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Dragão com uma veia goleadora mais estreita | FC Porto

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Golos… o grande desejo dos adeptos. O auge de um jogo de futebol. O grande objetivo do futebol baseia-se em marcar golos e evitar sofrê-los, mas o lendário Bobby Robson dizia, e bem, que a melhor defesa é o ataque. No FC Porto, na atual temporada, os golos não têm aparecido tão facilmente como nas épocas anteriores. A quatro partidas do fim da época desportiva, os dragões levam 94 golos marcados em todas as provas. Em 2019/2020 terminaram com 115, o que significa que as redes da baliza adversária balançaram mais 21 vezes do que na atual temporada, até ao momento. O porquê? Vamos analisar alguns aspetos.

Na temporada passada, o FC Porto conseguiu rentabilizar as bolas paradas ao máximo, o que se deve também à presença de Alex Telles na equipa. O lateral esquerdo tinha o dom de saber colocar a bola no sítio certo, seja de pontapé de livre para a área ou de grande penalidade. No campeonato 2019/2020, dos 74 golos que os azuis e brancos fizeram, 35 foram provenientes de lances de bola parada. Nesta temporada, apesar de Sérgio Oliveira ser um excelente batedor de pontapés de livres e penáltis, vimos um decréscimo de golos provenientes deste tipo de lances.

Contudo, a culpa de uma maior escassez de golos não pode ser depositada apenas nos avançados do FC Porto. Embora os quatro homens do setor mais ofensivo tenham marcado menos golos do que os da época passada, faltando quatro jornadas para o término do campeonato, podem ainda ultrapassar essa marca. Taremi (20) e Marega (12), Toni Martínez (cinco) e Evanilson (quatro), juntos levam 41 golos marcados em todas as competições, o que equivale a uma percentagem a rondar os 44% do total de golos da equipa. Já Moussa Marega (15) de 2019/2020, Tiquinho Soares (21), Zé Luís (10), Aboubakar (dois) e Fábio Silva (três), as cinco referências da frente na época transata, juntos fizeram 51 golos dos 115 marcados no total, ou seja, também cerca de 44% do total de golos.

Isto significa que 56% dos golos marcados pelo FC Porto acontecem por intermédio de jogadores que não pontas-de-lança. Sérgio Oliveira é o segundo melhor marcador do plantel e um dos principais contribuintes para esta estatística. O centrocampista português já leva 19 golos arrecadados em todas as competições (20% do total), ficando apenas atrás de Mehdi Taremi. 11 das 19 vezes que fez gosto ao pé foram através de grande penalidade. O que nos faz recordar outro caso da época passada, nomeadamente o de Alex Telles. O lateral-esquerdo ex-FC Porto era o especialista das bolas paradas e encarregou-se por fazer balançar as redes adversárias por 13 vezes, nove delas de grande penalidade.

FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Ainda assim, as grandes razões para a falta de golos do FC Porto foram a falta de criação de oportunidades e a baixa concretização. Frente ao FC Famalicão, os dragões venceram por 3-2, marcando mais de dois golos na partida. Algo que já não acontecia desde o encontro com o CD Nacional a 12 de janeiro de 2021, em que os portistas saíram vitoriosos por 2-4. Foram 24 partidas sem marcar mais de dois golos, o que acaba por refletir um número mais baixo de golos marcados. Poderá ser este indicador um alerta para a necessidade de caras novas na próxima época do FC Porto? Só Sérgio Conceição e a equipa técnica portista saberá.

Daniel Bragança: a teimosia de Rúben Amorim | Sporting CP

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Embora aprecie bastante as qualidades comunicativas e futebolísticas de Rúben Amorim, consigo também apontar-lhe lacunas no seu jogo e algumas teimosias. Para mim, a mais evidente é a pouca utilização de Daniel Bragança. É certo que o jovem tem sido utilizado mais regularmente nesta fase final do campeonato. Porém, o médio poderia ter tido mais oportunidades ao longo da temporada.

João Palhinha e João Mário foram donos e senhores do meio-campo leonino de 2020/2021. Os médios portugueses fazem par no corredor central do terreno na grande maioria dos jogos. Matheus Nunes foi o médio box-to-box suplente, uma espécie de arma secreta, que até foi decisiva nos jogos grandes. A utilização de apenas dois médios, em grande parte da temporada, deixou Daniel Bragança muitas vezes no banco de suplentes, tendo entrado por algumas ocasiões, nos minutos finais da partida.

Algures numa conferência de imprensa a meio da temporada, Rúben Amorim afirmou que a falta de minutos de Daniel Bragança não era culpa do atleta, mas sim dele e dos colegas de posição. Acredito que a utilização do sistema 3-5-2 não tenha sido apenas para aproveitar a qualidade do médio de 21 anos, mas também para explorar uma dinâmica de mais posse e menos procura da profundidade. Durante a utilização desta tática, Daniel Bragança atuou juntamente com João Mário na posição oito, onde mostrou a sua inteligência em campo, bem como a qualidade técnica, passe e as suas tão habituais fintas de corpo.

Daniel Bragança já foi denominado, durante esta temporada, de “estrelinha leonina”
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Houve certos momentos do jogo em que o Sporting CP se encontrou em desvantagem ou a precisar de marcar (recordo-me agora da partida frente ao FC Famalicão em Alvalade). Daniel Bragança chegou a desempenhar o papel de médio defensivo, substituindo João Palhinha, pelo que se verificou ser uma opção válida para o futuro. Não sendo exímio na agressividade nem no desarme, Ruben Amorim procurou ter um atleta organizador ao invés de destruidor de jogo.

No início da temporada, Rúben Amorim lançou Daniel Bragança numa posição mais avançada do terreno, juntando-o à primeira linha de pressão da equipa. Penso que, de todos os papéis que pode desempenhar no meio-campo, o de número 10 é aquele que lhe assenta pior. Felizmente, o treinador leonino percebeu isso a tempo. Daniel Bragança precisa de jogar de frente para o jogo, não de costas para a baliza adversária.

As características que mencionei anteriormente fazem-me concluir que o internacional sub-21 pela seleção portuguesa tem particularidades ímpares em relação aos restantes membros do plantel. A forma como o talento da academia de Alcochete tem um impacto significativo no jogo leonino, é reveladora do perfume que este traz, jornada após jornada. Com Daniels Bragança em campo, o Sporting CP está mais perto de ganhar – as estatísticas não enganam.

Como referi num artigo anterior em que fiz a comparação entre Matheus Nunes e Daniel Bragança, acredito (e quero acreditar) que o jovem leonino esteja a ser preparado para a eventual saída de João Mário, de modo a ter mais minutos na temporada que se avizinha. Este texto é tudo menos uma mágoa por ter visto Daniel Bragança menos vezes em campo do que aqueles que queria. Ruben Amorim fez as suas escolhas, e saberá melhor do que ninguém as razões para as mesmas. No entanto, como redator de sofá, com a impossibilidade de ver os jogos da bancada, vou escrevendo semanalmente uns bitaites sobre aquilo que penso sobre o universo leonino.

Mundial de Snooker 2021 | Capítulo 4: As meias-finais

A CRÓNICA: FINAL DE BOM PRENÚNCIO E DE PRONÚNCIA INGLESA

And then there were two… Shaun Murphy e Mark Selby são os sobreviventes da edição de 2021 do Campeonato do Mundo de Snooker. Os dois ingleses vão em busca do seu segundo e quarto título mundial, respetivamente. Com a vitória nestas meias-finais, “The Magician” Murphy garantiu a sua quarta final, tendo vencido a de 2005 e sido derrotado nas de 2009 e 2015, e garante a quarta vitória em cinco meias-finais do Mundial de Snooker (só foi batido nesta fase da competição em 2007, por… Mark Selby).

É precisamente o “Shark” que vai estar do outro lado da contenda derradeira pelo cetro. O “Jester from Leicester” vai em busca do tetra que lhe permitiria igualar John Higgins, na sua quinta final (só perdeu a de 2007, para… John Higgins). Murphy e Selby agendaram, então, encontro a quatro sessões (em teoria) após baterem Kyren Wilson (17-12) e Stuart Bingham (17-15), respetivamente, nestas meias-finais.

Das três meias-finais de Mundial que Murphy venceu anteriormente, uma também havia sido por 17-12; Shaun viria a vencer a final. Das quatro que Selby venceu até aqui, três também haviam sido conquistadas pelo homem de Leicester por 17-15; Selby viria a vencer as três finais. Isto significa que os resultados alcançados por ambos nestas meias-finais foram os mesmos que conseguiram em todas as ocasiões em que se sagraram campeões.

A série de um vai continuar, a outra irá ser quebrada. Já a Maldição do Crucible não o será tão cedo. A queda de Kyren Wilson garantiu que não teremos campeão inédito este ano e que, por consequência, não haverá quem possa quebrar no próximo Mundial a maldita Maldição (que dita que nenhum campeão mundial inédito consegue revalidar o título no ano seguinte – na Era Crucible, iniciada em 1977, nunca aconteceu).

A grande final terá lotação máxima e esgotada, com 980 pessoas de olhos fixos no pano verde a ver as bolas rolarem e precipitarem-se para os bolsos da mesa até um dos jogadores granjear para si o 18º e vencedor frame. Crucible com público, recorde de centenárias numa fase final do Campeonato do Mundo já quebrado (103), jogadores em forma e ex-campeões do Mundo em confronto, Snooker de enorme qualidade e emoção… What else?

Que venha a final e que traga consigo os 35 frames possíveis. E que ganhe o melhor. Nós, apaixonados da modalidade, já vencemos. Entretanto, vamos olhar para as meias-finais que nos deram esta grande final entre Mark Selby e Shaun Murphy.

UD Leiria 2-1 Vitória FC: Leirienses vencem sadinos em desvantagem numérica

A CRÓNICA: UM JOGO EM QUE A EFICÁCIA E A EXPERIÊNCIA FIZERAM TODA A DIFERENÇA…

A União de Leiria recebeu e venceu o Vitória FC no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em partida a contar para a segunda jornada da fase de acesso à Segunda Liga, Zona Sul, depois de uma derrota para a formação da casa e um empate para os visitantes na primeira jornada do playoff.

A partida começou com as formações a quererem imprimir intensidade no jogo, ainda que com um maior destaque para o lado do Vitória FC, mais pressionante e atrevido. O UD Leiria viu o seu jogo condicionado quando, à passagem do minuto 16’, Victor Massaia viu o cartão vermelho e deixou a sua equipa reduzida a dez unidades.

Numa primeira parte em que escassearam as oportunidades de golo, foram os sadinos quem dispuseram da melhor chance, à passagem do minuto 28’, mas Frederic Mendy não soube aproveitar. Já os leirienses tentaram responder e ameaçaram a baliza dos visitantes em cima do intervalo, mas também não conseguiram faturar.

No segundo tempo, a formação da casa entrou melhor na partida, tentado chegar com celeridade à baliza adversária e fazendo esforços para contrariar a adversidade de se encontrar com um homem a menos. O Vitória sentiu dificuldades em entrar no jogo e o Leiria acabaria mesmo por marcar, ao minuto 70’, por intermédio do central Diego Galo, após a conversão de um canto. A equipa da casa ganhou ainda mais confiança e acabou mesmo por chegar ao segundo golo, ao minuto 79’, por intermédio do recém-entrado Badará.

O Vitória tentou responder, enviando uma bola à trave da baliza defendida por Fábio Ferreira. A insistência sadina nos minutos finais deu frutos, chegando ao seu tento ao minuto 88’, após um autogolo de Fábio Ferreira, à imagem do que sofreu na jornada anterior, mas ainda assim foi insuficiente.

Posto isto, o UD Leiria aguentou o triunfo e subiu ao segundo posto do grupo da Zona Sul com três pontos, enquanto o Vitória FC passa a ocupar a última posição. O primeiro lugar é ocupado pelo CF Estrela, que venceu no reduto do SCU Torreense por 3-0.

 

A FIGURA

Diego Galo – O experiente central do UD Leiria foi preponderante no jogo, tanto no aspeto defensivo como ofensivo, tendo sido dele o primeiro golo da sua equipa, tento esse que colocou a sua formação numa posição mais confortável no marcador.

 

O FORA DE JOGO

Victor Massaia – O defesa da formação da casa foi expulso ainda dentro da primeira meia hora do encontro, tendo comprometido a sua equipa numa fase muito precoce do encontro. Apesar do triunfo da sua formação, a sua expulsão podia ter ditado um resultado negativo para a sua equipa.

 

ANÁLISE TÁTICA – UD LEIRIA

A formação orientada por Hélder Pereira apresentou-se num sistema tático base de 4-3-3. As saídas para o ataque foram muitas vezes orquestradas por Babanco, que atuou como médio mais recuado. A formação da casa viu-se privada de um jogador muito cedo na partida devido a expulsão, mas manteve-se compacta e solidária, acabando por arrancar um triunfo importantíssimo num jogo muito sofrido. A aposta em contra-ataques e ataques rápidos, bem como em situações de bola parada acabaram por fazer a diferença.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Fábio Ferreira (7)

João Dias (c) (6)

Babanco (7)

Leandro Antunes (6)

Afonso Caetano (6)

Kaká (6)

Victor Massaia (5)

Rui Gomes (6)

Andrézinho (6)

Diego Galo (8)

Perdigão (6)

SUBS UTILIZADOS

Dénis Martins (6)

João Paredes (6)

Iddriss (6)

Badará (7)

ANÁLISE TÁTICA – VITÓRIA FC

Os sadinos dispuseram-se no terreno de jogo num dispositivo tático base em 4-4-2 losango. Com uma pressão alta e agressiva ao portador da bola, o Vitória FC conseguiu criar perigo, roubando várias bolas ao adversário em zonas altas no terreno. A formação de Setúbal mostrou-se mais perigosa junto da baliza adversária, principalmente após ver o UD Leiria reduzido a dez unidades. Ainda assim, não souberam aproveitar as oportunidades para marcar, e acabaram por sair derrotados apesar da vantagem numérica que dispuseram durante uma hora de jogo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

João Valido (6)

Mano (6)

Bruno Ventura (6)

Frederic Mendy (6)

André Sousa (6)

João Serrão (6)

Nuno Pinto (6)

José Semedo (c) (6)

François (6)

Gonçalo Batista (6)

Zequinha (6)

SUBS UTILIZADOS

Rodrigo Pereira (6)

André Pedrosa (6)

Diogo Martins (6)

João Marques (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

UD Leiria

BnR: Tendo em conta que tem no plantel jogadores tão experientes como Babanco e Diego Galo, que fizeram um grande jogo, num momento de adversidade como este em que a equipa se encontra reduzida a dez num momento tão precoce na partida, se esses jogadores acabam por ter um papel fundamental no estado anímico da equipa e ajudar os colegas?

Hélder Pereira: Sem dúvida, que idade é que eles têm? Fiquei com a perceção que até tinham 20, 21, porque 35 e 37 não parecia deles. Foi fantástico, é fantástico ter jogadores destes no plantel.

 

Vitória FC

BnR: O Vitória FC entrou muito bem na primeira-parte, a controlar o jogo e a aproximar-se com perigo da baliza adversária e não conseguiu concretizar. Na segunda parte o UD Leiria entrou melhor apesar da desvantagem numérica, sente que os seus jogadores acabaram por acusar alguma ansiedade pelas oportunidades desperdiçadas?

Alexandre Santana: Eu não lhe chamaria ansiedade, até porque como disse e bem, entrámos melhor no jogo, temos uma oportunidade clara do Mendy e manda a bola por cima. Aparece no sítio e na hora certa e não consegue fazer o golo. Independentemente disso, acabamos por sofrer de bola parada, fecha-se, como todas as equipas deveriam fazer. Nós continuámos a conseguir chegar ao último terço do adversário, mas uma equipa que faz 29 cruzamentos, o que significa 29 bolas colocadas em zona de finalização, 18 remates, três limpos e claros dentro da área e não fazemos golo… Ainda assim, dá-me tranquilidade para o futuro porque as oportunidades são criadas e poderão acontecer a qualquer momento, acredito que não possamos falhar sempre. Preocupava-me mais se não chegássemos lá, e chegámos. Podemos é não ter tido a maturidade suficiente para as concretizar.  É continuar a trabalhar. Nada está perdido e nada está ganho.

FC Penafiel 0-0 GD Estoril Praia: Não foi desta que o Estoril fez a festa

A CRÓNICA: FC PENAFIEL ADIA A FESTA DA SUBIDA AO GD ESTORIL PRAIA

O FC Penafiel, atual oitavo classificado da Segunda Liga Portuguesa, recebeu o GD Estoril Praia para uma jornada importantíssima para o emblema “canarinho”. Em caso de vitória, os “estorilistas” asseguravam a subida de divisão, isto depois de FC Vizela e CD Feirense, dois dos principais candidatos à subida, empatarem na mesma tarde. No lado caseiro, o FC Penafiel entrava em campo com o objetivo de ascender à sétima posição e acabar esta reta final do campeonato da melhor forma.

A primeira grande oportunidade da partida surgiu através do capitão do Estoril Praia, após os dez minutos de jogo. Joãozinho avançou no terreno, recebeu a bola do lado esquerdo e, ainda fora de área, enviou um remate potente para uma excelente defesa do guardião do FC Penafie, Luís Ribeiro. Muito perigo no Estádio Municipal 25 de Abril, com o emblema do Sul a ameaçar abrir o marcador. Contudo, o FC Penafiel ia ganhando espaço no meio campo ofensivo e pressionava o Estoril Praia no ataque, ainda que não conseguisse nenhuma oportunidade de golo.

Embora o Estoril Praia estivesse mais atarefado na defesa, os pupilos de Bruno Pinheiro mostravam que podiam ditar o jogo caso quisessem. Num ataque rápido desde a defesa até à grande área adversária, o número nove, André Vidigal, teve todo o tempo para tirar um homem da frente e rematar em direção à baliza adversária. Luís Ribeiro não permitiu que a bola entrasse e com mais uma boa defesa afastou o perigo. Uma chamada de atenção para o FC Penafiel, que ia respondendo, ainda que com remates muito ao lado, como no caso de Bruno César, num primeiro momento e, posteriormente, Wagner.

O Estoril Praia dava o controlo da posse de bola ao FC Penafiel, mas a eficácia e rapidez da equipa visitante colocava os durienses em sentido. Ainda que houvesse uma grande vontade de jogar por parte das duas equipas, a primeira parte ficou marcado pelas várias interrupções não só para dar entrada à equipa técnica assim como na marcação de faltas. O jogo seguia para intervalo empatado a zero no marcador, com um FC Penafiel mais possante frente a um Estoril Praia mais certeiro na baliza.

A segunda metade começou sem qualquer alteração para ambas as equipas, mas com um Estoril Praia diferente da primeira parte, conseguindo ter mais bola. O FC Penafiel assumiu a postura do Estoril Praia da primeira parte e foi o primeiro a rematar à baliza através de um roubo de bola de Gustavo Henrique e consequente pontapé em direção à baliza de Luís Ribeiro, mas saiu ao lado. Por sua vez, minutos depois, após cobrança de livre indireto por Zé Valente, João Gamboa, de cabeça, rematou à baliza de Luís Ribeiro, mas a bola saiu um pouco acima.

Ao minuto 65, surgiu a primeira grande oportunidade para o FC Penafiel. Num lance pelo corredor direito, Ronaldo Tavares meteu a quinta velocidade e só parou na grande área para rematar, mas a bola embateu no poste direito. Ainda sobrara para Wagner, mas o número 11 enviou muito ao lado da baliza de Dani Figueira. O FC Penafiel não queria dar parte fraca e ia também progredindo no terreno ofensivo, mas sem conseguir criar uma ameaças em concreto. Robinho ainda tentou fazer o golo de longe da baliza, mas Dani Figueira estava atento e segurou facilmente.

O jogo ia-se repartindo e ambas as equipas ambicionavam chegar ao tão desejado golo, mas sem grande sucesso. Embora tenha havido alguns lances um q.b. mais perigosos, tanto por parte do emblema canarinho como do FC Penafiel, durante os noventa minutos o mais difícil foi acertar com a baliza. A última grande oportunidade seria protagonizada pelo GD Estoril e pelo recém-entrado Rosier, que rematou de cabeça depois de um pontapé de canto para o primeiro poste. O jogo terminaria 0-0 e a festa da subida do Estoril Praia SAD seria adiada para a próxima jornada. Quanto ao FC Penafiel, o ponto conquistado ajuda a manter a oitava posição na classificação, sendo este um bom resultado frente ao primeiro classificado.

 

A FIGURA

Luís Ribeiro – O guardião do FC Penafiel esteve bastante interventivo, principalmente na primeira parte. Os remates de Joãozinho e André Vidigal levavam selo de golo e Luís Ribeiro negou os dois tentos da equipa “estorilista”. Estas duas boas defesas e a estabilidade que deu à equipa no decorrer do jogo foram decisivas na partida, para além de a defesa do FC Penafiel ter estado também muito ativa.

 

O FORA DE JOGO

Miguel Crespo – É uma das figuras da equipa e habituou mal os adeptos do Estoril Praia e do futebol português. Hoje, o maestro do meio campo canarinho esteve um tanto quanto apagado e não extraiu todo o seu potencial para dentro das quatro linhas. Acabou por ser substituído a cinco minutos do fim para dar lugar a Rosier.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PENAFIEL

O emblema da casa entrara para dentro das quatro linhas com um esquema tático de 3-5-2 – Luís Ribeiro começara na baliza e à sua frente tinha Corona, Capela e Paulo Henrique. Simãozinho estava encarregue do fluxo ofensivo e defensivo do lado direito do FC Penafiel e do outro lado era Wagner quem assumia o mesmo papel. João Amorim, Bruno César e Gustavo Henrique eram os patrões do meio campo. Ronaldo Tavares e Robinho faziam a dupla de avançados dos rubro-negros.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Luís Ribeiro (8)

Pedro Coronas (7)

Capela (6)

Paulo Henrique (6)

Wagner (6)

Gustavo Henrique (7)

Bruno César (7)

João Amorim (6)

Simãozinho (6)

Ronaldo Tavares (8)

Robinho (7)

SUBS UTILIZADOS

Junior Franco (6)

Rui Pedro (6)

David Caiado (7)

Vinicius (-)

ANÁLISE TÁTICA – GD ESTORIL PRAIA

O Estoril Praia SAD entrou em campo com um sistema tática de 4-3-3, com Daniel Figueira na baliza, João Diogo do lado direito do setor defensivo e a dupla de Hugos (Gomes e Basto) no centro da defesa. No lado esquerdo da linha mais recuada posicionava-se o capitão Joãozinho. Quanto ao centro do terreno, Gamboa e Zé Valente compunham a primeira linha após a defesa e Crespo aparecia em terrenos mais ofensivos. André Vidigal estava mais descaído para o lado esquerdo do ataque estorilista, Aziz era a referência do ataque e no lado direito o dono era Harramiz.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Daniel Figueira (6)

João Diogo (6)

Hugo Gomes (6)

Hugo Basto (7)

Joãozinho (7)

Zé Valente (7)

Miguel Crespo (5)

João Gamboa (6)

André Vidigal (7)

Aziz (6)

Harramiz (6)

SUBS UTILIZADOS

Lazare Amani (7)

André Clóvis (6)

Bruno Lourenço (-)

Lorientz Rosier (6)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Penafiel

BnR: Olha para o marcador como um empate que sabe a pouco ou um bom resultado frente ao primeiro classificado?

Pedro Ribeiro: Como um empate que sabe a pouco, mas com humildade suficiente de reconhecer de que o jogo podia ter caído para um lado ou para o outro. O Estoril para além de ter uma excelente equipa e em termos individuais ter excelentes jogadores está num momento do campeonato que tem relativa tranquilidade em relação à forma como está no jogo. Portanto, admito que o jogo podia ter caído para um lado ou para o outro, até porque um zero a zero é isso que acontece, mesmo uma equipa estando a dominar claramente a outra. Este jogo foi um jogo equilibrado, mas com um ascendente da equipa do FC Penafiel, portanto é um empate que nos sabe a pouco.

 

GD Estoril Praia

BnR: Na primeira parte o Estoril não conseguia dominar na posse de bola, mas ainda assim chegava à baliza do Penafiel. A estratégia era dar a posse ao adversário para poder contra atacar ou houve mesmo uma maior dificuldade em conseguir ter bola?

Bruno Pinheiro: Nós nunca jogamos para o contra ataque e também não jogamos agora. Não é a nossa estratégia. Não conseguimos ter bola, ou porque havia um mau passe ou uma má receção, acabamos, na primeira parte, por dar muito oxigénio ao nosso adversário e intranquilidade a nós próprios. Foi muito demérito nosso e algum mérito do adversário.

«Pizzi teve a sorte de eu me lesionar. Ganhou a titularidade e atirou-me para o banco de suplentes» – Entrevista BnR com Caetano

Rui Caetano, 29 anos. Em estatura, possui mais três danoninhos que o pai, Augusto Caetano, antigo jogador do FC Penafiel e do SC Espinho. Um dos seus ramos, no universo empresarial, é o imobiliário. Portanto, não é por acaso apelidado de “um dos heróis da Capital do Móvel”, aquando da conquista do terceiro lugar na Primeira Liga. No mundial Sub-20, esqueceu-se de urdir a retenção de líquidos. Padeceu o corredor do hotel. Humildade à parte, é fruto da Geração Coragem. Afirma convictamente que Sérgio Oliveira daria um ótimo sócio. Admira Paulo Fonseca e declara que aprende a jogá-lo melhor sob a sua orientação. Não gosto de trespassar a linha que delimita o Algarve. Provocou Coloccini e sobreviveu!

-Infância, os primeiros passos e a estreia na Primeira Liga-

“Pizzi teve a sorte de eu me lesionar. Engrenou, ganhou a titularidade e atirou-me para o banco de suplentes”

Bola na Rede: Olá, Caetano! Se me permites a observação, eu considero muito estranho o facto de te apelidar desta forma; “Caetano” é um nome tão normal e comum como João e André. Não é estranho para ti ser denominado assim?

Caetano: Olá! O meu pai deixou uma marca no futebol e toda a gente o conhecia por Caetano. Para os amigos, era “Nel”. Para os adeptos e no mundo do futebol, era Caetano. Eu fiquei com o nome dele, as pessoas foram me chamando Caetano. A família, os amigos e as pessoas que em conhecem desde pequeno chamam-me Rui. Contudo, no futebol, foi sempre Caetano.

Bola na Rede: Tens preferência por essa designação?

Caetano: No Penafiel, muita gente me tratava apenas por Rui. Eu cresci e estudei naquela cidade. Então, os próprios colegas também me chamavam por Rui. Isso é – de certa forma – engraçado porque, no futebol, chamarem-me Rui era diferente e eu, sinceramente, gosto mais de Rui. É mais pessoal (risos).

Bola na Rede: Antes de falarmos de ti, vamos dirigir um bocadinho o foco para o teu pai: a pessoa que te trouxe ao mundo. Aposto que, um dia, fizeste uma traquinice, ele te colocou imediatamente de castigo e te obrigou a seguir a carreira de futebolista, não!? Conta lá…

Caetano: Não, não, não, não (risos). O meu pai, ao contrário da maioria dos pais, não queria que eu fosse jogador de futebol. Ele vivia o futebol intensamente e também sabia que a minha maior paixão era o futebol. Porque sempre o acompanhei desde cedo (primeiro como jogador, depois como presidente). Mas ele nunca quis que eu enveredasse por aí. Aliás, um dos maiores motivos que me levou a terminar a carreira foi o facto de o meu pai querer que eu seguisse com ele a vida imobiliária e a vida empresarial. Nunca me deu muita força para jogar futebol…

Bola na Rede: Ficas contente por saber que o teu pai é mais baixo do que tu? Ele deu-te mais dois ou três Danoninhos, não?

Caetano: (risos). Ele é mais baixo do que eu, é verdade! Dois centímetros de diferença! À beira dele, sinto-me calmeirão! Brincamos muito um com o outro… acaba por ser muito engraçado porque ele é mesmo ligeiramente mais baixo do que eu! E não é fácil encontrar pessoas com a mesma estatura que a minha (risos). Mais cinco minutos e era anão na barriga da minha mãe (risos).

Bola na Rede: Realizaste a formação futebolística no FC Porto, na íntegra. Que momentos guardas com maior saudade?

Caetano: Guardo o balneário. Tenho muitas saudades do balneário. Saudades das palhaçadas, dos meus colegas de equipa e daqueles momentos antes do treino. Tenho saudades também de ter a bola no pé. Acho que era um jogador tecnicamente evoluído e dava-me imenso prazer contactar com a bola. Mas depois a minha vida é tão agitada e tenho tanto com o que me entreter, que nem me lembro de futebol. Às vezes à noite, quando estou a ver um joguinho ou assim, vem aquela saudade. E olha, do jogo propriamente dito, não tenho saudades nenhumas. Eu tinha muita pressão e bastava falar-se na palavra “jogo” que ficava logo cheio de pressão. E hoje, sem o futebol, sinto-me mais livre, sem essa pressão diária.

Bola na Rede: Chega, finalmente, a temporada 2010/2011. Estreias-te na Primeira Liga ao serviço do FC Paços de Ferreira. Na altura, tiveste outras propostas que não os “castores”?

Caetano: O meu último ano de júnior (2009/2010) foi ao serviço do FC Porto e foi fantástico. Fiz muitos golos, não havia equipa B e, por essa razão, era muitas vezes chamado à equipa principal com o mister Jesualdo de Ferreira. Então, no fim dessa mesma época, tive duas propostas de dois clubes da Primeira Liga. Não é fácil a passagem de júnior para sénior e, felizmente, tive a sorte de poder optar por uma dessas duas equipas. Mas sim, tive outras propostas. Recordo-me de uma muita boa (UD Almería) de Espanha, de Primeira Divisão. Mas eu nunca quis jogar longe de casa porque também desde muito cedo que estive metido nos negócios da família, sempre fui muito ligado à minha namorada, aos meus amigos e à própria família. Penso que isso prejudicou – em parte – a minha carreira…

Bola na Rede: Finalizas a primeira temporada nos castores com 16 jogos e um golo. Começas a temporada como suplente, adquires a titularidade a nove jornadas do término…

Caetano: (risos). Isso está mal, isso está mal. Fiz os seis primeiros jogos a titular, fiz a minha estreia contra o Sporting CP com o mister Rui Vitória e depois tive uma lesão grave em Setúbal e fui obrigado a parar durante cinco meses. Quando regresso, o extremo esquerdo era o Pizzi. Ele chegou mais tarde do que eu, mas teve a sorte de eu me lesionar. Engrenou, ganhou a titularidade e atirou-me para o banco de suplentes. Depois acabei a época dessa forma…

Bola na Rede: A lesão veio estragar os teus planos, certamente. Esperavas maior utilização?

Caetano: Não, repara… Sempre que estive disponível, dei o meu contributo. Antes de me lesionar, fui sempre titular. Depois de me lesionar, salvo o erro, fiz um ou dois jogos para salvar a época. Se não jogava de início, pelo menos entrava sempre. Sempre fui uma aposta do mister Rui Vitória. Ele não teve medo de me lançar! Na altura, era muito bom a entrar porque mexia muito com o jogo! Os adeptos empurravam, tenho saudades disso! De aquecer na Mata Real. Recordo esse ano com muita satisfação, pois foi uma temporada muito positiva, apesar de ter sido operado ao ombro. No final da época até vou ao Mundial Sub-20…

Bola na Rede: O público já atenuava essa pressão de que falaste no início?

Caetano: Nunca passei isso para fora. Hoje, já é fácil falar disso. Como eu, todos os jogadores têm, só não falam. Dentro do campo, esqueci tudo. Era um menino. Nessa altura, tinha menos pressão, não tinha responsabilidade nenhuma. Entrava, só queria ir para cima do adversário, forçar o um para um. Era muito acarinhado enquanto jogador do Paços, toda a gente gostava de mim. Provavelmente por ser baixinho (risos).

Força da Tática | L de líder, L de Lille

Precisamente 10 anos após o seu último campeonato nacional, com algumas prestações francamente pobres pelo meio, o Lille OSC lidera o campeonato francês superando todas as expectativas e quando faltam apenas três jornadas para o final do campeonato.  Se a equipa de Christophe Galtier conseguir efetivar os seus intentos, será apenas o 4º título da história do clube, mas será um título muito saboroso, até pela conjuntura atual do futebol francês, onde uma equipa apresenta meios financeiros e estruturais muito superiores às restantes.

11 base*:

Guarda-redes: Mike Maignan

Defesas: Zeki Celik; Jose Fonte; Botman, Reinildo

Médios: Luiz Araujo, Andre, Soumare, Bamba

Avançados: Burak Ylmaz, Jonathan David

*Jogadores também regularmente utilizados: Timothy Weah, Renato Sanches, Jonathan Ikone e Yusuf Yazici

Vamos então analisar o modelo de uma equipa que conta com uma forte presença portuguesa, tanto no plantel como na equipa técnica.

Apesar de ter um sistema tático muito dinâmico e com muitas mudanças e trocas estruturais, a sua base assenta num 4-4-2, que muitas vezes se comporta como um 4-2-2-2 com os extremos a ocuparem um posicionamento mais interior e a largura a ser assegurada pelos laterais. A sua dupla central de meio campo é essencial no momento de construção, já que são estes a “catapultar” todo o jogo da equipa, principalmente pela capacidade de explorarem a velocidade dos avançados ou dos jogadores que preenchem os corredores.

Como mencionei, a construção é feita a quatro, neste caso os dois centrais mais os dois médios centro, com os laterais em posicionamento médio, preparando a projeção assim que a primeira linha de pressão seja ultrapassada. Os dois médios jogam quase sempre baixos no terreno. Os extremos, partindo das laterais, quase sempre resvalam para um jogo mais interior, o que permite preencher o meio-campo nos locais deixados “vagos” pelo posicionamento baixo dos médios centros.

No que diz respeito aos avançados, estes jogam muito na pressão à linha ofensiva adversária, através do aproveitamento dos espaços abertos pelo posicionamento interior dos extremos. A velocidade e capacidade técnica dos mesmos, permitem ainda que a equipa possa explorar os momentos de transição, com uma taxa muito interessante de aproveitamento neste tipo de jogadas.


A organização defensiva é talvez o momento mais forte da equipa, sendo uma das melhores defesas do campeonato francês. Os avançados, como mencionado, pressionam os centrais adversários, tentando impedir um bom enquadramento no corredor central (isso foi especialmente notório no jogo com o PSG). Os médios podem assumir uma marcação mais à zona ou mais individual de acordo com o adversário.

A linha defensiva, está regularmente posicionada numa fase mais alta do terreno, tendo sempre especial atenção ao controlo da profundidade e da largura, sendo muitas vezes os laterais a fazerem pressão ao jogador do corredor, o que provoca por vezes a existência de “libero” organizando a linha defensiva num 1+3.

A grande arma da equipa do Lille OSC, além da concentração e motivação pela possibilidade de conquista de um trofeu que parecia impossível há uns anos atrás, é a sua flexibilidade tática. Isto torna-os uma equipa muito interessante de ver e de estudar, dado que os jogadores nunca estão estáticos nas suas posições, tornando todo o jogo muito fluido. Destaque para a época fantástica do central e capitão José Fonte e do matador Burak Yilmaz, que apesar da idade, continua a somar exibições, golos e assistências que poderão ser decisivas para o título.

Em jeito de conclusão, o Lille OSC tem sido uma equipa muito forte, principalmente nos jogos grandes (já venceram AC Milan, Lyon e PSG, por exemplo), graças ao entusiasmante e inovador modelo tático aplicado por Christophe Galtier.

Conseguirá segurar este ponto de vantagem e fazer história?

Casa Pia AC 0-0 Académico de Viseu FC: Nulo importante na manutenção

A CRÓNICA: JOGO ENTEDIANTE DÁ PONTO AOS PUPILOS DE VISEU

A primeira parte foi sempre equilibrada, tanto na posse de bola como na quantidade de oportunidades e ataques perigosos. Do lado do Casa Pia AC, nota para um livre muito perigoso do inevitável Jefferson, um falhanço “à boca da baliza” de Camilo e um remate ao lado de Jota no coração da área. O Académico de Viseu FC não quis ficar atrás e também esteve perto de marcar por duas vezes: Jeremias Puch isolou Paul Ayongo e este quase finalizava, mas viu a sua chance ser retirada na “hora H” por Matheus Dantas. Um primeiro tempo sempre um pouco lateralizado pelas duas equipas e pouco intenso, mas com algumas oportunidades e uma ligeira superioridade da equipa da casa.

O segundo tempo decorreu de forma semelhante ao primeiro, mas desta vez com ligeira superioridade do conjunto de Viseu. Apesar de quinze, vinte minutos mais aborrecidos, o aproximar do final do jogo e as substituições de ambos os treinadores agitaram e partiram um pouco o jogo. O conjunto orientado por José Silva podia mesmo ter aberto o marcador através de dois remates de média distância de Ayongo e Carter, que deram calafrios à equipa da casa. A equipa da cidade de Lisboa respondeu com um remate do recém-entrado Diego Medeiros depois de vários ressaltos e, perto do apito final, quase que chegava ao golo através de um autogolo de um defesa viseense. Com este resultado, o Casa Pia garante a manutenção e o Académico fica seis pontos acima da linha de água, à condição.

 

A FIGURA

Jeremias Puch – O médio argentino de 21 anos emprestado pelo River Plate foi o jogador mais esclarecido com bola e ofereceu um claro lance de golo a Ayongo. Surpreendeu a sua substituição a meio da segunda parte. Num jogo com poucos destaques individuais, foi dos poucos que quis animar o jogo.

 

O FORA DE JOGO

Anthony Carter – A referência ofensiva do Académico mostrou sempre ser uma linha de passe viável, principalmente através de diagonais nas costas da defesa, mas esteve sempre desinspirado quando a bola chegava aos seus pés. Esperava-se mais para um jogador da sua qualidade.

 

ANÁLISE TÁTICA – CASA PIA AC

A equipa de Filipe Martins apresentou-se num 4-4-2 com dois médios, dois extremos puros e dois avançados móveis. Apesar das substituições, o sistema e as dinâmicas permaneceram semelhantes, com um jogo bastante lateralizado.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Lucas Paes (6)

Jefferson (6)

Jota (6)

Christian (7)

Camilo (6)

Zach (6)

Banjaqui (6)

Matheus Dantas (7)

Martins (6)

Vítor Gonçalves (7)

Saviour Goodwin (6)

SUBS UTILIZADOS

Vitó (7)

Diego (7)

Malik (6)

Zolotic (7)

 

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICO DE VISEU FC

A equipa de José Silva também se apresentou num 4-4-2 com uma referência junto à defesa e dois médios à frente. Contudo, um dos extremos juntava-se ao avançado Carter, potenciando a largura do lateral esquerdo. Um jogo também bastante lateralizado, principalmente no flanco direito.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ricardo Fernandes (6)

Pica (7)

Fábio Santos (7)

Diogo Santos (6)

Yuri Araújo (7)

Jeremias Puch (8)

Carter (5)

André Carvalhas (6)

Joel (5)

Mesquita (6)

Paul Ayongo (7)

SUBS UTILIZADOS

Zimbabwe (6)

João Vasco (6)

Luisinho (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Casa Pia AC

BnR: Apesar do empate caseiro, a manutenção já estava matematicamente assegurada. Considera que o principal objetivo foi alcançado ou ambicionava algo mais para a presente época desportiva?

Filipe Martins: “O nosso objetivo foi sempre a manutenção o mais cedo possível, de modo a prepararmos a próxima época de maneira diferente. E é nesse sentido que estamos a fazê-lo, estamos já a pensar muito na próxima época. Temos que trabalhar pelas vitórias até ao fim, de forma a atingir o segundo objetivo, que é ficarmos o mais acima possível da tabela.”

 

Académico de Viseu FC

Não foram feitas perguntas ao treinador, José Gomes.

ATP 250 Estoril Open 2021 #5 | Ramos-Vinolas sai de Portugal com 3.º título da carreira

Depois de uma semana recheada de bons encontros e, infelizmente, também algumas desistências por motivos físicos, o britânico Cameron Norrie (número 50 do ranking ATP), responsável pela eliminação de João Sousa (103.º) na primeira ronda, e o espanhol Alberto Ramos-Vinolas (46.º) emergiram vitoriosos das suas metades do quadro para marcarem encontro numa final que iria coroar o sexto campeão do renovado Estoril Open, em outras tantas edições.

Naquela que foi uma final entre dois esquerdinos, a segunda da temporada, depois do torneio de Córdoba, em que Ramos-Vinolas saiu derrotado, o espanhol, que já foi número 17 do mundo, tentava chegar ao terceiro título na carreira, enquanto o britânico, participava apenas na sua segunda final ATP, com o objetivo de se estrear como campeão de singulares na categoria principal do circuito masculino.

O mais credenciado e experiente dos dois finalistas partiu para o encontro com vantagem no confronto direto, com duas vitórias em dois embates, ambos em terra batida. De referir que o tenista de 33 anos se apresentou na final como o jogador com mais vitórias (15) no pó de tijolo esta temporada, enquanto Cameron Norrie surgia em terceiro na lista de tenistas com mais vitórias em toda a época, com 18 encontros ganhos.

CONSISTÊNCIA SUPERA PODER DE JOGO

Tal como se antevia, o encontro começou desde cedo a ser dominado por longas trocas de bola. Ao terceiro jogo, surgiram os primeiros pontos de break para o britânico, na sequência de alguns pontos menos conseguidos por parte do espanhol. Ainda salvou dois, mas acabou mesmo por ceder o serviço com uma dupla falta. No entanto, Ramos-Vinolas acabaria por recuperar de imediato o break no jogo seguinte.

Nos duelos de direitas, o antigo Top 20 mundial levava a melhor, enquanto nas batalhas de esquerda era Norrie quem tinha a supremacia. Ainda assim, apesar de serem dois tenistas mais conhecidos pela sua consistência do fundo do court, ambos entraram no encontro a tentar assumir o controlo do ponto, o que originou mais erros do que o habitual, sobretudo do lado do número 50 do mundo, com um poder de fogo inferior em relação ao espanhol.

As longas trocas de bola foram-se acumulando ao longo da primeira partida e deixaram, por diversas vezes, os dois tenistas ofegantes. O vento também começou a entrar em ação e obrigou a que tivessem de ajustar o seu jogo para lidar melhor com as condições. Com mais dificuldades nos seus jogos de serviço, Norrie continuou a salvar pontos de break e a manter-se colado ao experiente espanhol.

O número 50 do mundo soube resistir e, assim que surgiu a oportunidade, voltou a quebrar o serviço de Ramos-Vinolas a 4-4 e ganhou a possibilidade de servir para fechar a primeira partida. O espanhol acusou o break e com vários erros não forçados facilitou a vitória por 6-4 de Cameron Norrie no primeiro set.

REVIRAVOLTA APÓS ASSISTÊNCIA MÉDICA

A segunda partida começou de forma errática por parte de ambos os tenistas, com alguns erros incaracterísticas, intercalados por pontos bem conseguidos. À imagem do primeiro set, voltou a ser Norrie a adiantar-se no marcador, com um break ao terceiro jogo de serviço, após o qual, Ramos-Vinolas teve de ser assistido na zona do adutor.

Quando tudo parecia encaminhado para o 3-1, o britânico desperdiçou uma vantagem de 40-0, fez três erros não forçados de forma consecutiva e foi forçado a entrar num longuíssimo jogo de serviço, com quase dez minutos de duração. Ao quinto ponto de break, Norrie cedeu mesmo e deixou o espanhol fazer o 2-2. No jogo de resposta seguinte, o número 50 do mundo voltou a chegar ao 0-40, mas não aproveitou nenhum dos break points e viu Ramos-Vinolas passar para a liderança no set.

Claramente a acusar o momento e o facto de ter estado perto de se colocar numa posição muito favorável para conquistar o seu primeiro troféu de campeão, Norrie perdeu o serviço aos 4-3 e viu o espanhol fechar, ao serviço, o segundo set por 6-3.

SC Praiense 0-0 SC Olhanense: Falta de eficácia insular dita nulo

A CRÓNICA: SUPERIORIDADE DO SC PRAIENSE NÃO SE TRADUZIU EM GOLOS

Na Praia da Vitória, SC Praiense e SC Olhanense defrontavam-se na segunda jornada da Série 8 da Fase de acesso à Liga 3. Os leões do Algarve deslocavam-se aos Açores com objetivo de conquistar os primeiros três pontos nesta nova fase e, do outro lado, os encarnados da Praia da Vitória, procuravam continuar com os bons resultados, após uma vitória por duas bolas a zero na primeira jornada, frente ao Real SC. Esperava-se um duelo equilibrado entre duas grandes equipas, que certamente proporcionariam um bom espetáculo.

A equipa da casa começou mais atrevida, com mais posse de bola e a jogar adiantada no terreno, contudo, a equipa de Olhão mostrava que não vinha aos Açores passear e, quando tinha oportunidade, criava perigo em transições ofensivas.

Com o decorrer do tempo, a formação praiense ia ficando cada vez mais dona e senhora do jogo. Tinham cada vez mais bola no meio campo adversário e, por pressionarem muito alto no terreno, conseguiam recuperar a bola em zonas adiantadas. Os visitantes continuavam a errar na primeira fase de construção e o Praiense ia crescendo no jogo, no entanto com poucas situações reais de perigo.

A primeira grande situação de golo foi criada perto da meia hora de jogo, Lassana Mané desmarcou Leonel Aubán, que foi à linha e cruzou para a área onde estava Erik, que conseguiu dominar, rodar e rematar, fazendo com a bola passasse a centímetros do poste esquerdo da baliza de Galli. No entanto, o Olhanense não se acanhou e criou, logo de seguida, outra grande ocasião de golo; Diogo Martins conduziu, tocou para a direita e, após um grande corte de Freire e um par de ressaltos, a bola sobrou para Ruster, que apareceu na cara do golo, mas bateu mal na bola, mantendo assim o nulo no marcador. A faltar um quarto de hora para o intervalo, a partida aquecia na Praia da Vitória.

O susto fez bem ao Olhanense, que subiu no terreno e teve mais bola, conseguindo assim somar um par de cantos e de remates ao registo. O jogo estava partido e, numa transição, Erik foi travado em falta perto da linha da área. O livre cobrado por Tchaoule quase deu em golo; bola bem batida passou, novamente, muito perto do poste, num dos últimos lances da primeira parte.

A segunda parte começou e voltou a superioridade dos da casa. Aos 50 minutos, nova falta sofrida por Erik à entrada da área e, desta vez, foi o mesmo que bateu o livre. Um belo remate em jeito para o lado do guarda-redes só parou no poste e o SC Praiense voltou a estar perto de inaugurar o marcador.

A turma de Pedro Lomba, após o lance do livre, entrava numa nova fase de domínio inofensivo, sem criar situações de grande perigo. Com o decorrer de tempo e com a entrada de Jaílson Gomes, o SC Praiense procurava ir à conquista dos três pontos, no entanto, um certo cansaço sentido pela equipa da casa fez-se notar e o Olhanense começou a acreditar que conseguia fazer moça e Caleb, num remate após ressalto, esteve perto do golo à entrada no último quarto de hora do jogo.

Um SC Praiense na busca do golo e um SC Olhanense mais atrevido, prometiam um fim de jogo escaldante. Francisco Batista, mal entrou, atirou perto da baliza de Nuno Silva e o Olhanense acreditava cada vez mais que era possível chegar aos três pontos. O SC Praiense também mostrava que queria a vitória e, a dez minutos do fim, Erik protagonizou um dos melhores lances do jogo, fez um chapéu ao gigante Coppola e, depois, de primeira e à entrada da área, atirou para uma grande estirada de Galli. O jogo estava vivo, imprevisível e o podia pender para qualquer lado.

No entanto, a vivacidade durou pouco e, nos minutos finais, houve muito coração e pouca cabeça, um pouco devido ao cansaço sentido por ambas equipas. O último fôlego foi dado por Bruno Silva, após um remate à entrada da área, que obrigou o guardião da equipa de Olhão a sujar (ainda mais) o equipamento. Empate a zeros na Praia da Vitória, que divide os pontos entre açorianos e algarvios.

A equipa do Olhanense, mais pragmática, à procura do ponto, acabou por ser feliz frente ao Praiense que, apesar de ser superior durante grande parte do tempo, não conseguiu traduzir a superioridade em golos. Após uma primeira parte de sentido único, onde só deu Praiense, na segunda parte, o Olhanense equilibrou mais a partida e, perto do fim, mostrou-se mais atrevido e perto do golo. Na próxima jornada, Amora FC e Real SC estão no caminho de SC Praiense e SC Olhanense, respetivamente.

 

A FIGURA

Bruno Silva – Grande jogo do médio centro do Praiense. Foi dos mais inconformados, soube sempre sair a jogar, teve um grande acerto no passe, recuperou vários bolas no meio campo e ainda teve três ou quatro pormenores de encher o olho. Para além disso, esteve muito perto do golo no final da partida. Seria a recompensa pelo grande jogo.

 

O FORA DE JOGO

Primeira fase de construção do SC Olhanense na primeira parte – A equipa de Olhão, sobretudo durante a primeira parte, demonstrou grandes dificuldades a sair a jogar. Ora falhava passes por causa da pressão do Praiense, ora falhava passes por faltas de concentração. Sem conseguir sair a jogar desde trás, a defesa de Olhão procurou o passe longo que, muitas das vezes, também não teve grande sucesso.

 

ANÁLISE TÁTICA – SC PRAIENSE

A equipa de Pedro Lomba montou-se no seu habitual 3-5-2. Com Rúben Freire e Emanuel Ribeiro a atuarem como médios exteriores, os encarnados da Praia criavam perigo nas alas, também muito por causa da mobilidade dos seus avançados, Erik e Aubán.

Na primeira parte, Tchaoule tratava de intercetar tudo o que havia para intercetar no meio campo e ainda conseguia ter disponibilidade para, juntamente com os dois avançados, criar um trio muito dinâmico e que muita dor de cabeça deu à defensiva de Olhão, sobretudo quando tentavam construir jogo.

Aos 15 minutos da segunda parte, saiu Hélder Almeida, Tchaoule recuou para o lado de Bruno Silva, Aubán assumia a posição de médio ofensivo e Jailson Gomes era o novo parceiro de ataque de Eric. Esta troca acabou por ditar o abrandamento da equipa da Praia da Vitória, que passou a deixar mais espaços no centro do terreno e, com algum cansaço acumulado, deixou de ser tão pressionante como tinha sido até então.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Nuno Silva (6)

Rúben Freire (7)

António Alves (6)

Jimmy Tchaoule (7)

Pedro Araújo (6)

Emanuel Ribeiro (6)

Bruno Silva (8)

Hélder Almeida (6)

Lassana Mané (7)

Leonel Aubán (7)

Erik (6)

SUBS UTILIZADOS

Jaílson Gomes (6)

Daniel Pereira (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – SC OLHANENSE

Edgar Davids organizou a sua equipa num 5-2-3 quando não tinha a posse e num 3-4-3 quando protegia o esférico. Mais preocupados em não sofrer do que em marcar, o Olhanense, quando atacava, procurava fazê-lo em transições rápidas, tentando tirar o máximo proveito dos espaços deixados pelo SC Praiense.

Face à grande pressão dos insulares, o Olhanense mostrava dificuldades a sair com qualidade da primeira zona de construção. Depois de uma boa entrada dos adversários, o Olhanense juntou mais as suas linhas e dificultou o jogo entrelinhas da equipa da Praia. Com a entrada do gigante italiano Coppola para o centro da defesa, a equipa de Olhão ganhou mais poderio físico atrás e, perto do fim, tratou de criar mais ocasiões de perigo junto à baliza praiense.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ricardo Galli (7)

Pedro Albino (7)

Luis Cortez (6)

Celso Leitão (6)

André Dias (6)

Gustavo Pinto (6)

Diogo Martins (7)

Tiago Dias (6)

João Gomes (7)

Ruster (7)

Juan Martín (5)

SUBS UTILIZADOS

Alessandro Coppola (7)

Caleb (6)

Francisco Batista (7)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SC Praiense

BnR: Boa tarde mister, num jogo em que o SC Praiense foi, durante grande parte do tempo, superior, sente que o cansaço foi o principal fator que acabou por ditar a divisão de pontos?

Pedro Lomba: O cansaço não permitiu que atingíssemos desequilíbrios, que provocássemos roturas, que chegássemos mais fortes naquilo que era a pressão, naquilo que podia ser o roubo da bola quando tínhamos o vento a favor e podíamos aproveitar as segundas bolas. O adversário, quando batia, ficavam com a segunda bola. Tivemos um desgaste físico exatamente porque, já que na segunda parte tivemos uma equipa que nos fazia marcação individual ao campo todo, tentámos criar desequilíbrios fazendo trocas posicionais e, depois, na perda de bola acabámos por estar desequilibrados muitas vezes, o que nos exigiu um esforço extra ao que a equipa normalmente faz e depois é o que estás a dizer. Tem influencia no resultado, mas não é o principal fator, o principal fator acabou por ser a má decisão, porque o que levou a esse desgaste, na primeira parte o que levou a não conseguir atingir melhores situações de golo e na segunda parte o que nos levou a ter esses desequilíbrios, foram sempre más decisões com bola e quando tens estas más decisões com bola, acabas sempre por sofrer.

 SC Olhanense

BnR: Com a entrada de Alessandro Coppola, o que pretendeu acrescentar à equipa?

Edgar Davids: Exatamente o mesmo que tínhamos antes, porque entrou para um lugar de um médio que jogou noutra posição, por isso nada mudou.