Os Viola fizeram da jornada 6 uma jornada de mudança de líder, roubando o trono ao Rei Inter, no seu castelo. O golpe deu-se no passado domingo, com o batalhão da Fiorentina, liderado por Paulo Sousa, a entrar a matar no Giuseppe Meazza e em meia hora a resolver a guerra. Kalinic, com dois golos, e Ilicic, de penálti, bateram Handanovic, que teve uma noite desinspirada.
Um início de sonho para a Fiore e um pesadelo para os comandados de Mancini, que quando acordaram já pouco havia a fazer, sobretudo porque iriam perder um guerreiro nesta batalha. Miranda travou Ilicic, quando este estava isolado e prestes a entrar na área para bater mais uma vez Handanovic, e foi expulso.
Ora, faltavam dois terços do jogo para enfrentar e os nerazurri já estavam condenados ao fracasso, por muito que respondessem da melhor forma aos golos sofridos. Quem estava a acompanhar o jogo sabia que uma reviravolta era quase impensável, devido à forte organização defensiva dos Viola e aos seus índices de confiança e motivação, que tinham atingido o auge. Para além disso, o Inter mostrava receio em sair goleado de casa e o nervosismo não permitia que a equipa crescesse. O contra golpe da Fiorentina ameaçava o avolumar do resultado, algo que viria a acontecer na segunda parte.
Ilicic está em grande forma e ajudou na goleada Fonte: Facebook da Fiorentina
Os homens de Paulo Sousa foram controlando o ritmo de jogo e todos os seus momentos, surpreendendo o Inter, que estava invicto e cem por cento vitorioso. Icardi ainda reduziu para os milaneses, mas a partida era de Kalinic, que iria completar o hat-trick e uma noite de sonho.
Passo a passo, a Fiorentina vai acreditando que está pronta para voos maiores e o Scudetto pode ser um objetivo já para esta época, sobretudo se analisarmos as performances e os resultados dos principais candidatos ao título em Itália. Teremos surpresa em Maio? Vamos esperar para ver se os Viola e Paulo Sousa mantêm o bom futebol e, principalmente, a liderança.
E com a Juventus, adivinham o que aconteceu? Perdeu outra vez!
A Vecchia Signora continua em maré de azar, voltando a desiludir e a perder um jogo da Serie A. Desta vez, a derrota aconteceu no San Paolo, perante o Nápoles, com golos das duas estrelas da companhia. Higuaín e Insigne foram os protagonistas do brilharete napolitano, que mantém a Juventus a 10 pontos da liderança (partilhada por Fiorentina e Inter com 15 pontos) e no 15º lugar da competição. Já o Nápoles alcançou a segunda vitória e tem 9 pontos, subindo à 10ª posição.
Quem voltou a desiludir foi o AC Milan, que perdeu em Génova por 1-0, e está no 11º lugar, com os mesmos 9 pontos do Nápoles. Dzemailli foi o autor do golo, ao minuto 10, que derrotou os rossoneri. É impressionante a regularidade com que as equipas de topo em Itália perdem pontos e fazem com que o campeonato esteja empolgante e incerto, quanto ao grupo de líderes. AC Milan e Juventus não aproveitaram para reduzir a diferença para o Inter, mas os principais conjuntos romanos não se fizeram rogados.
A Roma venceu e goleou o lanterna vermelha Carpi por 5-1, com golos de Manolas, Pjanic, Gervinho, Salah e Digne, e a Lazio bateu, fora de portas, o Hellas Verona por 2-1. Parolo e Lucas Biglia foram os autores dos tentos que provocaram a reviravolta no jogo, depois de Helander ter inaugurado o marcador. Nesta partida, o brasileiro Maurício foi expulso por acumulação de amarelos.
Pjanic marcou na goleada e relançou a Roma na perseguição aos líderes Fonte: Facebook A. S. Roma
Assim sendo, as águias de Roma estão no 5º lugar, com 12 pontos, a 3 dos líderes, e os seus maiores rivais, capitaneados por Francesco Totti, estão logo a seguir com 11 pontos, no 7º posto.
No meio das equipas da capital está o Chievo, que foi a casa de outra surpresa da Serie A, o Sassuolo, roubar 2 pontos. Um empate a uma bola que deixa o Sassuolo a três pontos dos primeiros (4º lugar). Nota de destaque é o facto de a equipa comandada por Eusebio Di Francesco ser a única invicta na prova, depois de a invencibilidade nerazurri ter sido quebrada.
Por falar em sensações, falta falar da equipa que fecha o pódio: o Torino. A equipa de Turim, a única na prova que venceu a Fiorentina, ultrapassou o Palermo por 2-1 e alcançou os 13 pontos, num jogo que terminou reduzida a 9 elementos, por expulsão de Molinaro e Joel Obi. Até quando o Torino vai continuar no topo? Provavelmente, com o passar das jornadas, irá perder alguns pontos, mas fica o registo de uma equipa com um futebol agradável, agressivo e objetivo, e longe do chato e sonolento calcio italiano. Se puderem, vejam, porque vale a pena ver um jogo do Torino. Se o fizerem observem o potencial de um jogador: Daniele Baselli!
No outro extremo da tabela, destaco a primeira vitória do Frosinone, embalado pelo empate, na jornada anterior, na casa da Juventus. O conjunto, que subiu esta temporada, recebeu e venceu o Empoli, de Mário Rui, por 2-0, e saiu da linha de água, chegando ao 16º lugar.
Resta apenas falar de duas partidas, que tiveram o mesmo resultado, 2-1. A Udinese foi a casa do Bolonha vencer com golos de Emmanuel Badu e Dúvan Zapata e a Atalanta recebeu e superou a Sampdoria, que assim perdeu a oportunidade de chegar ao 3º lugar.
A Serie A continua ao rubro e, devido à crise exibicional e de resultados da tetracampeã Juventus, nenhum jogo tem resultado previsível. Este será, certamente, o campeonato italiano mais equilibrado dos últimos anos e a Juventus precisará de muito esforço e muitas melhorias para chegar ao penta. Fiorentina e Inter surgem como os candidatos mais fortes, mas a Roma continua a crescer e a aproximar-se. Não há seca e sonolência nos relvados italianos: uma Serie A assim vale a pena!
O JOGADOR DA SEMANA:
Nicola Kalinic: Um hat-trick no mítico Giuseppe Meazza não é para todos e logo perante um Inter em grande forma, invicto, e com apenas um golo sofrido no campeonato. Uma noite de sonho individual que permitiu ao seu coletivo chegar à liderança!
O TREINADOR DA SEMANA:
Paulo Sousa: A sua Fiorentina é a equipa mais completa e com melhores desempenhos coletivos até ao momento e está, justamente, na liderança. Mérito, muito mérito, para o treinador português, que, após uma contestação inicial dos adeptos por causa do seu passado, começa a ganhar reconhecimento. Parabéns, Paulo!
Escrevo há um mês no Bola na Rede, abordando semanalmente questões que considero importante destacar ou corrigir na actualidade do Benfica. Neste período, temos assistido ao regresso lento e silencioso daquilo que denominamos tranquilidade – e que anseio designar em definitivo por normalidade –, na sequência de visíveis melhoramentos que nem a derrota no Dragão pode revogar. Por outro lado, parece-me agora óbvio que o anúncio antecipado da invencibilidade dos nossos adversários – perante nós e os outros – brotou algo precipitado. Os defeitos são antigos e estão identificados, porém, permanece adiada sine die uma solução real: seria como evitar o naufrágio num barco (azul) sem capitão; ou ver navegar um capitão sem barco (verde).
Resolvido a confiar no progresso – do treinador e da equipa –, perdi, nos dias que antecedem este texto, algumas das comichões mais incomodativas: os golos de Jonas, as exibições de Gaitán e Gonçalo Guedes e, naturalmente, a recuperação pontual para a liderança são bálsamos que aumentam a confiança; sobra-me a crença de que o futuro confirme a evolução. Enquanto aguardo, opto, desta vez, por dedicar este espaço ao momento semanal onde mais se se debruçou sobre a realidade do universo benfiquista, nas suas diversas dimensões: refiro-me, obviamente, ao discurso de Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, proferido na última Assembleia-Geral do seu clube.
A estratégia de Bruno de Carvalho tem prazo de validade expirado: encontra-se nos livros de História (dos que tratam regimes e lideres), em capítulos eternamente sublinhados como maus exemplos de política e humanismo. O presidente do Sporting – instituição que me merece todo o respeito – investiu-se como Génio da Revolução adoptando a postura dos que combatem incessantes vagas de inimigos imaginários – no interior e no exterior. O objectivo (já batido) escapa apenas aos ingénuos e radicalizados: a sua ascensão e consolidação como líder; mais o benefício que essa posição lhe confere e que, segundo consta, se prepara para aumentar significativamente (por razões onde até cabem as próprias filhas).
Na verdade, pouco me importam as purgas levadas a cabo contra ex-dirigentes; ou a campanha de descrédito contra a oposição; ou as ameaças dirigidas a deputados, em Portugal e na Europa, intrigados com a origem do dinheiro; ou a retórica apocalíptica que inspira a dúvida e o medo – são questões para os sportinguistas resolverem, mais cedo ou mais tarde. O que me importa (e incomoda) realmente é o facto de Bruno de Carvalho, em discurso na Assembleia-Geral do seu clube, ter emitido a palavra “Benfica” e feito referências directas ao meu clube cerca de duas dezenas de vezes.
O discurso de Bruno de Carvalho amolece o corpo e a mente Fonte: Sporting Clube de Portugal
O Benfica é o inimigo externo por excelência. A simples referência ao Glorioso provoca nos sportinguistas reacções químicas automáticas e involuntárias que, de uma assentada, permitem atenuar a vergonha pela derrota (dentro e fora do campo) e reforçar o orgulho, muito menos por amor a si, mas apenas por ódio ao rival. Bruno de Carvalho apropria-se desse sentimento (próprio do futebol) e utiliza-o estrategicamente. No fundo, trata-se de propagar um conjunto insistente de mentiras e ameaças, conduzindo o estado de espírito do ouvinte para aquilo que se pretende. Resumindo: é o efeito do populismo – camuflado em defesa do Sporting e ataque ao Benfica – que amolece as consciências e sempre causa danos.
Jamais apoiaria textos tão mal escritos ou a resposta aos mesmos alguém com responsabilidades no Benfica – porém, sou apenas um adepto; permito-me, por isso, perder algum do meu tempo para refutar algo daquilo que Bruno de Carvalho referiu, sobre o meu clube, no seu discurso:
1. O Benfica não fica em Carnide. Conhecesse as origens deste clube e Bruno de Carvalho saberia que o Benfica já teve várias moradas; este clube é do povo e, como tal, dos quatro cantos do mundo.
2. O Benfica contratou o Franco Cervi; o presidente do Rosário Central já esclareceu a nega dada ao Sporting, na sequência das negociações com “um grupo de investidores de um país a que não estamos habituados”. Bruno de Carvalho esqueceu-se de esclarecer (tal como se esqueceram de lhe perguntar) a que país se referia o dirigente argentino – mais valem 4,8 limpos do que seis sujos; Mitroglou não veio porque o Sporting não o quis e preferiu o Teo; vê-se logo que aquele draft, colocado ontem em circulação pública, foi feito por um miúdo qualquer. Para já, Adrien lidera a lista com dois golos de penálti.
3. O Sporting tem muitos adeptos. O Benfica também. A dúvida é saber se 4,5 milhões cabem nas ruas deste mundo – em Portugal, Paris, Genebra, Luxemburgo, Newark, Luanda, Praia, Bissau, Maputo, S. Tomé, Dili e muitas outras (com maior ou menor dimensão) –, que se enchem por completo sempre que o Benfica se sagra campeão; a contabilidade é difícil de se fazer: uns preferem ficar em casa e outros vivem na Namíbia. No caso do Sporting, não tem havido muitas ruas para contar – mas aposto que, quando chegar a altura, será fácil confirmar os 3,5 milhões: do Marquês de Pombal à Baixa de Malabo.
Depois de ter feito a visita ao Museu do Futebol Clube do Porto no ano passado e de ter ficado completamente estarrecido com tudo o que vi, esta semana consegui roubar algum tempo ao tempo para fazer a visita ao Estádio do Dragão. E que visita.
Às vezes torna-se complicado encontrar a razão em algo tão emocional. Como aquilo que sinto pelo Futebol Clube do Porto. Mas devo confessar que fascínio talvez seja a palavra certa para descrever a experiência dos últimos dias. Depois de ter visto, ao vivo, uma grande vitória por 2×1 frente ao Chelsea, foi-me dada a possibilidade de conhecer a arena onde os valorosos dragões, ano após ano, vão lutando por vitórias.
Relvado de muitas conquistas Fonte: FEUP
E hoje quero falar-vos de uma simples vivência. O momento em que desci ao nível do relvado. Não se pode calcar o relvado, como já devem saber. Mas entrar ali, naquele espaço; olhar à minha volta… Os adeptos estão bem mais próximos do jogo do que aquilo que eu imaginava. Um jogador pode olhar para a bancada e reconhecer, perfeitamente, quem grita por ele jogo após jogo.
Não consigo imaginar maior motivação do que esta. Olhar à volta. Ver aqueles que jogo após jogo estão ali. Para o melhor mas também para o pior. A gritar, a apoiar. Ver os cânticos de júbilo, os festejos, os gritos de vitória. Mas também as faces de tristeza, de desilusão, de quem quer saltar para dentro do campo para tentar mudar o rumo dos acontecimentos…
Há pessoas que conseguem viver sonhos. E o sonho de ser jogador de futebol é comum a muitos mas concretizado por poucos. Estar ali dentro, pisar aquele relvado, ouvir o dragão a rugir por nós, ser a razão do seu grito audaz… Hoje, consigo finalmente perceber porque se pede que os jogadores “morram” em campo, que “suem sangue”.
A alegria de quem sente o clube Fonte: FC Porto
E percebi porque é que é tão especial fazer parte do Futebol Clube do Porto. E descobri que a cadeira 22 também pode ser uma cadeira de sonho.
No pretérito fim-de-semana decorreu mais uma jornada da Liga Sport Zone em Futsal, com claro destaque para as vitórias claras e incontestáveis dos dois principais candidatos ao título nacional, Benfica e Sporting. No pavilhão da Luz, o Benfica superiorizou-se ao CS São João, num jogo em que os encarnados demonstraram o seu poder e o porquê de serem os campeões em título. A partida terminou com o desnivelado parcial de 9-1, com os golos a serem apontados por Chaguinha, Fernando Wilhelm, que bisou, Ré, que também fez o gosto ao pé em duas ocasiões, Gonçalo Alves, Alessandro Patias, Mário Freitas e Alan Brandi. O tento de honra da equipa do distrito de Coimbra foi marcado por Vigário, quando o resultado estava 9-0 para as águias.
O SL Benfica já viajou para a Eslovénia, onde joga a ronda principal da UEFA Futsal Cup, após um interregno de dois anos. De referir também que o Benfica já venceu esta competição em 2010, e que este ano defronta o Sarajevo da Bósnia-Herzegovina, o Varna da Bulgária e o Dobovec, que joga em casa. Apenas o 1.º classificado se apura para a ronda de elite do troféu, a “champions” do futebol de salão e que marca a estreia de Joel Rocha em competições europeias.
Voltando às competições nacionais, o Sporting CP derrotou o Rio Ave por expressivos 10-2, num jogo em que os “leões” entraram algo apáticos e desinspirados, conforme se comprova pelo magro parcial de 2-1 ao intervalo, com os dois golos a serem apontados por Diogo, a grande figura do encontro com quatro golos marcados ao longo do encontro. Para o lado rio-avista marcou Rúben Reis. Uma segunda parte muito mais bem conseguida por parte do conjunto verde e branco valeu uma vitória gorda, com golos de Cavinato (2), Pedro Cary, Varela, Fortino e Afonso, para além do já citado Diogo. Coube a Balão marcar o segundo golo do Rio Ave no encontro.
Uma boa 2.ª parte permitiu a vitória confortável dos “leões” Fonte: Sporting Clube de Portugal
De resto, destaque para a vitória fora de portas do SC Braga frente ao Belenenses, por 1-3, assim como a derrota em casa do anterior líder partilhado, o SL Olivais, que perdeu com o Gualtar por 3-5 e que naturalmente perde a liderança para o Benfica, que se isola, embora provisoriamente, pois o Sporting CP e o SC Braga têm um jogo em atraso, entre si, e em caso de vitória igualam as “águias” no topo da tabela. O Modicus venceu na deslocação a Carcavelos por 6-2, no reduto da Quinta dos Lombos, Burinhosa e Fundão empataram a 3 bolas num jogo frenético e em que ninguém merecia perder, tal o ritmo imposto pelas duas formações e, finalmente, a surpresa da jornada, embora face ao arranque menos conseguido da formação lisboeta não seja muito surpreendente, e a deslocação ao Porto para jogar com o Boavista nunca é fácil; logo podemos considerar apenas uma “meia-surpresa”.
Quase 2 anos depois, a cidade de Braga, habituada a grandes noites europeias, voltava a ver um jogo europeu. Depois da vitória no terreno do Liberec, o Braga tinha uma oportunidade fantástica para conseguir 6 pontos. O Groningen vinha de uma derrota caseira por 3-0 frente ao Marselha, onde mostrou muitas fragilidades e mostrava ser uma equipa acessível para este jogo.
Ciente da importância de conseguir 6 pontos (nunca o Braga tinha conseguido vencer os 2 primeiros jogos na Liga Europa), o Sporting Braga entrou a pressionar. A ideia que ficou desta primeira parte foi a de que o Braga era claramente superior aos holandeses. Grande envolvência dos laterais no ataque e Hassan e Rui Fonte bastante móveis no ataque era a fórmula para dominar o Groningen, que não mostrava capacidade para sair a jogar. O egípcio deu o mote logo aos 5 minutos, inaugurando o marcador, para um domínio avassalador dos bracarenses.
Paulo Fonseca devia ser um homem feliz por ver a sua equipa a criar oportunidades de perigo, mas a felicidade virou preocupação quando Arghus se lesionou e teve de sair. Parece sina; a defesa do Braga todos os anos passa por um surto enorme de lesões. Sem centrais, o jovem treinador teve de adaptar Mauro. E este foi o momento da mudança. O Sporting de Braga acusou a lesão e mostrou alguma insegurança defensiva. O Groningen soube aproveitar e começou a fazer aquilo que ainda não tinha feito: subir e aparecer com perigo. E chegou a assustar, ainda que sem efeitos práticos. Ao intervalo, o resultado pecava por escasso, os pupilos de Paulo Fonseca eram claramente superiores aos holandeses, mas ficava o aviso de que baixar as linhas podia ser prejudicial.
Alan continua a ser um dos pilares da equipa Fonte: Facebook do Sporting de Braga
Quando uma equipa domina durante um largo período de tempo existem dois cenários com maior probabilidade de acontecer. Ou a equipa marca o golo da tranquilidade e continua a ter controlo do jogo ou desperdiça tantas oportunidades que se cansa e a outra equipa, dominada até então, começa a aparecer no jogo. Rapidamente se percebeu, na segunda parte, que o segundo cenário iria acontecer. O Groningen, tal como acabou a primeira parte, começava a acreditar que era possível retirar algo mais do jogo. Os arsenalistas, que tão bem estiveram ofensivamente na primeira parte, desapareceram em termos atacantes na segunda.
Mesmo sem passar por grandes sustos, o Braga parecia ter-se deixado adormecer e ficar confortável apenas a gerir o resultado. Mas ficava sempre a sensação de que o golo do Groningen podia aparecer do nada e de que o Braga pouco procurava o golo da tranquilidade. Felizmente o tempo passava e os holandeses não passavam apenas da intenção, e pouco fizeram realmente para conseguir o empate. O Braga conseguia a vitória, justa mas mais sofrida do que devia ter sido, e está no bom caminho. A derrota do Marselha em casa, com o Liberec, dá a liderança aos bracarenses, coloca mais um adversário na luta pela qualificação (se o Marselha vencesse, seriam 6 pontos de vantagem para o terceiro classificado), mas mostra que o Marselha não está assim tão forte e que uma vitória na próxima jornada (em Braga) fará os arsenalistas terem um pé na próxima fase.
A Figura:
Alan – São 36 anos mas no campo parecem 20. Alan é a referência máxima deste Braga, um símbolo do clube, e não parece que termine a sua carreira tão cedo. O lance do golo passou por ele e foi dos que mais correram e se entregaram na busca da vitória.
O Fora-de-jogo:
Lesão de Arhus – Não é de agora. Desde os tempos de Domingos que “lesões” e “defesa do Braga” andam de braços dados. O clube parece sofrer alguma maldição que coloca toda a sua defesa no estaleiro. Sem Arghus, o Braga não tem centrais e terá de adaptar jogadores. E hoje a equipa sentiu essa mudança.
Com uma equipa alternativa e sem pôr o pé no acelerador, a Fiorentina passeou no Restelo e bateu o Belenenses por esclarecedores 4-0 na segunda jornada da fase de grupos da Liga Europa. Não se esperava tarefa fácil dos portugueses frente ao líder do campeonato italiano, mas a postura da equipa de Sá Pinto não ajudou. Com linhas demasiado recuadas e sem capacidade de sair para o ataque, hipotecou as poucas hipóteses que tinha de discutir o resultado e, pior do que isso, desaproveitou a montra europeia.
Desde o princípio do encontro que se percebeu que jogo íamos ter no Restelo. O líder da Serie A fez jus ao seu estatuto e instalou-se tranquilamente no meio campo do Belenenses, que se organizou defensivamente com duas linhas de quatro homens, com Carlos Martins e Luís Leal a pressionar mais à frente. A estratégia receosa da equipa de Sá Pinto, ciente de que enfrentava um adversário em grande forma e com jogadores de enormíssima qualidade, tornou a partida num jogo de paciência para a Fiorentina, que ia circulando a bola de um flanco para o outro à procura de espaços para criar perigo.
O primeiro golo surgiu através do sentido de oportunidade do promissor Bernardeschi, que aproveitou uma defesa para a frente de Ventura (ficou a ideia de que podia fazer melhor). Por estar demasiado recuado, o Belenenses não teve capacidade de sair para o ataque, mas, em desvantagem, o conjunto de Sá Pinto foi obrigado a subir as linhas. Apesar de uma tímida reacção no final da primeira parte, com um toque em Kuca que deixou a sensação de ter ficado uma grande penalidade por marcar, os azuis não conseguiram contrariar o maior poderio dos italianos e, à saída para o intervalo, tiveram um lance de infelicidade, com um remate de Babacar a desviar em Gonçalo Brandão e a trair Ventura. Estava feito o 2-0 para a Fiorentina, um resultado natural face ao domínio avassalador dos comandados de Paulo Sousa, mas algo castigador se considerarmos que a formação viola não teve muitas ocasiões para marcar.
Com o jogo praticamente decidido, a Fiorentina abrandou o ritmo no início da segunda parte, já a pensar no campeonato italiano, e permitiu que o Belenenses tivesse o seu melhor período no jogo, pressionando a saída de bola contrária. Ainda assim, o ímpeto inicial desapareceu rapidamente e a partida tornou-se monótona até final. A animação no relvado não era muita, mas o mesmo não acontecia nas bancadas. Mesmo com o rebentamento de um petardo na zona dos adeptos da Fiorentina, cheia de tarjas alusivas às boas relações com o Sporting (os tiffosi italianos cantaram várias vezes o nome do clube leonino), o entusiasmo nas bancadas centrais, repletas de estudantes trajados a puxar pelos “pastéis”, não esmoreceu.
O jogo contou com muita animação nas bancadas
No relvado, a turma de Paulo Sousa ia descansando com bola, sem forçar, e os azuis do Restelo também se acomodaram e deixaram de acreditar num resultado positivo. Sá Pinto tentou acordar a equipa a partir do banco, mas as entradas de Fábio Nunes e Tiago Caeiro revelaram-se inconsequentes. Embora o ritmo de jogo dos transalpinos não fosse muito elevado, ainda houve tempo para dar contornos de goleada ao resultado. Kuba saltou do banco para ter participação decisiva no 3-0, cruzando para um desvio de Tonel para a própria baliza, e Rossi, em crescendo depois de longa ausência, assinou o 4-0 final.
Paulo Sousa promoveu uma rotatitividade que se esperava, tendo em conta que o objectivo principal é o campeonato. A Fiorentina jogou com o habitual sistema de três defesas, sendo que Marcos Alonso, que habitualmente faz a ala esquerda, recuou no terreno para dar entrada a Bernardeschi. O italiano foi a principal figura do conjunto viola, mas houve outros destaques positivos, como Mário Suárez, tanto a médio como a central, Matias Fernández, que pautou o jogo no meio campo com um nível elevado, e os avançados Ante Rebic (a jogar pela direita) e Babacar, com participações interessantes. Do jogo de hoje fica mais uma vez a ideia de que este sistema permite que haja sempre superioridade numérica no meio campo e constantes opções para o portador da bola, o que facilita o jogo de posse que o técnico português implementou.
Na equipa do Belenenses, o receio com que a equipa abordou o jogo acabou por impedir que houvesse muitos destaques individuais. Carlos Martins apareceu nos melhores momentos da equipa de Sá Pinto, mas nunca teve o apoio necessário para desequilibrar nas transições ofensivas (foi frequente vê-lo rodeado por vários adversários sem nenhuma linha de passe). A chave do jogo foi o facto de os azuis terem de lidar com a presença de seis homens contrários na zona intermédia, entre os três centrais e Babacar, e estarem a defender com uma linha de apenas quatro elementos, o que dificultou a tarefa dos médios André Sousa e Rúben Pinto. Também os laterais André Geraldes e Filipe Ferreira voltaram a demonstrar algumas limitações, mesmo com a ajuda dos extremos. Sturgeon e Kuca (depois Dálcio e Fábio Nunes) desgastaram-se a fechar o espaço interior e a dobrar os laterais e não tiveram capacidade de chegar ao último terço tantas vezes quanto seria desejável.
A Figura:
Federico Bernardeschi – Foi o único a dar alguma alegria a um jogo absolutamente desinteressante durante o primeiro tempo. Abriu o marcador e procurou sempre desequilibrar a partir da faixa esquerda através de mudanças de velocidade de de direcção. Acabou por ser o primeiro a sair, mas merece o destaque.
O Fora-de-Jogo:
Sá Pinto – Mesmo tendo consciência de que era claramente inferior ao adversário, não devia ter abdicado de discutir o jogo. Oferecendo a bola e a iniciativa a um conjunto tão bem oleado e com tanta qualidade individual como a Fiorentina, era previsível que o golo acabaria por surgir mais tarde ou mais cedo. É o principal responsável pela má abordagem à partida e revelou-se incapaz de transmitir a agressividade – tática e nos duelos – que o caracteriza.
Se dúvidas havia sobre a importância que Jorge Jesus dá à participação do Sporting na Liga Europa, essas foram dissipadas assim que a ficha de jogo foi publicada. Foram sete as alterações que o técnico leonino realizou, voltando a apostar em Tobias após o jogo extremamente infeliz do jovem central frente ao Lokomotiv; entregando uma das alas à promessa leonina Matheus Pereira e reformulando a dupla de avançados, fazendo descansar Slimani e Montero, apostando em Teo Gutiérrez e dando a Bryan Ruiz novas competências, numa posição de segundo avançado.
Matheus tinha assim a hipótese de se estrear com a camisola principal do leões, realizando um sonho antigo, e logo num ambiente frenético como o do Ataturk. O menino deu logo sinais de querer recompensar a aposta de Jesus, conseguindo logo uma assistência para o primeiro golo da partida, apontado pelo costa-riquenho Ruiz à passagem do quarto de hora. Este golo veio mostrar também a posição onde Bryan Ruiz rende mais – jogando na zona central – conseguindo ter os espaços e as oportunidades de alvejar a baliza que lhe faltam quando joga pelos corredores e escondendo a sua fraca velocidade.
O número 20 marcou o primeiro golo com a camisola leonina Fonte: Facebook Oficial do Sporting
Outra das melhorias evidenciadas no conjunto verde e branco durante a primeira parte era a pressão alta realizada pelos jogadores leoninos, sendo que William Carvalho veio trazer uma nova alma ao meio campo, secundado por Aquilani. A dupla conseguia travar os adversários ainda no primeiro terço do terreno, limitando a influência de Hutchinson e Uysal no conjunto turco e conseguindo fazer com que a bola não chegasse com regularidade a Gokhan Tore e principalmente Ricardo Quaresma.
O Sporting comandava o encontro e não se limitava a defender a magra vantagem; Teo Gutiérrez teve a hipótese de dobrar a vantagem, mas desperdiçou com alguma dose de azar à mistura a segunda oportunidade que teve no encontro. Algo que acabou por motivar a equipa turca, que aproveitou os últimos cinco minutos da primeira parte para mostrar que não estava contente com o resultado que figurava no marcador. Senol Gunes, decidiu trocar os extremos e colocou Quaresma num duelo com Jonathan Silva, algo que se provou uma prova de fogo para o lateral argentino, uma vez que algumas entradas impetuosas nos primeiros minutos já lhe tinham valido um cartão amarelo.
Ao intervalo, o Sporting vencia com justiça num terreno difícil, e Jesus mostrava que apesar de se apresentar em solo turco com uma equipa sem algumas das estrelas, tinha alternativas disponíveis para levar de vencida um rival directo pelo apuramento no grupo H. O destaque desta primeira parte iria para Bryan Ruiz, um jogador que parecia renascido nas novas funções; apoiando o ponta de lança, defendendo com regularidade e, acima de tudo, marcando golos que se podiam revelar importantes.
Para o início da segunda metade, o treinador turco deixou no banco Uysal e apostou em Ozyakup, médio com formação no Arsenal, para a batalha a meio campo frente a um inspirado William Carvalho. Respondeu Jesus, tirando Matheus Pereira e reforçando o corredor central com Adrien Silva.
O golo do empate turco surgiu numa arrancada pela direita do lateral direito Andreas Beck, que coloca a bola dentro da grande área leonina e onde surge sozinho o extremo Tore, que bate com facilidade um desamparado Patrício. Mais uma vez o Sporting baixou o ritmo numa segunda parte “europeia”, e mais uma vez com resultados práticos negativos; permitindo aos adversários crescer na partida e tomar para si um domínio que o Sporting tinha perdido com a entrada amorfa na segunda parte.
Gokhan Tore e Quaresma estiveram sempre em foco do lado turco Fonte: Facebook Oficial do Besiktas
O jogo pedia Slimani, e Jesus desta vez não esperou muito para mudar o ataque leonino, entrando o goleador argelino para o lugar dum desinspirado Gutiérrez. Contudo quem continuava a mandar na partida era a equipa da casa, mantendo o perigo nas imediações da área de Patrício, com Goméz e o recém entrado Tosun a fazerem a dupla mais avançada, assistidos pelos perigosos extremos do Besiktas.
Do lado do Sporting, a saída de Matheus puxou Ruiz para uma zona mais lateral e fazendo com que o capitão da selecção da Costa Rica voltasse a um registo mais discreto do que o provado na primeira parte. Ficou assim o ataque verde e branco com menor fulgor, uma vez que Carlos Mané também não esteve a um nível tão bom como noutras partidas. Jesus acabou por arriscar mais um pouco tirando o médio Aquilani e colocando Gélson, voltando tudo à primeira forma e com Ruiz a voltar a fazer companhia a Slimani.
Os últimos minutos foram no entanto com claro ascendente turco, não chegando a sufocar os leões mas mantendo sempre o nervosismo nas hostes verdes e brancas. O empate com que o jogo chegou ao seu término foi assim um mal menor para um Sporting que voltou novamente a apresentar duas caras. Após uma primeira parte bem conseguida, em que Ruiz deu espectáculo e em que Teo poderia ter selado o triunfo, os leões permitiram o despertar dos turcos na segunda parte; algo que acabou por tirar dois pontos à equipa de Jorge Jesus e que complica ainda mais as contas do apuramento. Volta também a ficar a ideia que o verdadeiro foco do Sporting passa pelo campeonato nacional, algo que se traduz numa vitória obrigatória no próximo domingo, frente ao Vitória de Guimarães.
A Figura:
Gokhan Töre – O extremo nascido e formado na Alemanha foi a grande figura da partida, marcando um golo e criando dificuldades tanto a Jonathan como a João Pereira. Um jogador forte, com baliza sempre na mira e com a raça tipicamente turca.
O Fora de jogo:
Teo Gutiérrez – O ponta de lança colombiano não foi feliz no seu regresso à Turquia. Por duas vezes teve a possibilidade clara de marcar mas nunca teve a clarividência necessária para o fazer, retirando ao Sporting a hipótese de sair de Istambul com os três pontos.
Não é segredo nenhum que o Sporting tem, neste momento, menos poder do que os rivais não só em termos financeiros como de comunicação e de jornalismo. Essa desvantagem reflecte-se nos bastidores da Liga, do Conselho de Arbitragem e, consequentemente, dentro de campo também (este ano, Pedro Proença, apoiado pelo Sporting, venceu as eleições da Liga, mas a aliança Benfica-Porto do ano passado fica para a História e é paradigmática quanto ao longo caminho que os leões ainda têm de percorrer). Há, contudo, outros efeitos, menos mensuráveis. Nomeadamente a forma como alguma comunicação social tem lidado com o Sporting desde o triunfo de Bruno de Carvalho nas urnas, em 2013, e em particular desde que Jorge Jesus trocou a Luz por Alvalade.
A lista de exemplos que deixam perceber uma atitude menos cobradora a Benfica e Porto seria longa, pelo que serão aqui apenas mencionados alguns episódios mais recentes – pequenos casos, uns mais óbvios do que outros, que evidenciam diferenças de tratamento em prejuízo do Sporting. No que diz respeito ao Porto, não é preciso recuar mais do que dois dias: o jornal O Jogo lançou, na 3ª feira, uma notícia que dava conta de um “rumor” sobre uma alegada má relação entre Lopetegui e Imbula, que o periódico tratou logo de classificar como “falso”. Não está em causa se o é ou não; regista-se, isso sim, a diligência e o zelo do jornal a apagar o fogo de forma instantânea. Não tem havido a mesma preocupação com o Sporting, onde sobram os títulos e frases tendenciosos e também episódios que dão que pensar, como o anúncio de que Carrillo estaria convocado para um jogo, seguido de um desmentido, uma hora depois, que deixava no ar um alegado atrito entre Jesus e Bruno de Carvalho (“Fui almoçar com o Carrillo para quê?” – jornalismo ao mais alto nível).
Já no que diz respeito ao Benfica, os casos mais evidentes são a insistência de que o clube ganhou ao Sporting a corrida por Mitroglou, sendo nítido que tem havido a preocupação de preparar terreno para fazer o mesmo com Zivkovic. Ambas as notícias foram desmentidas pelo Sporting e o segundo caso motivou mesmo uma declaração do presidente, que acusou o Record de mentir. A razão aparenta estar do lado dos leões, não só porque o clube da Luz anda morto por dar uma facada no rival desde o episódio JJ (os adeptos encarnados celebraram o “roubo” de Cervi, mas convenhamos que não é bem a mesma coisa), mas também porque Jesus não teve problema em admitir o interesse num jogador – Danilo – que acabou por ir para o norte. A veracidade da rejeição, por parte de Vieira, de propostas de 10 M€ por Luisão (!) e de 20 M€ por G. Guedes (!!) fica ao critério de cada um. Pela minha parte, não restam dúvidas de que o departamento de propaganda do Benfica trabalha com afinco, embora falte um pouco de realismo aos seus devaneios para que os mesmos possam ser levados a sério. Nos jornais, porém, tudo isto assume uma roupagem de acontecimento factual. Vieira, qual guardião dos interesses encarnados, segurou duas pérolas no último dia do mercado. As fugas de Jesus e Maxi foram meros pormenores.
Caso morto à nascença: “O Jogo” preocupou-se em desmentir na hora alegados desentendimentos no FC Porto
Sporting ainda não domina o poder do jornalismo e comunicação
Todas estas pequenas diferenças de tratamento têm sido recorrentes. Os sucessos do Sporting recebem pouco destaque (p. ex.: a melhoria das contas da SAD leonina, que apresentou lucros), e é dado um espaço desmedido e despropositado a “notícias” de relevância nula e com propósito duvidoso (p. ex.: deu-se tempo de antena para que Estrela, obscuro ex-atleta do Benfica B agora a jogar nos EUA viesse, um ano e meio depois e a propósito de nada, mandar bicadas a Jesus. De igual modo, o salário de JJ deixou de ser normal, como foi aquando da estadia do sua estadia na Luz, para passar a ser objecto de críticas agora que o treinador mudou de ares. Quem não censurava esses valores até Junho, não tem moral para o fazer a partir dessa data. E, por falar em Junho, quando será que o Benfica paga o salário que deve ao seu ex-funcionário? Eis mais um caso que, a ocorrer no Sporting, teria motivado ondas de escárnio e revoltas moralistas por todo o país.
Entretanto, o “Football Leaks”, blog criado na 3ª, dia 29, e citado na capa de Record de 4ª, dia 30, é o caso mais evidente da perturbação e incómodo que o Sporting tem causado, e que os rivais já perceberam que veio para ficar. A página, alimentada por uma aparente fuga de informação oriunda de Alvalade, tenta mascarar o óbvio: não foi criada com o propósito de denunciar os “parasitas que se aproveitam do futebol”, como diz a sua descrição, mas sim de criar instabilidade no clube leonino. Prova disso é o facto de, dos 12 posts que o blog tem, um ser o de apresentação e 8 focarem os verde-e-brancos. De resto, não se fala nem de escutas, nem de “fruta”, nem de corrupção (o escorraçado ex-árbitro Marco Ferreira disse saber umas coisas, por que não falar com ele?), nem dos famosos negócios de “15 milhões” da Lavandaria Mendes/Vieira, nem de nada. Só Sporting. Nada mais interessa a este Pedro Guerra do mundo virtual. Quem caísse aqui de pára-quedas decerto pensaria que o futebol português era um antro de credibilidade antes de chegar o bandido Bruno de Carvalho…
Mas o mais curioso é que, ao contrário do que certamente aconteceria caso o blog se preocupasse com o que deve com toda a certeza ser investigado, nada do que aí se descreve é ilegal. Para além do contrato de JJ e de propostas por Cervi e Mitroglou – não é segredo que o clube os negociou – nessa página encontram-se registos de um alegado envolvimento do Sporting com um tal Recreativo Caála, de Angola, que terá servido de intermediário para a compra de Bruno Paulista. Este clube, propriedade de António Mosquito, “empresário” pertencente à cleptocracia angolana que detém parte da Controlinveste, serviria para financiar várias aquisições de jogadores. Ora, esta temática divide-se em duas partes: a primeira, que só é novidade para quem está desatento, é que o futebol continua a ser um meio obscuro e pouco recomendável – nunca porei as mãos no fogo por nenhum dirigente; a segunda tem a ver com a tal diferença de tratamentos. Os jornais irão agora explorar a “desgraça” do Sporting – não aprecio estes procedimentos, mas a verdade é que eles estão dentro da legalidade – enquanto Benfica e Porto se ficam a rir, apesar de terem telhados de vidro – as águias terão uma relação semelhante com o Brasa FC, do Brasil, com Jorge Mendes e com Peter Lim/Meriton; os dragões recorreram ao Dep. Maldonado, do Uruguai, para comprar Alex Sandro. É este desfasamento de comportamentos e notícias que fomentam (des)conversas pouco sérias e fundamentadas sobre futebol – que costumam ter a particularidade de partir de gente vítima da desinformação mas que acha que está a fazer uma grande figura e que fica feliz por ganhar o “debate do sound bite”.
BdC e JJ: uma relação repleta de desentendimentos que, afinal, nunca o foram Fonte: site do Sporting CP
Este texto não tem, obviamente, o propósito de apelar ao boicote da imprensa por parte do Sporting ou de colocar tudo no mesmo saco. O jornalismo foi a profissão que escolhi, será provavelmente o meu futuro e, como tal, não só sou sensível ao lado dos jornalistas como tenho sabido de alguns episódios em que estes são os menos culpados mas levam por tabela. Não acredito em jornais mandatados para servir este ou aquele clube, mas acredito em gente séria e menos séria, em gente profissional e menos profissional. Assim como acredito que os rivais, nomeadamente o Benfica, andam com uma “sede” enorme aos leões e, usando aqui as palavras premonitórias de Jorge Jesus na sua última entrevista, “vão mandar notícias para vários jornais a tentar arranjar confusão com o Sporting. Eu já lá estive, isso passava-se comigo lá”. Essas declarações foram proferidas a propósito de um suposto desentendimento entre treinador e presidenteem Moscovo – mais um episódio amplamente badalado (este “no Benfica seria diferente” é hilariante).
Costuma dizer-se que a idade é um posto. O sucesso não o é menos. Ser bem-sucedido traz respeitabilidade e até, por vezes, um certo temor da parte de quem vê de fora. Ora, o Sporting tem tido pouco sucesso e só agora se começa a reerguer, tendo um longo caminho a palmilhar até voltar a estar em pé de igualdade com os rivais a todos os níveis. Nesta altura, recorro a uma frase do jornalista Alexandre Santos, que me costuma ocorrer sempre que me deparo com estas diferenças de tratamento. A propósito do abandono da sala de imprensa em bloco pelos jornalistas certo dia em Alvalade, o repórter da RTP foi dos únicos a insurgir-se contra a maioria, pedindo, num post do Facebook, que os colegas não fossem “fortes com os fracos e fracos com os fortes”. Isto passou-se em 2013 e, daí para cá, os leões recuperaram muito do seu fulgor, mas a verdade é que continuam a não ser tão pujantes nos bastidores como os rivais. O Sporting está a pagar a factura de, em pleno período de hegemonia benfiquista – dentro e fora de campo – ter tido a ousadia de ir buscar o treinador do rival nas barbas de Vieira, enquanto este e os benfiquistas escarneciam do simples pensamento de Jesus rumar a Alvalade. O aparelho que o Benfica conseguiu montar em vários órgãos de media tem feito o resto.
E que influência tem tudo isto na vida do Sporting? Muita. Negá-la é negar o poder da comunicação social na formação da opinião pública. Exemplo disso é o facto de, apesar de nem sempre fiáveis, as sondagens – para pegar num assunto muito em voga – terem um papel indesmentível na tomada de decisão de muitos cidadãos, ou de Marcelo Rebelo de Sousa partir, por ter um espaço semanal na TVI, bastante à frente de Sampaio da Nóvoa na corrida às Presidenciais. Paralelamente, e voltando ao assunto deste texto, um Sporting constantemente visado nos media terá mais dificuldades em manter os adeptos do seu lado. A aposta na desinformação e na instabilidade surge, assim, como uma poderosa arma dos rivais – mais experientes, mais preparados e, sobretudo, desejosos de impedir o Sporting de se reerguer. Só isso explica que as pancadinhas hipócritas nas costas tenham acabado, que a atitude rival para com Bruno de Carvalho seja muito mais hostil do que alguma vez o foi para Bettencourts e Godinhos, e que nunca nenhum “Football Leaks” tenha aparecido a denunciar os contratos-fantasma com empresas ou as indemnizações milionárias pagas a funcionários pelo Sporting roquettista – esses sim, escandalosos.
É mais cómodo chamar “Midas” a Vieira e só questionar os negócios do Sporting Fonte: “A Bola”, 12/07/2015
A personalidade de Bruno de Carvalho gera muitos anticorpos, e talvez tenha sido também por isso que os casos Marco Silva e Carrillo tomaram as proporções que tomaram. O Benfica, por seu turno, pôde negar o acesso de Jesus e da equipa técnica às instalações do clube sem que se criassem grandes ondas. De igual modo, o clube da Luz, cujos adeptos tanto se interessaram momentaneamente na temática dos direitos dos trabalhadores aquando da situação de Marco Silva, pôde colocar Fariña a treinar com os juniores e Ruben Amorim a manter a forma sozinho no Estádio Nacional. Nenhuma destas situações teve direito a mais do que apontamentos de circunstância nas páginas dos jornais. Também o processo de renovação de Maxi Pereira foi tratado de forma mais discreta do que o de Carrillo, embora, no que diz respeito à situação deste último, os leões tenham a sua quota-parte de culpas.
Em suma, o Sporting compila um documento de 400 páginas mas passa-se a imagem de que Marco Silva foi despedido por causa de um casaco, inventam-se casos entre Bruno de Carvalho e Jesus, um jornalista italiano faz, acerca da Doyen e dos esquemas do Benfica, o que os portugueses não fazem cá (ler aqui e aqui) e o clube de Alvalade vê-se preso num cerco montado para manter o status quo de dois clubes que já se tinham habituado a disputar os campeonatos entre si e não querem mudanças. Por outro lado, as óbvias ligações do Porto à Doyen ou as negociatas do Benfica com a Meriton, a Gestifute, a Ralex Developments ou a Jazzy Limited não merecem atenção. A súbita viragem das águias para uma suposta “aposta na formação” também não causa estranheza. O que importa é chamar “Midas” a Luís Filipe Vieira – esse mago das transferências de miúdos por “15 milhões” – ou fazer reportagens propagandísticas sobre o presidente do Benfica e passá-las no dia da apresentação de Jesus em Alvalade. Assim anda o futebol português e, consequentemente, uma parte considerável do jornalismo desportivo nacional. Se transpusermos esta atitude de alguns jornalistas para outros ramos da sociedade, temos razões de sobra para estar preocupados.
O Bola na Rede continua com mais uma edição da rubrica ‘Portugueses na Champions’, um resumo das prestações dos jogadores e treinadores lusos na Liga dos Campeões, a principal prova europeia de clubes. Nesta lista não estão incluídos protagonistas de equipas portuguesas.
Jogadores:
Cristiano Ronaldo (9) – O craque português foi decisivo ao apontar os dois golos que valeram a vitória do Real Madrid na Suécia, frente ao Malmoe. Esta noite, CR7 tornou-se o melhor marcador da história dos merengues, com 324 golos em 308 partidas. Simplesmente fenomenal o registo do madeirense no Santiago Bernabéu! (Real Madrid)
Tiago (6) – O médio do Atlético de Madrid fez o seu papel no meio campo “colchonero”, mas a sua equipa foi derrotada em casa pelo Benfica. Ainda assim, Tiago jogou os 90 minutos e foi uma das principais figuras da equipa, na ausência do cerebral Koke. (Atlético Madrid)
Hernâni (5) – O extremo emprestado pelo FC Porto aos campeões gregos entrou aos 73 minutos para o lugar de Sebá (ex Estoril). Entrou para refrescar o ataque e também ajudou os colegas a suster a investida final do Arsenal e a segurar uma vitória histórica no Emirates Stadium. (Olympiacos)
Eduardo (3) – Jogar na Allianz Arena é sempre difícil e o guardião português teve uma noite de pesadelo. Lewandowski com um “hat-trick”, Douglas Costa e Götze foram os goleadores de serviço nas redes de Eduardo, que não ficou isento de culpas em alguns golos. (Dínamo Zagreb)
Paulo Machado (4) – O médio formado no FC Porto foi titular, tendo sido substituído aos 61 minutos por Marko Rog. Foi mais um dos elementos engolidos pelo meio campo alemão, não tendo tido grandes hipóteses de colocar em campo o seu futebol. (Dínamo Zagreb)
Gonçalo Santos (5) – Entrou ao intervalo para o lugar de Filip Benkovic, e merece nota positiva porque ajudou a equilibrar as forças no meio campo. É certo que o Bayern baixou o ritmo após chegar ao intervalo com uma vantagem de 4 golos, mas Gonçalo Santos foi importante nessa tarefa, mostrando que talvez devesse ter sido titular. (Dínamo Zagreb)
Antunes (7) – O lateral esquerdo cumpriu bem o seu papel na deslocação a Telavive, sendo certinho a nível defensivo e ajudando o ataque sempre que teve oportunidade. O nortenho continua a fazer exibições sólidas e a mostrar que deve ser a principal alternativa a Fábio Coentrão na seleção nacional. Jogou os 90 minutos, tendo visto um cartão amarelo já perto do final do encontro. (Dínamo Kiev)
Miguel Veloso (7) – Foi titular, tendo saído a meio da segunda parte, quando o resultado final (vitória por 2-0) já estava feito. Viu um cartão amarelo aos 36 minutos, mas fez uma boa exibição no miolo ucraniano, ajudando a equipa a chegar ao primeiro lugar do grupo, em igualdade pontual com o FC Porto. (Dínamo Kiev)
Anthony Lopes (6) – Esteve bem ao negar algumas das investidas valencianas, só não conseguiu deter a bomba de Feghouli no final da primeira metade. O Lyon tem a vida difícil na Champions, pois não ganhou nenhum dos dois jogos disputados e segue-se a dupla jornada frente ao líder, Zenit. (Lyon)
João Cancelo (8) – O jovem formado no Seixal continua a cimentar a sua posição na equipa de Nuno Espírito Santo. Cumpriu os 90 minutos no lado direito da defesa, sempre em bom plano, com a sua equipa a vencer sem sofrer golos. Fernando Santos pode chamá-lo para os derradeiros jogos de apuramento para o Euro 2016. (Valência)
Danny (6) – Apesar de nunca mostrar grande coisa na seleção, Danny é indiscutível no Zenit e jogou os 90 minutos na vitória caseira perante os belgas do Gent. O Zenit tem 2 vitórias em outras tantas partidas e está bem encaminhado. Apesar de não ter participação direta em nenhum dos golos, nota positiva para o criativo português. (Zenit)
Luís Neto (5) – Continua na sombra de Garay e Lombaerts na equipa russa. Entrou a meia hora do fim para o lugar do seu colega belga, esteve seguro ao lado do antigo jogador do Benfica mas talvez seja hora de se impor ou sair para outro clube, se ainda quiser continuar na luta por um lugar nas convocatórias de Fernando Santos. (Zenit)
Treinadores:
Marco Silva (9) – Fantástica a vitória do Olympaikos no terreno do Arsenal. Após ter perdido frente ao Bayern, os campeões gregos estão agora numa boa posição para tentarem chegar à próxima fase, dado que os próximos dois jogos serão frente ao Dínamo Zagreb, enquanto o Arsenal vai defrontar o temível Bayern. Felipe Pardo foi o homem decisivo nesta magnífica vitória do antigo técnico do Sporting. (Olympiacos)
José Mourinho (2) – O Chelsea continua paupérrimo esta temporada, muito amorfo e desastroso a nível defensivo. No ataque, as soluções são escassas, baseadas no lançamento longo em busca de Diego Costa. No final do jogo, Mou criticou mais uma vez a sua estrutura defensiva, mas ele também tem culpas no cartório. (Chelsea)
André Villas-Boas (6) – Apesar de as coisas não estarem famosas a nível interno, o Zenit continua 100% vitorioso na Liga dos Campeões. Mesmo sem deslumbrar, os russos venceram em casa o Gent e estão confortáveis no primeiro lugar do Grupo H da Champions. (Zenit)
Nuno Espírito Santo (7) – A vitória no Stade Gerland foi um balão de oxigénio para o treinador português, bastante contestado pelo mau início de época em Espanha. Continua em busca do seu “11 ideal”, mas está em segundo lugar na Champions e, por isso, nota positiva. (Valência)
Jogador da Jornada: Cristiano Ronaldo
Treinador da Jornada: Marco Silva
Ausentes: Ivo Pinto (Dínamo Zagreb), André Gomes (Valencia), Ruben Vezo (Valencia), Pepe (Real Madrid), Vieirinha (Wolfsburgo), Beto (Sevilha), Daniel Carriço (Sevilha), Manuel da Costa (Olympiacos)
Que bela ópera a que assistimos. Uma ópera de hora e meia em crescendo, com um enredo muito intenso e sofrido. Um belo espectáculo com o maestro Nicolás Gaitán a voltar para trás das cortinas ao som dos aplausos incessantes da plateia dos 3 mil espectadores presentes e dos milhões que assistiram ao jogo no sofá de casa. Num vocábulo mais literal, esta foi a primeira vitória fora do Estádio da Luz. E que vitória, logo contra um gigante europeu, um Atlético que há dois anos atrás venceu a Liga BBVA e foi finalista desta mesma competição. Mas desengane-se quem acha que é tudo um mar de rosas. É uma boa vitória, são 3 pontos sumarentos e essenciais, mas eu gosto de ouvir uma ópera num registo mais médio e não a saltar entre agudos e graves.
O Benfica voltou a entrar a medo, ainda não vi o clube da Luz entrar num jogo com a confiança com que entravam na era de Jesus. A equipa não teve muitas dificuldades em sair para o ataque, a bola estava a ser trocada de uma forma muito tensa – era nítido o nervosismo-, também fruto da alta pressão do Atlético de Madrid, e a defesa parecia um escorredor de esparguete: cheia de buracos. Gaitán não estava a ter espaço, mas quando o tinha guiava a bola de uma forma que poderia fazer, ao mais atento espectador, que poderia vir dali estragos.
O Benfica acabou por começar a jogar após levar um safanão. Já se tinha amedrontado por várias vezes com um dos mais temíveis artilheiros dos encarnados, Jackson Martinez, mas foi Correa que acordou o Benfica, com um golo que fez os encarnados meter os pés no chão. Assim que Gaitán se encontrou solto aproveitou uma bola perdida de um cruzamento de Nélson Semedo para fazer o primeiro golo da noite. Já era outro Benfica. A equipa começou, aos poucos, a conseguir avançar no terreno e André Almeida e Samaris compensaram bem as saídas dos laterais em missão ofensiva.
Gonçalo Guedes fez o golo da categórica vitória do Benfica; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
A segunda parte começa como acabou a primeira, com muito Atlético, mas com o Benfica a saber sofrer e a sair a jogar com qualidade e com noção. Nota-se um fio de jogo e entendimento que contrasta muito com, por exemplo, o jogo da supertaça que parecia um episódio da antiga série televisiva Survival: cada um por si.
Em mais uma jogada liderada por Gaitán o Benfica acabou por chegar ao segundo golo por Gonçalo Guedes. O resto foi gerir, foi parar quando se tinha de pausar o jogo, fazer as faltas certas para quebrar os ataques… Foi o necessário sofrimento para se poder ganhar a uma equipa do gabarito do Atlético. De vez em vez lá eramos surpreendidos por uma subida de Nelson Semedo ou Eliseu.
Foi um jogo muito bom, no final de contas. Rui Vitória está de parabéns. Júlio Cesar foi enorme, Nelson Semedo está a crescer de uma forma soberba e forma com Gonçalo Guedes uma dupla segura e que já vale golos (uma dupla que critiquei por falta de maturidade num artigo anterior e que agora, com todo rejubilo, admito ter sido precipitado). Jonas e Jiemenez, uma novidade neste onze também é um aspecto a destacar e um caso a trabalhar nos treinos. A mobilidade que a dupla confere ao jogo do Benfica e o físico que Jiemenez oferece ao jogo são em tudo benéficas. Tudo acabou bem e cada vez acredito mais nos oitavos de final. Espero que esta vitória seja também o embale para acabar com a maldita seca de vitória fora da Luz.
Acabou por ser uma grande jornada da Liga dos Campeões com Benfica e Porto a elevarem o nome de Portugal ao vencerem dois grandes do futebol mundial. Fechem-se as cortinas. Que venha o próximo espectáculo.
A Figura:
Gaitán – nem podia ser outro.
O Fora-de-jogo
Jackson Martinez – falhou demasiado, mas não apenas por sua culpa uma vez que Júlio César esteve enorme.