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Benfica 0-0 Bayer Leverkusen: Auf Wiedersehen, Champions

Tiago Martins · 3 min

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A expressão é alemã – em honra ao fraco adversário de hoje, mas justo segundo lugar – e, para além de se traduzir num simples “adeus”, significa literalmente “até uma próxima”. Ironicamente, é só e só isso que resta ao Benfica nesta precoce despedida da Europa: sonhar, mais uma vez, com o que próximo ano poderá trazer.

Nas últimas seis épocas, sob a batuta do maestro Jesus, foi assim sempre…excepto em 2011/2012, quando, a par com um Basileia levado às costas por Shaqiri, fizemos figura e impressionámos tudo e todos deixando para trás um batalhador mas justamente vencido Manchester United. Isto no ano após a vergonha em Braga para as meias da primeira-quase-bem-sucedida Liga Europa.

Desde então que tem sido sempre a descer. Grupos relativamente acessíveis, sorteios com presença no Pote 1, mas sempre as exibições desastrosas ou mitologicamente adulteradas: desde dilúvios em Lisboa, ao Deus Roberto na Grécia ou mesmo um estupidamente sortudo (mas sempre incompetente) Spartak de Moscovo que, em seis jornadas europeias, só conseguiu pontuar contra o Benfica…depois de um auto-golo de Jardel. Esse jogo decisivo havia de roubar, lá está, três pontos ao Benfica, quando bastavam somente dois para ultrapassar o segundo “sim, é verdade” lugar, Celtic.

Hoje, bem ao contrário dessa partida, disputou-se no Estádio da Luz um frio, cinzento, triste e pesaroso jogo de bola. Porque de futebol teve pouco. À excepção dos bons apontamentos de Lisandro, André Almeida (com direito a braçadeira de capitão), Cristante e – a espaços – Tiago “Bebé”, o Benfica mostrou que não queria mostrar nada. À semelhança dos alemães que, sempre focados, vieram a Lisboa sem Wendell, Reinartz, Son Heung-Min ou o lendário Kiessling. Traduzindo: meteram-se no avião para fazer turismo e cumprir calendário. Talvez por preverem que a equipa da casa faria o mesmo, ainda para mais com jogo no Dragão menos de cinco dias depois. E é aqui que me caio incrédulo. Mesmo a jogar com as suas segundas linhas, o Benfica conseguiu uma quase-vitória frente à equipa que merecia a cabeça deste Grupo C! Ficámo-nos, ainda assim, pelo dito “quase”.

Aos 11’ Lima quase marcou, mas preferiu acertar na barra. Aos 42’ Lima repete a graça e atira ao lado depois de desprezar um Derley sozinho ao centro e em frente à baliza. Aos 84’ o recém-entrado Talisca não teve força nas canetas e atirou fraquinho (e de pé direito) depois de boa combinação com Nélson Oliveira. Pouco depois, aos 87’, são os dois fresquinhos centrais encarnados que não se conseguem entender com a baliza e César atira por cima, junto à barra de Leno. Ao cair do pano, Nélson Oliveira ainda galga todo o campo depois de quase ser agredido por meia equipa alemã, mas não consegue concluir a jogada da melhor forma.

Pizzi foi um dos destaques da partida Fonte: Facebook SL Benfica
Pizzi foi um dos destaques da partida
Fonte: Facebook SL Benfica

O Benfica, na Europa, foi e é isto: uma amálgama de desilusões a roçar a tragicomédia. Até o treinador, na véspera, se engana nas contas e diz que ainda não sabe quem vai acabar em último. Meu caro, ainda isto não tinha começado e já eu, que percebo mais de crochet venezuelano, sabia que uma equipa que só tem onze inicial e mais duas ou três opções viáveis no banco só podia acabar numa Liga de não-Campeões. E é exactamente isso que o Benfica é depois de tão desastrosa gestão de pré-época. Resta agora saber se ao Campeonato Português bastam estas simplórias soluções…e se Enzo não fará falta.

Que rico Natal se avizinha.

A Figura:

Cristante – A jovem promessa “roubada” ao Milan mostrou que já pode ficar em casa sozinho que nem pensa em ligar ao pai Enzo para vir apagar o incêndio que o irmão mais novo – o malandro do Pizzi – despoletou na cozinha. Ainda falta papar muita sopinha, mas o talento está lá. E, ao contrário de Samaris, a ideia de jogo já parece ter entrado

O Fora-de-Jogo:

Lima – Como acérrimo apoiante que sou da bazuca brasileira, nem tenho palavras. Hoje quase que me vieram as lágrimas aos olhos de tanta raiva depois de ver aquela bola na barra. Não se compreende. Assim dá vontade de pegar na trouxa e sair mais cedo.

Foto de capa: Facebook SL Benfica

Tiago Martins

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