Certamente, poucos esperariam um arranque de campeonato tão tranquilo para os homens da equipa da zona sul de Londres. A ocupar o nono lugar da Premier League, ao fim de onze jornadas, o Crystal Palace superou as expectativas de todos os adeptos, estando inclusive, à frente de emblemas de quem se esperava bem melhor (Manchester United, Tottenham, Wolverhampton e Everton).
Quatro vitórias, três empates e quatro derrotas, colocam os “Eagles” nesta posição. Mas o futebol não é apenas feito de números. As suas exibições têm-se destacado pela simplicidade de processos e pragmatismo na hora de concretizar. Para a história recente deste clube, ficam a vitória forasteira em Old Trafford e o empate com o Arsenal (também fora), depois de ter estado em desvantagem de dois golos.
Uma defesa experiente, um meio-campo consistente e um ataque vertiginoso são as imagens de marca deste Palace. Analisando por setores, podemos verificar:
Defesa
A aquisição do experiente (Gary Cahill) e a permanência de um daqueles jogadores de quem sempre se esperou mais (Mamadou Sakho) – uma dupla de dois “ex-grandes” – só acrescentou qualidade ao setor mais recuado (e consistente) do Crystal Palace. Van Aanholt, Tomkins e Ward completam o conjunto de defensores do guardião espanhol, Vicente Guaita.
Meio-campo
Milivojevic tem sido um dos jogadores mais regulares e influentes ao longo das épocas Fonte: Crystal Palace FC
O capitão Milivojevic é o farol de toda a equipa. A acompanhá-lo, tem dois “box-to-box” (Kouyaté e McArthur), responsáveis por levar a equipa para a frente e, ao mesmo tempo, deixá-la equilibrada. Se faltar criatividade, também há Max Meier para lançar os velocistas do ataque.
Ataque
A Wilfried Zaha, o fantasista marfinense, é-lhe dada toda a liberdade para rasgar nos últimos quarenta metros. Ao seu lado, pode ter Andros Townsend ou o “joker” Jeffrey Schlupp (que tanto pode jogar a lateral ou a extremo). O objetivo principal destes homens é servir de bandeja os pontas de lança: um mais posicional (Christian Benteke) ou um mais versátil (Jordan Ayew).
A meu ver, o “segredo” do sucesso do Crystal Palace está na estabilidade do plantel e na gestão sustentável dos lucros. Apesar do encaixe de cinquenta e cinco milhões com a venda de Aaron Wan-Bissaka no mercado de verão, não houve “loucuras” nem gastos desmedidos. Quanto a entradas significantes a apontar, só a de McCarthy e Camarassa.
Esta é a prova de que não é necessário fazer grandes mudanças todos os anos. A estabilidade/consistência beneficia os artistas e torna mais fácil o trabalho do técnico. Talvez este seja um bom exemplo para os clubes mais “pequenos”, neste caso, de Terras de Sua Majestade.
A orientar este grupo completíssimo, está o antigo selecionador de Inglaterra, Roy Hodgson. Confesso que não era propriamente fã do futebol que implementou na seleção, mas, ao comando dos Eagles, soube encontrar a fórmula para fazer render “o peixe” (neste caso, a qualidade em quantidade que tem ao seu dispor).
Agora, será que a regularidade que o Crystal Palace FC tem demonstrado até ao momento, se vai manter no decorrer da época, ou o rendimento apresentado vai quebrar?
Muito burburinho existe sobre uma suposta Superliga europeia, a junção dos campeonato Português e Espanhol também já tinha sido equacionado, mas o que vai mesmo a jogo será entre a Bélgica e a Holanda, a chamada BeNeLiga, portanto pode ser provável que daqui a uns anos vejamos um campeonato decidido entre Ajax, Anderlecht, PSV , Club Brugge por exemplo.
A primeira fase de estudo foi concluída com sucesso, o caminho ainda se avizinha muito longo, mas o próximo passo parece ser o formato da competição.
Um trabalho árduo que está a ser conduzido pelas duas federações que estão totalmente empenhadas em levar o projecto avante.
No passado verão existiu mesmo uma reunião entre os clubes mais importantes dos dois países, em que a Holanda se fez representar pelo Ajax, AZ Alkmaar, Feyenoord, PSV Eindhoven, Vitesse e Utrecht, enquanto a Bélgica por Anderlecht, Club Brugge, KAA Gent, KRC Genk e Standard Liége.
O grande objectivo deste projecto passa por aumentar a competitividade entre os clubes, fazer dele um campeonato forte que faça gerar mais interesse e dinheiro para poderem diminuir o fosso que os separa dos outros grandes campeonatos, podendo assim fazer melhores contratações, pagar melhores salários e assim atrair outro tipo de jogadores.
A federação holandesa fez mesmo recentemente um comunicado em que dizia:
“Com base nas descobertas atuais, os indicadores mostram motivos suficientes para avançar para uma segunda fase de estudo de viabilidade. Entre outras coisas, o foco está no formato de competição da BeNeLiga, os seus efeitos nas provas belgas e holandesas e a análise de impacto por clube”.
O presidente do Club Brugge também já veio a público falar sobre o assunto. “ O campeonato deverá contar com dezoito equipas, oito das quais serão belgas. Isto pode ter um processo rápido e, se não for na próxima época, sem dúvida que será numa das duas seguintes”, afirmou Bart Verhaeghe, mas o mesmo já foi desmentido pela federação holandesa que num último comunicado afirmou que o projecto era “impossível a curto prazo”.
Como em tudo, há vozes que aplaudem e outras que criticam, uma delas é Jaap Stam, antigo jogador do Manchester United e atual técnico do Feyenoord que assumiu a sua oposição ao projecto dizendo, “Durante anos foi completamente diferente, mas, atualmente, a selecção holandesa está melhor e alguns clubes estão a portar-se bem na Europa. Não sou a favor da fusão”, concluiu.
Contudo, acho que quem beneficiaria mais seria a Bélgica pelo campeonato e equipas que tem, mas muitas dúvidas se levantam, tais como: que equipas ficam logo apuradas, como seria as qualificações nas próximas épocas, por exemplo, quem desce, desce para onde? Será preciso uma BeNeLiga2? Como ficará esta liga no ranking da Uefa? vão juntar as pontuações dos dois? Ainda muita tinta irá correr sobre o assunto, esperemos para ver.
2019/20 tem sido, sem dúvida, uma época de sonho para Romário Baró. Pode até ser, eventualmente, paradoxal qualificar a fase inicial da temporada deste jovem desta forma, sobretudo devido à quantidade de jogos em que tem estado ausente por lesão.
Contudo, arrisco-me a afirmar que todos esses problemas físicos que o têm afetado poderão ser facilmente sobrepostos pela confiança que Sérgio Conceição aparentemente demonstra no seu futebol. Aliás, e se falamos de confiança, é impossível deixar a massa adepta de fora: Baró é, atualmente, visto como um jogador com enorme potencial pelos “portistas” que, apesar da sua tenra idade, é já encarado como uma realidade no atual plantel, uma efetiva mais-valia.
Se, por um lado, as oportunidades que o internacional sub-21 português já vem acumulando nesta fase inicial do ano desportivo devem ser encaradas como um fator positivo, os motivos por detrás das mesmas não devem ser vistos da mesma forma.
Vamos lá por partes: é impossível negar o talento que Baró demonstra dentro das quatro linhas. Um jogador claramente diferenciado, tecnicamente, com um bom olho para o passe, aguerrido e desequilibrador com a bola nos pés – claramente alguém que deixa qualquer adepto de futebol encantado com o seu talento.
Romário Baró foi um dos elementos em maior destaque na vitória do FC Porto por 0-2 no Estádio da Luz Fonte: FC Porto
Contudo, o facto de, em condições de plenitude física, Romário ser titular “de caras” nesta equipa, revela a pobreza de qualidade existente no meio-campo do FC Porto. Com isto não procuro em nada rebaixar esta pérola da nossa formação, pretendo apenas constatar que, em caso de lesão ou de uma queda de rendimento (característica de jogadores de tenra idade), nenhum nome surge como ideal para substitui-lo no onze inicial.
E a falta de opções de qualidade no setor intermediário do campo não se restringe apenas à sua componente mais adiantada; muito pelo contrário, aliás.
No quesito “médios diferenciados”, atualmente, restaram apenas um lesionado Baró, um Danilo muito abaixo das suas capacidades e um Uribe que, recentemente, tem estado abaixo daquilo que se perspetivou aquando da sua contratação.
Relativamente aos restantes, em pouco me deixo iludir com um Bruno Costa ou com um Sérgio Oliveira e pedir regularidade ao Otávio é a mesma coisa que pedir para não se molhar à chuva.
Ah, quase que me esquecia do Loum, jogador contratado ao SC Braga por míseros 7.75 milhões de euros. Bom, do médio senegalês pouco ou nada tenho a dizer, visto que a maioria dos adeptos nem o deve conhecer, dado que SC apenas nos presenteou com o futebol de Loum no jogo da Taça de Portugal frente ao SC Coimbrões.
As competições europeias constituem o sonho de qualquer jogador, independentemente da sua origem. São as provas continentais de clubes mais ambicionadas, ultrapassando claramente a Copa Sudamericana e a Libertadores em mística e mediatismo.
Portugal construiu uma história bonita e recheada nestas competições, mas, ultimamente, não tem estado à altura da reputação que alimentou durante anos e anos. As prestações sofridas dos clubes nacionais têm-se repetido edição após edição e não orgulham a maioria dos seus adeptos.
As consequência das campanhas lusas desastrosas estão espelhadas nos rankigs FIFA ao longo das temporadas, chegando mesmo a ser ultrapassados pela Rússia e com a Bélgica e Ucrânia sempre por perto, afetando diretamente o número de vagas disponíveis e equipas apuradas.
A qualidade de jogo apresentada em Portugal tem descido drasticamente, tanto nas equipas mais modestas, como nos crónicos candidatos aos títulos. Se por um lado os plantéis chegam para consumo interno, o mesmo não se pode dizer dos jogos internacionais. O principal problema está aí: a rotina das provas internas torna águias, dragões e leões cada vez mais cómodos.
Os adeptos vitorianos fizeram do Emirates Stadium um mini Afonso Henriques e empurraram o Vitória SC para uma exibição a roçar a perfeição Fonte: Vitória SC
Essa falta de competitividade interna além de afetar o rendimento europeu, cava um fosso ainda maior para as equipas de segunda linha e que pretendem intrometer-se neste domínio, como SC Braga e Vitória SC.
O mesmo acontece noutros países e devia servir de exemplo para que se pudesse evitar por cá. Na Grécia, o domínio avassalador do PAE Olympiacos SFP prejudicou o crescimento do futebol naquele país e é raro o sucesso daquelas equipas na Europa. O mesmo se passa na Holanda, Ucrânia, Alemanha, Itália e França, por exemplo.
Tirando a campanha extraordinária do AFC Ajax e as consistentes participações dos bávaros, é raro ver uma equipa dos países citados anteriormente em fases avançadas e decisivas da prova milionária.
No caso da Espanha, onde o campeonato se decide a dois ou três, é comum ver uma equipa na final da Liga Europa ou dos Campeões e não é fruto do acaso. Um campeonato mais exigente depende de um nível competitivo elevado e levará a níveis aceitáveis de sucesso europeu.
Regressamos ao dia 5 de janeiro de 2014. Lembro-me de acordar cedo naquela manhã; estava um típico dia de janeiro: nublado e frio. Liguei a televisão e só se falava de uma coisa: tinha falecido Eusébio da Silva Ferreira. O choque foi grande. No fundo, era a partida de um símbolo de Portugal e Moçambique, uma lenda do Benfica e um ícone da história do futebol mundial. Parafraseando Ricardo Araújo Pereira, muitas vidas são melhores devido ao Benfica e o Benfica é melhor por causa de Eusébio. Naquele dia não morreu apenas um, morreu um pequeno pedaço de milhões.
Apesar do grande impacto que a partida da “pantera negra” teve no mundo benfiquista, a tristeza alargou-se a todo o país e a toda a comunidade lusófona. A estátua de Eusébio, à entrada do Estádio da Luz, foi inundada com cachecóis e bandeiras de todos os clubes, mas o que foi “deixado” na estátua foi sobretudo gratidão e admiração. Seguiu-se uma triste, mas mais do que merecida, homenagem no centro do relvado, pelo qual o “King” passou na sua última viagem.
No meio deste clima de luto e tristeza, a vida teve de continuar a seguir o seu rumo natural. Logo no fim de semana seguinte a esta grande perda, o Sport Lisboa e Benfica recebia em sua casa o Futebol Clube de Porto. Os duelos recentes com os dragões não traziam boas memórias à equipa encarnada, que tinha ainda bem presente na memória o golo de Kelvin no dragão.
Apesar do mau registo frente aos azuis e brancos, reinava um clima de anormal positivismo entre os adeptos benfiquistas. Eu próprio nunca tive tanta certeza do resultado de um jogo. Não interessava quem era o adversário: o Benfica iria sair da Luz com a vitória.
Naquela tarde, o Porto entrou em campo com Helton, Danilo, Mangala, Otamendi, Alex Sandro, Fernando, Lucho Gonzalez, Carlos Eduardo, Jackson Martinez, Silvestre Varela e Licá. No lado dos encarnados foram a jogo Oblak, Maxi Pereira, Luisão, Garay, Siqueira, Matic, Enzo Perez, Markovic, Gaitan, Lima e Rodrigo. Todos os jogadores do Benfica tiveram neste jogo uma coisa em comum: o nome que transportavam na camisola. Nesta partida, entravam em campo 11 “Eusébios”. Nenhuma equipa teria hipóteses.
Por vezes, ouve-se a velha máxima do futebol que proclama que o símbolo na frente da camisola é mais importante do que o nome nas costas. Neste jogo, o nome nas costas ascendeu em importância e sobretudo em mística. Todos aqueles jogadores carregavam consigo a história do Benfica e a responsabilidade de dar uma grande despedida ao melhor jogador de sempre do clube.
As três equipas entraram em campo, enquanto mais de 60 mil benfiquistas cantavam, de forma ensurdecedora, o hino do Sport Lisboa e Benfica. Todos os cânticos de apoio a ambas as equipas e o barulho que se fazia sentir no estádio terminou quando Artur Soares Dias apitou, indicando o início do minuto de silêncio em homenagem a Eusébio. A euforia transformou-se rapidamente em luto e tristeza. O estádio coloriu-se de preto e o silêncio, mantido pela maioria, arrepiou todos os presentes nas bancadas. Com um novo apito do árbitro, as lágrimas e a tristeza depressa se transformaram em esperança e vontade no apoio à equipa, numa simbiose perfeita e única entre público e jogadores, a um nível que não é facilmente observável nos estádios portugueses.
Este jogo serviu de homenagem ao “pantera negra” Fonte: SL Benfica
Passando ao jogo em si, o esférico começou a rolar às quatro da tarde daquele dia. Depressa se percebeu que existia um certo nervosismo entre os jogadores, devido à importância desportiva do jogo e ao seu simbolismo, mas a sua vontade de vencer era ainda maior. Logo aos 13 minutos, a bola caiu nos pés de Markovic, que arrancou de forma brilhante, ultrapassando dois jogadores do FC Porto, numa jogada que fez lembrar o incrível golo que marcou ao Sporting CP. Subsequentemente, o sérvio passou a bola na perfeição para Rodrigo, que na cara do golo “fuzilou” autenticamente Helton, que nada pôde fazer.
60 mil pessoas saltaram em uníssono das suas cadeiras, gritando “GOLO” do fundo dos seus pulmões. Naquele minuto, a terra tremeu e o estádio foi, metaforicamente, abaixo. Certamente um dos golos com mais significado na história do Benfica e um dos mais celebrados no Estádio da Luz. Aquele remate fulgurante em tudo se assemelhou a um “tiro” da “pantera negra”, que naquela altura parecia ter descido do seu pedestal de divindade para ajudar o Benfica.
O grito de raiva de Rodrigo, enquanto se agarrava à sua própria camisola, ficaria igualmente marcado na memória de muitos benfiquistas. Era um grito por Eusébio, era um grito pela vantagem frente ao FC Porto, era um grito sobretudo pelo Benfica. A imagem de todos os jogadores abraçados e do braço de Rodrigo, lá no meio, bem esticado a apontar para o céu, entrou, certamente, para a história do clube encarnado.
Aos 53′, Mangala cortou a bola e cedeu o pontapé de canto ao Benfica. Enzo Pérez bateu a bola para o centro da área, Garay antecipou-se a Mangala e cabeceou a bola de forma fulminante, fazendo abanar novamente as redes de Helton. O “vulcão da Luz” voltou a eclodir, enquanto Garay celebrava o golo abraçado aos seus colegas e a alguns adeptos que invadiram o terreno. Este golo deu finalmente tranquilidade à equipa, que dominaria o jogo até ao final e homenagearia Eusébio, conseguindo uma vitória preponderante e os três pontos.
A vitória foi decisiva pois isolou o Benfica na liderança do campeonato, liderança que não largou mais até à conquista do 33º título de campeão nacional. Finalmente, os encarnados conseguiam vencer o grande rival e ultrapassar os traumas do final desastroso da época passada. O “Rei” Eusébio teve neste jogo uma justíssima e feliz homenagem por parte do Benfica. Se estivesse cá, estaria certamente risonho naquela mítica cadeira nº 10, no camarote da Luz, que só a ele pertencia.
Este triunfo foi uma enorme conquista do Benfica, tanto do ponto de vista desportivo como psicológico. Mas a maior vitória naquela tarde foi sem dúvida do futebol e do desporto. A tristeza provocada pela partida do “King” transformou-se ao longo da partida em alegria e felicidade. É este o efeito incrível que o desporto tem na vida de muita gente: uma fonte de felicidade, uma escapatória de uma realidade não desejada, um porto de abrigo para muitos. Desporto é emoção. Não é – nem nunca será – “só” futebol.
Jogo intenso no Minho para terminar um fim-de-semana prolongado de muito futebol, com um SC Braga em dificuldades a receber a surpresa do Campeonato até ao momento, o vizinho e recém-promovido FC Famalicão.
Os arsenalistas entraram no jogo com maior ímpeto e foram-se instalando no terreno adversário, começando a criar algumas jogadas ofensivas de interesse, ainda que não surgisse real perigo. À passagem do quarto de hora de jogo pediu-se grande penalidade na Pedreira, mas após demorada paragem para aconselhamento pelo VAR, o árbitro mandou seguir.
O passar da primeira metade não trouxe novidades e os da casa mantiveram sempre o controlo, começando até a ameaçar chegar ao golo. Aos 34’, Roderick foi expulso após parar, em falta, um ataque bracarense, numa ação disciplinar talvez exagerada e, até ao intervalo, o golo esteve muito perto – incluindo uma ilusão de ótica em que uma bola nas malhas laterais fez alguns adeptos festejar -, mas o Famalicão aguentou o forte e manteve o nulo até ao momento de regressar aos balneários.
O retomar do encontro deu-se de forma bem contrária ao esperado. Depois de se ver dominado durante a primeira metade da partida, o Famalicão respondeu com a eficácia que faltou ao Braga. Um tiro bem colocado de Toni Martinez à entrada da área chegou para colocar os visitantes em vantagem.
Os arsenalistas encaixaram bem a desvantagem e responderam prontamente, retomando, rapidamente, o assalto à baliza adversária, mas continuava a faltar a capacidade de transformar o enorme fluxo de jogo ofensivo em um golo que fosse.
Nem o bis de Galeno chegou para os bracarenses vencerem o encontro Fonte: SC Braga
Por outro lado, os visitantes teriam de lidar com nova contrariedade com a lesão do autor do golo, Toni Martinez, que forçou a terceira substituição famalicense. Finalmente, depois de tanto tentar, o Braga acertou com o golo e logo dois em sucessão. Em ataques consecutivos, Galeno brilhou e deu a volta ao resultado com um bis muito festejado.
Quando o jogo parecia, finalmente, decidido a favor dos Guerreiros do Minho, a construção atacante famalicense voltou a fazer estragos, com Anderson a aproveitar a recarga de uma primeira defesa de Matheus para dar nova igualdade ao encontro.
Apesar da pressão bracarense, o Famalicão foi sempre um conjunto organizado, mas não conseguiu conter o rasgo de Galeno nos momentos finais, talvez acusando o desgaste de jogar tanto tempo com um a menos, contudo soube voltar a erguer-se para ainda somar um sofrido ponto.
Depois do deslize a meio da semana na Madeira, o FC Porto voltou ao Estádio do Dragão para receber o CD Aves, último classificado da Primeira Liga. Com obrigatoriedade de vencer, dadas as posições distintas que ambas as equipas ocupam na tabela e as valências que têm, o FC Porto somou mesmo os três pontos, num dia em que valeu mais o resultado que a exibição.
O FC Porto assumiu o controlo do jogo desde o primeiro minuto e só o perdeu durante o nono, em que os adeptos foram protagonistas, fazendo uma homenagem a Fernando Gomes, ex-jogador dos dragões e bi-bota de ouro, que atravessa um período difícil da sua vida pessoal por culpa de uma doença.
O primeiro golo do FC Porto chegou ao minuto 13′. Otávio cruzou à direita e Marcano, ao segundo poste, finalizou com categoria e precisão, desfazendo o nulo no marcador.
Aos 24′, Bruno Costa recebeu a bola dentro da área do CD Aves e foi aparentemente derrubado por Afonso Figueiredo. Hélder Malheiro, numa primeira instância, assinalou grande penalidade mas depois, após consultar o VAR, reverteu a sua decisão e mandou seguir a partida.
O Aves esteve perto de marcar por Welinton Junior, na conversão de um livre à esquerda do ataque dos homens de Leandro Pires, colocando a bola muito perto do ângulo da baliza de Marchesín. Os dragões não ficaram atrás, com Luis Díaz perto de dilatar a vantagem logo de seguida.
Luis Díaz foi o que mais mostrou vontade de desequilibrar na primeira parte. Fonte: FC Porto
Chegaram ao fim os primeiros 45 minutos da partida e o FC Porto ia na frente para os balneários, devido a um golo de Marcano. No entanto, os adeptos não mostravam estar satisfeitos com a exibição dos azuis e brancos.
A segunda parte começou na mesma toada que a primeira, com o FC Porto por cima na partida, mas impondo um ritmo lento. O Aves apareceu mais perigoso, mas sempre com remates a passarem longe da baliza de Marchesín.
Aos 64′ surgiu o primeiro lance de perigo do segundo tempo, com Alex Telles a cruzar à direita e Pepe a desviar para uma grande intervenção de Aflalo.
Sempre num ritmo lento, muito abaixo do expectável, o jogo seguiu sem lances de perigo até ao apito de Hélder Malheiro para o fim dos 90 minutos. O FC Porto saiu do Dragão com os três pontos, apesar de se ter exibido a um nível abaixo do esperado.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
FC Porto: Marchesín; Mbemba( 55′ Alex Telles), Pepe, Marcano, Manafá; Danilo, Bruno Costa, Otávio( 82′ Uribe); Corona, Soares, Luis Díaz ( 55′ Zé Luís)
CD Aves: Aflalo; Mato Milos, Adi Mehremic, Falcão, Afonso Figueiredo; Estrela, Luiz Fernando (86′ Rodrigues), Rúben Oliveira, Welinton Junior; Kevin Yamga( 86′ Zidane), Mohammadi ( 73′ Kahraba)
Na terra dos cowboys, em Austin, Texas, Valteri Bottas (Mercedes), converteu a pole position conseguida ontem numa vitória que não surgiu sem suor. O piloto finlandês assumiu o controlo inicialmente, mas viu-se obrigado a adotar uma estratégia difícil de duas paragens para cobrir Max Verstappen (Red Bull), o que fez com que entrasse em rota de colisão com o seu colega Lewis Hamilton (Mercedes), que após um início fulgurante onde tratou de passar os dois Ferrari. O britânico esteve sempre na luta pelo pódio, e até pela vitória, terminando em segundo seguido de muito perto por Max Verstappen, que esteve sempre perto, mas nunca foi o mais rápido para chegar a uma vitória.
Bastante atrás deste trio de ataque, estava Charles Leclerc (Ferrari), que nunca teve argumentos para acompanhar os outros carros. Fez lembrar na Hungria, em que os dois Ferrari eram quase um segundo por volta mais lentos. O quinto lugar provavelmente estaria reservado para Sebastian Vettel, mas após um mau início de corrida, onde estava com problemas em fazer os pneus funcionar, caiu de segundo para sétimo.
Vettel perseguia Lando Norris (McLaren) e Daniel Ricciardo (Renault), e uma das famosas lombas da pista de Austin destruiu completamente a suspensão traseira do carro do alemão. Mais ninguém teve esse problema, mas, já por haver queixas durante os treinos, os responsáveis pela pista vão proceder à repavimentação da pista, para evitar problemas de segurança em zonas mais rápidas.
Vettel e o triciclo mais caro do mundo… Fonte: Formula 1
Alexander Albon (Red Bull), acabou por ter uma boa corrida, mas o ritmo que demonstrou para chegar à quinta posição, deixa a questionar o quanto ele podia ter afetado a batalha da frente. O piloto da Red Bull teve um pequeno choque com Carlos Sainz (McLaren) na primeira volta, e teve de parar para reparações, fazendo o resto da corrida com alguns danos. Ainda assim, conseguiu voltar para a quinta posição, apesar de fazer três paragens, continuando o registo de terminar acima de sexto em todas as corridas que fez pela Red Bull. Sem dúvida, um registo muito superior ao de Pierre Gasly.
Daniel Ricciardo e Lando Norris batalharam durante toda a corrida, terminando em sexto e sétimo, respetivamente, seguidos de Carlos Sainz (Mclaren), Nico Hulkenberg (Renault) e por Sergio Perez (Racing Point), que foi promovido a décimo, após a penalização dada a Daniil Kvyat (Toro Rosso) por chocar contra o mexicano.
Perez começa nas boxes, e chega aos pontos. Fantástico Fonte: Formula 1
A corrida não foi propriamente entusiasmante, mas foi sim intrigante, com alguns momentos de destaque, e a batalha a três pela liderança. Porém, apesar de vencer, Valteri Bottas não vai ser o destaque desta corrida, isto porque Lewis Hamilton consegue assegurar mais um campeonato, o sexto, e terceiro consecutivo. Já desde as primeiras corridas que ninguém esperava outro campeão, sendo que Bottas ainda ameaçou, mas nunca foi consistente o suficiente para acompanhar o seu colega de equipa.
Se em todas as corridas deste ano, Valteri Bottas mostrasse a qualidade que mostrou hoje, o título ainda estava por decidir, mas não é só de vez em quando que vale a pena ser rápido. Por isso, Bottas é um piloto rápido, mas não um campeão como Hamilton, Sebastian Vettel (Ferrari) ou como Max Verstappen e Charles Leclerc (Ferrari) prometem ser. Quanto a Lewis Hamilton, não há muito mais a dizer. Caminha a passos largos para o sétimo título, e a máquina Mercedes/Hamilton já é tão bem oleada, que o mais provável será mesmo que, em 2020, o britânico ultrapasse Michael Schumacher.
Existem muito poucos pilotos tão completos como Hamilton. Geralmente há os pilotos rápidos, e os pilotos consistentes, o britânico consegue ser dos melhores nas duas categorias. E não, não é só do carro, senão Valteri Bottas conseguia estar sempre ao nível do britânico, e, ao contrário do que muito se diz, Bottas não é um mau piloto, ele só não é Lewis Hamilton.
França acolheu, este domingo, a final do último Masters 1000 da época. Em Paris, Novak Djokovic e Denis Shapovalov enfrentaram-se no court com o grande objetivo de conquistar o título.
Antes de falar do encontro decisivo é importante recordar o percurso de ambos os tenistas no torneio.
Novak Djokovic
2.º ronda: Novak Djokovic 2-0 Corentin Moutet
Oitavos de final: Novak Djokovic 2-0 Kyle Edmund
Quartos de final: Novak Djokovic 2-0 Stefanos Tsitsipas
Meia-Final: Novak Djokovic 2-0 Grigor Dimitrov
O jogador sérvio, de 32 anos, não teve muitas dificuldades em chegar à final. O facto de não ter cedido qualquer set demonstra, não só a sua capacidade em controlar a partida, como também a sua superioridade face aos adversários. O jogo dos quartos de final representa bem o poderio de Novak Djokovic, tendo em conta que derrotou, sem problemas, o número sete mundial.
Denis Shapovalov
1.º ronda: Denis Shapovalov – Gilles Simon (Gilles Simon desistiu do encontro devido a lesão)
2.º ronda: Denis Shapovalov 2 -1 Fabio Fignini
Oitavos de final: Denis Shapovalov 2-1 Alexander Zverev
Quartos de final: Denis Shapovalov 2-0 Gael Monfils
Meia-Final:Denis Shapovalov – Rafael Nadal (Rafael Nadal desistiu do encontro devido a lesão)
O jovem canadiano, de 20 anos, ao contrário de Novak Djokovic, teve uma caminhada mais complicado, sobretudo pelo valor dos tenistas que enfrentou. Denis Shapovalov acabou por beneficiar da desistência de Gilles Simon e Rafael Nadal. Ainda assim, revelou maturidade e uma postura determinada para alcançar a sua segunda final esta temporada, ao afastar nomes como Fabio Fognini, Alexander Zverev e Gael Monfils.
O Sporting CP saiu derrotado da deslocação a Tondela, onde um golo de Bruno Wilson, aos 88 minutos, ditou o destino dos leoninos.
O início da partida mostrou duas equipas a quererem impor o seu futebol, sendo tal obrigação natural do Sporting, mas não tanto do CD Tondela, pelo que se pode dizer que a entrada forte dos comandados de Natxo González surpreendeu alguns. No entanto, e olhando para a classificação, a colocação dos tondelenses a meio da primeira metade da tabela é indicador do que esta equipa tem feito e da sua qualidade.
A partir da marca dos 15 minutos, os leoninos começaram a dispor de um maior domínio da posse de bola, mas as saídas rápidas para o ataque dos viseenses causavam sempre calafrios ao setor mais recuado dos sportinguistas. Ainda assim, a superioridade não era evidente, pelo que o jogo se mantinha bastante tático e com as formações a parecerem encaixar uma na outra.
A primeira grande ocasião de golo surgiu ao minuto 32 e foi para o lado do Sporting. Após uma boa incursão de Ristovski pelo corredor direito, este tirou o cruzamento rasteiro para a entrada da pequena área onde aparecia Miguel Luís, mas o médio da equipa de Alvalade atirou por cima da baliza. O internacional pelas seleções jovens de Portugal ainda voltou a tentar a sorte, cerca de dez minutos depois, mas o remate não assustou Cláudio Ramos.
Já em cima do apito para o intervalo, Fábio Veríssimo foi obrigado a expulsar o lateral esquerdo do Tondela, Filipe Ferreira, após uma entrada muito dura deste sobre Doumbia. No entanto, após o recurso ao vídeo-árbitro, o juiz de Leiria anulou a expulsão e admoestou o jogador apenas com o cartão amarelo.
Chegava o intervalo e o empate era o resultado que melhor espelhava o que estava a ser o jogo. Apesar de boas saídas para o ataque por parte do Tondela, nenhuma foi concluída de modo a criar perigo a Renan. O mesmo podia ser dito do lado do Sporting, que só incomodou verdadeiramente o adversário por uma vez, no tal remate de Miguel Luís.
Uma primeira parte muito fria, tanto no jogo como na temperatura ambiente Fonte: Bola na Rede
Ao contrário do que havia sucedido na primeira parte, na segunda foram os “leões” a entrar com vontade de dominar, enquanto que os tondelenses se mantinham num bloco baixo e fechado. Aos 57 minutos, Bruno Fernandes dispôs de uma oportunidade muito boa para abrir o ativo, através de um livre direto já na meia lua da área de Cláudio Ramos. Ao remate potente do internacional português, respondeu também a alto nível o guarda-redes luso, também ele já internacional.
A primeira ofensiva dos viseenses no segundo tempo foi em cima da hora de jogo, por intermédio de Richard, que havia entrado ao intervalo. O remate saiu forte, mas Renan não demonstrou dificuldades em defendê-lo. A resposta sportinguista veio meia dúzia de minutos depois, novamente através de um livre de Bruno Fernandes e ao qual Cláudio Ramos voltou a responder com uma defesa de qualidade.
Daqui em diante, a partida caiu num ritmo monótono, onde não se registaram quaisquer oportunidades, de parte a parte. Só aos 80 minutos é que voltou a haver remate, de novo de Bruno Fernandes, e desta feita saiu muito por cima do alvo. Vietto, logo de seguida, pareceu inspirado pelo colega e resolveu rematar de fora da área também, tendo a bola sido rasteira e passado junto ao poste, mas com o guardião tondelense a controlar.
Em cima dos 88 minutos, surge o momento do jogo: o livre de Jonathan Toro encontra a cabeça de Bruno Wilson, ao segundo poste, e este cabeceia para o fundo da rede, com Renan a ficar pregado ao relvado. O Tondela abria assim o marcador, praticamente em cima do fim do jogo, naquele que foi um balde de água fria para os “leões”.
No período de descontos, o Sporting procurou mais pelo golo do que em todo o restante período do jogo, mas o esforço tardio foi em vão. A instabilidade continua em Alvalade e os pedidos de demissão para a direção foram em grande quantidade.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
CD Tondela – Cláudio Ramos; Moufi; Yohan Tavares; Bruno Wilson; Filipe Ferreira; Philipe Sampaio; Pepelu; João Pedro (Jaquité, 74’); Murillo; Xavier (Richard, 46’); Tomislav Strkalj (Jonathan Toro, 59’).