O Braga de Abel Ferreira passa por uma temporada complicada, estando praticamente arredado da luta pelo título- o grande sonho de António Salvador – além de múltiplas derrotas contra os adversários diretos para o campeonato, falhou a chegada à final da Taça de Portugal e da Taça da Liga, além de uma participação paupérrima na Liga Europa.
Numa temporada em que os bracarenses voltam a ficar longe de vencer qualquer troféu e arriscam a não chegar ao pódio da Primeira Liga, várias decisões são questionadas à direção e equipa técnica do SC Braga, mas a mais estranha é mesmo o afastamento de Fábio Martins das escolhas de Abel Ferreira.
O extremo de 25 anos veio de uma temporada a bom nível nos arsenalistas, com cinco golos marcados em 27 jogos para o campeonato, sendo um desequilibrador importante quer a jogar de início, quer a sair do banco, prevendo-se uma temporada 2018/19 com Fábio Martins em destaque.
Fábio Martins tem sido completamente ignorado por Abel Ferreira, ainda não tendo jogado em 2019 Fonte: SC Braga
Porém, as oportunidades esta época mal apareceram, com presenças pontuais na equipa principal e apenas com dois jogos em que foi titular para o campeonato, além de ter jogado pela última vez em meados de dezembro e não sendo convocado para um jogo oficial desde janeiro.
Para tornar este afastamento de Fábio Martins ainda mais incompreensível, surgiram rumores no mercado de inverno de tentativas por parte do GD Chaves num regresso do extremo a Trás-os-Montes mas, após várias investidas, o negócio acabou por não acontecer. Assim o jogador ficou no Minho para treinar e não jogar, independentemente da performance dos colegas de equipa.
Fábio Martins provou, aquando do empréstimo ao Chaves, que é um jogador extremamente talentoso e de Primeira Liga e na temporada passada mostrou ter pedalada para uma equipa como o SC Braga. Hipotecar um talento como Fábio Martins pode muito bem ser uma das causas para a época aquém das expetativas dos arsenalistas.
As duas formações protagonizaram um jogo por si só já histórico, visto que este foi o primeiro jogo que opôs o SL Benfica ao Eintracht Frankfurt FAG. Um encontro que contava também com alguns reencontros e em especial o do sérvio Luka Jovic, emprestado pelos encarnados, com o Benfica e o do suíço Haris Seferovic com o Frankfurt, clube que representou durante três épocas.
O jogo começou algo atrapalhado para as duas formações e perigo nem vê-lo no que diz respeito aos primeiros 15 minutos de jogo. O SL Benfica entrou muito atrapalhado no jogo com uma postura defensiva e com intenções de jogar em transições rápidas. Já o Eintratch Frankfurt FAG começou com uma pressão alta e mostrava que vinha a Lisboa à procura de algo mais do que um empate.
Aos 20 minutos, após uma grande jogada coletiva dos encarnados, Rafa Silva com um grande passe encontra Gedson Fernandes à entrada da grande área em excelente posição. O médio português estava pronto para rematar à baliza de Trapp, contudo, acabou por ser derrubado por Evan N’Dicka.
O empurrão pelas costas valeu ao francês o vermelho direto e o Frankfurt estava agora reduzido a dez unidades. João Félix encarregado de converter o castigo máximo não desiludiu e marcou o seu primeiro golo na Liga Europa. Estava aberta as hostilidades no Estádio da Luz e havia vantagem benfiquista na eliminatória. Com o golo, a partida mudou completamente.
Cervi acabou por ser empurrado pelas costas, aos 30 minutos, por Makoto Hasebe, o número 20 dos alemães, mas o árbitro inglês Anthony Tayler nada assinalou. Reclamou-se muito nas bancadas por parte dos adeptos benfiquistas, mas o jogo seguiu. Engane-se que o Frankfurt acomodou-se no seu meio campo defensivo, muito pelo contrário. A equipa alemã procurou reduzir a desvantagem e tirar algo de positivo deste jogo fora de portas.
E se muito se esperava dele, acabou mesmo por aparecer. Luka Jovic, o sérvio emprestado pelo Benfica, acabou mesmo por gelar as bancadas vermelhas e brancas. Após uma jogada pela esquerda, Rebic apareceu sozinho e com um bom passe encontrou Jovic em melhor posição para finalizar. O número oito na cara de Vlachodimos não hesitou e fez o seu. Estava empatado o jogo e a eliminatória a um golo.
Após o golo sofrido, o Benfica reagiu muito bem e foi à procura de voltar a estar em vantagem. João Félix ouviu os gritos dos adeptos para rematar mesmo do “meio da rua” e assim fez. Com um belo pontapé de pé direito de fora da área não deu hipóteses ao guarda-redes alemão Kevin Trapp e finalizou uma jogada que parecia perdida. O jovem português fez assim o segundo golo no jogo e na competição.
Até ao final da primeira parte, tempo ainda para mais uma bola no fundo das redes do grego Vlachodimos, mas o assistente invalidou de forma correta o golo. Da Costa acabou por se fazer ao lance e tapar a visão do guarda-redes do Benfica e o árbitro acabou por seguir as indicações do fiscal de linha e anular mesmo o jogo. Assim, as equipas foram para o intervalo com um resultado de 2-1 favorável aos encarnados.
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
A segunda parte recomeçou com um Benfica com vontade de querer mais para ampliar a vantagem na eliminatória. Aos 50 minutos, após um canto batido por Grimaldo na direita sofre ainda um desvio nas costas de João Félix e acaba para sobrar para Rúben Dias que à frente da baliza não desperdiçou. Não podia começar melhor o segundo tempo para as águias do que com o terceiro golo.
Nem deu tempo para os adeptos voltarem a sentar pois passados dois minutos tiveram novo motivo de alegria. Uma grande jogada pela esquerda do ataque, Grimaldo cruza atrasado e apareceu de novo o camisola 79 do Benfica. João Félix com um bom remate, que passou por entre as pernas de Trapp, fez o hat-trick na partida e o espanhol assistiu pela segunda vez na noite.
Ao minuto 68, Seferovic recebeu um bom passe em profundidade e tinha apenas Kevin Trapp pela frente, mas não conseguiu concretizar. E parece que o ditado não falha: quem não marca sofre. Passados quatro minutos, surge mesmo o golo do Frankfurt. Após um canto batido na direita, Gonçalo Paciência com um grande cabeceamento acabou por pôr a bola no canto oposto e reduziu a desvantagem alemã. O avançado português, que tinha vindo a jogo há pouco tempo, entrou bem e fez logo estragos.
O jogo acalmou muito e seguiram-se as faltas de ambos os lados. Oportunidades de grande perigo acabaram por também não surgir mais até ao final do jogo. O jogo acabou com vantagem de dois golos para os encarnados na eliminatória e a equipa portuguesa continua sem perder em casa para a Liga Europa. No próximo dia 18, na Alemanha, o Benfica vai lutar para uma vaga nas meias-finais, porém as águias vão encontrar um verdadeiro inferno em Frankfurt.
Nesta noite europeia, curiosamente, oito dos treze golos marcados foram assinados por jogadores que vestem ou já vestiram a camisola encarnada.
ONZES E SUBSTITUIÇÕES
SL Benfica – Odysseas Vlachodimos, Alex Grimaldo, Fejsa, Rúben Dias, Corchia (Pizzi, 66′), Franco Cervi, Samaris (Zivkovic, 85′), Rafa (Seferovic, 60′), Jardel, João Félix e Gedson Fernandes
Eintratch Frankfurt FAG– Kevin Trapp, Evan N’Dicka, Rebic (Gonçalo Paciência, 68′), Gelson Fernandes, Luka Jovic (De Guzman, 60′), Filip Kostic, Martin Hinteregger, Sebastian Rode (Gacinovic, 85′), David Abraham, Makoto Hasebe, Danny da Costa
Passados quase dez anos, Portugal e França voltaram a encontrar-se em jogos oficiais. A seleção portuguesa conseguiu superiorizar-se em todos os momentos do jogo, surpreendendo a formação francesa e alcançando um resultado histórico e o 1º lugar do grupo de apuramento para o Europeu’2020.
Com um palmarés invejável – duas vezes campeã olímpica, seis campeã do mundo e três campeã europeia –, a França encontrou em Guimarães uma seleção bem afinada, determinada e um pavilhão cheio, com 3400 lugares ocupados e um ambiente arrepiante.
Portugal, que não pôde contar com Alexandre Cavalcanti e Alfredo Quintana por lesão, entrou no jogo da melhor forma possível ao aplicar um parcial de 3-0 ao 3º classificado do último mundial. A resposta francesa não tardou a chegar e, aos oito minutos, o jogo estava novamente empatado 3-3.
França ia demonstrando pouco acerto ofensivo, com grande oportunismo por parte dos jogadores portugueses. No campo, Portugal mostrava que tinha feito o trabalho de casa e que não ia dar a vitória de barato. Aos 15 minutos, Portugal vencia por 8-6, com Gilberto Duarte a liderar uma formação onde o talento é cada vez maior.
A França, a correr atrás do resultado, conseguiu empatar 8-8 e, até aos 25 minutos, não descolou, mas sempre com Portugal em vantagem. A cinco minutos do intervalo, a seleção das quinas, por desconcentração dos franceses, aplicou um parcial de 5-0 e ampliou a vantagem (17-12). A um minuto do intervalo, a seleção portuguesa ficou fragilizada com as exclusões de Luís Frade e Alexis Borges, mas, ainda assim, foi para o balneário a vencer por 17-13. Com o veterano guarda-redes de 41 anos Humberto Gomes em evidência, e uma grande exibição coletiva dos pupilos de Paulo Pereira, destaque ainda a entrada de António Areia no jogo, que marcou quatro golos em pouco mais de dez minutos. Do lado francês, Ludovic Fábregas era o melhor do conjunto.
Portugal a jogar com uma defesa muito agressiva e organizada obrigava a seleção francesa a errar muito. Ofensivamente, em contra-ataque, ou em ataque organizado, a eficácia de Portugal fazia inveja aos franceses.
Portugal nunca tinha vencido a seleção francesa na modalidade Fonte: FAP
Portugal regressava do intervalo a precisar de mais uma metade perfeita. A França marcou primeiro, mas Portugal, por António Areia, marcou de seguida. A segunda parte, como se esperava, recomeçou com grande intensidade e com ambas as equipas a quererem mais do jogo. Aos cinco minutos da segunda parte, Portugal até já ganhava por cinco golos, mesmo com a inferioridade numérica trazida do intervalo (20-15). Após alcançar a mais gorda vantagem do jogo (21-15), Portugal ficou descompensado pela exclusão de Miguel Martins aos seis minutos e sofreu dois golos de rajada. Com o fim do tempo de exclusão, a seleção recompôs-se e conseguiu chegar aos sete golos de diferença (24-17) aos 12 minutos da segunda metade.
O ambiente no pavilhão também ia ajudando – e muito – a seleção portuguesa. Paulo Pereira conseguia rodar a equipa e manter todos os jogadores com frescura física. Aos 22 minutos, Portugal alcançava uma vantagem de oito golos (29-21), com um parcial de 3-0, e parecia ter a vitória garantida, com Miguel Martins a brilhar nesta segunda parte. Era crucial manter a concentração defensiva e pausar o ataque. De facto, nada parecia abalar os jogadores portugueses. Grande jogo de andebol no multi-usos de Guimarães, com a Seleção Nacional a alcançar uma vitória histórica por 33-27 frente à colossal França, e chega ao 1º lugar do grupo 6.
No outro jogo do grupo, a Roménia venceu a Lituânia por 28-23, somando agora dois pontos, menos dois que a seleção portuguesa. Portugal e França voltam a encontrar-se no dia 14 de abril, no domingo, em Estrasburgo, França, a contar para a 4ª jornada do grupo 6 da qualificação para o Campeonato da Europa de 2020.
EQUIPAS INICIAIS
Portugal:Humberto Gomes; Pedro Portela; Tiago Rocha; Rui Silva; Gilberto Duarte; Diogo Branquinho; João Silva
França: Luc Abalo; Luka Karabatic; Ludovic Fabregas; Valentin Porte; Vincent Gerard; Melvyn Richardson; Nédim Rémili
O Watford é, tipicamente, um clube sem grandes feitos a nível de primeiro escalão. Pela sua história, grande parte das vezes que chegou ao topo do futebol inglês, logo na temporada seguinte disputava o Championship, e assim sucessivamente. Chegou uma vez à final da FA Cup, tendo saído derrotado (1983/84).
Foi em 2012/13 que se deu a subida que os trouxe novamente à ribalta. Através do play-off, disputaram a final que conduzia o vencedor da mesma à Premier League. Frente a frente, muito curiosamente, com o Leicester (que viria a subir logo na temporada seguinte, e fazer o que todos bem sabemos), a mesmo muito pouco do final, o Watford precisava de um golo para garantir esse mesmo acesso. Sendo uma final a duas mãos, o Leicester, em vantagem (devido ao golo fora), beneficiou de uma grande penalidade já em tempo de compensação. O mais certo seria sentenciarem em definitivo ali o jogo…
Mas o impensável aconteceu: Almunia defende (o penalty e a recarga de Knockaert!), e promove o contra ataque desenfreado dos hornets, que para (absoluto) delírio dos presentes, é finalizado da melhor forma possível por Troy Deeney, encerrando assim um dos jogos mais loucos da história do futebol!
Deeney não teve, propriamente, um início de carreira convencional. Normalmente, os jogadores de alto nível chegam ao dito assim que possível. O percurso atacante inglês é bastante identificável com o passado e presente de Jamie Vardy. Ambos tiveram, certamente, dúvidas e mais dúvidas acerca do seu nível profissional, mas a verdade é que é jogando futebol que se determina o nível que é possível almejar, e Troy Deeney, em quase uma década de Watford, tem razões para se orgulhar bastante, quer por si, quer também pelo clube que representa.
Mas esse mesmo clube também foi compreensivo para com Troy. Pouco depois do avançado perder o pai, foi preso devido a um desacato com jovens. Durante esse período, o jogador afirma que começou a ver as coisas de outra forma, que podia controlar o seu “lado negro”. É ainda hoje acompanhado com o psiquiatra que o ajudou a superar essa fase.
Durante essa fase, o Watford podia muito bem ver-se livre dele, talvez fosse o que outro clube fizesse….
Proveniente de um “clube de bairro”, diz que aos 18 anos pagava para poder jogar futebol, ou seja, não era profissional. Nem, tampouco, sabia se o iria conseguir ser. Detentor de uma personalidade forte, com ar de “bully”, o inglês detém uma qualidade movida pela sua força física, determinação e coragem. Certamente se identifica com o escudo que defende, e carrega, literalmente. É o único jogador da história do clube a ter marcado 20 ou mais golos por época por três anos consecutivos….
Estar ligado, de forma direta, a grande parte da história mais recente do emblema de Ginno Pozzo, não pode ser um mero acaso. A verdade das verdades, é que me parece que com a história que está a escrever no clube, (admitindo desconhecer, ao pormenor, grande parte da mesma) leva-me a crer que terá uma estátua sua edificada junto ao estádio, no futuro, mesmo que não consiga levantar a FA Cup diante do Manchester City.
A pouco mais de um mês do fim da época, Sérgio Conceição depara-se com vários problemas com o plantel: a sirene de lesões e castigos começou a tocar e as opções começam a escassear.
Na última terça-feira, diante do Liverpool FC, a contar para a Liga dos Campeões, o treinador viu-se obrigado a fazer alterações no setor defensivo. Maxi entrou para o lugar de Militão e o brasileiro ocupou o lugar do castigado Pepe. Esta alteração não foi necessariamente má, uma vez que Militão a central ainda rende mais do que a lateral direito. No entanto, o rendimento de Maxi é que ficou aquém, muito por culpa da qualidade dos ingleses.
Ainda assim, o problema maior até esteve no lado esquerdo… Alex Telles que saiu lesionado do jogo com o SC Braga, há duas semanas, foi opção para entrar no onze e os problemas físicos do brasileiro foram notórios. O lateral esquerdo não conseguiu ocupar bem os espaços defensivos, nem conseguiu a rapidez habitual nos lances ofensivos. Militão e Felipe tiveram de se multiplicar para cobrir os espaços deixados pelos colegas. Em muitos momentos, correu bem.
O central Felipe foi opção em 46 jogos esta temporada e apontou 3 golos Fonte: FC Porto
O próximo desafio é este sábado, em Portimão, e para este jogo os problemas repetem-se: desta vez é Felipe quem está castigado e Alex Telles ainda é uma incógnita. Apesar de ter jogado em Anfield, o brasileiro pode ser preterido para recuperar adequadamente, tendo em conta ter sido um dos jogadores que mais minutos fez esta época.
Já Felipe cumpre o segundo jogo de castigo, depois de ter falhado o Boavista. O brasileiro, que tem lugar cativo no centro da defesa, vai ser substituído por Militão, que volta a abrir uma vaga na lateral direita. Para esse lugar Maxi ou Corona serão opções… o mexicano tem estado a jogar a um ritmo elevado e já diante do Liverpool ajudou defensivamente Maxi Pereira. No caso de Alex Telles, tal como aconteceu com o Boavista, Manafá pode ser opção, apesar do brasileiro não estar, de todo, descartado.
Se há uns tempos, o setor defensivo era caracterizado por ser um autêntico muro pelas tão boas opções à disposição de Sérgio Conceição… nesta altura a situação inverte-se e tem sido uma dor de cabeça. O muro desmorona ou reergue-se até ao final da época?
A temporada de pista começa em força no final deste mês e principalmente no mês de maio, com importantes competições a nível internacional, como o início da Diamond League e o Mundial de Estafetas. Mas, antes mesmo disso, o mês de abril promete muita emoção para os amantes da estrada, com o destaque para duas Maratonas Major – Boston e Londres -, bem como outras Maratonas “Gold” que geram sempre grandes resultados, como é o caso de Paris ou Madrid.
Nós, Sportinguistas muitas vezes nos damos conta que há equipas/jogadores que se empenham muito mais quando enfrentam o clube de Alvalade que quando enfrentam outros emblemas do topo da tabela. Muitos dirão que a culpa é do Sporting, por não impor o respeito que outros impõem, deixando assim que os adversários sintam que podem lutar por algo mais que o simples “pontinho”. Outros dirão que uns jogam apenas o que a equipa adversária permite, e o Sporting não tem a consistência de jogo para se impor de forma clara contra qualquer adversário, o que vem entroncar um pouco no ponto anterior.
No entanto eu já vi grandes equipas do Sporting a jogar futebol de muita qualidade e chegar ao fim com o mesmo resultado que tantas outras, ou seja, em segundo, terceiro, quarto ou mesmo sétimo. A verdade é que tenha o Sporting qualidade ou não, tem sempre mais dificuldade em ultrapassar qualquer adversário, quando comparando com os outros “grandes” do campeonato português. Devido a estas posturas tão dispares, surgem depois as teorias de possíveis (com alguns depoimentos em tribunal a confirmar alguns casos) de aliciamentos a jogadores, com pagamentos de prémios, regularização de salários, ou os tais pagamentos para perder ou ganhar. Então toda a gente aponta o dedo ao do lado, tentando culpá-lo e assim retirar a sua parte de culpa. Porque a culpa não é dos jogadores. Ou melhor, o jogador é quem menos culpa tem, a não ser quando se deixa aliciar, ainda que muitas vezes, “obrigado” pelas dificuldades financeiras em que vive.
Fosse este um futebol de igualdades, justo, sem esquemas, e talvez não houvesse espaço para este tipo de manobras de bastidores, que tanto abundam, principalmente no futebol português. Em primeiro culpo o governo, que vive de votos. Como os grandes clubes têm a maioria da população votante a apoiá-los, e estes permitem que o seu “fanatismo” molde o seu discernimento no momento de escolher quem irá gerir o seu país e as suas vidas, os governantes preferem deixar o futebol em autogestão, sem que possam ser implicados em decisões de qualquer espécie, contra este ou aquele, que lhes possa custar votos depois.
Com essa autogestão, cabe à Federação e Liga tentarem que os clubes vivam dentro das leis. O problema é que as leis do futebol não são exactamente as mesmas das descritas nos códigos Civil, penal, ou de sociedades comerciais. E nem a justiça é aplicada com os mesmos preceitos que outros quadrantes da sociedade. Isso acontece porque as leis do futebol são escritas e aprovadas pelos mesmos clubes que supostamente sofrem as condicionantes e penalizações. Mas vendo bem, na Assembleia da República são também os políticos a aprovar leis com as quais depois são julgados, e por isso sempre há uma escapatória deixada para ser aproveitada em momento oportuno. No fundo, o futebol é apenas um reflexo de como é gerido o país, porque o futebol é também política, apesar de, como escrevi antes, pública e oficialmente eles não quererem tomar uma posição.
Essas leis aprovadas pelos clubes permitem que Sociedades Desportivas falidas, sem capacidade de pagar ordenados, ano após ano, possam competir e inscrever jogadores, como se nada se passasse. Depois vêm presidentes de sindicatos e outros, publicamente, qual apoiante de boas práticas e costumes, colocar-se do lado dos jogadores, que não recebem ordenados. Mas até isso é pensado por quem tem mais poder.
Porque ao termos clubes falidos, sem capacidade financeira, há maior facilidade, por parte de quem quer corromper, poder chegar a um jogador com ordenados em atraso e ter maiores garantias de que o mesmo aceite as suas “ofertas”. Costuma-se dizer que a oportunidade faz o ladrão e estas oportunidades são criadas por quem depois se pode servir delas.
Os principais problemas do futebol português estão fora das quatro linhas, porém acabam sempre por prejudicar o que acontece dentro delas Fonte: Sporting CP
Se quem manda no futebol quisesse mesmo ter um campeonato justo, competitivo, e com menos casos, teria apenas de obrigar os clubes a cumprir com as suas obrigações financeiras, sendo que, para isso, tenha também de criar condições para que o fosso entre grandes e pequenos seja menor, e não continue a aumentar. (Ainda gostava de ver alguns transportadores de “malas” que se movimentam no futebol português a tentar fazer essas jogadas no futebol inglês, por exemplo. Os jogadores iam ouvir o montante, rir-se na cara dele, e em vez de aceitarem ainda lhe ofereciam o dobro para o ajudar no caminho de volta, por conta de despesas de hotel e passagens aéreas, por exemplo).
O problema é que quem manda são os clubes. “Ah, mas se são os clubes, devem ser os pequenos a impor-se”. Pois, por isso surgiu aquela “geringonça” do “G15”, mas a perceber por quem andava a encabeçar o mesmo, pareceu apenas mais um a tentar ganhar vantagem sobre os outros. E se assim não for, porque razão tal grupo desapareceu? E tomou alguma decisão relevante? Não me parece. E depois, segundo sei, os chamados “grandes” têm poder de veto (tipo NATO), pelo que nada se decide sem que esses estejam de acordo.
Assim sendo, se estamos à espera que seja o futebol a regulamentar-se para melhorar, bem podem esperar sentados. No fundo, todos se servem do futebol, mas ninguém está interessado em servir o futebol, isto até perceberem que a sua “galinha dos ovos de ouro” está a morrer. Depois pode ser já tarde.
Quanto aos jogadores, há os que aceitam aliciamentos por falta de valores, sejam eles monetários ou de formação pessoal e há os que já se confessam desiludidos com o futebol em que vivem. Pois eu também já estou desiludido com o futebol há muito, e não fosse o amor que tenho pela “bola”, por ver o meu clube jogar, e já teria deixado de acompanhar este desporto rodeado de interesses, políticas e crime. E eles aproveitam-se desse amor… enquanto nós deixarmos.
Fundado em 2007, o Club Sintra Football nasce de uma visão e desejo do seu presidente Dinis Delgado, um dos mais célebres dirigentes do futebol distrital em Lisboa, que ganhou notoriedade nacional após uma reportagem num canal desportivo de televisão do nosso país.
A sensivelmente dois meses do final da temporada, o Club Sintra Football ocupa o terceiro lugar da Pró Nacional de Lisboa, somente a três pontos de distância do primeiro lugar, que dá acesso ao Campeonato de Portugal na seguinte temporada, sonhando com a estreia a nível nacional já na próxima época.
O clube, que joga num campo “emprestado” pelo Real Sport Clube de Massamá, foi pensado e projetado pelo seu fundador para atingir os mais altos voos do futebol nacional e internacional (aliás, o nome do clube tem toque britânico, mesmo a antever futuras presenças europeias). Começou da última divisão do futebol português e, 12 anos depois, está muito perto de surpreender a concorrência e os teóricos favoritos à subida ao Campeonato de Portugal, precisamente no seu ano de estreia na Pró Nacional de Lisboa.
Dinis Delgado tem provado o seu valor enquanto gestor de um clube de futebol distrital Fonte: Club Sintra Football
Com um plantel com uma média de idades a rondar os 22 anos, grande parte com ligações no presente ou passado ao Real SC, os jovens do Sintra Football estão a provar que plantéis mais “batidos” e experientes, não quer dizer que sejam os melhores. Clubes como o CA Pêro Pinheiro, SC Lourinhanense, Clube Futebol Benfica ou Atlético Clube da Malveira, recrutaram jogadores mais “galactizados” no distrito, em termos de currículo (muitos “baixaram” diretamente do Campeonato de Portugal para a Pró Nacional), estatuto, ou até de investimento. No entanto, e sobretudo num contexto de distrital, o que faz a diferença são outros aspetos que vão para além disso.
Tino representou o clube nas divisões mais baixas chegando até à Segunda Liga, tendo regressado esta época ao Sintra Fonte: Club Sintra Football
Num campeonato tão equilibrado e competitivo, onde os últimos surpreendem os primeiros com muita regularidade, o coletivo, o compromisso e mística marcam toda a diferença dos restantes e é nisto que o Sintra Football é bom.
Após a subida da divisão de Honra na época passada, o clube manteve vários elementos da época transata e reforçou-o com vários jogadores com ligações no passado ao Real SC, ou seja, mantendo a dinâmica dos últimos anos. O grupo é forte, tem muito talento, e tem um presidente que pensa sempre em grande e que olha para os limites como uma mera sugestão social, não permitindo comodismos.
Todo este contexto e ambiente à volta do clube, torna-o num “case study” em Portugal de verdadeiro sucesso. Aliás, ninguém pode garantir que subam ao Campeonato de Portugal já este ano, mas uma coisa é certa, este Sintra Football promete voar por outros patamares e deve ser seguido com atenção pela comunidade futebolística nacional, tanto em termos de resultados desportivos, como em termos de gestão, quer de espaços e instalações, quer de política de aquisições, etc, tendo sempre bem presente como o clube apareceu e como foi pensado e idealizado por Dinis Delgado.
O Club Sintra Football luta pela subida ao Campeonato de Portugal com o CA Pêro Pinheiro e Atlético da Malveira, estando a três pontos do primeiro lugar, quando faltam disputar 15 pontos.
O Futsal é cada vez mais a segunda modalidade em Portugal. Os motivos são vários: o principal é ser ‘semelhante’ ao futebol, mas também conta a forte aposta da FPF, que trabalha como nenhuma outra Federação em Portugal, como se pode ver, por exemplo, no Futebol Feminino.
Portugal fez recentemente dois jogos com o Brasil. Campeão europeu de um lado vs. uma das melhores seleções do mundo – e tudo apontava para grandes jogos.
Apenas tive oportunidade de ver o primeiro dos dois jogos, e vi um mundo de diferença entre as duas seleções. No segundo, pelo que li, as diferenças foram iguais.
De um lado, uma equipa com muitas soluções, muitas ideias e um lote excedente de jogadores. Do outro, um grupo de individualidades, onde, apesar de tudo, não foi “Ricardinho mais quatro”.
O título europeu deu uma falsa segurança a Portugal. O Futsal em Portugal está longe de ser o mais saudável neste momento, sendo que faltam opções a vários níveis.
Portugal foi presa fácil para o Brasil no início do ano Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
Ver a exibição de Guitta nos dois jogos – pelo que li, no segundo jogo ainda esteve melhor do que no primeiro – e depois olhar para Vítor Hugo e Bebe… O problema é que André Sousa nunca deu o passo em frente esperado, e Gonçalo Portugal e Cristiano estão tapados precisamente pelos dois guarda-redes da seleção brasileira. Isto dando apenas um exemplo, porque não é este o único ponto negativo neste momento.
Outra das grandes diferenças notadas foi o físico. Os jogadores brasileiros pareciam todos mais fortes fisicamente do que os portugueses e não só de magia vive o Futsal.
É preciso trabalhar-se trabalhar mais e melhor em Portugal para que surjam melhores opções e para que não percamos a posição de topo europeia que temos. Os grandes países europeus começam a despertar para a modalidade, manter tudo como está vai resultar num retrocesso enorme.
Belo desafio em Amesterdão! O Ajax e a Juventus empataram a uma bola na 1ª mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões, num encontro em que os holandeses foram superiores. A Velha Senhora entrou a ganhar com um golo do português Cristiano Ronaldo, mas o tento do jovem Neres no início do segundo tempo deixou tudo em aberto para a 2ª mão.
A partida começou com uma oportunidade de golo para cada lado, mas nem Bernardeschi nem Ziyech acertaram com a direção da baliza. A Juve apresentava algumas dificuldades em passar o meio-campo holandês, enquanto o conjunto de Erik ten Hag conseguia dar uso ao jogo interior de forma muito inteligente.
O marroquino Ziyech, uma das estrelas da companhia, ia tentando a sua sorte de fora de área e, aos 18 minutos, esteve muito perto de ser feliz: grande envolvimento ofensivo da formação holandesa e o extremo de 26 anos a obrigar Szczęsny a defender para canto.
Sete minutos volvidos, o Ajax voltava a assustar os visitantes: o médio van de Beek atirou um pouco por cima da trave. A Juventus ia passando um mau bocado na Arena de Amesterdão, sem arranjar maneira de fugir da teia montada por de Jong e Schöne no centro do terreno.
Foi preciso uma bola despejada na área holandesa por Matuidi, aos 37 minutos, para os adeptos italianos recuperarem o ânimo: Ronaldo, em seguimento ao centro do francês, deu de cabeça para Bernardeschi, mas o ex-ACF Fiorentina voltou a não ser certeiro nas suas ações.
Em cima do intervalo, contra o rumo que o jogo estava a levar, o suspeito do costume fez o 1-0 em Amesterdão: cruzamento de Cancelo para Ronaldo e o camisola ‘7’ a responder, de cabeça, à oferta do compatriota. CR7 alcançava o 24º golo nos quartos-de-final da Liga dos Campeões e reforçava o estatuto de um dos melhores cabeceadores da história do futebol.
Cristiano Ronaldo fazia o seu oitavo golo em cinco jogos frente ao Ajax Fonte: UEFA
No primeiro suspiro da etapa complementar, o Ajax reestabeleceu a igualdade no marcador e levou os adeptos nas bancadas ao rubro: David Neres concluiu um excelente momento coletivo com um remate colocado e indefensável para Szczęsny. Cinco minutos depois, o brasileiro de 22 anos tornou a marcar, mas o golo foi invalidado por fora de jogo.
Só aos 81 minutos é que o esférico esteve novamente próximo de furar as redes de uma das balizas: o estreante Ekkelenkamp, na cara de Szczęsny, testou os reflexos do guardião polaco. Na baliza contrária, quatro minutos depois, a bola embateu no poste após o tiro de Douglas Costa.
Até ao apito final de Carlos del Cerro o resultado manteve-se igual, pelo que a eliminatória vai ser decidida no Allianz Stadium, na próxima terça-feira, 16 de abril. A Juventus parte em vantagem graças ao golo marcado fora de portas, mas o Ajax tem uma palavra a dizer e será, com certeza, novamente um osso duro de roer.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
AFC Ajax: Onana, Veltman, de Ligt, Blind, Tagliafico; Schöne (Ekkelenkamp, 75’), de Jong, Ziyech, van de Beek, Neres; Tadić.