Início Site Página 10597

Mercado vai encher os cofres do Dragão!

0

O verão vai ser quente no dragão no que a transferências diz respeito. Com vários jogadores em final de contrato (Fabiano, Maxi Pereira, Herrera, Brahimi, Hernâni, Adrian Lopez), com a saída de Éder Militão já consumada e, com a previsível venda de Felipe, Alex Telles e Marega, o plantel vai sofrer uma autêntica “razia”. Isto é um pouco a “triste sina” dos clubes portugueses serem obrigados a vender e realizar mais-valias para manter as finanças estabilizadas.

A venda de Éder Militão ao Real Madrid CF rendeu aos cofres do dragão 50 milhões de euros. Marega é pretendido pelo Wolverhampton FC de Nuno Espírito Santo e Jorge Mendes já está no terreno para intermediar o negócio que pode chegar aos 40 milhões de euros. Felipe está a caminho do Club Atlético de Madrid por um valor que deve rondar os 25 milhões de euros. Alex Telles que, também é seguido pelo clube espanhol, desperta também interesse em vários clubes dos principais campeonatos da Europa e pode deixar o dragão a troco de 30 milhões de euros.

Juntando a isto outros valores de jogadores que se encontram emprestados e que os respetivos cubes irão exercer as opções de compra, significa que esta janela de mercado pode render cerca de 150 milhões de euros. Valores que fazem sorrir Fernando Gomes, o administrador financeiro do FC Porto, e que vão fazer dos azuis e brancos um dos clubes em maior destaque no próximo verão.

Marega pode render 40 milhões de euros aos cofres do FC Porto
Fonte: FC Porto

Este importante encaixe financeiro vai ajudar os azuis e brancos a “respirar melhor” e permite atacar o mercado de forma mais desafogada. E não podemos esquecer a brilhante campanha realizada na Liga dos Campeões que rendeu cerca de 80 milhões ao FC Porto.  Com a provável saída de sete titulares é forçoso atacar o mercado de forma significativa e, este encaixe financeiro, vai permitir contratar com qualidade e manter ou até melhorar a competitividade do plantel. A estrutura azul e branca tem previsto contratar cerca de 10 jogadores e, se nestas contratações forem gastos valores entre 70/80 milhões de euros, permite ao clube contratar jogadores de qualidade se o departamento de scouting trabalhar de forma inteligente e perspicaz mas, ao mesmo tempo, deixa o clube com alguma folga orçamental.

Vai ser um defeso de muito trabalho para a estrutura azul e branca e, ao mesmo tempo uma prova de fogo, porque a maioria das movimentações de mercado nestas duas últimas épocas não foram muito felizes. Basta lembrar dos nomes de Waris, Paulinho, Osório, João Pedro, Saidy Janko, Ewerton, Loum e mesmo os empréstimos que também não resultaram como foi o caso de Jorge e Bazoer. Convém não esquecer as “joias” da formação portista que podem e devem ajudar a formar o plantel da próxima época com três ou quatro jogadores.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

A elite do Atletismo (continua) pela Ásia

0

Sabíamos que o meeting de Doha, o primeira da edição 2019 da Diamond League, seria o grande destaque do fim-de-semana passado e a capital do Qatar, mais uma vez, não desiludiu em termos de qualidade do espectáculo. A nível de público, ainda não ficámos totalmente convencidos de como a cidade irá apresentar boas casas nos 10 dias de Mundiais, uma vez que as cerca de 10.000 pessoas que antes enchiam o estádio, se repetiram no International e pareceram bem menos (uma vez que o estádio tem capacidade para mais de 42.000 pessoas), mas isso é uma situação para os organizadores resolverem.

A nível de performances, no entanto, destacamos 5 prestações que encheram o olho.

Ayrton Senna. Génio… num carro… de Fórmula 1

0

Não existem muitas mais palavras para descrever o tricampeão (1988, 1990, 1991) mundial brasileiro. Os seus anos de glória foram com a McLaren-Honda, onde levava o carro branco e vermelho às vitórias. As lutas com Alain Prost foram lendárias. Partiu cedo demais, no dia 1 de maio de 1994…

Mas, Ayrton Senna, por tudo o que deixou em pista, ainda nos faz saltar de alegria. Para quem nunca o viu, como eu, os vídeos do Youtube são muito prestáveis. Mas, o documentário “Senna” trouxe uma visão ainda mais abrangente do melhor piloto brasileiro de sempre.

Para mim, Senna acabou por ficar como “o que teria sido”, passo a explicar. Com uma morte tão repentina, ficamos a pensar “no que teria sido”. O brasileiro, em 1994, encontrava-se na Williams que tinha um carro fenomenal.

Vejam as estatísticas, só na Fórmula 1. De 161 partidas, 41 foram vitórias, e 80 foram pódios. Para mim, números impressionantes. Começou em 1984 na Toleman e, já nesse ano, em sua “casa”, o Mónaco, qualificava-se em 13º e conseguia chegar em segundo (reza a lenda que se a corrida não fosse interrompida, Senna ultrapassaria Prost pela vitória).

Em 1985 veio a Lotus, e o famoso carro preto com letras douradas fez com que o piloto de capacete amarelo fosse vitorioso pela primeira vez no Grande Prémio de Portugal, realizado no Circuito do Estoril, num domingo extremamente chuvoso. Uma masterclass, que até poderia ter acabado mal, se encontrarem as imagens, reparem o que acontece quando Senna passa a meta, na reta do circuito do Estoril.

Mas, em 1988, com a mudança para a McLaren, toda a lenda de Senna começou. A luta em pista, fora dela, ao lado, onde fosse, com Alain Prost, trouxe imensos espetadores ao desporto motorizado. E trouxe os três campeonatos de Senna.

Senna no Mónaco, em 1990

Em 1992 e 1993, Ayrton e a McLaren estavam pouco competitivos e o brasileiro acabou por mudar-se para a Williams em 1994.

1 de maio, Imola, Tamburrello…

Mas, este dia, não pode ficar marcado só como um dia mau! Daqui para a frente o desporto motorizado mudou, a Fórmula 1 mudou. No dia 3 de maio de 1994 a FIA convocou uma reunião a pedido do Automóvel Clube Italiano, para rever os acontecimentos do fim-de-semana.

Mais tarde, este órgão diretivo anunciou novas medidas de segurança para o próximo circuito, o de Mónaco. Estas regras incluíam: que a entrada e saída do pitlane passa-se a ser controlada por uma curva, forçando assim os carros a reduzir a velocidade. Nenhum mecânico da equipa seria autorizado a entrar, excetuando quando os pilotos fizessem uma paragem nas boxes.

Também em Monaco, Niki Lauda voltou a formar a Associação de Piloto de Grande Prémio (GPDA). Os representantes eleitos foram Lauda e os pilotos Michael Schumacher, Gerhard Berger e Christian Fittipaldi. Após os trágicos acidentes ocorridos durante a temporada, o GPDA exigiu que a FIA melhorasse a segurança da Fórmula 1. A FIA respondeu rapidamente e introduziu as seguintes alterações nos regulamentos.

Para Senna, com saudade, David…

Foto de Capa: Wiki Commons

SC Braga e a deceção da segunda volta

Afinal eu tinha mesmo razão. Dia seis de outubro de 2018 saía um artigo meu sobre o facto de achar que o SC Braga ainda não é um sério candidato ao título.

Parece que a fervura acabou mesmo por arrefecer e o clube minhoto, para além de estar arredado da luta pelo campeonato há muito, está também sentenciado a ficar na 4.ª posição da tabela classificativa. Em relação às Taças, dois dos principais objetivos do clube, o desfecho também não foi o mais risonho.

Principalmente no da Taça da Liga que era claramente uma grande aposta de António Salvador, nomeadamente a do seu clube vencer a competição em sua própria casa. Mas a verdade é que o Braga caiu muito de forma desde aí. Claramente era a grande aposta para esta época e tal investimento não surtiu efeitos.

O SC Braga fez uma segunda volta desastrosa e perdeu já o terceiro lugar do campeonato
Fonte: SC Braga

A falta de consistência do clube minhoto é uma realidade inegável se olharmos para toda a segunda volta do campeonato. Em 16 jogos, o Braga ganhou nove combates, empatou um e perdeu seis. Um clube que tem aspirações de vencer um campeonato não pode se dar ao luxo de perder 29 pontos numa só metade da temporada. Mas o cenário negativo não fica por aqui.

Para além de as contas do título já não serem uma realidade, a luta pelo terceiro lugar contra o Sporting CP também já não o é. Quando comparados a nível de pontos na segunda ronda, o clube de Alvalade leva clara vantagem. No mesmo número de jogos, os “leões” perderam apenas nove pontos para o campeonato. Ou seja, uma diferença de 20 pontos perante os arsenalistas.

Com isto não quero descredibilizar o Braga com a prestação desta temporada. Não fico deslumbrada, mas a verdade é que também não critico. Apesar de até já ser considerado um dos quatro grandes em Portugal, o orçamento da sua equipa continua bastante inferior a SL Benfica, FC Porto e Sporting CP. E, quer queiramos, quer não, isso vai sempre refletir-se dentro de campo. Como tal, exigir que se faça mais do que isto é extremamente injusto para um projeto que fora dos grandes é, sem dúvida, o mais consistente em Portugal.

 

Foto de Capa: SC Braga

Chelsea FC 1-1 Eintracht Frankfurt (4-3 g.p): Blues rumam a Baku após jogo de emoções

Stamford Bridge encheu-se para receber a segunda mão das meias-finais da Liga Europa entre Chelsea Fc e Eintracht Frankfurt, com os blues na frente da eliminatória após empate a uma bola, há uma semana, na Alemanha. No lado dos ingleses, destaque para a ausência de Kanté, que havia jogado os 90 minutos na primeira mão. Em sentido inverso o Frankfurt, que há 4 jogos não conhecia o sabor da vitória, pode contar com Rebic, um dos jogadores mais influentes da equipa.

Na luta pelo passaporte rumo a Baku, os alemães entraram em desvantagem e por isso mesmo foi o Frankfurt que controlou a partida nos primeiros momentos. Sem receio de impor o seu jogo, os comandados de Hutter proporcionaram a primeira grande oportunidade de golo do jogo à passagem do quarto de hora com Danny da Costa, após passe de Jovic, a rematar de foa da área para uma enorme intervenção de Kepa.

Este momento fez soar o alarme dos blues e o Chelsea conseguiu entrar finalmente no jogo, reequilibrando a posse de bola e impondo um ritmo mais acelerado com os jogadores a executarem com maior velocidade. Na sequência desta subida de rendimento, o Chelsea ameaça primeiramente com uma finalização de Giroud e minutos depois com um excelente cabeceamento de David Luiz.

Emergira finalmente o Chelsea de Sarri e pouco antes da meia hora de jogo, os londrinos colocaram-se em vantagem na partida. Hazard na asa esquerda do ataque, driblou sobre um adversário e desmarcou Loftus-Cheek que na cara de Trapp não perdoou e aumentou a vantagem dos blues na eliminatória.

Até na final do primeiro tempo, a toada do jogo abrandou, mas o Chelsea nunca perdeu o controlo e geria o encontro a seu favor.

Com um agregado de 2-1, a eliminatória estava longe de ficar decidido e numa semana em que o futebol nos mostrou a sua faceta de imprevisibilidade, o Frankfurt torna a entrar bem no jogo, desta feita com as linhas mais subidas e obteve a sua recompensa rapidamente numa jogada eximiamente construída:

Sozinho na frente de ataque, Jovic amorteceu de peito para Gacinovic, que com um passe delicioso devolve ao mesmo e na cara do guarda-redes, o sérvio igualou de novo a eliminatória.

Jović festeja com os adeptos alemães depois de empatar a eliminatória
Fonte: UEFA

Apoiados pelos inúmeros adeptos que viajaram para Londres e galvanizados pelo golo do empate, as águias alemãs assumiram as rédeas da partida e não obstante a escassez de oportunidades, conseguiram inviabilizar por completo o jogo do Chelsea, anulando por completo os principais intervenientes do Chelsea.

Mesmo que com poucas oportunidades, o jogo tornou-se interessante dada a emoção que fez transparecer e o ritmo a que era jogado. As equipas encaminhavam-se para o prolongamento, embora o Frankfurt acreditar sempre que podia gelar Stamford Bridge, ainda assim parte a parte surgiram alguns com remates de perigo que exigiram a maior atenção de Keppa e Trapp, com especial destaque para o excelente remate de Giroud já aos 87 minutos que obrigou o guardião dos alemães a voar.

Com um Eintracht revigorado na segunda parte, na medida em que evoluiu taticamente, o Chelsea foi “encostado”, mas resistiu à crença dos alemães. Resistia, portanto, a igualdade e com a repetição do resultado da semana passada, a decisão seguiu para prolongamento.

Na primeira parte do prolongamento, com superioridade clara no aspeto físico, foi novamente o Frankfurt a dominar com o recém-entrado Sebastian Haller a dispor de duas excelentes oportunidades de sentenciar a eliminatória. Aos 100 minutos, em cima da linha de baliza, prestes a encostar para golo, Haller viu a defensiva dos blues a afastar o perigo e já em período de compensação, na sequência de um canto, cabeceou para um golo certo não fosse o corte providencial de Zapacosta.

Nos últimos 15 minutos de jogo jogado, a tendência inverteu-se e foi o Chelsea quem dominou por completo este momento da partida. Emerson e Zapacosta de longa distância causaram perigo e obrigaram mais uma vez Trapp a aplicar-se para impedir o golo. A bola ainda entrou na baliza, mas o árbitro romeno Ovidiu Hategan considerou que Azpilicueta cometeu falta sobre o guarda-redes do Frankfurt.

O 1-1 teimava em manter-se e o jogo seguiu para as grandes penalidades, nas quais o Chelsea FC saiu vitorioso.

Após um excelente jogo de futebol, a sorte sorriu ao Chelsea, que nesta segunda mão em vários momentos se apresentou muito abaixo de todo o seu potencial. O Eintracht Frankfurt cai de pé após uma excelente campanha europeia, deixando bem patente que também faria boa figura em Baku.

O Chelsea defrontará o Arsenal no dia 29 de maio na final de Baku e procurará conquista a segunda Liga Europa da sua história.

ONZES E SUBSTITUIÇÕES:

Chelsea: Kepa Arrizabalaga, Azpilicueta, Andreas Christensen (Zapacosta´72), David Luiz, Emerson, Jorginho, Loftus-Cheek (Barkley´86), Kovacić, Willian (Pedro´62), Giroud (Higuain´96) e Hazard

Eintracht Frankfurt: Kevin Trapp, Danny da Costa, Falette, Martin Hinteregger, Abraham,     Hasebe, Gacinović (Paciência´118), Rode (De Guzman´70), Rebić (Haller´90), Jović e Filip Kostić

Valência FC 2-3 Arsenal FC: Arsenal mais experiente garante final

Chegou a hora das decisões. Uns ficam perto do sonho, outros morrem na praia. Valência FC e Arsenal FC lutaram hoje por um lugar no Estádio Olímpico de Baki, no Azerbaijão. Depois da vitória dos gunners por 3-1 em Londres, o lugar na final estava mais próximo para o lado dos ingleses. No entanto, do outro lado estava uma equipa espanhola com muita vontade de alcançar pela segunda vez uma final da competição europeia.

O Valência entrou com uma estratégia claro de jogo: tentar reverter o mais rápido possível o resultado da primeira mão. As coisas até começaram da melhor maneira para a equipa espanhola com Gameiro a marcar um golo cedo na partida, aos 11 minutos, importante para dar uma “embalagem” para uma tentativa de reviravolta, mas a rápida reacção do Arsenal, por Aubameyang aos 17 minutos, resfriou qualquer impacto positivo que o golo madrugador pudesse ter na eliminatória.

As duas equipas passaram a anular-se depois deste inicio mais auspicioso e a primeira parte não trouxe mais golos.

A segunda parte começou com golo. No primeiro foi Aubameyang, agora foi o outro companheiro da frente de ataque. Lacazette recebeu dentro de área, rodou e rematou para o canto da baliza defendida por neto. O Valência até foi o primeiro a chegar à área adversária, mas o Arsenal foi muito mais eficaz. 5 minutos do início da segunda parte e a tarefa espanhola complica-se. A resposta do Valência foi imediata. Ao minuto 58 e depois de uma grande confusão na área do Arsenal, Kévin Gameiro colocou a bola dentro da baliza. O empate estava novamente reposto.

Lacazette e Aubameyang fizeram estragos nas duas partidas frente ao Valência FC
Fonte: Arsenal FC

O Valência até estava a pressionar mais e a sonhar com uma possível “remontada”, depois das últimas noites europeias, mas Aubameyang estragou o sonho. Aos 68 minutos, apareceu bem ao primeiro poste e encostou para o terceiro golo do Arsenal. Durante os minutos seguintes, o Valência continuou a tentar marcar para pelo menos não perder no Mestalla. No entanto, com pouca eficácia. O Arsenal limitou-se a contra-atacar e acabou por marcar mais um golo. O homem do jogo, Aubameyang fez o hat-trick. Uma tabela com Mikhitaryan e um remate muito forte para dentro da baliza ao minuto 90’.

Com esta vitória hoje, o Arsenal marca presença na final da Liga Europa desta temporada. Uma passagem mais do que justa de um coletivo capaz de se superar a si próprio e aos adversários espanhóis. O treinador Unay Emery pode estar perto de vencer mais um troféu desta competição.

ONZES E SUBSTITUIÇÕES

Valência FC- Neto; Piccini (55’ Soler); Garay; Gabriel; Gaya; Daniel Wass; Parejo; Coquelin; Gonçalo Guedes (71´Ferran Torres); Rodrigo (71’ Santi Mina); Kévin Gameiro

Arsenal FC- Cech; Monreal; Sokratis; Koscielny; Kolasinac (71’ Mustafi); Torreira (80’ Guendouzi); Xhaka; Maitland-Niles; Mezut Ozil (62’ Mikhitaryan); Lacazette; Aubameyang.

Os 5 campeonatos mais competitivos deste século, com o FC Porto na luta

A época 2018/2019 aproxima-se da reta final mas, ao que tudo indica, vai ser um final frenético, a lembrar os velhos tempos. No que toca ao campeonato, faltam apenas duas jornadas, depois ainda há a Taça de Portugal e na rota estão os três grandes, que não desgrudam uns dos outros. Motivos para levar os adeptos aos estádios não faltam. As surpresas ainda podem acontecer, mas os encarnados têm na mão mais um campeonato, apesar de que na história azul e branco há recuperações épicas.

Este século, os números não enganam, o FC Porto já ganhou o campeonato com mais um ponto, mas também já perdeu por um ponto. Hoje recordamos cinco dos campeonatos mais competitivos destes últimos 19 anos e nem sempre o FC Porto foi feliz.

João Matos: Oh Captain! My Captain!

O “sportinguismo” absorve a realidade inquietante e dilacerante que me volteia, constituindo o subterfúgio a todo o infortúnio que ocorra. A camaradagem de uma vida. A flama que deflagra ao ínfimo contacto, a paixão que irrompe e que é trespassada através da exsudação e do regozijo. Através de tal ideologia, expresso e perpetro toda a minha religião e crença. (E, novamente, surge a minha obstinação em descrever o indescritível!)

Atendendo à longitude da história leonina, múltiplas seriam as almasenquadradas em tal prova de vassalagem. Contudo, obedecendo à minha moralidade, aclamo João Matos. Nem sei se deva olvidar formalidades ou redigir tal préstimo com todo a deferência. (Romão, como ousas dirigir-te a ilustre peito luso com tamanha indolência?). Mortalidade à parte, semideus, venerar-te-ei para todo o sempre. Mesmo aquando da minha putrefação e da exposição ao reino necrófago. Tu, presença assídua desde o meu acompanhamento à modalidade, foste, desde o primeiro minuto, um ídolo.

A tua singularidade é notória. Marcaste toda a minha geração e continuas a marcá-la. A colossal humanidade equipara-se ao tamanho profissionalismo. Sim, humanidade, pelas provas já prestadas no seio das quatro linhas e no contacto com o púlpito, o respeito nutrido quer para com o opositor quer para com a massa adepta que te salvaguarda. Exemplo vivo de fair-play.

A humildade para reconhecer a inaptidão que designa o ilusionismo e a magia fomentou na minha índole o espanto e a perplexidade. Não oculto a minha paixão pelo hermetismo supracitado. Contudo, algo ascende à estratosfera que nos cobre e que, no âmago de um sportinguista irracional (como eu) arrebata todo e qualquer drible ou golo: refiro-me ao arrojo, à audácia e à temeridade. Qualquer pavilhão cai no embevecimento. Resta a apreciação e a filiação com espírito tão intenso. Portugal, a Europa e o mundo já se habituaram a manifestações de cariz “guerrilho-sentimental”.

Em João Matos, o leão rampante confunde-se com o seu próprio coração
Fonte: Sporting CP

A referência assume contornos pleonásticos, mas aplicá-la em casos passíveis da mesma é um deleite. Cliché ou não. Exatamente, relatos de uma rivalidade eterna: SL Benfica. Galhardamente, e com a dentição devidamente afiada, exalaste o bramido enfurecido, empenhando a listada verde e branca e fincando os lábios junto do símbolo ao qual jurou amor eterno. Nunca vislumbrei choro e raiva tão autênticos aquando de desaires, assim como nunca vivenciei tamanho júbilo e lágrimas de contentamento.

A UEFA Futsal Champions League era competição almejada há uma data de anos. Mais do que qualquer outra, mereceste-a. Porque respiras Sporting, porque vives o Sporting, porque vives para o Sporting, porque exaltas os seus valores, porque não te acobardas em clima de peleja, porque não permites que ninguém nos espezinhe, porque nos instruis o ecletismo da instituição e porque (nos) amas incondicionalmente. Se há pessoa que honra a braçadeira que transporta, és tu!

Um “obrigado” ridicularizaria toda esta (tentativa de) homenagem. Para ti, as palavras não fluem no decurso da normalidade e todos os vocábulos elogiosos são escassos. És nosso, és a amálgama de todos nós, és Sporting Clube de Portugal!

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Tour of Chongming Island: Múltiplas oportunidades para as sprinters

0

Depois das clássicas, a primeira prova por etapas do Women’s World Tour será na China e com um percurso bastante simples.  

Serão três dias completamente planos em que as bonificações nos finais de etapa e nas metas volantes (duas cada nas primeiras jornadas e três na final) serão fulcrais para a decisão da vencedora da corrida.

Na edição de 2018, Charlotte Becker aproveitou uma fuga bem-sucedida para surpreender as sprinters e levar de vencida a Geral.

Para este ano, a principal favorita é, claramente, Lorena Wiebes. A sprinter da Parkhotel Valkenburg está em ano de afirmação e ainda há poucos dias triunfou de forma autoritária na jornada inaugural do Tour de Yorkshire.

As suas grandes rivais serão a belga Lotte Kopecky e o coletivo da Mitchelton-Scott, que além da sprinter Sarah Roy conta ainda com ciclistas que podem tentar lançar-se ao ataque, com especial destaque para Grace Brown.

Ainda no campo das velocistas, as irmãs Garner têm aqui uma oportunidade de se mostrar num nível superior ao que habitualmente competem, enquanto Tatsiana Sharakova também é um nome a ter em conta.

Para eventuais ofensivas, Olga Zabelinskaya e Anastasiia Chursina são os principais nomes a reter, mas não será de descontar a segunda classificada de 2018, Shannon Malseed.

A portuguesa Daniela Reis está também presente na China, integrando uma Doltcini – Van Eyck onde, como é usual, a aposta deverá ser a presença nos movimentos de ataque que venham a acontecer.

Entre as participantes, destaque ainda para a jovem Lea Lin Teutenberg, sobrinha da recordista de vitórias na prova, Ina-Yoko (vencedora numa altura em que a prova era de um só dia).

Favoritas

*** Lorena Wiebes, Sarah Roy

** Lotte Kopecky, Olga Zabelinskaya

* Anastasiia Chursina, Shannon Malseed

Foto de Capa: Cylance Pro Cycling

O Futebol Português é fraco? Desengane-se

Faltam apenas duas jornadas para “fecharem as cortinas” da Primeira Liga 2018/19 e ainda há muito por decidir, com a luta pelo campeonato ainda em aberto, tal como a feroz luta pela manutenção no principal escalão do futebol nacional. Mas, além da emoção acerca do destino de várias equipas, também há algo que tem abundado especialmente neste final de época: golos, golos e mais golos.

Abriram-se as comportas e uma enxurrada de golos atingiu a Primeira Liga, com o recorde de golos atingido à 32.ª jornada, onde houve espetáculo em praticamente todos os campos em que a bola rolou, com apenas um jogo a ter menos de três tentos marcados. Os números são, realmente, brilhantes: os três grandes golearam por números pesados os seus adversários, com o SL Benfica a bater o Portimonense SC por 5-1, o FC Porto a ganhar 4-0 ao CD Aves e o Sporting CP a cilindrar o Belenenses SAD por uns incríveis 8-1 que, mesmo assim, continuam a não ser a maior goleada esta época (não esquecer os 10-0 com que o SL Benfica venceu o CD Nacional).

Mas desengane-se quem achar que só os três grandes é que dão espetáculo, já que as equipas mais “modestas” da Primeira Liga não se ficaram atrás na veia goleadora: o duelo pela manutenção entre CD Feirense e GD Chaves terminou num estonteante 4-4, com voltas e reviravoltas e um empate dramático no último minuto. Já o Santa Clara foi a Tondela bater os locais por 3-1, enquanto o Vitória SC sofreu um dramático empate 2-2 frente ao penúltimo CD Nacional, com o golo da igualdade aurinegra marcado já no período de descontos.

O dérbi lisboeta entre Sporting CP e Belenenses SAD foi o jogo com mais golos da jornada 32, com nove golos marcados
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Sei que o leitor se perguntará já pelo jogo de segunda-feira em Setúbal e a vergonha que, certamente, mostrou. São acontecimentos, sem dúvida, tristes, condenáveis e que nunca podem acontecer num estádio de futebol exigindo-se punição severa para o Vitória FC e respetivos adeptos. Mas preferia olhar para o copo meio-cheio, esquecendo as dramáticas visões de que o “futebol português é um circo” e olhar mais para as oito partidas recheadas de golos e emoção que vimos esta jornada, que mostram as qualidades que também temos no futebol nacional e deixar de parte os episódios mais vergonhosos (que, infelizmente, não são um exclusivo do nosso país) protagonizados por pessoas que não acrescentam nada ao futebol.

Mas quero eu com isto dizer que o futebol português é perfeito? Claro que não. As desigualdades são evidentes na Primeira Liga, no tratamento da imprensa para com os três grandes e restantes emblemas, além de grandes problemas estruturais que requerem uma solução pensada, mas serve para o comum-adepto perceber que há matéria-prima de qualidade em Portugal, que os jogos dos ditos pequenos também merecem ser vistos e seguidos.

O futebol é feito de golos e se há coisa que esta jornada nos mostrou é que as “outras” equipas da Primeira Liga também sabem fazer golos, que os jogos sem os ditos três grandes não são um desfile de “pontapé para a frente e no final fica 0-0” e, acima de tudo, que há bom futebol no nosso país.

Cabe a nós, imprensa, divulgar o que de bom há no ludopédio nacional e ao adepto apreciar a qualidade fora dos três grandes. Há muito para desfrutar no futebol português.

 

Foto de Capa: Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede