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O talento é a cor da visibilidade – Entrevista a Ricardo Horta

entrevistas bola na rede

Ricardo Horta tem estado nas bocas do Mundo. Recentemente, foi nomeado para a lista do Sindicado de Jogadores Profissionais de Futebol para Melhor Jogador do mês de Março da Liga ZON Sagres. O internacional português, que marcou presença no Europeu Sub-19, na Lituânia, tem sido escolha habitual de José Couceiro e já soma seis golos nesta temporada pelo Vitória de Setúbal. Apesar do sucesso actual do avançado sadino, o caminho que traçou nem sempre foi rectilíneo. Mas, já dizia o provérbio, “a verdade e o azeite vêm sempre ao de cima”.

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Golo frente ao Paços de Ferreira
Fonte: Facebook – Ricardo Horta Fãs

Durante sete anos, vestiu e defendeu a camisola encarnada de águia ao peito. Porém, depois de uma época nos Juvenis A, foi dispensado. Quando fui dispensado do Benfica fiquei muito triste, mas mantive uma atitude optimista. Sabia que a vida não acabava ali e, no dia seguinte, procurei um clube para continuar a fazer aquilo de que mais gostava – jogar futebol. Nunca pensei, nem por um segundo, em desistir do meu sonho e pude contar com o apoio da minha família, em especial do meu irmão, que nesse momento também jogava no Benfica, e dos meus amigos. Até alguns treinadores que acharam que eu não tinha condições para continuar no clube me apoiaram. A dispensa tornou-me ainda mais forte psicologicamente e incentivou-me a trabalhar ainda mais”, sublinha.

O jovem jogador de 19 anos confessou que se sentia mais próximo de realizar o sonho de ser jogador de futebol profissional quando jogava no Benfica mas, ao mesmo tempo, desabafa que é também mais difícil porque se trata de  um clube onde estão concentrados os melhores jogadores, onde é preciso alcançar a excelência para fazer parte do lote de jogadores que vingam na equipa principal.

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O primeiro ano de Ricardo Horta no Benfica
Fotografia gentilmente cedida pelo entrevistado

Na época seguinte, chegou ao Vitória de Setúbal como júnior de primeiro ano. Refere que encontrou uma realidade completamente diferente e adianta: tive como único objectivo jogar o melhor possível para poder evoluir, mas só no final da época é que me afirmei como titular.”

Recorda sem amargura o seu primeiro jogo contra o Benfica. Nunca senti vontade de me vingar. Quando joguei contra eles pela primeira vez, estava muito motivado para mostrar que tinha valor para estar do outro lado, e queria provar aos dirigentes que tinham tomado uma má decisão ao me terem dispensado, conta.

Relembra o segundo ano de júnior, que diz ter sido o seu melhor, pois teve a oportunidade de marcar 22 golos num campeonato bastante competitivo. No Vitória, foram-me dadas oportunidades que não tinha tido e que me permitiram provar todo o meu valor; foi assim que assinei o meu primeiro contrato profissional. Chegar à primeira equipa do Vitória, ainda júnior, foi muito bom, deu-me mais maturidade para a transição formação/séniores, que avalio como sendo muito difícil para todos os jovens, remata. Agora, ao jogar na equipa profissional do Vitória, tenho a consciência de que todo o esforço que investi no meu percurso, lembrando-me dos bons e dos maus momentos, está a ser recompensado e estou extremamente feliz. Só tenho a agradecer aos dirigentes do Vitória de Setúbal, que apostaram em mim e que reconheceram o meu trabalho, acrescenta.

 

Agora, ao olhar para trás, com menos emoção e mais racionalidade, que factores achas que motivaram a tua dispensa?

O Benfica, sendo um clube de elite e um dos melhores clubes de formação na Europa, destina-se aos melhores jogadores e aos que dão mais garantias de futuro a um nível profissional. No meu caso, penso que a dispensa se deveu ao facto de ser um jogador baixo, franzino e com pouca massa muscular. Estas características iriam influenciar muito a minha utilização na época seguinte, como júnior de primeiro ano.

Que conselhos dás aos jovens atletas que passam pela mesma situação?

Nunca desistam dos vossos sonhos e nunca deixem de lutar e de trabalhar para os atingir! Não se deixem ir abaixo com uma dispensa ou empréstimo de um clube grande. Se continuarem sempre focados no vosso sonho, ele vai concretizar-se, independentemente de ser num clube com maior ou menor visibilidade desportiva. Sabemos que para ser jogador profissional é preciso ter alguma sorte, mas essa sorte é fruto de muito esforço e suor e, muitas vezes, temos de abdicar de coisas que fazem parte do processo normal da nossa juventude, mas acreditem que vale a pena. Nunca desistam dos vossos sonhos por maior que seja o obstáculo, é esse o meu conselho final.

Que leitura fazes do campeonato português?

A Liga Portuguesa é um campeonato muito competitivo, apesar de não o parecer. Mas o que é certo é que todas as equipas disputam os jogos como se fossem finais. Todos sabemos que o foco principal são os três grandes, pois são as equipas que dão mais visibilidade à Liga a nível internacional. Mas, na minha opinião, temos um campeonato com surpresas em termos de resultados desportivos, conseguimos assistir a jogos com uma qualidade de futebol muito boa e, por vezes, com os teóricos “perdedores” a ganhar aos favoritos. Falando um pouco no nosso caso específico, o Vitória é um clube com bastante história no futebol português e que já alcançou grandes feitos a nível nacional. Neste momento, não temos os mesmos objectivos que os três grandes, e até mesmo que o Braga ou o Estoril, mas procuramos sempre alcançar a melhor posição possível para dignificarmos ao máximo o clube.

Quais são os maiores desafios que um jovem jogador português atravessa actualmente?

Penso que os jovens portugueses, em alguns clubes, sofrem do síndrome de “estrangeirismo”. Efectivamente, há clubes que preferem apostar em jovens de outros países, contratando-os aos 16/17 anos, para um plano de longo prazo, ao invés de acreditarem nos jogadores da nacionalidade portuguesa. Mas, com o passar dos anos, creio que esta política tende a desaparecer e espero sinceramente que os clubes apostem na formação portuguesa. Portugal é um país onde há muita qualidade e isso nota-se nas selecções nacionais, que têm sido sempre muito fortes. A aposta na juventude não deve ser só ao nível do futebol de formação, tem de se estender ao futebol sénior. Não pode haver medo de lançar os jovens talentos, pois isso só valoriza os jogadores, os clubes e, num futuro próximo, a qualidade do futebol português, que, apesar de já ser muita, pode ainda ser melhorada com essa aposta no produto nacional.

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Horta continua a brilhar no Estádio do Bonfim
Fonte: Facebook de Ricardo Horta

Ricardo conhece o sabor da reconquista, aquele que faz parecer qualquer conquista pequena; soube agarrar o sonho que parecia cair e elevou-o, fortalecendo o seu crescimento como profissional e, sobretudo, como pessoa.

Nacional 2-1 FC Porto: Burro velho não aprende línguas

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O FC Porto perdeu esta noite, no Estádio da Madeira, pela sexta vez no campeonato nacional, ao ser derrotado pelo Nacional, por 2-1. Com este desaire, o apuramento direto para a Liga dos Campeões é agora uma miragem para uma equipa que está a 15 (!) pontos do primeiro lugar. Na partida de hoje, Luís Castro alterou o onze, colocando Abdoulaye no lugar de Mangala, com Licá a ocupar o lugar de Varela na ala direita da equipa portista. Na equipa local, Manuel Machado colocou João Aurélio no meio-campo, com Gomaa e Aly Ghazal, remetendo Diego Barcellos para o banco de suplentes.

Com uma atitude positiva nos primeiros 10 minutos, o FC Porto foi conseguindo chegar com perigo à baliza de Gottardi. Ainda assim, foram os madeirenses a marcar o primeiro golo da partida, à passagem do minuto 19, com um bom remate de Candeias de pé direito. Ainda assim, realce para a irregularidade do lance, pois é precedido de fora-de-jogo.  A resposta veio por parte de Jackson Martinez, que teve nos pés uma soberana oportunidade para empatar, não tendo, no entanto, conseguido desfeitear Gottardi. Com o golo marcado, o Nacional cresceu no jogo e foi criando sucessivos lances de perigo, perante um FC Porto amorfo, previsível e completamente displicente, tantos foram os erros e perdas de bola nos primeiros 45 minutos. A equipa madeirense foi, por isso, para o intervalo com uma vantagem justa.

Ao intervalo, Luís Castro retirou Licá e Defour de campo, lançando Ghilas e Quintero para o segundo tempo, e a verdade é que, logo no primeiro minuto, Jackson Martinez fez o golo do empate. Contudo, este durou pouco tempo, pois, aos 48 minutos, o Nacional, com um belo contra ataque liderado por Candeias, fez o segundo golo no jogo, marcado por Mário Rondón.  O FC Porto, que parecia ter conseguido o mais díficil, estava novamente em situação de derrota, e os fantasmas voltaram a aparecer na equipa portista. Com inúmeras precipitações, passes errados e com um futebol muito pouco desenvolto no ataque, os portistas ainda poderiam ter empatado o jogo numa grande penalidade mal assinalada por João Capela, por suposto desaire de Ali Ghazal sobre Ricardo Quaresma. O extremo portista não aproveitou a oportunidade e falhou uma chance soberana para colocar os portistas ainda com o sonho de alcançar os três pontos.

Quaresma, longe do seu nível, terminou da pior maneira  Fonte: A Bola
Quaresma, longe do seu nível, terminou da pior maneira
Fonte: A Bola

Aos 78 minutos, Jackson Martinez ainda introduziu a bola na baliza de Gottardi, mas João Capela assinalou de forma errada uma falta do colombiano sobre Marçal, anulando mal o golo do empate aos portistas. Até ao final do encontro, Ghilas e Jackson poderiam ter feito o gosto ao pé, mas, no meio de um futebol pouco incisivo e muito tristonho, a sexta (!) derrota no campeonato acabou por acontecer. O Nacional acabou com a corda na garganta mas conseguiu segurar uma importante vitória na luta pela Europa. Quanto ao FC Porto, fica com cinco jornadas por disputar e sem nenhum objetivo visível por alcançar, pois o segundo lugar já é meramente uma miragem. Os fantasmas do mau e displicente futebol voltaram e tiveram o seu momento mais alto na tentativa de agressão de Quaresma, já depois do final da partida. De cabeça perdida, o extremo portista foi apenas o rosto da equipa portista nesta noite.

Duas semanas depois da derrota em Alvalade, novo desaire fora de portas para a equipa portista. Já são seis as derrotas no campeonato, quando nos últimos três a equipa tinha tido apenas um desaire. São números para refletir e para pensar no que vai mal dentro da estrutura azul e branca. No fim de contas, o apuramento em Nápoles e a vitória contra o Benfica pareciam ter sido o clique de mudança para o resto da temporada. Do que se viu de hoje, foram apenas más memórias que o tempo ainda não conseguiu apagar, porque, tal como diz o povo, “burro velho não aprende línguas”. O FC Porto parece ainda não ter aprendido.

A Figura: Candeias
O extremo português fez uma belíssima exibição e trocou as voltas à defensiva portista durante todo o jogo. Um golo e uma grande exibição.

O Fora-de-jogo: Quaresma
Estive indeciso entre Abdoulaye e Quaresma, mas vou pelo extremo. Falhou um penálti, abusou do individualismo e ainda quis entrar numa cena de pugilato no final do jogo. Esta noite vimos aquele Quaresma que o fez desaparecer dos maiores palcos do futebol europeu.

 

Braga 0-1 Benfica: O título já ali

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Apesar da razia de lesões da equipa bracarense, o Benfica tinha hoje um jogo de grau de dificuldade elevada para seguir na estrada do título nacional e manter a confortável vantagem face ao Sporting, que ontem vencera. Com 9 jogadores indisponíveis, Jorge Paixão montou um Braga que apresentou pouca dinâmica em razão das escassas rotinas que o onze inicial tinha entre si. Do lado do Benfica, Jorge Jesus montou a equipa de gala habitual, algo que já esperava face à rotatividade que fez no Dragão, a meio da semana.

 Fonte: AP
Lima inaugurou o marcador no Estádio Axa
Fonte: AP

Entrada a todo o gás do Benfica na partida e Gaitán deixou o primeiro aviso: após um passe soberbo de Enzo Pérez, o camisola 20 atirou às malhas laterais da baliza de Eduardo. Estava dado o primeiro aviso e não tardaria a chegar o golo. Perda de bola de Dabó (como é que este jogador joga na primeira divisão?) para Gaitán, que serviu Rodrigo, dizendo este um “até já” a Aderlan Santos antes de cruzar paro remate certeiro de Lima. Foi a terceira jornada consecutiva do brasileiro a marcar para o campeonato. O Braga tentava reagir ao golo madrugador, pressionando surpreendentemente alto na saída de bola encarnada. Por Pardo e Rusescu, a equipa da casa espreitava timidamente uma oportunidade para ser feliz. A tal rotatividade imposta por Jesus no jogo da Taça de Portugal pareceu ter tirado alguma dinâmica ao principal motor da equipa. Enzo Pérez fez um jogo muito abaixo daquilo que pode e sabe e a sua intranquilidade alastrou-se ao resto da equipa. Fejsa faltoso, Gaitán impreciso no passe, Markovic inconsequente frente ao debilitado Núrio. Apenas o sector defensivo passava incólume perante este adormecimento generalizado e Siqueira fez um corte providencial quando Pardo se isolou para bater Oblak.

No segundo tempo, pouco se alterou o figurino do jogo e até iam pertecendo ao Braga as melhores chances de golo, apesar de o verdadeiro perigo apenas ter aparecido quando Piqueti espreitou um toque de calcanhar para encaminhar a bola para as redes. A ansiedade do Benfica em fazer as coisas depressa e bem acabou por retirar algum discernimento em momentos importantes da partida. Felizmente, do lado bracarense eram evidentes as limitações e a menor qualidade em relação ao que é habitual.

E se os adeptos encarnados estavam com o credo na boca, mais ficaram quando Rodrigo (porquê ele e não Lima?!) desperdiçou a grande penalidade por falta sobre ele cometida, aos 91 minutos. Grande defesa de Eduardo mas fica a dúvida se a infracção foi cometida dentro ou fora do terreno de jogo. Dúvidas não ficam sobre a cada vez mais proximidade do Benfica em relação ao campeonato nacional. Com 15 pontos por disputar, o Benfica já “só” necessita de vencer os jogos em casa (Rio Ave, Olhanense e Setúbal) para ser feliz. E sê-lo-emos, que merecemos.

 

A Figura
Sílvio – Mais um excelente jogo do lateral português emprestado pelo Atlético de Madrid. Competente no ataque e seguríssimo na defesa.

O Fora-de-Jogo
Enzo Pérez – Em baixa rotação, ficou tempo a mais em campo. Por ele passa muito do jogo encarnado e a equipa ressentiu-se disso mesmo.

Pesadelo em Milão

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Os dois clubes de Milão estão actualmente a atravessar uma fase menos boa da sua existência. Ambos estão completamente afastados da luta pelo título e neste momento encaram a qualificação para a Liga Europa do próximo ano como uma vitória. Como chegámos a isto?

O Inter comandado por José Mourinho ganhou o primeiro e único treble na história do futebol italiano em 2009/2010, conquistando a Serie A, a Taça de Itália e a Liga dos Campeões. Na época seguinte, Mourinho assumiu o comando técnico do Real Madrid e as rédeas deste Inter fabuloso que conseguiu manter a equipa intacta de um ano para o outro foram dadas a Rafael Benítez.

Benítez, por despeito a Mourinho ou por burrice apenas, decidiu tentar construir um Inter à sua imagem em vez de aproveitar uma equipa feita e com rotinas que tinha acabado de atingir o título máximo do futebol europeu. Os efeitos foram imediatos e, apesar da conquista do Mundial de Clubes, da Supertaça Italiana e da Taça de Itália (esta por Leonardo e não por Benítez), o Inter perdeu o seu primeiro título em seis anos, curiosamente para o seu rival da cidade, o Milan, que não ganhava a Serie A desde a época 2002/2003.

O dominio do Inter em Itália na era pós CalcioCaos acabava, então. Pior do que isso, no espaço de dois anos o clube deixou de ser um candidato sério à conquista do título e não se qualifica para a Liga dos Campeões desde a época 2010/2011. Benítez nem seis meses esteve à frente do clube, tendo sido substituido por Leonardo em Dezembro. Foi o brasileiro que veio a ganhar a Taça de Itália no final da época e foi ele que levou o Inter ao segundo lugar na tabela depois de um mau arranque com o espanhol no comando. Depois de Leonardo, o Inter ainda teve Gasperini, Ranieri, Stramaccioni – nenhum deles por mais de um ano – e tem agora Walter Mazzarri, treinador responsável pelo ressurgimento do Nápoles, à frente da equipa.

Mazzarri, juntamente com o novo dono do Inter, o indonésio Erick Thohir, espera restaurar o estatuto do Inter tanto a nível interno como europeu, o que neste momento está complicado, pois o plantel não tem opções sérias para competir pela Serie A e muito menos para fazer boas figuras na Europa. Mas, com o dinheiro que Thohir disponibilizou para a próxima janela de transferências, o clube pode reforçar-se e voltar a ser competitivo em Itália e na Europa. Fala-se de Vidic, Evra, Sagna, Torres, Dzeko, entre muitos: tudo jogadores que representariam uma melhoria em relação ao plantel actual. Há alguma luz ao fim do túnel.

Ao contrário do Inter, no futuro do Milan não há luz nenhuma. Pelo menos nenhuma que se veja de momento. O clube despediu Massimiliano Allegri, o arquitecto do título de 2010/2011, e decidiu oferecer o lugar a Clarence Seedorf, que na altura era ainda jogador do Botafogo. Isto tinha tudo para dar certo. O Milan é um habitué na Liga dos Campeões, competição que já ganhou por sete vezes, apenas sendo ultrapassado pelo Real Madrid, que leva nove, mas este ano ocupa o “modesto” décimo segundo lugar na Serie A a oito jornadas do fim, estando mais perto de descer de divisão do que do título. Desde o inicio do novo milénio, o Milan foi apenas campeão por duas vezes: em 2003/2004 com Ancelotti e em 2010/2011 com Allegri. São apenas dois títulos em catorze anos mas, apesar deste “insucesso” interno, o clube esteve sempre, ou quase sempre, na corrida pelo título e conquistou duas Ligas dos Campeões, em 2002/2003 e 2006/2007, ambas com Ancelotti.

Os tempos de glória do AC Milan, actualmente, não passam de uma miragem Fonte: AP
Os tempos de glória do AC Milan, actualmente, não passam de uma miragem
Fonte: AP

Com a saída de Ancelotti para o Chelsea em 2009/2010, o clube decidiu então apostar em Leonardo, que fazia parte da direcção do Milan. A experiência fracassou e o clube foi então buscar o treinador do ano em Itália em 2008/2009: Allegri, que tinha feito um trabalho fantástico à frente do Cagliari. Allegri assumiu o comando de uma equipa que tinha Thiago Silva, Pirlo, Pato ou Ibrahimovic e levou o Milan à conquista do scudetto logo no seu primeiro ano, tendo feito um trabalho fabuloso no ano e meio que se seguiu, conseguindo apurar um Milan “mediano” para a Liga dos Campeões e passando sempre a fase de grupos.

Pois bem, o Milan passou anos e anos sem renovar o plantel, sem apostar no futuro, confiando em grandes jogadores como Maldini, Nesta, Gattuso, Pirlo, Rui Costa, Kaká, Seedorf, Inzaghi ou Shevchenko. Estes jogadores deram tudo o que tinham ano após ano até serem vendidos ou até se retirarem, mas o Milan não soube colmatar essas perdas. Não sei se a culpa é de Silvio Berlusconi, da sua filha Barbara ou de Galliani, mas um deles fez um buraco no barco do Milan e aquilo agora mete água por todos os lados: foram más decisões atrás de más decisões, desde deixar sair Andrea Pirlo a custo zero para a Juventus até à venda de Ibrahimovic e Thiago Silva ao PSG, depois de terem sido os jogadores mais importantes da equipa durante dois anos seguidos. Pior que deixá-los sair é não preencher o vazio deixado por esses jogadores, o que explica a viagem do Milan para a terra da mediocridade. E, pelos vistos, não compraram o bilhete de volta. Venderam os ovos a Allegri e só depois lhe pediram para fazer uma omelete; quando ele não conseguiu foram buscar Seedorf, um homem da casa sem experiência alguma como treinador, o que, repito, tem tudo para correr bem; como se isso não bastasse, o plantel continua velho, cheio de arruaceiros e preguiçosos. Ou o clube muda o seu rumo rapidamente ou arrisca-se a passar uns anos negros até conseguir voltar a fazer barulho em Itália.

Sporting 1-0 Vitória de Guimarães: Mais perto dos milhões

Ze Pedro Mozos - Sob o Signo do Leao

Os cerca de 35 mil adeptos presentes no estádio protagonizavam um momento de excelente ambiente em Alvalade (mais uma vez) para receber um dos grandes jogos da Liga Portuguesa. Sporting e Vitória de Guimarães partiam para esta partida em posições opostas: o clube leonino vinha com uma série de seis jogos sem perder; os vimaranenses contavam com um registo de cinco jogos consecutivos sem ganhar.

As equipas entraram em campo algo tímidas, embora o panorama pudesse ter sido bem diferente caso Slimani, logo nos minutos iniciais (6’), tivesse optado por rematar em vez de simular uma grande penalidade – o que lhe valeu, e bem, a amostragem de um cartão amarelo. O Sporting cedo assumiu o controlo da partida, impondo o ritmo de jogo. Ainda que de forma paulatina, o clube de Alvalade foi-se instalando no meio campo adversário, criando boas jogadas, sobretudo pelos corredores, mas que raramente acabavam em bom porto. O futebol praticado pelos leões era atraente e seguro. De destacar as excelentes iniciativas do jovem Carlos Mané e os remates perigosos de Jefferson (8’) e de Slimani (41’), tendo este último sido desviado para canto. Do outro lado, a única oportunidade que a equipa minhota conseguiu criar durante toda a primeira parte foi um remate a meia distância de Crivellaro (14’) que passou perto da baliza defendida por Rui Patrício depois de ter embatido em Maurício.

O intervalo chegou, e apesar de o controlo do jogo ter pertencido ao Sporting, principalmente numa fase mais inicial, nenhuma das equipas se tinha superiorizado em relação à outra. Talvez apercebendo-se de que, apesar de ter controlado e dominado a primeira parte, o Sporting teria de ser mais agressivo, Leonardo Jardim aproveitou a pausa regulamentar para mexer na equipa: fez entrar Montero para o lugar de Heldon.

Com o recomeço do jogo apareceu o primeiro e único golo da noite. Na sequência de um canto a bola sobra para o lateral esquerdo dos leões, Jefferson, que centra para o coração da área do Vitória de Guimarães, onde Marcos Rojo, após dominar, remata à meia volta e a bola acaba por entrar na baliza adversária, depois de desviar em Moreno. Com alguma sorte à mistura, o Sporting entrou na segunda parte a ganhar. A reacção do Vitória de Guimarães não foi imediata, e até aos 60 minutos de jogo o Sporting podia ter aumentado a vantagem no marcador: primeiro num bom lance de ataque do Sporting que acabou num remate de Diego Capel, após passe de cabeça de Slimani, que o guarda-redes vimaranense defendeu com eficácia (56’); e depois num contra-ataque do Sporting que Montero finalizou. A bola acabou mesmo no fundo das redes, mas o juiz da partida anulou (mal) o golo ao colombiano por alegado fora-de-jogo (59’). Montero podia ter acabado com o jejum de golos, que já dura há mais de três meses, mas o árbitro assim não entendeu.

Marcos Rojo tem vindo a afirmar-se no Sporting e hoje foi o homem do encontro, marcando o único golo da partida Fonte: Zerozero.pt
Marcos Rojo tem vindo a afirmar-se no Sporting e hoje foi o homem do encontro, marcando o único golo da partida
Fonte: ZeroZero

Rui Vitória acusou o toque e decidiu mexer na equipa, pois a estratégia delineada no intervalo não estava a resultar. Fez entrar em campo Tiago Rodrigues e Malonga, por troca com Barrientos e Crivellaro, respectivamente (61’). O jogo entrou numa fase em que ambas as equipas procuravam o golo, mas as mexidas na equipa do Vitória de Guimarães tiveram mais sucesso e as oportunidades iam começando a surgir, embora nenhuma chegasse a representar uma oportunidade real de golo para nenhum dos lados. A equipa minhota chegou mesmo a estar por cima nalgumas fases da segunda parte, mas a coesão do Sporting e a concentração ajudaram a que as oportunidades criadas não acabassem no fundo da baliza de Rui Patrício. Até ao fim da partida o Sporting segurou o resultado – Leonardo Jardim substituiu Carrillo por Slimani (74’) e André Martins por Carlos Mané (81’) – e o Vitória de Guimarães fez tudo o que pôde para igualar o resultado, mas as tentativas de Tiago Rodrigues (71’) e de Malonga (76’ e 90+2) não foram suficientes para alcançar esse objectivo. O Sporting solidifica, assim, a segunda posição quando já só restam cinco jornadas para o fim do campeonato.

O clube verde-e-branco conquista três pontos preciosos contra uma equipa que deu luta até ao fim. Isto numa jornada em que os seus principais rivais, Benfica e Porto, têm deslocações perigosas (a Braga e à Choupana). O Sporting cumpriu mais uma vez e passou a pressão para os adversários. O clube leonino já começa a vislumbrar os milhões da Champions de perto.

A Figura: Marcos Rojo

O defesa central do Sporting tem vindo a crescer muito ao longo desta época. Está a jogar a um nível altíssimo e faz com Maurício a segunda melhor dupla de centrais em Portugal. Hoje esteve em principal destaque por ter marcado o único golo do encontro, mas é na defesa que se tem revelado um grande jogador.

O Fora-de-jogo: Islam Slimani

O avançado do Sporting não conseguiu justificar a titularidade. Duas simulações escusadas, alguns passes errados, outros tantos maus domínios e remates falhados fizeram com que a titularidade do argelino seja posta em causa mais uma vez. Pelo que vi hoje, eu, na próxima jornada, optaria por Montero.

O Passado Também Chuta: Rabah Madjer

o passado tambem chuta

Portugal tem dado jogadores ao Mundo que espantam. Não é um Pais, neste aspeto, carente. Nas últimas décadas, para ultrapassarmos um bocado as décadas de 1950-1960, podemos mencionar de centrais a avançados. Podemos viajar desde Fernando Chalana até Cristiano Ronaldo, passando pelo Figo, Paulo Sousa ou Rui Costa. No entanto, ainda que não seja uma liga rica, também foi visitada por treinadores universais, como o genial Helénio Herrera, ou jogadores como o Yazalde, Mozer, Cubillas ou o recente Falcão. No entanto, quando o FC Porto começou a subir na escala de valores competitivos, apareceu um avançado argelino que, quando se lembrava, fazia dançar a relva e a bola. Chamava-se Rabah Madjer. Ousou meter um golo de calcanhar numa final da Taça da Europa.

Se repararmos, observamos o crescimento do FC Porto; o salto que dá desde a posição do terceiro clube português para a posição de clube hegemónico, superando nitidamente o Benfica e o Sporting, apoia-se, entre outras coisas e muitas polémicas relacionadas com o Pinto da Costa, na capacidade de saber escolher tanto treinadores como jogadores. Uma dessas maravilhosas escolhas foi, sem dúvida, Madjer. A bitola de melhor jogador argelino de sempre, na Europa, diz pouco, mas neste caso diz muito. Diz tudo. Era acusado de permanecer apático, mas a sua apatia nada tinha a ver com a indolência. Estava relacionada com a inspiração, com o sino da aldeia que avisa que é dia de romaria. Anuncia tanto o invulgar atrevimento de um calcanhar, como a penetração por uma ala por onde avança, depena e coloca a bola franca para um colega (Juary) rematar e vencer o poder e símbolo do futebol alemão.

O golo de calcanhar Fonte: Porta19.com
O golo de calcanhar
Fonte: Porta19.com

Madjer tem uma lacuna, mas outros jogadores geniais, como o mágico Gonzalez ou o próprio Alves, ainda que triunfassem na Liga Espanhola, também não passaram de equipas pequenas. No caso que me ocupa, Madjer chegou a um segunda fila espanhol bastante conceituado, que tem disputado títulos na Europa e em Espanha, mas passou absolutamente desapercebido. O Valência não viu o melhor Madjer. Não foi o jogador genial que maravilhou Portugal e a Europa, defendendo a camisola do FC Porto.

Teve a virtude de classificar a seleção da Argélia para o Mundial de Espanha e não passou desapercebido. Notabilizou-se. Portanto, consagrou-se também nesta importante competição. Não sei se é o melhor estrangeiro que passou por Portugal, mas, sem dúvida, foi o estrangeiro mais notável que passou pelo FC Porto e por Portugal. Os mitos do clube das Antas, como o Pinga, Barrigana ou Hernâni, ficaram bastante aquém deste argelino que marcou um dos golos mais maravilhosos numa final da Taça da Europa e foi absolutamente determinante.

Chegou ao FC Porto procedente do Tours, depois de passar pelo Racing de Paris. Vestiu a camisola azul e branca em duas épocas diferentes, antes e depois da sua estada no Valência; depois, arrumou as botas a jogar no Qatar SC. Jogou na Europa entre a época de 1983-1984 até a época de 1990-1991. Tem, sem dúvida, direito a reinar no Olimpo tanto do FC Porto como no Olimpo dos grandes.

Querem ver? Querem ver que vamos ter um top 30?

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cab ténis

Há semanas, escrevi aqui que poderíamos pensar em ter João Sousa no top 30 do ranking mundial ATP a relativamente curto prazo. Confesso agora que, quando o escrevi, não estava totalmente confiante do que estava a dizer. Não por ele, mas por mim.
Não tinha realizado grandes cálculos – tinha visto a “coisa” por alto -, mas sabia que era possível. Acima de tudo, sabia porque conheço a capacidade de trabalho do João Sousa e do seu técnico, e da forma ponderada e profissional como estão a enfrentar este decisivo ano da carreira do jovem vimaranense.
Na próxima Segunda-Feira, João Sousa vai ser nº 38 do ranking ATP, ao que tudo indica. Será o primeiro tenista português dentro do top 40, e fica a “apenas” oito lugares do mítico e psicológico top 30. Não me “armando aos cucos”, eu sou do tempo em que Portugal lutava para ter um tenista no top 100, em que um 80º lugar era uma verdadeira maravilha, e eis senão quando aparece, no Estoril Open 2008, um “miúdo giro”, com um jogo interessante, escolha espanhola, e começa a ganhar encontros, só parando em frente a Frederico Gil.
A história acaba por nos dar estas prendas. Em 2008, Gil derrotou João Sousa, mas, a partir daí, e obviamente com altos e baixos, João Sousa passou a ser o futuro. E está a sê-lo, com um presente excelente, mas um futuro que pode ser brilhante.
Para quem não acompanha diariamente a modalidade, o que significa um top 30 de João Sousa é basicamente ter um tenista português 50 lugares acima do melhor tenista brasileiro, quando o Brasil tem cerca de 80 jogadores com ranking mundial e Portugal tem pouco mais de 20.

João Sousa Fonte: Mais Futebol
João Sousa
Fonte: MaisFutebol

É ter um português a dar cartas, quando o Brasil tem uns Jogos Olimpicos 2016, e o seu ténis não dá sinais de “andar para a frente”. Não é uma comparação maldosa, é uma comparação necessária para entendermos as barreiras que João Sousa está a quebrar e a imagem que está a passar do ténis português em todo o circuito mundial.
Neste momento, digo-o com mais confiança. Sim, podemos ter um tenista português no top 30. Sim, não julguei isto ser possível em tão pouco tempo. Sim, temos jovens recheados de potencial e que estão a trabalhar de forma profissional. Sim, o João Sousa e o Frederico Marques, seu técnico, pelo seu método de trabalho, humildade, esforço e sacrifício que colocam em campo, merecem tudo o que de bom lhes podemos desejar.
O ténis português talvez ainda não saiba, mas está a criar-se uma dívida de gratidão eterna para com estes dois mosqueteiros do ténis, principalmente para com o João, claro.
Lembro-me de um jogador de fim-de-semana ter dito uma vez: “eu comecei a jogar ténis porque via o Nuno Marques na televisão”. O Nuno Marques foi nº 86, portanto imaginem o impacto de João Sousa nos mais novos, naqueles que nunca pensaram pegar numa raquete.

Obrigado!

P.S. – É impossível não falar de João Sousa. Equiparem isto à fase do Benfica, em que estamos a antever o campeonato; aqui, é estar a antever o sucesso.

A final de Braga

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Quase como se de uma sina se tratasse, depois da derrota no Dragão e com a recta final do campeonato à vista, o Benfica tem necessariamente que estar a “dar as últimas” e a pôr termo a uma campanha louvável que vai ter que terminar, também de forma inevitável e necessária, com um descalabro no final da época. Não, ninguém encomendou esta novela ao Tozé Martinho.

Não é, de facto, remoto pensar que, à excepção da deslocação ao Dragão na última jornada, este jogo diante do Braga se assemelha o mais difícil para a equipa encarnada até ao fim do campeonato. Ainda assim, esta é uma leitura que não gosto nunca de fazer: quem diria que o Benfica iria ceder pontos ao Arouca em casa?; e as sofridas vitórias frente ao Olhanense e frente ao V. Setúbal (neste último que foi, possivelmente, o pior jogo do Benfica esta época)? Não vai o Benfica ainda a Arouca? Não vai o Benfica receber o V. Setúbal e o Olhanense naqueles em que alguns já dizem ser os jogos do título? Se há coisa que não há no futebol é linearidade e é sempre mais cauteloso e consciente aquele que pensar assim. No entanto, para além daquilo que é a “matemática da bola” ou as novelas que se possam escrever em relação ao futuro do Benfica, o jogo de Braga tem, de facto, a sua importância.

Na primeira volta as águias ganharam por 1-0 em casa Fonte: O Jogo
Na primeira volta as águias ganharam por 1-0 em casa
Fonte: O Jogo

Por um lado, é importante garantir que depois das casas que houve frente ao Estoril e à Académica, a Luz não mais se volte a despir até ao fim da temporada. Por outro, é inegável considerar que o conforto pontual do campeonato permite pensar as restantes competições com outra margem e com outra ponderação. Assim, o jogo frente a um Sporting de Braga que não é dos melhores das últimas temporadas – e que se vai apresentar desfalcado (nota para as ausências de Alan, Custódio e Nuno André Coelho) – é uma importante barreira a ultrapassar, assim como é a de ultrapassar todos os demais jogos. A filosofia de que o próximo jogo é sempre o mais importante deve imperar para que as aspirações benfiquistas não se esgotem antes de serem efectivamente alcançadas. O Benfica tem equipa, sistemas e soluções para vencer o jogo em Braga e geri-lo com qualidade e não acredito que a derrota no Dragão ou esta pressão para o jogo de domingo entre no balneário. Numa equipa como o Benfica, não pode sequer entrar.

Como diz um benfiquista e meu companheiro: “Uma época com o campeonato ganho nunca é uma má época”. Fora de “abracinhos” no Dragão e de polémicas baratas – também podia aproveitar este artigo para falar sobre a nomeação do árbitro –, quero acreditar, como já aqui referi, que Jesus sabe quais são as suas prioridades e que por isso mesmo prepara a sua equipa nesse sentido. Se assim será ou não, cá estaremos para ver.

Da Camacha, com competência e qualidade

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milnovezeroseis

Caro leitor,

Cumpriu-se, na passada quinta-feira, o primeiro ano de mandato de Bruno de Carvalho à frente do Sporting Clube de Portugal. É inegável reconhecer que, até ver, os méritos daquele que (re)colocou o clube de Alvalade na senda do sucesso são notórios. Os leões são, hoje, um clube que impõe respeito aos adversários, sendo, também, eximiamente, conduzido precisamente por Bruno de Carvalho. Todavia, a meu ver, a maior vitória do Presidente leonino, até ao presente momento, vem da Madeira: Leonardo Jardim, de seu nome.

Após ter cumprido o que restava da época, aquando da sua eleição, com Jesualdo Ferreira ao leme da equipa, Bruno de Carvalho decidiu eleger, para a presente temporada, Leonardo Jardim como timoneiro dos verde-e-brancos. Confesso que a não-renovação com o Professor Jesualdo me deixou, na altura, de pé atrás. Penso que foi, até, um sentimento transversal a todos os adeptos leoninos. Porque não renovar contrato com um treinador que, numa época de total desastre, conseguiu colocar a equipa a jogar um futebol relativamente atractivo? Porque não renovar contrato com um treinador com cartas dadas no futebol português? Foram questões que, na altura, se revestiam de uma total pertinência, mas que obtiveram uma resposta perfeita por parte de Bruno de Carvalho. Leonardo Jardim é, pois, essa resposta.

Leonardo Jardim é uma aposta ganha por parte de Bruno de Carvalho  Fonte: O Jogo
Leonardo Jardim é uma aposta ganha por parte de Bruno de Carvalho
Fonte: O Jogo

 Com uma passagem fugaz, mas imaculada, pela Grécia, Leonardo Jardim aterrou em Alvalade sob a égide da incerteza. É certo que o madeirense tinha mostrado serviço quer em Braga, quer na Grécia, onde comandou o Olympiakos, mas teria o treinador a qualidade necessária para comandar um grande como o Sporting? A verdade é que Leonardo Jardim tem desfeito todas as dúvidas que existiram face à sua capacidade de conduzir o clube de Alvalade.

Dono de uma competência e liderança notáveis, o natural da Camacha tem obtido variadas vitórias ao leme do Sporting. Em primeiro, surge o facto de a equipa leonina ter voltado a praticar um futebol de alto quilate, o que se repercute nos resultados devera positivos. Pessoalmente, creio que os triunfos de uma equipa devem-se, em grande parte, à agilidade e competência do treinador que a comanda. Paralelamente, Leonardo Jardim tem, em jogadores como Carlos Mané, ou até Slimani, duas apostas claramente ganhas. Hoje, estes são jogadores fulcrais para o Sporting. Por último, mas não menos importante, o sistema de 4x3x3 implementado é encarnado de forma excelente pelos jogadores leoninos, fazendo parte da lei de sobrevivência de uma equipa jovem mas, à semelhança do treinador, competente, e que é, sem dúvidas, das melhores do últimos anos do Sporting. E isso deve-se a Leonardo Jardim.

Ayoze Pérez: uma estrela em ascensão?

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O Club Deportivo Tenerife, um clube modesto com um histórico de apenas 13 presenças na principal Liga Espanhola, tem uma nova estrela nas suas fileiras: Ayoze Pérez.
Se actualmente o Tenerife milita na 2ª Divisão espanhola, recentemente promovido da 2ª Divisão B, foi entre 1990 e 1999 que viveu a sua «época dourada»: durante esse período chegou a disputar uma meia-final da Taça UEFA sob o comando técnico de Jupp Heynckes e conseguiu terminar a Liga Espanhola por duas vezes na quinta posição. Foi nesta «época dourada» que apareceram alguns dos talentos que posteriormente brilharam nos mais diversos clubes e que, pese embora não fossem da cantera do clube, fizeram do Tenerife o ponto de partida para as suas carreiras – Fernando Redondo, que chegou ao clube com 20 anos e que durante 4 temporadas espalhou magia pelos relvados do Heliondo Rodriguez Lopez (estádio do Tenerife); o controverso Sergio Ballesteros; Juan Antonio Pizzi, que chegou a ser Pichichi no ano de 1996 pelo clube antes de se transferir para o Barcelona; ou ainda Mista, que cresceu no clube para depois ir brilhar no Valência e que foi a duas finais da Champions League.

Hoje em dia, o clube, que financeiramente não vive os melhores dias, tem tido dificuldades em conseguir resultados condizentes com a sua história. Depois de dois anos na 2ª Divisão B, este ano conseguiu subir a muito custo e está a disputar a 2ª Liga Espanhola, também conhecida como Liga Adelante. Viviam-se dias de preocupação e bastante apreensão porque o clube não parecia ser capaz de lutar por nada mais que não fosse a manutenção nessa mesma divisão. Mas eis que chegou Ayoze Pérez.

Com apenas 20 anos, Ayoze Pérez é a estrela do conjunto insular  Fonte: El Día
Com apenas 20 anos, Ayoze Pérez é a estrela do conjunto insular
Fonte: El Día

Nascido em Santa Cruz de Tenerife em 27 de julho de 1993, proveniente da equipa B do Tenerife, chegou à equipa principal com apenas 19 anos. No ano transacto fez 8 jogos como titular, marcou 1 golo e fez um final de temporada assombroso, ajudando o clube na subida. Esta época, confirmou-se como um titular indiscutível, levando já 16 golos e 5 assistências e tendo transformado uma equipa que parecia não ter capacidade para mais do que para lutar pela manutenção numa equipa que está actualmente nos postos de play-off para disputar a subida de divisão.

Ayoze Pérez, agora com 20 anos, tem carregado autenticamente a equipa às costas: marca e dá a marcar, tem uma mobilidade impressionante, faz da velocidade e do recorte técnico as suas maiores armas. Com um excelente pé direito, é um avançado com um faro de golo muito apurado que joga muito bem nas costas do ponta-de-lança, descaindo para qualquer uma das alas, adaptando-se perfeitamente a estes terrenos.

Embora seja polivalente na frente de ataque, parece ser como segundo avançado, onde tem liberdade para aparecer um pouco por toda a frente de ataque, que melhor se sente. É umas das várias estrelas da Segunda Divisão espanhola e o seu treinador não tem qualquer dúvida em afirmar: “É o melhor jogador que treinei até hoje”.

Ayoze Pérez tem sido seguido por vários clubes importantes – Real Madrid, FC Porto ou Manchester City já perguntaram por ele. É certo e sabido que este será o seu último ano como jogador do Tenerife, uma vez que este é o seu último ano de contrato. Sendo um jogador desta qualidade e auferindo um salário que não chega sequer aos mil euros, fica fácil para qualquer clube com outro nível e outra disponibilidade financeira aliciá-lo com um contrato interessante. É jovem, é talentoso e é humilde. Precisa de trabalhar muito, e de crescer ainda mais, mas com a qualidade que demonstra não lhe será dificil impor a sua qualidade.