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SL Benfica 1-2 FC Porto: Guerreiros em Campo

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Depois de um desaire inesperado em casa contra o Arouca, eram poucos os que acreditavam que o FC Porto conseguisse fazer frente ao melhor ataque do campeonato e à equipa que estava a jogar melhor futebol nas últimas jornadas. A equipa azul e branca apresentou-se na Luz com dez dos seus habituais 11 titulares. Chidozie estreou-se com a camisola dos Dragões e aproveitou a ausência de Maicon e Marcano para ser um dos melhores jogadores em campo. O Benfica contava com a sua máquina goleadora afinada e com o onze que goleou o Belenenses na última jornada. Só a chuva é que tinha ambição de tentar incomodar o clássico mas nem isso estragou o que foi um grande jogo de futebol.

O Porto procurou assumir o jogo desde o início, mostrando que a derrota contra o Arouca estava para trás das costas e que estava na Luz para reentrar na luta pelo título. Depois de um começo de grande intensidade e de uma oportunidade falhada por Pizzi, foi dos pés de Renato Sanches que saiu o passe para o golo do grego Mitroglou, que dava a vantagem ao Benfica aos 18 minutos de jogo. A resposta da equipa da Invicta não tardou e surgiu com um grande remate fora da área de Herrera. Golo merecido dos azuis e brancos, uma vez que entraram em campo com vontade disputar o jogo e de encostar o Benfica.

Herrera voltou a ameaçar a baliza de Julio César da mesma forma uns minutos depois mas, desta vez, o remate saiu ao lado. O Benfica procurou responder mas, infelizmente para a equipa encarnada, o jovem nigeriano Chidozie estreou-se a um grande nível e mostrou-se perfeito na defesa, uma vez que interceptou muitos passes e não abriu espaço para falhas de marcação ou de posicionamento. Antes do intervalo, Iker Casillas fez uma das muitas intervenções que efetuou ao longo do jogo, a um remate de Jonas. A primeira parte foi muito disputada e o empate era considerado o resultado mais justo dadas as oportunidades criadas pelo Benfica e pela vontade e entrega do FC Porto.

Na segunda parte o Benfica entrou mais forte, falhando sobretudo no momento da decisão. Valeu uma noite inspiradíssima de Iker Casillas, que defendeu os remates de Gaitán (52′), Mitroglou (68′) e até um corte defeituoso do defesa central Indi (67′). O jogo começou a tornar-se partido na última meia hora, e, com um Brahimi e Corona pouco inspirados, o Porto dependeu muito da consistência do seu meio-campo e no domínio de Danilo Pereira, que estava em todo o lado e procurou envolver-se em todas as fases do jogo.

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O Momento da Reviravolta

Foi aos 64 minutos que Aboubakar consumou a reviravolta azul e branca e estabeleceu o que viria a ser o resultado final. O Porto mostrava-se mais eficaz e mais objectivo do que o Benfica, que na fase final do jogo já apresentava um enorme desgaste e falta de clareza nas decisões. Com as substituições de José Peseiro, o Porto continuou a dominar o meio campo e a ter poder ofensivo com os frescos Marega e Varela. A equipa encarnada não conseguiu criar oportunidades nos últimos minutos para desespero dos adeptos, e o Porto conseguiu uma vitória arrancada “a ferros” mas que é importantíssima na luta pelo título.

É de realçar a arbitragem de Artur Soares Dias, que desempenhou de forma exemplar o seu papel, deixando jogar e ignorando as manhas típicas de Clássico por parte dos jogadores de ambos os lados.

A Figura:

Iker Casillas – O guarda-redes espanhol voltou a ser feliz no Estádio da Luz depois de defesas decisivas. Foi o melhor jogador em campo com toda a justiça.

O Fora-de-Jogo:

Nicolas Gaitán – Desde que voltou de lesão o argentino não tem estado ao nível a que habituou os adeptos benfiquistas. Hoje teve uma exibição pobre muito devido à grande exibição de Maxi e de Chidozie.

Imagens: FC Porto

SL Benfica 1-2 FC Porto: Pecados a mais num jogo de crescidos

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Esta manhã, no sobrelotado metropolitano de Lisboa, as conversas centravam-se, quase exclusivamente, no clássico de mais logo; era assim onde eu estava, mas também, como mais tarde pude confirmar, nos locais de trabalho ou de lazer um pouco por todo o país. Naquela carruagem, os dois homens que conversavam sob a minha atenção dissimulada não discutiam que equipas utilizar, nem sequer qual seria o vencedor do jogo, mas apenas e só qual a diferença que o marcador assinalaria (a favor do SL Benfica) depois de disputados os 90 minutos; a conclusão foi, no mínimo, curiosa: “seria engraçado se fossem meia dúzia”. Na altura, ao ouvi-los, recordei outros momentos de excesso de confiança – o futebol (tal como a vida) já nos ensinou, a todos nós, que nada nos é oferecido assim, de mão beijada, e que é preciso respeitar o adversário do princípio ao fim. Sobretudo se o rival se chama FC Porto e o seu orgulho se encontra ferido.

O Benfica perdeu e, apesar de se poder queixar, essencialmente, de si próprio – depois de um festival de golos falhados e da incompreensível incapacidade para travar as transacções ofensivas do adversário – é justo referir que o FC Porto realizou, esta noite, a sua melhor exibição deste ano e, muito provavelmente, do campeonato. Os dragões foram competentes em (quase) todos os momentos, na defesa e no ataque, com destaque para Iker Casillas, que provou, finalmente, no nosso país, pertencer ao lote dos grandes nomes da história do futebol mundial. A luta pelo título continua em aberto e, na verdade, agora com três envolvidos. Ontem à noite, na Luz, o FC Porto fê-lo por merecer.

A receita utilizada pelas duas equipas não surpreendeu. Por um lado, o Benfica, com mais posse de bola, um jogo apoiado numa circulação envolvente, de trás para a frente, capaz de criar desequilíbrios e inúmeras situações de concretização em superioridade numérica na frente de ataque; por outro, o FC Porto, defendendo à zona, apoiando-se num miolo combativo capaz de potenciar a velocidade dos homens da frente, em rápidas transacções ofensivas, com lançamentos para as costas das laterais contrárias. O destaque dos “onzes” vai, essencialmente, para as apostas em Lindelof, do lado dos visitados, e no nigeriano Chidozie, no lado dos visitantes; os dois “centrais” cumpriram os seus papéis, sentindo, todavia, algumas dificuldades em vários momentos da partida.

O Benfica entrou confiante e personalizado, à imagem das jornadas anteriores, onde somou um notável registo de invencibilidade. Com o “Inferno” a apoiar, parecia que, mais cedo ou mais tarde, se chegaria a uma conclusão satisfatória. Pizzi, bem cedo, deixou o aviso, mas foi aos 18 minutos, fechando um período de superioridade territorial, que o estádio “explodiu” pela primeira (e única) vez: num lance de insistência, Renato Sanches – o melhor dos encarnados – ganhou na raça e serviu Mitroglu, que, só com Casillas pela frente, não perdoou.

O golo de Mitroglu deu vantagem ao Glorioso; o pior veio depois
O golo de Mitroglu deu vantagem ao Glorioso; o pior veio depois

 

Pensou-se que o Benfica poderia partir para uma noite tranquila, confirmando o favoritismo que lhe era atribuído. A “febre” do golo, porém, afectou toda a equipa, que, estranhamente, nos dez minutos que se seguiram, não mais conseguiu pegar no jogo, permitindo ao opositor controlar o esférico e, sobretudo, empurrar a linha intermédia encarnada para junto da sua defesa. O FC Porto, até então inofensivo, teve a oportunidade para se chegar junto da baliza de Júlio César e, aos 28 minutos, sem surpresa, Herrera teve tempo e espaço para, à entrada da área, desferir um remate à flor da relva (molhada), bem junto à base do poste do guardião brasileiro, que, apesar do esforço, nada pôde fazer para evitar o empate.

Ao contrário do que se poderia esperar, este golo fez bem à equipa do Benfica, que, rapidamente, recuperou o seu registo. Comprovando as suas qualidades técnicas, individuais e colectivas, os encarnados foram em busca de repor a vantagem e, até ao intervalo, apenas uma desusada ineficácia ofensiva permitiu que o placard não sofresse alterações. Foi uma mão cheia de oportunidades flagrantes que Jonas (34’), Mitroglu (37’) e Samaris (43’) – e até Corona (39’), naquilo que seria um notável auto-golo –, não tiveram arte ou engenho para concretizar, levando ao desespero os 65 mil presentes nas bancadas e os muitos milhões espalhados pelos quatro cantos do mundo. Ao intervalo, o FC Porto podia agradecer o empate a Iker Casillas e, sejamos justos, à dose de sorte que o destino lhes reservou.

Balde de água gelada

A segunda parte acabou por se revelar uma grande desilusão. O Benfica não mais conseguiu superar o desperdício e, gradualmente, foi-se notando a quebra anímica – e rapidamente física – que afectou todo grupo, preso pelas correntes da desinspiração e do azar. Na etapa complementar, o FC Porto foi melhor, perante umas águias já menos esclarecidas, mal posicionadas e desajeitadas no capítulo do passe e do remate. Contra a corrente, Gaitán, aos 52 minutos, num contra-ataque na sequência de um canto favorável ao FC Porto, quase marcou – nova intervenção de Iker Casillas –, mas, na verdade, eram os dragões que, nesta fase, chegavam com mais perigo junto da baliza contrária. Pela ala esquerda, Brahimi e Aboubakar foram ensaiando, uma e outra vez, a jogada que, aos 65 minutos, resolveu a contenda.

Com o coração – apoiados num notável apoio do público –, o Benfica tentou salvar pelo menos um ponto, no entanto, a equipa, em desvantagem, revelou demasiada ansiedade na hora de pensar o jogo ofensivo, resolvendo mal, quase sem excepções, as situações de que dispôs. A melhor oportunidade do Benfica para chegar à igualdade chegou dos pés de Bruno Martins Indi (67’), que, num remate fulminante contra a sua própria baliza, quase recolocava as coisas como no início; o lance proporcionou a defesa da partida, acabando apenas por confirmar Iker Casillas como o melhor em campo.

O "Inferno" da Luz apoiou a equipa do princípio ao fim
O “Inferno” da Luz apoiou a equipa do princípio ao fim

O Benfica voltou a fraquejar diante de um adversário do “seu” campeonato. Apesar de estar tudo em aberto, a verdade é que as contas ficam agora bem mais complicadas na corrida ao título. Faltam 11 jogos para o final e, neste momento, não há margem para errar. Em desvantagem no confronto directo com o FC Porto (e, claro, com o Sporting), o Benfica terá de vencer, praticamente, todos os seus jogos até ao fim, caso queira regressar ao Marquês e festejar o tão ansiado tricampeonato. Não é impossível – como ficou provado bem recentemente –, mas é preciso atentar no que hoje correu menos bem, corrigindo, rapidamente, algumas situações que, certamente, serão melhor detalhadas nos dias que se seguem. Se é verdade que os campeonatos se ganham contra os “pequenos”, não me recordo de nenhum campeão que tenha perdido todos os seus jogos contra os adversários directos – é preciso vencer em Alvalade!

A Figura:

Iker Casillas realizou a melhor exibição desde que chegou ao Dragão. O guarda-redes espanhol provou deter ainda as qualidades que o fizeram atingir o patamar de lenda de um colosso como o Real Madrid. Finalmente, os adeptos podem enviar um agradecimento a Julen Lopetegui.

O Fora-de-Jogo:

Rui Vitória falhou a toda a linha. Demorou a corrigir posições, permitindo que a equipa se enredasse na estratégia montada por José Peseiro. A meio da segunda parte, em desvantagem, a equipa já não dependia do colectivo. As substituições não resolveram os problemas – no meio, agravaram-nos – e a decisão de fazer entrar um Salvio sem ritmo, para um jogo desta importância, parece-me, no mínimo, caricata.

Imagens: SL Benfica

Os primeiros que são segundos, os segundos que são primeiros…

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Ora então cá estou eu, e pela primeira vez desde que pertenço a esta equipa, a escrever estando o meu clube… em Primeiro (Afinal não mudou muito). Mas é um primeiro que não sabe tão bem, até porque nestas coisas sou um bocado egoísta. Gosto de estar sozinho. Como se costuma dizer, antes sozinho, do que com companhias que não nos apraz ter (para ser mais soft).

Ah, mas como eu estava a dizer, estamos em primeiro. Pois é, em primeiro… Estou a reforçar até para alguns Sportinguistas que andam por ai de cabeças baixas, a dizer que agora gostavam era de ser adeptos de um clube rival, que o seu antigo clube já não presta… (Desculpem se interpretei mal as vossas palavras).

Falando também para os que são adeptos e sócios desse clube rival, que agora têm o prazer de nos fazer companhia no topo da tabela, como segundos… Virão dizer que não são segundos mas primeiros, porque as regras do meio do campeonato não são iguais… blá, blá blá… Vou-vos então fazer uma proposta, e vejam lá se não estou a ser amigo…

Se estão contentes por estar no lugar que estão, uma vez que já rejubilam pelas redes sociais, como se tivesse ganho, sugiro que fiquemos então de mãos dadas (e nem sabem o que me custa) até ao fim da última jornada. Em compensação ainda vos deixamos empatar em Alvalade. O que acham? Ficariam felizes, não? Tenho a certeza que se estão felizes agora, também o ficarão depois. Eu ficaria.

Voltando aos que querem agora poder ser adeptos de outros clubes, porque não se sentem bem a apoiar o seu clube, principalmente quando ele precisa ser apoiado. Aviso-vos só que tenham cuidado, porque os outros podem não vos aceitar lá no lado deles. E no fim das contas podem estar tão baralhados entre esses dois amores, que podem nem conseguir festejar em nenhum dos lados.

Apesar de possível, uma vitória do Benfica em Alvalade que anule o resultado da primeira volta afigura-se difícil Fonte: Sporting CP
Apesar de possível, uma vitória do Benfica em Alvalade que anule o resultado da primeira volta afigura-se difícil
Fonte: Sporting CP

Concordo que não se concorde com tudo o que é feito no nosso clube, até porque nem tudo é perfeito, tudo ali é feito por seres humanos “cheinhos” de falhas (não se riam o outros, porque também as têm). Temos uma direcção de pessoas, com falhas, que erram, a quem só peço que errem menos que os rivais. Temos uma equipa técnica, imagine-se, composta por pessoas, que falham, e como falham, não fosse eu um dos grandes críticos desde sempre, mas que com certeza, e porque têm pessoas diferente a ajudá-los, poderão falhar menos vezes. Por fim, temos uma equipa de futebol, composta por pessoas, que falham, mas têm falhado tão pouco se compararmos com o que têm falhado em anos anteriores.

Os campeões também se fazem disso. Falharem, mas aprenderem com as falhas e melhorarem. E como melhoraram…

Como as pessoas são afectadas no seu desempenho, tanto fisicamente como psicologicamente, é natural que em determinadas fases se tomem decisões menos acertadas, os passes não sejam tão acertados, as fintas não sejam como desejam, mas tudo isso faz parte do processo, e é passageiro. A nossa equipa está agora a ter esse momento menos bom, outros ainda o terão. E por isso é que só no fim se fazem as contas.

Mas falando ainda de pessoas, que reagem conforme a sua forma física ou todo o ambiente que os rodeia, quero ainda falar aqui de como será difícil para jogadores que estavam a fazer tudo bem, não verem o seu esforço recompensado, só porque alguém que por ali andava era incompetente, ou só porque queria fazer birra contra o Sporting. É que será muito complicado para um jogador perceber que não valerá a pena esforçar-se, porque outras forças  valem mais  do que o jogo jogado. Forças que pesam mais na resolução do vencedor do que a própria competência dos jogadores e jogo de equipa, dentro do campo de futebol.

Notou-se já, nos últimos jogos, que os jogadores do Sporting não estão tão confiantes, já não acreditam que valha a pena lutar contra determinadas forças. Pode ser também uma baixa de forma da equipa, mas muito também ajudou as decisões injustas contra eles, que por consequência se tornaram decisões injustas a favor de outros.

E quanto a decisões, e jogadas de bastidores, quero só fazer algumas referências, já que todas as semanas é uma enxurrada que não lembra ao diabo.

Arbitragem Jesus
Jorge Jesus tem agora uma dificuldade acrescida no banco de suplentes
Foto: Sporting CP

Todos sabemos que por cá muito se pode denunciar, que de pouco ou nada valerá. É a justiça cega na sua definição mais extrema. Mas como sou teimoso, vou ser um daqueles que vai continuar a tentar, não se vá dar o caso de haver por ai um qualquer investigador isento que acorde.

São considerações sobre este Futebol a brincar que parecem não matar, mas moem, e que no final das “contas” poderão vir a fazer todo o sentido:

– Tribunal vem agora dar razão a BdC relativamente a castigo que teve de cumprir há um ano. O castigo está cumprido, de que vale agora esta decisão? Limpa o cadastro? Daqui retiro só a rapidez de processos e decisões da justiça em Portugal.

Relativamente a esta rapidez, continuamos a aguardar também pela decisão quanto a Slimani. Mas neste caso terá mais a ver com oportunidade.

– Ao que parece, e duvido muito que tudo isto tenha acontecido, o futebol está a ficar muito mais justo. Parece que alguém anda a regularizar os salários de determinadas equipas de futebol, e por consequência surge o futebol bonito recheado de goleadas. É assim que o queremos.

– Equipas que parecem saber jogar futebol, aparecem destruturadas, com adaptações, jogadores vindos de lesões (sem ritmo), e que até ilibam agressões de jogadores adversários. Não há nada, siga… O dente, a gente depois resolve.

Há tanto amor no ar. Mas é assim que se quer o futebol.

– Notícias com títulos dando a entender que treinadores vão visitar equipas adversárias ao hotel, quando o que a notícia realmente relata é que esse treinador vai visitar familiares que por acaso estão no mesmo hotel dessa equipa. Tenho a certeza, no entanto, que isto é inocente. São títulos para fazer ganhar cliques no site, eu sei, mas saberão também que muitos nem lêem a notícia, e o que fica é que um treinador do Sporting foi ao hotel do Rio Ave antes do jogo entre as duas equipas. Mas no sporting nem essas manobras são bem feitas, até porque empatamos (e não goleamos como outros). Como disse o nosso treinador, deve ter ido lá passar a táctica ao adversário (Escândalo à vista).

– A dita “estrutura” só vem contrapor algumas das opiniões emitidas por BdC. Serão só as que lhes assentam? Ou serão só as que não lhes assentam? Deve ser só nos dias que o “Mr. Burns” acorda com vontade de trabalhar.

– Então um jogador valoriza-se numa bela quantia de milhões, sem jogar, mas só porque muda de clube? Entendo agora porque há jogadores que em 2 meses passam de “100 mil reis” para 80 milhões. Tudo faz sentido. O mercado é que manda, não é verdade? Talvez não.

– Todas as semanas vem alguém ligado a um outro clube de futebol, vir dizer que conhece tão bem, mas tão bem o treinador do Sporting, que quase sabem a que horas ele se levanta para fazer as suas necessidades fisiológicas. Ou o nosso treinador pensa em voz alta, ou estes senhores têm poderes extra-sensoriais.

Pedro Guerra, e outros "senhores" paineleiros, têm a lição bem estudada Fonte: TVI
Pedro Guerra, e outros “senhores” paineleiros, têm a lição bem estudada
Fonte: TVI

São um tipo de gente que se está a desenvolver, que se move pelas sombras, que caçam em grupos organizados, com ataques concertados. Alguns desses elementos são de algum modo anti-sociais, usando pirotecnia contra os da própria espécie, mas no geral estão todos bastante bem organizados quanto ao objectivo delineado. Têm também um poder de persuasão para com outras raças, levando-os a fazer algo em seu benefício. Estão a ficar bastante aperfeiçoados.

Podem dizer quanto queriam que somos beneficiados. Posso aceitar que em alguns casos o sejamos. O problema é que há outros que são mais beneficiados que nós, e nós muito mas prejudicados que eles. Não é de agora. Não me falem de balanças equilibradas no fim dos campeonatos, que equilíbrio é o que menos há por estas bandas.

Não tentem mandar areia com a conversa de que os grandes serão sempre mais beneficiados, porque apesar de ser verdade, entre os grandes existem grandes desequilíbrios quanto à balança Prejuízo/beneficio.

O ataque é diário, e todos os dias sai um soldado ou marechal à rua com o discurso encomendado, para que a “isenta” comunicação social lhe dê o devido destaque.

Nós, ou pelo menos eu, vamos continuar a tentar, que no mínimo alguém investigue uma pontinha do novelo. Um dia acontecerá.

Até em águas calmas e “limpidas” se costuma acumular “lodo”. E basta só aparecer alguém para remexer um pouco, e logo esse “lodo” se revela. Alguém tinha que o fazer, e está a ser feito. Depois depende de quem olha, se quer ver ou não. Se não se importa de mergulhar em águas “porcas”, isso já são outros quinhentos, ou outros milhões.

Ah, e para acabar como comecei, e para que saibam que continuo a apoiar o meu Sporting, devo dizer que… CONTINUAMOS EM PRIMEIRO. E espero acabar o campeonato nesse lugar. Se não acabar, é porque uma outra equipa foi mais competente em todos momentos e campos em que é possível decidir um campeonato. Devia haver só um, não é verdade? Seus Brincalhões ;).

Top 10: SL Benfica vs FC Porto dos últimos 25 anos

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[tps_title]10.º 1997/98: Benfica 3-0 FC Porto[/tps_title]

Fonte: RTP
Fonte: RTP

Estávamos na 32.ª jornada, antepenúltima deste campeonato, com o todo-poderoso FC Porto de António Oliveira a visitar a Luz uma semana depois de ter garantido o tetracampeonato. Clássico calmo, sem nada em jogo? Bem pelo contrário. As águias despacharam os dragões por três golos sem resposta, numa bela exibição. Contudo, o que mais ficou na memória desta tarde de sol na antiga Luz foi o monumental sururu a caminho do final do desafio, tendo como principais protagonistas Graeme Souness, polémico técnico do Benfica, e o matador Mário Jardel. Estaladas, cuspidelas, um autêntico momento à sul-americana que acabou por arrastar quase todos os jogadores.

Jogadores do Sporting, os Cavaleiros do Apocalipse

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Toda a gente sabe que jogar num clube grande é (ou deveria ser) estar sempre no limite de tudo… No limite do esforço, no limite das forças, no limite da dedicação… Mas, quando se fala do Sporting Clube de Portugal, é estar SEMPRE no limiar do abismo, prestes a cair…

Sim, não estou contente com o empate em casa frente ao Rio Ave (mais um), mas é impressionante como este empate gerou um buzz à volta da equipa que me parece claramente desproporcionado. O capitão Adrien Silva renovou contrato “facilmente”… William Carvalho também deu o sim à renovação, evitando assim casos de problemas no futuro… O Sporting Clube de Portugal desejou as melhoras rápidas ao capitão dos eternos rivais da segunda circular, numa atitude que me parece que deveria existir sempre no futebol português…

Mas do que se fala? De uma discussão de Bruno Paulista com Jorge Jesus no final de um jogo de treino com os russos do Lokomotiv. Fala-se de que Jesus está descontente e que pode bater a porta ainda antes do final da época (e até parece que no final da época já é garantido) porque não teve os jogadores que queria no mercado de Inverno. Fala-se de casos de Aquilani, Teo e Schelotto, que não estão contentes no clube.

Fala-se do castigo a Slimani, que pode sair a qualquer momento, mas que todos desconfiam de que saia antes do dérbi contra a equipa das águias. E este caso já “cheira mal”… Não por estar a ser investigado, mas pelo tempo de duração, é inadmissível que ainda se esteja a avaliar tanto tempo depois de ter acontecido.

Os dois símbolos do Sporting Clube de Portugal, capitão e vice-capitão, não tiveram qualquer problema numa rápida renovação com a equipa onde foram (bem) formados Fonte: Sporting CP
Os dois símbolos do Sporting Clube de Portugal, capitão e vice-capitão, não tiveram qualquer problema numa rápida renovação com a equipa onde foram (bem) formados
Fonte: Sporting CP

Fala-se da revogação da decisão do Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol por parte do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), que suspendeu o presidente dos verde-e-brancos por um mês, por “infrações disciplinares graves”, passando a decisão para “infrações disciplinares leves”.

Tudo isto não mata mas mói. Desfoca os jogadores do que realmente interessa e pode abrir uma brecha na união leonina. Nada acabou, nada está perdido.

Mas é incompreensível e inadmissível como tudo isto sai e normalmente sempre contra os mesmos. Os Football Leaks desta vida preocupam-se tanto com todo e qualquer contrato e acordo do Sporting mas não têm essa mesma preocupação com tudo o que acontece no futebol português…

Os dois símbolos do Sporting Clube de Portugal, capitão e vice-capitão, não tiveram qualquer problema numa rápida renovação com a equipa onde foram (bem) formados.

Por isso, bravos guerreiros do Apocalipse, esta mensagem é simplesmente para vocês:

Continuam no topo e nada está perdido… “Na curva, nós a cantar, no campo, vocês a lutar, juntos vamos vencer… Sporting, até morrer!”

Porque quem verdadeiramente interessa está nas bancadas todos os jogos e grita a plenos pulmões: “Nós acreditamos em vocês.”

Foram tantas as dificuldades, os obstáculos que se nos apresentaram que agora é tarde demais para deixar de acreditar!

Foto de Capa: Sporting CP

As razões de André Carrillo

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Daqui a uns meses, André Carrillo, o melhor jogador do Sporting, vestirá de encarnado e, por essa altura, prevejo enfrentar um misto de sensações que, para já, me são desconhecidas, mas que, suponho, surgem naturalmente quando os fins são alcançados por meios que gostaríamos de ter podido contornar ou evitar. Daqui a uns meses, André Carrillo, o melhor jogador do Sporting, será, obviamente, um dos melhores jogadores do Benfica – desbaratando todos e quaisquer maus-olhados – e, nesse momento, estarei, pela primeira vez, no outro lado da barricada, já não no papel do adepto traído, mas no daquele que recebe o profissional de futebol que, admirado e acarinhado, escolheu trocar o clube que lhe deu tudo aquilo que tem, que o ajudou a crescer, pessoal e profissionalmente, que, no fundo e resumindo, fez dele aquilo que é, por um emblema rival. Para já, sei apenas que dói e que, por regra, a motivação destas opções prendem-se, essencialmente, com questões de ordem financeira. Porém, sei, igualmente, que nem sempre é o dinheiro a ditar tais desfechos.

Sofri, bem recentemente, com Maxi Pereira; sofri, conscientemente, pela primeira vez, com Paulo Sousa e Pacheco e sofri, fundamentalmente, com João Vieira Pinto, no epílogo de um pesadelo que ainda hoje evito recordar. No entanto, abro hoje uma excepção. João Vieira Pinto era de outro universo, o “capitão” incontestável do Glorioso e – provavelmente os mais novos não o saberão – um dos melhores jogadores do mundo da sua geração, que, apenas por opção individual, recusou abandonar o seu país e o “seu” clube, pese as propostas milionárias de vários tubarões europeus que, à altura, por si bateriam recordes de transferência à escala global. O seu caso é, por isso, uma excepção – a sua mudança para o Sporting nada teve a ver com dinheiro.

O talento de André Carrillo é incontestável e entusiasma; Fonte: Facebook de André Carrillo
O talento de André Carrillo é incontestável e entusiasma
Fonte: Facebook de André Carrillo

A história conta-se rapidamente: o Benfica era presidido por João Vale e Azevedo, homem vibrante, benfiquista extravagante, que festejava de um salto, de braços no ar e aplausos ruidosos, os golos da sua equipa, espalhando a polémica pelos camarotes dos clubes rivais – criticava-se o perfil de presidente/adepto, adoptado sem papas na língua. Como linha programática do seu mandato, assumiu a luta contra os poderes instalados no futebol português, dentro do clube, onde contestou os barões que quase o haviam destruído – reduzindo a intenções qualquer oposição interna –, e fora dele, denunciando a corrupção e apelando à revolução em prol da verdade desportiva. A sua vontade de contribuir para a mudança, para fazer o clube voltar a vencer, tornou-se imediatamente contagiante e, dessa forma, conquistou dos adeptos um apoio esmagador. A Luz voltou a encher e, finalmente, o bom futebol regressou, com José Mourinho, o melhor treinador português em Portugal, ao leme da equipa. Vale e Azevedo devolveu-nos, ainda, o futuro, iniciando as obras do Centro de Estágios, no Seixal, e reactivando a secção de ciclismo.

Eram tempos de alento e esperança na luta contra um jejum que já contava três anos (vejam só como nos habituaram mal). Perante a ilusão, cultivada por entre o caos e a incerteza (e, sinceramente, o hábito da derrota), era difícil não acreditar; admito-o frontalmente: era impossível não adorar um presidente que, resumindo, era um de nós, que queria, apenas e só, aquilo que todos nós queríamos. No entanto, João Vale e Azevedo detinha, na verdade, uma agenda pessoal que, naturalmente, se viu descortinada e que, rapidamente, demonstrou colidir com os nossos interesses colectivos – no final e tudo somado, apenas a dimensão do rombo acabou por surpreender. Quando o turbilhão era ainda dúbio ao exterior, João Vieira Pinto, o único símbolo que restava, tornou-se numa consciência incómoda dentro do clube. O melhor jogador do Benfica (um dos melhores da nossa história), idolatrado por milhões, foi então despachado através de uma simples e inacreditável rescisão de contrato. Livre para assinar por outro clube, voltou a rejeitar o ouro estrangeiro, optando novamente pelo seu país e pela cidade a que, há muitos anos, chamava de lar, tornando-se, poucos dias depois, jogador do Sporting. JVP foi vítima das circunstâncias e, conhecendo o Benfica como ninguém, deverá ter agradecido a oportunidade de se libertar do jugo de um louco.

Mas isto são dores de benfiquista; relatos do passado. Agora, as atenções estão centradas em André Carrillo e na sua escolha. As suas razões, para já, não são totalmente claras. Sei que a paixão exacerbada em torno desta questão não permitirá, nos próximos tempos, chegar a nenhuma conclusão racional. Neste período, André Carrillo continuará a ser difamado e ameaçado e, em Alvalade, terá o tratamento dado ao traidores, com um estádio inteiro, de dedo acusador em riste, a apupá-lo – pois, se até a João Vieira Pinto o destino reservou tal momento no regresso à Catedral. Provavelmente, André Carrillo parecerá perturbado, tal como Luís Figo – símbolo leonino e expoente máximo da traição (futebolisticamente falando, que seja claro!) – na primeira visita a Camp Nou vestindo de “blanco”; mas André Carrillo superará o desafio e, tal como nos exemplos anteriores, ocupará no seu novo clube, com naturalidade, a vaga que o seu talento permitir. Só o tempo, que tudo cura, explicará as razões de André Carrillo, tal como, para os benfiquistas, explicou as de João Vieira Pinto, hoje já perdoado. André Carrillo teve a oportunidade de se libertar. As suas razões? Eu não sei… mas desconfio.

Foto de Capa: Facebook de André Carrillo

CS Marítimo 3-1 Portimonense SC: É um selo para Coimbra, se faz favor!

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futebol nacional cabeçalhoMeia casa no início deste Marítimo – Portimonense, talvez por ser dia de semana – dia de trabalho – ou por ser um jogo transmitido em canal aberto. Apesar de tudo, entusiasmados pela possibilidade da segunda presença consecutiva do Marítimo na final da Taça da Liga, estava um ambiente polvoroso e subtropical.

Na primeira jogada do encontro por parte dos visitantes, Fidelis recebe lá no alto, tira dois adversários do caminho e serve Pires, que aplica, de pé direito, um remate potente, que bate Salin e coloca o Portimonense na dianteira do marcador. Aos oito minutos, os da casa começavam a pressionar, e na direita do ataque Rúben Ferreira cruzou para a área e depois de alguma confusão rematava João Diogo. O Marítimo afastava o Portimonense para canto e continuava. Tiago Rodrigues chutava com força. Insistiam e não desistiam, os verde-rubros. À passagem do quarto de hora, Edgar Costa bate o livre na direita, servindo Romário, que chuta com a bola a bater na defesa dos de Portimão. Ainda suspiravam de alívio os visitantes e Edgar Costa introduzia a bola na baliza de Carlos Henriques, não sem antes a levar ao ferro superior. Empatava o Marítimo – relançava-se no jogo!

Depois de quinze minutos mornos, Dyego Sousa, ainda com o calor do Carnaval do Brasil, decide dar um ar da sua graça, fazendo meio golo, tirando de chapéu a bola do alcance de Carlos Henriques e servindo Éber Bessa, que colocava o Caldeirão à mais alta temperatura. Estava na frente o “Herói do Almirante Reis”. Dois minutos depois respondia o Portimonense com um remate de Lumor, sem grande perigo para a baliza de Salin. Na resposta, de contra-ataque, Edgar Costa cruza para a área, onde Patrick remata, levando a bola ao poste esquerdo. Até ao final da primeira metade, destaque apenas para uma falta feia de Kanazaki, que quase atirava Dyego Sousa para o gabinete médico do Marítimo.

Duelo bem disputado na Madeira
Os madeirenses sorriram no final

Estavam jogados quatro minutos na segunda parte e o Portimonense criava o primeiro lance de perigo, com Ryuki a cruzar para a área, onde apareceu o japonês Kanazaki a cabecear para Salin encaixar. Aos oito minutos, João Diogo e Tiago Rodrigues a combinar na direita, com o médio a rematar forte mas por cima da baliza dos alvinegros. Aos 20, e já depois de ter sido assistido após um choque violento com Ricardo Pessoa, Dyego Sousa cai no relvado, saindo de maca. Entrava Baba, debaixo de um uníssono coro de aplausos. Com um jogo claramente controlado pelo Marítimo, o Portimonense tentava chegar à baliza dos madeirenses, com Pires, à passagem da meia-hora do segundo tempo, a rematar por cima da baliza de Salin. Nem 30 segundos depois, Ryuki, depois de enorme confusão na área, remata, mas com a defesa dos da casa a afastar.

Do meu lado esquerdo um relatador eufórico e efusivo, do meu lado direito uma claque de fazer inveja a muitos outros. À minha frente, e apesar de mais pausado nesta segunda metade, um bonito jogo de futebol. Levantava-se a placa que mostrava o número da perfeição, o do melhor do mundo. 7. Eram sete os minutos de compensação, e era o 7 Alex Soares a querer empurrar os da casa para a frente. Num lance de contra-ataque, servia Edgar Costa, que, pela esquerda, a tratar a redondinha como só ele sabe, tira três – sim, três! – do caminho e serve Babagol! Estava feito, ao cair do pano, o 3-1. Era a explosão nas bancadas, à qual nem os mais calmos e passivos conseguiam fugir. “Estamos na final”, já se ouvia. E está! Está, sim senhor! O Marítimo volta a Coimbra! Sai um bilhete postal da Madeira para Coimbra, em correio prioritário. Pela segunda vez, Nelo Vingada leva o Marítimo a uma final de uma competição, depois de em 2001 ter empurrado os verde-rubros para o Jamor. Quem sai, de cabeça mais do que erguida, e vendeu cara esta derrota é o Portimonense. Numa competição feita claramente para que à final cheguem os grandes, este Portimonense é um grande! Enorme! Foi lindo de se ver e de sofrer.

A Figura:

Rúben Ferreira e Edgar Costa – Mudem as regras. Mudem já as regras de trânsito! Dêem, por favor, prioridade a quem vem da esquerda! Esta esquerda do Marítimo merece! São madeirenses? São, sim senhor! São bons? Obviamente que são! Rúben Ferreira e Edgar Costa são meninos de bairro. Parecem trocar a bola que nem dois miúdos na rua que liga o bairro de uma ponta à outra. É lindo, é um hino vê-los jogar! Com dois jogadores deste calibre, sem desprimor para todos os outros, especialmente o regressado – ainda bem que te foste embora, Ivo! – João Diogo, este Marítimo tem de jogar mais! E tem obrigação de subir na tabela classificativa da Liga e sonhar com o caneco em Coimbra.

O Fora-de-jogo:

João Capela – Quase em linha. Já por várias vezes visitámos esta capelinha. Sem condições para ser internacional – depois do que fizeram ao Marco Ferreira, raios! – João Capela não teve influência no resultado, isto porque dentro de campo os outros 22 não quiseram nem deixaram. Volta para o Seminário, João, por favor.

Sala de Imprensa

Nelo Vingada
Foi um Nelo Vingada como há muito o conhecemos aquele que chegou à Conferência de Imprensa ao princípio da noite de hoje. O treinador do Marítimo começou por frisar o caminho que toda a estrutura verde-rubra fez para chegar à final da Taça CTT, dando especial ênfase ao ex-treinador Ivo Vieira. “É preciso saudar e lembrar os jogadores que jogaram antes, assim como o Ivo Vieira, que permitiu, com o seu trabalho, à equipa que chegasse a este jogo com caráter decisivo. É preciso que se projete este sucesso em todos e não apenas na equipa de hoje”, disse.
O técnico português admitiu que o jogo desta tarde foi complicado. “Sabíamos que o jogo contra o Portimonense ia ser complicado, sobretudo porque os nossos adversários só perderam um jogo fora”. Finalizou dizendo que o Marítimo venceu por ter sabido ter cuidado e respeito para com o adversário, princípio do qual, de resto, segundo Vingada, o Marítimo nunca abdicará.
No que diz respeito ao adversário desejado, o treinador do Marítimo limitou-se a dizer que vai esperar e que o importante é aproveitar mais esta final.

José Augusto
Orgulhoso dos seus jogadores – o contrário não podia estar -, o treinador do Portimonense disse que o ambiente desta tarde no Estádio do Marítimo foi fundamental para a derrota da sua equipa. “É um estádio difícil, com um ambiente muito hostil para os adversários, e isso foi fundamental na tarde de hoje”, salientou José Augusto, que concluiu dizendo que o Portimonense sofreu uma derrota “pesada” porque “no momento em que o jogo estava a 2-1, tínhamos era de arriscar e tentar dar a volta”.

15 derrotas depois… Vitória!

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cab Rugby

Foi ao fim de quinze derrotas consecutivas – e três etapas do circuito mundial – que Portugal conquistaria as suas primeiras (duas) vitórias.

Inserido num grupo difícil, que incluía Nova Zelândia, Austrália e Canadá, Portugal iniciou a aventura de Sidney com partidas frente à equipa da casa, os Wallabies, e frente aos All Blacks.
Os jogos seriam semelhantes e Portugal perderia de forma clara em ambos – 7-24 frente à Austrália, com ensaio de Adérito Esteves e conversão de Pedro Leal, e 5-40 ante a Nova Zelândia, com ensaio de Adérito Esteves – após acumular os erros do costume: ineficácia defensiva e falta de entrosamento – o que, frente a potências do rugby mundial, se paga caro. É de destacar que Adérito Esteves atingiria o seu ensaio número 100 frente aos All Blacks – o português, nascido em São Tomé em Príncipe, já marcou mais de 500 pontos em jogos a contar para o Circuito Mundial de 7s!

A etapa ficou marcada pelo ensaio número cem de Adérito Esteves Fonte: World Rugby Sevens Series
A etapa ficou marcada pelo ensaio número 100 de Adérito Esteves
Fonte: World Rugby Sevens Series

De seguida viria a primeira vitória dos Linces nesta edição do Circuito Mundial: depois de uma pesada derrota frente ao Canadá no passado fim-de-semana – na altura Portugal perderia por uma diferença de 35 pontos – os Linces, que até sairiam para o intervalo a perder, entraram cheios de garra na etapa complementar e deram a volta ao resultado após um show de jogo à mão, para gáudio das bancadas. Para a História ficará um excelente 26-17 a favor dos portugueses, após ensaios de Tiago Fernandes (dois), Vasco Ribeiro e Miguel Lucas (e duas conversões a cargo de João Belo, e outra por Pedro Leal).

No segundo dia de competição Portugal mediria forças com o Japão, nos quartos-de-final da Bowl. A primeira parte ditaria um duelo bastante equilibrado, com Portugal a marcar através de Vasco Ribeiro e Adérito Esteves (conversão do último ensaio por Pedro Leal) e a sair para o intervalo com uma igualdade no marcador: 12-12. No segundo tempo os Linces acelerariam os processos de jogo e os nipónicos não conseguiriam acompanhar o ritmo. Primeiro, Miguel Lucas a fazer o toque de meta, com Pedro Leal a completar com uma transformação, e logo de seguida João Belo a marcar – no espaço de um minuto! – dois ensaios e a converter um deles. 31-17: estava garantida mais uma vitória lusa, a segunda na etapa.

Com a vitória frente ao Japão, Portugal garantiu as meias-finais da Taça Bowl, tendo pela frente a Samoa. Foi então que alguns erros lusos voltariam a aparecer, os Linces falhariam vários lances atacantes, perdendo oportunidades flagrantes de ensaio, e não iriam além de um 14-10 – com ensaios de Pedro Leal e Adérito Esteves – a favor dos samoanos. Samoanos esses que em nada foram superiores à equipa portuguesa, muito menos em termos de fair-play, aquela que deveria ser a maior virtude do rugby… E a qual a equipa da Samoa não soube respeitar.

A etapa ficou marcada pelas primeiras vitórias de Portugal no circuito e pelo ensaio número 100 de Adérito Esteves, mas é hora de destacar, também, o extraordinário crescimento de jovens atletas como é o caso de João Belo, Miguel Lucas, Vasco Ribeiro e Tiago Fernandes, que têm consolidado a sua qualidade com grandes exibições – um sinal de que, apesar de alguns jogos menos bem conseguidos, este deverá continuar a ser o caminho a seguir.

A Nova Zelândia venceu mais uma etapa, ao derrotar a selecção da Austrália na final da Cup numa partida frenética: os Wallabies estiveram sempre na frente do marcador, mas um ensaio de Rieko Ioane, um minuto depois do tempo de jogo, entregou a taça aos All Blacks.

 Foto de Capa: @Pedro Leal

Eu sei que…

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… O Mundo talvez não saiba que pelo Sporting eu sou doente; obviamente que não sabe. Mas, mais que isso, eu sei de que família faço parte: a família sportinguista.

Cada vez tenho mais orgulho do clube que escolhi de pequenina. Transmite-me valores com os quais me identifico mas, principalmente, transmite-me união. Podemos ser aqueles que não são campeões há 14 anos, ou aqueles que não festejaram um tricampeonato; admito até que somos aquele colosso europeu, com que nos tentam ridicularizar. Mas, a todos estes que se sintam afetados pela frase anterior, digo-vos uma coisa: não nos envergonhamos da coletividade que somos.

Das vezes em que estive no estádio para assistir a um jogo da Liga dos Campeões, não ouvi o hino desta competição. Que as mentes geniais que circulam pela Internet não venham a pensar que foi por não chegar a tempo, ou por estar atenta a outras coisas. Foi porque, novamente, a união dos sportinguistas se fez ouvir; fez ouvir a sua revolta e mostrou desagrado com o que se passa. Não há muitos estádios em que se possa ver isso. Consigo até chegar ao ponto de nos comparar com grandes claques europeias: temos o nosso próprio You’ll Never Walk Alone (e que tantos arrepios e emoções me traz à flor da pele!) , gastamos vozes, ficamos roucos e afónicos, para mostrar que queremos alcançar a glória; eu chego ao ponto de me aperceber de que dou uma de Jorge Jesus e começo a cantar que farei o que puder pelo meu Sporting.

Jogadores e adeptos querem chegar à glória Fonte: Sporting CP
Jogadores e adeptos querem chegar à glória
Fonte: Sporting CP

É incrível o que um clube faz, não é? Para não falar das faixas que existem por todo o planeta de vilas, cidades, países (!) que querem o Sporting campeão; atrevo-me mesmo a adaptar o velho ditado: um sportinguista em todos os cantos; são leões que, para além de não esquecerem o seu país, não esquecem o seu clube. São pessoas que merecem uma vénia pela sua força de vontade, por também não desistirem do meu Sporting do coração. Todos aqueles que se mostram mestres de Photoshop ou Paint acabam por também se sentir afetados por estes gestos. Fazem mossa, mostram que estamos cá para ficar! Podem dizer que somos ridículos, mas, se sermos ridículos significa apoiarmos algo que nos é tão querido, então prefiro ser ridícula! Prefiro ser ridícula a não conseguir perceber que não é por não ganhar títulos que tenho de desistir de apoiar o meu clube; felizmente, foi outro valor que o Sporting me passou: não desistir… Há muitos por aí que não sabem o que isso é.

Gostaria também de deixar um desafio às claques sportinguistas: vamos dar mais e melhor! Mais ainda, até que as vozes doam, até que se calem todos! Estamos ao nível das melhores claques europeias; vamos subir a fasquia! O jogadores merecem, o clube merece e nós, como adeptos, merecemos! Vamos mostrar a garra do leão!

Por fim, a todos os outros, um conselho: não tenham mais olhos que barriga. O feitiço pode-se sempre virar contra o feiticeiro e bestiais podem-se tornar bestas. E preparem-se: isto só agora começou. Só queremos uma coisa: que o Mundo saiba que pelo Sporting somos doentes e que faremos o melhor para que o vejamos sempre na frente.

Foto de Capa: Sporting CP

Três problemas recorrentes, um incompreensível e outro irreparável

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O jogo com o Rio Ave mostrou um Sporting pouco dinâmico, que fez o suficiente para ganhar o jogo mas que, ao mesmo tempo, esteve longe de ser demolidor. A equipa não está no seu melhor período e, apesar de continuar a ser líder, deixou de estar isolada e tem um calendário mais difícil do que o rival Benfica. Os principais problemas da equipa – uns exclusivos do último jogo, outros nem tanto – são a meu ver cinco, e podem ser divididos da seguinte forma: três questões mais recorrentes, uma realidade incompreensível e outra de carácter potencialmente irreparável. Aqui ficam:

 

OS TRÊS PROBLEMAS RECORRENTES DO SPORTING:

– Entrada entorpecida em campo… outra vez

O Sporting tarda em resolver os seus jogos. E se dissermos que, esta época, os leões já foram 8 vezes para o intervalo empatados em jogos do campeonato, e o Benfica apenas 5? E se a isso juntarmos que, desde que Luís Filipe Vieira pressionou os árbitros, após o jogo com o Rio Ave – isto é, cingindo-nos apenas a 2016, uma vez que essa partida foi a última de 2015 – o Benfica foi para o intervalo por 3 vezes a ganhar por 2 ou mais golos, e o Sporting somente uma? Acrescente-se a desvantagem dos leões por 0-2 ao intervalo com o Braga, por 0-1 com o Tondela a jogar com 10, e ainda o golo do empate (irregular, mas que contou) da Académica em Alvalade no início do segundo tempo, e encontramos uma parte da explicação para os recentes resultados negativos do Sporting.

Pouco interessa para o caso o “factor-colinho” – adensado precisamente desde essas palavras natalícias de Vieira, que tiveram repercussões práticas nos jogos contra Guimarães, Nacional e Arouca. A verdade é que, nesse mesmo período desde o início do ano civil, os únicos jogos em que o Benfica não foi para o intervalo em vantagem foram a deslocação à Cidade-Berço e o jogo fora com o Estoril. Ao contrário, nessas mesmas 7 jornadas, o Sporting teve apenas 3 jogos relativamente tranquilos: com o Porto (e aqui a tranquilidade é discutível, porque se tratava de um clássico e porque o golo da confirmação só aconteceu a cinco minutos do fim), com o V. Setúbal e com o Paços de Ferreira.

Qual é, pois, a consequência prática de a equipa não resolver cedo os seus jogos? Não é difícil adivinhar: maior pressão, ansiedade e sobrecarga física, resultantes de um campeonato invariavelmente disputado em contra-relógio. Jogadores como Aquilani ou Matheus Pereira têm tido menos minutos do que seria expectável, em parte porque, precisando o Sporting de marcar, a entrada de um e de outro em campo nem sempre é oportuna (embora por razões diferentes).

E é bom que tenhamos uma coisa bem presente: no campeonato português, em que 90% das equipas recuam as suas linhas e jogam para o empate com os grandes, é crucial marcar cedo. Para isso, a procura do golo tem de ser incessante desde o início. Marcando o primeiro, a probabilidade de se seguirem mais golos, em virtude de o adversário ser obrigado a subir, é muito alta. Há também que ter em conta, no entanto, que a escolha dos titulares tem influência no ritmo do jogo, porque há atletas mais imprevisíveis, explosivos e rápidos a atacar a mais pequena nesga de terreno que o adversário conceda, e outros talhados para um estilo mais paciente e de posse, óptimo para gerir resultados mas não tanto para sobrecarregar adversários que desmontam pouco o bloco. Ao Sporting faltam atletas que caibam na primeira descrição e sobram-lhe futebolistas que encaixem na segunda.

 

– Pouca largura e profundidade

Pouco mais há a dizer quando os flancos são quase exclusivamente explorados pelos laterais. A procura do espaço interior é benéfica porque confunde marcações e aproveita espaços “mortos” entre linhas, mas torna-se algo contraproducente quando é explorada até à exaustão sem que haja um plano B mais veloz e directo. Ou seja, um extremo ágil, que não descure a capacidade de vir para o meio, mas que tenha grande qualidade no 1×1 e seja capaz, portanto, de baralhar as defesas com a imprevisibilidade das suas decisões (“Será que vai tocar para o lado ou partir para cima do defensor? Será que é preferível o defesa sair de posição e atacar a bola ou fazer contenção?”). O Sporting tem um plano A, mas o plano B é insuficiente. E, quando as alas estão entregues a Bryan Ruiz e João Mário (não está em causa a qualidade dos jogadores em questão), isso torna-se ainda mais claro.

Não há volta a dar: Carrillo faz muita falta, e não é por ser uma pessoa sem carácter, de espírito fraco e ludibriada por um traficante de seres humanos, aliás, “empresário de jogadores”, que deixa de ser um grande futebolista. A sua falta pode não ser sentida no jogo X ou Y – o que leva logo vários adeptos a entrar numa falsa euforia por quererem fazer crer que o jogador era prescindível – mas é muito notada numa competição de regularidade. E quem diz Carrillo diz qualquer jogador totalmente desenvolvido, como o mercenário peruano já era, e que sirva de contraponto malabarista e explosivo a um modelo que privilegia o jogo interior e que, em virtude dos jogadores disponíveis, é um tudo-nada previsível demais. Gelson evoluiu mais rápido do que eu esperava e Matheus também já foi importante, mas não é de todo a mesma coisa.

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Não se entende que Bryan tenha sido deslocado para a esquerda para Teo entrar no 11
Fonte: Sporting CP

– Insistência em William Carvalho

Sei que é fácil “jogar no Euromilhões à segunda-feira”, ou seja, criticar as opções do treinador a posteriori. É por isso que admito que também eu teria iniciado o jogo com William, porque continuo com esperanças de que ele volte a ser o que era. Contudo, ontem foi o tira-teimas: uma vez mais, o médio não acrescentou nada à equipa. William nunca foi veloz, é certo. Mas, actualmente, junta à lentidão na aceleração, que sempre teve – e que, por si só, não é um ponto fraco caso seja bem compensada – a lentidão de pensamento e de processos. Erra passes (só nos primeiros 15 minutos foram 4), chega atrasado a lances onde antes era intransponível, transporta demasiado a bola em vez de a fazer circular, arrisca quando deve jogar simples e toca curto e de forma redundante para o lado quando deve virar o flanco de jogo.

O que se passa com William? Arrisco uma explicação: os seus predicados ofensivos (isto é, com bola para construir) não pioraram mas, num esquema de apenas dois médios, são mais solicitados. O mesmo se pode dizer da aceleração e velocidade, por forma a chegar a tempo de parar transições potencialmente perigosas. Como tal, e sabendo também que atrás de si tem apenas a linha defensiva – bastante subida, por sinal – William tende a resguardar-se mais. O problema é que, não participando de forma palpável na construção, e mais ainda numa equipa orientada para o ataque continuado, o médio perde o estatuto de insubstituível. Aquilani, por exemplo, garante melhor qualidade de jogo ofensivo em partidas de sentido único, e tem justificado mais minutos.

Como consequência, o português modificou um pouco o seu jogo e isso, como não poderia deixar de ser, nota-se em campo. Optar por William numa partida em que o Sporting tem o estatuto de claro favorito é, neste momento, jogar com um a menos. A evolução de Adrien deve chegar para as compensações defensivas, tendo o Sporting a ganhar com o regresso de João Mário à sua posição de origem. Na maioria dos jogos fora, em que os adversários se apresentam, por norma, um pouco mais afoitos, entenderei melhor a titularidade de William. Em Alvalade, chega.

 

O PROBLEMA INCOMPREENSÍVEL:

– Titularidade de Teo Gutierrez (e as mexidas que isso implica)

Teo poderia ter conquistado os adeptos caso, à semelhança de Bryan Ruiz, compensasse o baixo ritmo e a pouca explosão com uma inteligência ímpar e com velocidade de pensamento e de execução. Mas não é o caso. Teo revela-se um jogador de fogachos que, como se não bastasse, disfarça bem a vontade de jogar em Alvalade, se é que a tem. Até à hora do jogo, estava longe de imaginar que o prémio que Jesus lhe daria pelos acontecimentos natalícios seria a titularidade. Tal decisão podia justificar-se caso Teo fosse o jogador imprescindível que nunca mostrou ser; assim, soa apenas a fetiche de JJ. E quem o conhece bem sabe que é comum ele tê-los – César Peixoto, André Almeida e Ola John foram apenas alguns.

A titularidade de Teo parece ser teimosia do treinador, que procura provar que estava certo quando pediu a contratação do colombiano. O problema é que passa a mensagem de que não jogam os melhores nem os mais comprometidos com o grupo e, pior, mexe em peças que deveriam manter-se intactas para encaixar o “seu” atleta. Depois de vários meses a actuar do lado esquerdo, Bryan Ruiz aproveitou a ausência de Teo para mostrar que rende muito mais no meio, o seu habitat natural. Deslocando-o novamente para o flanco canhoto, Jesus não só rebobina desnecessariamente a cassete da época como priva o Sporting de alguém mais veloz e agitador na ala, tão importante neste tipo de jogos em casa. É bom que JJ perceba que Teo não pode ser titular e que Bryan é melhor no centro, porque este ano não há margem para teimosias.

Nesta altura, aliás, seria de esperar que já se tivesse tornado nítido para todos que o Sporting precisa de começar as partidas caseiras com pelo menos um extremo: Bruno César tem estado bem, por que razão não jogou? Com o resultado empatado, por que motivo Gelson não entrou ao intervalo ou, no máximo dos máximos, em vez de Barcos? Esperar até menos de 20 minutos do fim pareceu-me excessivo. O onze do jogo de ontem pareceu uma remodelação um tanto apressada para encaixar Teo como titular a todo o custo… e a equipa ressentiu-se de ter um jogador que já não jogava para o campeonato desde 13 de Dezembro.

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“Só damos pela falta de algo quando já não o temos”. Montero oferecia qualidades únicas ao Sporting
Fonte: Sporting CP

O PROBLEMA POTENCIALMENTE IRREPARÁVEL:

– Saída de Fredy Montero

O Sporting enfraqueceu. Saiu um avançado mal-amado, mas de características únicas e que era um bom complemento de Slimani nos jogos em que era preciso marcar e o adversário já estava desgastado. Montero servia-se da sua técnica, inteligência, velocidade de pensamento e de execução para aproveitar os espaços curtos como ninguém, ora fazendo recepções e remates irrepreensíveis ora recebendo e colocando de imediato a bola bem redondinha nos pés de colegas. A sua magia e imprevisibilidade eram uma espécie de antídoto contra equipas mais fechadas – a esmagadora maioria. Este texto do blog Lateral Esquerdo mostra bem a importância do colombiano.

O “mal” de Montero foi ter marcado “demasiados” golos nos primeiros três meses em que cá esteve, fazendo muitos acreditar que ele era aquilo que nunca foi: um novo Jardel. Ainda assim, em dois anos e meio fez 37 golos. A sua saída fez com que aumentem tanto a dependência da inspiração de Bryan como da cabeça de Slimani – e, portanto, de um jogo exterior que é, nesta altura, deficitário. Pelas características que tem, Barcos será sempre substituto do argelino, e o próprio Teo também não é um segundo avançado (até JJ o disse numa entrevista). Com a venda de Montero os leões tornaram-se, portanto, uma equipa mais previsível. O atleta tem legitimidade para querer sair, mas esta transferência, ainda para mais no último suspiro do mercado, foi incompreensível. Em virtude das qualidades técnicas ímpares do jogador, raras no plantel do Sporting e no nosso campeonato, temo que seja também irreparável.

A fechar, uma curiosidade: em 3064 minutos disputados em 2014/15, Slimani marcou 18 golos. Montero, seu suplente, jogou 2159 minutos (menos 905 do que o colega, o que equivale a mais de 10 jogos completos) e marcou 15 golos. Quase o mesmo registo para alguém que, para além de não ser titular, não gozava do mesmo estatuto perante os adeptos. Talvez por não ser alto, nem atlético, e de não festejar tanto quando marcava. Esta época, Montero já tinha ajudado a resolver 4 jogos. Mas um é “matador”, o outro é o “gajo apático que anda a dormir”. Vá-se lá perceber esta lógica… É o que dá quando se julga o livro pela capa – ou, neste caso, o jogador de futebol pelos seus festejos.

 

Foto de Capa: Sporting CP