Início Site Página 10998

V. Setúbal 2-2 Sporting: O desprezo pela justiça

Permitam-me um ponto prévio: o jornalista, agente activo no fulcral meio que é a comunicação social, tem a responsabilidade de relatar o sucedido sem omitir fracções essenciais ao desenvolvimento da história que conta, não é? Pois bem, assim será. Ouve-se muito dizer que os jornalistas e/ou comentadores desportivos devem centrar-se no ocorrido dentro das quatro linhas, nomeadamente no que os jogadores das duas equipas fazem. E era, de facto, assim que devia ser. Se o futebol se centrasse no que se passa nas quatro linhas e se fosse exclusivamente o trabalho dos jogadores que influencia o resultado. Hoje, não foi. Hoje, é impossível escrever sobre o Setúbal vs Sporting sem nos centrarmos no trabalho da terceira equipa, que provavelmente não o sabe, mas é mesmo a terceira. Aos consagrados e acomodados jornalistas que escrevem sobre o futebol sob o romântico lema de que apenas as tácticas influenciam os resultados finais: cabe a nós este exercício de denúncia, sempre que ele se justifica.

O Sporting não fez o melhor dos seus jogos. Que daqui não se retire que não merecia ganhar. Porque quem faz três golos legais e não sofre nenhum passível dessa legalidade, nunca merece qualquer outro resultado que não a vitória. Entrou com algumas surpresas no 11; entrou, diria eu, com um grito de igualdade e confiança de Leonardo Jardim para com dois substitutos que justificaram esta titularidade com uma exibição sólida na anterior partida. Falo, claro está, de Slimani e Gerson Magrão, titulares nos lugares de Montero e André Martins. Slimani tem justificado esta titularidade quase sempre que é chamado, tendo a desvantagem de existir uma outra boa e diferente opção para o seu lugar. Gerson beneficiou da descida gradual de rendimento de André Martins.

Slimani respondeu com mais um golo à titularidade  Fonte: Zerozero
Slimani respondeu com mais um golo à titularidade
Fonte: Zerozero

No jogo, o Setúbal apresentou, através dos seus dinâmicos e jovens jogadores, um futebol fluído e que dificultou ao Sporting a imposição do seu tipo de jogo habitual. Quando com bola, João Mário – o melhor em campo, para mim -, Zequinha e Ricardo Horta deram muitas dores de cabeça aos jogadores leoninos. Sem ela, toda a equipa orientada por Couceiro exerceu uma pressão assinalável, nomeadamente na primeira fase de construcção que passa muito, como se sabe, por William Carvalho. Assim, o Sporting foi forçado a optar por um jogo mais directo que, no fim de contas, até beneficia as características de Islam Slimani, mas que impossibilita o controlo que por certo Leonardo Jardim esperaria.

Muito embora o rendimento do Setúbal estivesse a ser bastante positivo, foi o Sporting o primeiro a chegar ao golo. Heldon cruzou, muito bem, para a área onde Slimani respondeu com um excelente cabeceamento defendido por Kieszek que, no entanto, largou a bola e possibilitou a Adrien a recarga para o fundo das redes. Foi ridiculamente invalidado um golo onde Adrien está bem atrás do último defesa no momento do remate de Slimani. Primeiro erro gravíssimo da equipa de arbitragem a prejudicar os leões.

Pareceu ser, ainda assim, esse o momento de viragem na primeira parte. O Sporting acordou e, pouquíssimo tempo depois, foi a vez de Cédric executar um cruzamento milimétrico de pé esquerdo a que Slimani respondeu com mais um grande remate de cabeça. Foi novamente defendido pelo guardião contrário, mas o fiscal de linha entendeu que já o fez dentro da baliza. As imagens impossibilitam quaisquer certezas pelo que tem de ser dado o benefício da dúvida. 0-1, mas devia estar 0-2.

João Mário,emprestado pelo Sporting, foi um dos melhores em campo  Fonte: Zerozero
João Mário,emprestado pelo Sporting, foi um dos melhores em campo
Fonte: Zerozero

Com o intervalo pouco mudou. Slimani voltou a estar perto do golo, depois de um canto batido por Adrien, mas foi a equipa de José Couceiro quem chegou ao golo, através de Rafael Martins. O avançado estava em fora-de-jogo aquando do passe e, por isso, o golo deveria ter sido anulado… pelo mesmo fiscal que anulou mal o tento de Adrien na primeira parte. 1-1, mas devia estar 0-2. O encontro prosseguiu dividido, com muito recurso ao jogo aéreo e directo, que me parece beneficiar pouco a formação leonina excepto quando nos últimos 30 metros, onde Slimani faz a diferença. Talvez por isso, considero que a junção de Montero e Slimani, se bem trabalhada, pode ser uma solução a ter em conta no futuro.

Leonardo Jardim não demorou a reagir e colocou o avançado colombiano em campo. Talvez por consequência directa ou não, o Sporting esteve perto do golo por várias vezes. Foi ele próprio, Montero, quem quase marcou um golaço depois de um chapéu ao guarda-redes polaco do Setúbal e, mais tarde, Capel que proporcionou uma grande intervenção ao mesmo Kieszek. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura, e o Sporting acabou por chegar ao 1-2, depois de Adrien converter uma grande penalidade bem assinalada sobre Capel. 1-2, mas devia estar 0-3.

O jogo parecia terminado, mas a equipa de arbitragem considerou ter ainda pernas para o que restava dos 90 minutos. Só assim se explica a marcação do penalty de Cédric depois de um mergulho de Zequinha, mesmo em frente ao árbitro principal. Na conversão, Ricardo Horta não tremeu e bateu Rui Patrício. 2-2, mas devia estar… 0-3. Dito isto, que mais há a dizer?

A Figura – João Mário: O jovem médio da formação leonina esteve em grande frente ao clube com o qual tem contracto. De capacidade técnica bem acima da média e com uma mobilidade e poder de choque muito assinaláveis para quem tem tão pouco tempo de primeira liga, foi ele quem pautou todo o jogo do Vitória de Setúbal. Para o ano ficará no plantel do Sporting e será uma forte possibilidade para o 11.

O Fora-de-jogo – Equipa de arbitragem: Nem sequer é justo individualizar o árbitro principal ou qualquer dos fiscais de linha porque houve tantos erros que é fácil dividi-los por todos eles. O Sporting tem várias partidas em que é justo o seu direito à indignação, mas esta foi aquela em que existiram mais lances que merecem críticas.

Benfica 2-0 Estoril: O fantasma morreu cedo

benficaabenfica

Jogo previsivelmente complicado na Luz, onde 56 mil almas marcaram presença para ajudarem o Benfica a arrumar o fantasma de Maio passado. À semelhança do que aconteceu nesse jogo, o Benfica iniciou o jogo em alta rotação, ciente da importância do jogo e da qualidade do adversário – afinal, o Estoril é a segunda melhor equipa a jogar fora de casa no campeonato português. Mas a diferença e o início do enterro do fantasma começou logo aos 6 minutos: canto de Gaitán e Luisão cabeceou certeiro para o fundo da baliza de Vagner. O mais difícil estava conseguido. Pouco tempo depois, Rodrigo finalizou de primeira após cruzamento de Siqueira em vinte minutos já se registava 2-0 no marcador. Enorme suspiro de alívio para os adeptos benfiquistas, bem recordados da também boa entrada no jogo em Maio passado mas não materializada em golos.

Na primeira parte, pouco perigo a equipa visitante criou. Não obstante a maior posse de bola (40% contra 60%), o Estoril não fez um único remate nos primeiros 45 minutos. Esse só veio aos 51, por Bruno Lopes, com Oblak a controlar o lance. Lima fez o 3-0 após excelente envolvimento atacante do Benfica mas o auxiliar de Paulo Baptista viu um fora-de-jogo inexistente e anulou. Daí para a frente, o Benfica, como tem sido sua marca esta época, controlou o jogo de forma exemplar, não permitindo grandes aventuras aos estorilistas. Num remate fora da área, Lima testou a atenção a Vagner, que pouco depois responderia com uma excelente defesa a boa jogada de Rodrigo, concluída com pé direito.

Apenas nos últimos quinze minutos o Estoril voltou a incomodar a defensiva encarnada. De livre directo, e após ressalto em Garay, Evandro atirou ao poste da baliza de Oblak. Estrelinha de campeão? Talvez. Mas para a história fica um jogo de grande qualidade do Benfica, que cedo aproveitou as oportunidades que criou e assim facilitou a árdua tarefa que teve pela frente. Assente na segurança defensiva – 1 golo sofrido nos últimos 16 jogos – e no excelente controlo de jogo, os 7 pontos de vantagem para o Sporting são a luz ao fundo do túnel do título. Está mais perto do que antes desta jornada? Sem dúvida. Mas na próxima temos um jogo de elevada dificuldade na Choupana, que só um resultado favorável no Sporting – Porto poderá atenuar.Estamos perto do 33º, mas ainda falta. Antes, visita a White Hart Lane, onde se pede a Jorge Jesus uma gestão inteligente e ponderada, como tem feito até agora.

Luisão apontou o primeiro golo do Benfica Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Luisão apontou o primeiro golo dos encarnados
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

A Figura
Gaitán – Esta águia agradece voar nas asas de Nico Gaitán. Em momento de forma assombroso, joga, desequilibra e faz a equipa jogar. É dele a assistência para Luisão no primeiro golo.

O Fora-de-Jogo
Estoril – Não retirando mérito à extraordinária temporada que tem feito, esperava mais do Estoril hoje. Boa circulação de bola mas que não foi concretizada em verdadeiros lances de perigo.

Jogadores que Admiro #15 – Ronaldinho Gaúcho

jogadoresqueadmiro

Desde pequenos que aprendemos que em desporto o mais importante, para além de participar, é divertirmo-nos. Nos dias que correm, olhamos para a televisão e raramente vemos sorrisos sinceros no futebol. Aliás, quase que aposto que poucos são os jogadores que se divertem. Uma vez que a modalidade tende a ser vista cada vez mais como um negócio, a felicidade deixa de ser um factor de escolha. Por exemplo, Assou-Ekotto já disse que não “adora” o desporto. Contudo, um dos jogadores que mais admiro é a personificação da alegria no futebol.

Quando li os textos anteriores desta rubrica, apercebi-me de que muitos deles começavam com o autor a escrever, num tom nostálgico, sobre o momento em que viram o atleta a jogar primeira vez. No entanto, não me lembro muito bem de quando é que vi este homem a jogar pela primeira vez. Muito sinceramente, por mais que me esforce, simplesmente não consigo. Sei que foi muito graças a Ronaldinho Gaúcho que comecei a gostar mais de futebol.

Com um dos sorrisos mais conhecidos do mundo, o astro brasileiro foi o atleta que melhor representou o estilo de jogo do “joga bonito”. O futebol de bairro que Ronaldinho praticava é, até hoje, inigualável. Centenas tentam imitá-lo e as mesmas centenas falham.

Não sei como nem quando, mas lembro-me de estar sentado na minha sala a ver um jogo do Paris Saint-Germain e de ver um jogador magrinho com os dentes tortos que se estava sempre a rir. Sem tocar na bola, Ronaldinho, limitava-se a acompanhar as jogadas de ataque. De repente tocou no esférico. Perdi-me ao ver o seu toque de bola.

Pouco tempo depois foi o Mundial de 2002. O Brasil venceu a final por 2-0, com dois golos de outro grande “fenómeno” do futebol brasileiro, Ronaldo. Contudo, o jogador que mais me fascinou foi mesmo aquele que tinha o número 11 na camisola. O seu número (10) estava então ocupado por Rivaldo.

Ronaldinho Gaúcho recebeu a Bola de Ouro em 2004 e 2005  Fonte: UOL
Ronaldinho Gaúcho recebeu a Bola de Ouro em 2004 e 2005
Fonte: UOL

Até então, ver o PSG era raro para mim. Foi aí que Ronaldinho se apercebeu das minhas dificuldades para ver os seus jogos e acabou por se transferir para o Barcelona. É indiscutível que foi no “Barça” que a estrela brasileira realmente brilhou. Ganhou a Bola de Ouro por duas vezes, ganhou o campeonato e também a “Supercopa”.

Mas chega de títulos porque o que Ronaldinho fez, pelo menos no meu ponto de vista, transcende qualquer taça levantada. O brasileiro apaixonou milhões e, acima de tudo, mostrou que o futebol pode ser vivido com a mesma alegria com que as crianças jogam diariamente à frente das nossas casas. Aquela inocência que os mais novos trazem quando fazem uma peladinha é a mesma que o antigo número 10 do Barcelona demonstrava jogo atrás de jogo.

A partida que melhor recordo aconteceu em 2005 contra o Real Madrid. O Barça venceu 3-0 com dois golos carimbados pela maior estrela, na altura, do futebol brasileiro. Ronaldinho Gaúcho conseguiu o impensável e foi aplaudido de pé pelos adeptos da equipa rival.

Ronaldinho Gaúcho é, sem dúvida, um dos jogadores que mais admiro, por tudo o que representou e ainda representa.

Lyon: Les Gones

0

ligue 1

O Olympique Lyonnais tal como o conhecemos hoje é um clube relativamente novo, criado apenas em 1950. Antes disso era conhecido como Lyon Olympique Universitaire, tendo este aparecido em 1899.

Admito que o Lyon é um clube que sempre me fascinou. Muito antes da compra do PSG e do Mónaco por magnatas estrangeiros, num curto espaço de tempo o Lyon apareceu, cresceu e floresceu dentro da Ligue 1. A nível europeu, alcançou um sucesso moderado: não tendo nunca conquistado nenhuma prova internacional, foi durante muitos anos uma presença assídua na Liga dos Campeões, tendo mesmo chegado por três vezes aos quartos-de-final da competição e sendo eliminado nas meias-finais pelo Bayern de Van Gaal na época de 2009/2010, que acabou por cair na final contra o Inter do nosso José Mourinho.

Muito do sucesso do clube deve-se ao seu dono e presidente Jean-Michel Aulas, que desde que adquiriu o clube em 1987 fez um trabalho de gestão fenomenal, transformando o Lyon, clube de divisões inferiores até então, num sério candidato ao título francês ano após ano. O clube atingiu o seu momento mais alto no início deste novo milénio, quando foi heptacampeão de 2002 a 2008, um recorde da Ligue 1. Destes fabulosos sete títulos, quatro foram conquistados por Paul Le Guen (2002-2005), dois por Gérard Houlier (2006-2007) e o último por Alain Perrin (2008). Além dos campeonatos, o Lyon conquistou cinco Taças de França, uma Taça da Liga e oito Supertaças – nada mal para um clube criado em 1950 que, antes de subir à Ligue 1 definitivamente, conquistou por três vezes a Ligue 2 (segunda divisão francesa).

Mas Aulas fez muito mais que do isto: tornou o Lyon no segundo clube com mais adeptos de França, juntamente com o PSG e apenas atrás do Marselha. Cerca de 11% da população francesa torce pelo Lyon. Mais uma vez, nada mal para um clube com apenas 64 anos. Além disto, em 2009, devido a Aulas o Lyon foi considerado o clube mais rico de França – ninguém tinha mais lucro que o Lyon na Ligue 1, então considerado o clube mais valioso do país e o décimo terceiro mais valioso do mundo, estando avaliado em aproximadamente 257,6 milhões de euros. Com a compra do PSG e do Mónaco esta alterou-se, mas o Lyon faz claramente muito mais com muito menos, preferindo formar os seus próprios jogadores ou comprar barato para eventualmente vender caro a gastar balúrdios em transferências.

Foram muitos os grandes talentos que o Lyon desenvolveu e que ajudaram ao crescimento do clube, tanto a nível nacional como internacional. Para nomear alguns apenas, temos Essien, que custou ao clube aproximadamente 8 milhões de euros e acabou por render mais de 30 quando se transferiu para o Chelsea de José Mourinho; Mahamadou Diarra, que fazia parelha com Essien no meio-campo do Lyon campeão e foi vendido ao Real Madrid por 26 milhões de euros; Tiago, que custou 10 milhões de euros quando foi comprado ao Chelsea e após ser bicampeão em França rendeu 13 ao transferir-se para a Juventus. Mais: temos o exemplo de Benzema, Abidal, Malouda, Coupet ou Gouvou como jogadores franceses que despontaram no clube, tendo rendido ao Lyon aproximadamente 70 milhões de euros. Talvez o jogador que melhor represente os anos dourados desta equipa seja Juninho Pernambucano, um jogador fabuloso que esteve no Lyon durante a conquista dos sete títulos e é considerado por muitos como o melhor marcador de bolas paradas da história. Juninho não foi o único internacional brasileiro a passar pelo Lyon. Cris, Nilmar, Fred e Sonny Anderson jogaram lá e todos conquistaram títulos no clube.

Grenier e Gourcuff formam uma dupla invejável no actual meio campo do Lyon Fonte: leprogres.fr
Grenier e Gourcuff formam uma dupla invejável no actual meio campo do Lyon
Fonte: leprogres.fr

Estes jogadores são apenas alguns de muitos que passaram pelo clube e que ajudaram ao seu desenvolvimento e crescimento. Sendo que o Lyon não é campeão desde 2008 e não se tendo conseguido apurar para a Liga dos Campeões na época passada, a equipa continua recheada de talento – jogadores como Grenier, Gourcuff, Gonalons ou Gomis fazem parte do plantal principal – mas com a introdução dos “novos-ricos” PSG e Monaco na luta pelo título o Lyon tem agora a tarefa muito mais dificultada, tendo de assumir como principal objectivo a qualificação para a Liga dos Campeões e não a conquista do campeonato francês, pelo menos na época que decorre.

Os maiores rivais do Lyon são o Saint-Etienne (derby du rhône) o Marselha (choc des Olympiques), o Bordéus, o PSG e o Lille. Tirando o PSG, estes clubes encontram-se todos mais ou menos ao mesmo nível, lutando apenas por um lugar na Liga dos Campeões do ano que vem, não tendo capacidade para competir com jogadores como Ibrahimovic, Cavani ou Lavezzi. Se bem que conhecendo o Lyon e Aulas não demorará muito até que encontrem uma resposta para este problema e voltem a discutir a tão cobiçada Ligue 1, voltando a ser presença assídua nas edições anuais da Liga dos Campeões. Talvez isto aconteça a tempo da mudança do clube para o novo estádio, em 2015, quando trocarem o velinho Stade de Gerland pelo moderno Stade des Lumières, um recinto com melhores condições e com uma capacidade muito maior para acomodar as necessidades de um clube como o Lyon.

Estamos a pôr-nos a jeito

0

Topo Sul

Hoje, na véspera de um entusiasmante Benfica vs Estoril, aproveito a oportunidade de escrever sobre o meu Benfica para lançar um repto ao plantel encarnado.

Ao contrário de alguns benfiquistas, que legitimamente se atormentam com os fantasmas do passado, eu não sou daqueles adeptos que dão elevada importância ao passado, às estatísticas ou aos números. Sou mais de valorizar o momento actual das equipas e a sua performance nos últimos jogos. Olhando para aquilo que o Benfica tem vindo a demonstrar neste últimos jogos, é justo elogiar as prestações da equipa, sobretudo pela sua consistência, confiança e assertividade defensiva. Este Benfica, como já se percebeu, não está em campo para dar espectáculo, mas sim para amealhar pontos, e eu não condeno esta postura. De todo. Os adeptos querem vitórias que consequentemente lhe dêem títulos. São esses que ficam para a História do nosso grandioso clube. Aliás, no futebol actual o pragmatismo é um conceito cada vez mais valorizado pelas grandes equipas e parte dos melhores (veja-se Mourinho) é guiada por esse chavão.

Quem me conhece sabe que sou fã incondicional do futebol de posse. Delicio-me a ver o Barcelona a jogar e passei a idolatrar o Bayern de Guardiola. São equipas que, na grande maioria dos jogos, não tremem em campo. Não se sentem vulneráveis, pressionadas e sem confiança. A naturalidade com que os golos vão aparecendo faz com que os adversários se vão resignando aos poucos e que desejem que o massacre termine. Como já se percebeu, era um rapaz inteiramente feliz se o Benfica praticasse tal futebol. No entanto, sou consciente ao ponto de saber que tal desejo é utópico. Não porque o nosso plantel não tenha qualidade, mas porque não temos jogadores suficientes com essas características.

Benfica procura amanhã, diante do Estoril, a quinta vitória consecutiva para o campeonato Fonte: ZeroZero
Benfica procura amanhã, diante do Estoril, a quinta vitória consecutiva para o campeonato
Fonte: ZeroZero

Contudo, o facto de o Benfica não poder implantar tal futebol não significa que não possa ter a personalidade que está inerente a essas equipas. Esta personalidade a que me refiro não se prende com a gestão de jogo que a equipa tem feito nos últimos jogos, e que tem resultado, mas sim à forma como essa mesma gestão não é feita da forma mais correcta e ajustável.

Qualquer que seja, o adepto encarnado não pode aceitar que um clube como o Benfica se acomode com a vantagem mínima em quase todos os jogos, mesmo que seja em casa ou contra adversários visivelmente mais débeis. Enquanto o 1-0 se mantiver, os tais fantasmas do passado vão estar sempre presentes na mente dos adeptos e dos próprios jogadores e esse é um factor sempre prejudicial. Analisando, por exemplo, os últimos jogos para o campeonato- frente a Guimarães e Belenenses-, essa gestão de que falava foi cegamente seguida e as coisas poderiam ter seguido outro rumo. A justiça dos resultados é inquestionável, mas no mundo do futebol nem sempre é ela que impera. Como se diz na gíria popular: “estamo-nos a pôr a jeito” e só os benfiquistas sabem como é perigosa uma escorregadela nesta fase da temporada.

Assim sendo, aqui vai o meu apelo para as hostes encarnadas: meus amigos, não tirem o pé do acelerador. A jogar constantemente para segurar a vantagem, os empates vão acabar por aparecer e as possibilidades de entramos numa espiral recessiva são elevadas. A gestão dos jogos também se faz com investidas ofensivas que resultem em golos e que por sua vez garantam vantagens folgadas. Com as devidas diferenças, temos sempre o exemplo da época em que vencemos o último campeonato nacional. Os massacres que o Benfica impunha aos adversários deixavam-nos completamente de rastos e desacreditados. Hoje em dia, o contexto é diferente e, por isso, não estou a apelar a goleadas consecutivas. Estou sim a pedir vantagens mais folgadas e uma gestão do jogo baseada nos golos e não numa posse de bola muitas vezes desgarrada e periclitante. O pragmatismo a que me refiro também se aplica a esta filosofia. Uma equipa pode perfeitamente estar a controlar o jogo, mas ao mesmo tempo ganhar metros no terreno e assustar o adversário, sobretudo quando este é bem mais fraco que o Benfica. Naturalmente, quando faço este apelo não espero que seja aplicado em jogos contra oponentes da mesma valia que os encarnados, mas sim em jogos contra equipas de quem não se esperam grandes dificuldades.

Quem vê alguns do Benfica fica com a ideia de que se o adversário fosse mais forte poderia ter roubado pontos aos encarnados. De facto, essa análise não me parece tão descabida, sobretudo se recordamos alguns jogos desta temporada. Se é certo que o desacerto do adversário é muitas vezes motivado pela excelente organização defensiva da equipa – e esse  é um factor a ter em conta-, também é correcto afirmar que a equipa do Benfica têm de ser mais incisiva ofensivamente e criar mais oportunidades de golo que evitem o sobressalto constante em certos momento do jogo. Na verdade, Jorge Jesus parece partilhar desta mesma opinião e já alertou a equipa para o excesso de confiança, esperando que a mensagem tenha chegado ao jogadores.

Deste modo, e para terminar, espero este repto seja considerado já no jogo de amanhã com o Estoril e que o resultado seja uma vitória justa, mas simultaneamente convincente e autoritária para mostrar aos nossos perseguidores que este é o ano do glorioso.

Horribilis ou Mirabilis?

0

dosaliadosaodragao

Quando a rainha Isabel II de Inglaterra descreveu 1992 como o seu ano horribilis, teria motivos para isso. Desde divórcios na família real, passando por um incêndio no Castelo de Windsor até a um crescente desgaste, junto da opinião pública, da imagem da coroa britânica em virtude de casos de privilégios fiscais, muitos foram os acontecimentos que marcaram esse ano. Salvas as devidas distâncias, Março de 2014 bem que pode ser o mês horribilis do FC Porto.

Se Fevereiro terminou mal, Março começou ainda pior: com um empate em Guimarães e, em consequência, com a saída do treinador. E por mais que o abandono de Paulo Fonseca possa ser visto como o primeiro passo para a solução do problema (que, na realidade, vai muito para além do treinador…), a verdade é que ele não significa mais do que a assunção do fracasso de um projecto (seja lá isso o que for) como ele era perspectivado pela tríade Paulo Fonseca, Antero Henrique e Pinto da Costa.

Porém, voltando as atenções para o futuro e para o que este mês nos reserva, o cenário, para esta espécie de FC Porto, não é animador. Os Dragões têm pela frente Arouca (Campeonato, casa), Napoli (Liga Europa, casa), Sporting (Campeonato, fora), de novo Napoli (Liga Europa, fora), Belenenses (Campeonato, casa), Benfica (1ª mão da Meia-final da Taça de Portugal, casa) e, finalmente, Nacional (Campeonato, fora). Em suma, sete jogos importantíssimos (principalmente os próximos quatro) e que podem definir o rumo da época – mais ainda, sete jogos, dos quais apenas dois (Arouca e Belenenses) apresentam um nível de exigência menor.

Perante este quadro, o FC Porto parte, no entanto, com uma pequena vantagem em relação aos mais recentes encontros. A saída de Paulo Fonseca e a promoção de Luís Castro – um homem sério, competente e há muito tempo ligado ao futebol e ao FC Porto, pelo que perfeitamente identificado com a casa e, igualmente, com a causa Porto – representa um novo ânimo para a equipa. A chegada de um novo treinador, per si, daria sempre aos jogadores um novo estímulo, ao mesmo tempo que permitiria que voltassem a sentir-se cómodos a jogar, agora que o foco dos adeptos não é a contestação a Paulo Fonseca, que acabava inevitavelmente por fragilizar e inibir ainda mais a equipa, redobrando-lhe os índices de pressão. Todavia, a essa chicotada psicológica terá sempre de se seguir uma mudança dentro da lógica da própria equipa. Mais do que enveredar (de novo) por discussões meramente teóricas como o duplo pivot, importa que Luís Castro faça algo que Paulo Fonseca nunca (?) conseguiu fazer: passar a mensagem. Quer a nível interno, tornando a equipa mais organizada, confiante, segura de si e crente no processo, permitindo que os jogadores cresçam dentro dela; quer a nível externo, com um discurso mais consentâneo com aquilo que é a realidade do FC Porto.

Luís Castro. O novo timoneiro do Dragão  Fonte: A Bola
Luís Castro. O novo timoneiro do Dragão
Fonte: A Bola

Por outro lado, a transição de Luís Castro da equipa B para a equipa principal poderia representar algo que, todavia, parece não estar para acontecer, olhando para aquilo que é a lista de convocados para o jogo frente ao Arouca: a capitalização do trabalho feito na equipa B. Não é, certamente, por acaso que a equipa secundária do FC Porto está no topo da 2ª Liga; aliado ao bom trabalho levado a cabo pelo agora treinador do conjunto principal, emergem jovens com grande potencial, como são os casos de Rafa, Mikel, Tozé, Ivo, André Silva ou Gonçalo Paciência. Se assim quisesse, Luís Castro teria aqui uma dupla oportunidade: ao mesmo tempo que capitalizaria o trabalho que desenvolveu na equipa B do Dragão, promovendo alguns jovens com valor, isso constituiria um desafio às estrelas do plantel principal, algumas das quais notoriamente acomodadas e em sub-rendimento. A título de exemplo, obviamente que não se está a pensar numa troca directa e imediata de Alex Sandro por Rafa; mas até que ponto não seria útil Luís Castro dar oportunidade a jovens com imenso futuro e já com algumas provas dadas – para mais, todos eles com enorme vontade de envergar o manto azul e branco –, e que tão bem conhece, para espicaçar as maiores vedetas do plantel principal?

As mais recentes notícias dão conta de que Luís Castro é aposta da SAD do FC Porto para o que resta da temporada. Uma época que, na verdade, está ainda muito longe de terminar. Se a possibilidade de renovar o título nacional surge já muito longe, a realidade é que sobram duas Taças e uma Liga Europa para disputar. Ninguém pode exigir a Luís Castro que as vença. Mas o que qualquer adepto portista espera do novo timoneiro é que este seja capaz de agarrar o barco, catapultar a equipa e colocar em campo um FC Porto seguro de si, um FC Porto que volte a ser ameaçador a atacar e impermeável a defender – talvez, então, este Março de 2014 se transforme, afinal, num mês mirabilis.

O Passado Também Chuta: José Travassos

o passado tambem chuta

O meu Pai, conhecido por José Ilha, era sportinguista. Falava-me de Azevedo; Jesus Correia; Vasques; Peyroteo; Travassos e Albano. Mais tarde, conheci de vista um tal Manolo e rezava a lenda que era muito bom, mas tivera o azar de estar tapado pelo grande Albano. Este Sporting entrou na lenda e na mitologia do futebol português. Na época dos contos paternos sobre o seu Sporting vivia-se a irrupção do Eusébio no futebol português. O meu Pai, orgulhoso do seu clube e admirador do Travassos, dizia-me: ”tal como o Eusébio, o Travassos também foi raptado e escondido. O Porto queria ficar com ele e levou-o para o norte; escondeu-o porque o rapaz era leão. Davam-lhe muito dinheiro e emprego, mas o Travassos conseguiu enganá-los; regressou a casa dos pais e assinou logo pelo Sporting. Também lhe deu muito dinheiro e montou-lhe um negócio com outro violino; com o Vasques: a Cofril que se dedica ainda hoje aos frigoríficos”.

Nesse tempo, muitos futebolistas praticavam várias modalidades. O Travassos não era um desses e, na CUF, clube onde se estreou sendo bem menor de idade, praticava, além do futebol, o atletismo. Era um grande velocista e chegou a fazer os cem metros em onze segundos. Mas, o futebol é o futebol e ganhou a partida. Fazendo, finalmente, parte do Sporting Clube de Portugal chegou a hora da estreia. Chegou a hora de enfrentar o máximo rival: Sport Lisboa e Benfica. Batia à porta a época 46/47. José Travassos fez nada mais, nada menos do que três golos; o Benfica saiu com a pesada carga de 6-I. A seleção não se fez esperar; realizou trinta e seis jogos e corria o ano I955 quando recebeu um telefonema que encolhe e não deixa acreditar: estava convocado para defender a Seleção de Europa contra Inglaterra. A Federação inglesa comemorava o seu septuagésimo quinto aniversário.

O "Zé da Europa" era um dos "cinco violinos"  Fonte: novafloresta.blogspot.com
O “Zé da Europa” era um dos “cinco violinos”
Fonte: novafloresta.blogspot.com

O meu Pai relatava a convocatória pela Seleção de Europa como se tratasse de um feito próprio de um génio: ”jogou pela Seleção de Europa; foi o primeiro português a jogar com os melhores jogadores de Europa e não só jogou, como fez um grande jogo e depois deu-se ao luxo de criticar o comportamento de estrelas como Kopa e do Puskas. Quando regressou foi aclamado e automaticamente lhe puseram um nome especial: Zé da Europa. Era um centrocampista resistente que metia a bola para um companheiro pelo cu da agulha. Era fino e marcava grandes golos; um deles chama-se «roda de moinho»”.

O Zé da Europa ganhou mais de dez títulos com o Sporting, sendo oito deles campeonatos nacionais. O Sporting jamais teve tanta glória e jamais forjou tanta lenda. Hoje não se pode ver o Sporting sem ter em conta essa equipa fabulosa. O Sporting que venceu a velha Taça das Taças pode ser uma referência mas jamais terá a aura mítica que alcançou o Sporting dos cinco violinos comandados pelo José Travassos. As lesões produto da beligerância dos adversários foram uma constante; dos quatro meniscos, ficou sem três. Bateu o ano de I958 e disse adeus ao futebol. Nesse dia foi-se um dos quatro mitos do futebol português; primeiro foi o Azevedo; depois o Zé da Europa; seguidamente o Matateu e finalmente o Eusébio. Posteriormente, chegaram os Figos e os Ronaldos, mas esses não tiveram que passar além da Taprobana.

Novos motores, novos líderes

cab desportos motorizados

É verdade, a Red Bull não está a conseguir testar o carro desta temporada devido a problemas de motor, e esperam-se tempos negros para os lados da formação austríaca, que tem dominado nos últimos anos a F1.

Os motores Mercedes parecem estar melhor preparados à nova realidade do que os restantes, estando a própria Mercedes e a Williams, um saudoso regresso ao pelotão da frente, a ser as melhores equipas nesta pré-temporada. De facto, e apesar de os testes não serem totalmente conclusivos, parece que vamos ter os motores alemães que equipam as duas equipas já citadas, a McLaren e a Force India, a dominar o princípio da temporada.

É uma grande novidade, que só pode ser vista com bons olhos, pois o domínio da Red Bull era por demais evidente e, com os novos regulamentos, vai existir mais diversidade de equipas a poder lutar por vitórias nas provas, algo muito positivo.

Num plano intermédio estão os motores da Ferrari. A scuderia fornece motores às equipas Sauber e Marussia, além de à sua própria equipa, e pode dizer-se que estão num plano intermédio quando comparados com a Mercedes e Renault. Esta é uma temporada muito importante para a Ferrari, que vai contar com Alonso e Räikkönen. Os italianos querem regressar ao topo da modalidade, e este ano zero para todas as equipas é visto com grande interesse, visto que todos vão partir para algo novo, anulando assim as vantagens que existiam anteriormente.

A Martini regressa esta ano à F1 com a equipa Williams.

(Vejam a decoração da marca: http://autosport.pt/williams-martini-racing-revela-decoracao-para-2014=f119100)

Apesar de tudo, os motores Renault não são só problemas. A Caterhan tem conseguido rodar com o carro e tem evoluído em relação aos últimos tempos, algo não muito difícil, é certo. O problema tem sido as restantes três equipas: além da já citada Red Bull, a Renault equipa ainda a Torro Rosso e a Lotus. Estas equipas vão ter a vida muito difícil e não é de esperar grandes resultados na Austrália, estando mesmo no ar a dúvida sobre se os monolugares vão conseguir aguentar toda a corrida.

Dia 16 abre a nova temporada na Austrália, como habitual, e esperam-se muitas mudanças em relação ao passado recente. As mudanças nos regulamentos estão, para já, a surtir efeito.

Querido mês de Março

nascidonafarmaciafranco

Março chegou e com ele o sol por que todos ansiavam. As cidades enchem-se aos poucos de alegria, os sorrisos começam a rasgar as caras de quem sonha, de quem acredita que vai ser feliz. Mas o sol vai e volta sem que demos conta: assim são as desilusões. Quem me lê sabe que não deve confundir o meu fanatismo com o meu realismo. Eu sonho, é certo, acredito também, mas sei que a recta final pode levar outra vez o sol se o fôlego acabar antes da linha da meta.

Assim será Março:

Para o campeonato, começamos por receber em casa o Estoril. A equipa de Marco Silva, depois da excelente campanha que realizou no ano passado, chega este ano à Luz num merecido 4º lugar. Apesar de ter sido despida de jogadores como Steven Vitória, Luís Leal, Jefferson ou Licá, a equipa do Estoril traz mais do que um bom futebol ao Estádio da Luz. Traz o mediatismo daquilo que é o futuro de Marco Silva e traz o fantasma do ano passado (aconselho a leitura do artigo de ontem, escrito pelo João Rodrigues). Logo a seguir, uma deslocação genericamente difícil à Choupana para um embate com a equipa que morde os calcanhares ao Estoril-Praia. O Nacional da Madeira vem de uma série de empates mas tem um futebol coeso que não deixa a equipa madeirense perder para o campeonato desde que jogou, precisamente, contra o Benfica, em Outubro do ano passado. Os encarnados recebem depois a Académica em casa e fecham o mês em Braga.

O Benfica carimbou, frente ao PAOK, a passagem aos oitavos de final da Liga Europa Fonte: Maisfutebol
O Benfica carimbou, frente ao PAOK, a passagem aos oitavos de final da Liga Europa
Fonte: Maisfutebol

Fora do âmbito do campeonato, o Benfica vai jogar ainda mais duas competições: a Taça de Portugal e a Liga Europa. Apenas quatro dias antes do jogo contra o Braga, o Benfica disputa no Dragão a 1ª mão da Taça de Portugal frente ao FC Porto. Para além disso, depois de receber o Estoril, o Benfica vai a Londres defrontar o Tottenham e recebe os ingleses depois de vir da Madeira. São três jogos extra-campeonato que exigem saúde mental e física por parte dos encarnados. Aqui a balança vai sentir pela primeira vez este ano o peso de não deixar, por um lado, de parte aquilo que são os objectivos do Benfica – que é ganhar todas as competições em que está inserido – e, por outro, não deixar que esta ambição nos penalize, especialmente no que ao campeonato diz respeito.

Tenho, como já referi anteriormente, o plantel do Benfica como o mais forte do campeonato e o que oferece mais soluções. Sem querer ser pretensioso, chego até a crer que os encarnados têm quase dois “onzes” de raiz para atacar aquilo que são as suas ambições. A gestão, essa, cabe ao senhor de sempre. É São Pedro que nos dá este sol de Março, mas o sol de Maio, esse, terá de ser dado por Jesus.

A força Roja

0

Na passada quarta-feira disputaram-se grande parte dos últimos jogos de preparação para o Mundial de 2014 no Brasil. Portugal teve uma vitória convincente frente aos Camarões, e provou assim que é um candidato à final do Maracanã. Mesmo aqui ao lado, em Espanha, mais precisamente em Madrid, jogou-se uma partida entre dois dos mais fortes candidatos à tal final.

A seleção espanhola e a seleção italiana mediram forças no Vicente Calderón, num jogo que serviu para homenagear Luis Aragonés e, ainda, para oficializar Diego Costa como jogador da Espanha.

A Roja, como lhe gostam de chamar os espanhóis, fez um jogo à sua imagem: posse, controlo e circulação. Perante uma Itália “tímida”, a solidez defensiva e a mobilidade atacante da Espanha mostrou ser mais do que suficiente para ganhar o jogo, sem ser necessário “jogar a sério”. O extremo do Barcelona Pedro Rodriguez foi o autor do único golo da partida, aos 62 minutos, que ditou a justa vitória da Espanha.

A equipa comanda por Vicente del Bosque deixou boas sensações aos adeptos espanhóis, que aguardam com expetativa a conquista de mais um Mundial de Seleções. Na verdade, o otimismo dos nuestros hermanos tem muita razão de ser. Para além de evidenciar evidenciar um futebol extremamente eficaz –como prova está a conquista de dois Campeonatos da Europa e um Campeonato do Mundo, em 6 anos – e de grande personalidade, bebendo muito do perfume do futebol made in Barça, a Roja tem uma imensidão de jogadores de enorme talento. A lista é de tal forma extensa que até provoca inveja.

Qual será a lista final de Vicente del Bosque? Fonte: La Voz de Galicia
Qual será a lista final de Vicente del Bosque?
Fonte: La Voz de Galicia

Separando essa lista em dois grupos, num lado temos os convocados por Vicente del Bosque para o jogo frente à Itália, e no outro temos os jogadores que não foram convocados mas que são, claramente, opções de grande qualidade . Ora, vejamos:

Titulares/convocados:

Guarda Redes: Casillas; Valdés; Reina

Defesas: Sergio Ramos; Javi Martinez; Raul Albiol; Jordi Alba; Azpilicueta; Juanfran;

Médios: Busquets; Thiago Alcântara; Iniesta; Fàbregas; Pedro Rodriguez; Xabi Alonso; Navas, David Silva; Koke; Xavi; Cazorla;

Avançados: Diego Costa; Negredo

Não convocados:

Guarda redes: Diego Lopez; De Gea

Defesas: Piqué; Arbeloa; Carvajal;

Médios: Juan Mata, Isco; Javi García; Jesé Rodriguez; Illaramendi; Gabi;

Avançados: Soldado; Fernando Torres; David Villa; Rodrigo;

A primeira lista tem um total de 22 jogadores e a segunda contém apenas 15. O que perfaz um total de 37  atletas com capacidade para representar a Espanha ao mais alto nível.

Sabendo de antemão que Vicente del Bosque está limitado à escolha de 23 jogadores para levar ao Brasil, os critérios de seleção serão muito apertados. Como é óbvio, a experiência e maturidade de um determinado núcleo de jogadores, habituado à dinâmica da Roja, irá pesar na hora do técnico decidir a lista final.

O que é certo é que, aconteça o que acontecer, uma parte destes jogadores vão ficar de fora do Mundial do Brasil. É realmente espantoso e reflete bem a qualidade da geração de ouro da seleção espanhola.

Dito isto, acredito que, apesar do Brasil jogar em casa, da Alemanha ser um enorme potência futebolística, de Portugal ter Ronaldo e da Argentina ter Messi, a Espanha continua a ser a mais forte candidata à conquista do Mundial. Até porque, haverá alguma outra seleção no mundo com tamanho poder?