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Dia das decisões!

cab futsal

No passado fim-de-semana realizaram-se os quatro jogos do play-off do Campeonato Nacional de Futsal e estaria a mentir se dissesse que não houve surpresas.

O Fundão venceu os Leões de Porto Salvo por 6-2 num jogo de sentido único. Como tinha previsto, a equipa do Fundão triunfou de forma tranquila sobre a difícil equipa dos Leões, que realizaram um belíssimo campeonato, embora a fase final do mesmo não seja tão positiva. O Fundão vinha de um resultado histórico, por isso motivação era algo que não faltava à equipa. Apenas precisou apenas de juntar à motivação a qualidade existente no seu plantel.Justíssima vitória da equipa da casa, que fez tudo para se superiorizar neste primeiro encontro do play-off.

O Sporting viajou até ao Norte para defrontar o Boavista num encontro que terminou com a vitória leonina por 6-1. A primeira parte foi extremamente equilibrada. Os axadrezados marcaram primeiro, demonstrando que iriam dificultar ao máximo a vida do Sporting. Os leões empataram por intermédio de Divanei e foram para o intervalo a vencer por 1-3. Em apenas 1 minuto o Sporting aproveitou duas falhas defensivas do Boavista para fazer mais dois golos, que foram algo injustos. Considero que seria mais justo se o resultado tivesse ficado estabelecido em 1-1, todavia o futsal é assim mesmo: em muito pouco tempo o resultado altera-se.

Na segunda parte o Sporting geriu o jogo e resultado. Baixou um pouco a intensidade e aproveitou todas as oportunidades que lhe foram concebidas. Relativamente ao Boavista, não conseguiu alterar o resultado, dispôs de algumas oportunidades de golos, mas não fez o suficiente para tentar empatar a partida. Na gíria diz-se que quem não marca sofre e assim foi: o Sporting marcou mais 3 golos dilatando o resultado final em 1-6.

Pedro Carry e Deo a festejarem 1 golo da equipa leonina Fonte: Zerozero.pt/ Pedro Benavente
Pedro Carry e Deo a festejarem 1 golo da equipa leonina
Fonte: Zerozero.pt/ Pedro Benavente

O Benfica deslocou-se ao pavilhão do Belenenses para disputar o primeiro jogo do play-off. O jogo foi muito bem disputado, principalmente na segunda parte. O Belém entrou bem na partida e inaugurou o marcador por intermédio de João Marques. A equipa do Benfica vinha de uma derrota na Final da Taça de Portugal e este golo fez com que revivesse alguns desses momentos; todavia os encarnados reagiram muito bem, marcando três golos. Devido a estes três golos foram para o intervalo a vencer por 1-3.

Na segunda parte, o Benfica voltou a marcar, mas os rapazes de azul reagiram de forma maravilhosa, diminuindo a diferença no resultado para apenas um golo. O jogo terminou 3-4 e ficou na retina uma boa atitude da equipa da casa contra uma equipa de “estrelas” que pareceu algo fragilizada.

O Rio Ave recebeu e venceu o Braga num jogo muito equilibrado que se decidiu nas grandes penalidades. Foi um jogo em que o Rio Ave beneficiou de alguma sorte. Esteve sempre em desvantagem, mas acabou por vencer na marcação das grandes penalidades. O segundo jogo disputou-se ontem em Braga, tendo terminado com uma vitória bracarense por 7-1. O Braga foi claramente melhor e o Rio Ave nada conseguiu fazer para alterar o rumo do jogo. Com este resultado a eliminatória encontra-se empatada, ou seja, tudo será decidido numa terceira partida. O jogo das decisões será disputado hoje em Braga às 21h.

A equipa do Braga venceu o Rio Ave e irá disputar um 3º jogo para confirmar o apurado para as meias-finais.

Para hoje, prevejo que Sporting e Benfica vençam os seus jogos de forma fácil, avançando para as meias-finais da competição.

Relativamente aos restantes encontros, penso que o Braga irá vencer o Rio Ave novamente, devido ao facto de jogar em casa e ter vencido ontem de forma clara e fácil. Não me parece que o Rio Ave tenha argumentos para vencer o encontro, mas nunca se sabe.

O jogo entre Leões de Porto Salvo e Fundão será certamente de altíssimo nível. De um lado temos uma equipa que está com elevadíssimos níveis de motivação, apresentando uma qualidade de jogo excecional; do outro lado, uma equipa que fez uma grande temporada, que joga em casa, que precisa de vencer para levar as decisões para um terceiro jogo e que, caso apresente a qualidade demonstrada na Fase Regular, pode mesmo vencer.

Sendo assim, os jogos de hoje serão certamente de grande qualidade!

O Passado Também Chuta: Pancho Puskás

o passado tambem chuta

Escrever sobre o Puskas significa falar de bola no fundo das redes. Parecia fisicamente um cilindro. No famoso Benfica-Real Madrid no Estádio da Luz para a Taça dos Campeões Europeus vi-o sobre o relvado; não se mexia. A sua barriga fazia-se notar aos meus olhos de menino deslumbrado com aquela lenda do futebol. Destacava-se, ainda que o Benfica tivesse jogadores deslumbrantes como Eusébio, Simões ou José Augusto e pelo próprio Real Madrid ainda jogasse outro velho ilustre chamado Gento. O Benfica fez um jogo de escândalo; arrasou; ganhou pelo significativo resultado de 5-1, mas Puskas, sem correr e limitando-se a ver se a bola lhe passava a um metro, ainda me mostrou como se chutava à baliza. Durante a segunda-parte deu-se uma falta que provocou um livre direto contra o Benfica. A distância era grande; a bola estava quase centrada, um bocado descaída para o lado esquerdo. Puskas colocou a bola e ficou ao pé dela. O Benfica fez a barreira; o árbitro apitou e Puskas, mesmo junto à bola, levantou o pé esquerdo. O Estádio estava num silêncio expectante; todos queríamos ver como chutava. O seu pé embateu na bola; a bola partiu limpa e rasa ultrapassando a barreira por baixo; embateu como uma bomba na base do poste direito do Benfica e a bola ricocheteou metros e metros. No Estádio da Luz sentiu-se um misto de alívio e admiração.

Era natural de Budapeste. Está ligado, diretamente, ao mito do futebol magiar e à lenda da seleção húngara que só não foi campeã mundial porque às vezes a bola não parece redonda. Ao seu lado, tanto na seleção húngara como no Honved, tinha vários jogadores deslumbrantes e entre eles estavam Kocsis e Czibor, que também o acompanharam na aventura espanhola, ainda que defendessem as cores do Barcelona. Foram campeões olímpicos e vice-campeões mundiais. Depois, aproveitando um jogo do Honved contra Atlético de Bilbau, desertaram. A Hungria vivia numa tentativa de libertar-se do braço de ferro bolchevique russo. Sobreviveram fazendo exibições até que uns regressaram à Hungria e outros, como Puskas, acabaram por conseguir jogar na chamada Europa Livre. A Áustria recusou-o e Itália fez outro tanto do mesmo. Finalmente Puskas encontrou aconchego no Real Madrid de Di Estéfano e Kopa.

Na companhia de Di Estéfano   Fonte: Insidespanishfootball.com
Na companhia de Dí Stefano
Fonte: Insidespanishfootball.com

Entre o campeonato húngaro e o campeonato espanhol foi oito vezes o máximo goleador. Foi duas vezes o melhor goleador da Taça dos Campeões Europeus e durante a sua vida conformou uma enciclopédia de títulos nacionais e internacionais. Formou com Alfredo Di Estéfano um duo de irmãos; viam-se e adivinhavam a jogada e o resultado da mesma. Com o Real Madrid ganhou campeonatos, uma Taça de Espanha – que naquela altura levava o nome ditador -, duas Taças dos Campeões Europeus e uma terceira, em 1966, já sentado no banco dos que não jogam; uma Taça Intercontinental contra o supercampeão Peñarol. Com o seu Honved arrecadou quatro campeonatos. Marcou nada mais, nem nada menos do que quinhentos e oito golos em quinhentos e vinte e um jogos. Foi um dos grandes goleadores do século XX e hoje o Prémio para golo mais bonito tem o seu nome. Em Espanha era conhecido como Pancho.

Pancho Puskas jogou ao futebol desde 1939 até 1966. Faleceu depois de retornar à Hungria em 2006, vítima da doença do Alzheimer. Quando se fala dos melhores jogadores de sempre esquecem-se de dois monstros dos relvados nativos da Hungria: Kubala e Puskas.

Mais de um século de histórias p’ra contar

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relacionamentodistancia

Esta foi há 50 anos.

Foi no dia 15 de maio de 1964, com um canto directo apontado por João Morais, que o Sporting Clube de Portugal conquistava a Taça dos Vencedores das Taças.  Nessa tarde, em Antuérpia, os leões cumpriam o sonho de José de Alvalade, fundador do clube, que queria o seu Sporting «um grande clube, tão grande como os maiores da Europa».

Mas esta história começava meses antes, no fim do verão de 1963 e prolongou-se durante meses, com goleadas que ainda hoje recordadas, reviravoltas épicas e eliminatórias resolvidas após jogo de desempate. Entre as “vítimas” deixadas no caminho para a final, encontravam-se Atalanta, o Apoel, o Manchester United e o Lyon.

Os leões tiveram um caminho árduo até à final. Tudo começou com uma derrota por 2-0 fora com o Atalanta. Anulada com uma vitória por 3-1 em Alvalade, pois nesses tempos, os golos fora ainda não contavam para o desempate nas competições europeias.

Na eliminatória seguinte, contra os cipriotas do Apoel Nicósia, o Sporting entrou a todo o gás, aos 20 minutos já vencia por 3-0. Andreou ainda reduziu para os forasteiros, mas os leões voltaram à carga e ao intervalo já venciam por 6-1.

No segundo tempo, o Leão devorou o Apoel. Pérides reabriu a contagem aos 48´, os golos foram-se sucedendo e o resultado final ficou num inimaginável 16-1, com seis golos de Osvaldo Silva. O Sporting conseguia o (até aos dias de hoje) recorde de goleada nas competições europeias (e dificilmente alguma vez será batido).

Seguiu-se o tão antecipado confronto com o Man. United. Em Old Trafford, o Sporting foi banalizado pelos red devils que contavam com uma equipa de estrelas (Nobby Stiles, Bobby Charlton, Denis Law e a jovem promessa George Best). O 4-1 final deixava os de Lisboa praticamente de fora da competição.

Poucos adeptos acreditavam na reviravolta, mas alguns adeptos defendiam que o milagre era possível. Milagre ou não, a verdade é que na noite da segunda mão, os Ingleses encontraram um Sporting de dimensão superior e foram esmagados com um esclarecedor 5-0, com mais três golos do genial Osvaldo Silva.

Seguiu-se o Olympique Lyon, com um empate a zero no Estádio Gerland. Duas semanas depois, em Lisboa, novo empate, agora a uma bola, obrigava a novo jogo de desempate, disputado em Madrid, onde um golo solitário do inevitável Osvaldo Silva, garantiu a primeira presença dos leões numa final europeia.

Depois de tantas cambalhotas, a chegada a final fazia sonhar todo e qualquer adepto. Mas nessa tarde no Heysel, em Bruxelas, os leões foram surpreendidos pelo golo de Sándor logo aos 19´, só reagindo perto do intervalo, empatando por Mascarenhas, aos 40′. A abrir a segunda parte, Figueiredo incendiou as esperanças leoninas, fazendo o 2-1. Contudo, Kuti marcaria dois golos em 2 minutos a apenas 20 do apito final, virando novamente o resultado. Restou ao Sporting um último esforço, com Figueiredo a empatar o jogo aos 82′ e a obrigar a final a resolver-se num segundo jogo, que a UEFA marcou para o Estádio Bosuil em Antuérpia, dois dias mais tarde.

As peripécias antes do derradeiro jogo não se tinham cingido apenas às eliminatórias e aos jogos de desempate. Dias antes da final, o Sporting perdia Hilário, por lesão num jogo contra o Setúbal. João Morais era chamado para o seu lugar, sem antes deixar uma “boquinha” ao treinador Anselmo Fernandez: “Com que então, agora, o arquitecto já precisa de mim?”.

Na véspera da final, Morais pediu autorização ao treinador para, no dia a seguir, marcar um canto directo, Fernandez não queria. A discussão durou horas, mas Fernandez lá cedeu e Morais teve direito a marcar um (e apenas um) pontapé de canto da forma que queria, os outros deveriam ser batidos tensos ao primeiro posto, conforme a equipa treinava diariamente.

Aos 19 minutos a oportunidade chegou. Figueiredo foi para perto do guarda-redes adversário, para servir como ponto de referência, com ordens para não fazer falta. João Morais convenceu a bola e o resto é história. Ou se preferirem, a mais bela página desta história. Sporting, tu nunca vais acabar.

O regresso dos heróis a Lisboa  Fonte: "A Norte de Alvalade"
O regresso dos heróis a Lisboa
Fonte: “A Norte de Alvalade”

História completa (vale a pena ver):

Problemas para o açoriano, para os leões, e sorte para o madeirense

cab reportagens bola na rede

Manhã cedo e começa o dia com o troço Batalha Golfe. Ricardo Moura era o oitavo na estrada e bateu contra uma pedra, pondo assim fim ao seu objetivo de lutar pela melhor posição possível e de ganhar a classificação do nacional e do regional de ralis; colocou ainda um ponto final nas aspirações de todos os açorianos a ter um conterrâneo a vencer novamente a sua prova. A mesma pedra fez ainda mais uma vítima. O polaco Kajetan Kajetanowicz não teve melhor sorte do que o açoriano e viu também a sua prova terminar logo no primeiro troço do segundo dia de prova.

Parque de assistências ao final da tarde.
Parque de assistências ao final da tarde.
Fonte: Rodrigo Fernandes

No meu texto de antevisão à prova escrevi que “como equipa oficial e pela qualidade dos seus pilotos tem sempre de estar no topo dos favoritos, mas a “saúde” dos carros ainda não é a melhor, o que pode vir a causar muitas dores de cabeça à marca do leão.” E foi precisamente o que aconteceu no dia de hoje. Breen e Abbring dominaram o dia – se tirarmos o troço das Sete Cidades – e estavam a lutar entre si pela primeira posição, mas o irlandês foi forçado a desistir quando, já depois do final da segunda passagem por Feteiras, viu o motor do seu carro pegar fogo. O holandês teve problemas no troço seguinte e “conseguiu” perder os 38s4 que tinha de vantagem sobre Bernardo Sousa, que é agora o líder.

O madeirense – que cumpriu esta sexta-feira 27 anos – tem agora 6s3 de vantagem sobre o holandês da marca do leão, e amanhã deve conseguir aumentar a vantagem, já que, enquanto Abbring está cá pela primeira vez, Bernardo Sousa já vai na sua sétima participação por terras açorianas. A juntar a isto, para mim, tem o melhor carro presente em prova e tem contado com um grande apoio nas estradas, quer pelos açorianos, quer por alguns madeirenses equipados a rigor com a bandeira da região.

Meireles teve uma luta muito interessante com Adruzilo Lopes.
Meireles teve uma luta muito interessante com Adruzilo Lopes.
Fonte: Rodrigo Fernandes

Acabou hoje a competição para o nacional e regional de ralis. Pedro Meireles ganhou a sua quarta prova em tantas outras oportunidades e tem o título nacional praticamente garantido. No regional, a vitória foi para Luís Miguel Rego.

Falando agora a um nível mais pessoal e de interesse gral pela prova, hoje voltei a sentir o que é comer terra e levar com pedras na cara e no pescoço. Para muitos é provavelmente uma coisa má, mas para mim e para os verdadeiros entusiastas é uma sensação muito boa, de quem está próximo da emoção.

Na segunda passagem por Batalha Golfe a que fui assistir tive a oportunidade de sentir a emoção ao máximo, quando Robert Consani bateu numa rocha e por pouco evitou o confronto com o muro onde eu e mais algumas pessoas nos encontrávamos. Na curva anterior, Adruzilo Lopes e Diogo Salvi também deixaram escorregar demais o carro e bateram de lado, mas sem quaisquer danos para os dois pilotos continentais.

Vitaly Pushkar apela ao fim dos conflitos no seu país.
Vitaly Pushkar apela ao fim dos conflitos no seu país.
Fonte: Rodrigo Fernandes

Para terminar por hoje, destaco ainda a quantidade de guias e mapas que existem sobre esta edição do rali. Não é certamente por falta de informação que as pessoas não vão ter até aos troços, e muito menos ficam sem saber que está a decorrer a prova; como se fosse possível, já que todos os meios de comunicação praticamente só falam neste assunto.

Lo que (no) me gusta

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dosaliadosaodragao

Rei morto, rei posto. Sem alarido, e de forma rápida e surpreendente, o FC Porto foi a Espanha recrutar o seu novo treinador – Julen Lopetegui é o homem escolhido para fazer retornar o Dragão às vitórias. O técnico espanhol era o responsável pelas camadas jovens de La Roja e com os pequenos nuestros hermanos conquistou dois títulos, os únicos do seu palmarés: o Europeu Sub-19 (2012) e o Europeu Sub-21 (2013). A escolha não é unânime, levanta dúvidas e inquietações mas tem o condão de, pelo menos, demonstrar que Pinto da Costa e companhia estão proactivos na preparação da importante época que se avizinha.

Lo que me gusta

Julen Lopetegui é, reconhecidamente, um dos ‘pais’ da forma de jogar das actuais selecções espanholas, que muito foram beber ao titi-taka do Barcelona. Falamos de um modelo de jogo assente na posse e circulação de bola, com muita largura, sempre controlando os ritmos de jogo e, se possível, dominando-o. Porque se tiveres a bola, jamais sofrerás; porque, com ela, podes marcar. Mais do que com bola, quem tiver visto o grande Barcelona e as selecções espanholas recorda também a pressão alta e constante na busca pela recuperação do esférico o mais rápido possível, com uma linha defensiva sempre muito subida (às vezes, expondo-se até demais). Eram (e são) estas as matrizes do ‘melhor’ futebol espanhol actualmente, quase sempre montado num 4-3-3, que poderá (e deverá, creio eu) ser reeditado no Dragão – aliás, um esquema tradicionalmente adoptado pelas equipas do FC Porto e que foi atraiçoado de forma errónea por Paulo Fonseca na temporada que agora termina.

Esta filosofia – que, pessoalmente, me agrada – dá estabilidade à equipa e confiança aos jogadores – qual é o craque que não quer ter, a maioria do tempo, a bola no pé em vez de andar atrás dela? O treinador espanhol parece ter um discurso forte e interessante, para além de boas ideias sobre futebol. Algumas delas estão expressas no seu blog pessoal – http://blogs.lainformacion.com/lopeteguia/ – de onde se podem retirar alguns dos seus pensamentos sobre o jogo. Como os que expressou, aquando de um Lyon-Real Madrid, em Fevereiro de 2010: “El Real Madrid sigue careciendo de situaciones colectivas. Aún no tiene las mecanizaciones ofensivas necesarias para mover a la defensa contraria y llegar arriba cuando no le dejan espacios y el rival decide, como es el caso, jugar en pocos metros. Porque si a un equipo tan físico como el OL no lo mueves de un lado a otro, es difícil incluso tirar a puerta, como ocurrió en Gerland.” e “Y otra cuestión importante: Una cosa es jugar sin extremos y otra bien distinta es que los delanteros no caigan a banda. Porque si no hay permutas continuas de posiciones y no se ensancha el campo, es casi imposible que se abran huecos en la defensa rival. Y en esta ocasión los delanteros se movieron muchísimo, pero con poco sentido.” e ainda “Si el campo no tiene amplitud los huecos no aparecen. Y si jugamos en el centro, en pocos metros a lo largo y en pocos metros a lo ancho, la ventaja para el equipo más físico acaba siendo decisiva.”. São pequenos excertos sobre uma visão do jogo que vai ao encontro do padrão anteriormente descrito. O ideal sobre o que quer para a sua equipa parece estar presente; resta saber se, entre a teoria e a prática, nada se perde e tudo se transforma no reino do Dragão … Lope merece, pelo menos, o benefício da dúvida.

Algo obviamente intrínseco à opção por Lopetegui é a sua nacionalidade, a sua condição de profundo conhecedor do mercado futebolístico espanhol e o facto de ter trabalho com muitos valorosos jovens espanhóis. Alguns deles são já verdadeiras certezas (Thiago, Isco ou Koke) mas outros, apesar do seu enorme talento, buscam ainda uma casa que lhes permita explodir. Por estes dias, vários são os nomes apontados ao Dragão e isso é apenas um efeito colateral da contratação de Lopetegui. Desde Tello a Deulofeu passando por Moreno e Camacho, o conhecimento e a relação que o treinador espanhol tem com estes projectos de grandes jogadores podem tornar viáveis alguns interessantes negócios ao Dragão, que, de outra forma, ficariam inquinados à partida.

Lopetegui comandou os sub-21 espanhóis até ao título europeu, em 2013  Fonte: Público
Lopetegui comandou os sub-21 espanhóis até ao título europeu, em 2013
Fonte: Público

Lo que no me gusta

Por mais futebolisticamente atractiva que possa parecer esta opção por Lopetegui, o certo é que há duvidas que se mantêm no ar. Desde logo o facto de o agora treinador do FC Porto jamais ter treinado uma equipa com a responsabilidade e ambição do clube azul e branco. O contexto de Rayo Vallecano ou o Real Madrid B não tem comparação com o ambiente que Lopetegui vai vivenciar no Dragão e esse choque de realidade terá de ser ultrapassado. Por outro lado, por mais que o ex-seleccionador das camadas jovens espanholas diga que conhece o futebol português e as equipas que nele competem, o certo é que a sua visão é de alguém vindo do exterior, que não conhece as pequenas idiossincrasias do futebol português e, designadamente, a forma como as equipas pequenas se comportam e posicionam quando defrontam o FC Porto. Por semelhante dificuldade passaram outros técnicos, como Co Adriaanse no Dragão ou Koeman na Luz.

Por outro lado, paira no ar a questão que se prende com a capacidade de Lopetegui fazer o transfer seleccionador–treinador, funções com exigências e ritmos de trabalho completamente distintos, algo ainda mais agudizado se pensarmos que desde 2009 Lope não treina de forma diária consecutivamente.

Lo desconocido

Por fim, a escolha de Pinto da Costa por Lopetegui poderá querer significar uma mudança de estratégia do FC Porto. Lope foi campeão da Europa de sub-19 e sub-21 e tem anos e anos de experiência nas camadas jovens, na forma(ta)ção e lapidação de pequenos-grandes jogadores. Num contexto económico-financeiro tão complicado – e ao qual os clubes portugueses não conseguem, melhor ou pior, escapar –, até que ponto a opção pelo basco não indiciará uma mudança na condução da máquina portista e na aposta de forma mais frequente e constante nos bons valores que vão surgindo na equipa B e provindos da cantera azul-e-branca?

Por agora, é apenas uma incógnita. Mas Tozé, Gonçalo Paciência, Mikel, Kayembe, Ivo ou Rafa, por certo, farão de tudo para relembrar ao técnico espanhol que os Bartras, Illarramendis, Moratas, Muniains, Carvajals, Olivers ou Jeses também nascem deste lado da fronteira.

Outra das questões que se coloca num momento como este tem a ver com a capacidade de liderança de Lopetegui. É indesmentível que o espanhol já viveu em balneários recheados de estrelas – enquanto jogador, foi guarda-redes de Barcelona e Real Madrid –, mas o certo é que, já como treinador, a sua experiência resumiu-se a gerir – de longe a longe – um balneário de miúdos que têm tanto potencial quanto sonhos e cujos egos, por certo, não seriam tão difíceis de controlar como numa equipa como o FC Porto. Resta saber se o técnico espanhol vai conseguir assumir um verdadeiro perfil de liderança, dando liberdade q.b. e responsabilizando nos momentos certos.

O CV de Lopetegui  Fonte: Porto Canal
O CV de Lopetegui
Fonte: Porto Canal

Estamos apenas em Maio e o FC Porto já tem treinador para 2014/2015. Tempo e condições não faltarão para preparar, da melhor forma possível, a temporada que se avizinha. Com esse horizonte, Lope surgiu com um discurso forte, entusiasmante e relativamente sedutor. Dele, os adeptos esperam que confirme as boas indicações, ultrapasse e vire a seu favor os pontos negativos e dissipe as incógnitas. E que se identifique rapidamente com a sua nova casa – o Dragão está aberto a este basco e, com ele, deseja que chegue o perfume e o encanto do actual futebol espanhol com uns laivos da antiga fúria roja.

Sevilha 0-0 Benfica (4-2 a.g.p.): Reagir à Benfica

benficaabenfica

Atirem-nos mil e uma vezes ao chão, com golos para lá da hora, com grandes penalidades. Não há problema. Choraremos por fora, a dor atingir-nos-á por dentro, mas aceitamos. Vamos levantar-nos sempre, porque é assim a vida de quem é maior do que os maiores. Lamentar a derrota por um dia e a sonhar com as próximas conquistas nos restantes 364 do ano. Dói muito estar tão perto de saborear o sonho europeu e falhar pela segunda vez consecutiva? Dói, sim. Esta Liga Europa era o auge de uma época brilhante depois de nos termos levantados das cinzas de 2013. Mas domingo há uma Taça de Portugal para ganhar e com ela fechar uma época soberba. Não repetir o filme de há um ano atrás impõe-se, porque o Benfica é grande demais para entregar um título por ter perdido outro.

E, já agora, porque não conquistamos uma dobradinha desde 1986/87, sob o comando de John Mortimore. Perdeu-se uma oportunidade de ouro para voltar a escrever Sport Lisboa e Benfica a letras douradas no futebol europeu, sim, mas não será isso a manchar uma época tão boa. Que, diz-nos o passado, seria única no futebol português. Nunca houve um clube a ganhar as três competições na mesma época e mais nenhum clube europeu o poderá fazer em 2013/14.

São já oito derrotas em dez finais europeias. Números avassaladores, com os quais muita gente nem poderá sonhar.  Gente essa que se satisfaz com as derrotas dos rivais, esquecendo-se, dessa forma, de que, lá bem no fundo, está apenas a gozar consigo mesmo. Diz, quem já viu bem mais derrotas em finais europeias do que eu, que a maldição do húngaro existe mesmo. Não acredito nisso – que se lixe o Guttman.

O azar persegue o Benfica nas finais europeias Fonte: ZeroZero
O azar persegue o Benfica nas finais europeias
Fonte: ZeroZero

As maldições e recordes existem para ser quebrados. Sejamos prático e vejamos que a força do Benfica é mesmo essa: reerguer-se SEMPRE, para poder quebrar a malapata. Quem diria, há um ano atrás, que o Benfica voltaria tão rapidamente a outra final? Quando os rivais acham que nos mataram, lá estamos nós outra vez na luta. Como é que se mata algo que não pode ser morto? Eterna questão que muito dá que pensar, num verdadeiro tributo à estupidez humana. Quando a sua maior alegria é a tristeza dos outros, pouco mais há a dizer. Feliz do benfiquista, tão grande na vitória e tão superior na derrota.

Dos Chumbawamba – não será nome estranho para a faixa etária 20-30 –  palavras simples, mas com sentido neste momento:

We’ll be singing
When we’re winning
We’ll be singing

I get knocked down
But I get up again
You’re never going to keep me down
I get knocked down
But I get up again

Motôs àrrebentá*

cab desportos motorizados

Estou apaixonado! É com este sentimento que saio do primeiro dia de rali. O barulho que os Peugeot T16 fazem é muito bom e faz logo começar a ter pele de galinha mal se ouve pela primeira vez; ouvir um som destes é muito bom e dá logo outro ânimo a quem acompanha estas coisas.

Começou ontem o rali e temos muita emoção, tal como era esperado. Breen (Peugeot) lidera ao fim das três especiais disputadas esta quinta feira, mas tem apenas cinco segundos de vantagem para o quarto classificado, Ricardo Moura (Fiesta R5); pelo meio temos Kajetanowicz (Fiesta R5) e Kevin Abbring (Peugeot). Bernardo Sousa (Fiesta RRC) e Bruno Magalhães (207 S2000) são quinto e sexto respectivamente e fecham assim o Top3 português.

Mas na quarta feira já tivemos uma prova espetáculo, que não contava para a classificação da prova. A City Show levou como habitualmente muitas pessoas à Avenida Infante Don Henrique, para assistir ao espetáculo dado pelos participantes no rali. Este ano esta especial citadina ganhou tamanho e tentou-se com isto criar mais espetáculo, mas a rampa colocada com o objetivo de proporcionar saltos era muito curta e os pilotos preferiram não arriscar. Algo a rever para o próximo ano.

Ontem terminou com a especial Grupo Marques. Esta especial disputada numa cratera onde a empresa Marques retira pedra é o espaço perfeito para a realização desta prova.

A especial Grupo Marques foi este ano aumentada Fonte: Rodrigo Fernandes
A especial Grupo Marques foi este ano aumentada
Fonte: Rodrigo Fernandes

Novamente milhares de pessoas foram até esta especial e assistiram a um grande espetáculo, onde saltos como os de Bernardo Sousa, João Barros e Diogo Salvi fizeram as delícias de quem se deslocou até lá. Mas esta classificativa não é só boa para quem assiste, e o melhor exemplo disto são as palavras de Kajetanowicz, que disse no final que não gostava deste tipo de especiais mas que adorou esta.

Dentro do rali mas fora da luta contra o tempo temos também espetáculo garantido. Estar no parque de assistências a assistir ao trabalho feito pelos mecânicos é muito bom, principalmente nas grandes equipas, pois vê-se um verdadeiro trabalho de equipa em que nada falha durante o curto espaço de tempo que existe para rever as máquinas.

Nas Portas do Mar, onde fica o parque de assistência, o secretariado e muitas outras coisas relacionados com o rali, existe também, como já vem a ser hábito, uma exposição de miniaturas de carros de rali. Esta exposição vem alegrar ainda mais a prova, pois existem excelentes trabalhos feitos pelos responsáveis desta exposição, que decoram as miniaturas num trabalho muito bem feito.

Um dos vários dioramas presentes na exposição Fonte: Rodrigo Fernandes
Um dos vários dioramas presentes na exposição
Fonte: Rodrigo Fernandes

*Para quem não perceber o título, o mesmo quer dizer algo como “Motores a arrebentar”, que é como quem diz “a dar o máximo”.

Porquê pelo Mónaco, Leonardo?

Ze Pedro Mozos - Sob o Signo do Leao

É certo que a boa campanha desportiva do Sporting esta época se deve a todos os membros do clube (desde jogadores até à direcção, passando pela equipa técnica). Mas quando tentamos encontrar os principais responsáveis por esta boa temporada é difícil encontrar um nome consensualmente aceite. No entanto, o nome de Leonardo Jardim é um dos que mais aparecem associados ao sucesso leonino.

Talvez por ser tão visível o dedo do técnico madeirense neste novo Sporting, o interesse em contratar Leonardo Jardim surgiu em alguns clubes. O Mónaco foi o primeiro a chegar-se à frente e nos últimos tempos o nome do ainda treinador do clube de Alvalade é dado como certo nos monegascos para as próximas duas temporadas. Creio que nenhum sportinguista recebeu com agrado esta notícia, e eu não sou (de todo!) uma excepção.

Desde o final da época passada (2012-2013), que foi mais ou menos a altura em que Leonardo Jardim começou a ser dado como o novo treinador do Sporting, que acreditei a sério neste Sporting. Sempre considerei o jovem treinador madeirense uma mais-valia para qualquer clube, e quando se oficializou a sua contratação para o clube do meu coração achei que tinha sido a escolha mais acertada, pois tanto o Sporting como o próprio Leonardo Jardim sairiam beneficiados com esta decisão. O projecto, esse, era voltar a colocar o clube leonino na rota dos títulos, sendo que esta época seria apenas “o ano zero” e a próxima poderia ser considerada como a temporada da afirmação. E o técnico madeirense seria um dos protagonistas deste projecto.

Leonardo Jardim teve sempre do seu lado tanto o plantel como os adeptos, não deixando nunca que uns influenciassem os outros em excesso, para bem ou para mal. Foi um treinador muito elogiado ao longo desta temporada, não só pelo trabalho desempenhado mas também pela coerência e calma com que sempre falou, nunca se deixando deslumbrar pelos bons resultados nem deixando que os adeptos o fizessem.

“Marco Silva é o principal candidato para suceder Leonardo Jardim”  Fonte: www.zerozero.pt
“Marco Silva é o principal candidato para suceder Leonardo Jardim”
Fonte: www.zerozero.pt

Ninguém esperava, depois da pior época da história do Sporting, que os leões acabassem em segundo lugar neste “ano zero”, garantindo assim o acesso directo à liga milionária. O trabalho foi notável e Leonardo Jardim foi uma peça fundamental neste processo. A equipa praticou um excelente futebol, alcançou um bom número de vitórias, marcou muitos golos, e, acima de tudo, nunca desiludiu os adeptos, que puderam voltar a acreditar no seu clube. O ambiente que se viveu em Alvalade este ano foi de esperança, de alegria, em alguns momentos até de euforia. Nós, os sportinguistas, tínhamos a certeza de que a mudança estava a acontecer. E, mais uma vez, víamos Leonardo Jardim como um dos motores dessa mudança.

Não tenho reservas em afirmar que Leonardo Jardim é, sem dúvida, o melhor treinador deste campeonato. E, para além disso, é sportinguista. Façamos, então, um simples ponto da situação: Leonardo Jardim é um dos principais rostos deste novo Sporting; faz parte de um projecto a longo prazo e que ainda vai a meio (o próprio o disse); tem do seu lado o apoio e a confiança dos adeptos; o seu trabalho é sobejamente reconhecido; é o melhor treinador a trabalhar em Portugal; e, ainda, é sportinguista.

Posto isto, é relativamente fácil perceber as razões pelas quais não quero que Leonardo Jardim se vá embora. Mas se isto já me deixa triste e incomodado, o facto de o clube que motiva esta perda ser o Mónaco ainda piora mais a situação. Os monegascos têm mais poder económico, mas isso não é tudo. Aliás, não é nada. Os novos-ricos estão a destruir o futebol, banalizando-o e tornando esta competição num negócio, acima de tudo o resto. A meu ver, o Sporting é, a todos os níveis – desde a história até ao número de adeptos e passando pela mística -, melhor e maior que o clube do principado, para além de não ter magnatas a investir desmesuradamente no clube – o que para mim é uma vantagem.

Deixar um projecto ambicioso a meio, no clube do coração, com os adeptos do seu lado e com um reconhecimento ímpar é algo que me custa perceber. Mas aceitá-lo-ia, embora com tristeza, se Leonardo Jardim o fizesse por um projecto maior, mais ambicioso e em que o desafio desportivo fosse, acima de tudo o resto, o principal motivo. Agora, por um projecto como o do Mónaco, peço desculpa, caro míster, mas o sentimento que noutra situação seria apenas de tristeza é acompanhado por indignação, desilusão e incompreensão.

Confio na direcção do Sporting para encontrar o sucessor. Gosto mesmo muito do nome de Marco Silva, que é apontado como principal candidato à sucessão de Leonardo Jardim, e creio que pode vir a fazer um excelente trabalho no Sporting. Acho que é um excelente treinador e que faria muito bem ao Sporting. Até pode resolver problemas que ainda existam, limar algumas arestas que ainda estejam por limar. O problema é que o jovem técnico dos canarinhos não devia resolver nada porque não deveria haver nada para resolver. Mas os milhões falaram mais alto. Se isto tudo se confirmar, sê bem-vindo, Marco!

Lope… Quê?

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atodososdesportistas

Nestas últimas semanas, muito se tem falado sobre o sucessor de Luís Castro: o espanhol Lopetegui. Sempre defendi que para haver um “abanão” no FC Porto era necessário um treinador estrangeiro, mas nunca pensei que seria um “desconhecido” (com trabalho reconhecido!). Esperava mais a vinda do Spalletti do que a deste senhor. Mas, depois de analisar a fundo, a escolha deste treinador perceber-se: sabe trabalhar com jovens, é um motivador, consegue extrair dos “cristais” o seu melhor e, acima de tudo, tem sede de vencer.

Por que é que Lopetegui se enquadra neste esquema? Campeão pelas camadas jovens espanholas (sub-19 e sub-21, onde qualquer um se arriscava a ganhar…), é reconhecidamente um treinador que gosta de futebol bonito (ao estilo tiki-taka) e a sua vontade de ganhar é… Infinita! Se é uma incógnita? É. Se é tão incógnita como Paulo Fonseca? Nunca! Lope já ganhou, e ganhou coisas importantes e inéditas no seu país. A questão que se coloca é: será que um treinador de selecção está preparado para dar o salto do treino tri-mensal para o treino diário? É que me lembro de um certo Scolari… Mas também acredito muito na estrutura portista.

A escolha deste treinador também recai num mercado que actualmente domina o futebol (dois clubes finalistas da Champions League e um da Liga Europa) e é estrategicamente interessante poder vir a contar com jovens jogadores que confiam no treinador depois de terem trabalhado com ele.

No fundo, até estou satisfeito. Porquê? Porque o Porto tem um plantel muito jovem e com muitos cristais por lapidar (com Quintero, Mikel, Ricardo, Tiago Rodrigues e… Iturbe à cabeça), onde o jeito para lidar com jovens é algo fundamental. Já se fala que Lope anda no mercado e quer assegurar, desde já, Illarramendi (Real Madrid), Tello (Barcelona) e Moreno (Sevilla) – o primeiro por empréstimo, os outros dois em definitivo. São jogadores com tudo para entrar directamente no onze (a concretizar-se, finalmente hajam contratações como deve ser!), a juntar ao quase garantido Evandro. Além disso, nomes como Raúl Gimenez,”pinheiro” de 1,90m e de reconhecida qualidade, vão sendo associados ao clube da Invicta, o que deixa antever a saída de Jackson. Se Illarramendi vier, isso “só” significa uma coisa: Fernando sai. O que é péssimo, na minha opinião. Mas, dado o estilo de jogo do treinador, talvez Fernando não seja o jogador ideal, embora eu seja defensor de que “o Polvo” é o melhor dos melhores em Portugal naquela posição.

Em suma, BEM-VINDO, LOPETEGUI!

Lopetegui chega ao Porto com um contrato de três anos  Fonte: UEFA
Lopetegui chega ao Porto com um contrato de três anos
Fonte: UEFA

E agora, o que será do nosso FC Porto? Jogará no habitual 4(1+2)-3? No “habitual desabitual” 4(2+1)-3 de Paulo Fonseca? Não sei. Mas aposto que o “abanão” será tão grande que jogaremos num 4-2-3-1 tipicamente espanhol: dois médios mais defensivos (espero ver Fernando a assumir as despesas defensivas – e é pensando neste esquema táctico que não sei se Fernando será o ideal – e um box-to-box, claramente Herrera); um jogador que assuma o “10” deixado por Deco (Quintero!); dois alas rápidos (que um deles não seja o útil-mas-sem experiência-Licá) e um ponta-de-lança de área. O único problema desta táctica prende-se com facto de existir um grande espaço entre linhas na zona defensiva, o que, se a equipa não jogar toda em bloco, permite a exposição ao contra-ataque básico e puro dos adversários. Entre os centrais e os médios-centro tem de existir uma coordenação brutal, pois basta existirem naquele espaço 20 metros e isso já é suficiente para o adversário criar superioridade numérica. Ainda para mais num esquema em queos laterais dos dragões têm claramente um pendor ofensivo muito acentuado. O núcleo de jogo, que se baseia no 3×3 (portador da bola, apoio e contenção – ofensiva e defensiva -, não utilizando linguagem totalmente técnica), torna-se um pouco complicado quando existe esta indefinição táctica. Quem vai à bola? Quem está mais perto, estilo Benfica? Ou assumidamente temos um jogador que sirva para isso, como Thiago Motta no Inter de Mourinho, em que “varria” tudo? São questões que me coloco, e que espero que o meu treinador, o treinador de todos os Portistas, me responda a curto prazo. Até posso estar errado em relação à táctica, mas do que vi do treinador, faço all in na minha aposta.

O FC Porto está habituado a “criar” treinadores ao longo dos anos, e estou com um feeling que com Paulo Fonseca nunca senti: cheira-me a vitória e bom futebol! Cheira-me… É estranho não ganhar durante um ano, é impensável não ganhar durante dois! Vamos lá, Lope, estamos contigo!

Para finalizar, boa sorte ao Benfica na Liga Europa! Sou português mas vivi em Sevilha, por isso viverei esta final com um misto de emoções que contrastam com o meu princípio: quero que ganhem sempre os portugueses; hoje também quero, mas se for o Sevilha, triste não fico.

Um abraço a todos!

Adeus, Capitão. Obrigado.

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Javier Adelmar Zanetti jogou, no passado fim-de-semana, o seu último jogo no San Siro e o penúltimo jogo da sua fantástica carreira de vinte e dois anos.

Zanetti assinou pelo Talleres da segunda divisão argentina em 1992, após ter sido rejeitado pelas camadas jovens do Independiente. Apenas um ano depois transferiu-se para o Banfield, clube da primeira divisão, onde ficou dois anos, rejeitando propostas dos grandes Boca e River no final da sua primeira época.

Em 1995, já internacional pelo “país das pampas”, Zanetti foi a primeira contratação de Massimo Moratti. E que contratação! O Pupi, como vinha apelidado do seu país-natal, rapidamente conquistou a alcunha de El Tractor em Itália pelas suas habilidades em campo. Estreou-se pelo Inter a 27 de Agosto, na época de 1995/96, contra o Vicenza e o resto é história.

Nos dezanove anos que Zanetti passou em Milão capitaneou o Inter em quinze temporadas e conquistou dezasseis títulos: entre eles, cinco Serie A’s, uma Taça Uefa, quatro Copas de Itália e uma Liga dos Campeões como parte do histórico treble na fantástica época de 2009/2010 com José Mourinho. E tudo isto com o mesmo corte de cabelo.

Zanetti é provavelmente o jogador mais completo e polivalente da história do futebol. Começou a sua carreira a lateral direito mas jogou também a lateral esquerdo, ala direito, ala esquerdo, extremo direito, extremo esquerdo, médio defensivo e médio centro. A sua versatilidade não tem limites: ele joga onde o clube precisa; joga para a equipa e nunca para ele. Faz tudo em campo. Melhor do que isso, faz tudo bem: é um exemplo a defender e ao mesmo tempo um desiquilibrador nato no ataque. Quem não se lembra de ligar a televisão e ver um Zanetti com quase 40 anos a passar por meninos 20 anos mais novos em velocidade?

Il Capitano” acaba a sua carreira como o jogador com mais jogos ao serviço do seu Inter e o segundo jogador com mais jogos na Serie A, apenas ultrapassado por Paolo Maldini. Além disso, é, neste momento, com cento e quarenta e cinco internacionalizações pela selecção argentina, o jogador mais internacional de sempre pelo país.

É sempre dificil dizer adeus a uma lenda como Zanetti. Admito sem problema que é o jogador que mais admiro no futebol actual: um exemplo de profissionalismo, humildade, consistência, dedicação e vontade; um jogador que sempre deu o que tinha e o que não tinha, que nunca arranjou problemas com ninguém e que foi sempre um role model dentro e fora de campo. Jogadores como Zanetti já não se fazem, infelizmente. O futebol é que perde.

Zanetti é o jogador do Inter com mais jogos na Serie A Fonte: futbolizados.com
Zanetti é o jogador com mais jogos ao serviço do Inter de Milão
Fonte: futbolizados.com

Termino então com algumas citações de pessoas que percebem bem mais disto do que eu:

Esteban Cambiasso: “Zanetti? Apenas uma palavra, perfeição.”

Ryan Giggs: “Zanetti é o adversário mais formidável que defrontei.”

Arséne Wenger: “Não conheço a personalidade de Zanetit, mas se tiver em atenção as suas habilidades, atitude e comportamento dentro e fora de campo, 100 milhões não chegam para um jogador como ele.

Roberto Baggio. “Ele nunca disse que queria ser como eu, mas digo-lhe eu que gostava de ser como ele.

Fabio Cannavaro: “Zanetti ensinou-me a ser um capitão.

José Mourinho. “Todos os jogadores querem ser como Zanetti.

Francesco Totti: “Zanetti é uma lenda para todos nós.