Início Site Página 10574

Os 5 “negócios da China”

Em pleno período de transferências, torna-se complicado destrinçar o rumor verdadeiro do rumor utilizado para inflacionar valores ou simplesmente confundir. Esta lista não constitui nenhuma transferência certa, nenhum rumor nem nenhuma vontade ou desejo e exclui atletas das equipas promovidas, FC Famalicão e FC Paços de Ferreira, contando que possam seguir estes emblemas para a Primeira Liga. Outros nomes podiam aqui figurar, não tivessem já sido contratados para a Primeira e Segunda ligas. Trata-se apenas de um conjunto de “pechinchas” que mereciam “voos” mais altos e palcos de Primeira Liga. E não são as únicas.

Afinal, o que se passa com a VAR no Mundial Feminino?

24 pénaltis, jogadoras a recusarem continuar a partida, lágrimas de tristeza e sobretudo de raiva. É este o balanço da atuação do Video Assistant Refferee (VAR) no Mundial de Futebol Feminino em França. O que é que isto significa para o torneio e para o futuro da tecnologia no desporto rei?

É a primeira vez que o video-árbitro está a ser utilizado num Mundial de Futebol Feminino, e o balanço não tem sido nada positivo. Desde que o torneio começou, em França, há cerca de três semanas, muitos foram os episódios que tiveram a mulher do apito (e a do ecrã) como protagonistas.

Ellen White celebra o seu golo frente à Seleção Camaronesa. Fonte: Seleção Inglesa de Futebol Feminino
Fonte: The Lionesses

Um dos acontecimentos mais marcantes surgiu no Camarões-Inglaterra, a contar para os oitavos de final da competição. Depois de um golo de Ellen White que fez o 2-0 para as inglesas ter sido anulado pela fiscal de linha mas validado pelo VAR, as camaronesas… recusaram-se a jogar. Numa das cenas mais bizarras do futebol nos últimos anos, as representantes do país africano juntavam-se no centro do seu meio campo e não davam o pontapé de saída.

No Argentina-Escócia, jogo da última jornada do Grupo E, um penálti falhado pelas albicelestes no minuto final da partida significaria que as escocesas seguiriam em frente na competição. Mas a revisão no VAR indicou que a guarda redes estava adiantada da sua linha na altura da grande penalidade, e a repetição do penálti acabou por ser convertida por Florencia Bonsegundo, eliminando as britânicas.

Mas, enquanto estas decisões podem ser contestadas, mas aceites por, em última análise, estarem corretas (especialmente no caso do jogo entre Inglaterra e Camarões), o que aconteceu no Alemanha – Nigéria já não foi tão bem aceite. No primeiro golo das germânicas  (que viriam a vencer 3-0), Svenja Huth está a obstruir a visão da guarda redes enquanto a sua colega de equipa, Alexandra Popp, cabeceia para dentro da baliza, fazendo o 1-0. O VAR assinalou a posição irregular de Huth, mas, cabendo a decisão final sempre ao juiz da partida, este acabou por considerar o tento limpo.

Assim, mais do que no Mundial Masculino de 2018, o VAR tem estado no centro das atenções. Não só pelas alturas dramáticas em que tem atuado, mas também pelo volume de decisões que tem tomado. Isto deixa questões no ar, nomeadamente quanto ao progresso do futebol feminino e ao futuro da tecnologia no desporto.

Naquele que, para muito, teria de ser o torneio de afirmação do futebol feminino profissional (com a qualidade de jogo a ser cada vez maior), estas situações agarraram grande parte da atenção exterior. Quem está dentro do desporto rei acha que o desenvolvimento das mulheres no futebol depende também dos juízes que arbitram as partidas. E, para já, os homens e mulheres do apito não têm estado à altura das expectativas.

David Beckham foi visto num jogo da Seleção Inglesa, acompanhado da sua filha
Fonte: FIFA

Mas Pierluiggi Colina, ex-árbitro e atual presidente da Comissão Arbitrária da FIFA, afirma que o desempenho das 27 árbitras e 48 auxiliares destacadas para o Mundial de França está “de acordo com as expectativas”.

A polémica também deixa vários pontos de interrogação no ar quanto à introdução do VAR na Premier League da próxima época. Uma fonte próxima da liga afirma, em declarações à TalkSport, já ter sido contactado devido aos episódios do Mundial Feminino. Garante que os critérios utilizados pelo VAR serão diferentes. Casos como o da repetição do penálti argentino não devem suceder, já que a tecnologia não será utilizada nestas situações. Isto, claro está, se Piergluiggi Colina permitir. O italiano, numa conferência de imprensa, deixou explícito que as regras “são as mesmas em todo o mundo”, o que deixa dúvidas quanto à liberdade de critérios da Liga Inglesa.

Com as meias finais da competição à porta, resta esperar que o foco vire para as verdadeiras artistas, naquele que tem sido um Mundial com grandes histórias e com uma qualidade de jogo sem precedentes no desporto rei feminino.

Foto de Capa: Bola na Rede

Del Potro: o guerreiro dentro e fora do court

Esta semana trago-vos um artigo sobre um tenista que admiro bastante e do qual sou grande fã. Falo de Juan Martin Del Potro.

O jogador argentino de 30 anos tornou-se profissional em 2005. Em 14 anos de carreira, venceu 22 títulos, dois deles no Estoril Open. Uma das maiores vitórias da sua carreira aconteceu em 2009. Nesse ano, nos Estado Unidos, conquistou, pela primeira e única vez, um Grand Slam. No entanto, a uma carreira cheia de títulos junta-se uma série de lesões que o afastaram dos courts durante vários meses.

Em 2009, Del Potro venceu Roger Federer na final do Us Open e conquistou, pela primeira vez, um Grand Slam
Fonte: ATP World Tour

A primeira grande paragem de Del Potro ocorreu em 2010. Antes da cirurgia ao pulso direito e com apenas 21 anos, o jovem argentino tinha alcançado a sua melhor classificação desde que se tornou profissional, tendo chegado ao quarto lugar do ranking ATP. Recuperado do problema que afetou o pulso, Del Potro regressou aos courts e ao top dez do ranking. Porém, novas lesões no pulso voltaram-no a afastar da competição (março 2014 / janeiro 2015 / junho 2015).

Foram necessários três anos, desde da última lesão, para voltar a ver Del Potro entre os dez melhores jogadores do circuito. Em 2018, o jogador de 30 anos conquistou dois títulos, sendo que um deles foi o Masters de Indian Wells, um dos mais prestigiados do mundo.

Na semana passada, o azar voltou a bater à porta. Del Potro foi obrigado a desistir do Open de Londres, depois de sentir dores no joelho direito. Infelizmente, o tenista confirmou que terá de ser operado e ainda não sabe até que ponto esta lesão pode acabar com a sua carreira.

Uma das razões pela qual admiro tanto este desportista deve-se à sua determinação e garra com que ultrapassa todos os obstáculos que surgem dentro e fora de campo. Apesar das lesões com que se deparou nos últimos anos, Juan Martin Del Potro regressou sempre ao seu melhor e atingiu sempre grandes patamares e é isso que espero que aconteça novamente, porque acredito que ele ainda tem muito para dar ao ténis.

Foto de Capa: ATP World Tour

Campeonatos Nacionais de Ciclismo: Um apanhado do Minho ao Mundo

A terra escolhida para acolher este ano os campeonatos nacionais em Portugal foi Melgaço. No primeiro dia de competição tivemos os campeões do contrarrelógio. Na categoria masculina após 32,3 quilómetros, foi José Gonçalves quem levou a melhor. No segundo lugar ficou o seu irmão Domingos Gonçalves, à semelhança do ano passado, ambos a terminarem nas primeiras duas posições.

Domingos Gonçalves registou à chegada mais 21 segundos que o seu irmão e António Carvalho que terminou em terceiro lugar ficou a um minuto e três segundos do vencedor.

No setor feminino, após 24,6 quilómetros, foi Daniela Reis que assumiu o favoritismo e acabou por vencer. A corredora terminou com um tempo de 39 minutos e 45 segundos, revalidando assim o título de campeã do contrarrelógio. No segundo lugar ficou Liliana Jesus a 3 minutos e 41 segundos e em terceiro, Melissa Maia, a 3 minutos e 48 segundos, ambas as atletas correm no CE Gonçalves/Azeitonense.

Nos sub-23 foi percorrido o mesmo percurso das corredoras de elite. Com o ciclista João Almeida a sobressair, completando a corrida em 32 minutos e 37 segundos. Jorge Magalhães da W52- FC Porto, terminou com mais 58 segundos e ficou em segundo lugar, Guilherme Mota da UD Oliveirense/InOutBuild fechou o pódio a 1 minuto e 53 segundos do jovem da Axeon.

Nas corridas de estrada/fundo tivemos a dobradinha de Daniela Reis e de João Almeida. Daniela Reis mostrou-se na ofensiva logo a partir da primeira volta e no momento que decidiu atacar, nunca mais a alcançaram. O ataque aconteceu na subida que antecedia a última volta, deixando a ciclista isolada na frente e conquistando assim mais um título nacional. Após 88 quilómetros, fechou com um tempo de 2 horas 38 minutos e 51 segundos. Raquel Queirós acabou em segundo, ela que está no escalão sub-23, a 2 minutos e 10 segundos. Sandra dos Santos acabou no terceiro lugar a 6 minutos e 19 segundos. Daniela Reis claramente que se encontra num patamar acima da concorrência.

De salientar ainda, o facto de Daniela Campos ter acompanhado as duas primeiras do escalão de elite durante quase toda a prova, concluindo os 66,1 quilómetros do escalão júnior isolada na frente. Sagrando-se campeã nacional à frente de Rafaela Ramalho que chegou com dez minutos de atraso e de Beatriz Martins que fez a prova com mais 11 minutos e 22 segundos.

João Almeida não vacilou na prova de fundo e mostrou-se com intenções claras de conquistar a camisola de campeão nacional. Esteve em fuga durante mais de cem dos 143,2 quilómetros da prova.

Almeida fez a ponte para a frente da corrida onde se encontravam seis ciclistas. No entanto, a trinta quilómetros para o fim o grupo partiu-se e restavam apenas Almeida e Fábio Costa (UD Oliveirense-InOutBuild) na frente. Os perseguidores tentaram alcançar o duo fugitivo, mas, no entanto, sem sucesso. Na última dificuldade do dia, o ciclista da Axeon atacou para alcançar a vitória. Fábio Costa atrasou-se em onze segundos e ficou na segunda posição, já João Leite (Vito Feirense) conseguiu o terceiro posto, chegando 36 segundos atrasado.

João Almeida que no ano passado tinha ficado em segundo lugar, tanto na prova de fundo como no contrarrelógio, onde perdeu a primeira posição para os irmãos Oliveira, Rui e Ivo. No entanto já se tinha sagrado campeão nas duas especialidades em júnior.

No ano de 2018, João terminou em segundo lugar no Giro Ciclistico d´Itália no escalão sub-23, apenas atrás de Aleksandr Vlasov da Gazprom Rusvelo. Neste momento Vlasov já compete de igual para igual com ciclistas World Tour. Como no Tour dos Alpes, Volta às Astúrias e no Tour da Eslovénia deste ano.

Samaris, o novo lider do balneário encarnado?

Foi com uns surpreendentes dez milhões de euros que o SL Benfica resgatou ao Olympiacos o passe do médio Andreas Samaris, corria a época 2014/2015.

Seria um valor demasiado alto? Esta era a dúvida que reinava no seio dos adeptos encarnados.

Ao Estádio da Luz chegava um médio centro de 25 anos, internacional grego, com uma estampa física imponente, quase 1,90 cm de altura.

A expectativa de ver Samaris a jogar era grande, mas a espera foi curta. Foi pela mão de Jorge Jesus que o então camisola 7 fez a estreia de águia ao peito.

Para além de todas as capacidades técnicas e fisicas que lhe são reconhecidas, Samaris cedo demonstrou a astúcia e inteligência que carateriza os grandes jogadores. Percebeu a dimensão do SL Benfica e, surpreendeu tudo e todos, no inicío da segunda temporada, quando deu uma entrevista na língua de Camões a um canal televisivo português.

Mesmo com jogadores de peso no balneário como Luisão, Enzo Pérez, Nico Gaitan, Jardel, entre outros, começou a ser notória a influência crescente do grego junto do plantel encarnado.

Época após época a sua possivel saída era noticia, mas apesar do assédio de clubes estrangeiros o médio foi permanecendo e é, neste momento, um dos jogadores do plantel com mais anos de águia ao peito.

A época 2018/2019 foi bastante agridoce para o médio benfiquista. Com Rui Vitória no comando, o jogador natural da cidade de Patras foi praticamente descartado tendo ficado fora das opções de forma sistemática e, para muitos benfiquistas, incompreensível.

Foi só após a chegada de Bruno Lage que o jogador recuperou posição de destaque e se afirmou como um dos indiscutíveis da turma encarnada. Aproveitando a lesão de Fejsa, o médio rapidamente chegou à sua melhor forma, assumindo logo com Gabriel uma dupla decisiva para triunfos fundamentais na caminhada da reconquista, casos da vitória em Alvalade e no Dragão.

Samaris durante uma campanha de solidariedade do SL Benfica
Fonte: SL Benfica

Acarinhado e visto como um líder pelo plantel, o jogador deu o exemplo ao longo da primeira metade da época, treinando sempre nos limites e não mais largando a titularidade até ao final do campeonato. Tem uma entrega tremenda nos 90 minutos, fazendo da firmeza com que aborda cada lance a sua imagem de marca. Por vezes acusado de ser demasiado viril pelos adeptos adversários, a raça e a entrega são duas das caracteristicas chave do seu jogo.

Seguramente todos os leitores recordar-se-ão do vermelho direto visto em Moreira de Cónegos como uma definição do grego. Eu prefiro recordar esse lance como sendo um ato isolado e gravar na memória como lidou bem e de forma profissional com a ausência bastante prolongada de minutos nas pernas.

Por vezes comente excessos, como em Moreira de Cónegos e o lance que ditou o vermelho direto, mas é inegável para qualquer benfiquista o profissionalismo do grego, mesmo nos momentos mais dificeis, provando que os grandes campeões não se fazem dentro do campo. Com o futebol em constante mudança, é hoje fundamental ter um jogador que seja a voz do treinador dentro de campo e vejo em Samaris o homem certo para desempenhar essa função.

Com o final de carreira de Luisão e Jardel já numa curva descendente, é notória a importância de alguém que lhes possa suceder e ninguém melhor do que Samaris para ser o novo lider do plantel encarnado.

Entra agora na sua sexta época de águia ao peito, sendo já um dos capitães do plantel.

Terá Andreas Samaris o perfil certo para carregar consigo, a tão desejada braçadeira encarnada?

Foto de Capa: SL Benfica

Minsk 2019: Portugal brilhou!

A segunda edição dos Jogos Europeus terminou domingo e Portugal brilhou. Foram 15 medalhas conquistadas, das quais três de ouro e muitas prestações muito boas dos 99 atletas que nos representaram na Bielorússia.

Estas 15 medalhas, que valeram o 17º lugar no “medalheiro”, foram divididas em três de ouro, seis de prata e seis de bronze, e por novo modalidades: Canoagem, Futebol de Praia, Judo, Atletismo, Ciclismo, Ténis de Mesa, Karaté, Ginástica de Trampolim e Ginástica Artística.

Vamos então enumerar as medalhas portuguesas. Os ouros foram conquistados por Carlos Nascimento nos 100m (Atletismo), Fu Yu na competição de Ténis de Mesa feminina e pela seleção nacional de Futebol de Praia. Das seis pratas conquistadas, duas foram por Fernando Pimenta no K1 1000m e K1 5000m (Canoagem), por Nélson Oliveira no Contra-relógio (Ciclismo), pela equipa de Judo na competição mista e por Francisca Maia, Francisca Sampaio Maia e Bárbara Sequeira, que o conseguiram por duas vezes em Ginástica Acrobática, no exercício Dinâmico e no exercício combinado. O trio de ginastas venceu também o bronze no exercício de Balanço. Os restantes bronzes foram conquistados por Telma Monteiro em -57Kg (Judo), por Ricardo dos Santos, Cátia Azevedo, Rivinilda Mentai e João Coelho nos 4x400m (Atletismo), por Diogo Ganchinho no exercício individual de Ginástica de Trampolins, pela equipa masculina de Ténis de Mesa e por Patrícia Esparteiro no exercício de Kata (Karaté).

Francisca Maia, Francisca Sampaio Maia e Bárbara Sequeira conquistaram três medalhas em Minsk
Fonte: Comité Olimpico de Portugal

Esta prestação portuguesa foi muito positiva a vários níveis, desde logo pela conquista de medalhas em nove modalidades distintas, o que prova a qualidade global do desporto português. Para mim, e sendo totalmente sincero, as três medalhas conquistadas por Francisca Maia, Francisca Sampaio Maia e Bárbara Sequeira foram a principal surpresa, porque não conhecia nenhuma das ginastas, o mesmo acontecendo com Patrícia Esparteiro.

A nível de atletas que conheço a minha maior surpresa foi o ouro de Fu Yu, assumo que não esperava o ouro na vertente feminina, estava mais apontado para uma medalha masculina. Fernando Pimenta esteve ao seu nível, mas esperava que pudesse chegar a pelo menos um ouro. No judo, também esperava que pudesse ter sido alcançada mais uma ou outra medalha e assumo que fiquei desiludido com perda para a Rússia na medalha coletiva. Antes de começar o combate assumo que não esperava o ouro, mas depois de estar 3-0, a apenas uma vitória do título fiquei desiludido.

Noutros aspectos, deixo como nota negativa dos Jogos Europeus a vertente do Atletismo praticada, o DNA, que pode ser melhor analisada no artigo do Pedro Pires que pode ler aqui. Esta é uma competição que pode animar por causar alguma incerteza, mas que acho que vai contra o que deve ser a modalidade em si, até por cortar um grande número de disciplinas do Atletismo.

No artigo que escrevi para o Bola na Rede há quatro anos a fazer o resumo da participação portuguesa na primeira edição dos Jogos Europeus terminei da seguinte forma: “[…]Portugal não é só futebol. Até acrescento, Portugal é muito mais que futebol”. Esta edição dos Jogos Europeus foi mais uma prova disto e espero que tenha sido mais um abre-olhos para todos nós. Não podemos esperar alcançar 15 medalhas nos próximos Jogos Olímpicos, é impossível, mas acredito que estas prestações tenham sido uma motivação extra para o que resta de preparação e apuramento olímpico.

Foto de Capa: Comité Olímpico de Portugal

Contamos contigo para mais um ano?

Caso a temporada do FC Porto terminasse a 31 de dezembro de 2018, certamente elegeríamos Moussa Marega como um dos jogadores em destaque. Se a segunda metade da época coincidiu com exibições mais pobres da equipa e com a perda de todos os troféus em disputa, os primeiros meses de 2018/19 foram completamente arrasadores na Invicta. Uma vantagem confortável sobre os rivais, uma campanha memorável na fase de grupos da Liga dos Campeões, presença em ambas as taças internas… tudo isso alicerçado num plantel coeso e em boa forma, cujas individualidades, por vezes, sobressaíam mais que o coletivo.

Uma dessas individualidades era o atacante maliano, um jogador que adorava as terças e as quartas-feiras milionárias e que acabaria por deixar escrito o seu nome na “Grande Enciclopédia da Champions”, muito por conta da marca de seis tiros certeiros alcançada na maior prova europeia de clubes. Foi fundamental na participação imaculada da equipa na fase de grupos e também na eliminação da equipa da capital italiana, AS Roma, nos “oitavos”. Internamente, marcou ainda 15 golos nas três competições que disputou.

Moussa Marega foi um dos destaques na campanha europeia do FC Porto
Fonte: FC Porto

Três competições? Exato. Eventualmente, poderiam ter sido quatro, se Sérgio Conceição o tivesse levado a jogo na Supertaça. Porém, tal acabou por não acontecer, devido a uma suposta proposta milionária vinda de terras de Sua Majestade que, alegadamente, Marega estaria tentado a aceitar. O aparente desejo de abandonar Portugal acabou por pesar nas escolhas do técnico que acabaria por deixá-lo de fora, não só do jogo frente ao CD Aves, como também de algumas partidas da fase inicial da liga portuguesa.

Infelizmente, durante o seu percurso em Portugal, algumas foram as ocasiões nas quais o seu nome esteve associado a polémicas, nomeadamente aquando da sua passagem por Guimarães. O que pretendo concluir com tudo isto? O maliano parece não ser o melhor exemplo no que diz respeito a comportamento fora das quatro linhas. Contudo, no mundo do futebol, não existem anjinhos, muito menos santos. Poucos são aqueles que, em nenhum momento, não deram trabalho a quem comanda. E, se é factual que existem alguns episódios menos positivos associados a este avançado, muitas foram as ocasiões onde este conseguiu calar os críticos dentro das quatro linhas.

No atual cenário do FC Porto, vejo quase como que obrigatória a permanência deste jogador. Confirmando-se ou não a saída do seu companheiro de ataque, Soares, o FC Porto deverá tentar ao máximo segurar os seus ativos fundamentais, de entre os quais o camisola onze. Com tantas lacunas para colmatar, não criem mais uma, se faz favor.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Copa do Mundo Feminina: mais um capítulo da saga das heroínas brasileiras

A seleção brasileira se despediu da Copa do Mundo com uma derrota para a anfitriã, França, nas oitavas de final do torneio. Uma derrota dolorida na prorrogação, mas que elevou a autoestima das nossas jogadoras que demonstraram durante a competição muito brio em defender a “amarelinha”. Essa foi a primeira Copa do Mundo que uma emissora de televisão aberta transmitiu todos os jogos do Brasil. Isso é um marco importante para o esporte feminino.

A torcida era para que a seleção ganhasse a sua primeira Copa do Mundo, mas sabíamos que não estava entre as favoritas. O Brasil chegou ao Mundial com nove derrotas seguidas, um recorde negativo na sua história, e passar da primeira fase era o objetivo. Claro que a comissão técnica e as jogadoras tinham outro discurso, mesmo com as dificuldades escancaradas. Na verdade, a seleção feminina do Brasil em uma Copa do Mundo é como se fosse uma Colômbia masculina no Mundial. Tem grandes individualidades, mas não um conjunto tão forte para brigar pelo título. O trabalho do técnico Vadão era bem questionável e foi até surpreendente ter chegado no comando da seleção para o Mundial.

Uma possível conquista seria algo extraordinário para a vida das atletas, mas ao mesmo tempo seria enganoso para o futebol brasileiro feminino. Ser campeã do mundo poderia camuflar todas as deficiências e falta de investimentos no futebol feminino no país. Certamente a CBF iria se gabar dessa conquista e discursaria que tudo está indo às “mil maravilhas”.

“É um momento especial e a gente tem que aproveitar. O momento é muito emocionante. Queria estar sorrindo aqui ou até chorando de alegria. A gente pede tanto, pede apoio, mas a gente também precisa valorizar. A gente está sorrindo aqui e acho que esse é o primordial, ter que chorar no começo para sorrir no fim. É treinar mais, estar pronta para jogar 90 minutos, 30 minutos, e quantos mais forem. Não vamos ter Formiga, Marta e Cristiane para sempre. O futebol feminino depende de vocês. Pensem nisso, valorizem mais. Chorem no início para sorrir no fim”, disse Marta, muito emocionada ainda no gramado.

A camisa 10 ainda falou sobre a necessidade de realizar um trabalho sólido e contínuo:  “Eu acho que o primordial neste momento é que todas (jogadoras), a que estão aqui, as que passaram pela seleção, as que pretendem chegar na seleção, possam ter em mente que é importante um trabalho cedo, para chegar bem preparada em uma competição como uma Copa do Mundo, uma Olimpíada. Porque não adiante querer fazer isso em meses”,

Até ao início da década de 40, as brasileiras eram proibidas por lei de jogarem futebol
Fonte: FIFA Women’s World Cup

Marta é “apenas” a melhor jogadora da história do futebol feminino mundial. Eleita pela FIFA seis vezes como a melhor jogadora do mundo. Além do talento nos gramados, a brasileira bate um bolão fora das quatro linhas e sempre se pronuncia a favor da igualdade de gênero no esporte.

Ano que vem acontecerá as Olimpíadas de Tóquio. O evento é um dos que mais chamam a atenção do público para o futebol feminino. Porém, é como relatou a Marta. Não adianta acharmos que num passe de mágica a seleção se tornará forte e mais competitiva. O Brasil precisa seguir o exemplo da França. Os franceses há algum tempo investem no futebol feminino o que inclui desde o trabalho de base até o fortalecimento das competições. Isso resulta em clubes fortes (o Lyon é tetra campeão da Champions) e seleção forte. O estado de estagnação do nosso futebol feminino incomoda e um projeto sólido precisa ser colocado logo em prática.

Foto de Capa: FIFA Women’s World Cup

“Boca” chama por Salvio

0

Tem sido notícia, nos últimos dias, que, Eduardo Salvio está de malas e bagagens prontas rumo à sua terra natal, a Argentina. Ao que tudo indica, “Toto Salvio” terá como destino o Boca Juniors.

A equipa de Buenos Aires está atenta ao extremo de 28 anos que tem vindo a perder lugar no plantel de Bruno Lage, pelo que se torna dispensável, até porque aufere cerca de 2,5 milhões de euros líquidos anuais ao serviço das águias.

Ao que tudo indica, Salvio vê na proposta dos “Xeneizes” uma possibilidade de ter mais minutos de jogo, para além de estar mais perto dos seus familiares, que vivem na Argentina. Assim, o Boca Juniors e o jogador parecem estar em sintonia, faltando apenas que o Benfica e o “Boca” cheguem a acordo.

Em cima da mesa, diz-se, que está a possibilidade de empréstimo, contudo, os encarnados vêem com “bons olhos” a transferência em definitivo do seu camisola 18.

Eduardo Salvio tem contrato com o SL Benfica até junho de 2022
Fonte: SL Benfica

Salvio, ainda que na temporada passada tenha tido pouco tempo de jogo, é um dos jogadores mais acarinhados pelos adeptos, estando no clube desde 2012. Ao serviço do Benfica, o jogador argentino conquistou cinco campeonatos nacionais (2013/14, 2014/15, 2015/16, 2016/17 e 2018/19), duas Taças de Portugal (2013/14 e 2016/17), quatro Taças da Liga (2010/11, 2013/14, 2014/15 e 2015/16) e ainda três Supertaças de Portugal (2014/15, 2016/17 e 2017/18).

Desde a sua segunda passagem pelo Benfica, em 2012, Eduardo Salvio realizou 227 jogos e apontou 52 golos. Uma história repleta de títulos, golos, assistências, dribles e jogadas inesquecíveis. Será este o ponto de rutura entre o Benfica e o jogador?

Foto de Capa: SL Benfica

Jogadores que Admiro #102 – Pablo Aimar

Lê-se no Genesis,

No princípio criou Aimar o céu e a terra.

E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo;

E o Espírito de Aimar se movia sobre a face das águas.

E disse Aimar: Haja Luz; e houve Luz.

E viu Aimar que era boa a Luz; e fez Aimar separação entre a luz e as trevas.

E Aimar chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite.

E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.

E disse Aimar: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas.

E fez Aimar a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi.

E chamou Aimar à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo.

E disse Aimar: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi.

Religião e Ciência lutam pela supremacia sobre a verdade universal e nem repararam que a questão já chegou ao fim. O criador de todas as coisas vestia a 10 do Benfica e passeou-se 5 anos por Portugal: cabeleira ao vento, camisola por dentro dos calções e siga o baile, flutuando de relvaldo em relvaldo.

Pisou a Luz mais vezes que todos os outros mas uma enormidade de gente ainda está por agradecer a Pablito por todo o chocolate embrulhado, entregue em mãos a cada um que o viu, com a mais pura da delicadeza e eficácia. Todos as semanas eram Páscoa. Todos os domingos de bola Cristo ressuscitava numas Puma pretas ou numas Mizuno cinzentas e ninguém arranjou coragem para o questionar.

Aimar, ainda adolescente e pronto a estrear-se no Monumental com a camisa do River, teve que optar: ou a carreira na bola ou os gabinetes de qualquer hospital do país, já que tinha média para entrar no curso de medicina. Tranquilamente, calmamente, jovialmente, assertivamente, carismaticamente, benfiquistamente, com todos os entes queridos e mais alguns, Pablo decidiu pelos loucos apaixonados e pela glória de salvar vidas a cada fim-de-semana, recorrendo á arte.

Fica a sensação que tudo o que Pablo decidir fazer, faz bem. Aquela estrela que só os semi-deuses têm usa-a ele ao peito, qual sherife dos talentos e do destino. Por agora, senta-se nos bancos da Federação Argentina, como adjunto. Escusado será dizer que quando quiser comandar uma equipa, todos serão seus crentes. Natural… mente.

Foto de Capa: SL Benfica