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Jogadores que Admiro #48 – João Benedito

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Num mundo tão vasto quanto o do desporto, quantos foram, até hoje, os atletas que passaram vinte anos das suas carreiras no mesmo clube? Quantos foram os atletas que recusaram, por diversas vezes, propostas mais aliciantes, de ligas e/ou clubes mais poderosos? Quantos foram os atletas que entraram em campo, a cada jogo, sempre com o mesmo entusiasmo e espírito de sacrifício? Muito poucos, seguramente; a nível pessoal apenas conheço um: João Benedito, antigo convidado do programa de rádio do Bola na Rede.

No Sporting desde 1994, onde chegou em idade ainda júnior, João Benedito apenas se ausentou do clube durante uma época: em 2006/2007, quando aceitou a proposta dos espanhóis do Playas Castellón. Na despedida do clube de Alvalade, marcada por muitas lágrimas de parte a parte, João Benedito prometeria o regresso, que aconteceria logo na época seguinte.

A partir daí o capitão leonino fez questão de definir bem o seu trajecto, afastando sempre a mais pequena hipótese de transferência para qualquer outro clube. Actualmente, a maior batalha que tem travado é com o pendurar das chuteiras, uma vez que já tem 37 anos e, por muito que custe a qualquer adepto de futsal, a verdade é que o fim de carreira já se avizinha.

oão Benedito estará, aos 37 anos, muito próximo de terminar a carreira Fonte: Facebook do João Benedito
João Benedito estará, aos 37 anos, muito próximo de terminar a carreira
Fonte: Facebook do João Benedito

João Benedito é o exemplo perfeito de um excelente desportista, sportinguista e ser humano. Enquanto desportista, desde cedo que começou a contagiar tudo e todos com a sua garra e a sua dedicação à modalidade, tornando-se um verdadeiro líder, capaz de cativar qualquer um no pior dos seus dias, o que, a aliar a toda a sua qualidade, marcou, de forma profunda, o futsal nacional. A sua veia sportinguista também se faz notar das mais variadas formas; o próprio não se coíbe de mostrar o orgulho que sente por ser capitão do seu clube de coração, deixando orgulhosos todos os sportinguistas, bem cientes de que atletas devotos como o capitão da sua equipa de futsal existem muito poucos actualmente.

Por último, mas não menos importante, é um verdadeiro gentleman, dotado de um raro desportivismo que marcou toda a sua carreira. Defendendo sempre os seus interesses e os do clube, João Benedito nunca teve qualquer declaração polémica, privilegiando sempre o respeito e o fair-play, entre selecções, equipas e jogadores.

O jogador que ninguém, seja de que clube for, consegue odiar. João Benedito é um exemplo para todos, dentro e fora das quatro linhas. Um verdadeiro ídolo, o que escasseia nos tempos modernos.

Foto de Capa: Facebook de João Benedito

FIBA Europe Cup’2015 : Não ao isolamento

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O SL Benfica e o FC Porto, a jogarem em casa, chegaram à última jornada da Euro Cup da FIBA com possibilidades de passarem à fase seguinte (Round 32). No entanto, perderam e ficaram pelo caminho.

O FC Porto tinha uma tarefa muito complicada. O Fraport Skyliners da Alemanha é uma boa equipa, entrou bem no jogo e rapidamente ganhou vantagem pontual decisiva. Mais fortes na área pintada, os alemães conseguiram aguentar a natural reacção dos nortenhos, que lançaram com fracas percentagens de lançamentos de campo (17% nos triplos) mas nunca desistiram. Os alemães seguem em frente só com vitórias, enquanto o FC Porto, com um saldo de duas vitórias e quatro derrotas, fica eliminado.

Já o SL Benfica só pode queixar-se de si próprio. Acaba também a participação na prova sofrendo o cesto da derrota frente aos Belgas do Antwerp Giants no último segundo. A jogada de linha lateral aparece após um desconto de tempo e foi bem preparada pelo técnico do Antwerp, que recorreu a uma jogada clássica e de todos conhecida: American play. O mais normal é que, com este movimento colectivo, as equipas consigam libertar uma ou duas linhas de passe (interior e exterior). O que já não é muito normal a este nível foi a resposta da equipa nacional. Com trocas e ajustes conseguiram tapar as linhas de passe principais, mas, para surpresa de todos, o americano Cook perdeu o seu adversário directo e permitiu um passe em diagonal de Carleton Scott para um cesto fácil de Kwane Vaughn.

Momento do erro que ditou a derrota encarnada
Momento do erro que ditou a derrota encarnada

Com um saldo igual ao do FC Porto, o Benfica tem claramente equipa para ir mais além. Neste tipo de provas os pequenos erros originam quase sempre derrotas. Para ganharem, as equipas necessitam de ser consistentes em todo o encontro, e os lisboetas nunca o foram, andando demasiado tempo a correr atrás do prejuízo. A estatística mais uma vez não mente: o Benfica perdeu 15 bolas, o que originou mais 11 pontos para o adversário, enquanto das perdas de bola deste só conseguiu marcar seis pontos.

Bastava que o norte-americano D. Cook jogasse como normalmente (péssima pontaria: 20% de acerto e cinco perdas de bola) e seguisse o exemplo de Carlos Andrade (17 pontos, com boas percentagens, lançamentos e apenas uma perda de bola) para que os benfiquistas estivessem agora a comemorar mais um feito.

Claro está que o passado internacional do nosso Basquetebol nestas provas não é brilhante. A grande excepção foi no século passado, com a equipa de Lisboa, Mike, J. Jacques e outros que encheram pavilhões e deram vitórias históricas ao clube. A primeira vez que uma equipa nacional conseguiu ultrapassar a fase inicial data já de 1972, e ninguém melhor do que eu se lembra do feito: o SL Benfica eliminou os ingleses do Sutton na Taça Clubes dos Campeões Europeus.

Carlos Andrade foi dos melhores em campo Fonte: SL Benfica
Carlos Andrade foi dos melhores em campo
Fonte: SL Benfica

Na altura, o célebre treinador Teotónio Lima já dizia: “Hoje não é difícil convencer os jogadores de que têm de treinar todos os dias. O difícil é convencê-los de que esses treinos terão de ser intensos. Nas competições internacionais vão encontrar a prova provada de que tem de ser assim”. Nos últimos anos, as equipas masculinas abandonaram as competições internacionais, ficando o Basquetebol reduzido às competições locais neste “canto à beira mar plantado”. O FC Porto esteve 12 anos sem participar internacionalmente, enquanto o Benfica já tinha regressado no ano passado.

O que faltou às nossas equipas para seguirem em frente?

Claramente a ambos faltou ritmo e experiência internacional. A competição da LPB é fraca e jogada a um ritmo baixo. Sem oponentes à altura, o Benfica ganha quase sempre, o que desmotiva tudo e todos. Para seguir em frente, o SL Benfica pode ter de fazer alguns ajustes no próximo ano no plantel mas tem tudo para ser mais ambicioso. Já o FC Porto tem uma equipa bem organizada, mais jovem mas que necessita claramente de estrangeiros de valia superior para sonhar com outro patamar.

Pedro Bastos foi dos jogadores que mais ganhou com esta participação na Europa Fonte: FC Porto
Pedro Bastos foi dos jogadores que mais ganhou com esta participação na Europa
Fonte: FC Porto

Mesmo em tempo de crise financeira a opção só pode ser a continuidade da aposta internacional. Que o digam José Silva, Pedro Bastos e Miguel Queiroz, do FCP, e Mário Fernandes, João Soares e Tomás Barroso, do SLB, entre outros que em nada ficaram a perder no confronto internacional.

Mais do que regulamentar e proibir os estrangeiros de participarem nas nossas provas, o que temos de promover é o contacto internacional. Os bons jogadores nacionais acabam sempre por jogar e por sobressair como agora ficou claramente provado. A ganhar ficou também a seleção nacional; temos agora um leque mais alargado de jogadores com alguma experiência internacional, o que pode ser útil para os próximos confrontos.

O isolamento nunca leva a lado nenhum…

Imagem de capa: FC Porto

Rotações “Lopeteguianas”… Não resultam bem!

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cabeçalho fc porto

À excepção da goleada de ontem diante do União da Madeira, culminada com 3 golos em cerca de 10 minutos frenéticos e outro já no período de descontos e de bola parada, a rotação excessiva de Lopetegui tem voltado a custar pontos (e talvez milhões no caso da champions) e parece que estamos a voltar aos mesmos erros que o mesmo cometia e parecia, neste início de época, que tinha aprendido… Ora vejamos:

Porto vs Dinamo Kiev: a jogar em casa e, precisando apenas de 1 ponto para garantir a passagem à próxima fase da liga milionária, o técnico espanhol amedrontou-se e “espetou”  3 médios de características pouco ofensivas (Neves, Danilo e Imbula), numa clara estratégia de contenção, a fazer lembrar Jorge Jesus quando ia jogar ao Dragão para não perder e geralmente… Perdia. Com o 0-1 ao intervalo e a equipa a precisar de mais fulgor ofensivo, o que faz o treinador? Tira um jogador que dá imensa profundidade ao plantel (Maxi), mexe em toda a estrutura defensiva e passa Indi para a lateral esquerda, move Layun para o lado oposto e recua Danilo para… Central! Ou seja, toda a defesa e médio mais defensivo mudaram as posições menos… Marcano (que ainda assim passou de defesa centra direito para defesa central esquerdo… Um mal menor). Aí o jogo é dado como perdido por parte dos próprios adeptos, e nem a entrada de quem nunca devia ter saído (André) animou as hostes azuis-e-brancas. Perdemos, fomos altamente assobiados em pleno Dragão e a passagem à próxima eliminatória avizinha-se quase impossível, pois ganhar em Inglaterra é sempre uma tarefa muito complicada. Por isso, muitos milhões em causa graças às “manias” eternas do Sr. Julen;

Tondela vs Porto: depois da péssima imagem deixada no jogo da champions, os adeptos exigiam uma exibição de gala, e nada melhor que um clube com as características do Tondela (sem menosprezo!) para vermos uma avalanche ofensiva dos Dragões. E até começou bem, com Bueno a entrar directamente para o onze (embora para uma posição que não rende, quando já se viu que a jogar como falso 9 é sinónimo de golos) e Herrera, que aos poucos vai ganhando ritmo para voltar a ser o que foi: o motor do meio campo. Surpresa: saltou de titular para não convocado o sr. “20 Milhões” Imbula, que demora a demonstrar aquilo que é: o melhor médio de transições de Portugal. Até estava tudo a correr bem, com Brahimi a presentear os adeptos com um dos golos da época e uma primeira parte dominada pelos azuis-e-brancos, que só pecou pelos escassos números. Na segunda parte… Voltaram as invenções! Se a saída de Bueno para dar lugar a Tello pode ser considerada normal, já as restantes foram apenas para dar razão a assobios dos adeptos! Ao minuto 68, Lopetegui retira de campo o grande esteio defensivo da equipa (Marcano) para fazer entrar o jovem Rúben Neves, recuando Danilo para… Defesa central! A equipa ficou muito frágil e o Tondela começou a “sair da casca” e foram precisos 11 minutos para o treinador fazer entrar um defesa central (Maicon) para retirar… Brahimi.

E aí ficamos a jogar com a equipa num sistema que dá resultado na champions (1-4-3-3), com André André numa linha, mas que com uma equipa destas características pode ser suicídio. E quase era, se não fosse “san Iker”, que, redimindo-se do erro cometido ante o Dínamo, defendeu um penalti de forma fantástica. Mais um vez, acaba o jogo, 3 pontinhos no bolso, mas uma exibição que valeu mais assobios. Nota ainda que, em caso de dúvida, já se viu que este ano é para prejudicar o Porto. Um penalti extremamente duvidoso, mas prontamente assinalado, como a expulsão de Osvaldo ontem ou os já vários penaltis por marcar a favor dos Dragões, que são facilmente assinalados “noutros” campos;

A Champions em risco?  Fonte: Facebook Oficial de Julen Lopetegui
A Champions em risco?
Fonte: Facebook Oficial de Julen Lopetegui

União da Madeira vs Porto: Mais um jogo, mais uma invenção. Continua de fora Imbula, salta de titular para a bancada Bueno e Osvaldo assume o ataque (que mais à frente seria, como já disse, injustamente expulso). Não fossem aqueles 10 minutos de alta eficácia de Herrera, Brahimi e Corona, corríamos o risco de ter outros jogo como o anterior: Porto sempre em cima mas pouco eficaz, pouco rematador, sequer. Corona demonstra que deve e tem de ser titular; Brahimi é Brahimi e faz sempre a diferença e Osvaldo não é o homem golo que muitos pensaram ao início. Salvou-se o avolumado resultado (talvez excessivo para a equipa da casa) num jogo que não me encheu o olho, ao contrário das exibições de início da temporada.

Infelizmente, Osvaldo não consegue afirmar-se e, a bem de Bueno e André Silva, espero que volte para o clube onde admite sentir-se feliz: Boca Juniors. Aliás, nem percebo como pode sequer fazer parte das escolhas do técnico quando é público que o clube argentino e o próprio jogador querem a “repescagem” do avançado. Ainda assim, se o jogador sair e o “milagre” champions for concretizado, a busca por um matador no mercado será inevitável. Aboubakar é sinónimo de trabalho mas não de golos, como Falcao ou Jackson, é um bom jogador mas que por uma proposta de 30 milhões era “pegar ou largar!”, visto que não vejo o avançado evoluir muito mais. É muito bom, mas não passará ao patamar de topo como os anteriores nomes que disse; Bueno é o tal jogador que nunca vi como ponta-de-lança e referi-o na minha análise aos reforços na pré-época. E a equipa não pode apenas depender da imensa já apresentada qualidade de André Silva. Caso a equipa seja renegada para a “segunda liga” Europeia, penso que o actual plantel chega e sobra e, se acontecer mesmo, é bom que seja para ganhar!

Não pense o leitor que tive um “volte-face” na minha opinião e agora odeio Lopetegui, não! Continuo a achá-lo um treinador incompreendido e que consegue meter equipas a jogar um grande futebol… “Apenas” as suas teimosias podem levar a que saia antes do seu tempo, como foi com Co Andriaanse. E nisto, o meu sonho de poder ver Villas-Boas voltar ao Dragão no final da época sobrepõe-se a tudo mais… Lembrem-se de que o jovem técnico já comunicou que será obrigado a abandonar os russos do Zenit por imposição das novas regras federativas, onde só são permitidos técnicos naturais daquele país (exceptuando o seleccionador).

Passo a passo, ponto por ponto… Acredito na equipa, nos treinadores (quando não inventam…) e, acima de tudo, no meu presidente, que continua a depositar toda a confiança em Lopetegui! Mas, caso isso mude, pense nestes dois nomes para substituir: Villas-Boas e Vitor Pereira!

Ao meu actual treinador, apenas peço que largue essas teorias da rotação “Lopeteguiana” e se concentre em fazer a equipa voltar a jogar e a encantar!

Foto de capa: Futebol Clube do Porto

As Arestas por Limar

sporting cabeçalho generíco

Após o jogo da passada segunda-feira, que opôs o Sporting Clube de Portugal frente ao Belenenses, ficou bastante claro, para mim, uma das dificuldades, se não a maior, com que Jorge Jesus se tem deparado. Falo da falta de largura, até certo ponto voluntária, do jogo do Sporting. O que pretendo com este artigo é tentar perceber o porquê do surgimento deste problema; se é voluntário ou não e ainda as formas de este não ser tão notório.

A chegada do treinador bicampeão nacional a Alvalade trouxe mudanças importantes no que ao capítulo tático diz respeito; o habitual 4-3-3, com diferentes nuances consoante o treinador, foi substituído pelo 4-4-2 de Jesus. Ora, este sistema, apesar de apresentar grandes vantagens, sobretudo contra equipas teoricamente inferiores – maioritariamente no plano nacional -, não traz apenas mais valias.

O 4-4-2 de Jesus obriga a que os laterais joguem bastante subidos e, consequentemente, que tenham um cariz atacante bastante elevado. Se olharmos para os seis anos de Jorge Jesus ao serviço do Benfica, podemos constatar que teve sempre ao seu dispor laterais com estas características (à direita, Maxi Pereira; à esquerda, Coentrão, Siqueira e Eliseu). Contudo, e retirando Jefferson desta lista, que curiosamente não esteve ao dispor do treinador leonino na passada segunda-feira, Jorge Jesus não tem atualmente jogadores com essas características ao seu dispor (João Pereira, que é o elo mais fraco do plantel do Sporting; Jonathan e Esgaio, que, apesar de terem uma margem de progressão enorme, ainda não cumprem os requisitos que Jesus pretende).

Posto isto, e porque não gosto de faltar ao prometido, respondo agora às duas primeiras questões a que me propus no início deste artigo.

A posição de defesa direito tem sido uma das maiores preocupações de Jesus Fonte: Sporting CP
A posição de defesa direito tem sido uma das maiores preocupações de Jesus
Fonte: Sporting CP

Em primeiro lugar, o surgimento deste problema, como pretendo que tenha ficado claro nos parágrafos anteriores, é provocado pela pouca qualidade dos laterais do Sporting – volto a referir, retiro Jefferson desta lista. Em segundo lugar, penso que será claro para todos a obsessão de Jorge Jesus pelo jogo interior – a inclusão de Bryan Ruiz e João Mário como interiores constata isso mesmo. No entanto, o facto de as equipas de Jorge Jesus privilegiarem o jogo interior, e bem, é colmatado com as constantes subidas dos laterais, que, na equipa do Sporting, não se verificam. Isto leva-me ao último ponto do meu artigo.

Certamente, e melhor do que ninguém, Jorge Jesus já se terá apercebido deste problema e não será por acaso que os nomes já assegurados para a segunda metade da temporada – Marvin Zeegalar, lateral esquerdo que ainda carece de confirmação oficial e Ezequiel Schelotto, que é lateral direito – vem colmatar esta falha. Contudo, e porque o mês de Dezembro vai ser bastante exigente, penso que, e partindo do principio de que a produção dos laterais do Sporting não sobe substancialmente de nível, a inclusão de jogadores como Gelson Martins ou Matheus Pereira no onze inicial poderá colmatar esta lacuna.

Apesar destas pequenas arestas no jogo do Sporting, gostava de reforçar que nem por isso deixa de ser, até agora, a mais regular e melhor equipa no futebol português.

Deu Verdão!

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Depois da ressaca do hexacampeonato ganho pelo Corinthians, eis que, curiosamente, mais duas equipas Paulistas se encontravam para um duelo da final da Copa do Brasil – uma espécie de Taça de Portugal, a prova rainha do futebol brasileiro. As únicas diferenças para a nossa bem conhecida Taça é que na Copa brasileira o vencedor apura-se diretamente param a Libertadores – a prova de clubes mais importante da América do Sul. Além disso, o troféu não é tão antigo como o nosso: a primeira edição data de 1989. Recente, portanto.

Os maiores vencedores são o Grémio e o Cruzeiro, com quatro Copas cada um. Segue-se o Flamengo, Coritnhians e agora também Palmeiras, com três cada um, a fechar o pódio. A última diferença em relação à nossa competição é que a final é jogada a duas mãos. Na semana passada o Santos venceu por 1-0, em casa, na Vila Belmiro.

O Verdão entrava no seu estádio, o novo Allianz Parque, portanto, mais pressionado, visto que qualquer resultado que não o empate daria o título ao alvinegro santista. Porém, Dudu bisou já na segunda parte, sendo o último dos golos marcado a cinco minutos do fim. Quando todos pensavam que este ia ser o resultado final e que o Palmeiras levaria a Copa para casa ao fim dos 90 minutos, Ricardo Oliveira – que com 35 anos continua numa forma invejável – tratou de adiar essa decisão para os penáltis.

A festa palmeirense  Fonte: esporte.uol.com.br
A festa palmeirense
Fonte: esporte.uol.com.br

O Porco (mascote do Palmeiras) foi mais feliz na marcação das grandes penalidades e venceu o Peixe (mascote do Santos) por 4-3. Foi uma vitória suada da nação palmeirense, que depois de um ano suado na segunda divisão, em 2013, acaba por fazer um campeonato estável e ainda vence a Copa do Brasil. Esta é uma das maiores torcidas do Brasil. Quanto ao Santos, convém lembrar que desde a saída de Neymar para Barcelona, não logra vencer sequer um título – nem mesmo um Estadual Paulista.

Foi um ano de domínio das equipas de São Paulo, sem dúvida, como há muito não se via. Hoje o Palmeiras pode comemorar: afinal, venceu a sua terceira Copa do Brasil, juntando-se em número de títulos com o já referido Flamengo e com os eternos rivais do Corinthians.

Foto de Capa: blogdojuca.uol.com.br

Higuaín comanda o sonho napolitano

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cab serie a liga italiana

Com 14 jornadas disputadas, o Nápoles é líder isolado da Série A, feito que não acontecia há 25 anos, e os seus adeptos voltam a sonhar com o scudetto, que lhes foge desde a época 1989/90, quando o mítico Diego Maradona ainda deslumbrava com o seu futebol pelos relvados italianos.

Fator decisivo para a boa campanha desempenhada pelos napolitanos nesta temporada tem sido o contributo que Gonzalo Higuaín tem dado à equipa. El Pipita está a realizar o melhor arranque de época desde que chegou a Itália e leva já 12 golos em 14 partidas no campeonato, dados que fazem dele o melhor marcador da Série A. A acrescentar a esses números, é de salientar que o internacional argentino soma oito jogos consecutivos a fazer balançar as redes da baliza adversária no Estádio San Paolo e está perto de igualar o recorde protagonizado por Maradona em 1987/88 (nove jogos seguidos a marcar em partidas caseiras).

As exibições do avançado, que cumpre a terceira época em Itália, depois de ter passado pelo Real Madrid, têm sido fulcrais para a liderança isolada do emblema do sul de Itália no campeonato, facto que se refletiu na passada jornada, quando o Nápoles defrontou o Inter, estando em disputa o primeiro lugar da tabela. A veia goleadora de Higuaín, que apontou dois golos no encontro, deu o triunfo e a desejada liderança isolada aos azzurri.

Nápoles sonha com o scudetto que não vence desde 1990 Fonte: SSC Nápoles
Nápoles sonha com o scudetto que não vence desde 1990
Fonte: SSC Nápoles

O Nápoles tem realizado boas campanhas no campeonato em anos recentes, inclusive alcançou o segundo lugar em 2012/13, mas o poderio avassalador da Juventus por terras transalpinas tem sido indiscutível nos últimos anos. Ainda assim, com o mau começo de época protagonizado pela vecchia signora (está a sete pontos da liderança), esta é a oportunidade ideal para o Nápoles voltar a estar no topo do Calcio. Ainda que esta temporada esteja a ser pautada pelo equilíbrio no topo da tabela classificativa, pode valer aos napolitanos a inconsistência de resultados e falta de regularidade que clubes como o Inter ou a Roma têm apresentado em tempos recentes, e o facto de o Fiorentina não ter plantel para chegar e manter-se no posto cimeiro do campeonato durante toda a época.

Se Higuaín conseguir manter este registo goleador e a equipa continuar com a consistência e senda vitoriosas que tem evidenciado sob o comando de Maurizio Sarri – técnico que está já a deixar a sua marca no clube, logo na primeira época -, o Nápoles, que conta nas suas fileiras com outros jogadores fulcrais no sucesso da equipa (casos de Marek Hamsik, José Callejón, Lorenzo Insigne, Dries Mertens, Pepe Reina, Albiol, entre outros), pode voltar a fazer os seus adeptos sorrir e festejar novamente, após a gloriosa passagem do lendário Diego Armando Maradona no clube.

Foto de Capa: SSC Nápoles

Júlio César e Jonas. Já ouviste falar, Dunga?

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“Jonas e Júlio César nomeados para o prémio Samba de Ouro”. Dunga, leste isto? É com muito agrado que vejo que no Brasil olham para estes dois grandes jogadores como estando entre os melhores a actuar na Europa. Ao que parece, só mesmo Dunga é que não vê; Dunga e alguns benfiquistas, uma vez que parece que está a nascer um ridículo manifesto contra o Jonas. Não se devem lembrar do último grande jogador brasileiro que se foi embora e que também era fortemente criticado pela massa associativa.

Para quem não sabe, o prémio Samba de Ouro premeia o melhor jogador brasileiro a actuar na Europa. As últimas edições foram ganhas por Neymar, Thiago Silva (3), Maicon, Luís Fabiano e Kaká. É uma honra, um apanágio para qualquer benfiquista, ver dois dos seus jogadores a integrarem uma lista onde constam grandes nomes do futebol mundial como Thiago Silva, Neymar, Willian ou Philipe Coutinho. Agora resta esperar que Dunga olhe para esta lista e deixe de ser Dunga! Como é que pode deixar que Jonas não integre a lista de convocados quando o Brasil, depois de ter perdido Diego Costa num bate-boca estúpido, não tem nenhum ponta-de-lança puro e goleador? Há jogadores que podem fazer essa posição? Sim, há. Mas toda e qualquer selecção precisa de uma referência lá à frente e a Jonas não faltam argumentos, sobretudo ganhos nesta última época, para se afirmar como esse avançado na frente de ataque. Sobre Júlio César a situação chega a ser ainda mais anedótica.

Quando para o primeiro ainda me podem falar em colocar o Neymar a ponta-de-lança – algo de que eu não gosto porque perco o deleite de ver aquelas movimentações da linha para o centro da área acompanhadas por uma bela finta – nesta não há solução melhor. Vejamos os nomes que têm sido chamados : Marcelo Grohe, Jefferson, Cássio e Alisson Becker. Analisando a última época do Júlio César e esta primeira metade, quais destes guarda-redes se exibiram a um nível tão determinante como o ex-campeão europeu? Leia a lista, senhor Dunga.

As críticas a Jonas são injustas. Oxalá que o brasileiro volte a marcar para calar os assobios. Fonte: Facebook oficial de Jonas Gonçalves
As críticas a Jonas são injustas. Oxalá que o brasileiro volte a marcar para calar os assobios
Fonte: Facebook oficial de Jonas Gonçalves

Tanto um como outro são jogadores preponderantes no Benfica. Júlio César voltou a trazer segurança às redes encarnadas; a defesa deixou de estar constantemente preocupada com o que se passa nas suas costas como era no tempo de Artur. Já Jonas é um artilheiro, uma dinamite, tudo! Marca, dá a marcar, foi eleito o melhor jogador do campeonato na época transacta e por pouco não venceu a Bola de Prata. Sobre Jonas ainda há mais a dizer, especialmente sobre o actual momento de forma. É o melhor? Não, de longe. O Jonas não está a ter a prestação a que nos tem habituado, mas isso não merece nenhum dos comentários que lhe têm sido atirados. Eu não quero que ele saia do Benfica; é um excelente jogador e um trabalhador incansável!

Lembram-se da última birra dos adeptos em relação a Lima? Não marcava golos? Não. Decresceu de forma desde que foi contratado até à última época? Sim. Mas era um elemento fulcral no onze do Benfica, era o que mais trabalhava para a equipa, e Jonas está ressentir-se de não ter um Lima ao lado. A meu ver Jimenéz poderá vir a desempenhar esse papel, mas ainda precisa de muita bola. Por isso, por favor, deixem-se de birras, senhores adeptos benfiquistas, e desfrutem do facto de terem um dos melhores jogadores do campeonato, um artilheiro nato, na vossa equipa. Longa vida a estes dois grandes brasileiros que tão bem representam, nos seus clubes, a magia que outrora foi a selecção canarinha.

Foto de Capa: SL Benfica

União CF 0-4 FC Porto: Vendaval inicial vale vitória na Madeira

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Jogo de extrema importância para o Futebol Clube do Porto, na caminhada que se faz longa rumo ao título de campeão nacional. Os dragões foram para este embate com a plena noção de que eram precisom “argumentos para ganhar” a um União que tinha “vontade de pontuar em casa” e que se apresentava como a quinta melhor defesa do campeonato, apesar de ter dois encontros em atraso.

Destaque na equipa do FC Porto para as inclusões de Jesús Corona e Pablo Osvaldo na equipa inicial em detrimento de Bueno e Vincent Aboubakar respetivamente. Os azuis e brancos apresentaram no seu onze inicial: Casillas; Maxi Pereira, Martins Indi, Marcano e Layún; Herrera, Danilo e André; Corona, Osvaldo e Brahimi.
No União não existiram surpresas num onze composto por: André Moreira, Paulinho, Diego Galo, Paulo Monteiro, Joãozinho, Shehu, Soares, Gian, Amilton, Élio e Danilo Dias.

Na primeira parte entra melhor o FC Porto, com as linhas muitos subidas, com um meio campo muito móvel e com os alas muito ativos, naturalmente o golo surgia logo aos 12 minutos pelo médio mexicano Herrera. O dragão de ouro 2015 que está a viver uma época com altos e baixos ao serviço dos dragões, finaliza a meias com Joãozino, uma jogada muito bem construída a passar por quase todos os elementos do ataque do FC Porto.

Passado apenas 2 minutos é a vez que Brahimi corresponder a um cruzamento de Maxi da melhor maneira. Vendaval portista que tinha nos extremos e nos laterais os maiores intervenientes. O União com um meio campo muito musculado e compacto não conseguia travar as letais investidas dos dragões pelas faixas. Não tardava muito em acontecer o terceiro golo do FC Porto por intermédio de Jesús Corona, num cruzamento-remate com a bola a ressaltar num tufo de relva e a entrar ao ângulo superior esquerdo da baliza defendida por André Moreira. Uma felicidade que resulta num golo sensacional.

Até ao final do primeiro tempo o jogo era completamente controlado pelos comandos de Lopetegui, que com o resultado a seu favor dominavam com a sua típica posse de bola defensiva. É de realçar duas oportunidades, uma por Pablo Osvaldo num remate cruzado a embater em Paulo Monteiro e outra por Yacine Brahimi com André Moreira na pequena área a cortar as intenções portistas de chegar ao quarto golo.

A segunda metade conta uma história completamente diferente. A perder por três bolas o União tenta mais atrevidamente chegar à baliza de Casillas. Amilton e Shehu foram as principais dores de cabeça para os visitantes que apenas já jogavam com o relógio.
O FC Porto muito trapalhão a todos os níveis, a começar no guarda-redes que quase propiciou um frango aos 48 minutos e a passar por todos os elementos que não eram capazes de fazer um transporte de bola seguro, destacava-se o enorme número de passes falhados.

Vitória construiu-se bem cedo Fonte: FC Porto
Vitória construiu-se bem cedo
Fonte: FC Porto

A completar a má exibição na segunda parte do FC Porto, dá-se relevância à expulsão muito duvidosa de Pablo Osvaldo. O avançado argentino envolveu-se com Paulo Monteiro, com uma entrada de sola mas sem atingir o defesa. Expulsão exagerada protagonizada pelo árbitro Bruno Paixão.
Num jogo sem brilho de maior, ainda se viu André Moreira brilhar numa excelente defesa num livre cobrado pelo capitão portista Maicon e para terminar em beleza um golo apontado por Danilo Pereira numa jogada estudada, que começa na marcação de um livre. Maxi toca para Layún e o mexicano cruza para o coração da área, onde aparece Danilo Pereira com exuberância a finalizar da melhor maniera.

Vitória muito saborosa do FC Porto que vence com inteira justiça e põe fim à série de maus resultados na Madeira. Os azuis e brancos começaram a construir desde bem cedo a vantagem e até final não houve uma ocasião em que Casillas tivesse sido colocado à prova. Este triunfo deixa os dragões a dois pontos da liderança e com confiança acrescida para os próximos jogos com o Paços de Ferreira e Chelsea.

A Figura:

Danilo Pereira- Pelo virtuosismo e maturidade que apresentou. É hoje um jogador que sabe ler o que o jogo pede nos seus diversos momentos e também pelo golo mais do que merecido que marcou. Danilo mostra-se como a opção mais consistente no meio campo portista e que está pronto para ser titular da Seleção Nacional.

O Fora-de-Jogo:

Pablo Osvaldo – Não esteve bem, vê-se de longe que é um jogador sem rotinas de jogo e sem entrosamento dentro da equipa, apenas teve destaque num remate que nem sequer foi ao encontro da baliza. Começa a ser um jogador a mais no Futebol Clube do Porto, sem a simpatia dos adeptos e ainda por cima com a expulsão de hoje torna-se cada vez mais óbvio que em Janeiro, Osvaldo estará de saída da Invicta.

Foto de Capa: FC Porto

No Seixal nasce o futuro

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Até há meia dúzia de meses, morava na Luz um treinador que, quando questionado sobre a evidente falta de aposta em jogadores portugueses e atletas da formação, respondia desta forma: “Como não aposto? O que é a formação? São os jogadores que só estão no Benfica? Para mim não! Formar é trabalhar jovens, sejam eles portugueses, chineses, brasileiros…” (Record, 10/10/2014). Resposta errada. Não é tudo igual. Entre um sérvio de qualidade que o scouting descubra no Partizan e um jovem português formado no Seixal, com boas indicações dadas nos escalões de formação e que faça a mesma posição, a minha tendência será sempre escolher o segundo. O facto de ser português tem de pesar em caso de dúvida perante dois jogadores com idêntico valor. É obrigatório que assim seja.

A diferença está na mística. O tal sérvio de que falava, só para exemplificar, há de conhecer a rivalidade entre o Partizan e o Estrela Vermelha mas, quando chegar a Lisboa, o discurso da mesma eterna rivalidade, mas entre Benfica e Sporting, dir-lhe-á pouco. Antes de se preocupar com isso, tem de aprender a língua, conhecer a cidade, adaptar-se. E isso demora. Uns adaptam-se, outros não. Por outro lado, um jogador made in Seixal não tem este tipo de problemas. A mística foi crescendo com ele: quando via o pai festejar as vitórias; quando recebeu o seu primeiro cachecol; quando os pais o inscreverem nas escolinhas do Benfica e aí aprendeu a jogar; na escola, quando o “picavam” no dia seguinte a uma derrota do glorioso e ele fazia o mesmo aos amigos de outros clubes quando eles perdiam. Com 18/19 anos, todo este acumulado de emoções conta e faz toda a diferença, porque, antes de ser atleta, é adepto.

O mesmo treinador que nos deixou uma maldição que até hoje não foi quebrada, Bela Guttman, também cometeu a difícil proeza de tentar definir a tal “mística benfiquista”. E fê-lo de uma forma magistral: “Chove? Está frio? Está calor? O que importa!? Nem que o jogo seja no fim do mundo, entre as neves das serras ou no meio das chamas do inferno. Seja pela terra, pelo mar ou pelo ar, eles aí vão, os adeptos do Benfica atrás da sua equipa”. Com isto não quero, contudo, dizer que a mística não se ganha. Nada disso. Basta olhar para Gaitán ou Luisão. Para Aimar ou Cardozo. Jogadores “à Benfica”, que, ao longo dos anos, engrandeceram o nome do clube, deram tudo o que tinham em campo. Foram aprendendo a amar o Benfica.

A mística incorpora-se desde pequenino Fonte: SL Benfica
A mística incorpora-se desde pequenino
Fonte: SL Benfica

Felizmente, Rui Vitória, benfiquista de nascença, veio com o espírito de valorizar o Seixal. Contando com um apoio incondicional do Presidente (que esperava por esta mudança há pelo menos cinco anos), está a conseguir dar continuidade aos bons resultados, salvo alguns percalços, que se devem fundamentalmente ao facto de ser a sua primeira época a treinar um dos grandes, devido às mudanças que, ao contrário do que muitos dizem, operou na equipa e às saídas de jogadores habitualmente titulares na última época, como Lima ou Maxi. Mas o mais importante é que o atual treinador consiga aliar os objetivos traçados no início da época, ou seja, vencer todas as competições a nível interno (o campeonato ainda vai no adro, a Taça da liga ainda não começou e só a Taça de Portugal já não é alcançável) e passar a fase de grupos da Champions (feito, quando ainda falta uma jornada) com a progressiva entrada de jogadores vindos da formação na equipa principal. Foi isto que o treinador anterior nunca fez. Terá sido por medo de que corresse mal? Ou por falta de vontade? Talvez uma mistura das duas. Mas isso agora pouco importa.

Entrámos numa nova fase. Desengane-se quem pensa que o objetivo da estrutura é construir um Athletic de Bilbao português, com uma equipa totalmente vinda da formação, mas sim fazer aproveitar a juventude e energia dos mais jovens e manter a experiência dos jogadores mais velhos: “Este é o rumo, é por aqui que vamos, e tenho a certeza de que a médio e longo prazo vamos ser reconhecidos pela opção tomada. Mas apostar nos jovens não significa esquecer os símbolos, ou dispensar a experiência dos jogadores que sentem a responsabilidade de vestir esta camisola” (LFV, 07/11/2015).

Aos que ainda hoje duvidam de que grandes clubes europeus tenham pago 15 milhões de euros por quatro jogadores da cantera encarnada (André Gomes, Bernardo Silva, Ivan Cavaleiro e João Cancelo), eu peço que olhem para Gonçalo Guedes ou Renato Sanches e admitam que estes são jogadores valem, ou poderão vir a valer, tanto ou mais que isso. O Benfica é, há algum tempo, o clube português de onde saem mais jogadores para as seleções jovens. A aposta foi feita e agora está a dar frutos. São sinais dos tempos e o futuro começa agora.

Foto de Capa: Facebook Caixa Futebol Campus

A estrelinha (e o Jesus) que faziam falta no presépio

portaPara uma criança nascida a meio do anos 80 e que viveu a sua infância na década seguinte, ser do Sporting era um feito complicado. Poucas eram as conquistas – só me lembro da Taça de Portugal frente ao Marítimo e a Supertaça em Paris – e as equipas do Sporting padeciam sempre do mesmo problema: um começo cheio de fulgor e a todo o gás que rapidamente passava a desalento, chegando ao período de Natal já com os leões arredados da luta pelo título nacional, e de quando em vez também da Taça e das competições europeias.

É inesquecível para mim, e para a minha mãe que me relembra deste dia muitas vezes, a noite de 2 de Novembro de 1995.  O Sporting – após ter vencido 2-0 na primeira mão – foi a Viena defrontar o Rapid; mas numa eliminatória teoricamente acessível e perante um clube inferior, o estigma Sporting Roquettista fez-se sentir em todo o seu esplendor. Aos 90′, os austríacos empatam a eliminatória, já depois da jovem promessa Dani ter sido expulso após 20 minutos em campo e, no prolongamento, a reviravolta do Rapid consumou-se, deixando em casa uma criança de nove anos a chorar “baba e ranho” e a ser consolado pelos pais.

É por isso que neste momento quase rejubilo pela actual situação do Sporting e pela “sorte” que temos vindo a ter. É verdade que temos ganho jogos frente a equipas pequenas, daquelas que defendem com 10 ou 11 jogadores, perto do final das partidas. Tondela, Arouca e Belenenses foram vitórias tangenciais, mas nunca imerecidas; Em Tondela, logo na primeira jornada, o golo da equipa “da casa” foi marcado da forma que todos sabemos; em Arouca e em Alvalade enfrentámos duas equipas que têm treinadores competentes e que conseguiram travar o meio campo do Sporting. Mas, a grande questão aqui é: E depois, qual é o problema?

Quantas vezes vi o mesmo acontecer a clubes rivais? O Benfica, por exemplo, não empatou – e foi campeão – com o golo de Jardel em Alvalade aos 93′? O Porto, no célebre golo de Kélvin, não garantiu a vitória no campeonato aos 92′? O Chelsea, não venceu os encarnados na final da Liga Europa também no mesmo minuto? A sorte procura-se, a sorte constrói-se, a sorte “estima-se”… E este Sporting merece esta sorte e a tal estrelinha de campeão.

Neste último jogo, Jesus deu tudo o que tinha à procura da vitória e saiu-se bem com isso. A exibição não convenceu, não banalizámos os adversários como nos jogos frente a Benfica e Lokomotiv, mas e então? Ganhar são três pontos, seja por 1-0, 3-0 ou 7-1.

Jesus trouxe consigo a estrela que todos os vencedores possuem Fonte: Sporting CP
Jesus trouxe consigo a estrela que todos os vencedores possuem
Fonte: Sporting CP

Confesso que finalmente percebo o charme de Jesus. Ao talento táctico que já lhe reconhecia, e filtrando a sua maneira sui generis de ser e agir, junto agora uma admiração pelo potencial que tem em fazer passar a mensagem aos jogadores e a criar nos mesmos uma cultura de vitória à prova de qualquer dúvida. A confiança que João Mário, Slimani ou Adrien têm em campo nesta época são a prova do sucesso desta mesma mensagem de JJ. Creio ser realmente uma pena que uma instituição como o Benfica queira fazer de Jorge Jesus um bode expiatório da sua má gerência e que queira apagar da sua história centenária um treinador que trouxe glórias indeléveis aos encarnados; mas também essa foi a grande sorte – juntamente com a astúcia do presidente Bruno de Carvalho, do Sporting e dos seus adeptos.

Nos últimos três anos, chegámos a Dezembro ainda na discussão de todas as provas em que participámos; mas este ano, temos uma prenda especial no sapatinho: a liderança no campeonato. Mérito para a nova direcção e para todo o departamento de futebol, que tirou um Sporting preste a fechar portas do sétimo lugar da classificação e colocou-o no lugar de destaque que merece.

Tudo isto veio dar mais brilho ao nosso Natal, e assim consigo imaginar um presépio a que se juntam, este ano, três novas peças: A Estrela “de Campeão”, o nosso “menino” Jesus e, para dar um toque multicultural, um burro bem volumoso, obeso e farto e que só pára de zurrar ao som do megafone de José.

Foto de Capa: Sporting CP