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Super Bowl XLVIII – Uma tareia das antigas

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cab NFL

3:38 da manhã, hora portuguesa. Um velho amigo pergunta-me: então, como ficou o jogo da Super Bowl? Confesso que hesitei em dar-lhe uma resposta automática. Depois de ter assistido à finalíssima da liga de futebol americano, durante as últimas horas, não sabia exactamente o que dizer do jogo. Como resumir numa resposta breve aquilo que foi a Super Bowl XLVIII? Encolhi os ombros, e confesso que não fui o mínimo original na minha resposta: “foi uma grandessíssima malha, foi o que foi!”.

E foi mesmo, não há grande volta a dar. Os Seahawks venceram a primeira Super Bowl da sua história, ao deixarem os Broncos sem qualquer tipo de argumentos, no Met Life Stadium, casa dos New York Jets. O resultado final foi de 43 – 8, que espelha na perfeição a superioridade da equipa de Seattle.

Entrada… com o pé esquerdo.
Ora então, vamos lá começar a Sup… SAFETY, Seahawks! Os mais distraídos provavelmente nem sequer a viram, mas bastaram escassos segundos para os Seahawks mostrarem que não estavam para brincadeiras. Falha de comunicação do ataque dos Broncos, Peyton Manning não apanha o snap e a defesa dos Seahawks corre desenfreadamente para fazer os primeiros pontos da noite, naquele que acabaria por ser um claro presságio da péssima noite que a equipa de Denver teria pela frente.

Seattle Seahawks conseguem o safety na primeira jogada da partida. Fonte: Usatoday.com
Seattle Seahawks conseguem o safety na primeira jogada da partida
Fonte: Usatoday.com

Com um início de jogo muito aquém do esperado, os Denver Broncos esperavam, agora, que o veterano Peyton Manning mostrasse as suas verdadeiras cores e liderasse a equipa da forma triunfante com que bateu inúmeros recordes durante a fase regular deste ano. Só que, infelizmente para os adeptos de Denver, passou-se exactamente o oposto. A defesa dos Seahawks continuou imparável e interceptou, por duas vezes, os passes do veterano de 37 anos, por intermédio de Kam Chancellor e Malcolm Smith, com Cliff Avril ao barulho em ambas as jogadas. Ao intervalo, o placard anunciava 22 pontos para os Seahawks… zero para os Broncos. Em Denver, ninguém acreditava no que via. Era mau de mais para ser verdade.

Segunda parte… e mais do mesmo.
Recuperar de uma margem de 22 pontos era uma tarefa que se adivinhava herculana, mas muitos eram aqueles que acreditavam numa reviravolta estrondosa dos Broncos, com Manning e companhia a fazerem uma segunda parte de luxo. Mas o difícil e pouco provável rapidamente se transformou em quase impossível. Logo a abrir a segunda parte, Percy Harvin recebe o kick off de Matt Prater e corre 87 jardas para mais um touchdown da equipa comandada por Pete Carrol. Volvidos mais alguns minutos, Jermaine Kearse recebe um passe do Quarterback Russell Wilson, arma-se em verdadeira máquina de pinball humana ao passar por quatro (!!) defesas dos Broncos e nova explosão de euforia por parte dos adeptos dos Seahawks. A três minutos do fim do terceiro período de tempo, 36 – 0, para desespero da defesa de Denver.

Jermaine Kearse, numa jogada para ver e rever Fonte: Online.wsj.com
Jermaine Kearse, numa jogada para ver e rever
Fonte: Online.wsj.com

Demaryius Thomas foi o responsável pelo único touchdown dos Broncos, seguido de uma conversão de dois pontos por Wes Welker. Mas era já tarde de mais. Doug Baldwin certificou-se disso mesmo, ao dar a machadada final nos sonhos dos adeptos esperançosos (e algo irrealistas, diga-se) dos Broncos, que já gritavam “comeback time!”.

Herói azul, bobo laranja.

Findado o jogo, a festa foi azul. E que festa! Seattle não tinha uma equipa a ganhar um campeonato profissional desde 1976, com os Seattle SuperSonics, na NBA. Muitos duvidaram da capacidade dos Seahawks em voar alto, no início da temporada. A grande exibição na Super Bowl calou todos esses críticos, ao ter secado por completo uma lenda viva da modalidade, que muitos já anteviam como grande vencedor e MVP certo. No final do encontro, o sempre controverso Richard Sherman referiu que, para ele, a verdadeira Super Bowl foi a final da NFC, que opôs Seahawks aos San Francisco 49ers, e que estas eram as duas melhores equipas de toda a NFL. Enquanto adepto dos 49ers, sou obrigado a concordar, até porque Colin Kaepernick e companhia deram muito mais luta aos Seahawks do que os Denver Broncos. Porém, a grande “malha” que levaram na Super Bowl não apaga a excelente campanha que os Broncos fizeram esta temporada… ainda que muitos tendam a esquecer-se disso mesmo.

 

Má prestação dos Broncos alvo de gozo por todas as redes sociais.
Má prestação dos Broncos alvo de gozo por todas as redes sociais
Fonte: Facebook.com/MEMES.of.the.NFL

Há dias bons e dias maus. A Super Bowl XLVIII foi um misto de ambos. Tudo correu de feição aos Seahawks, enquanto aos Broncos não lhes saia absolutamente nada. Sofreram pontos em momentos cruciais do jogo e, no ataque, foram dominados por uma defesa que, em dias normais, é excelente, mas que, na Super Bowl, foi um absoluto titã. O resultado traduz esta realidade, e muitos até dizem que os Broncos tiveram sorte em não levar mais. Aos Seahawks até deu para pôr a jogar o Quarterback suplente. E, quando isso acontece, é muito mau sinal para a equipa adversária…

Não há volta a dar: a Super Bowl XLVIII foi, basicamente, uma valente tareia das antigas.

Malcolm Smith foi considerado o MVP do jogo, depois de ter feito uma intercepção crucial, que transformou em touchdown a favor dos Seahawks. Fonte: Superesportes.com.br
Malcolm Smith foi considerado o MVP do jogo, depois de ter feito uma intercepção crucial, que transformou em touchdown a favor dos Seahawks
Fonte: Superesportes.com.br

Acredita, Portugal!

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cab futsal

A Seleção das Quinas venceu, ontem à tarde, a Ucrânia, por 2-1, carimbando assim o passaporte para as meias-finais do UEFA Futsal Euro 2014.

Portugal apresentou-se para este jogo com algumas debilidades, visto que o seu goleador nato, Joel Queiroz, e o seu experientíssimo ala Pedro Costa não puderam jogar, devido a problemas físicos. Pedro Carry e Ricardo Fernandes, caso tivessem visto o cartão amarelo, não poderiam jogar na meia-final, tornando-se assim mais uma condicionante para a Seleção portuguesa. Felizmente, isso não aconteceu, e teremos estes dois jogadores a ajudar a Seleção em busca da final. Espero que Joel Queiroz e Pedro Costa estejam disponíveis para o jogo de quinta-feira, porque são, sem dúvida alguma, uma mais-valia.

Ambas as equipas entraram em campo com vontade e confesso que a seleção ucraniana me impressionou positivamente. Apresentou-se como uma equipa difícil, organizada e perigosa nos remates de meia distância.

Cardinal inaugurou o marcador aos três minutos, através de um bom trabalho que resultou num remate que só parou nas redes da baliza ucraniana. Recordo que esta equipa não sofreu qualquer golo na fase de grupos, mostrando a sua qualidade defensiva. Portugal apresentava-se organizado, mas o golo pareceu ter desorganizado a equipa lusitana, culminando na perda desnecessária de bolas. Faltou pautar o jogo para controlar a ascensão da Ucrânia.

Portugal, a níveis qualitativos, é claramente superior a esta seleção da Ucrânia, mas não é só a qualidade individual que importa e o coletivo do adversário funcionou muito bem.

Aos 12 minutos, o número oito, Valenko, aproveitou uma perda de bola em zona proibida, empatando a partida.

Jorge Braz pediu o primeiro desconto de tempo, a quatro minutos do final da primeira parte, o que resultou numa melhoria defensiva e, posteriormente, numa melhoria do jogo.

A primeira parte foi equilibrada, tendo a Ucrânia condicionado Portugal. Foi uma primeira metade muito complicada, em que o adversário jogou de forma cautelosa, equilibrada, estando muito bem defensivamente.

Ricardinho brilhou no jogo de ontemFonte: Uefa.pt
Ricardinho brilhou no jogo de ontem
Fonte: Uefa.pt

Aos 23 minutos, Cardinal bisa na partida, num golo resultante de um colocadíssimo remate junto ao poste, com a assistência do mágico Ricardinho. Nos restantes minutos da partida, Portugal dispôs de algumas ocasiões para marcar e um golo terminaria com as esperanças da Ucrânia.

Ao ver-se na frente, Portugal jogou melhor, mas rapidamente decresceu, permitindo o subir de nível da equipa ucraniana, o que causou perigo, assustando o guardião nacional.

O jogo terminou e Portugal qualificou-se para a próxima fase da competição. Foi um jogo bem disputado e equilibrado, principalmente no que diz respeito à defesa, em que Portugal foi superior. Contudo, concluo também que Portugal poderia ter-se aplicado mais para não gerar tanto sofrimento aos adeptos e aos próprios jogadores.

Destaco as magníficas exibições de Fernando Cardinal e do pequeno “gigante” Ricardinho. Ricardinho tem-nos habituado a exibições de altíssimo nível e hoje não foi exceção, tendo contribuído e muito para o êxito de Portugal. Jogador rapidíssimo, implacável no um para um, com um excelente remate com ambos os pés e um poder de passe magistral. Estes dois golos de Cardinal foram muito importantes, tanto para a Seleção como para o jogador, que respondeu a todos os seus críticos dizendo “presente!”. Os guarda-redes, João Benedito e André Sousa, mantiveram um bom nível, como é habitual.

Cardinal, o autor dos dois golos portugueses Fonte: A Bola
Cardinal, o autor dos dois golos portugueses
Fonte: A Bola

Neste jogo, foi visível uma faceta de sofrimento mas também entreajuda entre todos os jogadores, algo que até agora não tinha sido visto, resultando numa motivadora e importante vitória. Portugal mostrou que merece estar no grupo das quatro melhores seleções da Europa.

Portugal terá agora de defrontar o vencedor do Itália-Croácia. Prevê-se a vitória transalpina, não se antevendo, no entanto, quaisquer facilidades diante uma aguerrida seleção croata. Tenho a certeza de que Portugal vai ultrapassar as derrotas passadas com a Itália e transformar este jogo numa partida sorridente que levará à tão ambicionada final.

Vender é bom, manter é melhor…

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portosentido

Ainda bem que Mangala e Fernando não saíram! Este foi o primeiro pensamento que me veio à cabeça aquando do fecho do mercado. As opiniões sobre a venda de Mangala e Fernando divergem. Enquanto algumas pessoas vêm o negócio dos dois jogadores como algo excelente face ao encaixe financeiro significativo, outras tantas – eu incluído – não o vêm com tanto excitação.

Fernando tem sido um dos titulares indiscutíveis de Paulo Fonseca. Na verdade, não há outra forma de ser. O médio luso-brasileiro é o pilar de segurança do meio-campo e das manobras ofensivas e defensivas. A alcunha de “Polvo” assenta-lhe como uma luva e esta época Fernando voltou a mostrar o porque de ser tão cobiçado. Ao longo do tempo em que vestiu um dragão ao peito, foi notável a mudança do estilo de jogo de Fernando. No início da carreira (no Porto entenda-se), o médio era exclusivamente trinco. No que toca a recuperar a bola ninguém, no plantel do Porto, se saía melhor. No resto, Fernando era demasiado contido e limitado. A sua acção no ataque era nula e deixava demasiadas vezes a equipa desprotegida. Agora, o trinco tornou-se um médio mais completo, que integra melhor as acções ofensivas e mantém a rentabilidade enquanto recuperador de bolas.

Nesta época, Fernando tem sido o médio mais constante e seguro dos habituais titulares. Como já disse, o pilar de segurança do meio-campo. Caso a transferência para o Manchester City fosse consumada seria, como foi Lucho, um grande rombo nas aspirações ao título por parte do Porto, até porque as alternativas não me parecem prontas para preencher o lugar do “Polvo”. Defour ou Herrera, as duas principais alternativas, não se encontram preparados.

nando
O “Polvo” em acção
Fonte: misticadodragao.blogspot.com

O caso do francês é diferente. Quando vi Elaquim Mangala, ex-Standard Liége, chegar ao Porto, fiquei algo céptico. Os primeiros jogos do central não me convenceram e cheguei a pensar que poderia até ser um flop. Então, tudo mudou…

Num curto espaço de tempo, Mangala tem demonstrado, na minha opinião, que é o activo mais valioso (a par de Jackson) do plantel do Porto. O central francês é extremamente rápido e forte. É imponente no jogo aéreo e não compromete quando joga com os pés. O francês é capaz, como já mostrou no Porto, de avançar no terreno e, até certo ponto, de iniciar o processo de ataque. Na defesa do Porto é rei e senhor. No sector central é sempre Mangala e mais um, seja Otamendi ou Maicon. Perante este trio, Diego Reyes ainda tem muito para evoluir… Se o Porto perdesse Mangala, ia perder meia defesa. Apesar de Maicon e Otamendi serem dois centrais muito competentes e capazes, não chegam à qualidade de Mangala.

Ficam os jogadores, afastam-se as libras inglesas. O hipotético negócio dos dois jogadores renderia por volta de 56 milhões de euros. Qualquer clube em Portugal não se pode dar ao luxo de ignorar uma proposta deste calibre. Porém, se combinarmos as cláusulas de rescisão de Fernando e Mangala, a soma perfaz um total acima da hipotética proposta da equipa de Manchester. Não tenho a menor dúvida de que este duo portista possui qualidade mais do que suficiente para alinhar numa equipa como o Manchester City, nem que o tempo de Fernando e Mangala com dragões ao peito se aproxime do fim. Tenho ainda a certeza de que Pinto da Costa não irá deixar dois activos valiosos saírem mesmo que dêem um retorno financeiro massivo. A minha única preocupação nesta situação é o contrato de Fernando. O luso-brasileiro termina contrato esta época e isso pode influenciar o mercado no que toca à potencial contratação do médio. A proposta era boa, sim. Mas sem duas peças fundamentais a já complicada conquista do título seria uma tarefa equiparável aos 13 trabalhos de Hércules…

Bola na Rede na Feel FM!

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Depois de 10 programas em podcast, o Bola na Rede regressa às rádios. A partir da novíssima 8ª temporada do nosso programa radiofónico, o BnR vai passar a ser transmitido na Feel FM. Esta rádio online, fundada em janeiro deste ano, tem residência em Almeirim (região do Ribatejo) e privilegia o teor de programação generalista. Apesar de ser uma estação que concede maior atenção à informação do concelho de Almeirim, também aposta em programas de autor de âmbito nacional e é aqui que o Bola na Rede se insere.

Depois de 6 temporadas na ESCS FM, o nosso programa expande-se para outra estação, sem, claro, perder a sua identidade. Em termos de conteúdos, o Bola na Rede manterá a sua liberdade habitual, tendo, como é hábito, as rubricas “A Jornada”, “Figura da Semana”, “Fora-de-Jogo da Semana” e a “Zona de Apostas”.

A nível de convidados, prometemos que as novidades continuarão. Estejam, portanto, muito atentos a esta nova temporada.

A Maldição

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O que terão em comum jogadores como Ricardo Sá Pinto, Ivaylo Iordanov, Leandro Machado, Delfim, Marius Niculae, Marat Izmaylov, Valeri Bojinov e Jeffrén? Uns melhores, outros piores; uns certamente mais marcantes do que outros; uns mais significativos para o emblema leonino, outros com passagens fugazes por Alvalade. Porém, duas coisas ligam de forma factual estes oito atletas: problemas físicos/disciplinares e o jersey utilizado.

Desde a saída de Luís Figo de Alvalade, a camisola 7 do Sporting tornou-se, de uma forma impressionante, um claro sinónimo de azar. Esta superstição levou, inclusivamente, vários atletas a trocarem de numeração: casos de Iordanov, que trocou o malfadado “7” pelo número 9; de Delfim, que passou a envergar o 6; do romeno Niculae, que adoptou o 9; e, por fim, de Sá Pinto e Izmaylov, que abraçaram com alívio a camisola 10, depois de grandes azares vividos com o “número malvado”.

Mas que problemas terão sido estes? Fará sentido ter medo de um simples número (que popularmente até se associa à sorte), ter medo de uma simples camisola? Decerto não poderá ser apenas um número a causar tanto estrago. A verdade é que Sá Pinto, após o regresso a Alvalade, depois de uma passagem pela Real Sociedad, foi atormentado por lesões constantes e afastamentos longuíssimos, sem conseguir voltar a impor o seu futebol de leão ao peito. Já Iordanov, um símbolo leonino, o primeiro capitão estrangeiro do Sporting, teve, porventura, o maior azar de todos estes atletas enumerados: o abandono da carreira devido a doença, mais especificamente esclerose múltipla. Para além de sucessivas lesões, também Delfim se viu obrigado a terminar a carreira devido a problemas graves na coluna.

O simpático e acarinhado jogador romeno, que chegou ao Sporting em 2001, Marius Niculae, começou muito bem o seu percurso em Alvalade, criando um triângulo atacante perfeito com Jardel e João Pinto, até se lesionar com gravidade nos ligamentos internos do joelho. Niculae ainda se manteve durante vários anos no Sporting, mas o certo é que nunca mais foi o mesmo jogador que vimos chegar, numa época bastante feliz para todos os sportinguistas. Marat Izmaylov foi um poço de problemas e continuou a sê-lo no Dragão: lesões, indisciplina, falta de vontade de treinar, falta de vontade de jogar, um homem que parece não gostar do que faz, da profissão que tem, um atleta triste, de sorriso inexistente. A solução para o russo, e a minha opinião vale o que vale, seria abandonar a carreira e fazer algo de que realmente goste.

Leandro Machado e Bojinov apareceram e desapareceram rapidamente do Sporting: Leandro gostava demasiado das distracções que a noite lisboeta oferecia, e, apesar da qualidade inegável, o seu empenho não acompanhava o potencial que tinha; já o búlgaro Bojinov, para além da falta de qualidade (que só Luís Duque e Carlos Freitas não viram), teve o azar de “roubar” a bola a um Matías Fernández, que iria bater uma grande penalidade e falhá-la de forma impressionante – edificou o seu azar.

Bojinov e Carlos Freitas na apresentação do jogador  Fonte: Blog “Ti Amo Sporting”
Bojinov e Carlos Freitas na apresentação do jogador
Fonte: Blog “Ti Amo Sporting”

Até ao fecho do mercado de Inverno, que ocorreu no passado dia 31, o último número 7 do Sporting foi o hispano-venezuelano Jeffrén Suárez. O ex-Barça estava “encostado” na equipa B sem jogar, depois de duas épocas na equipa principal sem qualquer brio e com variadas lesões graves – problemas que já o atormentavam em Espanha. Porém, no mesmo dia 31, surgiu um atleta que ignorou toda esta nuvem em volta de uma camisola que há quase 20 anos traz azares sucessivos a quem a enverga. Destemido, o “faraó” Shikabala não hesitou em  herdar o “7” de Jeffrén e planeia acabar com esta maldição. Apesar de toda esta vontade do egípcio (até ameaçou acabar a carreira se o negócio entre Zamalek e Sporting não se concretizasse), os factos não jogam a seu favor: segundo alguns portugueses que já trabalharam no futebol egípcio, o jogador tem historial de problemas disciplinares, e, segundo Leonardo Jardim, não apresenta neste momento uma boa forma física.

 

Shikabala e Bruno de Carvalho selam o acordo   Fonte: Maisfutebol
Shikabala e Bruno de Carvalho selam o acordo
Fonte: Maisfutebol

 

Será a “rebeldia” de Shikabala o mote para a maldição do “7” continuar? Poderá, por outro lado, voltar a tornar o jersey “7” uma camisola lendária, marcando golos como os que têm circulado na web nos últimos dias? Será que, depois do Bola de Ouro Luís Figo, só o regresso do nosso outro Bola de Ouro poderá acabar com toda esta maldição? Será que existe alguma maldição? Serão os factos das duas últimas décadas suficientes para falarmos de maldição? Acreditar ou não: a decisão é sua.

Benfica, mete a sexta

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Terceiro Anel

O tema deste artigo, como sempre, é a equipa de futebol do Benfica; mas, se me dão licença, quero fazer um pequeno preâmbulo sobre automóveis. E isto porque me sinto na necessidade de desabafar uma coisa convosco: tenho pena de o meu carro não ter seis velocidades, mas em compensação espero que o meu lindo Benfica meta a sexta – que é como quem diz, espero que obtenha a sexta vitória consecutiva diante do Sporting, em casa, para jogos do campeonato!

Porém, antes de entrar a fundo no meu baú de recordações, queria já elucidar os leitores dos seguintes dados: o Sporting não vence no Estádio da Luz desde o dia 28 de Janeiro de 2006! Ou seja, da última vez que o Sporting venceu o jogo pelo qual suspira durante todo o ano, eu ainda tinha 17 anos (e, sim, estou a ficar velho); da última vez que o Sporting venceu na Luz, o Engenheiro José Sócrates era um Primeiro-Ministro aclamado no nosso país; da última vez que o Sporting venceu na Luz, havia pouco desemprego em Portugal; da última vez que o Sporting venceu na Luz, Luís Figo ainda jogava na selecção nacional; da última vez que o Sporting venceu na Luz, Cavaco Silva ainda não tinha sido empossado como Presidente da República; da última vez que o Sporting venceu na Luz, eu ainda achava que ia ser bom futebolista.

Posto isto, e como tive de sair de casa, tive de elaborar o resto do artigo enquanto viajava de carro. Veículo a iniciar o andamento; como tal, a principiar a marcha com a primeira velocidade metida. E onde é que a primeira me levou? Pois bem, levou-me até ao dia 27 de Setembro de 2008, para um Benfica 2-0 Sporting, em jogo a contar para a 4ª jornada do campeonato. Com 60 mil nas bancadas, e após uma 1ª parte equilibrada, os pupilos orientados por Quique Flores (que treinador medonho…) arrancam uma 2ª parte de raiva, chegando à vitória com um petardo de Reyes e com um cabeceamento fulminante de Sidnei. E a cereja no topo do bolo, qual foi? Foi ver um Carlos Martins possuído, festejando o segundo golo como se não houvesse amanhã.

Contudo, mal aumentou um pouco a velocidade, teve de se recorrer à segunda mudança. E sendo assim, fui parar a uma noite chuvosa, com estádio cheio. Dia 13 de Abril de 2010, 26ª jornada, a minha pessoa colada ao ecrã. Benfica preso de movimentos no primeiro tempo, acusando a pressão de um jogo que quase nos colocava às portas do título. Na segunda parte, o espectáculo foi grandioso. O Sporting nem saiu lá de trás, Cardozo inaugurou o marcador e depois… bem, depois um momento emocionante: Aimar, esse Deus, correu quase todo um meio-campo, com a bola coladinha ao pé, passou Rui Patrício e fez o 2-0. Mal marcou virou-se para a bancada, enquanto beijava o emblema do Benfica. Um homem também chora, e este é daqueles momentos que tenho dificuldade em rever, porque sei que as marotas das lágrimas podem aparecer.

Aimar levou a Luz à loucura com um golo inesquecível, em 2009/2010 Fonte: Mais Futebol
Aimar levou a Luz à loucura com um golo inesquecível, em 2009/2010
Fonte: Maisfutebol

Com estas lembranças, o carro lá começou, desesperado, a pedir mais um movimento no manípulo. Terceira posta, velocímetro a marcar 55 km/h, e eu em 2010/2011. Estávamos na 5ª jornada do campeonato, éramos os campeões nacionais, mas tínhamos começado horrivelmente a prova. Aquele Benfica vs Sporting era uma prova de fogo para o Benfica e para Jorge Jesus, já muito contestado. Talvez daí, o Benfica lá sacou um jogo de alto nível, com Cardozo a fazer miséria, marcando os dois golos do maior de Portugal, e tendo mais oportunidades nos pés. Vitória sem espinhas, Estádio da Luz a reconciliar-se com a equipa.

De seguida, entrei na auto-estrada, e, como tal, tive de colocar a quarta velocidade. E assim, lá estava eu no dia 26 de Novembro de 2011, num Estádio da Luz a abarrotar, 11ª jornada do campeonato. Um competente Sporting, na altura a atravessar uma grande fase, criou-nos problemas, mas, com muito empenho e sacrifício, ainda para mais depois da expulsão de Cardozo, o Benfica atingiu a vitória. Javi Garcia, poucos minutos antes do intervalo, marcou o único golo do jogo, fazendo explodir o inferno da Luz.

Mas não deu para andar durante muito tempo em quarta, e como tal foi uma questão de segundos até se chegar à quinta velocidade. E eis a minha pessoa no dia 21 de Abril de 2013, domingo com tempo fantástico, ambiente de festa na catedral. Num jogo muito disputado, o Benfica voltou a vencer o rival lisboeta, somando assim cinco vitórias consecutivas na Luz defronte do Sporting! Com um resultado final de 2-0, o Benfica contribuía assim para aumentar o tormento leonino, que resultaria num inacreditável 7º lugar. Porém, quando se fala deste jogo não há como esquecer aquele fabuloso segundo golo, no qual Gaitán e Lima pintaram uma tela digna de Van Gogh.

Quando dei por mim, e no auge da minha emoção por tanta recordação boa, tinha o motor a emitir ruídos elevados, pedindo afincadamente a sexta mudança. O problema é que o meu soberbo veículo não a tem, mas eu sei o que o Benfica, no próximo domingo, se encarregará de a meter, levando assim à loucura milhões e milhões de adeptos.

Boa sorte, Sport Lisboa e Benfica.

Quartos-de-Final – Agora é a doer!

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cab futsal

O Europeu de futsal está ao rubro. Depois de alguns resultados surpreendentes na fase de grupos, os quartos-de-final começam hoje e prometem ser muito bem disputados.

 

Fase de Grupos

Grupo A: Bélgica, Roménia e Ucrânia

Como era espectável, a equipa da casa foi eliminada. Perdeu 1-6 com a Roménia e obteve um 0-0 com a Ucrânia.

A luta entre Ucrânia e Roménia antevia-se muito equilibrada e assim foi: a Ucrânia venceu por 1-0, alcançando assim o primeiro lugar do grupo.

 

Grupo B: Rússia, Portugal e Holanda

Grupo interessante, onde havia claramente dois favoritos a seguir em frente (Rússia e Portugal), mas onde surgiu uma Holanda motivada por não participar num Europeu há 9 anos, mesmo não apresentando grandes argumentos.

A Holanda perdeu 7-1 com a Rússia e 5-0 com Portugal, num jogo em que Portugal se podia ter aplicado mais, acabando por ser eliminada.

O jogo entre Rússia e Portugal antevia-se como um jogo de altíssimo nível, digno de uma final. As duas equipas entraram bem na partida, jogando de forma cautelosa e segura. A primeira parte terminou 0-0 e para a segunda parte previa-se mais agressividade de ambas as partes. Ricardinho inaugurou o marcador mas passados apenas 27 segundos a Rússia marcou. O jogo esteve sempre entre o empate e a vitória, mostrando claramente a semelhança qualitativa das duas seleções. Terminou 4-4, tendo a Rússia alcançado o primeiro lugar e Portugal o segundo.

Publico.pt
Portugal continha a sonhar neste Europeu
Fonte: Publico.pt

 

Grupo C: Itália, Azerbaijão e Eslovénia

Este grupo adivinhava-se difícil, tendo acabado por ser uma agradável surpresa. O primeiro jogo ditou uma derrota da gigante Itália frente à Eslovénia – equipa que nunca tinha alcançado qualquer ponto em fases finais – por 3-2, num jogo muito intenso em que os eslovenos se exibiram a grande nível.

Em seguida, Eslovénia e Azerbaijão protagonizaram um jogo de enorme equilíbrio e qualidade. O Azerbaijão mostrou que estava na luta pelo apuramento ao vencer por 7-6.

Naquele momento havia duas equipas com 3 pontos (Eslovénia e Azerbaijão) e a Itália encontrava-se com uns surpreendentes 0 pontos.

O jogo entre a Itália e o Azerbaijão iria ditar quem passaria à fase seguinte e quem ficaria pelo caminho. Pelos resultados anteriores podia-se prever um jogo equilibrado, devido à derrota da Itália e à vitória do Azerbaijão mas a clara superioridade italiana sobrepôs-se à vontade da equipa do Azerbaijão, acabando a Vechia Signora por vencer 7-0. A Itália passou em primeiro lugar e a surpreendente Eslovénia em segundo.

O grupo C foi sem dúvida o mais equilibrado, tendo todas as seleções terminado com 3 pontos.

 

Grupo D: Espanha, República Checa e Croácia

Neste grupo antevia-se uma luta acesa pelo 2º lugar, visto que o primeiro lugar era claramente para a poderosíssima Espanha.

O jogo entre Espanha e Croácia ditou mais um resultado surpreendente. As duas seleções empataram 3-3 num jogo em que a Croácia dominou claramente, tendo merecido ganhar. O jogo entre Croácia e República Checa esperava-se muito equilibrado. E foi, de facto. Terminou 3-3 e adiou a qualificação para o último encontro. A Espanha cilindrou a República Checa por 8-1 num jogo de sentido único, mostrando que basta praticar o seu habitual jogo para se superiorizar a qualquer adversário.

 

Quartos-de-Final

uefa.com (as horas correspondem ao horário belga, menos 1h em Portugal)
Fonte: Uefa.com (as horas correspondem ao horário belga, menos 1h em Portugal)

Ucrânia-Portugal

Na minha opinião, o jogo de hoje entre Ucrânia e Portugal será muito bem disputado (em 4 jogos disputados entre ambos cada seleção soma 2 vitórias e 2 derrotas). Penso que Portugal será superior, apresentando o jogo sólido e organizado que apresentou com a Rússia ou até com a Holanda, embora este tenha sido mais acessível. Estou ansioso por ver este importantíssimo duelo!

Roménia-Rússia

Sou da opinião que a Rússia sairá deste encontro claramente vencedora devido ao jogo que tem apresentado e à magnífica qualidade do seu plantel, sem querer tirar mérito à equipa da Roménia, que tudo fará para se qualificar.

Os jogos de amanhã serão muito competitivos e talvez possa haver mais uma surpresa neste Europeu de Antuérpia.

 

uefa.com (as horas correspondem ao horário belga, menos 1h em Portugal)
Fonte: Uefa.com (as horas correspondem ao horário belga, menos 1h em Portugal)

Itália-Croácia

A Itália defronta a Croácia num jogo que será muito interessante e ao mesmo tempo algo imprevisível. A Itália perdeu o primeiro jogo com a Eslovénia e a Croácia alcançou um empate frente à Espanha. Estamos na fase a eliminar e qualquer descuido ditará a respetiva eliminação. Recordo que o vencedor deste jogo defrontará o vencedor do Ucrânia-Portugal (esperemos que seja a seleção das quinas).

Eslovénia-Espanha

O último encontro dos quartos-de-final adivinha-se complicado tanto para a Espanha como para a Eslovénia. A Espanha é favorita em todos os jogos que disputa e neste também o é, mas a Eslovénia aparece nesta fase depois de uma surpreendente vitória frente à Itália e de um surpreendente apuramento, por isso penso que será um jogo muito intenso e bem disputado por ambas as seleções.

O vencedor do Roménia-Rússia jogará com o vencedor do Eslovénia-Espanha.

Bundesliga 2013/14 – 19ª Jornada

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Esta semana a Bundesliga começou mais cedo, com uma vitória suadíssima do Bayern München no terreno do Stuttgart numa partida referente ainda à 17ª jornada. Ibisevic marcou primeiro para os da casa, mas Pizarro empatou aos 76′. O momento da partida estava reservado para os descontos: Thiago, num golpe espetacular, deu a vitória à equipa de Pep Guardiola com um dos melhores golos da época.

Quem também venceu fora, mesmo estando a perder, foi o Nürnberg. O Hertha marcou cedo por intermédio de Adrián Ramos (4′), mas aos 20′ foi a vez de Faulner empatar a partida. A segunda parte foi toda dos visitantes, que acabaram por dar a volta, com Drmic a bisar (68′ e 90′).

O avançado Rudnevs continua em grandeFonte: Frankfurter Allgemeine
O avançado Rudnevs continua em grande
Fonte: Frankfurter Allgemeine

O Hannover 96 continua a sua boa fase. Recebeu e bateu o Borussia Monchengladbach por 3-1. Diouf continua a ser a figura de destaque da equipa da casa, apontando mais dois golos nesta edição da Bundesliga. O outro tento do Hannover foi concretizado por Rudnevs. Mlapa foi quem reduziu a diferença no marcador para o lado do Borussia.

Num dos grandes jogos da jornada 19, o Bayer Leverkusen não desiludiu. Mesmo assim, foi o Stuttgart quem se adiantou no placard, através de um grande golo do recém-chegado de um Borussia Dortmund: Leitner. Kiessling empatou o jogo à passagem do minuto 26′, e foi já perto do fim que Derdiyok deu a vitória à equipa da casa.

Frankfurt foi um adversário fácil para o BayernFonte: Superesportes.com.br
Frankfurt foi um adversário fácil para o Bayern
Fonte: Superesportes.com.br

O Bayern München recebeu e massacrou o Eintracht Frankfurt (adversário do FC Porto na Liga Europa). Mario Götze foi quem marcou o primeiro, e o que se seguiu foi um autêntico festival de bom futebol. O Frankfurt não teve como parar os golos que ainda estavam por chegar de Ribéry, Robben, Dante e Mandzukic. Com esta vitória, o Bayern München começa já a pensar sobre a quantas jornadas do fim se sagrará bi-campeão, dada a diferença de 13 pontos para o Bayer Leverkusen, que segue em 2º.

O Schalke 04 recebeu o Wolfsburgo e chegou cedo (9′) à vantagem, depois de uma cabeçada certeira de Felipe Santana. O Wolfsburgo, uma das equipas-sensação desta edição da Bundesliga, empatou aos 65′ por intermédio do jovem Max Arnold, após uma boa jogada colectiva da frente de ataque dos wolfs. Kevin Prince Boateng viria a dar a vitória ao Schalke 04 aos 81′ com um grande remate, não dando hipóteses de defesa a Diego Benaglio.

Aubameyang foi decisivoFonte: Getty Images
Aubameyang foi decisivo
Fonte: Getty Images

Aubameyang teve uma tarde de sonho ao apontar os dois golos do Borussia Dortmund que deram a vitória dos vice-campeões europeus frente ao Eintracht Braunschweig. O golo dos da casa foi apontado por Kessel. O Borussia mantém-se assim a apenas um ponto do 2º lugar.

Resultados:

Eintracht Frankfurt – 1×2 – Borussia Dortmund
Bayer Leverkusen – 2×1 – VfB Stuttgart
Schalke 04 – 2×1 – VfL Wolfsburg
Augsburg – 3×1 – Werder Bremen
1. FSV Mainz 05 – 2×0 – SC Freiburg
TSG 1899 Hoffenheim – 3×0 – Hamburger SV
Hertha BSC – 1×3 – FC Nürnberg
FC Bayern München – 5×0 – Eintracht Frankfurt

Janeiro de recordes

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Passada uma semana desde o meu último texto, muitíssimas coisas aconteceram. Muito podia falar sobre estes últimos dias: desde a vitória dos Miami Heat sobre os San Antonio Spurs à derrota dos Miami Heat diante dos Oklahoma City Thunder. Poderia até dar a minha opinião acerca daquela que tem sido a máquina destruidora da liga, marcando 30 ou mais pontos por mais de dez jogos consecutivos, Kevin Durant. No entanto, decidi falar sobre o mês de Janeiro.

Desde o início do ano, catorze jogadores, repito, catorze jogadores bateram os seus recordes de pontos. Um dado impressionante, quase tão espetacular como as suas prestações.

Comecemos por analisar este dado. Bater recordes pessoais é certamente uma conquista rara nas carreiras dos jogadores. No passado mês de Janeiro, mais de uma dúzia de jogadores conseguiram realizar tal feito.

Victor Oladipo, rookie dos Orlando Magic, é um dos nomes que tem andado na ribalta por ser um jogador muito completo e que tem mostrado grandes capacidades defensivas. Num jogo extremamente emocionante contra os Chicago Bulls, Oladipo marcou 35 pontos num confronto que chegou ao terceiro prolongamento. Podem contestar que estando na primeira época é relativamente fácil atingir recordes pessoais, mas 35 pontos, até para uma estrela, é fenomenal.

Do outro lado da fronteira norte-americana, em Toronto, Terrence Ross (jogador de segundo ano), atualmente campeão de afundanços do fim-de-semana dos All-Stars, fez dez triplos num jogo e marcou 51 pontos. Quebrou o seu recorde pessoal e igualou o recorde do clube. O último jogador a atingir este número foi Vince Carter. Esta performance fenomenal foi contra os Los Angeles Clippers, porém a vitória foi para a formação californiana. Sendo um atleta com um alto poder de elevação, Ross tem feito uma época impressionante e demonstrado por que merece estar no cinco inicial da equipa canadiana. Ainda na mesma formação, DeMar DeRozan carregou a sua equipa na vitória sobre os Dallas Mavericks, marcando 40 pontos. Este duo fantástico possui uma capacidade fora do normal e faz parte de uma das formações da conferência Este que mais tem dado que falar desde a saída de Rudy Gay (já falarei sobre ele mais à frente).

Ambos os jogadores têm ajudado imenso o grupo canadiano a juntar vitórias. É impressionante o facto de estarem no terceiro lugar na conferência Este depois da saída da sua maior estrela. Thechronicleherald.ca
Ambos os jogadores têm ajudado imenso o grupo canadiano a juntar vitórias. É impressionante o facto de estarem no terceiro lugar na conferência Este depois da saída da sua maior estrela
Fonte: Thechronicleherald.ca

No estado da Pensilvânia, na sua maior cidade, treinam os Philadelphia 76ers. E pode afirmar-se com algumas certezas que se tem vivido um clima de excitação à volta do rookie Michael Carter-Williams; contudo, há jogadores que também merecem atenção pelas suas épocas impressionantes, como o poste Spencer Hawes, o extremo-poste Thaddeus Young e Evan Turner, um jogador que marcou 34 pontos, um ponto alto na sua carreira na vitória sobre os New York Knicks. Turner tem sido um jogador que pessoalmente me tem vindo a impressionar bastante, sendo muito útil nesta época e dando vitórias à sua equipa, como foi o caso de ontem, sobre os Celtics.

Carmelo Anthony, por sua vez, tem sido criticado por não estar a conseguir levar os Knicks à sua teoricamente merecida glória. No entanto, contra os Charlote Bobcats Carmelo bateu três recordes. O seu pessoal, o máximo número de pontos de sempre da instituição dos New York Knicks e a maior pontuação feita por um só jogador que a mítica arena de Madison Square Garden já viu. Com 62 pontos marcados, Anthony superou Bernard King no lado dos Knicks e Kobe Bryant, com 60 e 61 pontos respetivamente.

Agora olhemos para a conferência Oeste, mais precisamente no estado do Texas: a equipa de Houston teve dois jogadores que bateram recordes pessoais (para além dos Raptors e dos Rockets, também os Thunder e os Sacramento Kings tiveram dois jogadores com a melhor prestação da carreira). Estou a falar do subestimado Chandler Parsons e do jogador em constante ascensão, Terrence Jones. O último marcou 36 pontos na vitória sobre os Milwaukee Bucks e Chandler Parsons marcou 34 na derrota diante dos Memphis Grizzlies. Para além desse ponto alto na sua carreira, Parsons fez dez triplos numa parte, batendo um recorde da NBA. A equipa de Houston parece estar bem servida de talento. Estamos perante uma equipa que pode lutar pelo título. Pelo menos, tem argumentos para isso. Mas isso são conversas para outro texto.

No estado da Califórnia, mais precisamente em Sacramento, Rudy Gay fez 41 pontos e Marcus Thorton 42. Sem dúvida um mês com jogadores a fazerem jogos impressionantes na equipa dos Kings; contudo, a qualidade de jogo apresentada tem vindo a decrescer. Os Kings ocupam agora o último lugar da conferência Oeste. Ainda neste lado do país, um dos grupos que mais espetáculo dava no final da década de 80 e durante a época de 90, os Utah Jazz, na altura com o duo formado por John Stockton, o líder em roubos e assistências na história da NBA, e por Karl Malone, um dos melhores extremos-postes de sempre, continua a sua época de reconstrução. Em Gordon Hayward têm sido apoiados quase todos os jogos da formação desde o início da época desportiva. Em Janeiro, Hayward espantou os Oklahoma City Thunder ao marcar 37 pontos e, para surpresa de todos, garantiu a vitória da equipa de Salt Lake City.

Mudando o foco, referir-me-ei agora a equipas que atualmente são consideradas favoritas na corrida ao título. Em Indiana tem-se festejado a época mais do que soberba que os Pacers têm feito. A equipa está atualmente com o melhor registo de vitórias e derrotas de toda a liga e tem feito jogos que garantem o estatuto previamente dito. Para além da estrela Paul George, que está a ser um dos melhores jogadores está época, também Lance Stephenson tem espantado todo o mundo do basquetebol com as suas exibições, sendo a vitória recente sobre os New York Knicks a que por agora é mais falada. Marcando 28 pontos, Stephenson liderou a sua equipa em pontos numa vitória sem qualquer contestação.

Ambos os atletas tiveram um mês de Janeiro fulminante. Contudo, Kevin Durant levou a melhor praticamente todas as equipas que enfrentava.  Usatoday.com
Os dois atletas tiveram um mês de Janeiro fulminante. Contudo, Kevin Durant levou a melhor praticamente todas as equipas que enfrentava
Fonte: Usatoday.com

A equipa de Portland também tem sido uma das que mais sobrolhos tem levantado, vencendo inúmeras vezes (coisa que não aconteceu muito regularmente no ano passado) e por margens elevadas. O cinco inicial, normalmente composto por Damian Lillard, Wesley Matthews, Nicolas Batum, LaMarcus Aldridge e Robin Lopez tem surpreendido todos os fãs e todas as equipas que encontram. Recentemente, Aldridge marcou 44 pontos contra os Denver Nuggets e mostrou por que é que está na corrida para MVP. Para além disso, tem sido, discutivelmente, o melhor extremo-poste do ano.

Por fim, direcionamos as atenções para Oklahoma. Desde que Russel Westbrook se lesionou, Reggie Jackson tem assumido o papel de base e até agora não tem desiludido. Para não variar, em Janeiro fez 27 pontos (mais um máximo pessoal). Mas a maior estrela dos Thunder, essa sim, não tem desapontado ninguém. Posso afirmar com certezas que se Durant não se lesionar até ao final do ano e continuar a jogar como tem feito, vai ser nomeado MVP. Está numa sequência de doze jogos sempre a marcar mais do que 30 pontos e contra os Golden State Warriors venceu, quase sozinho, marcando 54 pontos.

Enfim, Janeiro foi um mês espetacular e muitos jogos ainda faltam até o fim da época regular. Se no final de todos os meses tiver de escrever um texto assim, a liga só tem a ganhar.

Quem teme ser vencido tem a certeza da derrota

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eternamocidade

“Paulo Fonseca acaba de chamar o último jogador para entrar em campo… e vai ser Licá a última aposta do técnico portista aqui na Madeira”.

Não foi por acaso que decidi colocar esta citação, proferida por um jornalista da SportTV aquando do Marítimo-FC Porto, para começar o texto desta semana. Quando ouvi as palavras do repórter, e depois de 80 minutos de uma exibição a roçar o medíocre, pensei com os meus botões que a “última aposta do técnico portista”, de seu nome Licá, simbolizava bem aquilo que tem sido a época portista. Licá é apenas um exemplo da falta de opções que o FC Porto tem no seu plantel. A equipa, semana após semana, aparece amorfa em campo, sem um pensamento daquilo que quer para si. Atemorizado sempre que enfrenta um adversário com alguma qualidade, o FC Porto é uma equipa que não consegue reagir à adversidade. Bem sei que ainda na semana passada a reviravolta por 3-2 contra o Marítimo foi uma prova da crença dos portistas, mas esse triunfo pareceu-me sempre um acaso de circunstância.

Não vou continuar a bater na tecla do treinador por duas razões: a primeira, porque parece-me óbvio que não é preciso repetir sempre o mesmo discurso para fazer alguém perceber que Paulo Fonseca não tem unhas para a guitarra que tem nas mãos; a segunda, porque acho que a culpa não é única e exclusivamente dele. Apesar de considerar Fonseca um treinador demasiado apático e inexperiente para a responsabilidade que o cargo envolve, também é preciso perceber que a guitarra que o treinador tem é de longe a mais fraca dos últimos anos no Dragão.

Nos últimos anos, foram várias as “estrelas” que foram deixando uma marca que a história não conseguirá apagar. Falo de Lisandro López, de Lucho, de Hulk, de James, de Moutinho e até de Falcao. O FC Porto descobriu-os, desenvolveu-os e vendeu-os a preços milionários, tornando-se um dos clubes mais vendedores da Europa. A cada ano que passava, os títulos iam-se acumulando e, num efeito dominó, parecia sempre inevitável a saída das jóias da coroa portista.

Apesar das saídas, de uma maneira ou outra, a equipa reergueu-se e nos últimos dois anos, Vítor Pereira conseguiu ir buscar dois títulos ao fundo do baú. Depois da época dourada de André Villas-Boas, os dois campeonatos conquistados por Vítor Pereira fizeram deste FC Porto um tri-campeão. Contudo, e como acredito que podemos sempre ver as questões em diferentes perspectivas, não posso deixar de referir que me parece óbvio que a equipa portista foi, ao longo dos últimos anos, cada vez substituindo de maneira mais insuficiente as perdas que foi tendo. Por essa razão, não me surpreendem as últimas campanhas na Liga dos Campeões, onde, nas últimas três participações, apenas por uma vez o FC Porto passou aos oitavos, tendo nessa mesma fase sido eliminado pelo “colosso” Málaga.

Esta contextualização serviu sobretudo para demonstrar que, apesar dos sucessos internos nos últimos anos, o FC Porto não pode nem deve ser apenas isso. Sendo o clube europeu com mais títulos no séc. XXI, os azuis e brancos habituaram-nos a outros desempenhos e outros espectáculos. Contudo, e como diz o povo, “a qualidade paga-se”. No campeonato nacional, o FC Porto foi conseguindo moldar as debilidades no seu plantel, muito devido à pouca oposição de 80% das equipas da Primeira Liga. Na Europa, e como não podia deixar de ser, a manta encurtou.

Não é preciso ser muito entendido para se perceber que o plantel deste ano é apenas mais um exemplo daquilo a que me refiro. Noutros tempos, questiono-me se jogadores como Josué, Licá e Ghilas teriam lugar no plantel do FC Porto. Noutras alturas, pergunto-me se Carlos Eduardo, Varela ou até Defour teriam classe para envergarem, enquanto titulares, uma camisola com aquela mística. Bem sei que os tempos mudaram, mas quero acreditar que a mentalidade ganhadora não.

Por tudo isto, não acho nem por um segundo que a culpa apenas é de Paulo Fonseca. Apesar da influência que teve na contratação de determinados jogadores, parece-me óbvio que não é o único culpado pelo tormento que é ver esta equipa jogar semana após semana. Sem alma, sem garra, sem atitude, já faltam palavras para descrever uma equipa que de campeã nacional parece já só ter as memórias daquele mítico minuto 92 e o símbolo de campeão envergado na camisola.

O jogo na Madeira foi apenas mais um exemplo que comprova as limitações do FC Porto. É portanto ainda mais incrível que, com todos estes equívocos, a equipa ainda consiga estar “apenas” a 4 pontos da liderança, e perfeitamente na luta pelo título. Com tantos erros acumulados, estar em quatro competições parece uma utopia para tamanha falta de qualidade na equipa portista. Não vale a pena falar do jogador A, B ou C em particular, porque a falta de espírito portista é geral.

Pior do que perder é não querer ganhar. Em poucas palavras, o título que escolhi, retirado de uma citação de Napoleão Bonaparte, retrata numa frase aquilo que o FC Porto representa actualmente. Três derrotas em 17 jogos e uma falta de identidade que não conhece comparação nos últimos anos. Entre a falta de qualidade de grande parte do plantel até à apatia do seu treinador, parece difícil encontrar argumentos que façam justificar a esperança nesta equipa. Faltam 13 jogos no campeonato e, com o derby na Luz na próxima semana, o FC Porto até se pode aproximar da liderança.

Ainda sou do tempo em que o tri-campeão não dependia de ninguém para mostrar a sua força e o seu domínio em Portugal. Bem sei que os tempos mudaram, mas quero acreditar que o FC Porto não. Ao olhar para o presente, é nisto que me resta acreditar.