnico Fabiano Soares afirmou ao Bola na Rede que a equipa acalenta o sonho de chegar à final da Taça de Portugal – o Estoril apenas por uma vez chegou ao Jamor, tendo perdido por 8-0 frente ao Benfica, em 1944 – não esquecendo a vaga na Liga Europa que uma vitória na competição/simples presença na final poderá oferecer. Porém, o treinador brasileiro pautou sempre o discurso pela calma e prudência, deixando ainda elogios para o Caldas. Já o seu congénere dos alvinegros, Ricardo Moura, mostrou-se muito satisfeito com o rendimento dos seus jogadores, convocando as suas tropas para a deslocação a Alcanena, no próximo fim-de-semana.

A Figura :

Festa da Taça – A muita chuva que caiu nas Caldas da Rainha não impediu um excelente ambiente no Campo da Mata. Muitos adeptos do Caldas, excelente apoio ao Estoril, festa na zona envolvente do recinto desportivo. Regresso ao passado de um clube prestes a completar 100 anos e que marcou presença na Primeira Divisão entre 1955 e 1959.

O Fora de Jogo:

Estado do relvado – As difíceis condições climatéricas tiveram a sua influência no relvado do reduto caldense. Muita lama, terreno irregular, dificuldades acrescidas para os jogadores num jogo que muito devido a esse factor se tornou de enorme luta.

Foto de Capa: GD Estoril-Praia

2015/16, a época da(s) besta(s)

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sporting cabeçalho generíco

Ao terceiro dérbi, chegou a terceira vitória. O saldo do Sporting esta época frente ao Benfica só não é imaculado porque as águias lograram ontem o primeiro golo do jogo e também o seu primeiro frente a Rui Patrício esta época.

O golo de Mitroglou, quando muitos adeptos ainda entravam no estádio, deixou uma nuvem de nervosismo em Alvalade, mas essa “nuvem” nunca foi de pessimismo. E nunca o foi porque a equipa teve mais uma vez atitude, personalidade, um estádio inteiro do seu lado e o mais importante: uma lógica de pensamento, um conjunto de ideais pelos quais o grupo e o treinador se regem e dos quais não prescindem.

Quando à ideia se junta uma equipa como a dos “leões”, é tudo muito mais fácil. O Benfica não fez mais nenhum remate perigoso durante todo o encontro e, pela terceira vez esta temporada, perdeu a luta do meio campo para o Sporting. E perdeu-a porquê? Porque William e Adrien, com o auxílio precioso de Bryan Ruiz e João Mário, são facilmente superiores a qualquer esquema de meio campo que Rui Vitória possa apresentar esta época. O Sporting de Jorge Jesus é a “besta negra” do Benfica este ano e a chave mestra tem estado sempre no mesmo sítio: meio campo. Na Supertaça ainda foi sem William, nos “bailados” da Luz e de ontem à noite já foi com esta nova “orquestra”. Jorge Jesus tem uma ideia bem definida sobre o que quer do Sporting; o mesmo não se pode dizer de Rui Vitória: em três derbies, entrou com três modelos diferentes no meio campo e o resultado foi sempre o mesmo, negativo! E a falta de ideias de Rui Vitória não se resume ao campo: neste momento, é tão enriquecedor e produtivo ouvir uma conferência de imprensa de Rui Vitória como ouvir uma intervenção de Pedro Guerra na televisão…

O resumo da época do Sporting e, particularmente, de Slimani, até agora… Fonte: Sporting Clube de Portugal
O resumo da época do Sporting e, particularmente, de Slimani, até agora…
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Contudo, a cara feliz e o rugido bem forte do Sporting esta época não são apenas obra e graça do “mister” Jorge Jesus. Os jogadores, obviamente, também contam, e o Sporting tem um plantel com bastante qualidade. Mesmo sem o castigado Naldo, com Aquilani e Teo Gutiérrez no banco, e ainda com Carrillo (aquele que muitos consideravam, erradamente, que era o melhor jogador da equipa) no sofá, os “leões” estiveram muito bem e foram completamente superiores frente ao eterno rival. Paulo Oliveira e Ewerton estiveram mais uma vez imperiais, mas o meu destaque vai para três homens que jogam do meio campo para a frente: Adrien, João Mário e Islam Slimani. Os dois médios pegaram na batuta da equipa na Supertaça e não mais a largaram, tendo sido poderosamente “reforçados” com o regresso de William Carvalho, no mês de setembro. Têm jogado à bola como gente grande e mostrado que, neste setor, podemos estar tranquilos. Temos um dos dois melhores do país, de forma inequívoca.

No ataque, temos a “besta” que tem sido o “joker” da temporada leonina. Vou ser repetitivo em relação a textos recentes, mas neste caso tem de ser. Eu vejo Slimani a jogar e interrogo-me sobre onde é que o argelino vai buscar energia para tanta correria e tanta garra que emprega em todos os jogos. Se é verdade que nestas vertentes houve um “upgrade” em relação ao Slimani da primeira época, não é menos verdade que a maior subida de rendimento foi a nível técnico. Pasmem-se, ontem este senhor até fez um cruzamento de letra! Está cheio de confiança pelos golos que tem apontado (oito em 16 jogos), é um dos principais baluartes do clube e é uma das imagens de marca do grupo: a sua atitude contagia toda a equipa a segui-lo e os adeptos veem isso. Slimani é idolatrado pelos adeptos leoninos e vê-lo a festejar golos no topo Sul tem sido cada vez mais recorrente.

O avançado e o setor de meio campo têm sido mesmo os trunfos mais visíveis do Sporting este ano. E, quando reparamos que Adrien, João Mário e William vieram todos da Academia de Alcochete, parece que o rugido leonino soa ainda mais alto… Nota final para o selecionador Fernando Santos: nos jogos particulares onde o maior objetivo é ganhar dinheiro, até prefiro que não leve muitos jogadores do Sporting. Mas, no Europeu de 2016, parece-me que Adrien e Gelson Martins poderão ter uma palavra a dizer. Se Gonçalo Guedes vai à seleção, existe alguma razão plausível para um jogador com mais qualidade (Gelson) não ir?

 Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

O noso derbi – Unindo a Galiza através do futebol

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cab la liga espanha

Galicia es una mezcla de bufandas y de banderas de colores, pero si nos fijamos todas bufandas y todas las banderas del Dépor y del Celta tienen los colores de Galicia: el celeste, el blanco y el azul. Esos son los colores de nuestra tierra, así que vamos a disfrutar de esta fiesta” – Alberto Núñez Feijoo (Presidente da Xunta de Galicia)

Foi com esta frase que o Presidente da Xunta de Galicia, Alberto Núñez Feijoo, deu, a meio da passada semana, o mote para o grande dérbi de Sábado à noite, aquele que une e separa famílias, que junta velhos e novos e mitiga as diferenças entre gerações, aquele que representa toda uma região do vasto território espanhol, o único e inconfundível Derbi gallego, o noso derbi.

Sem as estrelas de outro tempo, jogou-se no passado Sábado no emblemático Riazor o primeiro grande dérbi da época, aquele que opõe o Deportivo de La Coruña e o Celta de Vigo. Num estádio a rebentar pelas costuras e com um ambiente absolutamente fantástico, o renascido Depor de Víctor Sánchez levou a melhor sobre os seus eternos rivais Celta de Vigo, que, numa noite de muito pouca inspiração, nunca foram capazes de contrariar a boa organização táctica dos donos da casa. Um golo na primeira parte do suspeito do costume Lucas Pérez, após uma boa jogada entre Cani e Bergantiños, e um auto-golo caricato de Jonny Castro ao cair do pano foi quanto bastou para o Depor somar a quarta vitória da época e subir, com isso, à condição, ao oitavo lugar da tabela classificativa.

Nem sempre foi uma partida bem jogada e com a magia de outros tempos, mas o que faltou em qualidade sobrou em intensidade, em vontade de vencer e em determinação, pelo menos, no que respeita ao Deportivo. O Celta de Eduardo Berizzo acusou e de que forma a goleada sofrida nos Balaídos perante o Valencia CF na jornada anterior e quase nunca foi capaz de incomodar o guarda-redes da equipa da casa, Germán “Poroto” Lux. Com uma linha defensiva altamente desorganizada, que acusou e muito a ausência do argentino Gustavo Cabral, e um meio-campo sem ideias e com pouca lucidez aquando do processo de criação de jogo, o Celta foi incapaz de assentar o seu jogo, não permitindo por isso aos homens da frente, Nolito, Orellana e Iago Aspas, causarem perigo no bloco mais recuado do adversário. Nas raras ocasiões em que conseguiu uma jogada de ataque digna desse nome, a equipa celeste beneficiou de uma grande penalidade a punir uma falta sobre Iago Aspas, cerca de quatro minutos após o golo do Depor, mas o número 10 viguês, Nolito, não foi capaz de desfeitear um inspirado Germán Lux, que sacudiu a bola para canto.

Lucas Pérez, o autor do primeiro golo do Depor na noite fria do Riazor Fonte: La Voz de Galicia
Lucas Pérez, o autor do primeiro golo do Depor na noite fria do Riazor
Fonte: La Voz de Galicia

O Celta que esteve no Riazor no passado Sábado à noite não é o Celta que já venceu o poderoso FC Barcelona esta temporada, nem é, certamente, o Celta que “Toto” Berizzo tem vindo a arquitectar após a sua chegada no início da temporada passada.

Por outro lado, o Depor tem-se colocado em bicos de pés esta temporada, e o regresso de Víctor Sánchez, desta vez para desempenhar a função de treinador principal, na parte final da época passada, mudou completamente a forma de o conjunto galego jogar e, acima de tudo, a forma de abordar os jogos, recuperando a alma e vontade férrea que sempre caracterizam aquele histórico emblema do futebol espanhol.

O noso derbi dos dias de hoje continua a fazer parar a Galiza, apesar de não estarem presentes velhos craques de outros tempos, como por exemplo Donato, Djalminha, Aleksandr Mostovoi, Valery Karpin, Mazinho, Gudelj, Fran, Mauro Silva ou Gustavo López. A adrenalina e a rivalidade sentidas nesses dias, especialmente durante a década de 1990, eram algo de indescritível, e os próprios jogadores que viveram esses momentos têm ainda hoje dificuldades de expressar por palavras essas emoções. Numa entrevista concedida ao programa Al Primer Toque, da rádio espanhola Onda Cero, Aleksandr Mostovoi e Donato, dois dos maiores nomes de sempre do Celta de Vigo e do Deportivo de La Coruña, respectivamente, trocaram, passados quase 20 anos, elogios e recordaram momentos únicos dos confrontos entre os dois emblemas, que nesse tempo olhavam nos olhos os gigantes do futebol espanhol.

El Zar Mostovoi, o eterno número 10 do conjunto viguês, ao lado do seu compatriota Valery Karpin, também ele, um dos melhores jogadores que passou pelo Celta de Vigo nos últimos 20 anos Fonte: Laz Voz de Galicia
El Zar Mostovoi, o eterno número 10 do conjunto viguês, ao lado do seu compatriota Valery Karpin, também ele um dos melhores jogadores que passaram pelo Celta de Vigo nos últimos 20 anos
Fonte: Laz Voz de Galicia

O génio russo, a quem já pensaram erguer uma estátua na cidade de Vigo, descrevia os jogos dessa altura entre Celta e Depor como altamente motivadores, ao nível mesmo daqueles que se jogavam contra o FC Barcelona ou contra o Real Madrid. Do outro lado, Donato, um dos melhores médios defensivos que já passaram pelo futebol espanhol, apelidou Mostovoi de craque e lembrou que enquanto jogavam “se punham doidos um ao outro”, tal era a qualidade individual de cada um. No final da entrevista, ambos concordaram que, apesar de a grande rivalidade entre ambas as equipas continuar a existir, os tempos mudaram, assim como as realidades de cada uma delas, e, por conseguinte, o Derbi gallego já não tem a mesma intensidade, nem os mesmos protagonistas carismáticos que tinha há sensivelmente duas décadas.

Legenda – Donato, um dos melhores médios defensivos de sempre a ter passado pelo futebol espanhol Fonte: El Gol Digital
Donato, um dos melhores médios defensivos de sempre a ter passado pelo futebol espanhol
Fonte: El Gol Digital

Um ano passou desde a entrevista de Donato e de “El Zar” Mostovoi e, desta vez, com ambas as equipas firmemente acomodadas na primeira metade da tabela classificativa, aquele “bichinho” de antigamente voltou à Galiza aquando da realização daquele que é, para muitos, mais importante do que o El Clásico, disputado entre o duopólio que domina o futebol espanhol, o dérbi que expressa a grandeza daquele povo, El Derbi gallego, O noso derbi.

Foto de Capa: Laz Voz de Galicia

Ai, Rui!

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cabeçalho benfica

Mais uma vez, como benfiquista, sinto-me envergonhado. É inadmissível uma equipa que é bicampeã nacional em título perder três vezes na mesma época com o seu maior rival e acima de tudo perante o seu antigo treinador.

Como adepto encarnado, sinto-me desiludido com este “deixa andar” que se instalou para os lados da Luz. A falta de consistência e de qualidade nas exibições do Benfica fazem qualquer um duvidar deste conjunto na presente temporada.

Sou um dos poucos que defende Rui Vitória, que não lhe aponta o dedo e não o critica, mas depois deste jogo já não posso fazer o mesmo. As escolhas do técnico encarnado no jogo contra o eterno rival foram no mínimo duvidosas. Apesar de ter conseguido confundir a equipa verde e branca nos minutos iniciais do encontro com o posicionamento de Pizzi, Rui Vitória pecou por não se saber adaptar ao desenrolar do jogo. Na segunda parte o meio campo do Benfica estava completamente perdido, com Talisca a ser menos um, mas mesmo assim permanecendo em jogo. Faltava um elo de ligação entre o meio campo e o ataque e era nesta altura que Rui deveria ter tirado Talisca do jogo e colocado ou Raúl Jiménez e descido Pizzi ou então colocado André Almeida no lugar de Talisca e não de Pizzi.

Pizzi foi uma das surpresas no onze de Rui Vitória Fonte: Sport Lisboa e Benfica
Pizzi foi uma das surpresas no onze de Rui Vitória
Fonte: Sport Lisboa e Benfica

Com Mitroglou completamente desamparado, o jogo do Benfica baseava-se em bolas bombeadas para a frente de ataque na esperança de que o avançado grego as conseguisse segurar e desta feita conseguissem desequilibrar, coisa que raramente aconteceu. É agora que muita gente se apercebe do quanto Lima nos faz falta. Olhado de lado e mal-amado por muitos dos adeptos benfiquistas, a verdade é que Lima era um trabalhador incansável, que durante o jogo inteiro trabalhava de forma incessante, construindo um elo de ligação entre a defesa e o ataque nas jogadas de saída rápida para o ataque.

Neste jogo, ao contrário de nos outros dois derbys desta época, quem perde é o treinador encarnado. Ao contrário de nos outros dois embates com o Sporting, viu-se um Rui Vitória com medo, um Rui Vitória condicionado.

Como tinha escrito anteriormente, referi que este jogo poderia marcar um ponto de viragem ou marcar o início de um ciclo complicado para a “estrutura” e para o treinador. Depois de um início de campeonato desastroso e de uma saída prematura da taça de Portugal as atenções dos adeptos voltam-se para o treinador; resta então saber o que fará o presidente encarnado. Em anos anteriores observámos um Vieira sem medo, que apostou em JJ contra tudo e contra todos mas nos dias que correm isso é mais complicado de se fazer. Ao contrário de JJ, Vitória não tem provas dadas, porque treinar uma equipa como o Benfica não é igual a treinar um Vitória de Guimarães, com todo o respeito. Apesar de ter feito um bom trabalho a nível de “descobrir” talentos na formação do Benfica e na Liga dos Campeões, não pôs o Benfica no modo “rolo compressor” como fez Jesus, não ganhou a Supertaça e acima de tudo conseguiu perder três vezes na mesma época com o seu maior rival, coisa que pôs todos os benfiquistas de cabeça perdida.

Resta então saber o que Vieira irá fazer. Tem apenas duas opções, ou mantém a aposta em Rui Vitória e lhe oferece aquilo de que ele necessita para colocar o Benfica de novo na luta pelos títulos ou aposta noutro treinador que dê mais garantias à equipa encarnada.

Foto de Capa: Sport Lisboa e Benfica

Preso por ter seleção e preso por não ter

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cabeçalho fc porto

Incoerente e absolutamente desnecessário. É assim que classifico a tomada de posição do FC Porto em relação aos critérios de escolha do selecionador nacional nos jogos particulares com a Rússia e o Luxemburgo. Através da newsletter ‘Dragões Diário’, o clube da Invicta contestou o supostamente superior tempo de utilização que os jogadores do FC Porto tiveram nos encontros em questão. André André foi titular em ambas as partidas, Danilo Pereira e Rúben Neves apenas frente ao Luxemburgo. O jovem capitão também atuou alguns minutos em Krasnodar, participando assim nos dois jogos de preparação para o Euro 2016.

No segundo destes certames de preparação, Fernando Santos optou por não colocar nenhum jogador de Benfica e Sporting de início. Decisão compreensível, olhando para o derby que está aí à porta, já este sábado, para a Taça de Portugal. A questão: será este motivo o suficiente para o FC Porto levantar armas e bagagens contra o treinador da equipa das Quinas?

É verdade que os dragões também jogaram sábado. Mas contra o Angrense, atual líder da Série E do Campeonato de Portugal. Sem querer menosprezar o adversário, mas fazendo-o, inevitavelmente, o obstáculo que se colocou perante os azuis e brancos é substancialmente menor do que aquele que os rivais de Lisboa enfrentaram. Mais: analisando as estatísticas relativas ao tempo de jogo de cada elemento no duplo teste de preparação de Portugal, confirma-se que os jogadores dos três grandes acabam por acumular (em média) tempo de jogo semelhante.

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Rúben Neves somou a primeira internacionalização A frente à Rússia
Fonte: Facebook Rúben Neves

A verdade é que Fernando Santos se pôs a jeito das críticas quando, anteriormente, disse que os clubes não podiam influenciar as suas opções, mas a verdade é que tal aconteceu. No entanto, seria isto necessário? Julgo que não. Até… Evitável. Ainda mais, quando, no parágrafo seguinte, se volta a criticar o “Engenheiro” por apenas convocar Rúben Neves depois da lesão de João Moutinho. Ora então, em que ficamos? Já é plausível levar um jogador à seleção sob a condição deste não jogar? Estamos a falar de jogadores do FC Porto, que se querem e exigem de craveira, e que, obrigatoriamente, têm de estar preparados tal exigência competitiva. O calendário aperta e vai ficando progressivamente mais complicado, mas a fibra vesse nesses momentos. Ou é necessário dar o exemplo inglês, a que tantas vezes se recorre?

Uma atitude a rever, por parte dos responsáveis portistas. Acredito que não seja agradável experimentar a dualidade de critérios, mas é um caso justificável e que exigia uma resposta mais madura da parte do clube. Entrar em “arrufos” desnecessários vai contra aquilo que tanto elogiei no princípio da época: a postura séria e altruísta. E estamos a falar da Seleção Nacional; é ou não é um orgulho ter lá jogadores “da casa” a atuar, independentemente de fatores externos?