O Rio Pro já acabou e mais uma vez com uma prestação fraca do nosso Tiago Pires. Depois de ter ganho a primeira bateria frente a Adriano de Sousa e Sebastian Zietz, Saca avançou diretamente para a ronda 3, evitando assim a ronda 2. Já na terceira ronda, the portuguese tiger não teve tanta sorte e apanhou Joel Parkinson, campeão mundial em 2012. Com um desempenho que não era de esperar, Saca fez um score total de 7,36 pontos, enquanto o seu adversário conseguiu uns fáceis 15,10 pontos em 20 possíveis. Também nesta ronda, grandes surfistas, como Gabriel Medina, Julian Wilson, Filipe Toledo e John John Florence foram eliminados.
Com o Rio Pro terminado ha pouco mais de uma semana, agora chegou a vez do primeiro evento Prime do ano, prova que ajuda à disputa as 10 vagas para o WCT no próximo ano. Tiago Pires, Frederico Morais, Nic Von Rupp e Marlon Lipke foram os atletas que representaram as cores das quinas no Brasil mas infelizmente só Nicolau se mantém em prova. O luso-germânico encontrou pela frente três atletas com bastante potencial, sendo um deles o seu grande amigo e companheiro Frederico Morais. Infelizmente não conseguiram passar os dois portugueses à ronda seguinte, uma vez que Ricardo Christie dominou os 30 minutos de prova e acabou o heat em 1º lugar, com 14,40 pontos. De seguida ficou Nic Von Rupp, com um score (14.10), que por pouco não lhe dava o primeiro lugar. Kikas ficou no terceiro posto com um score razoável de 13,16 pontos, não sendo suficiente para passar á ronda 3. Por fim ficou Coffin, com apenas 7,23 pontos em 20 possíveis.
Nicolau num bonito e limpo tubo Fonte: Surfingmentawai.com
É de frisar ainda que Nicolau fez a melhor onda do heat, que foi pontuada com um score de 8,67 em 10 possíveis. Depois de acabar o Prime que está a ser no Brasil, mais propriamente em Saquarema, realizar-se-á a quinta etapa do WCT 2014, o Fiji Pro, a decorrer em Cloudbreak entre os dias 1 e 13 de Junho. Saca ja irá defrontar Michel Bourez, vencedor do Billabong Rio Pro e o brasileiro especialista em aéreos, Filipe Toledo.
A época foi de sonho. Sim, por muito que o meu interior esteja (ainda) desolado com a final perdida em Turim, a época foi de sonho. Conquistámos tudo a nível interno. Um marco histórico na vida do clube e do próprio futebol português – desde que a Taça da Liga foi criada, pelo menos.
Ouvi, esta semana, um suposto expert em futebol, num qualquer programa desportivo, dizer que o Benfica não fez mais do que a sua obrigação. Afirmou que, no Benfica, ganhar (quase) tudo era uma responsabilidade devido ao elevado investimento efetuado pelo clube. A minha primeira reação, obviamente, passou por gargalhadas e risos, até porque nem fomos aqueles que mais gastaram. Mas depois meditei sobre o assunto e rapidamente descobri que existia algum fundo de verdade. E porquê? Porque o Benfica tem verdadeiramente a obrigação de ganhar tudo. Não porque tem orçamentos elevados e planteis de luxo, mas porque é o Benfica. E este Benfica, um Benfica apaixonante, forte, vibrante, corajoso e lutador, tem obrigação de ganhar. É este o futuro que queremos.
O triplete, a tríplice ou qualquer que seja o nome que lhe queiram dar, tem inevitavelmente (não está sublinhado mas devia) de ser a base do nosso futuro. O tempo de festejar terminou na segunda-feira, quando o presidente, a equipa técnica e os jogadores foram justamente homenageados na Câmara Municipal de Lisboa. Agora é o momento de focar as atenções no mercado. É tempo de substituir cirurgicamente os jogadores que abandonarem a Luz e de adaptar os reforços à mentalidade do clube.
O Benfica fez história ao juntar a Taça de Portugal ao Campeonato Nacional e à Taça da Liga Fonte: ZeroZero
A teoria de que o Benfica com Jorge Jesus é o clube mais forte em Portugal tem de passar do papel para a prática: relembro que nos últimos três anos o Benfica ganhou apenas um campeonato. Só um. Em 2010/11, depois do primeiro ano vitorioso de Jorge Jesus à frente do plantel, o Benfica dormiu na sombra da vitória, enquanto o FC Porto trabalhou duro para voltar ainda mais forte. A temporada perfeita de André Vilas-Boas foi um choque e um banho de humildade para a direção benfiquista. Bebemos demasiado da glória daquela temporada de futebol fantástico e pagámos um preço elevadíssimo. É um facto que não estávamos habituados a ganhar. E, no futebol, saber ganhar é tão ou mais importante do que saber perder.
Agora que voltámos ao topo é imperativo não vacilar. Uma grande equipa e um grande clube constroem-se pelo sucesso a longo prazo, e não momentâneo. A nossa história é o melhor argumento que posso encontrar.
Portanto, três dias depois da conquista da Taça de Portugal, não tenho dúvidas de que o objetivo principal para a próxima época é o de revalidar todos os troféus ganhos esta temporada. Esse é o próximo passo. Essa é a nossa obrigação. Eu já não penso noutra coisa. E vocês?
Mudam-se as mentalidades, mudam-se os resultados. A ressurreição do Sporting Clube de Portugal com Bruno de Carvalho ao leme da equipa caracteriza-se essencialmente por um grande ceticismo na hora de redefinir os objetivos da equipa. Chegou, arrumou, limpou e organizou. Saíram os excedentários, ficaram os competentes e foi escolhido quem os soubesse orientar.
Se Luís Filipe Vieira acertou com a continuidade de Jesus no final da temporada passada, Bruno de Carvalho também foi feliz com a sua aposta em Leonardo Jardim, em detrimento de Jesualdo Ferreira. Nem o mais otimista dos adeptos era capaz de adivinhar que o Sporting conseguiria fazer uma temporada tão segura como aquela que acabou por fazer. O técnico madeirense deixa sempre uma boa imagem por onde passa, e a confirmação da sua saída, durante o dia de ontem, foi um rude golpe nos planos de Bruno de Carvalho.
Leonardo Jardim fez o que aparentava ser mais difícil: reerguer e reestruturar o Sporting, com pouquíssimos recursos à sua disposição. E tinha agora todas as condições para dar o próximo passo: lutar por títulos. Não aceitou, e o Sporting acabou por se virar para a opção mais válida do mercado: Marco Silva.
O antigo técnico do Estoril é um dos mais interessantes treinadores da atualidade. Pegou nos Canarinhos nas últimas posições da Segunda Liga, foi campeão, e nos dois anos seguintes conseguiu prestações absolutamente notáveis na Primeira Liga Portuguesa, com apuramentos para a Liga Europa (5º classificado em 2013 e 4º em 2014). Isto tudo sem esquecer que esteve sempre em gestão de recursos e a perder algumas das peças nucleares do plantel.
Marco Silva é um treinador fantástico, e desenganem-se os adeptos que pensam tratar-se de um novo Paulo Fonseca. Será até uma ofensa para o jovem técnico poder ser comparado às capacidades de um treinador que em nada se assemelha aos seus princípios teóricos e táticos básicos. Marco Silva, antes de mais, destaca-se pela sua capacidade discursiva. Não esperem os adeptos do Sporting ter um treinador que fale de arbitragens ou que se venha queixar de A ou B em campo. Desde que se iniciou na sua carreira como treinador, Marco Silva nunca optou por essa via em final de jogo algum (e foram muitos aqueles dos quais teve razões de queixa), e também não me parece que seja agora que o vá começar a fazer.
Marco Silva é um dos melhores treinadores portugueses da atualidade Fonte: ASF
Sempre foi um senhor dentro e fora de campo e apenas se preocupa com aquilo que realmente interessa dentro de um estádio de futebol: o jogo. O novo treinador do Sporting CP é a prova viva de que, se formos realmente bons, o tempo eventualmente acabará por nos compensar. Poder-se-á dizer até que Marco Silva está relativamente deslocado do futebol português, dado o nível do seu discurso e a forma como vive o jogo. Não se refugia em acontecimentos alheios para justificar fracassos e procura sempre reagir às adversidades que lhe são colocadas no caminho. E quem treina uma equipa de pequena dimensão, como é o Estoril, está muito mais exposto às dificuldades.
Falou-se de Porto, falou-se de Benfica, mas parece-me que a opção pelo Sporting é a mais segura para Marco Silva. No Porto, a pressão deste ano vai ser imensa e os adeptos ainda recuperam do trauma “Paulo Fonseca”, que ditou o fracasso na aposta num treinador jovem e com pouca experiência de futebol profissional (tal como é Marco Silva, logicamente).
No Benfica, a conversa é completamente diferente. Existiam demasiados entraves à entrada de Marco Silva, desde logo porque Jorge Jesus deve continuar no comando técnico. No entanto, e caso abandonasse o cargo, levaria consigo os louros de uma época soberba e deixaria uma pressão imensa para o seu sucessor. Ao mínimo deslize, seria óbvio que a massa adepta do Benfica iria cair em cima do seu “novo” treinador. E, entenda-se, Marco Silva é um treinador completamente diferente de Jorge Jesus. Para além dos aspetos óbvios a nível de discurso e de postura, é um treinador muito mais cauteloso e com menos propensão para colocar a sua equipa a jogar em ataque continuado e pressionante. Os adeptos do Benfica iriam sentir muito essa mudança, e as vozes de desconfiança em relação ao jovem técnico iriam ser muitas.
Por isso mesmo, em Portugal, sobrava o Sporting. Um clube que retomou a estabilidade e que dará todas as condições para que Marco Silva possa trabalhar tranquilamente. Bruno de Carvalho pode dormir descansado. Perdeu um grande treinador, mas arranjou outro igualmente bom.
Campeão: Juventus (102 pontos) – Mais um ano, mais um título para os homens de Antonio Conte. Já vão três de seguida e cada ano parece ser mais fácil. Esta época ultrapassaram a barreira dos 100 pontos.
Melhor jogador: Arturo Vidal (Juventus) – Os seus 11 golos ajudaram mais uma vez a vecchia signora a dominar o fuebol italiano. Contribuindo activamente em todas as fases de jogo, é sem dúvida o jogador mais influente nos campeões italianos.
Melhor treinador: 1- Roberto Donadoni (Parma); 2- Rudi Garcia (Roma); 3- Andrea Mandorlini (Verona).
Domenico Berardi foi a grande revelação da prova com 16 golos marcados Fonte: The Guardian
Equipa sensação: Hellas Verona – subiu de divisão este ano, assegurou um sólido 10º lugar e lutou pelo apuramento para a Liga Europa até ao fim: fantástico trabalho do treinado Andrea Mandorlini, a conseguir retirar o máximo de cada um dos seus jogadores. Basta ver o exemplo gritante de Luca Toni que com os seus 36 anos apontou 20 golos na Serie A.
Equipa desilusão: AC Milan – o 7º lugar da equipa de Milão faz com que para o ano não representem Itália nas competições europeias, mas de momento esse parece ser o seu menor problema. Uma época completamente desastrosa, para esquecer.
Melhor marcador: 1- Immobile (Torino) – 22 golos; 2- Luca Toni (Verona) – 20 golos; 3- Carlos Tevez (Juventus) – 19 golos.
Terminou este domingo mais uma época desportiva a nível nacional. Recolheram-se os cartuchos de uma temporada pintada de vermelho, com um triplete que deixou a equipa de Jorge Jesus na história do futebol português. Quanto ao FC Porto, recolhem-se as tristezas de uma época recheada de desaires e desilusões, onde constantes erros fizeram com que o clube nada ganhasse em 2014.
Com o final da temporada chegam as notícias de um novo treinador, de novos jogadores, mas sobretudo de uma nova atitude perante uma época que terá de ser novamente de conquistas. Contudo, à semelhança do que acontecia quando o FC Porto ganhava os campeonatos e se dizia que por isso partia à frente nas temporadas seguintes, acredito que quem foi campeão parte à frente para a próxima temporada. Depois de uma temporada onde o FC Porto ficou a zero, parece claro que algo terá de mudar nas hostes azuis e brancas.
Os últimos dias, para além da notícia da chegada de Julen Lopetegui, trouxeram imensos rumores sobre nomes de possíveis reforços, desde Ricardo, guarda-redes da Académica, até Evandro, passando por Opare, Raúl Jimenez, entre outros. Admito que este tipo de notícias não é coisa que me surpreenda. Depois de uma época onde a falta de qualidade de alguns jogadores foi tão evidente, parece lógico ao comum adepto que o FC Porto tem de ir ao mercado, seja em Portugal ou no estrangeiro. Ao olhar para o plantel da equipa portista, parece claro que, olhando para trás, facilmente se conclui que um dos motivos para 2013/14 ter corrido tão mal foi o péssimo planeamento que a época desportiva teve ao nível do plantel. Num clube habituado a ganhar, e onde o orçamento ao que se sabe ronda os 100 milhões de euros, é impensável que não exista um lateral que substitua Danilo e Alex Sandro, que não exista um trinco que faça a rotação com Fernando, que não exista um n.º8 com capacidade superlativa de colocar o jogo numa outra dimensão e que não haja mais um ou dois extremos de qualidade para rivalizar com Quaresma e Varela.
Mangala, Alex Sandro e Fernando são alguns dos mais valiosos activos no Dragão Fonte: lancenet.com.br
Por tudo isto, não me admiro se até ao início do campeonato ouvir falar de mais 40 ou 50 jogadores a caminho do Dragão. Porém, parece-me claro que a escolha de Lopetegui para comandar os destinos da equipa principal na próxima temporada já nos remete para uma linha de contratações. O historial do técnico espanhol, que como é sabido conquistou os maiores êxitos da sua carreira enquanto treinador das seleções jovens espanholas, faz com que pareça claro que a estrutura portista quer ter e ver sangue novo no relvado do Dragão. Por essa razão, não é de estranhar que já surjam notícias e rumores nas redes sociais que apontam para nomes como Camacho, Suso, Moreno, Tello ou Morata como possíveis reforços para a equipa portista para a próxima época.
Como não conheço em pormenor o estado das finanças do clube, não consigo dizer se este tipo de jogador, já com alguns créditos firmados na Europa, é possível para os cofres do Dragão. Admito também que para alguns adeptos seja incompreensível o porquê de se querer ir buscar alguns destes jogadores ao estrangeiro quando a formação portista continua a lançar bons atletas, sendo o exemplo mais notório o segundo lugar alcançado na II Liga.
Como na maior parte das discussões, há sempre defensores das duas teorias e, por essa razão, opto por não escolher qualquer um dos lados, pois acredito que cada prato da balança tem os seus prós e os seus contras. Ainda assim, permito-me dizer que, depois de uma época de tantos fracassos, acredito que a vinda de jogadores sem grande experiência possa ser uma solução arriscada. Apesar da inegável qualidade de grande parte dos jogadores que atrás mencionei, a estrutura portista deve pensar duas vezes na estratégia que deve adotar. Isto porque, depois de uma época onde os adeptos portistas viram os outros a ganhar, uma segunda época de fracassos não passará sequer pela cabeça de todos os que gostam deste clube.
Com um campeonato pela frente e um play-off da Liga dos Campeões decisivo para a planificação da temporada, acreditar que um sem número de jogadores com qualidade mas sem experiência podem trazer de novo o caminho das vitórias pode ser perigoso para um clube habituado a ganhar. Ainda assim, e porque a época finalmente chegou ao fim, as desilusões já foram todas recolhidas e das cinzas já finalmente aparece uma nova alma para a época que se avizinha. Para isso, a estratégia terá de ser bem pensada e todas as contratações que existirem devem ser feitas com inteligência porque, olhando para Espanha e para o sucesso do Atlético de Madrid, percebe-se que nem sempre ter os melhores soldados é sinónimo de se ganhar a guerra.
Já está! Final de época brilhante do SL Benfica, manchado apenas pela final europeia perdida para o Sevilha. De qualquer das formas, em Portugal o Benfica fecha a época com chave de ouro ao voltar a ser feliz no Jamor, algo que não acontecia há um tempo. Sorrisos, triplete conquistado, festa no Marquês. Depois do fim de época transacta os adeptos e os jogadores mereciam que brilhasse a estrelinha da sorte que acompanha os campeões. Com sorte, e muito trabalho, Jesus consegue reerguer moralmente uma equipa que ameaçava desmanchar se soprasse uma ligeira brisa e acaba a época a ser lançado ao ar por jogadores que há um ano o empurravam no fim do jogo.
O jogo em si não tem história a não ser a história de uma época (quase) perfeita. Foi um jogo fraco da parte da equipa encarnada, motivado talvez pelos 120 minutos de Turim, que pesaram nas pernas de muitos dos titulares de hoje. Ao invés do que se passou na final de Leiria, o Rio Ave entrou fraco e acabou forte. Uma segunda parte largamente dominada pela equipa de Vila do Conde, que criou inúmeras oportunidades para igualar a partida mas teve pela frente um Oblak seguríssimo… e uma manifesta falta de sorte. Foram dignos vencidos e, apesar de não terem conquistado troféu nenhum, ninguém pode tirar o mérito a Nuno Espírito Santo nem a estes corajosos vilacondenses.
Jorge Jesus foi peremptório nas suas palavras, já no pós-jogo: os jogadores estavam mortos. Isso foi claro para toda a gente, inclusivamente para o mais cego dos adeptos encarnados. Fica assim para a despedida um final de época benfiquista, mas pouco à Benfica… sendo, no entanto, completamente justo argumentar que estes três troféus “caíram” no palmarés do seu merecido dono – inclusive esta Taça de Portugal, onde a formação encarnada entrou mandona e a mandar, não dando grande espaço ao Rio Ave para sonhar. Várias oportunidades, principalmente de bola parada, até que, ao minuto 20, o menino Gaitán aparece de mansinho à entrada da área verde e branca e atira com (muito) jeito para aquele que seria o primeiro, único e último golo da partida. O Benfica na frente e os pescadores a verem os navios a passar.
O Benfica venceu as 3 competições nacionais deste ano Fonte: ZeroZero
Muitos pensavam que a conquista iria ser fácil. O Benfica marcava, estava na frente, e o Rio Ave poucos argumentos tinha mostrado para dar a volta. Mas na segunda parte os barbudos comandados por Nuno Espírito Santo transformaram-se e encostaram o Benfica às cordas. Os encarnados, completamente fatigados pelo esforço de Turim, não conseguiam partir para o ataque e viam o Rio Ave ameaçar. Uma bola ao poste e que vai parar às mãos de Oblak e um cabeceamento ao lado são exemplos de como o Rio Ave colocou em sentido o Benfica. Seria Oblak a segurar a vantagem e a garantir o triplete. Os jogadores não aguentavam nas pernas o esforço do jogo e não foi surpresa que, já nos minutos finais, já houvesse quem coxeasse.
No final, Jesus olhou para o céu. Se para o Benfica esta taça significa ser a primeira equipa a ganhar as três provas internas, para Jesus é a devida homenagem ao avô, que faleceu enquanto os dois viam um jogo no Jamor. Jesus procurava esta taça e procurava fazer uma homenagem ao avô e conseguiu.
A equipa acaba em grande. Quem diria que depois do ano passado isto iria acontecer? Obrigado, campeões.
A Figura: Oblak – Seguríssimo no jogo, salvou o Benfica. Um jogo à imagem da época, onde foi rei e senhor.
O Fora de jogo: Rodrigo – O hispano-brasileiro estava em claro declínio neste fim de época e foi dos jogadores mais apagados em campo.
Texto redigido por André Conde, Pedro Teles e Tiago Martins
É com enorme tristeza que tenho lido e ouvido as notícias que dão conta da saída de Leonardo Jardim do comando técnico do Sporting. Se tal vier mesmo a acontecer, é uma péssima notícia para todos os Sportinguistas devido a várias questões inerentes a este tema. Comecemos por algo não obrigatório, porém sempre importante, que é o sportinguismo de Jardim: o treinador madeirense não assinou pelo Sporting (há cerca de um ano) por dinheiro, mas sim pelo seu sportinguismo, pela coragem que teve em abraçar o comando técnico de um clube a viver uma situação muito perigosa em termos desportivos e económicos. A sua coragem, está claro, é outra das características que o tornam o homem ideal para estar à frente do nosso clube. Jardim podia ter, facilmente, “queimado” a sua carreira com uma época fraca à frente de um Sporting que havia ficado em 7º lugar na época anterior, porém, destemido, abraçou um projecto que Jesualdo rejeitou (e imagino o seu arrependimento), e brilhantemente reforçou o estatuto de um dos melhores treinadores portugueses. A coragem deste senhor, aliada à sua calma natural, coerência e educação, deram origem a uma empatia geral à volta da sua figura, quer por parte dos adeptos, como dos jogadores (algo claramente notório). Leonardo Jardim fez do plantel do Sporting uma autêntica família, e isso não acontecia há muito tempo no reino do Leão.
Sairá Jardim? Entrará Marco Silva para o seu lugar? Fonte: Mais Futebol
Porém, nem tudo é mau: a verificar-se a sua saída, o substituto natural será um senhor chamado Marco Silva. Este senhor tem, de certa forma, um perfil parecido com o de Leonardo Jardim. Com uma família construída e com uma estrutura mais forte do que nunca, Marco Silva pode aproveitar o trabalho feito até aqui por Jardim e assumir o comando de um Sporting numa situação ideal para as suas características: jovem, inteligente, bom tacticamente e na valorização de activos. Marco Silva tem de ser bom, não será com certeza mais um Paulo Fonseca. Quem pega no Estoril na 2ª Liga, numa situação aflitiva, sobe de divisão na mesma época, na sua primeira época fica em 5º lugar, no defeso perde todos os seus craques, reconstrói a equipa com jogadores completamente desconhecidos, e volta a ficar em 4º lugar, fazendo ainda mais pontos do que na época anterior, tem de ser um grande treinador, tem de ter nascido para liderar, para ser um vencedor. O Sporting é o clube ideal para Marco Silva se afirmar como o novo grande treinador português e para vencer os títulos que já vem merecendo.
Se preferia que Leonardo Jardim ficasse? Óbvio que sim. Se me preocupa a sua saída? Sim, de certa forma. Mas confio em Marco Silva e acredito que vá dar continuidade ao grande trabalho que se fez esta época. Trata-se de um casamento mais que óbvio, recheado de sentido. Com a garantia da contratação do ex-treinador “canarinho”, a saída de Jardim será, portanto, um mal menor.
O cunho pessoal empregado por José Mourinho no Chelsea 2013/2014 é facilmente percetível. A cultura da pressão alta (que celebrizou o FC Porto campeão europeu) manteve-se, e a organização tática da equipa quando sem bola era simplesmente irrepreensível, ao ponto dos últimos 20/30 metros da zona defendida pelo Chelsea não serem invadidos, em situações de eminente perigo, com frequência e das linhas de passe do adversário nessa zona serem muitas vezes anuladas pelo rigor táctico dos jogadores orientados pelo Happy One. Reflexos disso mesmo são os encontros que a equipa disputou, relativos à Premier League: com o Manchester United, em Old Trafford (0-0, à 3ª jornada… numa demonstração cabal das capacidades de Mourinho, que numa fase tão prematura da temporada já conseguiu colocar a equipa a defender “ao seu jeito”), com o Arsenal, no Emirates (0-0), com o Manchester City no Ettihad (vitória por 1-0) e com o Liverpool, em Anfield Road (vitória por 2-0).
Superficialmente, saltam à vista pontos comuns gritantes entre estes quatro encontros: todos eles foram disputados em terrenos dos rivais diretos (certo que o Manchester United saiu da luta numa fase bastante permatura, mas ao passar da 3ª jornada ainda era encarado como um dos favoritos a erguer o trófeu da Premier League) ao Chelsea na luta pelo título e em nenhum deles houve registo de golos sofridos pelos blues. Um feito notável, especialmente se atentarmos ao facto de que quer Liverpool e Manchester City passaram a centena de golos no campeonato e estiveram pertíssimo de igualar o recorde de golos numa edição da Premier League (104), e ao qual não deverá estar alheio outro ponto comum entre todos os encontros assinalados: vantagem do adversário na posse de bola (55%/45% nos jogos com Arsenal e United, 65%/35% no encontro com o City e 73%/27% [!] com o Liverpool), situação em que a equipa de Mourinho se sentiu confortável ao longo da época, obtendo um enorme aproveitamento na defesa das suas redes, sagrando-se mesmo a melhor defesa da Premier League…
… mas nem sempre as melhores defesas ganham campeonatos. É preciso existir um bom processo ofensivo a acompanhar a performance (na circunstância, brilhante) defensiva para se conquistar um dos mais competitivos campeonatos do mundo. E no caso do Chelsea os problemas começaram a acontecer logo no início da época, com alguma indefinição (anormal) de José Mourinho na abordagem à violação das redes contrárias.
“A questão do número nove parece-me ser essencial para se compreender a ineficácia dos blues” Fonte: Stephyan/HereisCity.com
Neste aspecto, a questão do número nove parece-me ser essencial para se compreender a ineficácia dos blues. Torres, Eto’o e Demba Ba protagonizaram uma autêntica dança das cadeiras à volta da posição nove e pareceu, ao longo da época, que nenhum deles satisfazia totalmente as pretensões de José Mourinho.. algo que também se justifica pelo sub-rendimento evidenciado pelos três, mas ao qual não estará alheio uma possível falta de confiança que pudessem sentir pela constante rotatividade promovida pelo treinador português. A equipa conseguia trazer jogo desde trás, por inciativas levadas a cabo por David Luiz, Matic, Ramires ou Lampard (intercalavam entre si no dois do 4x2x3x1), e conseguia expandir o seu jogo ofensivo para os flancos, mas se se voltasse a explorar a zona central do terreno e lá estivesse um “9” posicional, raras eram as vezes em que a baliza contrária era violada, ficando a equipa “órfã” das iniciativas individuais levadas a cabo por Eden Hazard (que época fantástica!), Salah, Willian ou Schurrle (que, curiosamente, ocupou a posição “9” de forma mais eficaz que os seus colegas de raíz – exemplo flagrante é o da vitória do Chelsea sobre o Fulham por 3-1, com o alemão a ser a figura do encontro com um hat-trick conseguido em 17 minutos passados a ocupar uma zona mais central do terreno)… que, de resto, nem sempre eram levadas a cabo com eficácia, pois se o belga e o alemão conseguiam ser objetivos, o brasileiro e o egípcio foram muitas vezes inconsequentes nas suas decisões.
Acrescente-se a este desacerto a época menos conseguida do criativo (espécie de 10 moderno) de que a equipa precisava (Óscar) e fica instalado um autêntico caos tático no processo ofensivo dos londrinos que se traduziu numa parca produção de golos conseguidos em ataque organizado, algo que faltou ao Chelsea em jogos importantes como os que teve contra o Sunderland (derrota por 2-1, que dilatou para 5 a distância para o líder Liverpool quando sobravam 12 pontos para disputar) e contra o Norwich (no qual disse adeus ao título, empatando a zero).
Nestas partidas tinha de assumir o domínio da partida e sufocar o adversário de forma criteriosa, mas este Chelsea 2013/2014 pareceu sentir-se melhor sem a posse de bola do que com ela.
Mourinho não passou de bestial a besta (acho impossível a história julgá-lo assim em qualquer momento da sua carreira até agora), mas comprovou que nem sempre é boa ideia regressar a um lugar onde se foi feliz (conforme escrevi, noutro site que não o Bola na Rede, aquando da confirmação do regresso do Special One). Especialmente onde a cobrança é enorme perante o que se fizera anteriormente (Mourinho “devolvera” a Premier League ao Chelsea 50 anos depois e conquistara tudo a nível interno), onde se sente a ressaca de dois títulos europeus consecutivas e onde o grupo de trabalho precisaria de ser lapidado.
Arriscou e não correu bem. Teve a primeira grande mancha na carreira- uma época sem títulos num clube onde começou e acabou a época. A época onde, focando-nos apenas nos títulos conquistados, foi Special … None…
… mas às vezes é preciso um passo atrás para se andar adiante. Acredito que, mantendo-se a estrutura defensiva do Chelsea (incluindo o processo defensivo) e existindo um esforço financeiro para a contratação de um ou dois jogadores de qualidade para a posição nove e uma aposta no (Óscar) ou num n.º10 acompanhada de um processo ofensivo mais criterioso, se possa voltar a fazer-se história em Stamford Bridge… e na carreira de José Mourinho.
Não me ocorre outro título, à partida, tão polémico quanto verdadeiro. Sergio Busquets é um dos jogadores menos populares à escala mundial e, ao mesmo tempo, um daqueles cuja qualidade é mais vezes esquecida e até descredibilizada. Já dizia Xavi“Busquets é muito mais valorizado pelos profissionais do futebol do que pelas pessoas de fora”. E hão de ser eles, aqueles que respiram futebol desde miúdos, durante todo o dia, aqueles que melhor o entendem, não é? Mais reveladoras ainda são as palavras de Guardiola quando lhe perguntaram acerca da importância do seu médio defensivo “Ele sabe que sem ele tudo o que esta equipa tem feito não era possível. Se pudesse reencarnar num jogador, seria como ele”. As palavras ganham especial importância por se tratarem, respectivamente, de um dos jogadores e um dos treinadores a quem se reconhece maior inteligência e entendimento do jogo. Esses e outros testemunhos de Del Bosque, Pep Reina, Iniesta e do próprio Busquets podem ser encontrados no (fantástico) vídeo abaixo.
Produto de La Masia, o trinco do Barcelona surgiu na equipa A por intermédio de Pep Guardiola, logo na sua primeira época enquanto treinador do Barça. Na altura o titular da posição era Yaya Touré, mas nem por isso o então jovem de apenas 19 anos deixou de marcar impacto: 41 jogos na sua época de estreia, dos quais foi titular em 31. Guardiola, que já havia trabalhado com Busquets na equipa B, sabia bem quem estava a lançar. Ele próprio, na sua fantástica carreira como jogador, actuou como médio mais recuado durante anos e sabe, por isso, aquilo que a posição requer: tudo o que Busquets é. Interessantes as palavras de Jorge Valdano, ex-glória argentina e do Real Madrid, sobre a suposta inexperiência de Busquets quando foi lançado “Guardiola entregou o jogo a um futebolista inexperiente como é Sérgio Busquets (…) O lugar de médio é um lugar crítico para uma equipa que pretende ter a bola, porque é a partir deste ponto que se reparte o jogo e elege o ritmo. Sérgio Busquets mede uns 1,91 m, tem grande qualidade de passe e não é especialmente intenso. O valor dele é posicional (…)a sua velocidade é técnica, porque resolve sempre a um ou dois toques. Experiência? A ver se entendemos que para dirigir o jogo, como para dirigir uma equipa, como para dirigir um clube, antes da experiência faz falta critério”. (Fonte: jornal A Bola de 27 de Setembro de 2008).
Desde então e até agora nunca foi por falta de concorrência que Busi, como lhe chamam em Espanha, deixou de jogar. Chegou Mascherano, na altura um dos melhores trincos do mundo; chegou Alex Song; chegou até Fábregas, que embora jogue numa posição mais adiantada, poderia originar uma alteração no sistema da equipa, como se especulou na altura. “Busquets é sempre o primeiro nome que escrevo na ficha de jogo”, respondeu Guardiola. Mas a convicção não é exclusiva do agora treinador do Bayern. Também Del Bosque, o seleccionador no mundo que conta com mais médios de qualidade, utiliza o jogador do Barcelona a titular em todos os jogos nas fases finais desde o Mundial de 2010. O que tem Busquets, afinal, que passa ao lado da maioria dos adeptos mas que faz dele essencial para todos os treinadores que teve?
Inteligência
Busquets é um dos jogadores mais inteligentes do mundo e esta é a característica que faz dele o melhor. A posição 6, a mais importante de todas por ser aquela em que mais se exige compreensão e participação em todos os momentos do jogo (com e sem bola) é também aquela que requer mais inteligência por parte do jogador que a ocupa. Por inteligência no futebol entende-se principalmente a capacidade de posicionamento, de leitura do jogo e de tomada de decisão que basicamente fazem o jogador tentar fazer bem ou mal. A execução, depois, só se torna importante se tiver existido uma boa decisão, e a decisão só é boa se houver uma boa leitura do jogo e do seu contexto. De nada vale executar bem o passe, drible ou remate que não deveriam ser feitos. Mesmo no futebol o mais importante é a inteligência. A esse nível, Busquets não tem ninguém acima dele. Nunca erra. Passa quando e para onde deve passar. Guarda a bola quando deve guardar. É perfeito na gestão dos ritmos. Arrisca tão somente o que tem a arriscar e, sobretudo, ocupa os espaços como nunca tinha visto ninguém ocupar. Assim, no momento ofensivo está sempre a dar uma solução através de uma linha de passe segura e, no defensivo, está sempre a cobrir o espaço correcto de forma a evitar que a equipa fique descompensada e exista espaço para os adversários. No sistema de posse que o Barça utiliza, este médio é fulcral porque é quem evita a maior parte das transições aquando do momento da perda de bola. Em baixo fica um exemplo da performance do médio numa transição do Real Madrid, no último jogo entre as equipas.
Capacidade técnica e de construcção
Podia resumir este tópico num dado: este ano, Busquets tem uma média de 93,1% de passes correctos (fonte: http://www.whoscored.com/Players/44721/Show/Sergio-Busquets). Quantos terão tal nível de acerto na componente mais importante do jogo para um médio, que é o passe? Pouquíssimos ou mesmo nenhum. Aqui dirão que arrisca pouco e, por isso, falha menos. É verdade que, pela posição onde joga, não faz tantos passes de ruptura como os médios mais adiantados. Mas pedir ao trinco que arrisque no passe constantemente é o mesmo que pedir ao central que arrisque no drible. Não só escusado como altamente reprovável. De qualquer forma, Busquets só apresenta esta percentagem absurda de passes correctos porque tem uma excelente capacidade técnica (vídeos em baixo), ao nível do passe, do controlo e até do drible curto, ao contrário do que por vezes se diz. É incontornável para qualquer equipa de posse ter um trinco com competências a nível técnico bastante altas. A primeira fase de construcção passa sempre por ele e, por vezes, é aí que se foca a pressão dos adversários. Busquets é, aliás, um dos melhores do mundo (diria mesmo o melhor) a sair sob pressão. Ainda ontem, frente ao Atlético, teve um lance em que o provou, conforme se pode constactar no vídeo em baixo, seguido de outros reveladores do que foi escrito neste tópico.
Capacidade defensiva
Busquets é o melhor também porque é o mais completo dos médios defensivos. Não há nenhum outro que alie a capacidade ofensiva descrita e demonstrada acima com a capacidade defensiva que possui. Forte no ar (1,89cm), é uma das poucas referências da equipa nas bolas paradas; agressivo como nenhum outro dos habituais titulares (se não considerarmos Mascherano titular), é quem minimiza as perdas cada vez que os jogos pedem maior vertente física; forte no desarme, rouba inúmeras bolas e permite assim que a equipa tenha mais posse; nas dobras, cada vez que há desposicionamentos, é o pêndulo que qualquer equipa que tem Xavi e Iniesta precisa. É, sobretudo, prova de que nem o médio mais defensivo precisa de estar sempre a correr para efectuar o seu trabalho da melhor forma. Enche o campo com a inteligência e com as referências correctas. Sem ele era impossível não só coabitarem dois médios tão criativos como Xavi e Iniesta como jogar com apenas três defesas, como Guardiola chegou a fazer no Barcelona. Em baixo segue um vídeo da prestação defensiva de Busquets frente ao Real Madrid, no ano passado.
Estas são as razões principais que levam Busquets a ser único e insubstituível para qualquer que seja o treinador que o tenha, quer seja no Barcelona ou na Selecção Espanhola. A vertente psicológica é, contudo, aquela que depois influencia todo o seu jogo quer ofensivo quer defensivo. Este ano, em que Messi esteve mais abaixo, Xavi quebrou no ritmo e Iniesta andou intermitente, Busquets foi o melhor e mais regular jogador do Barcelona. Como podem verificar no primeiro vídeo do artigo, já em 2010 Reina afirmava que o melhor da selecção no mundial havia sido, na altura com apenas 21 anos, Sergio Busquets. Alguma razão há-de existir para, desde que se estreou, o craque espanhol nunca ter feito menos de 45 jogos por época. Numa altura em que todos os treinadores pedem trincos e médios fortes, possantes, rápidos e capazes de correr km a alta intensidade, é um rapaz magrinho e sem velocidade que triunfa… por saber que a velocidade que importa é aquela com que se pensa e decide. Busquets não vai nunca ganhar uma Bola de Ouro, mas não desempenha o seu papel em campo pior do que qualquer que seja considerado o melhor.
Futebol e rali misturaram-se e a festa da chegada de Bernardo Sousa às Portas do Mar foi feita ao som de “Glorioso, SLB! Glorioso SLB!!”. Bernardo Sousa ganhou à sétima tentativa a volta à ilha, prova em que se estreou com 19 anos ao volante de um Skoda Fabia TDI. Uma prova em que o madeirense não tinha tido muita sorte até agora, pois contava com quatro desistencias e dois 10º lugar.
O último dia do rali foi muito animado e a luta para encontrar o vencedor da prova durou até ao último troço, a segunda passagem pela Tronqueira. Bernardo Sousa e Kevin Abbring foram os protagonistas desta luta e, apesar de o português ter estado sempre na frente, viu o holandês recuperar-lhe tempo várias vezes, mas um pequeno toque já perto do final na primeira passagem pela Tronqueira foi decisiva para a vitória – justa, no meu entender – de Bernardo Sousa, que na manhã de ontem tinha dito que ia lutar para ficar no segundo lugar porque o carro não estava nas melhores condições; resta saber se era jogo psicológico ou descrença do madeirense. Para a história ficam os 6s2 de diferença entreos dois primeiros.
Foram vários os madeirenses ao longo dos dias nas estradas e no final da prova. Fonte: Rodrigo Fernandes
O segundo dia de prova foi tão agressivo para as máquinas que Jean-Michel Raoux acabou por cair num terceiro lugar de forma algo inesperada no ínicio da prova, fechando assim o pódio com três carros de categorias diferentes. Consani conseguiu levar o seu carro até ao fim apesar de todos os toques que deu, e será certamente uma das imagens do rali com a sua chegada de sexta às portas do mar. O piloto não conseguia andar com o carro direito devido a ter partido a direção e foi um verdadeiro espetáculo assistir. Luís Rego ganhou a produção e foi o melhor açoriano numa boa prova deste jovem piloto.
Nas restantes categorias, e se separarmos as duas rodas motrizes dos júniores como fiz no texto de antevisão, os vencedores foram Henrique Moniz e Stéphane Lefebvre, respectivamente. O açoriano estreou o seu DS3 R3T e levou o carro até ao fim da melhor forma, enquanto Lefebvre ganhou a competição jujúniore as duas rodas motrizes, se juntarmos todos) e demonstrou toda a sua qualidade e o porquê de correr para a equipa oficial da Peugeot.
Esta edição da prova contou ainda com vários factores extra como já não víamos há alguns anos, como não ter chovido e o nevoeiro não ter afectado a prova, permitindo que fossem captadas imagens muito boas de São Miguel, que chegaram ao mundo através da Eurosport. Apesar de não estar um tempo como o que tenho apanhado em Lisboa – céu totalmente limpo – deu para queimar muito mais nestes três dias de prova do que nas duas ou três semanas em que o tempo tem estado desta forma em Lisboa.
Stratieva junto ao seu carro na chegada a Ponta Delgada Fonte: Rodrigo Fernandes
Para a história ficam os 25 pilotos que terminaram a prova – entre eles a dupla feminina búlgara – e que viram as suas máquinas aguentar a prova açoriana, que ano após ano me convence mais de que é das melhores que existem.