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Vitória Sport Club: a paixão da Cidade-Berço

Se o Mundo é o lugar onde existem estádios de futebol com muitas casinhas em seu redor, então Guimarães será o paraíso… Aí, como em nenhum outro ponto deste país, persiste uma ligação umbilical entre a cidade e o clube – não o Vitória de Guimarães, mas o Vitória Sport Club, como aquelas gentes fazem questão de sublinhar, honrando o verdadeiro nome da sua paixão.

Uma paixão tão antiga – o Vitória foi fundado em 1922 – quanto fogosa, duradoura e única – a relação clube-cidade é vislumbrável a cada passeio pelo centro ou a cada contacto com os vimaranenses, os mesmos que seguem a equipa com uma força apenas equiparável à dos grandes. Assim, talvez não seja estranho perceber a explosão de alegria (desde sempre contida) ocorrida no Largo do Toural naquela noite de 26 de Maio de 2013, horas depois de o Vitória ter derrotado o Benfica na final da Taça de Portugal (2-1) e ter dado à sua cidade a maior conquista da história. E a noite mais longa e feliz.

Dos 11 titulares e heróis do Jamor, saíram 5 (El Adoua, Ricardo, Soudani, Amido Baldé e Tiago Rodrigues, com este último a retornar a casa). Para 2013/2014, como em anos anteriores, mais uma missão espinhosa pela frente: montar uma equipa competitiva para responder às exigências internas e a uma inesperada presença na Europa, tudo dentro de um contexto de restrição orçamental. Ao seu leme, um dos homens mais competentes do futebol português: Rui Vitória.

Atacando o mercado dentro de evidentes limitações financeiras e fazendo uma utilização mais do que profícua da sua equipa B (a este nível, talvez só o Marítimo tenha uma taxa de aproveitamento superior), o Vitória reergueu-se, organizou-se e, hoje, é, mais uma vez, um caso de sucesso, estando a quatro pontos do objectivo inicial: a qualificação para a Liga Europa.

A maior força do Vitória é a sua vibrante massa adepta  Fonte: ipressjournal.pt
A maior força do Vitória é a sua vibrante massa adepta
Fonte: ipressjournal.pt

Com um início de época repleto de indefinições e depois de uma pálida imagem dada na Supertaça (derrota diante do FC Porto, 3-0), o Vitória, tomando a espada do seu maior Conquistador e suportado pelos seus adeptos, acertou agulhas e foi à luta. Com uma aposta clara na formação e no jogador português, os principais reforços foram André Santos e Nii Plange (Sporting), Malonga (Monaco), Moussa Maazou (Étoile du Sahel) e Tiago Rodrigues e Abdoulaye (FC Porto), sendo que este último acabou por regressar, em Janeiro, ao clube de origem.

O Campeonato foi iniciado com resultados expectáveis, ao passo que, na Europa, as indicações eram positivas (vitória diante do Rijeka e empate em Lyon). Rui Vitória apostava nesta fase num claro 4-3-3, com um meio-campo rotativo e extremos bem abertos prontos a utilizar a sua velocidade (Malonga e Marco Matias) à procura de servir Maazou. O apuramento na Liga Europa acabou por fugir, consequência principal das duas derrotas às mãos do Bétis, ainda que em partidas em que o Vitória acabou, em termos de futebol jogado, por ser melhor. Ficam, no entanto, os resultados e os 5 pontos amealhados no Grupo I – de qualquer forma, o melhor desempenho das equipas portuguesas na competição.

O momento negativo da época haveria de chegar com o afastamento da Taça da Liga, numa eliminatória diante do Leixões. Com algumas peças mais estabilizadas (André Santos e Tomané) e perante uma fase de menor fulgor dos rápidos alas, Vitória experimentou um esquema próximo do 4-4-2 com Maazou e Tomané na frente atacante (foi, aliás, assim que venceu no Estoril).

Hoje a equipa parece ter voltado à base táctica incial (4-3-3), ainda que com alguns intérpretes diferentes, e, por isso, com uma dinâmica um pouco diversa. Com o regresso de Abdoulaye ao Dragão, o quarteto defensivo assenta em Pedro Correia, Moreno, Paulo Oliveira e David Addy, guardado por um seguro e competente Douglas. A este propósito, três notas – a defensiva vitoriana sofre, sobretudo, ao nível do jogo aéreo; Paulo Oliveira (central, 22 anos, produto da formação vitoriana) tem potencial para vir a ser um caso sério no futebol português; Addy continua a cometer os mesmos erros que cometia quando chegou a Portugal, nomeadamente ao nível do posicionamento e da (excessiva) impetuosidade que coloca em campo.

Paulo Oliveira. Aos 22 anos é o esteio da defesa do Vitória  Fonte: A Bola
Paulo Oliveira. Aos 22 anos é o esteio da defesa do Vitória
Fonte: A Bola

Para o trio do meio-campo, Rui Vitória tem apostado sobretudo em André Santos, André André e Crivellaro. Um tridente versátil e que não se atropela nas funções: André Santos é o vértice mais recuado e primeiro construtor de jogo; André André (ou Leonel Olimpio, como na Luz, onde caiu muito bem no espaço de Enzo Perez,) aparece como a ‘vassoura’ da equipa, possibilitando uma pressão sobre o adversário mais à frente (meio-campo menos expectante e mais pressionante) e tendo (ainda) pulmão e capacidade técnica para gerir a bola e dar apoio; o esquerdino Crivellaro é, por sua vez, a melhor noticia que este Vitória nos deu: pulando entre a equipa principal e a B, alto e elegante, assume-se hoje como o virtuoso do meio-campo vimaranense, com classe e qualidade de passe em doses consideráveis, faltando, quiçá, alguma intensidade e consistência ao seu jogo para chegar a outro patamar. Nesta equação, sobra ainda Tiago Rodrigues, elemento emprestado pelo FC Porto, com uma enorme qualidade de passe e visão de jogo, mas que, por ora, está tapado.

Finalmente, no atacante vimaranense, a acompanhar Marco Matias (rápido, incisivo e com bom poder de finalização, é um valor seguro) e Moussa Maazou (com um currículo interessante, o atacante do Níger destaca-se pela dimensão física e profundidade que oferece ao jogo da equipa, até mais do que pelos índices de concretização, item em que pode claramente melhorar), Rui Vitória tem optado por Barrientos. Actuando pela esquerda, o uruguaio tem permitido à equipa uma maior capacidade na manutenção e gestão da bola, assumindo-se como (mais) um médio e não tanto como um extremo/avançado, pensando antes em equilibrar do que em explodir pela ala; em suma, aproximando mais a equipa de um (falso) 4-4-2, dando-lhe critério e cérebro, mas menos velocidade e repentismo do que quando a preferência recai sobre Malonga ou Nii Plange. Resta ainda o menino Tomané – com o número 9 nas costas, cresceu muito desde a sua estreia na Supertaça; está hoje mais agressivo no ataque à bola e, consequentemente, mais preparado e dentro do jogo, tendo já contribuído com golos importantes na ausência de Maazou (mesmo quando o possante avançado regressou, não recuperou de imediato a titularidade, em função da boa resposta dada por Tomané).

Moussa Maazou. Uma ‘ave rara’ no futebol português  Fonte: Vavel
Moussa Maazou. Uma ‘ave rara’ no futebol português
Fonte: Vavel

Rui Vitória tem o enorme mérito de com (estes) parcos recursos ter montado uma equipa que, mais do que qualquer outra coisa, tem uma ideia de jogo. E – ainda mais relevante – os jogadores sabem dar-lhe corpo. O Vitória não é uma equipa exuberante mas é um conjunto que tendo vindo a evoluir desde o inicio da época, assoma agora mais sólido, estruturado e pragmático – a equipa apresenta-se organizada, raramente se desposiciona e tem a virtude de saber pressionar em bloco quando sente que o pode fazer (a este nível, foi melhor na Luz do que na 1ª parte diante do FC Porto, algo corrigido ao intervalo). Com bola, tenta sair a jogar apoiado mas não tem o constrangimento de, em situações de aperto, procurar o jogo aéreo e a perna longa do ‘farol’ Maazou e esticar o seu jogo.

É, actualmente, uma equipa de autor e que, percebendo as suas lacunas, tentou crescer em cima delas. A resposta que deu na 2ª parte diante do FC Porto é paradigmática: subindo a linha defensiva, ligando os seus sectores, pressionando de forma mais coordenada e compacta, com outros índices de atitude, apenas não venceu o tri-campeão por uma questão de centímetros. Na Luz, com outra capacidade de decisão de alguns dos seus jogadores, poderia também ter causado dissabores ao Benfica.

Confortável no 6º lugar, o Vitória vê o comboio da Europa perto. Sabe, no entanto, que as suas limitações estão também elas muito próximas: as segundas linhas do plantel não são mais do que o produto da (boa) formação e equipa B, estando ainda em fase de maturação. Luís Rocha, Josué, João Amorim e Hernâni são bons projectos de jogadores mas seria interessante para o (Rui) Vitória poder, por uma vez, evoluir em cima do consolidado e não, a cada novo Agosto, partir do zero. Na verdade, do zero nunca será – porque quem tem a cidade e as gentes de Guimarães por trás já parte em vantagem.

Para quando um grande título, Portugal?

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cab futsal

Ainda um pouco na ressaca do Euro 2014, que redundou mais uma vez numa eliminação demasiado precoce da competição, na ótica do adepto da Seleção Nacional que está sedento de grandes feitos e conquistas: conforme comentado na altura, o desaire diante da formação da Itália, nas meias-finais, foi decidido em “pequenos detalhes”. Ora bem, é nisto mesmo que eu me quero focar: falhamos sempre nas grandes competições devido a “pequenos detalhes”, em jogos muito equilibrados, que podem cair para qualquer lado, mas que, para infortúnio nosso, são vencidos pelos nossos rivais.

Não querendo encher o leitor de resultados e factos, aqui deixo alguns tópicos sobre aquilo que tem sido a prestação da equipa lusitana ao logo das 11 competições, respetivamente quatro campeonatos do Mundo e sete Europeus.

As prestações em campeonatos da Europa não têm sido historicamente brilhantes: apesar de termos alcançado a final em 2010, na Hungria, o saldo de todos os jogos realizados é negativo. Por outras palavras, ou, neste caso, números, em 27 jogos apenas contamos com nove vitórias, acrescidas de sete empates e 11 derrotas. Em sete participações, por três vezes não lográmos passar sequer a fase de grupos inicial, coincidentes com as três primeiras presenças (1999, 2003 e 2005). De resto, uma eliminação nos quartos de final em 2012, aos pés da nossa mais recente “besta negra”, a Itália (3-1 para os transalpinos). Em 2007, em solo português, e este ano, na Bélgica, quedámo-nos pela 4ª posição, cedendo nas meias-finais perante Espanha e (mais uma vez) Itália. De referir que, em ambas as ocasiões, não fomos felizes também no jogo de apuramento do 3º lugar, perdendo a medalha de bronze para Rússia e Espanha, outra equipa que não nos traz boas recordações. O ponto alto do futsal luso aconteceu em 2010, na cidade húngara de Debrecen.

Este caminho merece, por várias razões, ser comentado com mais algum detalhe. Uma fase de grupos inicial muito modesta da nossa parte, sem qualquer vitória registada. Um empate alcançado já no último minuto do jogo com a Bielorrússia (5-5) e uma derrota pesada frente à Espanha (1-6) não deixavam antever nada de bom para o nosso lado. Valeu-nos a preciosa ajuda de “nuestros hermanos”, que, no primeiro jogo do grupo, cilindraram a formação de Leste, por pesados 9-1. Passado este cabo das tormentas, encontrámos a Sérvia, nos quartos de final. Apesar de ter surpreendido a Rússia na fase preliminar (venceu 4-3), foi incapaz de travar uma turma portuguesa competente e aguerrida, que venceu tranquilamente (5-1). Seguiu-se o Azerbaijão, uma seleção imprevisível, que nos levou à marca de grandes penalidades, após um 3-3 registado no final do prolongamento. Conseguimos passar e encontrámos o nosso pior pesadelo no que diz respeito a este tipo de competições. Posso ter induzido o leitor em erro, ao destacar a Itália no início do artigo, mas, neste caso, falo da Espanha. Equilibrámos mais os parciais (2-4), mas não foi dessa que Portugal conseguiu levar o título para casa. Foi, então, a nossa oportunidade mais flagrante de conquistar um troféu, até aos dias de hoje.

Equipa presente na final do Euro 2010  Fonte: Artedofutsal.blogspot.com
Equipa presente na final do Euro 2010
Fonte: Artedofutsal.blogspot.com

Falando agora da competição mais importante a nível mundial, o campeonato do Mundo, Portugal apresenta um saldo bem mais positivo no que diz respeito à diferença entre vitórias e derrotas. Ao cabo de 23 jogos, distribuídos por quatro presenças, vencemos 13, empatámos dois e perdemos oito.

A grande diferença em relação ao Europeu é que nunca na nossa história atingimos a final. No entanto, é também seguro dizer que apenas por uma ocasião nos ficámos pela fase inicial. A melhor prestação de sempre ocorreu, curiosamente, na estreia. Em 2000, na Guatemala, os jogadores portugueses arrecadaram uma medalha de bronze, que é, até então, o maior motivo de destaque nesta competição. Nesta edição, a equipa das quinas encontrou um adversário temível por duas ocasiões, que não deu motivos nenhuns aos jogadores nacionais para sorrirem. Logo na primeira fase de grupos, uma derrota por 4-0, que, no entanto, não impediu o apuramento português. Quando os jogos assumiram um carácter decisivo, isto é, nas meias-finais, o Brasil tornou a aparecer no caminho. Apesar das excelentes relações existentes entre os dois países, a “canarinha” não teve dó nem piedade, aplicando “chapa 8” aos guerreiros lusitanos, que ainda foram a tempo de resgatar uma medalha. No encontro de atribuição do 3º lugar, Portugal venceu por 4-2 a Rússia.

Nas três presenças que se seguiram (2004, 2008 e 2012), Portugal não passou dos quartos de final. Em 2004, em Taiwan, a equipa nacional não passou da segunda fase de grupos, sendo afastada por (como não poderia deixar de ser) Itália e Espanha. Em 2008, num grupo de cinco equipas em que apenas os dois líderes se apuravam, Portugal ficou na 3ª posição, atrás de Paraguai e Itália, vendo-se desde logo afastada da discussão do título. Na última competição mundial, em 2012, na Tailândia, não foi possível passar dos quartos de final, cedendo mais uma vez diante da Itália, após prolongamento (4-3, tendo a equipa portuguesa estado a vencer por 3-0 no tempo regulamentar).

Equipa presente no Mundial de 2012, na Tailândia Fonte: Visãodemercado.blogspot.com
Equipa presente no Mundial de 2012, na Tailândia
Fonte: Visão de Mercado

Todo este cenário prova que Portugal está entre a elite do futsal mundial, disso não há a mínima dúvida (o 5º lugar no ranking da FIFA assim o prova). No entanto, além das quatro formações que se encontram à frente da formação lusa (Brasil, Espanha, Itália e Rússia), falta um título de renome mundial para confirmar esse estatuto adquirido ao longo do tempo. Resta-nos agora esperar mais dois anos, desta feita pelo Mundial 2016 (Colômbia), para ver se é nessa altura que o tão esperado e ansiado título surge, já que o futsal português bem merece e exige.

Uma questão de perspectiva

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O Sexto Violino

Portugal é um país periférico. Sempre o foi ao longo da História, muito por causa de uma situação geográfica que, ao longo dos séculos, impossibilitou que tanto as mercadorias como as ideias chegassem cá com a mesma rapidez com que circulavam nos reinos do coração da Europa. Foi, aliás, em parte devido a isso que Portugal se interessou pelo mar e deu início à sua expansão marítima. No entanto, tirando um ou outro pequeníssimo período histórico de maior prosperidade, conseguida à custa das colónias, a realidade do nosso país foi quase sempre de crise, escassez de recursos e dependência face às grandes potências.

Em 2014, como sabemos, esta realidade mantém-se. No futebol, as coisas não são diferentes: tal como o país foi, em tempos, uma porta de entrada na Europa dos mais variados produtos que depois seguiam para outros locais, também o nosso campeonato não é um ponto de chegada mas sim um mero entreposto onde fazem escala alguns bons jogadores sul-americanos (e outros não tão bons…) que vêm tentar a sua sorte na Europa. Da mesma forma, de cada vez que um futebolista nacional se destaca por cá, rapidamente se transfere para um clube futebolística e/ou financeiramente muito mais poderoso.

Não tenho por hábito embandeirar em arco com os jogadores do Sporting ou de outros clubes portugueses, por muito que se destaquem no nosso campeonato. Expressões como “o jogador X é dos melhores do mundo” ou “não há melhor do que o médio Y na sua posição” sempre me custaram ouvir quando dizem respeito a jogadores do campeonato português, pura e simplesmente porque não é o mesmo jogar contra um Paços de Ferreira, um Olhanense, um Belenenses e um Arouca ou contra um Chelsea, um Man. City, um Man. United ou um Arsenal.

Desde que vejo futebol, poucos foram os jogadores da nossa liga que me fizeram exclamar: “este gajo é de top mundial!”. Que me lembre, apenas Lucho e Falcao foram capazes de arrancar essas palavras da minha boca. Nem Jardel, nem Hulk nem Aimar o conseguiram – o primeiro porque foi dos melhores finalizadores que vi, mas tinha falhas básicas que tornavam inviável a sua transferência para um “colosso”; o segundo porque o considero um bom jogador a nível europeu, não um fora-de-série; e o terceiro porque, apesar de ter tido grandes momentos em Portugal, já chegou cá numa fase menos exuberante da carreira.

No que diz respeito aos jovens o caso muda ligeiramente de figura. Ainda que isto seja tudo menos um método exacto e objectivo, há duas categorias onde insiro os melhores “miúdos” que temos por cá: a dos acima da média (isto é, que poderão vir a estabelecer-se numa boa equipa europeia) e uma outra, muito mais restrita, que diz respeito aos atletas que poderão vir a atingir o nível de classe mundial. Nesta última categoria apenas vi cinco jovens, todos eles do Sporting: Quaresma, Cristiano Ronaldo, Miguel Veloso, Nani e Bruma. Hoje em dia, posso dizer que apenas Ronaldo e Nani confirmaram o que deles esperava (veremos o que acontece com Bruma). Quaresma foi vítima da sua personalidade atribulada e Veloso foi o único jogador por quem “perdi a cabeça” erradamente, e que me fez dizer aquelas frases que comecei por criticar. Mas quem se lembra daquela sua época de 06/07 facilmente me percebe. Daí para cá, confirmou o seu estatuto não como estrela, mas como um jogador acima da média.

Apesar de ainda jogar em Portugal, William Carvalho já é uma certeza. A sua ascensão tem sido meteórica - aqui, o momento da sua estreia pela Selecção, contra a Suécia Fonte: A Bola
Apesar de ainda jogar em Portugal, William Carvalho já é uma certeza. A sua ascensão tem sido meteórica – aqui, o momento da sua estreia pela Selecção, contra a Suécia
Fonte: A Bola

De resto, e ainda que correndo o risco de me esquecer de um ou outro, a minha lista de jovens que avaliei como “acima da média” quando estavam nos três grandes foi: Moutinho, Vukcevic (mais uma vítima da sua própria maneira de ser, porque aquela primeira época não enganava) e agora Carlos Mané e, possivelmente, João Mário pelo Sporting; do lado do Benfica, Ramires, Javi Garcia, David Luiz, Fábio Coentrão, di María, Salvio, Gaitán e Matic (alguns já deixaram de ser promessas, mas continuam a ter condições para “dar o salto”); no Porto, Carlos Alberto, Diego (se bem que este já fosse uma certeza), James, Danilo, Alex Sandro, Mangala, Otamendi, Iturbe e Quintero.

Talvez por conhecer vários benfiquistas, e pela onda que se gera quando estão na mó de cima, os casos dos jogadores desse clube são os que melhor mostram que não é por um jogador se evidenciar em Portugal que tem como garantido o estatuto de estrela. Em 2010, não havia benfiquista que não dissesse que Coentrão, por exemplo, era “o melhor lateral-esquerdo do mundo”. Em Madrid já lhe chamaram “o suplente mais caro do mundo”, e nunca conseguiu impor-se a Marcelo. É esta noção de perspectiva que por vezes nos falta: é diferente jogar em Portugal e em Espanha, por todas as razões e mais algumas. Coentrão é um lateral de boa valia, sim. Por outras palavras, um exemplo do tal jogador acima da média (e no caso dele bastante, até). Mas nunca na vida o melhor do mundo.

Tudo isto para chegar a um jogador: William Carvalho. Vou abdicar das minhas precauções habituais e dizer com toda a convicção que a minha lista de atletas com potencial estratosférico já ganhou mais um nome. A sua grande capacidade de passe e a facilidade com que constrói jogadas, não se limitando ao seu papel defensivo, já está a um nível notável; a forma como desarma os adversários é genial; o sentido táctico que apresenta, e que o tempo encarregará de aprimorar ainda mais, é surpreendentemente elevado – leitura e visão de jogo são algumas das suas qualidades inequívocas. Pouco me interessa se William já é “dos melhores médios do mundo” ou não. Por uma questão de coerência e por saber que há muitos centrocampistas de enorme qualidade e com muito mais rodagem do que o luso-angolano, diria que não. Mas, se continuar assim, sê-lo-á muito em breve. E, infelizmente para nós, Sportinguistas, provavelmente já noutro país qualquer. É a tal desvantagem de termos um país e um campeonato periféricos…

Schalke 04 – Uma semana que engana

Os mineiros tiveram o azar de defrontar as duas melhores equipas do mundo na mesma semana. O score foi muito negativo (dois golos marcados, 11 golos sofridos), mas também enganador perante a qualidade da equipa mineira.

Semana negra para os homens de Gelsenkirchen. Apesar disso, não creio que o resultado de 1-6 frente ao Real Madrid, para a primeira mão dos oitavos de final da UEFA Champions League, e a derrota por 5-1 no reduto do Bayern München sejam o espelho da qualidade da equipa.

O Schalke ocupa a 4ª posição (dá acesso aos play-offs da Champions) e está a apenas dois pontos do Bayer Leverkusen e a quatro dos seus eternos rivais, o Borussia Dortmund.
A verdade é que, com o 1º lugar já decidido há muito tempo, a guerra pelos primeiros nove lugares está ao rubro, já que a diferença entre o Borussia Dortmund, actual 2º classificado, e do FC Augsburg, actual 9º, é de apenas 10 pontos, faltando 11 jornadas para o fim da Bundesliga.

Aos 20 anos, Draxler é já uma das principais figuras do Schalke 04 e uma das maiores promessas a nível mundial Fonte: I.dailymail.co.uk
Aos 20 anos, Draxler é já uma das principais figuras do Schalke 04 e uma das maiores promessas a nível mundial
Fonte: Dailymail

Falar do Schalke e não falar de Julian Draxler é quase impossível. A verdade é que o jovem alemão não está sozinho na lista de promessas: Papadopoulos (22 anos), Meyer (18) e Matip (22) constam também na lista de um clube possuidor de verdadeiros diamantes. Jens Keller, técnico dos azuis reais, alia esta juventude a uma experiência fundamental de jogadores como Höwedes e Felipe Santana, na defesa, Neustädter e Kevin-Prince Boateng, no meio campo, e ainda com Farfán e Kuntelaar, no ataque.

Aos 30 anos, Huntelaar vive um dos seus melhores momentos da carreira, depois de ter desiludido no Real Madrid e no AC Milan Fonte: Talksport.com
Aos 30 anos, Huntelaar vive um dos seus melhores momentos da carreira, depois de ter desiludido no Real Madrid e no AC Milan
Fonte: Talksport.com

Convém recordar que há ainda jogares gravemente lesionados, que, quando em forma, são fundamentais para a qualidade desta equipa. Falo de Uchida, que ainda não tem data de retorno, de Aogo, que volta à competição apenas em Maio, e ainda de Höger, que, com uma rotura de ligamentos em Outubro, voltará a pisar os relvados em Abril.

As próximas jornadas vão ser fundamentais para a sua posição final, já que depois de jogar com o Hoffenheim, Augsburg e Eintracht Braunschweig, jogos teoricamente fáceis, o Schalke tem a importantíssima deslocação ao Signal Iduna Park, para defrontar um Borussia Dortmund que continua fustigado por lesões; a mais recente foi a de Sokratis, neste sábado.

A passagem aos quartos de final será practicamente impossível Fonte: Media.bundesliga.com
A passagem aos quartos de final será practicamente impossível
Fonte: Media.bundesliga.com

Practicamente arredados da Champions League, os alemães irão apontar todas as suas forças para uma boa classificação na Bundesliga – o 3º ou até mesmo o 2º lugar seriam o ideal, já que estas duas posições garantem o apuramento para a fase de grupos da principal competição clubística europeia, o que por si só lhes garante uma boa maquia financeira.

O que também vai ser practicamente impossível é segurar as suas maiores promessas, como Papadapoulos ou Meyer, mas ainda mais difícil será manter Julian Draxler perante o assédio de clubes como o Bayern München, Arsenal e Manchester United.
Contudo, e perante a provável saída destes jogadores, o grande desafio será colmatar essas supostas ausências e ainda tentar melhorar a defesa, já que a diferença de golos entre todas as competições é de apenas +5, o que é muito curto para uma equipa que ambiciona altos voos, tanto a nível interno, como europeu.

The Rocket, what else?

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cab Snooker

O caro leitor até pode não saber as regras do jogo, pode confundir o snooker com o bilhar, pode não saber a ordem das bolas, pode até nem gostar, mas tenho a certeza de que o nome O’Sullivan não lhe é indiferente. Porquê? Porque este Senhor tem uma maneira transcendente de fazer magia por onde quer que passe.

No domingo vimos Ronnie levantar a taça do Welsh Open. Uma final que levou Ding Junhui a ganhar apenas 3 frames dos 17 possíveis. Foi uma vitória claramente desequilibrada, o que desiludiu, mas justa. Ronnie mostrou-se superior durante toda a partida. Admito que estava à espera de uma final um pouco mais contrabalançada; Junhui estava a fazer um percurso na época 13/14 fenomenal, relembrando sempre, a cada partida, que o snooker não corre apenas nas veias do Reino Unido.

Até ao 11º frame não posso admitir que tenha sido a final mais empolgante a que assisti. Já presenteei, pelas emissões da Eurosport, partidas com grandes reviravoltas! Quando digo grandes reviravoltas refiro-me, por exemplo, à final do UK Champiosnhip em 2010, entre John Higgins e Mark Williams. O galês Mark Williams liderava por 7 – 2, e depois por 9 – 5, a um frame da vitória. Quando o marcador apresentava o resultado de 9 – 7, o escocês presenteou o público com mais 3 frames, levando assim para casa o troféu. Mas no domingo, apesar de saber que havia a hipótese de Ding ter um grande “come back”, já estava rendida ao sublime jogo de Rocket. Não só ganhou o Welsh Open, como em sete minutos e onze segundos conseguiu fazer uma tacada máxima (147 pontos) e, assim, bater o record de Stephen Hendry, que tinha 11 entradas máximas.

Ronnie O’Sullivan na final do Welsh Open 2014 (com o que eu considero a sua “imagem de marca”: a língua de fora) Fonte: The Guardian
Ronnie O’Sullivan na final do Welsh Open 2014 (com o que eu considero a sua “imagem de marca”: a língua de fora)
Fonte: The Guardian

Se viu este encontro, tenho a certeza de que não deixou escapar o momento em que as bancadas foram abaixo. No instante em que Ronnie embolsa a última bola vermelha e começa a sequência de cores, os berros entusiasmados dos bancos fizeram-se ouvir nos arredores do Newport Centre. Aposto que também não se conseguiu conter em casa. Percebo, também foi complicado para mim.

Se Ronnie O’Sullivan é humano ou não, ainda está para ser provado. Talvez um dia bata à porta do snooker outro jogador que consiga embolsar com as duas mãos, que faça 147 pontos em cinco minutos e vinte segundos e que, o mais entusiasmante de tudo, leve os fãs ao rubro.

Por favor, levem-me a ver o Rocket jogar enquanto ainda é vivo! Aos 38 anos Ronnie está fenomenal e eu imploro ao bom senso que me deixe vibrar com o dom deste homem.

Avé, Ronnie.

A bênção que foi Quaresma

portosentido

Começo a notar que caso o Porto não tivesse Quaresma estava ainda pior. O extremo português tem feito boas exibições e aparenta ser o jogador em melhor forma no plantel azul e branco. Na verdade, é Quaresma que faz algo para agitar o ataque do Porto.

Quando a notícia oficial do regresso de Quaresma foi anunciada fiquei com sentimentos mistos. Por um lado, o plantel portista necessitava de um extremo puro, bom no um-para-um com capacidades de mexer com um jogo a partir das alas. Por outro, Quaresma vinha de uma liga sem grande prestigio, vinha de um lesão no joelho, que é sempre complicada num jogador, e, por fim, chegava ao Dragão já com uma idade avançada (30 anos), o que para um extremo implica, na grande maioria, final de carreira com decréscimo das habilidades.

Porém, Quaresma surpreendeu e fez por merecer o estatuto de que agora dispõe de titular incontestável. Após os primeiros jogos de dragão ao peito, que serviram para recuperar a forma, está a apresentar um grande nível de futebol. Grandes golos, assistências, dedicação e, claro, as trivelas que se tornaram a sua imagem de marca. No entanto, no meio da desorganização ofensiva e defensiva do Porto, se for apenas o Mustang a remar, o barquito não anda.

A história de Quaresma demonstra que há jogadores que estão destinados a apenas jogar bem no Porto. Não quero insinuar que Quaresma jogou mal nos outros mas, para mim, é na cidade do Porto que Quaresma dá seu melhor.

Quaresma tem sido o timoneiro do ataque do Porto  Fonte: Mais Futebol
Quaresma tem sido o timoneiro do ataque do Porto
Fonte: Mais Futebol

Embora tenha começado na formação do Sporting, onde deu os primeiros toques numa bola à sério, não foi lá que se tornou num bom jogador. Mesmo assim, recebeu um contrato do colosso Barcelona para jogar na Liga Espanhola. Um ano depois fez as malas e rumou àquela que seria a sua casa: o Estádio do Dragão. Após quatro anos de glória com o dragão ao peito saiu pela porta da frente para mais uma aventura por terras estrangeiras. Passou por Inter de Milão, com um empréstimo ao Chelsea pelo meio, foi recebido em êxtase pelos turcos do Besiktas e a última paragem antes de regressar a casa foi o Al-Ahli, onde, para muitos, iria morrer o talento inato de Ricardo Quaresma.

O Mustang está de volta na máxima força. Infelizmente este ano é capaz de não ser feliz. Mas Quaresma tem contrato até 2016. De certeza que, até lá, vai provar novamente o doce néctar que é vencer com o dragão ao peito.

Não podemos esquecer-nos de que o Mundial do Brasil está à porta. Portugal possui um grande leque de opções no que toca a extremos. Entre Ronaldo, Nani e Varela – o núcleo duro de extremos da era Paulo Bento – há espaço para, talvez, mais dois. Paulo Bento é um homem ponderado e inteligente. De certeza que até ao início do Brasil’2014 vai ver e rever a sua convocatória real e final. Talvez, e sublinho o talvez, visto que depende de muitos factores e da manutenção da excelente forma de Quaresma, o nome de Ricardo Quaresma possa estar na convocatória.

Até lá, Ricardo Quaresma está em grande forma e, se não houvesse Quaresma, a série de maus resultados do Porto podia até ser bem pior. E reparem numa coisa : quando o melhor jogador é aquele que entrou há menos de um ano, após uma lesão no joelho e que esteve sem jogar durante seis meses, é porque o caso está realmente mal parado…

Ora fia-te na Virgem e não os metas a correr, Jesus

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camisolasberrantes

Somos a melhor equipa em Portugal. Já o ano passado o éramos. E no ano anterior também. Vítor Pereira não era nem treinador, nem adversário para este Benfica. Nem para este, nem para o de então. E os jogadores do Porto não tinham o poderio necessário para sair por cima no final do Campeonato. Mas saíram. Por duas vezes. Seguidas. Sem espinhas. A não ser aquelas que entaladas ficaram na garganta de todos nós, benfiquistas, quando vimos o hoje-em-dia-muito-triste-e-calimero Kelvin facturar o golo mais desnorteante na história do Benfica.

Bom, e se o passado se converter em futuro? É que há um motivo para o melhor treinador em Portugal não ser campeão em catadupa: o inconseguimento – como diria Assunção Esteves. Ponha-se os olhos no Benfica dos últimos quase cinco anos: uma equipa concretizadora. Com atitude. Inteligente. Forte na defesa. Malandra no ataque. Capaz de dar cartas aqui e lá fora. Mas a quem falta sempre qualquer coisa. E o problema é que não falamos de um bom central, ou de um fantástico ponta-de-lança, ou mesmo de um rigoroso esquema táctico. Não. É mais complexo do que isso. E simultaneamente mais simples. Falta atitude! Força de vontade! Benfica à Benfica! Ah! E um treinador com mais cabeça…já para não falar numa direcção com cojones, claro.

Mais disto em campo, no banco e nos escritórios e temos Benfica campeão Fonte: ontemvi-tenoestadiodaluz.blogspot.com
Mais disto em campo, no banco e nos escritórios e temos Benfica campeão
Fonte: ontemvi-tenoestadiodaluz.blogspot.com

Acreditar, portanto, que o Benfica é campeão só porque leva nove pontos de avanço para o Porto a nove jornadas do final é ser – à falta de melhor expressão – “fofinho”. Triste, mas verdade. Este é o melhor período das últimas duas ou três décadas e não há títulos. Nada. Zero! Não é por acaso. Aliás, nada no futebol é por acaso. A não ser, claro, os golos anulados ao sportinguistas que, lá está, por simples acaso os vão afastando dos títulos.

Excepto talvez este ano. Pessoalmente não acredito em milagres. Futebolisticamente acredito em tudo. E dou mérito – muito, muito mérito – a um treinador que tem feito o melhor trabalho que o futebol português viu esta época: Leonardo Jardim. O madeirense é bom que se farta, mas não tem ainda a maturidade para levar de vencido este conjunto encarnado. Não vira, no entanto, a cara à luta e, passo a passo, lá vai conquistando os muito preciosos pontos de que o Sporting precisa. E o clube de Alvalade vai-se aguentando. Acredito que tal estado de felicidade seja precário, mas esta é uma resiliência que assusta e não saber admiti-lo é não saber ver futebol. Esse foi, na minha humilde opinião, um dos grandes problemas do ano passado (e do anterior a esse)…não tínhamos competição. Era “peaners”. Qual campeonato a feijões. Tanto que, no final, acabámos a fazer as contas aos feijões a que o segundo lugar tinha direito em três diferentes competições.

Mostra quem manda, Messias. Prova que o motivo pelo qual estás no Benfica mais um ano não é pelo medo de te ver sair para o Porto. Estás numa equipa de deuses, Jesus. E ao teu nome é hora de fazer jus. Precisamos de mais. Queremos mais. Merecemos mais! Não o conseguir é mergulhar num profundo mar de desilusão do qual ninguém será capaz de nos salvar. A responsabilidade, hoje mais do que nunca, é tua. E como dizia Lincoln, numa nação de Homens inspiradores só há duas opções: “viver para sempre ou morrer por suicídio”.

Pois vamos para o Olimpo juntos. Sem medos. O futuro é nosso. Mas há que lutar por isso. Mete-los a correr. A suar a camisola. A sofrer traumaticamente como nós nas bancadas sofremos. A chorar. A rir. A morrer de amores. A precisar disto como nós. Só assim não haverá desculpas. Porque, venha de lá o que vier, veio depois de meses e meses de paixão deixada em campo. Já vos vimos assim. E não pode ter sido fogo de vista.

A vida nem sempre nos dá destas oportunidades. Regozijemos. Este ano fomos ao Inferno e voltámos. Com o mesmo coração com que o fizemos respondamos, no final, à pergunta: “o que nos falta?”. Nada.

Uma estrela que merece bem melhor

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cab nba

Nos últimos anos, nos desportos que mais adoro, tenho sentido que dois atletas estão constantemente no topo da lista para melhores jogadores do mundo. No futebol temos Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, no basquetebol temos LeBron James e Kevin Durant. Ano após ano vemos estes atletas a dominarem por completo o seu desporto. O que é que isto leva? A que outros jogadores, por serem contemporâneos a estes “extraterrestres”, não estejam integrados na categoria de melhor jogador do mundo.

Agora, direccionando-me só para a NBA – nos últimos 6 anos, apenas três jogadores receberam tal honra, Kobe Bryant, em 2008, Derrick Rose, em 2011 e Lebron James, em 2009, 2010, 2012 e 2013.

Para variar, os atletas que lideram a corrida nesta época foram James e Durant. E pode-se dizer que, se nenhum se lesionar, ambos vão estar na corrida até ao fim e muito afastados de todos os outros concorrentes. Neste caso, devo referir o quão injusto é para outros jogadores que têm feito uma época quase paranormal.

Há um jogador que merecia estar pelo menos mais acima nesta lista, que é composta pelos 10 jogadores que, segundo os redactores da NBA, são os melhores; liderada actualmente por LeBron James e Kevin Durant, os outros concorrentes são, por ordem: Blake Griffin, Paul George, Stephen Curry, James Harden, Goran Dragić, DeMar DeRozan, Kevin Love e, por fim, Joakim Noah.

James passou para a frente de Durant logo após o confronto em que os Miami Heat, equipa de LeBron, levaram a melhor sobre os Oklahoma City Thunder. Depois de um mês em que o número 6 da equipa da Flórida jogou num nível típico de um super-herói. A estrela de Oklahoma, contudo, tem feito isso a época toda; depois da lesão de Westbrook, Durant tem vindo a carregar os Thunder às suas costas.

Bem, será necessário, antes de mais, traduzir a sigla “MVP” – Most Valuable Player. Este título é dado para o jogador que foi considerado o jogador mais “valioso” durante a época regular. Não basta jogar o basquetebol mais atractivo, nem marcar o maior número de pontos, ou defender melhor. Pode-se dizer então que para receber este título é fundamental que durante os jogos o atleta tenha de ser não só um elemento diferenciador. Tem de ser aquele em que todos os holofotes estão apontados, aquele que não treme quando o seu talento é chamado.

Kevin Love já recebeu uma medalha de ouro olímpica.
Kevin Love já recebeu uma medalha de ouro olímpica.
Fonte: Pictures.zimbio.com

As estatísticas são, por vezes, o que ajuda na diferenciação e, sendo assim, há um atleta que este ano tem preenchido grande parte dos requisitos anteriormente referidos. Kevin Love tem uma grande desvantagem perante todas as estrelas que estão à sua frente. Esse “problema” chama-se Minnesota Timberwolves. Se com alguma sorte os “Wolves” forem aos playoffs, será sem dúvida graças à maior estrela da equipa. No entanto, essa incapacidade de amealhar vitórias por parte da equipa de Minnesota é a principal razão para esta estrela não ser considerada como um dos melhores jogadores da liga.

Neste último mês que passou, Kevin Love marcou mais pontos que Kevin Durant, teve mais ressaltos que Dwight Howard e lançou melhor de três pontos que Kyle Korver. Para os mais distraídos, Korver está numa sequência de mais de 120 jogos consecutivos a marcar pelo menos um triplo (recorde da liga). Estas estatísticas são impressionantes. Desde o jogo dos All-Stars, Love tem números assombrosos: 35,8 pontos, 12,8 ressaltos e 5 assistências por jogo. Nesta sequência conseguiu fazer o seu primeiro triplo-duplo da carreira e recentemente ia conseguindo fazer o seu segundo. Durante esta época, Kevin já teve quase meia centena de duplos-duplos e cerca de 20 jogos em que marcou mais de 30 pontos. Estamos a falar de um jogador que lidera a sua equipa em pontos e ressaltos.

: Este duo dinâmico já garantiu algumas vitórias. Porém, para Love vingar terá de se despedir dos seus colegas de equipa.
Este duo dinâmico já garantiu algumas vitórias. Porém, para Love vingar terá de se despedir dos seus colegas de equipa
Fonte: Thesportsquotient.com

Se virmos as estatísticas acima referidas, apercebemo-nos que esta estrela mais que assumida passa despercebida por causa da sua equipa. Visto que a equipa dos “Wolves” não joga completamente direccionada para Kevin Love, podemos prever que se estivesse num grupo com mais talento ofensivo e que jogasse mais para ele e, principalmente, que vencesse mais jogos e tivesse na corrida aos playoffs, o número 42 seria um concorrente a sério para LeBron James e Kevin Durant.

É imprescindível para a sua carreira que Kevin Love mude de equipa o mais depressa possível. Isto se quiser vingar a sério na NBA.

O Sporting está imparável

cab futsal

A luta pelo 5º lugar está ao rubro! O Fundão venceu fora a equipa do Boavista e está a apenas um ponto da equipa axadrezada. Vitória sofrida, mas muito importante para o Fundão. Caso o Boavista vencesse, ficaria com quatro pontos de avanço, tornando o 5º posto quase garantido. Considero que foi bom isso não ter acontecido, porque assim a luta será muito mais renhida, enriquecendo o futsal.

Os pupilos de Belém alcançaram uma grande e importante vitória por 5-2, frente ao Póvoa Futsal, ficando a um ponto do 6º lugar, Fundão, e a dois pontos do 5º, Boavista.

A equipa dos Leões de Porto Salvo carimbou mais uma vitória, demonstrando a fantástica época que está a realizar. Venceram a lanterna vermelha Académica por uns consideráveis 6-0. De realçar o facto de os Leões de Porto Salvo estarem com o 4º lugar asseguradíssimo, serem uma equipa amadora e estarem a apenas quatro pontos do Braga. Tenho a certeza de que irão lutar afincadamente por um lugar no pódio e tornar a vida do 3º lugar mais difícil.

Empate a três bolas entre o Cascais e o Olivais. A equipa da casa manteve o 10º posto, mas o Olivais subiu para 12º, afastando-se das lanternas vermelhas Académica e Vila Verde, podendo respirar um bocadinho (por enquanto).

 

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Mais uma tentativa de marcar, desta vez por intermédio de Alan Brandi
Fonte: Record.xl.pt

Na deslocação ao terreno do último classificado, Vila Verde, o Benfica teve inúmeras dificuldades, acabando por vencer no último minuto. A equipa encarnada esteve a vencer por 2-0, mas Tiago Pinto bisou, estabelecendo o resultado em 2-2. Resultado injusto face ao caudal ofensivo encarnado e às poucas oportunidades da equipa da casa. O Benfica arriscou o 5 para 4, e o capitão Gonçalo Alves marcou no último minuto da partida, finalizando o resultado em 2-3. Vitória muito sofrida, contudo justa, para a equipa do Benfica, que sobe ao 2º lugar.

A equipa de Vila do Conde venceu o Modicus por 4-0. Com esta vitória, a equipa do Rio Ave tem cinco pontos de avanço face ao 9º lugar e está a apenas três do 7º, Belenenses.

Em Braga, disputava-se o 1º lugar da Liga SportZone. Antevia-se um jogo difícil, que poderia cair para qualquer lado, mas não foi isso que se sucedeu. Podemos afirmar que o Braga entrou muito mal no jogo ou que o Sporting entrou de forma espetacular. Aos 90 segundos, a equipa leonina já vencia por 2-0, mostrando toda a sua qualidade. O Sporting teve apenas de gerir o jogo e foi para o intervalo a vencer por 3-0. O Braga entrou mal na partida, falhou defensivamente, cometeu muitos erros e não conseguiu aproveitar as oportunidades de que dispôs para fazer golo.

Para a segunda metade, adivinhava-se uma significativa mudança de qualidade de jogo e de atitude por parte dos bracarenses. O Braga melhorou face à 1ª parte; todavia, a inspiração e qualidade leoninas estiveram ao seu mais alto nível, dilatando o marcador para uns impressionantes 6-0. A partir daí, o Braga arriscou tudo, conseguindo ainda marcar três golos que lhe darão ânimo para a sua deslocação ao Pavilhão da Luz. Esta vitória da equipa verde e branca é claríssima, mas não é uma má prestação do Braga que apaga a belíssima época até então realizada. Queria realçar o magnífico golo de João Benedito, demonstrando toda a sua técnica.

Caio Japa, uma das figuras do Sporting, ao bisar na partida Fonte: Abola.pt
Caio Japa, uma das figuras do Sporting, ao bisar na partida
Fonte: Abola.pt

 

A jornada 20 está terminada e, mais uma vez, assistiram-se a grandes jogos de futsal e a apenas duas mudanças na classificação. O Benfica subiu ao 2º posto e o Olivais saiu da zona de descida.

 

Fonte: Zerozero.pt
Fonte: Zerozero.pt

V. Guimarães 2-2 FC Porto: Quando é que isto acaba?

eternamocidade

Já são poucas as palavras que posso usar para, a cada domingo, escrever aquilo que é o FC Porto. Semana após semana, os 120 anos de história são manchados. Semana após semana, apenas as camisolas vão subindo aos relvados para mais uma jornada.

Caro leitor, não me esqueci do que aconteceu em Frankfurt. Sim, lembro-me perfeitamente da atitude que a equipa teve na segunda parte, mas também me lembro de mais três golos sofridos e de muitos mais erros defensivos, que se acumulam jogo após jogo. O apuramento para os oitavos-de-final da Liga Europa fazia finalmente parecer que a equipa ia dar o salto, mas, como em tantas outras ocasiões esta época, isso não aconteceu.

Sem Varela, Jackson e Mangala no onze, os portistas entraram bem no terreno, e aos 17 minutos, após grande penalidade assinalada pelo árbitro Marco Ferreira por falta sobre Carlos Eduardo, Ricardo Quaresma fez o primeiro dos portistas. O FC Porto começou a jogar com outra segurança e tranquilidade, e podia ter ampliado a vantagem pouco depois, com Ghilas a enviar uma bola à trave da baliza do Vitória.

Os minutos iam passando e, após mais uma oportunidade de Ghilas para fazer o golo, o Vitória de Guimarães começou a responder por intermédio de Maazou, que em duas ocasiões de cabeça podia ter dado outro destino à bola. Contudo, e apesar da reação vitoriana, foi o FC Porto a chegar ao 0-2 aos 41 minutos, num lance protagonizado por Ghilas, que, com um remate forte, fez Douglas aliviar a bola para o local onde Licá, com a baliza aberta, não teve dificuldade em faturar.

Quaresma e Licá foram os autores dos golos azuis e brancos  Fonte: Zero Zero
Quaresma e Licá foram os autores dos golos azuis e brancos
Fonte: Zero Zero

A vantagem parecia segura, e o jogo parecia controlado. Sim… apenas parecia, porque no último lance da primeira parte, Maazou, que foi o jogador mais perigoso dos minhotos ao longo dos primeiros 45 minutos, finalizou com sucesso uma jogada de insistência dentro da área dos dragões, aproveitando um atraso posicional de Abdoulaye para ficar em situação regular na hora do desvio para a baliza de Helton.

O golo motivou o Vitória, que ganhou uma nova esperança de chegar ao empate, o que acabou por conseguir logo no reinício da partida. Em mais um erro defensivo, Maazou não teve dificuldades em isolar Marco Matias, que, perante Helton, fez o 2-2 para a equipa da casa. O FC Porto via-se mais uma vez envolvido num emaranhado de erros e mais erros, deixando fugir mais uma vez uma vantagem no marcador. Apesar de estarem obrigados a ganhar para impedir os dois primeiros classificados do campeonato de aumentarem a distância, os dragões não conseguiam criar oportunidades, nem sequer incomodavam a defesa do Vitória de Guimarães. A exceção foi um remate de trivela com pouca força de Ricardo Quaresma.

No banco, Paulo Fonseca, que parece não ter aproveitado o Carnaval para se disfarçar de treinador, colocou Varela, Jackson e Quintero para procurar a vitória mas, como em tantas outras ocasiões, não conseguiu. Com mais coração do que imaginação e cabeça, a equipa parecia novamente assombrada pelos medos que a tem perseguido ao longo de toda a época. No banco de suplentes, Paulo Fonseca, de mãos cruzadas e olhar impotente, ia vendo uma equipa sem imaginação e ideias para contrariar aquilo que estava a acontecer. E pior não foi o resultado porque, aos 86′, Nii Plange enviou uma bola ao poste e Danilo acabou por tirar o terceiro ao Vitória na linha de golo.

Licá e Ghilas, hoje titulares, foram dos que mais lutaram  Fonte: Mais Futebol
Licá e Ghilas, hoje titulares, foram dos que mais lutaram
Fonte: Mais Futebol

O resultado aceita-se e mais uma vez a desilusão esteve no rosto portista. No final do jogo, só Helton foi dar a cara perante os adeptos. Fonseca, que na antevisão ao jogo havia dito que não conseguia explicar os erros defensivos, afirmou na flash interview que foi inadmissível o que aconteceu e que não consegue explicar mais um mau resultado. Olhando para tudo o que tem sido este FC Porto, acho que não é preciso dizer mais nada. Não há explicações nem razões que expliquem uma equipa como estas manchar aquilo que é ser FC Porto. Não há explicações nem significados que expliquem como Paulo Fonseca foi contratado para ser treinador de uma equipa tri-campeã nacional. Não há razão que me faça compreender como é que a dois meses de acabar a época ainda tudo parece na mesma. São 9 pontos para o primeiro lugar, 4 para o segundo e 4 para o quarto classificado. Confesso-lhe que já pouco me importa, porque nem para isso tenho, como diz o treinador do meu clube, explicação. A mim, só me resta perguntar: quando é que isto finalmente acaba?

Figura: Crivellaro
O médio vitoriano conseguiu pautar os ritmos do jogo e levar a equipa do Vitória para um empate que parecia impossível depois da desvantagem por 2 golos.

Fora-de-jogo: Abdoulaye
O central senegalês cumpriu o desejo de Rui Vitória… e deu mesmo barraca. Erro atrás de erro, foi apenas mais um entre a desorganização geral do setor defensivo e da equipa depois do 0-2.