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SL Benfica 3-2 Rio Ave FC: Seferovic “Cervi”u de desbloqueio

A CRÓNICA: QUE BONITO SE JOGOU HOJE NA LUZ!

A noite estava fria, aqui deste lado da bancada, mas felizmente o jogo aqueceu de forma a fazer os adeptos esquecer o inverno que se fazia sentir no Estádio da Luz. E que jogo! Arrisco-me a dizer que esteve pouco longe do nível de um clássico ou de um dérbi. Duas equipas com um futebol ofensivo e bonito onde o Benfica acabou por ser mais feliz. E um jogo que começou, desde logo, com um ritmo diabólico. Tanto é que logo aos quatro minutos já se tinha alterado o marcador.

O Rio Ave FC foi o primeiro a ser feliz. Depois de uma grande jogada iniciada por Matheus Reis que cedeu, e bem, para Taremi, eis que surge uma falta sobre o jogador e que dá origem a um livre perigoso em horas prematuras na Luz. Lucas Piazón carimbou, em formato de livre, o primeiro da noite.

O SL Benfica respondeu bem ao golo e conseguiu pressionar ainda mais os vila-condenses. O golo acabou por surgir nem 10 minutos depois (aos 13′) no seguimento de uma excelente jogada entre Cervi e Carlos Vinícius, onde Cervi conseguiu de forma exímia restabelecer a igualdade.

Estava a ser uma partida irrepreensível, onde ambas as equipas estavam a arriscar e a praticar um futebol de se tirar o chapéu. Falei em chapéu? É que foi isso mesmo que aconteceu aos 29 minutos – um chapéu de Taremi sobre Zlobin, a fazer o 2-1. Taremi, muito interventivo durante toda a partida, aproveitou uma desatenção de Zlobin, que estava fora dos postes. Depois de uma oportunidade dos encarnados entre Taarabt e Chiquinho, surge então o golo da equipa de Carlos Carvalhal que se colocou novamente à frente do marcador.

O Benfica continuou dominador no jogo, mas havia a clara sensação de que faltavam argumentos ofensivos. A entrada de Seferovic veio causar estragos e as águias conseguiram mesmo igualar o marcador. Nota importante para mais uma assistência de Vinícius, que era a segunda na partida e a terceira nos últimos dois jogos. Por esta altura, a 20 minutos do final do duelo, o Rio Ave FC encontrava-se encostado às cordas e acabou mesmo por sofrer o terceiro. Seferovic, que ao que parece saiu do banco inspirado, marcou o terceiro da noite e impôs a vantagem para a sua equipa.

O jogo permaneceu assim: intenso e bonito. Uma excelente partida onde a superioridade do Benfica acabou por se evidenciar numa altura de maior cansaço da equipa do Rio Ave, que fez um jogo de grande esforço e perseverança.

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Cervi – Que grande categoria! É só o que tenho a dizer quanto a este jogo de Cervi. Que entrega! Quer em termos defensivos, quer em termos ofensivos. O número 11 pode não ter um lugar garantido na equipa titular do Benfica, mas a verdade é que a sua entrega esta noite pede por mais oportunidades como a que teve neste jogo.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Taarabt – Num jogo de alto calibre por parte de ambas as equipas é complicado eleger um fora-de-jogo, mas a escolha desta noite é Taraabt. Esteve um pouco perdido no sistema tático da sua equipa. O facto de estar muito subido no terreno acabou por espelhar algumas debilidades no meio-campo do Benfica que, até certa altura, estavam a ser aproveitadas pelo Rio Ave FC com saber, arte e engenho.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

O SL Benfica apresentou-se com o seu típico 4-4-2, mas que acabou por apresentar algumas debilidades para segurar o jogo a meio-campo. O centro do terreno encarnado esteve um pouco apático durante a primeira parte. Taraabt esteve algo perdido dentro de campo e muito subido no mesmo. Com isto, Weigl ficou muito exposto a um excelente trio que deu muitas dores de cabeça à equipa de Bruno Lage. A complementar a exímia exibição de Taremi, um autêntico lutador na frente de ataque, o trio Nuno Santos, Piazón e Diego Lopes fizeram uma grande diferença.

Um Benfica sem espaço para sair a jogar, começou por apostar mais num jogo através do corredor central que, ainda assim, não estava a correr da melhor maneira. As águias jogaram bem a níveis ofensivos, mas as lacunas defensivas estavam a ser demasiado evidentes e acabaram mesmo por se traduzir no resultado de 1-2 para o Rio Ave FC.

Com o desenrolar do jogo, a ideia que se formava é que faltava mais gente na área do Benfica para poder concretizar. E Bruno Lage percebeu isso mesmo. Tanto que aos 61′, Ferro saiu para a entrada de Seferovic. Weigl ocupou, a partir daqui, a posição de falso central. O Benfica passa então a jogar no seu meio-campo com Chiquinho e Taarabt e na frente de ataque: Vinícius e Seferovic. A estratégia cedo surtiu efeito, uma vez que o empate surge aos 61′ e a vantagem ocorre sensivelmente 10 minutos depois.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ivan Zlobin (4)

Grimaldo (4)

Rúben Dias (4)

Franco Cervi (9)

Chiquinho (7)

Pizzi (6)

Weigl (4)

Taarabt (3)

T. Tavares (8)

Vinícius (8)

Ferro (4)

SUBS UTILIZADOS

Seferovic (8)

Samaris (-)

Rafa (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – RIO AVE FC

O Rio Ave FC apresentou-se na Luz completamente desinibido, num 4-4-2 bastante eficaz. A certa altura começou a apostar num jogo mais reativo devido à preponderância ofensiva benfiquista, mas o apoio no corredor de Nuno Santos, Piazón e Diego Lopes ao homem mais avançado – Taremi – foi o trunfo da noite de Carlos Carvalhal. Esteve muito do jogo empurrado no seu meio-campo, mas soube muito bem gerir os momentos de jogo de forma eficaz.

Para além disso, a sua primeira linha defensiva esteve bastante atenta e foi uma autêntica muralha que dificultou bastante as manobras ofensivas encarnadas. Apesar de ter perdido este jogo, o Rio Ave FC deu uma lição a todos os que gostam de bom futebol. Fez frente ao seu adversário (e que adversário, diga-se de passagem) e conseguiu manter a sua estratégia avante até ao momento em que Bruno Lage lança as cartas todas ao colocar Seferovic em campo, optando por uma estratégia com dois homens na área.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Paulo Vítor (6)

Matheus Reis (7)

Filipe Augusto (6)

Borevkovic (8)

Diogo Figueiras (7)

Tarantini (7)

Diego (8)

Nuno Santos (7)

Piazon (7)

Santos (8)

Mehdi (8)

SUBS UTILIZADOS

Grabielzinho (-)

Diego Lopes (-)

Pedro Amaral (-)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Rio Ave FC

Não foi possível fazer perguntas ao treinador do Rio Ave FC, Carlos Carvalhal. 

SL Benfica 

Não foi possível fazer perguntas ao treinador do SL Benfica, Bruno Lage. 

Foto de Capa: Carlos Silva / Bola na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Portugal 28-34 Noruega: Que venha a main round!

A CRÓNICA: FALTA DE ACERTO NA FINALIZAÇÃO ACABOU POR DITAR A PRIMEIRA DERROTA PORTUGUESA NESTE CAMPEONATO DA EUROPA FRENTE À VICE-CAMPEÃ DO MUNDO

Com ambas as equipas já qualificadas para a fase principal da competição, esta terceira jornada iria definir quem passaria em primeiro e quem levaria pontos para essa segunda fase – os pontos conquistados entre as equipa apuradas para a main round transitam para essa fase.

O encontro começou com algum equilíbrio. Jogando em casa com mais de 8000 adeptos na Trondheim Spektrum, a Noruega ia sendo empurrada pelas bancadas, mas Portugal ia aguentando. Com uma defesa 6×0, que se transformava num 3×3 extremamente “agressivo”, a defesa lusa ia frustrando o ataque norueguês e conseguia roubar bolas que permitiam sair em contra-ataque.

No entanto, a Noruega é vice-campeã do mundo por alguma razão e com o central Sander Sagosen a comandar o ataque, os espaços lentamente começavam a aparecer. As ações de um-para-um norueguesas começavam a suceder-se e a vantagem começava a aumentar. Algum nervosismo ou ansiedade parecia dominar a equipa de Paulo Pereira e as precipitações sucediam-se, especialmente no plano ofensivo, onde as falhas de finalização começavam a amontoar-se. Ainda assim, ao intervalo a desvantagem portuguesa era de apenas dois golos com o marcador a assinalar 14-16.

No segundo tempo essas precipitações mantiveram-se. Uma entrada endiabrada por parte da Noruega, que começou a segunda parte com um parcial de 6-1, permitiu-lhes construir uma vantagem de sete golos que acabou por ser determinante para o resultado final.

Apesar dos esforços lusos, a desvantagem nunca passava dos quatro golos e Sander Sagosen continuava a dominar o plano ofensivo nórdico. Assim, foi com naturalidade que a Noruega controlou o resultado e saiu vencedora por 28-34.

A FIGURA

Fonte: Noruega

Sander Sagosen – O central norueguês que alinha pelo PSG está num momento de forma incrível e tem-no mostrado neste europeu. Com apenas 24 anos mostra bastante maturidade e consegue impactar o jogo mesmo sem marcar. Ao arrastar as marcações dos dois defesas centrais, abriu inúmeros espaços que os laterais noruegueses aproveitaram para marcar.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: FAP

João Ferraz – Mais uma exibição que apesar de esforçada, não deu os frutos que Paulo Pereira esperaria. Foram várias as ocasiões em que João Ferraz limitou a circulação de bola e houve momentos em que parecia não saber o que fazer com o esférico – altura em que normalmente simulava um remate em suspensão e tentava entrar aos seis metros, apenas para ser parado pela defensiva norueguesa.

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

A defesa portuguesa tem mostrado bastante versatilidade. Paulo Pereira tem mostrado vários esquemas defensivos e a equipa tem correspondido – neste encontro Portugal defendeu 6×0, 3×3 e 5×1. No entanto, tem sido o ataque que tem mostrado alguns “soluços”. Rui Silva é neste momento o jogador mais importante da equipa e Portugal sente cada vez que o central está fora de campo.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Alfredo Quintana – 6

Diogo Branquinho – 5

André Gomes – 6

Rui Silva – 5

João Ferraz – 4

Pedro Portela – 6

Alexis Borges – 7

SUBS UTILIZADOS

Humberto Gomes – 6

Miguel Martins – 7

Belone Moreira – 6

Daymaro Salina – 7

Alexandre Cavalcanti – 6

António Areia – 6

Fábio Vidrago – 6

Luis Frade – 6

Fábio Magalhães – 6

 

ANÁLISE TÁTICA – NORUEGA

Apoiados no seu 6×0 extremamente flexível, a Noruega demostrou todas as características de uma equipa escandinava: pontas rápidos e eficazes, disciplina, simplicidade de processos e muita frieza. Apoiados pelos seus adeptos e com Sander Sagosen e Magnus Röd a jogarem a este nível, a seleção norueguesa é uma das favoritas ao título.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Torbjoern Bergerud – 8

Magnus Joendal – 8 ´

Petter Overby – 6

Sander Sagosen – 8

Magnus Röd – 8

Kristian Björnsen – 6

Kristian Saeveraas – 6

SUBS UTILIZADOS

Goeran Johannessen – 8

Tom Nikolaisen – 7

Sander Overjordet – 6

Magnus Gullerud – 6

Christian O’Sullivan – 7

Eivind Tangen – 6

Harald Reinkind – 6

Kevin Gulliksen – 7

Alexandre Blonz – 6

Foto de Capa: FAP

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Tottenham Hotspur FC 2-1 Middlesbrough FC: “Passaporte carimbado” à segunda tentativa

A CRÓNICA: PRIMEIRA PARTE “A TODO O GÁS”, SEGUNDA A GERIR

Depois de ter estado a perder no campo do Middlesbrough, no primeiro jogo, o Tottenham conseguiu empatar essa partida e forçou a repetição do encontro, tal como mandam as regras da FA Cup. A entrada “de sonho” dos “Spurs” no segundo jogo facilitou uma missão que podia ter sido complicada, dada a imprevisibilidade e a alma que as equipas dos escalões inferiores sempre demonstram nestes jogos a eliminar.

Dois golos nos primeiros quinze minutos, apontados pelos argentinos Lo Celso e Lamela, respetivamente, frutos de dois erros da formação do “Boro”, trouxeram conforto à exibição dos londrinos. Se o Tottenham podia cometer o erro de adormecer perante esta vantagem, a verdade é que nunca baixaram a intensidade de jogo e tiveram mesmo mais algumas oportunidades para fazer golo antes do intervalo, mas o 2-0 permaneceu. Na segunda parte, os “Spurs” tentaram gerir o esforço e acalmar um pouco o ritmo de jogo, mas nunca perderam a concentração nem deixaram de ir em busca do golo. Ainda assim, o número de oportunidades para os londrinos marcarem diminui, e em oposição, as oportunidades para o “Boro” foram aumentando.

Foi numa destas oportunidades que os jogadores de Jonathan Woodgate conseguiram reduzir a desvantagem, por Saville, a sete minutos do fim. No entanto, foi tarde demais, e o Tottenham acabou por se agarrar à vitória e, assim, segue para a quarta eliminatória da Taça de Inglaterra.

A FIGURA

Fonte: Tottenham Hotspur FC

Erik Lamela – Exibição de “primeira água” do extremo argentino, que marcou um golo e podia ainda ter somado mais um par de tiros certeiros. Sempre a mostrar-se ao jogo e a combinar com os restantes elementos ofensivos, nunca teve posição fixa, o que abonou a seu favor. Uma menção honrosa também para Lo Celso, que numa semana onde se fala de um possível reforço do meio-campo dos “Spurs”, mostrou a José Mourinho que é uma opção muito válida.

O FORA DE JOGO

Fonte: Middlesbrough FC

Tomas Mejías – Ofereceu o primeiro golo ao Tottenham e, a partir daí, nunca transmitiu segurança ao resto da equipa. Protagonizou uma boa intervenção na segunda parte, após remate em curva de Eriksen, mas as restantes intervenções, sobretudo com os pés, revelaram uma tremenda falta de confiança, que se alastrou ao resto dos jogadores do “Boro”.

ANÁLISE TÁTICA – TOTTENHAM HOTSPUR FC

Imagem de marca deste Tottenham de José Mourinho, o 4-2-3-1 voltou a ser o esquema escolhido para dispor o 11 inicial do técnico português. Apesar de Tanganga, pela direita, não ter aparecido muitas vezes em terrenos adiantados, as constantes subidas de Sessegnon, pela esquerda, aliadas às brilhantes exibições de Lamela e Lo Celso, foram fatores chave para o bom desempenho dos “Spurs” neste encontro. Os dois argentinos, a par de Lucas Moura e Eriksen, formaram uma frente de ataque muito móvel, com constantes trocas de posição e, consequentemente, deixando a cabeça dos defesas adversários “à roda”. 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Paulo Gazzaniga (5)

Japhet Tanganga (7)

Davinson Sánchez (6)

Jan Vertonghen (6)

Ryan Sessegnon (6)

Eric Dier (6)

Harry Winks (6)

Giovani Lo Celso (7)

Christian Eriksen (6)

Erik Lamela (8)

Lucas Moura (6)

SUBS UTILIZADOS

Son Heung-Min (6)

Dele Alli (6) 

ANÁLISE TÁTICA – MIDDLESBROUGH FC

Com uma formação claramente defensiva e a procurar não sofrer, dispostos em 5-3-2, os planos de Jonathan Woodgate sofreram dois reveses nos primeiros 15 minutos. As dificuldades em reagir foram evidentes e a única maneira que o “Boro” encontrou para incomodar (muito pouco) a defesa contrária foi o jogo direto, fazendo-se valer do poderio físico dos seus dois avançados, Fletcher e Nmecha, que estão habituados aos duros confrontos do Championship. A intervenção dos três homens do meio-campo foi praticamente nula, o que dificultou a ligação de jogo e não permitiu a criação de oportunidades através de jogo apoiado.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Tomas Mejias (5)

Djed Spence (5)

Jonathan Howson (6)

Paddy McNair (5)

Dael Fry (6)

Marvin Johnson (6)

Adam Clayton (6)

Ben Liddle (5)

Lewis Wing (5)

Lukas Nmecha (6)

Ashley Fletcher (6)

SUBS UTILIZADOS

George Saville (7)

Marcus Tavernier (6)

Rudy Gestede (6)

Foto de Capa: Tottenham Hotspur

Revisto por: Jorge Neves

FC Porto 2-1 Varzim SC: Vitória Previsível

 

A CRÓNICA: DEVAGAR, DEVAGARINHO

Quartos-de-final da Taça de Portugal. Com o Estádio do Dragão como palco, FC Porto (com tudo a perder) e Varzim SC (com tudo a ganhar) discutiam um lugar nas meias-finais de uma prova na qual, mais do que incompetentes, os azuis e brancos têm sido pouco afortunados. Aos dragões cabia a responsabilidade de vencer o jogo e o demonstrar de uma seriedade quanto baste para levar de vencida uma equipa do segundo escalão do nosso futebol.

A verdade é que o FC Porto, como tantas outras vezes nesta temporada, entrou lento e previsível e permitiu que o Varzim SC se acomodasse à partida sem grandes sobressaltos. Sempre que em ataque organizado, os comandados de Sérgio Conceição (visivelmente agastado com a exibição da equipa no primeiro tempo) foram incapazes de ferir o adversário e foi permitindo que os poveiros, por via da velocidade dos extremos, fossem conseguindo sair com a bola controlada e colocando em sobressalto a defesa portista.

Incapaz através da circulação de bola, o FC Porto chegou ao intervalo a vencer por 2-1 muito devido ao aproveitamento de uma transição rápida após roubo de bola no meio campo contrário e de um livre lateral. Pelo meio, o Varzim silenciou o Dragão na cobrança de um livre em zona central, sem que Diogo Costa fique isento de culpas. Depois de uma segunda parte jogada a um ritmo, pasme-se, ainda mais lento do que a primeira, o resultado permaneceu inalterado.

O FC Porto não foi capaz de criar qualquer ocasião para dilatar o resultado e o Varzim SC, pese embora todo o voluntarismo dos seus jogadores, não teve capacidade física nem arte na decisão, para levar o jogo para prolongamento. Foi uma vitória previsível de uma equipa, também ela, previsível.

A FIGURA

Fonte: Varzim SC

Lumeka – Sem conseguir encontrar um jogador da equipa vencedora suficientemente merecedor de distinção, opto por dar palco ao jogador mais desconcertante da equipa do Varzim SC. Excelente jogo de um jogador inglês que, confesso, não conhecia. Muito rápido e com uma interessante qualidade técnica mostrou ter qualidade mais do que suficiente para outros patamares. Pôs a cabeça em água aos laterais portistas que pela sua zona de ação passaram. Se for capaz de melhorar o capítulo do cruzamento e a tomada de decisão pode augurar a outros voos.

O FORA DE JOGO

Fonte: FC Porto

Renzo Saravia – Toda a equipa estava a realizar um jogo insuficiente na primeira parte, mas não deixa de ser sintomático que o sacrificado volte a ser o lateral argentino (o pesadelo do jogo com o Krasnodar ainda paira na mente dos portistas). Apesar de interveniente de primeira linha no golo inaugural do jogo, Saravia raramente fez a diferença a atacar e no momento defensivo foi incapaz de suster as investidas de Lumeka. Se pudesse apostar diria que Sérgio Conceição terá saído para as cabines com vontade de mudar meia equipa, no entanto, ficou-se pelo lateral contratado no início da época ao Racing Avellaneda.

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

Sem a presença de Nakajima nas costas de Soares, o FC Porto regressou a um rígido 4x4x2. Fábio Silva juntou-se a Soares e Otávio e Luís Díaz foram procurando zonas interiores de forma a abrir caminho para os laterais. A máquina, no entanto, emperrou por via da lentidão de processos dos médios e pela ausência de movimentações sem bola que fossem capazes de confundir a defesa adversária. Após a entrada de Baró, voltou a receita de ter um homem no apoio ao ponta de lança, no entanto, o problema estava mais no ritmo e intensidade de jogo do que na colocação das peças em campo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Diogo Costa (4)

Saravia (3)

Mbemba (4)

Marcano (6)

Manafá (5)

Otávio (5)

Uribe (5)

Sérgio Oliveira (4)

Luís Díaz (4)

Fábio Silva (4)

Soares (5)

SUBS UTILIZADOS

Alex Telles (5)

Romário Baró (5)

Vítor Ferreira (-)

ANÁLISE TÁTICA – VARZIM SC

O Varzim SC que se apresentou no Estádio do Dragão foi uma bela surpresa. Perante um FC Porto errático (disso não tem culpa a equipa da Póvoa) os comandados de Paulo Alves apresentaram um surpreendente bloco médio, simplicidade de processos e objetividade na procura dos espaços nas costas dos laterais portistas. Com Baba (e mais tarde Minhoca) a fazer variar o esquema de tático entre um 4x2x3x1 e o 4x4x2 (juntava-se e Leonardo Ruiz em pressão, aproximava-se dos médios em contenção), o Varzim SC apresentou-se quase sempre organizado e com capacidade para ferir o FC Porto. O primeiro golo sofrido pelo FC Porto no Estádio do Dragão em provas nacionais esta época atesta bem a competência da equipa.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ismael (5)

João Amorim (6)

Alan (5)

Hugo Gomes (6)

Cerveira (5)

Rui Moreira (6)

Pedro Ferreira (6)

Baba (6)

Lumeka (7)

Leonardo Ruiz (6)

Frédéric Maciel (5)

SUBS UTILIZADOS

Caetano (5)

Minhoca (5)

Stanley (-)

Foto de Capa: Carlos Silva / Bola na Rede

Revisto por: Jorge Neves

Pesadelo na cozinha do Futebol Português

Esta noite, em Pesadelo da cozinha, fomos até ao centro de Lisboa. Visitámos ‘A Tasca da Liga’. Um restaurante com uma longa história de altos e baixos, e onde, actualmente, parece reinar a falta de gosto e a discórdia.

Pedro Proença é o proprietário. Há alguns anos à frente do negócio, Pedro abraçou o ramo da cozinha depois de ter estado durante muitos anos ligado à restauração, mais concretamente à pastelaria. Infelizmente, Pedro Proença tem metido os pés pelas mãos no que ao seu restaurante diz respeito, desde o planeamento da sua ementa, passando pela confeção dos próprios pratos e na ‘falta de voz’ de comando. Com uma ementa grande de mais, parece querer agradar a vegetarianos, aos que gostam de carne ou aos que só gostam de peixe. Mas, com tudo isto, o restaurante parece estar ‘sem rei nem rock’. E o staff também não ajuda muitoPesadelo

O cozinheiro! Neste restaurante de média dimensão, não há um, mas dois cozinheiros. Luís e Jorge são ‘os homens da cozinha’. No entanto, a comunicação entre eles é bem deficitária, e não poucas vezes entram em discórdia. Assistimos também a largos momentos em que simplesmente não havia  troca de ideias entre ambos.

Luís é o criador de algumas comidas mais típicas da zona lisboeta, e tem mão para a pastelaria, tentando adoçar a boca dos clientes. Jorge é o outro lado da moeda: é mais dado a petiscos nortenhos, e a sua fama vem de longe, de muito longe mesmo.

Dois cozinheiros que parecem ser dos melhores que poderia haver se trabalhassem em prol do bem comum. Mas não trabalham. Cada um faz o que basicamente quer, sem dar satisfações, nem mesmo ao proprietário.  Ambos estão ao serviço de si mesmos, e não há, parece, quem os coloque na linha. Quem é afinal o patrão? Pedro Proença, o Sr. Luís Filipe ou o Sr. Jorge Nuno?

Na copa temos o Frederico. Está apenas há um ano na cozinha da Liga e parece que para já, está a correr… menos bem. Muitos são os raspanetes e poucas as palavras de conforto. Parece querer aprender com os chefes da cozinha, mas não tem, para começar, a personalidades forte e vincada que estes têm.

Frederico parece, lá no fundo, ter o desejo de ir o quanto antes para a cozinha, quem sabe para fazer frente aos chefes. Parece querer aprender com eles, mas na esperança de rapidamente ‘lhes passar a perna’. Diz que ninguém faz troça dele, mas depois é ver todos a ‘carregar’ em cima do ‘aprendiz’ da cozinha. E nem a ‘falsa tranquilidade’ de Pedro lhe parecem ser suficientes.

Pedro Proença conseguirá algum dia oferecer a todos os portugueses um bom cozinhado?
Fonte: FPF

Na sala temos o chefe de sala e dois empregados de mesa:

O chefe de sala é um senhor de larga experiência. António é um homem carismático, que sabe o que faz, mas que parece ambicionar mais do que talvez possa conseguir. Da-se bem com ambos os homens da cozinha, mas parece ter mais afeição para o lado do chefe Luís. No entanto, do lado da sua figura cordial e bem posta, facilmente se entende que se acha tão ou mais importante que o resto do staff da casa. Procura, sempre sem excepção, ter opinião em todos os assuntos da tasca, e não poucas vezes tenta que a mesma seja a seguida pelo ‘chefe’. Lá no fundo, o homem quer ter tanta influência na gestão da casa, como os homens da cozinha. E todos os restantes sabem disso.

Se António se dá bem com os cozinheiros, o mesmo não se pode dizer com um dos membros da sala. Miguel, ou Lisboa, é um dos dois empregados de mesa. Faz as coisas sem levantar muitas ondas, mas, volta e meia, transborda e ‘deita tudo cá para fora’. De boa aparência, há no entanto algo que prejudica, consideravelmente, a casa: Lisboa e António mal se falam. Têm valores totalmente contrários, e parece existir até, entre eles, uma luta constante. Em alguns momentos parece até existir um ‘ódio patente’ nos seus olhares para com o outro, ou não fossem eles ‘migrantes’ de cidades próximas do norte do país.

Por fim temos o outro empregado de mesa. De uma classe média-baixa, vive com algumas dificuldades e aceita praticamente tudo o que lhe dizem. Parece ser o género de pessoa que ‘quer mas não consegue mais’. Recebe menos, vive na sombra dos outros e quase sempre tem de se contentar com as escolhas dos restantes. Poucas vezes se consegue fazer ouvir e quando o faz, acaba por ser camuflado pelas ideias ou exigências do restante staff. Não parece ter grandes perspectivas de evoluir muito e quando surge algo advindo de si, rapidamente os demais tomam conta ‘do caso’, abafando-o na maioria das vezes.

Conseguirá o chefe dar a volta a toda esta falta de comunicação? Conseguirá que a casa deixe de arder? Que a comida passe a ser servida com qualidade e que os clientes fiquem satisfeitos por serem tratados de forma correcta, cuidada e com paixão?

Não perca, já a seguir… Pesadelo na cozinha da Tasca da Liga.

Foto de Capa: Ljubomir Stanisic

Revisto por: Jorge Neves

O Passado Também Chuta: Clarence Seedorf

Clarence Seedorf foi um médio que brilhou ao mais alto nível do futebol europeu, o único jogador a vencer a Liga dos Campeões por três clubes diferentes – FC Ajax, Real Madrid CF e AC Milan.

Seedorf nasceu no Suriname, iniciando a sua carreira no Inter Moengotapoe. Cedo se transferiu para o Ajax, para integrar os escalões de formação, decorria a temporada de 1992/1993. Na mesma época, fez história ao serviço do clube holandês, tornando-se o jogador mais jovem de sempre a jogar na equipa principal, com apenas 17 anos.

Com a camisola do Ajax, viveu três épocas de sonho, que terminou com a conquista da sua primeira Liga dos Campeões, no dia 24 de maio de 1995, vencendo o Milan por 1-0, com golo de Patrick Kluivert. Em Amsterdão, Seedorf realizou 90 jogos e apontou onze golos, conquistando dois campeonatos, uma Taça da Holanda (KNVB Beker) e duas Supertaças (Johan Cruijff Schaal).

Na temporada 95/96 transferiu-se para o futebol italiano, para vestir a camisola da Sampdoria, onde esteve apenas uma época. Na época seguinte, voltava a protagonizar uma transferência, desta feita para o futebol espanhol, para representar o Real Madrid, por uma verba a rondar os 8.60 M€.

Seedorf venceu ao serviço do Real Madrid, a sua segunda Liga dos Campeões da carreira
Fonte: FIFA

No Real Madrid disputou 159 partidas e marcou 20 golos, tendo vencido uma Liga dos Campeões, um campeonato, uma Supertaça e uma Taça Intercontinental. Na época 1999/2000 regressou ao futebol italiano, para representar o Inter de Milão, uma transferência avaliada em 24 M€. No entanto, viria a ser no rival AC Milan, que três anos depois viria a representar, que iria fazer história.

Seedorf chegou ao Milan na temporada 2002/2003, vestindo a camisola “rossoneri” durante uma década, onde voltou a viver tempos de glória. Ao serviço do AC Milan conquistou dez títulos – dois campeonatos, duas Ligas dos Campeões, uma Taça de Itália, duas Supertaças, duas Supertaças Europeias, uma Taça Intercontinental e um Campeonato do Mundo de Clubes. Com a camisola “rossoneri” disputou 432 jogos e marcou 62 golos.

No final da sua carreira, ainda representou o Botafogo, vivendo mais uma aventura. Terminando a sua carreira enquanto profissional, dedicando-se à sua carreira de treinador.

Seedorf tendo nascido no Suriname, naturalizou-se holandês e representou a laranja mecânica em quatro fases finais – três campeonatos da Europa e o Mundial 98 disputado em França. Ao longo da sua carreira internacional, somou 87 jogos e onze golos pela sua seleção.

Seedorf ficará para sempre, na memória dos adeptos do futebol europeu e mundial. Um jogador que se destacava pela sua meia distância, pela visão de jogo, pela qualidade de passe e por ser tecnicamente evoluído. Um verdadeiro craque, que conquistou 21 títulos ao serviço dos vários clubes que representou.

Foto de Capa: UEFA

Revisto por: Jorge Neves

João Sousa eliminado no regresso ao court

O melhor tenista português de sempre realizou, na noite de ontem, o seu primeiro jogo da época. Nem mesmo a entorse contraída no pé esquerdo foi capaz de afastar João Sousa do tão aguardado regresso à competição.

No ATP de Auckland, na Nova Zelândia, o atual número 58.º do ranking ATP defrontou o tenista canadiano Vasek Pospisil. João Sousa iniciou bem a partida ao conquistar o break no primeiro jogo de serviço do seu adversário. No entanto, o rumo do encontro mudou drasticamente. Vasek Pospisil não deixou o português gozar da sua vantagem e, num curto espaço de tempo, alcançou duas quebras de serviço. Estes dois breaks viriam a ser decisivos para o desfecho do primeiro set, uma vez que a vantagem de dois jogos não se alterou.

João Sousa teve longe do seu melhor ao longo do encontro
Fonte ATP World Tour

No segundo set, o domínio de Vasek Pospisil tornou-se ainda mais evidente. João Sousa nunca conseguiu responder, muito por culpa da falta de ritmo competitivo. Mesmo a chuva, que interrompeu o encontro aquando do 4-1, não foi capaz de refrescar as ideias de vimaranense.

O canadiano, número 146.º da classificação mundial, acabou por fechar as contas da partida em pouco mais de uma hora e garantiu o apuramento para a próxima ronda. João Sousa não teve o regresso que provavelmente desejava, mas mantém-se em competição na vertente de pares do torneio neozelandês.

Foto de Capa: ATP World Tour

Revisto por: Jorge Neves

Antevisão SL Benfica x Rio Ave FC: Um penúltimo passo rumo ao Jamor

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TAÇA NA LUZ MARCADA POR DÉRBI EM ALVALADE

O Sport Lisboa e Benfica recebe hoje na Luz o Rio Ave FC na disputa por um lugar nas meias-finais da Taça de Portugal. Um sorteio madrasto para os vila-condenses pode muito bem vir a comprovar-se como uma excelente oportunidade para a equipa de Carlos Carvalhal fazer história e aproximar-se da final da prova rainha em Portugal.

Eliminado da Taça da Liga e a fazer uma sólida prestação no campeonato (sétimo lugar), a Taça de Portugal surge como o principal objectivo da época.

Ao contrário da equipa visitante, o SL Benfica irá entrar neste jogo com a cabeça no dérbi de sexta-feira. As escolhas de Bruno Lage assim o comprovarão e, a menos que o resultado o obrigue, o ritmo do jogo encarnado também. Será um jogo onde o grande favorito possivelmente não entrará à altura do seu estatuto.

O Rio Ave FC é, juntamente com o FC Porto, a melhor defesa da competição, com um saldo de zero golos sofridos em três jogos. Porém, até esta eliminatória, só defrontou equipas do Campeonato de Portugal: Clube de Condeixa ACD, FC Alverca e o GD Marinhais.

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Do lado do SL Benfica, aparece Vinícius como o melhor marcador – quatro golos em três jogos – entre os clubes ainda em prova, tendo inclusive marcado o golo da vitória na eliminatória anterior frente ao SC Braga.

Enquanto o SL Benfica é o Rei desta Rainha – com 26 conquistas – o Rio Ave FC apenas disputou uma final, já no ano 2014, a qual perdeu exactamente contra os encarnados. Também Carlos Carvalhal, só por uma vez – em 2002 pelo Leixões -, disputou a final do Jamor. Após uma excelente campanha onde eliminou o Portimonense SC e o SC Braga, acabou por a perder frente ao Sporting CP.

COMO JOGARÁ O SL BENFICA?

Hoje, no relvado do Estádio da Luz, prevejo um SL Benfica com um futebol mais próximo daquele que em 2019 por vezes desapontou os seus adeptos. Bruno Lage deverá manter a aposta no 4-2-3-1, porém com mexidas decisivas que certamente irão quebrar a ligação da equipa ao bom futebol.  Com a deslocação a Alvalade na mira, suponho que Bruno Lage fará descansar jogadores como Gabriel, Taarabt e Pizzi, e continuará a dar minutos a Weigl, A. Almeida e Seferovic.

Estas alterações irão obrigatoriamente quebrar o ponto forte da equipa – a criatividade e entendimento colectivo no jogo interior. Teremos um SL Benfica menos dinâmico, com as alas mais abertas e o avançado mais isolado. E, possivelmente, a pressão do adversário poderá fazer regressar aquele futebol expectante e sem iniciativa de jogo. Será um 4-2-3-1 jogado sector a sector e com muita procura pela linha.

JOGADOR A TER EM CONTA

Weigl será o mais talentoso em campo e o grande motor do meio-campo encarnado
Fonte: SL Benfica

Julian Weigl – O centro campista alemão será o grande destaque do 11 encarnado esta noite. Já ultrapassado o nervosismo da estreia, e já mais ambientado à equipa, terá hoje novamente no Estádio da Luz a oportunidade de se mostrar aos adeptos. Um jogo de menor pressão, onde será o mais talentoso em campo e o grande motor do meio-campo encarnado. Sendo titular, partirá de si a capacidade do Sport Lisboa e Benfica de retirar a bola ao adversário, de temporizar o jogo e ainda de dar qualidade à distribuição e construção de jogadas de ataque. Em vésperas de dérbi, hoje é o dia de Julian realmente se mostrar de águia ao peito.

XI PROVÁVEL

4-2-3-1: Zlobin, André Almeida, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Florentino, Weigl, Chiquinho, Jota, Cervi e Seferovic.

COMO JOGARÁ O RIO AVE FC?

Carlos Carvalhal deu o mote na sua antevisão ao jogo referindo que, ao contrário do jogo para o campeonato, desta vez a equipa de Vila do Conde desloca-se ao Estádio da Luz com melhores opções ofensivas e que tentará tirar proveito disso para praticar um futebol mais de ataque.

Assim, no seu habitual 4-3-3, prevejo que o Rio Ave FC apareça para disputar o jogo pelo jogo, procurando ter bola e explorar a maior debilidade encarnada – o processo defensivo. Apesar de ser jogo da taça, deverá entrar com o melhor 11 em campo – excepção ao guarda-redes: dois laterais com gosto ofensivo, dois médios de maior qualidade a preencher o espaço e pressionar sobre a bola e pelo menos dois jogadores rápidos no ataque, com Nuno Santos em destaque na progressão pela ala.

JOGADOR A TER EM CONTA

Nuno Santos é rápido, criativo e tem um excelente pé esquerdo
Fonte: Rio Ave FC

Nuno Santos – O extremo formado no SL Benfica encontra-se provavelmente no momento mais alto da sua carreira. As lesões ficaram para trás, a forma física está no ponto e a confiança com bola está restabelecida. Um jogador rápido pela linha, criativo e com um excelente pé esquerdo capaz de colocar a bola tanto nos colegas como na baliza. Está em boa forma e passará por si muita da responsabilidade para explorar o espaço que os encarnados cedem entre os defesas e os médios. Sem um registo de golos e assistências de deslumbrar, a verdade é que para o campeonato só não foi titular em Braga – por lesão – e tem sido dos jogadores mais decisivos em Vila do Conde.

XI PROVÁVEL

4-3-3: Paulo Vítor, Diogo Figueiras, Borevkovic, Aderlan Santos, Matheus Reis, Filipe Augusto, Tarantini, Diego Lopes, Lucas Piazón, Nuno Santos e Mehdi Taremi.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Estará o futsal do Sporting a perder força?

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O Sporting de Nuno Dias é, há vários anos, a modalidade que nos tem dado mais alegrias. E mesmo no último ano, em que perdeu o campeonato para o seu maior rival, conseguiu prendar-nos com um título europeu, que há tanto perseguíamos. Ainda assim, vou deixar aqui alguns reparos à actual equipa de futsal do Sporting, tentando que seja encarada como uma crítica construtiva.

Desde meados da época desportiva de 2018/2019, e principalmente após o empate com o Benfica para a Champions League em que passámos pela diferença de golos – porque tivemos sorte nesse empate (as conquistas também têm uma parte de sorte) – que eu dizia começar a ver um Sporting com dificuldades para ter ascendente sobre o rival.

Desde aí, e depois de termos também sofrido uma derrota por 4-1 para o campeonato com o nosso mais directo adversário, até hoje, temos tido muita dificuldade em controlar esses jogos mais exigentes. Aliás, depois deste jogo, em confrontos diretos com os encarnados, tivemos uma vitória por 6-1 quando já estamos a 5 pontos do primeiro lugar e na final tivemos a única vitória da mesma, já no prolongamento e com auto-golo do adversário.

É verdade que estas dificuldades só surgem em jogos complicados contra adversários que apresentam uma qualidade equivalente à nossa, no entanto preocupa que comece a transparecer um ascendente do adversário nesses mesmos confrontos. E esses mesmos embates tornam-se cada vez mais importantes, uma vez que as restantes equipas do campeonato não apresentam capacidade de tirar pontos aos dois candidatos ao título. No ano passado, para além de uma derrota contra a equipa que foi campeã, apenas tivemos um empate contra a Quinta dos Lombos e terminámos a fase regular em segundo.

O que quero dizer é que o Sporting, a meu ver, tem pecado por contratar demasiados craques. Confuso? Passo a explicar. E com craques quero dizer jogadores que gostam do um-contra-um, correr com a bola ou segurar para definir.

O Sporting tem jogadores como Merlim, Alex, Taynan, que dão prioridade à definição individual, que muitas vezes resulta, mas perde maior percentagem de sucesso contra guarda-redes de qualidade, e equipas que defendem com muita qualidade tanto individual como colectiva. Temos também dois excelentes pivots, mas param muito o jogo, principalmente Rocha que muitas vezes segura a bola dando as costas ao adversário, para poder fletir para dentro e rematar. Depois temos jogadores rápidos como Deo, Pany Varela ou Pauleta que são muito rápidos com bola, mas por vezes desastrados com a mesma, também devido à rapidez do seu jogo.

Ou seja, temos excelentes jogadores, individualmente, que estão a jogar muito menos colectivamente. Temos jogadores rápidos, mas não jogamos rápido. Os nossos jogadores, ao optarem pela finta, ou por segurar a bola, tiram rapidez ao jogo colectivo, dando possibilidade de reposicionamento ao adversário. E é por isso que muitas vezes, nos últimos tempos, temos chegado ao fim com a sensação de que fomos melhores, mas a equipa adversária foi mais efectiva no ataque. Porque também eles têm qualidade (apesar de muitas vezes nos custar admitir por ser aquele adversário) e colocam essa qualidade em prol do jogo rápido e coletivo.

Devo dizer que tinha este texto preparado antes dos jogos da taça da liga, e não vou mudar uma virgula ao que escrevi. Porque efectivamente, mais uma vez, o adversário nos criou dificuldades, e mais uma vez, apesar de ficarmos com a sensação de sermos superiores no jogo, eles parecem mais competitivos, mais colectivos, com jogadas rápidas, trocas rápidas.

Fiquei com a sensação, não sei se correcta porque não consegui rever todos os golos dos nossos jogos do fim de semana, que a maioria dos nossos surgiram de bolas paradas, o que também vai de encontro ao que dizia antes. O nosso jogo está a tornar-se previsível pelos lances de Merlim ou Alex, pelas paradas, flexões para dentro e remate de rocha, pelo lance rápido junto a linha de Deo ou Pany. Estamos com menos jogo coletivo, e, por isso, mais previsíveis.

Adoro as jogadas do Merlim, gosto dos golos do Rocha, do Cardinal, do Cavinato. Acho que temos mesmo muita qualidade, mas com jogo muito menos colectivo.

E antes de terminar deixo uma afirmação que talvez não seja compreendida, ou bem aceite, mas sabem quem fazia falta? Mais que Dieguinho ou Fortino? Cary (ou outro com as suas características).

A equipa do Sporting tem sentido dificuldades nos jogos contra os eternos rivais
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Digo isto porque Cary é um jogador rápido, sabe defender, sabe atacar, joga rápido colectivamente, não segura a bola, define bem. É um dos que trabalha para que outros brilhem. Estamos a precisar de mais jogadores menos exuberantes e que joguem para a equipa e em equipa. Ele raramente perdia bolas em zonas de perigo, o que acontece com Erick e Leo por exemplo.

A menos conseguida Champions desta época também pode ser um reflexo disso mesmo. E no último jogo dessa competição levámos um banho de uma equipa que não tinha as individualidades que nós temos.

Com este texto não quero criticar a equipa, os jogadores, ou os treinadores. Os jogadores são o que são. Se os obrigamos a jogar de outra forma talvez se tornem jogadores vulgares. Assim, acho importante fazer um upgrade a esta equipa com um ou dois jogadores mais colectivos.

Não vejam este texto como uma crítica a uma equipa que já nos deu tanto. Vejam como um alerta de um adepto que pensa ser essa a mudança a fazer para que continuemos a ser a melhor equipa da Europa. Se a mudança puder acontecer com os jogadores que temos, ótimo, porque temos jogadores de grande qualidade.

Antes de terminar quero também deixar mais um pormenor relativamente ao adversário que tem lutado pelo título com o Sporting. Parabéns pelo autocontrolo dos jogadores. Nunca fazem a sexta falta. Quase sempre chegam à quinta, mas nunca metem a sexta. Alias, não é só no futsal. Quem não se lembrará de um jogador que andou com 4 amarelos desde a quinta ou sexta jornada da primeira liga de futebol, e conseguiu estar toda a restante época se ver um único cartão? É obra.

Quanto ao que nos resta para esta época. Temos taça de Portugal e Campeonato para conquistar. Juntando esses à supertaça, será novamente um ano inesquecível para o FUTSAL do SPORTING. Mas temos de melhorar um pouco, e, para isso, temos um excelente treinador capaz de o fazer.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Joana Mendes

BnR TV T1/EP10 – Pedro Henriques analisa todos os casos da jornada

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