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O regresso às origens

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Antes de desenvolver a opinião possível sobre a recente contratação de Hélder Postiga, há algo que devo confessar. Gosto, ao ponto de sentir alguma admiração, do estilo técnico que Pedro Martins incute nas suas equipas. O Rio Ave alcançou, aos poucos e com o natural custo, o sólido patamar das habituais equipas de meia tabela que gostam de causar problemas aos apelidados “grandes”. Nesta temporada cujo o campeonato tem assumido um considerável equilíbrio entre as equipas, o Rio Ave permanece na luta pela Europa, soma pontos com regularidade em vários jogos e, embora passe despercebido. tem o hábito de impor o controlo dos mesmo nas primeiras metades – o que não deixa de ser sintomático nas equipas com ânimo ofensivo.

Posto a síntese pessoal sobre a equipa, aborde-se o jogador. Antes do presente, o passado: entre os anos de 2001 e 2003 não era fácil assumir posição na equipa do Futebol Clube do Porto, principalmente no ataque. Neste período, um Futebol fulminante valeu a conquista da Taça UEFA em 2003, ano em que Hélder Postiga carimbava o passaporte para a primeira experiência lá fora. Regressaria ao mesmo clube pouco tempo depois e estaria presente na dolorosa final da selecção Portuguesa de 2004. Também sou um daqueles que acha que, quanto àquilo que respeita ao Hélder Postiga, existem dois tipos de pessoas: aqueles que dele gostam e aqueles que não gostam.

O regresso de Hélder Postiga a Portugal Fonte: Rio Ave
O regresso de Hélder Postiga a Portugal
Fonte: Rio Ave

A verdade é que a expressão “avançado-centro” faz todo o sentido. Embora existam avançados bastante mais estáticos, Hélder Postiga nunca fora o jogador ofensivo que prima pelo excesso de movimento e que faz brilharetes mesmo passando um jogo sem marcar. Por norma, este tipo de jogadores paga cara a factura, pois entre trabalhar muito para a equipa e ser um autêntico “matador”, a preferência dos adeptos tende a recair para a primeira opção. Mas em Hélder Postiga há outra verdade cujo valor é e sempre será discutido e discutível. A carreira de Hélder Postiga conta com alguns pormenores de luxo, golos fora de série que sobrevivem até à posteridade. Dirão que um golo de classe não vale mais do que um golo fácil, mas são os primeiros que têm o estranho hábito de, de vez em quando, resolverem as partidas. Quando falam de Hélder Postiga, por exemplo, lembro-me sempre do penálti do Europeu. Marcar à “Panenka”, sob o ponto de vista técnico, pode estar ao alcance de muitos, contudo, para a sua execução, é imprescindível a coragem e o sangue-frio do momento.

O ditado Popular assim o exige. O bom filho lá irá voltar a casa, não propriamente à equipa do Rio Ave, mas a Vila do Conde, local que viu nascer Hélder Postiga. E as coisas podem correr bem. Depois de uma aventura mais económica do que desportiva, Hélder Postiga pode ser um bom apedrejo para a restante segunda volta da época, em que o Rio Ave terá muito a dizer tanto no campeonato como na Taça de Portugal. E sendo certo que um avançado tem por missão marcar golos, também está mais do que estudada a tese de que excesso de experiência nunca fez mal a nenhuma equipa. Continuando o Rio Ave a assumir o seu estilo de jogo e a lutar pelos legítimos objectivos, não duvido de que a contratação de Hélder Postiga seja uma aposta que poderá dar frutos na produção ofensiva e que redobre as alternativas tácticas de Pedro Martins nesta zona do terreno. E como este campeonato deixa adivinha uma luta jogo-a-jogo pelos lugares que procedem ao pódio, um golo de classe de Hélder Postiga ou, até, outro penálti à “Panenka” podem muito bem ser a chave.

Foto de capa: Rio Ave

Um inferno cantado

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sl benfica cabeçalho 1

O Benfica-Porto da semana passada acabou de forma indesejada. O confronto com o Zenit no inferno da Luz é amanhã e todos os jornais continuam a falar do clássico: “Benfica nunca venceu o campeonato perdendo três clássicos” ou “Benfica ainda fragilizado sem Fejsa e Lisandro”. Para mim aquele assunto está encerrado. A Liga dos Campeões é uma competição totalmente diferente e há uma motivação extra e muito concreta para este jogo, e essa motivação não se abala com uma derrota. Para mim o que devia neste momento ser capa de jornais é a sanção que o Benfica poderá sofrer com o mau comportamento dos adeptos.

Escrevo este texto numa altura em que a claque do Sporting foi eleita a melhor de Portugal. Aproveito também para lhes dar os parabéns, acho que foi uma distinção merecida. Os adeptos do Benfica não são os melhores do mundo nem de Portugal. Só por sermos mais não quer dizer que sejamos melhores; aliás ainda estamos longe disso. O Benfica desde o jogo com o Atlético de Madrid que anda com a garganta apertada por causa dos seus adeptos, ou melhor, por causa de alguns dos seus adeptos que continuam, de forma teimosa, a utilizar materiais pirotécnicos e a colocar em risco o jogo, a instituição do Benfica e a vida e segurança de milhares de pessoas.

Adeptos do benfica com os cachecóis no ar no famoso inferno da luz
Troquem os petardos pelos cachecóis e façam-se ouvir;
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

O inferno da Luz está demasiado quente?

Ainda há duas semanas atrás fui fazer o rescaldo do jogo do Belenenses – Benfica e não queria acreditar no que estava a ver… Petardos lançados antes do jogo, junto às roulottes de alimentação, e durante o jogo; algumas vezes sem pretexto algum. O que é mais incrível é que o Presidente do Benfica já veio inúmeras vezes apelar à consciência desses adeptos e estes continuam a ignorá-lo. Para mim, estes não são adeptos. Se o fumo vermelho fica bem? Fica, sem dúvida. Mas não são instrumento imprescindível para apoiar o Benfica, de longe. Proponho o seguinte exercício: olhem para a Juve Leo durante 90 minutos e olhem para qualquer uma das claques do Benfica durante 90 minutos. Os adeptos leoninos não se calam um segundo. Já dos do Benfica não se pode dizer o mesmo. Eles também usam tochas e petardos, mas não da mesma forma, abusiva e irresponsável, que os adeptos do Benfica. Chega a atingir a falta de respeito pelo emblema que dizem defender.

Os jogadores não querem ouvir explosivos. Eles querem é ouvir os cânticos, os apelos. Querem ver tarjas que lhes dão força, querem ver os cachecóis no ar e as invocações líricas a Eusébio e Coluna. Por favor, amanhã e sempre, não utilizem nada que ponha em causa a integridade e a vida das pessoas, assim como a reputação e a instituição do Benfica. Façam da Luz um inferno sem fogo, um inferno em que quem chegue saiba qual é o maior de Portugal, um inferno audível nas sete colinas de Lisboas. Porque se não fizermos da Luz um inferno sem fogo a UEFA fará do Benfica um clube de estádio vazio e isso é imperdoável. Seria imperdoável ver um Benfica sem a força dos adeptos, sem a garra deles. Deixem os petardos em casa e tragam as músicas bem ensaiadas para que possamos mostrar aos russos que no Inferno a Ópera canta-se bem afinada.

Capitão sem brio

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fc porto cabeçalho 2Nenhum adepto portista fica indiferente ao imensurável número de jogos que nestes últimos dois anos o FC Porto tem apresentado falta de mística vencedora, mas tudo se torna ainda pior quando essa má imagem é refletida num dos principais líderes do grupo. Maicon Roque é o sinónimo do insucesso que se alastra ao longo deste passado recente nas hostes portistas.

O defesa de 27 anos começou muito bem a temporada, as suas exibições convenciam e ia apontando golos decisivos tanto no campeonato como na Champions (Moreirense, Estoril e Chelsea). Mas uma lesão atirou Maicon para fora das quatro linhas, sendo que a partir desse momento as suas performances e reputação caem abruptamente.

Maicon esteve ligado à derrota frente ao Sporting CP para o campeonato, às derrotas na Taça da Liga e, com a paciência dos sócios a esgotar-se, o “capitão” portista acabou a protagonizar um dos casos mais insólitos do ano até ao momento. O central esteve diretamente ligado ao segundo golo do Arouca no Estádio do Dragão, lance decisivo para a derrota azul e branca.

maicon
Ato do capitão gerou polémica
Fonte: dominiodebola.com

Neste episódio inacreditável, Maicon perde a bola em zona proibída na zona defensiva e para espanto de todos fica de joelhos no relvado queixando-se de uma eventual lesão, pedindo substituição. Como é possível que um dos jogadores mais premiados do futebol português, com títulos internacionais inclusive, possa passar esta imagem de mau profissionalismo como capitão de equipa? E ainda como se não bastasse, a sua própria família coloca em causa a profissão do departamento clínico do clube. Se não dava para jogar não jogava, agora desculpas de mau pagador é que não. Neste clube um capitão não pode dar 100, tem de dar 200 por cento.

Várias vozes importantes ligadas ao FC Porto manifestaram o seu desagrado perante o sucedido, sendo o testemunho mais gritante o de Rodolfo Reis. O antigo capitão dos dragões, no programa Playoff da SIC Notícias, admitiu que não entendia a atitude de Maicon em deixar o campo antes de ser sequer substituído. Para a posteridade fica a seguinte declaração: “Sei que ele estava perturbado, mas ele é o capitão. Não aceito, não admito. Como capitão, ainda é pior. Ele não pode jogar nem deve jogar mais no FC Porto. Se eu fosse colega do Maicon, eu não admitia nunca mais que ele jogasse comigo.” 

Com estes aparatos todos, nos últimos dias tem-se falado que José Peseiro já não vai mais contar com Maicon para o que resta da época, uma vez que a situação assumiu um carácter irreversível. O jornal O JOGO adiantou este domingo, que o defesa central poderá estar a caminho do São Paulo e terá um contrato válido até 30 de Junho.

É muito triste ver um jogador com tamanho potencial sair do FC Porto pela porta pequena. É bom recordar que Maicon esteve presente em muitas alegrias e em muitos títulos do FC Porto, marcando inclusive um golo decisivo para as contas de um campeonato nacional em pleno Estádio da Luz aos 87 minutos. Maicon será sempre recordado como o central das bolas paradas e como o menino que chegou ao dragão e gelou a Luz ao “dar” mais um campeonato, mas infelizmente estes últimos acontecimentos não dão espaço de manobra. O preocupante é o problema central que os dragões terão de resolver com Chidozie no campeonato e com Verdasca na Liga Europa, uma vez que Marcano também está lesionado.

Dominar o WRC é tarefa gaulesa

cab desportos motorizadosDuas provas, duas vitórias para Ogier e Meeke a parecer que será a maior dor de cabeça para o francês, isto apesar de Ogier ter 56 pontos e Meeke 1, algo que pode parecer muito confuso para quem não acompanhou as provas de Monte Carlo e Suécia.

Sebastien Ogier, como já era de esperar, dominou Monte Carlo, e se na Suécia se podia pensar que desse hipóteses aos nórdicos ficou provado que continuaria a ser superior, tendo o francês o máximo de pontos possíveis. Ogier não tem mesmo adversário à sua altura, fazendo a mesma ligação homem-máquina que Loeb fazia.

No segundo lugar do campeonato está outro homem da marca alemã. Andreas Mikkelsen teve um segundo e um quarto lugar e com 33 pontos e é o homem mais perto do líder do WRC. O norueguês, que ficou em terceiro no ano passado, está a começar bem o ano, mas terá muitas dificuldades em conseguir alguma vitória este ano, pelo menos se estiver em luta direta com Ogier.

Mas, indo buscar Kris Meeke, o britânico da Citroën foi o único a dar luta a Ogier em Monte Carlo, e na Suécia chegou a ser segundo na prova. Mas duas pedras – uma em cada prova – fizeram-no desistir e atrasar-se muito, daí apenas um ponto na classificação, isto quando é o único piloto que já esteve na frente de um rali este ano – se tirarmos Ogier, claro. Convém recordar que a marca francesa não vai fazer todo o WRC, pelo que no México Meeke não estará presente. Na mesma onda temos Latvala, que ainda não tem pontos esta temporada em mais um arranque difícil do finlandês. O n.º2 da Volkswagen não tem tido um início fácil, com vários toques. O México está quase aí; vamos ver se finalmente pontua.

Ostberg será que devolve as vitórias à Ford? Fonte: Mads Ostberg
Ostberg será que devolve as vitórias à Ford?
Fonte: Mads Ostberg

Mads Ostberg, que voltou à M-Sport este ano, tem tido um bom início de temporada com um quarto e um terceiro lugar. Numa equipa que muito tem dado aos ralis mas que tem tido poucos resultados vamos ver se consegue ter o melhor não-Volkswagen; para já estão bem encaminhados pelo norueguês. Já Camilli parece que vai dar muitas dores de cabeça a Malcolm Wilson. O que não vai dar dores de cabeça é o R5 EVO; parece que a Skoda vai ter boa concorrência desta vez.

Quanto ao novo i20, tem sido um carro competitivo e melhor que o anterior i20. Paddon tem sido uma verdadeira surpresa para mim: não que não soubesse da sua qualidade, mas porque não pensava que conseguisse ser o melhor Hyundai. Dani Sordo tem os mesmos 18 pontos que Paddon e Neuville vai com 15, estando a marca coreana a apenas cinco pontos da Volkswagen.

No México (4 a 6 de março) a luta vai ser novamente pelo segundo lugar. Em condições normais será para Latvala, mas Paddon, Mikkelsen e Ostberg vão tentar lutar por este lugar. Vamos é ver se Latvala não sai de estrada ou dá algum toque que comprometa mais uma prova.

Imagem de capa: Sebastien Ogier

Estrutura Campeã

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Se há alturas boas para ganhar, o último jogo na Madeira foi o melhor exemplo disso.

Aproveitar a vitória de um FC Porto que parecia encostado às cordas, mas que se reergueu e provar estar na corrida, era obrigatório.

Admito que começa a parecer estranho estar no topo, falta de hábito que nos provoca arrepios na barriga e nos obriga a recuar uma data de anos, até à última vez, essa em que gritámos mais alto e vencemos.

Este sucesso desportivo tem, na minha modesta opinião, um grande responsável que se senta diariamente na sua “cadeira de sonho”. Bruno de Carvalho ressuscitou o Sporting Clube de Portugal, assumindo todos os riscos, que à data, eram mais que muitos, preso a um ideal de vitórias, com a mira apontada ao sucesso.

O Presidente adepto como muitos gostam de o chamar, é alguém que, quanto mais não seja, apelou à devoção sportinguista e uniu todos em redor de um bem maior.

A estrutura leonina ganhou experiência e astúcia, e personalizou-se não apenas no nosso Presidente. Está nas garras de cada leão que vai ao estádio, assiste às vitórias e volta ao trabalho no dia seguinte, estranhando a falta de “sapos engolidos” outrora.

E hoje creio que toda a dinâmica criada em volta do Sporting CP é a maior e mais merecida vitória de todos os que trabalham em prol desse objetivo.

Seria injusto responsabilizar uma só pessoa por isso, essa mesma que recebe (merecidamente) os louros, mas não o incomoda partilhá-los com o resto dos elementos diretivos. E sim, num clube como tudo na vida é o grupo que conta, é a heterogeneidade que torna tudo tão efetivo.

Depois de Soares Franco, José Eduardo Bettencourt e Godinho Lopes, era quase impossível ter alguém tão incompetente ao leme de um grande navio a precisar de uma reforma gigante que o fizesse voltar a águas profundas, sem receio de embater nas ondas de frente, confiante na força e coragem dos seus marinheiros.

O vai e vem de jogadores, uns que nunca o foram, outros que deixaram saudade, mas que a crise financeira do clube não permitiu que ficassem; o estádio quase sempre meio cheio; a descrença; a seca de títulos. O panorama adivinhava-se cinzento e a tristeza ia-se apoderando das conversas mais envergonhadas à porta de Alvalade.

As vitórias conseguidas em Paços de Ferreira e na Madeira têm que ter seguimento nos jogos em casa frente a equipas de menor dimensão Fonte: Sporting CP
As vitórias conseguidas em Paços de Ferreira e na Madeira têm que ter seguimento nos jogos em casa frente a equipas de menor dimensão
Fonte: Sporting CP

Faltava-nos essa tal de estrutura tanta vez discutida aquando da vinda de Jorge Jesus para o Sporting CP. O que é a estrutura? Como funciona? Como se constrói?

A resposta a esta última interrogação é muito mais complexa do que aparenta. Primeiro porque não tem uma resposta correta, depois porque cada um interpreta o termo à sua maneira.

Se ganharmos a estrutura está ótima de saúde, se perdermos, abaixo com ela.

Uma verdade à La Palisse, convenhamos.

Quando os alicerces de qualquer edifício não são os mais sólidos, mais tarde ou mais cedo vamos ter problemas, e deixando a Filosofia um pouco de lado, são comparações que me parecem credíveis e oportunas, não foi apenas a mudança de treinador que nos deu estabilidade.

Um grupo repleto de prata da casa aliado à chegada de bons jogadores potenciou a qualidade da equipa, comandada também por um excelente treinador, que conhece o futebol português como poucos.

Estamos onde queria chegar: A estrutura tornou tudo isto possível.

O balneário está mais blindado que nunca, a confiança é evidente, a empatia entre as bancadas e os jogadores está a tornar-se apaixonante, o respeito dos adversários é uma realidade que há muito estava perdida e a sede de vitórias é do tamanho do mundo verde e branco, de todos os que torcem e sofrem pelo Sporting CP, em Portugal ou no estrangeiro, a vinte ou a três mil quilómetros.

No final da época, mesmo que não ganhemos nada, teremos orgulho na equipa e no clube e sorriremos nas tristezas porque sabemos que centenas de pessoas, trabalham diariamente, para que mais cedo ou mais tarde voltemos ao topo do futebol europeu. A estrutura também vence campeonatos.

Trifon Ivanov – O último adeus ao Lobo Búlgaro

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“Trifon Ivanov irá permanecer na história do futebol búlgaro como um dos melhores defesas de sempre (…). Antes de ser um grande jogador, Trifon era um grande homem com um grande coração e sempre pronto a ajudar…”- Foi com estas sentidas palavras que a Federação Búlgara de Futebol se despediu de Trifon Ivanov, o antigo internacional por aquele país da península dos Balcãs, que faleceu na noite da passada sexta-feira, dia 12 de Fevereiro, vítima de ataque cardíaco.

Trifon Ivanov é um nome que certamente não é estranho a todos aqueles que seguem futebol há pelo menos duas décadas. Se Ivanov é um nome relativamente banal para a parte leste do velho continente, Trifon é quase imediatamente associado àquele defesa central búlgaro das décadas de 1980 e 1990, que tinha um cabelo comprido e mal cortado e uma barba desarranjada que lhe conferiam um ar que misturava rebeldia com um certo quê de desleixo. Trifon era assim, o improvável jogador de futebol profissional, que brilhou ao mais alto nível no Mundial de Futebol de 1994 nos Estados Unidos da América, onde contribuiu – e de que forma! – para que a selecção búlgara atingisse as meias-finais da competição, onde caiu às mãos da poderosa Itália de Roberto Baggio e seus pares.

Trifon Ivanov nasceu em 1965 na chamada cidade dos Czares, a misteriosa e emblemática Veliko Tarnovo, que serviu de capital ao Segundo Império Búlgaro entre o século XII e o XIV. O jovem rebelde começou a sua carreira FC Etar na sua cidade natal, mas aos 23 anos de idade mudou-se para a capital para representar o poderoso PFC CSKA Sofia. Ivanov esteve durante dois anos ao serviço dos Армейците, onde privou, entre outros, com Hristo Stoichkov e Emil Kostadinov, e onde viveu o período no qual o clube havia perdido o direito de se denominar CSKA Sofia e dava pelo nome de Sredets, após a batalha campal na qual se tinham envolvido uns anos antes na final da Taça da Bulgária contra o Levski Sofia.

Trifon Ivanov ao serviço do Real Betis no inicio da década de 1990  Fonte - 7dnifutbol.bg
Trifon Ivanov ao serviço do Real Betis no inicio da década de 1990
Fonte: 7dnifutbol.bg

A queda do governo comunista de Todor Zhivkov e a atribulada transição democrática no antigo aliado de ouro da URSS lançaram a confusão no país e proporcionaram aos futebolistas de maior craveira a possibilidade de prosseguirem as suas carreiras no exterior. Trifon Ivanov assim o fez e em 1990 chegou à Andaluzia para representar o Real Betis Balompié. As “novas liberdades” ocidentais não foram fáceis de assimilar e a experiência de Trifon no emblema da Andaluzia começou da pior forma. Chegar tarde aos treinos, fumar nos balneários e conhecer como ninguém todos os recantos de diversão nocturna da cidade andaluz faziam parte das rotinas de Trifon Ivanov no Real Betis, mas nem por isso os adeptos deixavam de o admirar e de o ter em grande estima. Pouco tempo depois da sua chegada, Ivanov assumiu um peso importante na equipa e a entrega que demonstrava em todos os jogos fez com que chegasse a capitão da mesma. O “Lobo Búlgaro”, como era conhecido à conta do seu aspecto pouco convencional, insultava os adversários, jogava duro, mas com o coração, e, de quando em vez, punha em prática o seu forte pontapé de fora da área, através do qual conseguiu apontar vários golos. Entre 1990 e 1993, Ivanov participou em pouco mais de meia centena de jogos oficiais com o Real Betis, mas a sua indisciplina e a falta de consistência exibicional fizeram com que durante esse período fosse emprestado em duas ocasiões, primeiro ao FC Etar e depois ao PFC CSKA Sofia.

Ivanov não conseguia encontrar a estabilidade necessária para o desenvolvimento da sua carreira e em 1993 mudou-se de malas e bagagens para o futebol suíço para representar o Neuchâtel Xamax FCS, mas a experiência helvética não durou muito tempo. Em 1995, após mais um empréstimo ao PFC CSKA Sofia, Trifon assinou pelo SK Rapid Wien, onde passou, eventualmente, alguns dos melhores tempos da sua carreira e teve a possibilidade de jogar a final da extinta Taça dos Clubes Vencedores das Taças contra o poderoso Paris Saint-Germain FC, que os gauleses venceram por 1-0 com um golo de Bruno N’Gotty.

Trifon Ivanov a estender a mão a Roberto Baggio no Mundial de 1994 Fonte: revistaplacar
Trifon Ivanov a estender a mão a Roberto Baggio no Mundial de 1994
Fonte: revistaplacar

Ivanov pendurou as botas em 2001, quando representava o Floridsdorfer AC, um clube modesto dos escalões inferiores do futebol austríaco, que era, segundo dizem, propriedade de um amigo seu.

Trifon desligou-se do mundo do futebol e investiu o seu dinheiro no mercado dos combustíveis. Engordou e envelheceu rapidamente, mas nem por isso deixou de fumar e de beber mais do aquilo que devia. A rebeldia dos seus verdes anos continuava lá e nem o facto de uma vez ter alegadamente comprado um tanque de guerra para se divertir com os amigos serviu para saciar esse seu lado mais selvagem. Trifon Ivanov foi um outcast, um homem que o sistema autoritário não conseguiu vergar, mas que também não soube encontrar um espaço para si nas ditas liberdades ocidentais. Trifon foi grande, mas foi grande à sua maneira e a sua morte deixou indubitavelmente o mundo do futebol bastante mais pobre. СБОГОМ, Трифон Иванов! (ADEUS, Trifon Ivanov!)

Foto de Capa: sportnet  

Vem aí a hora das decisões!

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O Sporting iniciou ontem, com nota artística, um ciclo de jogos bastante difíceis. Os “leões” bateram de forma clara e justa o Nacional da Madeira por 4-0, regressando à liderança isolada da Liga.

Na Choupana, onde averbou a única derrota do campeonato até agora, frente ao União da Madeira, os pupilos de Jorge Jesus (JJ) entraram fortes no jogo, com um golo de Slimani, e a partir daí foi um desfile de classe e liderança.

João Mário esteve ao seu nível e até marcou um golo; Adrien e William estiveram irrepreensíveis no controlo das operações a meio campo; Slimani fez o que lhe competia, e Bryan Ruiz voltou a abrir o livro (o túnel a Rui Correia que resulta no primeiro penalti é simplesmente genial). Sobre os golos, um apontamento importante: o primeiro surgiu de um pontapé de canto que foi batido de forma rara no Sporting desta época – no lado esquerdo do ataque, pelo pé direito de João Mário.

Geralmente, JJ tem preferido que seja um jogador canhoto a bater do lado esquerdo e um destro do lado direito. Ou seja, cantos batidos com a bola a fugir da baliza. Eu prefiro a forma como foi batido este canto do golo, com o arco a fazer a bola aproximar-se da baliza e, assim, qualquer desvio é sempre mais perigoso e mais capaz de resultar em golo.

A nível defensivo, nota extremamente positiva para a nova dupla de centrais, formada por Sebastián Coates e Ruben Semedo. Ambos estiveram impecáveis, sem grandes invenções no plano técnico e seguros perante Salvador Agra e Soares, os atacantes nacionalistas.

Zeegelaar também está a melhorar de jogo para jogo, o que é um alívio para as hostes leoninas, que temiam problemas graves devido à lesão de Jefferson. Um último realce para Carlos Mané. Gosto muito de o ver jogar na equipa do Sporting, é um elemento acarinhado pela massa associativa e que merece mais oportunidades, deixando um pouco para trás o mais jovem do grupo, Matheus Pereira.

Adrien e Slimani, o comandante e o atirador deste Sporting Fonte: Sporting CP
Adrien e Slimani, o comandante e o atirador deste Sporting
Fonte: Sporting CP

Um facto curioso é que, se olharmos para os cinco jogos até agora decorridos na segunda volta, em comparação com os encontros frente a essas mesmas equipas na primeira metade da competição, o Sporting conseguiu sempre melhores resultados fora de casa. Frente ao Tondela, vitória fora e empate caseiro, o mesmo cenário nos encontros frente ao Paços de Ferreira e Rio Ave.

No balanço dos encontros com Académica e Nacional, podemos verificar que os “leões” venceram ambas as partidas, mas as vitórias fora de casa foram sempre mais dilatadas e bem mais tranquilas do que em casa. Com o ambiente fabuloso, até mágico que se vive em Alvalade jogo após jogo, é difícil de perceber esta ideia, mas é matéria de facto: o Sporting tem-se dado melhor a jogar fora de portas. Espero que, na próxima segunda feira, esta lógica seja invertida, dado que empatámos no Bessa e não seria nada bom ter outro mau resultado em casa.

Os dois próximos jogos do campeonato, essa receção ao Boavista e a visita a Guimarães, são fulcrais. A equipa de Jorge Jesus regressou à liderança isolada e estes serão os dois jogos que antecedem a receção ao Benfica. Três jornadas que poderão dar um alento importantíssimo na corrida pelo título. Com certeza, não me esqueci dos jogos da Liga Europa. As duas partidas com o Bayer Leverkusen vão ser bastante duras e competitivas, ao bom estilo alemão, e Jorge Jesus terá de gerir com pinças a utilização dos seus quatro ases de trunfo: João Mário, Adrien Silva, Bryan Ruiz e Slimani.

Estes quatro jogadores são o motor e a grande força atual do Sporting, sem qualquer margem para dúvidas. E quando me refiro à gestão de utilização, não falo só da gestão física; a gestão disciplinar também está no meu pensamento. William, Adrien e Slimani estavam em risco de exclusão se vissem o cartão amarelo; apenas o médio defensivo o viu, ficando assim castigado para o jogo com o Boavista. Assim sendo, Slimani e Adrien estão em risco de falhar a batalha de Guimarães ou o dérbi com o Benfica. Sinceramente, não quero que fiquem fora de nenhum deles, mas não me parece que isso vá acontecer, até porque o argelino ainda poderá ser castigado por uma daquelas agressões que só são agressões para um lado.

Na Liga Europa, acho que o Sporting terá de tentar passar esta eliminatória, mas mantendo o foco principal na Liga. Ricardo Esgaio, devido às ausências de Zeegelaar e Jefferson, deverá ser titular na próxima quinta-feira pelo flanco esquerdo da defesa. Carlos Mané, Aquilani e Gelson Martins seriam, na minha ótica, outros elementos a ter em linha de conta para as partidas com os germânicos. Considero que o campeonato tem de ser, absolutamente, o foco total do grupo leonino. É esta competição que dará mais gozo aos adeptos em vencer e é nesta competição que terão de jogar sempre os melhores, sem quaisquer poupanças.

Uma última nota para os jogos em Alvalade: os jogadores têm de entrar sempre a todo o gás, sempre à procura de marcar o mais rapidamente possível. Só assim tornarão as partidas mais simples e só assim o sonho ficará mais perto das mãos… está na hora, Sporting!

Foto de Capa: Sporting CP

Espanha recupera o domínio europeu

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cab futsal

O Euro 2016 terminou hoje em Belgrado e coroou um novo campeão, depois da vitória da Itália em 2014. Ao longo destes últimos 11 dias vimos um total de 12 equipas a lutar com as suas armas para tentar levar o troféu de campeão para casa, e no final apenas sobraram duas equipas para disputar o cetro, após ultrapassarem todos os seus obstáculos até à grande final: Espanha e Rússia, sendo de salientar que a equipa do Cazaquistão se tornou o primeiro estreante da história a garantir uma medalha, ao levar de vencida a turma da casa, a Sérvia, por 5-2, no jogo de atribuição dos terceiro e quarto lugares.

A grande surpresa pela positiva desta competição é obviamente a equipa leste-europeia do Cazaquistão, que demonstrou todo o seu potencial ao surpreender a Itália, nos quartos-de-final, e levou para casa a medalha de bronze, apoiada no talento dos jogadores brasileiros naturalizados cazaques, que formam a espinha dorsal da equipa desta nação.

As grandes desilusões acabam por ser a formação transalpina, a par da seleção de Portugal, pois, se por um lado a campeã em título caiu aos pés da grande surpresa da competição, nós não conseguimos impor a nossa qualidade como uma das grandes potências continentais e ficámos atrás da Sérvia na fase de grupos, apanhando logo a Espanha nos quartos-de-final.

O espanhol Miguelin foi um dos melhores marcadores do torneio Fonte: UEFA
O espanhol Miguelin foi um dos melhores marcadores do torneio
Fonte: UEFA

Na grande final, que decorreu durante o dia de hoje, a Espanha impôs-se com facilidade diante de uma equipa russa desfalcada pelo castigo aplicado a Eder Lima, resultante da expulsão na meia-final, por claros 7-3, num jogo sem grande história e onde a Espanha pareceu sempre mais forte do que o coletivo russo.

É de realçar também que os jogadores espanhóis Mário Rivillos e Miguelin dividiram a Bota de Ouro relativamente ao melhor marcador, ao somarem seis golos e quatro assistências, seguidos pelo seu compatriota Alex, que também marcou seis golos mas só somou duas assistências, levando assim a Bota de Prata, e pelo sobejamente conhecido Ricardinho, que marcou os mesmos golos mas não somou qualquer assistência e leva por isso a Bota de Bronze, merecendo destaque redobrado pois conseguiu este feito em apenas três jogos.

Com esta conquista, a Espanha eleva para sete as vitórias em campeonatos europeus e reconquista um troféu que havia sido conquistado pela última vez em 2012.

Foto de Capa: UEFA

CD Nacional 0-4 Sporting CP: Somos todos Slimani(acos)

sporting cp cabeçalho 1O Sporting CP regressou ao Estádio da Madeira – local onde perdeu pela única vez no campeonato – sabendo que no caso de pontuar frente ao CD Nacional voltaria a assumir a liderança isolada do campeonato português. Ultrapassadas as ameaças de novo adiamento de uma partida do Nacional devido ao nevoeiro, os leões apresentaram-se no relvado com uma novidade no onze. Jorge Jesus “corrigiu” o erro do jogo frente ao Rio Ave e deixou Teo no banco, sendo Ruiz o parceiro de ataque de Islam Slimani.

Após a exibição triste e sem cor na passada segunda-feira em Alvalade, o jogo na Choupana começou da melhor maneira com um grande cabeceamento de Slimani, correspondendo da melhor forma ao primeiro canto da partida. Aos três minutos, Super Sli dava ao Sporting a  liderança no jogo e no campeonato; o golo madrugador deu tranquilidade à equipa de Jorge Jesus na partida, acabando por mostrar um registo de jogo que já não se via desde a vitória em Paços de Ferreira.

Com Ruiz próximo de Slimani e Bruno César na esquerda, o Sporting era uma equipa mais entrosada e móvel, colocando desta forma a defensiva insular em sentido e criando muito perigo para Gottardi. Perto dos vinte minutos, Slimani isola Ruiz, que bate o guardião da equipa da casa, mas a equipa de arbitragem anula (mal) o golo do costa-riquenho.

Do lado insular, Willyan e Salvador eram insuficientes para contrariar o ímpeto dos leões, tentando em velocidade surpreender a defesa leonina. William Carvalho voltou a estar bem nesta primeira parte, melhor no capítulo defensivo do que a construir jogo, algo que ficava sempre a cargo de Adrien Silva, Ruiz e João Mário. Sinal positivo também para João Pereira, muitas vezes o “patinho feio” da equipa de Jorge Jesus mas que conseguiu entrosar-se nas jogadas de ataque dos leões.

Até ao intervalo, registo apenas de um remate ao lado de Carlos Mané, que substituiu o lesionado Bruno César, não aproveitando da melhor forma um passe de morte de Slimani.

Slimani  - sempre ele - voltou a dar vantagem aos leões Fonte: Sporting CP
Slimani – sempre ele – voltou a dar vantagem aos leões com um excelente golo de cabeça
Fonte: Sporting CP

O reatamento da partida trouxe poucas novidades para o jogo; o Sporting continuou a ser dominante, não deixando a equipa de Manuel Machado sair com a bola controlada do seu próprio meio-campo. Com dez minutos disputados, Bryan Ruiz – já dentro da área do Nacional – faz um túnel a Rui Correia, que acaba por cortar a bola com a mão; na transformação da grande penalidade Adrien bate Eduardo Gottardi e coloca os verdes-e-brancos ainda mais na frente do jogo. O jogo acabou por ficar fechado e a equipa alvinegra – uma sombra do Nacional doutras épocas – cada vez mais desconcentrada ofereceu mais um golo aos leões, desta vez apontado por João Mário, após remate à barra de Islam Slimani.

Com o terceiro golo, os leões acabaram por baixar os níveis de intensidade na partida, baixando a pressão perto da área de Gottardi e gerindo a posse de bola, passando a jogar mais em contra-ataque. Jorge Jesus aproveitou para fazer descansar Adrien e Zeegelaar, colocando em campo Aquilani e Schelotto, e foi mesmo o italo-argentino que conseguiu ganhar (mais) um penalti – a falta de Sequeira foi fora da área -, dando a oportunidade a Slimani de bisar na partida e aproximar-se de Jonas na lista de melhores marcadores.

Vitória justíssima dos leões, e por números que se adequam ao que se passou em campo. O Sporting voltou a responder de forma positiva a uma deslocação que poderia ter contornos complicados e, à semelhança do que se passou em Paços de Ferreira, a mostrar que é uma equipa preparada para lutar até ao fim pelo título.

A Figura:

Islam Slimani – Começam a faltar as palavras para descrever a entrega ao jogo do avançado argelino. Slimani é um exemplo de trabalho, de dedicação e esforço, com o bónus de ser o melhor avançado do Sporting desde a saída de Liedson. Uma injustiça será feita se castigarem o ponta de lança leonino.

O Fora-de-Jogo:

CD Nacional – Vir jogar à Choupana foi, durante muitas épocas, um momento de aflição para o Sporting CP e para qualquer equipa do campeonato português. Esta equipa insular é uma fraca imagem do Nacional que contava com Rúben Micael, Benaglio, Salino, Mateus ou Rondón.

 

Foto de Capa: FPF

 

Zidane a lançar-nos o Isco

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cab la liga espanha

Isco não entrará de início neste sábado no jogo que opõe o Real Madrid ao Athetic de Bilbao; jogará Kovacic. E não sou eu que o digo; foi o próprio Zidane que resolveu divulgar tal informação na conferência de imprensa de antevisão ao jogo, porque diz querer dar descanso a Isco. Vendo o ar surpreendido dos jornalistas perante tal revelação pré-jogo, Zidane acrescentou: “Estou a dizer isto… Porque quero dizer”. Mas eu sei que não é só por isso.

A explicação de Zidane não tem sentido. Isco era muito pouco utilizado com Benítez, nos dois meses anteriores à chegada do treinador francês. Jogou apenas 41 minutos, repartidos por dois jogos. É certo que, desde a mudança de treinador, Isco tem sido sempre titular, mas o Real está a jogar apenas uma vez por semana, ou seja, jogou cinco vezes nas últimas cinco semanas, e em três delas nem sequer fez os 90 minutos. Por que raio é que é necessário dar-lhe descanso? Aos 23 anos não aguenta jogar uma vez por semana? A explicação não cola, e ainda fará menos sentido se considerarmos os tempos de utilização de Modric e Kroos, que, esses sim, talvez agradecessem uma pausa.

Isco celebra um golo com a camisola do Real Madrid Fonte: Facebook Oficial de Isco
Isco celebra um golo com a camisola do Real Madrid
Fonte: Facebook Oficial de Isco

Além disso, Kovacic nem sequer é um jogador com o mesmo perfil que Isco; tem mais características de médio-centro, enquanto Isco é mais desequilibrador e costuma jogar mais descaído para uma ala, embora também possa jogar ao meio. Se a opção de Zidane tivesse como único objetivo dar descanso ao jogador malaguenho, o seu substituto deveria ser alguém com o mesmo estilo de jogo.

Na minha opinião, a verdadeira razão por que Zidane vai trocar Isco por Kovacic prende-se com o reforço do meio campo. O Bilbao, ainda que desfalcado e jogando no Bernabéu, é um adversário mais difícil do que os anteriores que se têm atravessado no caminho do Real nos últimos tempos e parece-me fazer sentido que Zidane pretenda ter alguém a ajudar mais Kroos e Modric no centro do terreno. Mas o Real Madrid é um clube muito especial, em que reconhecer isto poderia não soar bem: por isso, Zidane inventou a desculpa do cansaço e lançou-a já com antecedência, para evitar que começassem a surgir muitas questões amanhã (sábado) quando o onze fosse revelado. Deixar uma estrela no banco (e estamos a falar de Isco, que está longe de ser Ronaldo ou Bale) é mal visto em Madrid, ainda que seja com o objetivo de melhorar o rendimento coletivo.

Agora, é esperar que Bale continue lesionado mais tempo. Não que Bale seja mau jogador, obviamente, mas porque jogar com Bale, Benzema, Ronaldo, James e Isco contra equipas mais fortes é um suicídio. Um dos (muitos) azares de Benítez foi ter tido todas as estrelas à disposição na semana em que recebia o Barcelona. Assim, “teve” de entrar com a equipa super ofensiva que os adeptos tanto queriam e abdicar do seu estimado Casemiro. Aquele 0-4 foi o princípio do seu fim.

Foto de Capa: Real Madrid CF