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O Sporting pode não ganhar nada

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Digo “pode” porque não consigo ter certezas quanto ao futuro como têm pessoas que conseguem fazer previsões a dez anos, como por exemplo o aumento de número de sócios do clube que preside, ou a coluna dorsal da selecção, o nível internacional a alcançar, ou mesmo o valor com que conseguirá vender um jogador.

Não consigo ter certezas como estas personagens, mas atendendo à percentagem de acerto das mesmas, até se torna um motivo para me deixar mais descansado quanto ao futuro.

O Sporting pode não ganhar nada mas vai continuar a ter adeptos de todas as gerações cada vez mais identificados com o clube. Pode não ganhar nada, mas ainda há pouco tempo pegou numa espinha dorsal por outros prometida e ajudou Portugal a ser campeão europeu. Pode não ganhar nada, mas ainda assim consegue admitir e identificar os criminosos que por ali passaram e afastá-los. O Sporting pode não ganhar nada, mas vive e sobrevive seguindo valores sobre os quais foi criado, sem que tenha que deles abdicar e consequentemente sofrer buscas judiciais regulares.

Atendendo ao passado e presente do clube, talvez consigamos ganhar algo Fonte: odisseias.com
Atendendo ao passado e presente do clube, talvez consigamos ganhar algo
Fonte: odisseias.com

Se para ganhar, o Sporting tem de abdicar de ser sério e cumpridor da lei, talvez seja melhor não ganhar. Ou então, que se admita que os clubes estão autorizados a viver fora das leis, e então todos poderão jogar com as mesmas armas. Fiquei sem saber é se quem acha que o Sporting não vai ganhar nada, considera que o mesmo vive apenas o futebol.

E não sou futurologista para saber se o Sporting vai ganhar, mas sei que, a ver pelas constantes conquistas em todas as modalidades, os bons resultados já evidenciados este ano, talvez venhamos a ter anos de muitas alegrias… digo talvez porque nunca se sabe quando quem tem tantas certezas sobre o futuro possa querer adivinhar, não apenas no futebol, mas em todo o desporto português.

O Sporting continuará a participar e a tentar ajudar melhorar todas as modalidades ainda que as mesmas sofram suspeitas de “doping” ou corrupção… porque somos um clube ecléctico que quer fazer do desporto algo saudável e menos corrosivo. Há, no entanto, clubes que deveriam alterar o seu símbolo, que por não se rever nos desportos que ali tem representados, os deveria retirar. Ainda assim, penso que não estão a ser minimamente lineares no raciocínio, uma vez que para não quererem participar em desportos que vivem envoltos em polémicas de suspeitas de “doping”, não o deveriam também fazer em desportos que vivem envoltos em polémicas de suspeitas de corrupção. A menos que para eles, corrupção seja menos grave que “doping”, ou que nem sequer seja crime, o que explicaria muitas das notícias que têm surgido. E quando sugiro a alteração do símbolo, nem falo do tipo de ave, que agora levanta dúvidas se deveria ser de rapina ou tropical, mas retirar a roda, e quem sabe, a bola.

Quando as bicicletas andam sozinhas

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Cabeçalho modalidadesPhil Gaimon foi um ciclista mediano que correu duas épocas no World Tour, mas que se destaca mais como autor, com uma escrita cativante e reveladora sobre ciclismo. Recentemente, lançou o seu terceiro livro, “Draft Animals”, em que conta a sua experiência no escalão mais alto do ciclismo e que gira, em grande parte, à volta da sua relação com Tom Danielson, um grande amigo que esteve implicado em casos de doping. Tal é de grande interesse porque Gaimon é um conhecido ativista por um desporto limpo e tem até uma tatuagem no braço com a palavra “clean”.

Ora, a imprensa internacional decidiu criar um caso, aproveitando-se do que é dito no livro sobre o uso de doping mecânico. Lá, Gaimon escreve que acredita que tal deve ter existido, mas que após as suspeitas terem vindo a público já não ocorrem casos desses no pelotão de hoje. Nomeadamente, falou em particular das polémicas acelerações de Cancellara nas clássicas do paralelo em 2010, afirmando que do que tinha ouvido e observando as imagens televisivas, realmente parecia haver algo estranho e que era provável que o suíço estivesse mesmo a utilizar um motor. Sucederam-se um conjunto de respostas desde o Presidente da União Ciclística Internacional (UCI) a prometer investigar a Cancellara exigir a retirada do livro do mercado.

É preciso compreender que Gaimon nem sequer lá estava, em 2010 corria na Kenda, uma pequena equipa americana que nem sequer sonhava em poder participar em provas como a Ronde van Vlaanderen e o Paris-Roubaix, dois dos 5 Monumentos do ciclismo e os que Cancellara ganhou na mesma época com as tais suspeitas. Nem Gaimon tenta dizer o contrário, deixa bem claro que a sua opinião se baseia em relatos de outros e nas imagens televisivas. E, verdade seja dita, perante a vinda a público da existência da tecnologia para esconder um motor na bicicleta, é difícil ver as imagens sem ficar desconfiado, especialmente a forma como distancia Tom Boonen na Ronde van Vlaanderen.

Fabian Cancellara é o grande suspeito de ter recorrido ao doping mecânico Fonte: Trek-Segafredo
Fabian Cancellara é o grande suspeito de ter recorrido ao doping mecânico
Fonte: Trek-Segafredo

Também curioso é que se ignore o contexto em que são proferidas as afirmações. Gaimon fala do tema exatamente para referir que a ter acontecido foi algo isolado e que não terá par na atualidade. Por isso, parecem exageradas certas reações, especialmente do Presidente da UCI, que, apesar de ter prometido na sua campanha eleitoral combater seriamente o doping mecânico, não fica propriamente bem na fotografia ao levar tão a sério declarações baseadas no ouvir dizer e que o próprio autor desvaloriza.

Ainda assim, não há dúvidas que o trabalho da UCI está a meio e que são precisas novas medidas para assegurar a credibilidade do desporto. Sendo certo que são poucos os casos comprovados de recurso à ‘fraude tecnológica’, como oficialmente se designa, e apenas um em provas profissionais, o da atleta de Ciclocrosse Sub23 Femke Van den Driessche que foi banida por seis anos, não o é menos que têm vindo a público informações que preocupam que pretende um ciclismo limpo e justo.

Quando os primeiros rumores sobre o tema vieram à tona, o conceito existente era o de um pequeno motor inserido no quadro da bicicleta e o modo de fiscalização foi, além de muito raros raios-X, o recurso a um tablet com uma aplicação específica para detetar o motor. No entanto, uma recente investigação revelou as debilidades dessa opção, mostrando-a como pouco fiável. Em adição, a tecnologia parece ter evoluído para um modelo à base de rodas eletromagnéticas que não pode ser detetado usando o tal tablet.

Perante estes desenvolvimentos, exige-se à UCI uma tomada de posição de força que permita, de uma vez por todas, restaurar total confiança aos adeptos de que as bicicletas não andam sozinhas e que os atletas só têm mesmo como motor o próprio corpo. Ainda assim, e como Gaimon diz e bem, tudo aponta para que este não seja um problema generalizado e que seja mais um pretexto para criar manchetes do que outra coisa e, portanto, só prejudica a modalidade que o seu mais alto representante lhe dê uma importância maior que a que tem e ajuda a descredibilizar o ciclismo junto do cidadão comum.

 

Foto de Capa: Ronde van Vlaanderen

Mercado de Verão: Versão alargada

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sl benfica cabeçalho 1Após o início menos convincente do Sport Lisboa e Benfica esta temporada, muita tinta se fez correr sobre o desinvestimento que se verificou por parte do clube encarnado no mercado de Verão, após a conquista do tetracampeonato. Tudo parecia estar bem, numa plenitude de conquistas a nível nacional. No rescaldo da conquista da dobradinha caseira, veio o mercado de verão para levar algumas pérolas, alguns dos jogadores mais influentes na equipa para a conquista dos títulos, para outros ares. Ora se saiu Ederson, Lindelöf, Nélson Semedo e Mitroglou do onze benfiquista, não se via na equipa que iniciou a temporada, jogadores aptos o suficiente para preencher o vazio por eles deixado. Isto verificou-se nos resultados que as águias apresentaram ao longo deste primeiro terço de época, bem diferente daqueles a que os adeptos estavam habituados, ainda para mais quando o normal era vencer, e vencer bem, ao longo de quatro épocas consecutivas.

Continuando com um pé fora das competições europeias e a cinco pontos do líder da Primeira Liga, o Benfica, pelo menos, tem conseguido manter essa distância, acabando mesmo por se aproximar do segundo lugar, após o empate do Sporting frente ao SC Braga, ficando agora separados por apenas um ponto. No entanto, não parecem ser vitórias convincentes, pois ainda falta algo a este Benfica, que não faltava a época passada.

Svilar agarrou a baliza encarnada e em apenas um jogo convenceu os adeptos Fonte: SL Benfica
Svilar agarrou a baliza encarnada e em apenas um jogo convenceu os adeptos
Fonte: SL Benfica

Estando em meados de novembro, falta pouco mais de um mês para abrir o mercado de inverno, possibilitando aos encarnados o preenchimento de vagas que parecem ainda estarem aquém daquilo que se pede de uma equipa que luta pela conquista do pentacampeonato. Que as coisas têm vindo a melhorar, é algo que se consegue observar em campo, mas um ataque direto a este mercado poderia aumentar ainda mais a qualidade de jogo, levando, então, o plantel a jogar bom futebol e a vencer jogos como habituou a sua massa adepta.

Após a quase crucificação do substituto natural de Ederson, Bruno Varela, Svilar, o jovem de 18 anos, foi colocado na frente da baliza com a missão de a defender melhor do que aquele que estava a render. Acontece que foi uma aposta aparentemente ganha, pois vê-se imensa qualidade em Miles Svilar e poder-se-á assim ver arrumado o assunto da baliza.

As primeiras decisões!

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Decorre a época 2017/2018 e, até ao momento, o FC Porto está a protagonizar um início de temporada, no mínimo, auspicioso.

Resta sensivelmente um mês e meio da parte da época relativa ao presente ano civil e antes da pausa natalícia vão jogar-se as primeiras decisões.

Na dia 17 de Novembro os comandados de Sérgio Conceição enfrentam o Portimonense no Estádio do Dragão numa partida referente à 4ª Eliminatória (decide-se a passagem aos oitavos-de-final) da Taça de Portugal. As grandes dificuldades residem em dois pontos fundamentais: Primeiro dizer que os alvinegros, orientados por Vítor Oliveira (uma velha raposa do nosso futebol), praticam um futebol entusiasmante e têm uma equipa com bastante qualidade (com Paulinho e Nakajima à cabeça). Depois importa realçar que é um jogo que sucede a uma pausa para seleções e que um plantel curto como o do FC Porto poderá sofrer as, por vezes nefastas, consequências do vírus FIFA.

Na menos importante mas sempre relevante competição do nosso futebol (Taça da Liga) também se avizinham jogos decisivos. No dia 29 deste mês o FC Porto desloca-se à Mata Real para defrontar o Paços de Ferreira de Petit e poucos dias antes do Natal recebe o exuberante Rio Ave de Miguel Cardoso. Depois do dececionante empate caseiro frente ao Leixões o FC Porto vê-se obrigado a vencer as derradeiras partidas do Grupo D sob pena de voltar a ficar pelo caminho precocemente como sucedeu na temporada transata. O primeiro dos dois jogos encerra o risco acrescido de anteceder (joga-se 3 dias antes) o Clássico entre FC Porto e Benfica referente à 13ª jornada da Liga NOS.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

No que concerne à mais importante prova de clubes a nível europeu (quiçá mundial), a UEFA Champions League, os azuis e brancos encontram-se em segundo lugar (com 6 pontos) do grupo G a 4 pontos do Besiktas e com 2 e 4 pontos de avanço sobre o Leipzig e Mónaco respetivamente. Restam duas jornadas e ainda tudo pode acontecer. Na próxima semana o FC Porto desloca-se à Turquia e no dia 6 de Dezembro (pouco dias após o Clássico) recebe o atual campeão francês. Dois jogos de grau de dificuldade elevadíssimo que separam os Dragões dos oitavos-de-final da competição e, mais importante, dos milhões referentes à participação nessa fase da prova.

Por fim, importa referir as quatro jornadas da Liga NOS que se vão jogar ainda em 2017. Receções a Benfica (1/12) e Marítimo (17/12) e deslocações à Vila das Aves (25/11) e a Setúbal (10/12). Quatro jogos fundamentais que podem começar a definir distâncias importantes sobre os mais diretos rivais e ter o condão de lançar o FC Porto para o título nacional.

Em suma, avizinha-se um ciclo infernal de jogos até à viragem de ano que pode ter uma enorme influência no resultado final da época do FC Porto. Cabe a Sérgio Conceição e a toda a estrutura técnica e, até, diretiva preparar a equipa física e mentalmente para todos estes desafios e aos adeptos continuarem a apoiar afincadamente a equipa para que este seja, finalmente, o ano do Dragão.

Foto de Capa: FC Porto

Os emails não revelados – Vitor Bruno: “Saudades, Nuno Manta Santos”

Cabeçalho Futebol NacionalOlá amigo.

Não estranhes este e-mail. Hoje sinto-me nostálgico, com vontade de desabafar, de ter comigo um verdadeiro amigo que me compreenda e entenda como tu, meu amigo.

A verdade é que todo aquele processo que envolveu a minha saída do CD Feirense levou-me a questionar algumas coisas que rodeiam o futebol. Não foi uma situação bonita ou fácil; muitas coisas foram ditas, mas tu sabes quem eu sou e os princípios pelos quais me rejo. De qualquer forma não foi sobre isso que te resolvi escrever.

Aqui no Bessa sou tratado com carinho; as pessoas são cinco estrelas, os adeptos são calorosos e sente-se neles o sangue quente a correr pelas veias. É um clube realmente grande, maior do que se pensa quando se vê o mesmo só de fora. Mas, ainda assim, não consigo deixar de sentir saudades. Tenho saudades de jogar. Este ano não tenho conseguido assumir-me como titular e isso custa para um jogador que estava habituado a fazê-lo regularmente.

Tenho saudades do ar que se respira em Santa Maria da Feira. Do ar que se respirava à entrada para mais um treino. Saudades de não ser mais um, mas de ser um, de ser o Vítor Bruno. Saudades desse ano maravilhoso que aí passei. E saudades tuas, Nuno. Saudades de ti, Nuno Manta Santos.

Vitor Bruno, aqui com a camisola do CD Feirense, está actualmente no Boavista FC Fonte: CD Feirense
Vitor Bruno, aqui com a camisola do CD Feirense, está actualmente no Boavista FC
Fonte: CD Feirense

Sim, saudades do “meu” mister, do meu amigo Nuno. Saudades daquele balneário e das constantes risotas; Saudades de me sentir criança como não poucas vezes me sentia, saudades da cumplicidade; saudades de não ter só um treinador, mas sobretudo um amigo que até tem jeito para comandar um grupo de homens. Saudades daquele ser autêntico, daquela “personagem” única e de levar um puxão de orelhas e segundos depois de receber um sorriso sincero.

Com ou sem óculos, usando gravata ou não, de fatinho todo aperaltado ou de fato de treino, de sapatilhas ou até de chinelos… O que quer que uses por fora jamais irá mascarar o que és. Jamais alterará essa pessoa real, sincera e autêntica que és.

What is football? Jesus, don´t hurt us, no more!

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Se houvesse música para cantar ao mister do Sporting, o tema dos Haddaway seria o adaptado. Imaginem Alan Ruiz na grelha do restaurante Fogo de Chão a assar uma picanha, todo contente, por ter a sua derradeira oportunidade frente a uma equipa do segundo escalão. E, por falar em oportunidades, quem mais terá de mostrar serviço? Iuri, o rei das chances falhadas, pode surgir na “confusão” do jogo que se adivinha. Se Salin estará na baliza, é possível que a defesa seja composta por Ristovski, André Pinto, Jonathan e o ousado Tobias Figueiredo. Ousado, porque aquilo que oferece ao jogo do Sporting atreve-se a ser… nada! A dúvida estará no miolo, Palhinha com Petrovic no centro, ou Petrovic atrás para, no eixo da defesa, para não arriscar em André Pinto e na possível recuperação de Mathieu com a inclusão de Bruno César, caso essa seja a opção. No apoio, “the son of Bebeto”, Mattheus Oliveira. O “Aramis” do exército verde e branco conclui o trio de mosqueteiros do meio campo, bem atrás de Gelson Dala, Iuri Medeiros e Alan Ruiz que, provavelmente, serão os homens da frente.

 Jorge Jesus tem tido pouca capacidade para reagir às adversidades dos jogos Fonte: Sporting Clube de Portugal

Jorge Jesus tem tido pouca capacidade para reagir às adversidades dos jogos
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Depois de dois empates seguidos, do atraso na perseguição ao líder e da reintegração de Bryan Ruiz, segue mais uma jornada dupla na arena de Alvalade. Rodar a equipa num encontro que se presume difícil, para estar na máxima força frente aos gregos do Olympiacos.  A hierarquia que Jesus privilegia em detrimento da necessidade do jogo ou aquilo que ele oferece. Esta questão é simples de explicar, frente ao Chaves e com o resultado feito, o mister preferiu consentir a ordem do estatuto no plantel. Errado, no meu ponto de vista. Frente ao Braga, quando foi cirúrgico mudar o esquema tático, notou-se a falta de soluções. Entre lesões e falta de ritmo, as opções não foram apropriadas. Pior do que fracturar as costelas como, infelizmente, Andrew Cotton sofreu, foi “fracturar” a inteligência que o jogo pedia e aumentar o zelo da antipatia que alguns sócios ainda sofrem com o treinador.

É preciso ser uniforme nos minutos e oportunidades aos que menos jogam e deixar de magoar os adeptos com substituições que nada oferecem aos jogos. Não se pode ser astuto apenas na Champions. Cada partida tem de ter a astúcia para superar dificuldades. Perder pontos em Alvalade terá de ser excomungado. É preciso confiar nos jogadores e arriscar mais, mesmo quando em vantagem. Se Jorge Jesus conseguir juntar a leitura de jogo e a capacidade para mudar algo na altura certa ao talento que tem na preparação dos jogos, o Sporting poderá recuperar terreno perdido. Caso contrário, acrescentará mais um ano de miragem à falta de títulos, colocando em risco toda uma estrutura que tem realizado um bom trabalho.

Doumbia poderá voltar a ser a surpresa no jogo frente ao Olympiacos Fonte: Sporting Clube de Portugal
Doumbia poderá voltar a ser a surpresa no jogo frente ao Olympiacos
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Para concluir, esperamos que a inclusão de Bryan não sirva simplesmente para ajudar Alan Ruiz e companhia nos churrascos. A sua qualidade técnica será uma mais valia e se voltar a jogar em Alvalade, que seja igual ou melhor ao ano em que se estreou pela equipa verde e branca.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

Renato Sanches: O beco tem de ter saída

Cabeçalho Liga InglesaDesde que surgiu na equipa principal do Benfica, no final de 2015, já praticamente se disse e escreveu tudo sobre Renato Sanches. A sua ascensão meteórica, desde jogador da equipa B até Golden Boy, transferindo-se pelo meio para o FC Bayern Munique, e sagrando-se campeão europeu por Portugal, está bem documentada.

Durante estes dois anos debaixo dos holofotes, Renato conseguiu dividir o público em geral. Os seus defensores vêem nele um talento único, um jogador que, para além da qualidade futebolística, carrega consigo um carisma e uma ingenuidade raros no futebol atual. Os seus detratores, por outro lado, acham-no um jogador sobrevalorizado, que alcançou o seu estatuto levado ao colo pela comunicação social em Portugal.

Se é óbvio que a verdade está no meio destas duas posições, é, também, possível afirmar que está mais próxima da primeira do que da segunda: Renato é um jogador verdadeiramente talentoso.

Com velocidade, força, técnica, boa capacidade de passe, e um bom remate, para além de uma grande aptidão para assumir o jogo nos momentos mais difíceis, o jovem português tem todas as características de um futebolista de topo. As dificuldades de adaptação, quer no Bayern, quer no seu novo clube, o Swansea AFC, e os consequentes retrocessos na carreira de alguém que, com 18 anos, apresentava já um currículo impressionante, são os pontos fundamentais duma das histórias mais contraditórias do futebol no século XXI.

Embora tenha apenas 20 anos, e possua tudo o que é preciso para se afirmar em definitivo como um grande jogador, Renato Sanches já deu indicadores de poder ser alguém que se desinteressou pelo futebol. A sua personalidade descontraída, e o seu estilo inconfundível, tornaram-no um ícone para os jovens em Portugal, e, durante um tempo, até à conquista do Euro 2016, o jovem médio conseguiu conciliar as boas exibições em campo com a imagem apelativa que criava fora dele. Mas, após a chegada ao Bayern, o confronto com as expectativas desportivas em seu redor, mais a frieza do público alemão, atiraram Renato para uma situação complicada. Longe do fanatismo de que era alvo no Benfica, onde a sua atitude irreverente era bem vista, e até apoiada, pelos adeptos, é provável que o jovem se tenha sentido isolado, incompreendido até. Foi na Alemanha que se começou a ver um Renato Sanches mais introvertido, sem a alegria contagiante que se conhecia até então. O “Bulo” carregou essa insatisfação para os relvados, e as exibições refletiram isso mesmo: um jogador desconcentrado, desorientado, pouco entusiasmado. A falta de minutos de jogo, e a pouca importância que lhe foi atribúida no plantel, contribuíram para o seu mal-estar geral.

Com o empréstimo ao Swansea, já no decorrer desta época, Renato Sanches voltou a ser notícia pela Europa fora.

Apontado como o melhor reforço do último dia de mercado, na Premier League, o médio foi recebido com curiosidade em Inglaterra, ficando alguns meios de comunicação incrédulos com o facto de um jogador da sua qualidade reforçar uma equipa que luta para não descer.

Na verdade, a mudança para o Swansea tinha tudo para correr bem: um treinador, Paul Clement, que o conhecia bem, e que tinha trabalhado com ele no Bayern; um campeonato que, devido às suas características de jogo, é o ideal para o jogador voltar ao seu nível habitual; uma equipa pequena, mas que se reforçou bem no Verão, e onde Renato Sanches poderia jogar sem pressão.

Renato Sanches ainda não se conseguiu afirmar na Premier League Fonte: Swansea AFC
Renato Sanches ainda não se conseguiu afirmar na Premier League
Fonte: Swansea AFC

Mas, mais uma vez, as coisas não têm corrido bem. O Swansea encontra-se atualmente em 19º lugar na Premier League, tendo somado derrotas nos três últimos jogos. O médio português participou em apenas cinco encontros até agora, e ainda não fez nenhuma exibição de grande qualidade. O seu contributo de maior destaque foi uma assistência para golo, na Taça da Liga, frente ao Reading.

É normal que, após conquistar títulos em dois países diferentes, se ter sagrado campeão europeu de seleções, e de ter sido considerado o melhor jogador do mundo sub-20, Renato Sanches não encontre motivação para ajudar um clube a fugir à despromoção. Talvez faça o melhor que possa, mas, subconscientemente, o jogador está ciente de que está a atuar num patamar inferior à sua qualidade. A mudança para o País de Gales, provavelmente aconselhada pelo seu empresário, como um bom passo para o médio recuperar o gosto pelo futebol, acabou por ser prejudicial.

A personalidade de um jogador é muito importante, e não foi tida em conta, no caso de Renato Sanches. O jogador português precisa de jogar num clube ao seu nível, mas onde lhe seja permitido errar, sobretudo quando se trata de alguém que gosta de ter a bola e ser protagonista. Para além disso, precisa de um balneário e de um grupo de adeptos que o apoie, e que o deixe ser como é, não tentando moldá-lo consoante as necessidades da equipa. Só sentindo-se apoiado, e parte integrante dum clube, pode Renato recuperar o entusiasmo pelo futebol.

Não são muitos os jogadores atuais com uma personalidade expansiva e cativante; Renato Sanches é um deles. O seu estilo de jogo enérgico e, muitas vezes, alucinado, remonta-nos a um futebol mais sincero e autêntico, muitas vezes perdido entre conceitos táticos na Europa. Descartar isto tudo, e não vê-lo brilhar nos relvados, seria um grande desperdício.

 Foto de Capa: Swansea AFC

artigo revisto por: Ana Ferreira

Os treinadores que mais vezes orientaram o FC Porto: António Oliveira

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fc porto cabeçalhoAntónio Luís Alves Ribeiro Oliveira, atualmente com 65 anos de idade, ficará para sempre ligado à história do FC Porto como o obreiro do tri e do tetracampeonato. Foram 97 os jogos dos azuis em brancos, entre 1996 e 1998, que contaram com o penafidelense no banco de suplentes. Oliveira herdou o legado de Bobby Robson e, verdade seja dita, poucos eram os riscos de que algo viesse a correr mal.

Estávamos no verão de 1996 e António Oliveira acabara de conduzir a seleção portuguesa aos quartos-de-final do Campeonato Europeu de Futebol (sim, aquele que terminou com um milimétrico “chapéu” de Karel Poborsky a Vítor Baía). A campanha havia sido positiva, o FC Porto procurava um treinador e, como tal, o destino parecia estar traçado: António Oliveira viria a sentar-se no banco dos azuis e brancos nas duas temporadas seguintes. O objetivo era claro e inequívoco: manter o clube na senda de vitórias e de conquista de títulos.

O FC Porto tinha, à data, um problema na baliza apelidado como “o fantasma de Vítor Baía”. E Oliveira sofreu com isso. Nos seus anos à frente do FC Porto passaram pelo clube nomes como os de Andrzej Wozniak, Lars Eriksson, Silvino, Hilário, Rui Correia ou Costinha. Todos tinham algo em comum: a incapacidade de fazer esquecer Vítor Baía! Ainda assim, o FC Porto sobreviveu. Com planteis ricos, com futebolistas como João Pinto, Secretário, Aloísio, Jorge Costa, Rui Jorge, Paulinho Santos, Doriva, Rui Barros, Edmilson, Zahovic, Sérgio Conceição, Capucho, Drulovic, Domingos Paciência, Jardel ou Mielcarski, o mais difícil parecia mesmo ser não vencer.

Utilizando invariavelmente o 4-3-3 como estrutura preferencial, Oliveira até acabaria por conquistar duas Ligas Portuguesas, uma Taça de Portugal e uma Supertaça Cândido de Oliveira com relativa facilidade. Porém o seu percurso foi sempre marcado por algumas polémicas e opções técnicas duvidosas. Assim sendo, pese embora os títulos conquistados, sempre pairou no ar uma onda de contestação relativamente a António Oliveira que acabaria por culminar com a sua saída do clube no final da época 1997/98.

Fonte: Blog “campeões 1980
António Oliveira conquistou títulos mas nunca evitou a contestação
Fonte: Blog “campeões 1980

Atualmente detentor de 7,34% da SAD do FC Porto, António Oliveira foi substituído no comando técnico do clube por Fernando Santos, o “Engenheiro do Penta”. Daí em diante o seu percurso é conhecido por (quase) todos e, enquanto treinador, sucesso foi palavra que nunca mais viria a constar no seu dicionário. Assim, a sua carreira técnica acabou por conhecer os pontos mais altos precisamente entre os anos de 1996 e de 1998, ou seja, na sua primeira passagem pela seleção portuguesa de futebol e ao serviço do FC Porto. Embora muito contestado, não se pode esquecer aquilo que foi António Oliveira enquanto futebolista (seguramente um dos melhores da história dos azuis e brancos) e, acima de tudo, a ligação que sempre existiu entre Oliveira e o FC Porto, seu clube do coração.

Em 2010 Nuno Farinha escreveu, no jornal “Record”, que o seu percurso de treinador “fez jus ao espírito rebelde e inquieto com que a comunidade da bola sempre olhou para Oliveira. Começou de forma precoce (aos 27 anos!) e teve um final a condizer. A recusa em voltar a sentar-se nos bancos não quer dizer, contudo, que tenha morrido para o futebol. Muito longe disso.”

Haverá melhor forma de descrever António Oliveira?

 

Foto de Capa: fcportojornaisoficial.altervista.org

artigo revisto por:Ana Ferreira

Quénia e Etiópia: Porquê tão fortes?

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Cabeçalho modalidadesQuénia, Etiópia. Etiópia, Quénia. Numa semana em que vimos uma atleta queniana – Ruth Chepngetich, de 23 anos – estrear-se na Maratona Feminina em 2:22:36 (e com fortes ventos) não podia estar este tema mais na ordem do dia. Já se tornou tão habitual vermos o domínio destas duas nações na meia e longa distância (em pista ou em estrada) que até achamos um evento fora do comum termos um vencedor de um país diferente. Muitas vezes, mais tarde, até chegamos à conclusão que são atletas que representam determinadas nações, mas que, ainda assim, são quenianos ou etiopes de origem! Mas afinal o que torna estes dois paises do leste africano tão especiais?

A questão é recorrente e muitas teorias existem. Mas antes de aprofundarmos o tema, convém frisarmos que mesmo entre quenianos ou etíopes, existem diferentes tipos de apetência e conseguimos perceber que a grande maioria dos atletas profissionais vêm das mesmas tribos e regiões: 3/4 dos corredores quenianos são Kalenjin e na Etiópia, o povo Oromo – que representa a grande maioria dos corredores – dividem com os Kalenjin a mesma origem dos povos do Nilo. Curioso também é que mesmo no Uganda, todos os corredores de elite pertencem aos Sebei que…têm a mesma origem dos Kalenjin (são na verdade um subgrupo). E o britânico Mo Farah até nasceu ali ao lado na Somália…

O mais aceite na actualidade é que não exista um factor explicativo, mas sim várias razões que levam a que estes países do leste africano apresentem o domínio praticamente absoluto no que diz respeito às distâncias mais longas. De forma a tornar as coisas mais fáceis de entender, deixaremos de parte certos termos científicos e iremos dividir em seis grandes grupos:

O Factor Genético e o Corpo Humano: É o argumento mais vezes apontado por quem se encontra no Ocidente. Tem peso? Os estudos feitos ainda não o conseguiram comprovar, mas é bastante sugestivo que sim. Quadris estreitos, estatura relativamente pequena, pouca massa gorda, pernas mais longas, mais finas, permitem diminuir o consumo energético em até 8% por quilómetro em comparação com corredores de elite nórdicos que não possuam essas características e é um factor que contribui positivamente para a economia de corrida ideal. Por outro lado, estas diferenças de características também irão “obrigar” a que o tipo de treino também seja totalmente diferente, adaptando os seus treinos para sessões bastante mais intensas e exigentes para estarem preparados para longas distâncias.

Sporting defronta Famalicão, rumo ao Jamor

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Esta quinta-feira, o Sporting Clube de Portugal recebe o Famalicão, no Estádio José Alvalade, em jogo a contar para a quarta eliminatória da Taça de Portugal. Leões e famalicenses disputaram na sua história vinte partidas, com dezoito vitórias para o clube de Alvalade e apenas dois empates.

Para esta partida, Jorge Jesus tem praticamente todo o plantel à sua disposição. No entanto, o técnico leonino deverá operar várias alterações ao seu habitual “onze” inicial, tendo em conta o jogo diante dos gregos do Olympiacos a contar para a quinta jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões. Assim, o Sporting deverá alinhar com: Romain Salin, Stefan Ristovski, André Pinto, Tobias Figueiredo, Jonathan Silva, Radosav Petrović, Mattheus Oliveira, Iuri Medeiros e Bruno César, Daniel Podence e Gelson Dala.

O Famalicão chega a Alvalade num bom momento, somando três vitórias consecutivas e ocupando o quinto lugar da Ledman LigaPro. Pelo caminho até esta quarta eliminatória da Taça de Portugal, os famalicenses deixaram pelo caminho o Alta de Lisboa e o SC Coimbrões.
Gelson Dala poderá ter nova oportunidade na equipa principal do Sporting, frente ao Famalicão Fonte: Sporting Clube de Portugal
Gelson Dala poderá ter nova oportunidade na equipa principal do Sporting, frente ao Famalicão
Fonte: Sporting Clube de Portugal
Depois de fazer a “Festa da Taça”, em Oleiros, o objetivo é claro: vencer o Famalicão e continuar a caminhada rumo à final da competição. O Sporting é natural favorito, mas tem de o provar em campo e vencer a equipa da Ledman Liga Pro. Para isso, os leões têm de entrar forte e tentar marcar desde cedo, sendo certo que os famalicenses irão dar a iniciativa de jogo à equipa de Alavalade e explorar apenas o contra-ataque.
A Taça de Portugal é um dos troféus cujo objetivo do Sporting é vencer, para isso tem de deixar pelo caminho o Famalicão. Num jogo em que Jorge Jesus irá dar minutos aos jogadores menos utilizados, há um destaque óbvio para Bryan Ruíz, que foi integrado no plantel principal e já trabalha às ordens do treinador leonino. Nesta competição há ainda espaço para lançar alguns jovens talentos, formados na Academia de Alcochete, que têm brilhado ao serviço da equipa “B”. Na terceira eliminatória da Taça de Portugal, Jorge Jesus estreou o defesa-central Merih Demiral e os avançados Jovane Cabral e Rafael Leão.
Esta é assim, mais uma etapa na caminhada rumo ao Jamor, com um só objetivo: vencer!
Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal