O Varzim Sport Clube tem sido uma das boas surpresas da Segunda Liga nesta temporada. Depois de uma época 2018/2019 em que o clube poveiro assegurou a manutenção de forma in extremis, o clube alvi-negro tem surpreendido ao ponto de se encontrar, actualmente, a sete pontos dos lugares de subida, ocupados respectivamente por CD Nacional e SC Farense.
Orientados por Paulo Alves, o técnico de 40 anos tem feito a equipa praticar um futebol de ataque, sendo, actualmente, a quarta equipa mais concretizadora da Segunda Liga, estando também, neste momento, nos quartos-de-final da Taça de Portugal, onde irá defrontar o FC Porto no Estádio do Dragão.
Na baliza, a equipa varzinista tem apostado no veteraníssimo Serginho. Aos 37 anos, o antigo guarda-redes de clubes como o Vitória SC e o CD Santa Clara conta com uma vasta experiência na Segunda Liga e faz da segurança, e presença entre os postes, as suas principais qualidades, numa baliza bem protegida pelos centrais Hugo Gomes e Luís Pedro.
Já no meio-campo, tem havido bastante rotação por parte de Paulo Alves, com Minhoca, Rui Moreira, Pedro Ferreira, Baba Sow e Chris Nduwarugira. Já no ataque, o principal destaque de toda a equipa tem sido o colombiano Leonardo Ruiz.
Leonardo Ruiz é o homem-golo da equipa Varzinista Fonte: Varzim SC
O avançado emprestado pelo Sporting CP tem-se reencontrado com os golos em terras varzinistas, tendo já feito balançar as redes adversárias por nove vezes na Segunda Liga (mais três golos marcados nas Taças), estando apenas atrás do brasileiro André Luís do GD chaves na lista dos melhores marcadores da competição.
Apesar de tudo, o ataque alvinegro não tem contado apenas com Leonardo Ruiz. De mira afinada também tem estado o inglês Levi Lumeka. O extremo formado no Crystal Palace tem sido uma das principais revelações da Segunda Liga, com seis golos marcados em 15 jogos. A acompanhar os dois atacantes, está, normalmente, o nigeriano Stanley.
Ainda restam 18 jornadas pela frente e a Segunda Liga é um campeonato muito competitivo, onde tudo pode acontecer. Mas dado que esta tem sido uma temporada mais positiva do que o habitual, os adeptos poveiros têm razões para sonhar com uma possível subida de divisão.
Dois “grandes” + seis “outsiders” = Oito candidatos a subir à tribuna do Jamor
Com SL Benfica e FC Porto ainda em prova e com um calendário “favorável” à chegada de ambos a uma final sempre escaldante, mentiria se vos dissesse que acho que será diferente disto. No entanto, uma coisa é certa: as meias-finais irão sempre ter um representante do segundo ou terceiro escalão do futebol nacional.
Numa Taça de Portugal que teve logo desde cedo muitas eliminações de equipas da Primeira Liga Portuguesa, temos a presença do Académico de Viseu FC e do Varzim SC (Segunda Liga Portuguesa), bem como do CF Canelas 2010 (Campeonato de Portugal). FC Paços de Ferreira, FC Famalicão e Rio Ave FC completam a lista de apurados para esta fase.
O sorteio “sorriu” – aparentemente – a SL Benfica e FC Porto, que jogam nos seus estádios contra Rio Ave FC e Varzim SC, respectivamente. Depois, temos um duelo de equipas da Primeira Liga Portuguesa na “Capital do Móvel”, com o FC Paços de Ferreira a receber o FC Famalicão e, por último, mas não menos importante, o Académico de Viseu FC recebe a maior surpresa desta fase da prova, o CF Canelas 2010.
FC Porto vs Varzim SC (terça-feira, 18h)
Jogo no Dragão, entre duas equipas em níveis de forma bastante diferentes, como não poderia deixar de ser. Por isso, espero um FC Porto a entrar em campo com algumas alterações no onze. Para já, três delas serão “forçadas”, como é o caso de Corona, Pepe e Nakajima. Depois, antecipo uma equipa titular com minutos para Renzo Saravia, Romário Baró (desde que já esteja em condições, fisicamente falando), Zé Luís (que tem perdido espaço para a dupla Tiquinho/Marega) e ainda Fábio Silva, o mais “cotado” dos jovens craques treinados por Sérgio Conceição.
O Varzim SC, colocando em campo a sua equipa mais competitiva, vai ao Dragão tentar fazer um milagre, que eu acho que não irá acontecer. A diferença de qualidade, mesmo com as “segundas linhas” azuis e brancas em campo, é muito grande. O objetivo será fazer algo como o CD Aves fez no Estádio da Luz no passado fim-de-semana: frustrar as tentativas dos homens da casa o máximo tempo possível, para que a impaciência tome as rédeas e consigam forçar um golo no contra-ataque, ou uma decisão nos penalties.
Aquela que poderá ser a peça-chave para este jogo, Zé Luís Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede
SL Benfica vs Rio Ave FC (terça-feira, 21h15)
Mais tarde, entra o SL Benfica em campo, contra um adversário que tem muita qualidade no seu plantel. Num duelo em que, apesar disso, os encarnados são favoritos a vencer, Bruno Lage deverá trocar de guarda-redes, como tem feito na Taça até aqui, dar tempo de jogo ao capitão Jardel, continuar a dar minutos a André Almeida depois da lesão prolongada, voltar a alinhar com Taarabt no centro do terreno e, talvez, Seferovic. Para além destes jogadores, se Rafa já tiver apto, creio que é o jogo perfeito para entrar durante a segunda parte e “acelerar” para o dérbi com o Sporting, onde pode ser decisivo. Neste caso, para o lugar de Chiquinho, que começou 2020 um pouco abaixo da sua bitola habitual.
Quanto ao Rio Ave FC, fazendo fé nas notícias que Carlos Carvalhal está de saída para um novo desafio no futebol brasileiro, aposto que encarará este como um jogo crucial na sua caminhada à frente dos vila-condenses, alinhando, por isso, com um onze sem mudanças, relativamente à última vitória no terreno do CD Santa Clara. Aquele 4-2-3-1, com os intervenientes que alinharam no Açores, parecem-me ser a equipa mais forte para fazer frente ao SL Benfica.
Creio que frente ao Rio Ave FC, Taarabt será um dos homens do meio-campo encarnado Fonte: Bola na Rede
FC Paços de Ferreira vs FC Famalicão (quarta-feira, 20h)
A partida de onde acredito que pode surgir a principal “surpresa”. Num duelo de primo-divisionários, vão estar dois clubes que, neste momento, lutam por coisas diferentes no campeonato. O FC Paços de Ferreira, em clara retoma desde que Pepa tomou conta da equipa, tentando assegurar a manutenção, enquanto o FC Famalicão, que fica com toda a certeza na Primeira Liga Portuguesa, pode (e deve) já começar a olhar para cima, não só para a primeira metade da tabela mas para um posto entre o sexto e o terceiro lugar.
No entanto, a Taça de Portugal é outra história e num jogo a eliminar, creio que os pacenses têm muitas possibilidades de seguir para as meias-finais, algo que já não acontece desde 2012/13. Isto porque Pepa tem um estilo de jogo que encaixa bem naquilo que o FC Famalicão faz em campo. Exemplo disso foi o 0-0 dos castores no Algarve. Sabendo bem que o Portimonense SC tem um toque de bola mais “fino” e tem melhores jogadores, jogaram de forma mais cautelosa e frustraram as tentativas algarvias. Na Taça, isso era equivalente a um prolongamento e a partir daí, juntando à operação o fator “cansaço”, tudo pode acontecer.
O FC Famalicão, em destaque no terceiro lugar da Primeira Liga Portuguesa, deverá ter mais bola e atacar mais vezes. No entanto, porque também tem uma equipa com alguma juventude, poderá descontrolar-se, eventualmente, com o facto de jogar contra uma formação em bloco baixo.
Um dos novos talentos entre os treinadores portugueses, Pepa Fonte: CD Tondela
Académico de Viseu FC vs CF Canelas 2010 (quinta-feira, 20h)
Por último, falamos do jogo que vai, certamente, colocar um clube da Segunda Liga Portuguesa ou do Campeonato de Portugal nas meias-finais da “Prova Rainha”. Creio que o favorito, Académico de Viseu FC, tem tudo para garantir esta presença, frente a um CF Canelas 2010 que, apesar de já ter demonstrado qualidade ao longo da prova, tem aqui o seu mais difícil teste até ao momento.
Conhecido, mediaticamente, por conter nas suas fileiras Fernando Madureira, o “Macaco Líder” dos Super-Dragões – claque afeta ao FC Porto –, este clube do concelho de Vila Nova de Gaia, ainda com poucos anos de vida, está a fazer história, chegando pela primeira vez a estas fases avançadas de uma prova como é a Taça de Portugal. Se me perguntassem, diria que o Académico de Viseu FC tem tudo para passar, mas vai ter de ter garra e capacidade física, porque este CF Canelas 2010 é um osso muito duro de roer.
O clube do interior/norte do país, na sua mais recente vitória fora de casa. Fonte: Académico de Viseu FC
O AC Milan é, indiscutivelmente, um dos maiores símbolos do futebol mundial, não só pela hegemonia que outrora teve a nível nacional como por toda a sua invejável história recheada dos mais importantes troféus também internacionais. Para além disso é um clube que sempre contou com o contributo de jogadores que hoje recordamos como sendo alguns dos melhores de todos os tempos. É o caso de Maldini, Rijkaard, Shevchenko, Marco van Basten, Beckham, Gullit, Kaká, Ronaldinho, entre tantos e tantos outros.
Apesar de tudo isto, os últimos anos não têm sido fáceis para os vermelhos de Milão, uma vez que não se têm conseguido afirmar a nível nacional. A sua última classificação no campeonato, digna de registo, foi na temporada de 2012/13, onde conseguiram o terceiro lugar. Para além disso, conseguiram atingir os oitavos de final da Liga dos Campeões, competição que desde a época seguinte para cá não voltaram a disputar.
Este ano a situação parece igualmente desanimadora, e em 18 partidas já realizadas para a Liga contam com apenas seis vitórias, para além dos quatro empates e oito derrotas, ocupando assim a 12ª posição da competição. A acrescentar ao cenário pouco propício para festas, foi excluído pela UEFA das competições europeias devido ao incumprimento do fair play financeiro, restringindo assim o clube às provas internas.
Ainda assim e apesar de todo o aparente caos dos últimos anos, na passada época os Rossoneri descobriram um jogador que veio fazer lembrar um pouco os velhos tempos e acabou por se destacar pela positiva, conseguindo dar muitos pontos à equipa então treinada por Gattuso. Esse jogador foi o polaco Piatek, que havia sido contratado ao Génova a meio da época. Por essa altura já o avançado tinha realizado 19 jogos e marcado 13 golos, o que suscitou rapidamente o interesse dos grandes clubes de Itália. Na restante temporada realizou mais 18 partidas e colocou o seu nome na lista dos marcadores por mais nove vezes, tornando-se assim no terceiro melhor marcador da Série A com 22 golos em 37 partidas realizadas, obtendo uma média de 1,46 golos por jogo.
Na última temporada Piatek apenas não disputou 447 dos 3420 minutos possíveis no campeonato Italiano Fonte: AC Milan
Apesar do inegável sucesso em 2018/2019 o jogador de 24 anos passou do 80 para o 8 e este ano a situação é estranhamente desigual à do ano passado. Com a mudança de temporada veio também a mudança nas prestações do polaco e estamos assim a assistir ao apagão de um jogador que já mostrou ter competências mais do que suficientes para servir um grande clube europeu.
É verdade que toda a equipa em si não realizou uma primeira metade de época ao nível das expectativas, mas a capacidade que Piatek tinha de muitas vezes levar os colegas às costas quando as coisas não estavam a correr bem parece ter desaparecido, e talvez por isso o jogador conte com apenas quatro golos em 18 partidas disputadas e com substituições muito prematuras, algo que no passado recente seria impensável.
As coisas não estão, definitivamente, a correr bem, e é certo que o jogador também não estará feliz com o que tem produzido. Posto tudo isto, o futuro de Piatek é cada vez mais incerto e Milão poderá deixar de ser a cidade do polaco. Isto não se deve só ao facto de o jogador não estar a atravessar um bom momento no clube, mas também muito devido à mais recente contratação de Zlatan Ibrahimovic que veio para ser titular, apesar da sua avançada idade. Para o substituir está lá Rafael Leão, jogador que será certamente uma aposta do treinador e da direção, e que, por isso, não pode ser descartado. Assim, há muita competição para um lugar só e Piatek poderá estar mesmo de saída do AC Milan.
Interessados não faltam, e alguns já se manifestaram. O que merece mais destaque é José Mourinho, que terá apontado o jogador como uma prioridade depois de saber que Harry Kane vai ser operado e não voltará aos relvados antes de abril. A imprensa já o dá como garantido em Londres, num negócio que terá sido feito pelo valor de 33 milhões de euros.
Só os próximos dias nos confirmarão a veracidade da transferência, mas por enquanto ficamos com a certeza de que se trata de um jogador com mercado e que, certamente, terá ofertas de muitos clubes de vários países das principais ligas europeias.
A verdade é que por enquanto continua a ser jogador do Milan e é debaixo do manto vermelho e preto que terá de tentar reverter esta situação. É importante não esquecer que foi muitas vezes descrito como o sucessor de Lewandowski, o seu compatriota que é considerado por muitos como o melhor ponta de lança da atualidade. Qualidade não lhe falta, e isso é indiscutível por tudo aquilo que fez na passada época. Sobre a equipa onde vai jogar, talvez mudar de ares fosse mesmo o melhor para Piatek, uma vez que seria também uma “chicotada psicológica” para o jogador que num clube com mais ambição, certamente, se sentiria mais motivado e com mais condições para recuperar a sua forma e fazer aquilo que melhor sabe e tantas vezes nos habituou: marcar golos.
A Liga Inglesa é, geralmente, a liga que gasta mais dinheiro todos os anos, no entanto, foi a espanhola que liderou essa estatística no último mercado de transferências, muito graças às possibilidades financeiras e políticas de contratações do Real Madrid CF, do FC Barcelona e este ano especialmente do Club Atlético de Madrid.
A Premier League é conhecida como a liga mais competitiva do mundo e, discutivelmente, a melhor que existe. A intensidade é altíssima e o último lugar pode surpreender o primeiro, e fazer um brilharete… Com a exceção desta época que o Liverpool FC se apresenta dominante, apenas com um empate e o resto vitórias.
Fonte: Liverpool FC
As equipas do top 6: Liverpool FC, Manchester City FC, Chelsea FC, Tottenham FC, Manchester United FC e Arsenal FC são as que mais contribuem para os gastos no mercado e são também as que incentivam o adepto a acompanhar fervorosamente a liga. É natural aquela emoção quando ocorre uma transferência sonante, depois imagina-se o jogador com a camisola do clube e a maneira como poderá encaixar na equipa e espera-se, ansiosamente, pelo primeiro jogo. Este ano, a liga perdeu jogadores de qualidade, como Eden Hazard, no entanto, como é habitual, ganhou outros e os mais entusiasmantes são os craques que prometem ficar por muito tempo a demonstrar qualidade naquele campeonato.
Cada vez mais se podem encaixar outras equipas nestas contas, porque há conjuntos que têm atrapalhado a vida de várias equipas do top 6. A mais elucidativa é o Leicester, que se encontra na segunda posição da tabela classificativa e promete lutar até ao fim por esse posto. Tal como o Wolverhampton, representado por uma série de portugueses, incluindo o treinador Nuno Espírito Santo.
A Premier League conta novamente com jogadores em margem de progressão e em período de adaptação. Agora, na abertura do mercado de inverno, o Bola na Rede analisou os reforços mais sonantes da Premier League até ao momento e os que têm tido o melhor rendimento.
O Manchester City e o Liverpool partiram como favoritos no campeonato, de acordo com as indicações dadas na época passada. O Liverpool contratou apenas um guarda-redes para o caso de Alisson se lesionar, como aconteceu, e Adrián foi crucial na defesa do penálti que deu a vitória da Supertaça Inglesa ao Liverpool.
O Manchester City investiu forte com as transferências de Rodri, João Cancelo e Angeliño e apresenta um banco recheado de milhões, com várias lacunas defensivas presentes.
Fonte: Chelsea FC
O Chelsea teve o ‘transfer ban’, o que impossibilitou a compra de jogadores no mercado, à exceção de Pulisic que já tinha sido contratado em janeiro do outro ano. Nota para o trabalho realizado com os jovens emprestados e que se têm assumido como cruciais no clube, como é o caso de Abraham, Mount, Reece James e Tomori.
O Tottenham apostou forte no mercado com a contratação de Ndombélé, Lo Celso e Sessegnon. Com o despedimento de Pochettino e entrada de Mourinho pelo meio, ainda nenhum dos reforços demonstrou aquilo que realmente vale, embora Ndombélé já tenha mostrado indicações de qualidade.
No Arsenal, o investimento feito apenas em Pépé já foi exuberante, embora a qualidade seja inegável. Finalmente, agora com Arteta, já se nota mais motivação e vontade da equipa. David Luiz parece mais seguro e confiante, Ceballos recupera de lesão, mas poderá aparecer para ficar no onze, enquanto Martinelli tem uma enorme margem de progressão. Resta ainda saber o que podem fazer os reforços Saliba e Tierney, ainda com reduzidos minutos de jogo.
Para finalizar o top 6, surge o Manchester United, que apostou forte na contratação de três jogadores: Bissaka, Maguire e James. O primeiro é um monstro a nível defensivo e tem sido um dos jogadores mais importantes da equipa. Maguire parece inseguro e uns furos bem abaixo do que jogava no Leicester. Já James é um jogador veloz e desequilibrador, contudo, escasso para os objetivos do Man. United.
É inegável falar do Leicester, que se encontra em 2º lugar, à frente do Man. City e com um futebol bem atrativo. As adições de Praet e Ayoze Pérez juntaram soluções criteriosas ao processo ofensivo dos foxes.
Já o Wolves de Nuno Espírito Santo contratou Cutrone por empréstimo, ainda pouco utilizado, além dos portugueses Bruno Jordão e Pedro Neto (este opção regular).
Do resto dos clubes, espera-se a explosão de Haller no West Ham e ocorre a desilusão de Moise Kean no Everton.
Atualmente, decorre o mercado de inverno e o Liverpool é a equipa que saiu vencedora até ao momento, com a contratação de Minamino, proveniente do Salzburgo, por uma quantia a rondar os oito milhões de euros. Vai fazer furor.
Andrea Belotti é um dos jogadores que mais me tem surpreendido, especialmente esta época. Quem não o conhece que veja um jogo do Torino FC. É o capitão e o jogador mais diferenciado da equipa. Não só pelos golos, mas também pelo que trabalha dentro das quatro linhas. A consistência demonstrada ao longo dos anos, adivinham-lhe um futuro risonho.
Apesar do relativo sucesso com que lida atualmente, não teve um trajeto futebolístico como a maioria dos jogadores da atualidade. Não teve formação em nenhum clube, dito grande, do futebol transalpino, tendo ingressado apenas aos 19 anos no Palermo (2013), oriundo do UC Albino Leffe (que milita na Serie C). Dois anos depois, deu o salto para o Toro, onde se mantém até hoje.
A nível físico, é um autêntico “Panzer”. Para além da sua estatura (1,81m), que lhe permite combater com os mais temíveis defesas da Serie A, apresenta uma robustez corporal como poucos. É o tipo de avançado, cujo estilo tanto se adapta a uma equipa mais modesta (como o Torino, atualmente), ou a um conjunto que lute por outro tipo de objetivos. Gosto de lhe chamar, “o ponta de lança híbrido”, porque consegue jogar de forma tão eficaz em ataque organizado, como em transições rápidas.
No campo da estratégia, impressiona pela inteligência nos seus movimentos. Com ou sem bola, quer seja no processo defensivo ou ofensivo, é, acima de tudo, um jogador de equipa. Preferencialmente, atua como único jogador no centro de ataque, uma vez que o seu raio de ação é enorme, e é capaz de dar conta do recado sozinho.
Aos 26 anos, atingiu a maturidade necessária para poder abraçar projetos mais ambiciosos Fonte: Torino FC
Tecnicamente, não é propriamente vistoso em cada toque, mas também não é “tosco”. De processos simples e sem grandes “rodriguinhos”, vai mantendo o emblema da cidade de Turim afastado dos lugares perigosos. Os momentos que mais chamam à atenção do adepto comum são, sem dúvida, a potência em cada remate, e os golos acrobáticos, de deixar qualquer um, boquiaberto.
Posteriormente, tem uma característica rara, nos dias que correm: a lealdade (até ver). São inúmeras as declarações de amor que já fez ao Torino, deixando-me a mim e aos adeptos rivais em desespero. Com todo o respeito pelo clube que representa, o ultimamente titular da squadra azzurra, tem asas para outros voos.
Em Itália, seria, de caras, titular em qualquer equipa que escolhesse. Podia ser o “matador” que falta em Nápoles, ou até, quem sabe, o “Benzema” de Cristiano Ronaldo na Juventus (apesar de ser menos provável a ida para o eterno rival). Tão bem que encaixava no Atlético, de Simeone, ou no Chelsea de Lampard… Mas, por agora, resta-nos apreciar Belotti no Torino FC e na seleção italiana. Reitero, é, principalmente, por este homem-golo/ponta de lança trabalhador, que os jogos do Il Toro ganham outra dimensão.
Depois da vitória em Moreira de Cónegos, segue-se agora uma nova etapa na caminhada do FC Porto na Taça de Portugal. O adversário é o Varzim SC, quinto classificado da Segunda Liga, mas todo o cuidado é pouco, pois, na história da Prova Rainha, já houve muitos tomba-gigantes.
Os dragões chegam a esta partida depois de terem eliminado SC Coimbrões, Vitória FC e CD Santa Clara, mas os poveiros serão o primeiro adversário do segundo escalão que os portistas enfrentam na competição. Já os homens de Paulo Alves vêm de uma caminhada longa na prova, com vitórias sobre o Caldas SC, o Estoril Praia, o GS Loures e o Anadia. É a primeira vez na prova que vão encontrar uma equipa do escalão acima, e logo no Estádio do Dragão.
Mais do que um desejo, a Taça de Portugal é um objetivo para os azuis e brancos, que, na época passada, deixaram fugir o título, nas grandes penalidades, para o Sporting CP. Os dragões devem fazer algumas mexidas na equipa, a começar por Corona, que foi expulso no encontro diante do Moreirense FC. No boletim clínico dos dragões, estão Pepe, que é certo que não vai a jogo amanhã, e Nakajima, que, com um hematoma na perna direita, é baixa para esta eliminatória da Prova Rainha. Fora do boletim clínico está Zé Luís, recuperado de uma inflamação no joelho, estando assim disponível para integrar as escolhas de Sérgio Conceição.
Do outro lado, vão estar uns lobos do mar ambiciosos, à procura de fazer a “gracinha” em pleno Dragão.
COMO JOGARÁ O VARZIM SC?
O Varzim perdeu, neste fim-de-semana, contra o Académico de Viseu, mas é de salientar que, antes deste jogo, os poveiros vinham de uma série de seis jogos sem perder para o campeonato. Paulo Alves deve apresentar um onze inicial na máxima força, dentro do possível, para tentar vencer o FC Porto. Luís Pedro não poderá alinhar contra os dragões, visto que foi expulso no jogo diante do Académico de Viseu.
O treinador deve optar pelo habitual 4-3-3. Ismael Lekbab deve assumir a baliza poveira. A defesa deve ser composta por João Amorim, Tiago Cerveira, Hugo Gomes e Alan Henrique. No meio-campo, Cristophe Nduwarugira, Rui Moreira deverão alinhar, com Caetano a médio ofensivo. Por fim, Levi Lumeka, Leonardo Ruiz e Frederic Maciel deverão constituir o trio atacante do Varzim SC.
JOGADOR A TER EM CONTA
Fonte: Varzim SC
Leonardo Ruiz – O ponta de lança colombiano passou pelas camadas jovens do FC Porto e, quem assistia aos seus jogos, pode vislumbrar a qualidade do avançado do Varzim. Ruiz traz na bagagem 9 golos em 12 jogos pelos Lobos do Mar na Segunda Liga.
XI PROVÁVEL
4-3-3: Ismal Lekbab; João Amorim, Tiago Cerveira, Hugo Gomes, Alan Henrique; Cristophe Nduwarugira, Rui Moreira, Caetano; Levi Lumeka, Leonardo Ruiz, Frederic Maciel.
COMO JOGARÁ O FC PORTO?
O FC Porto joga com o SC Braga, na sexta-feira, por isso Sérgio Conceição deve fazer alguma gestão do plantel. Luis Díaz e Zé Luís são esperados no onze, no jogo onde Vítor Ferreira se poderá estrear na equipa principal.
JOGADOR A TER EM CONTA
Fonte: Bola na Rede
Luis Díaz – Sempre que tem entrado a partir do banco, tem mexido com a partida. Em Moreira de Cónegos não foi exceção e acabou mesmo por assinar um golo.
XI PROVÁVEL
4-4-2: Diogo Costa, Alex Telles, Diogo Leite, Mbemba, Manafá; Loum, Baró, Luis Díaz e Otávio; Zé Luís e Fábio Silva.
Depois da sonante contratação de Julian Weigl, o SL Benfica ataca agora o médio brasileiro de 22 anos Bruno Guimarães, pertencente aos quadros do Club Athletico Paranaense.
Olhando para o plantel do Benfica, numa perspetiva meramente quantitativa, o meio campo não nos parece uma das zonas mais necessitadas de reforços. No entanto, analisando de forma mais objetiva: Fejsa e Gedson parecem estar de saída, Samaris não tem lugar garantido no plantel, Weigl e Florentino encaixam nas características típicas de um número 6, de cariz mais defensivo. Sobram Gabriel e Taarabt como médios mais “ofensivos” (não incluindo Chiquinho nesta contabilização).
O brasileiro é um jogador extremamente importante nas dinâmicas impostas por Bruno Lage. Gabriel contribui muito do ponto de vista defensivo e é capaz de contribuir ofensivamente para a equipa. Contudo, esta construção foca-se muito nos passes longos e nas aberturas nas alas, limitando assim um pouco a criatividade do meio campo encarnado.
Já Taarabt é um jogador mais dinâmico, capaz de transportar o esférico com qualidade e realizar mais passes de rotura que encontrem jogadores entre linhas. No plantel do SL Benfica não existe qualquer outro jogador que disponha destas características, o que prejudica bastante a equipa encarnada nos períodos ou jogos de ausência do camisola 49 (por exemplo no jogo frente ao Desportivo das Aves, onde a ausência de Taarabt foi sentida).
É precisamente aqui que entra Bruno Guimarães. As características do médio brasileiro vão ao encontro das características de Adel Taarabt.
É com a bola dominada que Bruno Guimarães mais se destaca. O médio de 22 anos, que foi eleito o melhor na sua posição no Campeonato Brasileiro, demonstrou uma enorme qualidade de passe. Tanto em passes curtos (88%) como em passes longos (77%), Bruno Guimarães tem elevadíssimas taxas de conversão.
Mais do que realizar a ação de forma correta, o camisola 39 do Club Athlético Paranaense demonstra ter uma grande capacidade de decisão e compreensão do jogo. Bruno Guimarães alia na perfeição a tomada de decisão à execução.
No momento de transição ofensiva, demonstra ter muita capacidade e critério no transporte de bola, tendo qualidade suficiente para ultrapassar os adversários em drible, mas está sempre atento às desmarcações dos colegas. É um jogador que joga sempre “de cabeça levantada”. Tem também alguma capacidade de chegada à área.
Bruno Guimarães realizou uma grande época ao serviço do Club Athletico Paranaense, onde venceu a Copa do Brasil Fonte: CA Paranaense
Bruno Guimarães é um atleta com um toque de bola refinado e diferenciado. A qualidade que tem na receção e na execução em espaços curtos permitem ao jogador demonstrar uma enorme classe e uma facilidade de execução quase arrogante para o comum mortal. O que o atleta tem vindo a fazer na Arena da Baixada assemelha-se ao que Frenkie de Jong fez ao serviço do Ajax e agora do FC Barcelona. As dinâmicas e características são semelhantes, e a qualidade abunda em ambos os jogadores.
Defensivamente, o internacional sub-23 brasileiro tem igualmente alguns argumentos. A sua noção de posicionamento defensivo é já bastante elevada face a média de um jogador do Brasileirão. Estatisticamente falando, Bruno Guimarães realiza uma interceção e perto de dois desarmes por jogo. Estes são números interessantes e que podem vir a ser trabalhados por Bruno Lage, tal como aconteceu com Taarabt.
A boa forma física e a sua “infindável” resistência permitem ao brasileiro ter um elevado índice de trabalho, tanto ofensivamente como defensivamente. Esta é uma característica fundamental nas dinâmicas de jogo de Bruno Lage, que exige sempre muito esforço no “miolo”.
Para mim, um grande jogador não é aquele que é capaz de driblar toda uma equipa, ou aquele que coloca uma bola no ângulo com um fantástico remate, ou aquele que realiza um corte de carrinho em cima da linha. Um grande jogador é aquele que tem capacidade para fazer tudo o que listei acima, mas que sobretudo faz parecer as tarefas básicas do jogo apenas ações triviais.
É exatamente isto que sinto quando vejo Bruno Guimarães atuar. O jogador coloca o adepto num raro estado de calma constante, pois sabemos que aquele passe de 40 metros irá cair no pé do seu colega com a mesma suavidade que iria se ele estivesse mesmo ao seu lado.
É certo que comete erros, mas a sua qualidade não engana ninguém. Em Portugal seria, sem dúvida alguma, um dos melhores jogadores.
O atleta parece já estar convencido e desejoso de vestir o manto sagrado. No entanto, falta o mais difícil: convencer o clube a libertar o ativo.
Mário Petraglia, atual presidente do clube do rubro-negro, permanece irredutível no preço de 30 milhões de euros. O SL Benfica, que deseja muito a chegada do jogador, tenta negociar a vinda do brasileiro por 20 milhões mais uma pequena percentagem do passe que permaneceria com o clube do Paraná.
Ainda estamos longe de março, altura em que começa, oficialmente, a temporada 2020 do mundial de motociclismo. Mas acreditamos que é importante fazer um pequeno review sobre o que se passou em 2019.
Marc Márquez dominou toda a época, mas sem um oponente direto e à sua altura. Por essa razão, o piloto espanhol poderia ser facilmente o escolhido para piloto do ano, mas essa distinção leva-a Fabio Quartararo, juntamente com o título de surpresa da temporada.
O francês, de apenas 20 anos, estreou-se na categoria rainha do mundial na temporada de 2019 e contrariou até a melhor previsão para a sua prestação. Aos comandos da Petronas Yamaha SRT, Quartararo conquistou seis pole positions e sete pódios – sendo que em muitos deles, esteve perto da vitória.
Márquez, por sua vez, teve uma das temporadas mais consistentes da sua carreira. O espanhol foi inteligente e aprendeu a gerir momentos de maior tensão, ou corridas em que não tinha moto suficiente para lutar com os rivais diretos. Em 2019, o espanhol venceu 12 das 19 provas do campeonato.
A vitória escapou-lhe, por exemplo, logo na primeira prova do ano no Qatar, seguido do Grande Prémio de Austin – onde cometeu o único erro da temporada ao perder o controlo da mota quando liderava isolado. Também no Grande Prémio de Assen, Márquez não conseguiu ser superior a Maverick Viñales, que terminou a corrida com mais de quatro segundos de avanço sobre Márquez.
Seguiu-se o Grande Prémio da Áustria onde foi Andrea Dovizioso a roubar-lhe a vitória; em Silverstone foi a vez de Alex Rins ser mais forte que o homem da Honda; já em Mugello assistimos ao momento do ano com a vitória de Danilo Petrucci.
Em Mugello, a Ducati foi rainha Fonte: Ducati
Se há uns anos, víamos Márquez a levar a sua Honda e também a sua vida ao limite para conquistar o primeiro lugar, em 2019, o espanhol preferiu jogar pelo seguro e ir conquistando pontos em todas as provas ao invés de puxar tanto pelos galões e acabar na gravilha. Às vezes, parecia que estava a jogar xadrez e na última volta fazia xeque-mate ao adversário ou contentava-se, apenas, com o segundo lugar.
O SC Braga entrou por cima e assim se manteve durante todo o encontro, encostando o CD Tondela à sua área defensiva e tomando total controlo da posse de bola. No entanto, esse domínio não se ia traduzindo em oportunidades. E, seguindo o famoso apanágio, uma perda de bola despropositada de Bruno Viana ofereceu a Murillo a possibilidade de inaugurar o marcador pouco depois da meia hora. Em desvantagem, o Braga acusou a pressão e esteve até perto de ceder novo golo, mas o Tondela não conseguiu aproveitar.
Para o segundo tempo, o Braga trocou dois homens, mas manteve-se fiel à ideia de jogo e foi criando perigo instalado no meio-campo adversário. Com o Tondela a já recorrer a artimanhas para perder tempo e o golo a não aparecer, os bracarenses começavam a desesperar, mas, aos 79’, finalmente Paulinho deu o melhor seguimento a um cruzamento da esquerda e igualou o encontro. Animado por finalmente encontrar forma de contornar Claudio Ramos, o conjunto da casa mostrou renovada vivacidade e velocidade e os espaços começaram a aparecer na defesa do Tondela. No primeiro minuto da compensação, finalmente surgiu a reviravolta. O inevitável Paulinho selou o destino do encontro com uma recarga após Wilson ter respondido a assistência de Esgaio com um cabeceamento à barra. Nem a longa espera pela confirmação pelo VAR de que era mesmo golo temperou os ânimos na Pedreira, que vê assim este novo Braga vitorioso na sua estreia em casa às mãos do novo comandante.
A FIGURA
Fonte: UEFA
Paulinho – O avançado apareceu no momento certo para dar a volta a um jogo difícil. Muito trabalhador como habitual, deu muito que fazer aos centrais do Tondela e acabou por se fazer valer do desgaste acrescido do adversário para levar a melhor na reta final da partida.
O FORA DE JOGO
Fonte: SC Braga
Anti-jogo do Tondela – É comum e não choca que uma equipa a ganhar contra um favorito acabe por recorrer a algumas formas de queimar tempo, mas que o Tondela o tenha feito de forma tão vistosa e começando a tanto tempo do fim do encontro dá uma má imagem da equipa visitante.
ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA
Apresentando-se no 3-5-2 que o novo treinador Ruben Amorim pretende implementar, a equipa da casa demonstrou, ainda assim, muitos vícios do seu estilo anterior, com um futebol muito mastigado e um excesso de cruzamentos. Os três centrais mostraram-se inseguros, não dando o conforto que seria de esperar, mas o treinador mostrou-se assertivo na abordagem às substituições, mexendo bem e corrigindo os elementos que estavam em sub-rendimento e encontrando novas soluções para resolver um problema que se mostrava bicudo.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Matheus (5)
Esgaio (7)
Tormena (5)
Raul (5)
Bruno Viana (4)
Palhinha (5)
Fransérgio (5)
Murilo (3)
Trincão (5)
Paulinho (8)
Ricardo Horta (5)
SUBS UTILIZADOS
André Horta (6)
Galeno (6)
Wilson Eduardo (6)
ANÁLISE TÁTICA – CD TONDELA
Fechado na defesa durante todo o encontro, o Tondela cerrou a muralha defensiva num 5-4-1 com apenas um homem móvel na frente, ainda assim o suficiente para intranquilizar os centrais minhotos. A equipa cumpriu de forma muito positiva durante quase todo o encontro a sua missão de sobreviver aos ataques do Braga, mas acabou por sucumbir ao poderio arsenalista. Nota negativa para a troca de Filipe Ferreira por João Reis nos últimos instantes. O primeiro estava a ser um dos melhores da equipa e o seu substituto acabou por se mostrar incapaz de conter as iniciativas de Esgaio.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Claudio Ramos (7)
Moufi (5)
Yohan Tavares (6)
Bruno Wilson (6)
Ricardo Alves (6)
Filipe Ferreira (7)
Pité (5)
Pepelu (5)
Xavier (5)
Jhon Murillo (7)
Denilson (6)
SUBS UTILIZADOS
Toro (6)
João Pedro (6)
João Reis (3)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
SC Braga
BnR: Sendo o primeiro jogo em casa depois da troca de treinador, pensa que os jogadores também se sentiram algo afetados a nível psicológico e daí a maior propensão para alguns erros e passes falhados que fomos vendo durante o jogo.
Ruben Amorim: Isso tem tudo a ver com a pressão de vencer. Realmente, jogar em casa cria uma pressão adicional aos jogadores, há que aceitá-lo naturalmente. Eu gosto, é o síndrome de clube grande. Eu conheci muitos jogadores que fora de casa estavam mais confortáveis.
Senti isso hoje, os adeptos estavam impacientes, os jogadores começam a ficar impacientes, mas eu gostei da forma como eles continuaram mesmo depois dos assobios, com os passes laterais, que por vezes irrita alguns adeptos. Mesmo na segunda parte, os adeptos pediam por certos cruzamentos, certos passes mais arriscados e eu acho que não é por aí e, portanto, eles têm de fazer aquilo que o treinador manda, têm de aguentar os assobios. Os adeptos do Braga são exigentes e eles têm de viver com isso.
Mas, respondendo à sua pergunta, claramente acho que se sentiu alguma instabilidade, digamos assim. Mais no início que no fim do jogo.
Os minutos iniciais ficaram marcados por uma grande ocasião para o SL Benfica, mas Fernandinho desperdiçou. Como se costuma dizer “quem não marca sofre” e foi precisamente isso que ocorreu, com Fernando Cardinal a finalizar com sucesso ainda nos dois minutos iniciais e a colocar o Sporting CP na frente do marcador (1-0).
Nos minutos que se seguiram, destacam-se os sucessivos remates dos encarnados, sempre com intervenções de qualidade e seguras quando era chamado a defender, mas sem grandes sobressaltos. Num lance rápido de contra-ataque, conduzido superiormente por Diego Roncaglio, guarda-redes do Benfica, mas muito bom com os pés, permitiu criar um desequilíbrio e uma finalização de Roncaglio.
Mas no melhor pano cai a nódoa e menos de meio minuto depois, o guardião brasileiro teve uma péssima receção de bola e ofereceu um golo de bandeja a Deo, que à segunda não perdoou e voltou a colocar a equipa leonina na liderança. Para os últimos três minutos, os verde e brancos atingiram a sua quinta falta e ficaram assim impossibilitados de fazer mais alguma falta, sob pena de essa se transformar num livre direto de dez metros sem barreira, algo que acabou não acontecer.
Nos últimos segundos da primeira metade, eis que surge o empate no marcador. Jogada de envolvimento com um desvio oportuno de Fernandinho, após um remate de longa distância de Robinho, adensando ainda mais a incerteza no marcador com o placar no interregno a mostrar 2-2 e a prometer um grande espetáculo no segundo parcial. Estatisticamente, o resultado ao intervalo é claramente justificado, dada a grande semelhança em termos de remates (24-21 para o Benfica).
A segunda metade ia decorrendo sem grandes situações de perigo, contudo, bastou um lance de golo devidamente aproveitado por André Coelho para agitar o jogo por completo. Completamente esquecido na área adversária, o ala encarnado aproveitou para concretizar uma finalização fácil.
A reação leonina dificilmente podia ter sido melhor, com um golo de Guitta, guardião dos Leões que decidiu “imitar” o seu homólogo benfiquista com um golo tirado a papel químico menos de meio minuto depois. Desta feita, foi o Benfica que ficou “tapado” por faltas a cerca de seis minutos para o final.
A menos de quatro minutos do fim uma boa iniciativa do capitão Bruno Coelho permitiu isolar Chaguinha, que teve a frieza necessária para marcar e devolver a vantagem aos encarnados. Quando se esperava uma reação forte do Sporting eis que surge um erro de todo o tamanho de Guitta, entregando a bola ao pivô Fits que assistiu Robinho para o 5-3 e dando uma vantagem inédita de dois golos.
Já com Alex Merlim na quadra, o guarda-redes avançado ainda reduziu com um remate exterior, mas já não conseguiu evitar a vitória do rival na Taça da Liga 2019/20. Uma conquista fantástica do SL Benfica, tendo em conta o jogo épico que foi, certamente um dos jogos mais emotivos e com mais qualidade no mundo inteiro!
A FIGURA
Fonte: SL Benfica – Modalidades
Grande intensidade de jogo – Foi um dos derbies mais intensos, disputados e emotivos dos últimos tempos. Houve de tudo um pouco, e tudo contribuiu para um espetáculo digno de uma final, entre duas das equipas mais fortes do mundo.
O FORA DE JOGO
Fonte: UEFA
Guitta – É muito ingrato destacar aqui um guarda-redes que, tal como Diego Roncaglio, marcou um golo e realizou uma exibição positiva. No entanto, o momento decisivo surgiu quando uma grande distração do brasileiro permitiu ao Benfica o tento que viria a revelar-se decisivo. Roncaglio também errou, mas o erro não foi tão decisivo como o de Guitta.
ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP
O esquema tático de Nuno Dias era o mais acertado, mas hoje ganhou quem errou menos, foi essa a grande diferença no jogo de hoje e nos minutos finais arriscou tudo para tentar o prolongamento, mas já não foi a tempo.
CINCO INICIAL E PONTUAÇÕES
Guitta (6)
João Matos (7)
Alex (7)
Alex Merlim (7)
Cardinal (8)
SUBS UTILIZADOS
Tomás Paçó (5)
Erick Mendonça (6)
Taynan da Silva (7)
Pauleta (6)
Deo (7)
Pany Varela (7)
Rocha (7)
ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA
A estratégia montada por Joel Rocha resultou em pleno, aproveitando também algum desacerto do adversário, mas mais uma taça para o currículo do treinador encarnado.