«Hoje em dia prefere-se um jogador sem experiência de Primeira Liga a um experiente com provas dadas» – Entrevista BnR com Alex Soares

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A sabedoria popular aconselha a todos: “Não voltes a um lugar onde já foste feliz”. Por isso, no caso de Alex Soares, está a voltar a um país onde teve uma má experiência, que espera reverter. O novo jogador do Volos NFC, da primeira divisão grega, abordou todos os passos da carreira, mas, na hora de olhar para trás no tempo, confessa que, se voltasse a ter 20 anos, não mudava o caminho que percorreu. Nem sempre acreditou que podia ser profissional de futebol, mas a ilha da Madeira trocou-lhe os planos e, aos 30 anos, ainda espera aprender e melhorar como jogador.

«Quando fui para o Marítimo percebi que ia ser jogador de futebol».

Bola na Rede: Nasceste em Lisboa. Quais são as tuas primeiras memórias com a bola no pé? Muitos vasos partidos?

Alex Soares: (risos) Por acaso, não. Lembro-me de jogar futebol na escola e de gostar. Sempre que podíamos, no intervalo, estávamos a brincar com a bola. Era uma coisa que fazíamos desde pequeninos, é normal todos os miúdos gostarem de jogar à bola e nós não éramos exceção. Penso que foi aí que começou tudo.

Bola na Rede: Como e com que idade surge a oportunidade para jogares no Benfica?

Alex Soares: Os meus pais são benfiquistas. O meu pai era mestre de karaté e eu estava a aprender com ele, mas um dia, com 10, 11 anos, passámos os dois no Estádio Da Luz e vi uns miúdos a jogar futebol. Pedi logo ao meu pai para me inscrever nas escolinhas do SL Benfica. Assim, deixei o Karaté e comecei a jogar futebol. Começou depois de ver os outros a jogar, experimentei e correu bem comigo.

Bola na Rede: Sempre foste médio centro? Normalmente, no início, todos querem jogar na frente e ser avançados, aconteceu contigo, também?

Alex Soares: Eu era avançado no futebol de 7 e no primeiro ano de futebol de 11. Depois, passei para médio e fiquei sempre nessa posição, desde os iniciados e até agora.

Bola na Rede: Qual é a posição no terreno e que sistema tático acreditas que te assenta melhor?

Alex Soares: Gosto de jogar como um oito, numa ligação entre a defesa e o ataque. Não sou propriamente um 10 ou um seis, mas gosto de fazer essa ligação. Gosto de jogar no 4-3-3 normal, com um médio defensivo e dois interiores. No entanto, também gosto de jogar só com dois médios, num 4-4-2 clássico ou um 3-4-3, porque é nestes sistemas que tenho mais liberdade de andar pelo campo onde for preciso.

Bola na Rede: É quase um Box To Box…

Alex Soares: É isso mesmo.

Bola na Rede: Se tivesses de escolher as tuas melhores características como jogador, quais seriam e porquê?

Alex Soares: Acho que leio bem o jogo, sei o que o que está a pedir em cada momento. Além disso, acho que tenho boa qualidade de passe, vertical, principalmente. Não gosto de andar a passar a bola atrás no campo, porque gosto mais de colocar a bola na frente para os outros atacarem.

Bola na Rede: Percebeste desde cedo que podias ser jogador profissional?

Alex Soares: Ainda demorou algum tempo. Sempre gostei muito de jogar futebol, mas sempre soube que tinha miúdos melhores que eu. Até as coisas realmente acontecerem, sempre achei que não ia dar certo, por vários motivos. Não é que não fizesse por isso, mas tinha colegas que já eram internacionais e com outras qualidades que fazem mais a diferença no jogo. Era mais legítimo para eles serem jogadores, que eu, que me limitava a fazer a minha parte e sempre fiz tudo para chegar lá, felizmente correu bem.

Bola na Rede: Foram sempre expectativas um pouco mais baixas.

Alex Soares: Foram. Sempre quis ser jogador de futebol, mas sei que fazer golos e assistências faz muito a diferença. Sempre tive a noção de que eram esses que davam o salto mais rápido, mas o segredo foi sempre acreditar que eu também ia lá chegar e aconteceu.

Bola na Rede: Fizeste muitos sacrifícios para conciliares os estudos com o futebol?

Alex Soares: Fiz até ao 12.º ano. A partir daí, o futebol começou a ficar mais sério e acabei por não fazer mais nada. Até lá, nunca tive conflitos entre a escola e o futebol. Eu estudava durante o dia e treinava durante a tarde, então não havia conflito. Quando cheguei ao Oeiras, por exemplo, já era mais difícil porque voltava mais tarde a casa e jantava muito tarde, mas havia tempo para tudo e nunca houve problemas.

Bola na Rede: Qual foi o momento em que pensaste “Eu vou ser mesmo jogador profissional de futebol”?

Alex Soares: Quando fui para o Marítimo. Fiz o meu primeiro ano de sénior no Esperança de Lagos, mas não éramos profissionais e depois fui para a Grécia e as coisas não correram bem e, claro, fiquei preocupado com o futuro. Entretanto, surgiu o convite do CS Marítimo, as coisas começaram a correr de maneira diferente e comecei a assumir-me jogador de futebol.

 

Clara Maria Oliveira
Clara Maria Oliveirahttp://www.bolanarede.pt
A Clara percebeu que gostava muito de Desporto quando a família lhe dizia que estava há muito tempo no sofá a ver Curling. Para isso não se tornar uma prática sedentária, pegava na caneta e escrevia sobre o que via e agora continua a fazê-lo.                              A Clara escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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