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Fábio Cardoso: Descartado ou uma opção para o futuro? | FC Porto

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Fábio Cardoso chegou à cidade Invicta neste mercado de verão e, até ao momento, não teve qualquer minuto de jogo oficial, nem sequer nos jogos de pré-epoca dos dragões.

O defesa central, de 27 anos, custou cerca de 2,2 milhões de euros aos cofres dos azuis e brancos, tendo um contrato válido por cinco temporadas, até 2026.

Todos os reforços desta temporada, até o recém-chegado Wendell, já tiveram minutos na equipa principal.

O caso de Fábio Cardoso é tão enigmático que não foi convocado para nenhum jogo do campeonato até ao momento, ou seja, o defesa central proveniente do CD Santa Clara, nem sequer no banco de suplentes esteve.

A meu ver, há apenas duas explicações possíveis para a ausência de Fábio Cardoso nas opções até então: não tem ainda a qualidade suficiente para integrar o onze titular do FC Porto, e tratou-se apenas de uma contratação a pensar no futuro, ou o jogador foi uma contratação “falhada”, isto é, não cumpriu o que Sérgio Conceição esperava.

É uma questão cuja resposta apenas o treinador e a sua equipa técnica sabem. Já estamos a caminho da quinta jornada do campeonato, e o adepto portista pergunta o porquê de “gastar” 2,2 milhões num jogador que nem sequer joga?

É nestes momentos que devemos ir buscar respostas e exemplos ao passado.

Recordemos o caso de Mbemba, hoje um titular indiscutível na equipa principal – custou cerca de seis milhões de euros e, apenas na segunda metade da segunda época de dragão ao peito, começou a ser opção no onze titular do FC Porto.

Assim como Fábio Cardoso tem uma concorrência fortíssima para o seu lugar (Pepe, Mbemba e Marcano), Mbemba quando chegou ao Dragão tinha como concorrentes, na sua primeira época, Felipe e Éder Militão, e na sua segunda época, Pepe e Marcano.

Fábio Cardoso FC Porto Mbemba
Chancel Mbemba assumiu apenas um astuto de jogador importante já na sua segunda época no FC Porto. Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Com isto, quero dizer que, assim como Mbemba soube esperar pelo seu tempo, assim o deve fazer também Fábio Cardoso.

Independentemente dos planos de Sérgio Conceição, o jogador deve continuar a treinar e esperar por uma oportunidade para mostrar ao treinador, e aos adeptos, de que veio para jogar e ser opção.

Fábio Cardoso FC Porto
Fábio Cardoso assumiu um papel de grande importância, como capitão, ao serviço do Santa Clara.
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Na minha ótica, é um central cujas características encaixam perfeitamente no ADN portista: com 1,86m de altura é veloz, agressivo e é daqueles jogadores que, quando veste uma camisola, dá tudo em campo pela equipa.

Pode demorar o tempo que for, todavia arrisco-me a dizer que, mais tarde ou mais cedo, Fábio Cardoso vai figurar no onze titular.

Portugal 2-3 Países Baixos: O sonho ficou pela “negra” dos “oitavos”

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A CRÓNICA: NUNCA SE VIROU A CARA À LUTA, MAS FOI APENAS O INÍCIO

Continuava a saga do sonho português pelo campeonato europeu de voleibol. Conseguida a inédita passagem aos oitavos de final da competição, Portugal tinha a difícil tarefa de enfrentar e vencer a seleção dos Países Baixos para dar mais um passo rumo ao objetivo.

O primeiro set ainda permitiu continuar a sonhar. Numa luta aguerrida entre serviços e remates, as equipas sempre estiveram muito perto uma da outra no marcador. Com entradas fortíssimas de Miguel Tavares Rodrigues e Hugo Gaspar, que concretizou oito pontos, Portugal conseguiu levar avante o primeiro set por 25-22.

Queria-se o mesmo desfecho no segundo set, mas “acordaram as bestas”. Com toda a vontade de inverter o rumo dos acontecimentos, os Países Baixos não desistiram e foram atrás do resultado. Nimir Abdel-Aziz foi a peça chave do set, a par de Gijs Jorna, e do restante encontro. Com 12 pontos concretizados por estes dois jogadores e o set a terminar num 22-25, o agregado demonstrava um empate entre Portugal e Países Baixos por um set.

No terceiro set, Abdel-Aziz voltou a brilhar e sem dar chances. Com os jogadores portugueses a tentar dar luta e “correr atrás do prejuízo”, a pressão ainda desceu até à seleção neerlandesa e os erros começaram a aparecer. Os serviços não pareciam correr bem e Portugal conseguiu bater-se até final do terceiro set, mas os onze pontos de Abdel-Aziz não passaram incólumes e, assim, os Países Baixos voltaram a levar a melhor por 24-26.

Chegou-se à fase do “tudo ou nada” para a seleção portuguesa. Com os Países Baixos na frente por 2-1, o objetivo português era a “remontada” e, para isso, levar o jogo à “negra”. Quem assimilou muito bem esta informação foi Filip Cveticanin, que se tornou uma das grandes figuras da seleção portuguesa no restante do encontro.

O quarto set foi algo mais tranquilo para Portugal, que o encarou com bastante confiança. Estiveram sempre na frente do marcador e isso deveu-se à fortíssima capacidade da defesa em bloco, de modo a parar a ofensiva neerlandesa. Se Portugal conseguiu ir a tie break (à “negra”, portanto), deve-o a Filip Cveticanin e a esse mesmo fator, que permitiram que o resultado do set terminasse num 25-20.

No último set do encontro, tudo se decidia, mas Abdel-Aziz voltou a mostrar ao mundo o jogador excecional que é, concretizou nove dos 15 pontos da equipa. Terminado o set, com uma vitória de 15-13 na “negra” e 2-3 no agregado, os Países Baixos avançam para a próxima fase e, assim, Portugal fica pelos oitavos de final no campeonato europeu de voleibol, numa prestação fantástica e que deve encher de orgulho cada português.

 

A FIGURA

Fonte: CEV

Nimir Abdel-Aziz – Um jogar incrível com uma exibição fortíssima. Sozinho, Abdel-Aziz arrecadou 37 pontos e carregou a seleção dos Países Baixos até à vitória. Um jogo de luxo.

 

O FORA DE JOGO

Portugal voleibol
Fonte: CEV

Eliminação de Portugal – O sonho ficou pelos oitavos de final. Depois de ultrapassar a fase de grupos do campeonato europeu, Portugal lutou até final contra a terceira melhor seleção do mundo. Nunca virou a cara à luta e tentou bater-se da melhor forma. Infelizmente, não deu para mais.

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Sempre com uma formação praticamente constante no terreno de jogo, Portugal apostava as suas maiores fichas na capacidade jogar nas vertentes ofensivas e defensivas do bloco (foi assim que levou o jogo à “negra”) e também no remate.

 

SET INICIAL E PONTUAÇÕES

Hugo Gaspar (7)

Alexandre Ferreira (7)

Phelipe Martins (6)

Miguel Tavares Rodrigues (6)

André Lopes (6)

Filip Cveticanin (8)

 

SUBS UTILIZADOS

Gil Pereira (5)

André Marques (5)

Ivo Casas (6)

Tiago Violas (6)

Marco Ferreira (5)

Miguel Sinfrónio (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – PAISES BAIXOS

Os Países Baixos refugiaram o seu jogo nas capacidades de Nimir Abdel-Aziz e na receção dos serviços adversários. Fortes no bloco, conseguiram parar dessa forma a ofensiva portuguesa.

SET INICIAL E PONTUAÇÕES

Wessel Keemink (5)

Gijs Jorna (7)

Fabian Plak (6)

Bennie Tuinstra (5)

Nimir Abdel-Aziz (9)

Twan Wiltenburg (6)

 

SUBS UTILIZADOS

Thijs Ter Horst (5)

Just Dronkers (5)

Michael Parkinson (5)

Robbert Andringa (6)

Freek De Weijer (5)

Wouter Ter Maat (5)

Boavista FC 1-1 Portimonense SC: Invencibilidade no Bessa mantida graças à “Musa” axedrezada

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A CRÓNICA: JOGO A PRETO E BRANCO QUE APENAS GANHOU COR COM GOLOS NAS FINAIS DE CADA METADE

O Estádio do Bessa Séc. XXI recebeu, numa tarde solarenga na cidade do Porto, a partida entre Boavista FC e Portimonense SC, a contar para a quinta jornada da Primeira Liga.

Com inícios positivos de temporada para ambos clubes, as panteras procuravam continuar a dar alegrias aos adeptos da casa (duas vitórias em dois jogos), enquanto que os algarvios queriam continuar a mostrar que era fora do seu estádio que mais se sentem confortáveis para levar para casa os três pontos (registo também 100% vitorioso).

E foram precisamente os visitantes que começaram claramente por cima, com muita posse de bola e pressão alta e contundente sobre os jogadores do Boavista FC. Ainda assim, a bola não se aproximava da baliza de Bracali e os da casa começaram a crescer na partida.

Os mandados de João Pedro Sousa ganharam confiança, e conseguiram criar alguma situações de perigo no ataque, principalmente no contra-ataque. Pedro Malheiro, o jovem lateral que fazia toda a ala direita do Boavista FC, esteve em destaque com inúmeras subidas no terreno e algumas oportunidades para atacar as redes adversárias.

O Portimonense SC continuava com dificuldades para entrar no bloco defensivo adversário, com uma circulação de bola muito recuada e com pouca progressão no terreno.

Mas foi a equipa de Paulo Sérgio a conseguir a vantagem no marcador segundos antes do último apito dos primeiros 45 minutos. Uma Boa jogada na esquerda de Fali Candé, com cruzamento a passar por quase toda a gente até chegar a Carlinhos perto do segundo poste.

O médio brasileiro recebe de costas e roda muito bem sobre Abascal antes de deferir um golpe certeiro. Primeiro remate à baliza dos visitantes e apenas o segundo no total na partida a dar alguma cor a uma primeira parte da cor do equipamento das panteras – preto e branca.

O Boavista FC voltou dos balneários na desvantagem mínima e a saber que tinham acabado de sofrer o primeiro golo em casa neste campeonato. Embora estivessem habituados a marcar no Bessa – cinco golos em dois jogos – hoje revelaram-se apáticos em termos ofensivos e o Portimonense soube aproveitar esta debilidade.

A frustração acumulada começou a notar-se por volta dos 70 minutos da partida. Os pupilos de João Pedro Sousa, começaram a ser mais ríspidos nas abordagens aos lances e cada mais descaracterizados com o jogo. Do outro lado, aproveitavam-se as pausas das faltas como forma de defender um resultado favorável aos algarvios.

O apito do árbitro era, imediatamente seguido, por uma onde de assobios, dos 3402 adeptos presentes, que vieram, de repente, substituir os cânticos de apoio e durante uns segundos, protestavam todo o tipo de jogadas à margem da lei da partida.

Como se de um acordo se tratasse, os fãs optaram por dar ânimo a 10 homens que vestiam de preto e branco, transparecendo a mistura dessas mesmas cores para o futebol que praticavam. Bracali era o único elemento boavisteiro que ia impedindo uma desvantagem maior no marcador com tremendas defesas espalhadas, principalmente, pela segunda metade.

Já com a expectativa no máximo, por parte dos adeptos do Boavista FC, e consequente silêncio nas bancadas foram anunciados seis minutos de tempo de compensação. Com pouco tempo, mas sem pressa, foi Musa que, com todo o tempo do mundo, dentro da grande área para recebeu um passe desconcertado de Ntep e rematou para reestabelecer a igualdade desejada no marcador.

Embora a imposição do Portimonense ao longo de grande parte do jogo, o resultado terminou com um empate a uma bola. Na próxima jornada a formação de Paulo Sérgio – agora com sete pontos – vai receber o Santa Clara e o Boavista, atualmente no quinto lugar da tabela, viaja ao Estádio da Luz para enfrentar o Benfica.

A FIGURA
Boavista Portimonense
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Meio-campo do Portimonense SC – A incapacidade boavisteira em ligar setores e conectar passes tem um nome: competência posicional dos centrocampistas algarvios. Willyan e Carlinhos estiveram exemplares a anular as progressões axadrezadas no relvado e por pouco não conseguiram uma vitória no Bessa às custas deste trabalho.

O FORA DE JOGO
Portimonense Boavista
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Sebastián Pérez – O meio-campo boavisteiro foi, ao longo de grande parte da partida, incapaz de controlar a partida, tanto com como sem bola, e Seba Pérez foi o elemento com nota mais negativo entre os dois. Falhou passes sem grande dificuldade, e pareceu algo displicente em certos momentos.

A experiência europeia de um jogador que outrora foi uma grande promessa da América Latina continua a não correr de feição ao colombiano.

ANÁLISE TÁTICA – BOAVISTA FC

Os axadrezados apostaram num 3-4-3 para o jogo que, tendo tudo para funcionar, fracassou na essência que um esquema destes pedes aos jogadores.

No entanto, os três centrais – Nathan jogou no eixo central direito, mas é lateral por aquele lado – estiveram bem. Os problemas surgiram no setor à frente dos defensores, onde só havia Seba Pérez e Makouta para fazer face à forte presença dos algarvios no meio-campo.

Por isso, houve problemas na saída e raramente se via uma jogada construída que conseguisse chegar com qualidade aos atacantes boavisteiros que pareceram algo à parte do jogo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Rafael Bracali (7)

Nathan Santos (5)

Jackson Porozo (6)

Rodrigo Abascal (6)

Pedro Malheiro (6)

Sebastián Pérez (4)

Gaius Makouta (5)

Yanis Hamache (5)

Gustavo Sauer (6)

Kenji Gorré (4)

Petar Musa (6)

SUBS UTILIZADOS

Yusupha Njie (4)

Ilija Vukotic (3)

Paul-Georges Ntep (6)

Filipe Ferreira (-)

Tiago Morais (-)

ANÁLISE TÁTICA – PORTIMONENSE SC

Paulo Sérgio fez alinhar a sua equipa num claro e clássico 4-3-3 no momento ofensivo, que se desdobrava no 5-4-1 no momento defensivo com a descida de Willyan, o médio mais defensivo, para o meio dos centrais.

A construção de jogo era assim a três, com ambos centrais e o trinco. Moufi, lateral-direito, subida mais numa fase inicial, com Fali Candé um pouco mais recuado que o seu colega. Ewerton e Carlinhos mantinham-se os dois no espaço entrelinhas, apenas recuando algumas vezes para ajudar na Willyan quando as linhas de passe se encontravam mais tapadas.

Os extremos mantinham-se bem abertos, com um maior ênfase em atacar o lateral contrário e esperar pelo ala sua equipa para tentar forçar uma situações de dois para um no flanco.

Aquele que funcionava, na prática, como um duplo pivô no momento defensivo – Ewerton (posteriormente Lucas Fernandes) e Carlinhos – estavam a sentir problemas na primeira parte a controlar o espaço nas suas costas. Uma das chaves para o controlo do meio-campo na segunda metade enquanto não tinha bola foi uma maior contenção dos dois médios na pressão, que se mantinham mais posicionados em frente aos três centrais.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Samuel Portugal (6)

Fahd Moufi (7)

Lucas Possignolo (6)

Pedrão (5)

Fali Candé (7)

Willyan Rocha (6)

Carlinhos (7)

Ewerton (5)

Iván Angulo (4)

Anderson Oliveira (5)

Wilinton Aponza (3)

SUBS UTILIZADOS

Lucas Fernandes (5)

Renato Junior (5)

Aylton Boa Morte (-)

Filipe Relvas (-)

Luquinha (-)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Boavista FC

BnR: Considera que o principal problema no jogo do Boavista FC hoje esteve no meio-campo? Se sim, porque é que a primeira troca foi no ataque e que instruções deu a Sebastián Pérez e ao Makouta para a segunda parte?

João Pedro Sousa: Na primeira parte considero que estivemos organizados e competentes tendo em conta aquilo que queríamos fazer e contra uma equipa também ela muito competente. A equipa desorganizou-se e desequilibrou-se em termos emocionais. Erramos demasiados passes e concordo que aí sim não estivemos tão bem e não aplicámos o nosso jogo. Os timings da pressão teriam que ser melhore e teríamos que subir as zonas de pressão. Tanto os médios como os atacantes tinha que subir mais. Quando se está a defender mal, mal posicionado não se pode ter sucesso e foi isso que aconteceu na segunda parte. Com a vontade e com a garra felizmente conseguimos fazer o golo do empate e não deixo de ficar contente com o desfecho

Portimonense SC

BnR: Pareceu-me hoje que o Portimonense SC esteve bastante em controlo do meio-campo, com três elementos no processo ofensivo e dois no defensivo, mas depois teve em certas alturas algumas dificuldades em ligar ao avançado. Sente que a inclusão de um jogador na posição 10 poderia ter ajudado neste sentido, ou iria-se perder esse tal equilíbrio?

Paulo Sérgio: Não sei porquê faz essa pergunta. Eu tenho é que analisar a partida, e o que me pareceu é que a equipa esteve por cima, teve oportunidades. Temos que falar que fizemos uma grande partida, se seria com mais um 10, um extremo ou central é outra questão. Jogamos com três na frente para pressionar os três jogadores do Boavista mais recuados, e não deixamos o adversário jogar. Depois tivemos um azar num lance, que foi, na minha opinião, precedido por falta. Não quero falar de arbitragens mas a verdade é que foi uma falta inequívoca. Mas enalteço a atitude dos jogadores, é sempre difícil jogar no Bessa, mas jogamos bem e merecíamos ganhar, acho que isso toda a gente concorda.

Rescaldo de opinião redigido por Alexandre Matos e João Filipe Brandão

Moreirense FC 2-2 FC Famalicão: Resta B(anza)enzer os que ainda não venceram

A CRÓNICA: GOLOS, EMOÇÃO E … MAIS UM EMPATE

O duelo de aflitos cercou a região minhota de uma das províncias de Guimarães: um ponto separava o antepenúltimo e o penúltimo classificados do campeonato português; em sentido inverso, as exibições parcas até aí realizadas – à exceção dos embates defronte dos grandes – aproximavam Moreirense FC e FC Famalicão. Sob o ponto de vista da sorte, do palpite e da premonição, até podia dizer-se que o encontro prometia golos e emoção. Palavra de tipster!

A pretensão de acelerar ações/comportamentos é uma consequência direta da aflição sentida. Diogo Figueiras queria adiantar-se ao relógio: não pediu permissão e desferiu um remate na diagonal, mas Pasinato temporizou à sua maneira.

A velocidade, sempre a velocidade. Ao quilómetro dez, Luiz Júnior encontra um entrave no solo e coloca a bola – de qualquer maneira – no seu meio-campo: Fábio Pacheco apodera-se do volante, dispõe em Pires e este, ganhando posição, deixa-se rasteirar pelo adversário dentro da área; Rafael Martins, na resposta, atesta o depósito. 1-0!

O conhecimento da sinalética e o domínio da partida pertencia à cidade de Camilo, apesar do resultado desfavorável. Eis que, ao minuto 19, cai – não literalmente – o anjo do empate: Ivo Rodrigues e Ivan Jaime tabelam de forma exaustiva no flanco direito, o primeiro remata para defesa apertada de Pasinato … e na recarga está plantado Banza, como deputado da justiça e igualdade do marcador (qual Calisto, qual quê). 1-1 no marcador!

Até ao intervalo, nada se alterou. O FC Famalicão permaneceu próximo daquela que seria a remontada defendida no Olimpo desportivo (Ivo Rodrigues foi perdulário e arrependeu-se). Na outra faixa, Rafael Martins teve em mente consumar o golpe de teatro, mas a cabeça não teve juízo.

Oriundo dos balneários, chegou a velocidade, de novo. Banza fez banzé (frequência de 47 decibéis) a cruzamento de Ivo Rodrigues, pelo lado direito. A bancada respondia com euforia e devolvia o amor sem perdição.

O segundo tento dos famalicenses conduziu a um período com maior intensidade no centro do terreno e com ligeiro ascendente para a equipa da casa pelo facto de se encontrar em desvantagem. Ao quilómetro 70, Pires, após ultrapassagem pelo corredor direito, ganha um pontapé de canto: na sequência, André Luís – tinha rendido, há segundos, Filipe Soares – cabeceia e bate Luiz Júnior pela segunda vez.

Reposta a igualdade, os cónegos não largaram o osso da superioridade e pareciam delinear nova reviravolta no marcador: o FC Famalicão não colocava o pé fora da soleira do meio-campo – à exceção dos últimos cinco minutos do tempo regulamentar até ao final da partida – e defendia com 11. Apesar do sucedido, a equipa da casa não abraçava os lances de perigo nem construía lances passíveis do mesmo.

O encontro terminou com uma divisão de pontos e os alertas continuam a soar nos radares do Minho.

 

A FIGURA

Simon Banza –  A compleição física não é nada condicente com o trabalho e a qualidade apresentada diante do Moreirense FC. O número 17 deu água pela barba ao quarteto defensivo cónego e foi solicitado pelos colegas de equipa durante os 90 minutos. Assinou um bis, jogou, fez jogar, abriu espaços, iniciou jogadas com a receção de bolas a meio-campo e triangulou de modo quase sempre certeiro.
O FORA DE JOGO
Fonte: Bola na Rede / Diogo Cardoso

Defesa do Moreirense FC – O quarteto defensivo teve uma tarde daquelas… Artur Jorge e Rosic mal conseguiram segurar e manietar Banza, Paulinho acompanhava Marcos Paulo na velocidade, mas era facilmente ultrapassado no duelo individual, A. Conté idem aspas, apesar de na segunda parte equilibrar as contas.

 

ANÁLISE TÁTICA – MOREIRENSE FC

Na jornada transata, diante do Belenense SAD, o Moreirense FC urdiu um 3-5-2 que, nos momentos defensivos e de contenção, se transformava num 5-3-2, onde Paulinho e Abdu Conté baixavam linhas e retiravam profundidade aos extremos das equipas adversárias. Hoje, diante do FC Famalicão e jogando no seu reduto, o técnico cónego arquitetou um 4-3-3 que alia a projeção ofensiva à velocidade e um meio-campo devidamente musculado, característica que a partida – em termos teóricos – requeria.

A ausência de bola em posse, a pressão no setor mais recuado do adversário, a indefinição e o critério aquando do último passe ou da construção a partir da primeira fase do terreno foram as características que marcaram a primeira parte cónega. Filipe Soares, alma mais criativa do conjunto, foi encarcerado na teia montada pelo treinador famalicense, Yan Matheus e Pires não pareciam ter estudado para o teste o capítulo da profundidade e do ataque flanqueado e Rafael Martins fazia o que lhe competia: pelejava com os centrais e era referência aquando das bolas paradas.

Se a primeira metade pertenceu ao FC Famalicão, a segunda parte conta uma história bem distinta, a partir do golo sofrido: uma equipa bem mais aguerrida, disciplinada e com traçar de objetivos bem mais definido. André Luís é a peça-chave e (parece ser) a arma secreta quando o resultado não se mostra favorável. Além disto, a conquista da posse de bola e o juntar de linhas foi determinante para a superioridade cónega.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Pasinato (6)

Paulinho (5)

Artur Jorge (5)

Rosic (5)

Conté (5)

Gonçalo Franco (5)

Pacheco (6)

Soares (5)

Yan (4)

Martins (7)

Pires (6)

SUBS UTILIZADAS

Walterson (5)

Ibrahima (5)

André Luís (7)

Ramos (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC FAMALICÃO

Do empate caseiro diante do campeão nacional, Sporting CP, para o encontro com etiqueta minhota, registou-se apenas uma alteração no onze inicial: Marcos Paulo no lugar do preterido Bruno Rodrigues. A estratégia, ao que tudo indicava, era a mesma: duplo pivôt (Pickel e Pêpê) no miolo de modo a conferir superioridade nas batalhas, I. Jaime como fonte de onde jorra a criatividade e os possíveis rasgos de genialidade e golpes – a partir dos flancos – com a saturação da dupla Diogo Figueiras – Ivo Rodrigues.

O FC Famalicão dominou, quase na íntegra, a primeira metade da partida. Ivan Jaime, Ivo Rodrigues e Marcos Paulo eram os jogadores mais solicitados e os timoneiros das intentonas ofensivas: quer do lado esquerdo, quer do lado direito, os respetivos centrais do Moreirense – Artur Jorge e Rosic – foram muito permissivos e não realizavam atempadamente as dobras. O centro do terreno impeliu o Moreirense FC, em certas partes do jogo, a recuar um bloco, pelo elemento “acessório” – Iván Jaime foi o box-to-box de serviço e, excetuando as bolas paradas, o fator desequilíbrio na partida.

Nos segundos 45 minutos, o FC Famalicão fez o mais difícil e submeteu-se ao próprio medo: arquitetou a remontadae não foi capaz de ser dono e senhor da partida: Ivan Jaime perdeu espaço na construção e estava mais tapado, assim como Ivo Rodrigues. Marcos Paulo ainda sambou, mas os lances individuais não surtiam o efeito desejado. Pêpê Rodrigues e Pickel, aos poucos, foram subjugados ao músculo do miolo adversário. A (única) desatenção na bola parada custou o empate.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Júnior (5)

Lima (5)

Penetra Correia (6)

Júnior (6)

Figueiras (6)

Pickel (6)

Pêpê (6)

Ivo Rodrigues (6)

Jaime (6)

Marcos Paulo (7)

Banza (8)

SUBS UTILIZADAS

Adrián Marín (6)

Bruno Rodrigues (5)

David Tavares (4)

Pedro Marques (-)

Pedro Brazão (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Moreirense FC

BnR: Boa noite, mister. Esperava-se que o Moreirense FC, nos minutos finais e fruto da sua superioridade  – após o segundo golo do FC Famalicão – arriscasse mais e se dispusesse durante mais tempo junto da área adversária, mas isso acabou por não acontecer. Consegue encontrar alguma razão que explique isto?

João Henriques: A entrada foi melhor por parte do FC Famalicão, soubemos tirar partido duma chegada à área para nos adiantarmos no marcador. O FC Famalicão continuou com uma boa reação ao golo sofrido e não soubemos perceber isso e gerir o jogo de uma forma que evitássemos o empate. Daí até ao intervalo, o jogo ficou dividido. Sofremos o golo precocemente na segunda parte, dominamos até aos 10 minutos finais com bolas paradas perigosas e jogadas corridas perigosas também. Repare: no subconsciente dos jogadores, a partir de certo momento, está o não perder pontos porque ainda este ano já tivemos um dissabor diante do SC Braga e são acontecimentos que ficam sempre na memória. Em certos momentos, arriscar é uma ação que se pode minimizar. Considero que chegamos com perigo à área adversária, mas também não queríamos que nos provocassem situações de desequilíbrio defensivamente e, por essa razão, tivemos sempre aquele cuidado que as equipas pequenas devem ter. Uma coisa garanto: as duas equipas que se apresentaram aqui hoje vão fazer muitos pontos este campeonato.

 

FC Famalicão

BnR: Boa tarde, mister. Sente que a equipa relaxou em demasia após restabelecer a vantagem no marcador nomeadamente na perda de espaço a meio-campo, quer com bola, quer sem bola? Pergunto isto porque, na primeira parte, Iván Jaime parecia ter um papel mais junto de Pêpê e Pickel, na primeira fase de construção…

Ivo Vieira: Não acredito que tenha sido isso que intencionalmente nós quisemos. O adversário, na primeira parte, obrigou-nos a isso. Em momentos do jogo, também obrigamos o adversário a baixar as suas linhas e a recuar. O Iván Jaime é um jogador que gosta de ter bola e, na primeira parte, o adversário estava a pressionar mais alto e isso obrigou-nos a baixar no terreno. Nós queríamos dominar o jogo em termos estratégicos e o nosso objetivo é sempre marcar mais golos do que os adversários. Sofremos dois golos de bola parada, também. Convém sempre salientar isso…

 

Rescaldo de opinião redigido por Francisco Silva e Romão Rodrigues.

GP Itália: Ricciardo aproveita drama para voltar a vencer

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A CORRIDA: “SHOEYS”, BOTTAS, “CAVALITAS” E POUCO “CAVALLINO”

A ronda número 14 do campeonato de Fórmula 1 de 2021 viu o regresso do “circo” ao Parque Real de Monza, em Itália. Num fim de semana que também contou com a segunda das três corridas “sprint” da presente temporada, ganha por Valtteri Bottas (Mercedes) e que serviu para definir a grelha de partida para domingo, este podia revelar-se mais um momento decisivo para as contas de ambos os campeonatos.

Dos 20 pilotos, apenas quatro optaram por começar a corrida em pneus diferentes dos médios, preferindo os duros: Bottas, relegado para a última linha da grelha após penalização, o seu colega de equipa Lewis Hamilton, Robert Kubica (Alfa Romeo) e o vencedor do ano passado, também penalizado, e partindo das boxes, Pierre Gasly (AlphaTauri).

Com vários dos candidatos desposicionados, oportunidade de ouro para os dois McLaren de Daniel Ricciardo (2.º) e Lando Norris (3.º) para acumular pontos na luta pelo 3.º lugar no campeonato de construtores.

Na partida, Ricciardo de imediato a passar para a frente da corrida após ultrapassagem a Max Verstappen (Red Bull) na travagem para a primeira curva. Poucos segundos depois, contacto entre os rivais Hamilton e Verstappen na Variante della Roggia, com o holandês a encostar o britânico “às cordas” e a manter o segundo lugar, enquanto o Mercedes caía de novo para o 4.º lugar em que começara.

Enquanto isso, Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo), que havia feito uma boa partida, sofre toque de Carlos Sainz (Ferrari) e, com danos na dianteira do carro, desce às boxes e cai para último. O incidente força os comissários a activar o “Virtual Safety Car” por uma volta, de modo a recolher os detritos deixados em pista pelo italiano.

O recomeço revela-se bastante mais tranquilo para a generalidade dos pilotos, menos para o par da AlphaTauri: à passagem da volta cinco, Gasly junta-se ao colega de equipa Yuki Tsunoda nas boxes, e a segunda falha mecânica do dia consuma o fim do Grande Prémio para a equipa italiana.

Com um quarto da sessão disputado, Ricciardo continuava na frente, enquanto Norris e Hamilton lutavam pelo 3.º posto, Nicholas Latifi (Williams) se ia destacando na luta pelo último lugar pontuável, Bottas ganhava lugares a bom ritmo e o Alpine de Esteban Ocon e o Aston Martin de Sebastian Vettel se envolviam numa luta acesa pelo 12.º lugar, que acabou por valer uma penalização de cinco segundos ao francês.

Ao fim da volta 22, a McLaren opta por trazer o líder Ricciardo às boxes para mudança de pneus, enquanto Verstappen continua por uma volta extra. A vez de Verstappen chega logo de seguida e… desastre para o holandês. Um erro na troca do pneu dianteiro direito do Red Bull custa nove segundos a Verstappen, que emerge das boxes atrás de uma fila de carros e muito longe de Ricciardo.

O pesadelo de Verstappen torna-se ainda pior duas voltas depois quando, em mais um dos grandes momentos dramáticos desta temporada, Hamilton sai das boxes após a sua paragem e os dois rivais aparecem lado a lado na travagem para a primeira curva. Hamilton aperta Verstappen que, por fora na curva, não consegue evitar o separador alto e ganha altitude, a traseira do Red Bull a “escalar” a traseira do Mercedes e os dois pilotos a acabar na gravilha, e de fora do Grande Prémio da Itália.

“Safety Car” em pista, muitos pilotos (como os dois Ferrari) a aproveitar a neutralização de corrida para uma troca de pneus com benefício estratégico e tudo em aberto para o desfecho, com menos de metade da corrida por disputar.

A ordem do Top 6 era, ao segundo recomeço, Ricciardo, Charles Leclerc (Ferrari), Norris, Sergio Pérez (Red Bull), Sainz e o “homem numa missão” Bottas. Desde logo a corrida entra em ebulição com lutas entre Norris e Leclerc, com o britânico a subir a 2.º, Bottas e Sainz, com o finlandês a subir a 5.º, e os dois Haas de Mick Schumacher e Nikita Mazepin, na cauda do pelotão, a reactivarem a sua animosidade com o russo a precipitar o alemão para um peão que o atira para último.

Apesar da impressionante posição de 1-2 da McLaren, neste momento o destaque ia mesmo para Bottas, que “despachava” o outro Ferrari para subir a 4.º e de imediato fazia a volta mais rápida provisória da corrida, para tentar acrescentar mais um importante ponto para o campeonato de construtores, ainda mais importante com Hamilton e Verstappen de fora, e Pérez imediatamente à sua frente.

À volta 38, boas notícias para Bottas, que via a sua tarefa facilitada quando os comissários atribuíam cinco segundos de penalização a Pérez por ganhar vantagem irregular após saída dos limites de pista. Enquanto isso, Norris acedia à instrução de não atacar Ricciardo, numa altura em que os dois McLarens eram ainda primeiro e segundo, e novo “Virtual Safety Car” à volta 44 após avaria do Haas de Mazepin.

As últimas oito voltas não trouxeram alterações de relevo e o “Honey Badger” australiano, que não vencia desde 2018, foi mesmo o primeiro a ver a bandeira de xadrez agitada por Lamont Jacobs, velocista e medalhista de ouro italiano. Os “Shoeys” no pódio, servidos por Ricciardo também a Norris e ao chefe de equipa Zak Brown, coroaram uma vitória 1-2 para a McLaren, algo que também não acontecia desde os tempos da parceria entre Hamilton e Jenson Button (2010).

O resultado dá nova dinâmica ao restante campeonato: com oito corridas por disputar, a McLaren ganha uma vantagem de 13.5 pontos sobre a Ferrari, enquanto Mercedes (362.5 pontos) e Red Bull (344.5) continuam a luta pelo lugar cimeiro.

Nos pilotos, continuam os mesmos cinco pontos de diferença entre Verstappen e Hamilton no topo, enquanto Bottas (141) e Norris (132) prosseguem a sua disputa pessoal pelo terceiro lugar. A Fórmula 1 entra agora em pausa de uma semana, retomando no fim de semana de 25 e 26 de Setembro no traçado de Sochi, na Rússia.

PILOTO DO DIA:

Valtteri Bottas (Mercedes) – Depois da recente notícia do fim da ligação do finlandês à Mercedes no final da actual temporada, Bottas respondeu com uma performance brilhante em Monza.

Com a vitória no “Sprint” de sábado no bolso, e partindo agora da última linha da grelha, o experiente piloto subiu, subiu e subiu, só parando no último degrau do pódio. Apesar de uma ligeira perda de ritmo nas últimas voltas em pneus médios, a prestação de Bottas no primeiro “stint” foi impressionante e que podia ter sido coroada com a volta mais rápida da corrida, algo que só não aconteceu por culpa de Daniel Ricciardo, que a “roubou” das mãos do finlandês na última volta.

O australiano também merece palavra de reconhecimento por uma corrida absolutamente sem falhas, e que controlou de fio a pavio.

 

DESILUSÃO DO DIA:

Lewis Hamilton (Mercedes) – Ao contrário da performance quase imaculada do seu colega de equipa, o ainda campeão em título e um dos dois maiores candidatos ao título teve uma corrida pouco característica em Monza.

A partir da 4.ª posição na grelha, e apesar de um arranque sólido, Hamilton viu-se envolvido em lutas iniciais com Verstappen e Norris, ambas com desfecho negativo, teve uma paragem nas boxes lenta que comprometeu a sua posição em pista e nunca chegou a conseguir entrar na segunda metade da corrida: o seu Grande Prémio terminou na gravilha, com o Red Bull de Verstappen “às cavalitas” naquilo que pareceu (mais um) incidente de corrida entre os dois rivais.

A falta de andamento de Hamilton comparativamente a Verstappen e aos dois McLarens podia explicar-se pela incapacidade do Mercedes em seguir outros carros de perto, exponenciada neste traçado predominantemente rectilíneo, mas Bottas também desmistificou essa teoria com um total de 16 lugares ganhos durante o total de 53 voltas.

 

Leixões SC 1-1 Varzim SC: Dérbi do Mar com sal forte pendeu para o empate

A CRÓNICA: FALTOU JOGO AO JOGO

A quinta jornada da Segunda Liga veio brindar os adeptos com o proclamado “dérbi do mar”. O Estádio do Mar foi placo de mais um encontro entre o Leixões SC e o Varzim SC. Ambas as equipas vinham para este jogo na condição de derrotados na jornada anterior, nos seus respetivos jogos e as expectativas estavam elevadas para perceber quem se ia erguer da melhor forma.

O jogo começou quente, tanto em campo como nas bancadas. Ambas as equipas tiveram oportunidade de concretizar logo nos primeiros minutos, mas a mais flagrante veio da equipa da casa, onde os adeptos chegaram a gritar golo e o esférico acabou por ir para fora.

Sem mais história por desenrolar, com o Leixões SC a adormecer bastante no processo de construção ofensivo, foi o Varzim SC a tomar rédeas. Aos 32 minutos, Heliardo conseguiu pegar na bola e cruzar para Tavinho, a quem apenas restou encostar para o fundo das redes da baliza de Beunardeau. Leia-se o 1-0 no marcador a favor dos poveiros.

Chegou-se ao final dos primeiros 45 minutos da forma mais lenta possível, com o jogo a ser parado por faltas constantes parte a parte. Esperava-se pela segunda parte e por um melhor espetáculo.

Na verdade, continuou algo dentro do mesmo. Aos 65 minutos, O Varzim SC viu-se reduzido a dez elementos. Assis, depois uma falta no meio-campo, foi admoestado e foi obrigado a abandonar o terreno de jogo.

Fora isso, continuou a faltar jogo ao jogo. As paragens constantes e o acumular de faltas não deixaram o jogo rolar e dificultou o que era suposto acontecer: jogar futebol.

Aos 90 minutos, o árbitro Hugo Silva apontou para a marca da grande penalidade a favor do Leixões SC. Depois de um jogo sem criar ocasiões flagrantes de golo, Fabinho correu para a bola e rematou para o golo do empate já ao cair do pano.

Foi preciso o empate no marcador já no tempo de descontos para aparecerem as ocasiões de golo, mas foi o ponto final na partida. O dérbi do mar contou com sal a mais no encontro e tudo terminou num empate a uma bola.

 

A FIGURA

Fabinho (Leixões SC) – Foi o jogador mais constante na partida. Tentou sempre construir ofensivamente da melhor forma para a sua equipa e, dentro do que se poderia eleger, foi o jogador que mais contribui para o jogo, marcando também o golo dos visitados.

 

O FORA DE JOGO

Paragens constantes na partida – Podem até dizer que faz parte, mas as constantes faltas no decorrer do decorrer do encontro acabaram por travar o decorrer do jogo e em nada ajudam ao espetáculo.

 

ANÁLISE TÁTICA – LEIXÕES SC

José Mota montou o onze da sua equipa num 4-3-3 bastante comum, para enfrentar o Varzim SC.

Na baliza, Beunardeau assumiu o controlo entre os postes e a linha defensiva de quatro jogadores montada à sua frente foi composta poe Léo Bolgado e Ricardo Teixeira na zona central, a par de Seck e Pastor nas laterais.

No meio-campo, Nduwarugira atuou como trinco, enquanto Fabinho e Morim estavam encarregues de transportar bola e construir jogo para o último setor do terreno.

Oliveira e Kiki tomaram conta das alas da equipa de Matosinhos, enquanto Luan Santos foi o ponta de lança de serviço.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Beunardeau (5)

Pastor (5)

Léo Bolgado (5)

Nduwarugira (6)

Kiki (6)

Fabinho (6)

Oliveira (5)

Seck (5)

André Morim (6)

Ricardo Teixeira (5)

Luan Santos (5)

SUBS UTILIZADOS

Nildo Petrolina (4)

Ben Hassan (5)

George (5)

Mory Bamba (5)

Yuri (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – VARZIM SC

António Barbosa elegeu um 4-3-3 para montar a sua equipa para este encontro frente ao Leixões SC. Com Tiago Pereira na baliza, André Micael e Cássio tomar conta da zona central da defesa, enquanto Pinheiro e João Reis ocupavam as laterais, dando total largura ao campo.

No setor do meio-campo, André Leão, Nuno Valente e Assis (que, mais tarde, veio a ser expulso) tiveram a tarefa de transportar jogo para os homens da frente. Murilo e Tavinho ficaram no apoio ao ponta de lança, Heliardo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Tiago Pereira (4)

André Micael (5)

Assis (3)

Nuno Valente (5)

André Leão (5)

Heliardo (6)

João Reis (6)

Murilo (5)

Pinheiro (5)

Cássio (5)

Tavinho (6)

SUBS UTILIZADOS

Zé Tiago (5)

Agdon (5)

Cerveira (5)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Leixões SC

BnR: Foi notória uma desaceleração no ritmo de jogo do Leixões SC no decorrer da primeira parte. Acha que foi esse fator que levou ao golo do Varzim SC e, consequentemente, dificultou o restante do encontro?

José Mota: Não acredito que tenha sido desaceleração do ritmo de jogo, mas, sim, as características de jogo de ambas as equipas. O adversário não nos deixou fazer as coisas como queríamos, não abria as linhas e não dava profundidade. Mesmo assim tivemos pelo menos uma grande oportunidade. Isto tem a ver com as estratégias das equipas. Há um aspeto extremamente importante: o respeito que as equipas nutrem pelo Leixões. Vieram aqui com uma toada de expectativa, montaram a estratégia deles e nós devíamos ter sido mais arrojados, mas não fica mal dizer que a vitória ficava bem ao Leixões.

 

Varzim SC

Não foi possível questionar o treinador do Varzim SC, António Barbosa.

GP ARAGÃO | Márquez vs. Bagnaia

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A CORRIDA: DUELO INTENSO EM SOLO ESPANHOL

Nova prova da categoria rainha em terras espanholas, o Grande Prémio de Aragão é um dos circuitos onde mais vezes os pilotos da casa sendo que desde 2012 apenas venceram pilotos espanhóis, entre os quais Alex Rins que venceu a última edição da corrida, Marc Márquez, Jorge Lorenzo e Dani Pedrosa.

Mal a corrida tinha iniciado quando foram exibidas bandeiras amarelas no setor 1 e 2 com queda de Alex Márquez na curva número 5.

Bagnaia começou a corrida na pole position e Marc Márquez, fruto de um grande arranque saltando para o 2 lugar perseguindo Pecco Bagnaia o que acabou por se suceder até ao final.

Aconteceu nova queda, desta feita Jake Dixon no setor 2, o que motivou a necessidade de exibir mais uma bandeira amarela.

O líder do campeonato Fabio Quartararo foi sentindo dificuldades como o próprio já tinha antevisto, facto esse que se deve à enorme competitividade característica deste traçado de Aragão e ao número elevado de mudanças de direção, fator que beneficia certo tipo de motos, nomeadamente a Honda de Marc Márquez.

A 12 voltas da meta Jack Miller cometeu um erro ao alargar de mais a fazer a curva, erro esse que lhe custou duas posições, saindo dos 3 primeiros lugares e permitindo que Aleix Espargaró que conseguiu no GP anterior o primeiro pódio da Aprillia em Moto GP, voltasse a ter uma chance de repetir esse feito.

Numa prova em que todas as motos estiveram sempre perto umas das outras esta corrida teve dois intervenientes que agarraram todas as atenções.

A Formiga de Cervera, Marc Márquez e Pecco Bagnaia protagonizaram um duelo intenso, cheio de adrenalina e sempre com os dois pilotos a darem o máximo, com o espanhol da Repsol Honda Team a ser igual a ele próprio e arriscar o tudo ou nada chegando mesmo a ocorrer um momento de verdadeiro drag racing na pista de Aragão.

O primeiro lugar entre ambos ficou decidido em parte graças às características de ambas as motos sendo a Ducati a moto mais rápida em velocidade de ponta foi um trunfo fulcral já sempre que Marquez conseguia ultrapassar Bagnaia, via a Ducati do a passar como um autêntico míssil.

Miguel Oliveira voltou a pontuar no campeonato do mundo, acabando na 14.ª posição depois de ter largado de 18.º e ter conseguido um bom arranque.

PILOTO DO DIA:

Marc Márquez – O já por múltiplas vezes campeão do Mundo teve um enorme destaque neste GP Aragão depois do arranque fulminante que lhe fez chegar ao segundo posto do pódio e regressar às exibições a que nos foi habituando ao longo dos tempos.

 

DESILUSÃO DO DIA:

Fonte: Moto GP

Fabio Quartararo – Contrariamente ao que era esperado, o piloto francês líder do campeonato teve um dia menos conseguido e sentiu enormes dificuldades em toda a corrida, fazendo o pior resultado de toda a temporada até à data e ficando visivelmente desiludido com a sua prestação após o final da corrida.

 

 

 

SL Benfica | Nova época, novas asas e águia a voar mais alto

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É mais do que aparente a melhoria geral que o SL Benfica, comandado por Jorge Jesus, tem vindo a apresentar neste início de temporada.

Tudo começa com os resultados e, sobretudo, com a relevância dos mesmos. Com nove partidas realizadas em 2021/22, os encarnados levam oito vitórias e apenas um empate (em Eindhoven, ante o PSV, sem golos).

Seguem, assim, imbatíveis as águias. Na temporada transata, ao cabo dos mesmos primeiros nove jogos, os encarnados somavam sete vitórias – um bom registo, claro. Todavia, registavam duas derrotas – e de grande magnitude. Na estreia, a turma de JJ havia desde logo comprometido a restante época, saindo derrotada de Salónica por 2-1 e sendo relegada para a Liga Europa.

Ao nono encontro, nova derrota, desta feita na deslocação ao Bessa (3-0 diante do Boavista FC). Como tal, os resultados e as suas consequências marcam a primeira grande diferença do SL Benfica de segundo ano para o SL Benfica de primeiro ano, nesta segunda passagem de Jesus pela Luz. Mas algo mudou para que tais resultados sucedessem. O quê?

SL Benfica
As águias seguem imbatíveis esta temporada, com apenas um empate em nove jogos
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

A primordial distinção será, diria, a maior capacidade defensiva, sobretudo em transição, apresentada pelas águias. Em 20/21, os encarnados haviam concedido dez golos nos nove primeiros jogos e inclusive sofreram mais do que um golo em várias dessas partidas.

Em claro contraste, na corrente época as águias apenas por três vezes viram as suas redes violadas, nunca sofrendo mais do que um golo (Moreirense FC, CD Tondela e PSV foram os únicos a desfeitear a defensiva benfiquista).

Para o acréscimo de qualidade defensiva coletiva muito contribuíram os acréscimos de qualidade individual. Com Lucas Veríssimo – centralão – cada vez mais integrado e a impor-se como um pilar no onze habitual do SL Benfica, com a consistência demonstrada por Morato sempre que chamado e, sobretudo, com a chegada de João Mário, as águias adquiriram uma solidez defensiva sem e com bola muito grande.

Jogo 1000 de José Mourinho | Nem sempre vencedor, eternamente especial

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Há quem o adore, há quem o odeie e até há quem tente, sem sucesso, ignorá-lo. O fim-de-semana até pode de ser de Cristiano Ronaldo, mas há outro português que vai estar em evidência. No domingo, em Roma, José Mourinho faz o milésimo jogo como treinador de futebol.

Aos 58 anos, é um dos nomes mais marcantes da história do futebol mundial. Desde o passado discreto como jogador, aos 25 títulos como treinador, passando pelos tempos como pupilo de Bobby Robson e pelo início conturbado na Liga portuguesa. Já foi “special one”, o “happy one”, já teve o rótulo de melhor do mundo e o de técnico “ultrapassado”.

Goste-se ou não, Mourinho esta aí para as curvas, com o carisma que vai mantendo entre títulos e desilusões. Hoje, entra no clube dos milhares à procura de novas conquistas, num país onde já foi muito feliz.

WTA US Open 2021: Assim nascem duas estrelas

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Depois de uma quinzena repleta de encontros de enormíssima qualidade entre as melhores tenistas da atualidade, coube a duas teenagers a tarefa de encerrar as festividades naquela que foi a mais jovem final de um Grand Slam desde que Martina Hingis, com 18 anos, e Serena Williams, com 17, disputaram o título do US Open, em 2009.

Quem são essas 2 estrelas do US Open?

Leylah Fernandez, número 73 do mundo, e Emma Raducanu (150.ª do ranking) seriam as protagonistas das competição, mesmo que caíssem antes do encontro decisivo, mas as jovens asseguraram, na base do talento, garra e maturidade, o direito de chamar a si todos os holofotes e discutir, numa fase embrionária das suas carreiras, um troféu que poucas têm a oportunidade de conquistar.

LEYLAH FERNANDEZ: VARIEDADE, EXTROVERSÃO E TRAJETO SEM MÁCULA NOS MOMENTOS CRÍTICOS

Nascida no Canadá, filha de pai equatoriano e mãe filipino-canadiana, e a viver nos Estados Unidos, Leylah Fernandez é a mais credenciada das duas finalistas, ainda que a tenra idade de ambas não abra espaço a grandes diferenças entre os seus currículos.

Contudo, a canadiana conta já com um título no palmarés, conquistado esta época em Monterrey, no México, e fruto da maior competição nos últimos meses, tinha já lugar cimentado no interior do Top 100 mundial à entrada para o torneio.

Embora as duas tenham realizado um percurso brilhante no caminho à final, a jovem de 19 anos, feitos já durante este US Open, impressionou sobretudo pelos nomes que foi sucessivamente deixando para trás. A primeira vítima de renomeada, à terceira ronda, foi Naomi Osaka (3.ª), a que se seguiram Angelique Kerber (16.ª), Elina Svitolina (5.ª) e Aryna Sabalenka (2.ª). O mesmo é dizer que Fernandez afastou duas antigas número um mundiais e campeãs do US Open, a atual segunda da hierarquia, e a medalhada de bronze dos Jogos Olímpicos de Tóquio e antiga número 3 do mundo.

Estas vitórias são ainda mais notáveis por terem sido conseguidos em batalhas de três partidas, muitas delas com tie-breaks, o que denota uma capacidade invulgar nesta idade para lidar com a pressão do momento e de responder à adversidade, algo que caracteriza os melhores do mundo.

Junte-se a isso um estilo de jogo vistoso, com poder de fogo e variedade de pancadas, e está explicado o fenómeno desta norte-americana com sangue latino que festeja efusivamente os pontos ganhos, angariou imenso fãs ao longo do torneio e promete muito para o presente e futuro da modalidade.

EMMA RADUCANU: CONSISTÊNCIA, MATURIDADE E DOMÍNIO ASSUSTADOR

À semelhança da sua adversária da final, também Emma Raducanu é produto de origens multiculturais. Pai romeno, mãe chinesa, nascida no Canadá e a viver no Reino Unido desde os 2 anos, a britânica apresentou-se ao mundo do Ténis há poucos meses, quando deslumbrou até aos oitavos de final de Wimbledon. Desistiu, devido a problemas respiratórios causados pela ansiedade, mas estava dado o sinal do que estaria para vir.

Depois de 16 meses sem competir, por causa da pandemia e também para concluir os estudos, Raducanu entrou de rompante no circuito WTA com bons resultados nos torneios do escalão secundário na antecâmara do US Open dos Estados Unidos. Com direito a wild card para o mítico torneio de relva, a jovem de 18 anos garantiu a vaga no último Major da temporada através da fase de qualificação, que ultrapassou sem ceder qualquer set.

No quadro principal, o registo é ainda mais fascinante. Ainda que não tenha enfrentado tantas adversárias do topo do ranking como Fernandez, ganhou os seis encontros sem perder uma única partida e chegou aos quartos de final, onde teve o seu teste mais duro diante da campeã olímpica Belinda Bencic (12.ª), como a jogadora que cedeu menos jogos de serviço às oponentes.

Na verdade, em nenhuma ocasião a britânica perdeu mais do que quatro jogos num set no caminho para se tornar na primeira qualifier a atingir a final do US Open na Era Open.

Com um jogo menos variado que a sua adversária da final, o aspeto mais extraordinário do jogo de Raducanu é mesmo a sua consistência. Paciente e inteligente a construir os pontos, a número 150 do mundo não oferece borlas às oponentes, levando-as a arriscar e, por consequência, aumentar os erros não forçados.

A sua solidez ao nível do serviço é também pouco comum nestas idades. Menos efusiva que Fernandez, a britânica demonstrou uma enorme maturidade, mantendo-se sempre focada e calma em court.