Início Site Página 11494

Baú Benfica

0

nascidonafarmaciafranco

Quando nasci, em Maio de 1993, a casa já era vermelha. Nesse ano iria ter o primeiro cachecol do glorioso, em 1994 o primeiro equipamento, em 2000 iria ver o primeiro jogo ao vivo, no antigo Estádio da Luz, e em 2006 assinar-me-ia sócio nº154042 do Benfica. Hoje guardo tudo num baú.

9 de Novembro de 2013.

É dia de jogo. O Benfica vem de uma melhoria de forma, de rendimento, de qualidade e de equilíbrio colectivo. Tem vindo a apresentar um futebol mais caracterizado (facto que o resultado negativo que traz da Grécia, frente ao Olympiakos, não invalida) depois de alguns deslizes no início da temporada. Tudo bons indicadores, mas um dérbi é sempre um dérbi e um rival sempre um rival. Abro o “Baú Benfica” e tiro de lá o cachecol. Orgulhoso como sempre das cores que carrego, estou pronto a rumar ao inferno da luz.

À entrada, um forte dispositivo policial nas imediações do estádio não esconde o alto risco a que o jogo está associado. O cortejo das claques leoninas aproxima-se e a tensão aumenta – a rivalidade secular entre as equipas está viva como nunca deixou de estar. São tochas, são petardos, são milhares a uma só voz. Ali, onde Eusébio tem o seu forte pontapé imortalizado, a massa benfiquista escreve o preâmbulo daquilo que vai ser o jogo entre as duas facções da segunda circular. Dentro do estádio, um topo norte verde muito bem composto não intimida uma casa bem vermelha. Hino cantado, voo da “Vitória” bem-sucedido, Duarte Gomes apita, a bola começa a rolar. A história do jogo está escrita, não tenho que a reinventar. Um Tacuara inspirado, mortífero e completamente reconciliado com a família benfiquista encontrou um colectivo verde e branco decidido e cheio de vontade de vencer. Para o bem do adepto de futebol, imperou o espectáculo; para o meu bem, venceu o Benfica. Um resultado sempre justo, se quisermos evocar o utilitarismo de John Stuart Mill – a maximização do bem-estar foi respeitada, ganhou o clube capaz de proporcionar felicidade a mais pessoas.

Terminado o jogo, atravesso de novo o Tejo, rumo ao meu outro lar. Chego a casa e devolvo o cachecol ao sítio de onde o tirei. Chama-se “Baú Benfica” e não esconde a ligação fervorosa que tenho com o clube de coração. Lá dentro encontra-se tudo o que materializa uma espécie de Sport Lisboa e Alberto: cachecóis, camisolas, bandeiras. É até engraçado ver como “crescem” os equipamentos de ano para ano, respeitando o tempo em que eu próprio crescia com o Benfica sempre presente. Fecho o baú com a certeza de que vou voltar a abri-lo numa próxima ida à catedral.

Baú Benfica
Baú Benfica

O amor é isto. “Obrigado, Benfica”, disse vezes sem conta. Obrigado por momentos de alegria únicos, pelo que de mim exaltas, por cada golo, por cada salto no estádio, pela vivacidade que imprimes em mim. Obrigado por mais um regressar a casa feito de glória, de um sentimento inexplicável, de uma chama imensa. Obrigado, Benfica.

Obrigado, pai, por me teres mostrado o que é o Benfica. Obrigado por me teres mostrado o Estádio da Luz, por sofreres comigo em cada jogo do nosso glorioso. Obrigado pelo timing certo do “se não fores do Benfica, vais dormir na varanda”, o ensinamento será passado. Obrigado por este benfiquismo e desculpa-me se for já maior do que o teu.

Hoje guardo tudo num baú.

Federação “coloca as fichas” no Grupo Mundial

0

cab ténis

Pedro Cordeiro foi “dispensado” do comando técnico da selecção e substituído por Nuno Marques, com o objectivo de a equipa portuguesa atacar a subida ao Grupo Mundial da Taça Davis.

Para contextualizar, o Grupo Mundial tem equipas como a Espanha, de Nadal; a Sérvia, de Djokovic; a França, de Richard Gasquet, entre outros. Com isto não excluo à partida a hipótese de Portugal conseguir um lugar na elite do ténis mundial, mas não será certamente um objectivo que se possa traçar de ânimo leve, correndo o risco de falhar em toda a escala.

Isto porque é importante relembrar dois factos. Um: Portugal nunca passou dos playoffs de acesso ao Grupo Mundial. Dois: É mais fácil sair do grupo I (onde a selecção se encontra) do que conseguir um lugar no Playoff.

Podemos no entanto discutir também se Portugal atravessa agora a melhor fase da sua vida tenística. Um “plantel” com João Sousa, Gastão Elias, Pedro Sousa, Rui Machado e Frederico Gil, sendo que este último continua ainda (esperemos que durante pouco tempo) a ser uma carta fora do baralho, tem qualidade para disputar um lugar no restrito grupo mundial. Eu quero e gosto de acreditar que, motivado e em boa forma, este lote de atletas consegue fazer-nos sonhar com isso.

Rui Machado, Leonardo Tavares, Emanuel Couto, Nuno Marques e João Cunha e Silva numa homenagem da Taça Davis  Fonte: http://www.daviscup.com/
Rui Machado, Leonardo Tavares, Emanuel Couto, Nuno Marques e João Cunha e Silva numa homenagem da Taça Davis
Fonte: daviscup.com/

João Sousa está num belissímo momento de forma e vai entrar na temporada em que tem de dar tudo o que tem; Pedro Sousa é um jogador de um talento fora do comum, podendo, em situações de motivação extra, encontrar o seu melhor jogo; Gastão Elias, sem os azares das lesões, é um jogador regular, não compromete e estava em franco crescimento; Rui Machado, apesar dos problemas físicos, é um tenista explosivo e que em grandes ambientes como o de Taça Davis cresce; e, por fim, Frederico Gil é uma verdadeira incógnita.

Temos sem dúvida uma boa armada, mas precisamos de um bom comandante, e de sorte. Sem esquecer a sorte, Nuno Marques foi na minha opinião uma boa escolha; já aqui o defendi e volto a frisar. Nuno Marques foi um dos símbolos do ténis português. Conheço muitos jogadores que pegaram pela primeira vez na raquete depois de ouvirem falar de Nuno Marques nas notícias.

A Federação Portuguesa de Ténis dotou agora a selecção nacional de um técnico, Emanuel Couto. Seleccionador nacional de júniores e ex-tenista internacional, adoptando o mesmo método para a equipa feminina com Miguel Sousa e André Lopes. É uma medida essencial – que Pedro Cordeiro vinha reclamando desde há muito tempo atrás – para garantir melhores condições de trabalho à selecção portuguesa.

A selecção nacional de ténis tem agora todos os ingredientes para que tudo corra bem. Um seleccionador que é uma das figuras do ténis nacional, um treinador que jogou ao mais alto nível e que pode estabelecer as pontes entre os júniores e a equipa principal, um lote de jogadores jovem, motivado e em forma, a que se acresce um conjunto de atletas experientes.

Só nos falta a sorte. Vamos a isto!

Ricardo Quaresma – Investimento Absurdo!

0

Pronúncia do Norte

Esta semana de paragem nas competições nacionais ficou marcada pela especulação em torno do regresso de Ricardo Quaresma ao Dragão. De acordo com os três jornais desportivos portugueses, Harry Potter – assim lhe chamou Laporta -, é a prioridade da estrutura portista no “regresso aos mercados”, em Janeiro. Actualmente, o antigo jogador de Barcelona, Inter e Chelsea tem trinta anos e está no desemprego. O que levaria um clube da dimensão do tri-campeão português a contratar um jogador nestas circunstâncias?

Utilizar o “mercado de inverno” para trazer experiência ao grupo foi a política seguida nos últimos dois anos. Se em Janeiro de 2011 tudo correu muito bem – Janko foi útil nos seis meses em que envergou a camisola azul e branca e Lucho voltou para comandar a equipa rumo ao título -, a operação em Janeiro de 2012 já não foi tão feliz  – Liedson veio acrescentar muito pouco à equipa e será somente recordado pelo passe decisivo no “momento K” e a vinda de Izmailov tem resultado na novela que todos conhecem e ninguém percebe.

Ricardo Quaresma quando jogava no Porto Fonte: 123Tag
Ricardo Quaresma quando jogava no Porto
Fonte: 123Tag

Desde o início da época que a ausência de um extremo preponderante no plantel (um Drulovic, um Capucho, um Hulk, um… Quaresma dos velhos tempos) tem apoquentado as hostes azuis e brancas. Neste momento, o FC Porto tem vários jogadores que podem desempenhar essa função. A força e a experiência de Varela, o portismo e a raça de Licá, a irreverência e a juventude de Ricardo e Kelvin e até as adaptações de Josué ou Quintero são as cartas com que Paulo Fonseca pode jogar. Há ainda uma incógnita, o tal russo a contas com “problemas familiares” há dois meses.
Falta, de facto, alguém capaz de “pegar de estaca” e de ser uma figura central no ataque dos dragões. Faz, por isso, sentido supor que a compra de um jogador para esta posição será a prioridade em Janeiro. O que não faz sentido é achar que o extremo que falta ao FC Porto é Quaresma.

Respeito muito o Quaresma. Mais do que isso, admiro-o. Haverá poucos portistas que não se lembrem com carinho dos jogos em que levou a equipa às costas e que não recordem com saudade os golos, as trivelas, os dribles e todos os momentos de magia proporcionados pelo “ciganito”. Quaresma ajudou a escrever algumas páginas bonitas da história do clube e foi protagonista em algumas delas. Não se trata de ingratidão ou antipatia pelo jogador. Pura e simplesmente, não acredito que, na prática, possa ser uma mais-valia para a equipa.

Quaresma no Al Ahli Club Fonte: Sport360.com
Quaresma no Al Ahli Club
Fonte: Sport360.com

Quaresma tem trinta anos. Já não disputa um jogo oficial há mais de meio ano – a sua última experiência foi no Al Ahli Club, clube dos Emirados Árabes Unidos, treinado por Quique Flores – e foi recentemente operado ao joelho. Tenho sérias reticências quanto à sua condição física actual e não acredito que consiga adquirir o ritmo competitivo necessário para ser titular do FC Porto na segunda metade da temporada. Não sem a velocidade de execução que já teve e que sempre foi o seu grande trunfo.

Não me parece estranho que o empresário de Quaresma tenha encetado conversações com dirigentes portistas no sentido de recolocar o jogador no único clube onde foi realmente grande. Estranho seria – isso sim – ver o FC Porto realmente interessado neste regresso. Embora fosse uma transferência a custo zero e o salário viesse a ser substancialmente reduzido, limitando as consequências de um fracasso, a verdade é que o investimento num jogador que há muito deixou de ser regular é absurdo. Quaresma não está em condições de assumir a titularidade no FC Porto.
O FC Porto precisa de um extremo. Esse extremo não é Quaresma. E, ou muito me engano, ou a estrutura azul e branca já percebeu isso…

Bale e Ronaldo: ser ou não ser um ala? Eis a questão.

0

Ter Cristiano Ronaldo e Gareth Bale na mesma equipa é certamente o sonho de qualquer treinador (isto se não puder ter Messi e Neymar). Ora, cabe a Carlo Ancelotti ter a honra de viver esse sonho.

O treinador italiano tem feito exatamente aquilo que toda a gente esperava e “encostou” Ronaldo à faixa esquerda e Bale à faixa direita. Sabendo de antemão que Ronaldo foge da linha em direção ao centro do terreno – sim, o rapaz não corre só para a frente – , Bale podia fazer justamente o mesmo da direita para o meio. Até aqui tudo bem, tudo parece bastante lógico com Xabi Alonso, Khedira e Modric (ou Isco) a completarem o meio campo. O problema desta opção, principalmente contra equipas de menor valor e que optam pela famosa estratégia defensiva do “autocarro”, é que obriga os merengues a afunilarem o seu jogo pelo centro do terreno, perdendo profundidade nas alas e facilitando muito o trabalho aos adversários.

Quanto a Ronaldo, o português está simplesmente imparável – os que já reservaram bilhetes para o Brasil é favor agradecerem-lhe– e deve imperativamente ser um jogador híbrido na frente de ataque do Real Madrid. Mas isso Ancelotti até tem feito, como provam os golos e as exibições monstruosas do génio lusitano. A questão é de que forma pode jogar Bale neste Real Madrid?!

Para mim é simples:
Bale deve jogar esporadicamente na direita porque Ancelotti deve aproveitar os já referidos movimentos interiores dos alas. Em jogos mais abertos, mais “taco-a-taco”, o treinador italiano pode perfeitamente explorar a velocidade de Ronaldo e Bale;

Bale e Ronaldo no Real Madrid / Fonte: Dailymail.co.uk
Bale e Ronaldo no Real Madrid / Fonte: Dailymail.co.uk

Muitas vezes no meio(à frente de Xabi Alonso e Khedira) porque Bale tem uma capacidade de explosão e drible impressionante. Se o meio-campo defensivo fica, à partida, salvaguardado pelos dois médios de maior proteção, Bale teria então carta branca para conduzir o jogo e inventar lances decisivos. Podendo até, pontualmente, trocar com CR7 e iludir os defesas adversários;

Quase sempre como segundo-avançado porque, para além de algumas razões que evoquei em cima, o Real Madrid tem apenas Benzema como avançado (e um Morata verdinho).Muito curto, diga-se. Jogando com Bale solto na frente de ataque permitiria tanto a Benzema como a Ronaldo terem uma autonomia de movimentos menos rígida. Basicamente, Bale seria uma referência atacante com liberdade para pisar terrenos de construção, receção e finalização. E não posso esquecer a facilidade de remate do galês, essencial e determinante para a ultima fase de jogo.

Na Liga Espanhola, em sete jogos realizados, Bale tem três golos marcados e cinco assistências para golo. Examinando estes números, o ex-jogador do Tottenham evidencia todo o seu potencial como “assistente de golos”, e numa equipa órfã de Ozil, ter um jogador com tamanha aptidão para servir os colegas pode valer ouro (leia-se golos) para Ronaldo e para toda a equipa.

Para além de tudo o que referi, um clube que tem Cristiano Ronaldo não pode ter no seu plantel mais nenhuma super-estrela nem existe espaço para mais. O ego de Ronaldo não permitiria tal situação. Bale terá de ser uma sombra de Ronaldo. E se não pode ser o número um então que seja o “assistente” do número um. Felizmente para o Real Madrid, o internacional galês sabe perfeitamente qual o seu papel no clube, o próprio assumiu há pouco tempo que para ele basta “jogar ao lado do melhor”.

No fundo, cabe a Ancelotti retirar a excelência de Gareth Bale em função da equipa. O problema (ou não) é que Ronaldo é o epicentro dessa mesma equipa. A equipa vive com ele, sem ele apenas sobrevive.
Então Carlo, como vai ser?! Ronaldo e Bale, ou Bale para Ronaldo?!

Um abraço

0

Núcleo Semanal

Penso não estar enganado quando digo que uma das melhores sensações de ir ver um jogo de competição do nosso clube, seja ele qual for, é abraçar um desconhecido depois da marcação de um golo.

Estamos ali num completo estado de nervos por amor, paixão e devoção ao nosso clube. E estes sentimentos têm a sua apoteose quando um dos nossos jogadores põe a bola na baliza. Entramos em loucura, uma total histeria, e perdendo um pouco a noção dos nossos atos, começamos a abraçar a pessoa que está ao nosso lado. Pouco importa se é alto ou baixo, gordo ou magro, africano ou chinês, dread ou betinho. Se está ali a sofrer pela mesma razão que nós, então é um dos nossos.

Depois de ver o resumo do Benfica 4 – 3 Sporting filmado da bancada de leões, fiquei viciado no momento dos festejos do 3º golo leonino. Ali estava espelhada a loucura e a histeria. O alívio por juntos termos conseguido um objetivo comum que 20 minutos antes pareceu tão difícil. Éramos milhares de pessoas que, no auge da nossa felicidade, nos abraçávamos uns aos outros, fossemos compinchas de longa data ou totais desconhecidos, por precisarmos de agarrar com força o próximo e dizer “já está, meu amigo. Já está. Conseguimos.”

Estes abraços fizeram-me lembrar a quantidade de amigos que já fiz graças ao Sporting. Não são conhecidos, são amigos. Fosse através do convívio nas bancadas ou nas rulotes, no seio das claques, no Facebook ou em blogs, pelo Sporting já fiz muitos amigos, de Porto a Faro, que vou mantendo com o tempo. E eu podia até desconhecer os seus nomes, as suas idades, os seus valores e ideologias políticas, os cursos que estudavam ou onde trabalhavam, se eram solteiros ou casados, a viver em Lisboa ou no estrangeiro. A verdade é que tínhamos em comum o amor ao Sporting. E essa é uma união tão forte que poucas diferenças podem separar.

Hoje, quando vou a Alvalade, um local de reunião familiar, já não o faço sem apertar a mão a dezenas de conhecidos e conviver com muitos amigos. Muitas amizades que se formaram por puro Sportinguismo. E todas começaram com um forte abraço.

Mês Santo

0

Terceiro Anel

Jorge Jesus não estará junto ao banco de suplentes do Benfica, durante as partidas disputadas no nosso lindo país, durante 30 dias (quer dizer, junto ao banco de suplentes ele nunca está, visto que, com a adrenalina do jogo, o homem quase que se afasta um quilómetro do banco encarnado).

E será que essa ausência será prejudicial para o Benfica? Quero crer que não, já que reconheço competências a Raúl José, fiel escudeiro de JJ ao longo destes últimos anos. Além disso, Jorge Jesus poderá estar, ao longo dos jogos da Liga Zon Sagres, na bancada, onde até é possível analisar todos os detalhes dos desafios de uma forma mais precisa e abrangente. Porém, também é justo reconhecer: perder-se-á alguma magia com o afastamento de JJ dos relvados portugueses.

E agora? Vamos estar durante um mês sem ver imagens, quase sempre cómicas, de um homem que ao longo de 90 minutos quase corre a maratona, na sua área técnica? Vamos estar durante um mês sem ouvir JJ a destilar portentosos vocábulos, nas conferências de imprensa a seguir aos jogos? Vamos estar durante um mês sem ouvir Jesus a auto-elogiar-se? Vamos estar durante um mês sem ver áreas técnicas repletas de pastilhas elásticas? Vamos estar durante um mês sem ver Jorge Jesus a massacrar os árbitros assistentes? Vamos estar durante um mês sem ver o quarto árbitro, qual segurança de uma discoteca a ameaçar um cliente de que o irá expulsar do estabelecimento, a repreender o treinador do Benfica?

Incidente em Guimarães a valer castigo a Jorge Jesus / Fonte: abola.pt
Incidente em Guimarães a valer castigo a Jorge Jesus
Fonte: A Bola

E agora? Quem é que vai massacrar os laterais e os extremos do Benfica? Vão para os balneários sem ter as orelhas a arder, de tanto serem chamados à atenção? E agora? Veremos jogadores, treinadores e directores adversários, no final dos jogos, à vontade, sem correrem o risco de levar com JJ em cima? E agora? Vou estar durante um mês sem ouvir o meu querido pai a criticar-te? E agora? Vou estar durante um mês sem te mandar bocas, devido a erros tácticos teus?

Pois é, pois é. Para o Benfica, para o campeonato português e para a sociedade em geral será um mês diferente, um mês santo, um mês com menos polémica. Contudo, como benfiquista, eu quero menos circo e resultados positivos em maior quantidade. Por conseguinte, toca a ganhar ao Braga, no próximo Sábado!

Não se esqueçam, caros jogadores do Sport Lisboa e Benfica, que representam o maior clube português, que vestem jogo após jogo o manto sagrado! E, por isso, quer seja o Jorge, ou o Raúl, ou o Asdrúbal a orientar-vos do banco de suplentes, têm de suar a camisola, de correr, de fintar, de cortar, de saltar, de dar tudo! Porque o Benfica é o Benfica! E o Benfica, como enorme clube que é, até sem treinador tem obrigação de dar espectáculo…

Um Português no Top 100 Mundial

0

cab Surf

Haleiwa, Sunset e Pipeline acolhem os melhores surfistas do mundo entre 12 de Novembro e 20 de Dezembro. Mais conhecido como Triple Crown, esta série de eventos especiais em território havaiano é constituido por estes três eventos, sendo os dois primeiros Primes (etapas que ajudam os surfistas a ganharem pontos para se qualificarem para o Campeonato do Mundo) e o último o Billabong Pipe Masters.

A competição em Haleiwa já começou e o que é importante frisar é que o luso-germânico Nicolau Von Rupp, um dos dois portugueses em prova, foi eliminado no 3º round. Apesar da derrota prematura, Nic teve uma excelente prestação ao competir contra monstros do surf Mundial como Adam Mellin e Matt Wilkinson. Deste modo, Nicolau acabou em 4º lugar no heat e em 49º no Reef Hawaiian Pro, Haleiwa, conseguindo assim chegar ao Top 100 Mundial. Com este feito, o surfista da praia Grande vai poder participar nos eventos mais importantes de qualificação para o World Tour.

Também o novo campeão nacional, Fredericos “Kikas” Morais, entrou nesta prova, não indo para além do 3º lugar seu heat, e perdendo assim de “primeira”.

Nic a mandar uma lequada perfeita de água     Fonte: I Online
Nic a mandar uma lequada perfeita de água
Fonte: I Online

Dia 8 de Dezembro começa o tão esperado Pipe Masters numa das ondas mais perigosas do mundo. Num fundo recheado de coral, esta onda tubular recebe os melhores surfistas para decidir o novo campeão mundial. Na disputa deste lugar de sonho estão os surfistas Mick Fanning, Kelly Slater, Jordy Smith e Joel Parkinson, que vão fazer o possíveis para ganhar.

 Fonte: http://www.aspworldtour.com/tag/billabong-pipe-masters/
Fonte: aspworldtour.com

Kirk Passmore, de 32 anos, faz parte da mais triste História dos últimos tempos envolvendo as ondas havaianas. No passado dia 13 de Novembro, dia em que entrara um swel gigante na costa havaiana, Alligators, tudo apontava para uma sessão épica de surf. Tudo estava a postos para começar. Entraram as primeiras ondas e tudo se passava na normalidade, até que Kirk apanha uma autêntica “bomba” e cai na base da onda. Depois da queda que por acaso foi de cabeça, o jovem surfista ainda levou com toda a massa de água em cima. Seguidamente a este grande wipout, segundo testemunhas, Kirk ainda levou com  as ondas que vinham a seguir, acabando por não voltar à superfície. A sua prancha foi encontrada mais tarde perto de Chun´s Reef, já sem leach (corda que serve para a prancha não fugir do surfista, uma vez que está presa ao pé e à prancha). Infelizmente, o corpo ainda não foi encontrado, mas as buscas continuam.

O camera man Larry Haynes filmou toda a catástrofe. Aqui podes assistir ao vídeo e perceber mais pormenorizadamente o que se passou.

Aquele raspanete lixado…

cab seleçao nacional portugal

Depois de um serão de jantar animado, o filho, chamado Selecção, vai para o seu quarto, enquanto a mãe, Nação, acaba de lavar a loiça. O pai, a Federação, lê o jornal, calmamente sentado no sofá, colocado em frente à televisão.

– Selecção Portuguesa de Futebol, chega imediatamente aqui! – chamou a mãe do pequeno.
“Pronto, já me estão a chamar pelo nome completo, já vou levar um raspanete”, pensou Selecção.

– Sim, mãe?
– Eu e o teu pai estamos muito preocupados contigo, filho. Andas a deixar tudo para a última, não tens qualquer sentido de responsabilidade, precisas sempre de ir aos playoffs para te qualificares. Assim não pode ser.
– Oh mãe, mas eu consegui eliminar os suecos! O Ronaldo até marcou quatro golos, às tantas ainda vai ser Bola de Ouro à minha pala…
– Não desvies a conversa, meu menino, que isso não é desculpa. Tiveste um grupo mais do que acessível e arriscaste a ficar, mais uma vez, fora do Mundial. Isto não pode ser assim, eu e o teu pai já te avisámos disso.
– Mas eu passei ou não passei??
– Selecção Portuguesa de Futebol, tu não me respondas! Tinhas potencial para passar o grupo em primeiro e à vontade, sabes bem disso. Estive preocupadíssima contigo, quando a Suécia marcou o segundo golo ia tendo um ataque de nervos. Não podes continuar a contar com a tua qualidade para resolver quando não te esforças nos jogos mais pequenos!!
– Oh, se tivesse um ponta-de-lança de jeito e o Patrício não tivesse dado aquele frango…
– Lá estás tu a pôr as culpas em cima dos outros! A culpa não é do Patrício, que ele bem te salvou em inúmeras ocasiões. E já sabias de antemão que não tens pontas-de-lança decentes. Isso não é desculpa! Tu tens equipa para discutir os jogos taco a taco com selecções como a Espanha, campeã do mundo e bicampeã europeia!!
– Sim, mãe…
– Filho, eu acredito tanto em ti e custa-me ver que deixas sempre as qualificações para a última hora. É completamente desnecessário, e o teu pai diz o mesmo…
– Mulher, deixa o rapaz em paz… – disse o pai.
– Como assim, Federação?
– O objectivo era conseguir o apuramento. A bem ou a mal, ele conseguiu. O dinheiro entrou e vamos ao Brasil. É isso que me importa.
– Está bem, mas já o devia ter feito muito antes! Rússia e Israel? O que é isso para uma equipa como a nossa? Não pode ser, Selecção Portuguesa de Futebol, não pode. Tu sabes que só estou a tentar ajudar-te, filho…
– Eu sei, mãe, tens razão…
– Promete-me que vais ter mais juízo nessa cabeça e jogar a sério em todos os jogos, por favor.
– Sim, mãe…
– Ah, e já agora, vê lá se consegues não perder contra a Grécia se os apanharmos no Mundial. Eu e o teu pai ainda não recuperámos da tragédia de 2004…
– Claro, não te preocupes.
– Pronto, vai lá para o teu quarto brincar, meu filho.
– Obrigado, mãe. Obrigado, pai.

“A ferros, mas a qualificação lá se fez. “ MARIO CRUZ/LUSA
“A ferros, mas a qualificação lá se fez. “
Mário Cruz/LUSA

Selecção foi feliz para o seu quarto, radiante por se ter safado do raspanete. No fundo, sabia que os pais tinham razão, mas ainda estava eufórico com a vitória sobre a Suécia. Sentou-se à secretária do seu quarto. Na cabeceira, estavam algumas notas: “Trabalho de casa – começar a preparar a pré-convocatória e estudar equipas do Mundial”.

“Que se lixe, ainda tenho tempo”, pensou Selecção. Assim, atirou os sapatos para um canto da sala, inspirou fundo, e começou a jogar um qualquer jogo de consola…

Sangue, suor e lágrimas

0

brasileirao

A expressão que se transformou num autêntico jargão de rua, serve perfeitamente para descrever aquilo que se passou no Brasileirão deste ano. A final da Copa do Brasil ainda não se jogou. E não é que a Taça seja um triunfo de somenos, mas os dois grandes troféus da temporada, esses, foram para Atlético Mineiro e Cruzeiro. Em período de austeridade – esta expressão já cansa, lembrando sempre a figura do pai austero e autoritário – diz-se que é preciso cortar nas gorduras do Estado. Porém, as gorduras que foram para os dois gigantes de Belo Horizonte são saudáveis. E que campeões gordinhos e comilões foram eles. Cruzeiro campeão nacional, numa prova dificílima. Trinta e oito jogos. Regularidade é a palavra de ordem. E a Raposa sagrou-se tricampeã a quatro jogos do fim.

Já o Atlético é campeão da Terra Nova. Das Américas. E agora, disputará o título de campeão do mundo, em Marrocos. Tudo leva a crer que o Galo Mineiro vá á final com o Bayern de Munique. Ronaldinho Gaúcho tenta recuperar por tudo. Será o grande trunfo dos belo-horizontinos, já que Bernard saiu a meio do defeso.
A locução “lanterna-vermelha” é também muito usada no meio desportivo. Significa o último classificado. No nobre ofício da mineração, quem segurava a lanterninha rubra era o trabalhador que ia atrás, para iluminar o caminho de todos os outros e sinalizar o fim da fila. É uma posição quase aristocrática pois, em caso de tragédia, é quase certo que o lanterninha não se safa. Mineiros são fortes e lutadores. E assim aconteceu com os dois maiores de Minas Gerais, onde, outrora, foi o mais importante Estado do Brasil pelo minério que produzia, não só para a coroa portuguesa, como para o Brasil pós-1822. Fizeram das tripas coração e conseguiram um feito inédito. Este é, sem sombra de dúvidas, o ano de Minas. E mais que merecido.

Como curiosidade, fica a informação de que de todos os Estados de Terras de Vera Cruz, cujos clubes oriundos foram campeões, apenas Minas Gerais não tem mar. É verdade que está na zona mais importante do país; o sudeste, sub-região de onde também fazem parte o Rio de Janeiro e São Paulo. São 80 milhões de almas, quase metade da população. 20 milhões delas são mineiras. Minas não precisa de praia. Minas é um mar de montanhas.

Se à arte da alquimia correspondia transformar vis metais em ouro, à arte da mineração equivalia e equivale britar a pedra, escavar, estar no escuro, sem ver a luz. Mas, depois de encontrado o minério, é saborosa a recompensa pelo prémio. Muita luta e muito sangue. Lágrimas? Sim, mas de alegria

Sporting: o que melhorou e o que ainda pode melhorar

0

O Sexto Violino

No dia seguinte ao apuramento de Portugal para mais um Mundial – campanha na qual a formação leonina desempenhou, para não fugir à regra, um papel decisivo, com um hat-trick do sócio 100 000 do clube –, é tempo de nos voltarmos a concentrar no futebol nacional e naquilo que pessoalmente me interessa mais do que qualquer selecção: o Sporting.

Findas as primeiras nove jornadas da Liga, e ainda que tenhamos sido eliminados da taça, o balanço é positivo. É certo que realizar uma época ainda pior do que a anterior seria quase impossível, mas poucos esperariam que o Sporting conseguisse, em tão pouco tempo e com recursos escassos, montar uma equipa competitiva que “mordesse os calcanhares” ao Porto e ao Benfica. A prudência leva-me a dizer que ainda conseguimos muito pouco, até porque há dois anos também estávamos numa óptima forma em Novembro e depois quebrámos quase do dia para a noite. No entanto, as circunstâncias também são diferentes, com claro benefício para o Sporting actual. O clube é hoje mais estável e há a sensação de que finalmente todos remam para o mesmo lado, tendo o mérito de ser em larga medida atribuído ao novo presidente.

A união no balneário do Sporting salta à vista e contrasta com a realidade das últimas épocas Fonte: http://rr.sapo.pt/
A união no balneário do Sporting salta à vista e contrasta com a realidade das últimas épocas
Fonte: http://rr.sapo.pt/

O trabalho de Leonardo Jardim, contudo, não pode ser desprezado, porque constitui a prova de que as coisas não acontecem por acaso. O treinador madeirense sabia a difícil tarefa que o esperava: pegou num clube em cacos, animicamente destruído depois da pior época da sua História, com rumores de salários em atraso e com uma mudança directiva recente. O projecto consistia em começar praticamente do zero, e a verdade é que para já os sportinguistas não se podem queixar: a equipa joga um futebol atractivo, os jogadores sabem as suas funções em campo, o ataque concretiza, e a defesa, apesar dos golos encaixados nos últimos encontros, também parece ter estabilizado. O estilo de jogo está bem definido, assim como o plano B, com dois avançados sempre que as coisas não estão a correr bem, e que já rendeu dois golos importantes. O ritmo de jogo é muito superior ao dos últimos anos, a equipa pressiona o adversário no seu meio-campo e não tem medo de assumir o controlo contra equipas mais fechadas, os laterais ajudam o ataque (não me canso de elogiar as exibições de Jefferson até à lesão) e os extremos não se limitam a causar desequilíbrios nas alas, aparecendo bastantes vezes em zona de finalização (Wilson, Capel e Carrillo já valeram 8 golos, fora as assistências, apesar de a forma do peruano não ser a melhor). Por último, não podia deixar de referir aqueles que, para mim, são duas pedras fulcrais deste Sporting: Montero, que para além da veia goleadora trabalha muito e inventa espaços para ele ou os colegas explorarem, e William Carvalho, que subiu a pulso desde o semi-anonimato até à conquista do lugar de âncora do meio-campo que agora ocupa. Neste último caso, o mérito de apostar neste jogador e de sentar o capitão Rinaudo (jogador que também aprecio, mas que nunca mais foi o mesmo depois da lesão) recai todo sobre Jardim.

Porém, não podemos perder de vista que esta equipa tem, como é normal, algumas limitações. O eixo da defesa era o sector que me deixava mais dúvidas, e os jogos já disputados contra os grandes levam-me a concluir que esta posição deve ser reforçada. Sobretudo Rojo parece-me ser um jogador que, embora tecnicista, treme bastante e erra na abordagem a alguns lances. Julgo que o Sporting podia aguentá-lo até ao fim da época e depois tirar proveito da sua mais que provável ida ao Mundial, indo de seguida buscar alguém mais “batido” para um lugar onde a experiência ainda é um posto.

No meio-campo, não é novidade para ninguém que André Martins está em sub-rendimento. Não creio que ele seja o jogador mais talhado para criar desequilíbrios e fazer a ligação com o avançado, uma vez que não se trata de um número 10 puro, mas sim de um médio de transição. A sua baixa estatura também pode ser um entrave em certos jogos, embora não me pareça o problema essencial. Salta à vista a necessidade de um jogador mais criativo, e dou por mim a suspirar pelo regresso de Matías Fernández. O chileno encaixaria aqui como uma luva, agora que o Sporting tem equipa para acompanhar o seu génio… De resto, Adrien também cresceu bastante e confere agora ao onze uma sobriedade, maturidade e visão de jogo importantes num plantel jovem, ainda que não seja um jogador rápido. Por último, a verticalidade do jogo de Carrillo, aliada ao facto de o peruano tardar em explodir definitivamente, faz com que me interrogue sobre a necessidade de comprarmos um extremo com créditos firmados e maior capacidade finalizadora – por exemplo Pizzi, que chegou a ser equacionado no Verão e que tinha a vantagem de bater bolas paradas.

Seja como for, o Sporting é hoje uma equipa mais adulta e equilibrada, cuja forma tem surpreendido tanto os adeptos como os rivais. Que este rumo seja para continuar e que no final da época, fruto de um crescimento sustentado e com os pés sempre assentes na terra, continuemos a ter razões para acreditar que o futuro vai ser ainda mais risonho.