Já muitas vezes escrevi que a Yamaha parecia estar muito bem colocada para a vitória no Grande Prémio. Mas, sempre existiu Marc Márquez para estragar a festa. Desta vez, a Yamaha está na primeira fila, com Fabio Quartararo em mais uma pole position, seguido de Maverick Vinales e de Franco Morbidelli.
Quando digo que a Yamaha está bem posicionada é porque, nas quatro sessões de treinos livres, os mais rápidos foram sempre pilotos da marca japonesa. Após estas sessões veio a qualificação e a surpresa do fim de semana.
Excelente prestação dos pilotos da Yamaha Petronas, equipa satélite da Yamaha, ao longo desta temporada Fonte: MotoGP
Numa tentativa de igualar Quartararo, Márquez seguia o francês, mas ao tentar ‘imitá-lo’ acabou por cair e comprometer a sua posição na grelha de domingo. Assim sendo, a Honda do campeão só vai sair da 11º posição.
Atrás das três Yamaha encontra-se Jack Miller em Ducati. O piloto da PRAMAC vai mais uma vez tentar a sua sorte em chegar ao pódio, mas não me parece que tenha ritmo suficiente para chegar à vitória.
A Ducati oficial continua a desiludir. O melhor dos seus pilotos é Danilo Petrucci, que vai sair no Grande Prémio da Malásia de oitavo, enquanto que, Andrea Dovizioso sai de décimo.
Danilo Petrucci não está a ter uma boa época de estreia na Ducati Fonte: Ducati
Quem também continua o seu calvário é Jorge Lorenzo. O piloto da Honda sai no fim da grelha. Já o nosso Miguel Oliveira não participa na Malásia, recuperando assim da queda no Grande Prémio da Austrália.
Fonte: MotoGP
No Grande Prémio da Malásia, Fabio Quartararo e Franco Morbidelli têm as melhores chances do ano de conquistar a sua primeira vitória no MotoGP, sendo que não nos podemos esquecer de Maverick Vinales, que mostrou até agora estar muito bem no circuito da Malásia. Também podemos esperar boas ultrapassagens do campeão mundial, ao partir de uma posição tão baixa.
Doze anos depois da final de Paris, África do Sul e Inglaterra voltaram a disputar o jogo decisivo da competição. Os célebres Springboks defrontaram, pela segunda vez numa final, o berço do Rugby, criado na pequena cidade de Rugby, no centro de Inglaterra.
Eddie Jones apostou na mesma equipa que venceu a Nova Zelândia. Do lado contrário, Rassie Erasmus fez apenas uma alteração em relação à meia final contra o Gales. Cheslin Kolbe rendeu S’Busiso Nkosi na posição de três quartos ponta.
Na primeira parte, foi a África do Sul a tomar conta do jogo. Logo no início do jogo houve uma lesão que veio a influenciar fortemente o rumo do mesmo. Refiro-me à lesão de Kyle Sinclair. O pilar dos Harlequins foi substituído por Dan Cole, que mostrou grandes dificuldades na formação ordenada. Uma plataforma de ataque em que a África do Sul se mostrou muito superior e conseguiu converter em pontos, graças às muitas penalidades cometidas pelos ingleses neste capítulo do jogo.
A Inglaterra apenas teve um momento em que esteve por cima do jogo nos primeiros quarenta minutos. Uma série de fases à mão na área de 22 metros sul africana, que resultaram em três pontos. Grande mérito para a defesa Springbok, que se mostrou impenetrável e muito forte nas fases de disputa de bola.
Ao intervalo, o marcador ditava vitória sul africana por 12-6, com quatro penalidades certeiras de Pollard contra as duas de Farrell.
Hamdre Pollard foi decisivo nos pontapés aos postes Fonte: Springboks
Na segunda parte, a formação ordenada foi mais disputada. A entrada de Joe Marler, para pilar direito, veio trazer consistência a esta fase do jogo.
Os únicos ensaios do jogo apareceram apenas na segunda parte. O primeiro foi da autoria de Makazole Mapimpi. Um pontapé curto que resultou num dois para um em que Lukanyo Am apenas teve de soltar para o ponta dos Sharks de Durban que fez o toque de meta. Ficará para a história este ensaio, uma vez que foi o primeiro marcado pela África do Sul em finais do mundial. Recordo que esta foi a terceira final em que os sul africanos estiveram envolvidos.
Mapipmpi ao marcar o primeiro ensaio Springbok em finais Fonte: Rugby World Cup
Já o segundo teve o carimbo de Cheslin Kolbe, o imprevisível ponta que foi nomeado para jogador do ano. Ao receber a bola à entrada dos 22 metros ingleses, bateu Owen Farrell e fez o ensaio que decidiu o campeão do mundo de Rugby.
Grande jogo da defesa sul africana que anulou a fortíssima terceira linha inglesa. Sam Underhill e Tom Curry foram dominados no que ao breakdown diz respeito. Duane Vermeulen esteve irrepreensível na disputa pela bola no chão. Este conseguiu, de certa forma, atrasar a manobra ofensiva inglesa.
No que às fases estáticas diz respeito, a Inglaterra ficou muito aquém das expectativas. Esperava-se muita competitividade nestes capítulos do jogo, principalmente após a superioridade inglesa sobre a Nova Zelândia.
O domínio dos homens de Rassie Erasmus foi claro. O jogo foi gerido de forma muito inteligente, mesmo que que toca ao jogo ao pé. Faf de Klerk e Handre Pollard estiveram bem neste capítulo. Das poucas vezes que foi utilizado, a sua equipa conseguiu tirar partido tático e territorial deste componente do seu jogo.
No fim do jogo, Siya Kolisi, o primeiro capitão negro da seleção sul africana, realçou a vitória no campeonato do mundo, referindo também os problemas sociais e políticos do país, apelando à união da nação após esta conquista.
A África do Sul junta-se, assim, à Nova Zelândia com três vitórias no campeonato do mundo. Depois de 1995 e 2007, fica para a história a vitória em Yokohama, no primeiro mundial disputado na Ásia.
É de senso comum que o FC Porto consegue sempre formar uma equipa com, no mínimo, um lateral de topo mundial. Desde 2010 que os azuis e brancos produzem e lançam laterais que jogam pela direita ou pela esquerda de qualidade inegável. Um dos exemplos existentes no plantel atual é Alex Telles, que se tornou num verdadeiro ídolo dos adeptos. O fator principal na hora de escolher os atletas para os flancos do setor defensivo é a nacionalidade: grande parte dos bons laterais desta década são sul-americanos.
A aposta manteve-se ao longo desta década. Com o ano 2020 quase a começar, há ainda jogadores com potencial para se inserirem na lista apresentada posteriormente neste artigo. Tomás Esteves e Renzo Saravia ainda não tiveram as devidas oportunidades e, caso agarrem o lugar, podem muito bem ser dos melhores defesas a passar pelo FC Porto.
Entre cordilheiras, Friburgo em Brisgóvia, capital da região de Friburgo, vai servindo de casa na árvore a uma das maiores sensações entre os principais campeonatos europeus desta temporada: o SC Freiburg.
Na sequoia que é uma competição como a Bundesliga, a já por uma vez vencedora do campeonato da Alemanha no longínquo ano de 1907, vai olhando de cima para os habituais predadores da selva germânica.
Vizinho da floresta mais sombria da Europa, ou não estivéssemos a falar da boreal Floresta Negra, o SC Freiburg vem cimentando a sua presença na Bundesliga desde 2016, ano em que conquistou a 2. Bundesliga e ascendeu ao principal escalão do futebol do país.
A apenas dois pontos do topo da tabela, liderada pelo Borussia que veste de preto, a formação orientada por Christian Streich conta somente duas derrotas em nove partidas, um registo notável para um clube que ainda há pouco tempo lutava pela subsistência entre os grandes.
13 golos marcados e cinco sofridos fazem da equipa do sul da Alemanha o atual terceiro classificado da Bundesliga, em igualdade pontual com o Wolfsburg, numa formação que se destaca pelo coletivo, ainda que jogadores como Luca Waldschmidt (nome fortemente apontado ao SL Benfica neste início de época), Nils Petersen ou Nicolas Hofler vão engordando as estatísticas pessoais com golos e assistências.
Fonte: SC Freiburg
Partindo habitualmente de um 5-4-1, que rapidamente se metamorfoseia num 3-4-3 em processo ofensivo, o SC Freiburg vai levando a água ao seu moinho. A eliminação para a Taça da Alemanha, aos pés do FC Union Berlin a meio da semana, foi um duro revés nas aspirações da turma de Streich, mas que em nada belisca a extraordinária campanha levada a cabo pelos fuchs.
Para a próxima época, a promessa de jogar no novo estádio, ainda que com algumas restrições… O Tribunal Administrativo de Baden-Wurttemberg, estado onde a região de Friburgo se insere, anunciou que a equipa está proibida de receber qualquer jogo a partir das 20h. Não satisfeitos com esta medida do tribunal local, os moradores que a solicitaram por receio de ver interrompido o seu período de descanso, viram ainda a proibição de jogos das 13h às 15h de cada domingo.
No horizonte próximo, está já a deslocação a Bremen, onde os adeptos do Breisgau–Brasilianer esperam poder gritar à vontade a vitória da sua equipa.
Esta semana ficou marcada por mais um castigo a Marcus Wendel na sequência do incumprimento das regras internas do clube por parte do internacional olímpico pelo Brasil. A forma como Jorge Silas geriu a contenda constituiu-se como um pau de dois bicos. Por um lado, ao referir, num sentido mesclado de pedagógico quanto punitivo, que o brasileiro tem que aprender a estar num clube grande com o Sporting, gerou em seu torno uma autoridade no balneário que pode ser importante para a gestão do plantel no plano disciplinar ao longo da época; mas, por outro lado, e mais uma vez, o timing de tais palavras não foi o melhor, pois foram proferidas após uma vitória importante diante dos vimaranenses colocando, por isso, mais uma acha numa fogueira de problemas que tarda em cessar.
Quando um clube está a arder, tudo o que é dito tem que ser ponderado. Estas palavras, proferidas nesta altura em que foram, podem, assim, gerar mais fragmentações e clivagens no ambiente interno do plantel, com consequências destrutivas e negativas ao nível da união tão auspiciada. E, mais uma vez, a comunicação do Sporting não funcionou, mostrando todo o seu amadorismo agora no plano interno.
Mas este afastamento temporário de Wendel revelou-se, ao mesmo tempo, numa descoberta para Silas, pois, fruto dessa ausência, o técnico teve que olhar para as opções no plantel com vista a reformular um novo setor intermédio, criando mais músculo neste setor e tendo um toque mais defensivo. Aliás, as declarações do técnico sportinguista na antevisão ao jogo em Paços de Ferreira não deixaram dúvidas sobre as suas pretensões para este Sporting: “Quando chegámos, a nossa preocupação foi ao nível defensivo – e ainda está a ser. Precisamos de estabilizar a equipa, porque os golos pesam muito” (jornal Record, dia 31/10/2019).
O jovem médio brasileiro volta a ser notícia por razões extra-futebol Fonte: Sporting CP
Após alguns jogos de muita indefinição no sistema tático a usar – oscilando entre o 4x3x3, o 4x2x3x1 e o 3x4x3 – Silas parece agora apostar, pelo menos a avaliar pelos dois últimos jogos, num sistema próximo do 4x2x3x1, garantindo a solidez defensiva que pretende ver na equipa. É que a queda de Wendel do onze levou à subida de Eduardo Henrique, jogador sobejamente conhecido de Silas quando ambos representavam o Belenenses-SAD. Tudo indica que serão Eduardo e Doumbia os “cabeças de área” deste Leão, os principais maestros na primeira fase de construção.
Curiosamente ou não, a saída temporária de Wendel da equipa principal por razões disciplinares trouxe um maior esclarecimento a Silas ao nível das opções individuais e táticas para o meio-campo. O Sporting apresenta já uma ideia de jogo, um plano, ainda que em formato de esboço. Mas, já é alguma coisa. O 4x2x3x1 pode muito bem ser, tendo em conta as opções, o sistema tático de raiz deste Sporting, com Jesé/Luiz Phellipe no eixo do ataque, Bolasie e Vietto nas alas e Bruno Fernandes a ocupar a posição de “número 10”. Vamos acreditar que temos equipa!
O que esperar de um clube rotulado como sendo um dos grandes de Inglaterra e com uma história recheada de conquistas? Sim, importa não esquecer que o Arsenal FC é um dos cinco maiores clubes ingleses, com um estádio capacitado para 60 mil espetadores, com um invejável palmarés de 13 títulos de campeão nacional e 13 Taças de Inglaterra. Para além disso, por lá passaram nomes sonantes como o de Ian Wright, Patrick Vieira, Thierry Henry, Marc Overmars ou Robin van Persie. As expetativas são sempre elevadas mas infelizmente para os Gunners a realidade atual é bem diferente.
A época ainda agora começou e, decorridos apenas dez jogos da Premier League, a diferença pontual entre o Arsenal e o primeiro classificado, Liverpool FC, é já de 12 pontos. Para uma equipa que ambiciona voltar aos seus tempos mais gloriosos, esta distância começa a assumir contornos aparentemente irrecuperáveis.
Contando com quatro vitórias, quatro empates e duas derrotas, a equipa de Unai Emery encontra-se no quinto lugar da competição, quatro pontos atrás do eterno rival Chelsea FC. Mas este mau registo na principal prova interna já vem de anos passados. Afinal, o último campeonato ganho pelo Arsenal foi em 2004. Na Liga Europa a questão parece um pouco diferente. O ano passado a equipa foi finalista vencido da competição e este ano ainda só conhece o sabor da vitória.
Sobre a equipa referir que Unai Emery não parece ter uma tática predefinida, pelo que vai variando entre o 4-4-2, o 4-3-3 ou o 4-2-3-1, apresentando alguma preferência por esta última. No que diz respeito ao 11 inicial, nunca o repetiu em dois jogos consecutivos o que é bem representativo da rotação dada à maior parte dos jogadores do plantel. Ainda assim, importa destacar que o treinador espanhol constrói a equipa com base em alguns alicerces que aparecem regularmente no 11 tipo como é o caso de Aubameyang, Sokratis e Guendouzi.
Em relação a estatísticas coletivas, é de realçar que é a equipa com mais cartões amarelos da Premier League, acumulando já 28. A indisciplina é também revelada no facto de em apenas 10 jogos terem sido assinalados 4 penáltis contra os Gunners. O contraste de resultados casa/fora é também evidente, uma vez que 11 dos 16 pontos foram conquistados em casa, sendo os restantes 5 alcançados fora de portas. Em relação à mesma jornada da época passada, a equipa tem menos seis pontos, menos nove golos marcados e mais um sofrido. Talvez por isso se esteja a instalar o descontentamento no Emirates Stadium.
Festejo do 3º golo do Arsenal frente ao Vitória de Guimarães, no jogo da Liga Europa Fonte: Arsenal FC
Quando falamos do Arsenal dos tempos modernos há uma opinião que parece consensual: trata-se de uma equipa que ataca com muita facilidade e chega ao golo com alguma rapidez e em jogadas bem delineadas mas, em contrapartida, tem muita dificuldade no momento defensivo. Esta dicotomia cria do adepto uma sistemática insegurança quanto ao resultado final.
São tantas e tantas vezes que perdem o controlo do jogo, transmitindo a ideia de serem uma equipa banal. Veja-se o que aconteceu recentemente na receção ao Vitória de Guimarães, onde só a inspiração individual do costa marfinense Nicolas Pepe evitou aquela que teria sido a maior surpresa desta jornada europeia. Ainda mais notório foi o desaire sofrido no passado fim semana, onde, após ter o jogo aparentemente controlado com uma vantagem de dois golos obtida logo aos nove minutos, a equipa se deixou empatar, acabando por perder dois pontos que pareciam não fugir. A consistência não é propriamente um dos grandes atributos do futebol apresentado pelos londrinos. Ora nos patenteiam com um jogo bem conseguido ora nos desiludem com performances mais modestas.
No passado recente esta realidade tinha invariavelmente um responsável: o “velho” Ársene Wenger que parecia sofrer de um desgaste irrecuperável. A mudança do comando técnico indiciava a resolução destas reincidências, o que em boa verdade parecia fazer todo o sentido. Hoje confirmamos que os problemas serão mais de ordem estrutural. Só assim se justifica o comportamento do capitão, Xhaka, que no último jogo, após ter sido substituído e assobiado pelos seus próprios adeptos, despiu a camisola e foi diretamente para os balneários.
A situação é ainda mais relevante quando, não há muito tempo atrás, tivemos episódios idênticos igualmente protagonizados por antigos capitães de equipa. Refiro-me a Cesc Fábregas e Robin van Persie que forçaram a saída do clube e a Laurent Koscielny que no início desta temporada se recusou a viajar com a equipa para o estágio de pré-época realizado nos Estados Unidos da América.
Os amantes do futebol anseiam que esta grande equipa volte à ribalta. Para isso os Gunners precisam de voltar a dar o salto e de se impor, não só a nível interno como também a nível europeu. Só assim conseguirão fazer lembrar aquela equipa de 2005/06, vice-campeã europeia, que nos faz recordar os tempos mais consagrados do Arsenal Football Club.
Pode parecer demasiado impensável mas Francisco Machado, mais conhecido como Chiquinho, pode mesmo ser a solução para os maiores problemas que a equipa de Bruno Lage tem sentido. A urgência da sua recuperação e integração fica bem perceptível no seu impacto imediato no futebol da equipa.
Nos últimos meses já muito falei e escrevi sobre o momento que vive o futebol jogado do Sport Lisboa e Benfica. Há uma clara carência de um jogador mais criativo e imaginativo nas costas do avançado. Há uma clara carência de um jogador capaz de dar linhas de passe no centro do terreno. Há uma clara carência de mais um jogador que coloque a bola a rolar no relvado. E olhando para o plantel do SL Benfica e para aquilo que os jogadores têm demonstrado, o único com caraterísticas e qualidade para resolver essa carência é o recém-resgatado, e até agora suplente, Chiquinho.
Após uma rápida recuperação de uma lesão que se anunciava mais prolongada, foi convocado para o jogo em Tondela e, perante um futebol colectivo sem qualquer inspiração, foi lançado no decorrer da segunda parte. Nele estiveram os lances de maior interesse da equipa, fosse no momento da construção fosse no momento da finalização.
Três dias depois foi lançado como titular na recepção ao Portimonense. Mais uma vez, numa total desinspiração colectiva da equipa, foi dos pés de Chiquinho – e também de Grimaldo – que nasceram os melhores e mais decisivos lances da equipa.
O regresso de Chiquinho às convocatórias e a sua integração como titular da equipa é crucial neste momento do Sport Lisboa e Benfica. Contudo, apesar da urgência, esta não deve ser feita à pressa. O jogador veio agora de uma lesão, o relvado da Luz está uma vergonha e a chuva vai afectando os relvados por todo o país.
O que temos visto no futebol da equipa de Bruno Lage é uma ausência de jogo entre os avançados e o meio-campo. O não aproveitamento desse espaço resulta tanto em bolas longas dos defesas a procurar a profundidade dos alas e avançados como na muita lateralização do jogo à procura de cruzamentos: bolas pelo ar, as bolas mais fáceis de defender.
Com Chiquinho, o futebol do Benfica surge de forma mais natural Fonte: SL Benfica
Se olharmos para a época passada encontraremos um Jonas e, principalmente, um João Félix a fomentarem um jogo mais pelo centro. A sua presença em campo triplicava as linhas de passe, aproximava todos os jogadores de ataque, permitia manter a bola junto ao relvado com muito mais qualidade, fomentava a progressão em tabelinhas e permitia encontrar espaços não evidentes. Criatividade, imaginação, técnica, apoios, passes, posse de bola, assistências e golos. Um só jogador pode dar tudo isto a uma equipa.
Chiquinho não é Jonas. Chiquinho não é Félix. Chiquinho é Chiquinho e é enquanto Chiquinho que poderá catapultar o futebol encarnado. Ocupa aquele espaço e ocupa-o com qualidade. Sabe jogar de gostas para a baliza e é rápido a dominar a bola e a virar-se. Tem criatividade para desiquilibrar as defesas com uma desmarcação, uma finta, um passe ou até uma simples arrancada. É um jogador inteligente e sabe tratar a bola. Saberá criar as linhas de passe, decidir o momento de soltar a bola e o que fazer assim que a solta. Tem aproximação à área e tem golo. Com Chiquinho, tanto Florentino como Gabriel terão menos dificuldades com a bola no pé. Com Chiquinho, Rúben Dias não terá de recorrer tanto ao balão. Com Chiquinho, Grimaldo tem um apoio para as suas ingressões no ataque. Com Chiquinho, as arrancadas de Rafa não terão de ser movimentos individuais. Com Chiquinho, Pizzi poderá voltar a explanar todo o seu futebol. Com Chiquinho, seja qual for o avançado, estará muito melhor servido e muito menos marcado.
Em dois anos veio da Académica ao Moreirense e a indispensável no Sport Lisboa e Benfica. Parece impensável, mas é mesmo isso que se pode esperar dele: o que os outros não conseguem pensar.
Stade de France, dez de julho de 2016. Ali, dentro daquelas quatro linhas, decidia-se que país estaria no topo do futebol europeu de seleções durante os quatro anos seguintes.
A seleção francesa, dona da casa, era favorita à conquista do troféu, enquanto que Portugal, apesar da entidade “Cristiano Ronaldo”, surgia naquela final como “underdog”, vindo de um percurso um pouco atribulado na competição.
Se, nos primeiros minutos, o nervosismo natural de uma final daquela magnitude tomou conta de grande parte dos jogadores, ao oitavo minuto Dimitri Payet faria questão de quebrar o gelo: com uma entrada fora de tempo sobre Cristiano Ronaldo, o jogador gaulês tirava o número sete português do relvado no jogo que Cristiano mais quereria resolver.
A partir daí, assistiu-se a um maior domínio do jogo por parte da formação da casa que, inclusivamente, conseguiu criar algumas situações de perigo, até que, pouco antes do cronómetro atingir a primeira meia hora de jogo, Antoine Griezmann, após um passe magnífico de Pogba, deixa Cedric Soares para trás e remata colocado sem hipóteses para Rui Patrício. 1-0 para a França.
Griezmann aproveita alguma passividade da defensiva portuguesa e faz o 1-0 Fonte: UEFA
Era um duro golpe nas aspirações lusas: agora sem o seu líder dentro de campo, teria que reverter um resultado adverso na casa do adversário. E, se o 1-0 já complicava a missão portuguesa, um hipotético segundo golo dos franceses quase que deitaria por terra o sonho daqueles dez milhões.
E esse segundo golo havia mesmo de surgir. Trinta e oito minutos jogados, cruzamento de Griezmann da esquerda e, de primeira, Payet acerta um remate fulminante que deixa o guardião português sem reação. Era o 2-0 e sentia-se que ali acabara a esperança dos comandados de Fernando Santos.
Até ao final, assistimos a uma França totalmente controladora de todo o jogo e Portugal, completamente impotente, apenas “via jogar”.
Apesar desse domínio e de algumas outras boas chances para a seleção local, o resultado manter-se-ia inalterado até ao final, resultado que coroava os “les bleus” como campeões da Europa.
País de Gales e Nova Zelândia voltaram a defrontar-se dois anos depois, desta vez, no jogo que decidiu o terceiro e quarto classificados do mundial do Japão.
Steve Hansen promoveu diversas alterações na equipa titular. Destaque para o regresso de Sonny Bill Williams e Ben Smith ao 15 inicial. Estes últimos, em conjunto com o capitão Kieran Read e Ryan Crotty, realizaram o seu último jogo pelos All Blacks.
Já o 15 de Warren Gatland também sofreu algumas mudanças em relação àquele que perdeu na meia final contra a África do Sul. O par de médios foi totalmente renovado, com Tomos Williams e Rhys Patchell a aparecerem nos lugares de Gareth Davies e Dan Biggar, respetivamente. Outra alteração a destacar foi a entrada do ponta Owen Lane, a render o lesionado George North. O três quartos ponta de 21 anos dos Cardiff Blues, estreou-se pela seleção em agosto, frente à Irlanda, tendo hoje realizado apenas a sua segunda internacionalização.
O primeiro ensaio foi da autoria de Joe Moody, pilar esquerdo neozelandês. O segunda linha Brodie Retallick, ao quebrar a linha da vantagem, ficou numa situação de dois para um, onde fez um belíssimo offload para o pilar dos Crusaders que só teve de correr em direção à área de validação adversária.
Joe Moody marcou o primeiro ensaio do jogo Fonte: Rugby World Cup
Sete minutos depois, uma combinação entre Aaron Smith e Beauden Barrett resultou no segundo ensaio da Nova Zelândia. O médio de formação conseguiu fixar dois opositores, percebendo, ao inverter o sentido de jogo, a excelente linha de corrida do defesa All Black.
Até ao segundo ensaio neozelandês, os galeses apresentaram um jogo muito curto. Ao minuto 20, ao alargar o perímetro de jogo, Hallam Amos surgiu no canal dos 15 metros, após um excelente passe, fazendo assim o primeiro ensaio galês.
Hallam Amos foi o autor do primeiro ensaio galês Fonte: Rugby World Cup
Os dois últimos ensaios dos primeiros 40 minutos foram marcados por Ben Smith. No primeiro, este recebeu a bola dentro dos 22 metros galeses, após um turnover da avançada neozelandesa, batendo quatro defensores adversários antes de fazer o ensaio. Muita passividade da defesa galesa, ao deixar passar Ben Smith, que estava sozinho no meio de vários defesas galeses. Já no segundo ensaio da sua conta pessoal, este mostrou grande velocidade e aceleração, apesar dos seus 33 anos, ao aparecer no corredor de 5 metros e fazer um belo handoff a Tomos Williams antes de fazer o toque de meta.
Ao intervalo, o marcador mostrava uma vantagem para os neozelandeses por 28-10.
A segunda parte começou da mesma forma como acabou a primeira, isto é, com um ensaio All Black. Um offload de Sonny Bill Williams permitiu a Ryan Crotty isolar-se e fazer o ensaio na sua despedida da seleção da Nova Zelândia.
O jogo galês estava muito lento e previsível. Poucas foram as quebras de linha e as vezes em que os galeses chegaram à área de 22 metros adversária. Na primeira vez que o fizeram na segunda parte, Josh Adams fez o segundo ensaio do seu país. Após várias fases à mão, o ponta fez o toque de meta num pick and go e o seu sétimo ensaio na competição.
O último ensaio do jogo surgiu a três minutos do fim. Richie Mo’unga, após uma formação ordenada a cinco metros bateu o seu adversário direto, Dan Biggar, fazendo assim o seu primeiro ensaio na competição. O resultado final foi de 40-17 para a Nova Zelândia, que fica assim no lugar mais baixo do pódio deste Mundial de Rugby 2019.
Foi um jogo jogado à mão, com pouco recurso ao jogo ao pé, algo que não se tem visto muito neste mundial. A Nova Zelândia mostrou um Rugby veloz, com muita dinâmica e muito espetáculo (várias quebras de linha e muitos offloads). Já os Galeses apresentaram-se uma equipa muito estática. A sua aposta num jogo curto não se revelou frutífera. O pack avançado do País de Gales mostrou, mais uma vez, muitas dificuldades na formação ordenada.
Este jogo marca a despedida de ambos os selecionadores. De um lado, o neozelandês Steve Hansen despede-se com a conquista de um mundial. Do outro lado, o galês Warren Gatland despede-se com a conquista de três Grand Slams no torneio das seis nações. O seu substituto será Wayne Pivac, ex-treinador dos Scarlets.
Despedem-se do rugby internacional, jogadores que ficarão na história da modalidade como Sonny Bill Williams, Ben Smith e Kieran Read.
Conhecido entre os portugueses, Jan Oblak vai dando cartaz em Espanha e promete não ficar por aqui. Transferido do SL Benfica para o Atlético de Madrid em 2014/15, o guarda-redes esloveno tem atingido números avassaladores entre os postes. Não é de admirar que, no diz respeito à quantidade de jogos em que o guardião não concedeu qualquer golo, haja um recorde aí à porta…prestes a ser superado.
Os jogadores não se fazem de momentos, mas essencialmente de crescimento. E o processo de crescimento de Jan Oblak merece consideração. Começou a sua carreira como sénior no país natal, tendo representado o Olimpija Ljubljana nas épocas 2008/09 e 2009/10. E foi então que se transferiu para o SL Benfica, na segunda época de Jorge Jesus à frente do emblema das águias. Mas nem tudo foi um mar de rosas…
Até chegar à equipa principal do emblema lisboeta, teve de ser emprestado durante três épocas a clubes diferentes. Logo na época em que chegou a Portugal, passou pelas mãos de Leonardo Jardim, ao serviço do SC Beira-Mar. Na temporada seguinte representou o UD Leiria, naquela que foi uma época negra para os leirienses, marcada pela descida de divisão. À terceira época em território luso, chegaria o primeiro “cheirinho” daquilo que Oblak tinha para dar, tendo sido aposta principal de Nuno Espírito Santo para a baliza do Rio Ave FC.
Oblak chegou à Luz em 2010, mas só em 2013/14 é que assumiu as redes da baliza encarnada Fonte: SL Benfica
Depois de dois jogos pela equipa B, estreou-se na I Liga com a camisola das águias ao entrar para o lugar do lesionado Artur Moraes numa visita do SL Benfica ao reduto do SC Olhanense. E foi aí que tudo mudou! O guardião de 26 anos assumiu a titularidade até ao final da temporada, tendo sofrido apenas seis golos em 25 jogos e revelando-se crucial para as conquistas da formação lisboeta na temporada 2013/14.
Deu nas vistas, claro está, e à Luz acabaria por chegar uma oferta do Atlético de Madrid a rondar os 16 milhões de euros. Oblak acabaria, então, por dar o salto com apenas 20 anos.
O guarda redes internacional pela Eslovénia já conta com meia dúzia de temporadas ao serviço dos colchoneros, mas convém salientar que não chegou à capital espanhola com o rótulo de titular indiscutível. Demorou alguns meses para alcançar esse estatuto, mas é certo que quando agarrou a titularidade não mais a largou.
Um pouco à semelhança do que aconteceu no SL Benfica, Jan Oblak voltou a “aproveitar” a lesão do guardião habitualmente titular (no caso, Miguel Àngel Moyá), a dois meses do final da temporada, passando a ser aposta constante de Diego Simeone…até aos dias de hoje.
Reflexos de Oblak em mais uma grande defesa, desta feita na receção ao Athletic (2×0) Fonte: Atlético de Madrid
O futebol faz-se, em larga escala, de números. E é para esses que olhamos agora. Com 164 jogos realizados na Liga Espanhola, Jan Oblak conseguiu a proeza de manter a baliza a zeros em 95 dessas partidas. Algo que lhe permitiu igualar o recorde de Abel Resino, que demorou mais 80 jogos para alcançar tamanho feito.
Um guarda-redes que tem conseguido terminar, época após época, com mais “clean sheets” do que jogos a sofrer golos merece estar entre os melhores do mundo. Apesar de Oblak ainda não se ter sagrado campeão nacional pelo Atlético de Madrid, já conquistou dois títulos europeus e, tal como referido, tem obtido números espantosos entre os postes.
Contas feitas, se no próximo sábado o guardião esloveno deixar a sua baliza inviolável na deslocação a Sevilha entra para a História do clube, tornando-se no guarda-redes com mais jogos sem conceder qualquer golo no campeonato espanhol. Sublime!