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O “efeito” Oblak

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Ainda o clássico do passado fim de semana. Engana-se quem pensa que voltei a falar nesse jogo por vaidade ou algo do género. Simplesmente me pareceu relevante, para enquadrar este texto, referir-me ao que se passou, no domingo último, no Estádio da Luz.

Final do jogo; 2-0 para o Benfica. Fala-se de penaltys, de expulsões e de o Benfica ser, afinal, o campeão de inverno. O Porto, que começou tão forte, e o Sporting, que parecia capaz de ganhar a tudo e a todos, afinal, estão atrás do Benfica, que não joga tão bem nem está tão forte como nos últimos anos.

Voltemos à Luz. Vitória tranquila do Benfica. Holofotes no árbitro. E, no meio de tudo isto, há um miúdo com 21 anos que passou incólume, despercebido até, ao grande teste da sua vida profissional. Entrou, jogou e saiu, calmo e tranquilo.

Olhemos para alguns exemplos para percebermos o efeito que Oblak poderá ter no Benfica. Olhemos para Kelvin… a carreira deste rapaz resume-se, até agora, em três golos (dois ao Braga, um ao Benfica), que resultaram em seis pontos e no título para o Porto. E que dizer de Weldon e do efeito que teve no Benfica campeão? E de Mantorras, no tempo de Trapattoni? Contudo, o melhor exemplo que vos posso dar é mesmo, nessa época de Trapattoni, a mudança que foi feita na baliza. A meio do campeonato. Depois de uma derrota em Belém, na qual Moreira até foi o melhor do SLB. Na jornada seguinte, assumiu Quim. E o Benfica foi campeão.

Acontece só no Benfica? Que dizer de Vítor Baía e Hélton? Que dizer de Stojkovic e Rui Patrício? Que dizer, então, de Casillas e Diego López? Podemos continuar, a lista é infindável.

Contudo, mais do que razões a dar para o sentimental ou para o abstrato, vou procurar centrar-me em questões mais práticas e em dados mais palpáveis:

– Estatística. Vamos começar por aqueles dados de que gosto menos. A estatística vale o que vale e tem o peso que tem. E Oblak tem zero golos sofridos pelo Benfica. Ok, isto inclui jogos nas taças e tudo o mais. Mas também inclui a manutenção do 3-2 com o Olhanense, uma ida a Setúbal e outra à Madeira e um clássico com o Porto. Não se trata de uma simples sorte de principiante nem de três ou quatro acasos seguidos. A sustentar tudo isto está a época passada, ao serviço do Rio Ave. Faltava saber se acusaria a pressão de defender a baliza do Benfica. Se a sente, não a acusa.

– Pequenas coisas. Oblak não tem falhado nas pequenas coisas. E esta tem sido a sua grande mais-valia para o Benfica. Digam-me que é trabalho fácil sair aos cruzamentos e isto e aquilo. Então vamos ver o golo de Maicon na Luz e o de Jefferson, curiosamente, também na Luz. Ou, ainda na Luz, o golo de Luisão ao Braga. E, para não destoar, novamente na Luz, o golo de Luisão ao Sporting de Peseiro. E deixa de ser assim tão linear as saídas aos cruzamentos e os livres enrolados e essas tais “pequenas coisas”. Porque, se formos bem a ver, os guarda-redes, principalmente os do Benfica, têm falhado exatamente nisto. Dentro da baliza são fenomenais. Falta o resto. E esse resto tem custado pontos. Oblak tem acertado e, acima de tudo, tem mostrado segurança neste resto.

– Segurança e tranquilidade. Este ponto está intimamente ligado ao anterior. Oblak não tremeu até agora. Em momento nenhum o sentimos nervoso. Nem naqueles momentos em que se espera que esses nervos surjam. Não demonstra hesitações sobre quando e como sair aos cruzamentos. Não o vemos recuado e a jogar só em cima da linha de golo. E não o vemos, como foi exemplo ontem, a tremer por a bola lhe ser atrasada, num campo molhado. Tem jogado bem com os pés e com as mãos. Tem feito parecer que é fácil ser guarda-redes no Benfica. E isso faz uma diferença tremenda. Depois, a defesa confia em Oblak. Atrasa-lhe a bola. Com os pés e com a cabeça (ainda ontem, Siqueira deu-lhe uma bola dentro da área para ele agarrar, quando muitos provavelmente metiam para canto).

– Potencial. Em termos de potencial, Oblak está definitivamente à frente de Artur e de todos os outros GR da liga portuguesa. Patrício há muito que ultrapassou a idade de se falar de potencial. Já provou o que tinha de provar. Apesar de ter pelo menos (sem lesões) mais 10 anos de carreira pela frente, cada vez fica mais difícil de o ver a defender a baliza de um “colosso” europeu. Porque essa tal fase do potencial já passou. Oblak tem 21 anos, é internacional. Tem aquilo a que toda a gente chama “mercado”. E tem tudo isso porque tem, também, o mais importante: qualidade. Talvez, neste momento, ainda não seja exemplo de regularidade (afinal ainda nem fez dois meses como titular na baliza de um grande). Mas também, com 21 anos, quem o seria? Quem não teria as falhas próprias da idade e da falta de experiência? Essas falhas ver-se-iam onde? Nas pequenas coisas. As tais em que Oblak tem acertado sempre.

Oblak
Oblak, um talento na baliza
Fonte: Rio Ave

A tudo isto temos de acrescentar mais dois pontos: Artur faz 33 anos dia 25 deste mês e parece ter perdido o capital de confiança que tinha junto de todos. Tem transparecido cada vez menos à vontade na baliza do Benfica. Mais ano, menos ano, Artur deixa de ter condições (atendendo ao rendimento que tem tido e à “curva descendente” desde que chegou à Luz) para jogar 40 jogos por época. Porque não antecipar a entrada de um GR “a tempo inteiro” no Benfica e manter Artur? Porque ficaria não só um suplente de luxo, como um GR com provas dadas para o caso de Oblak dar barraca. E depois, a vertente financeira. O Benfica precisa, cada vez mais, de ser parcimonioso nas compras. Para quê investir noutro GR se temos um jovem que vem dando provas inegáveis de qualidade? Mesmo numa perspetiva de clube vendedor, Oblak é a melhor aposta. Valoriza-se. Foi para isto que o foram buscar em 2010, com 17 anos. Para ser o futuro titular do Benfica.

Está tudo bem feito e Oblak é o Guarda-Redes perfeito? Não. Ainda tem muito a provar? Tem. É a melhor aposta para a baliza do Benfica? Não tenho a menor dúvida de que sim.

Para terminar, sinto-me na obrigação de agradecer ao meu amigo e guarda-redes de futebol Marcos Borges pelos conselhos e palavras sábias que me transmite quando falamos de guardiões no futebol.  O seu conhecimento é grande parte deste texto.

“Tongue-in-cheek”

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relacionamentodistancia

Após um jogo e vitória muito interessantes para a Taça da Liga, que marcou a estreia de Carlos Mané a titular, parece-me a mim que o Sporting, Bruno de Carvalho, Jardim e Inácio têm muito para discutir e reflectir.

Apesar da opinião válida (embora palerma) de Jorge Jesus de que o Benfica é o clube que melhor alia “formação” a “prospecção” (partilhada pela declaração mais ridícula e insultuosa para a formação do clube aquando da saída de Matic), o desempenho do extremo luso-guineense de 19 anos abre todo um debate em relação às opções para as alas da equipa da segunda volta do campeonato.
Contextualizando, o Sporting 2013-2014 desenvolveu, pela mão de Leonardo Jardim, um estilo muito próprio de futebol. Aquilo que no papel se parece muito com um 4-4-3 clássico desdobra-se no centro do campo com um triângulo escaleno entre Carvalho, Adrien e Martins, em que cada um deles faz muito mais (ofensivamente e defensivamente) do que típicos “6” “8” e “10”. Estes três elementos são responsáveis por fornecer constantemente as alas, tipicamente bem preenchidas pelos extremos e apoios constantes dos defesas laterais desinibidos a atacar.

Até aqui tudo bem. O meio-campo tem funcionado bem. Os laterais têm tido excelentes prestações sem comprometer as suas obrigações defensivas. A frente de ataque funciona, ora com Montero, ora com Slim, ora com ambos.

Passemos às alas.

André Carillo continua à procura da motivação (que se vai escondendo) para se juntar ao potencial que ele tem para se tornar o melhor extremo do país. Quando joga de início, o seu jogo equipara-se ao do mestre Kutuzov; quando entra do banco de suplentes (e lhe apetece), tem capacidade para surpreender e fazer a diferença.

Wilson Eduardo parecia a aposta certa, pragmática. Sem ser um enorme fora de série, tem capacidade para se superiorizar a 85% dos laterais adversários, assistir Montero com regularidade e contribuir com alguns golos. Ultimamente tem descido de forma – ainda estou a tentar perceber se é só uma má fase ou se esgotou o que tinha para mostrar este ano.

Capel continua a ser um favorito das bancadas de Alvalade. A sua entrega ao jogo e à equipa são inquestionáveis, mas alguma irregularidade e, por vezes, a sua ânsia em ajudar a equipa e fazer a diferença toldam a sua objectividade, prejudicando o seu contributo. (Quantas vezes já não gritámos todos “Solta a bola, Capel, solta a bola, Capel! Fod***, Capel… Soltavas logo, pá!”?)
Carlos Mané estreou-se a titular no último jogo. Marcou um gol… perdão… uma obra de arte, divertiu-se e deixou-nos a todos a sonhar com o próximo diamante à espera de ser polido pelo mestre Jardim. Aprendemos todos com a história do Armindo Tué, portanto, agora, vamos “fazer” este miúdo como deve ser.

Salomão parece-me menos pronto agora do que quando saiu para o Corunha. Se, na altura, não percebi o porquê do seu empréstimo, agora não percebo o porquê do seu regresso… Com 25 anos, parece-me que mais uns tempos em Espanha a jogar regularmente o poderiam colocar no patamar certo para ser uma opção séria para o onze inicial daqui a um ano ou dois.

Olhando para fora do balneário, há um nome que não deixa ninguém indiferente. Quando ouvi, pensei que fosse mais um rumor típico da nata jornalística nacional, mas depois de ler no Daily Mirror e no Telegraph que há intenção, quer do Manchester United, quer do Sporting, de concretizar o empréstimo até final da época, confesso que fiquei tipo miúdo na semana antes do Natal à procura dos presentes escondidos pela casa.

Nani, Luís Carlos Cunha de baptismo, tem perdido espaço no Man U pela subida de forma de Valência e aparecimento do miúdo prodígio Januzaj. O Mundial do Brasil está à porta e Paulo Bento está atento. Quaresma vai fazer tudo por honrar a família e roubar o lugar na extrema direita da Selecção. Nani precisa de jogar. O Sporting “precisa” de Nani. O seu talento é inquestionável e uma ligação sentimental à casa e ao país que o viram crescer pode falar mais alto que propostas estrangeiras financeiramente mais aliciantes para o jogador. Perante tudo isto, como reza a música de Hannah Montana, “what’s not to like?”

Nani
Nani – O regresso?
Fonte: SportingFans

Não me parece, porém, que haja caso para alarme. O Sporting está em segundo lugar do campeonato. Temos o melhor ataque, a melhor defesa, o melhor marcador e o melhor futebol da competição. Mas não acredito em que nenhum Sportinguista se importaria de ver a equipa com mais (e, sobretudo, melhor) talento dentro de campo. A ver se daqui a uns meses, com o desenrolar da época, podemos oficialmente redefinir objectivos para algo mais sério e aliciante.

SL

Será que é desta?

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Os Gunners, de Arsène Wenger, têm vindo a fazer manchete nos jornais desportivos ingleses; estão em primeiro, praticam um futebol atraente e, finalmente, eficaz. Digo finalmente porque, desde que me conheço, simpatizo com o clube e há muito tempo que não via o Arsenal a jogar bem… e a ganhar.

Por norma, a equipa de Wenger joga bem mas chega ao final do ano e não vence nada. Não vencem nada desde 2005, e para uma equipa que chegou a ter nos seus quadros jogadores como Ljungberg, Henry, Pires, ou mesmo Fabregas, não pode ficar tanto tempo sem vencer um troféu que seja. Há anos que defendo que o tempo de Wenger no Arsenal já devia ter chegado a um fim; para mim, e penso que para qualquer adepto de futebol (de uma equipa de topo), um ano sem ganhar é muito. Nove anos sem ganhar, então, nem há palavras que consigam descrever a frustração.

No entanto, este ano, parece que até os próprios adeptos da equipa londrina acreditam que este poderá ser “O Ano” (um pouco à semelhança dos nossos amigos sportinguistas). A chegada de Özil veio revolucionar o meio campo e desbloquear o futebol ao primeiro toque que Wenger tanto queria introduzir; as vitórias seguiram-se e, até ao momento, só perderam contra o Aston Villa e contra as duas equipas de Manchester.

A questão que paira no ar é se este todo poderoso Arsenal consegue ou não aguentar a parada até ao final do ano. Se recordarmos a última década de futebol do clube, a tendência é morrer na praia, chegar a finais e perdê-las, e em março andar a fazer contas de matemática para ver se consegue atingir a Champions na época seguinte. Pode ser que não, que este ano seja diferente. Contudo, se não for caso disso, o francês deveria ser posto fora mais depressa do que conseguisse dizer “Croissant”, porque se não ganham nada este ano, além de aumentarem para 10 os anos consecutivos sem vencer, fazem-no após alterarem a política de contratações da equipa (esbanjaram balúrdios no verão passado). Infelizmente, os títulos não se ganham sem ter de equacionar as outras equipas da prova, e a prova rainha do futebol inglês não é nada fácil de conquistar. Com pelo menos seis candidatos ao título, os Gunners têm de fazer uma segunda metade de época tão ou mais brilhante do que a primeira para conseguirem atingir o tão esperado campeonato.

Vasco Ribeiro brilha no Hawaii

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cab Surf

Numa semana marcada pela reconstrução da costa portuguesa devido à tempestade “Hercules”, o jovem prodígio português de 19 anos Vasco Ribeiro viajou rumo ao Hawai. O surfista da Praia da Poça estreou-se da melhor maneira ao passar em primeiro lugar o seu primeiro heat frente a Kael Walsh (AUS), Hunter Johnson (HAW) e Reef Tsutsui (HAW). Na bateria seguinte, o Vasquinho voltou a estar super bem ao acabar mais uma vez em primeiro lugar, desta vez frente a Tommy Boucaut (FRA) em, Jake Halstead (USA) em e Cole Yamakawa (USA).

Devido às enormes ondas que entraram no North Shore, a competição foi adiada para dia 18 de Janeiro, dia em que se vão realizar os 64 avos de final.

Apesar de o evento estar a ser realizado no Hawai, os havaianos não se estão a adaptar bem à excelente forma dos outros surfistas. Tal como Vasco Ribeiro, também os pequenotes australianos Jack Robinson e Kael Walsh brilharam ao já estarem presentes nos 64 avos de final.

Como já muitos sabiam, as mudanças vão chegar ao WCT. Sendo assim, o ranking do ASP World Championship Tour vai ser separado do Qualification Series (QS). Isto é, os resultados do WCT contam apenas para o seu ranking e os resultados dos eventos ASP Prime e Star contam exclusivamente para os rankings QS. Deste modo, o sistema de rankings combinados já nao é válido para o ano de 2015. No ano de 2013, este sistema foi válido, o que fez com que entrassem novos surfistas e saíssem outros.
Ainda assim, o top 34 para o ano de 2015 vai manter-se igual, ou seja:
– Top 22 de 2014 ASP WCT rankings (com os melhores nove resultados dos 11 eventos WCT)
– Top 10 de 2014 ASP QS rankings (com os melhores cinco resultados de todos os resultados QS)
– Dois Wildcards ASP

Será desta, nuestros hermanos?

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cab andebol

Para um ex-jogador de andebol é sempre com muito agrado que vejo chegar mais uma edição do Europeu. Esta edição de 2014 realiza-se na Dinamarca, campeã em título e grande favorita à revalidação do troféu. Mas já lá vamos.
Até agora tem sido de uma espectacularidade impressionante. Como noutras modalidades, o Europeu é sempre melhor que o Mundial pois exclui equipas de nível inferior de outros continentes. O equilíbrio tem sido o prato forte desta ementa, com quase todos os resultados a terem poucos golos de diferença entre as duas equipas que se defrontam. Como em qualquer competição deste género, vou fazer as minhas apostas.

O Europeu'2014 promete muita emoção Fonte: ehf-euro.com
O Europeu’2014 promete muita emoção
Fonte: ehf-euro.com

A França é eterna candidata por ter um núcleo de jogadores de grande nível: destaque para Karabatic, um dos melhores executantes há já muitos anos, assim como Luc Abalo, o canhoto mais brilhante do andebol moderno. Além disso, a liderança de Claude Onesta assegura quase sempre prestações estáveis e onde reina a experiência. Veja-se o exemplo do jogo com a Polónia (27-26), em que ganharam nos últimos momentos do jogo com uma passe certo para o pivot Anic não desperdiçar. Parece fácil.

Depois, claro, a Dinamarca com o fantástico Mikkel Hansen e um golo que já correu o mundo. Mas vale muito mais do que isso, vale pelo colectivo, pelo contra-ataque letal e pela organização ofensiva, por jogar pela certa sem grandes precipitações. A Dinamarca é a grande potência, capaz de arrumar qualquer uma. Recorde-se a edição de 2012, em que venceram a Sérvia na final (21-19) com uma calma impressionante e um sangue intenso, pouco próprio de gente do Norte da Europa.

Por último, falemos de nuestros hermanos. A Espanha tem sido consecutivamente a eterna derrotada. Nas mais diversas competições todos os analistas a apontam como uma possível candidata, como a equipa mais completa, isto tudo na fase de grupos. A verdade é que nos momentos decisivos parecem claudicar. Tive a oportunidade de ver um pedaço do jogo da Espanha contra a Islândia (33-28) e impressiona o 6-0 defensivo da equipa comandada por Valero Rivera. O duo central dessa defesa é composto por Vira Morros de Argila e Gedeon Guardiola, dois bichos-do-mato, se assim se pode dizer. Esta formação espanhola, de facto, impressiona por toda a capacidade e número de opções vindas do banco. Resta saber se é desta que conseguem levar a taça para casa.

Um artigo sobretudo informativo, não muito específico porque sei bem que muita gente não está muito dentro da modalidade. Sou suspeito, bem sei, mas aconselho apenas que vejam um jogo deste Europeu, um qualquer. Depois digam-me se conseguiram parar a meio.

A vida de Ghilas

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portosentido

“A Vida de Pi” foi o grande filme que valeu o segundo Óscar para Ang Lee na categoria de melhor realizador. O filme retrata a viagem de Pi, um jovem indiano que, após o naufrágio do navio em que viajava, se encontra preso num bote salva-vidas com um tigre de Bengala no meio do oceano. Para sobreviver, Pi aprende a partilhar o seu espaço e a conviver com o tigre. Nabil Ghilas é o Pi do Porto. Após o naufrágio do Moreirense, chega ao bote salva-vidas do Porto. Pode até não haver nenhum tigre, mas há Jackson.

Quando a contratação de Nabil Ghilas foi oficializada pelo Porto pensei que fosse para ser uma opção para concorrer com Jackson Martinez. Por muito bom que fosse o argelino, nunca teria hipóteses de jogar constantemente neste Porto. Até porque o ADN azul e branco impõe que se jogue exclusivamente em 4-3-3.

Os jogos de pré-época nunca são um indicador muito viável da qualidade e competência de um jogador. Os treinos são mais intensos, há processos novos para assimilar e, logo depois das férias, há alguma ferrugem que precisa de ser tirada. No entanto, são jogos que são vistos por muitos adeptos, nem que seja para ver as novas caras com a camisola do clube.

Ghilas chegou ao Porto como alternativa a Jackson / Fonte: Vavel
Ghilas chegou ao Porto como alternativa a Jackson / Fonte: Vavel

Já na pré-época Ghilas mostrou pouco. Jogos apagados e apenas dois golos, contra Maastricht e Nápoles. Podemos sempre dizer que se está a ambientar ao Dragão, que eram apenas os primeiros jogos e que estava a integrar-se no plantel. Na altura, com Jackson em forma imperial, passou por debaixo do radar.

Com o começo da Liga, as minhas presunções tornaram-se certas. Sem hipóteses perante o colombiano Jackson Martinez, Ghilas foi renegado para o fundo do banco e esquecido. Em 14 jogos oficiais, Nabil Ghilas, grande estrela do Moreirense na época 2012/13, não fez um único golo. Sejamos, porém, justos. Na Liga, são poucos os minutos que soma. Foi em jogos da Taça de Portugal e Taça da Liga, clássicos métodos de rotação de plantel, que teve as suas grandes oportunidades, sem grandes resultados pessoais.

O jogo de quarta-feira, perante o Penafiel, apoia a minha teoria de que Ghilas não se está a apresentar como uma solução. Espero que esta situação se possa alterar. Não é possível criar bons jogadores de um dia para o outro mas é possível direccionar jogadores para esse caminho. Este não é, nem será, o ano de Ghilas. O argelino ainda tem de escalar muito para chegar ao topo da montanha.

Perante a falta de opções a solução pode estar na equipa B / Fonte: A Bola
Perante a falta de opções a solução pode estar na equipa B / Fonte: A Bola

Não há certezas sobre se Jackson Martinez estará cá para o ano. O apetite de grandes clubes europeus para avançados da classe de Jackson é ávido. A qualquer momento pode surgir uma proposta. Tenho muito receio de que, caso perca Jackson, o Porto perca todo o poder ofensivo. Até porque as opções estão escassas. Há Ghilas e pouco mais. Da equipa B podem surgir Thibault Vion, Mauro Caballero ou André Silva mas, nesta altura, nunca serão os jogadores certas.

Falta metade da época. É a partir de Fevereiro que o campeonato começa realmente a carburar no que toca à forma física. Ghilas vai, certamente, ter mais oportunidades. Espero que as aproveite e mostre não só a mim como a todos os apoiantes do Porto que pode ser solução.

O fenómeno Berardi

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O embate entre o Sassuolo e o Milan, realizado no passado Domingo, em Modena, foi um dos mais emocionantes encontros desta temporada na Serie A. Um jogo com sete golos, em que o Milan desperdiçou uma vantagem de 0-2, acabando por perder por 4-3. A derrota constituiu o fim da linha para Massimiliano Allegri e a promoção de Seedorf a treinador dos rossoneri, algo de que eu, aqui no Bola na Rede, já tinha dado conta como forte hipótese.

Mas o grande responsável pelo epílogo de Allegri e, consequentemente, a grande figura da partida foi um jovem de 19 anos chamado Domenico Berardi. Ao apontar os quatro golos do Sassuolo, este teenager, que já pertence aos quadros da Juventus, fixou-se como o segundo melhor marcador do campeonato, com onze tentos. Só Giuseppe Rossi, avançado da Fiornetina, marcou mais no principal campeonato italiano.

Berardi nasceu no Sul de Itália, na cidade de Cosenza, apenas quinze dias após a derrota da Selecção italiana na final do Mundial de 1994, frente ao Brasil de Romário, Bebeto e Dunga. Foi na sua cidade natal que começou a dar os primeiros toques na bola, revelando, desde cedo, um talento fora de série. Formado nas escolas do Nuovo Cosenza, deu o salto, há apenas três anos, para o Sassuolo, onde se mantém.

A ida para o Sassuolo acabou por ser muito curiosa. De visita ao irmão que estudava em Modena, Berardi conversou com um olheiro do clube, que o convenceu a ficar na cidade para prestar testes na equipa local.

Berardi festeja um dos golos marcados ao Milan / Fonte: theguardian.com
Berardi festeja um dos golos marcados ao Milan / Fonte: theguardian.com

Em 2012, com apenas 18 anos, fez a sua estreia no clube, num embate da Serie B, tendo marcado o seu primeiro golo, logo na partida seguinte, frente ao Crotone. A impressionante facilidade em transformar oportunidades de perigo em golo foi decisiva para a subida de divisão do Sassuolo.

Aliando os golos à capacidade de se movimentar constantemente no sector mais atacante, com diagonais capazes de iludir os mais fortes defesas, Berardi chamou a atenção da Juventus, que não desperdiçou a oportunidade de o contratar.

Em Setembro passado, a Juve pagou 4,5 Milhões de Euros pelo passe de Berardi e decidiu manter o jovem jogador no Sassuolo, para que este pudesse ter mais espaço para jogar e mostrar as suas capacidades goleadoras.

Se é verdade que Antonio Conte, treinador da Juventus, preferiu optar pelo empréstimo esta temporada, a verdade é que, a jogar assim, Berardi tem tudo para integrar o plantel da formação bianconera já na próxima temporada.

Para já, Berardi vai destruindo os seus adversários a cada jogo que faz no Sassuolo, como foi exemplo o embate do Milan. Alto (mede 1.85 m), forte, rápido e eficaz, Domenico Berardi será o grande trunfo do Sassuolo para evitar a despromoção e uma das grandes apostas de futuro para a Juventus e também para a Selecção italiana.

Quem sairá vencedor do calor australiano?

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cab ténis

Não são Novak Djokovic, Roger Federer, Nadal ou até mesmo Serena Williams quem está a protagonizar este Australia Open. É sim o calor que se tem feito sentir pelos courts de Melbourne Park que tem estado na ordem do dia, agora que a primeira semana está perto de terminar.

Na variante masculina, os favoritos andam sempre à volta dos “big four” – Novak Djokovic, Rafael Nadal, Andy Murray e Roger Federer – com Federer a receber aqui uma maior atenção por partir mais motivado para esta temporada depois de um ano de 2013 em que esteve abaixo das expectativas.

Com treinador novo, raquete nova e uma motivação nova, Federer tem assim tudo aquilo de que precisa para ser considerado um dos maiores favoritos, mesmo dentro dos “big four”. As primeiras rondas mostraram um Federer eficaz, capaz de proporcionar momentos de magia, mas que poderá encontrar daqui a duas rondas um adversário de peso, que é Andy Murray.
Sobre Nadal e Djokovic não há grandes considerações a tecer, não se prevendo dificuldades de maior para ambos até às rondas finais.

O calor tem sido o maior inimigo do Austrália Open http://i.telegraph.co.uk
O calor tem sido o maior inimigo do Austrália Open
Fonte: telegraph.co.uk

Em Femininos, desde que haja Serena Williams, há uma favorita à vitória final. No entanto, a tenista norte-americana terá um desafio interessante pela frente. Ivanovic ou Samantha Stosur irão defrontar Serena Williams na ronda seguinte, prometendo assim o primeiro teste de fogo à veteraníssima Serena.

Na Li é também uma tenista a ter em conta no piso rápido de Melbourne Park e Lucie Safarova será também um bom teste para a tenista chinesa. Maria Sharapova é também uma tenista a ter em conta, depois de ter ultrapassado Karin Knapp numa maratona que terminou com um 10-8 no terceiro set.

O quadro feminino está na verdade bastante competitivo, não só porque o ténis feminino é muito mais imprevisível do que o masculino mas também porque todas as principais favoritas ainda estão em prova, e neste lote incluem-se tenistas que estão afastadas dos tops mas que já deram cartas, como Jelena Jankovic, Caroline Wozniacki, Jie Zheng – e até mesmo Ana Ivanovic e Samantha Stosur podem ser consideradas para esta lista.

Quanto aos portugueses, João Sousa teve uma estreia infeliz, perdendo em quatro set’s frente a Dominic Thiem. João Sousa já admitiu que “o início de época é uma fase complicada, ainda para mais com a pressão extra de ter vencido um título do ATP” – algo que defendi num outro artigo aqui no Bola da Rede.

Para terminar com uma boa notícia, Frederico Gil estará em breve de regresso aos courts, depois de uma pausa sabática de meses. O tenista sintrense estará de regresso para disputar os três Futures do Algarve, regressando assim aos court’s após ter feito sonhar os portugueses.

Amadores a um nível Profissional

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cab Rugby

Reza a história que foi em 1903 que o Rugby surgiu em Portugal, num jogo disputado entre duas equipas inglesas, e que em 1922 se realizou finalmente o primeiro jogo apenas com atletas portugueses.

Em 2007, o crescimento do rugby nacional disparou como nunca antes, após a participação dos Lobos no Mundial de Rugby de XV. Este crescimento repentino aconteceu por aquilo que a participação da Selecção no Mundial de 2007 representou: foi a primeira vez na história do rugby que uma equipa amadora conseguiu apurar-se para a fase final de um Campeonato do Mundo.

A selecção nacional, constituída por jogadores amadores que exerciam outras profissões e treinavam para a competição em intervalos de almoço e fins de tarde, defrontou equipas profissionais como a Nova Zelândia, a Escócia ou a Roménia. A participação nesta competição foi o alicerce imprescindível para a evolução do rugby até ao nível em que a modalidade se encontra actualmente, permitindo o aumento do número de praticantes em todos os escalões e a criação de novas infra-estruturas.

No entanto, mesmo com este crescimento, Portugal continua a ser uma selecção amadora a competir ao nível profissional. É exigido a pessoas com profissões exigentes, e que dedicam todo o pouco tempo livre que têm ao rugby, o mesmo que se exige a atletas cuja única ocupação profissional é treinar para as competições da modalidade.

A dedicação de um atleta português à selecção é muito maior do que deveria ser, obrigando, por vezes, o atleta a escolher entre o desporto, o trabalho ou o tempo com a família. Felizmente, algumas organizações têm vindo a aperceber-se deste facto e até valorizam a prática da modalidade no CV de um candidato a um emprego.

A Groundlink foi ainda mais longe: apostou no rugby e no profissionalismo dos nossos atletas amadores através de uma parceria com o Caldas Rugby Clube. Assim, a empresa do sector aeronáutico contrata jogadores para trabalharem nos seus escritórios mas também para alinharem no clube da região Oeste. Com esta iniciativa, o Caldas Rugby Clube conseguiu assegurar vários atletas de outros clubes da Divisão de Honra, que encontraram neste projecto a melhor solução para conseguirem conciliar os treinos e o seu trabalho.

Iniciativas como esta são fundamentais. É importante apoiar o crescimento desta modalidade. É importante mostrar que não somos apenas um país onde se pode jogar rugby nos tempos livres. É ainda mais importante mostrar que Portugal é um país onde o rugby praticado está a um nível de qualidade cada vez maior e apoiar o seu desenvolvimento, nomeadamente através da criação de novas infra-estruturas.

Não joga o Matic? Jogo eu…

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Terceiro Anel

Nemanja Matic, internacional sérvio, centro-campista de luxo, uma das grandes figuras do meu Benfica. Futebolista portador de um fantástico sentido posicional, com uma condição física invejável, com uma técnica de fazer inveja a muitos pseudo-craques espalhados por essa Europa fora. Tendo em conta que estamos em Portugal, um país com pouco dinheiro, um país que também se ressente disso no futebol, é natural que Matic tenha saído do maior de Portugal. Neste caso foi para o Chelsea de José Mourinho (que médio que tu passaste a ter, caro Zé), mas em contrapartida rendeu milhões e milhões ao Benfica, não rendeu? Pois, parece que afinal foi vendido pela módica quantia de 25 milhões de euros (eu sei que isto é muito dinheiro para 98% dos portugueses, mas neste caso é mesmo pouco). Caro Luís Filipe Vieira, porque é que vendeste esta pérola sérvia pelo valor que correspondia a metade da cláusula de rescisão? O Benfica está nas lonas? Existe o risco de salários em atraso? A “troika” tem de entrar no nosso clube? Eu por acaso nem sou sócio, mas acho que deves uma explicação, pelo menos, a todos aqueles que pagam quotas.

Eu não critico a venda em si, porque todos os clubes portugueses necessitam de vender. É a lei do mercado, é a lei dos mais fortes e dos mais fracos, é a lei da vida. Mas penso que esta vedeta de leste, que muitas alegrias me deu, valia bem mais. Mas pronto, o Benfica já vendeu muita gente e sempre continuou de pé, por isso há que acreditar e pensar que o Benfica continua a ser o principal favorito a conquistar o campeonato. Quanto a ti, Nemanja Matic, desejo-te toda a sorte do mundo, porque sempre deste tudo enquanto vestiste o manto sagrado, porque era uma delícia ver-te jogar, porque eras um jogador que arrastava todo um estádio contigo, porque marcaste um golo do outro mundo ao FC Porto (então portistas, gostaram do jogo de domingo passado?), porque desbloqueaste a partida frente ao Sporting de Braga, já na presente edição do campeonato; porque senti, principalmente durante o último ano e meio, que tinha um médio de topo a alinhar pelo meu clube.

E agora? Como será? Ainda não me refiz completamente desta perda, portanto não vou fazer aqui nenhuma análise táctica daquilo que será o Benfica, no que resta da temporada. Gostei da vitória de ontem frente ao Leixões, com Jorge Jesus a rodar praticamente toda a equipa, com o Benfica a praticar um futebol seguro, com Djuricic a marcar, com Ivan Cavaleiro a provar que está ali um grande potencial. Porém, e infelizmente, JJ tratou de voltar às declarações infelizes, fazendo chacota da formação do próprio clube onde trabalha, o que a meu ver é muito grave e desnecessário.

Matic
Ainda no dia 15 de Maio de 2013 defrontavas o Chelsea, caro Matic
Fonte: sportsmole.co.uk

Contudo, tenho de confessar que o meu sistema cardiovascular anda a sofrer, e de que maneira, com este mercado de Inverno 2014. Não há dia em que não veja notícias que confirmem as idas de Garay e Rodrigo para o Zenit, de Gaitán para o PSG, de André Gomes para algum clube, a troco de 12 milhões de euros, do roupeiro para o Bétis de Sevilha, da nutricionista para o Celtic de Glasgow, do tratador de relva para o Jardim Botânico de Lisboa. Sim, eu sei que em Janeiro há sempre, por parte da imprensa desportiva portuguesa, um grande alarido em redor do Benfica, mas leiam estas minhas palavras, de um pobre rapaz que não quer enervar-se mais.

Mas atenção: se não joga o Matic, posso jogar eu! Se vão sair mais cinco ou seis futebolistas, eu também posso tentar desenrascar. Senhor Presidente Luís Filipe Vieira, pelo Benfica eu faço tudo. E sendo assim, se se confirmar esta debandada geral, eu sacrifico-me em prol do grupo de trabalho e assumo aqui que estou na disposição de ingressar no plantel. Não tem de gastar dinheiro na minha compra, não tenho de receber salário, contra o Sporting e contra o Porto até me vê a comer relva. Portanto, lanço aqui o repto. Tem aqui um grande talento!

E agora, plantel do Sport Lisboa e Benfica, concentra-te! Ganhem ao Marítimo no próximo domingo, mantenham-se na primeira posição, e dêem umas alegrias aqui ao pessoal. Já eu, vou-me treinando até ao fim do mês, e no dia 1 de Fevereiro já conto estar a trabalhar convosco, caros futuros companheiros de equipa.