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AFC Ajax 1-1 Juventus FC: Em Turim fazem-se as contas

Belo desafio em Amesterdão! O Ajax e a Juventus empataram a uma bola na 1ª mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões, num encontro em que os holandeses foram superiores. A Velha Senhora entrou a ganhar com um golo do português Cristiano Ronaldo, mas o tento do jovem Neres no início do segundo tempo deixou tudo em aberto para a 2ª mão.

A partida começou com uma oportunidade de golo para cada lado, mas nem Bernardeschi nem Ziyech acertaram com a direção da baliza. A Juve apresentava algumas dificuldades em passar o meio-campo holandês, enquanto o conjunto de Erik ten Hag conseguia dar uso ao jogo interior de forma muito inteligente.

O marroquino Ziyech, uma das estrelas da companhia, ia tentando a sua sorte de fora de área e, aos 18 minutos, esteve muito perto de ser feliz: grande envolvimento ofensivo da formação holandesa e o extremo de 26 anos a obrigar Szczęsny a defender para canto.

Sete minutos volvidos, o Ajax voltava a assustar os visitantes: o médio van de Beek atirou um pouco por cima da trave. A Juventus ia passando um mau bocado na Arena de Amesterdão, sem arranjar maneira de fugir da teia montada por de Jong e Schöne no centro do terreno.

Foi preciso uma bola despejada na área holandesa por Matuidi, aos 37 minutos, para os adeptos italianos recuperarem o ânimo: Ronaldo, em seguimento ao centro do francês, deu de cabeça para Bernardeschi, mas o ex-ACF Fiorentina voltou a não ser certeiro nas suas ações.

Em cima do intervalo, contra o rumo que o jogo estava a levar, o suspeito do costume fez o 1-0 em Amesterdão: cruzamento de Cancelo para Ronaldo e o camisola ‘7’ a responder, de cabeça, à oferta do compatriota. CR7 alcançava o 24º golo nos quartos-de-final da Liga dos Campeões e reforçava o estatuto de um dos melhores cabeceadores da história do futebol.

Cristiano Ronaldo fazia o seu oitavo golo em cinco jogos frente ao Ajax                                            Fonte: UEFA

No primeiro suspiro da etapa complementar, o Ajax reestabeleceu a igualdade no marcador e levou os adeptos nas bancadas ao rubro: David Neres concluiu um excelente momento coletivo com um remate colocado e indefensável para Szczęsny. Cinco minutos depois, o brasileiro de 22 anos tornou a marcar, mas o golo foi invalidado por fora de jogo.

Só aos 81 minutos é que o esférico esteve novamente próximo de furar as redes de uma das balizas: o estreante Ekkelenkamp, na cara de Szczęsny, testou os reflexos do guardião polaco. Na baliza contrária, quatro minutos depois, a bola embateu no poste após o tiro de Douglas Costa.

Até ao apito final de Carlos del Cerro o resultado manteve-se igual, pelo que a eliminatória vai ser decidida no Allianz Stadium, na próxima terça-feira, 16 de abril. A Juventus parte em vantagem graças ao golo marcado fora de portas, mas o Ajax tem uma palavra a dizer e será, com certeza, novamente um osso duro de roer.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

AFC Ajax: Onana, Veltman, de Ligt, Blind, Tagliafico; Schöne (Ekkelenkamp, 75’), de Jong, Ziyech, van de Beek, Neres; Tadić.

Juventus FC: Szczęsny, Cancelo, Bonucci, Rugani, Alex Sandro; Pjanić Bentancur, Matuidi (Dybala, 75’); Bernardeschi (Khedira, 90+3’), Ronaldo, Mandžukić (Douglas Costa, 60’).

Manchester United FC 0-1 FC Barcelona: Culés estragam espetáculo no Teatro dos Sonhos

Depois do milagre em Paris, os red devils entraram em campo para, frente ao FC Barcelona, continuarem a sua odisseia. O palco estava montado, e era o “Teatro dos Sonhos”: Old Trafford.

Mas os catalães, fartos de ver o Real Madrid CF a conquistar a Liga dos Campeões nos últimos anos, estavam dispostos a estragar o espetáculo. Logo aos 12 minutos, uma boa combinação entre Lionel Messi e Luis Suárez, já dentro da área do Manchester United, culmina com um cabeceamento do uruguaio, que ressalta em Luke Shaw e entra na baliza. O golo ainda foi anulado por suposto fora de jogo de Suárez, mas a revisão no VAR confirmou o 1-0.

Os homens de Ole Gunnar Solskjaer não hesitaram em responder, e durante a primeira parte vimos um FC Barcelona muito recatado, encostado à sua grande área, mas sem nunca parecer realmente ameaçado, salvo um cabeceamento que Diogo Dalot falhou, mesmo na cara de Marc André Ter-Stegen. Ao intervalo, um jogo intenso mas com poucas oportunidades traduzia-se num 1-0 para os catalães.

McTominay foi dos melhores em campo pelo United. Mais um bom jogo do médio escocês
Fonte: Manchester United FC

Na segunda parte, o registo manteve-se. Para o adepto neutro este esteve longe de ser um jogo aborrecido. Ambas as equipas mostraram o nível que se espera para um jogo da principal competição de clubes da Europa. Pelo Manchester United, o jovem Scott McTominay certificava-se de que a sua equipa ia ganhando as disputas no meio campo, com Paul Pogba a dar uma ajuda graças ao seu físico. No fundo, os red devils foram traídos por um ataque muito abaixo do que lhes era pedido. Nem a troca de Lukaku por Martial solucionou os problemas dos homens da casa. Cá atrás, David De Gea ainda teve de corresponder a um livre direto de Lionel Messi, depois de já ter conseguido a defesa da noite na primeira parte, após remate de Coutinho.

De Gea evitou males maiores, mas o mote para a segunda mão está lançado: dentro da grande área do Manchester United os danos foram limitados, mas é na grande área dos culé que Lukaku, Rashford e companhia vão ter de mostrar um serviço que não vimos hoje.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Manchester United FC – D. De Gea; A. Young; V. Lindelof; C. Smalling; L. Shaw; Fred; P. Pogba; S. McTominay; D. Dalot (J. Lingard 74’); M. Rashford (A. Pereira 85’); R. Lukaku (A. Martial 68’)

FC Barcelona – M. Ter Stegen; N. Semedo; G. Piqué; C. Lenglet; J. Alba; S. Busquets (C. Aleña 93’); Arthur (S. Roberto 66’); I. Rakitic; P. Coutinho (A. Vidal 65’); L. Messi; L. Suaréz

FC Porto saiu vivo de Liverpool!

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Já se sabia que seria um duelo duríssimo contra uma das melhores equipas do mundo e o “trauma” da época passada ainda pairava na cabeça quer dos adeptos, quer dos jogadores. O que eu não esperava é que o treinador portista modificasse de forma significativa a matriz de jogo do FC Porto.

O FC Porto abordou este jogo num 5-2-3 que demonstrou, no processo defensivo, não estar minimamente rotinado. Jogar com Maxi Pereira como central pelo lado direito foi, na minha opinião, um erro estratégico, porque obrigou Corona a um posicionamento sempre muito próximo do uruguaio e, com isso, a fase de construção teve sempre problemas, porque quer Corona, quer Alex Telles (devido as dificuldades físicas notórias), nunca conseguiram dar profundidade no seu corredor e, transformar o 5-2-3 no processo defensivo em 3-4-3 no processo ofensivo como era idealizado pelo treinador portista. Se era essa a ideia então Diogo Leite faria mais sentido no onze.

Depois deixar o corredor central entregue apenas a Danilo e Oliver mostrou, tal como na época passada, que contra uma equipa como o Liverpool FC, que pressiona e tem uma reação à perda de bola fortíssima, é um erro e fez com que as linhas de passe nunca surgissem e que o FC Porto nunca conseguisse respirar com bola. Juntar Otávio no centro fazendo um triângulo com Danilo e Oliver podia ter sido uma boa opção. O 5-2-3 que foi utilizado podia, com os mesmos jogadores, ter sido transformado num 5-3-2 que, na minha opinião, seria mais eficaz. A nível individual gostaria de destacar as exibições de Corona, Éder Militão e Marega que realizaram excelentes exibições.

Marega esteve em destaque na exibição dos azuis e brancos
Fonte: FC Porto

É evidente que os castigos de Pepe e Herrera e as limitações nas inscrições foram importantes e limitaram bastante as opções de Sérgio Conceição. Apesar de tudo isto penso que a abordagem podia ter sido outra. Relativamente à entrega dos jogadores nada pode ser apontado, bem pelo contrário, tem de ser enaltecido o profissionalismo dos atletas do FC Porto que deixaram tudo em campo e, em alguns casos, com grandes dificuldades físicas sem nunca desistirem.

Com este resultado dificilmente o FC Porto vai conseguir atingir as meias-finais mas ainda existe uma ténue esperança. Só um jogo perfeito no dragão permite sonhar. Apesar de achar e criticar as opções de Sérgio Conceição e a abordagem feita neste jogo, continuo achar que o treinador portista é de top mundial e que ainda esta época vai voltar a conquistar títulos ao serviço do FC Porto. Por último gostaria de referir que a arbitragem foi péssima com claro prejuízo para o FC Porto.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

A mácula encarnada frente aos germânicos

Muitos falam da “Maldição de Guttman”, mas o Benfica parece não se livrar de outra desgraça constante. Num passado mais recente, as grandes dificuldades europeias do Sport Lisboa e Benfica parecem ter sempre origem alemã. São as equipas germânicas que se impõem como maior obstáculo ao Benfica, e de facto cada partida contra alemães é sempre de grande intensidade e exige tamanho esforço físico e psicológico.

Não sei se terá a ver com a própria mentalidade do povo alemão, mas, para mim, serão das equipas que melhor dão uso à organização posicional e controlo de posse de bola. Raramente falham passes, e o normal é serem plantéis com jogadores de estatura física corpulenta. Força, foco, controlo e organização, motes que o Benfica parece não conseguir contornar e sair de uma partida contra alemães com vantagem de golos, principalmente em território germânico. Aliás, a última vitória em solo alemão foi frente ao Bayer Leverkusen em 2013, a contar para a Liga Europa, e mesmo assim previamente existem muito poucos triunfos em casas alemãs. A última vitória do Benfica foi em 2017, a contar para a Liga dos Campeões, frente ao Borussia Dortmund, no Estádio da Luz, e o jogo da segunda mão foi o que foi.

Tirando as raras exceções vitoriosas, o Benfica só tem na memória pesados desaires. Só este ano já perdemos mais dois jogos contra alemães, desta vez frente ao Bayern de Munique, a contar para a Liga dos Campeões. A mais recente goleada por 5-1 foi um pesado golpe no nosso prestígio, a meu ver. Nos oitavos de final da Liga dos Campeões de 2016/2017 fomos eliminados pelo Borussia Dortmund, com mais uma pesada derrota em solo alemão, por quatro a zero, depois de termos vencido no Estádio da Luz, por um golo solitário de Mitroglou (saudades do grego, mais uma vez).

Em relação ao adversário de quinta feira, o Benfica nunca se deparou com o Eintracht Frankfurt numa competição europeia. Porém, penso que tivemos o azar de os encontrar nesta fase da Liga Europa, e vão ser, sem dúvida, jogos muito difíceis. A propósito disso, no dia do sorteio o Frankfurt era a equipa que eu menos desejava que calhasse ao nosso Benfica, e, azar dos azares, foram mesmo os alemães que saíram “na rifa”. Precisamente porque já conhecia este passado difícil dos encarnados contra equipas alemãs, eu até preferia um Arsenal ou um Chelsea (com respeito a todas as equipas do sorteio), porque penso que o Benfica se desenrasca melhor (pelo menos faz melhores exibições) frente a equipas inglesas.

Luka Jovic, emprestado pelo Benfica, tem sido a estrela de ataque do Eintracht Frankfurt
Fonte: Bundesliga

O Eintracht Frankfurt está, neste momento, na quarta posição da tabela classificativa da Bundesliga, com o quarto melhor ataque e a terceira melhor defesa (56 golos marcados e 31 sofridos). Eliminaram o Inter de Milão na fase anterior ao empatarem em casa e vencerem por uma bola a zero, em pleno San Siro. Fazem exibições consistentes, e só têm encontrado maiores dificuldades nos jogos frente aos grandes candidatos ao título alemão (Bayern de Munique e Borussia Dortmund).

Muito provavelmente, esta é a última competição que o Eintracht Frankfurt tem hipótese de vencer, visto que já se encontra a 12 pontos do primeiro lugar da Bundesliga, logo não tem nada a perder. Este facto não é recíproco ao Sport Lisboa e Benfica, que ainda disputa arduamente o campeonato português com o Futebol Clube do Porto.

No fundo, vão ser mais duas finais, e jogos de dificuldade máxima e extrema intensidade. Penso que está na hora de recuperarmos um pouco deste recorde negativo frente a equipas alemãs, e talvez tentarmos fazer um brilharete na Liga Europa.

Foto de Capa: SL Benfica

«O Clube lá da Terra»: AD Marco 09

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cab reportagem bola na rede

Celebra este ano uma década de vida, mas historicamente conta com muitos anos, estando para sempre ligado ao FC Marco. O AD Marco 09 é a equipa sensação das distritais da AF Porto e nesta temporada acaba de somar a 3ª subida de divisão consecutiva. O Bola na Rede procurou saber mais sobre o AD Marco 09 e o presidente Eduardo Felipe foi quem nos contou tudo sobre o clube que formou Gonçalo Cardoso. Desde a subida para a Divisão de Elite Pro-Nacional da AF Porto, ao possível regresso do nome “FC Marco” até à aposta no jogador local por parte da direção. Descobre mais sobre o AD Marco 09 nesta terceira edição de “O Clube lá da Terra”.

O Estádio Municipal do Marco de Canaveses acolhe o AD Marco 09 e tem capacidade para 10000 adeptos
Fonte: Luís Barros / Bola na Rede

«Infelizmente houve épocas de ouro na Segunda Liga e essas épocas custaram muito ao clube»

Bola na Rede (BnR): Após a extinção do FC Marco, como foi o processo de criação do AD Marco 09?

Eduardo Felipe (EF): Toda a gente conhece a história do FC Marco. Infelizmente houve épocas de ouro na Segunda Liga e essas épocas custaram muito ao clube. Houve um investimento muito grande por parte dessa direção para tentar subir à Primeira Liga e isso é um problema do futebol em Portugal – quando se investe demais, a conta acaba sempre por vir na fatura. O FC Marco estava endividado em mais de dois milhões de euros e opção da direção naquela altura foi o fim do clube. O FC Marco acabou por ser punido pela Federação Portuguesa de Futebol com uma proibição de competição durante dois anos, tanto na equipa sénior como nos escalões de formação. Houve então um grupo de sócios do antigo FC Marco que decidiu formar um clube novo e como não podiam utilizar o nome “Futebol Clube do Marco” optaram pela designação “Associação Desportiva Marco 09”, mas é um projeto nosso tentar voltar a ser FC Marco outra vez.

BnR: Como é que tudo começou em relação à presidência no AD Marco 09?

EF: Joguei futebol muitos anos e depois de acabar a carreira constituí família aqui e acabei por abrir uma agência de viagens. Alguns empresários daqui reuniram comigo e propuseram-me tomar conta do clube porque viram em mim uma pessoa capaz por ter passado muito anos no mundo do futebol e por ser uma pessoa que não tem interesses políticos. Na altura eu disse que aceitaria a proposta, mas tinha de ser eu a criar uma direção com pessoas que eu confio. O crescimento tem sido muito bom e em várias vertentes, mesmo sabendo que o “chefe da locomotiva” é a equipa sénior. Isso tem sido benéfico e o resultado está à vista de todos. O Marco 09 nestes três anos conseguiu conquistar uma coisa que andava um bocado apagada, que era o orgulho marcoense. Isso é uma coisa que me enche de orgulho, saber que as pessoas estão a voltar a acreditar e a apoiar o clube e isso tem sido fantástico.

BnR: Quando iniciou o seu mandato como é que encontrou o clube?

EF: No momento em que cá chegamos o AD Marco 09 tinha cerca de 50 atletas no total. Haviam apenas cerca de três ou quatro escalões de formação, não havia equipa de seniores, não tinham juvenis, não tinham iniciados… era uma miséria total. A nível de material, não havia bolas, não havia carrinhas, estava tudo a zero. Nós quando cá chegamos foi como se estivéssemos a pegar num clube novo. Não haviam dívidas, isso também tenho de realçar, mas para um clube com esta dimensão… estava mesmo de rastos. Então o objetivo passou por ser apostar na formação e automaticamente apostar no futebol sénior. Os resultados começaram a aparecer e este ano temos cerca de 250 atletas. Ainda estamos num patamar que, para mim, ainda é baixo, pois este clube merece muito mais. Poder subir à Divisão de Elite da Associação de Futebol do Porto vem coroar o trabalho de três anos da direção do clube.

O Marco 09 é dos clubes com melhores infraestruturas nas divisões distritais a nível nacional
Fonte: Luís Barros/Bola na Rede

Olheiro BnR – Lorena Wiebes

Uma das sensações da época de clássicas do paralelo de 2019 foi a jovem da Parkhotel Valkenburg, Lorena Wiebes, que, com apenas 20 anos, conseguiu estar por mais que uma vez ao nível das melhores do mundo.

Nesta temporada, três resultados destacam-se: a vitória na Nokere Koerse e os segundos lugares na Driedaagse Brugge-De Panne e na Gent-Wevelgem. Estas três provas tiveram duas coisas em comum: passagens por setores de paralelo e uma chegada ao sprint.

Analisemos primeiro a questão das chegadas em pelotão compacto. O seu histórico de resultados em exibições mostra que Lorena Wiebes tem tudo para ser o grande nome do sprint do futuro do ciclismo feminino.

A ponta de velocidade está lá, bem como as capacidades técnicas de colocação, mas, acima de tudo, impressiona a regularidade.

Tem sido hábito ver as sprinter femininas a apresentarem demasiada inconstância, muitas vezes incapazes de construir cadeias de resultados entre as primeiras. No entanto, esse não parece ser o caso de Wiebes, que se apresenta capaz de estar sempre na discussão. Deem-lhe um final em velocidade e ela estará sempre entre as melhores. E esta é uma das principais razões pela qual tanto de bom se augura para o futuro de Wiebes.

Vitória ao sprint no paralelo: Wiebes numa imagem
Fonte: Danilith Nokere Koerse

Por outro lado, há a questão de comprovadamente se dar bem em provas com pavé. Ora, nota-se que ainda lhe falta algo mais para provas com maior dureza, como a Ronde van Vlaanderen, mas há claramente potencial para se afirmar neste terreno.

Olhando para a sua (ainda tão curta) carreira, essa tem sido uma constante e, em provas onde as grandes dominadoras são ciclistas veteranas, tem o tempo do seu lado para se desenvolver nesse lado.

Na perspetiva deste autor, essa é a grande dúvida sobre o quão longe pode Lorena Wiebes subir no mundo do ciclismo. A holandesa tem tudo para ser uma das melhores sprinters – ou mesmo a melhor – da sua geração, mas será a capacidade que demonstrar para evoluir no paralelo e poder disputar outro tipo de provas que decidirá se conseguirá ascender ao patamar de uma das grandes do desporto.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: Parkhotel Valkenburg

O desporto português está podre

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A final do Campeonato Português de Voleibol já começou e o Sporting CP venceu o primeiro jogo da final, contra o SL Benfica, por 3-0, um resultado que surpreendeu toda a gente, não tanto pela vitória leonina, mas sim pela falta de argumentos por parte dos encarnados, tirando no primeiro set.

No entanto, não é sobre isso que este artigo vai falar, mas sim sobre o estado podre do desporto português. No próximo fim-de-semana ia disputar-se uma dupla jornada no Pavilhão do Benfica, mas o segundo jogo acabou adiado para dia 20 por questões de segurança.

No dia 14, o Benfica defronta em casa o Vitória FC, vulgarmente conhecido por Vitória de Setúbal e, por questões de segurança, a PSP ditou o adiamento do jogo para evitar que os adeptos sportinguistas se cruzassem com os adeptos do Benfica. Esta é uma situação que se repete esta temporada e que, na minha opinião, mostra quão podre está o desporto português. Estamos em 2019 e o que as forças de segurança fazem para não haver violência é obrigar a que se mudem as datas dos jogos. Se as pessoas não se sabem comportar – e temos muitas provas de que é verdade -, então é preciso que tomem medidas sérias.

Não é compreensível que se tenha de adiar jogos porque as pessoas não são civilizadas. Quem não se sabe comportar tem de ser castigado. Estas pessoas precisam de ser erradicadas do desporto, sejam adeptos, jogadores ou dirigentes, porque o mal está em todo o lado, não é exclusivo aos adeptos.

Possíveis confrontos entre os adeptos encarnados e os adeptos leoninos obrigaram ao adiamento do Jogo 3 da final do campeonato
Fonte: Carlos Silva Photography / Bola na Rede

É preciso começar a doer em todas as vertentes para que algo se faça. Quem for apanhado com mau comportamento, seja de que tipo for, tem de o sentir. Seja por ser proibido de assistir a jogos ao vivo, seja por ter de pagar multas financeiras elevadas – pelo menos o valor gasto em segurança no respetivo evento -, o clube, em caso de repetição, deve ser castigado também, mesmo que não tenha culpa do comportamento dos seus adeptos. Este castigo deve ir desde multas financeiras, passando por jogos à porta fechada e finalizando com atribuição de derrota nos jogos em que existam distúrbios.

O estado a que chegou o desporto português é deplorável e ninguém parece estar muito interessado em fazer algo para reverter esta situação. Depois, há muita admiração por existirem cada vez menos crianças e famílias nos jogos. Pior, quando há acontecimentos de violência mais graves, incluindo mortes. Para fora, o que passa é que existe impunidade total para quem comete crimes, mas aí o problema não está só no desporto, está em toda a justiça portuguesa.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

Luz verde… na rede

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O voleibol, sangue que percorre o trilho pautado pelos carris em tons de azul, estabelece-se como chama ardente e paixão tórrida. A narrativa que o circunscreve é totalmente contingente na medida em que o desenlace se poderá materializar em três, quatro ou cinco parciais. Analogamente aos poemas épico-líricos, e para comprovar o engenho do qual padecem, o “parcial exordial” é epitáfio que provavelmente se ortografará na história do peleja, através da qual uma equipa alcança o glorioso feito e outra se abate sobre a lápide pardacenta.

A batalha colocava o Sporting Clube de Portugal defronte do Sport Lisboa e Benfica. As bancadas do “coliseu” João Rocha exalavam odes próprias do Reino de Leão, pungindo o clima cálido e entusiástico.

O “primeiro capítulo” primou-se pela capacidade de superação dos soldados leoninos. Até ao décimo ponto, o equilíbrio sugou o ímpeto das duas formações. Angel Denis e André Brown, guerreiros de égide verde, lideravam e orquestravam estratégias de combate. A partir daqui, as águias recuperavam a desvantagem e, movidas pelo sentimento de ódio e exasperação, chicotearam o seis leonino nas aparições de Zelão e de Peter Wohlfahrtstatter. Contudo, a turma leonina, desconhecendo por completo a aceção da palavra “renúncia”, brame descomedidamente e inverte o cenário até então presenciado. Uma vez mais, André Brown destacava-se como patriarca de audaz batalhão. 28-26! 1-0! O parcial era nosso! A exultação de alegria resguardava o João Rocha.

Angel Dennis foi importantíssimo na conquista do primeiro parcial
Fonte: Sporting CP

No “segundo capítulo”, o Sport Lisboa e Benfica, à demanda da reposição e integração na partida, exibia-se, até ao 20º ponto, combativa e acerrimamente. Imperfeições no momento do serviço, muralhas edificadas através dos impulsos esguios de Zelão, Raphael Oliveira e Theo Lopes conferiam, à equipa liderada por Marcel Matz, convicção e petulância exacerbadas, apesar da vantagem construída pela margem diminuta. Porém, a turma leonina, desta feita governada por Hélio Sanches, hasteou o estandarte esboçado com os traços do Rei da Selva e triunfou pela segunda vez na tarde de 6 de abril. “Sangue, suor e lágrimas” é dístico implementado nos ideais soterrados desde 31 de julho de 1906. 25-21! O júbilo acorrentava o imo de cada espectador, fomentando a confraternização sã.

No epílogo do combate, a superioridade do Sporting vincou-se. Bojic revelava-se baluarte no seio do recinto, ascendendo a valores estratosféricos e aflorando ao esplendor celestial; Miguel Maia, na plenitude dos seus 47 anos, disseminava elegância e, delicada e respeitosamente, distribuía a “redondinha”; Denis e Hélio Sanches simbolizavam o ímpeto, a coragem e a ferocidade no trato da bola e na propagação da vantagem. 25-20! O Sporting Clube de Portugal imperava no trono, higienizando todos os vestígios de guerrilha e todos os resquícios de sangue. Movidos pelo sustentáculo persistente da plateia leonina, a conquista da contenda foi ousadamente alcançada.

A disputa inicial pendeu para o lado verde da questão. Nas restantes quatro, duas delas consecutivas no “anfiteatro” da Luz, anteveem-se agruras e bastantes contrariedades. Se os leões forem capazes de superarem (pelo menos uma vez) o mar vermelho, reúnem todos os ensejos para a deliberação no João Rocha (quarto jogo). Oxalá que o bicampeonato nos esteja a escutar…

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: Sporting CP

Seminário «Ser Treinador: Orientações e Competências»

 

No passado dia de 23 março, o auditório Rio Lima recebeu o seminário “Ser Treinador: Orientações e Competências”. Integrado na organização do Torneio Internacional Vila de Ponte de Lima, que cumprirá este ano a sua nona edição, este seminário teve como principal aliado a própria Associação Desportiva “Os Limianos”.

Luís Meira, técnico do clube e elemento da organização do torneio, sublinhou na cerimónia de abertura que tal encontro para técnicos e demais interessados só foi possível não só com a ajuda do clube, mas também o apoio da Câmara Municipal de Ponte de Lima, a Associação de Futebol de Viana do Castelo e a Associação Nacional de Treinadores de Futebol.

Depois dos primeiros agradecimentos, António Barbosa, treinador e professor no IPMAIA, foi o palestrante que deu o pontapé de saída; “Observação, Análise e Comunicação na Construção e Desenvolvimento do Jogo”. Enquanto ideias base e de maior importância, António Barbosa defendeu que “quem marca ou decide são os jogadores” e para isso cabe aos técnicos dar-lhes toda a informação necessária.

O orador alertou, apesar de tudo, para os diferentes tipos de informações (auditiva, visual, cinestésica) e para a sensibilidade de perceber qual a melhor forma para a passar a cada atleta. Se isso não for tido em conta, há o risco claro do atleta não captar nada ou muito pouco.

Para ilustrar tudo o que defende, António Barbosa foi dando o exemplo das épocas 2016/17 e 2017/2018 do Vilaverdense FC, lideradas pelo próprio. Depois de detetado um problema, o técnico criou exercícios ou adaptou alguns já existentes e quantificou o número de vezes que os atletas conseguiram resolver. Se a taxa de sucesso for agradável ou satisfatória, o técnico está perante um exercício que resolve o problema identificado em primeiro lugar e vai repeti-lo “sem mexer”.

António Barbosa, professor no IPMAIA, foi o palestrante que deu início ao seminário
Fonte: AD Limianos

Além disso, há padrões que o treinador repara durante o treino, não propositados, mas que podem ajudar. A título de exemplo, António Barbosa revelou que durante os treinos emergiu um padrão que passou a utilizar nos jogos e que fez da sua equipa o melhor ataque português naquela época; o médio interior recuava na fase de construção e servia de imediato o extremo contrário ou avançado entre o central e o lateral adversários. Parece simples, mas conseguiram assim sete golos, sem os quais seriam apenas o terceiro ou quarto melhor ataque. Este padrão que emergiu do treino fez claramente a diferença.

Eternos rivais!

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Como toda a gente sabe, o SL Benfica e o FC Porto são os dois principais rivais do Campeonato Português. Isto porque são os dois clubes portugueses com o melhor historial de títulos a nível nacional, no que diz respeito ao futebol. A partida onde ambos se encontram em campo denomina-se “Clássico”, e dificilmente será entendido como um simples jogo, pois a rivalidade dos dois clubes transcende, por vezes, os campos futebolísticos.

Embora, historicamente, apenas o FC Porto se tenha assumido “politicamente” na sua cidade, ambos os clubes têm uma enorme dimensão nacional entre adeptos e sedes/casas por todo o país. Mais ainda, os dois rivais têm também casas do clube no estrangeiro, onde são bastante apoiados.

No que diz respeito às estatísticas, o Sport Lisboa e Benfica é, neste momento, o detentor de mais títulos, em comparação com os azuis e brancos. Por sua vez, é o FC Porto quem tem mais campeonatos ganhos consecutivamente e é também o recordista das Supertaças Cândido de Oliveira. Não ficando só por aqui, os dragões são o clube português mais bem-sucedido nas provas europeias, com sete troféus conquistados, liderando o confronto direto com o rival encarnado. Mas não é só o FC Porto quem domina: o SL Benfica é o clube com mais títulos nacionais e é recordista dessa mesma competição, adicionando também as Taças de Portugal e as Taças da Liga, sendo assim a única equipa com todas as quatro competições nacionais no mesmo ano (2014). No que toca a competições internacionais, as águias voltam a estar em destaque, sendo o único clube a ser Bicampeão Europeu (1961 e 1962) e ainda a alcançar o recorde de finais europeias (10).

Esta época, o SL Benfica tem estado melhor que o FC Porto no que diz respeito às estatísticas.
Fonte: SL Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Falando apenas desta época, o Benfica está em melhor posição que o Porto no que diz respeito ao melhor ataque e às maiores goleadas. No entanto, o clube do Norte é, neste momento, o clube com melhor defesa e menos derrotas. Mais ainda, as águias têm o melhor marcador (Seferovic), o maior número de assistências (Pizzi), a maior média de golos (Seferovic) e o melhor marcador suplente (Seferovic). Já os dragões são apenas os detentores do jogador com mais minutos de jogo (Iker Casillas).

Ocupando o 1º lugar da tabela classificativa da Liga NOS, o SL Benfica soma 28 jogos, 77 golos marcados, 44 golos marcados em casa, 33 golos marcados fora, quatro golos marcados através de grande penalidade, um auto-golo a favor, 65 golos marcados com titulares, 11 golos marcados com jogadores suplentes e nove vitórias por mais de três golos. Já o FC Porto conta com o mesmo número de partidas, com 58 golos marcados (menos 19 golos que as águias), com 34 golos marcados em casa (menos 10 que os encarnados), 24 golos marcados fora (menos nove que o SL Benfica), cinco golos marcados através de pénalti (mais um que o Benfica), um auto-golo a favor (o mesmo que as águias), 50 golos marcados por titulares (menos 15 que os encarnados), sete golos marcados por suplentes (menos quatro que o clube da capital) e sete vitórias por mais de três golos (menos duas que o SL Benfica).

Neste sentido, tudo aponta para a superioridade do clube da Luz no que se refere a estatísticas. Os confrontos diretos também mostram que o Benfica tem vantagem sobre o clube da Invicta, visto que as águias ganharam na Luz (para o campeonato) por uma bola a zero a 7 de outubro de 2018 e, no Dragão (também para o campeonato) por duas bolas a uma a 2 de março deste ano.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: Bola na Rede