Sou um apreciador das qualidades de Nuno Manta Santos. Já escrevi sobre ele anteriormente, e acredito que seja tão boa pessoa quanto parece. Para além disso, fez recentemente um trabalho muito mas mesmo muito meritório na Feira, mas sejamos realistas: o tempo de Nuno Manta Santos havia mesmo chegado ao fim.
18! Há 18 jogos que a equipa do CD Feirense não sabe o que é vencer um jogo. O que mais era preciso, afinal, para despedir um treinador, por mais ligação afectiva que o mesmo tivesse (tenha) ao clube que treinava? A meu ver era inevitável, já vai tarde, e prolongarem a ligação clube/treinador tornaria a difícil situação do CD Feirense ainda mais preocupante.
Nuno Manta Santos, nos últimos meses, fazia-me lembrar Rui Vitória quando lhe foi prolongada a saída até ao limite no SL Benfica. Toda a gente percebia que a mudança era desejável e que semana após semana só se estava a adiar o inevitável. Todos (ou quase) entendiam que o melhor para o clube era a sua saída. E a mesma aconteceu… após um mau resultado. O problema para os da Feira, é que não poderiam esperar por um mau resultado, porque esses têm sido servidos semanalmente para aquelas bandas. Esperaram até ultrapassar o limite do razoável, e o mister ‘dos óculos e do fato de treino’ acabou por abandonar a nau fogaceira, num momento em que a mesma está já a naufragar, e as ondas estão a ficar cada vez mais complicadas de ultrapassar.
Chegou a hora de Nuno Manta Santos apontar a outro caminho Fonte: CD Feirense
Pois bem: acredito que Nuno Manta Santos está neste momento ‘a sofrer’. A sofrer por não ter sido capaz de dar a volta por cima e por o seu clube de coração estar na situação em que está. No entanto, foi o melhor Nuno, mesmo que possa não parecer. A mensagem (para quem vê de fora) parece que já mal passava, e o clube precisa de uma lufada de ar fresco. E sejamos realistas: pior não há-de ficar.
O Nuno não precisa de ficar triste ou sentir que não fez tudo o que podia. Acho que é unânime que o Nuno fez, durante largo tempo, um trabalho excepcional à frente do clube. Afinal de contas, as históricas permanências e o fantástico oitavo lugar ficarão, para sempre, na memória de todos os fogaceiros e gravadas a letras de ouro no histórico clube da Feira.
Quanto ao resto não tenho dúvidas: se o Nuno quiser não lhe faltará trabalho num futuro bem próximo e muito provavelmente ainda antes do fim da presente época. E é mais que merecido.
Tirando proveito da trend do “10Years Challenge” das redes sociais, decidi fazer um “throwback”, ou retrocesso, ao plantel do Benfica de há dez anos, na época de 2008/2009.
Foi um ano em que o Sport Lisboa e Benfica apenas venceu a Taça da Liga (na altura chamada Carlsberg Cup), acabou em terceiro lugar na Primeira Liga, e fez uma campanha horrível na Taça UEFA (acabou no último lugar do seu grupo na primeira fase). O nosso treinador foi Quique Flores, e até tinha na mão um plantel com alguns (mas grandes) craques do futebol, mas claramente não teve jeito para “conduzir o Ferrari”.
No ano anterior, Rui Costa decidiu acabar a carreira de jogador e, logo aí, tínhamos perdido um elo importante da equipa. A outra saída com relevância foi a de Petit, a custo zero para o Colónia.
Sai Rui Costa, entra Aimar. Mágico por mágico. Foi este o primeiro ano de Aimar com a águia ao peito, e sabemos bem a importância que teve o argentino no Benfica. Também entraram Sidnei, José Antonio Reyes, Carlos Martins, Urretaviscaya, Rúben Amorim, Yebda, David Suazo, e a grande promessa Javier Balboa, que de grande não teve nada.
Esta foi a primeira temporada de Pablo Aimar ao serviço do Sport Lisboa e Benfica Fonte: SL Benfica
O plantel propriamente dito:
A nossa baliza foi dividida em toda a temporada por dois guarda-redes: Quim e Moreira. O primeiro só estaria mais uma temporada no Benfica (e ainda a titular), saindo depois a custo zero para o seu clube de origem, o Sporting Clube de Braga. Já Moreira, esteve mais duas épocas, e em nenhuma foi titular.
A nossa defesa era composta por David Luiz na ala esquerda (na altura a jogar a lateral esquerdo ou central) e Jorge Ribeiro, os centrais Luisão e Sidnei, e Maxi Pereira com Miguel Vítor do lado direito. David Luiz esteve mais uma temporada e meia antes de rumar ao Chelsea, e sabemos bem o enorme jogador que se tornou. Sabemos bem por onde andou Luisão. Já Sidnei, ainda andou por cá mais algumas temporadas, sem ser titular indiscutível, mas, depois de alguns empréstimos, lá acabou por sair em definitivo para o Deportivo de Coruña. Maxi Pereira ainda ocupou a ala direita por mais seis épocas, antes de trocar a camisola encarnada pela azul e branca do Futebol Clube do Porto.
O nosso meio-campo estava entregue a Katsouranis, no espaço mais recuado e defensivo, a Rúben Amorim, Carlos Martins, Hassan Yebda, que iam rodando entre uns e outros e, numa posição mais ofensiva, Pablo Aimar. Esta terá sido a última época de Katsouranis no Benfica, que voltou à Grécia para o Panathinaikos. Rúben Amorim e Carlos Martins ainda jogaram de Águia ao peito mais alguns anos. Por sua vez, Yebda andou nos empréstimos nos anos posteriores, saindo em definitivo em 2011. Para Aimar, esta tinha sido a primeira de cinco épocas muito especiais no Sport Lisboa e Benfica.
Os avançados eram José Antonio Reyes, extremo emprestado pelo Atlético de Madrid, Jonathan Urreta, extremo que chegava do River Plate (do Uruguai), e os pontas de lança Óscar Cardozo, Nuno Gomes, David Suazo (também emprestado, mas pelo Inter de Milão), Ariza Makukula, e Pedro Mantorras. Reyes só tinha sido emprestado por uma época e Urreta andou vários anos emprestado a diversos clubes, saindo finalmente em definitivo para o Futebol Clube Paços de Ferreira em 2015. Cardozo veio a tornar-se um dos pontas de lança mais temidos e emblemáticos do Sport Lisboa e Benfica. Nuno Gomes (que já era bastante acarinhado pelos benfiquistas) ainda por cá ficou mais duas épocas. Mantorras já estava a dar as últimas e Makukula apenas fez um jogo pelo Benfica nesta época, tendo sido emprestado aos Bolton Wanderers.
É a comparar com este passado recente que realmente vemos a diferença que faz uma aposta na formação de jovens jogadores nos clubes de futebol. Aqui vemos que não há praticamente nenhum jogador formado no Benfica a jogar no 11 titular, apenas jogadores vindos do estrangeiro. Atualmente vemos uma aposta total na formação do Seixal, de onde têm saído grandes promessas e craques, que mais tarde acabam por rumar a grandes clubes europeus e a ser titulares nos diferentes patamares da seleção portuguesa.
Poucos jogadores conseguem chegar ao estrelato mundial. Um número mais reduzido ainda consegue chegar a ter a admiração de todos, inclusive de torcedores rivais aos clubes que o atleta defendeu durante a sua carreira. Entre esses raros exemplos, podemos citar o goleiro italiano Gianluigi Buffon.
O arqueiro iniciou a carreira no Parma e logo na sua segunda temporada como profissional assumiu a titularidade da baliza, de onde nunca mais saiu. Nem mesmo quando se transferiu de clube. Após sete anos na equipe de Parma, Buffon foi negociado para a Juventus por 52 milhões de euros e se tornou a maior negociação de sempre de um goleiro. Esse valor apenas foi superado 17 anos depois. Na atual temporada, Alisson deixou a Roma para jogar no Liverpool por 72 milhões de euros e o arqueiro Kepa saiu do Athletic Bilbao para o atuar no Chelsea por 80 milhões de euros.
Essa semana Buffon completou 41 anos e escrever um pouco sobre ele é uma maneira de homenageá-lo. Apesar de ter completado mais um ano de vida, o jogador parece que não envelhece. Acompanho futebol desde 1993 e o considero o melhor goleiro que já vi. Buffon não é chamativo, respeita seu time e seus adversários, dentro de campo mostra muita qualidade em vários quesitos, quase não comete erros e tem um número incrível de defesas difíceis. Verdadeiros milagres que operou nos gramados.
Os números são ainda mais assustadores se considerarmos que em 890 jogos que atuou, até o momento, não sofreu gol em 402 jogos. Ou seja, o goleiro não foi vazado em 45% das partidas em que esteve em campo. Sua personalidade em conjunto com a sua qualidade técnica o fazem ser diferenciado e merecedor de tudo que conquistou no futebol. Abaixo as conquistas coletivas e individuais do italiano:
Buffon foi peça fundamental da seleção italiana na conquista do tetracampeonato mundial em 2006 Fonte: FIFA
CONQUISTAS COLETIVAS
Competições internacionais
Copa do Mundo: 01
Eurocopa Sub-21: 01
Europa League: 01
Competições nacionais:
Campeonato Italiano: 09
Supercopa da Itália: 06
Copa da Itália: 05
Série B italiana: 01
Troféu dos Campeões franceses: 01
CONQUISTAS INDIVIDUAIS
Seleção do ano da FIFA: 03
Melhor goleiro da UEFA: 03
Seleção da Eurocopa: 02
Melhor goleiro da Copa do Mundo: 01
Golden Foot: 01
Melhor jogador da UEFA: 01
The Best: 01
Talvez a única coisa que falte em seu currículo seja a conquista da UEFA Champions League. Porém, caso não a conquiste não será nenhum demérito. Do mesmo jeito que em nada diminuirá as brilhantes carreiras de Messi e de Cristiano Ronaldo caso não conquistem uma Copa do Mundo.
Atualmente, o goleiro defende o PSG-FRA e uma renovação contratual já foi oferecida ao jogador. Buffon poderia estar na China, no mundo árabe ou nos Estados Unidos, mas prefere continuar disputando as maiores competições do futebol mundial. Parece gostar dessa exigência de estar sempre no topo. Buffon sempre será uma estrela que brilhará no mundo do esporte, mesmo quando “pendurar as luvas”. Nos resta apreciarmos esse fim de carreira do italiano e nos agraciarmos com a magia que ele produz na baliza.
Johan Cruyff, Johan Neeskens, Ronald Koeman, Richard Witschge, Jordy Cruyff, Huud Hesp, Michael Reiziger, Winston Bogarde, PhilipCocu, Bolo Zenden, Patrick Kluivert, Frank de Boer, Ronald de Boer, MarcOvermars, Giovanni van Bronckhorst, Edgar Davids, Mark van Bommel, Ibrahim Afellay, Jasper Cillessen e…Frenkie de Jong. A ligação entre o FC Barcelona e a escola holandesa perdura desde 1974, com a chegada de Cruyff ao clube, e de Jong é já o 20º futebolista holandês a vestir a camisola dos catalães.
No passado dia 23 de janeiro, o Barcelona anunciou a contratação do médio do AFC Ajax por 75 milhões de euros, pelo que a partir da próxima época já poderemos ver Frenkiede Jong junto a Lionel Messi e companhia. Quem certamente não ficou contente com este negócio foi o Paris Saint-Germain FC, o Manchester City FC e o Real Madrid CF, pois há muito tempo que pretendiam adquirir o passe do jogador de 21 anos.
Frenkie de Jong é o 20.º futebolista holandês a vestir a camisola do Barcelona Fonte: FC Barcelona
O que devemos, então, ficar a saber da nova coqueluche do futebol neerlandês?
Nascido a 12 de maio de 1997, na pequena aldeia Arkel, no sul dos Países Baixos, Frenkie de Jong começou a dar os primeiros toques numa bola com a camisola do Willem II Tilburg, quando tinha apenas sete anos. Apesar de vir de uma família oriunda de Roterdão e adepta do Feyenoord, de Jong optou por fazer toda a sua formação em Tilburgo, e foi mesmo ao serviço do Willem II, em 2015, que fez a sua estreia na Eredivisie.
Tendo só feito um jogo pelos tricolores, o Ajax decidiu, no verão desse ano, investir 300000 euros na sua aquisição. Ainda com 18 anos, o jovem voltou ao Willem II por empréstimo, mas acabou por realizar apenas duas partidas antes de ser integrado na equipa de reservas do Ajax, em janeiro de 2016.
Após uma série de exibições de encher a vista na Eerste Divisie, de Jong estreou-se pela equipa principal do Ajax no dia 21 de setembro de 2016, em plena Arena de Amesterdão. Aos 80 minutos, o técnico Peter Bosz lançou Frenkie num encontro (a contar para a Copa KNVB) em que, curiosamente, o adversário era o Willem II. A partir daí, começou a ser mais vezes chamado a jogo e fez parte do elenco que foi à final da Liga Europa contra o Manchester United FC.
Hoje, a caminho dos 22 anos, Frenkie de Jong é, porventura, um dos futebolistas mais promissores do planeta. Não só se tornou num titular indiscutível do Ajax, como também ganhou o lugar no meio-campo da seleção holandesa orientada por Ronald Koeman. Na Liga das Nações, marcou sempre presença no XI inicial da Laranja Mecânica, que vai disputar a Final Fourda competição no início de junho, em Portugal.
Frenkie é uma das peças-chave da seleção de Ronald Koeman Fonte: KNVB
Outro dado interessante é o facto de, já no próximo dia 13 de fevereiro, o Ajax defrontar o Real Madrid na primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões. Este será o primeiro jogo de muitos do craque holandês frente ao principal rival do seu futuro clube.
Dentro de campo, de Jong destaca-se pela sua capacidade de drible, visão de jogo e qualidade de passe. Podendo também jogar numa defesa a três, é mais comum vermos o jogador atuar na posição ‘6’, que desempenha com um rigor tremendo, mesmo não sendo o habitual médio defensivo possante fisicamente. A forma como descobre espaços (com e sem bola) e como progride no terreno, queimando linhas através do passe, fazem de Frenkie o jogador-tipo do modelo do Barcelona.
de Jong é conhecido pela forma elegante como joga Fonte: AFC Ajax
São já muitos os jornalistas desportivos holandeses que compararam o médio a grandes nomes como Frank Rijkaard e Franz Beckenbauer. Apesar de o segundo ter feito carreira como defesa, os jogos que de Jong fez nessa posição (na altura sob o comando técnico de Marcel Keizer) revelaram muitas parecenças com a lenda alemã.
No Barcelona, se o plantel dos blaugrana não sofrer grandes alterações no que diz respeito a centro-campistas, terá a concorrência de SergioBusquets, Arturo Vidal, Ivan Rakitić e Arthur Melo. Com Busquets a chegar aos 31 anos em julho, é expetável que de Jongcomeçe a agarrar a titularidade aos poucos, que tem tudo para ser sua na próxima década.
As camadas jovens holandesas voltaram a dar frutos e Frenkie reúne todas as condições para ser a cereja no topo do bolo pela qual a Holanda tanto ansiava. O legado está lá. Basta continuá-lo.
Nove da noite, acabou o Sporting-Benfica e a televisão é inundada por todos os rescaldos do derby. Nada mais interessa, nada mais existe. Pelo menos assim parece.
Mas, por todo este país, grupos de pessoas preparam-se para mais uma longa noite agarrada aos televisores e computadores. Não se trata de uma epidemia de insónias mas antes uma paixão por um desporto que em Portugal continua a passar entre os pingos da chuva, causando estranheza e confusão com o râguebi.
Do outro lado do charco a que chamamos oceano atlântico fazem-se os últimos preparativos para o evento do ano: o Superbowl.
Voltamos a Portugal e algures em Mafra organiza-se uma espécie de tailgate à portuguesa. Umas pizzas, umas cervejas e uns nachos (só mesmo para parecermos americanos), enchem a mesa e enquanto se aguarda o início do jogo vamos-nos entretendo com um torneio de Madden.
Assistimos ao hino americano e todas as outras cerimónias que antecedem o jogo, espera-se um jogo memorável. A CBS vai fazendo questão de assinalar que quando Brady e Belichick ganharam a sua primeira superbowl Jared Goff estava na pré-primária e Sean McVay tinha acne. Neste jogo defrontam-se os Patriots, na sua nona presença em 18 anos, e os Rams, no seu segundo ano após o regresso a Los Angeles. Beat LA! Grita-se em Boston, lembrando as velhas rivalidades entre Celtics e Lakers.
O jogo começa com os Patriots a atacar. Brady parece incerto, como se fosse o seu primeiro Superbowl, ele que se prepara para ganhar o seu sexto. Intersecção no primeiro drive e os adeptos dos Patriots desesperam. Atacam os Rams, Todd Gurley que esteve imparável na época regular é uma sombra dele próprio nestes playoffs derivado a uma pequena lesão. Os Patriots decidiram que teria de ser Goff a ganhar este jogo para os Rams e defendem o jogo de corrida com unhas e dentes, fazendo marcação homem a homem a Cooks através de Gilmore.
Os Rams não conseguem converter um terceiro down, é algo que se vai repetir muitas vezes ao longo deste jogo, e têm de fazer um punt. Voltam a atacar os Patriots. Chegam à zona de chutarem aos postes e entra Steve Gostkowski. Jim Nance anuncia que o kicker de New England tem 31 pontapés convertidos em 31 tentativas em superbowls. Tony Romo, o vidente como é chamado, anuncia logo que Nance está a agoirar.
Como se fosse algo que já vinha no guião, a estatística passou a ser 31 em 32 tentativas e continuamos a zeros. Os ataques continuaram a trocar punts entre eles (9 para os Rams e 5 para os Patriots) e chegamos ao intervalo com um resultado de 3-0, o que se traduzia no segundo resultado mais baixo, ao intervalo, da história dos Superbowls.
O estádio dos Atlanta Falcons foi palco da final com menos pontos da história da liga Fonte: Los Angeles Rams
O intervalo foi passado entre anúncios que valem milhões e o concerto dos Maroon 5. Foi um concerto relâmpago quase medley dos sucessos da banda e onde Adam Levine se mostrou 1) um pouco desafinado e 2) imune a qualquer escândalo semelhante ao de Janet Jackson em 2004.
Mas voltemos ao jogo.
Recomeçou o jogo, mas a toada manteve-se inalterada. Por esta altura Julian Edelman, wide receiver dos Patriots, já tinha mais jardas que todo o ataque dos Rams e consolidava a sua posição enquanto futuro MVP do jogo. Não deixa de ser interessante que durante toda a semana se discutiu se Edelman era digno de ser agraciado com um lugar no Hall of Fame da NFL e talvez este prémio de MVP tenha sido o ponto decisivo na sua entrada para o lote restrito de jogadores que ficarão imortalizados com um busto de bronze em Canton, Ohio.
Na presente temporada, um dos setores da equipa que mais dores de cabeça tem dado ao mister leonino é o meio campo e pelos piores motivos, infelizmente. Depois da saída de William Carvalho para representar os espanhóis do Bétis de Sevilha, coube a Battaglia a difícil tarefa de ocupar a posição mais recuada do miolo. No entanto, o argentino acabou por contrair uma lesão que o deixará afastado dos relvados até Maio da presente temporada. Para fazer face a esta ausência, a principal opção do mister leonino recaiu em Gudelj.
No atual plantel, apenas Petrovic se pode considerar médio defensivo. No entanto, e apesar de Gudelj não ser um jogador com as características desejadas para jogar a “seis”, foi aquele que mais garantias deu ao timoneiro verde e branco. Em jogos com adversários teoricamente inferiores aos leões, o sérvio – contratado para esta temporada – consegue de alguma forma “camuflar” as suas fragilidades. No que aos jogos “grandes” diz respeito, isso não acontece, resultando num meio campo muito permeável que facilita a tarefa do adversário em chegar à baliza do guardião leonino, tal como se assistiu no último domingo em Alvalade.
Petrovic ainda não se afirmou em Alvalade Fonte: Sporting CP
Na era Keizer, o meio campo tem sido um setor praticamente intocável, com poucas mexidas, quer no tridente titular, quer em alterações no decorrer das partidas. Tendo em conta o volume de jogos que o Sporting já realizou e vai realizar, a gestão do plantel é importantíssima. Neste sentido e tendo em conta que há Petrovic, o único médio defensivo de raiz no plantel (até à chegada de Doumbia), qual a razão para este não jogar? Será por ter menos qualidade que o compatriota?
No Sporting Clube de Portugal, todos os jogadores do plantel têm de estar aptos para jogar, seja a titular ou como suplente.
Dois jogos em casa e três fora, três competições distintas. Fevereiro adivinha-se difícil para o FC Porto, sendo disso presságio o empate em Guimarães este fim de semana.
Os dragões vão ser postos à prova em Moreira de Cónegos, Roma e Tondela, recebendo também o Vitória FC e o SC Braga no Dragão.
O primeiro jogo é ante o Moreirense FC, sexto classificado da Primeira Liga. Os cónegos são talvez a maior surpresa do campeonato, depois de na época passada terem terminado na décima quinta posição, a apenas dois pontos da despromoção. Sob a tutela de Ivo Vieira, os minhotos contam, à 20ª jornada, com menos um ponto apenas do que no final da temporada passada.
Segue-se uma deslocação a Roma, a contar para os oitavos de final da Champions League, de onde os dragões tentarão trazer um resultado positivo para a segunda mão no Dragão. A AS Roma tem passado por um período turbulento depois da derrota expressiva contra a Fiorentina, em Florença, por 7-1, em jogo a contar para os quartos de final da Taça de Itália, mas conta com uma equipa de grande nível com jogadores como Dzeko e El Sharaawy, e com um jovem que se tem destacado e afirmado esta temporada na equipa romana, Nicolò Zaniolo.
Em 2016/2017 o FC Porto venceu a AS Roma na capital italiana por três bolas a zero Fonte: FC Porto
De Roma para o Dragão, há mais uma batalha para o campeonato e o adversário é o Vitória FC. Os sadinos encontram-se na décima primeira posição, mas, recentemente, conseguiram retirar pontos ao Sporting, que empatou no Bonfim.
Neste mês de muitas deslocações, o FC Porto joga depois em Tondela. Os beirões estão num bom momento de forma e prometem complicar a vida aos azuis e brancos, à semelhança do que foram os encontros das duas equipas em Viseu nas épocas anteriores, onde o FC Porto venceu duas vezes nos últimos três anos por uma bola a zero, e onde empatou uma vez sem golos.
O regresso a casa faz-se com mais uma partida importante para os homens de Sérgio Conceição. O jogo é a contar para as meias-finais da Taça de Portugal e o adversário o SC Braga, pelo que os dragões terão de “dar o litro” para conseguirem ir à Pedreira, na segunda mão, com um resultado confortável, nesta caminhada com destino ao Jamor.
Três competições e um mês crucial para os portistas. Uma batalha por um lugar nos quartos de final da Champions, outra por um lugar no Jamor. A maior de todas é contínua e será para renovar o título de campeão nacional.
O sorteio da final-four da Liga dos Campeões de Futsal ditou uma reedição das duas últimas finais desta prova, que irá ser discutida no pavilhão do Kairat Almaty, no Cazaquistão. Pela frente, o Sporting CP terá os espanhóis do Inter Movistar, onde pontifica o melhor do mundo, Ricardinho.
De todos os três possíveis adversários, é certo que calhou a melhor equipa da Europa e obviamente a mais complicada na teoria, mas também temos que ter em conta que face ao leque de escolhas não havia nenhum adversário teoricamente frágil e apetecível.
Velhos conhecidos, Sporting e Inter irão jogar as meias-finais da renomeada Liga dos Campeões de Futsal Fonte: Inter Movistar Futbol Sala
Para além destas duas formações, as outras opções eram o FC Barcelona, claramente a segunda equipa mais forte do país vizinho e um tubarão no futsal europeu e a outra hipótese era o clube organizador, vencedor desta competição em 2013 e 2015, sendo que os catalães foram em 2012 e 2014.
Ora, juntando aos cinco títulos de campeão europeu do Inter (2004, 2006, 2009, 2017 e 2018) temos nove títulos em 17 possíveis nesta fase final, e apenas um ainda não conseguiu levantar este troféu, precisamente os comandados de Nuno Dias, que têm andado muito perto de o conseguir (três finais perdidas, em 2011, 2017 e 2018) mas efetivamente ainda não conseguiram colocar este troféu no seu museu, será este ano?
Não sendo simpatizante deste clube, entendo o bem que faria para o futsal nacional a reconquista da Liga dos Campeões, após o SL Benfica a ter ganho em 2010, e por isso serei mais um a puxar pelos nossos representantes nesta competição, quando em Abril se deslocarem à longínqua cidade de Almaty, no Cazaquistão.
Também neste último fim-de-semana ficámos a conhecer os últimos dois adversários de Portugal na fase de qualificação para o Campeonato do Mundo de 2020. Para além da República Checa, os outros dois concorrentes vindos da fase preliminar são a Alemanha e a Letónia, numa fase que se discute no próximo mês de Outubro em Portugal, em cidade ainda a definir.
Como campeões europeus, temos que chegar ao Mundial e para isso acontecer é fundamental ganhar este grupo de apuramento, onde somos os claros favoritos. Não só para chegar à Ronda de Elite, mas para provar aos nossos rivais que não descansamos à sombra desse cetro, já que se apuram os dois primeiros classificados de cada agrupamento para a já citada Ronda final.
A par do Campeonato Europeu feminino que se disputa ainda em Fevereiro, estes dois momentos são dos mais importantes para este ano de 2019, no caso do apuramento ou não para o Mundial este só termina em 2020, por isso força a todos os nossos representantes nacionais, sejam eles clubes ou seleções!
À medida que as jornadas vão passando, a 1ª Divisão do Campeonato Nacional de Andebol Masculino aproxima-se do fim da primeira fase e começam a delinear-se os contornos daquilo que podemos esperar na segunda fase.
No dia 2, realizaram-se a maioria dos jogos da 21ª jornada do campeonato, restando assim mais cinco jornadas até ao fim da primeira fase e aquilo a que assistimos foi a mais uma demonstração de força dos grandes.
Tarde repleta de andebol, começando no histórico Pavilhão Acácio Rosa, com o CF Belenenses a receber e a vencer o Boa Hora por 37-39. A equipa de Belém tem realizado um grande campeonato, estando neste momento em quinto lugar, à frente de equipas como ABC ou Madeira SAD. Uma partida que se antevia como equilibrada, mas que rapidamente se percebeu que não seria o caso.
Com João Ferreira, Nuno Roque e Pedro Sequeira a assumirem o papel de artilheiros (cada um assinou sete golos, marcando 56% dos golos da equipa), os comandados de João Florêncio assumiram o comando da partida e não mais largaram, com a jovem equipa do Boa Hora a ser incapaz de implementar o seu jogo e surpreender o Belenenses.
De seguida foi a vez do SL Benfica receber a equipa açoriana do Sporting da Horta, vencendo confortavelmente por 32-14. Uma equipa sem grande história. Ao intervalo o resultado já se firmava em 14-5 favorável aos comandados de Carlos Resende.
O lateral esquerdo português, Nuno Grilo, assumiu o papel de focal do ataque benfiquista, terminando a partida com doze golos marcados! Os encarnados mantêm assim a segunda posição do campeonato, apenas atrás do FC Porto que recebia no Dragão Caixa o ABC.
Pelas 18 horas foi altura do 11.º classificado, CCR Fermentões, receber o 10º classificado, Artística de Avanca. Em jogo com as duas equipas a precisarem de pontos, o Avanca foi mais forte, em grande parte devido ao excelente jogo coletivo, com Jenilson Monteiro, Diogo Silva e Nuno Carvalho a serem os melhores marcadores da equipa com cinco golos cada. A equipa do Fermentões fica assim a seis pontos do 10º classificado e vê a equipa do AC Fafe aproximar-se, estando a apenas um ponto de distância.
AC Fafe que perdeu em casa frente aos Águas Santas por 23-29. Uma partida bastante disputada nos minutos iniciais, que conseguiu manter a partida equilibrada, em grande parte devido aos sete golos de Gualther Furtado, mas com o passar do tempo a força da equipa visitante foi-se tornando visível, com o aparecimento de Mário Lourenço, Gonçalo Vieira e José Barbosa, que marcaram sete, sete e seis golos respetivamente, fazendo a diferença quando era necessário.
Equipa do ABC não conseguiu parar a força portista Fonte: FPA
De seguida foi o jogo grande da jornada, com o primeiro classificado FC Porto a receber o ABC, surpreendente (pela negativa), sexto classificado do campeonato. Uma partida com duas partes distintas. A primeira marcada pode ser apelidada de “parada e resposta”. O Porto entrou mais forte nos minutos iniciais, ganhando uma vantagem de quatro golos, mas o ABC respondeu, aproximando o resultado para apenas um golo de diferença.
A equipa portista respondeu novamente com um parcial de 5-0, colocando o resultado em 11-5 e cavando um fosso que o ABC não conseguiu tapar. Ao intervalo, o Porto já vencia por 20-9 e demonstrava a sua superioridade. A segunda parte foi mais equilibrada, com a equipa de Braga a disputar melhor o jogo e a acompanhar o ritmo portista, mas a não ser suficiente. O resultado final foi de 36-22, com os jovens Yoan Blanco e Miguel Martins a serem os melhores marcadores do lado azul-e-branco com seis e cinco golos.
No último jogo do dia, o MAIA/ISMAI venceu em casa o último classificado, Arsenal da Devesa, por 29-23, numa partida mais disputada do que se podia esperar. A equipa de Braga conseguiu ir equilibrando o marcador e foi para o intervalo a perder apenas por dois golos.
No segundo tempo, o equilíbrio manteve-se, mas a maior experiência por parte do MAIA/ISMAI foi determinante, com os maiatos a manterem a vantagem e a saírem vencedores, com André Azevedo a ser o mais esclarecido com sete golos marcados.
Já no dia 3, a equipa do Sporting CP deslocou-se à Madeira para defrontar o Madeira SAD no último jogo da jornada. Uma partida que foi equilibrada apenas nos minutos iniciais. O maior poderio sportinguista começou a sentir-se rapidamente e ao intervalo a vantagem dos leões já era de sete. A segunda parte foi de maior equilíbrio, mas manteve-se o domínio do Sporting, com o ponta direita Valentin Ghionea a ser o mais esclarecido ao apontar nove golos.
A cinco jornadas do fim começam a delinear-se os contornos da tabela final e os clubes da frente não mostram sinais de abrandar.
Para a partida da 20.ª jornada, Flávio das Neves operou uma mão cheia de mudanças no onze, relativamente à última derrota caseira, enquanto José Carlos Fernandes fez apenas uma alteração, com Nandinho a render Alvinho na lateral direita.
Esperava-se um jogo bastante dividido, intenso e com golos, já que pontuar era mais importante para ambos do que não sofrer. O primeiro sinal de perigo deu golo na recarga. Ainda dentro do minuto seis, João Nogueira conquista uma falta junto à linha lateral, e é o próprio que bate o livre para a área. Depois do corte da defesa, Mailó volta a colocar a bola na área e aparece Zé Pimenta, solto de marcação, a cabecear junto ao poste para o fundo das redes.
Atrás no resultado desde praticamente o início, cabia à AD Oliveirense assumir o controlo do jogo, e durante 20 minutos conseguiu rondar a baliza de Bean, mas sem o incomodar demasiado. À passagem do quarto de hora, Dinis despeja na área, Marlon recolhe para lá do segundo poste, encara Bean e tenta o chapéu, demasiado alto. No minuto seguinte, a defesa forasteira não alivia da melhor forma, Marlon volta a recolher uma bola perdida e remata forte, ligeiramente ao lado. Aos 23 minutos, e após a melhor jogada coletiva da equipa de Santa Maria de Oliveira, Mohamed Touré tenta cavar o penálti, mas o melhor que conseguiu foi um cartão amarelo.
Quando a AD Limianos conseguiu segurar as intenções do adversário, chegou novamente ao golo. Lançado em corrida pela esquerda, Muelson Samate recolheu a bola a muito custo, ainda dentro das quatro linhas, encarou e desfez-se de dois adversários e rematou em arco para aquele que seria o golo de uma carreira. No entanto, o poste negou as intenções do guineense, mas nada travou a recarga do seu compatriota, Iano.
A AD Oliveirense não se perdeu em desilusões e voltou ao ataque. Dois minutos decorridos, na sequência de um livre lateral, Drogba Camará apareceu ao segundo poste e desperdiçou a melhor oportunidade da sua equipa, cabeceando ao ferro. No minuto seguinte, Marlon – quem mais… – investiu pela lateral direita, aproveitando as costas de Vítor Sousa, e já dentro da área, permitiu o corte de Touré. Esta foi a tendência até ao final da primeira parte, com os visitados a rondar a área limiana, mas sem conseguir alvejá-la.
Drogba Camará foi um eterno insatisfeito com o rumo da partida. Por ele passou grande parte do jogo da AD Oliveirense Fonte: AD Oliveirense
A primeira parte foi bastante dividida, tal como se previa, mostrou uma equipa visitante muito prática na aproximação à área adversária e, além disso, bastante eficaz na hora de concretizar. Do outro lado, viu-se muito esforço por parte de Mohamed e Camará, não correspondido pelo resto da equipa. O meio-campo dos da casa praticamente não existiu na construção, tendo sido Jorge o único apontamento de lucidez e criatividade deste setor. O lateral Maurício participava muito e bem no ataque, mas a equipa era pobre na hora da decisão e prova disso foi o pouco trabalho de Bean.
A entrada na segunda parte só deu AD Oliveirense. Mais rápidos na recuperação em terrenos avançados e na saída para o ataque, as aproximações acumulavam-se, mas nenhuma terminava em remate à baliza. Como se não bastasse, aos 62 minutos, Nuno Afonso, entrado no reatar da partida, viu o vermelho direto por entrada dura sobre Borges. No entanto, foi já com dez elementos em campo que a AD Oliveirense chegou ao golo. Depois de uma arrancada frenética de Mohamed, Camará surgiu no centro da área a encostar para o golo.
Mesmo reduzidos, os visitados chegaram ao golo e tudo fizeram para alcançar o empate, tendo mesmo dominado a partida frente a um AD Limianos mais expectante e a apostar no contra-ataque. Aos 79 minutos, Marlon teve a última intervenção no jogo, cabeceando para grande defesa de Bean, a melhor da tarde. Quatro minutos depois, Cláudio Borges, imprudente, prolongou uma jogada na linha de fundo em vez de a limpar definitivamente e permitiu a recuperação de Camará. Já dentro da área, Borges foi ao chão derrubar o camisola ‘86’ e Daniel Cardoso não teve dúvidas em apitar penálti. Chamado a converter a recuperação heróica dos da casa, Mohamed atirou por cima da baliza, para desilusão das bancadas e festa do banco de suplentes limiano.
E como “quem não marca sofre”, no minuto seguinte, Vítor Sousa recuperou a posse e deixou a construção para Rui Magalhães. Depois de aguentar a pressão, o camisola ‘7’ entregou a Elivelton, que trabalhou exemplarmente o lance; recebeu, rodou sobre o adversário e isolou Iano na perfeição. Com Iván pela frente, o guineense rematou cruzado e pôs uma pedra no resultado. Já de rastos, os famalicenses ainda voltariam a sofrer, quando a defesa demorou a abordar um pontapé de Bean. Apareceu Samate na antecipação e a partir daí resumiu-se a velocidade, e novo golo dos limianos.
Ao fim de 45 minutos assistiu-se a um resultado justo e adequado, que premiava uma equipa prática e eficaz. Contudo, os números subiram e acabou por se registar um marcador demasiado expressivo. Aos da casa, faltou sempre acerto na hora de finalizar, e nem de penálti o conseguiram. Podem queixar-se de culpa própria e não podem entregar a Camará e Mohamed todas as despesas da partida. Os visitantes souberam aguentar uma altura de maior pressão, mas, mais uma vez, podiam deitar tudo a perder com um erro defensivo, valendo a tarde inspirada de Iano e Samate.
ONZES INICIAIS
AD Oliveirense: Iván Cruz; Maurício, Ricardo Bouças, Patrick (Ruizinho, 45’) e Ricardo Morais (Nuno Afonso, 45’); Sandro, Jorge Pereira e Dinis Lopes; Drogba Camará, Mohamed e Marlon (Matheus Benê, 81’).
AD Limianos: Bean; Vítor Sousa, Cláudio Borges, Touré e Nandinho; Zé Pimenta (Wanderley, 58’), Luan Sérgio e João Nogueira (Rui Magalhães, 65’); Iano, Samate e Mailó (Elivelton, 79’).