Como se sabe, não é apenas nos grandes palcos que se encontram os grandes artistas, apesar de ser sempre mais fácil destacarmos o potencial de um jogador de “equipa grande” do que propriamente jogadores de divisões secundárias. No entanto, houve um que me chamou particularmente à atenção durante a presente época, de seu nome: Gonçalo Franco.
O apelido é-nos familiar e não é por acaso. Gonçalo é filho de Franco – antigo defesa formado no Sporting CP, que representou clubes como o CD Nacional, Leça FC, Rio Ave FC, Vitória SC, entre outros. A veia futebolística já a trouxe de nascença, mas é dentro das quatro linhas que vai confirmando as credenciais para poder atingir outros palcos.
Atualmente no Leixões SC – Futebol SAD, o médio ofensivo passou pelos escalões de formação do Boavista FC, FC Porto e Rio Ave FC, antes de chegar ao clube de Matosinhos. Começou a temporada na equipa de sub-23, mas no decorrer dos campeonatos, e fruto das necessidades técnicas, foi promovido à equipa “A”.
Diga-se que não foram precisos muitos jogos para captar o olhar dos espectadores mais atentos à Segunda Liga. Faz parte daquele lote restrito de jovens que basta tocarem três ou quatro vezes na bola, ou vermos 20 minutos de um jogo em que participe, para percebermos que “vai dar jogador”. Isto porque apenas jogou em seis jogos pela equipa principal, enquanto que na Liga Revelação fez 17 jogos e marcou três golos.
O internacional pelos sub-20 de Portugal, carateriza-se sobretudo pela simplicidade de processos. Não querendo levar o leitor ao engano com esta expressão, significa que é o tipo de jogador que faz com que o difícil pareça fácil – é um facilitador de jogo. O seu 1,76m não o tornam “franzino”. Muito pelo contrário, nunca vira a cara à luta. Encaixa perfeitamente em qualquer 4-3-3, ou até mesmo num 4-2-3-1 (aqui, mais como “oito” do que como “dez”).
Não sou apologista de fazer comparações entre jogadores de gerações e realidades futebolísticas diferentes, mas neste caso, é inevitável. Para dar a entender, Gonçalo Franco tem muitas semelhanças em relação ao estilo de jogo de André Horta (SC Braga), apesar de fisicamente, este ser mais baixo. Visão de jogo, técnica e inteligência tática. Velocidade quanto baste, “algum poder de choque” e capacidade de transportar a equipa para a frente, qual box-to-box.
O futebol é, em grande parte, feito de sorte. Mas não esqueçamos que a sorte sorri mais facilmente a quem trabalha para a ter. Franco tem tudo para subir patamares e conquistar outros objetivos (com todo o respeito pelo Leixões). Se esta época foi a da estreia, a próxima será certamente a da afirmação, ao lado dos “crescidos” nos bebés do mar.
Faltam cinco jogos para o campeonato terminar e o FC Porto só precisa de três vitórias para voltar a ser campeão nacional, numa temporada atípica. Após o regresso do campeonato, a equipa de Sérgio Conceição soma três vitórias, uma derrota e um empate. No entanto, para além destes números, há uma estatística que deve ser evidenciada: os quatros jogos consecutivos sem sofrer golos. Um registo inédito esta temporada que mostra um FC Porto mais consistente no setor defensivo.
Esta época, a equipa do FC Porto ainda não tinha conseguido estar quatro jogos consecutivos sem sofrer golos, um marco que atingiu na Mata Real depois de ter vencido o FC Paços de Ferreira por 1-0, na última jornada. O melhor que a equipa de Sérgio Conceição tinha conseguido até então tinham sido três jogos consecutivos sem sofrer golos a contar para todas as competições. Conseguiu esse feito três vezes, mas só agora conseguiu os quatros jogos de baliza inviolável.
Na Mata Real, diante do FC Paços de Ferreira, o central marcou o golo decisivo e ajudou a equipa a prolongar o registo de quatro jogos consecutivos sem sofrer golos Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Depois da derrota em FC Famalicão (2-1), Marchesín não consentiu mais golos na baliza portista. Muito mérito para o guarda-redes, mas também para a linha defensiva, que aliás sofreu várias alterações no decorrer das jornadas. No regresso do campeonato, o treinador já não pôde contar com Marcano, que sofreu uma rotura de ligamentos e é baixa para muitos meses. Só aí já trouxe mudanças, com a inclusão de Mbemba ao lado de Pepe. A dupla de centrais foi aliás a única que se manteve intacta na defesa, isto porque o lado esquerdo já contou com Alex Telles, Manafá e Diogo Leite. Assim como o lado direito que já teve Corona, Manafá e a estreia de Tomás Esteves. Apesar deste registo de muita instabilidade – devido a lesões e castigos -, que obrigou a várias trocas constantes, a equipa portista revelou maturidade e capacidade de superação que a tornou a equipa menos batida do campeonato, com apenas 18 golos sofridos.
Em dois jogos – contra o CS Marítimo e FC Paços de Ferreira – a equipa apenas venceu pela margem mínima (1-0), o que significa que o setor defensivo tem cada vez mais impacto, especialmente se analisarmos que no último jogo, na Mata Real, foi o central Mbemba o autor do golo decisivo. Na equipa de Sérgio Conceição, quem marca mais são os defesas e são também eles os responsáveis por haver tão poucos golos sofridos. É caso para dizer que quem tem a defesa portista tem (quase) tudo.
O Atletismo é um dos desportos mais igualitários a nível global, no que diz respeito a géneros. Homens e mulheres têm, normalmente, o mesmo tempo de antena (algumas transmissões televisivas das provas de estrada ainda falham neste campo), alcançam os mesmos prémios quando vencem e é dos poucos desportos que falamos na generalidade, sem encaixar a que género nos referimos (ao contrário do Futebol, no qual, por exemplo, se faz questão de falar em “Futebol Feminino” e não apenas “Futebol”). Ainda assim, existe sempre espaço para melhorar e há uma disciplina do Atletismo que, ainda hoje, é das mais desiguais. Falo da Marcha.
Desde 1932 que os homens percorrem a distância de 50 km em Jogos Olímpicos. Já no que diz respeito a Mundiais, os 50 km fazem parte, do programa masculino, desde a primeira edição, em 1983. Na verdade, a primeira experiência de campeonatos globais organizados pela IAAF foi em 1976, na Suécia, com apenas um evento: os 50 km Marcha masculinos!
No entanto, para se perceber a desigualdade histórica na Marcha, devemos olhar mais a fundo para a disciplina e não apenas para os 50 km. Os primeiros eventos de Marcha em Jogos Olímpicos foram os 3.500 metros e as dez milhas nos Jogos de Londres, em 1908, no entanto, a primeira vez que a Marcha foi praticada por mulheres, em Jogos Olímpicos, foi com a inclusão dos dez km, em Barcelona, em 1992! Foram, portanto, necessários 84 anos para o COI reconhecer que não são apenas os homens que têm direito a marchar. Já nos Mundiais, os 10 km femininos apareceram cinco anos antes (1987, em Roma), sendo substituídos pelos 20 km apenas em 1999, em Sevilha, um ano antes da distância feminina se estrear em Jogos Olímpicos.
Esta é, portanto, uma “guerra antiga”. Apesar de várias disciplinas se terem aberto demasiado tarde às mulheres (as décadas de 80 e 90 foram bastante importantes para haver maior igualdade de género, desde as provas de distância aos saltos), a verdade é que a Marcha manteve-se “orgulhosamente só”, discriminando o feminino (bem, não incluamos, para já, o caso do Decatlo/Heptatlo, que chegará um dia).
2016 foi um ano crucial para a igualdade nos 50 km. Nesse ano, em Roma, decorreu a World Race Walking Team Championships. O evento, por equipas, correu bastante bem a Portugal, alcançando nos 20 km femininos a quarta posição (Ana Cabecinha foi sexta e Inês Henriques oitava, depois de uma desqualificação). No entanto, a grande notícia nas distâncias maiores é que, pela primeira vez, as mulheres puderam competir numa prova de 50 km, não tendo uma prova própria, mas podendo competir com os homens, contando também para a classificação final por equipas. Claro que não era o cenário ideal e claro que não era, ainda, uma prova feminina, mas foi um passo que muitos consideraram necessário para o que viria a acontecer no ano seguinte.
Veríssimo (vero+íssimo), adjetivo: muito verdadeiro; exatíssimo. É este o significado do apelido do homem que vai, por ora, suceder a Bruno Lage. Mas não pode ser, não pode ser “verdadeiro” nem “exatíssimo” este enunciado! Sem desprimor nem desrespeito para Nélson Veríssimo, apostar no técnico que adjuvou Lage nesta época e meia (ou meia e época) ao leme da principal equipa do SL Benfica é (mais) um enorme tiro nos pés da direção sem direção encarnada.
Era (é!) o momento de apostar em algo que comporte novidade, algo fora da caixa na qual os jogadores têm estado confinados nos últimos tempos. E, num momento como este, o que faz a estrutura destruturada das águias? Não vai buscar alguém fora da caixa, nem sequer alguém adjacente ao exterior da mesma; vai, sim, apostar em alguém que todo este tempo esteve dentro da dita caixa!
Podia escrever que este é um ato de má gestão. No entanto, estaria a assumir que há de momento no seio dos encarnados gestão, algo que não me parece crível. A escolha de Veríssimo para assumir o comando técnico da equipa não o é, não é uma escolha. No “Preço Certo”, há um jogo no qual o concorrente tem que empurrar uns cubos com números até ficar com (aquele que acha ser) o valor do prémio em jogo. É isto que me parece acontecer de momento no SL Benfica.
Luís Filipe Vieira não escolheu Veríssimo, simplesmente ficou com o segundo cubo da sequência, após a queda do primeiro. Muito provavelmente, se Veríssimo se demitir, o próximo homem do leme será o treinador de guarda-redes, depois o fisioterapeuta, depois o tipo que trata das águias, depois o tratador da relva, por aí adiante até acabar a linha de sucessão ou a época 19/20, o que chegar ao seu fim primeiro.
Nélson Veríssimo é um dos treinadores da “estrutura”, tendo trabalhado sobretudo nos escalões de formação Fonte: SL Benfica
Dois parâmetros estavam, estão e estarão em causa na escolha de um novo treinador nesta fase conturbada: capacidade para “meter os gajos a jogar à bola, pá!” e/ou capacidade para abanar psicologicamente o grupo de trabalho. Nélson Veríssimo, creio, não terá nem uma nem outra.
O simples (mas tão estapafúrdio) facto de Veríssimo assumir a equipa depois de um ano e meio no posto de treinador-adjunto torna irrealista a assunção de que o vila-franquense de 43 anos vai conseguir mudar o deprimente estado psicológico dos jogadores e do coletivo.
A sua capacidade para imprimir qualidade ao jogo dos encarnados é mais difícil de avaliar, uma vez que Veríssimo ainda só por uma partida foi treinador principal (contra o RB Leipzig, na primeira jornada da fase de grupos desta edição da Liga dos Campeões, por castigo de Bruno Lage). Pouco sabemos sobre os inputs dados por Veríssimo ao trabalho de Lage. Todavia, há uma coisa que sabemos.
As bolas paradas da equipa da Luz têm sido da sua exclusiva responsabilidade. Podemos, então, avaliar o trabalho do ex-defesa central por este prisma. E a verdade é que o SL Benfica nas bolas paradas não tem sido mau. Tem sido péssimo. Nesta vertente do jogo, os encarnados têm sido ofensivamente inócuos e defensivamente passivos, ingénuos e infantis e têm revelado imensas lacunas táticas e estratégicas na abordagem defensiva a este tipo de lances.
Conseguirá Veríssimo mostrar na equipa principal o que demonstrou nos escalões de formação do SL Benfica? Fonte: SL Benfica
Como tal, é irrisório acreditar que Veríssimo será capaz de colocar a equipa a praticar bom futebol. Assim sendo, o assumir de novas funções do técnico que está no clube desde 2012 surge, penso, num de dois cenários cujos contornos são ainda pouco claros.
Primeirocenário
Nélson Veríssimo assume a equipa até final da temporada, dando então lugar a um novo técnico. Um cenário possível e até provável, mas que não me agrada. Faz sentido trazer um novo timoneiro apenas na próxima temporada e ter um interino a comandar a embarcação até lá. No entanto, não faz sentido absolutamente algum que esse interino seja Veríssimo e não Renato Paiva.
Num cenário em que os dirigentes encarnados sabem (sabem alguma coisa?) que o interino vai assumir a equipa até ao final, esse interino tem que ser Renato Paiva. Não pode, nem deve, tem de ser, pela qualidade já demonstrada, por ser um treinador principal e não adjunto e por ser uma cara “nova” e estranha ao grupo de trabalho.
No entanto, devo deixar a ressalva de que Renato Paiva pode ter sido o escolhido e ter rejeitado assumir as rédeas da equipa nesta fase. Duvido bastante que tal tenha sucedido, mas se foi esse o caso parabenteio Paiva pela coragem para dizer “Não!” a uma chefia cada vez mais à deriva e cada vez mais autoritária.
Renato Paiva era a escolha mais expectável para assumir interinamente a equipa, mas foi preterido por Veríssimo Fonte: SL Benfica
Segundo cenário
Veríssimo assume a equipa apenas nos próximos dias (talvez defronte o Boavista FC) e o próximo treinador entra em funções ainda esta temporada. Este cenário, longe de ser o ideal, é mais aceitável do que o primeiro. Uma das razões que facilitam essa minha aceitação é o facto de, neste cenário, fazer sentido que não se chame Renato Paiva para liderar o grupo por uns meros dias, o que não seria respeitoso para com o técnico da equipa B.
Além disso, a chegada precoce de um novo técnico – que não faz sentido algum – será sempre mais aceitável do que enfrentar os cruciais seis jogos finais da época com uma incógnita que tem maiores probabilidades de fracassar do que de ter sucesso.
Neste cenário, há algo que sobeja e solenemente me irrita e desconcerta. Por que ridícula razão é que Vieira acreditava que Lage podia e devia completar a época (não chegando a despedi-lo) e agora sente uma súbita e premente necessidade de encontrar um técnico consagrado que assuma já os comandos da equipa?
O (ainda) presidente do SL Benfica teve a oportunidade (que deveria ter capitalizado) para despedir Bruno Lage com antecedência e contratar um treinador que assumisse no imediato os destinos da equipa, fazendo ainda mais de uma dezena de jogos pelo clube da Luz esta temporada (antes da retoma, por exemplo). Não o fez e deixou cair Lage até patamares antes inimagináveis. Agora, vai a correr atrás do tempo e do prejuízo.
E, no meio da correria, o tempo para pensar é curto. Como resultado disso, Vieira tomou a decisão, tudo indica, ridícula, de nomear Nélson Veríssimo como treinador interino da principal equipa do Sport Lisboa e Benfica. Podem chamar o Tiririca; de facto, pior do que está, não fica…
Depois do famoso brain freeze num dos jogos mais célebres da sua carreira (que lhe custou imensas críticas) e de uma época encardida à posteriori, JR Smith está prestes a retornar ao alto nível do basquetebol.
Resultado da Covid-19, neste retorno atípico da NBA, os jogadores não estão obrigados a deslocarem-se a Orlando para concluir a temporada 2019/2020. Avery Bradley foi um dos que renunciou finalizar a temporada com os LA Lakers, resultado de preocupações familiares. Um golpe duro para as aspirações da equipa comandada por Frank Vogel, que perde um atleta que oferece muito nas duas vertentes do campo. Bradley apresenta-se como um defensor acérrimo, de alta intensidade e de grande capacidade atlética, ao passo que no lado ofensivo é um jogador muito perigoso da linha dos três pontos, que poderá castigar as defesas que saiam na ajuda a LeBron ou Anthony Davis.
Ora, apesar disso, segundo Adrian Wojnarowski (um dos jornalistas desportivos mais credíveis em solo americano), Frank Vogel e o “falso general manager”, LeBron James, estão muito perto de fechar a contratação de JR Smith, naquele que será um regresso muito aclamado pelos fãs da liga norte americana. Para muitos, contudo, parece à vista desarmada uma transferência inútil, na medida em que Smith não joga há cerca de dois anos e não parece estar preparado para o nível que os Lakers necessitam de momento.
Apesar disso, quem afirma que JR não poderá trazer nada à equipa de Los Angeles, não reconhece as suas qualidades físicas e técnicas, ao passo que o norte americano é notável exatamente onde Bradley também o é. No lado ofensivo, tem um lançamento de três pontos extremamente polido, sendo uma autêntica ameaça no «recebe e lança». Aqui, aliás, Smith é superior e reconhecido como um autêntico «sharpshooter». Defensivamente, o norte americano não é tão bom como Bradley, não obstante já demonstrou ser bastante competente em manter o adversário na sua frente, sendo que quando eleva os seus níveis de concentração e intensidade torna-se muito complicado de ultrapassar.
Relativamente ao seu tempo de paragem, é de facto evidente que dois anos é muito tempo sem atuar ao mais alto nível, contudo, já tivemos vários exemplos em que jogadores conseguiram responder no imediato. Recentemente, tivemos Carmelo Anthony, que renasceu enquanto jogador e encontrou em Portland um cenário quase perfeito para novamente demonstrar as suas habilidades. Nos Lakers, Dwight Howard, também muito criticado pelo seu desempenho (dentro e fora de campo) nos últimos anos, conseguiu calar a boca a muitos críticos, executando esta temporada médias de 7.5 pontos, 7.4 ressaltos com percentagens fantásticas de 73% em lançamentos de campo, demonstrando-se preponderante numa equipa que almeja o título.
Em suma, JR Smith não deve ser associado perpetuamente pelo caso caricato que ocorreu nas finais de 2018 diante os Warriors, visto que o seu talento e competência ainda podem servir de feição às aspirações de qualquer equipa na NBA, sendo que nos Lakers podia atuar como suplente para saltar do banco e catalisar a ofensiva liderada pelo «king James».
CRÓNICA: PLATA NÃO PERDOA E SPORTING CP DISTANCIA-SE DO SC BRAGA
O Sporting CP defrontou esta noite o Gil Vicente FC, num dia muito especial, pelo que o planeta leonino festeja o 114.º aniversário do clube. Em jeito de homenagem, os jogadores atuaram com jogadores lendários nas costas. Depois de uma semana adversa para os adeptos gilistas (Vítor Oliveira confirmou ab-rogar a sua continuidade enquanto técnico do Gil Vicente), o técnico português voltaria a estar presente no banco gilista, após castigo de oito dias.
O Gil Vicente vinha de uma vitória confortável diante o condenado Desportivo das Aves (3-0), enquanto o Sporting, por outro lado, vinha de uma vitória custosa diante do Belenenses SAD (1-3).
Jovane Cabral- Um dos jogadores mais valorizados por Rúben Amorim desde que assumiu o comando técnico do Sporting CP, não atuou na partida desta noite pelo que a sua velocidade, explosão, capacidade de vertigem no adversário, foram compensados por Gonzalo Plata, que demonstrou ser um “quebra-cabeças” para a defesa do Gil Vicente.
Todavia, a entrada energética por parte da equipa forasteira, que inclusive culminou num golo de Rúben Ribeiro que viria a ser anulado, a turma de Rúben Amorim viria a responder com assertividade, controlando a partida a seu bel-prazer com a bola nos pés (60% posse de bola). Este domínio, teve contudo um pendor significativo para a exploração do flanco direito, ao passo que foi a partir daí que surgiu o primeiro golo – numa jogada individual de Gonzalo Plata-, Wendel aproveitou a bola solta para rematar e conferir o seu segundo golo no campeonato. O remanescente da primeira parte foi mais competitiva, ao passo que os gilistas subiram linhas e colocaram maior agressividade nas suas ações com/sem bola. Em adição, com um cruzamento, o Gil Vicente iria voltar a marcar, no entanto, Vítor Oliveira iria ver o golo da sua equipa anulado (novamente), desta feita foi Sandro Lima na execução.
No início da segunda parte, a equipa liderada por Rúben Amorim descurou da posse de bola que ia tendo na primeira parte, tornando-se mais pragmático e menos paciente em organização ofensiva, à espreita dos erros do adversário. Após desperdício incrível de Wendel no primeiro minuto, Gonzalo Plata viria a desbloquear novamente o ataque leonino, com um golo consequente de um erro clamoroso de Claude.
Com o maior controlo do jogo e da posse de bola, o Gil Vicente iria reduzir já muito perto do fim, após falta cometida por Doumbia, que chegaria atrasado ao cruzamento de laboratório que Rúben Ribeiro proporcionou a Hugo Vieira. Apesar do esforço final, a equipa orientada por Vitor Oliveira não conseguiria chegar ao empate.
Nota ainda para a estreia de dois «meninos» da formação do Sporting CP, lançados por Rúben Amorim: Tiago Tomás e Joelson Fernandes.
Para concluir, o Sporting CP afasta-se ainda mais do SC Braga e vê-se isolado no terceiro posto do campeonato com 55 pontos. Do outro lado, o Gil Vicente vê a consolidação da permanência rejeitada, tendo Marítimo, Paços de Ferreira e Belenenses SAD a cheirar o 11.º lugar.
Gonzalo Plata – Estonteante, elétrico, prepotente, muito perigoso nas ações de 1×1 e um autêntico «abre latas» para a ofensiva leonina. Marcou, fez quatro dribles eficazes em oito tentativas e criou para os colegas. Em suma, o equatoriano foi uma autêntica dor de cabeça para a defesa gilista e o desbloqueador do Sporting CP.
Claude Gonçalves – Viu-se várias vezes desequilibrado na defensiva gilista, não demonstrou criatividade e colecionou vários erros, entre os quais três passes falhados em zonas de risco, que por conseguinte, num desses erros flagrantes, executou uma autêntica assistência para Plata, naquele que se traduziria o segundo golo leonino na partida.
ANÁLISE TÁTICA SPORTING CP
Rúben Amorim apresentou a mesma organização tática que nas partidas anteriores, num 3x4x3 com Borja a assumir (novamente) o lugar de Mathieu e Camacho a substituir Jovane, no lado esquerdo do terreno. Tentativa esta falhada, pelo que nem em busca da profundidade nem na procura da linha média adversária, Camacho conseguiu desequilibrar. Apesar disso, a ideia e o modelo manteve-se, indepentemente dos “protagonistas”, sendo que Plata do lado direito e Camacho do lado esquerdo procuravam terrenos interiores, de modo a descongestionar o flanco a Ristosvki e Nuno Mendes, respetivamente.
A equipa leonina, por fim, demonstra estar bem alicerçada no sistema de Amorim. Não obstante, demonstrou dificuldades em criação ofensiva, aquando o Gil Vicente «oferecia» a bola ao Sporting CP, sendo que os médios baixavam e a bola persistia nos flancos (especialmente o direito). Na segunda parte, o Sporting CP, quebrou muito os níveis de concentração e ofereceu por completo a iniciativa à equipa gilista.
Ainda assim, o Sporting CP demonstra percorrer um caminho positivo, sendo a equipa com mais pontos do campeonato, no pós-pandemia.
11 INICIAL E SUBS
Maximiano-7
Quaresma-5
Coates-6
Borja-5
Ristovski-6
Matheus-5
Wendel -7
Nuno Mendes-6
Camacho-3
Sporar-5
Plata-8
Suplentes:
Battaglia-5
Doumbia-4
Joelson-5
Tiago Tomás-5
ANÁLISE TÁTICA GIL VICENTE FC
A equipa orientada por Vitor Oliveira delineou-se num 4x3x3, procurando pressionar a segunda fase de construção do Sporting CP, que contudo foi encontrando espaço nos flancos (a criatividade e os recursos técnicos dos jogadores leoninos ajudaram). Pragmáticos em procura do erro leonino acabaram traídos, ao passo que numa arrancada viram a estratégia do avesso. Após o intervalo, o Gil Vicente tomou a iniciativa, ao passo que Rúben Ribeiro assumiu as rédeas do jogo, indo buscar jogo e quase sempre decidindo no último terço da ofensiva gilista. A solidez defensiva proporcionada por Rúben Amorim num sistema de três centrais, que se traduzia em organização defensiva numa linha de cinco, não permitiu à equipa forasteira criar muitas ocasiões, pelo que a posse de bola tornava-se muito pouco consequente.
Para concluir, o Gil Vicente vê-se mais perto dos rivais na luta pela manutenção, mantendo os mesmos 33 pontos que levava antes do início do encontro.
A Primeira Liga Inglesa de futebol regressou há poucas semanas, mas foi já possível apurar o campeão da presente temporada que, ainda assim, estava já praticamente anunciado antes da paragem devido à pandemia. O Liverpool FC, equipa treinada por Jurgen Klopp, foi superior ao Manchester City FC e acabou assim com uma seca de campeonatos que durava há mais de 29 anos.
Na memória vai ficar, certamente, o bom futebol praticado pelas equipas, os grandes golos, as grandes defesas, os grandes momentos. Tal como ficam os grandes guarda-redes e os melhores marcadores de cada temporada.
Fizemos, anteriormente, uma lista dos dez melhores marcadores de sempre da competição, mas desta vez damos nota àqueles que muitas vezes são esquecidos ou subvalorizados no mundo do futebol. Afinal de contas, grande parte dos golos surgem através de passes, muitos deles dignos de registo.
Tal como existem jogadores que parecem ter faro de golo, o mesmo se aplica para as assistências, e por isso fazemos um top 5 dos jogadores com mais assistências para golo de sempre da Liga Inglesa.
Citizens e Reds partilham em comum várias características, e uma delas é o cofre. Os dois colossos europeus têm aberto os cordões à bolsa nos últimos mercados de transferência na procura de voltar à ribalta do futebol mundial. O Liverpool FC parece um pouco mais adiantado nessa luta, mas, curiosamente, neste XI onde estão as contratações mais caras por posições dos atuais planteis, é o Manchester City FC que lidera com sete jogadores.
No total esta formação custou 713,15 milhões de euros, e tem, aquilo que podemos considerar, algumas peripécias. Ao longo do artigo podemos encontrar algumas conclusões e comparações, a começar pelo facto de o atleta mais caro deste 11 ser um jogador mais defensivo, e o mais barato um avançado que está em Inglaterra há cinco anos e contabiliza 237 jogos oficiais.
Com a vitória desta segunda-feira no terreno do Paços de Ferreira, o FC Porto está com uma mão na taça da Primeira Liga . Os dragões entraram em campo já com o conhecimento do desaire do Benfica, com três pontos de desvantagem sob a equipa orientada por Sérgio Conceição, que entrou com a motivação toda para se distanciar das águias.
O técnico portista alinhou com o habitual 4-4-2, colocando desta vez Manafá de início na lateral direita, alterou a dupla de médios (Danilo-Uribe), Corona atuou na esquerda e Otávio desempenhou a tal função de ‘vagabundo’, fechando mais à direita. A meio da segunda parte alterou o esquema para um 4-3-3, com a retirada de um apagado Soares e lançando o colombiano Luís Diaz, que tinha ficado de fora do onze. O único golo da partida surgiu cedo, com Mbemba a aproveitar um mau alívio de Ricardo Ribeiro na sequência de um pontapé de canto, e a introduzir a bola na baliza dos castores.
Os azuis e brancos estão seis pontos à frente do rival e o campeonato parece já não escapar, tendo em conta a instabilidade vivida na Luz, refletida pelas declarações de Luís Filipe Vieira, que deu a entender que o campeonato já estaria entregue e que um novo treinador estaria a caminho do Benfica. Desde a retoma do campeonato, os encarnados venceram apenas um jogo em seis e nos últimos 13 obtiveram apenas dois triunfos, demonstrando claros problemas defensivos, principalmente em transições, e uma dessincronização total entre os setores.
O FC Porto preparou-se melhor para esta reta final do campeonato, embora também esteja longe do melhor período da temporada, a começar por um desaire contra o Famalicão e um empate a zeros contra o último classificado e mais do que condenado Desportivo das Aves. De qualquer das formas, as melhorias estão à vista e os resultados falam por si. A segunda parte dos dragões contra o Boavista foi de excelência, assim como a vitória na capital do móvel, arrancada a ferros e com destaque para uma coesão defensiva categórica do elenco portista.
Pela primeira vez desde o regresso do futebol, o conjunto de Conceição foi superado em passes, remates, remates enquadrados, cantos e oportunidades de golo, o que prova a clara dificuldade em aguentar a vantagem inicial até ao final da partida, que resultou numa vitória que não acontecia desde 2014 naquele estádio.
Mesmo com o afastamento por lesão de Iván Marcano, o FC Porto continua bem estruturado defensivamente, visto que foi o quarto jogo seguido com a baliza inviolável, continuando sem sofrer qualquer golo na primeira parte na pós-retoma. Além destes dados, é a equipa que permite menor número de remates enquadrados ao adversário (2 por jogo), e também a mais certeira ao alvo – 6,4 remates enquadrados por jogo.
A verdade é que o FC Porto conta com mais seis pontos sobre o rival direto, que são sete na prática, tendo em conta a vantagem do líder no confronto direto, com duas vitórias sobre o Benfica. Os azuis e brancos têm ainda a possibilidade de perder duas partidas das cinco restantes e serem campeões, mesmo se os encarnados vencessem todas as partidas. Ou seja, daqui para a frente, o FC Porto necessita apenas de conquistar nove pontos em quinze possíveis.
Veja então o que resta jogar ao conjunto de Sérgio Conceição na reta final do campeonato português:
FC Porto X Belenenses SAD – 05/07
CD Tondela X FC Porto – 09/07
FC Porto X Sporting CP – 15/07
FC Porto X Moreirense – 20/07
SC Braga X FC Porto – 26/07
O próximo adversário do FC Porto é o Belenenses SAD, que, apesar de ser um osso duro de roer, o registo demonstra-se favorável para os dragões. Desde o regresso do clube à Primeira Liga em 2013, defrontaram-se por 13 vezes nesta competição e a vitória foi para o lado dos portistas por oito vezes, além de quatro empates e uma derrota. Neste mesmo período, o FC Porto venceu todas as partidas no Estádio do Dragão, perdendo apenas pontos no reduto do Belenenses.
Os azuis do Restelo estão a realizar boas exibições na pós-retoma, com destaque para um triunfo na Vila das Aves, um empate contra o Vitória e uma derrota contra o Sporting na última semana, na qual puseram os leões em sentido. Poderá causar dificuldades ao FC Porto, no entanto, os dragões em casa são mais do que favoritos para levar os três pontos.
Segue-se o Tondela e os números apontam para mais um triunfo do líder do campeonato. FC Porto e CD Tondela encontraram-se nove vezes, desde o momento em que os auriverdes subiram de divisão em 2015. No total, são sete vitórias para os portistas contra uma do conjunto da Beira, além de um empate a zero. Na época anterior, os dragões venceram 3-0 no Estádio João Cardoso e esta temporada procuram mais um resultado positivo rumo ao 29º título. Relembre-se que esta equipa retirou pontos ao Benfica no Estádio da Luz e está ainda na luta pela manutenção, logo, qualquer ponto é precioso.
Em caso de vitória nos dois jogos anteriores, o FC Porto podia fazer a festa em casa contra o Sporting, mas este não é um Sporting qualquer. É uma equipa que só sabe ganhar desde a entrada de Rúben Amorim no comando técnico, à exceção de um empate em Guimarães. A realidade é que poucas vezes os leões levaram a melhor na casa do Dragão, pois nos últimos 10 encontros para o campeonato, o FC Porto venceu nove e o Sporting apenas um. De qualquer das formas, o conjunto leonino ainda tem a esperança de alcançar o segundo lugar e respetivo aceso à Liga dos Campeões, com a motivação extra de defrontar o Benfica na última jornada.
A penúltima jornada é novamente em casa do FC Porto e a equipa pode já nem precisar de vencer esta partida, contudo, o futebol é imprevisível (e agora ainda mais!), e um desaire pode complicar as contas do título. Logo, o Moreirense pode ser um jogo decisivo para o desfecho das decisões. Para o campeonato, desde o momento da subida da equipa de Moreira de Cónegos, em 2012, as duas equipas defrontaram-se 14 vezes, sendo que os portuenses venceram nove vezes, empataram quatro e perderam uma. No Estádio do Dragão, a equipa fez o pleno… São seis vitórias em seis partidas! Este dado indica uma grande probabilidade de o conjunto de Sérgio Conceição coletar os três pontos. No entanto, cautelas medidas porque o Moreirense é uma equipa compacta e na pós-retoma derrotou o Aves e o Boavista, empatou com o Famalicão e com o Vitória de Guimarães e perdeu pela margem mínima contra o Rio Ave.
Na última jornada, a equipa portista deslocar-se-à ao Estádio Municipal de Braga para defrontar o Sp. Braga. O mais provável é até já pisar o relvado com o título conquistado, contudo, a bola é redonda e tudo pode mudar até lá. Dos cinco jogos este é talvez o que amedronta mais os dragões, por ser um terreno complicado e um adversário que deixa tudo em campo contra o FC Porto. A realidade é que os números continuam a beneficiar o Dragão, pois desde 2010, as equipas bateram-se por 20 vezes na Liga NOS e o FC Porto venceu 16 delas. Os bracarenses não se encontram no melhor momento e conquistaram apenas quatro pontos nos cinco jogos realizados desde o regresso à competição. Além disso, Custódio saiu esta quarta-feira do comando técnico do clube.
Antigo jogador do Boavista e do Vitória SC, Paulo Turra é, atualmente, um dos treinadores adjuntos de Luiz Felipe Scolari, tendo sido o seu braço direito no Guangzhou Evergrande e no Palmeiras. Fiel aprendiz de Felipão, que carinhosamente chama de professor, explica a importância dos treinadores adjuntos. Revela-se preocupado com a robotização que o talento do jogador brasileiro está a sofrer e fala-nos das suas ideias de jogo. Aos 46 anos, sem nunca esquecer as peripécias vividas no Porto e em Guimarães, diz ainda ter muito que aprender, mas não esconde o desejo de ser treinador principal.
– A nova peça no xadrez do Boavistão –
Bola na Rede (BnR): Vamos começar pela sua passagem em Portugal enquanto jogador. Chegou ao Boavista em 2001/2002 como é que surgiu a oportunidade de vir jogar para a Europa?
Paulo Turra (PT): Eu estava no Palmeiras no ano de 2000. Tínhamos perdido a semifinal da Libertadores para o Boca Juniors e o meu contrato com o Palmeiras acabou em junho de 2001. O Palmeiras fez-me uma proposta. Naquela época ainda existia a lei do passe. Recebi a proposta de renovação do Palmeiras. Não aceitei e fiquei a treinar em separado. Nessa altura, já sabia que tinha o Boavista a observar‑me. Um dia, o pessoal do Palmeiras chamou-me para me dizer que havia um olheiro de Portugal que me queria ver a treinar. Eu, prontamente, aceitei, porque eu sabia do interesse do Boavista. Quem estava aqui no Brasil para me ver treinar era o Jaime (Alves) que foi lateral do Boavista há muito tempo atrás. Ao sair do treino, o pessoal disse-me para ir à sede do clube, no estádio do Palmeiras. Fui lá, entrei em contacto com o meu empresário, falei com o presidente e acertámos tudo. O Boavista era o atual campeão português e tinha vaga garantida para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Cheguei, fui apresentado e incorporei-me na equipa, que já estava a treinar.
BnR: Vir jogar para a Europa era o seu principal objetivo?
PT: Na verdade, quando fui para o Palmeiras não tinha esse objetivo. Só que fui abrindo a mente para outras oportunidades, fui observando o futebol de mais alto nível e, por incrível que pareça, no ano em que o Boavista foi campeão e eu estava no Palmeiras, acompanhei o Campeonato Português por um canal já extinto que passava os jogos aqui no Brasil. Como estava no topo do campeonato, passavam muitos jogos do Boavista. Fui-me familiarizando com o Boavista, com a camisola axadrezada, com os comentadores a dizerem que era a sensação… Por coincidência, foi o clube para onde eu acabei por ir. Com o passar dos jogos no Palmeiras, fiquei com vontade de jogar no futebol europeu. Nas concentrações, à tarde, acompanhava os jogos da Liga dos Campeões que, naquela época, já era uma competição muito boa e que hoje é ainda mais. Isso foi aguçando a minha vontade.
Paulo Turra, ex-zagueiro, agora será auxiliar do @Palmeiras. Aqui uma foto do beque sendo marcado por um holandês qualquer, um tal Van Nistelrooy =D pic.twitter.com/Zr7BBYA4dH
— Francisco De Laurentiis (@f_delaurentiis) July 27, 2018
BnR: Como era o Paulo enquanto jogador?
PT: Era um defesa-central muito prático. Se eu jogasse hoje, teria dificuldade. Naquela época, eu era um jogador inteligente, porque eu não tinha muita qualidade técnica, mas tinha muita raça, velocidade, bom posicionamento…
BnR: Um jogador à imagem do Boavista daquela altura…
PT: Isso! Hoje, acho que os centrais jogam muito no risco. Tanto os centrais como os guarda-redes jogam muito na roleta russa por causa dessa moda, que existe no futebol mundial, de sair a jogar a partir de trás a todo o instante.
BnR: Enquanto treinador, gosta disso?
PT: Eu gosto de sair a jogar de trás quando tenho possibilidade de o fazer sem risco. Posso sair a jogar com sucesso várias vezes, mas, se erro uma, tenho 95% de chance de sofrer golo. Temos que ter um equilíbrio nessas ações. Acompanhei o regresso do futebol português e fiquei surpreendido pela negativa com golos que nascem de erros de guarda-redes e centrais a jogarem por dentro, a quererem sair a jogar a toda a hora. Há momentos em que a bola vem e o guarda-redes tem que dominar e jogar longo, o central a mesma coisa. Por isso, acho que hoje eu teria dificuldade. Eu jogava muito seguro, prático e eficiente.
Bnr: Hoje, quando tem que decidir sobre se a sua equipa vai sair a jogar a partir de trás ou não, olha para as características dos seus jogadores do setor mais recuado e avalia se eles têm capacidade para o fazer ou depende daquilo que o adversário oferece, isto é, se pressiona alto ou não?
PT: Jogo com as duas situações. Se os meus quatro defesas, o meu guarda-redes e os meus dois trincos têm qualidade suficiente para sair a jogar, treinaria situações onde, com segurança, o pudesse fazer. Estudaria também a equipa adversária. Por exemplo, se hoje eu fosse enfrentar o Flamengo, dificilmente eu iria sair a jogar de trás. Posso até tentar, mas é uma, duas, três, à quarta vez eu vou perder a bola e, contra uma equipa como o Flamengo, tenho 99% de hipótese de sofrer golo, porque são jogadores com essa característica e têm muita qualidade. Depende muito da qualidade dos teus jogadores, mas também das características e qualidade dos jogadores adversários.
Bnr: O Paulo Turra treinador contrataria o Paulo Turra jogador?
PT: Contrataria! O Paulo Turra jogador, na sua boa fase, tinha, como disse, muito bom posicionamento, jogava sempre sério, com responsabilidade, tinha boa velocidade e tinha bom jogo aéreo. Hoje, dificilmente vemos se um defesa-central é bom cabeceador ou não, porque o futebol mudou um pouco. Eu dou-te um exemplo, o Campeonato Alemão. O jogar deles é protocolar. A defesa, independentemente do adversário, joga em bloco alto. Bola longa nas costas da defesa e o atacante, de frente e com mais velocidade, normalmente, que os defesas, e é golo a toda a hora. Então, hoje, não tens condições de ver se um central tem bom cabeceamento ou não, exceto nas bolas paradas, principalmente nos cantos, mas é difícil. Não tenho dúvida nenhuma, eu contrataria o Paulo Turra e, ao mesmo tempo, fazia-o evoluir em lances em que ele chutava para a frente por chutar. Ensinava-o a direcioná-la.
Bnr: Se se tivesse que comparar a um jogador da atualidade, qual seria?
PT: Gustavo Gómez, que foi nosso defesa-central no Palmeiras. Ele tem mais qualidade do que eu, mas em termos de raça, determinação, recuperação… eu comparo-me muito a ele.