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Tau-tau nestes alunos!

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Luís Castro disse na passada quarta-feira que quando os alunos são bons o professor aparece. O problema é que em Sevilha não apareceu ninguém!

Sem rodeios: o jogo de Sevilha foi, em grande parte, aquilo a que o Porto nos habituou durante a presente época. Com Paulo Fonseca no comando foi tudo muito mau, e agora com Luís Castro só está mau. Este último jogo contra o Sevilha não foi um tropeção… foi algo inevitável. E é fácil explicar porquê. Se se lembram do segundo jogo contra o Nápoles, em que empatámos a duas bolas, a primeira meia hora podia muito bem apresentar o mesmo resultado que vimos esta quinta-feira passada no Rámon Sanchéz Pizjuán. O Porto não tem jogado “à Porto” para depois, pontualmente, jogar mal aqui ou ali. É exactamente o contrário! O Porto tem jogado mal para depois, pontualmente, jogar bem aqui ou ali! Em Nápoles viu-se isso. Podíamos estar a perder por mais do que 1-0 só na primeira parte. Vá lá que depois encaixámos um pouco o nosso jogo, mas a verdade é que nunca fomos consistentes. Em jogos grandes ou pequenos, o Porto tem fraquejado muito. Agora, assumo perfeitamente o meu exagero quando digo que o Porto é por hábito muito fraco. A realidade não é bem essa, mas também não anda longe… Quaresma disse no final do jogo que tínhamos equipa para ganhar ao Sevilha. Concordo, mas só nos tais casos pontuais!

A turma de Luís Castro voltou a desiludir esta época  Fonte: ASP / Getty Images
A turma de Luís Castro voltou a desiludir esta época
Fonte: ASP / Getty Images

No meu último artigo falei de seis problemas que o Porto precisa de resolver o quanto antes. Contra o Sevilha notaram-se muito bem três deles. Herrera na primeira parte esteve muito lento a decidir o que fazer à bola, se bem que na segunda melhorou imenso. Ora aí está: o potencial existe, só é preciso uma ajudinha. O rapaz quando decide, decide bem. As bolas paradas continuam uma nulidade e Quaresma mantém-nas mal batidas. E, por fim, quem não chuta não marca! Os remates de meia distância são uma arma importantíssima no arsenal de qualquer equipa. O que vimos na quinta-feira passada foi um exemplo das dificuldades por que passamos quando não oleamos essa arma. O Sevilha, a ganhar 3-0, viu um jogador seu ser expulso e recuou as linhas todas, fechando-se muito bem na defesa. O Porto ficou sem espaços para criar desequilíbrios e acampou no início do último terço do campo, sem saber como penetrar a defesa espanhola. Já com Quintero, Kelvin e Ricardo em campo, nada parecia assustar o Sevilha. Nas poucas situações de remate de meia distância a bola nunca passou muito longe da baliza de Beto. Quaresma lá conseguiu reduzir a diferença mas já foi tarde.

Perdemos e fomos eliminados. Para mim não foi nenhuma surpresa… Acredito que temos um bom professor e alguns bons alunos, da mesma forma que acreditei que podíamos ganhar a Liga Europa porque somos Porto. Porque quando jogamos “à Porto” somos capazes de ganhar tudo e mais alguma coisa, independentemente dos alunos e do professor, mas a verdade é que temos uma equipa com fragilidades criadas durante meia época e que não podem ser melhoradas em algumas semanas. O facto de termos jogado “à Porto”, uma vez ou outra, só serviu para nos iludirmos. Porque não adianta muito ter um espírito de guerreiro imbatível se o corpo que o acompanha está doente.

Inglaterra dos pequeninos

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Se o meu colega João Martins escrevia ainda esta semana sobre a “guerra dos tronos”, fazendo alusão à luta renhida pela glória final no campeonato Inglês, eu, por outro lado,  aproveito para referir a luta dos “pequeninos”. Fulham, Cardiff e Sunderland batalham pelo direito de continuar na, considerada por muitos, melhor liga do mundo. E, por favor, desenganem-se se pensam que qualquer uma destas equipas já não tem hipótese de assegurar a manutenção. Se há coisa que aprendi a ver a Premier League é que não há impossíveis; depois do título do Manchester City nos últimos segundos, quando no campo do rival já se festejava, eu acredito em tudo.

E acredito, até porque já vi acontecer, que as equipas do fundo da tabela podem perfeitamente ganhar às equipas que estão no topo. Aliás, todos podem ganhar a todos. Talvez seja essa a maior atracção, pelo menos para mim, do escalão principal das terras de Sua Majestade. Portanto, os cinco, seis e sete pontos que separam o Fulham, Cardiff e Sunderland, respectivamente, da linha de água não significam nada quando ainda há cinco jornadas por disputar, sendo que o Sunderland ainda tem três jogos em atraso.

É certo que, como já referi, qualquer um pode ganhar a uma equipa que luta pelos lugares cimeiros. No entanto, convém ter em mente que o Norwich – equipa que milita o 17º lugar – não tem um calendário nada simpático para as últimas jornadas. Vai jogar no terreno do Fulham num jogo que poderá ser decisivo para a equipa londrina, de seguida recebe o Liverpool, depois joga fora contra o Manchester United, volta a Londres para jogar em Stamford Bridge e finaliza a campanha a receber o Arsenal. Ou seja… o futuro não se agoira nada risonho para a equipa do ex-Sporting Wolfswinkel – que teve uma campanha excepcional, com 22 jogos e um golo.

Resta-nos apenas esperar para ver o que se vai passar na recta final deste sempre emocionante campeonato. Será que os três “patinhos feios” desta edição vão conseguir atingir a manutenção? Ou será que a equipa do Norwich vai dar uma de David e derrubar um, ou vários, Golias?

Turim antes de Turim

nascidonafarmaciafranco

Ainda na ressaca dos festejos pela passagem às meias-finais da Liga Europa – que podiam e deviam ter sido maiores, não fosse a infelicidade que encontrou Sílvio – o Benfica conheceu hoje de manhã aquele que é o último obstáculo antes da final de Turim. Ou, por outro lado, recebeu a notícia de que vai poder experimentar o palco da final antes mesmo de esta acontecer – uma espécie de adaptação ao terreno. Apesar de me ter sempre mostrado cauteloso em relação ao campeonato, olho para as competições europeias – neste caso, a Liga Europa – de outra forma, especialmente a partir das fases a eliminar. A responsabilidade é outra, a prioridade é outra, a disposição é outra, a atitude é outra. Se o Benfica eventualmente cair aos pés da Juventus, a campanha encarnada na Liga Europa não vai nunca ser má. Mas analisemos o que nos “calhou na rifa”.

A Juventus não é menos do que um gigante europeu. Com um “currículo” que inclui Taças dos Campeões Europeus, Taças UEFA, Supertaças Europeias, uma Taça das Taças e até Taças Intercontinentais, dúvidas não restam quanto à potência futebolística que é a equipa de Turim. Em Itália, com oito pontos a mais do que o segundo classificado, o AS Roma, preparam-se para ser campeões e reforçar a condição de equipa com mais títulos ganhos na Série A. Mas as “armas” que fazem com que a Juventus seja a equipa que tem sido apontada como favorita para ganhar a Liga Europa não ficam por aqui. Basta olharmos para o plantel e vermos a quantidade de jogadores de luxo que compõe a equipa das riscas pretas e brancas – Buffon, Bonucci, Chiellini, Pirlo, Tévez, Llorente – e a qualidade de jogadores como Asamoah ou Vidal para percebermos que o colectivo italiano não será um adversário fácil. Esta é uma Juventus diferente daquela que em 2006 desceu à Série B como consequência do escândalo de futebol que assaltou a Liga Italiana nesse ano. Apesar de manter o “código” italiano, é uma equipa renovada e está de volta a uma fase de excelência desde há dois anos para cá.

A última vez que Benfica e Juventus se defrontaram para a Europa aconteceu na Taça UEFA de 1992/1993. O Benfica ganhou o primeiro jogo (2-1) e perdeu o segundo (3-0). A Juventus viria a ganhar a Taça UEFA nesse ano
A última vez que Benfica e Juventus se defrontaram para a Europa foi na Taça UEFA de 92/93. O Benfica ganhou o primeiro jogo (2-1) e perdeu o segundo (3-0). A Juventus viria a vencer a competição nesse ano

Quanto à meia-final, existem vantagens de parte a parte. Por um lado, se era preferível “antecipar” o jogo, uma vez que seria muito difícil jogar contra a Juventus em casa na final e ter a oportunidade de disputar metade da eliminatória na Luz, por outro lado ter de fazer as contas finais em Itália, na segunda-mão, não será, de todo, “pêra doce”. Para além disso, a Juventus é uma equipa super motivada para jogar a final em casa, como é natural. Por outro lado, caso o Benfica consiga não sofrer golos em casa, ou eventualmente sair de Lisboa com uma vantagem e souber geri-la em Itália, decerto que a final contra Sevilha ou Valência será mais apetecível do que se o sorteio assim não o tivesse ditado. Para todos os efeitos, acredito que a maior batalha que vai existir será no meio-campo, e aqui a Juventus pode ter vantagem caso Jesus não desenhe uma estratégia específica. É que para além de um “miolo” de qualidade e competência assinaláveis com Pirlo, Pogba e Vidal, as surpresas podem aparecer também das alas, através de Asamoah e Lichtsteiner. Por outro lado, a Juventus não é equipa de golear, de ter um jogo ofensivo mais estendido ou que jogue recorrentemente com espaços largos, o que vai exigir do Benfica uma grande concentração e capacidade de esperar pela oportunidade. Ainda assim, o poderio ofensivo do Benfica ou a pressão alta com que encara os jogos pode também inibir a progressão da Juventus. Em jeito de prognóstico, acredito que esta será uma eliminatória com poucos golos e provavelmente com um empate numa das mãos. No entanto, tudo dependerá da forma como as equipas se encaixarem a defender e a atacar e da margem que for dada para desequilíbrios. Ambas as formações têm uma boa circulação e capacidade de manutenção de bola, o que pode acabar por ser fulcral na hora de arranjar caminho para o golo. Se a batalha do meio-campo se anular, Markovic, Salvio ou Gaitán podem ser cruciais para conseguir fazer o Benfica chegar ao último terço do campo.

Seja como for, em teoria, o campeão é o mais forte e aquele que não caiu aos pés de nenhuma equipa ao longo de toda a competição. Nessa medida, à semelhança de PAOK, Tottenham e AZ Alkmaar, também a Juventus vai ter de ficar pelo caminho se o Benfica quiser prosseguir com o sonho europeu.

UEFA Youth Cup – Benfica 4-0 Real Madrid: Tudo fácil e apuramento histórico

futebol de formação cabeçalho

Dois penaltys. Uma expulsão. Três golos. Tudo em 17 minutos de jogo. O Benfica avançou sem contemplações perante uma das mais cotadas formações do mundo do futebol e conseguiu um apuramento histórico para a primeira final da UEFA Youth League.

Aconteça o que acontecer, o Benfica já tem o seu nome registado nesta primeira Liga dos Campeões na categoria de sub-19. Depois de eliminar equipas como o PSG, Áustria de Viena ou Manchester City, a equipa (muito bem) comandada por João Tralhão confirmou que tudo aquilo que tem acontecido não é por acaso. Esta equipa de jovens jogadores do Benfica tem mesmo muito talento. A segurança e agilidade do guarda-redes Thierry Graça, o tremendo sentido posicional e tático do defesa-central João Nunes, os movimentos de fino recorte técnico de Rochicha (ah!, aquele penalty à Panenka…) e Guzzo, as movimentações rápidas e de desequilíbrios constantes de Guedes e Nuno Santos, a frieza e rapidez de Hildeberto Pereira… Enfim, poderia estar aqui a descrever ainda mais individualidades deste super-competitivo plantel do Sport Lisboa e Benfica. Não o vou fazer. Até porque muita coisa pode vir a mudar no futuro. Muitos deles, de facto, nunca deverão chegar a ser jogadores do plantel principal. Uns por falta de qualidade, outros, claro, porque serão tapados por jogadores externos ao clube.

A questão aqui é tão-somente uma: em Portugal há imenso talento. É pena que o Benfica não aposte tão regularmente nos seus jovens, mas esta acaba por ser uma opção que não pode ser criticada. É completamente diferente jogar neste nível e a um nível mais sério e profissional, como jogam os profissionais da equipa A de Jorge Jesus.

Ainda assim, e voltando à questão principal deste texto, que é o jogo propriamente dito, devo confessar que esperava muito mais de uma equipa do Real Madrid. Erros absolutamente inacreditáveis e infantis contribuíram para que o desfecho do encontro fosse este. Foram assinalados 3 (!) penaltys a favor do Benfica (todos eles bem marcados, diga-se) e os comandados de João Tralhão apenas necessitaram de jogar no (constante) erro do adversário. Os jogadores encarnados não só demonstraram superioridade no capítulo técnico e tático, como também a nível de maturidade. Os 3 golos no início do encontro permitiram gerir a vantagem, dando até muitas vezes o jogo ao Real Madrid para ter o controlo do jogo sem bola. Foi sem surpresas que o resultado ainda se dilatou mais, para os 4 golos sem resposta.

À semelhança do que costuma acontecer na equipa principal, a que hoje jogou deu também a ideia de que se os jogadores acelerassem um pouco mais a velocidade das suas transições, o resultado poderia ter sido ainda mais avolumado.

Como adepto de bom futebol, até gostaria que isso tivesse acontecido. Mas entendeu-se a contenção dos jogadores do Benfica. Segunda-Feira disputa-se a grande final e convém ter a equipa toda na máxima força. E esse pode ser um dia histórico.

Seria fantástico para Portugal ter uma equipa portuguesa como primeira vencedora desta competição. Um motivo de orgulho que não deve surpreender ninguém. Em Portugal, temos as melhores camadas jovens do mundo. E atenção: para o ano temos também o Sporting na competição. Promete!

Benfica 2-0 AZ Alkmaar: Final de Turim ali ao virar da esquina…

Terceiro Anel

Pela terceira vez em quatro anos, o Benfica está nas meias-finais da Liga Europa. De facto, a equipa portuguesa já recuperou quase por completo o seu prestígio internacional, assumindo-se cada vez mais como um peso pesado, pelo menos no que diz respeito à segunda competição mais importante do futebol europeu.

Tal como se esperava, o Benfica acabou por não sentir grandes dificuldades para superar o Alkmaar. A equipa holandesa é voluntariosa, faz o que pode, mas fica a milhas de um Benfica muito forte, que conta com um plantel incomparavelmente melhor, e que joga com uma segurança tremenda. De facto, este Benfica é claramente um grande candidato a vencer esta competição. Tem muitas soluções; os jogadores jogam quase de olhos fechados entre si; o ambiente entre a equipa e adeptos é de uma total sintonia, neste momento.

Porém, há que referir que o Benfica esteve longe de realizar uma exibição de sonho. Mas também não era preciso mais! Com jogos tão importantes como aqueles que aí vêm, os comandados de Jorge Jesus geriram a partida a seu bel-prazer, não permitindo praticamente uma única oportunidade de golo ao Alkmaar.

Um dos momentos mais tristes da temporada benfiquista, a grave lesão de Sílvio Fonte: zerozero.pt (Carlos Alberto Costa)
Um dos momentos mais tristes da temporada benfiquista, a grave lesão de Sílvio
Fonte: zerozero.pt (Carlos Alberto Costa)

E depois, para além de todo este grande  momento do líder do campeonato, outro facto que deixa, e com razão, toda a nação benfiquista em êxtase: o regresso à grande forma de Salvio, que esta noite regressou aos seus grandes tempos, com sprints vertiginosos, passes decisivos, com uma alegria contagiante. Nos dois golos do Benfica, apontados aos 40 e aos 72 minutos – ambos apontados por Rodrigo (está num fantástico momento de forma o avançado hispano-brasileiro) -, Salvio mostrou toda a sua classe, com velocidade, técnica e precisão a conjugarem-se de uma forma perfeita. Pena que Óscar Cardozo não tenha marcado nenhum golo, porque o avançado paraguaio bem tentou fazer o gosto ao pé, tendo sempre o público da Luz a seu lado.

Contudo, e para grande tristeza dos adeptos do Benfica, e dos adeptos de futebol em geral, o desafio ficou marcado pela grave lesão de Silvio, que ao que tudo indica poderá ter acabado com o que resta da temporada para o lateral encarnado. Sem dúvida de que se trata de uma terrível notícia para Silvio, para o Benfica e para o futebol português, e isto porque este polivalente jogador era claramente um atleta a ter em conta, e de que forma, para ser chamado ao Campeonato do Mundo.

Em suma, resta esperar pelo sorteio de amanhã, que irá ditar as meias-finais desta Liga Europa. Uma coisa é certa: este Benfica é um candidato a vencer a prova, qualquer que seja o adversário que calhe em sorte. E não vale a pena pensar no fantasma da época passada, porque com a confiança e qualidade de jogo evidenciadas semana após semana pelos encarnados, é impossível que certos receios ensombrem o que quer que seja.

 

A Figura
Eduardo Salvio – Grande exibição do extremo argentino, que provou estar de regresso aos seus grandes momentos. Repentista, desequilibrador nato, brilhou no relvado da Luz. Notáveis iniciativas que deram origem aos dois golos do Benfica. Em grande, “El Toto”!

O Fora-de-Jogo
Lesão de Sílvio – Fatídico momento aquele em que, logo no início do desafio, Silvio se lesionou gravemente. Um grave problema físico é sempre de lamentar, mas a situação ainda se torna mais triste quando vemos que ocorreu com um atleta muito fustigado por lesões, ao longo da sua carreira, e que estava a realizar uma grande temporada. As mais sinceras melhoras para este excelente futebolista.

Sevilha 4-1 FC Porto: Atraiçoar o passado

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Da imensa história que o FC Porto tratou de escrever, de Sevilha consta uma das suas páginas mais bonitas – quem recorda uma noite quente de Maio de 2003, sabe que a cidade anfitriã se apaixonou e rendeu a uma das mais épicas finais europeias da história (o FC Porto 3-2 Celtic Glasgow, no Estádio Olímpico), numa demonstração de qualidade, classe e sofrimento do Dragão. Havia, então, Baía, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Maniche, Deco, Alenitchev ou Derlei. Da mesma forma que, já mais recentemente, em 2011, com Rolando, Moutinho, Hulk e James, a mesma cidade havia testemunhado competência, equilíbrio, paixão e mais uma vitória do Dragão (o Sevilha 1-2 FC Porto, nos dezasseis-avos de final). Em qualquer dos casos, o FC Porto foi feliz em Sevilha; em qualquer das situações, o sonho europeu construiu-se em Sevilha. Sempre na Liga Europa.

Com saudades da sua Terra dos Sonhos, o comum e mortal adepto portista, chegado à capital da Andaluzia, sorriu: havia confiança, crença e comodidade com o calor (ainda assim muito menos do que em 2003), o mesmo que o fazia sentir-se nostálgico. Até ao apito inicial de Gianluca Rocchi. Porque, a partir daí, todos esses sentimentos foram violentados…

Ainda o Ramón Sánchez Pizjuán memorizava os onzes iniciais (o do FC Porto sem Fernando e Jackson, mas com Defour, Herrera e Carlos Eduardo no meio-campo e Ghilas a ‘9’) e já o argelino e o belga faziam cerimónia na hora do remate. A partir daí quem não teve cerimónia nem contemplações foi o Sevilha: pegou no jogo, partiu para cima do FC Porto e marcou três golos em 25 minutos. Primeiro por Rakitic (5’) na transformação de uma grande penalidade (a castigar um desmaio de Bacca, e cuja origem do lance é ilegal por fora-de-jogo), depois por Vitolo (26’), consequência de uma péssima abordagem ao lance de Danilo, e, finalmente, por Bacca (30’), após um lance inaceitável numa competição deste nível, em que a bola andou a saltar dentro da grande-área portista sem que ninguém a aliviasse.

O FC Porto nunca soube amedrontar o Sevilha  Fonte: UEFA
O FC Porto nunca soube amedrontar o Sevilha
Fonte: UEFA

Nesta primeira meia hora, assistiu-se a um Dragão demasiado intranquilo e desconcentrado, com uma incapacidade gritante de segurar a bola e controlar o jogo, com inúmeros passes falhados, transformando uma boa equipa do Sevilha – é verdade – num autêntico bicho papão. O cenário não podia ser pior e a equipa procurou, de algum modo, regressar ao jogo: Quaresma ia tentando (ainda que nem sempre com as melhores tomadas de decisão), Herrera revelava-se esforçado e voluntarioso mas Carlos Eduardo e Varela nunca apareceram para dar apoio a um desamparado Ghilas. Focando-se, o conjunto azul-e-branco acabou por criar três lances de perigo no final da primeira parte: Herrera (38’), Defour (41’) e Quaresma (43’) assinaram remates que criaram relativo perigo; por outro lado, o próprio Sevilha baixou o seu ritmo – Rakitic e M’bia foram reis e senhores do espaço central em toda a primeira meia hora da partida – mas sempre que possível esticava o seu jogo, procurando o oportuno Bacca.

Se havia um plano de jogo, o mesmo havia sido traído por Rocchi e apunhalado pelos próprios jogadores portistas, com tamanha apatia e incapacidade de suster o ímpeto (normal e expectável) do adversário. Ao intervalo, como que tentando ressuscitar a equipa, Luís Castro trocou Carlos Eduardo e Varela por Quintero e Ricardo. O certo é que o FC Porto melhorou substancialmente: Ghilas podia ter marcado de pontapé-de-bicicleta (num lance que acabou com a expulsão do treinador portista) e Quaresma enviou uma bola à trave, ainda antes de Coke, defesa direito do Sevilha, ser expulso (53’). Contra 10, a equipa passou a acreditar um pouco mais e voltou a dispor de oportunidades, quer por Herrera (54’), quer, logo de seguida, por Quaresma. No entanto, a equipa sevilhana respondeu bem: Emery substituiu Reyes por Diogo Figueiras e montou a equipa da melhor forma, com um bloco baixo mas coeso e com Bacca (e depois Gameiro) e Vitolo sempre à espreita de uma oportunidade.

Sem ter concretizado as oportunidades de que dispora e com imensa posse de bola, o FC Porto revelou-se, ainda assim, muito previsível e inconsequente. Mesmo a entrada de Kelvin (por troca com Danilo) não surtiu efeito; pelo contrário, a equipa tinha muita gente com capacidade para circular a bola mas dois extremos que se colavam à linha (óptimo para dar largura mas muitas vezes inconsequente pela forma individualista como definiam as jogadas) e que nunca se aproximavam do ponta-de-lança, deixando Ghilas a viver num plano fechado, demasiadas vezes desacompanhado na área. A lucidez e a crença tornaram-se inversamente proporcionais ao tempo que havia para jogar e o FC Porto nunca conseguiu, sequer, criar o mínimo perigo que alimentasse uma ténue esperança que ainda pudesse haver.

M'Bia foi intransponível na 1ª parte e Kelvin, na 2ª, não trouxe nada de novo  Fonte: UEFA
M’Bia foi intransponível na 1ª parte e Kelvin, na 2ª, não trouxe nada de novo
Fonte: UEFA

Não compreendendo a entrada de Kelvin (pouca maturidade e experiência nestas andanças), a solução menos má seria ter lançado Licá para junto de Ghilas, ganhando presença na área e capacidade de disputar as segundas bolas, parece-me. Com Kelvin em campo, então por que não adiantar Mangala (ou Reyes) para área, numa solução de recurso, com o mesmo intuito? O tempo era já curto e o risco teria de ser maior… O mesmo risco que acarreta uma equipa subida e que dá espaço nas costas da sua defesa: eis o que permitiu ao Sevilha chegar ao quarto golo, por intermédio de Gameiro, após uma rápida transição (79’).

Se já era quase impossível, o FC Porto percebeu que os dias na Liga Europa 2013/2014 estavam contados. O FC Porto que Sevilha conhecia não foi aquele que esteve, esta noite, nessa quente e bonita cidade. Por isso, Quaresma, num assomo de brio, trataria de assinar o mais belo momento da partida, num grande remate, que mais não foi do que deixar em Sevilha um resquício do FC Porto de outrora. Daquele que nunca desiludia a Terra dos seus Sonhos.

A Figura: Hector Herrera.
Não foi um jogo brilhante do mexicano, longe disso. Porém, foi sempre ele que desequilibrou em termos individuais no centro do terreno, rematando ainda à baliza com perigo e nunca fugindo do jogo e da bola. A relativa boa ponta final do FC Porto na primeira parte muito a ele se deve.

O Fora-de-jogo: Silvestre Varela.
Entre Carlos Eduardo e Varela, a decisão é difícil: ambos estiveram desaparecidos do jogo. De todo em todo, a opção pelo português resulta de, em jogos como o desta noite, os jogadores mais experientes terem a obrigação de assumir a causa e estar num plano de concentração e clarividência superior ao dos elementos mais novos. Ora, Varela, precisamente, esteve ausente.

 

Luta goleadora

A luta pelo título de melhor marcador está bem acesa e promete ficar decidida só mesmo na última jornada. Vários jogadores almejam este prémio, entre eles algumas surpresas, como Drmić, Raffael e Roberto Firmino. Vou, com este texto, fazer uma breve análise aos principais candidatos.

Mario Mandzukic – o ponta-de-lança croata está empatado com Lewandowski. Ambos já apontaram 17 golos, mas Mandzukic parte em vantagem, já que tem menos jogos disputados e, consequentemente, menos minutos jogados. O jogador do Bayern München tem uma oportunidade de ouro de deixar o seu nome gravado na história da competição, uma vez que esta poderá ser a sua última ‘grande’ época no clube da Baviera. Convém lembrar que, para o ano, o mais que provável avançado titular da equipa de Guardiola, Robert Lewandowski, será o seu maior rival nesta luta actual.

Robert Lewandowski – Lewandowski é, sem dúvida, um dos melhores pontas de lança do Mundo, se não mesmo o melhor. Com a saída de Mario Götze para o Bayern München, o polaco afirmou-se ainda mais como a principal figura do conjunto de Jurgen Klopp e já marcou 17 golos, tantos como Mario Mandzukic. São dois jogadores muito diferentes. Lewandowski é muito mais móvel e aparece muitas vezes em zonas mais recuadas a vir buscar o jogo para si. É um jogador com uma entrega muito maior, com uma qualidade técnica e de remate também muito maior do que a do croata. Convém relembrar que quatro destes 17 golos foram obtidos através de pontapés da marca de grande penalidade. Mesmo que não seja coroado o rei dos golos desta Bundesliga, Lewandowski é o jogador no qual apostaria todo o meu dinheiro em como irá vencer na próxima época ao serviço do Bayern München.

Josip Drmić – Aos 21 anos, Drmić é provavelmente a grande revelação desta Bundesliga. O jogador suiço conta com 16 golos, quase metade dos já obtidos por toda a sua equipa do FC Nürnberg. Com uma média de 0.57 golos por jogo, o suíço será um alvo apetecível já neste Verão. O Borussia Dortmund precisa de um ponta de lança e todos sabemos que Klopp aposta muito nos seus jovens. Contudo, não está sozinho na luta pelo avançado, já que Olic caminha para os seus 35 anos e começa a chegar a altura de os responsáveis do Wolfsburg pensarem na renovação da posição.

Josip Drmić factura a cada 138 minutos, nada mau para uma equipa que ocupa um lugar na zona de despromoção Fonte: Getty Images
Josip Drmić factura a cada 138 minutos, nada mau para uma equipa que ocupa um lugar na zona de despromoção
Fonte: Getty Images

Adrián Ramos – depois desta enorme época, é muito provável que Ramos conquiste um lugar nos 23 escolhidos por José Pekerman para representar a selecção colombiana no Brasil. Tem-se mostrado absolutamente letal na posição e, já com 28 anos, terá neste Verão a última oportunidade de assinar um contrato com uma equipa maior do que o Hertha Berlin. Os 16 golos são a prova de que Adrián Ramos é um jogador muito parecido a Jackson Martínez – é bastante completo, finaliza bem com os dois pés, muito perigoso nas bolas pelo ar e muito forte fisicamente.

Raffael – o irmão de Ronny (ex-Sporting e União de Leiria) é a grande figura do Borussia M’gladbach e é a grande surpresa desta luta, já que se trata de um jogador que ocupa a posição de médio. Mas não é um médio qualquer: é um médio que pensa como um avançado, um pouco à imagem de Yaya Touré. Raffael tem sempre a baliza adversária como alvo, e os seus 15 golos marcados demontram que o brasileiro é mesmo um médio com características diferentes, aparecendo imensas vezes nas áreas de finalização.

Roberto Firmino – O TSG 1899 Hoffenheim começa a ser demasiado pequeno para um jogador desta qualidade. Que bem que lhe fica o número 10 nas costas. Roberto Firmino marcou, até agora, 14 golos e é um típico médio ofensivo brasileiro, um jogador com uma técnica muito acima da média, com um remate muito fácil e um exímio cobrador de bolas paradas, tudo isto com apenas 22 anos. Trata a bola como poucos, e clubes interessados não devem faltar. Esta foi a quarta e provavelmente última época ao serviço do Hoffenheim.

Quantos milhões serão necessários para resgatar Roberto Firmino? Fonte: Getty Images
Quantos milhões serão necessários para resgatar Roberto Firmino?
Fonte: Getty Images

Stefan Kiessling – depois de ter sido o melhor marcador da época passada, Kiessling aparece este ano mais longe do topo com ‘apenas’ 14 golos. O eterno preterido alemão continua ainda assim a ser a principal figura do Bayer Leverkusen e a ser fundamental para as vitórias do clube alemão, mas a verdade é que já tem 30 anos. Foi um jogador que poderia ter sido muito mais do que aquilo que foi.

Marco Reus – esta foi mais uma excelente época do alemão. Com 13 golos marcados, a grande pergunta é: será Reus o último resistente do trio Reus/Götze/Lewandowski? Não me parece. Reus é claramente um jogador muito acima da média e já de créditos firmados. A nível clubístico já venceu quase tudo o que disputou, tendo apenas perdido a final da Liga dos Campeões na época passada, para o Bayern München, e deverá assim abandonar o clube que o formou. Clubes ingleses, como Arsenal e Manchester United, precisam de renovar o ataque e chamam por ele.

Pierre-Emerick Aubameyang – o internacional pela selecção do Gabão é dos jogadores mais rápidos do Mundo. Teve uma estreia de sonho pelo seu novo clube, apontando três golos no seu primeiro jogo. A estes três somou mais 10, e é uma das novas caras que prometem renovar o ataque do Borussia Dortmund. O excêntrico jogador ganhará maior protagonismo já na próxima época, com a saída já confirmada de Robert Lewandowski e ainda com a muito possível transferência também de Marco Reus.

Altos e baixos da seleção portuguesa no Equador e um “Zuca” do outro mundo

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cab Surf

Poucos dias depois de Vasco Mónica ter renovado contrato com a marca O’Neill, o surfista natural do Alentejo foi o primeiro luso a ser eliminado do mundial de juniores a decorrer no Equador. Depois do enorme susto que a seleção portuguesa passou devido ao alerta de tsunami na costa do Equador, foi agora a vez de uma perda bem precoce por parte do vice-campeão nacional de sub-14.

Keshia Eyre e Camilla Kemp, que competem no escalão de sub-18, também não estiveram a 100%, tendo sido mesmo eliminadas dos respetivos heats e enviadas para as repescagens.

Mas nem tudo são más notícias. As surfistas Teresa Bonvalot e Inês Bispo destacaram-se, ao passarem ambas à ronda 3. As duas colegas de equipa competiram no mesmo heat e conseguiram trabalhar em equipa de modo a eliminar as duas adversárias.

Teresa Bonvalot. Fonte:Beachcam.sapo.pt
Teresa Bonvalot tem-se destacado
Fonte: Beachcam.sapo.pt

Depois de ter vencido a primeira etapa da Liga Moche na Costa da Caparica, Teresa Bonvalot apresenta-se em excelente forma e é agora uma séria candidata ao título na prova feminina.

Também Francisco Almeida avança para a próxima ronda, depois de ter eliminado no mesmo heat o seu colega de equipa Vasco Mónica.

O Margaret River Pro conta já com o terceiro dia consecutivo sem prova. Com as condições a não estarem favoráveis para a prática de surf ao mais alto nível, os surfistas do WCT aproveitam para surfar em picos diferentes e descansar.

Medina. Fonte: Aspsouthamerica.com/
No round 4, Medina vai encontrar pela frente o seu grande amigo e “acrobata” Miguel Pupo
Fonte: Aspsouthamerica.com/

Começa já a ser um hábito nesta rubrica o nome deste menino: Gabriel Medina. E porque será?! Apenas com 20 anos, o jovem brasileiro é o melhor surfista júnior do mundo e, se assim continuar, caminha para melhor surfista do WCT. Há já quem diga que daqui a pouco tempo vai mesmo superar Kelly Slater. Pois bem, falo neste surfista porque depois de ter ganho a primeira etapa do WCT na Austrália, Medina volta a estar em grande destaque neste Drug Aware Margaret River Pro. A etapa ainda vai no round 3, mas o surfista brasileiro conta já com o melhor score do round 3 e segundo melhor score de toda a prova. Com manobras inovadoras e por vezes arriscadas, Gab Medina é já um dos surfistas mais radicais e improváveis do circuito.

Guerreiros de Madrid e Super-Bayern nas meias

Atlético 1-0 Barcelona: De Simeone, com táctica e coração

Enorme expectativa no Vicente Calderón para a segunda mão dos quartos-de-final da Champions League, o quinto jogo da temporada entre Atlético e Barcelona. Até hoje, o equilíbrio vinha sendo a nota dominante nos confrontos entre primeiro e segundo classificados da Liga Espanhola, com quatro empates em outros tantos jogos. Após a igualdade a uma bola em Camp Nou, não era difícil adivinhar que se apresentava uma tarefa muito complicada para o conjunto blaugrana frente ao apaixonante Atlético de Simeone. E mais complicada ficou quando Tata Martino se viu privado de Gerard Piqué pela lesão na primeira mão, pelo que o jovem Bartra saltou para titularidade e fez dupla com Mascherano. Para Simeone, Diego Costa foi dúvida até à hora do jogo e acabou por nem sequer se sentar no banco de suplentes, tal como o turco Arda Turan. Duas ausências de grande peso no ataque colchonero, colmatadas com as chamadas de Adrián e Raúl Garcia, respectivamente.

Os festejos dos jogadores do Atlético Fonte: Marca
Os festejos dos jogadores do Atlético
Fonte: Marca

Com um início de jogo sufocante, não tardou o golo da equipa da casa. Empurrados por um público louco, Koke fez o 1-0 aos 6’ na sequência de uma assistência de cabeça de Adrián, que momentos antes disparara um míssil ao poste da baliza de Pinto, após cruzamento de David Villa. Não satisfeito com esta vantagem, que lhe dava uma margem (ainda mais) confortável na eliminatória, o Atlético pressionava altíssimo e os erros da defesa blaugrana sucediam-se. Não tardou até nova enorme chance de golo – aos 12’, Villa acertou em cheio na trave com um remate de pé direito após assistência de Koke. Enorme demonstração de raça, atitude e intensidade da equipa de Simeone perante um Barcelona que mal respirava e se limitava a despejar bolas lá na frente. Esta tendência apenas foi contrariada quando Messi viu o seu cabeceamento a rasar o poste da baliza à guarda de Courtois. E, se não há duas sem três, aos 19′, nova bola nos ferros do Barcelona – novamente Villa, num lance que Pinto apenas controlou com os olhos. A pressão altíssima do Atlético deixava evidentes as lacunas defensivas do Barcelona desta temporada, situação que a tal lesão de Piqué em nada veio ajudar. Apenas a partir dos 25/30 minutos, quando a equipa da casa baixou o ritmo, se restabeleceu algum equilíbrio e os blaugrana conseguiram fixar-se no meio-campo adversário. Messi, sempre ele, desperdiçou nova oportunidade após um lance genial de Neymar sobre o português Tiago. Ao intervalo, vantagem justa de um Atlético dominador e exemplar na pressão no meio-campo ofensivo.

No segundo tempo esperava-se a resposta catalã ao grande início da equipa madrilena. Percebendo que era fisicamente impossível manter o ritmo dos primeiros 45 minutos, Simeone baixou as linhas e entregou a bola ao Barcelona, que se instalava em redor da área adversária. Sem grandes oportunidades de golo, diga-se, fruto de um Atlético que defende exemplarmente bem – apenas aos 49’, com Courtois a agigantar-se na saída aos pés de Neymar e a negar o golo ao Barcelona, aos 60’ com Xavi a cabecear ao lado do poste direito e aos 78’ com Neymar a fazer o mesmo. Com uma leitura de jogo soberba, Simeone colocou o conjunto blaugrana num colete-de-forças com as entradas de Diego e Cristián Rodríguez. Justíssimo apuramento do Atlético de Madrid numa eliminatória em que o Barcelona somente foi superior nos últimos 20 minutos do jogo em Camp Nou. Um exemplo de saber estar nos vários momentos de jogo, de saber sofrer, pressionar e posicionar-se em campo: é esta a máquina que Simeone montou e recolocou nas meias-finais da Champions League 40 anos depois. Do Barcelona, dizer que as melhores oportunidades de que dispôs foram todas através de lances de cabeça após cruzamento para a área. Com Messi completamente apagado e Xavi em fim de linha, neste jogo, o tiki-taka foi o coração e a afición do Atlético.

Francisco Vaz Miranda

Bayern Munique 3 – 1 Manchester United: A confirmação do poderio bávaro

Num jogo em que o United precisava obrigatoriamente de marcar, foi a supremacia germânica que mais se fez sentir. Só na primeira parte foram cerca de treze oportunidades de golo para o Bayern, contra apenas uma do United.

Convém realçar que ao longo da primeira parte o Bayern manteve o estilo de jogo que tanto os caracteriza. Contudo, não foi o suficiente para quebrar a solidez defensiva dos red devils, que nunca permitiram aos bávaros criar uma ocasião clara de golo.

Arjen Robben, um dos melhores em campo Fonte: Uefa
Arjen Robben, um dos melhores em campo
Fonte: Uefa

A segunda parte recomeçou e Evra tirou um autêntico coelho da cartola, fazendo um grande golo que dava alento aos britânicos. Porém, nem um minuto depois – ainda os ingleses festejavam -, Mandzukic, de cabeça, voltou a empatar a eliminatória.

A partir deste momento, assistimos a um crescimento do Bayern, que viria a demonstrar o porquê de ser considerada a melhor equipa do mundo. Dois golos, de Muller e Robben, selaram a eliminatória. A grande qualidade do ataque composto por Ribery, Müller, Mandzukic e Robben, capaz de quebrar qualquer muralha imposta pelo adversário, ficou bem patente nesta partida. O holandês, aliás, foi mesmo uma das figuras do encontro.

O Bayern está oficialmente na meia-final. O golo de Evra não chegou e Moyes terá de se resignar perante a qualidade da equipa de Guardiola, que foi sempre superior.

João Martins

Um passo e “meias”

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paixaovermelha

Ontem, ao ver o Chelsea-PSG e o Borussia Dortmund-Real Madrid, apercebi-me da dimensão dos jogos europeus. São de outro nível, de outra categoria. A intensidade de ambos os jogos foi tal que os meus olhos eram obrigados a saltar de ecrã em ecrã a cada segundo, em busca da jogada mais perigosa.

É certo que o Benfica não joga, neste momento, entre a elite do futebol europeu. Mas, ainda assim, a Liga Europa é vista por milhares de pessoas e tem um grau de prestígio bastante elevado.

Como sabemos, na passada semana, na Holanda, o Benfica foi vencer ao terreno do AZ Alkmaar por 0-1, deixando assim uma enorme via aberta para seguir em frente na competição. E quando se fala em seguir em frente fala-se em meias-finais. Logicamente, ninguém pode descurar uma meia-final de uma competição europeia, seja ela qual for. Já fomos longe de mais na Liga Europa para não termos, pelo menos, o sonho de conquistar este troféu. Principalmente se olharmos para os restantes adversários, que, não tenho qualquer dúvida, estão todos dentro das nossas capacidades – sim, até a Juventus.

A vantagem que trouxemos de Alkmaar é boa e permite à equipa entrar em campo confortável e tranquilamente. Porém, como a história do futebol teima em nos avisar, não é novidade para ninguém que este tipo de vantagens pode ter um efeito contrário ao esperado. Relaxar não é sinónimo de abrandar, mas no futebol bem podia ser. Os jogadores do Benfica não podem dar a passagem às meias-finais como adquirida e muito menos desvalorizar o adversário holandês. Que o exemplo da eliminatória frente ao Tottenham tenha servido de lição: depois do magnífico 1-3 em White Hart Lane, era completamente desnecessário o sofrimento do jogo da Luz.

O Tottenham chegou a assustar na Luz Fonte: Reuters
O Tottenham chegou a assustar na Luz
Fonte: Reuters

Com Fejsa e Rúben Amorim em dúvida para o jogo e com Maxi Pereira e Nico Gaítan castigados (acumulação de amarelos) Jorge Jesus terá algumas dúvidas na construção do onze inicial, sabendo ainda de antemão que no próximo domingo há uma partida extremamente decisiva para a conquista do título nacional, frente ao Arouca. Não sei até que ponto o treinador encarnado irá manter a habitual rotação dos jogadores, mas o que é certo é que, jogue quem jogar, a mentalidade só pode ser uma: vitória.

Do nosso adversário não esperem qualquer tipo de facilidade. Aliás, desconfiei imenso das palavras de Dick Advocaat, treinador do Az Alkmaar, quando afirmou o seguinte na conferência de imprensa de antevisão do jogo: “Vi meia hora do jogo do Benfica (frente ao Rio-Ave) e chegou! Devemos ter bastantes oportunidades”.

O tom irónico, valorizando em demasia a equipa do Benfica, não pode ser levado a sério. Até porque alguém acredita que seja essa a mensagem do treinador para o balneário do AZ? Claro que não. Eles vão dar tudo, e nós temos a obrigação de estar preparados.

Exijo um Benfica ambicioso, personalizado e com muita, muita atitude.

Volto a sublinhar: é uma meia-final europeia que está em jogo. E mais não digo.