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Não é defeito, é feitio. E ainda bem…

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O coração encosta-se à boca no momento de defender afincadamente os seus. A personalidade e paixão que empresta ao que faz colocam-no como um dos alvos preferenciais de quem quer e precisa de o ver diminuído. Sérgio Conceição é hoje um dos poucos baluartes resistentes, criado à imagem e semelhança do ideal pelo qual o FC Porto se tornou grande e respeitado mais além do que aquém fronteiras.

SC não é sonso e muito menos pau mandado seja de quem for, sendo por isso habitual que não compactue com a ‘nojeira’ comportamental de quem quer fazer dele um mísero boneco. O super badalado caso do não cumprimento a Varandas é apenas mais um de uma longa lista de tremendas hipocrisias do qual se pretendem retirar alguns proveitos. Não foi bonito é certo, mas já não estou tão certo de que não tenha sido merecido. Tenho algumas dificuldades em crucificar quem demonstra, em todos os momentos, ser exclusivamente aquilo que é: simples, apaixonado e transparente.

Não é, contudo, a forma de ser de Sérgio que me faz escrever (uma vez mais) sobre o treinador que – espero – o FC Porto tem para muitos anos. A frieza dos números é muitas vezes reveladora e, acima de tudo, arrebatadora!, sobretudo tendo em conta as mais do que inusitadas e até absurdas críticas (para sermos simpáticos) que vão chovendo por todos o lado… até menos por onde menos se deveria esperar.

Dois anos. Dois. Dois anos em que Sérgio Conceição resgatou, como pôde, um gigante adormecido e do qual poucos esperava, algo. Em duas épocas, Conceição conquistou o dobro dos títulos que o FC Porto havia conseguido nas quatro anteriores. Por aqui, estaríamos conversados quanto a competência, mas temos de falar de muito, muito mais.

Sérgio Conceição fará sempre parte da solução e nunca do problema
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

88 pontos em 102 possíveis no primeiro ano; 85 pontos no segundo ano. Em 2017/18 foi igualado o recorde de pontos do SL Benfica de Rui Vitória e do campeonato português. Na época seguinte (atual), em mais de metade das épocas, os 85 pontos chegariam perfeitamente para ser campeão. Digam-me os entendidos: são três pontos de diferença entre uma época e outra razão suficiente para se considerar uma época muito boa e outra muito má?

Na presente campanha, SC devolveu ao clube uma conquista que já lhe escapava desde 2013: a Supertaça. Com o decorrer da época, mais um recorde igualado: 18 vitórias consecutivas para todas as competições. É obra, não? Sobretudo se tivermos em conta que se quisermos falar em reforço qualitativo das opções ao dispor do treinador nos cingimos a… Militão.

No final de 18/19, fazemos um rescaldo apenas aos factos e percebemos que o FC Porto chegou à final da Taça da Liga e à final da Taça de Portugal… por lotaria. No ano anterior, o tal em que tudo fora perfeito, os azuis e brancos caíram nas meias de ambas as competições. Não é que neste desporto a lógica e a racionalidade imperem, mas atrever-me-ia a dizer que não foi nada mal, agora que a ‘azia’ se foi e a análise a frio passou a ser uma possibilidade.

A conversa já vai longa, mas falta ainda falar da Liga dos Campeões. E que mais haverá a dizer de uma competição na qual o FC Porto conseguiu igualar a melhor fase de grupos da sua história (com 16 pontos conquistados em 18 possíveis)? Além disso, prolongou a sua estadia na prova mais importante de clubes a nível mundial até aos quartos de final (o que não acontecia desde 2015), reforçando dessa forma o estofo europeu que já lhe é característico e proporcionando ao clube um dos maiores encaixes financeiros da sua história.

Tudo isto, meus amigos, sob a alçada de um organismo que não permitiu grandes aventuras no que ao real reforço da equipa diz respeito. Tudo isto num período em que a Sérgio Conceição mais não bastou senão recuperar jogadores como Ricardo Pereira, Sérgio Oliveira ou Moussa Marega (os quais se tornaram imprescindíveis no título alcançado), para além de potenciar atletas como Alex Telles, Herrera, Brahimi e Corona, proporcionando-lhes os melhores números e épocas de dragão ao peito.

Falar de Sérgio Conceição, caros leitores, exige bem mais do página e meia de falatório, portanto considere-se este um produto inacabado, ao qual voltarei noutra oportunidade.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

O homem do leme

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Cai o pano sobre a época futebolística em Portugal, edição 2018/2019. O Benfica assegurou a reconquista do Campeonato, sendo unânime o reconhecimento da figura maior dessa proeza: Bruno Lage. O “Homem do leme”, música eternizada pelos Xutos e Pontapés, dá o mote para recordar a obra do treinador campeão com apenas meia época de trabalho à frente da equipa.

Sozinho na noite
um barco ruma para onde vai.
Uma luz no escuro brilha a direito
ofusca as demais.

Sozinho na noite. Era precisamente assim que se encontrava Luís Filipe Vieira no final de novembro de 2018. Na ressaca da derrota por 5-1 frente ao Bayern de Munique, o presidente do Benfica pernoitou no Caixa Futebol Campus e, durante a noite, viu a tal “luz”, que brilhou e lhe indicou o rumo a seguir. Esse rumo passava pela manutenção de Rui Vitória como treinador das águias, apesar dos resultados menos positivos e do fraco futebol apresentado pela equipa, que tanta contestação estavam a gerar.

As críticas ao treinador português multiplicavam-se nos meios de comunicação e subia a pressão, não só externa como interna, para a sua substituição no comando técnico do clube da Luz. Ao anunciar a decisão de manter Rui Vitória, Luís Filipe Vieira fez questão de vincar que essa decisão era, de facto, sua, revelando que a posição dos restantes responsáveis pelo futebol do Benfica era contrária à sua. Uma decisão histórica, porque humilhante para todo o universo benfiquista. Jamais um presidente de um clube com esta dimensão pode justificar uma decisão tão importante com uma luz que veio a meio da noite. Ponto final, parágrafo.

E mais que uma onda, mais que uma maré…
Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé…

Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme…

Luís Filipe Vieira apoiou-se na situação vivida em 2013 com Jorge Jesus, com contornos semelhantes ainda que em momentos distintos da época, para reforçar que já anteriormente tinha remado contra a maré e levado o Benfica a bom porto. Mas a onda de bons resultados que se seguiram após este voto de confiança em Rui Vitória (sete vitórias consecutivas), esbarrou no empate com o Desportivo das Aves (Taça da Liga) e na derrota com o Portimonense, a contar para o Campeonato, que atirou o Benfica para o quarto lugar da classificação, a sete pontos do líder FC Porto.

Esta derrota do Benfica em Portimão rompeu de vez a ligação com Rui Vitória, tendo sido apontados nomes como José Mourinho, Jorge Jesus, Paulo Fonseca, Leonardo Jardim ou Rui Faria para suceder ao técnico ribatejano. Nenhum destes se confirmou, acabando por ser Bruno Lage, aquele que nada teme, a assumir o leme da navegação benfiquista, que tentava salvar uma época dada já como perdida. Não há mérito de Luís Filipe Vieira neste momento crucial da época, porque ficou claro que Bruno Lage não foi aposta primeira mas sim solução de recurso.

Bruno Lage assumiu o comando da equipa em janeiro
Fonte: SL Benfica

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder…

Com Bruno Lage, a vida do Benfica não foi sempre a perder. Antes pelo contrário, o treinador fez uma segunda metade de época fantástica. Mudou o sistema tático, recuperou jogadores que estavam “desaparecidos”, deu a titularidade e oportunidades aos jovens e recuperou os sete pontos de desvantagem para o primeiro lugar, com destaque para as vitórias em Alvalade, no Dragão, em Braga e em Guimarães, oferecendo a reconquista do Campeonato a um Benfica que, quando Lage chegou ao leme, estava afastado por todos dessa luta. Se o Benfica festejou o 37º título de campeão esta época, deve-o ao homem do leme: Bruno Lage.

E não foi só pela reconquista do campeonato que o técnico se destacou. A sua postura é a de alguém que sabe estar no mundo do futebol, uma qualidade que tem tanto de rara como de menosprezada. O seu discurso é de uma elevação e de uma categoria tremendas, representando um raio de luz legítimo para todos os que aspiram a um futebol português mais digno, com mais fair play e com um ambiente mais saudável.

Mais do que teorias, frases feitas e lugares comuns, Bruno Lage insistiu sempre no treino como a variável chave para o sucesso, a consistência, o trabalho árduo, que seriam recompensados com vitórias. E já após a conquista do Campeonato, na última conversa com jornalistas, o reconhecimento do mérito do rival FC Porto e até a admiração por Herrera. Um discurso genuíno, verdadeiro e que abre espaço para a pacificação de um ambiente tão conspurcado como o do futebol português.

Mas o percurso de Bruno Lage não foi imaculado e também teve alguns solavancos. Se da eliminação na Taça da Liga, frente ao FC Porto, não se pode apontar o dedo ao treinador, até pela excelente exibição que a equipa fez, o mesmo já não se pode dizer em relação às eliminações na Taça de Portugal e na Liga Europa. Em ambas as competições o Benfica saiu da primeira mão em vantagem na eliminatória mas acabou por ser eliminado na segunda mão, por falhas claras na abordagem a esse segundo jogo. Bruno Lage mostrou dificuldades em preparar a equipa para gerir a vantagem trazida do primeiro jogo mas também se pode alvitrar se não foi mais um caso de gestão de plantel, para atacar aquela que era a prioridade, o Campeonato.

A vontade de rir, disse-o o próprio Bruno Lage, chegou no último jogo da época, apenas quando o quarto árbitro levantou a placa com os minutos de compensação. Aí chegou a sensação de dever cumprido e de que o título já não escapava à sua equipa. Para o futuro, fica a vontade de Bruno Lage ir em busca do bicampeonato, correr o mundo e partir à conquista da Europa. Os adeptos do Benfica assim o esperam.

Foto de Capa: SL Benfica

O regresso do príncipe do futebol português

André Villas-Boas foi anunciado esta semana como novo timoneiro do histórico Olympique de Marseille. É assim um regresso ao ativo de um dos melhores treinadores portugueses da última década, depois de ano e meio sem trabalhar, após o vice-campeonato chinês ao serviço do Shangai SIPG.

Com uma cotação de mercado tremenda, o técnico português, com apenas nove épocas de treinador principal, já tem no currículo uma Supertaça Portuguesa, uma Taça de Portugal, uma Liga Portuguesa, uma Taça de Inglaterra, uma Supertaça, Taça e Liga Russas, bem como já arrecadou os dois títulos mais importantes do futebol europeu: uma Liga Europa e uma Liga dos Campeões. Este palmarés não engana e deixa evidente a qualidade e talento de Villas-Boas.

O Olympique Marseille vai ser um dos maiores desafios da carreira do técnico. Com uma massa adepta enorme e exigente, com um plantel em reestruturação e com uma seca de títulos que aumenta a pressão nos lados de Vélodrome, se AVB voltar a ter sucesso, será algo extraordinário.

O mote está dado pelo próprio técnico português: acabar a Ligue 1 nos três primeiros lugares, para qualificar-se para a Liga dos Campeões, e vencer as duas Taças, para terminar com a seca de títulos.

Payet é uma das figuras da equipa
Fonte: Olympique de Marseille

As equipas de AVB são taticamente disciplinadas, mas sem uma rigidez, que não permita a equipa atacar com muitos elementos. Normalmente, são equipas fluídas, com constantes trocas posicionais, com constantes coberturas e reposicionamentos, mantendo sempre uma organização ímpar com e sem bola. Para além disso, no momento ofensivo (AVB gosta sempre de ter verdadeiros craques no último terço) são equipas que têm um conjunto de argumentos variado para fazer dano ao adversário. Desde atacar com posse progressiva, a transições rápidas, até a vários esquemas táticos que desmontam o adversário, é excitante ver uma equipa do treinador português.

Quanto à constituição do plantel, AVB terá uma equipa diferente na nova época. Mario Balotelli, mega reforço da segunda metade da época (8 golos em 15 jogos), já anunciou que não vai continuar, bem como Florian Thauvin, campeão mundial pela França, deverá ser vendido ao Bayer 04 Leverkusen. Ou seja, duas das principais estrelas e desequilibradores da equipa vão sair.

Ribéry poderá ser o substituto de Thauvin
Fonte: Olympique Marseille

Em relação a entradas, o único nome de que se fala é o regresso de Franck Ribéry. Seria um super reforço para os Marselheses, tendo em conta que, apesar dos 36 anos, Ribéry fez quase 40 jogos esta época, marcando 8 golos, e, pelo que mostrou nos últimos meses desta época, consegue destruir ainda qualquer lateral que lhe apareça pela frente, como se ainda tivesse 25 anos.

De resto, seria importante aumentar a concorrência na baliza a Steve Mandanda. Por vezes parece demasiado acomodado e erra com demasiada frequência para este nível, isto apesar da sua enorme categoria. Importante rejuvenescer um pouco mais o plantel (a média de idades desta época chegava quase aos 27 anos), bem como contratar um matador para substituir Balotelli.

Seja como for, com AVB uma coisa é certa: qualidade e perfume não vão faltar a este gigante do futebol francês na temporada 19-20.

Foto de Capa: Olympique Marseille

Emakumeen Bira: Borghini volta a rugir

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Depois de um 2018 complicado, Elisa Longo Borghini voltou a rugir com um importante triunfo numa das mais históricas provas por etapas do circuito feminino, a Emakumeen Bira. A leoa italiana teve uma prestação impecável e foi capaz de surpreender Amanda Spratt, impedindo que a australiana revalidasse o título.

A primeira jornada foi a mais calma das quatro, num dia mais plano que serviu para Jolien d’Hoore finalmente se estrear a vencer esta época, dando bom seguimento à recuperação de uma lesão que lhe prejudicou a parte inicial da época.

Ao segundo dia, começaram a mexer as favoritas. A etapa não era extremamente dura, mas os últimos quilómetros a subir serviram para Amanda Spratt se lançar para a vitória na tirada e para a liderança, colocando-se em boa posição para revalidar o título de 2018.

Seguiu-se uma etapa com duas subidas bem duras no seu último terço e que seria decisiva. Desta feita, foi a Trek-Segafredo que esteve um nível acima das adversárias. Taylor Wiles triunfou isolada e Longo Borghini consumaria a dobradinha da equipa americana, levando a melhor por poucos segundos face às principais opositoras para as contas finais e aproximando-se de Spratt.

Um último dia muito acidentado foi prolífico em ataques com a Mitchelton-Scott a tentar controlar a corrida para a sua líder australiana. Só que, nos instantes finais, Elisa Longo Borghini conseguiu escapar-se para vencer a etapa por magra margem, mas suficiente para a catapultar para o primeiro lugar e conquistar um importante triunfo, tanto para si como para a equipa.

Depois da demonstração de força de Van der Breggen na Califórnia, este resultado de Longo Borghini abre perspetivas de que as melhores do mundo estão a ficar na melhor forma para o Giro Rosa. Annemiek van Vleuten, sexta na Emakumeen, continua a ser a principal favorita, mas tudo aponta que não terá a vida tão facilitada como no ano passado.

Foto de Capa: Trek-Segafredo

Qualidade central

É um dado adquirido que, em termos de qualidade, o plantel da equipa do Sporting é limitado. A grande maioria dos jogadores à disposição de Keizer não teria sequer lugar no SL Benfica ou FC Porto e para atacar um campeonato são precisos reforços cirúrgicos.

Porém, há dois jogadores – ambos na mesma posição – que “calçam que nem uma luva” no Sporting e que até num Sporting “normal” teriam lugar: Coates e Mathieu. Ambos os jogadores são já experientes (28 e 35 anos, respetivamente) e elevam os índices de qualidade da equipa leonina.

Sebastián Coates chegou ao Sporting em janeiro de 2017 por empréstimo do Sunderland FC e cedo se assumiu como um indiscutível. O defesa internacional uruguaio nunca conseguiu “calçar” em Inglaterra (passou também pelo Liverpool), mas encontrou em Alvalade o sítio ideal para expressar as suas melhores qualidades: destemido e imperial, Coates é já um dos líderes do balneário.

Mathieu é essencial na equipa do Sporting CP
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Por sua vez, a história de Jérémy Mathieu é bastante diferente à de Coates. Formado nos franceses do FC Sochaux, foi aí que começou a sua carreira desportiva e em 2009 assinou pelo Toulouse. Sempre a demonstrar elevados níveis de qualidade, Mathieu foi, em 2009, para o Valência e teve a sua primeira experiência fora de França. Foram precisos apenas três temporadas para se revelar como um dos melhores defesas de Espanha e o Barcelona apostou no central e desembolsou 12 milhões de euros para contar com o jogador. Mathieu não foi feliz enquanto blaugrana e chegou ao Sporting para terminar a sua carreira da melhor maneira possível. Apesar de ser sempre afetado por problemas clínicos, sempre que é chamado ao jogo, Mathieu encanta os adeptos sportinguistas e revela-se como uma aposta totalmente válida para uma equipa com as ambições do Sporting.

O sucesso de qualquer equipa passa sempre pela defesa e essa parte, na equipa do Sporting, está garantida. Falta o resto…

Foto de Capa: Bola na Rede

Por que é que não é sempre assim?

A festa da Taça é o apogeu de todas as combinações perfeitas para aquilo que devia ser, de facto, o futebol português. A animação que se vive horas antes do apito inicial mesmo antes dos adeptos entrarem no estádio tem qualquer coisa de fantástico. Verdade seja dita: com muita cerveja à mistura, o ambiente da Taça reflete o prazer pelo desporto, nomeadamente o futebol, e não por um clube.

As cores da camisola são esquecidas por momentos e as rivalidades trespassem para um outro qualquer mundo paralelo ao nosso. Que elas existem, existem. Apenas ficam guardadas num cantinho onde ninguém as lembra. Porque, no final de contas, festa é festa e a Taça de Portugal é isso mesmo: não é nada mais nada menos do que uma festa anual onde dois clubes portugueses têm o privilégio e, claro está, também o mérito de pertencer. Festa essa onde se comemora tudo o que o futebol tem de bom para nos dar. Bancadas cheias de adeptos, muita animação, fair-play, tudo isso… Por que é que não é sempre assim?

Mas a Taça de Portugal não adquire o caráter peculiar somente por isso. Toda a festa dentro de campo e, inclusive, no momento da entrega da bola, é também de ressalvar. Este ano a bola foi entregue por motociclistas que, em pleno estádio do Jamor, fizeram acrobacias de alto risco. Lembro-me bem de um ano em que o esférico foi entregue por um paraquedista ou, por exemplo, um outro em que apareceu por intermédio de um truque de magia. São estas pequenas grandes coisas que tornam a final da Prova Rainha ainda mais especial.

Vários são os churrascos feitos pelos adeptos no convívio antes do apito inicial
Fonte: FPF

Para além disso, A Portuguesa que ecoa em pleno Estádio Nacional minutos antes do apito inicial também é uma especificidade de ressalvar. Recorda-nos que, no fundo, por detrás das cores de clubes que possamos apoiar, ou até mesmo envergar, estão as cores de uma pátria. Uma pátria que por vezes passa para segundo plano quando são postos em cima da mesa amores clubísticos que suscitam os sentimentos mais primários do ser humano.

A Taça de Portugal dá também espaço para os clubes ditos mais pequenos, onde, num formato muito mais propício a surgirem os ditos “outsiders”, muitas vezes se vê emblemas não tão conhecidos em contextos de grandes palcos. Bem sei que este ano nem foi tão propício a isso, pois tivemos uma final entre dois grandes, mas recordo que ainda na temporada passada o CD Aves venceu a prova. Clubes como o CF Estrela da Amadora, SC Beira-Mar, Vitória FC, Académica OAF, Vitória SC e SC Braga também já foram felizes neste contexto e puderam fazer história.

A Taça de Portugal é especial por estas e tantas outras razões e, por isso mesmo, deveria ser exemplo para mais espetáculos no panorama do futebol português, onde por vezes o clima é tão tóxico que torna-se quase “irrespirável”.

Foto de Capa: FPF

Sérgio Conceição, o revolucionário!

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Há dois anos chegava ao Dragão o treinador Sérgio Conceição. Nele estavam depositadas as esperanças de uma nação que já não sabia o que era vencer há algumas temporadas. O presidente deu carta branca ao treinador, só não deu os reforços que por ele foram exigidos, ainda assim, Conceição fez das tripas coração e devolveu ao clube conquistas desejadas. Se a primeira época terminou de feição, o mesmo não se pode dizer desta temporada que não correu como era expectável, provocando assim algumas reações negativas por parte do treinador portista. Há momentos que marcam a época do treinador, mas pela negativa.

Quando as coisas correm bem, Sérgio Conceição é o primeiro a valorizar e a salvaguardar os seus atletas, no entanto, quando as coisas não correm como era expectável, o treinador não esconde o que pensa. As críticas consecutivas à arbitragem foram um marco desta temporada, mas as vezes, a forma como o faz, mostram um treinador intolerante. Essa mesma intolerância foi notória nos castigos aplicados aos seus jogadores ao longo da época.  O caso mais sonante foi a reprimenda a Militão. O atleta, na véspera de um jogo, foi sair à noite… violando assim uma regra básica do clube. A atitude de Sérgio Conceição foi implacável e não convocou o atleta para os jogos seguintes. Se há coisa que o treinador mostrou foi a forma letal com que resolvia os problemas do clube, mostrando que nem sempre agiu com a melhor das soluções.

Outro dos casos da época envolve João Félix. É certo e sabido que SL Benfica e FC Porto não morrem de amores um pelo outro, mas o respeito devia acontecer sempre, independentemente da situação. No clássico, no Dragão, em que os encarnados venceram, o treinador portista não mostrou a revolta e insatisfação pelo resultado e, no final do jogo, João Félix dirigiu-se a ele para o cumprimentar. Aquilo que Sérgio Conceição fez foi ignorar deliberadamente o estender da mão do jovem jogador, que nesse jogo marcou um golo. Independentemente das justificações dadas após o jogo, o respeito não prevaleceu, acabou por perder toda e qualquer razão que tivesse.

 

Sérgio Conceição reunidos com os jogadores portitas, no final da partida da penúltima jornada, na Madeira
Fonte: FC Porto

No mesmo sentido e envolvendo os rivais da Luz, a confusão com os adeptos do FC Porto foi um dos casos mais recentes, mas também um dos mais sonantes e que muita tinta fez correr. Já toda a gente sabe que um dos filhos do treinador, Rodrigo Conceição, joga no SL Benfica, e também é sabido que esse facto já trouxe algumas controvérsias. Recentemente num clássico entre os dois emblemas, Rodrigo Conceição foi expulso, sendo alvo de “bocas” por parte dos adeptos portistas. Uma atitude que não deixou o técnico azul e branco indiferente, tendo dirigido-se ao adepto para pedir satisfações.

Terminado o campeonato, a polémica continuou. O treinador encarnado endereçou algumas palavras ao FC Porto, enaltecendo o percurso do clube no campeonato, fazendo até uma analogia ao percurso do Liverpool FC na liga inglesa, que também acabou em segundo lugar. Questionado sobre a mensagem passada por Bruno Lage, o treinador portista foi contundente e poupou os jornalistas à hipocrisia dizendo que de nada lhe interessa o que foi dito pelo treinador. A arrogância do treinador manteve-se aliada à sinceridade que lhe é característica.

No último jogo da temporada, o FC Porto perdeu a Taça de Portugal para o Sporting CP, numa partida que deixou o treinador portista em lágrimas. No momento de receber a medalha Sérgio Conceição recusou cumprimentar o presidente do leões, Frederico Varandas e ainda dirigiu algumas palavras que, no entanto, não foram percetíveis.

E tendo em conta o desfecho da época, há ainda um aspeto relevante que tem de ser mencionado: as opções do treinador. O mercado de inverno foi um fiasco. Os reforços em nada reforçaram e a falta de aposta em jovens da formação estiveram em evidência.
As atitudes, como é habitual, ficam com quem as pratica.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Porto coroado e Sporting destronado

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Chegou ao fim o calendário do Grupo A da fase final do Campeonato nacional de andebol, e o FC Porto foi consagrado campeão português depois de perder em casa frente ao SL Benfica por 31-34.

Na última jornada, os jogos foram realizados à mesma hora e não houve grandes surpresas: o destaque vai para o Belenenses que acabou por vencer o Águas Santas e beneficiar da vitória do Sporting frente ao Madeira, o que acabou por deixar os azuis do Restelo no quinto lugar. Nas outras posições, como já sabemos, o Porto ficou no primeiro lugar, o Sporting em segundo e o Benfica completa o pódio. Em quarto, o Águas Santas, e o Belenenses e o Madeira Sad, que disputaram os últimos lugares do grupo e terminaram com os mesmos pontos (44), em quinto e sexto respetivamente.

O Belenenses não chegava ao grupo A na fase final há vários anos.
Fonte: Os Belenenses

O Porto realizou uma fase final irrepreensível: começou atrás do Sporting, mas conseguiu superar-se a todos os níveis e, até à última jornada, foi invicto. Os azuis e brancos foram a melhor defesa com 256 golos sofridos (menos 6 do que o Benfica) e o melhor ataque com 322 tentos conseguidos (mais 18 do que o Sporting) – tudo somado resulta na melhor época desportiva da equipa de andebol do Porto. Esta equipa alcançou um terceiro lugar histórico na Taça EHF, um campeonato muito ambicionado, e ainda pode conquistar a Taça de Portugal, onde defrontará o Póvoa na meia final.

Pode-se dizer que o grande impulsionador destas conquistas foi o treinador Magnus Andersen – implementou um estilo de jogo muito dinâmico e atrativo, com ideias bem definidas e um plantel completo e mais disciplinado.

Magnus Andersen revolucionou o andebol do FC Porto.
Fonte: FC Porto

Em contraste, a fase final do Sporting foi desastrosa – o Porto ficou à frente por quatro pontos e recordo que o Sporting terminou a primeira fase como líder em igualdade pontual com os azuis e brancos. Os leões somaram três derrotas (contra o Porto, o Benfica e o Águas Santas) e um empate (frente ao Porto). O Sporting acabou por não conseguir conquistar o campeonato (o terceiro seguido) e perdeu-o para o Porto, que teve bastante mérito na conquista. A boa prestação na Liga dos Campeões acabou por limitar a condição física dos pupilos de Hugo Canela e prejudicar as aspirações leoninas ao título.

Já o Benfica terminou com os mesmos pontos do que o Sporting, mas em terceiro devido à menor diferença de golos – 40 golos positivos do Sporting contra 20 do Benfica. A época dos encarnados não foi a que Carlos Resende estava a espera no início da temporada, quando venceu a Supertaça ao Sporting. Um modesto terceiro lugar, um desempenho “normal” na Taça EHF e, na Taça de Portugal, caiu nos oitavos.

Dos três últimos classificados do Grupo A, o Águas Santas somou 46 pontos e o Belenenses e o Madeira Sad 44. O Belenenses teve, como o Águas Santas, três vitórias e sete derrotas, mas a superior prestação da equipa do norte na primeira fase ditou a classificação final. Os azuis terminaram com a pior defesa do grupo (320 tentos sofridos) e a pior diferença de golos (58 golos negativos).

Resta agora a final four da Taça de Portugal, onde ainda estão três equipas deste grupo A – o Porto que vai defrontar o Póvoa, o Madeira Sad e o Águas Santas que vão jogar entre si. O Porto é a equipa favorita à conquista da prova.

Foto de Capa: FC Porto

Sporting CP em busca da glória do tetracampeonato

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No passado fim-de-semana, o Sporting carimbou o passaporte para disputar a final do “play-off”, onde se discutirá o título nacional de futsal. A final à melhor de cinco jogos, será mais uma vez, um embate com o eterno rival, SL Benfica.

Na meia-final, os leões liderados por Nuno Dias eliminaram o Modicus de Sandim (4-5, 4-1 e 7-0), confirmando a 10ª presença consecutiva na final do “play-off”. Nos quartos-de-final, o Sporting resolveu a eliminatória em apenas dois jogos (5-3, 5-0), diante da Quinta dos Lombos. O eterno rival deixou pelo caminho o Eléctrico de Ponte Sôr e a AD Fundão.

Na sequência do segundo lugar na fase regular, o Sporting jogará os primeiros dois jogos fora e o terceiro e quatro, no Pavilhão João Rocha, se houver quinto jogo os leões voltarão a disputar fora de portas.

Esta temporada leões e águias já se defrontaram quatro vezes, em várias competições. Na UEFA Futsal Champions League, registou-se um empate a um golo, com Cardinal a ser decisivo, e com este resultado o Sporting seguiu para a “final-four”. Na Taça de Portugal, os leões voltaram a levar a melhor, conquistando a 7ª Taça de Portugal, vencendo nas grandes penalidades, após empate a cinco golos no prolongamento. Na Liga Sport Zone, o eterno rival levou a melhor na primeira volta em sua casa, por 4-1. No entanto, na segunda volta os leões golearam por 6-1, um resultado histórico.

O histórico recente dá vantagem ao Sporting, todavia espera-se uma final equilibrada. O Sporting já provou que tem qualidade para vencer esta final, mas terá que impor a sua qualidade, entrega e garra, em cada um dos jogos.

O Sporting já conquistou o título europeu, a Taça de Portugal e a Supertaça, na presente época Fonte: Sporting CP

Esta tem sido uma temporada de sonho para o Sporting Clube de Portugal, tendo conquistado o título de campeão da Europa, a Taça de Portugal e a Supertaça. Depois da inédita vitória na UEFA Futsal Champions League, Nuno Dias e os seus jogadores procuram mais um feito histórico: o tetracampeonato. Os números da equipa de Nuno Dias são impressionantes, 47 jogos, 40 vitórias, quatro empates e três derrotas, com 229 golos marcados e 74 golos sofridos.

A equipa do Sporting Clube de Portugal ficará para sempre na história do clube e do desporto nacional, após ter-se sagrado campeã da Europa. No entanto, nesta final do “play-off” está em causa o tão desejado tetracampeonato, que seria mais um feito inédito no futsal nacional.

Numa final que terá frente-a-frente as duas melhores equipas portuguesas, será de elevada exigência para os leões. A equipa leonina tem provado ao longo da época a sua qualidade, tendo pela frente mais um grande objetivo, conquistar o campeonato pela quarta época consecutiva. Assim, aos jogadores, equipa técnica e todo o staff pede-se Esforço, Dedicação e Devoção, para continuarem a conquistar a Glória, desta feita, a Glória do tetra.

Foto de Capa: Sporting CP

O FC Porto é Campeão Nacional de Sub-19!

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O FC Porto venceu esta tarde o SC Braga, por 2-0, no Centro de Treinos e Formação Desportiva do Olival, e sagrou-se campeão nacional de sub-19. Os dragões entraram na última jornada do Campeonato com um ponto de vantagem sobre o SL Benfica, que bateu o Sporting CP também por 2-0, no clássico realizado no Seixal. Os dragões, que já tinham conquistado a UEFA Youth League esta temporada, precisavam de vencer para recuperar três anos depois o campeonato. Este é o 23.º título do F. C. Porto neste escalão, ficando com menos um troféu do que o recordista SL Benfica.

Apesar do triunfo, o jogo não foi propriamente fácil para os jovens orientados por Mário Silva, que passaram por dificuldades nos instantes iniciais do jogo. Contudo, ao minuto 30 depois de um alívio aparentemente inofensivo, Afonso Sousa foi mais forte do que os oponentes, oferecendo o golo a Angel, que não perdoou. Na segunda parte, em vantagem, os azuis e brancos apareceram mais soltos e confiantes. Numa bela jogada de entendimento ofensivo, Fábio Silva respeitou o movimento de Baró, que fuzilou, assegurando o regresso ao título, depois de dois anos com o último lugar do pódio.

Fábio Silva foi o melhor marcador da fase final
Fonte: FC Porto

Depois de uma época de sonho estes jovens merecem todos os elogios porque além das vitórias, a qualidade de jogo foi sempre enorme. Uma palavra para o técnico Mário Silva que realizou um trabalho excecional. O técnico portista de 42 anos, que esta época assumiu o comando técnico dos Sub-19, já se encontra no clube desde a época de 2012/13 tendo começado como adjunto na equipa de Sub-17.

Já é sabido que quatro destes jogadores irão realizar a pré-epoca com a equipa principal dos azuis e brancos. Sérgio Conceição quer ver de perto o talento de Tomás Esteves, Fábio Vieira, Romário Baró e Fábio Silva.  Sendo de destacar que Tomás Esteves e Fábio Silva são ainda Sub-17 algo absolutamente incrível ainda mais quando por exemplo Fábio Silva foi o melhor marcador da fase final com 12 golos.

Existe muita qualidade na formação do FC Porto e a prova disso são os títulos da UEFA Youth League e da Segunda Liga Portuguesa que mais nenhum clube Português possui. Com o clube a atravessar ainda alguns problemas financeiros uma aposta na formação é um dos rumos que o FC Porto tem de seguir. Além da qualidade desportiva as possíveis mais-valias financeiras como foi o caso de Ruben Neves, André Silva e Diogo Dalot podem ser extremamente importantes para a sustentabilidade económica do clube.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira