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Posto isto, devo dizer que Jorge Sousa fez uma arbitragem desastrosa na passada sexta-feira, ao ponto de achar que ambas as equipas têm razões para se sentir prejudicadas. O arbitro do clássico optou por uma estratégia errada para este jogo que foi a do critério alargado. Depois de optar por este critério, e de perceber que não conseguia ter “mão” sobre o jogo, decidiu começar por ser mais “apertado” na sua apreciação, e com isto veio, claro, um erro fatal para um arbitro: a dualidade de critérios. O Benfica tem claras razões de queixa nesse aspeto. Felipe acaba, incrivelmente, este jogo sem ver um cartão amarelo depois de ter protagonizado alguns lances merecedores de tal ação disciplinar, tendo, Jorge Sousa, optado por apenas advertir verbalmente o jogador depois de uma entrada negligente sobre Jonas. O tal critério alargado que eu falei. Mais tarde, em lances idênticos, o arbitro já optou pela ação disciplinar, provavelmente depois de perceber que não iria a lado nenhum com o seu critério alargado.
Havendo dualidade de critérios há sempre razão de quem se queixa, e não se percebe como um arbitro internacional habituado a este tipo de jogos, como é Jorge Sousa, caiu em tal erro. Depois, claro, o Porto também tem as suas claras razões de queixa, principalmente pelo fora de jogo mal tirado a Aboubakar, que não sendo um lance de responsabilidade direta de Jorge Sousa, mas sim do seu arbitro auxiliar, não deixa de ser um erro gravíssimo pelo enorme espaço em que o jogador do Porto se encontrava em jogo. Sou sempre defensor dos árbitros auxiliares no caso dos fora de jogo porque já lá andei e sei o quanto custa tirar foras de jogo milimétricos, mas não consigo desculpar um fora de jogo errado desta dimensão. Revelou uma falta de atenção, ou colocação, por parte do arbitro assistente. Houveram mais lances a prejudicar os dois lados que irão ser analisados mais detalhadamente no espaço destinado a isso mesmo neste artigo.
Finalizo este assunto apenas dizendo que Jorge Sousa está em clara queda na sua carreira. Depois de arbitrar, na minha opinião, muito bem alguns clássicos e derbies, o arbitro portuense tem vindo desde há duas épocas para cá, sensivelmente, a colecionar más arbitragens e arbitragens polémicas. Neste momento vejo Artur Soares Dias e Carlos Xistra como árbitros mais capazes para este tipo de jogos. Não podia também deixar passar esta oportunidade sem lamentar aquilo que se passou no fim de semana com as agressões entre adeptos e para com os árbitros. Esta escalada de violência no futebol português é o reflexo da comunicação que tem vindo a ser usada pelos três grandes e pela comunicação passada pelos principais meios de comunicação, televisões e jornais. Dá-se muito tempo de antena às mensagens de ódio, pelo que não é de admirar que estejamos a chegar a um ponto destes.
Sporting CP – CF “Os Belenenses”
Penalti sobre Podence, Sporting, aos 12 minutos:
Decisão correta: Florent afasta Podence empurrando o jogador do Sporting pelas costas. Lance claramente ilegal e bem assinalado.
Alegado penalti sobre Gelson, Sporting, aos 18 minutos:
Decisão correta: desta vez o jogador do Belenenses já fez um uso correto do seu corpo, tirando vantagem da sua posição para proteger a bola, sem cometer nenhuma infração. Gelson Martins procura claramente a falta e, na minha opinião, deveria ter sido sancionado pelo arbitro, pela simulação, mas muito bem o arbitro em não assinalar grande penalidade.
FC Porto – SL Benfica
Falta de Felipe, Porto, sobre Jonas, Benfica, sem amostragem de cartão, aos 12 minutos:
Decisão incorreta: que disparate de Jorge Sousa. As leis de jogo são claras ao avisar os árbitros para sancionar todo o tipo de faltas negligentes com o cartão amarelo, e esta entrada de Felipe sobre Jonas é uma falta claramente negligente que deveria ter sido sancionada com o cartão amarelo. Assim se começa a perder o controlo de um jogo.
Alegado penalti sobre Marega, Porto, aos 18 minutos:
Decisão correta: Jardel corta a bola legalmente. Eventualmente terá atingido Marega, sem intenção, na manobra do seu corte, daí as queixas do avançado do Porto, mas tudo legal.
Alegado penalti sobre Marega, Porto, aos 31 minutos:
Decisão correta: Lance muito complicado de analisar. O que fica claro é que, se houver infração é fora de área, pelo que não poderia existir penalti neste lance. As imagens não são totalmente esclarecedoras se Jardel chega a tocar na bola ou não, mas vê-se claramente que o defesa central do Benfica mete o pé para chegar à bola e não para derrubar o avançado portista. Se não tocou na bola há efetivamente falta, mas nas imagens não consigo esclarecer totalmente se toca ou não pelo que dou o beneficio da dúvida ao arbitro que deixou a jogada prosseguir.
Alegada falta sobre Danilo Pereira, Porto, aos 33 minutos:
Decisão correta: Não vislumbro, em qualquer das repetições facultadas pela televisão responsável, uma infração de Jonas que levasse Danilo Pereira a queixar-se e a levar o banco portista a exuberar-se tanto.
Alegado penalti por mão de Luisão, Benfica, aos 45 minutos:
Não consigo, em nenhuma das repetições, ter a certeza absoluta se a bola embate na coxa de Luisão ou no braço de Luisão. Talvez numa repetição em câmara lenta seja possível ver-se, mas em lance corrido não fica perceptível. Dizer, com base nestas repetições, que há, de certeza absoluta, um penalti por assinalar, é ter capacidades extra-humanas. A interpretação deste lance é simples, se Luisão tocou mesmo na bola com o braço deveria ter sido marcado grande penalidade, mas se a bola bateu na perna do jogador é uma decisão correta do arbitro. Não arrisco um veredicto porque não consigo ter a certeza de nenhuma das opções tendo por base as repetições do vídeo.
Fora de jogo de Aboubakar, Porto, aos 57 minutos:
Decisão incorreta: Não há muito para dizer sobre este lance. Claramente em jogo e muito mal o árbitro assistente. Apenas quero ressalvar que é incorreto falar-se em golo anulado neste lance porque o fora de jogo é tirado a Aboubakar e não a Herrera, que coloca a bola dentro da baliza. O golo não foi anulado porque legalmente já não existia lance depois de Aboubakar, no entanto, claramente que, se o fora de jogo inexistente marcado a Aboubakar não tivesse existido, seria um claro lance de golo pelo que é um erro gravíssimo do árbitro que poderia dar vantagem ao Porto.
Alegado penalti sobre Otávio, Porto, aos 61 minutos:
Decisão correta: O arbitro esteve bem neste lance. Não se deixou iludir pelo jogador do FC Porto e admoestou, muito bem, com cartão amarelo, Otávio pela simulação.
Expulsão de Zivkovic, Benfica, aos 82 minutos:
Decisão correta: Zivkovic revelou muita imaturidade ao cometer aquela falta já com o cartão amarelo. Não havia outro caminho senão o de expulsar o jogador do Benfica. Esteve bem o arbitro Jorge Sousa ao disciplinar as faltas negligentes como elas devem ser disciplinadas, ou seja, com o cartão de amarelo, mas deveria ter sido assim todo o jogo. Se tivesse mantido este critério o jogo todo, a grande maioria das polémicas, na partida, não tinham acontecido.
Caso entre Marega, Porto, e o banco do Benfica, aos 90 minutos:
Bem, desde lance há a lamentar o comportamento de Tiago Pinto, diretor do Benfica, que procura a confusão, e Marega, com o jogo já num estado de nervos, que empurra o diretor do Benfica, o que também poderia ser evitável. Por último, o comportamento dos adeptos, como já vem sendo hábito em clássicos e derbies, com o arremesso de objetos para o campo. O diretor do Benfica foi muito bem expulso.
Moreirense FC – CS Marítimo
Penalti sobre Peña, Moreirense, aos 25 minutos:
Decisão correta: A última repetição responde a qualquer dúvida que possa haver sobre este lance. Entrada fora de tempo de Bebeto que atinge o jogador do Moreirense sem tocar na bola. Penalti bem assinalado.
Alegada mão na bola de Belkeroui, Moreirense, aos 30 minutos:
Decisão correta: Em lance corrido parece que a bola toca efetivamente no braço de Belkeroui, mas na última repetição, em câmara lenta e frontal, já se percebe que a bola não chega a tocar no braço do central do Moreirense pelo que a decisão é correta.
Agressão de Alfa Semedo, Moreirense, aos 66 minutos:
Decisão incorreta: O jogador do Moreirense não deveria ter feito aquilo, claramente. O jogador do Marítimo, ainda que proteste, também não fez o “circo” do costume o que terá levado o arbitro a suavizar a questão e a deixar o lance prosseguir. De qualquer maneira o jogador deveria ter levado cartão amarelo, mesmo que o árbitro não interpretasse como agressão, mas mais como ação antidesportiva.
Expulsão de Belkaroui, Moreirense, aos 70 minutos:
Decisão correta: Duas entradas negligentes do central do Moreirense deram origem a dois cartões amarelos e respetiva ordem de expulsão. Muito bem o critério disciplinar.
CD Tondela – Rio Ave FC
Penalti sobre Francisco Geraldes, Rio Ave, aos 8 minutos:
Decisão correta: um lance similar ao do Sporting – Belenenses sobre Podence. O jogador do Tondela apoia os seus braços nas costas de Francisco Geraldes derrubando-o. Decisão correta.
Simulação de Tomané, Tondela, aos 45 minutos:
Decisão correta: Tomané forçou claramente o penalti. Não vi qualquer contacto de Cássio que levasse o jogador do Tondela a cair, ficando muito mal na fotografia. Amarelo por simulação bem mostrado.
GD Chaves – Boavista FC
Alegado penalti por assinalar sobre Vítor Bruno, aos 57 minutos:
Decisão incorreta: Depois de ver as repetições ficou claro que há um penalti por assinalar sobre Vítor Bruno. O defesa do Chaves atinge o pé do jogador do Boavista sem tocar na bola, pelo que haveria penalti que ficou por assinalar. Mal o VAR por não atuar numa das situações em que é chamado a atuar.
Alegado penalti por assinar por mão na bola de Rochinha, Boavista, aos 73 minutos:
Decisão correta: Bem, o arbitro está tão bem colocado para analisar o lance que até me custava dizer que a sua decisão tinha sido incorreta porque isso indicaria que o arbitro não marcou porque não quis, Rochinha faz um corte deficiente, e na sequência do mesmo, a bola acaba por ir para o seu braço. O arbitro provavelmente considerou que esta fez uma trajetória inesperada, pelo que não haveria marcação para grande penalidade.
CD Feirense – CD Aves
Alegada cuspidela de Amilton , Aves, aos 45+3 minutos:
Difícil julgar este lance. O arbitro foi consultar o lance por indicação do vídeo-arbitro e optou por não agir disciplinarmente. Dá para ver que Amilton, de facto, cuspiu na direção de Cris do Feirense, mas não é possível ver-se, em nenhuma das repetições, se terá atingido o jogador do Feirense ou não.
Alegada mão na bola de Ponck, Aves, aos 57 minutos:
Decisão correta: A bola embate no ombro do defesa do Aves. Decisão correta do árbitro ao nada assinalar.
Expulsão de Luís Machado, Feirense, aos 69 minutos:
Decisão correta: O que há a dizer depois de Luís Machado ter perdido completamente a cabeça e ter feito uma entrada de carrinho por trás? Nada. O livro das regras até é bem especifico nestes casos: “Um jogador, um suplente ou um jogador que tenha sido substituído deve ser expulso do terreno de jogo quando cometa uma das infrações seguintes: (…) • tornar-se culpado de uma falta grosseira .”
SC Braga – FC Paços de Ferreira
Fora de jogo de Xadas, Braga, aos 18 minutos:
Decisão correta: é sempre bom ver estes casos em que o VAR atua de maneira muito correta e exemplar, corrigindo-se um erro grosseiro que deu origem a um golo.
Expulsão de Mateus Silva, Paços, aos 65 minutos:
Decisão correta: Duas entradas negligentes de Mateus Silva dão origem a dois cartões amarelos, por isso boa decisão do árbitro.
Vitória FC – Vitória SC
Penalti por mão na bola de Semedo, Vitória Setúbal, aos 11 minutos:
Decisão incorreta: Bem, quantos lances é que nós já vimos assim e nunca foram marcados? Eu tenho logo uns poucos na cabeça. Segundo sei, foram dadas indicações aos árbitros para considerarem bola na mão quando a bola atinge o braço de um jogador na sequência de um carrinho para tentar cortar a mão. Este lance é um exemplo disso, e se nada foi alterado, não entendo a opção de Vasco Santos.
Alegado golo não assinalado a Gonçalo Paciência, Vitória Setúbal, aos 16 minutos:
Assim se percebe que aliado ao VAR, a Liga Portuguesa deveria também ter apostado na tecnologia da linha de golo. Em algumas situações como as bolas rasteiras é facilmente perceptível pelas imagens televisivas se a bola entrou ou não, mas em lances como este era necessário a tecnologia da linha de golo para ter 100% de certezas de que a bola passou completamente a linha de golo.
Penalty sobre Edinho, Vitória Setúbal, aos 87 minutos:
Decisão correta: Jubal puxa o braço de Edinho para impedir que o avançado sadino chegue à bola cruzada. Decisão correta do árbitro e grande penalidade bem assinalada.
GD Estoril-Praia – Portimonense SC
Golo anulado a Wellington, Portimonense, aos 55 minutos:
Decisão correta: Wellington não está fora de jogo quando faz o golo. O momento para se ver o fora de jogo é quando o remate, que embateu no poste, do jogador do Portimonense é feito e vê-se claramente que o Wellington está em jogo. Bruno Paixão e o seu assistente viram o lance e conferenciaram por isso a única razão que eu vejo para este golo ter sido anulado foi terem considerado que a ação de Rúben Fernandes teve alguma influencia do lance, pois esse jogador sim está em posição de fora de jogo.
Alegado penalti sobre Kléber, Estoril, aos 60 minutos:
Decisão correta: O guarda-redes do Portimonense tem o cuidado de apenas empurrar o defesa do Portimonense de modo a evitar o contacto com Kléber. O jogador do Estoril meteu-se no meio com o objetivo de tentar “sacar” uma falta, mas não foi bem-sucedido.
Sabias que…

O livro de regras do futebol, redigido e aprovado pela International Board, apenas tem 17 regras?
- O Terreno de Jogo
- A Bola
- Os Jogadores
- O Equipamento dos Jogadores
- O Árbitro
- Os outros Elementos da Equipa de Arbitragem
- A Duração do Jogo
- O Começo e recomeço do jogo
- A Bola em jogo e fora do jogo
- Determinação do resultado do jogo
- Fora de Jogo
- Faltas e Incorreções
- Pontapés Livres
- O Pontapé de Penálti
- O Lançamento Lateral
- O Pontapé de Baliza
- O Pontapé de Canto
Para a próxima jornada não iremos ter rubrica “Jogo Limpo”, voltaremos na 15.ª Jornada.
Foto de capa: UEFA












