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Evolução na defesa

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tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

Ao longo da história do Futebol Clube do Porto sempre tivemos jogadores com raça, que não viram a cara à luta e que são como um relógio suíço em campo, cumprindo com regularidade a função que se lhes destina. Este tipo de jogador – muitas vezes designado “jogador à Porto” – era habitual no sector mais recuado da defensiva portista, onde as características apontadas acima são provavelmente mais importantes do que a inconstância de um génio capaz de dribles estonteantes. Ao longo da minha vida assisti a vários defesas que marcaram a história do Porto pela forma como se apresentavam em campo; jogadores como Aloísio, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Pepe (que evoluiu muitíssimo no Dragão), e, até certa altura, Bruno Alves são alguns exemplos de centrais que foram comandantes em campo e que tinham/têm qualidade enquanto futebolistas. E o sector defensivo sempre foi importante para os Dragões; geralmente contámos com defesas agressivos e cumpridores.

A defesa deste ano (e também do ano passado) parece carecer de uma figura de proa, de alguém que dê a confiança de que não vai falhar e que vai puxar os companheiros sempre que a motivação falhar. Mas a verdade é que os números apresentados não são maus e a forma como são constantemente chamados para a circulação de bola é um factor chave no jogo do Porto. E é nestes dois aspectos que gostava de me focar.

O Basco conseguiu melhorar a defesa portista
O Basco conseguiu melhorar a defesa portista

O Porto não sofre um golo no Dragão para o campeonato há 11 meses! É em casa que a equipa de Lopetegui mais solta a classe que tem e que menos oportunidades consente ao adversário. Fora de casa, para o campeonato, tem quatro golos sofridos, e para a Liga dos Campeões também quatro sofridos, sendo que do total de golos sofridos na champions só um foi de bola corrida legal (o primeiro contra o Dínamo de Kiev). No entanto não quero ilibar a equipa da desatenção no segundo golo dos ucranianos, embora tivesse havido um fora-de-jogo que não foi assinalado.

Nota-se que houve uma evolução defensiva especialmente a nível da maturidade em campo e da atenção – já não se vê aqueles disparates que se viu no ano passado com diversos golos sofridos devido a erros individuais. Estão mais jogadores à Porto. Maicon é o patrão da defesa e é quem faz muitas dobras (revela bom posicionamento) e Marcano tem o vigor e a rapidez de reflexos que um bom central deve ter. São diferentes mas a dupla tem funcionado e Indi também tem cumprido. A nível defensivo estou satisfeito com a nossa defesa e principalmente com os laterias Maxi e Layún. O caso do mexicano merece até uma análise profunda que fica para outra altura; não só é bom jogador como é um grande atleta!

Maicon começa a ser a grande referência portista na defesa
Maicon começa a ser a grande referência portista na defesa

O outro ponto chave de uma defesa inserida numa equipa como o Porto é a qualidade que empresta ao jogo ao nível da posse de bola. Os centrais devem ser os jogadores com a bola mais tempo nos pés e são fundamentais para fazer a ponte para o ataque e para diminuir o desgaste físico dos companheiros mais adiantados. Defesas fracos com a bola obrigam a equipa a vir buscar o jogo a terrenos muito recuados ou a um posicionamento menos avançado no terreno. Há logo uma perda de tempo e qualidade demasiado grande para ser ignorada. Uma defesa que não saiba ter a bola compromete todo o jogo ofensivo de uma equipa – já não estamos no tempo do central que chuta para onde está virado.

E talvez esta evolução na confiança com a bola seja o maior mérito de Lopetegui na defesa! Não há milagres: ainda ninguém quebra o jogo ao estilo de Beckenbauer – grande parte da relação que um jogador tem com a bola (o passe, a recepção, a visão de jogo, o “timing”) já nasce com ele e vai-se aprimorando com o tempo, mas sem dúvida que houve evolução no Porto nesse sentido. A vinda de Casillas, que joga bem com os pés, obrigou os jogadores a tratarem melhor a bola mas também lhes deu mais confiança para a circulação defensiva.

Há sinais que mostram evolução e a defesa é um deles. Acredito mesmo que esta evolução se vá traduzir a médio prazo no campeonato e em mais uma boa campanha na Liga milionária.

 

Fotos: FC Porto

10 coisas que ficam do Mundial Sub-17

futebol de formação cabeçalho

E vão 5 títulos – Com a repetição do triunfo obtido em 2013, nos EAU, a Nigéria sagrou-se bicampeã mundial, sendo o primeiro país a conseguir fazê-lo. Neste escalão, os africanos tiram sempre partido de um desenvolvimento físico mais acelerado, mas as dúvidas que pairam em relação à idade dos jogadores são cada vez menos justificadas. A FIFA e os organismos continentais (a CAF, neste caso) têm feito testes de verificação muito apertados e não há maneira de tirar o mérito aos nigerianos. A geração de Iheanacho, Success ou Yahaya tinha impressionado, mas esta equipa não ficou atrás. À excepção do jogo com o México, na meia-final, foi um passeio para jogadores como Kelechi Nwakali, o craque, ou Victor Osimhen, o goleador. Emmanuel Amunike, que brilhou ao serviço do Sporting e do Barcelona na década de 90, montou uma equipa claramente virada para o ataque, aproveitando a qualidade existente do meio campo para a frente. Apesar da vocação ofensiva do conjunto africano, o guarda-redes Akpan Udoh foi o melhor da prova, sendo também de realçar as excelentes exibições do lateral-direito John Lazarus, bastante activo na exploração do flanco. Nwakali foi o patrão do meio campo e Osimhen o principal desequilibrador no ataque, mas Samuel Chukwueze, com um pé esquerdo temível a criar pela direita, foi um aliado de grande nível.

Kelechi Nwakali: um Kroos ou um Sani Emmanuel? – O sucessor de Kelechi Iheanacho como melhor jogador do torneio é, tal como o compatriota, jogador do Manchester City. Pode definir-se o jovem de 17 anos como um médio ofensivo moderno, já que, apesar de ser mais forte no ataque, não se alheia do processo defensivo, cumprindo com eficácia as tarefas de pressão e recuperação. Já com uma maturidade assinalável, Nwakali tem muita qualidade de passe e é um exímio marcador de bolas paradas. Não há dúvidas de que pode tornar-se um caso sério, mas para isso acontecer terá de seguir as pisadas de um Toni Kroos, que brilhou nesta competição em 2007, e nunca de um Sani Emmanuel, melhor jogador em 2009 mas actualmente sem clube. Yaya Touré disse recentemente que os jogadores africanos só olham para o lado fácil da profissão e que, por esse motivo, existem poucos entre os melhores do mundo. Nwakali quererá ser um deles.

México: a outra potência – Depois dos títulos em 2005, com a geração de Carlos Vela, Giovani dos Santos ou Hector Moreno, e 2011, num Estádio Azteca lotado com mais de 100 mil pessoas, a “Tri” voltou a alcançar um resultado que comprova a força do país neste escalão. O quarto lugar até sabe a pouco, tendo em conta que o México foi a equipa que melhor futebol apresentou no torneio. Com uma matriz de jogo bastante idêntica à da selecção principal, os centro-americanos impressionaram pela excelente organização colectiva, que potenciou o talento individual. Os laterais (Diego Cortés e Ulises Torres, do melhor que se viu na prova) funcionaram como autênticos alas e o médio mais recuado, Alan Cervantes, destacou-se pela forma simples mas altamente eficaz como joga, juntando-se aos centrais na saída de bola. Pablo Pérez, médio esquerdino de grande rotação, estabelecia a ligação com o ataque da equipa, muito móvel e com jogadores bastante interessantes do ponto de vista técnico. Kevin Lara e Kevin Magaña desequilibraram pelos corredores, enquanto Claudio Zamudio jogou no apoio ao avançado Eduardo Aguirre. Desmontando por sectores, o México leva o prémio de equipa mais homogénea do torneio, e só a tremenda falta de eficácia na meia-final com a Nigéria impediu o título.

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O México foi uma das selecções que melhor futebol apresentou
Fonte: Facebook da FIFA U-17 World Cup

A esperança de fazer o que ainda não foi feito – Que ano de sonho para os malianos. O terceiro lugar no Mundial sub-20 parecia difícil de superar, mas a prestação dos sub-17 foi ainda melhor. Uma presença na final é fantástico para um país que nunca logrou atingir um Mundial a nível sénior, mas que, com tanta qualidade a aparecer, pode acreditar que isso acontecerá em breve. Os africanos apresentaram uma equipa que contraria o paradigma habitual do futebol do continente, evoluída tacticamente e bem organizada no sector mais recuado. O Mali teve mesmo um dos melhores registos defensivos da prova, com Samuel Diarra, guarda-redes que transmitiu enorme segurança, a ser um dos maiores responsáveis por esse feito. Foi, no entanto, do meio campo para a frente que apareceram as maiores figuras deste conjunto. Amadou Haidara, médio de transição com facilidade em integrar-se no ataque, e especialmente os extremos Ally Mallé, muito explosivo, e Sékou Koita, esquerdino fortíssimo no 1×1, são jovens a ter em conta para o futuro.

Melhor do que Sinama-Pongolle e Souleymane Coulibaly – Victor Osimhen é um nome para decorar. Foi o jogador mais em foco na competição disputada no Chile e ganhou certamente um bilhete para o futebol europeu, até porque está, por estranho que pareça, sem clube. O avançado nigeriano foi o melhor marcador do torneio, com 10 golos que o tornam no maior goleador da História do Mundial Sub-17 (o francês, bem conhecido pelos sportinguistas, e o costa-marfinense chegaram aos 9). Não seria o primeiro talento africano a não corresponder às expectativas que criou, mas a qualidade que mostrou deixou água na boca. De passada larga e com uma capacidade de aceleração fantástica, é um avançado móvel e que procura muitas vezes o flanco esquerdo para ter espaço para arrancar. Tendo qualidade técnica e capacidade física para criar desequilíbrios, foi uma ameaça constante para os adversários e revelou excelentes atributos na finalização (de pé direito, esquerdo e de cabeça).

Este Mundial não é para europeus – Não há maneira de as selecções do Velho Continente darem cartas neste escalão. Apesar de a França, campeã europeia, ser uma forte candidata à vitória, foi surpreendida pela Costa Rica nos oitavos-de-final e acabou por ser uma das maiores desilusões da prova. Bilal Boutobba e Odsonne Edouard foram uma sombra daquilo que apresentaram no Europeu, deixando os gauleses a meio gás em termos ofensivos. As boas prestações de Timothé Cognat, que se destacou no capítulo das assistências, e de Nanitamo Ikone, esquerdino que desequilibrou a partir da direita, foram insuficientes. A Alemanha não fez melhor, caindo na mesma fase da competição frente a uma sensacional Croácia. Esta geração alemã não é particularmente entusiasmante e, com Felix Passlack bastante apagado, não houve capacidade para ir mais longe. Saem com nota positiva o médio Vitaly Janelt, que demonstrou grande facilidade de aparecer em zonas de finalização, e sobretudo o avançado Johannes Eggestein, inteligente nas movimentações e com excelente sentido de baliza. A Rússia, que já este ano esteve na final do Euro sub-19, continua a deixar sinais positivos para que exista uma renovação no seu futebol. Foi eliminada de forma algo surpreendente pelo Equador, também nos oitavos-de-final, mas revelou jogadores como Georgy Makhatadze, médio cerebral com grande visão de jogo, ou Fedor Chalov, avançado móvel e com óptimo poder de desmarcação, que têm condições para fazer parte da selecção principal a médio prazo. A pior de todas as selecções europeias foi a Inglaterra, que, mesmo estando a apostar fortemente na formação, continua a passar ao lado da maioria destes torneios. Os jovens ingleses não resistiram a um grupo com Brasil e Coreia do Sul, e as exibições de Jay da Silva, lateral-esquerdo muito promissor do Chelsea, ou Marcus Edwards ficaram muito aquém das expectativas.

A salvar a Europa – A Bélgica e a Croácia são das selecções mais interessantes a nível sénior, mas não só. O país francófono é um dos maiores produtores de talento da actualidade e esta geração de sub-17, liderada por Wout Faes, o “David Luiz” belga, conseguiu um resultado muito interessante (3º lugar). Ainda assim, para já não se identificou nenhum jogador que possa chegar ao nível de um Hazard ou de um De Bruyne, mesmo que os médios Dante Rigo e Alper Ademoglu e o avançado Jorn Van Camp tenham dado nas vistas. Pelo contrário, na Croácia há uma mina de ouro para explorar. Com quase toda a equipa titular pertencente à formação do Dínamo de Zagreb, a selecção dos balcãs foi a única capaz de bater a Nigéria e só caiu nos quartos-de-final perante o Mali, já depois de ter vergado a Alemanha. Estiveram três jogadores em especial evidência: Adrian Semper, um pilar na baliza, Nikola Moro, médio ofensivo muito evoluído tecnicamente e com uma visão de jogo soberba, e Josip Brekalo, extremo rápido e criativo, muito perigoso a flectir da esquerda para o meio. Para além destes, que tiveram maior preponderância, o lateral-esquerdo Borna Sosa, muito competente a defender e bastante activo na exploração do flanco, também mostrou ter grande margem de progressão.

Moro e Nwakali, dois dos melhores do torneio
Fonte: Facebook da FIFA U-17 World Cup

Até o talento se foi – Quando a Argentina é eliminada na fase de grupos dos dois Mundiais jovens, é hora de perceber que o trabalho não está a ser bem feito. A participação nos sub-17 ainda conseguiu ser pior do que a dos sub-20, com três derrotas e apenas um golo marcado. É certo que a alviceleste estava no grupo da morte, com Alemanha, México e Austrália, mas isso não serve de desculpa para tanta desorganização e para a inexistência de princípios de jogo. Tirando Tomás Conechny, médio ofensivo/avançado esquerdino com grande qualidade técnica, nem sequer deu para identificar potenciais craques, o que não deixa de ser um sinal preocupante para o futuro.

Surpresas latino-americanas – Em torneios de futebol jovem, há sempre espaço para resultados inesperados. A maior proeza terá sido obtida pela Costa Rica, que eliminou a França com a melhor exibição defensiva do torneio e chegou aos quartos-de-final. O ponto forte dos “Ticos” esteve mesmo no sector mais recuado, com um esquema de três centrais – muito semelhante ao da selecção principal – onde Esteban González foi o patrão. Sem grandes armas ofensivas, apesar do potencial interessante de Kevin Masís e do ponta-de-lança Andy Reyes, acabou por sobressair o médio Roberto Córdoba, dono de um pé esquerdo de grande qualidade. O título de equipa sensação é também partilhado pelo Equador, que tem vindo a crescer imenso na última década e que conseguiu levar a melhor sobre selecções como a Rússia ou a Bélgica. A balança dos equatorianos pendeu claramente para o lado esquerdo, onde o lateral Peris Estupiñan fez uso da sua dimensão física para fazer a diferença em termos ofensivos. O futebol vertiginoso foi uma trademark dos sul-americanos, que tiveram na dupla de ataque composta por Washington Corozo e Jhon Pereira uma parceria de sucesso.

O futebol contra a guerra – Há dois anos, a selecção de sub-20 do Iraque conquistou um surpreendente quarto lugar no Mundial da Turquia, que revelou jogadores como Ali Adnan, actualmente na Udinese, Humam Tariq ou Dhurgam Ismael. Já este ano, a Palestina estreou-se na Taça Asiática e pôde, pela primeira vez, receber um jogo no seu território. A Síria não quis ficar atrás e alcançou a segunda presença num Mundial de sub-17, festejando um ponto contra a Nova Zelândia. Apesar dos problemas estruturais que afectam estes países, há algo em comum entre os “Filhos da Guerra”: o talento puro para o futebol.

11 ideal:

GR Akpan Udoh (Nigéria), LD Diego Cortés (México), DC Wout Faes (Bélgica), DC Francisco Venegas (México) LE Borna Sosa (Croácia); MDEF Alan Cervantes (México), MC Pablo Pérez (México), MO Kelechi Nwakali (Nigéria); EE Ally Mallé (Mali), PL Victor Osimhen (Nigéria), EE Samuel Chukwueze (Nigéria).

Foto de Capa: Facebook da FIFA U-17 World Cup

Esta equipa tem de crescer forçosamente na segunda volta

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sporting cabeçalho generíco

Se há palavras de Jorge Jesus com as quais concordo, estas seriam, sem dúvidas, aquelas que reitero e considero serem as mais acertadas.

Este lugar do Sporting no topo da tabela classificativa parece estar a incomodar gente a mais… E alguém vai ter de pagar! Quem será esse alguém? Os jogadores da equipa leonina!

A partir de agora vai valer tudo em campo… Teremos treinadores a entrar em campo a provocar os jogadores do Sporting, teremos comentadores de programas constantemente a desestabilizar, teremos cedências dos números dos jogadores verde-e-brancos para o público em geral poder atacar a seu bel-prazer, teremos castigos aplicados aos jogadores leoninos totalmente desproporcionais perante outras situações ou provocações (não posso deixar de mostrar a minha indignação para com a diferença de castigo aplicada a Naldo e a Lito Vidigal… Um está suspenso e arrisca-se a parar no mínimo 2 meses… E o outro paga uma multa de 40 euros… INCRÍVEL!).

E aqui é que a juventude da equipa do Sporting se vai fazer sentir: o sangue na guelra e as atitudes irrefletidas. Naldo foi “só” a primeira vítima. Se os jogadores do Sporting não crescerem, especialmente psicologicamente, a estrelinha de campeão que nos acompanhou nesta jornada vai-se apagar, e não há Jesus que nos valha.

Naldo foi a primeira grande vítima das provocações constantes que o Sporting irá sofrer.  Fonte: desporto.sapo.pt
Naldo foi a primeira grande vítima das provocações constantes que o Sporting irá sofrer.
Fonte: desporto.sapo.pt

E se, por vezes, penso que o JJ se excede, nesta jornada tenho de dar os sinceros parabéns à atitude do treinador leonino. Foi sempre um poço de calma e tranquilidade quando a equipa esteve perto de escorregar para a perda de dois pontos importantes na luta pelo campeonato. E nem a expulsão “enervou” Jesus: os braços fortemente cruzados transmitiam aquilo de que a juventude verde-e-branca precisava… Calma e tranquilidade para os minutos que faltavam… E dá-se o golo! Aí, foi altura de extravasar… E Jorge Jesus extravasou, e bem! –  aquele abraço a Bruno Carvalho mostra claramente aquilo que todos profetizavam… “Que em menos de dois meses Jesus e Carvalho já se tinham desentendido” e (provavelmente) um iria sair…

Pois bem, meus profetizadores da desgraça, vão ter de aguentar um Sporting mais unido que nunca… Que tem vitórias e derrotas, que ganha jogos com jogadores expulsos, e que, apesar de dizerem que “anda ao colinho”, quem é isento sabe que até tem sido ligeiramente prejudicado. Mas, antes de se falar de arbitragem, temos de jogar à bola e querer mais que os adversários, e nesta época o Sporting tem um querer maior que nunca! E querer é poder! Mas JJ é que sabe, e: «Esta equipa tem de crescer forçosamente na segunda volta.».

Foto de capa: diariodaloira.wordpress.com

SL Benfica imparável na liderança

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cab futsal

No passado fim-de-semana, cumpriu-se mais uma jornada da Liga Sport Zone, o principal escalão do futsal português, e desta feita vou destacar um jogo que não envolveu nenhum dos principais candidatos ao título, e que teve honras de transmissão televisiva: o jogo entre Burinhosa e Belenenses/Express Glass. Ao longo dos 40 minutos de jogo ambas as equipas explicaram em campo a razão pela qual a RTP2 decidiu transmitir o jogo em direto. Que grande jogo que foi, com a incerteza a pairar no marcador, e o resultado final acabou por ditar uma divisão de pontos num jogo onde nenhuma das duas equipas presentes em campo merecia perder.

O jogo terminou empatado a dois golos, numa partida extremamente equilibrada e onde a equipa do distrito de Leiria entrou a ganhar, com um golo aos sete minutos, marcado por Marquinhos. Tiago Carvalho empatou aos nove minutos e ainda antes do intervalo, aos 18 minutos, Pimpolho voltou a colocar a Burinhosa na liderança do marcador. Aos 21 minutos, Tiago Carvalho bisou e fechou assim as contas do marcador, numa segunda parte com ligeiro ascendente dos homens do restelo, que conseguiram fazer com que o seu adversário fizesse a quinta falta sensivelmente a meio da etapa complementar, fazendo com que cada falta originasse um livre direto, ou seja, uma situação de perigo iminente.

Nos restantes jogos, destaque para mais uma vitória do SL Benfica por 3 golos a 1 frente ao SL Olivais, garantindo assim a nona vitória em outros tantos jogos, num jogo que se disputou na sexta à noite devido aos compromissos do Benfica na UEFA Futsal Cup durante esta semana e que proporcionou um bom espetáculo para quem se deslocou até ao pavilhão nº 2 da Luz, com os encarnados a saírem vencedores num jogo onde o SL Olivais provou estar a ser uma das boas surpresas do campeonato: apesar de só terem marcado o seu tento de honra nos segundos finais nunca desistiram do resultado e podiam ter acabado o jogo com pelo menos mais um golo não fosse o desacerto dos avançados lisboetas na finalização.

O Sporting CP teve um jogo bem mais tranquilo, vencendo no seu reduto o CS São João por 8-1, isto apesar de ter sido a formação de Coimbra a inaugurar o marcador nos segundos iniciais, pese embora a vitória leonina nunca ter estado em perigo tal foi a superioridade demonstrada ao longo dos 40 minutos de jogo.

Triunfo leonino nunca esteve em causa Fonte: Futsal Global
Triunfo leonino nunca esteve em causa
Fonte: Futsal Global

A desportiva do Fundão venceu na deslocação a Braga, para defrontar o Gualtar, por 1-0, no jogo com menos golos da jornada mas porventura o jogo mais emocionante e com mais qualidade de toda a jornada. Um golo que surgiu logo aos seis minutos da primeira parte e que se revelou decisivo para as contas finais do jogo, apesar das muitas oportunidades de parte a parte que surgiram durante todo o jogo e da muito boa réplica dada pela equipa do Gualtar. De resto, todos os outros três jogos registaram vitórias caseiras, do SC Braga perante o Leões de Porto Salvo, por 6-0, do Modicus frente ao Rio Ave (6-3) e da Quinta dos Lombos ante o Boavista (5-2).

Foto de Capa: Futsal Global

Desculpa, Gonçalo Guedes!

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Desculpa. Peço desculpa a Gonçalo Guedes. Peço-lhe desculpa porque, há alguns artigos atrás, o critiquei injustamente; não soube ter visão. Disse que um jogador tão certinho, tão colado à linha, nunca poderia ser o substituto de Salvio, um jogador feroz que sabe desequilibrar o jogo como poucos. Afinal enganei-me; ainda bem que me enganei!

Gonçalo Guedes precisava disto: precisava de jogar! Precisava de que o lançassem e de meter os pés na terra. De ver que era craque na equipa B mas que aqui seria apenas uma entre muitas alternativas. Ele sentiu isso. Sentiu e viu-se nele vontade de crescer de jogo para jogo. Começou certinho, por vezes a comprometer no sector mais recuado e a não sair muito bem com a bola nos movimentos de transição. Mas o jogador soube superar-se. Soube tirar o melhor do seu conhecimento táctico. Soltou-se um pouco mais da linha e começou a aparecer mais no meio. Está a fazer-se um grande extremo direito e, nunca pensei dizer isto, vai dificultar, em muito, a vida a Salvio quando este regressar de lesão.

A ascensão desta jovem pérola até à equipa principal, e depois até ao onze inicial, vale muito mais que qualquer aquisição que o Benfica poderia ter feito. Porquê? Este não precisa de que lhe mostrem o museu do Benfica, não precisa de saber que o emblema que leva ao peito vale mais do que qualquer outro. Este viu os seus colegas, também rotulados como promessas, partir sem sequer fazerem mais do que meia dúzia de jogos pela equipa principal. Mesmo assim ele não desistiu. Continuou a lutar e a dar o seu melhor sempre que era chamado. E agora? Agora marca golos, parte defesas e dá sustentabilidade ao lado direito do Benfica. A parceria Nélson Semedo – Gonçalo Guedes dá garantias, vai dar títulos e é para durar.

O jovem português vive um momento incrível na carreira. Promete!; Fonte: Facebook oficial do Sport Lisboa e Benfica
O jovem português vive um momento incrível na carreira. Promete!
Fonte: Facebook oficial do Sport Lisboa e Benfica

Atenção! Isto não acaba aqui. O físico, o conhecimento táctico, as movimentações da linha para o centro e o remate colocado podem fazer do jovem de Benavente um grande jogador do futebol mundial. Já andam todos de olho nele. Este pode vir a ser um ala daqueles que marcam tantos golos como os ponta-de-lança; pode ser daqueles que decidem jogos, que fazem golos de levantar estádio: pode ser o próximo embaixador do Benfica.

Com Jorge Jesus o Gonçalo não estaria onde está hoje. Não estaria a marcar consecutivamente, a fazer boas exibições e a encabeçar a lista de escolhidos para a Selecção Nacional A. E aí está a magia de Rui Vitória. O treinador ribatejano não vai deixar as pérolas sair; muito menos sem as aproveitar e tirar o sumo devido de cada um deles. Quem me dera que Vitória tivesse chegado antes de João Cancelo e Bernardo Silva serem vendidos… Mas não vale a pena chorar sobre o leite derramado. Vamos continuar. Vamos continuar a trabalhar e a fazer crescer aqueles que amam o clube.

Agora só há duas coisas a fazer:

1 – Desejar que Jorge Mendes não venda Gonçalo Guedes a nenhum fundo ou faça um negócio de 15 milhões com o Valência ou o Mónaco;

2- Dar os parabéns ao Gonçalo e pedir desculpa. Há que saber admitir os erros, e o meu erro foi não perceber o talento que estava por explorar neste jovem; foi não perceber que o rapaz só precisava de jogar.

Hollywood à Portuguesa

porta
Fazer uma pausa para almoçar é, para a grande maioria das pessoas, um momento de descanso merecido e uma pausa no trabalho que nunca acaba e muitas das vezes se acumula nas secretárias. Normalmente opto por passar os meus almoços sempre com a televisão ligada num noticiário e, após a refeição, o smartphone na mão tentando perceber o que se passa nas redes sociais. Hoje, confesso que o cardápio noticioso foi dos melhores dos últimos tempos, pois a oferta variava desde moções de rejeição a Governos eleitos até processos judiciais no tribunal do Barreiro, ou seja, tivemos todo um vislumbre de Portugal no seu melhor. Para digestivo nada melhor do que Cristiano Ronaldo “superstar”, merecedor de um documentário sobre a sua vida dentro e fora dos estádios.

Foi a partir desta peça sobre o melhor jogador do Mundo e o desfile na passadeira vermelha que fiz um exercício mental para tentar comparar o que se passa aqui neste cantinho à beira-mar plantado e passá-lo para o contexto da sétima arte e glamour de Hollywood. Vamos a isto?

 

The good , The Bad and the Ugly (O Bom, o Mau e o Vilão) Um filme em que a estrela é nem mais nem menos do que Jorge Jesus. Ao contrário do que se passa no icónico spaghetti western de Sergio Leone, o treinador do Sporting é todos os personagens do filme, mostrando a versatilidade e a relação de amor-ódio que despertou com a sua ida para Alvalade.

The Good Jorge Jesus – Blondie –  um treinador de sucesso, à procura dum tesouro perdido há algum tempo em Alvalade, mas a pessoa indicada para devolver ao seu Sporting as “riquezas” que merece. Colocou o clube numa rota de sucesso no campeonato, mudando a atitude dos jogadores e a postura que os mesmos apresentavam em campo. Criou uma relação de empatia com os adeptos, nunca se cansando de elogiar o apoio dos mesmos e referindo a importância que eles têm nas vitórias do clube. Acabou com um jejum demasiado longo de vitórias no campo do rival.

The Bad Jorge Jesus – Angel Eyes – Depois de incontáveis sucessos num clube que ajudou a reerguer, JJ sai do Estádio da Luz sem se despedir dos adeptos benfiquistas e do próprio Presidente que tinha um contrato vitalício para lhe oferecer e uma viagem a dois para destinos exóticos como o Médio Oriente (novo Lawrence da Arábia?). Um homem sem escrúpulos e que abandonou todos os que o admiravam e idolatravam, apenas se preocupando com ele próprio. Como retaliação, o exército da “confederação” colocou um mandato de captura com uma recompensa de 15 milhões de euros.

The Ugly Jorge Jesus – Tuco – O Sporting europeu tem deixado muito a desejar. A verdade é que a Liga Europa não pode nunca ser a grande prioridade dos leões para esta temporada, e que o treinador tem apontado – e bem – as “miras” das suas pistolas para o campeonato português. Ainda assim, exibições como a da passada quinta-feira dão um aspecto desajeitado e pouco apresentável a um clube histórico no contexto europeu.

A extremo peruano é uma dor de cabeça para JJ Fonte: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal
Carrillo também tem direito ao seu remake de Hollywood
Fonte: Sporting CP

Saturday Night Fever (Febre de Sábado à Noite) – André “Travolta” Carrillo é um jovem cheio de swag. Rico, solteiro e cheio de si próprio vive todos os dias na esperança que seja Sábado à noite para ir dançar nas discotecas da moda da noite lisboeta. Apesar do talento que lhe é reconhecido, André acaba por se deixar envolver num mundo que não é o seu, seduzido pelas palavras de dinheiro fácil, fama instantânea e rejeitando o seu passado ou quem fez quase tudo por ele.

Em certos momentos, o jovem dá a entender que a sua cabeça não esquece por completo as suas origens, demonstrando que existe um conflito entre o que é a moralidade e a ilusão, entre o que é o correcto e o incontrolável desejo de alcançar rapidamente o estrelato, sem olhando a meios para o fazer.

Os seus novos “amigos”,  Henrique e Elio, estão sempre “protegendo” a sua galinha dos ovos de ouro, chegando ao ponto de contratar seguranças para que Travolta possa viver descansado, sem ouvir a voz da razão e conseguir fazer o que mais gosta… Dançar ao sábado à noite.

 

Dinner for Schmucks (Jantar de Idiotas) – Vários homens com profissões que vão desde engenheiros, advogados até proprietários de talhos têm um ponto em comum, a arbitragem. A certa altura do enredo, todos as personagens começam a receber caixas negras com convites para jantares em restaurantes caros e entre outras oferendas, nunca se percebendo o objectivo claro por trás da oferta de todas estas caixas.

As autoridades competentes também se revelam incapazes de solucionar o mistério, não pondo em prática as leis que existem nos códigos de Ética da UEFA onde é dito que as ofertas não podem ser superior a um valor de 180 euros e que nunca podem ser objectos de valor claro, mas sim especialidades típicas da região onde o jogo foi disputado ou lembranças do jogo em questão (Galhardetes ou cachecóis).

A trama adensa-se quando um dos Caporegime da organização é confrontado com todas as suspeitas e questionado sobre a verdadeira intenção de tais jantares, acabando por se contradizer e mostrando que há mais para ser dito e colocado em causa. Poderá – e deverá – haver uma sequela deste filme.

Foto de Capa: Sporting CP

 

Jogadores que Admiro #44 – Liédson

jogadoresqueadmiro

Baixinho, franzino e meio trapalhão a andar… Quem olhava para Liedson da Silva Muniz não imaginava que ali estava um verdadeiro “trinta-e-um” para as defesas adversárias!

Não tinha uma técnica apuradíssima, mas era uma verdadeira carraça para os defesas e guarda-redes adversários e tinha um poder de elevação IMPRESSIONANTE…

Era espantoso ver como um jogador com apenas 1,75m conseguia ganhar bolas de cabeça a todos os adversários que eram bem mais altos do que ele… que o diga Luisão (1,92m), cujo pesadelo era enfrentar o Levezinho! O Benfica tem má memória deste avançado… só ele marcou por 11 vezes contra os encarnados!

Mais impressionante do que o seu poder de impulsão era só mesmo a sua história… Não era um jogador de camadas jovens de grandes (ou pequenos) clubes e trabalhava inclusive como caixa num supermercado na Bahia quando foi descoberto para o mundo do futebol, apenas aos 22 anos. Daí até ao estrelato foi “um tirinho”!

Talvez por saber as dificuldades da “vida real”, Liédson recusava-se a desistir de qualquer bola e nunca a dava como perdida, o que originava grandes recuperações de bola e alguns golos “fáceis”.

Em 13 épocas como profissional, o Levezinho marcou 312 golos e chegou a internacional A pela Seleção Portuguesa, quando os avançados estavam em via de extinção em Portugal, tendo inclusivamente com os seus golos ajudado Portugal a carimbar o apuramento para o Mundial de 2010 na África do Sul.

Impressionante também era o respeito que rapidamente ganhava de todos os adeptos… Desejado onde passou, e nunca, quando chegava a hora de abandonar, os adeptos evitavam as lágrimas (e até o próprio jogador). É impossível esquecer aquela despedida de Alvalade onde um estádio inteiro chorava a despedida (inglória) do seu ídolo, do seu “levezinho” ou “Liedshow“! Mas Liedson não era um ídolo da sua torcida, ganhou também o respeito e admiração dos adeptos adversários. Existia um carinho especial pelo “enorme” jogador que era e pela sua humildade.

O levezinho Fonte: Telegraph
O levezinho
Fonte: Telegraph

Parece que estou a trair o meu Sporting quando falo de um jogador que acabou a carreira no FC Porto e inclusive deu a marcar o golo que ajoelhou Jesus e deu o campeonato nacional aos azuis e brancos…

Mas ao Sporting deu tudo o que conseguiu… Taças de Portugal, Supertaças, golos, garra e trabalho… Se Liédson fosse uma frase, seria concerteza: “Esforço, Dedicação, Devoção e (alguma) Glória”… mas não tanta como aquela que merecia.

Por isso, os adeptos leoninos eternizaram-no com a famosa frase: “Liédson resolve!”… e resolvia mesmo!

CF “Os Belenenses” 2-1 CD Tondela: São Martinho com pastéis e jeropiga

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No rescaldo da derrota europeia frente ao FC Basileia, o Belenenses recebeu e venceu o Tondela no penúltimo jogo da décima jornada. O Tondela, urgentemente a precisar de pontos para fugir ao lugar de “lanterna vermelha” do campeonato, até começou o jogo de forma aguerrida e a querer assustar Ventura, mas a equipa da casa cedo impôs a sua lei e ganhou ascendente sobre os recém-promovidos.

Kuca foi dos primeiros a incomodar o guardião Cláudio Ramos, mas a pouca celeridade do extremo azul levou a que a defesa tondelense conseguisse aliviar a bola da sua área. O Belenenses não mais perdeu o controlo do jogo e continuou a dominar a partida e a remeter o Tondela para o seu meio-campo. Foi assim com naturalidade que, à passagem dos 20 minutos, Tiago Silva se isolou na área auri-verde e inaugurou o marcador.

Mesmo com a desvantagem no marcador, a equipa de Rui Bento mostrava-se incapaz de criar perigo perto da área do Belenenses; aproveitavam os azuis do Restelo para tentar aumentar a vantagem, algo que estiveram perto de conseguir já em cima do intervalo, com um remate fortíssimo de Tiago Caeiro a bater na barra da baliza do Tondela e a ultrapassar a linha de golo, mas Nuno Almeida não validou o lance.

A segunda parte começou mais “partida”, com oportunidades de golo claras para as duas equipas. O Tondela, na sequência de um canto, quase conseguia empatar a partida mas Luís Alberto – acabado de entrar em campo – não conseguiu dar a melhor sequência ao lance. Pouco depois,  Kuca rasga pelo lado esquerdo do ataque e cruza na perfeição para Dálcio falhar um golo que parecia fácil.

Infelizmente, o Restelo contou com pouca gente nas bancadas Fonte: CF "Os Belenenses"
Apesar da noite quente de Novembro, os adeptos do Belenenses voltaram a não marcar presença.
Fonte: CF “Os Belenenses”

O mote para uma segunda parte mais equilibrada estava dado, e o Tondela, com as alterações realizadas por Rui Bento, voltou a discutir o jogo e o resultado, criando boas oportunidades para o empate. Mas, num contra-ataque rápido em que a defesa tondelense não esteve isenta de culpas, Tiago Caeiro aparece solto perante Cláudio e aumenta a vantagem.

Os visitantes acusaram o segundo golo e acabaram por perder o controlo emocional em alguns momentos da partida, usando demasiada agressividade na disputa de lances a meio-campo. O melhor que o Tondela conseguiu foi mesmo marcar o seu tento de honra, num cabeceamento de Piojo. Mas, até ao final da partida, o Belenenses acabou por conseguiu esconder a bola e garantir os três pontos.

Uma vitória justa da equipa da casa, que dominou a primeira parte e conseguiu ser mais madura nos momentos fulcrais do jogo. Mesmo com o golo do Tondela, o Belenenses não perdeu o seu rumo e Sá Pinto consegue assim uma vitória após a desilusão europeia da última quinta-feira.

A Figura 

Kuca  – O extremo cabo-verdiano voltou às boas exibições e a ser um verdadeiro quebra-cabeças para os defesas auri-verdes e especialmente para Edu Machado. Cruzamentos venenosos, boas triangulações e imensa rapidez dão outra cor ao ataque dos azuis do Restelo.

O Fora-de-Jogo 

Fraca assistência – Se no último jogo caseiro o dilúvio que se fez sentir foi desculpa, nesta partida, e em pleno Verão de São Martinho, os cerca de dois mil adeptos presentes nunca conseguiram aquecer as gargantas. Nota positiva para os adeptos do Tondela que apareceram em bom número no Restelo.

Texto de Carolina Neto e Vítor Miguel Gonçalves

Quanto é que já vale Slimani?

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Depois de mais uma vitória sofrida pela margem mínima (em oito triunfos, cinco foram por um golo de diferença) o Sporting continua com a mesma vantagem pontual antes de mais uma paragem para jogos internacionais.

Contra um autocarro de dois pisos, o Sporting não criou muitas ocasiões de golo e, mais uma vez, há que destacar a exibição e a eficácia de Islam Slimani. Praticamente no único remate que fez em todo o jogo, o argelino marcou um golo muito importante. Já no reinado de Leonardo Jardim tinha sido Super Sli a desbloquear o jogo no relvado (ou coisa semelhante que lá existe) de Arouca. Quando chegou a Alvalade raramente dominava uma bola com os pés e agora está feito um senhor jogador, na minha opinião o melhor avançado do campeonato, a par de Jonas. São eles os dois melhores marcadores da Liga; o brasileiro com 8 e Slimani com 7 festejos.

Mas olhando em particular para o africano existe muita coisa para dizer. Slimani foi contratado por 300 mil euros e, neste momento, penso que 15 milhões de euros não o levariam para fora de Alvalade. O avançado que começou, na sua primeira época, por ser a arma secreta que entrava nas segundas partes quando Montero não conseguia desbloquear os jogos tornou-se a principal arma ofensiva da equipa. Pressiona os centrais (hoje Teo também esteve bem neste aspeto), foge para os flancos, vem atrás em busca da bola para jogar, já tenta adornar lances e fazer tabelas com os colegas.

Se entre os dois avançados colombianos existem dúvidas sobre qual deve jogar, com alguns adeptos a preferirem Fredy Montero e outros a preferirem Teófilo Gutiérrez, sobre Islam Slimani não existem interrogações. Ele tem de jogar sempre no campeonato, tem de estar sempre nos momentos onde o jogo se decide. E isto acontece porque teve uma evolução tremenda com Leonardo Jardim, Marco Silva e, agora, Jorge Jesus.

Legenda: Os pés de Slimani já tratam a bola por tu… Fonte: Sporting CP
Legenda: Os pés de Slimani já tratam a bola por tu…
Fonte: Sporting CP

Um dos defeitos que se lhe apontavam era a falta de eficácia em algumas situações. Havia jogos em que Slimani fazia desesperar os adeptos com alguns falhanços clamorosos. Mas a final da Taça frente ao SC Braga, o golo na receção ao CSKA Moscovo, a cabeçada no Estádio da Luz e o golo de Arouca são quatro momentos muito fortes do argelino em jogos muitíssimo importantes nos últimos tempos. Ele está feito um grande jogador e, a meu ver, faz parte da atual espinha dorsal da equipa: Rui Patrício, Paulo Oliveira, William Carvalho, Adrien, João Mário e Slimani. São estes seis os principais trunfos do clube na luta pelo título nesta época. Oxalá não saia nenhum deles em janeiro.

Ainda sobre Slimani, um último pormenor: tem melhorado os seus índices de paciência. Esta época já viu pelo menos três defesas (Sergei Ignashevich, Paulo Vinícius e Mano) jogarem andebol à sua frente. O argelino abre os braços, grita com os árbitros, mas vai conseguindo conter os amarelos e isso também é importante.

Uma nota apenas sobre o jogo da Albânia. Sim, é muito mau termos perdido por 3-0 frente ao Skenderbeu. Os nossos suplentes tinham obrigação de vencer aquele jogo, frente a uma equipa de Segunda Liga portuguesa. Mas, em Moscovo, acho que Jesus deve escolher a mesma equipa. Porque antes há jogo com o Benfica e depois há receção ao Belenenses. Já que a UEFA colocou injustamente, e pelo segundo ano consecutivo, o Sporting na Liga Europa, penso que o facto de o Sporting colocar a UEFA em segundo plano é uma resposta apropriada. Vencer o campeonato significará ter a época ganha. E vitórias como a de Arouca são muito importantes e saborosas…

Foto de Capa: Sporting CP

Kurban Berdyev – O Arquitecto do novo FC Rostov

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El Rubin Kazan, ejército ruso dirigido por el camarada Berdyev, hizo lo imposible en el Camp Nou, que asistió atónito a la Revolución Rusa del siglo XXI. El Rubin fue capaz de ganar al Barcelona en su propia casa y asaltar un estadio ajeno en los últimos tiempos a todo tipo de males.”. Foi desta forma que o jornal Marca, através da sua página na Internet, descreveu a épica vitória do Rubin Kazan em pleno Camp Nou, perante 55930 espectadores, a 20 de Outubro de 2009.

Há seis anos atrás, a equipa da República do Tartaristão, superiormente orientada pelo misterioso Kurban Berdyev, viajou até à Catalunha para medir forças com o FC Barcelona de Pep Guardiola para a Liga dos Campeões e saiu de Camp Nou com uma valiosa vitória por 2-1, numa época em que os Blaugrana se sagraram campeões de Espanha com apenas uma derrota em 38 jogos.

O médio russo Alexander Ryazantsev e o irreverente extremo turco Gökdeniz Karadeniz apontaram os golos do emblema russo que só em 2003 havia chegado à divisão de elite do futebol russo e que nada tinha conseguido de relevante durante a era soviética. O homem que arquitectou essa equipa foi nada mais, nada menos que Kurban Berdyev, um treinador nascido em Asgabate, capital do Turquemenistão, em 1952, na altura em que a república ainda integrava a extinta URSS.

Kurban Berdyev, com o seu famoso Misbaha na mão, dando instruções ao capitão de equipa, Sergei Semak, durante o período em que esteve ao serviço do Rubin Kazan Fonte: http://zateevo.ru
Kurban Berdyev, com o seu famoso Misbaha na mão, dando instruções ao capitão, Sergei Semak, durante o período em que esteve ao serviço do Rubin Kazan
Fonte: zateevo.ru

Depois de uma carreira mediana como jogador, Berdyev tem vindo a dedicar a sua vida ao futebol e vive a sua profissão com uma intensidade e uma dedicação admiráveis. Após algumas passagens pelas divisões inferiores do futebol russo, pelo Cazaquistão e pela Turquia, Berdyev chega ao comando do Rubin Kazan em 2002, vencendo de imediato a FNL (segunda divisão da Rússia) e logrando assim a subida ao primeiro escalão do futebol russo. O treinador turcomeno desenvolveu, nos anos que se seguiram, um trabalho de tal forma estruturado e meritório que fez com que se sagrasse campeão com a equipa tártara em 2008 e em 2009, vencendo também a Taça da Rússia por uma vez e a Supertaça em duas ocasiões. Foram os anos de glória do Rubin Kazan, que, com uma equipa totalmente construída de raiz por Kurban Berdyev, conseguiu importunar os gigantes moscovitas e o FC Zenit na luta pelos lugares cimeiros do futebol russo.

Apesar de tudo, ao fim de 12 anos de trabalho apaixonado e de dedicação, Berdyev, que também ocupou em simultâneo a posição de vice-presidente do emblema tártaro durante algum tempo, foi despedido, não tanto por incapacidade ou por resultados menos conseguidos no plano desportivo, mas sim por políticas internas de difícil compreensão, bastante comuns nas equipas russas, que têm como principal investidor e regulador o governo local da região que integram.

Berdyev deixou o Rubin Kazan em 2013 e um ano mais tarde, a 18 de Dezembro de 2014, foi apresentado como treinador do FC Rostov, que vivia então uma profunda crise e tinha o espectro da descida de divisão a pairar sobre a sua cabeça como um destino mais do que certo, dada a escassez de pontos e o marasmo financeiro que o clube enfrentava. O treinador turcomeno, que se faz acompanhar do seu Misbaha (um objecto semelhante a um rosário, tradicionalmente usado na religião muçulmana), conseguiu, no entanto e contra todas expectativas, não só livrar a equipa da descida de divisão, como também construir uma equipa sólida, que esta temporada se encontra em segundo lugar da Liga Russa, atrás do CSKA Moscovo.

No início desta temporada, ainda que ninguém tivesse esquecido aquilo que Berdyev materializou com o FC Rostov no final da época passada, não era de toda a forma expectável que o histórico emblema do Oblast de Rostov estivesse no segundo lugar da Liga Russa, com apenas 3 derrotas em 15 jogos e com a terceira melhor defesa da competição, apenas atrás do CSKA Moscovo e do FC Krasnodar.

O FC Rostov, que continua afundado em graves problemas de ordem financeira e que apenas conseguiu pagar os salários que estavam em atraso há cerca de duas semanas, transfigurou-se após a chegada de Kurban Berdyev. O profundo conhecimento da modalidade detido por este treinador tem-se feito notar neste “novo” FC Rostov, que se apresenta como uma equipa extremamente organizada e com processos de jogo muito bem definidos. Berdyev alterna, com alguma frequência, o esquema táctico da sua equipa, variando entre o 4-2-3-1, o 4-4-1-1 e, mais recentemente, um 5-3-2 bastante musculado no sector defensivo, mas com jogadores de aporte técnico elevado, quer na linha intermédia, quer no último terço de terreno.

Legenda – Berdyev a ajustar pequenos aspectos tácticos do jogo com um dos elementos da sua equipa técnica Fonte: rostov.kp.ru
Legenda – Berdyev a ajustar pequenos aspectos tácticos do jogo com um dos elementos da sua equipa técnica
Fonte: FC Rostov

É precisamente no meio-campo que está o âmago do futebol da sua equipa, onde o talentoso médio equatoriano Christian Noboa, a jovem promessa do futebol russo Pavel Mogilevets (que está em Rostov por empréstimo do FC Zenit) e o experiente trinco moldavo Alexandru Gatcan pautam o ritmo de jogo dos Selmashi. Nas alas, o experiente e altamente versátil médio bielorrusso Timofei Kalachev e o talentoso extremo russo Dmitry Poloz, que tem estado em especial destaque nos últimos jogos da sua equipa e que leva já 5 golos marcados nesta temporada, dão profundidade à equipa e deslocam-se com alguma frequência para o corredor central, confundindo as marcações da equipa adversária. A frente de ataque está entregue ao promissor jovem iraniano Sardar Azmoun (que está em Rostov por empréstimo do Rubin Kazan) e ao poderoso avançado russo Aleksandr Bukharov, que reencontrou o caminho das boas exibições após a chegada de Berdyev.

O técnico de 63 anos, oriundo da velha escola soviética, é considerado por muitos um dos últimos herdeiros da corrente de estilo mais mecanizada, rígida e disciplinadora, que teve em Valeriy Lobanovskiy o seu expoente de eficácia. Berdyev é visto como um homem introvertido, altamente disciplinador, pouco afável com os jogadores, mas ao mesmo tempo um verdadeiro connaisseur da modalidade, que respira futebol por todos os poros do seu corpo e que deixa, um pouco por onde passa, uma marca absolutamente fantástica de uma genialidade errática.

Dmitry Poloz, um dos homens em maior destaque na equipa do FC Rostov esta temporada Fonte: FC Rostov
Dmitry Poloz, um dos homens em maior destaque na equipa do FC Rostov esta temporada
Fonte: FC Rostov

Na sua obra Crime e Castigo, Fyodor Dostoyevsky dizia que era necessário algo mais do que inteligência para agir de forma inteligente, e Kurban Berdyev é definitivamente possuidor desse “algo mais” que caracteriza aqueles que são dotados de uma genialidade ímpar, já que foi capaz de transformar uma equipa perdida e vergada por problemas financeiros num conjunto vencedor, tudo enquanto dedilha impacientemente as contas do seu Misbaha.

Foto de Capa: FC Rostov