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FC Porto 0-0 Sporting de Braga: E o desperdício continua…

atodososdesportistas

Numa jornada onde os azuis-e-brancos tinham a oportunidade de aumentar para 8 a vantagem pontual sobre o seu mais directo rival (Benfica), que havia visto horas antes o Sporting a passear na Luz e trazer de lá 3 golos, 3 pontos e a liderança isolada do campeonato, tivemos um onze escalonado por Lopetegui com algumas “surpresas”, a começar pela escolha de Martins Indi como capitão de equipa, quando tinha jogadores habitualmente titulares e com mais perfil para assumir a braçadeira: Marcano seria a escolha óbvia, mas não era de estranhar ver Brahimi, Aboubakar ou até mesmo André André com o escudo do Dragão no braço esquerdo. Outra curiosidade foi ver na equipa inicial cinco jogadores esquerdinos (Casillas, Indi, Marcano, Cissokho e Imbula). Para além destas pequenas curiosidades, que acabam por ser não mais que isso mesmo, a não inclusão de Rúben Neves em detrimento de Danilo, o adiantamento de Imbula no “pressing” quando a posse de bola estava nos homens de Braga e o recuo territorial de André André na primeira fase de construção dos Dragões trouxeram uma outra dinâmica à equipa, que merecia ir para o intervalo com uma larga e merecida vantagem, o que só não sucedeu por culpa do azar (Aboubakar e André André), do desacerto (Tello, sempre o mesmo, e Cissokho, que não acerta um cruzamento!) ou de um guarda-redes que já habituou o público a grandes exibições perante os grandes de Portugal (Kritciuk).

Numa opinião pessoal (é disto que se trata este espaço), Lopetegui “mexeu” bem na forma que a equipa tem de jogar, apenas falhando ao lançar Danilo e deixar a jovem pérola Rúben Neves no banco de suplentes: o “miúdo” tem uma capacidade de passe muito superior à do ex-marítimo e foi notória a falta de soluções para o passe em profundidade – relembro dois falhados de Indi, um de Marcano e outro do próprio Danilo, a tentar servir o lateral esquerdo portista. A primeira parte terminou com um festival ofensivo da equipa da casa, mas sem a bola dentro da baliza.

Veio o segundo tempo e mais do mesmo: um Braga a jogar defensivamente num 1-4-4-2 com todos os jogadores atrás da linha do meio campo (o típico de Paulo Fonseca quando joga com equipas superiores) e a explorar venenosos contra-ataques através dos rápidos Vukcevic e, principalmente, Rafa. Boly foi um autêntico “bombeiro” na zona defensiva dos arsenalistas e por diversas vezes travou as investidas de Aboubakar ou Bueno. O guardião dos forasteiros manteve-se inviolável e não seria de estranhar que recebesse o prémio de melhor jogador em campo.

Com a asfixia natural do Porto, Lopetegui (finalmente!) lançou Bueno e, para azar da equipa, lesionou-se Brahimi, deixando em campo aquele que seria o jogador que nem do banco deveria ter saído: Tello. O Porto melhorou a sua circulação de bola e conseguiu manter a mesma em zonas mais interiores e subidas do terreno, assumindo, até à saída do desastroso Cissokho, um sistema táctico de 1-4-2-3-1, onde Bueno assumiu a posição de “9,5 – 10”, jogando nas entrelinhas criadas pelo desgastado e trabalhador Aboubakar e pelos operários Danilo e André André (sim, o porquê de Imbula sair quando era o melhor jogador do miolo portista e se manter Danilo é mais uma das substituições “a la Lopetegui” que não se entendem), sendo as linhas entregues a Tello, que explorava (?) a profundidade, e Corona a vir para zonas interiores, deixando a ala direita entregue a Layún. Parecia inevitável o golo aparecer, mas, quando se desperdiça daquela forma, milagres não existem… Numa altura em que, no desespero, o técnico espanhol lança Rúben Neves e retira o lateral esquerdo francês, eu quase que ia jurar ter visto um tal de Osvaldo no banco, mortinho para os menos de 10 minutos de “chuveirinho” final que era exigido: presença na área e tentativa de forçar o muro de betão arsenalista. Mas mais uma vez a teoria não foi posta em prática.

Foi dificil quebrar a barreira arsenalista Fonte: Facebook do FC Porto
Foi dificil quebrar a barreira arsenalista
Fonte: Facebook do FC Porto

No meio de tudo isto, Alan teve nos pés a oportunidade de dar um calafrio enorme a todos os espectadores do Dragão quando, em mais um contra-ataque venenoso, ia desferindo um remate com selo de golo. Valeu a intervenção do defesa azul-e-branco, dando o corpo ao manifesto.

Que ilações se podem retirar deste jogo? Que era dos poucos onde o empate acabaria por ser um mal menor, caso não fosse para perder a liderança para o Sporting, o grande vencedor da jornada. Ainda assim, continuo a ter dúvidas em relação a este Sporting de Jorge Jesus (que realizou a melhor exibição da época) e só em Março (o mês onde as equipas do actual técnico dos leões costumam “dar o berro” fisicamente) se verá a capacidade de um plantel que peca por ser curto. Ainda assim, é logicamente uma equipa a ter em conta e a actual líder do campeonato.

Ganhamos 1 ponto em relação ao Benfica e mantemos um registo impressionante de jogos sem sofrer golos em casa para a Liga (os últimos foram encaixados por Fabiano na derrota com o clube da Luz por 0-2, com bis de Lima) mas interrompemos um registo impressionante de 20 vitórias consecutivas, a 4 do recorde histórico de Artur Jorge.

Ao Sr. Lopetegui só posso deixar uma palavra para que não volte agora com a história da rotação da equipa: mantenha a jogar aqueles que têm dado mais garantias, sabendo que Bueno há muito merece uma oportunidade e o mercado servirá para procurar uma real alternativa para as linhas laterais, pois se Maxi e Layún estão de pedra-e-cal Angel e Cissokho estão apenas a passar férias no Dragão. Não posso, de resto, culpar o treinador pela infelicidade do jogo de hoje, em que o Porto teve o dobro de posse de bola, muito mais ocasiões e um domínio claro e evidente do jogo. Apenas existem dias nos quais não somos bafejados por um pouquinho de sorte, e hoje foi um deles. Quanto à arbitragem, foi uma arbitragem segura onde o único erro se prendeu com os poucos minutos de compensação dados no final da partida e a demora em admoestar o principal retardador de jogo: o guarda-redes dos minhotos. De resto, nada a apontar.

A Figura:

Kritciuk/Boly e Layún/Bueno – A dupla arsenalista foi a responsável pelo sucesso da táctica meio suicida que Paulo Fonseca escalonou, onde o central limpou tudo o que havia por perto e, quando não estava lá, estava o seu novo melhor amigo, o guarda-redes. Formaram uma bela sociedade Russa/Francesa. Quanto aos Portistas, Layún já fez esquecer totalmente Alex Sandro e demonstra ser um jogador muito maduro, tecnicamente perfeito e com uma elegância de jogo que só os melhores têm. Já Bueno teve pormenores interessantes e que mexeram com o jogo, desde logo pelas mobilidade e espontaneidade do espanhol, que sem dúvida merece mais minutos na equipa inicial.

O Fora-de-jogo:

Cissokho/Tello –  Não existem adjectivos para a ala esquerda hoje apresentada pelos Dragões. Cissokho está longe de ser o jogador que deixou o clube a troco de 15 milhões de euros e Tello, desde a lesão, ainda não conseguiu evidenciar as qualidades que o destacavam: velocidade de ponta. O espanhol tem um poder de decisão horrível e foram “0” as vezes que decidiu bem um lance, principalmente um na primeira parte onde, 3 para 3 e conduzindo a jogada desde o centro, passa completamente mal a bola para Brahimi.

 Foto de capa: Facebook do Sporting de Braga

Benfica 0-3 Sporting: 1,2,3, leão em primeiro outra vez

sporting cabeçalho generíco

O Sporting venceu hoje o “derby eterno” no Estádio da Luz, frente ao Benfica. Os “leões” golearam os arquirrivais por três golos sem resposta, num jogo em que foram tremendamente eficazes perante um adversário sem nexo e, acima de tudo, sem ideias.

O Benfica até entrou ligeiramente melhor na partida, mas o primeiro golpe leonino surgiu logo aos 9 minutos. Júlio César deslizou para agarrar um passe de rotura do ataque verde e branco, mas Teo vinha desenfreado e tocou com a perna para as redes encarnadas. Tal como na Supertaça, Teo teve sorte e bateu o guardião brasileiro. O Benfica continuou apático e isso foi gritante no segundo golo, a meio da primeira metade. Jefferson, com muito espaço, cruzou do lado esquerdo e Slimani estava sozinho no meio dos centrais do Benfica. O cabeceamento do argelino foi perfeito e estava feito o segundo dos leões, para gáudio de Bruno de Carvalho, que afinal esteve (bem) presente no banco de suplentes, ao lado de Jesus e Octávio Machado.

No ataque benfiquista, Jonas era dos poucos que ainda tentava remar contra a maré. Gonçalo Guedes praticamente não esteve em campo, Jiménez andou mais tempo deitado na relva do que a jogar futebol, e Gaitán esteve longe do seu nível. Mesmo os médios Samaris e André Almeida não podiam atacar, porque estavam sempre em desvantagem numérica perante Adrien, William e João Mário, que fez um jogo tremendo. Atacou, defendeu e foi o “joker” que ajudou a desequilibrar o meio campo da Luz. Depois da meia hora, surgiu a terceira facada no pacote de manteiga que foi a defesa do Benfica. Slimani pegou na bola a meio campo, conduziu-a até à entrada da área sem que Luisão e Jardel pressionassem e rematou para defesa de J.César. Na recarga, Bryan Ruiz não se fez rogado e aumentou a humilhação encarnada.

Ao intervalo, Rui Vitória precisava de revitalizar a equipa, mas a melhor ideia que teve foi colocar Fejsa em campo, recuando André Almeida para a lateral esquerda e retirando Eliseu de campo. O Benfica continuou a ser pouco mais que zero em campo, e quem esteve mais perto de marcar ainda foi o Sporting num lance em que Jefferson errou o alvo quando já estava na grande área da equipa da casa. O Sporting foi rei e senhor hoje na Luz, mesmo sem fazer uma exibição de encher o olho a nível de criação de jogo. Mas foi uma equipa bastante sólida, sem dar chances ao adversário. A defesa esteve absolutamente impecável (Naldo fez o melhor jogo com a camisola leonina, Paulo Oliveira continua imperial, Jefferson ainda fez uma assistência primorosa e até João Pereira conseguiu jogar bem), Adrien e William foram intransponíveis, João Mário foi o melhor em campo. Bryan, Slimani e Teo molharam todos a sopa e por isso também podem sair satisfeitos.

A desinspiração de Gaitán contrastou com a classe patenteada por João Mário. Fonte: Facebook do Sporting
A desinspiração de Gaitán contrastou com a classe patenteada por João Mário.
Fonte: Facebook do Sporting

Nos encarnados, existem poucos destaques positivos. Jonas esteve desinspirado, mas ainda assim conseguiu ser o melhor do seu conjunto, aliado a Andreas Samaris, que esteve sempre na luta a meio campo, apesar de ter tido algumas atitudes menos próprias. Luisão e Sílvio estão longe, bem longe do que já mostraram no futebol português, enquanto Eliseu e André Almeida continuam no seu nível habitual. Nem Nico Gaitán esteve nos seus dias, principalmente a partir do momento em que quis resolver tudo sozinho. Para culminar, teria sido tudo ainda mais épico se Júlio César não tivesse impedido o autogolo de Luisão num atraso mal calculado que seria a chacota de um país inteiro nos próximos dias.

No que toca à arbitragem, Carlos Xistra esteve mal a nível disciplinar. Na minha opinião, se tivesse sido mais rigoroso poderia ter expulso Slimani, Adrien, Jonas e Samaris. Todos se excederam em alguns momentos do jogo, tendo arriscado a expulsão com atitudes mais ríspidas perante os adversários, e quando já tinham um cartão amarelo. A nível técnico, penso que, logo no início, Luisão se queixa com razão de um puxão de Bryan Ruiz na área, no lance que pode ser indicado como o lance mais polémico da partida.

Com esta vitória, os leões aumentaram a vantagem sobre os encarnados para 8 pontos (o Benfica tem menos um jogo disputado), tornando-se o melhor ataque da prova, com 17 tentos apontados, ao fim de 8 jornadas. O Sporting aproveitou ainda o empate do FC Porto na receção ao SC Braga para ficar na liderança isolada da tabela classificativa, num fim de semana em cheio para os verdes e brancos. Quebraram o jejum de vitórias em casa do Benfica, e logo com a maior vitória no reduto do rival nos últimos 82 anos, para euforia dos mais de 3 mil adeptos do Sporting que estiveram inexcedíveis nas bancadas encarnadas! É caso para dizer que a nota artística voltou hoje, por momentos, ao Estádio da Luz.

A Figura:

João Mário – Jogo enorme do médio leonino. Esteve muito bem no flanco e ainda melhor quando fletia para o centro do campo, causando superioridade numérica perante os desamparados médios do Benfica. Destaque muito positivo também para Naldo e Bryan Ruiz esta tarde no Estádio da Luz.

O Fora de Jogo:

Luisão – Jogo absolutamente deplorável do capitão encarnado. Esteve nos segundo e terceiro golos do Sporting, tendo assistido aos movimentos de Slimani em ambos os lances, sem ter pressionado o avançado argelino. Para culminar, esteve quase a colocar a cereja no topo do bolo, com um atraso mal medido que ia entrando na baliza de Júlio César, já perto do término da partida.

Benfica 0-3 Sporting: Vergonhoso!!!

cabeçalho benficaMau, muito mau. Vergonhoso. Foi cair com estrondo e este é, provavelmente, o rescaldo que me custa mais escrever.

Jorge Jesus contrariou o ditado e foi feliz num local onde o foi durante seis anos. Depois de seis temporadas a virar à direita à saída do túnel do Estádio da Luz para o banco de suplentes, Jorge Jesus virava à esquerda e aparecia como visitante. Mesmo passados alguns meses ainda é estranho ver JJ noutro clube (e depois desta derrota ainda mais é).

Os sinais de que o dia ia correr mal começaram cedo. Rui Vitória voltou a apostar no mesmo 11 que jogou na Turquia. Voltou a apostar em Sílvio, que foi dos piores na quarta-feira. O português recuperou de uma lesão mas ainda não tem rotinas. E à primeira todos caem; é incompreensível como é que Rui Vitória voltou a cair no mesmo erro. Uma solução seria colocar André Almeida na direita (não sou seu fã mas apresenta melhores argumentos para a posição do que Sílvio, neste momento, e o meio-campo agradecia a sua ausência) e apostar em Fesja.

O Benfica nem começou mal. A equipa entrou pressionante mas seria apenas fogo-de-vista. A defesa estava em “dia não” e os erros acumularam-se. Primeiro, Gutierrez aproveitou uma perda de bola em zona proibida, depois Slimani voou mais alto que todos e, por último, Ruiz aproveitou outra perda de bola. A Luz gelava de cada vez que o Sporting marcava. De pouco vale ter bola e ter iniciativa se não se criam verdadeiras oportunidades de perigo e, pior, se a defesa compromete o jogo. É assim que se chega ao intervalo. Uma defesa completamente à toa, perdas de bola infantis e o Sporting com a vitória na mão.

A desinspiração de Gaitán contrastou com a classe patenteada por João Mário. Fonte: Facebook do Benfica
A desinspiração de Gaitán contrastou com a classe patenteada por João Mário.
Fonte: Facebook do Benfica

A segunda parte foi apenas para passar tempo. Desde cedo se percebeu que o Benfica tinha baixado os braços e que nem ao golo de honra teria direito. O Sporting geria como queria o jogo e o momento alto acaba por ser o bonito ambiente que se viveu no Estádio da Luz, com os adeptos a darem apoio à equipa. As críticas e os assobios ficam para o fim.

Algumas críticas também para o árbitro, que me pareceu condicionado, depois de tudo aquilo de que se falou durante a semana. Há, pelo menos, um penalty por marcar a favor do Benfica.

Mas a arbitragem não explica o que se passou hoje. Foi mau de mais para ser verdade. Demasiados erros, demasiada passividade. Uma equipa que falhou demasiado tendo em conta que está habituada a estes jogos. Mérito para o Sporting. Foi inteligente, fechou os caminhos ao Benfica e aproveitou as ofertas dadas pelo Benfica.

A Figura:

João Mário: Bom a fazer a cobertura a Gaitan, melhor na ajuda à defesa. O jovem jogador esteve a um bom nível e o meio-campo do Sporting, cada vez mais definido, agradece.

O Fora-De-Jogo:

Rui Vitória: Mau em tudo. Na antevisão, no 11 e durante o jogo. Depois dos elogios em Madrid, hoje voltou à realidade. Os erros continuam os mesmos, a abordagem é igual. O principal culpado desta noite.

Antevisão Benfica – Sporting: O regresso do Anticristo

porta

Hoje é o Dia.

Chegou o dia em que, volvidos nove anos, o Sporting tem de novo reais hipóteses de vencer no reduto do eterno rival. Hoje é o dia para extirpar fantasmas antigos e finalmente voltar a escrever uma página condizente com a história do clube.

O jogo de hoje marca o regresso de Jorge Jesus a uma casa em que foi feliz e onde transformou um Benfica medíocre numa equipa respeitada e campeã. A vitória na Supertaça veio comprovar que a decisão de levar o treinador português para as Arábias foi um erro, um erro de gestão tão grave que ainda hoje querem fazer crer que foi Jesus a querer sair da Luz. Na cabeça de JJ nada mais passa pela cabeça senão a vitória, e creio que seria a melhor forma de vingar a injustiça feita e de calar os assobios com que milhares de benfiquistas o irão receber. Se Jesus merece mais esses apupos e insultos do que a própria direcção dos encarnados, essa é outra questão que merecia resposta, mas não hoje e não neste texto.

Contudo, apesar do desejo de vitória para “matar” uma sede de quase uma década, e da vontade de Jesus em querer provar o erro que foi a sua dispensa, creio que a vitória de hoje não é vital para as aspirações do Sporting no campeonato. Obviamente que não quero ver o Porto fugir na classificação e tornar-se líder isolado; mas neste momento a vitória é mais importante para a equipa para casa do que para os leões, e o Sporting até pode jogar com essa necessidade. Assim sendo, não quero ver o Sporting a jogar para o empate, mas não fico desiludido com esse resultado, será um mal menor e que deixará o Sporting em vantagem – ainda que momentânea – sobre o Benfica.

28 de Janeiro de 2006 - Está na altura de terminar com a seca. Fonte: vavel.com
28 de Janeiro de 2006 – Está na altura de terminar com a seca.
Fonte: vavel.com

Falando sobre o jogo em si, apostaria na continuidade de Matheus do lado esquerdo do ataque leonino, até para aproveitar a falta de ritmo de Sílvio, mas talvez Jesus opte por lançar o “menino” mais tarde e começar o jogo com Ruiz, se o costa-riquenho conseguir recuperar. No ataque, daria mais uma hipótese à dupla Montero e Slimani, deixando Teo Gutiérrez como aposta a partir no banco. Fulcral será Esgaio fazer parte do onze inicial, uma vez que pouco resta a João Pereira da qualidade que teve no passado; ainda para mais num jogo frente ao Benfica e com tudo o que isso envolve para o internacional português.

Um último reparo, foram três semanas de troca de palavras, acusações, casos em tribunais, proibições de tarjas e atitudes ridículas de parte a parte. O perigo de todas estas atitudes transformarem o jogo de hoje numa zona de conflito é real e por isso o meu apelo é que todos se lembrem que irão estar milhares de crianças e famílias no estádio e até nas imediações do mesmo. Lembrem-se da forma como aprenderam a gostar e a amar o Futebol e não queiram criar traumas de infância em quem nada tem que ver com dirigentes bacocos.

Hoje é o Dia, Viva o Sporting.

Fonte da foto de capa: Sporting Clube de Portugal

O Passado Também Chuta: Futebol Clube do Porto

o passado tambem chuta

Escrever sobre a fundação do FC Porto exige muito cuidado. As datas e os sujeitos históricos oscilam de uma para outra investigação. Uma crónica não é um texto histórico, no entanto, tem a obrigação de ser séria para com o que se sabe. A fundação do Benfica também tem o problema da certeza do momento histórico; no entanto, a dúvida assenta-se na análise do que é uma fusão ou uma união de clubes; para mim, uma fusão implica uma metamorfose, portanto uma transformação. Neste caso, e partindo desta premissa, o Benfica nasceu depois desse ato de amor que é a união, e não antes. Mas o FC Porto é diferente. A filosofia da sua criação também foi outra; o FC Porto nasce com a ideia de identificação com a cidade Invicta e em geral com o Norte. E nasce claramente com o selo inglês.

O FC Porto alterou a sua data de nascimento em 1998. António Nicolau d’Almeida, um abastado comerciante de vinho do Porto, e a influente colónia inglesa fundaram o primeiro – e hoje tido como a origem – Futebol Clube do Porto, em 1893. No entanto, talvez por pressões ou outras vicissitudes do seu fundador, o FC Porto deixou de ter atividade. Passados vários anos regressou de Inglaterra um jovem estudante que se fizera entusiasta do futebol durante a sua permanência académica no país. Chamava-se José Monteiro da Costa. No ano de 1906 logrou criar ou recriar o Futebol Clube do Porto. Até bem ao fim da década 80 do século passado figurou como o fundador e primeiro Presidente do FC Porto. No entanto, talvez através da lenda ou das associações feitas com o primeiro Porto, concluíram que foi uma refundação e não a sua fundação.

José Monteiro da Costa, um dos principais responsáveis pela existência do FC Porto
José Monteiro da Costa, um dos principais responsáveis pela existência do FC Porto

Argumentam-se dados que podem ser consistentes como a presença de vários jogadores da colónia inglesa nas duas equipas. No entanto, também pode ser coincidência ou simplesmente uma cópia. Mas é indiscutível a presença de Mackechnie, Rumsey, Wrigth e Ernesto Sá nas duas equipas. Surge também na segunda e definitiva época o nome do primeiro fundador, António Nicolau d’Almeida; mesmo que seja tradição oral, é importante, porque pode ter exercido a influência necessária e a emoção precisa para que o jovem Monteiro da Costa se lançasse, com unhas e dentes, ao projeto de recuperar a velha ideia.

Talvez por carecer de estrutura, o jovem Monteiro da Costa apoiou-se na estrutura do clube ao qual pertencia: o Grupo do Destino. No ato fundacional ou de refundação, no entanto, foi recuperado o nome do velho clube (FC Porto), que disputara, entre outros, um jogo com o Lisbonense, e foram recuperadas as cores (azul e branco) da monarquia.

O FC Porto, com o tempo, tornou-se uma das grandes referências do futebol português, muito bem-sucedido tanto a nível nacional como internacional. Talvez o Porto atual herda o primeiro FCP que ganhou a primeira competição nacional em 1922, ao derrotar o Sporting por 3-1. A época presente e triunfante nasce, indiscutivelmente, com o atual presidente Pinto da Costa. O sucesso e eficácia gestora deste presidente é inquestionável, e talvez seja o melhor presidente de sempre do futebol português.

Derby eterno: mais de um século de histórias para contar

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Quando, a 1 de Dezembro de 1907, o Sporting Clube de Portugal e o Sport Lisboa se encontraram no campo da Quinta Nova, para disputar um encontro inserido no Campeonato de Lisboa, estar-se-ia longe de imaginar que se estaria a na presença da inauguração de uma história de rivalidade que já leva agora mais de um século. Passados mais de cem anos, o derby deixou de ser um simples jogo para ser “O JOGO”  dos jogos, independentemente do momento em que cada um dos oponentes se encontre. Não há favoritos, apesar dos mitos que se já se construíram à volta do jogo com mais história e histórias do futebol português.

Assim será no próximo domingo. Apesar do peso da história e das diferenças entre si, quando o a´árbitro apitar, na cabeça dos adeptos a única coisa que interessa é que o resultado final seja favorável, pois não há vitória mais saborosa do que as conseguidas frente aos eternos rivais.

Enquanto um novo capítulo da secular rivalidade não se escreve, faço uma viagem pelo tempo, ressuscitando velhas histórias que fui lendo e ouvindo de Sportinguistas mais velhos. Voltar a elas é também a forma de não deixar morrer os que edificaram um clube cuja paixão não nasceu para ser explicada, mas para ser vivida com toda a mesma intensidade da primeira golfada de ar e o mesmo dramatismo do último estertor. A definição é com certeza hiperbólica, assim o é também a paixão e ela ganha ainda maior exuberância e fulgor em jogos como o derby.

O campeonato do pirolito, das bestas e dos bestiais

Estávamos na época de 1947/48 e o Sporting ia escrevendo os seus anos e ouro na história do futebol português. O campeonato haveria de se decidir por apenas um golo, que foi a diferença registada no confronto entre os dois clubes rivais, Sporting e SLB. Seria uma vitória especial,  marcada pelo carácter e vontade de superar o que parecia ser um destino desfavorável.

No jogo da primeira volta havíamos perdido por 1-3 em casa e no jogo da segunda volta apresentávamo-nos com a desvantagem de dois pontos em casa do rival. Ganharíamos o jogo por 4-1, passando para a frente do campeonato. Haveríamos ainda de perder um jogo com o Setúbal, mas a derrota do SLB em Elvas na mesma jornada confirmou o título. O golo de diferença seria o tal pirolito, que era como era conhecida uma das bebidas da época e cujo vedante era uma bola. Foi a diferença de uma bola que nos deu esse campeonato, que terminaríamos empatados com 41 pontos!

O jogo seria ainda marcado por uma forte polémica à volta do treinador Cândido Oliveira. Tido como benfiquista, e por força da tensão que envolvia o jogo, viu a sua competência profissional colocada em causa por um dirigente do clube (onde é que eu já ouvi isto?…) e apresentou a sua demissão no final do jogo. Para marcar a diferença dos tempos, esse dirigente apresentaria ele mesmo a demissão, pedindo ao treinador que reconsiderasse. Cândido de Oliveira acedeu a reconsiderar a sua posição desde que o dirigente fizesse o mesmo. No final diria a fase que hoje é célebre entre nós: quando ganhamos somos bestiais, quando perdemos somos bestas.

O derby entre Benfica e Sporting é um dos jogos mais emblemáticos da Europa
O derby entre Benfica e Sporting é um dos jogos mais emblemáticos da Europa

A Taça que não era para nós mas que é só nossa

Nesse campeonato, o de 1947/48, o Sporting celebraria uma dobradinha. Daí que o campeonato seguinte, 1948/49, ganharia especial interesse por se poder então registar o primeiro tri da história dos campeonatos nacionais do futebol português*. Facto que viria a ocorrer com relativa tranquilidade, o que é conferido pelo 5 pontos de avanço sobre o rival e os 100(!) golos marcados em apenas 26 jogos, o que titula a impressionante média de 3,84 golos por jogo.

Ora nessa altura um dos jornais mais importantes do país era o há muito extinto “O Século”. O seu director, João Pereira Rosa, entendeu que as receitas da exposição organizada pelo jornal para celebrar os 30 anos de futebol a sério em Portugal deveriam reverter para o móbil do evento: o futebol nacional.

Segundo as regras então definidas o primeiro clube a ganhar 3 campeonatos seguidos, 5 interpolados ou o que acumulasse mais títulos em 10 anos receberia a taça com o mesmo nome do jornal. Tratava-se de um imponente troféu, que as imagens documentam e cuja deslocação não era possível a apenas um individuo. Daí que, ao alcançar o primeiro tri o Sporting seria o primeiro clube a conquistar o tão apetecido troféu.

Este feito viria a ser repetido na época 1952/53, selando com réplica ligeiramente alterada do monumental troféu o segundo tri da sua história. Infelizmente tal significaria também o final do próprio troféu, apesar da imensa popularidade que este tinha no país futebolístico, certamente pela sua imponência e pelo significado implícito de superioridade  sobre os rivais.

Dizem as más linguas que tão súbito final se deveu ao facto de os seus criadores, os donos do referido jornal, serem benfiquistas e a a atribuição consecutiva do troféu aos rivais não ser propriamente um facilitador das respectivas digestões…

*Os campeonatos nacionais, no modelo competitivo que se realizam hoje, iniciaram-se na temporada de 1938/39. Viriam a substituir as competições iniciais como os Campeonatos de Portugal (1921/22-1933/34) e os Campeonatos da Liga (1934/35-1937/38).

Que regresse a Liga NOS!

futebol nacional cabeçalho

A Liga NOS regressou esta sexta-feira, após três semanas de ausência, com o empate entre o Nacional da Madeira e o Boavista na Choupana.  Foi o pontapé de saída para a oitava jornada. Por isso, vamos fazer um ponto de situação sobre o que se passou até agora no nosso campeonato.

FC Porto e Sporting lideram a tabela, enquanto o rival eterno Benfica está no quinto posto, com menos cinco pontos, mas também com menos um jogo disputado. Pelo meio dos “grandes”, encontram-se neste momento duas equipas: Rio Ave e Sporting de Braga. Os vilacondenses, orientados por Pedro Martins, continuam a ser das equipas que pratica melhor futebol e esta época só perderam um jogo, em casa frente ao Sporting. Tanto no campeonato como nas taças internas, o Rio Ave está bem e recomenda-se, sendo um dos favoritos a chegar às competições europeias da próxima temporada. Já os arsenalistas, sob o comando de Paulo Fonseca, também estão a ter um excelente início de época. Na Liga Europa contam por vitórias todos os jogos disputados, enquanto na Liga estão nos lugares europeus, em vésperas de um importante desafio, no Estádio do Dragão.

Na perseguição a estes lugares europeus, esperava-se que estivessem equipas como o Belenenses ou o Vitória de Guimarães, mas estes conjuntos estão a ter um arranque muito titubeante. Os vimaranenses estão mesmo a ter muitos pesadelos. Após terem sido humilhados pelo Altach na Liga Europa, já foram eliminados das duas taças e já trocaram de treinador. Sérgio Conceição já veio ocupar a vaga deixada por Armando Evangelista mas ainda não conseguiu acertar o passo dos jogadores, estando neste momento no 15.º posto da tabela. Já os “azuis” do Restelo têm estado bem na Liga Europa e talvez estejam a pagar essa fatura internamente. Já foram goleados duas vezes (6-0 na Luz e 4-0 no Dragão), têm a pior defesa e somam por empates a maioria dos encontros realizados.

Esta imagem mostra bem o que tem sido a época dos 2 rivais minhotos… Fonte: Facebook oficial do Sporting Clube de Braga
Esta imagem mostra bem o que tem sido a época dos 2 rivais minhotos…
Fonte: Facebook oficial do Sporting Clube de Braga

Voltando aos lugares europeus, vamos aos perseguidores. Neste momento, existem 4 equipas que estão mais perto de tentar entrar nesse lote: Estoril, Paços de Ferreira, Vitória de Setúbal e Arouca. Os “canarinhos”, dirigidos por Fabiano Soares, têm-me surpreendido pela boa organização evidenciada, tendo vendido bem caras as derrotas averbadas já este ano na Luz e no Dragão. Já o Paços está a reagir bem à saída de Paulo Fonseca do comando técnico. Jorge Simão montou um bom plantel, com muitos valores jovens, e tem dado passos seguros nesta campanha. O empate em Alvalade é um dos principais cartões de visita desta equipa, assente em vários elementos portugueses.

O Vitória de Setúbal é um caso insólito. Consegue estar no grupo das segundas equipas com mais golos marcados (14) e no grupo das segundas equipas com mais golos sofridos (12). Quer isto dizer que assistir aos jogos dos sadinos tem sido particularmente divertido e sinónimo de ver muitos golos, com destaque para Suk e André Claro, dois dos jogadores que têm estado em evidência neste arranque de época em Portugal. O Arouca tem novo treinador, Lito Vidigal, e que agradável é ver jogar esta equipa sem Pedro Emanuel. Os arouquenses têm agora uma organização defensiva mais acertada e uma filosofia de jogo mais entusiasmante e eficiente. A vitória em campo neutro frente ao Benfica logo na segunda jornada foi o ponto alto da época deste clube.

Já as equipas madeirenses têm tido alguns altos e baixos. Nacional e Marítimo estão bastante parecidos na tabela, apenas separados por um ponto. Ambas as equipas não mostraram ainda grandes argumentos para poderem lutar pelo acesso às provas da UEFA e antevejo que será muito difícil que lá cheguem nesta época. A outra equipa da Pérola do Atlântico, o União, tem apenas uma vitória em seis partidas mas por enquanto está a salvo na sua luta, a da manutenção. Apesar das dificuldades iniciais, penso que o Norton de Matos tem potencial para aumentar a qualidade exibicional do conjunto e, consequentemente, os seus resultados.

No Bessa continua a morar uma equipa sólida, aguerrida e bem organizada, uma das minhas preferidas nesta Liga. Petit manteve a espinha dorsal da temporada transata e já bateu o pé ao Sporting. Talvez a luta pela Europa seja uma utopia, mas também me parece quase certo que o Boavista não vai passar pelas aflições da permanência em maio de 2016.

Restam três equipas, as últimas três da tabela: Tondela, Moreirense e Académica. Penso que os beirões deram um tiro no pé com a contratação de Rui Bento. O Tondela tem um dos planteis mais fracos e penso que a contratação deste novo timoneiro não foi benéfica. Na minha ótica, a equipa precisava de um técnico que potenciasse o jogo ofensivo e que colocasse um estilo de futebol alegre, que me parece ser precisamente a antítese da ideia de jogo de Rui Bento. Já o Moreirense é, para mim, a grande desilusão a par do Vitória de Guimarães. Os cónegos são os únicos que ainda não venceram e Miguel Leal parece estar com dificuldades para encontrar um onze que lhe dê garantias, apesar de ter uma dupla bastante temível no seu setor ofensivo: Iuri Medeiros e Rafael Martins.

Finalmente, a Académica. Os “estudantes” já trocaram de treinador, tendo chamado Filipe Gouveia para o lugar do já mítico José Viterbo. Depois de 6 derrotas nos primeiros 6 jogos, os academistas venceram o Marítimo na última jornada e esperam continuar a senda na visita a Guimarães, num dos principais jogos desta 8.ª ronda, entre dois históricos que entraram muito mal na temporada.

Em suma, não podia haver melhor programa para o regresso do campeonato. Benfica-Sporting e FC Porto-SC Braga serão obviamente os pratos fortes da jornada, mas o Estoril-Rio Ave e o Académica-Vit. Guimarães também prometem chamar as atenções. Que role a bola!

Tello à espreita da inconsequência

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Ponto 1: o FC Porto passou em semana de exames. À vitória na Póvoa de Varzim, sem contestação e com um voluntarioso mas desinspirado Osvaldo, juntou-se a segunda vitória nesta edição da Liga dos Campeões. Como tinha escrito no último texto, o Maccabi mostrou ser imensamente inferior aos dragões, apesar de alguns calafrios (leves, levezinhos) causados à defensiva azul e branca. Tempo para o regresso aos golos de Aboubakar (que jogo fez ele… Outro!) e para o recorde de Rúben Neves, mais jovem capitão de sempre na Champions.

Ilações negativas também puderam ser retiradas. No meio do acerto coletivo que parece ter assentado de vez no Dragão, há algo que destoa. Uma intermitência, direi assim. Jesús Corona tem alternado jogos muito bem conseguidos com exibições altamente inconsequentes. Que ninguém se deixe enganar: tem fino recorte técnico e capacidade de explosão. Fisicamente, é frágil, mas quantos e quantos assim o são? Mas tem faltado fio condutor.

Contra o Maccabi Telavive, foi o elemento mais fraco da equipa. Tentou assumir jogo pelo corredor direito, mas acabou sempre por canalizar o jogo para os duelos individuais que raramente venceu. Mal na decisão, fez lembrar alguém que tanto critiquei na pré-temporada: Cristian Tello.

Precisamente, Tello. Na face oposta da moeda, o catalão foi, ainda que discutivelmente, o melhor em campo na Taça de Portugal. A primeira boa exibição do extremo emprestado pelo Barcelona na estação 2015/2016. Os Laivos de clarividência já tinha sido demonstrados frente ao Belenenses, onde atuou pouco tempo, confirmaram-se frente ao Varzim.

Corona foi muito inconsequente frente ao Maccabi Fonte: FC Porto
Corona foi muito inconsequente frente ao Maccabi Tel Aviv
Fonte: FC Porto

Coincidência? Talvez, mas a mais afortunada. Numa altura em que o FC Porto procura (e deve!) estabilizar níveis exibicionais mais do que satisfatórios, até a roçar o muito bom, é necessário que nenhum jogador dos onze que entrem de início esteja alguns furos abaixo dos outros. Missão complicada? Pois claro. Mas é a distinção das equipas de topo. Estará na hora de dar uma oportunidade a Tello? Diria que sim. Os predicados da época passada não terão, com certeza, desaparecido, e a qualidade está comprovada.

Nunca será uma decisão definitiva, até porque reconheço em Corona valor para ser titular no FC Porto. Mas há que testar. E pôr a jogar os melhores, ou, pelo menos, quem está melhor. É como nas seleções. Continua a falar-se castelhano.

Foto de Capa: FC Porto

O (nosso) direito à indignação

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Já procurei na memória e em arquivos exteriores, mas não encontrei, em nenhum dos casos, quaisquer semelhanças com o que tem vindo a ocorrer nas últimas três semanas. O ataque institucional – pois é consumado pela pessoa que é presidente do Sporting Clube de Portugal – de que o Benfica tem sido alvo por parte de Bruno de Carvalho não tem paralelo. Talvez por essa razão – o carácter de novidade do objecto –, são poucos os agentes com responsabilidades no futebol nacional a comentarem (condenando e travando) a enxurrada de absurdos e mentiras diariamente por si promovida, seja na primeira pessoa, seja através da misteriosa e profícua fonte anónima do edifício Visconde de Alvalade.

Seria perda de tempo rebater o que foi dito – era como comentar uma conversa a dois que decorresse numa sala trancada e sem janelas, onde estivesse, apenas e só, um único maluco. A minha opinião sobre a estratégia de Bruno de Carvalho está gravada num texto anterior: o uso falacioso e imoral de situações avulso e sem ligação com o objectivo de ascender e consolidar a sua liderança, beneficiando daquilo que a posição lhe dá, ao abrigo da rivalidade clubística mais primária. Pelos vistos, e por incrível que pareça, a coisa ainda resulta: não se condenem os ingénuos e os fanatizados; a proibição do autoritarismo fascista inscrita na nossa constituição não é mera formalidade.

Este período passará, tal como outros. Bruno de Carvalho, hoje investido como Génio da Revolução do futebol português, cheio de ideias e intenções, deixará, inequivocamente, uma marca. Porém, não serei eu, nem qualquer outro benfiquista, a futuramente ter de lhe pesar as virtudes e os defeitos. Quando sair de cena – tal como quando eu próprio ou o caro leitor sairmos de cena –, o Benfica continuará a ser o Benfica. E nem com recurso a toda a bibliografia ficcional dos Grimm (pese toda a qualidade na forma que se lhes reconhece), incluindo a capuchinho vermelho e um camião a abarrotar de tretas, a verdade se modificará: um clube é um clube, um empresário é um empresário e um bicampeão é um bicampeão.

Luís Filipe Vieira legitimado para defender o nosso clube da forma correcta Fonte: Sport Lisboa e Benfica
Luís Filipe Vieira legitimado para defender o nosso clube da forma correcta
Fonte: Sport Lisboa e Benfica

Na minha última crónica, e com os dados na altura ao dispor, defendi o silêncio para o exterior (tal como fez, horas mais tarde, Luís Filipe Vieira) e, em simultâneo, uma reflexão interna, séria e transparente, sobre algumas das práticas que tanta polémica têm causado. Em democracia, haverá quem discorde: pessoalmente, caracterizo os tais vouchers e kits Eusébio como reveladores da grandeza do clube e do respeito por todos os intervenientes do jogo. Podem piratear a realidade como bem entenderem – Augusto Inácio, ex-glória do FC Porto e Sporting, consegue, por exemplo, comparar, sem se descompor, almoços e jantares com serviços de prostituição – mas esta questão diz apenas respeito ao Sport Lisboa e Benfica, ao seu todo, aos seus sócios e adeptos. Criar uma “caixa dourada” só poderá ser (mais) um contributo precioso para a promoção do produto, que se deve analisar e agradecer; essa cor, de resto, assentaria na perfeição no prestígio e memória universais do maior jogador português de todos os tempos.

Perante este ataque contínuo, o Benfica tem de ser defendido. É isso que sócios e adeptos exigem daquele que é presidente do nosso clube, eleito democrática e conscientemente (dois conceitos tão simples, que, a serem compreendidos, poupariam tempo a tanta gente!). Nos órgãos competentes, sem ruídos supérfluos, e com o devido respeito a que o seu cargo obriga. Todos terão a oportunidades de contestar o direito à indignação que nos assiste.

Um pequeno aparte: no meio do turbilhão acusatório de sentido único – que a vésperas do dérbi muitos insistem em transformar num diálogo que não aconteceu – o Benfica continua igual a si mesmo: as vitórias no voleibol, futsal, judo, basquetebol e hóquei em patins são próprias e naturais da maior potência desportiva e associativa do país. Que, no domingo, a regra se cumpra. Que continue a alegria pelas vitórias dos milhões de benfiquistas espalhados pelos quatro cantos do mundo.

Foto de Capa: Sport Lisboa e Benfica

A “Cobra” que nunca foi mais do que minhoca

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Há uns anos, (já perdi a noção do tempo – costuma-se dizer que quando é mau até o tempo custa a passar) o Sporting anunciava a contratação do melhor jogador do Peru. Aquilo era um jogador tão letal para os adversários que o apelidavam de “La Culebra”.

Com toda esta publicidade, e vindo para o Sporting, diz-me o bom senso que não deveria colocar grandes esperanças naquele jogador. Mas, como Sportinguista, tenho que pensar sempre que pode ser que seja desta…

O Homem começa a jogar, e em poucos meses percebe-se que o meu bom senso tinha razão. De cobra, só quando elas estão paradas e enroladas à espera de que a presa se chegue a elas. É que não saía dali nada… Ou melhor, dava para perceber que era um jogador com talento, mas só isso. E jogadores de talento há muitos, mas só os que aliam trabalho e vontade a esse talento conseguem voos mais altos.

Uma equipa que quer jogar todos os jogos para ganhar tem que ter todos os jogadores a trabalharem para um mesmo objectivo. Não se pode dar ao luxo de ter jogadores que mal correm, e só correm com a bola nos pés.

Podem vir dizer que este jogador em questão, tendo a bola nos pés, faz o que quer dos adversários; até pode ser verdade – com algumas reservas – neste ano, ou melhor, nestes últimos meses, porque daí para trás, 95% dos jogos eram sofríveis, sem o mínimo de objectividade.

Perdi a conta às vezes em que desesperei ao ver este jogador a perder-se com a bola, ou mesmo a sequer correr à bola, quando o jogo estava empatado ou com a sua (minha) equipa a perder.

Eu sempre disse cobras e lagartos (acho que não devia ter usado esta expressão num texto do Sporting e do jogador em questão, mas fica…) deste jogador, sempre disse que não servia ao Sporting, e sempre vi treinadores a apostarem nele… Nunca entendi porquê. Talvez nos treinos se esforce mais, ou talvez um treino não exija tanta dedicação. A verdade é que, até ao início desta época, este jogador pouco deu ao clube que apostou nele.

Por tudo isto, fiquei muito feliz quando ouvi a notícia de que ele (a cobra) não queria renovar, e, melhor ainda, queria ir para um dos rivais (ainda me deu mais vontade de rir). É que eu ia adorar ver adeptos de outros clubes a rejubilar ao roubar um jogador ao Sporting, e depois vê-los a insultar o mesmo jogador, pelas mesmas razões que tantas vezes o fiz.

Exceptuando a capacidade de drible, Carrillo pouco evoluiu até ao início desta época.
Fonte: supersporting.net

“Ah, mas contra nós até ia comer a relva…”. Pode até ser, mas um campeonato não se decide num jogo, e o facto de ele comer relva podia não dar em nada de mau para o nosso lado, como não deu para os nossos adversários em grande parte das vezes.

Dito isto, espero que esse senhor não renove, ou pelo menos que o nosso presidente não vá na cantiga dele (agora parece que já tem vontade de falar de renovações – treta), e o deixe ir para onde lhe apetecer. (Quem não se lembra de “Izmaylov”?).

Um jogador que ainda não demonstrou nada quer agora fazer imposições muito longe do que reflecte o seu real valor?

E, de grande jogador, ainda só tem o que o jornalismo português quer fazer dele, para ter mais uma forma de atacar o nosso presidente.

Dizer que o Sporting já devia ter renovado com o jogador? Renovar com um jogador que não é uma mais-valia? Só se o presidente tivesse enlouquecido… O que não me parece o caso.

Louco pelo Sporting, sim, mas muito racional quando chega a hora de decisões importantes. Mas, quanto a isso e ao facto de muitos virem dizer que os Sportinguistas deviam ter cuidado com um próximo Vale e Azevedo, poderei escrever numa próxima oportunidade… É de rir alto.

Portanto, cobras em hibernação constante não servem para nada, por isso que vá apanhar sol para onde quiser, e que leve o bando de cobras que o rodeiam, que vai ficar certamente muito bem acompanhado.

Fonte da foto de capa: sapo.pt