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SC Braga 0-1 SL Benfica: Fogo grego na Pedreira (outra vez…)

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sl benfica cabeçalho 1

No ano passado, numa fase complicada, o Benfica teve uma vitória decisiva em Braga. Mitroglou, naquela vitória pragmática, foi decisivo. Pouco mais de um ano depois, não se pode dizer que o Benfica esteja assim tão mal. Porém, a equipa não está na fase mais pujante da temporada (a todos os níveis) e o grego volta a ser decisivo. Os ares da Pedreira começam a ser talismãs…

Foram duas partes decalcadas. No primeiro tempo, aproveitando a passividade colectiva do Benfica, foi o Braga quem esteve mais por cima do encontro. Com um meio-campo intenso e inteligente – Battagllia e Assis foram competentes com e sem bola –, o Sporting de Braga foi construindo jogadas de ataque sucessivas e criando problemas à defesa do Benfica. Os alas tanto fechavam a defender como, no processo ofensivo, ofereciam soluções sempre que a equipa arranjava espaços. E eles iam aparecendo.

Os comandados de Rui vitória começaram por ser intensos, mas a crença e a velocidade cedo ficaram comprometidas. Com Pizzi fora do jogo – o médio português está claramente em défice de rendimento –, o Benfica teve pouca bola. Pior do que isso: quando a teve, optou sempre pelo mais difícil. No primeiro tempo apenas os fogachos de Rafa iam criando dificuldades a uma defesa competente do Braga. Rui Vitória esperava pelo intervalo e ele chegou sem golos. Com um Braga mais inconformado com o resultado.

No segundo tempo, o encontro manteve o figurino, mas as propostas de jogo foram trocadas. O Benfica apareceu mais dominador – não necessariamente a jogar melhor – e o Braga, a jogar nessa altura com menos presença ofensiva, não teve tantos espaços para sair com qualidade e critério para o ataque. Ainda assim, as ideias não surgiram com tanta facilidade para os lados encarnados (da Luz). O talento de Rafa continuava a disfarçar insuficiências. Ainda assim, o talento de alguns jogadores passou a ser melhor aproveitado – com Pizzi à cabeça – para se construírem jogadas com outro requinte técnico.

O jogo foi-se partindo e a qualidade diminuiu. Muitos sprints, emoções à flor da pele – grande ambiente na Pedreira –, porém, a organização foi-se perdendo. Nesta fase, o golo poderia surgir em qualquer das balizas. Os que ameaçavam mostravam-se mansinhos junto às zonas de decisão. Faltava sempre qualquer coisa… Eis que chega o suspeito do costume: Mitroglou, numa jogada que juntou brilhantismo técnico e perseverança, marcou mais um golo decisivo e afastou a intranquilidade e, sobretudo, o Porto da classificação. Pode-se crucificar um avançado que, estando ausente do jogo, é quase sempre decisivo? Nós dizemos que não.

 

Rescaldo de Jorge Fernandes e Rafael Simões

CF “Os Belenenses” 1-1 Vitória SC: Empate duro para os vimaranenses

Cabeçalho Futebol NacionalO Restelo contou com uma moldura superior ao habitual, neste jogo 2100 do Belenenses na I Liga, e os adeptos de ambas as equipas mereciam mais, apesar dos dois golos.

Hernâni abriu o marcador com um golaço, aos 10 minutos. O número 9 do Vitória remata em arco à entrada da área, após fintar dois adversários, sem hipóteses para Cristiano, num grande momento de futebol.

Marega, do meio da rua, quase fazia o 2-0, aos 12 minutos, com uma bola ao poste. Na sequência do lance, Hernâni obriga Cristiano a uma defesa apertada, num cruzamento remate que ia para o interior da baliza. No lance seguinte, Hernâni mete a bola em Rafael, que faz mais um remate perigoso. 15 minutos em que quase só dá Vitória.

Miguel Rosa empata o jogo aos 18 minutos. Rosa, que estava a ser o jogador mais esclarecido dos azuis, a par de Florent, veio de trás após cabeceamento de Vítor Gomes e apanhou a defesa vitoriana desprevenida, devolvendo a igualdade no marcador. As duas equipas, até ao intervalo, tentaram adiantar-se no marcador mas não foram muito esclarecidas nos seus lances ofensivos. O 1-1 aceita-se, ao intervalo, e estavam prometidos mais golos para a segunda parte.

A segunda parte foi toda como acabou a primeira; ambas as equipas a procurarem o golo, mas na hora da verdade as defesas foram muito superiores ao ataque. O Vitória teve mais bola e esteve muito mais próximo da área do que o Belenenses, mas todas as tentativas de golo saíram defraudadas.

Empate algo amargo para a equipa vinda do Minho, que saiu de campo a ouvir dos seus adeptos “Joguem à bola”.

FC Porto B 0–0 CD Santa Clara: Um Bocejo em 90 Minutos

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O FC Porto B entrou em campo frente ao CD Santa Clara na máxima força: ou seja, com todos os futebolistas disponíveis. António Folha dispôs a equipa num 4-3-3 em que, no meio-campo, Francisco Ramos e Fede Varela se colocavam como interiores à frente do trinco Omar Govea. Na equipa do CD Santa Clara merece nota de destaque a ausência de Serginho, habitual guarda-redes titular da equipa açoriana.

Num jogo com pouca história, na primeira parte destaca-se a disposição conservadora da equipa do FC Porto B em campo, com Francisco Ramos a colocar-se sempre muito junto de Omar Govea na construção, sendo depois sentida a sua falta na função em que o jovem médio português é mais forte: a criação. Do lado do CD Santa Clara, a equipa procurou sempre jogar um futebol mais apoiado, embora, na fase de criação, com um recurso por vezes excessivo à capacidade desequilibradora do extremo Dennis Pineda. O FC Porto B foi sempre uma equipa com menos foco no coletivo, com demasiada condução de bola por parte dos seus jogadores e com uma escassa procura de criar perigo a partir do corredor central, sendo que apenas Fede Varela aparecia, ocasionalmente, entre linhas nessa zona do terreno de jogo.

Foi precisamente Fede Varela que, aos 17 minutos, surgiu entre linhas para rematar por cima da baliza à guarda de Pedro Soares. Aos 23 minutos deu-se o lance de maior perigo em toda a primeira parte, com Kayembe a cruzar bem para Galeno, que, antecipando-se a Rui Silva, rematou por cima da baliza já numa zona na qual se impunha finalizar com mais qualidade. Aos 29 minutos a bola acabou por entrar na baliza do FC Porto B, mas a jogada já havia sido interrompida por João Reis – que se encontrava em posição de fora de jogo –, que se fez ao lance que acabaria por ser finalizado por Joel Silva.

O final da primeira parte fica também marcado por algumas das cenas mais lamentáveis do encontro. Aos 34 minutos de jogo, Accioly pisa – de forma aparentemente intencional – Galeno, mas o árbitro da partida, não entendendo o gesto como intencional, optou por não expulsar o defesa brasileiro do CD Santa Clara. Já após o apito para o intervalo, Carlos Pinto – que esteve extremamente nervoso ao longo dos primeiros 45 minutos – e Paulinho Santos envolveram-se em confrontos, acabando ambos por receber ordem de expulsão.

A equipa de Folha continua sem convencer Fonte: FC Porto
A equipa de Folha continua sem convencer
Fonte: FC Porto

Ainda obnubilados, após 45 minutos extremamente desinteressantes, deu-se início à segunda parte do jogo. O CD Santa Clara veio mais perigoso após o intervalo, com oportunidades de golo num cruzamento-remate de João Reis aos 58 minutos e num remate de Clemente aos 69 minutos, que acabaria por passar ao lado da baliza à guarda de Gudiño. Contudo, foi apenas no último quarto de hora que o encontro começou a apresentar alguns momentos de interesse.

O primeiro foi protagonizado por Kayembe, que, aos 74 minutos, conduziu a bola na direita e picou para Fede Varela, que, isolado frente a Pedro Soares, acabaria por desperdiçar a oportunidade. Dois minutos depois, João Graça, que havia entrado no jogo para o lugar de Francisco Ramos, remataria por cima da baliza do CD Santa Clara. Já a fechar o encontro, aos 88 minutos, Fede Varela isolou André Pereira – que havia entrado pouco tempo antes para o lugar de Rui Pedro – para este rematar ao lado da baliza à guarda de Pedro Soares. Finalmente, aos 92 minutos de jogo, bom lance individual de Ismael Diaz – que havia entrado ao longo da segunda parte para o lugar de Galeno – que, fora da área, rematou forte para uma boa defesa de Pedro Soares.

Num jogo taticamente pobre e que valeu por alguns fogachos individuais, a equipa de António Folha não foi além de um empate, mantendo-se assim na zona perigosa da tabela classificativa. Já o CD Santa Clara apresentou bons argumentos coletivos, mas falta de qualidade individual para levar de vencida a equipa do FC Porto B.

Foto de Capa: FC Porto

FC Famalicão 2-1 Académica OAF: Cabeçada no caminho para a tranquilidade

Cabeçalho Futebol Nacional

O caminho nesta segunda liga não é fácil: é um caminho sinuoso, feito de batalhas, imprevisibilidade, luta, e momentos de qualidade. Foi isto que se viu no Municipal de Famalicão. Com excepção dos últimos vinte minutos, o jogo foi intenso, bem jogado e com as duas equipas a procurarem o golo. Depois… o detalhe. No segundo tempo, com as duas equipas à procura do golo, o Famalicão foi mais eficaz. Dedo de Nandinho e grande cabeçada rumo à tranquilidade.

O jogo começou entretido. A Académica com mais bola, e com mais domínio territorial nos primeiros dez minutos. O Famalicão, aos poucos,  e com um quarteto em destaque – Carlão, Feliz, Mendes e Diogo Cunha –, foi criando jogadas que confundiram as marcações da organização academista. O golo – depois de uma excelente combinação entre Carlão e Mendes – foi já uma consequência natural.

Com o domínio famalicense a crescer, o golo academista chegou contra a corrente do jogo. Num lance de bola parada – tipo de lance cada vez mais decisivo – Makonda fez o empate. E o intervalo chegava, com um empate duro para os famalicenses.

Fonte: FC Famalicão
Fonte: FC Famalicão

No segundo tempo, as duas equipas  continuaram a promover o bom futebol e os lances de perigo iam-se sucedendo, nas duas balizas. A pontinha de felicidade que faltou à equipa de Nandinho no primeiro tempo chegou no segundo. Carlão, depois de um cruzamento do recém-entrado Gevaro – uma excelente entrada em campo -, restabeleceu a vantagem dos visitados.

Costinha arriscou e colocou “toda a carne no assador”: a equipa ganhou presença ofensiva mas perdeu tudo o resto. Faltou organização e cabeça para chegar a um golo que seria precioso, já que Aves e Varzim perderam. Costinha tinha prometido ambição para, finalmente, vencer fora. A ambição esteve presente, mas faltou qualidade.

Foto de Capa: Bola na Rede

10 Resultados surpreendentes na Premier League deste ano

Cabeçalho Liga Inglesa

Num campeonato conhecido pela sua imprevisibilidade, e em que está provado que todos podem ganhar a todos, falar de resultados surpreendentes trará sempre dilemas e indecisões, pois em Terras de Sua Majestade, as surpresas, proliferam e obrigam-nos a ficar agarrado ao sofá semana após semana, sem querer perder pitada dos acontecimentos. De entre muitos dissabores e baldes de água fria, exibições heróicas e partidas sofríveis, são estes os dez eleitos para “resultado mais surpreendentes da Premier League até ao momento.

 

A semana do andebol mundial

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Cabeçalho modalidadesA competição de clubes a nível nacional e internacional regressou aos pavilhões pelo Mundo inteiro e nós vamos estar cá para analisar tudo o que de importante aconteceu. Durante esta semana, damos maior importância ao regresso das competições europeias, EHF Champions League e EHF Cup, onde se encontram a competir o ABC, o FC Porto e o SL Benfica.

11/02/2017

Dia marcado pelo regresso da prova rainha europeia a nível de clubes e pela homenagem do ABC aos vice-campeões europeus da época 1993/1994, mas já lá vamos. Neste dia, começaram as decisões no grupo D (grupo do ABC). O Nantes (equipa que garantiu a contratação do macedónio Lazarov para a próxima época, mostrando uma possível tentativa de ataque à hierarquia do PSG, em França) e o Motor garantiram a passagem para os 16-avos de final, não valendo de nada a vitória do Besiktas na ultima jornada. O ABC terminou a sua prestação europeia com uma derrota em casa, frente ao Nantes, e terminou num dececionante ultimo lugar do grupo, no regresso à maior prova de clubes. Nota para a homenagem à equipa e staff vice-campeão europeu de clubes de 1993/1994, liderados pelo famoso Alexander Donner (falecido em 2013).

No grupo C, a equipa francesa do Montpellier e do La Rioja garantiram a passagem à fase seguinte. No grupo A, os suíços do Kadetten afundaram-se mais na classificação após a derrota frente ao Kiel (25-30). Já o Barcelona, seguiu firme na sempre difícil deslocação à Hungria e derrotou o Veszprem por 25-22. O PSG continuou a não facilitar e a “morder os calcanhares” ao Barcelona, após vencer o Bjerringbro por 32-27. Finalmente, no grupo C, o Vardar assumiu a liderança provisória ao vencer o PPD Zagreb, que saiu da zona de acesso aos 16-avos de final, devido, principalmente, à grande vitória do Kristianstad frente ao Celje (28-27).

ABC Braga
A singela homenagem do ABC
Fonte: ABC de Braga

Estabilidade Precisa-se

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Vivem-se dias atribulados pelas bandas de Alvalade e não se prevê que haja em breve uma acalmia. Com o aproximar das eleições que aí vêm, o projecto desportivo do Sporting Clube de Portugal está a ser todo posto em causa.

Esta semana o mar esteve revolto e quer a Equipa B, quer o Andebol, bem como o Hóquei em Patins sofreram mudanças abruptas… Bem sei que em tempo de eleições não se medem bem as promessas, nem os meios para atingir os fins, mas quando falamos de um Clube desportivo, o coração e a razão não se podem isolar e valer tudo para se conseguir a vitória.

Em teoria, somos todos sportinguistas, pelo que de nada servem os ataques e a criação de mais problemas… em teoria, no final deste processo eleitoral, o candidato que perder deveria automaticamente oferecer os seus préstimos e os seus valores acrescidos para a melhoria do Clube verde-e-branco. Se têm investidores (seja o candidato A ou B) e se são verdadeiramente sportinguistas deveriam entregar essas propostas àquele que for eleito presidente do Clube. Ou então, deixamos de falar num amor e passamos a falar num interesse. O meu Clube nesta semana deixou-me “triste”. Aquilo que sempre ouvi falar pela parte de Bruno de Carvalho simplesmente não existiu: aparentemente o projecto desportivo foi totalmente alterado após alguns desaires.

All Star Weekend 2017: O All-Star dos “underdogs”

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Cabeçalho modalidadesAinda não é Carnaval (ou Mardi Gras como se diz para aqueles lados) mas Nova Orleães já se encheu de brilho e festa para acolher o fim-de-semana All Star. Três dias em que os melhores executantes da NBA se juntam num único local, sendo que os primeiros dois já lá vão. Na sexta-feira foi dia de Rising Stars Challenge, ou o All Star dos miúdos, enquanto que sábado foi dedicado, como sempre, aos concursos.

No terceiro ano com o formato Estados Unidos vs. Mundo, foram os forasteiros que venceram pela segunda vez. Numa noite que tinha Porzingis, Jokic, Towns, D’Angelo Russell e Booker como cabeças de cartaz, Jamal Murray, base canadiano dos Denver Nuggets, ficou “quentinho” na segunda-parte, roubou o protagonismo, e terminou o jogo com 36 pontos e nove triplos. Buddy Hield, base dos New Orleans Pelicans e originário das Bahamas, foi o que mais brilhou na primeira parte para manter a equipa mundial no jogo, antes de Murray mostrar a sua magia. Do lado dos Estados Unidos, Kaminsky (Charlotte Hornets), com 27, e Karl-Anthony Towns (Minnesota Timberwolves), com 24 pontos, foram os mais ativos na tentativa de dar a vitória à sua equipa, mas não conseguiram. Depois de Wiggins em 2015 e Lavine em 2016, Jamal Murray foi o primeiro jogador não pertencente aos Timberwolves a ganhar o MVP do Rising Stars Challenge.

Jamal Murray foi o primeiro jogador não-pertencente aos Timberwolves a ganhar o MVP do Rising Stars Challenge
Jamal Murray foi o primeiro jogador não-pertencente aos Timberwolves a ganhar o MVP do Rising Stars Challenge
Fonte: NBA

Entretanto, sentado no banco devido a uma lesão, estava o homem que todos queriam ver em campo. O excêntrico Joel Embiid não participou no jogo, mas pediu permissão à NBA para comentar no Twitter os acontecimentos da partida, tornando-se na maior atração do dia. O camaronês passou rapidamente de um “Dangelo cooking Sabonis” para um “My guy Sabonis woke up and he dunked on some dude”, terminando com “Dario Saric can ball wow”, como se nunca tivesse sequer visto o seu colega de equipa em ação…

Jogadores que Admiro #65 – Simão Sabrosa

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Simão Pedro Fonseca Sabrosa foi um dos meus ídolos de infância. Adorava-o com todas as minhas forças e, certamente, marcou a minha infância benfiquista.

Proveniente do FC Barcelona, protagonizou uma das maiores transferências do Benfica na altura. A compra do extremo português ao colosso espanhol deu-se por 12 milhões de euros, e, desde cedo se tornou um dos jogadores acarinhados pelo clube encarnado. Simão Sabrosa era um extremo goleador, marcando 76 golos ao longo dos seis anos que passou pelo Benfica. Chegou a admitir a sua preferência clubística pelo Benfica, apesar de ter passado alguns anos pelo rival lisboeta Sporting. O jogador falou em maus tratos pela equipa leonina que levou à sua chegada ao clube da Luz depois de vestir a camisola catalã do Barcelona.

Nos meus olhos de criança sonhadora, sempre foi um prazer vê-lo a jogar. O seu toque de bola, a forma como apresentava o seu famoso lance ensaiado mil e uma vezes na sua carreira, marcando aqueles “golos à Simão”: pela linha lateral, descia parelelo à entrada da grande área e, com o pé direito, rematava colocado para o poste mais longo, executando o pontapé com a maior precisão para levar a bola ao seu destino de golo.

Gritei os 76 golos do internacional português pelo Benfica e os 22 golos pela seleção nacional. Aclamei os cruzamentos milimétricos que tirava do lado direito e do lado esquerdo do campo que esperavam ser cabeceados pelo ponta de lança na área. Usei várias camisolas do Benfica com o nome dele e o seu número 20 nas costas. Marcava golos com ela envergada e festejava como ele o fazia pelo clube pelo qual partilhávamos o amor: de braços abertos como se fosse uma águia.

Simão fez história no SL Benfica Fonte: SL Benfica
Simão fez história no SL Benfica
Fonte: SL Benfica

Lembro-me do golaço frente ao Manchester United de livre, do penalti no Estádio do Bessa que deu o campeonato em 2004/05 e do prazer que eu sentia em vê-lo de vermelho e branco a jogar à bola e a festejar os golos pelo mesmo clube que me fazia saltar do sofá a gritar de alegria.

A campanha dele de braçadeira no braço esquerdo e manto sagrado vestido parecia não ter fim nos meus poucos anos de vida e parecia que sempre fora jogador do Benfica. Porém, os tubarões europeus, aliciados pelas suas exibições notáveis, começaram a querer morder o anzol.

O Liverpool aproximou-se imenso de uma transferência de Simão e eu chorei. Ao ler a notícia da televisão, chorei por não querer, de forma alguma, ver o meu ídolo a representar as cores que não fossem as minhas, as nossas, aquelas que há tantos anos partilhávamos. Para meu alívio, ele ficou. Mas, seis anos depois de coser a águia do lado esquerdo do peito, junto ao coração, o Atlético de Madrid levou-o.

Em 2007, Simão rumou à capital espanhola e fez-me ganhar simpatia pelas mesmas cores noutro país. Deixei de o ver tanto, mas sempre que saía notícia das suas exibições e dos seus golos pelos colchoneros, os meus olhos brilhavam pelo meu ídolo de infância. Na era Jorge Jesus, o coração palpitou com o seu possível regresso ao clube do coração, mas não se realizou a despedida merecida de um dos jogadores que admiro.

Dos seus tempos de encarnado benfiquista tenho em posse um autografo que tímida e tremulamente lhe pedi no aeroporto de Lisboa aquando do regresso do plantel da derrota por 2-0 em Barcelona, para a Liga dos Campeões. Além disso, como verdadeiro fã, não tenho apenas uma assinatura dele, mas tenho ainda uma outra numa bola de futebol que me foi endereçada com um abraço. Obrigado pelas memórias, Simão.

Foto de capa: SL Benfica

Sporting CP 1-0 Rio Ave FC: Quando o resultado é (bem) melhor do que a exibição

sporting cp cabeçalho 1Os 40.053 adeptos presentes no estádio assistiram a um começo de jogo bastante nervoso de parte a parte, sendo que as primeiras grandes oportunidades da partida pertenceram ao Rio Ave. Rui Patrício correspondeu da melhor forma a todos os lances e foi verdadeiramente decisivo para a sua equipa.

Depois de 15 minutos de excelente construção de jogo da equipa visitante, e onde os seus jogadores mostraram bons princípios de jogo, o Sporting começou a tentar controlar os acontecimentos e, após a lesão de Lionn (para a entrada de Monte), aos 18 minutos, a equipa de Alvalade chega ao golo.

Jogada pelo centro do terreno, pelos pés de William, que deixa Gelson com a baliza à sua mercê. O extremo permite a defesa de Cássio, mas na recarga, Alan Ruiz não perdoou e colocou o Sporting na frente do marcador.

O golo acabou por não tranquilizar a equipa da casa e, passados os 20 minutos de jogo, Rúben Ribeiro remata fora da área e Rui Patrício estica-se novamente para uma excelente defesa, mantendo a vantagem do lado da sua equipa. Logo a seguir, Rafa Soares vê o primeiro amarelo da partida.

Depois de cerca de 10 minutos de pressão da equipa visitante, o Sporting voltou a tomar conta do jogo e dispôs de algumas ocasiões para aumentar o marcador, mas nenhuma resultou em verdadeiro perigo para a baliza de Cássio.

Por fim, o primeiro amarelo para a equipa do Sporting saiu do bolso aos 44 minutos, devido a uma entrada perigosa por parte de William Carvalho.

Após esta primeira parte, notou-se que, depois do golo, o Rio Ave controlou o jogo ofensivamente, mas nunca conseguiu superar o guarda-redes do Sporting, que foi a grande figura do primeiro tempo.

Rui Patrício realizou o jogo 400 ao serviço do Sporting e foi a figura do jogo Fonte: Sporting CP
Rui Patrício realizou o jogo 400 ao serviço do Sporting e foi a figura do jogo
Fonte: Sporting CP

Nos primeiros 10 minutos da segunda parte, o Rio Ave voltou a entrar disposto a empatar o jogo e a mostrar muita personalidade dentro de campo, frente a um dos grandes do futebol português e na sua própria casa.

Aos 55 minutos, Adrien Silva vê o cartão amarelo por nova entrada sobre o adversário. A mostrar-se algo nervosa, a equipa do Sporting neste recomeço.

Logo após o amarelo, nova falta e novo amarelo para um jogador do Sporting. Neste caso, amarelo para Alan Ruiz. Um minuto depois, primeira substituição da partida para o lado do Sporting, com a saída de Bruno César e a entrada de Bryan Ruiz. Mal o costa-riquenho entrou, sofreu logo uma entrada da parte de Tarantini, que viu o respetivo amarelo.

Aos 65 minutos, temos a segunda substituição da parte do Sporting, com a entrada do jovem Podence – bastante aplaudida pelas bancadas de Alvalade – e a saída de Alan Ruiz. Dois minutos depois, nova substituição, desta vez do lado do Rio Ave, com a entrada de Jaime e a saída de Pedro Moreira do meio campo da equipa do norte.

Passada a barreira dos 70 minutos, o Sporting voltou a tentar agitar a partida e construiu algumas jogadas dignas de registo, mas que acabaram por não dar em qualquer remate perigoso para a baliza de Cássio.

Até à chegada dos 80 minutos, notas apenas para o amarelo dado a Monte e as substituições de Paciência por Guedes e da saída, por lesão, de Adrien Silva e a entrada de Palhinha para o meio campo leonino.

Antes do final do jogo, Gelson faz um falta no vértice da grande área sportinguista, que dá origem a um livre perigoso. O Rio Ave marca, depois de uma desatenção dos centrais do Sporting, mas o golo não conta: Roderick estava fora de jogo. Os quatro minutos de compensação terminaram com um verdadeiro susto para a equipa leonina, mas a vitória ficou assegurada.

De registar a garra da equipa do Rio Ave, que demonstrou vontade de sair de Alvalade com pontos desde o primeiro minuto. Luís Castro volta a revelar mestria e inteligência no que toca a jogar contra os três grandes.

 

 

Foto de Capa: Bola na Rede

Artigo da autoria de Mariana Fernandes e Nuno Raimundo

Artigo revisto por: Francisca Carvalho