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Super Rugby Aotearoa: Como está a luta pelo título?

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Na terceira jornada do Super Rugby Aotearoa, os Blues receberam os Highlanders num jogo que só se decidiu ao minuto 78. Já na ilha sul, os Chiefs confirmaram o seu mau momento de forma, somando a terceira derrota em três jogos.

Em Auckland, os Blues conseguiram vencer muito graças à qualidade do Rugby apresentado nos primeiros quarenta minutos. Beauden Barrett e Otere Black tiveram um papel primordial na manobra ofensiva dos Blues, na medida em que, através dos seus pontapés, conseguiram colocar em constante pressão o trio defensivo dos Landers. O jogo ao pé revelou-se profícuo nos capítulos tático e territorial. Além do mais, o primeiro ensaio de Dalton Papalii resultou de um pontapé raso para o espaço de Otere Black, cuja leitura de jogo do defesa contrário, Scott Gregory, deixou muito a desejar, ao deixar-se pressionar por uma defesa agressiva, levando, assim, a uma perda de bola em cima da sua própria linha de meta.

Aliada a esta qualidade no jogo ao pé, esteve a imprevisibilidade de Caleb Clarke nas suas linhas de corrida. O jovem três quartos ponta, que antes do jogo soube do falecimento de um familiar, esteve em grande plano no Eden Park, ao marcar um ensaio e ao assistir Rieko Ioane poucos minutos depois, após dinamizar um excelente contra-ataque.

Com uma desvantagem de 22-10 ao intervalo, os Highlanders apresentaram, na segunda parte, um jogo que assentou num maior aproveitamento da largura e da profundidade do terreno de jogo, contrastando com o infrutífero jogo ao pé dos 40’ iniciais. No pack avançado, houve um maior aproveitamento da bola, com a criação de mais fases de jogo e maior paciência no processo atacante. Foi assim que os Highlanders conseguiram passar para a frente do marcador, com os ensaios de Mitch Hunt e de Shannon Frizell.

Três minutos depois, Dalton Papalii marcou o seu segundo ensaio no jogo, colocando, novamente, os Blues no comando do marcador, por 27-24. Desde então, os Highlanders tiveram várias possibilidades de igualar o marcador e de levar o jogo para o golden point, mas Mitch Hunt acabou por falhar um pontapé frontal a cerca de 40 metros dos postes e, numa penalidade bem dentro dos 22 metros dos Blues, Ash Dixon escolheu o alinhamento em vez do pontapé aos postes. Posteriormente, os Highanders apostaram no maul, tendo a defesa adversária garantido o turnover e, consequentemente, a vitória pelos mesmos 27-24.

Os Blues garantem, assim, uma vitória sofrida, sendo esta a sétima consecutiva. Os Highlanders, por sua vez, mostraram caráter e personalidade na sua exibição, mas as decisões tomadas em fases cruciais do jogo nada mais deixaram do que um ponto bónus defensivo.

5 fatores a reter para o FC Paços de Ferreira x FC Porto

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Nesta segunda-feira, o FC Porto desloca-se à Mata Real para defrontar um FC Paços de Ferreira desejoso de cimentar a sua posição na Primeira Liga. Trata-se assim de uma final para duas equipas: uma que quer mostrar que merece continuar no maior patamar do futebol português e outra que quer mostrar que merece ser Campeã Nacional.

OS DRAGÕES SÃO LÍDERES E QUEREM MANTER A DISTÂNCIA PARA O SL BENFICA! SERÁ QUE CONSEGUEM BATER UMA EQUIPA QUE VEM DE DUAS VITÓRIAS CONSECUTIVAS? APOSTA JÁ NA BET.PT!

O Bola na Rede conseguiu reunir algumas estatísticas bastante interessantes sobre este encontro. Vamos então ficar a conhecê-las.

Nuno Borges vence a primeira etapa do Circuito Sénior FPT

A primeira etapa do Circuito Sénior, organizado pela Federação Portuguesa de Ténis e realizado no Algarve, contou com a presença dos melhores tenistas nacionais, entre os quais: João Sousa, Pedro Sousa, Gastão Elias e Frederico Silva. No entanto, nenhum deles foi capaz de conquistar o troféu.

Este torneio contou com muitas surpresas, desde logo a eliminação de João Sousa e Frederico Silva na fase de grupos. Nuno Borges e Tiago Cação foram os responsáveis por deixar estes dois tenistas pelo caminho, respetivamente. Nos restantes grupos, Pedro Sousa e Gastão Elias cumpriram com as expectativas e passaram às meias-finais. Porém, Pedro Sousa, devido a lesão, teve de abandonar a competição dando lugar a Pedro Araújo.

Na luta por um lugar na final, Nuno Borges voltou a surpreender, desta vez ao vencer por 2-0 Gastão Elias. Na outra meia-final, Pedro Araújo não desperdiçou a segunda oportunidade que lhe foi dada e derrotou Tiago Cação, também por 2-0.

Dois jovens, duas promessas e apenas um vencedor. Apesar de ambos terem tido uma excelente semana, Nuno Borges partiu para esta final como favorito, tendo em conta que eliminou dois candidatos ao triunfo na competição. Esse mesmo favoritismo veio-se a verificar muito cedo na partida, uma vez que Nuno Borges conquistou um break no segundo jogo de serviço de Pedro Araújo.

Pedro Araújo foi para o segundo set atrás do prejuízo
Fonte: Fedderação Portuguesa de Ténis

O tenista natural da Maia segurou a vantagem de três jogos até ao final e seguiu na liderança do marcador. No segundo set, a história repetiu-se. Nuno Borges voltou a ter uma boa entrada no encontro e fez break no primeiro jogo de serviço do adversário. Pedro Araújo teve bastantes dificuldades para contrariar o jogo do número 596.º do ranking e permitiu nova quebra de serviço que deu o triunfo a Nuno Borges.

Esta iniciativa da Federação Portuguesa de Ténis segue agora para Lisboa e contará, mais uma vez, com um vasto número de tenistas portugueses que procuram, sobretudo, recuperar o ritmo competitivo, após vários meses afastados dos courts.

Foto de Capa: Federação Portuguesa de Ténis

Artigo revisto por Joana Mendes

5 dados estatísticos do CS Marítimo x SL Benfica

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CS Marítimo e SL Benfica defrontam-se para a jornada 29 da Primeira Liga, pelas 18h desta segunda-feira. Numa partida que tem tudo para ser um bom espetáculo, ambas as equipas lutam pelos seus objetivos, que não poderiam ser mais distintos: do lado caseiro, a luta pela manutenção, ao invés da ainda luta pelo título, por parte dos encarnados.

DEPOIS DO DESASTRE EM CASA, OS ENCARNADOS TENTAM VOLTAR AOS TRIUNFOS COM UMA EQUIPA QUE TAMBÉM PERDEU NA ÚLTIMA JORNADA. SERÁ QUE VENCEM? APOSTA JÁ NA BET.PT

Apresentamos cinco dados estatísticos sobre o confronto que se avizinha.

O Vitória FC é frágil, mas tem-se aguentado. E no que resta da retoma?

Quem olhar um pouco mais atentamente para as classificações da Primeira Liga nos últimos anos, percebe rapidamente uma coisa: o Vitória FC é das equipas que costuma apresentar maiores diferenças negativas no rácio da diferença entre golos marcados e sofridos. Se atentarmos à última década, os sadinos estiveram cinco épocas no top três desta estatística infeliz. Durante este período, registam uma média de 31 golos marcados e de 50 golos sofridos por época.

Serve este propósito para demonstrar que o clube apresenta uma tendência bastante permeável no que toca aos golos, sendo consecutivamente uma das piores do campeonato ao longo dos anos. Deve ser preocupante para quem segue o clube, para os seus sócios e adeptos que se habituaram a sofrer e a ver desempenhos menos convincentes, ano após ano. Os lugares obtidos na tabela têm ficado longe de enobrecer a rica história de uma das instituições com mais presenças na Primeira Liga e o Vitória FC não tem sido mais do que um dos conjuntos que apenas luta pela permanência.

Têm conseguido alcançar sempre o objetivo da manutenção e já vão na décima sexta época consecutiva no principal escalão desde a subida em 2003/2004, mas o que salta à vista são precisamente os fracos registos, ora atacantes, ora defensivos, que os diversos plantéis sadinos têm apresentado neste século e sobretudo nos últimos dez anos.

Makaridze é o dono dos postes da formação menos concretizadora do campeonato até ao momento
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Senão vejamos: na última década, foram a pior defesa em 2009/2010, o quarto pior ataque e defesa em igualdade em 2010/2011, o pior ataque e a quarta pior defesa em igualdade em 2011/2012, o segundo pior ataque em igualdade e a pior defesa em igualdade em 2012/2013, o pior ataque e a terceira pior defesa em igualdade em 2014/2015, a terceira pior defesa em 2015/2016, o quarto pior ataque em 2016/2017, a pior defesa em 2017/2018 e o terceiro pior ataque na temporada passada.

Neste período, o melhor que conseguiram foi um sétimo lugar em 2013/2014, naquele que foi de longe o ano mais tranquilo, numa fase da história que tem sido algo conturbada e onde a tendência tem sido viver com a corda ao pescoço, com a normalidade a recair abaixo do décimo segundo lugar. Tem valido a corda ainda não ter esticado demasiado, com o clube a conseguir escapar aos momentos de maior pressão e aos lugares mais indesejados, apesar da pobre imagem que tem deixado.

A estabilização na Primeira Liga tem durado e é o que faz sentido num clube desta dimensão, mas a tarefa não tem sido nada fácil como atestam os dados. Esta temporada tem seguido a linha dos valores negativos, com a equipa de Júlio Velázquez a ocupar o último lugar no que toca às equipas mais concretizadoras da competição depois de 28 rondas disputadas. E o que dizer quando se marcam apenas quatro golos nas primeiras 12 jornadas…

Apesar de ter marcado sempre após a retoma, contabilizando dois empates e duas derrotas, a formação sadina encontra-se na luta pela manutenção e está neste momento com seis pontos de vantagem sobre o primeiro lugar de descida. A verdade é que a margem de erro está a encurtar-se, com a diferença de 12 pontos antes da paragem a passar a ser agora de seis, e com o processo ofensivo a ser umas das principais lacunas ao longo da prova.

O lote de seis jogos que se avizinham até ao final prometem dar muito trabalho, com os desafios frente aos ‘europeus’ Vitória SC e FC Famalicão, a deslocação a Alvalade e o encontro frente ao ressuscitado FC Paços de Ferreira, a constituírem-se como ossos bem duros de roer.

Artigo revisto por Joana Mendes

Os 10 melhores laterais direitos portugueses da atualidade

A posição de laterais do lado direito da seleção nacional é um tema que dá sempre pano para mangas. Cada “treinador de bancada” tem o seu preferido. Quer seja porque certo jogador dá mais profundidade, porque outro é mais seguro a defender, ou até mesmo por acreditar que determinado atleta é o lateral híbrido – aquele que cumpre (quase) na perfeição todas as tarefas do lateral “moderno”.

Desta forma, elegi os dez melhores laterais portugueses da atualidade. Opções ou não para Fernando Santos, pautei as minhas escolhas por fatores como a regularidade, percurso profissional, mas, sobretudo, qualidade. Aqui, poderiam estar jogadores que começam agora a despontar (como Tomás Tavares, Thierry Correia ou Tomás Esteves), com potencial para atingir grandes palcos, mas optei por focar-me, predominantemente, no rendimento atual ao mais alto nível.

Top 10 laterais direitos portugueses

Rúben Amorim | A comunicação que faltava

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Mais uma vitória, desta vez frente ao Belenenses SAD, o Sporting CP soma a terceira vitória seguida na era Amorim e os adeptos leoninos já vêem luz ao fundo do túnel. Deixo esta pergunta para os sportinguistas: lembram-se da última vez que, depois de um jogo para o campeonato, sentiram estabilidade na equipa e identificaram um modelo de jogo?

Hoje sabemos que as probabilidades de equipa verde e branca conseguir os três pontos em cada jogo são maiores que nos últimos tempos. É possível identificar um modelo de jogo e já se sabe que a equipa irá apresentar-se da mesma forma, com o mesmo estilo no próximo.

Seria hipocrisia se não afirmarmos que Rúben Amorim trouxe nova vida ao Sporting CP e trouxe a esperança consigo (ou qualidade). Atualmente, a equipa é o reflexo do treinador em campo e as ideias parecem cada vez mais alinhadas. Digamos que a equipa começa a comunicar tão bem como Amorim e é este ponto que quero enfatizar neste texto, a comunicação.

Desde o início que aprecio o discurso do treinador leonino, bastante assertivo, a demonstrar personalidade e sem medo de enfrentar a comunicação social quando surgem perguntas “azedas”.

A empatia criada até ao momento é um bom indicador da sua inteligência emocional e poderá contribuir positivamente para o desenvolvimento do grupo. Durante as conferências de imprensa, é possível encontrar um treinador sorridente e com boa disposição para assumir as responsabilidades.

O jovem treinador trouxe uma nova dinâmica à equipa, que tem resultado até ao momento e por inúmeras vezes refere nas suas conferências “Nós somos o Sporting”, indicando que não há medo de jogar de forma arrojada e seguir uma ideia. Esta é a mensagem que os adeptos sportinguistas querem ouvir, alguém no comando do clube que dê a cara e lembre a grandiosidade e o peso que o emblema do leão tem.

Desde Jorge Jesus que não me lembro de ouvir um discurso que motive os adeptos e mais importante, que os mova atrás da equipa. Poderá não ser coincidência, Rúben Amorim foi o jogador que mais tempo foi treinado por Jorge Jesus, quando este estava no rival da 2º Circular. Tempo não lhe faltou para aprender, com certeza.

A sua excelente comunicação não passa só para fora do balneário. Como o próprio treinador diz “nova semana, nova vida”. Esta posição transmite aos jogadores uma constante mensagem de confiança e que conta com qualquer um, desde que seja o melhor para determinada posição.

A entrada em cena de Amorim tem trazido vários motivos para sorrir em Alvalade
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Sinceramente, na minha opinião, nos últimos dois anos tem faltado isto ao Sporting Clube de Portugal, alguém que mencione o nome do clube com elevação, relembrando o quão grande é a instituição. No futebol atual, as competências emocionais, comunicacionais e relacionais são cada vez mais importantes e já não basta ser bom taticamente.

O atual treinador tem demonstrado como se comunica e também seria interessante ver Frederico Varandas a acompanhar uma soft skill tão importante como esta. Esta era a comunicação que faltava.

Creio que qualquer sportinguista se sente mais confiante e acredita mais na equipa. Contudo, estamos numa posição que permite ter outra descontração que não se teria caso o Sporting CP estivesse a lutar pelo título. Acredito muito no trabalho de Amorim e naquilo que pode fazer. Sempre fui um crítico da qualidade da equipa mas a verdade é que os jogadores são praticamente os mesmo que iniciaram a época. Isto tem dedo do treinador, a chamada nota artística!

«Se o Porto está no topo, em grande parte deve-o ao Sérgio [Conceição]» – Entrevista BnR com Jorge Costa

Em 1995, Iran Costa lançava o famoso single “É o bicho / É o bicho / Vou-te devorar”. Mas antes disso, o verdadeiro “Bicho” já dava cartas no seu FC Porto, clube do qual é adepto desde nascença. Jorge Costa descreve-se como um “animal competitivo” e ganha troféus atrás de troféus no FC Porto, os mais importantes erguidos em conjunto com o amigo Vítor Baía. E por falar em amigos, o melhor que o futebol lhe deu: Sérgio Conceição, de quem diz que tem um ótimo coração mas um feitio difícil. Nesta entrevista de carreira, Jorge Costa conta-nos ainda o que pensa sobre um dia ser treinador do “seu” FC Porto, faz um pedido de desculpas aos portugueses pelo Mundial 2002 e assegura que o se passa dentro de campo fica dentro de campo.

– “É o bicho, é o bicho” –

Bola na Rede [BnR]: Em 1995, Iran Costa lançava o famoso single “É o bicho, é o bicho…

Jorge Costa [JC]: …vou-te devorar.

BnR: Nem mais. Foi neste ano que Fernando Couto te deu a alcunha de “Bicho”?

JC: Ehehe, não. Já era anterior a isso.

BnR: Qual era a razão da alcunha?

JC: Não era nenhuma em específico. Era mais pelos meus índices competitivos. Eu era um animal competitivo.

BnR: Muitos colegas teus contam que até nos treinos punhas a malta em sentido, para darem sempre o máximo. Esse espírito de exigência foi-te incutido no FC Porto ou é algo que era intrínseco em ti?

JC: Acho que é algo natural. Como é óbvio podes ir melhorando durante a tua vida mas sinceramente acho que é algo que tu tens, nasce contigo. Nasces com uma vontade enorme de vencer ou não gostas de perder e és competitivo. E eu sou competitivo em tudo, não é só no futebol.

BnR: No sentido de líder que mantém a exigência lá em cima, quem é que vês como o teu “herdeiro” no plantel atual do FC Porto?

JC: É difícil não conhecendo a personalidade mas este Porto não tem ninguém que se destaque de uma forma que possamos dizer “Sim senhor, este é um verdadeiro líder”. O Porto tem um capitão, o Danilo, mas não o conheço pessoalmente e assim é difícil dizer.

BnR: Nas tuas palavras, o que é um jogador à Porto?

JC: Isso tem muito a ver com a mística. A mística é algo complicado de explicar mas no fundo é a vontade de ganhar num clube que se sente clube do coração. Muitos não eram portistas de nascença mas quando chegaram rapidamente se adaptaram e incutiram-lhes o que é ser Porto. A mística no fundo é fazer aquilo que é a obrigação dos jogadores: dar o máximo diariamente e fazê-lo por uma causa. Nós sentíamos o clube de uma forma diferente.

BnR: “Quando era pequenito, ia ver os jogos de cachecol e bandeira, com o sonho de ser jogador do FC Porto”. Qual a melhor memória desses tempos em que vias o jogo na bancada?

JC: O jogo que mais me recordo como adepto terá sido o Porto-Barcelona da Taça dos Campeões Europeus [85/86], três golos do Juary e um golo do Archibald. Infelizmente fomos eliminados, tínhamos perdido 2-0 em Barcelona. Chovia torrencialmente nesse dia, é daqueles jogos de criança que eu tenho mais memórias.

BnR: Costa Soares é o teu “pai” do futebol?

JC: Sim. Nós usamos muito essa expressão e eu, felizmente, também tenho alguns jogadores que me chamam pai. Mas por ter sido o primeiro, por ter sido aquele que me fez ver o futebol de uma forma diferente, bem mais séria do que aquilo que eu estava habituado. Ensinou-me muita coisa. Foi quem me ensinou a caminhar no futebol. Por isso, pode-se considerar o meu pai no futebol.

BnR: Para um menino que “cresceu” no Campo da Constituição, qual é a sensação de jogar pela primeira vez no Estádio das Antas?

JC: Foi tudo um sonho que se foi tornando realidade. Eu comecei relativamente tarde a jogar futebol federado e passado um ano estava no Porto. Lembro-me perfeitamente da primeira vez que piso o campo de treinos. Mais do que o Estádio das Antas, o campo de treino do Estádio das Antas. E relva, que eu no Foz jogava no pelado [Jorge ri-se com gosto].

BnR: À antiga…

JC: É. Pisar relva pela primeira vez foi qualquer coisa… Na final do campeonato de juniores jogámos no Estádio das Antas e foi um sonho tornado realidade, jogar num palco em que eu estive anos e anos do lado de cá da rede a apreciar os meus ídolos.

BnR: Tiveste algumas lesões graves, das quais recuperaste sempre antes do tempo previsto. Como é que se recupera mentalmente destas voltas que o destino nos dá?

JC: Mentalmente é uma questão, fisicamente, sinceramente, nem eu sei. Eu tive três roturas do ligamento cruzado anterior e todas elas foram recuperadas num espaço de três meses, o que é anormal. Animicamente foi difícil e eu tenho na minha memória a terceira lesão, estávamos em pré-época na Suécia. Foi de tal forma marcante que eu equacionei não ser operado e não voltar. Custou-me muito as duas primeiras e fui-me um bocadinho abaixo. Felizmente o Rodolfo Moura, na altura o fisioterapeuta do FC Porto, deu-me a força necessária e o apoio para não desistir. E em boa hora o fiz, porque depois disso ainda tive grandes sucessos.

BnR: Quem é que criou o “covil dos dragões” no autocarro do Porto?

JC: [Jorge dá uma gargalhada] Não sei se fui eu por acaso. Foi a malta com mais anos de clube, fomo-nos juntando lá atrás e criando as nossas rotinas, os nossos hábitos. Era assim uma coisa mais reservada, para entrares tinhas que merecer. Agora, quem criou, como o autocarro era o novo, provavelmente devo ter sido eu.

BnR: O que é que se fazia no covil? Era um espaço exclusivo fechado com cortinas…

JC: Se estavam fechadas era por isso mesmo, para ninguém saber [Sai mais uma gargalhada].

BnR: Ehehe.

JC: Não, jogávamos cartas e tal. Era um sítio mais privado, da malta mais experiente.

Força da Tática: Como jogas, menino Félix!

A retoma da Liga Espanhola não trouxe novidades para os lados do Club Atlético de Madrid e, especificamente, para o menino dos colchoneros, João Félix. Após eliminarem o campeão europeu e agora campeão de Inglaterra, o Liverpool FC, da Liga dos Campeões, e com uma atuação de alto nível de João Félix, eis que no regresso à competição, o craque português voltou a deliciar os apaixonados do jogo com duas exibições de qualidade. No primeiro jogo marcou dois golos, no entanto foi no segundo jogo que mostrou toda a sua categoria enquanto jogador.

Quase sempre posicionado entre a linha média e a linha defensiva adversária, João mostra pormenores que são verdadeiros “pormaiores” na forma como eleva a fluidez do jogo dos colchoneros.


João joga com uma liberdade e leveza completamente anormal no mundo do futebol, ainda para mais num jogador com apenas 20 anos. Cognitivamente, é um jogador do mais elevado patamar! Identifica constantemente o meio que o envolve através de “fotografias” que tira por cima do ombro, procura por soluções, busca o espaço livre e antes de receber já tomou a decisão da ação seguinte.

Quando recebe fá-lo como poucos! É raro encontrar jogadores com a noção de receção orientada tão bem vincada como o avançado português. Seja para acelerar, seja para pausar, a receção tem sempre uma intencionalidade e um propósito. Até em momentos em que a receção é de dificuldade máxima, João faz parecer fácil e mantém a posse em condições que seriam impossíveis para outros.

Após receber, tem um critério e uma criatividade com bola do mais alto nível. Em espaços curtos inventa as suas próprias linhas de passe, as suas próprias jogadas e simplifica as ações para os colegas. A cada toque, a cada receção, a cada passe cria condições para que a equipa e colegas tenham sucesso. Escrevi à uns tempos um artigo onde falava do “passe que fala”, o passe que induz ao colega a próxima ação; João faz isso parecer fácil. Uma naturalidade em cada gesto!

Em transição ofensiva é também diferenciado, mostrou isso, por exemplo em Anfield. Pela sua capacidade de definição, destreza motora e pelos argumentos técnicos absurdos, consegue encontrar sempre soluções para dar continuidade ao contra-ataque.

A forma como se move e procura os buracos da linha média para receber entre-linhas, a sua habilidade motora que lhe permite enquadrar de frente, virar-se, mudar de direção, rodar…, é impressionante, e tudo isso num intervalo de tempo limitadíssimo,

Depois a aparecer em zonas de finalização é também superlativo, seja em remates a médias e curtas distâncias ou mesmo na frente do guarda-redes. Mesmo assim, a finalização é um aspeto a melhorar, nomeadamente nas movimentações dentro da área e no jogo aéreo.

Vê antes de todos os outros e executa melhor que os restantes, um verdadeiro diamante…, só de pensar que o seu atual rendimento ainda não se aproxima do real potencial, faz-me acreditar que estará aqui mais um Bola de Ouro português no período pós-Ronaldo.

Luís Castro| Um bom homem do futebol

O técnico português é bastante carismático, não por situações polémicas ou atitudes antidesportivas, mas sim pelo seu profissionalismo, paixão pelo futebol e por ser um exemplo na promoção de um desporto saudável, combatendo as hostilidades. Aos 58 anos, conquista o primeiro grande título da sua carreira, após 23 anos de carreira como treinador.

Na sua época de estreia em palcos internacionais conquistou o campeonato ucraniano ao serviço do FC Shakhtar Donetsk. O treinador luso conseguiu assegurar o quarto título consecutivo de campeão para o colosso ucraniano. Num estádio sem massa associativa, o Shakhtar sagrou-se vencedor da liga, algo que significa muito para os seus adeptos, devido aos conflitos político-sociais que se vivem em Donetsk, e pela forma como vibram pelas conquistas do clube. Desta forma, Luís Castro continua o legado deixado por Paulo Fonseca, que se havia sagrado campeão ucraniano pelo mesmo clube nas três épocas anteriores, entre 2017 e 2019.

Chegou ao principal escalão do futebol nacional em 2004/05, pela mão do FC Penafiel, que representou por duas temporadas. Na segunda época não evitou a descida de divisão, e acabou por sair. Posteriormente, na época 2006/07 assumiu a função de coordenador de formação no FC Porto, cargo que ocupou durante sete temporadas. Em 2013/14 assumiu o comando técnico da equipa B do FC Porto, na Segunda Liga, mas nessa mesma época subiu para a equipa principal dos “Dragões” para substituir Paulo Fonseca.

Após um terceiro posto na tabela classificativa ao serviço da equipa principal do FC Porto, na temporada seguinte voltou à equipa B, onde permaneceu por mais duas épocas e meia, e conquistou a Segunda Liga, um feito inédito para uma equipa secundária. Seguiram-se Rio Ave FC (sétimo lugar no campeonato), GD Chaves (sexto lugar no campeonato) e Vitória SC (quinto lugar no campeonato), realizando sempre épocas positivas, praticando um futebol atrativo e de qualidade. As suas excelentes prestações na liga portuguesa captaram a atenção do FC Shakhtar Donetsk, que procurava um sucessor para ocupar a vaga deixada por Paulo Fonseca, algo que havia sucedido anteriormente no FC Porto.


Após vencer o campeonato, o Shakhtar ainda pode alcançar voos maiores. A 19 de julho vai defrontar o VfL Wolfsburg, num encontro a contar para a segunda mão dos oitavos de final da Liga Europa. Os ucranianos estão em vantagem na eliminatória, após terem vencido a primeira partida por duas bolas a uma, na Alemanha, e com o campeonato ganho, o foco atual recai sempre a competição europeia.

Luís Castro tem contrato válido até junho de 2021, apesar do seu futuro a curto prazo ser ainda uma incógnita. O técnico luso mostrou estar pronto para os grandes palcos do futebol europeu, depois de uma prestação mediana na Liga dos Campeões, mas que lhe garantiu a presença na fase a eliminar da Liga Europa.