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CD Feirense 2-3 Sporting CP: Salvos pela frieza de Dost

sporting cp cabeçalho 1Dois dos cinco imbatíveis do campeonato encontravam-se nesta quinta jornada, no Estádio Marcolino de Castro.

Do lado da casa, o onze inicial, escalado por Nuno Manta Santos, apenas tinha uma mudança em relação à vitória em Chaves: o estreante reforço João Silva por José Valencia. Quanto ao Sporting, duas alterações: saída de Alan Ruiz da posição de apoio a Dost, com William Carvalho a ser titular à frente da defesa e Coentrão, lesionado, nem fez parte dos convocados, sendo que foi Jonathan Silva que assumiu a lateral esquerda.

Numa primeira parte pautada pelo equilíbrio, foi o Feirense quem criou mais perigo, por intermédio dos dois extremos. Primeiro, Etebo, frente a Patrício, permitiu a defesa do guardião leonino, na sequência de um ressalto após livre indireto. Depois, aos 42 minutos, Mathieu quase ofereceu um golo ao adversário, com Edson Farías a desarmá-lo e, perante o guarda-redes internacional português, atirou ao lado.

Um cabeceamento de Bruno Fernandes quase abriu o marcador (47’), naquele que foi o início de uma segunda parte que viria a revelar-se bem mais emocionante…com cinco golos!

Gelson (57’), de pé esquerdo, ensaiou antes do golo inaugural, à entrada da última meia hora. Canto de Acuña e Coates (62’), na insistência, colocou o Sporting em vantagem. Três minutos depois, Gelson lança Bruno Fernandes que, à saída de Caio Secco, pica a bola sobre o guarda-redes brasileiro e dá, assim, mais conforto aos leões.

Todavia, a “cultura Feirense” que Nuno Manta Santos tanto exalta também se revela uma alma Feirense. Aos 69’, o estreante João Silva reduziu com um cabeceamento vitorioso, após um canto da direita.

O Feirense mostrou bem os créditos que levou a equipa a chegar à quinta jornada sem derrotas, depois de na época passada ter terminado o campeonato às portas da Europa Fonte: Twitter goalpoint.pt
O Feirense mostrou bem os créditos que levou a equipa a chegar à quinta jornada sem derrotas, depois de na época passada ter terminado o campeonato às portas da Europa
Fonte: Twitter goalpoint.pt

Aos 76’, uma desatenção na defesa fogaceira poderia ter deitado tudo a perder, mas Acuña não acertou com a baliza.

Quatro minutos depois, Etebo foge a Coates e faz o segundo golo, pondo ao rubro os adeptos da casa, que viam a sua equipa chegar ao empate, após um 2-0 desfavorável diante do líder do campeonato.

A partir daí, Jorge Jesus faz uma dupla substituição, fazendo entrar Iuri Medeiros e Doumbia, povoando mais a área adversária e tornando o jogo mais direto. Era numa bola longa que estaria o desenhar do golo da vitória leonina. Coates é derrubado pelo recém-entrado Luís Rocha e Bas Dost, oito minutos depois dos 90, não perdoou da marca dos onze metros.

Jorge Jesus respira de alívio, grato pela frieza de Dost, agora que a Europa está aí à porta.

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

O Dragão vai ser posto à prova

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fc porto cabeçalhoHá dias, numa peça jornalística passada num dos canais generalistas, o jornalista referiu que o FC Porto conseguiu até ao momento três vitórias e tinha, consequentemente, 12 pontos conquistados. Ora, torna-se mais ou menos percetível que se trata de um pequeno grande lapso, motivado, porventura, pela surpresa de alguns face ao momento atual da equipa azul e branca. Para muitos, o pleno de vitórias e a dinâmica que se vai instalando na equipa mais não é do que um furar de expetativas que se pensava serem, até há bem pouco tempo, bastante negativas para a equipa de Sérgio Conceição.

O FC Porto prepara-se neste momento para conseguir a quinta vitória consecutiva no campeonato, partir à conquista do 15º ponto e enviar mais uma mensagem forte à concorrência. O primeiro grande teste foi debelado, com sucesso, há cerca de duas semanas, na Pedreira, frente a um Braga que, ainda à procura da melhor forma, se apresenta muito bem apetrechado. Porém, o ciclo que agora se inicia contempla desafios de grande exigência diante de Besiktas (casa), Rio Ave (fora) e Sporting (fora), para além, claro, dos sempre incómodos Chaves e Portimonense, ambos no Dragão. Ou seja, a boa imagem deixada no Minho já lá vai e agora exige-se que ela seja transportada para os próximos jogos, não só pela importância que ganhar terreno aos rivais nesta fase da época tem, mas também pela quase obrigatoriedade de fazer nove pontos nos três jogos caseiros da Liga dos Campeões.

O maior trunfo deste FC Porto sem “reforços” parece ser a cumplicidade do grupo Fonte: FC Porto
O maior trunfo deste FC Porto sem “reforços” parece ser a cumplicidade do grupo
Fonte: FC Porto

Tudo o que fuja desta perspetiva pode, eventualmente, comprometer o futuro da época, essencialmente numa fase em que SC ainda vai afinando processos e criando rotinas. É nesse sentido que se torna imperativo enfrentar com grande sentido de responsabilidade o jogo deste sábado com o Chaves, uma equipa com excelentes jogadores e com um treinador de superior qualidade, que por mera infelicidade ainda não encontrou o caminho dos triunfos.

A luta promete intensificar-se daqui em diante, não só dentro de campo como também fora dele, pelo que não é possível qualquer tipo de relaxamento e desarme, à sombra dos resultados já obtidos. A grande exigência começa agora, e como sabiamente reconhece Conceição: “o próximo jogo é verdadeiramente o mais importante.”

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Mitrogolo, espero não ter saudades

sl benfica cabeçalho 1A saída do Mitroglou do Benfica deixou qualquer benfiquista com a pulga atrás da orelha. O grego era uma peça fundamental na equipa, como aliás foi claro na época passada, com 27 golos em 43 jogos e na anterior, com 25 golos em 45 jogos. Devemos-lhe o tri e o tetracampeonato, é o nosso Mitrogolo, porque é que o deixaram sair?

Acredito que esta questão não tenha só passado pela minha cabeça, aposto que a maioria dos adeptos ainda se questionam. O camisola 11 sempre foi titular indiscutível, pela sua competência, e avançados que marcam cerca de 30 golos por época não abundam no mercado, muito menos neste mercado selvagem e desmedido, em que jogadores são transacionados por valores altíssimos e os quais o Benfica não pode praticar. Mas, mais estranho ainda, é o Benfica vendê-lo por 15 milhões (bem sei que saiu agora a notícia que o clube da Luz pode vir a receber mais 12,5 milhões), isto, para a maioria dos adeptos, é demasiado barato e para mim também. O que me leva a colocar a seguinte questão: será que os valores se devem à necessidade do Benfica vender o Mitroglou devido à entrada de Seferovic ou foi por vontade do próprio jogador?

Acredito que se tratou de um misto das duas coisas pois, se as noticias vindas a público são verídicas, o Benfica recebeu uma proposta de 45 milhões pelo jogador, em Janeiro, e acabou por não aceitar, o que do ponto de vista desportivo  até considerei que foi uma boa decisão, já que ajudou em muito à conquista do tetra, mas a nível financeiro foi uma má decisão, pois perderam-se ali cerca de 30 milhões, em 8 meses. Já relativamente ao Marselha, ao que tudo indica, a proposta foi de 3 milhões limpos por época, o dobro do que recebia no Benfica, e Mitroglou, com 29 anos, viu aqui o seu grande contrato para finalizar a carreira, assinando por 4 anos. E a verdade é que o início de época do Seferovic, com uma média de um golo por jogo, deve ter levado, tanto o Benfica como o Mitroglou, a considerar que havia aqui uma janela para acordo entre ambas as partes. Por isso, creio que a chegada do matador do momento, Seferovic, e proposta do Marselha, tenham feito com que o negócio acontecesse.

Fonte: SL Benfica
Fonte: SL Benfica

Do ponto de vista desportivo, os encarnados perdem um avançado muito eficaz, um verdadeiro matador, que muitas vezes sem se dar por ele durante 90 minutos, acabava quase sempre por tirar o seu coelho da cartola, estava também completamente integrado no grupo e em plena sintonia com o rei Jonas. Foi muito bom enquanto durou.

Posto isto, só espero que o início do Seferovic não seja só sorte de principiante e exista mesmo qualidade, para que daqui a 9 meses não tenhamos saudades do grego. Como benfiquista, um enorme obrigado ao Kostas Mitroglou pelo seu notável desempenho nos dois anos em que representou o Benfica e espero que a sua saída seja tão discreta como a passagem pelo clube. Será sempre um de nós!

 

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Beatriz Silva

No futebol como no Wrestling

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sporting cp cabeçalho 1O Futebol cada vez mais parece wrestling. Não, não vou falar de “fariseus”, “samaritanos” ou “pizzas”. Vou falar de um espectáculo de showoffs, combates combinados e discursos ensaiados. Vendo a situação desta forma, quase não dá para perceber se me refiro a um ou a outro desporto, uma vez que cada vez mais estes “ingredientes” se observam em ambos.

Ainda me lembro de, aos fins-de-semana e pela hora de almoço, estar a ver os combates de wrestling comentados pelo “Tarzan” Taborda e ficar impressionado com a paixão com que o mesmo falava desse desporto, convidando qualquer lutador a enfrentá-lo no ringue e dando como certa a sua vitória (sim, Mayweather e McGregor ainda eram crianças, infelizmente). Apesar de eu não poder pôr em causa a valia do comentador dentro dos ringues, por nunca o ter visto lutar, gerava-me alguma estranheza tal confiança num atleta que lutava num desporto com regras tão próprias, que dificilmente outros lutadores aceitariam (isso passou-me depois do combate Mayweather/McGregor). Só conseguiria aceitar toda aquela confiança se o confronto fosse com qualquer outro lutador da mesma modalidade, com todas as regras (ou falta delas) e campeões pré-estabelecidos. Ainda assim, naquela altura o programa entretinha-me e eu via-o regularmente.

Depois de cada emissão juntava-me com alguns amigos, adeptos daquele desporto, a quem eu tentava demonstrar os golpes ensaiados e as cadeiras que surgiam do nada, situações associadas a árbitros que nunca viam as “infracções”, ao que eles retorquiam com a beleza de cada voo, uppercut, quase mostrando total cegueira ou desprezo pelo óbvio.

Por mais óbvia que seja uma infracção, nunca se admite desde que seja feita por um jogador da sua equipa Fonte: CM TV/Mister do Café
Por mais óbvia que seja uma infracção, nunca se admite desde que seja feita por um jogador da sua equipa
Fonte: CM TV/Mister do Café

Acabei por ir perdendo o interesse, ao cansar-me de ver golpes que apenas atingiam o chão do ringue e combates que terminavam quando os intervenientes decidiam ou combinavam que havia chegado o momento de acabar. Bem sei que, neste caso, o que interessa é o espectáculo, e todos sabem que são essas as regras, e todos sabem o que esperar.

Pelo menos no wrestling eles assumem que é só “faz de conta”. Já no futebol, todos sabem que é faz de conta e ninguém o assume.

Obrigado, Premier League

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Cabeçalho Liga Inglesa

As primeiras jornadas dos principais campeonatos europeus, coincidentes com o último mês de abertura do mercado de transferêncais, parecem dissociadas do resto dessas provas. É uma fase de adaptação à intensidade da competição, mas também um período de incerteza relativamente à constituição dos plantéis de cada equipa. Isto afeta, naturalmente, os jogadores. Os que sabem que vão ficar, incertos sobre se vão continuar a contar com os que podem partir, e os que podem partir, ansiosos por não ficar. Alguns deles até são afastados do plantel principal e são forçados a ter, mais tarde, o mês de adaptação competitiva. O desempenho desportivo é, claro, afetado.

Mas não é só. A verdade desportiva (tão em voga nos dias que correm) também é perturbada, porque pode acontecer que um jogador dispute a primeira jornada por um clube e que, na seguinte, represente a do adversário que enfrentou. Também se pode dar o caso de esse jogador ser afastado da competição, de forma a preservá-lo fisica e mentalmente para uma futura transferência, mas aí o jogador ficaria privado da tal adaptação competitiva, pelo que o clube que vende (que não tem o seu jogador em campo), o clube que compra e, sobretudo, o jogador ficariam, de certa forma, prejudicados. O único beneficiado seria o seu agente, que aproveitaria a espera para lançar especulação de forma a aumentar o preço de transferência, que lhe iria garantir um maior ganho com a suposta “comissão de agenciamento”.

Coutinho protaginozou uma das 'novelas' do mercado de transferências Fonte: Mirror
Coutinho protaginozou uma das ‘novelas’ do mercado de transferências
Fonte: Mirror

Onde fica o espetáculo no meio disto tudo? Onde fica o suposto principal protagonista (o Futebol) no meio de um guião inundado pela ganância de uma pessoa que nada tem a ver com ele? Continua a existir, sim (a bola rola na mesma), mas estará condicionado pelo facto dos seus interesses não serem atendidos. Afinal, a credibilidade do jogo que tanta gente ama fica afectada e esfuma-se por entre guerras de bastidores. É o futebol-negócio, com todo o mal que isso tem, a atingir o seu esplendor em prejuízo do futebol-desporto.

Manchester City e o modesto início de Premier

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Cabeçalho Futebol InternacionalSe olharmos para a classificação neste momento, este artigo parece logo, à partida, perder todo o significado ou sentido. Os ‘citizens’ estão no quarto lugar, com os mesmos pontos do segundo, Liverpool, terceiro, Huddersfield, e do quinto, West Brom e a dois do 100% vitorioso Manchester United, ao cabo de três jornadas.

Seria absurdo, também, apelidar de “medíocre” a performance dos homens comandados por Guardiola após duas vitórias e um empate que os colocam bem perto do topo da Premier League.

A leitura que este trabalho propõe é das dificuldades que a equipa demonstrou ao longo destes três encontros, onde só um dos cinco golos até agora marcados foi alcançado antes (bem antes) da parte final dos jogos.

Com um plantel, nas próprias palavras de Pep Guardiola, dos mais velhos da Premier League e da Europa, o plantel do City rejuvenesceu-se nesta janela de mercado veraneante. Muitas saídas, a maioria a custo zero e sete contratações que ultrapassaram os 200 milhões no plano do investimento, com destaque para o guardião, Ederson Moraes, os três laterais, Kyle Walker, Danilo e Benjamin Mendy e o extremo Bernardo Silva.

70, 65 e 70, respetivamente, foram os números percentuais de posse de bola, nada de surpreendente numa equipa orientada pelo catalão adepto do futebol total. 14-6, 19-7, 19-9, na ordem respetiva, foi o corolário favorável no que a remates efetuados e concedidos diz respeito nestas três jornadas.

Nas duas primeiras jornadas – Brighton (fora, vitória com dois golos nos últimos 20 minutos) e Everton (casa, equipa chegou ao empate aos 82’) – a equipa jogou em 3x1x4x2, enquanto em Bournemouth (fora, com o golo da vitória a chegar aos 90+7’) recuperou a linha defensiva a 4, em 4x3x3. Do primeiro para o segundo jogo, a grande diferença residiu nas laterais, com Danilo a jogar na ala esquerda e Walker na direita e no segundo Danilo na direita e Leroy Sané na esquerda.

Nas restantes posições, manteve-se a espinha dorsal: Ederson Moraes, Otamendi-Stones-Kompany na defesa, Fernandinho-De Bruyne-David Silva no meio-campo e Gabriel Jesus-Agüero no ataque.

O Manchester City cria muito no ataque, constrói várias formas de chegar ao golo, mas a finalização não tem a eficácia requerida Fonte: Premier League
O Manchester City cria muito no ataque, constrói várias formas de chegar ao golo, mas a finalização não tem a eficácia requerida
Fonte: Premier League

Na estreia em casa contra os ‘Toffees’, Walker foi expulso na primeira parte e a mudança para esta última jornada, viu John Stones sair e Otamendi-Kompany como a dupla de centrais, Mendy na esquerda e Danilo na direita, o meio-campo permaneceu o mesmo e, na frente, Sterling aberto na esquerda, Bernardo Silva na direita e Gabriel Jesus no meio.

No entanto, e Pep Guardiola tem sido repetitivo nas conferências de imprensa pós-jogos, sobretudo após o empate com o Everton, a equipa tem problemas em finalizar proficuamente. Passa grande parte do jogo no meio-campo adversário, cria muito pelos flancos, muito forte no jogo interior, com David Silva e De Bruyne, dois interiores ofensivos a aparecerem com facilidade a finalizar. Os alas, sobretudo com o sistema de três atrás, também têm muita chegada na área contrária, enfim…Muitas formas de chegada na baliza, mas sem a eficácia requerida.

Gabriel Jesus e Sergio Agüero são dois grandíssimos jogadores de ataque, mas, e depois de tão acentuado investimento na zona defensiva, fica a dúvida sobre se a posição mais avançada do terreno não deveria ter sido reforçada, e por lá também pode passar Sterling, que até é o melhor marcador da equipa no momento.

É verdade que o estilo de atacar de Guardiola não contempla homens do golo muito fixos, mas sim muito comunicativos com o meio-campo e os flancos, dando capacidade de permuta, mobilidade, imprevisibilidade e penetração ao carrossel da circulação de bola em ataque posicional.

Muito cedo para tirar já conclusões, mas, na última época, o melhor marcador na Premier League dos ‘citizens’ foi Kun Agüero, com 20 golos em 31 jogos, não fazendo parte do pódio de goleadores da principal divisão inglesa. Números nada impressionantes para um clube que quer ser campeão no melhor campeonato do mundo.

Gabriel Jesus chegou em janeiro último e, neste último encontro com o Bournemouth, num sistema que contemplava apenas um ponta de lança, o argentino foi o preterido.

A quarta jornada da Premiership começa sábado com um Manchester City – Liverpool. Um clássico. Ótimo para se avaliar com mais precisão esta versão de segundo ano da equipa de Pep Guardiola.

Foto de Capa: Premier League

Artigo revisto por: Beatriz Silva

Uma modalidade em claro crescimento

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Cabeçalho modalidadesRecentemente saiu uma indicação de que Portugal irá ser sorteado para a fase final do campeonato europeu no pote 1, juntamente com a organizadora do já referido torneio continental, a Eslovénia, Espanha (a campeã europeia em título) e a vice-campeã mundial Rússia. Ora, juntando este fator à recente subida no ranking da UEFA para o terceiro lugar, que permitiu juntar um segundo representante na primeira edição da renovada Liga dos Campeões de Futsal, significa o crescimento brutal que esta fantástica modalidade tem tido nos últimos anos.

Graças à subida para o pote principal, na fase inicial do torneio temos o conforto de evitar os adversários já citados anteriormente, que são oponentes muito fortes, e mesmo no caso do país que recebe a fase final da competição, é sempre um rival indesejado nestas competições, como ficou provado na última edição do Euro, onde baqueámos perante a Sérvia e acabámos por ter uns quartos-de-final muito complicados, perante a Espanha, em função do segundo lugar na fase de grupos.

Atenção que mesmo assim existem conjuntos muito fortes nos potes mais baixos, com a Itália na linha da frente do segundo pote, seguida por Ucrânia, Azerbaijão e Cazaquistão.

Apesar de estarmos no principal pote, há adversários muito fortes nos outros potes, como a nossa “besta-negra”, a Itália Fonte: UEFA
Apesar de estarmos no principal pote, há adversários muito fortes nos outros potes, como a nossa “besta-negra”, a Itália
Fonte: UEFA

O último pote ainda não está definido, pois ainda faltam atribuir quatro vagas finais através dos play-offs, mas nenhuma das equipas que vai lutar pelos quatro últimos bilhetes tem melhor ranking que as sete equipas já qualificadas, pelo que já é uma certeza a reentrada no lote de melhores equipas pela primeira vez desde 2012.

Quanto a este torneio, disputado na arena Stozice, em Ljibliana, a nossa equipa deve finalmente libertar-se das amarras de partir como outsider e assumir inequivocamente e claramente que se perfila como um dos principais favoritos a levar o troféu para casa. É sabido que caso as coisas não saiam como esperado as críticas ao selecionador serão muitas e a sua manutenção enquanto treinador da equipa nacional fica altamente comprometida, logo este é claramente um teste de fogo à liderança de Jorge Braz nos destinos da seleção.

A matéria-prima existe e em grande quantidade e qualidade, resta a JB aproveitar aquilo que tem à sua disposição e transformar um conjunto muito forte de jogadores numa grande equipa, um pouco à semelhança daquilo que Fernando Santos fez no Euro 2016 de futebol.

Foto de Capa: Blogue Miguel Lourenço

Fogaceiros no caminho dos leões

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sporting cp cabeçalho 1Todas as épocas desportivas têm uma “equipa sensação”, uma formação que acaba por superar as expetativas dos críticos e que aparece nos lugares cimeiros da tabela classificativa. É certo, também, que essas “equipas sensação” requerem que a temporada já vá longa para que se afirmem como tal. Não há, por isso, “equipas sensação” em inícios de época. O estatuto de sensacionalidade ou revelação requer que as equipas atravessem algumas intempéries e, principalmente, que passem (com pontos) nos confrontos com os três grandes, adquirindo o prestigio de “tomba gigantes”.

O próximo adversário do Sporting para a Liga NOS é o Clube Desportivo Feirense. Não é ainda, pelas razões que acabei de enumerar, uma “equipa sensação” deste campeonato, ainda que possa vir a sê-lo. Façamos um breve raio X a esta equipa nortenha e foquemos alguns aspetos desse exame de diagnóstico à equipa fogaceira:

Posição na Liga: Ocupa atualmente o sexto lugar da tabela classificativa, com oito pontos, permanecendo sem qualquer derrota até à presente jornada: de um total de quatro jogos disputados, a equipa de Santa Maria da Feira regista dois empates (ambos nas duas primeiras jornadas, contra o Tondela e o Moreirense, respetivamente) e duas vitórias (a primeira em casa frente ao Paços de Ferreira, e a última no recinto do Desportivo de Chaves).

Nuno Manta Santos assumiu, durante a época passada,  comando técnico da equipa Fonte: CD Feirense
Nuno Manta Santos assumiu, durante a época passada, o comando técnico da equipa
Fonte: CD Feirense

Treinador: Nuno Manta Santos. Natural de Santa Maria da Feira, trabalhou sempre no clube local, desde os escalões de formação até chegar à equipa principal, que orienta agora. Conhece os cantos à casa e isso, certamente, não é de desvalorizar, face às recentes prestações da equipa que coordena. Manta Santos parece ser um treinador bastante pragmático: não inventa e aproveita o que tem dentro de portas.

Sistema/Filosofia de Jogo: Do ponto de vista do sistema tático, há variações de um sistema de 4x3x3 para um 4x2x3x1, consoante os momentos e as fases do jogo. A muralha defensiva do Feirense impede a equipa adversária de optar por um futebol criativo ou de construção. O reduzido espaço entre linhas que coloca faz com os jogadores adversários mais criativos tenham dificuldades em inserir-se no jogo.

A avaliar por aquilo que a equipa do Feirense fez nas últimas jornadas, a equipa de Manta Santos parece privilegiar um estilo de jogo que não assenta, nem na circulação, nem na posse de bola. Procura um futebol de contra-ataque, aproveitando as falhas das equipas adversárias para lançar a velocidade de alguns dos seus jogadores. O último jogo contra o Desportivo de Chaves foi bastante elucidativo disto que acabo de afirmar: a equipa teve menos remates e menos posse de bola do que os flavienses e, no entanto, ganhou por duas bolas a zero, em terras transmontanas.

Carta Aberta a Luís Felipe Vieira

cartaaberta

Senhor Presidente,

Findo mais um mercado de transferências, novo período destinado ao reforço da equipa para uma nova época, um novo ataque aos vários títulos em que o Benfica está todos os anos inserido, venho aqui expor os meus pensamentos, como benfiquista e cidadão livre.

É verdade que no mercado não andamos só nós por lá e, devido às épocas de elevado nível, os nossos colegas são abordados e aliciados a sair para outros horizontes, outros campeonatos, outras andanças, fazendo com que alguns deles acabem por nos deixar apenas as memórias no regresso ao trabalho para revalidar títulos e conquistar troféus. No entanto, cabe a nós, Benfica, fazer abordagens e aliciar também outros jogadores e transformá-los em novos colegas para ocupar o lugar dos que partiram de lágrima no olho e com um lugar no coração pintado de vermelho e branco. Porque cá ninguém é insubstituível, há que renovar, mantendo o mesmo nível, prevendo o futuro de modo a que no fim, o desfecho seja o mesmo que se verificou no final destas quatro épocas transatas.

Introduzindo o que quero por aqui falar, não em forma de crítica, mas em forma de análise, exponho aqui a minha visão como adepto que quer ver o Glorioso a conquistar, repetidamente, glórias, claro está.

Gabigol foi uma das transferências de última hora a chegar ao Benfica Fonte: SL Benfica
Gabigol foi uma das transferências de última hora a chegar ao Benfica
Fonte: SL Benfica

Sem nunca perder a fé no trabalho dos nossos atuais colegas, temo ver um Benfica à procura de soluções com as saídas. Vejo um defesa direito que só a 31 de agosto se juntou a nós, um Gabigol que ao lateral se fez acompanhar no mesmo dia. Vejo defesas centrais como Luisão e Jardel, veteranos, e Kalaica e Rúben Dias, iniciantes no nosso campeonato. Terá sido seguro não ter abordado este setor no mercado?

Vejo a baliza com um jovem de 22 anos à frente, um com 18 acabado de chegar e um veterano de 38 que recorrentemente se lesiona. Olhando para o futuro, estaremos prontos, mas para o agora será suficiente?

Vejo um Fejsa imperial, mas que tantas vezes nos tem de deixar o lugar vago por lesões, onde Samaris e Filipe Augusto desesperam por preencher. Não teria sido decente aliciar um jogador de topo para esta posição?

Vejo muitos jovens a combater por um lugar no onze, vejo posições com juventude pronta para se mostrar, para cometer erros infantis e os resolver para mostrar que são suficientemente bons para jogar no Benfica. Porque sim, é preciso estar num certo patamar para cá chegar, para cá jogar e defender as cores do manto sagrado. Não pode ser qualquer um a vestir esta camisola.

Está o plantel encarnado mais fraco do que no ano passado?

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sl benfica cabeçalho 1O mercado de transferências deste Verão trouxe algumas alterações à composição do plantel benfiquista. As saídas de Ederson, de Nelson Semedo e de Victor Lindelof foram as mais mediáticas.

Diz-se na gíria futebolística que o primeiro atacante de uma equipa é o guarda-redes e é mesmo por aí que vou começar este artigo: pela baliza.

Na temporada passada os adeptos do Benfica gabavam-se de ter um guarda-redes que atacava; muitas foram as vezes em que isolou os avançados da equipa. Já esta época nem podem afirmar com total segurança que há um dono da baliza, porque, de facto, não há. Tanto Bruno Varela como Júlio César, ou até mesmo Svillar, têm possibilidade de o ser.

E se para a baliza não há dono para a defesa pouco a situação melhora. Com a saída de Lindelof e de Nelson Semedo, o único jogador que permaneceu intacto na linha defensiva foi o capitão Luisão, ainda que Grimaldo não o seja por razões físicas.

É a partir do meio-campo que o caso se transfigura. Com várias opções válidas para ocuparem o “miolo” do terreno e as linhas de ataque, a equipa está bem e recomenda-se – o que parece contraditório face ao número algo invulgar de lesões que têm afectado o plantel.

Seferovic tem sido o reforço em destaque Fonte: SL Benfica
Seferovic tem sido o reforço em destaque
Fonte: SL Benfica

Dos jogadores que abandonaram o clube nenhum era peça-chave no esquema de jogo de Rui Vitória – ressalva para o grego Mitroglou, que, embora substituído, e bem, por Seferovic, foi autor de 52 golos encarnados num total de 88 jogos realizados.

Já dos que chegaram há a destacar, naturalmente, o suíço Seferovic e, já nas últimas transferências do mercado, o jovem brasileiro Gabriel Barbosa. Crê-se que ambos sejam jogadores capazes de acrescentar qualidade técnica ao jogo ofensivo encarnado ao mesmo tempo que oferecem soluções para os diferentes momentos do jogo.

Respondendo à questão que introduz o artigo, acredito que o plantel está mais fraco – perdeu jogadores com qualidade acima da média que garantiam uma intensidade superior ao jogo –, embora se tenha tornado mais homogéneo. O valor do plantel vai permitir que, quando forem chamados a jogo, os jogadores consigam manter a qualidade de jogo, o que não acontecia na época passada – não porque eram mais fracos mas sim porque, de facto, havia jogadores com um nível competitivo acima daquele que a liga portuguesa oferece.

Foto de Capa: SL Benfica